terça-feira, 22 de setembro de 2026

Delegação brasileira participa de reunião internacional preparatória para a JMJ Seul 2027

De 14 a 17 de setembro, representantes da pastoral juvenil de cerca de 100 países estão reunidos em Seul, na Coreia do Sul, para a segunda reunião internacional preparatória para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Seul 2027.

Na abertura do encontro, o arcebispo Jeong Sun-taek, presidente do Comitê Organizador Local da JMJ Seul 2027, destacou a importância da reunião para a preparação do grande encontro internacional. Segundo ele, o momento representa “um novo ponto de partida para a Igreja mundial trabalhar em conjunto” na construção da próxima Jornada.

Em Seul, a segunda reunião internacional de preparação para a Jornada Mundial da Juventude de Seul 2027 (© The WYD Seoul 2027 COL)

Ao longo dos dias, os participantes conhecem a visão missionária da JMJ e o planejamento para a preparação e a realização do evento em Seul. O programa também inclui momentos de partilha por meio do método do “diálogo no Espírito Santo”, também chamado de “conversação espiritual”, além de experiências voltadas à realidade da Igreja na Coreia.

A programação contempla ainda visitas e atividades relacionadas à preparação diocesana, momentos de convivência e a participação conjunta em celebrações e momentos de oração. A proposta é favorecer a troca de experiências entre as diferentes realidades eclesiais e fortalecer a comunhão entre os países que se preparam para acolher jovens de todo o mundo em 2027.

Brasileiros com o cardeal Farrell, Prefeito do Dicastério para os Leigos, e dom Vilsom Basso, presidente da Comissão para a Juventude CNBB.

Brasil presente na preparação
A Igreja no Brasil participa da reunião por meio de representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da pastoral juvenil e de organismos ligados à juventude.

Presidente da Comissão Episcopal para a Juventude da CNBB, dom Vilsom Basso ressalta que a participação brasileira no encontro reforça o compromisso de acompanhar os jovens que desejam participar da JMJ Seul 2027.

“Sabemos dos esforços que os jovens brasileiros têm feito para se fazer presentes na JMJ Seul em 2027. Estar neste encontro preparatório reforça o compromisso da Comissão para a Juventude em apoiar, levar as informações necessárias, tirar as dúvidas e auxiliar para que tenhamos uma boa representatividade de brasileiros em 2027”, afirmou.

Também participa do encontro o padre João Chagas, sacerdote brasileiro que atuou por mais de duas décadas no Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, especialmente na seção dedicada à juventude. Durante a reunião, ele partilhou sua experiência no organismo da Santa Sé e recordou sua participação na preparação e realização de diferentes edições da Jornada Mundial da Juventude, desde o Rio de Janeiro, em 2013, até Lisboa, em 2023, passando por Cracóvia, na Polônia, e Panamá.

A partir dessa experiência, o sacerdote destacou a dimensão e a riqueza das JMJ e o que esses grandes encontros representam para a vida da Igreja e dos jovens.

Outro brasileiro presente é o padre Franco Galdino, atual coordenador do Setor Juventude do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Ele manifestou entusiasmo diante da organização da JMJ Seul 2027 e destacou o estilo proativo e organizado da Igreja coreana.

(© The WYD Seoul 2027 COL)

A delegação brasileira conta ainda com Erika Teles, jovem integrante da Coordenação da Pastoral Juvenil e representante do Brasil no Organismo Consultivo Internacional da Juventude (IYAB), além de padres e missionários da Comunidade Católica Shalom.

“Estamos em Seul na expectativa de que muitos brasileiros possam viver essa experiência única que é uma JMJ. A nossa missão, como Pastoral Juvenil do Brasil e como IYAB, é motivar e ajudar os peregrinos neste caminho até 2027”, afirmou Erika.

Caminho para Seul 2027
A segunda reunião internacional preparatória busca transformar a proposta da JMJ Seul 2027 em ações concretas, a partir da colaboração entre as Igrejas particulares e os organismos responsáveis pela pastoral juvenil em diferentes partes do mundo.

O encontro reúne representantes de diversas nações para compartilhar experiências, alinhar os trabalhos de preparação e refletir sobre a acolhida dos peregrinos que chegarão à Coreia do Sul em 2027.

Participantes do Cone Sul da América Latina

A expectativa é que a Jornada seja uma oportunidade de encontro entre jovens de diferentes culturas e, ao mesmo tempo, um momento de renovação da vida da Igreja na Ásia e em todo o mundo.

Da Redação, Jovens Conectados.


O Papa na América do Sul: divulgado o programa da viagem


A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou os detalhes da longa "peregrinação" que o Papa fará de 6 a 17 de novembro próximo, visitando Uruguai, Argentina e Peru, na viagem apostólica mais longa de seu pontificado até agora. Encontros, celebrações, visitas e orações em santuários, com etapas em locais políticos e espirituais ricos em história e significado. O retorno à Diocese de Chiclayo, onde foi bispo, e um dia passado na Amazônia peruana entre missionários e povos indígenas.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Doze dias sem interrupção, cerca de vinte viagens de avião e helicóptero, encontros com todas as realidades possíveis de cada país – social, política, eclesial – visitas a governos, centros de assistência, santuários, prisões e o retorno à “querida diocese” à qual dirigiu um pensamento em sua primeira aparição no balcão central da Basílica de São Pedro: Chiclayo, a diocese no norte do Peru da qual foi pastor, o coração de sua missão.

O Papa partirá para a França daqui a poucos dias, mas já está pensando em sua próxima viagem apostólica à América Latina, de 6 a 17 de novembro. Como se sabe, as três etapas — Uruguai, Argentina e Peru — durarão mais do que sua viagem à África em abril, tornando-se a viagem internacional mais longa do Pontífice estadunidense.

Nesta segunda-feira, 21 de setembro, a Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou o programa detalhado da peregrinação latino-americana de Leão XIV, que começará na capital uruguaia, Montevidéu, onde o Papa — que partirá do Aeroporto de Roma/Fiumicino às 7h locais do dia 6 de novembro — chegará às 16h30 locais.

Primeira etapa no Uruguai
A recepção oficial se realizará no Aeroporto Internacional de Montevidéu-Carrasco, seguida da cerimônia de boas-vindas na Praça Independência e do tradicional encontro de início de viagem com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático. Às 18h15, o Papa visitará o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, no Edifício José Artigas e, após cerca de uma hora, celebrará as Vésperas com bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e seminaristas na Catedral Metropolitana da Imaculada Conceição e dos Santos Filipe e Tiago.

O Papa ficará hospedado em Montevidéu e, de lá, no dia seguinte, 7 de novembro, irá a Paysandú, a terceira maior cidade em tamanho e população, além de importante centro econômico do país. Às 10h, celebrará a missa no Parque Paris Londres, em Paysandú. Em seguida, retornará a Montevidéu num voo de 45 minutos. Após um breve descanso, o Pontífice visitará a Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, na capital, para um encontro com a comunidade de Casavalle, bairro localizado na periferia centro-norte da cidade, uma área profundamente vulnerável devido à complexa dinâmica socioeconômica. Logo depois, encontrará os representantes do mundo da educação na Universidade Católica do Uruguai. Mas esse não será o último evento do dia: às 19h locais, o Papa Leão XIV participará da Vigília de Oração no Estádio Centenário.

Aos pés da Virgem dos Trinta e Três
No domingo, 8 de novembro, será a vez de Florida, o “berço” da nação, pois foi palco da Declaração da Independência de 1825 e também por abrigar o Santuário da Virgem dos Trinta e Três, padroeira do Uruguai. No país considerado o mais laico e secularizado de toda a América Latina, é profundamente arraigada a devoção à Virgem, considerada também um símbolo patriótico ligado, justamente, à época da independência. Aos pés da Virgem, na praça em frente à Catedral, o Papa celebrará a missa. Almoçará com os bispos na Casa de Acolhimento Jesús Buen Pastor e, às 15h10, seguirá para o aeroporto para voar rumo a Buenos Aires, capital da Argentina, segunda etapa da viagem apostólica.

Segunda etapa na Argentina
A chegada à cidade natal de seu predecessor Papa Francisco, está prevista para as 16h30 locais. Após o acolhimento oficial, mas antes da cerimônia de boas-vindas na histórica Casa Rosada, está programada a visita ao Monumento ao general San Martín e aos exércitos da Independência na Praça San Martín. No Palácio presidencial, o Papa se reunirá com o presidente Javier Milei. A duração prevista é de quarenta minutos: às 18h30, o Papa se reunirá com as autoridades, os representantes da sociedade civil e do corpo diplomático no Palácio da Liberdade – Centro Cultural Domingo Faustino Sarmiento.

A programação será retomada no dia seguinte, 9 de novembro, com uma nova viagem — desta vez curta — a Claypole. Trata-se de uma pequena cidade a cerca de 26 km ao sul do centro da capital, que o Papa Prevost visitará para conhecer de perto os profissionais e os assistidos do Pequeño Cottolengo Dom Orione de Claypole, uma verdadeira “aldeia da caridade” que aparece entre as maiores obras assistenciais da Família Orionina. Jorge Mario Bergoglio, quando era arcebispo de Buenos Aires, conhecia bem o centro, que visitou várias vezes, apoiando de perto as iniciativas e atividades. Entre os doentes e os profissionais, no dia 9 de novembro estará o Papa Leão XIV, que dirigirá uma saudação a todos.

Ao retornar a Buenos Aires, às 11h30 será celebrada a missa em frente a um dos conjuntos esculturais mais icônicos e imponentes da cidade, o Monumento dos Espanhóis, no coração do bairro de Palermo. À tarde, o Papa seguirá para a Universidade Católica Argentina para se encontrar com os representantes do mundo do trabalho e, em seguida, com os líderes das comunidades cristãs e das tradições religiosas no Palácio San Martín. Ainda no mesmo dia, às 18h45, serão celebradas as Vésperas com o Episcopado argentino e as equipes sinodais na Catedral da Santíssima Trindade. Leão XIV jantará com os bispos na Casa Arquiepiscopal.

Em Córdoba e Luján
A cidade de Córdoba será o destino do segundo dia de viagem. O Papa chegará de avião na manhã do dia 10 de novembro e, do aeroporto internacional, seguirá imediatamente para o pátio da Escola de Aviação Militar onde celebrará a missa. Após o almoço, ele se encontrará com os bispos e o clero do país na Catedral de Nossa Senhora da Assunção. Às 16h55, retornará a Buenos Aires. Após algumas horas de descanso, seguirá para a Vigília com os jovens, no Monumento dos Espanhóis.

Leão XIV se despedirá da Argentina no dia 11 de novembro para seguir para o Peru, mas antes de partir, visitará o coração espiritual do país, o santuário de Luján, que abriga a imagem da Nossa Senhora, padroeira da nação. Antes disso, às 8h da manhã, o Papa se dirigirá ao Complexo Penitenciário Federal de Buenos Aires, local que também traz lembranças do arcebispo Bergoglio, que ali celebrou várias vezes a Missa da Quinta-feira Santa. Em Luján, o Papa Leão presidirá a missa, às 10h, na praça em frente à Basílica de Nossa Senhora de Luján.

Retorno ao Peru
O Papa partirá de Buenos Aires em direção a Lima, capital do Peru. O voo para Lima está marcado para as 14h e a chegada está prevista para as 17h30 locais na Base Aeronaval de Callao, onde será realizada a recepção oficial. A cerimônia de boas-vindas será realizada no Palácio do Governo, onde também ocorrerá a visita à presidente Keiko Fujimori. Já no Grande Teatro Nacional, haverá um encontro com autoridades, representantes da sociedade civil e diplomatas.

O dia 12 de novembro começará com um encontro com os bispos peruanos na capela do Palácio Arquiepiscopal, em Lima. Às 9h30, o Papa se reunirá com os bispos, com quem se encontrará novamente menos de uma hora depois na Basílica Catedral de São João Apóstolo e Evangelista para a celebração da Hora Média com sacerdotes, religiosos, seminaristas, a equipe sinodal e os conselhos pastorais. Na mesma manhã, está previsto um evento que se espera que seja significativo para toda a nação: o Encontro sobre os desafios e as esperanças para o futuro do povo peruano. O cenário será a praça em frente à Catedral, e o Papa proferirá um dos discursos mais aguardados pelo povo desta terra sofredora. Robert Francis Prevost encerrará o primeiro dia de viagem em seu território de missão com a Vigília de oração com jovens e universitários no Estádio Monumental de Lima. Às 20h, ele será convidado dos bispos para o jantar na Nunciatura Apostólica.

Em "sua" Chiclayo
Enquanto isso, a população de Chiclayo estará em polvorosa e todos os preparativos já em andamento no pequeno centro da cidade e nos bairros periféricos estarão concluídos. O retorno daquele que todos lembram com carinho como “padre Roberto” se realizará na manhã do dia 13 de novembro. O Papa chegará à capital do departamento de Lambayque de avião e saudará sua diocese com uma missa na esplanada próxima às Pampas de Pimentel.

Após esse grande momento público, haverá um momento privado com a visita à Capela de São Óscar A. Romero; está prevista, nessa ocasião, uma saudação. Ele proferirá, por sua vez, um discurso no Santuário de Nossa Senhora da Paz, durante o encontro com o clero, as equipes sinodais e os conselhos pastorais. O mundo universitário o receberá logo em seguida na Universidade Católica dedicada a São Turíbio de Mogrovejo, padroeiro dos bispos da América do Sul. E no Colégio, também dedicado a São Turíbio, será realizado o jantar do Papa com os sacerdotes da Diocese de Chiclayo.

O ato de abertura no sábado, 14 de novembro, será simbólico: a cerimônia de coroação da Virgem Imaculada na Catedral de Santa Maria, no centro histórico de Chiclayo, de frente para a Plaza de Armas. A cerimônia terá início às 8h; às 9h10, o Papa Leão, de helicóptero, seguirá para o pequeno distrito rural de Santa Cruz de Succhabamba, onde celebrará a missa na praça local. Ele retornará a Chiclayo ainda pela manhã e, no final da tarde, presidirá a oração com a comunidade católica para o encerramento do Ano Jubilar de São Turíbio de Mogrovejo no santuário a ele dedicado.

No coração da Amazônia peruana
Mudança de cenário, em 15 de novembro, mas ainda no Peru, com a visita a Cusco, cidade famosa por seus pontos turísticos e pelos picos andinos situados a 3.400 metros de altitude, que servem de ponte para a bacia amazônica a leste. Em Cusco, Leão XIV chegará de avião e, imediatamente, encontrará fiéis e representantes da devoção popular no Parque Arqueológico Nacional de Saqsaywaman. Pouco antes do meio-dia, ele rezará o Ângelus diante da Basílica da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. De Cusco, às 13h05, o Pontífice seguirá para a Amazônia peruana, em Pucallpa, centro da floresta pluvial às margens do rio Ucayali. Do aeroporto internacional, ele seguirá para o Malecón Puerto Callao, onde se encontrará com missionários e representantes dos povos amazônicos. À tarde, celebrará a missa na Villa Deportiva Regional Ucayali e, à noite, partirá para a capital, Lima.

No último dia no Peru, em 16 de novembro, Leão passará o dia na periferia pobre de Callao, onde atuou como administrador apostólico. Cidade portuária do Peru e província constitucional autônoma (apesar de estar totalmente integrada à região metropolitana de Lima), em Callao Leão visitará os profissionais e os beneficiários da Casa de Acolhimento das Hermanitas de los Ancianos Desamparados. O evento final será a missa na Base Aérea de Las Palmas, ao sul de Lima. Depois, se seguirá a cerimônia de despedida na Base Aeronaval del Callao e o voo de volta a Roma. A partida está prevista para as 13h45 e a chegada a Roma/Fiumicino, às 10h25 do dia seguinte, 17 de novembro.
Logotipos e lemas

Junto com o programa, foram divulgados os logotipos e lemas das viagens aos três países. “Anuncio-lhes uma grande alegria”, o anúncio do anjo aos pastores de Belém, é o lema da viagem ao Uruguai, cujo logotipo coloca no centro Cristo crucificado e ressuscitado; à direita e à esquerda, o Papa e a Virgem dos Trinta e Três; e, acima, o “Sol de Mayo”, símbolo característico da identidade nacional.

Uma corola formada por muitas pequenas figuras humanas de diferentes formas, tamanhos e cores, reunidas em uma única composição, representa, por sua vez, o logotipo da viagem à Argentina. “Bem-vindos a todos. Vão e anunciem” é o lema que pretende ser um símbolo universal no qual cada pessoa possa se reconhecer como parte de um único povo.

Por fim, elementos históricos e artísticos que evocam a fé e a missão evangelizadora da Igreja compõem o logotipo da etapa ao Peru. O elemento principal é um mapa do país, encimado pela pomba do Espírito Santo. Ao centro, está o Papa sorridente, acenando; ao seu lado, estão os principais santos da tradição peruana: Santa Rosa de Lima, São Turíbio de Mogrovejo, São Martinho de Porres, São Francisco Solano e São João Macías. O lema é “Abramos o coração”, o convite do Papa a abrir o coração a Deus para renovar a fé, proclamar o Evangelho e construir a unidade e a paz.

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EVANGELHO DO DIA (Lc 8,19-21)

ANO "A" - DIA: 22.09.2026
25ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
 Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 19 a mãe e os irmãos de Jesus aproximaram-se, mas não podiam chegar perto dele, por causa da multidão. 20 Então anunciaram a Jesus: "Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem te ver". 21 Jesus respondeu: "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A Palavra de Deus nos torna família de Jesus"

A Palavra de Deus exige de nós coerência de vida
“Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus” (Lucas 8,19-21).
No Evangelho de hoje, Jesus afirma: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”. Longe, irmãos e irmãs, de diminuir a dignidade da Virgem Maria, o Senhor revela justamente a grandeza dela. Isso nós vemos no texto de hoje.

A Palavra de Deus acolhida com perfeita obediência
Maria é bem-aventurada não apenas por ter gerado o Cristo segundo a carne, mas porque acolheu a Palavra de Deus com perfeita obediência. Ela ouviu, acreditou e viveu inteiramente para cumprir a vontade divina. Assim com essa Palavra, Jesus ensina que o verdadeiro parentesco com Ele nasce da fidelidade, nasce da obediência, não apenas de laços humanos ou sentimentos passageiros, que são arrastados pelo vento, pelas coisas transitórias.

Vivemos tempos em que muitos desejam um cristianismo, um catolicismo sem compromissos, reduzido apenas a emoções ou a opiniões pessoais. “Eu quero criar o meu cristianismo, eu quero criar o meu catolicismo, minhas opiniões”. Nós estamos atentos à opinião da Palavra, nós devemos manter o nosso coração vinculado ao coração de Deus, nós devemos superar as limitações deste tempo.

A santidade nasce da fidelidade à vontade de Deus
Cristo é claro conosco: pertence, verdadeiramente, a sua família quem escuta a Palavra e a pratica. E isso exige fé católica, exige coerência de vida, perseverança na verdade e fidelidade aos mandamentos. Não basta conhecer o Evangelho, é necessário conformar a própria existência à vontade de Deus, ainda que isso exija renúncia, sacrifício, coragem diante do mundo. A santidade não nasce da acomodação, mas da obediência perseverante.

A Igreja sempre ensinou que a Palavra de Deus deve ser recebida com humildade e transmitida sem adulterações, sem modificações. Por isso o discípulo autêntico não molda o Evangelho aos costumes do tempo, mas permite que o Evangelho transforme sua vida. Então, peçamos a intercessão da Virgem Maria para que sejamos verdadeiros membros da família de Cristo, que sejamos firmes na fé, constantes na oração, fiéis aos sacramentos e obedientes à vontade de Deus em todas as coisas.

Sobre você, desça e permaneça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


Entenda por que a primavera é o tempo das surpresas de Deus

Na Canção Nova é assim

A primavera, conhecida como a estação das flores, traz consigo uma imagem particularmente rica para a vida espiritual. Depois dos períodos de frio e de recolhimento, a criação parece despertar: surgem novas cores, renovam-se as paisagens e a vida manifesta, de modo visível, a fecundidade escondida na terra. Para a espiritualidade da Canção Nova, essa imagem também pode iluminar a maneira como Deus conduz a história de uma comunidade.

Créditos: Rophiman Souza / cancaonova.com

Na trajetória do fundador e na história da Comunidade Canção Nova, diversos acontecimentos marcantes ocorreram durante essa estação. Mais do que uma simples coincidência cronológica, esses fatos são contemplados pela comunidade como sinais da ação providente de Deus.

As estações da natureza e os tempos da vida
A criação possui ritmos próprios. O verão, o outono, o inverno e a primavera apresentam características diferentes, às quais precisamos nos adaptar. Não se vive o inverno como se fosse verão, nem se pode exigir da terra, em todo momento, os mesmos frutos. Cada estação tem sua beleza, sua finalidade e suas exigências.

A vida humana também é feita de ciclos. Há momentos de grande atividade, períodos de espera, fases de poda, ocasiões de silêncio e tempos em que aquilo que estava escondido começa a florescer. Na perspectiva apresentada pelo vídeo, reconhecer o tempo que se vive é uma atitude de sabedoria espiritual. A pessoa que identifica sua própria estação pode acolher melhor aquilo que Deus lhe pede, sem desespero diante da provação nem presunção diante da consolação.

Na Canção Nova, esses períodos particularmente significativos são chamados de “tempos fortes”. A expressão não significa que Deus esteja ausente nos demais momentos, mas que certos acontecimentos permitem perceber com maior clareza a direção da Providência. O Senhor age sempre; contudo, em algumas fases, sua ação se torna especialmente perceptível para quem contempla a história com fé.
A primavera na história de Monsenhor Jonas Abib

A primavera e o início do verão reúnem datas decisivas na vida de Monsenhor Jonas Abib. O fundador nasceu em 21 de dezembro, foi ordenado sacerdote em 8 de dezembro, viveu seu batismo no Espírito Santo em 2 de novembro e recebeu o chamado relacionado à Comunidade Canção Nova em 27 de novembro. Seu falecimento também ocorreu em 12 de dezembro.

Créditos: Rophiman Souza / cancaonova.com

Essas datas não são apresentadas para transformar a Providência em um cálculo ou para afirmar que Deus se limite a um período do calendário. Elas são contempladas como parte de uma história concreta, na qual a graça se manifestou em acontecimentos familiares,
vocacionais e comunitários. Para a fé católica, Deus conduz a história sem abolir a liberdade humana; sua ação providente se realiza por meio de pessoas, decisões, encontros, sofrimentos e recomeços.

Os frutos da missão também floresceram na primavera
A mesma percepção é aplicada à história da Comunidade Canção Nova. O vídeo recorda diversos acontecimentos ligados à expansão de sua missão, à evangelização e ao serviço aos necessitados. Entre eles estão a inauguração do Posto Médico Padre Pio, em 23 de setembro; a inauguração da Rádio em Portugal, em 5 de outubro; a abertura das Casas Missionárias de Belo Horizonte e Queluz, em outubro; e a inauguração da Casa do Bom Samaritano, também em outubro. São lembrados ainda acontecimentos relacionados ao reconhecimento pontifício, à dedicação do Santuário do Pai das Misericórdias e à inauguração da TV Canção Nova e da Companhia de Artes e Esportes.

A chuva da primavera e a vinda do Senhor
A passagem de Oseias escolhida para concluir a reflexão é profundamente significativa. O profeta compara a vinda do Senhor à aurora e à chuva da primavera, aquela que irriga a terra e prepara a colheita. A imagem bíblica não fala de uma emoção passageira, mas de uma visita de Deus que restaura, fecunda e conduz à vida.

A primavera espiritual pode surgir depois de um tempo difícil, mas não depende de a vida estar livre de problemas. Às vezes, Deus faz florescer a esperança no meio do deserto; outras vezes, concede a graça de atravessar o deserto com perseverança. O essencial é não
perder a confiança de que o Senhor continua presente e trabalhando, mesmo quando ainda não vemos os frutos.

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Abandonar-se nas mãos da Providência
O convite é claro: viver essa realidade como a Canção Nova procura vivê-la, abandonada nas mãos da Providência Divina. Esse abandono não é acomodação, fatalismo ou desistência da responsabilidade. É a confiança filial de quem procura cumprir Abandonar-se à Providência é continuar semeando quando ainda não há flores. É servir mesmo quando não se recebe reconhecimento. É aceitar que algumas podas são necessárias para que a vida produza frutos mais abundantes. É discernir, na oração e na comunhão com a Igreja, o que Deus deseja realizar em cada etapa.

Qual é a nossa estação espiritual?
A mensagem da primavera pode ser aplicada à vida cotidiana. Talvez alguém esteja vivendo um inverno de provação, uma fase de silêncio ou uma experiência de aparente esterilidade. Talvez outro esteja recebendo novas responsabilidades, vocações e oportunidades de
serviço. Há ainda quem esteja no tempo da colheita, chamado a agradecer, partilhar os frutos e preparar novas sementes.

A pergunta decisiva não é apenas “o que está acontecendo comigo?”, mas “como Deus me chama a viver este momento?”. Em qualquer estação, o Senhor permanece fiel. No inverno, Ele sustenta; no outono, ensina a desprender-se; no verão, pede perseverança; na
primavera, convida a acolher com alegria aquilo que começa a nascer.

A história recordada pelo vídeo aponta para essa esperança. As surpresas de Deus não precisam ser espetaculares para serem verdadeiras. Podem aparecer em uma conversão, em uma reconciliação, em um chamado, em uma obra de caridade, em uma nova missão ou na força silenciosa para recomeçar. Quando a pessoa se abandona nas mãos do Senhor, aprende a reconhecer que a graça já estava atuando antes mesmo de os primeiros sinais aparecerem.

A primavera, para a Canção Nova, tornou-se uma imagem dos tempos fortes da Providência: um período em que muitos acontecimentos decisivos da vida de Monsenhor Jonas Abib e da comunidade parecem formar um testemunho de fecundidade, missão e confiança. A natureza oferece a metáfora; a história oferece os sinais; a fé permite reconhecer, por trás de tudo, o cuidado de Deus.

Que esta reflexão nos ajude a contemplar a própria vida com olhos renovados. Se existe uma semente escondida, cuidemos dela com paciência. Se novos frutos começam a surgir, recebamo-los com humildade e na ação de graças. A promessa permanece: Deus vem como a chuva da primavera que irriga a terra. Por isso, mesmo depois de noites longas, o cristão pode esperar com confiança. Nas mãos da Providência, cada novo tempo pode tornar-se ocasião de graça, serviço e florescimento espiritual.

O vídeo apresentado por Patrícia Mendes recorda um ensinamento associado a Monsenhor Jonas Abib: “A primavera é o tempo das surpresas de Deus”.

Transcrito e adaptado por Rophiman Souza

São Maurício

Em meados do século III, sob o imperador romano Galiano (entre 253-268), houve um período de "pequena paz para a Igreja", no qual as perseguições aos católicos foram interrompidas, exceto por episódios isolados, e que perdurou para além do seu governo. Em 284 assumiu o império Dioclesiano, que decidiu tornar Maximiano Hercúleo seu coimperador no Ocidente, enquanto ele cuidava do Oriente.

Maximiano teve que enfrentar a revolta de Caráusio, um seu comandante militar na região da Gália Bélgica (atualmente regiões da Bélgica, Luxemburgo, norte da França, sul da Holanda e oeste da Alemanha), e entre as tropas que mobilizou estava a Legião Tebana ou Tebaica, por sua origem em Tebaida no Egito.

Toda uma coorte (mil homens) desta legião era composta por católicos, comandados por Maurício. Neste período, cerca do ano 286, pouco anterior à chamada Era de Dioclesiano ou Era dos Mártires (295-310), as cruéis perseguições deste imperador aos cristãos ainda não haviam começado, e eles ocupavam vários cargos, inclusive militares.

O exército de Maximiano atravessou os Alpes e chegou ao vale do rio Ródano, na atual Suíça. Para descansar a tropa, foram decretados três dias de festas em Octodorum, para homenagear os deuses do império, o que incluía sacrifícios a eles. A guarda avançada, com Maurício e companheiros, acampou em Agaunum, uma aldeia a cerca de 24 km do Lago de Genebra e a cinco km da cidade.

Eles se recusaram a sacrificar aos deuses pagãos, e Maximiano, irritado, mandou dizimar parte destes legionários para obter obediência. Como os demais permaneceram firmes na recusa, um segundo massacre foi ordenado.

Novamente Maximiano intimou os sobreviventes à apostasia, mas a resposta de Maurício e seus oficiais (Exupério, Cândido, Vital, Alexandre, Vitor, Inocêncio) foi contundente: “Somos teus soldados e não menos servidores de Deus. Sabemos perfeitamente a nossa obrigação como militares, mas não nos é lícito atraiçoar o nosso Deus e Senhor. Estamos prontos a obedecer a tudo que não contrarie a lei de Jesus Cristo Nosso Salvador.

Fomos testemunhas da morte dos nossos companheiros e não nos queixamos; antes, com eles nos congratulamos. Tuas ameaças não provocam sentimentos ou planos de rebelião de nossa parte. Estamos com as armas nas mãos, mas delas não faremos uso para nos defender. Antes queremos morrer inocentes do que viver culpados.”

Diante disso, o imperador mandou o exército exterminar os soldados restantes, que esperaram pacificamente os golpes de espada, dobrando as cabeças.

O local do massacre no campo de Agaunum, à beira do Ródano, foi historicamente identificado como a cidade de Martigny, nome derivado de “martírio”. Uma igreja, só descoberta por volta de 1893, foi ali erguida em honra destes mártires, e no século seguinte construiu-se uma basílica no lugar da execução. Em 520, o rei Sigismundo da Borgonha lá edificou o Convento de São Maurício de Agaunum, onde são veneradas as relíquias dos soldados mortos ainda hoje, e cujo deu origem à cidade de São Maurício, em Valais, na Suíça.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

São Maurício e companheiros, militares exemplares, nos mostram que todo tipo de atividade e profissão humana honesta é compatível com a Fé católica, e que o verdadeiro combate é somente contra o que afasta de Deus. Portanto, é sim possível construir uma vida nova e venerável sobre a morte do pecado; não só possível, como obrigação, se de fato desejamos servir ao Senhor dos Exércitos (e.g. Sl 45,12). Não nos é permitido ficar apenas acampados à margem das águas do Batismo, é preciso inclinar a cabeça e o coração às ordens do Senhor, o que muitas vezes vai exigir sacrifícios, não raros originados pelos que estão lutando nesta vida ao nosso lado. Mas é preferível uma legião de suplícios, penitências e abnegações no mundo, por causa de Cristo, do que ter decepada de nós a Sua salvação.

Oração:

Deus Todo-Poderoso, Rei dos Reis, a Quem “não agradam os sacrifícios”, mas sim “um coração contrito”, concedei-nos por intercessão de São Maurício e companheiros não apenas a retidão e competência nos nossos ofícios, mas também a generosidade de ofertar plenamente a vida ao Vosso serviço, em qualquer circunstância, para alcançarmos a vitória prometida aos que “combaterem o bom combate” da Fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Papa: não delegar decisões humanas aos algoritmos. A diversidade não é ameaça


A "comunidade humana" foi o tema da catequese do Santo Padre, inspirada na Constituição Pastoral "Gaudium et spes". O texto conciliar convida a eliminar as discriminações e superar a mentalidade individualista. Leão XIV alerta: "Corre-se o risco de nos habituarmos a delegar aos algoritmos decisões que competem exclusivamente à consciência humana"

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

O Papa Leão acolheu milhares de fiéis e peregrinos na Praça São Pedro para a Audiência Geral desta quarta-feira, 16 de setembro. O Pontífice deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, comentando o segundo capítulo da Constituição Gaudium et spes (GS). Esta parte do texto é dedicada à "comunidade humana", e convida a considerar a multiplicação das relações entre os homens como um dos principais aspectos do mundo contemporâneo.

Não delegar aos algoritmos decisões que competem à consciência humana
Por um lado, analisou o Papa, o desenvolvimento tecnológico, a difusão dos meios de comunicação em massa e das redes sociais, bem como o recurso cada vez maior à inteligência artificial, abrem novas possibilidades, derrubando barreiras e distâncias; por outro lado, as relações tendem a tornar-se cada vez menos pessoais, mais virtuais. E aplicando os ensinamentos conciliares à realidade atual, alertou:

“Corre-se o risco de nos habituarmos a delegar aos algoritmos decisões que competem exclusivamente à consciência humana.”

A contribuição que a comunidade cristã pode oferecer é justamente assegurar que as relações sociais tenham um significado real e uma profundidade pessoal. Para que sejam boas, essas relações devem ser estabelecidas a partir do projeto criador de Deus, que "quis que os homens formassem uma só família, e se tratassem uns aos outros como irmãos" (GS 24).

Nesta perspetiva, a Gaudium et spes afirma que a diversidade das pessoas e dos povos no mundo não deve ser considerada como um perigo ou uma ameaça, mas como um potencial de enriquecimento e de crescimento. Assim, é necessário abrir-se cada vez mais à lógica da reciprocidade, da partilha e do cuidado.

Eliminar as discriminações e superar a mentalidade individualista
Leão XIV apontou para algumas "conclusões" a que chegaram os Padres conciliares. Em primeiro lugar, o respeito pela pessoa humana. A Gaudium et spes considera "infamante" tudo o que se opõe à vida, como homicídio, genocídio, aborto, eutanásia. E ainda: escravidão, prostituição, comércio de pessoas e condições degradantes de trabalho.

A segunda conclusão refere-se ao respeito e ao amor também pelos adversários ou por quem pensa e age diferente de nós. Em terceiro lugar: a igualdade fundamental de todos os homens, que exige justiça social. Isso impõe eliminar qualquer forma social ou cultural de discriminação por razão do sexo, raça, cor, condição social, língua ou religião. Por fim, os Padres conciliares exortam a superar a mentalidade individualista e a assumir uma atitude de responsabilidade e participação.

O Papa então concluiu:
“Queridos irmãos e irmãs, esta visão da humanidade como «comunidade de pessoas» é um legado precioso que o Concílio Vaticano II nos deixou. Ela ajuda-nos a todos a realizar um discernimento pessoal e comunitário, para avaliar com responsabilidade os projetos sociais e políticos de hoje, com base nos critérios da dignidade da pessoa humana, da justiça social e da livre participação na construção do bem comum. Pois o futuro da humanidade depende do empenho de cada um em colaborar com Deus e com os irmãos na construção de um mundo mais humano.”

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ANO "A" - DIA: 16.09.2026
24ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERMELHO)
MEMÓRIA DO MARTÍRIO DE SÃO CIPRIANO E SÃO CORNÉLIO

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; só tu tens palavras de vida eterna.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus: 31 "Com quem hei de comparar os homens desta geração? Com quem eles se parecem? 32 São como crianças que se sentam nas praças, e se dirigem aos colegas, dizendo: 'Tocamos flauta para vós e não dançastes; fizemos lamentações e não chorastes!' 33 Pois veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e vós dissestes: 'Ele está com um demônio!' 34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vós dizeis: 'Ele é um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos pecadores!' 35 Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Aspirando aos dons mais elevados"

Aspirando a fidelidade como Santos Cornélio e Cipriano
Naquele tempo, disse Jesus: “Com quem hei de comparar os homens desta geração? Com quem eles se parecem? São como crianças que se sentam nas praças, se dirigem aos colegas dizendo, tocamos flauta para vós e não dançastes, fizemos lamentações e não chorastes.” (Lucas 7,31-35)

Meus irmãos e minhas irmãs, na liturgia de hoje, nós celebramos a memória de Santos Cornélio e Cipriano. Um, destituído do papado, foi exilado. O outro, foi perseguido e martirizado.

Aspirando o amor de Deus
A primeira leitura de hoje começa dizendo: “Aspirai aos dons mais elevados”. Você, que vai à Santa Missa nesse dia de hoje, vai ouvir na primeira leitura: “Aspirai aos dons mais elevados”, e finaliza dizendo que “o maior dos dons é o amor, a caridade, que é o amor em ato”.

Um papa e um bispo aspirando ao dom maior, que é amar a Cristo a ponto de abrir mão do mais alto cargo na Igreja Católica, que é o papado, e abrir mão do bem mais precioso que nós possuímos, que é a própria vida. E tudo isso por causa de Jesus Cristo: Cornélio e Cipriano. Tudo por causa de Nosso Senhor e não por causa de um carreirismo ou um oportunismo.

O testemunho na doação da vida
Os dois viveram a dimensão da função, do cargo que exerciam, da vocação que receberam de Deus para servir ao povo de Deus e dar a vida por causa do Senhor. Dois homens de uma mesma geração que souberam dançar ao som da flauta da fidelidade e também ao seu ensinamento, a sua doutrina, e souberam derramar lágrimas da entrega a Deus, da entrega de suas vidas.

Dois grandes testemunhos de amor e fidelidade que hoje aquecem o nosso coração. Temos o ditado: dançar conforme a música, não é? O Senhor está nos propondo a conversão, um caminho novo. Vamos entrar nesse movimento de graça e vamos deixar que Jesus transforme o nosso coração.

Que hoje Ele encontre espaço em você para derramar a Sua bênção e a Sua graça.

Sobre todos vós desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


A Amoris Laetitia e a sua riqueza dez anos depois

O poder de Amoris Laetitia: Transformando vidas e lares hoje. Ninguém nasceu para viver sem os outros.

Os elementos de maior visibilidade na exortação pós sinodal Amoris Laetitia a meu ver são três: Antropológico, eclesiológico e sócio – familiar.

Crédito: andreswd / GettyImages

Para compreender o primeiro deles é necessário nos adentrarmos no conceito de pessoa que o pontificado do Papa Francisco desenvolveu ao longo de todos os anos nos quais ele sempre insistiu na pessoa como ser em “relação”. A capacidade que a pessoa possui de criar relações. A pessoa desvenda dentro de si a maior de todas as capacidades quer dizer a vontade de se relacionar, de se aproximar.

Ninguém nasceu para viver “sem os outros” somos para os outros. A análise desde o primeiro capítulo leva-nos a perceber que a superação do isolamento é a primeira atitude da pessoa que em si mesma sai ao encontro do outro. Um encontro com aquele ou aquela a quem pode amar e escolher.
Família a força indissociável do encontro que salva e fortalece

“Deste encontro, que cura a solidão, surge a geração e a família. Este é um segundo detalhe, que podemos evidenciar: Adão, que é também o homem de todos os tempos e de todas as regiões do nosso planeta, juntamente com a sua esposa dá origem a uma nova família, como afirma Jesus citando o Génesis: «Unir-se-á à sua mulher e serão os dois um só» (AL 13).

Ao afirmar que os dois serão um só não está dizendo que um desaparecerá e o outro ficará. Os dois se unirão de tal modo que nada poderá dissociar aquela intenção de encontro que salva e fortalece.

O encontro corresponde a este chamado que faz o Criador de propor uma vida juntos, onde cada um vive sua identidade, mas que no momento específico se descobrem como um só.
A escolha como resposta e sobretudo como presença

Antropologicamente há dois movimentos na Amoris Laetitia que sustentam esta direção de ir um na procura do outro. Em primeiro lugar um movimento desde o coração e um segundo para fora do coração. Tudo isto faz parte da escolha que cada pessoa faz da outra como resposta e sobretudo como presença.
Amoris Laetitia, a liberdade de escolha e a prática das virtudes

Dentro da liberdade de escolha a pessoa pode não somente descobrir o verdadeiro e essencial sentido das suas opções como também da capacidade inerente à sua verdade. A grandeza deste item na exortação Amoris Laetitia permeia os elementos fundamentais de um processo que contribua a desenvolver uma pastoral de discernimento.

“A liberdade de escolher permite projetar a própria vida e cultivar o melhor de si mesmo, mas, se não tiver objetivos nobres e disciplina pessoal, degenera numa incapacidade de se dar generosamente. De fato, em muitos países onde diminui o número de matrimônios, cresce o número de pessoas que decidem viver sozinhas ou que convivem sem coabitar”. (AL 33).
A grandeza do amor e das virtudes no matrimônio cristão

Para a vida cristã esta descoberta ajuda a entrever aquilo que poderíamos chamar da prática das virtudes que brotam do ser mesmo da pessoa.

Amabilidade, generosidade, desprendimento, perdão são dons gratuitos que brotam posteriormente na experiência mais genuína de quem opta pela vida conjugal. Acredito que aqui se encontra o sentido da vida matrimonial desde um âmbito teológico e antropológico ou como diz o mesmo documento é desde aqui que podemos enxergar a grandeza do amor de Deus por cada pessoa humana.
A vida conjugal, lugar de se perceber amado e de modo especial esperado

“O matrimónio é um sinal precioso, porque, «quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do matrimónio, Deus, por assim dizer, “espelha-Se” neles, imprime neles as suas características e o carácter indelével do seu amor. O matrimónio é o ícone do amor de Deus por nós. Com efeito, também Deus é comunhão: as três Pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo – vivem desde sempre e para sempre em unidade perfeita. É precisamente nisto que consiste o mistério do matrimónio: dos dois esposos, Deus faz uma só existência»”. (AL 121).

Neste sentido, o Papa Francisco sempre insistiu ao longo do seu pontificado em traduzir o fato de que a vida conjugal não é um pacto ou uma convenção bilateral entre duas pessoas. Quando duas pessoas se encontram significa que cada uma delas está ciente da grandeza do “outro” onde pode se perceber como totalmente amado e de modo especial esperado.
Amoris Laetitia, casar-se por amor e para o amor

A beleza do matrimônio está justamente aqui. O reflexo da caridade que brota do mais belo exercício de reconhecimento que gera maior alegria quando cada um exerce o perdão como expressão grandiosa deste ato sublime de ser um para o outro.

“É verdade que o amor é muito mais do que um consentimento externo ou uma forma de contrato matrimonial, mas é igualmente certo que a decisão de dar ao matrimónio uma configuração visível na sociedade com certos compromissos manifesta a sua relevância: mostra a seriedade da identificação com o outro, indica uma superação do individualismo de adolescente e expressa a firme opção de se pertencerem um ao outro. Casar-se é uma maneira de exprimir que realmente se abandonou o ninho materno, para tecer outros laços fortes e assumir uma nova responsabilidade perante outra pessoa”. ( AL, 131 – 133).
Um amor que manifestado e vivido

A beleza do casamento está então no casar-se por amor e para o amor. Um amor que manifestado e vivido, ajuda no crescimento e de modo especial no amadurecimento de cada um dos cônjuges. Na exortação podemos constatá-lo em alguns dos numerais que sublinham a importância deste processo vivido e sustentado a dois querendo ser um.

A análise que realizamos destes textos nos leva a concluir que a pessoa humana vivência desde antes do momento de pensar em si mesma a proposta de ir ao encontro de um outro que lhe faz pleno e realiza seu ser mais íntimo na esperança de responder a sua vocação. Isto vale para pessoas que optam pela vida de casal ou pela vida celibatária.
O que as leis não podem ensinar sobre o amor e a família

Aqui está a grandeza antropológica desta visão que trouxe para nós o desenvolver da Amoris Laetitia em relação ao mundo das emoções, das paixões e da maturidade afetiva. Só quem descobre o valor de uma vida dada e doada pode descobrir o singular e transcendental fato de amar e ser amado através do coração e não de posturas dogmáticas ou meramente abstratas. Cria-se relações éticas e evita todo tipo de manipulação.

O amor não só dignifica a pessoa como também a conduz dentro de um caminho cada vez mais claro em direção ao seu horizonte social e cultural.

Espero que cada pessoa possa entender que a antropologia do matrimônio e da família não dependem das condições que o estado ou as leis civis possam emitir e sim da especial e renovadora vida que cada pessoa descobre na sua família. Uma vida vivida para os outros e com os outros.

Rafael Solano. Presbítero da Arquidiocese de Londrina – PR. PhD em Teologia Moral. Pontifícia Universidade Lateranense de Roma. Coordenador do Curso de Teologia da PUCPR Campus Londrina – PR.