quarta-feira, 15 de abril de 2026

Papa deixa a Argélia para seguir a Camarões, segunda etapa da viagem à África



O avião com o Pontífice a bordo partiu do aeroporto de Argel às 10h16 (hora local). Um voo de cerca de 5 horas o levará a Yaoundé, capital de Camarões, onde será recebido com uma cerimônia de boas-vindas. Além dos encontros institucionais com o presidente da República e as autoridades, está prevista uma visita ao orfanato Ngul Zamba.

Vatican News

O avião da ITA Airways, com o Papa Leão XIV a bordo, decolou do Aeroporto Internacional Houari Boumédiène, em Argel, às 10h16 (hora local). O voo desta quarta-feira, 15 de abril, com destino a Camarões — segunda etapa das quatro nações visitadas pelo Pontífice na sua viagem apostólica à África —, terá duração de cerca de 5 horas.

A visita à creche Notre Dame d’Afrique
Antes da partida e após a despedida da Nunciatura Apostólica, o Pontífice visitou brevemente a creche Notre Dame d’Afrique, administrada pelas Irmãs Missionárias da Caridade. A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou a notícia em seu canal do Telegram, especificando que “as crianças apresentaram um breve espetáculo para o Papa, que depois se despediu delas e das irmãs antes de seguir para o aeroporto”.

Forte apelo à unidade
“Que tous soient un”, “May they all be one”, “In Illo uno unum”. Três idiomas, três apelos à unidade: nos dois primeiros casos, trata-se de uma passagem do Evangelho de João; no último, porém, do lema de Leão XIV, extraído de um sermão de Santo Agostinho, que expressa a ideia de que “embora nós, cristãos, sejamos muitos, no único Cristo somos um”. É esse o eixo temático em que se insere a presença do Pontífice no país, que se estende quase até o Equador. Ele ficará em Yaoundé, a capital, mas também visitará Douala, centro econômico de Camarões, e Bamenda, no noroeste: uma região assolada, desde 2013, por um conflito sangrento e quase esquecido, que causou milhares de mortos e quase 500 mil deslocados internos.

A programação do dia
Na chegada ao Aeroporto Internacional de Yaoundé-Nsimalen, o Papa será recebido pelo primeiro-ministro Joseph Dion Ngute e pelo núncio apostólico José Avelino Bettencourt. Após a execução dos hinos nacionais e a apresentação das delegações, o Pontífice seguirá para o Palácio da Unidade, residência oficial do presidente Paul Biya, que o receberá juntamente com a esposa Chantal. Após a visita de cortesia, com um encontro privado e a troca de presentes, Leão XIV se reunirá com representantes das autoridades, da sociedade civil e do corpo diplomático, sempre no Palácio Presidencial. Lá, ele irá proferir um discurso, precedido por uma intervenção do presidente Biya.

A próxima etapa deste terceiro dia da viagem apostólica será a visita ao Orfanato Ngul Zamba, instituição mantida exclusivamente por doações, que acolhe jovens de 18 meses a 20 anos. Lá, cantos e testemunhos darão as boas-vindas ao Pontífice, que, após saudar a comunidade, seguirá para a sede da Conferência Episcopal do Camarões para um encontro privado com os bispos locais. O dia será encerrado na Nunciatura Apostólica no 

Camarões, onde o Papa jantará em ambiente privado.
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EVANGELHO DO DIA (Jo 3,16-21)


ANO "A" - DIA: 15.04.2026
2ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Deus o mundo tanto amou, que lhe deu seu próprio Filho, para que todo o que nele crer, encontre vida eterna.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo segundo São João.
-Glória a vós, Senhor.

16 Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17 De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18 Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito. 19 Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. 20 Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. 21 Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A redenção do mundo à custa de sangue"

O alcance do amor para salvar o mundo
Naquele tempo, disse Jesus: “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo aquele que nele crê, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado porque não acreditou no nome do Filho unigênito” (Jo 3,16-21).

Bom, estatisticamente, no Novo Testamento, a raiz do termo grego que corresponde a amor, que é a palavra Ágape, aparece pelo menos 320 vezes. Ora como substantivo não abstrato, mas muito concreto. Ora como um verbo, indicando o movimento de Deus em direção a nós. Ora como um adjetivo, para nos lembrar a qualidade do amor que Deus tem por nós, que é um amor pessoal e incondicional.

A salvação do mundo na entrega perfeita
Claro que para chegar ao axioma, ou seja, à verdade suprema presente no Evangelho de hoje, houve toda uma construção e uma elaboração desde o Antigo Testamento. Para nós, hoje, é relativamente fácil ler assim: “Deus amou tanto o mundo ao ponto de dar a vida, dar o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crê, mas tenha a vida eterna”. Mas para chegar a esta conclusão, muitos embates foram travados, e o Filho de Deus teve que pagar com a própria vida esse preço.

Esse amor não é um amor abstrato, uma ideia vaga do cristianismo para falar que Deus gosta de nós. Esse conceito de amor, ele identifica o nosso Deus. São João conclui: “Deus é amor”, é a sua identidade. Cria por amor, conserva por amor, cuida por amor, governa por amor, conduz por amor e salva por amor.

Esse amor também não é algo estático, mas é um movimento descendente. Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou por primeiro. O movimento parte de Deus e não conhece nunca a inércia. Deus nunca está parado. O amor d’Ele é sempre movimento, mesmo quando nós nos aprisionamos nos nossos pecados, mesmo quando freamos essa força de amor.

O sinal do amor de Deus
Deus insiste em nos buscar e nos amar. Ele fez isso conosco na Páscoa, na Ressurreição do Seu Filho. Esse amor também tem algumas nuances peculiares. É possível adjetivar o amor de Deus por aquilo que Jesus mesmo nos revelou sobre Ele.

O amor de Deus é paciente, é magnânimo, tudo crê, tudo suporta, tudo espera, tudo perdoa… nunca acaba. É esse o que nós chamamos, no tempo de hoje, de um “combo” que nós recebemos na pessoa de Jesus. Deus nos amou tanto, tanto, tanto… Agora, é hora também de respondermos a esse amor.

Sobre todos vós desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Pe Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


A diferença entre gestos de amor e carência afetiva

Quem de nós nunca se viu perdido frente a um sentimento? Essa é uma das grandes lutas do ser humano: aprender a amar de verdade. Até que ponto meu sentimento é equilibrado nesse relacionamento? Estou amando ou estou só preenchendo minha carência?

Quando amo, minhas ações e atitudes surgem impulsionadas pelo desejo de doar-me, de construir o outro, mesmo que isso exija muito de mim. A felicidade do amar está em dar-se e perceber que, ao me dar, sou mais completo. No amor verdadeiro, não há posse nem ciúme, pois, o outro não é meu domínio, não há isolamento.
Créditos: AntonioGuillem by Getty Images

Saiba identificar a diferença entre gestos de amor e carência afetiva
O amor não exige resposta, não é determinado pelo que se recebe em troca. O amor é gratuito, não precisa ser pago, por isso posso amar, mesmo quando o outro não merece, e posso perdoar quando o outro não consegue responder com amor. O amor me faz fiel, confiável, solícito, paciente e bondoso; ele inclui o outro na minha verdade, na minha intimidade, sem exigir exclusividade ou permanência eterna. Só o amor verdadeiro nasce da liberdade.

A carência afetiva é uma tentativa de autopreenchimento. Por me sentir necessitado, sou impulsionado a buscar no outro o que me falta. Meus gestos bons, meu esforço para acertar, são uma forma de conquista e troca, para que receba em retorno carinho, simpatia, reconhecimento, elogios e intimidade. Quando consigo fazer com que alguém se torne próximo, quero garantir essa relação para que sempre tenha essa fonte de contato para mim.

A carência é ciumenta, tenta exclusividade por meio do isolamento; ela é uma forma de usar o outro, roubando a liberdade de todos os envolvidos. Num relacionamento carente, acontece o vício do outro, a dependência. Minha felicidade fica condicionada a outra pessoa.
Estabilidade afetiva

Sei que, parece muito infantil essa descrição da carência, mas quero lhe dizer que todas as pessoas precisam equilibrar, todos os dias, seus sentimentos. A tendência (concupiscência), por eu ser marcado pelo pecado, é agir de acordo com as carências que carrego. Ninguém está totalmente estável em seus afetos. Todas as pessoas têm cicatrizes de desamor, de abandono e decepção, todas são carentes. Isso me lembra que sou humano, que não sou completo, por isso preciso saciar constantemente minha carência na Fonte verdadeira de amor. Mesmo com a experiência verdadeira do Amor de Deus, essas cicatrizes ficam em mim.

Leia mais:

Reconhecer que minha necessidade é contínua faz-me ver que não estou livre de errar em meus afetos. Todos os dias, posso errar ou acertar, posso usar do outro ou me doar. O que vai determinar isso é o quanto estou saciado em Deus.
A importância do perdão

Relacionamentos bons podem se tornar desequilibrados ao longo do tempo. Após um momento de me deixar guiar por minhas carências, posso me redimir por meio do perdão, posso retomar o caminho de doação sem cobrança. A graça de Deus tem força e capacidade para superar e suprir todas as minhas carências, e assim, me tornar livre para amar de verdade. Mas, a graça é para o hoje. A graça de Deus não altera o ontem, não me dá carga extra para o amanhã. Ela é para o agora! É como um copo furado, que é totalmente preenchido, mas, como tem um ponto de esvaziamento, é necessário encher frequentemente.

A cada atitude minha, preciso perguntar: faço isso por que quero uma recompensa ou por que quero me doar? Se não recebesse algo bom em troca, ainda agiria assim?

Reconhecendo que sou necessitado, vejo-me dependente de ter a experiência verdadeira de amor com Aquele que é sua origem e fonte inesgotável. Só quem se sacia frequentemente em Deus pode amar de verdade. Ele me recompensa!

São Cesar de Bus


César de Bus nasceu em 1544 na cidade de Cavaillon, região da Provença, França. Teve formação cristã na infância, mas na juventude afastou-se da fé. Desejou seguir a carreira militar como o irmão, capitão do rei francês Carlos IX mas, às vésperas de embarcar na frota real, uma repentina enfermidade o impediu.

No período de convalescença foi assistido pelo bispo de Cavaillon, pelos jesuítas de Avignon, pelo capelão do hospital e também por uma devota camponesa, que o reconduziram ao Catolicismo. Recuperado, em 1575, começou a estudar para o sacerdócio, ao mesmo tempo em que visitava sítios e fazendas como catequista.

Esta experiência lhe revelou que o povo, embora fiel e piedoso, não conhecia bem a Doutrina da igreja. Para resolver esta deficiência, fundou com seu primo Romillon centros de educação e instrução religiosa, a Congregação dos Padres Doutrinários, conhecidos como Doutrinários (posteriormente, fundou o segmento feminino, a Congregação das Filhas da Doutrina Cristã).

Esta catequese era feita na área rural e lugares remotos, priorizando as crianças, e com o desenvolvimento de metodologias novas para a época. Por exemplo, utilizava cantos e poesias, além da Palavra de Deus, numa linguagem adequada a cada público, e aplicável concretamente às situações do dia a dia do povo. Também pintava cenas evangélicas em pequenas tábuas, e tudo isso, como uma antecipação dos elementos modernos audiovisuais, atraía e tornava mais fácil a compreensão dos catequisandos.

Foi ordenado aos 38 anos. Sua atividade não o afastou do espírito de contemplação, ao contrário: estava convencido de que o apostolado só dá frutos se a partir da união orante com Deus.

Inicialmente, os seus sacerdotes congregados moravam juntos, mas sem fazer votos definitivos, o que César desejava (e que posteriormente veio a acontecer). Porém Romillon não concordou, e assim mudou-se para a casa em Aix-en-Provance, permanecendo César em Avignion. Aí caiu enfermo e sofreu por longo tempo, falecendo em 15 de abril de 1607. É considerado o patrono dos catequistas modernos.

São João Bosco, fundador dos Salesianos, também dedicados à catequese, quis que um sacerdote Doutrinário pronunciasse o discurso de inauguração da igreja de São Francisco de Sales em Valdocco, Turim.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

A constatação de São César de Bus, no século XVI, é a mesma para os nossos tempos: o povo, embora em grande parte fiel e piedoso, não conhece bem a Doutrina da Igreja. Nunca será “suficiente” a nossa educação espiritual, pois Deus é inesgotável; não há limite para o quanto podemos e devemos crescer em santidade. Por outro lado, como prevenia Santo Agostinho, “Não progredir na vida espiritual é voltar para trás.”; seria grande orgulho e engano demoníaco pensarmos que “já não preciso me esforçar mais do que isso, já sou santo…”. Outra constatação deste santo é que o apostolado só dá frutos se a partir da união orante com Deus: afinal, não é possível dar o que não se tem. São pertinentes aqui algumas observações do Cardeal Tarciso Bertone, pregador do Vaticano, numa homilia sobre São César: “A catequese ou (...) ‘o exercício da doutrina cristã’, deve constituir a primeira missão da Igreja, (…) conservando sempre uma fidelidade dócil e inalterada ao Magistério da Igreja (…). Beato César de Bus gostava de repetir: ‘É preciso que tudo em nós catequize, temos que ser um catecismo vivo’. (…). Hoje existem muitos pobres que têm necessidade de assistência material; há ainda mais pobres que têm necessidade de ajuda espiritual. Quantas pessoas, embora dotadas de bens, vivem desprovidas do único e indispensável Bem, que é Deus! (…). A maior pobreza não é porventura, como observava Madre Teresa de Calcutá, a falta de amor, a falta de Deus? (…). A santidade é a melhor contribuição que podeis oferecer para a nova evangelização.”

Oração:

Ó Deus, Pai de bondade, que nos destes Vossos ensinamentos para que possamos Vos amar e assim sermos felizes, concedei-nos por intercessão de São César de Bus a graça de incansavelmente levar aos irmãos a Verdade da Vossa Doutrina, como maior obra de caridade, a partir da incessante busca da santidade pessoal na vivência íntima Convosco, na Eucaristia, nos Sacramentos, na oração e no conhecimento da Fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Bispos utilizarão Keypads, pela primeira vez, para votações na 62ª Assembleia Geral da CNBB



A 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que será realizada nas próximas semanas, de 15 a 24 de abril, em Aparecida (SP), contará com uma novidade tecnológica no processo de deliberação: o uso de Keypads, dispositivos eletrônicos que permitem a realização de votações em tempo real, sem a necessidade de conexão com redes ou internet.

Os aparelhos serão utilizados pelos bispos durante as votações da Assembleia, oferecendo maior agilidade e precisão na coleta e apuração dos votos. As votações serão realizadas para a aprovação de equipes, atas, das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), entre outros itens da pauta. Para cada deliberação, os participantes utilizarão o teclado numérico dos dispositivos, sendo o número 1 correspondente ao voto “sim”, o número 2 ao voto “não” e o número 3 à “abstenção”.

Os Keypads são ferramentas já empregadas em diferentes contextos, como congressos, apresentações, pesquisas, eleições e ambientes educacionais, especialmente em situações que exigem respostas rápidas a questões de múltipla escolha.

Teste de votação eletrônica

A adoção da tecnologia foi precedida por um teste realizado durante reunião do Conselho Permanente (Consep) da CNBB, em fevereiro de 2026. Na ocasião, cada participante recebeu um dispositivo para simular votações, após orientações detalhadas sobre o funcionamento do sistema

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Padre Leandro Megeto e dom Ricardo Hoepers

O bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, destacou que a iniciativa busca alinhar o processo às demandas contemporâneas. Segundo ele, o objetivo é “avançar com menos papel, mais tempo, confiabilidade e mais tecnologia que está à disposição de votação eletrônica”.

Durante o encontro, o subsecretário da CNBB, padre Leandro Megeto, apresentou o sistema desenvolvido pela empresa X Vote, que já possui experiência em votações de assembleias e eventos eclesiais. A representante da empresa, Alessandra Revinthis, acompanhou a demonstração técnica e esclareceu dúvidas dos participantes.

Foram realizadas diversas votações simuladas, utilizando trechos das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), documento que estará entre os principais itens em análise na próxima assembleia.

Avaliação positiva
De acordo com os bispos que participaram do teste, o uso da votação eletrônica demonstrou potencial para otimizar significativamente o tempo de apuração dos resultados, além de garantir maior segurança e organização no processo deliberativo.

A experiência também foi vista como um passo importante na modernização das práticas da Conferência, sem comprometer a transparência e a confiabilidade das decisões.

Leão XIV: o sangue dos mártires é uma semente viva que nunca deixa de dar fruto


No encontro com os católicos argelinos, o Papa disse que essa comunidade é herdeira "de uma série de testemunhas que deram a vida, movidas pelo amor a Deus e ao próximo". O Pontífice recordou os "dezenove religiosos e religiosas mártires da Argélia, que escolheram estar ao lado deste povo nas suas alegrias e nas suas dores". Pediu aos argelinos para difundirem "a fraternidade, inspirando nos que os rodeiam desejos e sentimentos de comunhão e reconciliação".

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Leão XIV encontrou-se com a comunidade argelina, na tarde desta segunda-feira (13/04), na Basílica de Nossa Senhora da África, em Argel.

Leão XIV ouviu os testemunhos de quatro representantes da comunidade. Depois, iniciou o seu terceiro discurso em terras argelinas, manifestando satisfação de se encontrar com essa comunidade, "uma presença discreta e preciosa, enraizada nesta terra, marcada por uma história antiga e por luminosos testemunhos de fé".

Herdeiros de testemunhas que deram a vida
“A vossa comunidade tem raízes muito profundas. Sois herdeiros de uma série de testemunhas que deram a vida, movidas pelo amor a Deus e ao próximo. Penso, em particular, nos dezenove religiosos e religiosas mártires da Argélia, que escolheram estar ao lado deste povo nas suas alegrias e nas suas dores. O sangue deles é uma semente viva que nunca deixa de dar fruto.”

"Vós sois também herdeiros de uma tradição ainda mais antiga, que remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Nesta terra, ressoou a voz fervorosa de Agostinho de Hipona, precedida pelo testemunho da sua mãe, Santa Mônica, e de outros santos. A sua memória é um apelo luminoso para que sejamos, hoje, sinais críveis de comunhão, diálogo e paz", sublinhou.

A seguir, Leão XIV refletiu sobre três aspectos da vida cristã: a oração, a caridade e a unidade.

A oração une e humaniza
Em relação ao primeiro aspecto, a oração, disse que "todos nós somos necessitados da oração". Citou a propósito, o testemunho de Emmanuel Ali sobre sua experiência de serviço em Nossa Senhora da África. Ele disse que muita gente vai "ali para se recolher em silêncio, para apresentar e confiar as suas preocupações e as pessoas que amam, e para encontrar alguém disposto a ouvi-los e a partilhar os fardos que carregam no coração; e observou que muitos partem serenos e felizes por terem vindo". "A oração une e humaniza, fortalece e purifica o coração, e a Igreja argelina, graças à oração, semeia humanidade, unidade, força e pureza à sua volta, alcançando lugares e contextos que só o Senhor conhece", sublinhou o Papa.

O amor animou o testemunho dos mártires
Leão XIV se deteve no segundo aspecto da vida eclesial: a caridade. A este propósito, falou a Irmã Bernadette, "partilhando a sua experiência de ajuda às crianças com necessidades especiais e aos seus pais". "Neste testemunho, percebemos o valor da misericórdia e do serviço, não só como apoio aos mais frágeis, mas sobretudo como um espaço de graça, no qual quem se deixa envolver cresce e se enriquece", frisou o Pontífice. A religiosa contou que "a partir de um simples e inicial gesto de proximidade – a visita aos doentes –, nasceram, como rebentos, primeiro um sistema de acolhimento e depois uma organização assistencial cada vez mais articulada, uma verdadeira comunidade na qual inúmeras pessoas participam tanto nos acontecimentos alegres como nos dolorosos, unidas por laços de confiança, amizade e familiaridade. Um ambiente assim é saudável e revigorante, e não surpreende que, nele, quem sofre encontre os recursos necessários para melhorar a sua saúde, levando ao mesmo tempo alegria aos outros, como no caso de Fátima".

“Aliás, foi precisamente o amor pelos irmãos que animou o testemunho dos mártires que recordamos. Perante o ódio e a violência, permaneceram fiéis à caridade até ao sacrifício da vida, juntamente com tantos outros homens e mulheres, cristãos e muçulmanos. Fizeram-no sem pretensões e alarde, com a serenidade e firmeza de quem não presume nem se desespera, porque sabe em Quem depositou a sua confiança.”

O Papa recordou o exemplo do Irmão Luc, monge e médico da comunidade de Nossa Senhora do Atlas, que não abandonou "os seus doentes e amigos", mas permaneceu com eles, diante de potenciais perigos.

Paz e a harmonia características da comunidade cristã
A seguir, Leão XIV falou a propósito do terceiro ponto: o compromisso de promover a paz e a unidade. "O lema desta visita são as palavras de Jesus ressuscitado: «A paz seja convosco!»", recordou o Papa. "A paz e a harmonia têm sido características fundamentais da comunidade cristã desde as suas origens, por desejo do próprio Jesus, que disse: «Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.». A este respeito, Santo Agostinho afirmava que a Igreja «dá à luz povos, mas estes são membros de um só» e São Cipriano escreve: «O maior sacrifício que se pode oferecer a Deus é a paz que reina entre nós, a nossa concórdia fraterna e o ser um povo reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo». É maravilhoso, hoje, sentir que tanta riqueza de palavras e de exemplos encontra eco naquilo que acabamos de ouvir", disse ainda o Papa.

Comunhão entre cristãos e muçulmanos
"Esta basílica é símbolo de uma Igreja de pedras vivas, na qual, sob o manto de Nossa Senhora da África, se constrói a comunhão entre cristãos e muçulmanos", frisou Leão XIV. "Filhos desejosos de caminhar juntos, de viver, rezar, trabalhar e sonhar, porque a fé não isola, mas abre, une, mas não confunde, aproxima sem uniformizar e faz crescer uma verdadeira fraternidade, como nos disse Monia, e como testemunhou Rakel", disse o Papa, acrescentando:

“Num mundo onde as divisões e as guerras semeiam dor e morte entre as nações, nas comunidades e até mesmo nas famílias, o vosso viver unidos e em paz é um grande sinal. Unidos, difundis a fraternidade, inspirando nos que vos rodeiam desejos e sentimentos de comunhão e reconciliação, com uma mensagem tanto mais forte e clara quanto testemunhada na simplicidade e na humildade.”

Leão XIV recordou que "uma parte considerável do território deste país está ocupada pelo deserto, e no deserto não se sobrevive sozinho. As adversidades da natureza relativizam qualquer presunção de autossuficiência e recordam a todos que precisamos uns dos outros e que precisamos de Deus. É o reconhecimento da fragilidade que abre o coração ao apoio mútuo e à invocação d’Aquele que pode dar o que nenhum poder humano é capaz de garantir: a reconciliação profunda dos corações e, com ela, a verdadeira paz".

O Papa concluiu, encorajando-os a prosseguir o seu trabalho em terras argelinas "como comunidade de fé coesa e aberta, presença da Igreja, «sacramento universal de salvação»".
Papa encontra a comunidade argelina

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EVANGELHO DO DIA (Jo 3,7b-15)

ANO "A" - DIA: 15.04.2026
2ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- O Filho do homem há de ser levantado, para que, quem crer, possua a vida eterna.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 7b "Vós deveis nascer do alto. 8 O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito". 9 Nicodemos perguntou: "Como é que isso pode acontecer?" 10 Respondeu-lhe Jesus: "Tu és mestre em Israel, mas não sabes estas coisas? 11 Em verdade, em verdade te digo, nós falamos daquilo que sabemos e damos testemunho daquilo que temos visto, mas vós não aceitais o nosso testemunho. 12 Se não acreditais, quando vos falo das coisas da terra, como acreditareis se vos falar das coisas do céu? 13 E ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14 Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15 para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O mistério de um novo nascimento em Deus"

Uma vida no Espírito para compreender os mistérios de Deus
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: “Vós deveis nascer do alto. O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito”. Nicodemos perguntou: “Como é que isso pode acontecer?”. Respondeu-lhe Jesus: “Tu és mestre em Israel, mas não sabes essas coisas? Em verdade eu te digo, nós falamos daquilo que sabemos e damos testemunho daquilo que temos visto, mas vós não aceitais o nosso testemunho. Se não acreditais quando vos falo das coisas da terra, como acreditareis se vos falar das coisas do céu?” (João 3,7b-15).

Ainda estamos no mesmo diálogo que começamos ontem: de Jesus com Nicodemos, falando sobre essa parte de nós que ainda precisa se abrir ao novo nascimento trazido pela Páscoa, a Ressurreição de Jesus.

O mistério da pedagogia de Jesus
Jesus dirige uma correção a Nicodemos pelo fato da sua religiosidade não lhe conferir a capacidade de compreender os mistérios de Deus. Mesmo sendo um homem muito religioso, era ainda analfabeto a respeito desses mistérios. E olha que Jesus reconhece em Nicodemos um mestre para outros judeus, sendo um homem leal e observador da lei do Senhor!

A grande verdade é que, se não for Jesus a nos explicar os fatos e os mistérios da nossa vida, nós vamos ficar presos nos nossos raciocínios e passaremos a vida toda em busca de respostas, em busca de sentido. Já deve ter ocorrido com você de ter vivido, por exemplo, algum drama numa situação que abalou até mesmo as suas convicções religiosas. Você pensa que foi fácil para o mestre Nicodemos acolher em Jesus o Messias que ele tanto esperava, mas que passou muito longe dos seus ideais, dos seus planos?

O diálogo com Jesus diante as dificuldades
O sentido da nossa vida não está nas coisas nem nas pessoas, por mais nobres que essas sejam. Como explicar uma perda repentina, uma decepção amorosa, um rompimento de uma amizade, uma perda material? Essas coisas não encontram em si mesmas uma explicação.

É preciso colocá-las em diálogo com o Cristo, colocá-las em contato com o grande mistério da nossa vida, que é Cristo, o Senhor. E só Ele é capaz de nos explicar as coisas mais enigmáticas que nos acontecem. Se damos o passo de crer em Jesus, devemos fazê-lo com os olhos bem abertos. Nossa entrega a Ele não é uma entrega cega.

Jesus não foi para a sua Páscoa de morte e ressurreição com os olhos fechados. Pelo contrário: sofrendo em sua humanidade por ter que aceitar um projeto tão grandioso, Ele manteve os seus olhos abertos, fixos nas promessas do Pai. Somente nessa relação confiante e consciente nós poderemos caminhar com o Senhor.

Sobre todos vós desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!


Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


Nascer do Alto: o Novo Nascimento no Espírito Santo

O nascimento é um momento marcante. No mundo, vamos descobrindo-nos como pessoas plenas de possibilidades. Algumas delas surgem naturalmente, no decorrer da vida; outras, após serem trabalhadas, associam-se ao que somos. Contudo, em nosso processo de crescimento interior, carregamos conosco uma natureza frágil e pecadora. Com o passar do tempo, fazemos a descoberta de nossas limitações humanas e espirituais. Essas limitações, quando não trabalhadas, podem dar lugar a uma vida extremamente complexa, na qual o pecado nos arranca de nós mesmos e dos braços de Deus.

Foto: arkira by Getty Images

A Páscoa como Tempo Propício para Recomeçar
O tempo litúrgico da Páscoa é propício para vivermos, na vida, um tempo novo, em que os erros dão lugar às possibilidades adormecidas na alma. Recomeçar nem sempre é fácil. Exige muita força de vontade e uma capacidade interna de superação. Para nós, cristãos, a mudança interior não acontece somente a partir de nossas próprias forças interiores, mas conta com o auxílio do Espírito Santo. Ele guia nossa alma pelos bons caminhos e faz de cada dia um tempo novo de ressurreição:

O Sopro Renovador da Fé
“Vós deveis nascer do alto. O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3,7b-8).

Um novo nascimento nos faz pessoas renovadas no amor em Cristo. É uma vivência nova a partir da experiência da fé na ressurreição que invade nosso coração e nos capacita a sermos testemunhas do Ressuscitado.

Leia mais:

O Que Significa “Nascer do Alto”?
Nasce do Alto quem olha para o passado e, nele, faz um firme propósito de construir o presente a partir dos aprendizados de outrora. Nasce do Alto quem deixa o amor e a esperança ocuparem o lugar antes concedido ao egoísmo e à falta de fé.

A fé na ressurreição marca, definitivamente, a história de toda pessoa que se deixa inundar pelo Espírito Santo. Não há como nascer se não houver fecundação. E a experiência pascal de nossa caminhada cristã é fecundada pela ressurreição de Cristo, que nos faz seres humanos novos para um tempo novo.

A Vitória do Amor e da Vida
Nasce do Alto e do Espírito quem faz, no amor de Cristo, a experiência de deixar-se amar verdadeiramente por um Deus que, a cada dia, nos dá a alegre notícia: a vida vence a morte em cada gesto de amor!