sexta-feira, 17 de abril de 2026

“Chamados ao anúncio e serviço”: é o convite feito aos bispos do Brasil pelo pregador do Retiro Espiritual



Escuta da Palavra de Deus, oração e silêncio. Assim foi a manhã deste segundo dia da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (AG CNBB). O retiro, iniciado na tarde de ontem (15), seguiu firme, convidando o episcopado a refletir sobre duas meditações: “A parresia evangélica” e “Servos por amor: como Jesus que lava os pés”, ambas orientadas pelo diretor espiritual do Colégio Pio Brasileiro, dom Armando Bucciol.

Dom Armando Bucciol pregador do retiro. | Fotos: Jaison Alves

Na ocasião, os participantes tiveram a oportunidade de aprofundar os temas, com os olhares voltados para o sentido de uma vida marcada pela verdade, liberdade interior e coragem no anúncio do Evangelho, destacando que “a parresia é selo do Espírito, testemunho da autenticidade do anúncio”. A partir dos ensinamentos da exortação apostólica Evangelii Gaudium e da exortação Gaudete et Exsultate, dom Armando ressaltou que o evangelizador é chamado a agir com confiança, mesmo diante de resistências. Segundo o texto refletido, “o Espírito Santo infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia (parresia), em todo o tempo e lugar”, reforçando que o testemunho deve ir além das palavras e alcançar a própria vida.

A reflexão também apresentou o exemplo de Jesus Cristo como modelo pleno de parresia, evidenciado em Sua autoridade ao ensinar a coerência entre palavra e ação. “Ele os ensinava como quem tem autoridade”, recorda o Evangelho, confirmando um estilo marcado pela verdade e liberdade. Nesse sentido, destacou-se que a parresia não se limita ao discurso, mas envolve atitudes, comportamento e uma postura transparente diante de Deus e das pessoas.

Ao longo da meditação, dom Armando alertou para os desvios no uso da palavra, sobretudo no contexto atual das redes sociais, onde muitas vezes a franqueza é confundida com agressividade. “Nem todo silêncio é ouro”, afirmou dom Armando, ao mesmo tempo em que disse que a verdadeira parresia “caminha sempre com o amor”, evitando tanto a omissão quanto a violência nas relações.



“Fazer a experiência do amor de Deus”
Para o bispo da Diocese de Januária (MG), dom Dorival Barreto, o retiro espiritual é importante por ser um momento de oração, escuta da Palavra de Deus, revisão da vida, do ministério episcopal e de confissão.

“Com as meditações do pregador do retiro fomos ajudados a fazer a experiência do amor de Deus, revisitando a nossa história vocacional, o nosso sim, nos animando e fortalecendo para continuar a missão junto ao povo que Deus nos confiou. É também um tempo de preparação para vivermos a comunhão durante toda a Assembleia. Portanto, um tempo de graça e salvação que o Senhor nos concede”, afirmou.

“Servos por amor”
A quarta meditação, que aconteceu antes da Celebração Penitencial, foi intitulada “Servos por amor: como Jesus que lava os pés”. Na oportunidade, dom Armando destacou, no contexto da vida eclesial, o chamado essencial à vivência da comunhão como fundamento da missão da Igreja. Inspirada em diversas passagens bíblicas e documentos do Magistério, a proposta central reafirmou que não há verdadeira experiência cristã sem o amor, recordando a exortação de São Paulo: ainda que se tenha muitos dons, sem a caridade tudo perde o sentido. Nesse horizonte, a comunhão aparece não apenas como ideal, mas como estilo concreto de ser Igreja, marcado pela participação, escuta e corresponsabilidade entre todos os seus membros.

A reflexão também enfatizou a necessidade de uma espiritualidade da comunhão, como propôs São João Paulo II, capaz de transformar relações humanas e eclesiais. Tal espiritualidade se traduz na capacidade de reconhecer o outro como dom, partilhar alegrias e sofrimentos e construir vínculos de fraternidade autêntica. Nesse sentido, a Igreja é compreendida como sinal e instrumento de unidade, imagem do Corpo de Cristo e Povo de Deus, chamada a refletir, em sua própria vida, a comunhão trinitária que anuncia ao mundo.

Outro ponto central abordado foi o testemunho do serviço à luz da Palavra de Deus, especialmente no gesto do lava-pés. A atitude de Jesus, que se faz servo e se despoja de Si mesmo, torna-se paradigma para toda liderança na Igreja. O serviço, marcado pela humildade e pela simplicidade, foi apresentado como caminho indispensável para a vivência do ministério, em contraposição a atitudes de poder, divisão ou autorreferencialidade.


“Dispor o coração e o olhar para o trabalho”
De acordo com o bispo da Diocese de Nova Iguaçu (RJ), dom Gilson Andrade da Silva, este tempo forte de escuta da Palavra de Deus e de oração ajuda o episcopado a dispor o coração e o olhar sobre o trabalho que está iniciando.

“Esta Assembleia tem uma importância singular porque nela vamos finalizar o processo de escuta e discernimento que toda a Igreja no Brasil procurou fazer para as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora para os próximos anos. O retiro representa uma pausa necessária para acolher, como episcopado, o que o Espírito está apontando como direção para a Igreja no Brasil diante dos desafios para tornar atual o anúncio de Jesus Cristo a todas as pessoas. Por outro lado, o retiro, ao provocar um novo encontro com Cristo, já nos coloca a caminho da sempre necessária conversão, condição indispensável para a missão”, asseverou.

Após o retiro, foi realizada a celebração penitencial com o sacramento da confissão.



Por Sara Gomes

Papa encontra um grupo de líderes muçulmanos em Camarões: comunicar a paz


No seu canal no Telegram, a Sala de Imprensa da Santa Sé informa sobre o encontro realizado na noite desta quinta-feira, 16 de abril, na Nunciatura, entre o Papa Leão XIV e 12 representantes de grupos islâmicos locais, com os quais estão em andamento projetos de cooperação e justiça social em conjunto com a Igreja. O Pontífice também já havia se reunido com os bispos do país, enfatizando o valor da comunhão e da vida espiritual dos pastores.

Vatican News

Na noite desta quinta-feira, 16 de abril, às 19h30, após seu retorno à Nunciatura, o Papa Leão XIV se reuniu com um grupo de 12 representantes de algumas comunidades islâmicas camaronenses, alguns dos quais haviam sido recebidos em Roma pelo Papa em dezembro. Com eles e com suas respectivas comunidades, estão em andamento projetos de cooperação e justiça social com a Igreja, para o apoio às camadas mais pobres da população do país. A informação foi divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé através do seu canal no Telegram.

A saudação aos representantes das comunidades islâmicas
O Papa, segundo o comunicado, saudou cada um individualmente e ouviu as palavras de boas-vindas e agradecimento dirigidas a ele pelos presentes, especialmente pelo trabalho conjunto com a Igreja, pela visita papal e pelas palavras sobre o diálogo e a paz proferidas em Bamenda. Leão XIV dirigiu então algumas palavras aos representantes muçulmanos, expressando felicidade por viver o encontro com eles e gratidão por ter sido acolhido com tanta alegria por todos em Camarões: cristãos, católicos e não católicos, muçulmanos, pessoas de religiões tradicionais, todos celebrando este dom compartilhado.

Paz que nasce do reconhecimento de que somos irmãos e irmãs
O Pontífice, prossegue o comunicado, citou também as críticas e as divisões que às vezes se insinuam entre as crenças e as religiões, o que torna ainda mais grave a responsabilidade que decorre do encontro, para todos: a de “continuar a comunicar o desejo de todos de encontrar a paz, não uma paz de indiferença, não uma paz que retira a riqueza das diferenças, mas uma paz que nasce quando reconhecemos que todos somos irmãos e irmãs, todos criaturas de Um só, todos chamados a respeitar a dignidade de todos”. Em Camarões, explicou o Papa, há uma grande possibilidade de realizar esse sonho, como um desejo que se torna compromisso. Leão XIV encorajou os presentes a continuarem nesse belo caminho, a levar a mesma mensagem, o mesmo sonho, a outros, aos muçulmanos e a todos aqueles que não compreendem, mas podem aprender a ver a beleza da fraternidade, trazendo grande benefício a todo Camarões.

O encontro com os bispos de Camarões
Na noite desta terça-feira, por sua vez, ao final da primeira tarde em Camarões, o Papa teve um encontro com os bispos do país. O Pontífice destacou o grande valor da comunhão, dom a ser feito seu na Igreja e compartilhado em um mundo dividido, dilacerado por conflitos e polarizações, e o da vida espiritual dos pastores, que os torna testemunhas autênticas; e citou a bênção que provém das muitas vocações em Camarões, e o desafio que daí decorre, de formar os jovens com responsabilidade, nos planos espiritual, intelectual e emocional, sacerdotes cuja única autoridade seja o serviço, seguindo o modelo de Lavar os Pés realizada por Jesus e repetida na Quinta-feira Santa. Em resposta às perguntas de alguns dos bispos presentes, Leão XIV abordou vários temas de grande atualidade para o país.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 6,1-15)

ANO "A" - DIA: 17.04.2025
2ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. 2 Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. 3 Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com os seus discípulos. 4 Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. 5 Levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: "Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?" 6 Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. 7 Filipe respondeu: "Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um". 8 Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9 "Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?" 10 Jesus disse: "Fazei sentar as pessoas". Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens. 11 Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. 12 Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: "Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!" 13 Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. 14 Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: "Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo". 15 Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O milagre da intimidade com Jesus"

O milagre da multiplicação
Naquele tempo, Jesus foi para o outro lado do Mar da Galileia, também chamado Tiberíades. Jesus subiu ao monte e sentou-se ali com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Levantando os olhos e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?”. Disse isso para pô-lo à prova, pois Ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. Filipe respondeu: “Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um”. Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: “Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?”. Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamaram: “Este é verdadeiramente o profeta, aquele que devia vir ao mundo. (Jo 6,1-15)

O Evangelho de hoje nos fala de alguns ingredientes para esse que foi um grande milagre que Jesus realizou. Um milagre maravilhoso, tão forte para a comunidade cristã, que ele foi contado seis vezes. Não sei se você já reparou isso: duplicado no Evangelho de Marcos e no de Mateus, também contado por Lucas e por João.

O milagre exige uma oferta confiante
Mas não vamos reduzir o fato apenas à sua dimensão miraculosa. Como em uma receita, para chegar ao resultado final, os ingredientes são importantíssimos e a combinação deles é fundamental, existe uma ordem. Cinco pães e dois peixes. Não caíram do céu como no Antigo Testamento, como o maná que caía do alto e era recolhido.

Vem das mãos de um menino, que é símbolo da nossa participação nas ações divinas. Deus quer a nossa cooperação para que o milagre possa ser realizado. Deus não faz tudo sozinho. Ele até poderia fazer, mas Ele conta com a nossa participação. Filipe é o novo povo de Deus, mas que ainda duvida e não crê na força misteriosa que age em Jesus. Tanto no início como no final do relato, diz assim: “Jesus foi para o monte”.

A intimidade com Jesus
Um detalhe importantíssimo, porque milagre sem intimidade com Deus não existe. O milagre não é uma autossatisfação, uma simples resolução de um problema que nem a ciência pode resolver. Ele é uma celebração de uma profunda comunhão entre o divino e o humano: entre o humano, que é socorrido pelo divino, e entre o divino, que socorre a fraqueza humana.

Não pare na grandeza dos seus problemas, mas leve-os até Jesus com o seu coração e o coração daqueles por quem você tem suplicado, por exemplo, um milagre. Não deixe de viver a sua comunhão com Cristo. É essa intimidade um ingrediente fundamental para chegar a obter o milagre que Deus tem para você.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Sangue de Cristo, inebriai-me


O Sangue do Senhor é capaz de inebriar a nossa alma da alegria de fazer a vontade de Deus

A famosa oração de Santo Inácio de Loyola – ‘Alma de Cristo’ – atribui ao Sangue de Jesus um efeito inebriante: “Alma de Cristo, santificai-me; Corpo de Cristo, salvai-me; Sangue de Cristo, inebriai-me…”. A oração tornou-se patrimônio da piedade católica, sendo sugerida no Missal Romano como ação de graças após a Missa.

Foto ilustrativa: Daniel Mafra / cancaonova.com

O termo, certamente, guarda relação com o efeito inebriante do vinho, sinal sacramental do Sangue do Senhor, mas a expressão não deixa de ser inquietante, principalmente se considerarmos o ângulo negativo com o qual as Sagradas Escrituras veem a embriaguez (a possível exceção de Pr 31,6-7 parece mais ser uma amarga ironia):

“Coisa luxuriosa é o vinho, e perturbadora o licor: quem se delicia com eles não será sábio” (Pr 20,1).

“Não convém aos reis beber vinho nem aos magistrados gostar de bebida inebriante: porque, ao beberem, esquecem-se dos julgamentos e pervertem a causa de todos os pobres” (Pr 31,4-5; ainda Pr 23,31-34; 1Pd 4,3; 1Tm 3,3 e outras passagens).

Obviamente, aqui não se trata de uma embriaguez física, de quem se excede na bebida, mas de algum efeito espiritual que se compara, analógica e simbolicamente, com os efeitos produzidos pelo vinho. Quais seriam esses efeitos?

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A alegria da salvação
Em diversas passagens da Bíblia, o vinho aparece como sinal de alegria: “O vinho foi criado para a alegria” (Eclo 31,35), fala o Sirácides; “alegria da alma, júbilo e prazer do coração é o vinho bebido, com moderação, a seu tempo” (Eclo 31,36). Mais ainda, ele simboliza a alegria da salvação trazida por Deus, descrita, por exemplo, pelo profeta Isaías como “um banquete de vinhos finos, de carnes suculentas e vinhos depurados” (Is 24,6).

Esse é o primeiro sentido do inebriar-se com o Sangue do Senhor, a que se refere a oração: um estado de alegria, que vivifica a alma. A vida cristã não precisa ser vivida como um peso, um fardo: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 12,28-30). O Sangue do Senhor é capaz de inebriar a nossa alma da alegria de fazer a vontade de Deus, a alegria de quem encontrou o tesouro, a pérola preciosa (cf. Mt 13,44-46). A pessoa, então, faz sem esforço, com satisfação, tudo aquilo que Deus quer.

Outro efeito notório da embriaguez é a insensatez por ela causada, contra a qual, aliás, alerta insistentemente a Escritura Sagrada. O vinho faz os tolos, produz os insensatos. Lembramos, porém, as palavras de São Paulo, que falam de uma dupla sabedoria e de uma dupla insensatez: a sabedoria do mundo e a sabedoria de Deus; a loucura do mundo e a loucura de Deus. Elas se opõem reciprocamente, de modo que o que é sábio para Deus é insensato para o mundo e vice-versa: “os judeus pedem sinais, os gregos buscam sabedoria. Nós, porém, proclamamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus. O que para o mundo é loucura, Deus o escolheu para envergonhar os sábios” (1Cor 1,23-25.27).

Ser louco para abraçar a vida cristã
Para ser sábio aos olhos de Deus, é preciso ser insensato, ser louco aos olhos do mundo. Com efeito, o que é, aos olhos do mundo que não crê, o mandamento do perdão, o amor aos inimigos, o perder a vida para ganhar a vida eterna? Tudo isso não é tido por pura insensatez, loucura? Do mesmo modo, os valores do mundo, sem fé, são loucura aos olhos de Deus. “Ninguém se iluda: se algum de vós se julga sábio diante deste mundo, faça-se louco, para tornar-se sábio; pois a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus” (1Cor 3,18-19).

Escrevia um monge cartuxo: “Toda a nossa sabedoria está fundamentada na loucura da cruz, ao contrário de toda a sabedoria humana” (ver 1Cor 1 e 2). Falamos, talvez demais, do sábio equilíbrio de nossa vida. Esquecemos que, humanamente, é preciso ser louco para abraçar a vida cristã! “Eu vim trazer fogo à terra” (Lc 12,49) [1].

É essa “insensatez divina” que nos é concedida pelo Sangue do Senhor. Inebriados pelo Sangue de Cristo, tidos por insensatos e fracos aos olhos do mundo, exultamos de alegria, pois “o que é loucura de Deus é mais sábio que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte que os homens” (1Cor 1,25). Assim seja.

[1]. ‘Monge da Ordem dos Cartuxos, O discernimento dos espíritos’, Paulinas, São Paulo, 2006. Os monges e monjas da Ordem da Cartuxa, fundada por São Bruno, buscam na solidão e no silêncio o encontro com Deus.



Santo Aniceto


Aniceto nasceu na Síria, talvez em Emesa (atual Homs), no ano 110. Eleito Papa entre 154 e 156, foi o primeiro pontífice a condenar uma doutrina herética, o montanismo (de Montano da Frígia, hoje Turquia, por isso conhecida também por “heresia frígia”; entre outras coisas, proclamava um falso profetismo, o iminente fim do mundo e a negação da absolvição aos pecados graves, ainda que houvesse verdadeiro arrependimento e confissão).

Também enfrentou o gnosticismo (heresia que alegava ser a matéria uma prisão do espírito, capaz de ser liberto pelo mero conhecimento intuitivo) e o marcianismo (de Marcião, que pregava ser o Deus do Antigo Testamento outro, diferentes, de Deus do Novo Testamento), além da perseguição do Império Romano.

Aniceto atraiu, influenciou e contou com a ajuda de São Justino (grande filósofo e teólogo que conheceu e abraçou a Fé cristã, morrendo mártir). Também foi a Roma ver o Papa o grego Hesegipo, importantíssimo por ser o primeiro historiador cristão, tendo vivido muito próximo do tempo dos Apóstolos; escreveu um livro defendendo Aniceto, provando que este seguia a verdadeira Doutrina de Cristo, e não hereges que vinham a Roma para difundir ideias maniqueístas, como Marcião, Marcelino, Valentino e Cordo, e destacou a autoridade e dignidade dos Romanos Pontífices.

E o já idoso São Policarpo, bispo de Esmirna e discípulo de São João Evangelista, foi consultar o Papa sobre a data da Páscoa, que no Oriente era celebrada no dia 14 da lua do mês de março, seguindo uma tradição de São João, enquanto que no Ocidente a Igreja, baseada no exemplo de São Pedro, a comemorava no domingo seguinte à lua cheia da primavera. Não chegaram a um acordo, e o Papa permitiu que São Policarpo seguisse no Oriente a sua tradição, mas com o tempo prevaleceu na Igreja, universalmente, a posição de Aniceto. A postura respeitosa de São Policarpo foi um poderoso testemunho da autoridade papal e de que a Sé de Roma representava a verdadeira Igreja de Cristo fundada em Jerusalém, o que levou a muitas conversões.

Este Papa proibiu ao clero o uso de cabelos compridos, de forma a não permitir ou favorecer atos e preocupações de pecaminosa vaidade.

Santo Aniceto faleceu em 166, sob a perseguição de Marco Aurélio Antonino e Lúcio Vero, provavelmente entre 16 e 20 de abril. Seu título de mártir indica antes o seu extremo e sofridíssimo desgaste pelo zelo da Igreja, já que não consta nenhum registro formal de sua morte violenta.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

O principal e mais desgastante serviço de Aniceto foi o combate às diferentes heresias, que logo no século I já tentavam desvirtuar a Fé, e que também hoje, de forma mais sutil e com outras apresentações, igualmente procuram afastar as almas de Deus. O diabo nunca descansa, e por isso a Igreja, que também somos nós, temos que estar sempre atentos na busca sincera da Verdade, pois Cristo avisou, “Cuidado com os falsos profetas” (cf. Mt 7,15-20); e São Paulo nos atualiza, “Porque vai chegar um tempo em que os homens não suportarão a sã doutrina, mas, sentindo cócegas nos ouvidos, reunirão em torno de si mestres conforme as suas paixões” (cf. 2 Tm 4,2-5). Perfeito retrato da atualidade... Quantos não se dizem, hoje, “católico não praticante”, o que não existe!, ou afirmam ser católicos “mas não concordam com algumas coisas da Igreja”, o que é simplesmente heresia. São os “católicos de supermercado”, que pretendem escolher só os “produtos” que lhes interessam da Doutrina, da Liturgia, da Teologia, para viverem, como denunciou o Papa Bento XVI, como ateus na prática, relativistas que desejam acalmar as próprias consciências sendo “oficialmente de Deus” mas vivendo sob as ideias mundanas, que provêm do diabo. Antes assumissem, se têm convicção, o estilo de vida que desejam, mas sem se declarar da Igreja Católica, que de fato não são; pois mais grave é querer levianamente, e até mesmo de forma pouco inteligente, viver com a pretensão de “enganar” a Deus, ou talvez “fazer um acordo”, unilateral, com Ele: "Conheço tuas obras: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te de minha boca" (Ap 3,15-16).

Oração:

Senhor, que sois imutável, concedei-nos pela intercessão de Santo Aniceto não nos deixarmos levar pelos modismos e vaidades deste mundo, mas ao contrário sermos firmes no combate aos erros que se tentam infiltrar na Igreja, dando testemunho da Verdade para o nosso bem e o dos irmãos, de modo a podermos comemorar no tempo certo a Vossa Páscoa definitiva. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Assembleia Geral da CNBB deve votar novas Diretrizes após percurso sinodal marcado por escuta e comunhão


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, de 15 a 24 de abril, em Aparecida (SP), sua próxima Assembleia Geral tendo como tema central a votação e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto é fruto de um processo iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento em chave sinodal.

A expectativa é que o episcopado brasileiro consolide, nesta Assembleia, um documento que deverá orientar a ação pastoral da Igreja no país nos próximos anos, em sintonia com os desafios contemporâneos e com o caminho sinodal vivido pela Igreja no mundo.

Ao longo desse percurso, dois marcos se destacam como referências fundamentais: a carta dos bispos à Igreja no Brasil, que deu início ao processo, e a mensagem enviada pelo Papa Francisco ao episcopado brasileiro, que confirmou e encorajou o caminho adotado.
A carta à Igreja no Brasil: ponto de partida do caminho sinodal

Ainda em 2022, durante a 59ª Assembleia Geral, os bispos brasileiros divulgaram uma carta à Igreja no Brasil apresentando o itinerário de construção das novas Diretrizes. Mais do que um cronograma, o documento expressou uma escolha clara: trilhar um caminho sinodal, com ampla participação do Povo de Deus.

Painel da 59ª AG CNBB

Na carta, o episcopado reafirma o compromisso de construir “uma Igreja decididamente sinodal”, destacando a necessidade de avançar sem retrocessos, com mais escuta, diálogo e corresponsabilidade. O texto também aponta para a urgência de uma Igreja mais fraterna, missionária e comunitária, capaz de responder aos desafios do tempo presente.

Esse documento teve papel decisivo ao mobilizar dioceses, organismos e fiéis em todo o país, incentivando a participação ativa e o envio de contribuições. Ao mesmo tempo, situou a elaboração das Diretrizes em sintonia com o Sínodo sobre a Sinodalidade, ampliando o horizonte eclesial da reflexão.

Discernimento Pastoral
Em 2023, o processo avançou para o discernimento pastoral, com reflexões sobre os impactos da pandemia, as transformações culturais e digitais e desafios como a pobreza, a polarização e o enfraquecimento do senso de pertença eclesial. Nesse contexto, ganharam força as palavras-chave comunhão, participação e missão, que passaram a orientar a elaboração do texto.

A carta do Papa Francisco: encorajamento e confirmação

Em 2024, durante a 61ª Assembleia Geral, o Papa Francisco enviou uma carta ao episcopado brasileiro na qual manifestou alegria pelo processo de elaboração das Diretrizes, destacando seu caráter sinodal.

61ª Assembleia Geral da CNBB

A mensagem foi recebida como sinal de comunhão com a Igreja no Brasil e como confirmação do caminho percorrido. O Papa encorajou os bispos a manterem viva a caridade, a busca pela verdade e o compromisso com o Evangelho, recordando que toda ação pastoral deve ser guiada pelo amor e pela entrega.

Consolidação e aprofundamento em 2024
Ainda em 2024, os bispos trabalharam sobre um instrumento de trabalho que sistematizou as contribuições recebidas. A metodologia incluiu a “conversa no Espírito”, com grupos de discernimento voltados à escuta dos sinais dos tempos e à definição de caminhos pastorais.

A imagem da “tenda alargada” tornou-se inspiração central, expressando o desejo de uma Igreja mais acolhedora, aberta e missionária. O processo também buscou integrar as conclusões do Sínodo e dialogar com questões emergentes, como o impacto das novas tecnologias, a crise climática e o crescimento do individualismo.



Equipe de Elaboração e amadurecimento do texto

Ao longo do processo, o texto passou por sucessivas revisões e foi profundamente marcado pela atuação da Equipe de Elaboração das Diretrizes, que teve papel decisivo na escuta, sistematização e discernimento das contribuições vindas de dioceses, organismos e conselhos pastorais. Em 2026, o documento alcançou sua 23ª versão, consolidando um caminho construído de forma colegiada, marcado pela escuta, pela corresponsabilidade e pelo método sinodal como eixo estruturante. O texto também incorpora inspirações do Papa Leão XIV e do magistério recente.

A assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB e membro da Equipe de Elaboração das Diretrizes, Mariana Aparecida Venâncio, destaca a relevância do grupo nesse percurso:

“Dom Leomar Brustolin foi designado para presidir a equipe e buscou constituí-la com bispos que representassem todo o Brasil. Além disso, ela conta com a assessoria de peritos e assessores da CNBB”, afirma.

Segundo Mariana, a composição plural e representativa da equipe foi fundamental para garantir que o texto refletisse a diversidade e a riqueza da realidade eclesial brasileira, contribuindo de maneira decisiva para a qualidade e a unidade das  Diretrizes.

 
Dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da Equipe de Elaboração das DGAE

Também para dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS), o trabalho da equipe tem favorecido um maior aprofundamento e comunhão entre os bispos.

“Há uma grande participação, comunhão e senso de pertença. Acho que nas Diretrizes teremos grandes linhas para a evangelização”, destacou.
Versão final e votação em 2026

Em março de 2026, o Conselho Permanente da CNBB recebeu a versão final das Diretrizes, considerada uma das mais abrangentes já elaboradas pela Conferência em termos de escuta e participação.

Conselho Permanente reunido em março de 2026

O documento está estruturado em seis capítulos, abordando desde a imagem da comunidade como “tenda” até compromissos sinodais concretos. Para Mariana Venâncio, um dos aspectos mais significativos é a mudança na forma de organização do texto.

“Aquilo que, em diretrizes passadas, denominávamos prioridades ou eixos, agora são caminhos por meio dos quais a Igreja no Brasil busca atender ao chamado à sinodalidade”, explica.

Ela destaca ainda o vínculo direto com o Sínodo:
“Uma das referências fundamentais dessas DGAE é o Sínodo da Sinodalidade. Ela se constitui como um grande instrumento de recepção, apontando o modo como a Igreja no Brasil pode viver a sinodalidade em suas realidades, desafios e potencialidades”.

Sobre a vigência do documento, Mariana ressalta que a decisão caberá ao conjunto dos bispos reunidos em Assembleia:

“A equipe de elaboração levará uma proposta, mas esse é um discernimento que deverá ser feito por todo o episcopado durante os trabalhos da Assembleia”, afirma.

O objetivo geral do texto, ainda a ser aprovado, é “evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja sinodal sustentada pela Palavra e pelos sacramentos”, com forte ênfase na missão, na comunhão e na participação.

Um marco para a Igreja no Brasil
A Assembleia de abril representa o ponto culminante de um processo de quase quatro anos, marcado por escuta, diálogo e amadurecimento coletivo. Caso aprovadas, as novas Diretrizes deverão orientar a ação evangelizadora da Igreja no Brasil em um cenário de profundas transformações sociais, culturais e religiosas.

Mais do que um documento, as DGAE expressam um modo de ser Igreja: sinodal, missionária e atenta aos sinais dos tempos. Sustentadas pela carta inicial dos bispos e confirmadas pelo encorajamento do Papa Francisco, elas apontam os rumos da evangelização no país para os próximos anos.

Composição atual da Equipe de Elaboração das DGAE
Dom Leomar Antônio Brustolin | Arcebispo de Santa Maria (RS)
Dom José Altevir da Silva | Bispo de Tefé (AM)
Dom Pedro Carlos Cipollini | Bispo de Santo André (SP)
Dom Francisco de Sales Alencar Batista | Bispo de Mossoró (RN)
Dom Paulo Renato Campos | Bispo de Barra do Garças (MT)
Dom Jânison de Sá Santos | Bispo auxiliar de Fortaleza (CE)
Padre Abimar Oliveira de Moraes | PUC Rio
Padre Jean Poul Hansen | Secretário-executivo de Campanhas da CNBB
Mariana Aparecida Venâncio | Assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB

Por Larissa Carvalho


Leão XIV chega a Camarões para a 2ª etapa de sua viagem apostólica à África


O Papa chegou a Camarões na tarde desta quarta-feira, 15 de abril. Ainda hoje, o Pontífice se reunirá com autoridades, visitará um orfanato e encontrará bispos locais, durante a segunda etapa de sua viagem à África.

Vatican News

Teve início a segunda etapa da viagem apostólica de Leão XIV ao continente africano. O Pontífice chegou a Camarões nesta quarta-feira, 15 de abril, às 14h57 locais. Na chegada ao Aeroporto Internacional de Yaoundé-Nsimalen, o Papa foi recebido pelo primeiro-ministro Joseph Dion Ngute e pelo núncio apostólico José Avelino Bettencourt. Após a execução dos hinos nacionais e a apresentação das delegações, o Pontífice segue para o Palácio da Unidade, residência oficial do presidente Paul Biya, que o receberá juntamente com a esposa Chantal.

Em seguida, Leão XIV se reunirá com representantes das autoridades, da sociedade civil e do corpo diplomático, sempre no Palácio Presidencial. Lá, ele irá proferir um discurso, precedido por uma intervenção do presidente Biya. A próxima etapa deste terceiro dia da viagem apostólica será a visita ao Orfanato Ngul Zamba, instituição mantida exclusivamente por doações, que acolhe jovens de 18 meses a 20 anos. Após saudar a comunidade, seguirá para a sede da Conferência Episcopal do Camarões para um encontro privado com os bispos locais. O dia será encerrado na Nunciatura Apostólica no Camarões, onde o Papa jantará em ambiente privado.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 3,31-36)

ANO "A" - DIA: 16.04.2026
2ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Acreditaste, Tomé, porque me viste. Felizes os que creem sem ter visto.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

31 "Aquele que vem do alto está acima de todos. O que é da terra, pertence à terra e fala das coisas da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. 32 Dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. 33 Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. 34 De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque Deus lhe dá o espírito sem medida. 35 O Pai ama o Filho e entregou tudo em sua mão. 36 Aquele que acredita no Filho possui a vida eterna. Aquele, porém, que rejeita o Filho não verá a vida, pois a ira de Deus permanece sobre ele".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Santíssima Trindade, a perfeita comunhão"

O segredo divino da Santíssima Trindade
“Aquele que vem do alto está acima de todos. O que é da terra pertence à terra e fala as coisas da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. Dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque Deus lhe dá o seu Espírito sem medida.” (Jo 3, 31-36)

“Aquele que vem do céu dá testemunho daquilo que viu e ouviu”. Com esta afirmação de Jesus, nós vamos recorrer aos estudos sobre a Trindade Santa. Na Teologia Trinitária, nós temos dois conceitos que são chamados a trindade ad intra e ad extra. Em palavras mais simples, a trindade interna e a trindade externa.

A comunhão do amor perfeito
No primeiro conceito, na trindade interna, nós falamos da comunhão entre as três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, as quais participam de uma mesma natureza e são, entre si, consubstanciais. As três encerram-se em si mesmas, bastam a si mesmas e vivem uma perfeita comunhão de amor.

O que acontece é que Deus quis compartilhar conosco desse amor intratrinitário entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Por isso, no seu desígnio de amor, no seu plano de salvação, o Pai — de quem procedem Filho e Espírito Santo — quis revelar esse mistério de amor. Por isso Jesus pode afirmar que vem do céu, ou seja, Ele vem do seio da Santíssima Trindade na direção de todos nós, de toda a humanidade.

E, com autoridade, Ele pode falar de tudo o que viu e ouviu, porque Ele estava no seio da Santíssima Trindade. Jesus é a testemunha credível, qualificada para nos falar dos mistérios do Pai. Aquilo que estava no segredo da trindade ad intra (dentro, interno), agora, em Jesus – ad extra (para fora) – provém das alturas do céu para nos enriquecer com todas as graças celestes.

Acolher a Santíssima Trindade para crescer na vida espiritual
Daqui a alguns dias, nós vamos ter isso também na descida do Espírito Santo sobre Maria e os apóstolos em Pentecostes. Mais uma vez, a terceira pessoa da Santíssima Trindade vai nos dar a conhecer os mistérios de Deus.

Hoje, Cristo quer nos revelar tudo isso para que creiamos na Sua pessoa e sejamos salvos por meio d’Ela. Por isso, se nós queremos crescer na vida espiritual, nós precisamos receber as coisas espirituais. É só Aquele que vem do alto que pode nos conceder isso: Jesus, o Senhor. Por isso, entremos em profunda comunhão com Cristo e adentremos nos mistérios divinos.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho, e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova