segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Conheça as 9 categorias da 56º edição dos Prêmios de Comunicação da CNBB


As inscrições à 56ª Edição dos Prêmios de Comunicação, concedidos pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), encontram-se abertas até o próximo 30 de setembro. Através da premiação, a CNBB concede um reconhecimento ao trabalho de profissionais de comunicação nos diversos meios que apresentaram suas obras e se distinguiram pelo serviço aos valores do Evangelho e à dignidade humana.

A CNBB concede os prêmios de comunicação desde 1967, com a instituição da primeira categoria para o cinema “Margarida de Prata”. De lá para cá outras 8 categorias foram criadas para premiar inciativas em rádio, tv, jornalismo, internet, Pastoral da Comunicação e teses e dissertações. A mais nova categoria é a São Carlo Acutis, criada em 2024, para reconhecer iniciativas em publicidade e design. Conheça, abaixo, cada um delas.


Cinema “Margarida de Prata”
A CNBB instituiu, em 1967, o primeiro Prêmio de Comunicação Margarida de Prata para o Cinema, que representou um importante apoio à produção cultural livre. O prêmio é entregue em duas modalidades: longa-metragem e curta metragem.
Rádio “Microfone de Prata”

Em 1989, a CNBB apoiou a criação do Prêmio Microfone de Prata para produções radiofônicas, promovido pela União de Rádio Difusão Católica (UNDA-Brasil). Em 2010, a promoção da categoria passou para a Rede Católica de Rádio (RCR). Mais tarde foi incorporada ao prêmio. São premiados, neste prêmio, trabalhos jornalísticos, religioso e entretenimento
Imprensa “Dom Helder Câmara”

Em comemoração aos 50 anos de fundação da CNBB, em 2002, a Assessoria de Imprensa da CNBB instituiu o Prêmio Dom Helder Câmara de Imprensa, com o objetivo de premiar reportagens e trabalhos jornalísticos voltados à promoção humana e social. Este prêmio inclui matérias, séries de matérias, reportagens ou outras formas do texto jornalístico. Os trabalhos podem ser inscritos nas seguintes modalidades: jornal, revista e sites.
Televisão “Clara de Assis”

Em 2005, a CNBB instituiu o Prêmio Clara de Assis para a Televisão, concedido a programas televisivos nacionais produzidos e exibidos por emissoras comerciais, educativas e comunitárias. Mais recentemente, também são aceitos vídeos veiculados em plataformas digitais. As modalidades desta categoria são: reportagem, documentário e entretenimento.


Internet “Dom Luciano Mendes de Almeida”
Na celebração de 50 anos dos Prêmios de Comunicação, a CNBB lançou este prêmio para reconhecer o trabalho de convergência midiática realizado no ambiente virtual da internet. Este prêmio está dividido em três modalidades: sites/portais/blogs, iniciativas com redes sociais e aplicativos
Pastoral da Comunicação “Kerigma”

Aprovada pelo Conselho Permanente da CNBB em 2019, esta categoria visa o reconhecimento e o incentivo de ações desenvolvidas pelas equipes de Pastoral da Comunicação das paróquias e dioceses, tendo como critério a implementação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da CNBB.

Teses e dissertações “Papa Francisco”
Aprovada pelo Conselho Permanente da CNBB em 2019, a categoria visa reconhecer e incentivar o trabalho dos pesquisadores em comunicação, que tanto colaboram com a reflexão, bem como no trabalho pastoral da Igreja no Brasil. Cada pessoa pode se inscrever apenas um trabalho nesta categoria: mestrado e doutorado.

Publicidade e design “São Carlo Acutis”
Criado em 2024, este prêmio busca valorizar os trabalhos em publicidade e design. Esta categoria busca valorizar produções criativas e inovadoras que promovam valores humanos, éticos e cristãos, destacando o papel da comunicação visual e publicitária na evangelização e no diálogo com a sociedade. Esses formatos devem refletir originalidade e relevância para a missão da Igreja. Os trabalhos da nova categoria Publicidade e Design podem ser apresentados em duas frentes: campanhas publicitárias e design.

Menção honrosa “Irmã Dorothy Stang”
Além destas categorias avaliadas por um júri técnico, formado por especialistas das Pontifícias Universidades Católicas do país, e do júri pastoral, formado por bispos da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, a Presidência da CNBB concede o prêmio menção honrosa “Irmã Dorothy Stang”. A menção honrosa é concedida a profissionais ou trabalhos do mundo da comunicação que se destacaram na promoção de valores cristão e humanos.

Mais informações e inscrições:
As inscrições à 56ª Edição dos Prêmios de Comunicação, concedidos pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), encontram-se abertas até o próximo 30 de setembro. As inscrições podem ser feitas no hot site dos Prêmios (aqui).

Por Willian Bonfim

As felicitações de aniversário a Leão XIV


Por ocasião do 71º aniversário do Papa, a Conferência Episcopal Italiana (CEI) convida a acolhermos as suas palavras sobre a ligação entre o perdão e a paz, tendo em conta os conflitos que afetam várias partes do mundo. A Diocese de Roma invoca sobre o seu Bispo "força e sabedoria" para que possa liderar a construção da "civilização do amor". Meloni: as suas palavras são um "poderoso estímulo".

Vaticano News

A “coragem do essencial” como caminho para seguir as prioridades da Igreja, que, em um tempo marcado por guerras e divisões, é chamada a reconhecer em seu guia um farol de “força e sabedoria” para construir uma nova “civilização do amor”. São os votos de felicitações, acompanhados do desejo de uma paz constantemente invocada, dirigidos hoje, 14 de setembro, ao Papa Leão XIV por ocasião de seu 71º aniversário.
CEI: acolher as palavras sobre perdão e paz

Por ocasião da data, a Conferência Episcopal Italiana (CEI) enviou uma mensagem em nome das Igrejas de todo o país, renovando sua gratidão pelos encontros realizados com o Papa nestes meses. Foram ocasiões nas quais o Pontífice “indicou no Evangelho a prioridade da vida da Igreja, fonte da fé entendida como encontro com Cristo morto e ressuscitado”.

Uma fé que, recorda o texto, se fortalece na promoção de comunidades voltadas para o anúncio, de paróquias capazes de acolher e evangelizar e de organismos de participação que atuem efetivamente.

São indicações preciosas que orientam o caminho da Igreja na Itália, inspirando cada pessoa a acolher também as palavras pronunciadas pelo Papa no Angelus de ontem, 13 de setembro, “sobre a relação entre perdão e paz e sobre as divisões e os conflitos que surgem quando o primeiro falta”. Um ensinamento que, escreve ainda a presidência da CEI, é particularmente atual diante das guerras que atingem diversas regiões do mundo.

“Nossas Igrejas”, conclui a mensagem, “continuarão próximas das populações atingidas pelo sofrimento por meio de gestos concretos de solidariedade”.

Diocese de Roma: sustentar o anseio de comunhão
Ao seu bispo chega também a mensagem de felicitações da Diocese de Roma, que invoca sobre ele “força e sabedoria” para enfrentar os numerosos desafios deste tempo e sustentar “o anseio de paz das pessoas de boa vontade que, sob sua orientação, desejam construir a civilização do amor”.

Meloni: não ceder ao cansaço e à resignação
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, por sua vez, retomou as palavras do Papa aos jovens reunidos no Meeting de Rimini, no último dia 22 de agosto: “Não haja apenas quem sopra sobre o fogo do cansaço e do desespero; haja também quem reacenda sonhos e visões”.

Meloni define essas afirmações como um “poderoso estímulo” diante da complexidade dos desafios atuais, que correm o risco de alimentar “cansaço e resignação”. Ao contrário, escreve a primeira-ministra, cada pessoa é chamada a “tornar-se guardiã e intérprete de uma esperança ativa, capaz de reacender os sonhos e transformar as visões em ações concretas”.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.

EVANGELHO DO DIA (Jo 3,13-17)

ANO "A" - DIA: 14.09.2026
24ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERMELHO)
EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela cruz remistes o mundo!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13 "Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14 Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15 para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16 Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17 De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Exaltação da Santa Cruz"

Exaltação da Santa Cruz o sinal da vitória de Cristo
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: “Ninguém subiu ao céu a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do homem. Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do homem seja levantado para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. Porque Deus amou tanto o mundo que deu o Seu Filho unigênito para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.” ( João 3, 13-17)

Meus irmãos e minhas irmãs, nesta segunda-feira nós celebramos com toda a Igreja a Exaltação da Santa Cruz.

A cruz e o amor divino
Que ninguém se envergonhe da cruz de Cristo, porque ela é salvação para toda a humanidade. Não é apenas um objeto que nós temos o costume de usar, ela é uma realidade espiritual. O verbo hypsoo, do Evangelho de hoje, quer dizer elevar às alturas, exaltar. Não é idolatrar um objeto religioso. O próprio Filho de Deus que é elevado na cruz e se torna nossa salvação. Para curar o veneno das serpentes no deserto, Moisés eleva uma serpente de bronze numa haste para que o povo seja curado.

Exaltação no Calvário
Na plenitude dos tempos, é o Filho de Deus na haste da cruz que dá a sua vida para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. Ele não vem para condenar, Ele vem para nos salvar do veneno que o maligno tenta injetar constantemente em nós. O nosso coração precisa voltar-se para Cristo no mistério da sua cruz.

O próprio texto nos afirmou: “Deus amou tanto o mundo, a ponto de dar o Seu Filho unigênito para que nós tenhamos vida em Seu nome”. Então, hoje é o dia de olharmos para a cruz de Cristo e enxergarmos a nossa redenção e salvação. Que esse sinal de amor possa converter os nossos corações.

Sobre todos vós desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Pe Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Esperar em Deus como crianças

Quando Jesus disse que para entrarmos no Reino dos Céus teríamos que ser como crianças, tenho quase certeza de que Ele estava se referindo à confiança irrestrita que elas têm nos pais, mas de modo algum falava da virtude da paciência. Sim, as crianças confiam nos pais, e, até certa idade, de maneira absoluta, mas ao mesmo tempo elas são tão impacientes quanto é possível ser.

Todas as vezes que vou ao supermercado, trago para os meus filhos algo que não é comum consumirmos no dia a dia. Pode ser um chocolate, um doce, um salgadinho de milho, sucrilhos. Eles sabem disso e aguardam ansiosos o meu retorno, pois se lhes digo que vou trazer algo, nem entra na cabeça deles a ideia de que eu poderia frustrar essa expectativa. É a confiança própria das crianças.

Foto ilustrativa: FG Trade by Getty Images

Assim que passo pela porta de casa, eles correm e começam a revirar as sacolas que eu trouxe, procurando o prêmio. “Calma aí”, eu lhes digo. “Podem voltar para o seu lugar. Deixem-me arrumar tudo”. Elas ficam pulando de tanta empolgação, sem conseguir se conter. Querem porque querem saber o que eu trouxe. É a impaciência também própria das crianças. Esse é apenas um pequeno exemplo, mas no cotidiano não faltam situações que se apliquem à minha filha de nove meses, ao de cinco anos, à de nove anos e mesmo ao de dezesseis. Cada um, de acordo com a sua idade, traz em si as marcas da confiança e da impaciência, mesmo quando já estão mais crescidos. Contudo, o movimento natural da vida e da aquisição da maturidade é que os filhos vão crescendo e percam, com o passar do tempo, aquela confiança inabalável nos pais, ao tempo em que cultivem em si mais paciência para lidar com as dificuldades que vão encontrando em seu caminho.

Seremos sempre como crianças diante de Deus
Podemos olhar para nós mesmos e percebermos que, diante de Deus, seremos sempre como crianças, tendo que lidar com a confiança que temos nele, que é um Pai amoroso, e com a nossa impaciência de filhos amados. É possível que tenhamos trilhado o percurso de primeiro perder, para depois recuperar a confiança em Deus. Nas mais diversas áreas da nossa vida, fomos exercitando a fé, a esperança e o amor, experimentando em situações concretas as palavras de Jesus: “O vosso Pai do céu sabe que tendes necessidade de tudo isso”.

Se confiar em Deus como crianças é um exercício difícil e no qual talvez já tenhamos avançado bastante, não podemos desprezar o desafio que é a espera confiante. Sim, “pedi e recebereis”, disse Jesus, e cremos nisso, mas o Mestre não deixou claro quando receberíamos. Aqui entra um componente que nos faz voltar a ser criancinhas ansiosas pelo doce que o papai trouxe do supermercado. O Pai do Céu nos deu a certeza de que receberíamos, mas só conseguimos pensar com o nosso tempo, que é o do “aqui e agora”. O relógio de Deus, entretanto, não é assim. Ele não atrasa nem adianta, não demora nem se apressa, porque seus planos são perfeitos e a sua hora é sempre precisa. Fazer essa sintonia entre o nosso relógio, cujo alarme já disparou há tempos, e o de Deus, que sequer tem ponteiros, é doloroso e muitas vezes angustiante, porque paramos na nossa humanidade ferida, limitada.

Esperar é doloroso
“Mas papai, eu quero comer o chocolate agora”. “Só depois do almoço, filho”. Às vezes, o desejo é tão grande que as lágrimas escapam dos olhos diante da frustração da espera, mas com o tempo a criança vai aprendendo que naquela casa existe uma regra, um relógio, um tempo que é diferente do seu e que ele tem somente duas opções: ficar na graça e esperar o tempo dos pais ou desobedecer no oculto e enfrentar as consequências deste ato quando for descoberto (porque os pais sempre descobrem, a criança sabe bem disso). Esperar é doloroso, mas o bem almejado vai chegar na hora que os pais julgarem adequada. É assim numa casa equilibrada e é assim no Reino de Deus. Que desafio tremendo, contudo, crer que a hora adequada é a do Pai e não a minha!

A dor das frustrações e a espera humana
É inevitável que, nessa espera por Deus, passemos por situações que nos deem aquela impressão de que nadamos, nadamos e morremos na praia. Isso pode ocorrer nas mais diversas situações, como aquele casal que tem dificuldade para ter filhos e passa por um longo tratamento, com muitas visitas ao médico, muitos sonhos alimentados e que consegue finalmente engravidar, mas sofre a perda do bebê ainda no início da gestação. Uma família que sonhava em construir a sua casa e sair do aluguel e que esperou anos por isso, até que surgiu uma oportunidade que envolvia uma mudança no trabalho, um aumento na renda que parecia certo. Essa família sonhou, imaginou os filhos correndo pela casa, mas quando tudo parecia resolvido, o aumento não veio, novas despesas surgiram e o projeto da casa ficou para Deus sabe quando.

Uma moça que sonha em se casar, constituir família, ter filhos, um lar para cuidar, mas que vê que o tempo passar, sem que seu José chegue. Um dia, ela encontra um rapaz e começa a cultivar um sentimento por ele e parece haver reciprocidade. Mesmo depois de muito relutar interiormente, ela investe sua vida, sua esperança, seu tempo cada vez mais escasso num namoro, num noivado, apenas para descobrir que o outro tem planos diferentes, talvez outra moça, e ele termina o relacionamento.

Leia mais:

Faça o pedido certo!
Nos três casos, parecia que depois de tanto tempo a espera iria finalmente acabar, mas ficou apenas a tristeza, a dor lancinante e, às vezes, uma revolta, que nos leva a pensar que Deus brinca com nossos sentimentos, como se fosse um sádico. É nessa hora que devemos recorrer ao que nos ensina São Tiago: se não obtemos o que pedimos, é porque talvez estejamos pedindo mal. Não que querer um filho, uma casa para morar ou sonhar com o casamento sejam coisas ruins. Longe disso! São pedidos justos e bons, mas o grande ponto é ter a clareza de qual é o grande pedido que devemos fazer incessantemente a Deus: a salvação da nossa alma.

Diante da imperativa necessidade de que nos salvemos, Deus, em sua bondade infinita, tem seus desígnios, e não é sempre que os compreenderemos. Meu filho de cinco anos pode ser incapaz de entender que antes do almoço não é bom que ele coma o chocolate que eu trouxe, mas quando ele tiver dezesseis, a idade do mais velho, talvez ele compreenda. Se confio em Deus, devo confiar inclusive e principalmente na espera, sabendo que nada que me acontece é aleatório, mas tudo faz parte de um plano que tem por objetivo último a salvação da minha alma.

A confiança precisa ser maior que a impaciência
Dessa maneira, se aquele casal não engravidou agora, não é porque Deus não ouviu as suas preces, mas porque no plano divino eles precisam viver algum processo, quem sabe de conversão ou cura, que envolve a dor de não ter um filho. Talvez o filho venha depois, mas talvez não. Está tudo nas mãos de Deus. “Humilhai-vos diante do Senhor e ele vos exaltará”, complementa São Tiago. Que humilhação e que exaltação são essas? Humilhar-se nada mais é que dizer a Deus incessantemente que tenho sonhos e projetos, mas que eles só são bons, que eu só quero que eles permaneçam se me auxiliam na salvação da minha alma. Disponho-me, portanto, a abrir mão de tudo para receber a exaltação de Deus, que para um cristão não pode ser outra coisa senão habitar o céu, ser salvo.

Não há plano melhor, nem projeto mais aprazível diante do Senhor, mas a batalha é árdua. É imitar Cristo e fazer não a nossa vontade, mas a vontade do Pai, o que implica arrancar, com lágrimas de dor, aquelas lascas de sonhos e vontades que estão incrustadas no nosso coração, vivendo uma agonia similar à que Jesus viveu no Horto das Oliveiras, quando disse que preferiria não beber aquele cálice, mas que antes de tudo, fosse feita a vontade do Pai.

Essa resposta custou a Jesus lágrimas e sangue! Não pode ser diferente conosco, se queremos segui-lo. Há um abismo de distância entre a angústia de uma criança que só vai poder comer o doce depois do almoço e a de uma mãe que sonha em ter um filho ou de uma mulher que sonha com o casamento, isso é bem claro. Mas há também uma distância incomparável entre a recompensa que essa criança receberá se for obediente e a recompensa que receberão os que esperam no Senhor. Perseveremos, pois, na espera, para que mesmo que não entendamos os porquês de Deus, nossa confiança seja maior que a nossa impaciência.

Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém

Alberto Avogadro nasceu na Itália por volta do ano 1149, serviu como Patriarca Latino de Jerusalém de 1204 a 1214. Ele teve um papel importante na defesa da Terra Santa para manter a presença cristã em Jerusalém. É conhecido por ter escrito a regra de vida dos carmelitas.

Entrou para os cônegos da Santa Cruz de Mortara, chegando a ser prior-geral da Congregação em 1180. Foi ordenado bispo de Bobbio em 1184 e de Vercelli em 1191. Era muito querido e estimado por todos e já tinha fama de santidade pelo dom que tinha de estabelecer a paz entre os que estavam em desavenças.

Quando o Patriarca de Jerusalém morreu, os bispos, príncipes e o povo, foram unânimes em escolher Santo Alberto como bispo de Jerusalém. O Papa Inocêncio III teve que insistir muito para que aceitasse este cargo. O argumento usado pelo papa foi definitivo: a Palestina sofria uma pressão fortíssima por parte dos muçulmanos e era preciso ter entre os católicos alguém com carisma e disciplina de "mão forte", pois havia o risco do desaparecimento do cristianismo naquela região.

Embarcou para a Terra Santa no ano 1205. Assim que chegou à Terra Santa, fez sua morada na vertente do Monte Carmelo. Em pouco tempo ele conseguiu reconduzir o povo para a fé, ganhando o respeito tanto dos cristãos como dos árabes muçulmanos.

Durante o período em que foi patriarca de Jerusalém reuniu todos os eremitas do Monte Carmelo, redigindo ele mesmo as Regras para a comunidade. Brocardo, então prior dos carmelitas, pediu ao Patriarca Alberto que lhes desse uma norma de vida. Santo Alberto a escreveu, tornando-se assim no Legislador da Ordem do Carmo. Por isso, e apesar de não ter sido carmelita, a Ordem do Carmo o representa nas suas imagens vestido de carmelita e com a Regra na mão.

Morreu em 14 de setembro de 1214, assassinado pelo administrador do Hospital do Espírito Santo, ao qual ele havia primeiro advertido e depois afastado de suas funções, por suas crueldades. Santo Alberto conduzia uma procissão, e foi morto na frente de todos.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Santo Alberto em sua magnitude era admirado por todos. Em toda sua trajetória mostrou-se sábio, corajoso e coerente em seus princípios e virtudes. Sua fé em Cristo o ajudou a tomar decisões nas horas difíceis mesmo sabendo que poderia se prejudicar. O verdadeiro cristão sabe entregar a sua vida nas mãos de Deus e fazer a sua parte na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Oração:

Ó Deus, que por intermédio de Santo Alberto nos destes uma forma de vida evangélica, para conseguirmos de modo perfeito a caridade, concedei-nos que, por sua intercessão, vivamos consagrados a Jesus Cristo e sejamos fiéis em servi-lo até a morte. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Setor Música Litúrgica da CNBB reúne compositores na 17ª edição de encontro nacional


A Equipe de Reflexão do Setor Música Litúrgica da Comissão Episcopal para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reuniu cerca de 30 pessoas de várias partes do país no 17º Encontro de Compositores. Realizado entre os dias 4 e 7 de setembro, no Instituto Pio XI, em São Paulo (SP), o encontro teve a proposta de refletir e aprofundar o tema “A Música Brasileira na Liturgia”.

De acordo com a Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, o evento continua a caminhada de formação litúrgico-musical “nas veredas do Concílio Vaticano II e do magistério da Igreja no Brasil”.

“No atual momento de implantação da sinodalidade, é essencial retomar o trabalho das comissões diocesanas e regionais, como estruturas pastorais de diálogo com as equipes de liturgia, ministros ordenados, cantores e instrumentistas”, destacou o padre Jair Costa, assessor do Setor Música Litúrgica da CNBB.

Ele considera que é urgente “criar processos pastorais de formação para todas as assembleias celebrantes, considerando a música litúrgica como elemento essencial da pastoral, integrada nos planejamentos de evangelização nas Igrejas locais”, mais do que dizer ‘o que pode ou não pode’ no canto litúrgico.

A proposta é que os compositores colaborem para que as assembleias sejam formadas para a participação ativa e frutuosa, segundo padre Jair.

Memória agradecida
No início do evento, foi realizada uma memória agradecida dos compositores “da primeira hora”, que produziram música litúrgica intensamente nos primeiros anos após o Concílio: Cônego Amaro Cavalcante, padre José Geraldo Souza, Nicola Vale, padre Jocy Rodrigues, frei Joel Postma, padre Geraldo Leite, padre Silvio Milanez, padre Ney Brasil, padre José Weber, Reginaldo Veloso, José Alves, irmã Miria Kolling e tantos outros que, de acordo com a Comissão, “atuaram para fazer ressoar a voz da Igreja no coração do povo”.

“Semearam com abundância para a colheita musical das gerações que os seguiram”, destacou padre Jair.

Serviço à liturgia
Em um dos momentos do encontro, o bispo de Bonfim (BA) e presidente da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, dom Hernaldo Pinto Farias, conversou com os participantes por videochamada, e os incentivou a vislumbrar novas possibilidades para a vida litúrgica. Para dom Hernaldo, é essencial reunir competências de diversas regiões do país para avançar na qualidade da música litúrgica brasileira.

O bispo defendeu que o foco do compositor e da compositora deve ser o serviço à liturgia, evitando que o desejo de reconhecimento pessoal ou o brilho da própria composição se sobreponham à celebração. Por fim, afirmou que a música litúrgica, quando escolhida e programada com critério, dá o tom da celebração e atinge o coração da assembleia, tendo um impacto maior do que comentários ou homilias.

“A música bem elaborada, num estilo cultural próximo da assembleia que celebra, possibilita que os fiéis levem a mensagem do Evangelho e os mistérios de Cristo para a vida cotidiana”.

Os participantes do evento expressaram gratidão a dom Hernaldo pela presença e pela ternura demonstrada no diálogo, destacando que essa proximidade é vital para aqueles que atuam na liturgia, na música e na evangelização.
Contribuição da Equipe de Reflexão

Os membros da Equipe de Reflexão se revezaram na condução dos trabalhos do evento. Márcio Almeida explicou que a música acontece em culturas concretas, em uma variedade de expressões autênticas. “O que escutamos e cantamos é expressão dos lugares que habitamos e das experiências de Deus nestes lugares”, refletiu. Como questionamento aos compositores, sugeriu a pergunta: “que povo canta em mim quando realizo meu trabalho musical?”

A cantora e antropóloga convidada, Renata Mattar, contribuiu com a reflexão sobre a “Música na Religiosidade Popular”, pensando como a música está presente nos momentos importantes da vida do povo simples e devoto, nos cantos de trabalho e benditos. Renata ponderou como esta música está repleta de referências ao sagrado e à religião, e por isso se torna uma referência essencial para os compositores de música litúrgica. “Uma música que fala ao coração do povo”.

Frei Joaquim Fonseca apresentou uma reflexão sobre a Música Brasileira na Liturgia, destacando a dimensão memorial da música litúrgica: ela retrata a experiência de Deus nas raízes culturais dos povos. A busca destas raízes culturais no Brasil foi realizada desde os primeiros anos após o Concílio Vaticano II, respondendo à questão: “se podemos rezar em nossa própria língua, porque não podemos cantar em nossas expressões culturais?”. Os pesquisadores e compositores “da primeira hora” constataram muitas semelhanças entre as estruturas musicais do canto gregoriano e cantos da etnomúsica brasileira, e seguiram estas descobertas para fazer música litúrgica fiel à grande tradição e às culturas brasileiras.

Partilha musical
Cada participante do encontro teve oportunidade de apresentar composições autorais para o tempo pascal (tema do encontro anterior) e para o Ordinário da Missa. Os participantes puderam opinar e sugerir melhorias sobre as obras dos colegas. A Oficina de Composição – Letra foi conduzida por padre Josenildo Nunes e Márcio Almeida; e a Oficina de Composição – Música foi conduzida por frei Wanderson Freitas, padre Wallison Rodrigues e Adenor Terra. Nos momentos de oração do Ofício das Comunidades e Eucaristia, coordenados por padre José Carlos Sala, Daniela Oliveira e Adenor Terra, os participantes experimentaram composições de salmos e cantos litúrgicos afinados com a tradição da Igreja e da cultura brasileira.

Com informações de Pe. Jair Costa

O Papa: a Igreja não está isolada do mundo, mas anuncia a esperança


Leão XIV recebeu os bispos nomeados recentemente que participam do curso de formação no Vaticano. Em seu discurso, ele assegurou que "nenhum bispo está sozinho" e os exortou a estarem próximos do povo, amando aqueles que Deus lhes confiou, especialmente os sacerdotes. O Pontífice olha para este tempo de mudanças e desenvolvimento tecnológico e indica a Magnifica humanitas como referência para enfrentar o grande desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial.

Salvatore Cernuzio/Mariangela Jaguraba – Vatican News

“Nenhum bispo caminha sozinho.” Nenhum bispo deve abandonar seu povo, mas sim conhecer suas alegrias, tristezas e sonhos, mantendo “um coração aberto a todos” — incluindo cristãos de outras confissões e fiéis de outras religiões — e anunciando o Evangelho nesta época, por vezes “desconcertante”, de rápidas mudanças e desenvolvimento da inteligência artificial. Assim, o Papa se dirigiu a 147 bispos de cinco continentes. São os prelados nomeados no último ano que participaram do curso anual de formação no Vaticano, um espaço para favorecer o diálogo, a orientação e o conhecimento entre os que provêm de diversos contextos eclesiais, culturais e sociais. Participaram desta edição noventa e oito bispos no programa oferecido pelo Dicastério para os Bispos e 49 no programa oferecido pelo Dicastério para a Evangelização.

"Bispos, servidores da comunhão na Igreja e no mundo de hoje", foi o tema deste minicurso oferecido aos novos bispos, que começou em 2 de setembro e se concluiu na manhã desta quinta-feira, dia 10, com uma audiência com o Papa Leão XIV na Sala do Sínodo. Ele iniciou o encontro pedindo "uma oração pelo descanso eterno" do pai do cardeal Luís Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, que faleceu há alguns dias.

Bispos brasileiros de recente nomeação que participaram do encontro no Vaticano

"Nenhum bispo caminha sozinho"
Leão XIV começou seu discurso dizendo estar "sinceramente feliz" com a "experiência única de fraternidade" vivida pelos prelados nos últimos dias: juntos eles "escutaram, rezaram, celebraram a Eucaristia". Tudo isso nos ajuda a lembrar "uma coisa muito simples e preciosa: nenhum bispo caminha sozinho", afirmou o Papa.

“Vocês estão em minhas orações, e com vocês suas Igrejas: sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas, seminaristas, famílias, jovens, idosos, pobres, os que sofrem e aqueles que ainda aguardam o encontro com a alegria do Evangelho. Todos devem encontrar um lugar no coração do Bispo, porque todos já têm um lugar no coração de Cristo.”

O desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial
Partindo dessa premissa, o Papa ofereceu algumas orientações concretas aos novos bispos para o seu ministério. Especialmente nesta "era de rápidas mudanças", em que "os avanços nas tecnologias de comunicação e na Inteligência Artificial abriram possibilidades que, até alguns anos atrás, nem sequer imaginaríamos". Essas oportunidades e novos cenários "certamente não podem libertar a humanidade do pecado e de suas consequências: as crises que estamos vivendo demonstram isso tragicamente", enfatizou Leão.

Neste cenário complexo e, de certa forma, "perturbador", a Igreja "celebrou o Jubileu da Esperança no ano passado". "Talvez porque viva fora do mundo?", questionou o Pontífice. "Pelo contrário, porque é enviada por Cristo, morto e ressuscitado, para proclamar o Evangelho da salvação a todos. E nós, bispos, somos os primeiros destinatários deste mandato." Ele apontou para a Encíclica Magnifica humanitas como referência para "uma visão e um método para enfrentar o grande desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial".

“Encorajo-os a promover a reflexão e o diálogo em suas dioceses, a formar e apoiar aqueles que querem comprometer-se a servir a civilização do amor.”
O ministério nasce da proximidade com Jesus

O primeiro mandato que o Papa ofereceu aos bispos é o de "permanecerem com Jesus". Isto é o mais importante, afirmou o Pontífice, porque "somos bispos", mas antes de tudo "discípulos". E para falar de Cristo, "precisamos estar com Ele". “Para guiar o seu povo, devemos deixar-nos guiar por Ele todos os dias.”

“Por isso, valorize sempre o seu tempo com o Senhor: a Eucaristia, a Palavra de Deus, a oração e aqueles momentos em que você pode estar na sua presença com o coração simples do discípulo que se deixa amar pelo seu Senhor.”

O ministério “nasce daí” e assim “o serviço torna-se mais sereno, mais livre e mais fecundo”.

Amar seu povo
Um segundo aspecto que o Papa Leão destacou foi ter um coração “totalmente doado aos irmãos”. Doado aos sacerdotes e diáconos que ordenarão, aos jovens sempre “cheios de entusiasmo”, aos religiosos e religiosas, aos missionários, aos catequistas e às famílias, testemunhas de uma “generosidade silenciosa”. “O bispo – afirmou o Papa – é um homem que aprende cada dia mais a amar o seu povo: a conhecer as alegrias e as tristezas do seu povo, a partilhar os seus sonhos, a alegrar-se ao ver crescer as comunidades”.

“Amem as pessoas que o Senhor lhes confiou. Aprendam seus nomes, ouçam suas histórias, entrem em suas casas quando puderem, rezem com elas.”

Portanto, a “presença” é importante, especialmente nas Igrejas jovens: “Ela diz muito, mesmo antes das palavras”. “Uma visita, uma bênção, um tempo dedicado a um sacerdote, ouvir uma família, conversar com um jovem: são pequenos gestos, mas que podem permanecer na alma de uma pessoa por toda a vida”, assegurou o Papa Leão XIV.

O Papa Leão com os bispos na Sala do Sínodo (@Vatican Media)

Que os sacerdotes encontrem no bispo um pai e um irmão
Na mesma linha, ele exortou à “solicitude pastoral”, que “não significa simplesmente ter muitas responsabilidades”, mas sim demonstrar a verdadeira “paternidade episcopal”, “ter uma grande alma, grande o suficiente para acolher a todos”. A esse respeito, Leão XIV citou o Papa Francisco, que lembrou que “a proximidade é uma das características de Deus com o seu povo”. “Palavras preciosas para nós!” O Papa Prevost afirmou: “Que as pessoas sintam, através da nossa presença, algo da ternura e da paternidade de Deus! E isto vale de modo especial para os sacerdotes.”

“Neste ponto, o Pontífice recomendou “amar” os sacerdotes, para que eles encontrem no bispo “um pai e um irmão”.”

O Papa os convidou a escutar e encorajar os sacerdotes, a rezar por eles, se alegrar com o bem que fazem e acompanha-los com confiança no seu ministério. Dediquem especial atenção aos idosos e aos doentes. Façam eles saber que são preciosos, que a Igreja lhes é grata e que o Bispo não os esquece. Por vezes, é suficiente um telefonema, uma visita, uma palavra de carinho da parte de vocês.

Um coração missionário aberto a todos
Leão XIV dirigiu uma palavra aos pastores das Igrejas “mais jovens”: “Vocês conhecem a beleza e também o trabalho da missão, de uma Igreja que talvez possua pouco, mas que é rica de uma grande fé. Por isso, convido-os a manter um coração missionário”, exortou o Papa. "O bispo missionário tem o coração aberto a todos: não só aos que frequentam as nossas paróquias, mas também aos cristãos de outras denominações, aos fiéis de outras religiões, às pessoas que não professam uma fé, a todos os homens e mulheres de boa vontade. Ele escuta e respeita a todos, aproxima-se de todos e sabe reconhecer o bem presente no coração de cada pessoa."

“Caminhemos com o nosso povo: rezemos com ele, escutemos a Palavra com ele, celebremos a Eucaristia com ele. Busquemos a face do Senhor com ele todos os dias.”

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.







EVANGELHO DO DIA (Lc 6,39-42)

ANO "A" - DIA: 11.09.2026
23ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 39 Jesus contou uma parábola aos discípulos: "Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? 40 Um discípulo não é maior do que o mestre; todo discípulo bem formado será como o mestre. 41 Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho? 42 Como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Pregar o Evangelho e testemunhar com a vida"

Pregar o Evangelho como discípulos bem formados
Naquele tempo, Jesus contou uma parábola aos discípulos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois no buraco? Um discípulo não é maior do que o mestre. Todo discípulo bem formado será como mestre. Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão e não percebes a trave que há no teu próprio olho?” (Lucas 6,39-42)

Bem-vindos, meus irmãos e minhas irmãs, à nossa homilia diária! Aqui no Brasil, setembro é o mês dedicado à Bíblia. São Paulo, na primeira leitura de hoje, disse que existe uma imposição de pregar o Evangelho. É algo que se impõe, porque isso deriva do nosso batismo. Nós, como batizados, somos pregadores do Evangelho, anunciadores da Boa-Nova.

Pregar a Boa-Nova com preparo e coerência
Porém, o Evangelho de hoje deixa claro que o discípulo precisa estar preparado, bem formado. Katartizo, do grego, quer dizer completo, pronto para ser examinado, posto em ordem ou aperfeiçoado. Vejam, nós temos a obrigação, como São Paulo nos afirmou, de pregar o Evangelho, mas ele precisa primeiro passar por nós, precisa tocar a nossa existência e a nossa vida para que nós possamos ser bons anunciadores da Palavra.

Enxergar a si para testemunhar
Karfós quer dizer resíduo, o comportamento, às vezes moralista, de procurar pequenos erros em tudo e em todos… Muito cuidado na pregação do Evangelho, porque nós precisamos ter atenção com cada coração. Depois, aparece dokós, que significa uma viga, um pedaço de madeira. São comportamentos que, às vezes, são laxos, que não nos deixam enxergar os piores defeitos que nós temos. E aí, quando ousamos anunciar a Palavra de Deus, precisamos enxergar, primeiramente em nós, essas faltas, essas incoerências, para que o nosso testemunho seja fecundo.

Tornar-se um guia cego no anúncio do Evangelho não danifica apenas a estrada do Senhor, mas, muitas vezes, tira fora desse caminho muitas outras ovelhas que estavam caminhando com o Senhor. Por isso, vamos anunciar, sim, o Evangelho, mas também deixemos que ele, primeiramente, nos toque e nos purifique.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova