sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Assessoria de Comunicação da CNBB amplia diálogo com veículos de imprensa e faz visita às redações


A Assessoria de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) iniciou uma série de visitas às redações dos principais veículos de comunicação com o objetivo de fortalecer e aprimorar a relação da entidade com a imprensa nacional e internacional. A iniciativa também integra o planejamento estratégico da Ascom e busca ampliar o diálogo com jornalistas e profissionais da comunicação.

Nesta semana, a equipe da Assessoria de Comunicação visitou as redações da CBN, Estadão, Metrópoles, Poder360, Correio Braziliense, Globo e TV Brasil, em Brasília. A agenda de aproximação terá continuidade no próximo mês, com visitas a outros veículos.

Para o assessor de Comunicação da CNBB, padre Arnaldo Rodrigues, manter uma relação próxima e permanente com os profissionais da imprensa é fundamental para uma instituição que participa do debate público e acompanha temas relevantes para a sociedade brasileira.

“Não só a CNBB, mas qualquer instituição que tenha relevância na formação da opinião pública precisa estreitar os laços com a imprensa. A imprensa não é somente um lugar de transmissão de informação, mas também colabora com a sociedade em suas decisões”, afirmou.



Segundo padre Arnaldo, a presença histórica da CNBB no cenário nacional reforça a importância desse diálogo. Para ele, a aproximação também permite oferecer aos jornalistas uma compreensão mais ampla sobre a atuação da Igreja e sua contribuição em temas relacionados à dignidade humana e ao bem comum.





Encontro com a Presidência da CNBB
Durante as visitas, a Assessoria de Comunicação também tem convidado os profissionais dos veículos para um encontro com a Presidência da CNBB. A proposta é proporcionar um espaço de diálogo e aproximação entre os dirigentes da Conferência e jornalistas que atuam nas redações sediadas em Brasília.

Padre Arnaldo explica que a iniciativa está inspirada na “cultura do encontro”, frequentemente incentivada pelo então Papa Francisco, e busca aproximar não apenas instituições, mas também as pessoas que fazem parte delas.

“Quando um jornalista entra em contato com a CNBB para pedir alguma informação ou ajuda, qual é o rosto com quem ele fala? Quem são as pessoas que estão ali? Queremos aproximar essas pessoas e essas realidades, favorecendo uma clareza ainda maior sobre a instituição, sobre o que ela pensa e sobre sua atuação”, destacou.

O encontro com a Presidência, segundo o assessor, pretende criar oportunidades para o diálogo direto, contribuir para o conhecimento mútuo e facilitar o trabalho dos profissionais que acompanham assuntos relacionados à Igreja Católica e à atuação da CNBB.

“Essa cultura do encontro só tem a trazer benefícios para o diálogo, inclusive ajudando a combater a desinformação e compreensões equivocadas. Queremos criar realmente esse espaço de encontro entre a CNBB e a imprensa”, acrescentou.

Fortalecimento da relação com a imprensa
O fortalecimento da relação com os veículos de comunicação também está entre as prioridades do planejamento estratégico da Assessoria de Comunicação. Embora o contato com jornalistas já faça parte da rotina diária da equipe, a proposta agora é desenvolver iniciativas mais sistemáticas de aproximação.

“A relação com a imprensa é uma das finalidades da Assessoria de Comunicação. Os jornalistas da equipe já fazem esse trabalho diariamente, mas queremos pensar também em como realizá-lo de maneira mais sistemática e ampla, envolvendo inclusive a Presidência da CNBB”, explicou padre Arnaldo.

Com a continuidade das visitas e a realização de novos encontros, a Assessoria de Comunicação pretende consolidar canais permanentes de diálogo, facilitar o acesso da imprensa às fontes da Conferência e contribuir para uma comunicação cada vez mais próxima, qualificada e transparente.

Papa: o clamor dos menores migrantes chega a Deus, não podemos ficar indiferentes


Na mensagem para o 112º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que será celebrado em 27 de setembro, Leão XIV chama a atenção para as crianças e adolescentes envolvidos na experiência da migração e da fuga. O Papa denuncia as inúmeras formas de violência a que estão expostos e pede uma mudança de perspectiva: da mera gestão dos fluxos migratórios para a proteção plena dos direitos humanos.

Thulio Fonseca – Vatican News

“Não podemos permanecer indiferentes, nem habituar-nos a tanto sofrimento.”
É o apelo do Papa Leão XIV na mensagem para o 112º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que será celebrado em 27 de setembro. “Mesmo uma só destas crianças” é o tema escolhido para este ano, inspirado nas palavras de Jesus no Evangelho e dedicado especialmente aos menores envolvidos na experiência da migração e da fuga. O Pontífice recorda que, todos os anos, milhões de crianças e adolescentes são obrigados a abandonar a própria terra devido a guerras, pobreza, violência, catástrofes ambientais e outras tragédias, um número que continua a aumentar.

Os menores, os mais vulneráveis
Leão XIV chama a atenção para os rostos e as histórias por trás dos números. Há jovens que perderam pais, irmãos e amigos, que testemunharam violências indescritíveis ou foram separados durante longos períodos de suas famílias. Outros enfrentam viagens em condições extremas e traumáticas ou são separados dos pais devido ao repatriamento. A esse cenário somam-se as mortes ao longo das rotas migratórias, o tráfico e a exploração, o recrutamento de menores em conflitos armados, a violência sexual e os casamentos forçados, pois "a sua dignidade é espezinhada de demasiadas formas".

O Papa recorda ainda as palavras de Francisco, que, em sua mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2017, definiu essas crianças como “três vezes mais vulneráveis”: por serem menores, estrangeiras e indefesas. Em meio a esse cenário, porém, Leão XIV destaca os sinais concretos de solidariedade oferecidos por famílias que abrem as portas de suas casas, educadores, voluntários, profissionais e comunidades eclesiais que cuidam das feridas, muitas vezes invisíveis, dessas crianças: “Com o seu empenho, testemunham que o amor pode vencer a indiferença.”

Papa durante a visita a Lampedusa (@Vatican Media)

“Não se trata de números ou estatísticas”
No centro da mensagem está o convite a reconhecer em cada criança migrante o próprio Cristo. Leão XIV retoma as palavras de Jesus – “Quem receber um menino como este, em meu nome, é a mim que recebe” – para recordar que a resposta ao drama migratório não pode se limitar aos números:

“Não se trata de números ou estatísticas. O Evangelho convida-nos a não fazer cálculos: mesmo um só. Cada criança, cada ser humano possui uma dignidade infinita. É imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26), é presença do Senhor. Perante cada menor migrante, somos chamados a realizar um ato de humanidade e de fé: na criança, com efeito, podemos acolher e encontrar o Senhor.”

O Pontífice pede que sejam enfrentadas, nos países de origem, as causas que obrigam os menores a fugir e, ao mesmo tempo, que lhes sejam garantidos proteção e acolhimento nos países de trânsito e de chegada. O clamor dessas crianças, afirma, chega a Deus e interpela também a consciência e a ação de cada pessoa.

Acolher, integrar e proteger
A mensagem apresenta um apelo à responsabilidade em diferentes âmbitos. Na vida pessoal, o Papa convida a abrir os olhos e o coração para a história, os medos e os sonhos de cada criança, reconhecendo-a em sua dignidade antes mesmo de sua condição de “migrante” e protegendo seus direitos fundamentais à vida, à educação e ao desenvolvimento integral.

Às comunidades cristãs, Leão XIV pede que o acolhimento não permaneça um conceito abstrato nem seja delegado exclusivamente a instituições ou associações. Toda a comunidade é chamada a considerar essas crianças como seus filhos, favorecendo a integração de migrantes e refugiados como membros de pleno direito da família eclesial e superando a lógica do mero assistencialismo. O Papa destaca ainda a necessidade de prevenir a solidão, o isolamento e a rejeição, promovendo espaços de encontro nos quais jovens locais e migrantes possam crescer juntos “num percurso de respeito mútuo, solidariedade e amizade”.

Leão XIV atravessa a "Porta da Europa" (@Vatican Media)

Uma responsabilidade que não conhece fronteiras
No âmbito das diferentes religiões, Leão XIV afirma que a vulnerabilidade das crianças supera as fronteiras confessionais e exige uma responsabilidade humanitária e espiritual compartilhada. As comunidades de fé são chamadas a cooperar na criação de redes de proteção e de espaços onde cada criança seja respeitada em sua identidade cultural, prevenindo também o risco de radicalização por grupos extremistas:

“Em última instância, proteger um menor significa salvaguardar a marca divina nele impressa.”

Às instituições civis, o Pontífice pede que seja reafirmado o princípio do interesse superior do menor, com instrumentos jurídicos eficazes de proteção, medidas que favoreçam o reagrupamento familiar e ações capazes de evitar os traumas provocados pela separação.

Da gestão dos fluxos à proteção dos direitos
Leão XIV pede, por fim, uma mudança na maneira de enfrentar o fenômeno migratório, colocando no centro a dignidade da pessoa e, de modo particular, das crianças e adolescentes:

“Urge uma mudança de perspectiva: é necessário deslocar o eixo do debate da mera gestão dos fluxos para a tutela plena e imediata dos direitos humanos, adotando «uma resposta coordenada, solidária e eficaz, capaz de garantir proteção, acolhimento e oportunidades reais de integração a quem emigra».”

Ao concluir a mensagem, o Papa confia os menores migrantes e refugiados à proteção da Virgem Maria, que, com São José e Jesus ainda criança, também conheceu a violência de Herodes e o drama do exílio no Egito. Leão XIV pede que Nossa Senhora acompanhe os passos dessas crianças e ajude as comunidades cristãs “a tornarem-se sinais vivos e fidedignos do Evangelho”.
Encontro com migrantes na Espanha (@Vatican Media)

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EVANGELHO DO DIA (Mt 19,3-12)

ANO "A" - DIA: 14.08.2026
19ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERMELHO)
MARTÍRIO DE SÃO MAXIMILIANO MARIA KOLBE

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Acolhei a palavra de Deus, não como palavra humana, mas como mensagem de Deus o que ela é, em verdade!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 3 alguns fariseus aproximaram-se de Jesus, e perguntaram, para o tentar: "É permitido ao homem despedir sua esposa por qualquer motivo?' 4 Jesus respondeu: "Nunca lestes que o Criador, desde o início os fez homem e mulher? 5 E disse: 'Por isso, o homem deixará pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne'? 6 De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe". 7 Os fariseus perguntaram: "Então, como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio e despedir a mulher?" 8 Jesus respondeu: "Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o início. 9 Por isso, eu vos digo: quem despedir a sua mulher - a não ser em caso de união ilegítima - e se casar com outra, comete adultério". 10 Os discípulos disseram a Jesus: "Se a situação do homem com a mulher é assim, não vale a pena casar-se". 11 Jesus respondeu: 'Nem todos são capazes de entender isso, a não ser aqueles a quem é concedido. 12 Com efeito, existem homens incapazes para o casamento, porque nasceram assim; outros, porque os homens assim os fizeram; outros, ainda, se fizeram incapazes disso por causa do Reino dos Céus. Quem puder entender, entenda".

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"União matrimonial indissolúvel"

Vida matrimonial, o desafio de se tornar uma só carne
Naquele tempo, alguns fariseus aproximaram-se de Jesus e perguntaram para o tentar: “É permitido ao homem despedir sua esposa por qualquer motivo?” Jesus respondeu: “Nunca lestes o que o Criador desde o início fez homem e mulher e disse, o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua mulher e os dois serão uma só carne. De modo que eles já não são dois, mas uma só carne.” Os fariseus perguntaram: “Então como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio e despedir a mulher?” Jesus respondeu: “Moisés permitiu despedir a mulher por causa da dureza do vosso coração.” (Mateus 19,3-12)

Existem as chamadas exceções a uma regra, não é? A gente já escutou isso muitas vezes: toda regra tem a sua exceção. Claro que isso não valida um comportamento, mas abre uma discussão, caso por caso, para ajudar os fiéis a viver plenamente os sacramentos e a vida da Igreja.

União matrimonial que supera a dureza do coração
Jesus foi bem claro quando interrogado sobre a certidão de divórcio: foi pela dureza de coração que Moisés permitiu tal certidão. Na verdade, quando o coração se torna duro, é incapaz de amar até o extremo. Homem e mulher que foram criados para se tornar uma só carne, acabam rompendo os laços pactuais e fragilizando a união entre eles.

A indissolubilidade como tesouro da Igreja
No tempo de Jesus, existiam duas escolas rabínicas, uma que era muito liberal, e a outra que era muito rigorosa. A primeira dava concessão de separação por motivos absurdos e insignificantes. Por exemplo: se a mulher cozinhava mal, era motivo para o marido despedi-la.

Já na segunda escola, ela seguia uma linha mais rígida, e não admitia concessão a não ser em caso de adultério. A temática matrimonial seguiu o curso dos séculos, adotando cada vez mais a linha da revelação, salvaguardando a indissolubilidade como tesouro da relação entre o homem e a mulher.

A lei canônica foi sendo cada vez mais pautada pelo entendimento da maturidade dos cônjuges ao assumir o compromisso matrimonial. E buscou-se valorizar as propriedades do matrimônio, como a unidade e a indissolubilidade, ambas em vista do bem do casal e da constituição da prole.

O discernimento e acompanhamento espiritual
Vale a pena ler o Catecismo da Igreja, na sessão sobre o sacramento do matrimônio, aqueles que trazem dúvidas quanto a esse tema. E as pessoas que vivem em situações irregulares possam reorganizar a vida e buscar a comunhão com Deus. Acima de tudo, ter discernimento e deixar-se ser acompanhado, pelo seu pároco, seu diretor espiritual, para que as coisas sejam encaminhadas da melhor forma possível.

Sobre todos vós desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Humildade: A agulha de Deus que remenda os rasgões da nossa vida

Uma vida digna da vocação que recebemos

Hoje, podemos alegrar o nosso coração, porque estamos em Jesus. Vamos acordar e viver, sim, o dia de hoje. Nós estamos com Deus e Deus com a gente. É importante isso! Às vezes, a gente senta assim num cantinho, e fica pensando: “Como vou viver o momento presente?” O nosso momento presente é com Deus. E é maravilhoso estarmos satisfeitos, porque, mesmo com todos os problemas da vida, a gente está satisfeito, porque sabe que está em Deus.

E hoje nós vamos falar um pouquinho da Palavra em Efésios 4,1-4, que diz assim: “Eu, prisioneiro do Senhor, vos exorto que leveis uma vida digna da vocação que recebestes com a tua humildade e mansidão, e, com a paciência, suportai-vos uns aos outros no amor, solícitos em guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”.

Humildade, palavra muito forte. O orgulho é fruto da nossa ignorância sobre quem é Deus, de quem somos e o que podemos. Devemos ser humildes.
A humildade nos aproxima de Deus

O que é ser humilde? É ser bobo? Não! Ser humilde é viver sobre a batuta de Deus. Não é viver sobre a batuta dos homens, mas sim de Deus. Batuto quer dizer “sobre o mando de Deus”. Eu não sou desobediente, eu sou obediente. Eu não sou orgulhoso, porque eu sou humilde. Se eu for orgulhoso, eu vou ser prepotente, e essa prepotência vai fazer com que eu fique muito longe de Deus. Eu tenho que ser humilde. “Jesus manso e humilde de coração, fazer o meu coração semelhante ao vosso”.

Entendeu? A humildade tem os efeitos da caridade. Se você não é humilde, você não enxerga a caridade, porque você enxerga muito alto. E para você enxergar a caridade, você tem que olhar para baixo, porque senão você não enxerga as coisas embaixo.

Não é para sermos para baixo, é olharmos para baixo, porque o necessitado, o que precisa da caridade está abaixo de nós. Como você está abaixo de outros, os que estão acima de você têm que ter a caridade de olhar para baixo e enxergar você.

Como Deus é tão misericordioso e como é tão bom viver em Deus! Temos a capacidade de olhar para baixo e de nos realizarmos, mas, muitas vezes, a gente fica irado, fica bravo porque o de cima não consegue nos enxergar. Mas Deus nos deu a glória de olharmos para baixo e enxergarmos.

Onde está a sua caridade?
E aqueles que estão abaixo de nós? Nós olhamos para eles e enxergamos aqueles que precisam da misericórdia. A humidade tem os efeitos da caridade. Ser caridoso é bom demais! É como ser Canção Nova é bom demais! É ser caridoso. Ah, eu sou da Comunidade Canção Nova. Que coisa linda e bonita! Eu apareço na televisão, eu vou à Rádio, eu estou na internet… Ótimo! Mas onde está a caridade? Fala para mim. Antes de você ser tudo isso, você tem que ter a caridade, porque você, tendo a caridade, enxerga o irmão.

Um encontro marcado pela humildade e pela caridade
Um dia desses, na casa do padre Jonas, casa onde eu moro, recebi uma visita importante para mim: os jovens que estão fazendo a imersão para entrar na Comunidade Canção Nova. Foi um dia felicíssimo para mim! Cada um quis chegar com humildade. O padre que celebrava a missa chorava, e não era por causa de mim, não! Mas pela situação em que nós nos encontrávamos, de alegria e de caridade uns com os outros. Aquele jovem, naquela alegria, um brincando com outro, mas também tinha aqueles que choravam por estar ali.

Não era por causa de mim, não era por causa da Luzia, mas era por causa do ambiente de caridade, um ambiente como dos três mosqueteiros: “um por todos e todos por um”. Ali, naquele momento de alegria, naquele momento de oração, naquela Missa maravilhosa, nós recordamos muita coisa.

Quando Deus fala através da caridade
Depois, sentados na sala onde milhares de vezes nós sentávamos – eu, Luzia e Padre Jonas – para discutir as coisas da comunidade, as coisas da obra de Deus, eles pareciam estar bebendo aquele momento. Era Deus falando com eles. Era Deus deixando a mensagem a cada um. A cada palavra que a gente falava, a gente via que nascia, do nada, dentro da gente, um dia glorioso para nós e para eles. Isso nos levantou muito, porque tivemos aquela certeza de que a Canção Nova é viva e vivida. Caso contrário, Deus não permitiria termos, hoje, esses jovens – mais de 15 ou 20 – para fazer uma imersão e entrar na Comunidade Canção Nova. Coisa maravilhosa isso! Como foi bom, como foi gostoso, como foi bonito!

Humildade é aceitar a nossa pequenez
Mas vamos lá. A humildade é uma agulha. Preste atenção: a humildade é uma agulha que remenda todos os buracos e rasgões maravilhosamente. E não é o buraco da calça, não; é o buraco da vida. O que é o rasgão? É o sofrimento da nossa vida, é o desperdício da nossa vida.

Quantas vezes nós deixamos o diabo nos rasgar! Quantas vezes nós jogamos fora a caridade que Deus nos faz! Jogamos fora. Mas, pela humildade, vem justamente aquela agulha, aquela linha que vai costurando com muito amor o nosso coração que está aberto, escancarado, que está machucado. E quantos remendos ela vai ter que colocar ali, costurar e deixar perfeito como Deus quer.

Essa é a realidade da nossa vida. E todos querem ser grandes. Ninguém se conforma com a sua pequenez. Humildade. Vejo a verdade. Para ser humilde basta ser verdadeiro. Não esqueça disso, meu irmão, minha irmã. Para ser humilde tem que ser verdadeiro. De outra forma, não conseguiremos.

Deus o abençoe! E guarde isso com você: somos agulhas de Deus. Queremos costurar todos os remendos dos nossos irmãos.

Deus o abençoe, guarde e ilumine; e que Nossa Senhora esteja sempre à sua frente esmagando a cabeça da serpente. Amém.

Do seu amigo,

Wellington Silva Jardim – Eto
Cofundador da Comunidade Canção Nova

São Maximiliano Maria Kolbe

Raimundo (Raymond) Kolbe nasceu em Zdunska Wola, perto de Lódz, na Polônia, no ano de 1894, quando a Rússia ocupava o país. Seus pais eram operários, pobres materialmente mas ricos na Fé. Aos 13 anos entrou para o Seminário dos Frades Menores Conventuais Franciscanos em Lvov, cidade que por sua vez estava ocupada pela Áustria. Ali destacou-se pelo brilhantismo no estudo e intensa atuação.

Foi para Roma completar os estudos, e sua devoção à Virgem Maria o levou a fundar ali, em 1917, o movimento de apostolado mariano “Milícia da Imaculada", cujos membros devem se consagrar à Virgem Maria e por meio Dela lutar pela edificação do Reino de Deus em todo o mundo, por todos os meios moralmente legítimos. Em 1918 foi ordenado sacerdote e adotou o nome de Maximiliano Maria, em homenagem a São Maximiliano e a Nossa Senhora. Voltou à Polônia para lecionar no seminário franciscano de Cracóvia.

Seu profundo amor à Santíssima Virgem e seu enorme empreendedorismo nas comunicações sociais se concretizaram na fundação, quase sem recursos, de uma tipografia em 1922, para a publicação da revista mensal “Cavaleiro da Imaculada”, cujo objetivo era difundir o conhecimento, o amor e o serviço a Maria como meio da conversão das almas a Cristo. A primeira tiragem foi de 500 exemplares; em 1939, já chegara a um milhão. Em seguida criou um periódico semanal, uma revista para crianças e outra para sacerdotes. Depois, uma rádio católica, cuja difusão chegou ao Japão. Em 1929, fundou a primeira “Cidade da Imaculada” no convento franciscano de Niepokalanów, e que viria a se tornar uma cidade consagrada à Virgem Maria.

Atendendo a uma solicitação do Papa, ofereceu-se como missionário em 1931, voltando em 1936 à Polônia como diretor espiritual de Niepokalanów. Com o início da Segunda Guerra Mundial, foi preso em 1939 pelos nazistas que invadiram o país e levado com outros frades para campos de concentração na Alemanha e na própria Polônia. Foi solto pouco tempo depois, no dia consagrado à Imaculada Conceição.

Em fevereiro de 1941 foi novamente preso e enviado à prisão de Pawiaak, de onde foi transferido para o campo de concentração de Auschwitz. Em agosto, um prisioneiro conseguiu fugir, e em represália os alemães sortearam dez presos para serem mortos cruelmente. Um destes era Francisco Gajowniczek, casado e com filhos, e que por causa da família desesperou-se. O padre Maximiliano Maria Kolbe ofereceu-se então para tomar o seu lugar, e o comandante aceitou.

Os condenados foram despidos e fechados numa cela pequena, úmida e escura, para morrer de fome e sede. Depois de duas semanas, além de dois outros de físico privilegiado, só Maximiliano permanecia vivo, por causa das orações e de estar habituado aos jejuns. Querendo desocupar a cela, os soldados alemães injetaram-lhes uma substância mortal, e faleceram em 14 de agosto de 1941.

O corpo do padre Maximiliano foi cremado e as cinzas jogadas ao vento. Antes ele escrevera uma carta na qual afirmava: “Quero ser reduzido a pó pela Imaculada e espalhado pelo vento do mundo”.

São Maximilano Maria Kolbe é o Padroeiro do Século XX, Patrono da Imprensa e mártir da caridade. Na sua canonização, em 1982, estava presente Francisco Gajowniczek.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Vivemos numa Terra dominada por interesses estrangeiros aos de Deus… como quer que se apresentem, todos pretendem subjugar e comandar as almas, injetando nelas a substância mortal do materialismo. E para combatermos nesta guerra, com a intenção de vencer, não há outro exército ao qual nos filiarmos do que a Milícia da Imaculada, isto é, ao serviço de Nossa Senhora, pela Qual nos vem o Cristo e a Salvação, e pela Qual nos encontramos com Ele e o Reino de Deus. Como ensina a Igreja, não há outro caminho para chegar a Deus, a não ser Maria, Corredentora das almas com Jesus, inseparável Dele, Mãe Dele e nossa, com a missão justamente de interceder ao Seu Filho Redentor por nós, para que, por obediência amorosa a Ela, o Filho Se digne nos atender. Assim, a Igreja a reconhece como “Medianeira de todas as graças”, e inúmeros santos canonizados têm por ela uma devoção especial. São Maximiliano Kolbe foi um deles, e ciente de que só por Ela chegaremos a Cristo, pois só pela Mãe se pode ter o Filho, santificou-se também, e muito, pela devoção à Virgem e à sua divulgação. A sincera devoção a Ela é um sinal de predestinação da salvação, como ensinam São Boaventura, São Bernardo de Claraval e Santo Afonso Maria de Ligório. Só seremos soltos das prisões do pecado e da morte infinita pela intercessão de Maria, do mesmo modo como São Maximiliano Kolbe foi solto dos nazistas no dia consagrado à Imaculada Conceição. Seguindo seu exemplo, devemos nos concentrar nos campos de atuação apostólica, para sermos livres da tibieza e omissão, e o apostolado da Virgem é o caminho mais curto e seguro para levar as almas ao Céu. Na proposta da Milícia de Maria, na qual devemos ingressar, particular ação tem os Cavaleiros, tradicionalmente uma grande força dos exércitos cristãos na Idade Média, e que, especificamente na Polônia de São Maximiliano Kolbe, era o principal destaque militar até a Segunda Guerra Mundial. Associando os ideais elevados dos Cavaleiros medievais com a força de combate dos cavaleiros poloneses, o apostolado através da divulgação da revista “Cavaleiros da Imaculada” (editada até hoje e presente no Brasil) foi, junto com outras iniciativas, o modo de santificar os veículos de comunicação escrita no tempo de Kolbe, e bem representavam a pujança e alcance das cargas de cavalaria nos combates antigos. Atualmente, sem diminuir a importância da divulgação impressa, tanto os textos quanto imagens e áudios por via eletrônica chegam ainda mais longe, e este meio, de acordo com as intenções da “Nova Evangelização” proposta por São João Paulo II, deve ser também conquistado para Nossa Senhora. Os combates e guerras geram vítimas, e na batalha pela evangelização tombou mártir São Maximiliano. Mas, diferentemente da maioria dos outros mártires católicos, cuja morte foi em defesa individual da própria vida da alma, ele se ofereceu para morrer no lugar de outro – como Cristo Se ofereceu à Cruz por nós. Vivenciou assim o modelo mais perfeito de caridade: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13). Embora o martírio não seja necessariamente o chamado de Deus para todos, o católico tem que, por coerência à sua Fé, estar disposto a ele, a qualquer momento; mas estamos no caminho certo se oferecemos os pequenos martírios, mortificações, do dia a dia, para Deus, por Nossa Senhora: um sorriso sincero diante do mal humor alheio, uma esmola dada com amor, um esforço para não se atrasar para a Missa.

Oração:

Senhor Deus dos Exércitos, que nos protegeis pela Onipotência Suplicante de Vossa e nossa Mãe, concedei-nos por intercessão de São Maximiliano Maria Kolbe a sua mesma devoção e entrega a Maria, para que, despindo-nos do orgulho e prepotência que desejam conquistar este mundo, os troquemos pelo vigor do apostolado mariano, e montados nos ginetes das virtudes, no momento de desocupar a pequena cela deste corpo cavalguemos seguros para o Paraíso. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer é confirmado como membro do Conselho para a Economia da Santa Sé


O Papa Leão XIV confirmou o arcebispo de São Paulo, o cardeal Odilo Pedro Scherer, como membro do Conselho para a Economia da Santa Sé. As nomeações e confirmações para a composição do organismo foram divulgadas nesta terça-feira, 11.

Também foram confirmados o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, na Alemanha, como coordenador do Conselho, e a professora Charlotte Kreuter-Kirchhof, da Universidade Heinrich-Heine de Düsseldorf, como vice-coordenadora.

Instituído pelo Papa Francisco em 24 de fevereiro de 2014, por meio da Carta Apostólica Fidelis dispensator et prudens, o Conselho para a Economia tem a tarefa de supervisionar a gestão econômica e as estruturas e atividades administrativas e financeiras dos Dicastérios da Cúria Romana, das instituições ligadas à Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano.

Permanecem como membros, além de dom Odilo, os cardeais Gérald Cyprien Lacroix, arcebispo de Quebec, no Canadá, e Joseph William Tobin, C.Ss.R., arcebispo de Newark, nos Estados Unidos; Leslie Jane Ferrar, administradora da Arquidiocese de Westminster, na Grã-Bretanha; e Alberto Minali, administrador da REVO Insurance. Monsenhor Brian Edwin Ferme foi confirmado como secretário.
Supervisão da gestão econômica

Instituído pelo Papa Francisco em 24 de fevereiro de 2014, por meio da Carta Apostólica Fidelis dispensator et prudens, o Conselho para a Economia tem a tarefa de supervisionar a gestão econômica e as estruturas e atividades administrativas e financeiras dos Dicastérios da Cúria Romana, das instituições ligadas à Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano.

O organismo exerce, portanto, uma função de supervisão e orientação no âmbito econômico e administrativo. Em entrevista ao Vatican News, em 2023, Dom Odilo explicou que o Conselho não é um órgão executivo, mas atua no discernimento e na apresentação de propostas e sugestões em vista das decisões do Papa.

Dom Odilo integra o Conselho para a Economia desde agosto de 2020, quando foi nomeado pelo Papa Francisco. Desde então, participa das reuniões do organismo dedicadas, entre outros temas, à análise dos balanços, dos orçamentos e das políticas econômicas e financeiras da Santa Sé. Com informações do jornal O São Paulo.

Papa envia primeira ajuda econômica à Colômbia


Por meio da Esmolaria Apostólica, com o prefeito em contato direto com a Nunciatura e a Conferência Episcopal, o Papa enviou uma doação urgente às dioceses afetadas pelo abalo de 7,4. na segunda-feira. Mais ajudas serão enviadas em breve.

Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano

Em meio aos escombros e à poeira nas áreas devastadas pelo violento terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a região oeste da Colômbia na segunda-feira, manifesta-se a proximidade do Papa Leão XIV, que se concretiza não apenas pela oração e por palavras - como o telegrama enviado na terça-feira ao presidente da Conferência Episcopal Colombiana, dom Francisco Javier Múnera Corre, ou a mensagem de solidariedade na Audiência Geral desta quarta-feira - mas também com uma alocação inicial e urgente de recursos enviados por meio do Dicastério para o Serviço da Caridade - Esmolaria Apostólica -, para as dioceses afetadas pelo terremoto, graças ao contato constante do prefeito, o arcebispo Luis Marín de San Martín, com a Nunciatura e a Conferência Episcopal local.

A situação na Colômbia é crítica e de extrema urgência após o potente terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país. O desastre provocou colapso hospitalar, mortes em ...

Primeiro auxílio emergencial
Assim como ocorreu com a Venezuela, também atingida por um forte terremoto em junho, o Pontífice enviou um auxílio financeiro inicial à Colômbia, como sinal concreto de sua proximidade neste momento de emergência. Essa quantia de € 100.000 é destinada diretamente à Secretaria Nacional de Pastoral Social - Cáritas Colombiana da Conferência Episcopal, que atua como ponto central de coordenação para a arrecadação e distribuição do auxílio, de modo a prestar assistência solidária às dioceses afetadas. O valor foi acordado com os beneficiários e é uma doação inicial para atender às emergências mais urgentes. Outros auxílios concretos serão enviados conforme as necessidades forem identificadas e prontamente comunicadas ao Dicastério.

A atenção constante da Esmolaria
De fato, desde as primeiras horas, é constante o contato entre o Esmoler, o arcebispo Marín de San Martín, e o presidente do Episcopado Colombiano, dom Francisco Javier Múnera Correa, arcebispo de Cartagena, que o informou sobre o que está acontecendo nas áreas afetadas, e com a Nunciatura, por meio de seu secretário, monsenhor In Je Hwang.

Um relatório também está sendo preparado para delinear as necessidades urgentes do Dicastério para o Serviço da Caridade, o que confirma seu papel como o “braço” do Papa estendido onde houver necessidade. “É a Igreja como família de Deus”, afirma o prefeito, “uma Igreja atenta ao sofrimento e às necessidades, que responde com fraternidade e eficácia.”

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EVANGELHO DO DIA (Mt 18,21-19,1)

ANO "A" - DIA:  13.08.2026
19ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIA DE SANTA DULCE DOS POBRES

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 21 Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?" 22 Jesus respondeu: "Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25 Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: 'Dá-me um prazo! E eu te pagarei tudo'. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28 Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: 'Paga o que me deves'. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: 'Dá-me um prazo! E eu te pagarei'. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32 Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: "Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33 Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?" 34 O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão". 19,1 Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território da Judeia além do Jordão.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O perdão e a memória da misericórdia"

O perdão recebido nos capacita a agir com misericórdia
Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar se o meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” Jesus respondeu: “Não digo até sete vezes, mas setenta vezes sete. Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. Como o empregado não tivesse com o que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo. O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e prostrado suplicava, daime um prazo e eu te pagarei.” Diante disso, o patrão teve compaixão. Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas, agarrou e começou a sufocá-lo dizendo paga o que me deves.” (Mateus 18,21-19,1)

Quem recebe o perdão está marcado para sempre com o golpe de misericórdia dado por Deus e nunca poderá se esquecer disso. Fará memória sempre desse perdão, para também estar pronto a usar a mesma medida de amor àqueles que precisarem da sua compaixão.

O perdão de Deus e nossa dívida impagável
Pena que isso não aconteceu com o personagem do Evangelho de hoje. A dívida que ele possuía com o patrão era de, mais ou menos, 250 mil anos de trabalho.

Fazendo o cálculo aqui, o número é astronômico! Isso nos mostra que não havia recurso humano para sanar aquela dívida. Só uma bondade maior poderia resolver tal situação. O perdão acontece. Algo parecido com o que nós experimentamos em cada confissão que fazemos. O perdão que é recebido sem nenhum merecimento.

Usar de misericórdia para com o próximo
A coisa se complica logo depois, porque esse bendito, que foi perdoado, fraco de memória, encontra um companheiro. O termo grego usado aqui é syndoulós, um coescravo, alguém que serve o mesmo patrão, alguém da mesma raça, podemos dizer, do nosso grupo, da nossa comunidade, da nossa família, do nosso ambiente. Quantas vezes não usamos de misericórdia para com aqueles que estão mais perto, que nós conhecemos e com quem convivemos!

A força recriadora da misericórdia divina
Por isso, eu volto ao que eu disse acima: como é importante manter a memória viva do dia em que nós fomos agraciados com o perdão de Deus, para que nunca nos esqueçamos de que devemos fazer o mesmo com os nossos irmãos que erram.

Ninguém nasce pronto. A única que nasceu santa foi a Virgem Maria. Todos nós precisamos da força recriadora da misericórdia divina. Por isso não se esqueça do dia em que Deus perdoou os seus pecados, para que você também perdoe os seus irmãos.

Sobre todos vós desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova