quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Painel sobre abusos não sexuais convidou a ampliar o olhar para outras formas que podem comprometer a dignidade e a integridade


O IV Encontro da Rede Latino-Americana e Caribenha para a Cultura do Cuidado continua nesta quarta-feira, 02 de setembro, com momentos de reflexão e partilhas sobre a atuação da Igreja na prevenção e no enfrentamento aos abusos de crianças e adultos vulneráveis.

Pela manhã, após um momento de partilha das ações no âmbito da vida religiosa consagrada, os participantes acompanharam a exposição do padre agostiniano recoleto Antonio Carrón de la Torre sobre os abusos não sexuais nos ambientes eclesiais.

O convite foi para ampliar o olhar para outras formas que podem comprometer a dignidade, a integridade e a liberdade das pessoas no ambiente eclesial.

Padre Carrón, espanhol especialista em Proteção de Menores pela Universidade Gregoriana de Roma, apresentou tipos desses abusos, que podem ser de poder, psicológico, espiritual, de consciência e de confiança, inclusive digital. Também sugeriu mecanismos e indicações para identificá-los.

Uma de suas reflexões foi a respeito do exercício do poder, que faz parte da semelhança divina, mas precisa de limites. Nos contextos eclesiais, é necessária a distinção entre autoridade e poder, o que é usado muitas vezes como sinônimos.

O sacerdote recordou algumas falas do Papa Francisco, que denunciou o elitismo e o clericalismo como fatores que favorecem toda forma de abuso na Igreja, como em agosto de 2018, na Irlanda:

“Esse drama dos abusos, especialmente quando é de proporções amplas e gera um grande escândalo tem por trás situações de Igreja marcadas por elitismo e clericalismo, uma incapacidade de proximidade ao povo de Deus. O elitismo, o clericalismo favorecem toda forma de abuso. E o abuso sexual não é o primeiro. O primeiro é o abuso de poder e de consciência”.

As diferentes vulnerabilidades também foram tipificadas, as quais podem ser uma enfermidade, uma deficiência física ou psicológica ou privação de liberdade.


Ao final, padre Antonio Carrón apresentou dez elementos que podem ser incorporados como um código de ética no âmbito da Igreja, especialmente nos ambientes formativos de religiosos e seminaristas. Entre elas o treinamento credenciado e verificável para aqueles que orientam, formam e governam. e regras sobre questões de conflito de interesses: aqueles que governam não orientam; quem faz acompanhamento de vocacionados não decide sobre admissão, atribuições ou continuidade do serviço.

As indicações ainda preveem o estabelecimento de um canal de denúncias acessível e externo, com nome e informações de contato publicamente disponíveis, e proteção contra represálias, além de consequências para violações, com procedimentos e salvaguardas, incluindo a revogação da autorização de acompanhamento.

Cultura do Cuidado

O IV Encontro da Rede Latino Americana e Caribenha para a Cultura do Cuidado segue até quinta-feira com reflexões e aprofundamentos sobre o trabalho de prevenção e enfrentamento aos abusos a crianças e adultos vulneráveis no ambiente da Igreja.

Participam do evento cerca de 100 pessoas, representando 18 países da América Latina e do Caribe, entre bispos, religiosas e religiosos, padres e leigos. Do Brasil, a delegação conta com secretários executivos de Regionais da CNBB e representantes de regionais da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB).

Luiz Lopes Jr | Fotos: Fiama Tonhá e Paulo Augusto Cruz


Missão, pastoral, liturgia, abusos: o "mini-mestrado" para novos bispos no Vaticano


De hoje, 2 de setembro, até quinta-feira, dia 10, será realizado o Curso anual de formação para pastores recentemente nomeados, provenientes dos cinco continentes. Ao todo, são 147 participantes de diferentes partes do mundo, divididos nos dois percursos propostos pelo Dicastério para os Bispos e pelo Dicastério para a Evangelização. Ao final, os participantes terão uma audiência com o Papa Leão XIV.

Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano

Serão abordados temas como liturgia, missão, abusos, novas seitas, administração, justiça e transparência, mas também sinodalidade, tribalismo, formação sacerdotal, crises e disciplina do clero, diálogo inter-religioso e desafios culturais, durante o Curso anual de formação para novos bispos. Trata-se de uma espécie de “minimaster” para pastores recém-nomeados, realizado todos os meses de setembro desde 2000 — ano da primeira edição, por iniciativa de João Paulo II —, com o objetivo de favorecer o diálogo e o conhecimento mútuo entre pastores recentemente nomeados, provenientes dos mais diversos contextos eclesiais, culturais e sociais. O curso também pretende oferecer orientações para o exercício do ministério nas Igrejas particulares.

No Curso de 2026 participam 147 pastores dos cinco continentes, incluindo representantes de países como Índia, Congo, Papua-Nova Guiné, Zimbábue, Quirguistão e Tailândia. Noventa e oito estão inscritos no curso organizado pelo Dicastério para os Bispos, com o tema Em Cristo, guardiões da Magnífica Humanidade em tempos de transformação; 49 participam do curso promovido pelo Dicastério para a Evangelização – Seção para a Primeira Evangelização, intitulado Servidores da Comunhão na Igreja. Os dois cursos — estruturados em várias sessões conduzidas pelos responsáveis pelos dicastérios da Cúria Romana ou por outros bispos e arcebispos, além de missas, jantares e momentos de “diálogo fraterno” — começaram hoje, quarta-feira, dia 2, e terminarão no dia 10, com o encontro dos bispos com o Papa Leão XIV.

O curso do Dicastério para os Bispos
Mais especificamente, o curso do Dicastério para os Bispos terá como primeiro compromisso, nesta noite, a palestra do cardeal Arthur Roche, prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Amanhã pela manhã, será realizada a intervenção do cardeal Claudio Gugerotti, prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais, sobre o ministério episcopal, seguida da palestra de monsenhor Vittorio Viola, secretário do Dicastério para o Culto Divino, sobre liturgia. À tarde, haverá grupos menores divididos por idiomas e um encontro com os superiores do Dicastério.

No dia seguinte, 4 de setembro, haverá uma reflexão de monsenhor Luis Javier Argüello García, presidente da Conferência Episcopal Espanhola, sobre a missão do pastor nos âmbitos da família e da sociedade. A sessão da tarde tratará da proteção de menores, da cultura da prevenção e da gestão dos casos de abusos. O palestrante será monsenhor Thibault Verny, presidente da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores. À noite, será a vez do cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, falar sobre a atuação da Santa Sé no mundo globalizado e sobre a paz. O sábado, 5 de setembro, será marcado pela palestra do cardeal José Tolentino de Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, sobre as atuais “mudanças culturais”, e pela intervenção do penitenciário-mor, cardeal Angelo De Donatis, sobre o foro interno.

O curso do Dicastério para a Evangelização
Já o curso de formação destinado aos bispos pertencentes às circunscrições eclesiásticas confiadas ao Dicastério para a Evangelização será realizado no Pontifício Colégio Missionário São Pedro Apóstolo. Os trabalhos começarão efetivamente amanhã, 3 de setembro, com uma sessão dedicada ao conhecimento do Dicastério para a Evangelização e ao seu serviço às Igrejas nos territórios de missão. O cardeal Luis Antonio G. Tagle fará as honras da casa, enquanto o arcebispo secretário Fortunatus Nwachukwu apresentará uma reflexão sobre “tribalismo, castismo, racismo e regionalismo excludente na Igreja contemporânea”. À tarde, o padre Joseph Koonamparampil, colaborador e consultor do Dicastério, falará sobre “disciplina do clero, vida consagrada e administração patrimonial”. Em seguida, monsenhor Erwin Balagapo, subsecretário, abordará o tema das associações de fiéis, enquanto o padre Anton Paul Padinjarathala, oficial do Dicastério, tratará de questões relacionadas à vida consagrada na Igreja missionária.

“Fé e inculturação” será o tema do dia 4 de setembro. O cardeal George Jacob Koovakad, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, falará sobre o Diálogo inter-religioso no contexto atual. O arcebispo Aurelio García Macías, subsecretário do Dicastério para o Culto Divino, apresentará uma reflexão sobre Continuidade e novidade na liturgia no contexto da primeira evangelização. À noite, o cardeal Kurt Koch, prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, encerrará a programação falando sobre o Fenômeno das seitas e dos novos movimentos religiosos. O sábado, 5 de setembro, será dedicado à competência jurídica no governo episcopal. O arcebispo Anthony Randazzo, prefeito do Dicastério para os Textos Legislativos, falará sobre as estruturas diocesanas de comunhão e colaboração e sobre os tribunais; por sua vez, o arcebispo John Joseph Kennedy, secretário da Seção Disciplinar do Dicastério para a Doutrina da Fé, abordará a maneira de lidar com os casos relativos aos delicta graviora. À tarde, o arcebispo Dario Gervasi e a doutora Gabriella Gambino, respectivamente secretário e subsecretária do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, proporão uma reflexão sobre acompanhamento e formação no cuidado pastoral do Povo de Deus.

Peregrinação a Assis e sessão conjunta na Urbaniana
O domingo será um dia livre para todos, com a possibilidade de participar de uma peregrinação a Assis por ocasião do Ano Jubilar pelos 800 anos do trânsito de São Francisco. Os trabalhos serão retomados no dia 7 de setembro, na Pontifícia Universidade Urbaniana, com uma sessão conjunta dos participantes dos dois cursos. Caberá ao cardeal Michael Czerny, prefeito emérito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, apresentar a encíclica do Papa Leão XIV, Magnífica Humanidade. À tarde, o cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos Bispos, e o cardeal Roberto Repole, arcebispo de Turim, aprofundarão a questão da “eclesiologia sinodal”.

Na festa da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria, em 8 de setembro, todos os novos bispos se deslocarão para Santa Maria Maior para a missa presidida pelo cardeal Baldassare Reina, vigário para a Diocese de Roma. Novamente na Urbaniana, o curso prosseguirá com as intervenções dos cardeais Tagle e You Heung-sik, prefeito do Dicastério para o Clero, sobre a formação sacerdotal no contexto atual. A sessão da tarde será centrada na relação missionária com a Santa Sé — Óbolo de São Pedro, cânon 1271 e Pontifícias Obras Missionárias. Participarão o prefeito Iannone, seguido pelo arcebispo Samuele Sangalli, secretário-adjunto para a Administração do Dicastério para a Evangelização, e pelo padre Tadeusz Nowak, secretário-geral da Pontifícia Obra da 

Propagação da Fé.
Na quarta-feira, 9 de setembro, monsenhor Peter Beer, professor do Instituto de Antropologia da Gregoriana, falará sobre a gestão das “crises” no clero, enquanto o padre Hans Zollner, diretor do Instituto de Antropologia da mesma universidade, analisará o tema da responsabilidade das Igrejas pela “proteção” de menores e adultos vulneráveis. O próprio Instituto de Antropologia conduzirá o laboratório da tarde, organizado em grupos linguísticos.

O encontro com Leão XIV
Por fim, na quinta-feira, 10 de setembro, haverá missa e veneração das relíquias do Apóstolo na Basílica de São Pedro, presididas pelo cardeal arcipreste Mauro Gambetti. Em seguida, os novos bispos participarão da audiência com o Papa Leão XIV, ponto culminante desses dias de formação, oração e fraternidade.

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EVANGELHO DO DIA (Lc 5,1-11)

ANO "A" - DIA: 03.09.226
22ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIA DE SÃO GREGÓRIO MAGNO

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Vinde após mim, disse o Senhor, e eu ensinarei a pescar gente.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. 2 Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. 3 Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões. 4 Quando acabou de falar, disse a Simão: "Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca". 5 Simão respondeu: "Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes". 6 Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. 7 Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem. 8 Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: "Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!" 9 É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer. 10 Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Jesus, porém, disse a Simão: "Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens". 11 Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Avança para águas mais profundas"

Avança, confie e espere em Deus
Nós, hoje, comemoramos a memória de São Gregório Magno; e por meio do Evangelho de São Lucas, queremos pedir a Nosso Senhor um coração como o de São Gregório. Nós vamos ver, no Evangelho, que Jesus entra na barca de Pedro, transforma uma noite de fracasso em uma experiência de graça e missão. Depois de terem trabalhado a noite inteira sem terem pescado nada, nós ouvimos o Evangelho nos dizer:

“Avança para águas mais profundas e lançai vossas redes para a pesca” (Lucas 5,1-11).
Aqui, há algo muito importante: Pedro, mesmo desanimado e cansado, responde com confiança. Diante do seu cansaço e desânimo, responda ao Senhor com confiança. Pedro ouviu de Jesus: “Avança para águas mais profundas”. Pedro, em atenção à palavra de Jesus, lançou as redes, e aconteceu ali a pesca abundante.

Avança na profundidade da providência
Esse Evangelho nos ensina que, quando confiamos na Palavra de Cristo, aquilo que parecia vazio se torna fecundo. Que grande graça Pedro quer nos ensinar pela sua humildade de pescador: a confiança gera providência. Deus se manifesta: a pesca foi milagrosa. Pedro, que a noite inteira pescou e não pegou nada, teve a graça de ouvir a Palavra de Jesus e tocar no milagre.

Muitas vezes, nós experimentamos noites de fracassos, cansaços, frustrações e dúvidas, porém, Jesus continua nos convidando para ir mais fundo, a não desistir e a confiar novamente. As palavras centrais deste Evangelho são: avançar, confiar e esperar em Jesus.

Na confiança, o envio para a missão
O chamado de Cristo não é apenas para uma pesca material, mas para uma transformação interior. Pedro reconhece a sua pequenez diante do milagre e exclama: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou pecador”. Jesus não o rejeita; ao contrário, dá a ele uma missão ainda maior: “Não tenhais medo, de agora em diante, serás pescador de homens”.

Que o Senhor nos ajude a ter a mesma confiança de Pedro e de São Gregório Magno para nos tornarmos pescadores de homens.

Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


Que relação há entre o “pecado dos anjos” e o “pecado original” do homem?

Natureza teológica do pecado dos anjos

Há uma certa correlação. Qual foi o pecado dos anjos? A soberba. Os santos doutores da Igreja – escrevi sobre isso no livro ‘Os Anjos’ – e os grandes doutores como São Tomás de Aquino e Santo Agostinho são unânimes em dizer que foi a soberba. Esse era o único pecado que eles poderiam cometer.
O pecado da soberba

Como o anjo não possui corpo, não pode cometer pecados como a gula ou a luxúria. Sendo um ser espiritual, só poderia cometer um pecado de natureza espiritual: inveja, orgulho ou soberba. E eles o cometeram. Ninguém os tentou, erraram por própria escolha. Eles não aceitaram ser simples criaturas e quiseram ser como Deus. Esse foi o problema.

Lúcifer viu-se tão belo e maravilhoso, encantou-se tanto consigo mesmo, que decidiu: “Eu quero ser Deus”. É o “Não servirei” presente no livro do profeta Jeremias. O que disseram a Deus foi justamente isso: “Não servirei”.
A rejeição do Verbo Encarnado

Alguns teólogos trabalham com a hipótese de que, ao saberem que o Verbo encarnaria como homem, os anjos rebeldes se recusaram a adorar um Deus feito homem, por se considerarem superiores aos seres humanos. No fundo, foi um pecado de soberba, quiseram ser Deus.

São Tomás de Aquino afirma em sua obra que o demônio deseja ser adorado como Deus. Por isso esconde-se atrás dos ídolos. Como o ídolo é apenas uma fantasia — uma imagem de barro, pedra ou ouro —, quando recebe adoração, quem a recebe, na verdade, é o demônio. Daí o perigo da idolatria.

Leia mais

A tentação do Éden ao homem moderno
O demônio quer que o ser humano também se sinta Deus. É o que o homem moderno pensa ser. Filósofos ateus como Herbert Marcuse dizem que “O homem é a medida de todas as coisas”, ou seja, o homem é Deus. Nietzsche proclamou a morte de Deus e a valorização do “super-homem”. Não é à toa que Nietzsche terminou seus dias alienado, pois não encontrou respostas para a existência.

Sem Jesus Cristo, não se encontra resposta para nada. O demônio quer ser Deus e instigou Eva a comer o fruto proibido prometendo que ela seria como Deus. Essa foi a mesma tentação que o fez cair no céu e que ele trouxe para a humanidade. É fascinante a ideia de querer ser Deus, pois, nessa condição, não se obedece a lei alguma, mas cria-se a própria lei. Como dizia Dostoiévski: “Se Deus não existe, a lei não existe, eu sou Deus”.

Transcrito e adaptado por Jaqueline Scarpin

Autor: Prof Felipe Aquino

São Gregório Magno


Gregório nasceu no ano 540 em Roma. Sua família, de sobrenome Anícia, tradicional na alta corte romana, era rica, poderosa e influente; seu pai, que havia sido senador e prefeito da cidade, participava ativamente do seu governo. Além disso, ele viveu e foi educado num ambiente cristão: as três mulheres mais responsáveis pela sua formação espiritual e cultural, a mãe Silvia e as tias paternas Emiliana e Tarsila, são santas canonizadas. A mansão familiar erguia-se num dos lados do monte Célio, lugar privilegiado no centro da Roma antiga, de onde se avistavam, já naquela época, ruínas da antiga grandeza romana, causadas por catástrofes naturais e pelas invasões bárbaras.

De fato, durante mais de 150 anos, a península italiana foi invadida por hordas estrangeiras, que sucessivamente saquearam e dizimaram Roma: em 410, os visigodos; em 455, os vândalos; em 472, os suevos e burgúndios; em 476, os germanos; em 489, os ostrogodos; a partir de 526, godos e bizantinos ali se bateram por mais de duas décadas; por fim, os bizantinos a serviço de Constantinopla, sob o imperador Justiniano, derrotaram os ostrogodos, que haviam invadido Roma em 546, período da infância de Gregório. Seguiu-se um tempo de relativa paz que permitiu a Gregório, seguindo a tradição familiar, cursar a carreira jurídica.

De inteligência e capacidade organizativa superiores, Gregório destacou-se nos meios cultos da época, e aos 30 anos foi nomeado prefeito de Roma, exercendo o cargo com austeridade e honestidade, seguindo seus princípios católicos. Mas já nesta época, nova invasão ocorreu na Itália: em 568, os lombardos, que haviam adotado a heresia ariana (a qual considerava Jesus inferior ao Pai), e cujo método de ação era a violência extrema, com a eliminação metódica das elites latinas, conquistaram o norte do país. Inúmeros sobreviventes foram para Roma; entre eles, monges beneditinos de Montecassino, o primeiro mosteiro fundado por São Bento. Gregório doou a eles um palácio da família no monte Célio, onde fundaram o mosteiro de Santo André. A frequente convivência com eles levou Gregório a se tornar religioso.

Durante a sua atividade civil, Gregório já sentia o chamado da vocação monacal, e tendo concluído seu mandato em 575, ingressou no mosteiro de Santo André. Foi o melhor período da sua vida, como admitiu depois, quando pôde dedicar-se ao silêncio, à oração, à meditação da Palavra de Deus e às leituras sagradas. Depois de quatro anos, foi ordenado pelo Papa Bento I diácono regional, ou seja, encarregado da administração de uma das regiões eclesiásticas que nessa época dividiam a cidade de Roma. E como suas qualidades não podiam ficar escondidas, não muito tempo depois o novo Papa, Pelágio II, o enviou como apocrisiário (núncio) à capital do Império do Oriente, Constantinopla.

Passou ali seis anos lidando com as dificuldades da corte e no firme combate às influências das heresias monofisita (Cristo só teria a natureza divina, mas não a humana) e nestoriana (Cristo não seria uma única pessoa, com natureza divina e humana, mas duas pessoas, o Jesus humano o Logos divino), e conseguindo manter um estilo de vida monástico, além de escrever, neste período, a maior parte da sua obra literária. Voltou a Roma por volta de 585, sendo eleito abade em Santo André, e neste cargo ficou conhecido pela sua caridade, dedicação, firmeza e austeridade.

Em 589 chuvas de intensidade absurda provocaram uma calamidade em Roma, com destruição e fome, seguidas por uma epidemia devastadora de peste bubônica, da qual morreu o Papa Pelágio II. O clero, o senado e o povo, unanimemente, aclamaram Gregório como o novo Papa; ele, sentindo-se indigno do cargo, fugiu para as montanhas e florestas vizinhas, até ser achado e então, humildemente reconhecendo a vontade de Deus, ser sagrado em 590. Não quis receber outro título senão o de servus servorum Dei — servo dos servos de Deus.

Gregório I assumiu o pontificado numa época de caos civil e abalos heréticos na Igreja. Ele reconheceu a sua época como uma de transição, do fim do ius civitatis romano (conjunto de direitos e deveres de um indivíduo em relação à comunidade em que vive) a ser substituído pelo donum caritatis cristão (presente da caridade), se é que a civilização ocidental deveria continuar. Procurou assim elevar os espíritos às realidades sobrenaturais, para que vivessem os acontecimentos temporais sob uma perspectiva eterna; e desse modo fez o transporte definitivo da Europa pagã do mundo antigo para a nova civilização cristã sob o Evangelho, regada pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, Salvador.

A desolação provocada pelos lombardos continuava, e por duas vezes Roma foi por eles sitiada. Nas duas ocasiões, a intervenção de Gregório obteve o levantamento pacífico do cerco. Foram assinadas tréguas, e o Papa empenhou-se na conversão dos invasores da Itália. Conseguiu, com a ajuda da princesa Teodolinda, esposa do chefe lombardo e filha do rei católico da Baviera, o batismo do filho do casal – primeiro passo na futura conversão de todo este povo.

Protegeu os judeus, na Itália, contra a perseguição dos hereges. Na Espanha, Gregório apoiou São Leandro na conversão do rei Recaredo, visigodo e ariano, e por conseguinte desta nação; na Gália, isto é, França, manteve boas relações com os monarcas francos, conseguindo a renovação do clero em decadência, a convocação de sínodos e a extinção de persistentes e cruéis práticas pagãs; e sobretudo obteve a conversão da Grã-Bretanha (Inglaterra), ex-província do império romano, no seu tempo paganizada pelos invasores anglo-saxões: conseguiu o casamento de uma princesa católica francesa com um dos seus reis e enviou inúmeros missionários, destacando-se Santo Agostinho de Cantuária, responsável direto pela conversão de milhares de insulares . Seu desejo caridoso de chamar os infiéis a Cristo, e não de meramente combatê-los, fez florescer no Ocidente a Igreja e “o bom perfume” de Cristo (cf. 2Cor 2,14-15). Fez com que o cristianismo fosse respeitado por sua piedade, prudência e magnanimidade, sendo assim muito amado pelo povo simples e acreditado pelos pagãos.

Não menos importante foi a sua ação dentro da própria Igreja. Levando uma vida monacal, dispensou do palácio pontifício os servidores leigos, o que diminuiu os abusos cortesãos e levianos. Exigiu o trabalho, a disciplina, a moralidade (incluindo a observância do celibato pelo clero) e o respeito às tradições da Doutrina. Reformou a Liturgia, introduzindo a oração do Pai Nosso na Santa Missa, e criando o Canto Gregoriano, próprio para com a dignidade necessária elevar a música como adequado auxílio às orações litúrgicas. Escreveu a Regra Pastoral, como orientação, ainda atual, para a santidade do clero, e várias outras obras: Livro dos Diálogos, para a edificação dos fiéis; Vida de São Bento, Sacrementaria Gregoriana, Comentário Sobre Jó, Comentário Sobre I Reis, Homilias sobre Ezequiel, Sermões, Cartas.

A constituição física de Gregório sempre fôra um tanto frágil, e sofreu muito com várias doenças, o que não lhe impediu de permanecer firme nas suas atividades até o falecimento, em 604. A data da sua festa é a da sua consagração Papal. Ficou conhecido como “Magno”, isto é, aquele que é superior a tudo o que lhe é congênere, o que tem importância máxima. Foi declarado Doutor da Igreja.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

A obra de São Gregório I é verdadeiramente magna. Deus sempre provê as pessoas certas para as missões necessárias, e o período de afirmação para o início da Idade Média Cristã, que glorificou a Europa e o Catolicismo, irradiando seus bens para o mundo inteiro, tem seu marco no pontificado deste santo Papa. (infelizmente, as ideologias modernistas e atéias fazem de tudo para incutir a ideia de que a Idade Média na Europa foi um “período de trevas” da Humanidade, quando, ao contrário, foi um ápice da civilização e da espiritualidade; certamente este mundo não é e nunca será perfeito após o Pecado Original, e os seres humanos de todas as épocas cometerão erros e pecados, mas sem a civilização católica européia firmada na Idade Média, e sua benéfica influência no mundo ocidental, a História não conheceria os progressos, espirituais e civilizatórios, de que pôde desfrutar. E que foram perdidos e/ou deturpados posteriormente, até a caótica atualidade, exatamente pela negação progressiva dos valores católicos e seus desdobramentos, depois deste período). Neste sentido, são perenes e esclarecedoras as palavras do próprio São Gregório: “Estamos contemplando a que extremo foi reduzida Roma, a mesma que outrora parecia ser a senhora do mundo! (…) Nela desapareceu todo o esplendor das glórias terrenas. Desprezemos com toda a alma este mundo quase extinto, e imitemos a conduta dos santos”. De acordo com o Primeiro Mandamento da Lei de Deus, São Gregório Magno desejou ardentemente o bem do próximo, sob o amor de Deus, e por isso alcançou um vasto horizonte de conversões e pacificação. Ora, o mesmo devemos fazer nós, os católicos de hoje, visando pela oração, vida santa e apostolado firme, profundo e correto, trazer para o amor de Cristo as hordas de pessoas com pensamento mundano que vagam pelo orbe. O tempo do Reinado de Maria, que Nossa Senhora nos prometeu em 1917, em Fátima, quando por gerações a maior parte da humanidade viverá em estado de graça, vai chegar, e possivelmente não demorará muito; porém entraremos nele ou pela conversão e apaziguamento verdadeiro em Deus, ou pela Sua punição a um mundo perdido e recalcitrante, como já aconteceu na época do Dilúvio. Não existe uma terceira via, portanto o momento de rezar e trabalhar, especialmente através da santificação pessoal, é agora. Este trabalho inclui, naturalmente, a santificação da própria Igreja, nos seus membros, e por isso atenção muito particular deve ser dada à Tradição, à Doutrina, à Liturgia, à sã Teologia. A dignidade e seriedade das celebrações litúrgicas, com ênfase na Santa Missa, é uma necessidade primordial. Daí a formação indispensável, do clero e dos fiéis, para a importância de tesouros eclesiásticos como o uso do Latim (aliás, língua oficial da Igreja, portanto nada mais natural que seja ensinada e conhecida) e do Canto Gregoriano (igualmente oficial no uso da Igreja), por exemplo. A verdadeira inculturação não significa tornar indigno o que é sacro, mas elevar o que é humano ao sobrenatural, também e necessariamente pela via da Cultura, da Arte.

Oração:

Senhor, Pai Eterno, que fostes o primeiro a servir, por amor gratuito, às Vossas criaturas, começando por dar a elas a sua mesma existência, concedei-nos pela intercessão e exemplos de São Gregório Magno resistir às invasões da barbárie moderna, buscando unicamente sermos como ele servos dos servos de Deus pelos Mandamentos e Sacramentos da Igreja, de modo a abandonar o que é pagão e antigo, para construir este mundo sobre a Boa Nova de Cristo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Seminário Nacional aprofunda gestão integrada dos bens culturais da Igreja a serviço da evangelização



A Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, em outubro, dois eventos conjuntos sobre os bens culturais da Igreja: O II Seminário Nacional de Patrimônio Cultural Católico e III Encontro dos Equipamentos e Centros Culturais Católicos. Realizado no contexto do Acordo de Cooperação Técnica entre a CNBB e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o seminário terá como tema “Os bens culturais da Igreja e sua gestão integrada a serviço da evangelização”.

A programação será realizada de 5 a 8 de outubro, na Casa Dom Luciano Mendes de Almeida, em Brasília (DF). Haverá aula magna conduzida pela diretora do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) de Portugal, doutora Isabel Maria Alçada Cardoso. Os participantes também terão a oportunidade de acompanhar conferências e painéis e participar de workshops.


A expectativa é reunir representantes das (arqui)dioceses, profissionais e técnicos do Iphan, representantes dos equipamentos e centros culturais católicos (centros culturais, museus, memoriais, arquivos e bibliotecas eclesiásticas), profissionais especialistas de diversas áreas, para refletir e traçar estratégias sobre a preservação, sustentabilidade, identificação e captação de recursos e investimentos em vista dos Bens Culturais da Igreja e do Patrimônio Cultural Católico.

Precioso patrimônio
Dom Gregório Paixão, arcebispo de Fortaleza (CE) e presidente da Comissão para a Cultura e a Educação da CNBB, recorda que a Igreja Católica no Brasil possui um “precioso patrimônio cultural material e imaterial, constituído ao longo dos séculos”.

“São igrejas, imagens, documentos, objetos litúrgicos, músicas, festas, tradições e tantas expressões de fé que testemunham a história da evangelização e da vida do nosso povo”, enumera.

Nesse sentido, salienta o bispo, o trabalho da Comissão, por meio do Setor de Bens Culturais, é de promover, preservar, divulgar, salvaguardar e pesquisar esse patrimônio. O trabalho ainda busca fortalecer a cooperação com as instituições públicas na sua preservação, como é o caso do Acordo de Cooperação Técnica com o Iphan.

“Na Igreja, preservar um patrimônio não significa apenas cuidar de coisas antigas, significa cuidar da memória, da identidade e da fé de um povo. Aquilo que recebemos de gerações passadas, pode continuar sendo instrumento de evangelização para as novas gerações”, destaca dom Gregório.


Papa: a Igreja não pode permanecer passiva nem indiferente ao que acontece no mundo


Após a Sacrosanctum Concilium, agora é a vez da Constituição Pastoral Gaudium et Spes ser aprofundada pelo Papa Leão XIV em seu ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II. O texto trata da relação da Igreja com o mundo contemporâneo, buscando "responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida".

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

A Audiência Geral desta quarta-feira voltou para a Praça São Pedro, depois de quatro semanas sendo realizada na Basílica Vaticana. Diante de cerca de 15 mil fiéis, Leão XIV introduziu um novo documento do Concílio Vaticano II, a Constituição Pastoral Gaudium et spes.

O texto aprofunda um tema fundamental, que é a relação da Igreja com o mundo contemporâneo, reconhecendo "uma nova ordem de relações humanas", como definiu São João XXIII. A Constituição Conciliar Gaudium et spes começa por declarar que a Igreja sente como suas "as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem" (GS 1).

"Essa partilha com a humanidade é o caminho que Cristo pede à Igreja", afirmou Leão XIV.

“É uma partilha que nos convida a sair de toda a passividade e indiferença perante os acontecimentos, a história e a vida das pessoas, sobretudo perante a mudança rápida e profunda que hoje vivemos. Não é possível permanecer como espectadores desinteressados; pelo contrário, é preciso escutar com o coração, deixar-se interpelar, envolver-se.”

A ilusão de que a guerra é um caminho eficaz para construir a paz
Os fiéis são então chamados a assumir as dificuldades dos irmãos, "sobretudo daqueles que são oprimidos pela injustiça, pela discriminação e pela violência". Nesse sentido, acrescentou o Pontífice, a proximidade com a humanidade abre caminho a uma leitura mais profunda dos acontecimentos e da própria Revelação e, nessa mesma perspetiva, a Gaudium et spes recorda o «dever de a Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho» (GS 4).

Esta Constituição conciliar, portanto, exortou a Igreja a um compromisso permanente de conversão e a desmascarar as contradições que caracterizam o mundo contemporâneo. Como exemplo, o Papa citou o progresso científico e tecnológico que oferece sempre novas possibilidades, mas apenas a alguns; ou ainda, uma maior disponibilidade de riquezas desproporcionamente distribuídas; ou ainda, diante de ações que ameaçam o futuro do planeta, a incapacidade de renunciar ao consumo egoísta e à ilusão de que a guerra é um caminho eficaz para construir a paz.

A Igreja é chamada a servir o ser humano
Assim, concluiu Leão XIV, numa época de profundas mudanças, "das quais decorrem desequilíbrios preocupantes, a Igreja é chamada a servir o ser humano, escutando e acolhendo as questões mais profundas do seu coração e os anseios que nele habitam, indicando em Cristo «a chave, o centro e o fim de toda a história humana» (GS 10)".

“Queridos irmãos e irmãs, que a alegria e a esperança – gaudium et spes – sejam as características distintivas de uma Igreja que anuncia e testemunha o Evangelho, aproximando-se das mulheres e dos homens do nosso tempo.”

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EVANGELHO DO DIA (Lc 4,38-44)

ANO "A" - DIA: 02.09.2026
22ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- O Espírito do Senhor repousa sobre mim e enviou-me a anunciar aos pobres o Evangelho.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 38 Jesus saiu da sinagoga e entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava sofrendo com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. 39 Inclinando-se sobre ela, Jesus ameaçou a febre, e a febre a deixou. Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los. 40 Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levaram a Jesus. Jesus colocava as mãos em cada um deles e os curava. 41 De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: "Tu és o Filho de Deus". Jesus os ameaçava, e não os deixava falar, porque sabiam que ele era o Messias. 42 Ao raiar do dia, Jesus saiu, e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam e, indo até ele, tentavam impedi-lo que os deixasse. 43 Mas Jesus disse: "Eu devo anunciar a boa-nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado". 44 E pregava nas sinagogas da Judeia.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Compaixão e misericórdia de Jesus"

Compaixão divina que acolhe as nossas dores e nos restaura
Nós vamos, neste Evangelho de hoje, ver que Jesus se coloca a serviço com um coração compassivo para tocar o coração das pessoas. E o Evangelho de São Lucas vai nos dizer o seguinte:

“Jesus inclinou-se sobre ela, ameaçou a febre, e a febre a deixou. Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los” (Lucas 4, 38-44).

Jesus não apenas toca e cura o nosso físico, o nosso corpo, mas Ele restaura o coração e devolve o sentido da nossa missão. A sogra de Pedro, da qual o Evangelho fala, depois de ela ser curada, não permanece inerte, não permanece parada; ela se coloca a serviço.

O encontro com a compaixão de Jesus
O encontro verdadeiro com Cristo sempre gera em nós serviço, caridade e disponibilidade. Meu irmão, minha irmã, o Evangelho continua mostrando que, ao pôr do sol, muitos levavam os doentes até Jesus, e Ele impunha as mãos sobre cada um deles.

São Lucas destaca a palavra compaixão, a qual mostra quem é Jesus: um Homem misericordioso. Jesus não olha as multidões de forma distante, Ele toca pessoa por pessoa. Isso nos mostra que Deus conhece as nossas dores, as nossas lutas e as nossas necessidades mais escondidas.

Compaixão para anunciar Jesus
Termino com algo importante da missão de Jesus: anunciar o reino dos céus. Quando Jesus anuncia o reino dos céus, anuncia libertações, curas e conversões acontecem no meio de nós. A missão de Jesus é anunciar o reino para tirar o Seu povo da escravidão, do pecado e da morte.

Jesus quer nos levar a essa experiência profunda de sermos tocados por Ele e sermos esses que irão também tocar outros por meio da Sua misericórdia. A misericórdia que nos alcança é a mesma que precisamos levar para as pessoas. Colocar-se a serviço como a sogra de Pedro é viver como Jesus viveu nesta terra. Jesus passou por esta terra fazendo o bem. E como Santa Teresinha de Jesus disse: “Eu quero passar o meu céu nesta terra fazendo o bem”.

Que Jesus nos dê a graça e nos encoraje. Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova