quarta-feira, 26 de agosto de 2026

CNBB lança novo hotsite do Sínodo sobre a Sinodalidade para acompanhar fase de implementação


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua Assessoria de Comunicação, lança o novo hotsite dedicado ao Sínodo sobre a Sinodalidade. O espaço foi reformulado para acompanhar a atual etapa do processo sinodal, marcada pela recepção e implementação do Documento Final do Sínodo nas Igrejas locais. Conheça (aqui).

O novo ambiente reúne, em um único espaço, documentos, notícias, vídeos, conteúdos de formação e reflexão, experiências sinodais e materiais para download. O hotsite também recupera o percurso iniciado em 2021 e apresenta os próximos passos do processo, especialmente o caminho de implementação e preparação para as assembleias eclesiais previstas para 2027 e 2028.

Segundo o padre Julio Rezende, membro da Equipe de Animação do Sínodo no Brasil e um dos colaboradores na construção do hotsite, a proposta é facilitar o acesso de todo o Povo de Deus aos conteúdos que ajudam a compreender e acompanhar o processo sinodal.

“O principal objetivo do hotsite sobre a sinodalidade e o Sínodo é possibilitar aos leigos, aos religiosos e religiosas, aos ministros ordenados e a todos os interessados, de forma geral, o acesso às informações, aos documentos e aos materiais que ajudam a acompanhar esse percurso que a Igreja tem vivido desde 2021. Queremos apresentar, de forma bem clara, o caminho já realizado nos últimos anos e também os próximos passos dessa caminhada em vista da Assembleia Eclesial de 2028”, explica.

Espaço de encontro e partilha
Além de reunir conteúdos sobre o Sínodo, o novo espaço foi pensado para favorecer a troca de experiências entre as diferentes realidades eclesiais. Dioceses, grupos, movimentos, novas comunidades e organismos poderão compartilhar iniciativas concretas de vivência da sinodalidade.

Para padre Julio, essa possibilidade faz com que o hotsite vá além da função de repositório de documentos e informações.

“Mais do que um espaço para reunir documentos, o hotsite é também um lugar de encontro, um lugar de partilha e, como o Documento Final diz, um lugar de intercâmbio de dons e de experiências”, afirma.

O sacerdote destaca que a divulgação das iniciativas desenvolvidas em diferentes partes do país também pode contribuir para inspirar novas experiências. “Assim, podemos, por meio do hotsite, conhecer várias iniciativas que já estão sendo realizadas e, por que não dizer, permitir que essas iniciativas inspirem outras pelo país afora.”

Do caminho percorrido à implementação
Convocado pelo Papa Francisco, o Sínodo sobre a Sinodalidade teve início em outubro de 2021 com o tema “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. Desde então, diferentes expressões do Povo de Deus foram envolvidas em um amplo processo de escuta, diálogo, oração, discernimento e corresponsabilidade.

Uma das áreas do novo hotsite apresenta uma linha do tempo desse percurso. O conteúdo recorda a fase diocesana, realizada entre 2021 e 2022; a etapa continental; as duas sessões da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizadas em Roma em 2023 e 2024; a aprovação do Documento Final; e a atual fase de recepção e implementação.

No Brasil, mais de 270 dioceses enviaram contribuições durante a primeira etapa de escuta. Em março de 2023, Brasília também sediou a Assembleia Continental do Cone Sul, com representantes do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.

Com a conclusão das assembleias em Roma e a aprovação do Documento Final, em outubro de 2024, o processo entrou em uma nova etapa. A proposta agora é fazer com que os discernimentos amadurecidos ao longo do Sínodo sejam incorporados à vida cotidiana das comunidades e instituições eclesiais.


Um hotsite para todo o Povo de Deus
O novo espaço é destinado a diferentes públicos e busca servir como referência tanto para quem deseja conhecer a história do processo quanto para aqueles que estão diretamente envolvidos em sua implementação.

“O hotsite se destina a todas as pessoas, homens e mulheres de boa vontade, aos leigos, aos jovens, aos consagrados, aos ministros, às paróquias, comunidades, movimentos eclesiais, novas comunidades, todos os organismos eclesiais, as forças vivas da Igreja”, ressalta padre Julio.

Segundo ele, a plataforma pretende funcionar também como um guia para as próximas etapas. “É um lugar de encontro e de referências para promover a vivência concreta de uma Igreja cada vez mais sinodal, como nos propõe esse percurso que temos vivido do Sínodo sobre a Sinodalidade.”
Documento Final e implementação

O Documento Final ocupa uma área de destaque no novo hotsite. O texto, aprovado em outubro de 2024, apresenta a sinodalidade como dimensão constitutiva da Igreja e oferece orientações para fortalecer a comunhão, a participação e a missão.

Na seção dedicada à implementação são apresentados compromissos que devem orientar essa etapa, como o estudo do Documento Final, a criação de processos permanentes de escuta e discernimento comunitário, o fortalecimento dos conselhos e demais estruturas participativas, a ampliação da corresponsabilidade dos leigos, a participação das mulheres, a formação para a sinodalidade e a utilização da metodologia da conversação no Espírito.

Padre Julio considera o próprio hotsite uma ferramenta para contribuir com esse processo.

“O hotsite é também um instrumento a serviço da implementação do Sínodo. Ele busca dar visibilidade ao caminho que estamos realizando. Ao favorecer, por exemplo, o acesso a esses conteúdos e promover uma maior transparência e participação, estamos implementando aquilo que o Documento Final pediu.”

A disponibilização dos documentos e subsídios, segundo ele, também pode auxiliar as Igrejas particulares a traduzir as orientações do Sínodo para suas próprias realidades.

“Ao disponibilizar o Documento Final e outros materiais de apoio estamos ajudando as Igrejas particulares, as dioceses, a conhecê-lo, aprofundá-lo e encontrar caminhos para aplicá-lo na sua realidade bem concreta.”
Rumo às assembleias de 2027 e 2028


Outro destaque do hotsite é o itinerário rumo às assembleias eclesiais previstas para os próximos anos. O percurso está estruturado em quatro ações: fazer memória, interpretar, orientar e celebrar.

As dioceses serão chamadas a avaliar o caminho percorrido, reconhecer experiências e frutos, identificar desafios e discernir os próximos passos. As contribuições serão posteriormente aprofundadas nos regionais da CNBB e em âmbito nacional, permitindo reconhecer convergências, desafios e prioridades do caminho sinodal no país.

O percurso deverá culminar, em 2028, em uma Assembleia Eclesial no Vaticano, como momento de avaliação da implementação do Sínodo em toda a Igreja.
Formação, vídeos, notícias e documentos


O novo hotsite conta ainda com uma área de formação e reflexão, destinada a conteúdos que contribuam para o aprofundamento da sinodalidade, além de espaços específicos para vídeos, notícias e materiais para download.

Entre os documentos disponibilizados estão o Documento Final do Sínodo, orientações para a fase de implementação, materiais relacionados às assembleias de 2027 e 2028, o Instrumentum Laboris e textos produzidos durante a etapa continental.

O espaço também estabelece uma relação entre o processo sinodal e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, apresentadas como importante instrumento para a recepção e implementação do Documento Final na realidade brasileira.

Para padre Julio Rezende, a troca de experiências possibilitada pela nova plataforma contribui para consolidar esse modo de ser Igreja.

“Essas partilhas permitem que as pessoas e as comunidades apresentem suas experiências, mas também aprendam com outras. Tudo ajuda a fortalecer uma cultura sinodal, da escuta, da participação, do discernimento e da corresponsabilidade em vista da missão.”

Conheça o novo hotsite (aqui).

Por Larissa Carvalho

Papa sobre a reforma litúrgica: a participação dos fiéis não pode ser passiva


Leão XIV dedicou a catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (26/08) às razões que levaram o Concílio Vaticano II a promover a reforma litúrgica. O Pontífice destacou que a liturgia é uma realidade viva, inserida na tradição da Igreja, e deve favorecer a participação consciente, ativa e piedosa. "Os fiéis não podem nem devem continuar a permanecer em silêncio e passivos. A sua presença material não pode coexistir com a sua ausência espiritual", afirmou.

Thulio Fonseca - Vatican News

A reforma litúrgica não surgiu de maneira repentina nem representou uma ruptura com o passado. Foi o que afirmou o Papa Leão XIV na Audiência Geral desta quarta-feira, 26 de agosto, realizada na Basílica de São Pedro, em sua última catequese dedicada à Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II. Segundo o Pontífice, esse caminho amadureceu no interior da Igreja e foi preparado pelo Movimento Litúrgico e pelo Magistério ao longo do século XX. Ao retomar as razões da reforma, Leão XIV recordou uma carta de 1962 do então arcebispo de Milão, cardeal Giovanni Battista Montini, futuro São Paulo VI, que definia a liturgia como expressão do divino e do humano e como voz do diálogo com Deus.
Ouça com a voz do Papa e compartilhe

Fiéis não podem permanecer passivos
Na carta, Montini afirmava que os fiéis “não podem nem devem continuar a permanecer em silêncio e passivos” e que a presença material não pode coexistir com a ausência espiritual. Leão XIV observou que essas palavras estão em sintonia com a Sacrosanctum Concilium, que pede aos cristãos que não entrem no mistério da fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem da ação sagrada de modo consciente, ativo e piedoso:

“Uma vez que os gestos e as palavras da sagrada liturgia são decisivos para concretizar esta experiência, a participação dos fiéis não pode ser passiva.”

Por meio das ações rituais da Igreja, explicou o Papa, realiza-se a memória da obra da salvação e os fiéis podem viver uma verdadeira relação com Deus, entrando em contato com o acontecimento salvífico. Os gestos e as palavras da celebração são, portanto, essenciais para que essa experiência se concretize.

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A liturgia, uma realidade viva
Ao colocar no centro o que constitui o cerne da experiência eclesial, a reforma buscou tornar a riqueza dos textos bíblicos e das orações mais acessível a todos os fiéis e simplificar a estrutura das celebrações em relação à prevista nos livros litúrgicos então em vigor:

“A reforma conciliar, ao colocar no centro aquilo que constitui o cerne da experiência eclesial, procurou fazer resplandecer a liturgia como ‘fonte primeira da vida divina que nos é comunicada’.”

A liturgia, recordou Leão XIV, é uma realidade viva e esteve sempre sujeita a evoluções e mudanças. Com respeito pelo patrimônio da tradição, o Concílio distinguiu os elementos divinos e imutáveis daqueles que podem ser modificados com o passar do tempo, para que os textos e os ritos expressem com maior clareza as realidades santas e favoreçam uma celebração plena, ativa e comunitária. Essa distinção, acrescentou, já havia sido apresentada por Pio XII na encíclica Mediator Dei, de 1947.

Um caminho preparado antes do Concílio
O desejo de uma “reforma geral” não surgiu de repente, observou Leão XIV, mas já se manifestava na ação dos Papas desde o início do século XX, em sintonia com as solicitações do Movimento Litúrgico. A constituição apostólica Divini Cultus, de Pio XI, também já havia retomado a necessidade de os fiéis não assistirem às celebrações como estranhos ou espectadores mudos. Pio XII, por sua vez, reorganizou os ritos da Semana Santa, recolocando-os nos horários correspondentes aos acontecimentos pascais, depois de terem sido antecipados por séculos para o período da manhã. São João XXIII também promoveu uma simplificação das rubricas do Breviário e do Missal por meio do motu proprio Rubricarum instructum, de 25 de julho de 1960, remetendo ao futuro Concílio Ecumênico a definição dos princípios fundamentais de uma reforma litúrgica.

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Tradição viva da Igreja
Esse percurso histórico, explicou o Pontífice, ajuda a compreender a reforma litúrgica em continuidade com a vida da Igreja. Leão XIV advertiu, porém, que alguns princípios da reforma foram absolutizados ou interpretados de maneira equivocada no período pós-conciliar: “A reforma litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II se insere, portanto, na tradição viva da Igreja.”

Uma compreensão correta da reforma, acrescentou, permite rejeitar esses abusos. O Papa recordou ainda que as ações litúrgicas não são privadas, mas celebrações da Igreja, povo santo reunido e ordenado sob a direção dos bispos. Elas pertencem a todo o Corpo da Igreja e o manifestam.

Uma liturgia de nobre simplicidade
Ao concluir a catequese, o Santo Padre ressaltou a responsabilidade dos bispos e de cada sacerdote de zelar pela liturgia e promovê-la no respeito às normas, para que as celebrações manifestem a Igreja una, santa, católica e apostólica:

“É, portanto, responsabilidade primordial dos pastores, dos bispos, mas também de cada sacerdote, zelar e promover uma liturgia que, no respeito pelas normas litúrgicas, brilhe por sua nobre simplicidade e manifeste assim a Igreja una, santa, católica e apostólica.”

Uma liturgia assim, concluiu Leão XIV, torna-se um veículo fundamental de evangelização e um instrumento de graça, por meio do qual os fiéis aprendem a oferecer a si mesmos e, pela mediação de Cristo, crescem na unidade com Deus e entre si.

(@Vatican Media)

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EVANGELHO DO DIA (Mt 23,27-32)

ANO "A" - DIA: 26.08.2026
21ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- O amor de Deus se realiza em todo aquele que guarda sua palavra fielmente.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus: 27 "Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão! 28 Assim também vós: por fora, pareceis justos diante dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça. 29 Aí de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós construís sepulcros para os profetas e enfeitais os túmulos dos justos, 30 e dizeis: 'Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices da morte dos profetas'. 31 Com isso, confessais que sois filhos daqueles que mataram os profetas. 32 Completai, pois, a medida de vossos pais!"

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Da aparência externa à verdade interior"

Aparência de sepulcro caiado
“Por fora pareceis justos, mas por dentro estais cheios de hipocrisia” (Mt 23,27-32).

Irmãos e irmãs, no Evangelho de hoje, Jesus usa essa imagem que podemos chamar de forte: “Sois como sepulcros caiados”.

Na aparência, o perigo da hipocrisia
Por fora, tudo parece bonito, correto, religioso, mas por dentro há vazio, incoerência, distância de Deus. Vícios: virtudes públicas, vícios privados, vícios escondidos, vícios apodrecidos que nos apodrecem. Sepulcro caiado… Que imagem forte! É uma palavra dura, mas necessária, porque revela um risco real da vida espiritual: cuidar da aparência, mas esquecer o coração, que deve estar vinculado a Deus.

Deus olha e conhece o interior
A hipocrisia não é apenas fingir, mas é viver dividido. Hipocrisia é ter vida dupla, é quando existe uma distância entre aquilo que mostramos e aquilo que realmente somos. Jesus não condena a fragilidade humana, mas denuncia a falta de verdade. Deus não se impressiona com exterioridades. Ele olha o interior, onde nascem nossas intenções, escolhas e atitudes. Que tenhamos um caminho de autenticidade. Em vez de tentar parecer justos, deixemos que Deus nos torne justos por dentro. Isso exige humildade no nosso coração, mas exige também coragem, conversão.

Que o Senhor purifique, neste dia, o nosso coração, para que a nossa vida não seja apenas aparência, mas um testemunho verdadeiro de fé e amor. Não sejamos sepulcros caiados!

Sobre você, desça e permaneça a bênção do Deus Todo-poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edson Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


Deus enviou Jesus, e Jesus enviou a Igreja



A Igreja é consequência direta do mistério da Encarnação, seu prolongamento. Muitos querem, hoje, dizer ‘sim’ a Jesus e ‘não’ à Igreja, mas isso afeta a própria identidade do Cristianismo. A Igreja, instituída por vontade de Cristo, com suas normas, como prolongamento da Encarnação do Verbo de Deus, tornou-se o lugar privilegiado do encontro dos homens com Cristo e com o Pai.

Quem pergunta “Por que a Igreja?” cai no mesmo erro de quem pergunta: “Por que Cristo?”. Ele veio do Pai e deixou a Igreja. O Pai enviou Jesus para a salvação do mundo, e Cristo enviou a Igreja. “Assim como o Pai me enviou, assim também eu os envio a vós” (Jo 20,21).

Muitos, hoje, querem a Igreja na forma de uma “democracia moderna”, onde tudo se decida pela vontade da maioria. Ela seria, então, como um grande Clube religioso de normas “flexíveis”, mais assimiláveis. A consequência disso – e o grande engano – é que, nesse caso, o homem seria guiado unicamente por si mesmo, e não por Deus. Não seria mais “a Igreja de Deus” (1Tm3,15).

Foto ilustrativa: Getty Images by Ore HDR

Jesus conduz a Igreja
Pelo fato de a Igreja ter a sua vida guiada pela Sagrada Tradição, que vem de Cristo e dos apóstolos dá-nos a garantia de que é o próprio Jesus, presente nela, que a conduz.

O primeiro sacramento, o fundamental, é a santíssima humanidade de Jesus, por meio da qual (gestos e palavras) passava a graça de Deus. A Igreja é a continuação desse “sacramento”, por isso São Paulo a chama simplesmente de “o Corpo de Cristo” (Cl 1,24).

Leia mais:

As expressões terminais desse sacramento “Cristo-Igreja” são os sete sacramentos, que levam a salvação ao homem, do nascer até o morrer. E sem a Igreja não há sacramentos; logo, não há salvação. Daí, podemos ver, claramente, o quanto ela é essencial ao Cristianismo quanto o mistério da Encarnação do Verbo. Num Cristianismo sem a Igreja instituída por Cristo (Mt 16,16s) sobre Pedro e os Apóstolos, o próprio Cristo ficaria mutilado, como que degolado. E essa Igreja é a única e una, católica (universal), apostólica e romana.

Autor: Prof. Felipe Aquino

São Zeferino


Zeferino nasceu no ano de 165 em Roma, não há muitos registros relatando sua vida antes de ser eleito Papa. Zeferino foi eleito Papa em 199 sucedendo o Papa Vitor I e sendo o décimo quinto a ocupar a Cátedra de Pedro.

Seu pontificado se deu sob intensa perseguição de Septímio Severo, que “proibiu sob pena grave, toda propaganda judaica, e tomou a mesma decisão a respeito dos cristãos”, conforme a História Augusta.

O Papa Zeferino, enfrentou também muitas heresias, que abalavam a Igreja mais do que os próprios martírios. As heresias estavam no desejo de alguns em elaborar só com dados filosóficos o nascimento, a vida e a morte de Jesus Cristo. A discórdia era generalizada, uns negavam a divindade de Jesus Cristo, outros se apresentavam como a própria revelação do Espírito Santo, profetizando e pregando o fim do mundo.

Mas o papa Zeferino amparado pelo poder do Espírito Santo e pela sensatez, uniu-se aos grandes sábios da época, como Santo Irineu, Hipólito e Tertuliano para livrar os cristãos das mentiras dos hereges e dos exageros, conseguindo assim, estabelecer a verdade.

O papa Zeferino era dotado de inspiração e visão especial. Seu grande mérito foi ter valorizado a capacidade de Calisto, um pagão convertido e membro do clero romano, que depois foi seu sucessor. Ele determinou que Calisto organizasse cemitérios cristãos separados daqueles dos pagãos. Isso porque os cristãos não aceitavam cremar seus corpos e também queriam estar livres para tributarem o culto aos mártires.

Este trabalho foi a origem das catacumbas romanas, lugar histórico que testemunha grande parte da história cristã.

O Papa Santo Zeferino foi martirizado em 20 de dezembro de 217, juntamente com o bispo Santo Irineu, encerrando assim seu pontificado que durou 18 anos.

Foi sepultado numa capela nas catacumbas que ele mandou construir em Roma, Itália.
Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Como incentivo aos Bispos o Papa São Zeferino escreveu: “Que o Deus todo-poderoso e seu único Filho e Salvador nosso, Jesus Cristo, vos guie para que, com todos os meios ao vosso alcance, possais auxiliar a todos os irmãos que passam por tribulação, que sofrem durante seus trabalhos, estimando seus sofrimentos. Que sejam dados a eles toda a assistência possível, por atos e palavras, de forma a que sejais reconhecidos como verdadeiros discípulos dAquele que nos mandou amar aos irmãos como a nós mesmos”. Sejamos também nós tocados por estas palavras para que todos tenham paz e fraternidade dentro de si.

Oração:

Deus eterno e todo-poderoso quiseste que São Zeferino governasse todo o vosso povo, servindo-o pela palavra e pelo exemplo. Guardai, por suas preces, os pastores de vossa Igreja e as ovelhas a eles confiadas, guiando-os no caminho da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Coleta Nacional para o 19º Congresso Eucarístico Nacional será realizada nos dias 5 e 6 de setembro



A Igreja no Brasil se prepara para a realização do 19º Congresso Eucarístico Nacional (19º CEN), na arquidiocese de Goiânia, entre os dias 3 e 7 de setembro de 2027. Como parte desse caminho de preparação e em espírito de comunhão e corresponsabilidade, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove uma Coleta Nacional em todas as dioceses do país, nos dias 5 e 6 de setembro, durante o 23º Domingo do Tempo Comum.

A iniciativa foi deliberada pelo Conselho Permanente da CNBB, em reunião realizada em 4 de março de 2026, na sede da Conferência, em Brasília. A coleta busca envolver todo o povo de Deus na preparação do Congresso, possibilitando que as comunidades participem concretamente dos frutos espirituais e pastorais que o evento pretende oferecer à Igreja no Brasil.

A Presidência da CNBB encaminhou aos arcebispos e bispos do país um pedido para que a coleta seja incentivada nas dioceses, com o envolvimento de presbíteros, diáconos, religiosos, religiosas e leigos. A proposta é que esse gesto seja vivido como uma expressão concreta de comunhão eclesial e corresponsabilidade na preparação do Congresso.

“A CNBB convida as comunidades de todo o país a participarem desse gesto de comunhão, contribuindo para a realização do Congresso e para que esse momento de encontro em torno da Eucaristia produza frutos para a vida e a missão da Igreja no Brasil”.

Um caminho de preparação para o Congresso
Com o tema “Hóstia viva, no mundo, para a glória do Pai”, o 19º Congresso Eucarístico Nacional será um momento de renovação espiritual, aprofundamento da fé e fortalecimento da unidade eclesial. A programação pretende favorecer a redescoberta da beleza do mistério eucarístico e de sua relação com a vida das comunidades e com a missão evangelizadora da Igreja no Brasil.

Segundo a mensagem encaminhada pela Presidência da CNBB aos bispos, o caminho de preparação para o Congresso, à luz das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, constitui também uma oportunidade para revisar os métodos de anúncio da Boa-Nova, renovar os processos de iniciação à vida cristã e fortalecer, nas comunidades, o sentido de pertença eclesial.

A Eucaristia, apresentada como mistério de comunhão, participação e missão, inspira a construção de comunidades vivas, missionárias, sinodais e acolhedoras, capazes de testemunhar, com renovado ardor, a presença de Cristo no mundo.
Destinação dos recursos

O resultado da Coleta Nacional realizada em cada circunscrição eclesiástica deverá ser encaminhado para a conta da arquidiocese de Goiânia, responsável por receber os recursos destinados à preparação do 19º Congresso Eucarístico Nacional.

Para a contribuição, foram divulgados os seguintes dados bancários:

Banco: 033 – Santander
Agência: 4531
Conta corrente: 13002279-3
Favorecido: Arquidiocese de Goiânia

Papa a militares: zelar pela segurança dos concidadãos, protegendo-os das injustiças


Na manhã desta segunda-feira, 24 de agosto, o Papa recebeu em audiência, em Roma, os membros do Ordinariato Militar de Portugal e alguns representantes das forças armadas e de segurança do país, por ocasião do sexagésimo aniversário da instituição. O Pontífice "confiou ao Senhor" os dois jovens soldados portugueses que morreram na sexta-feira passada, atropelados por um veículo enquanto ajudavam "generosamente" um motorista de caminhão na estrada.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta segunda-feira (24/08), na Sala do Consistório, no Vaticano, uma delegação do Ordinariato Castrense de Portugal.

A delegação do Ordinariato Militar de Portugal, cerca de 70 pessoas, está em Roma para o sexagésimo aniversário da fundação do Vicariato, que passou a designar-se, em 1981, Ordinariato Castrense e que há vinte e cinco anos "teve o seu primeiro bispo".

O Pontífice deu as boas-vindas aos militares e saudou todos os membros, "cristãos e não cristãos, do Exército, da Força Aérea, da Marinha, da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública em Portugal".

Papa Leão em audiência com o Ordinariato Militar de Portugal (@Vatican Media)

A recordação dos jovens soldados portugueses mortos
A seguir, Leão XIV recordou "à luz de Cristo Ressuscitado os dois jovens militares do Exército", de 21 e 22 anos, que "generosamente, como o bom samaritano, pararam no caminho para prestar socorro", na última sexta-feira (21/08), a um motorista de caminhão com um pneu furado na rodovia do distrito de Coimbra e foram atropelados por outro carro. "Confio-os ao Senhor, junto com as suas famílias", disse o Papa.


"Possa o Ordinariato, dando sua inestimável contribuição para o bem espiritual e para o conhecimento dos valores cristãos, continuar sendo um espaço de colaboração construtiva com as autoridades estatais, governamentais e militares", disse o Papa em seu discurso, acrescentando:

“Para quem acredita em Cristo, peregrinar a esta cidade representa uma singular ocasião para a renovação de si mesmo, reconhecendo a centralidade de Deus na própria vida e fortalecendo a fé através da oração junto ao túmulo do Apóstolo São Pedro. Todos os dias, cabe a cada um de vocês a nobre missão de defender a soberania da Pátria e o Estado de direito, zelando pela segurança dos concidadãos e protegendo-os das injustiças.”

Os militares ouvindo o Papa Leão (@Vatican Media)

A força para reconhecer os próprios limites
Como sugere a carta de São Paulo aos Efésios, o Bispo de Roma os encorajou a serem "fortes no Senhor". Essa força possui uma qualidade especial, que Leão XIV encontrou na figura do centurião de Cafarnaum, narrado nos Evangelhos de Mateus e Lucas.

“Sejam fortes no Senhor como o centurião que, em Cafarnaum, se aproximou de Jesus. Ele conhecia bem os valores pelos quais vocês pautam sua vida: a obediência, a disciplina, a renúncia, a lealdade, o companheirismo, a dedicação, a responsabilidade e a coragem. Ao mesmo tempo, aquele militar sentia necessidade de Deus, sabia que o ser humano não se basta a si mesmo, mas aspira a algo mais, a algo que o transcende.”

O centurião tinha "um servo que sofria horrivelmente, isto o fez aproximar-se de Jesus, que lhe assegurou ir curá-lo. Ele, porém, respondeu: «Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. Pois eu também obedeço a ordens e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: vá, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e digo ao meu servo: faça isso, e ele faz»".

"Nesta atitude é possível constatar como o centurião valorizava a hierarquia e como esta dimensão da sua vida quotidiana lhe fez interpretar a relação com Jesus de Nazaré, que confessa seu Senhor, seu Deus. Maravilhado com tais palavras, Jesus disse: «Não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé!». Se, por um lado, este militar estava consciente da sua autoridade, por outro lado mostrou diante do Filho de Deus a força da fé e a coragem da humildade", disse o Papa.

“Na verdade, o ser humano, por mais responsabilidade que tenha, por mais poder que exerça, por mais irrepreensível que seja, é sempre faminto de infinito e sedento de eternidade. Ora, o infinito e a eternidade estão ao nosso alcance em Jesus Cristo: são dom do Senhor.”
O Papa com o Ordinariato Militar de Portugal (ANSA)

Iluminar-se com a Palavra de Deus
"Excelência reverendíssima, caríssimos capelães, a Igreja confia a vocês o crescimento espiritual dos militares e dos policiais da sua Nação", disse o Papa, ressaltando que "deste específico ministério se colherão os frutos do crescimento pessoal na prática da vida cristã e do revigoramento do espírito de corpo das Forças Militares e de Segurança".

Leão XIV agradeceu aos militares pela "proximidade que, como bons pastores", eles "proporcionam a quantos desempenham um serviço tão importante, especial e exigente para o bem de Portugal e não só". "O seu testemunho de amor à Igreja e ao País é bálsamo, que conforta e dá esperança", concluiu o Papa, pedindo a Nossa Senhora de Fátima que os acompanhe nas diversas missões, tanto em Portugal quanto no exterior.

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EVANGELHO DO DIA (Mt 23,23-26)

ANO "A" - DIA: 25.08.226
21ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus: 23 "Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vós deveríeis praticar isto, sem contudo deixar aquilo. 24 Guias cegos! Vós filtrais o mosquito, mas engolis o camelo. 25 Aí de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós limpais o copo e o prato por fora, mas, por dentro, estais cheios de roubo e cobiça. 26 Fariseu cego! Limpa primeiro o copo por dentro, para que também por fora fique limpo".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O essencial da nossa fé"

O essencial que toca o coração de Deus
É preciso praticar a justiça, a misericórdia e a fidelidade. (Mateus 23,23-26)

Irmãos e irmãs, no Evangelho de hoje, Jesus faz uma crítica firme aos fariseus, pois estes cumprem detalhes da lei, mas negligenciam o essencial.

O essencial e o perigo do apego às regras
Quantas vezes também nós nos perdemos nas coisas periféricas e nos esquecemos do essencial! Nós nos perdemos com pequenos detalhes, mas esquecemos do essencial, que é o vínculo do nosso coração com o coração de Deus, a comunhão do nosso coração com Ele. Negligenciamos o essencial, que é a justiça, a misericórdia e a fidelidade. É um alerta importante.

Podemos nos apegar, de certa forma, a práticas externas e, ainda assim, perder o coração daquilo que Deus realmente deseja. A fé não se reduz a cumprir regras como os fariseus, mas exige uma transformação interior que se manifesta no modo como vivemos. Fé é vida. Fé não é letra, não é só uma letra escrita: é palavra viva, e a palavra viva nos transforma, impulsiona.

Uma vida com coerência
Jesus usa uma imagem forte: limpar o copo por fora, enquanto por dentro permanece sujo, podre. Isso revela o perigo da incoerência: parecer correto por fora, mas manter o coração distante de Deus. A verdadeira pureza começa de dentro, quando permitimos que Deus purifique nossas intenções, nossos pensamentos e nossas atitudes.

Voltemos, irmãos e irmãs, ao essencial: viver a justiça nas nossas escolhas, praticar a misericórdia nas nossas relações e permanecer fiéis a Deus no cotidiano. Que o Senhor nos dê um coração sincero, capaz de unir a fé e a vida para que não sejamos apenas cumpridores externos, mas verdadeiros discípulos que refletem o amor de Deus.

Sobre você, desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova