segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Em espírito sinodal, comissões da CNBB promovem encontro nacional de bispos referenciais



A proposta é mais que um encontro de formação e partilha, tem o objetivo de fortalecer uma rede sociotransformadora em nível nacional. Debater e integrar temas como tráfico de pessoas, ecologia, racismo e mineração em nível nacional permite construir convergências necessárias diante dos desafios contemporâneos. As três comissões, que atuam em temas transversais, unem esforços para fortalecer a sinodalidade, aprofundar o compromisso com a justiça social e renovar as respostas pastorais contemporâneas.

Com essa perspectiva, a Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora (Cepast), a Comissão Episcopal Especial para o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (CEETH) e a Comissão Episcopal Especial para a Ecologia Integral e Mineração (CEEM) promovem, de 28 a 30 de setembro de 2026, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), um encontro com lideranças episcopais de todo o país. As três comissões, que atuam em temas transversais, unem esforços para fortalecer a sinodalidade, aprofundar o compromisso com a justiça social e renovar as respostas pastorais contemporâneas.

O evento reunirá os bispos referenciais das Pastorais Sociais, redes e organismos vinculados às comissões e aos regionais. Na pauta, destacam-se o acolhimento das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026–2032), o balanço do atual quadriênio de atuação e a reflexão sobre a Doutrina Social da Igreja com foco na encíclica Magnifica Humanitas. O programa inclui, ainda, momentos de diálogo com movimentos sociais populares e contará com a presença de representantes do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral da Santa Sé, reforçando a comunhão direta com as diretrizes do Vaticano.

A iniciativa é presidida conjuntamente por Dom José Valdeci Santos Mendes, presidente da Cepast e bispo de Brejo (MA); Dom Adilson Pedro Busin, presidente da CEETH e bispo de Tubarão (SC); e Dom Vicente de Paula Ferreira, presidente da CEEM e bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA).

Ação sociotransformadora
A Cepast é o organismo responsável por fortalecer a participação da Igreja na promoção da justiça, da paz, da dignidade humana e do cuidado com a criação, priorizando a defesa dos direitos humanos e a opção pelas pessoas empobrecidas. Sua atuação se dá pela articulação das Pastorais Sociais, diálogo com a sociedade, formação, incidência política, assessoria aos regionais da CNBB e pelo fortalecimento do projeto popular por meio das Semana Social Brasileira.

Dom José Valdeci Santos Mendes enfatiza que a Igreja no Brasil reafirma a opção preferencial pelos pobres e o compromisso sinodal em defesa da vida, da natureza e dos direitos dos excluídos e excluídas, fundamentados no Evangelho e no Magistério Social:

“São muitos desafios em comum que levam essas três comissões a trabalharem juntas nesse fortalecimento, neste compromisso com as pessoas vulneráveis. Por isso, destacamos a importância deste caminhar no espírito de sinodalidade. Tudo isto para afirmar que se trata de um compromisso de toda a Igreja no Brasil. Temos como base o Evangelho e a Doutrina Social da Igreja, que nos levam a assumir esta missão com muita responsabilidade”, pontua o presidente da Cepast.

Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas: 10 anos
Nascida a partir de um Grupo de Trabalho criado em 2010 e impulsionada pela Campanha da Fraternidade de 2014, a CEETH completa dez anos de criação oficial pela CNBB em outubro deste ano. A comissão atua na sensibilização da sociedade, realização de seminários formativos, campanhas e ações pelo país, além da articulação em rede com organizações religiosas e civis, incidência política no combate ao crime e acompanhamento de denúncias.

Dom Adilson Pedro Busin destaca a relevância do encontro para avançar em mutirão na defesa da vida e da dignidade humana:

“Considero o encontro de setembro especialmente importante pela sinodalidade, pelas novas diretrizes evangelizadoras e pelos dez anos da Comissão de enfrentamento ao tráfico de pessoas. Inspirados na dignidade humana, queremos fortalecer as pastorais sociais como expressão do cuidado, da proximidade e da missão da Igreja junto aos mais vulneráveis”, reforçou o bispo.

Ecologia Integral e resistência ao modelo predatório
Criada em 2017 e fundamentada no paradigma da Ecologia Integral e na encíclica Laudato Si’, a CEEM assessora o episcopado e a CNBB sobre os impactos socioambientais do extrativismo mineral predatório. Seu trabalho envolve o apoio direto às dioceses e comunidades atingidas, produção de estudos e notas públicas, articulação com redes como a Igrejas e Mineração e incidência política nacional e internacional, incluindo fóruns na ONU e diálogos no Vaticano.

Para Dom Vicente de Paula Ferreira, a atividade reúne comissões sociais e pastorais de fronteira com linhas de ação conjuntas em defesa dos direitos humanos e da casa comum:

“O encontro promoverá a integração das três Comissões, o estudo das novas diretrizes evangelizadoras e da encíclica sobre inteligência artificial, fortalecendo a defesa da vida, da criação, dos direitos humanos e a ação profética da Igreja”, afirmou Dom Vicente.

Serviço:Evento: Encontro de Formação e Partilha para Bispos Referenciais
Data: 28 a 30 de setembro de 2026
Local: Sede da CNBB — Brasília (DF)

Leão XIV: as religiões são guardiãs da vida


No encontro inter-religioso no Centro de Congressos "Robert Schuman", em Metz, na França, o Papa enfatizou que "nada do que desfigura a dignidade humana pode reivindicar uma autêntica inspiração divina. O discurso religioso deve exortar constantemente ao desarmamento dos corações e das palavras". Disse que Schuman, "homem de fé e convicções, soube transformar as antigas linhas de divisão em pontes de esperança para toda a Europa, tornando-se um verdadeiro embaixador da unidade na diversidade".

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Leão XIV deixou Lourdes, na manhã desta segunda-feira (28/09), e dirigiu-se para Metz, última etapa de sua viagem apostólica internacional à França.

Robert Schuman, homem de fé e convicções
Metz é uma cidade situada no nordeste da França, capital da região de Grande Leste. Ali, o Pontífice participou do encontro inter-religioso no Centro de Congressos "Robert Schuman", um dos pais fundadores da União Europeia. Em seu discurso, o Papa disse a propósito de Robert Schuman:

“Este homem de fé e convicções soube transformar as antigas linhas de divisão em pontes de esperança para toda a Europa, tornando-se um verdadeiro embaixador da unidade na diversidade. Seguindo o seu exemplo, a nossa responsabilidade comum de mulheres e homens religiosos é a de testemunhar que, para além das fronteiras, é sempre possível encontrar-nos, estabelecer amizades e construir a paz.”

"Dialogar não diminui a nossa identidade, mas expressa-a com simplicidade e verdade, abrindo-nos à diferença do outro", disse ainda Leão XIV, recordando as palavras do Papa Francisco na Encíclica Fratelli tutti: «O diálogo entre pessoas de diferentes religiões não se faz apenas por diplomacia, amabilidade ou tolerância. […] o objetivo do diálogo é estabelecer amizade, paz e harmonia». Lembrou também que o Papa João Paulo II "considerava o diálogo como uma exigência intrínseca da própria natureza do homem", e que "o diálogo é, segundo Paul Ricœur", um dos grandes filósofos e pensadores franceses, "o caminho através do qual reconhecemos a alteridade como uma promessa e não como uma ameaça; situa-se no extremo oposto da agressividade e da violência e constitui uma arte do encontro".

Exortar ao desarmamento dos corações e das palavras
“Com efeito, invocar o nome de Deus para legitimar a violência ou a opressão configura uma profanação desse nome. Nada do que desfigura a dignidade humana pode reivindicar uma autêntica inspiração divina. O discurso religioso deve exortar constantemente ao desarmamento dos corações e das palavras. Isto implica a responsabilidade direta de cada um de nós, enquanto guardiães das nossas respectivas tradições.”

"Por outro lado", disse ainda o Papa, "se a fecundidade das tradições religiosas se manifesta, acima de tudo, no seu serviço à paz e à fraternidade, ela expressa-se igualmente na sua capacidade de proteger, acompanhar e servir a vida. A grandeza de uma civilização não se mede pelos seus sucessos materiais, mas pela forma como acolhe, protege e eleva a pessoa humana".

Respeito pela dignidade de toda a pessoa humana
“As religiões são guardiãs da vida; elas afirmam o seu valor sagrado. A sua fecundidade é demonstrada pela presença amorosa junto das pessoas mais frágeis e vulneráveis. Servir a vida é rodeá-la de cuidados, presença e ternura, sobretudo nas provações, até ao fim. Nós, que estamos abertos à transcendência, temos como missão oferecer pontos de referência sólidos, em particular aos jovens, para construir uma comunhão que respeite e valorize a dignidade de toda a pessoa humana.”

A seguir, Leão XIV citou um trecho de sua Encíclica Magnifica humanitas: «A Igreja considera todos os que procuram sinceramente a verdade, a bondade e a beleza como companheiros de caminho».

O Papa concluiu, pedindo "que a bondade infinita de Deus e a sua sabedoria nos acompanhem e ensinem a viver cada vez mais como seus filhos e como irmãos e irmãs entre nós. E que assim possamos ser, onde quer que vivamos, artesãos de paz e testemunhas de uma esperança que não cessa de crescer no nosso mundo".

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EVANGELHO DO DIA (Lc 9,46-50)

ANO "A" - DIA: 28.09.2026
26ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Veio o filho do homem, a fim de servir dar sua vida em resgate por muitos.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 46 houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior. 47 Jesus sabia o que estavam pensando. Pegou então uma criança, colocou-a junto de si 48 e disse-lhes: "Quem receber esta criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior". 49 João disse a Jesus: "Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque não anda conosco". 50 Jesus disse-lhe: "Não o proibais, pois quem não está contra vós, está a vosso favor".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O maior no Reino de Deus"

O maior se faz servo de todos
Naquele tempo, houve entre os discípulos uma discussão para saber qual deles seria o maior. Jesus sabia o que estavam pensando. Pegou então uma criança e colocou-a junto de si, e disse-lhes: “Quem receber essa criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior” (Lucas 9,46-50).

Irmãos e irmãs, neste Evangelho, estamos vindo de um contraste impressionante. Enquanto Jesus tinha acabado de anunciar Sua Paixão e entrega na cruz, os discípulos discutiam sobre qual deles seria o maior. Jesus estava falando de sofrimento, de entrega, e os discípulos estavam na discussão sobre quem seria o maior.

O maior no Reino de Deus e a tentação do orgulho
Essa cena mostra como o nosso coração, mesmo próximo das coisas divinas – pois eles estavam próximos de Jesus –, continua sendo tentado pela lógica humana. E a lógica humana, às vezes, é uma lógica de poder; às vezes, é uma lógica de superioridade. Os discípulos ainda pensavam segundo critérios mundanos, esperando, talvez, posições de prestígio.

A pureza da criança e a humildade
Porém, Jesus revela que, no Reino de Deus, a grandeza não consiste em dominar, mas em servir; não em elevar-se acima dos outros, mas em descer pela humildade. A verdadeira espiritualidade, a verdadeira autoridade espiritual, nasce da conformidade com Cristo humilde e obediente.

Talvez por isso Jesus tenha utilizado a imagem, a figura e a presença das crianças, que representam o que há de mais puro neste mundo: a capacidade de reerguer-se, de perdoar, de se levantar e começar de novo. Uma criança, se cai, ela chora, mas se levanta e, sorridente, continua a vida, continua o caminho. Que assim seja na nossa vida também.

Sobre você desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


São Venceslau


Venceslau, nascido em 907, era filho de Vratislau, regente do ducado da Boêmia (atual República Tcheca), sábio e homem de caráter, e foi educado pela avó, Santa Ludmila, no Catolicismo. O pai morreu em 920 guerreando contra os húngaros, e antes de falecer lhe deixou expressamente o trono, apesar de Venceslau ter apenas 13 anos.

A Boa Nova de Cristo tinha chegado há pouco tempo na Boêmia, com São Cirilo e São Metódio, e não possuía ainda raízes fortes; por isso a corte era dividida, e a rainha, Draomira, era pagã, além de cruel e ambiciosa, como seu filho mais novo, Boleslau. A mãe assumiu a regência e iniciou a perseguição aos cristãos, expulsando os missionários católicos e declarando que o Catolicismo não era mais a religião oficial do ducado, e tentou paganizar Venceslau, mas sem sucesso.

Os representantes provinciais do ducado, porém, conseguiram estabelecer a vontade de Vratislau, depondo a impopular Draomira, e Venceslau assumiu o governo em 921, com 14 anos. Seu primeiro ato, a conselho da santa avó, foi restabelecer oficialmente o Catolicismo, promovendo a volta de missionários, especialmente monges beneditinos, e construindo igrejas.

Com raiva, Draomira contratou assassinos que estrangularam Ludmila com seu próprio véu.
Em pouco tempo, Venceslau conquistou a simpatia, confiança e apoio do povo, pela liderança e bondade cristãs; manteve-se casto de corpo e alma, sendo virtuoso e caridoso como poucos príncipes jovens. Rezava durante muitas horas e dedicou cuidado aos pobres, doentes, presos, viúvas e órfãos, a quem pessoalmente ajudava, consolava e transmitia a Fé.

Contestado por um opositor, o duque Radislau, que aspirava ao governo, enfrentou o risco de uma guerra fratricida; para evitá-la, propôs decidir a questão num duelo pessoal com ele, aliás muito mais capacitado para o combate do que Venceslau. Radislau aceitou, e quando estava a ponto de acertar o legítimo regente com uma lança, dois anjos apareceram e o mandaram parar. Radislau caiu do cavalo e, ao levantar-se, pediu perdão, jurando fidelidade ao seu senhor, no que foi imediatamente atendido. Seguiu-se um período de paz.

Em 929, para evitar uma outra guerra, Venceslau aceitou a soberania das pretensões do império germânico sobre a Boêmia, mantendo porém a sua autoridade no território do ducado. Seus adversários na corte, incluindo sua mãe e seu irmão, irados com esta atitude sábia e diplomática, decidiram matá-lo. Em 28 de setembro de 935, Venceslau foi convidado para a festa de batismo do seu sobrinho, filho de Boleslau, e em determinado momento dirigiu-se sozinho à capela para rezar. Draomira sugeriu então ao filho mais novo que este seria o momento apropriado, e Boleslau matou o irmão com uma espada ou um punhal.
Poucos dias depois Draomira morreu tragicamente. Boleslau I, “o Cruel”, assumiu o governo.

São Venceslau é padroeiro da Boêmia, da Hungria e da Polônia, bem como dos exércitos tchecos, e herói nacional do seu povo.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

No mundo repaganizado de hoje, hipocritamente são criticados com azedume os crimes das gerações passadas, enquanto que, por motivos mesmo mundanamente muito menos significativos que o governo de um ducado, pais e mães matam os filhos, especialmente através do aborto, e filhos matam os pais e se matem entre si, com muito mais frequencia. Questões relativas ao uso de drogas são responsáveis por inúmeros assassínios entre familiares… e isto parece incomodar pouco a grande mídia e os responsáveis maiores pela sociedade, nos seus cargos governamentais. Mas os crimes hediondos de Draomira não são maiores do que o das mães abortistas, e Boleslau I assumiu o governo de um território impossível de manter perenemente às custas de perder o governo da própria alma imortal. A insensatez deste novo Caim almejava também a ambição pessoal, que levou o ducado a confrontos e mortes desnecessários, e não ao benefício da população e do país, como a sabedoria diplomática de Venceslau (que incluía o bom senso de compreender a impossibilidade de derrotar, à frente de um ducado, os exércitos de um grande império). Venceslau venceu antes de tudo o duelo pessoal na escolha entre o Bem e o mal, o mais importante, e trocou um ducado terreno e instável pelo Reino, Celeste e infinito; incerto é futuro dos assassinos de todos os tempos, e os responsáveis que os facilitam e/ou permitem agir, pois só podemos pedir, em sincera oração, pelas suas conversões antes da morte.

Oração:

Senhor, Deus da vida, concedei-nos por intercessão de São Venceslau a graça de guerrear contra o mal, pela oração e caridade, e contarmos com a Vossa proteção contra as lançadas das tentações que pretendem governar o território das nossas almas; dignai-Vos igualmente impedir, pela Vossa Misericórdia, a destruição muito possível das nações em conflito, e dos crimes abominavelmente covardes contra os nascituros. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

O sinal da cruz é encontrado na Bíblia?


Os cristãos fazem o sinal da cruz sobre o corpo há séculos, e a prática tem raízes na Igreja primitiva

Uma das práticas mais distintivas tanto dos católicos quanto dos cristãos ortodoxos orientais é a realização do Sinal da Cruz sobre o próprio corpo. Mas ela está na Bíblia?

Esse costume é normalmente realizado antes e depois da oração, embora algumas culturas tenham estendido sua prática para antes de fazer praticamente qualquer coisa. Esta é uma das razões pelas quais você pode ver um jogador de beisebol fazendo o Sinal da Cruz quando se prepara para rebater a bola.

No entanto, embora essa tradição tenha se tornado uma parte enraizada da cultura católica, muitos se perguntam sobre suas origens e se ela é encontrada na Bíblia.

Uma breve história do Sinal da Cruz
Depois que Jesus foi crucificado na cruz, Seus primeiros seguidores começaram a ver a cruz como uma fonte de vida e salvação. São Paulo escreveu frequentemente sobre a cruz de Cristo em suas cartas e sobre como ela se tornou um símbolo de glória: "Longe esteja de mim gloriar-me a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gálatas 6,14).

O que era um meio de tortura tornou-se um sinal de salvação eterna. Embora isso agora nos pareça tão normal que nem pensamos nisso, inicialmente teria sido um sinal de fé nos caminhos misteriosos de Deus. Para nos ajudar a imaginar, pensem talvez em usar algum outro sinal de tortura e morte como símbolo — uma cadeira elétrica, por exemplo, ou uma corda de forca.

No entanto, os primeiros cristãos perceberam que a cruz não era apenas o "trono" de Jesus, mas também havia sido prefigurada de maneira bela e poética no Antigo Testamento, particularmente pelo fato de que o Gênesis coloca uma árvore no Jardim do Éden. Foi por meio de uma árvore que a morte chegou à criação de Deus, e por meio de uma árvore (a cruz) que a vida nos resgatou.
Raízes bíblicas

A rigor, não há um manual de instruções na Bíblia que diga aos seguidores para fazerem o Sinal da Cruz sobre seus corpos. No entanto, São João observa no livro do Apocalipse como os cristãos serão marcados com um símbolo específico em suas testas: "Foi-lhes dito que não danificassem a erva da terra, nem qualquer verdura, nem árvore alguma, mas apenas os homens que não têm o selo de Deus em suas testas" (Apocalipse 9,4).

Isso pode ter sido uma referência a uma passagem anterior no livro de Ezequiel, onde Deus disse: "Percorre a cidade, passa pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal a testa dos homens que suspiram e gemem por causa de todas as abominações que nela se cometem" (Ezequiel 9,4).

Acreditava-se que essa marca era a letra grega tau, que é um T, e foi rapidamente adotada pelos cristãos como estando relacionada ao sinal da cruz.

Com esse contexto bíblico em mente, não deveria ser surpresa que os primeiros cristãos inicialmente fizessem o Sinal da Cruz em suas testas. Tertuliano escreveu no século II: "Nós, cristãos, gastamos nossas testas com o sinal da cruz".

Gradualmente, esse movimento de fazer o sinal da cruz foi sendo estendido, até que finalmente se tornou um movimento muito maior que abrange a cabeça, os ombros e o peito — como se estivéssemos nos revestindo com a cruz ou sendo abraçados por ela.

Embora a Bíblia não instrua especificamente os cristãos a fazerem o sinal da cruz, é um costume que se desenvolveu nos primeiros séculos da Igreja e possui fundamentos bíblicos que o tornam uma tradição potente que muitos cristãos incorporaram em suas vidas diárias.

Por que existem padres católicos casados?

Crédito: Gregory Dean | Shutterstock

A Igreja Católica Romana não permite o casamento para os padres, mas em alguns casos eles são casados e até exercem seu ministério entre os católicos.

Não é uma situação comum. Os sacerdotes católicos da Igreja do rito latino fazem uma promessa de celibato perpétuo antes de receber o sacramento da Ordem, portanto, não podem ser casados, como estipulado no Direito Canônico:

"Os clérigos são obrigados a observar uma continência perfeita e perpétua pelo Reino dos céus e, portanto, estão sujeitos a manter o celibato, que é um dom peculiar de Deus pelo qual os ministros sagrados podem se unir mais facilmente a Cristo com um coração inteiro e dedicar-se com maior liberdade ao serviço de Deus e dos homens."

Além disso, o Código esclarece como devem viver o celibato, tanto para não se colocar em perigo quanto para não causar escândalo:

"Os clérigos devem ter a devida prudência em relação àquelas pessoas cujo tratamento pode colocar em risco sua obrigação de guardar a continência ou ser causa de escândalo para os fiéis"

Então, se há tanto cuidado em conservar tudo sobre o celibato, por que existem alguns presbíteros que são casados? E, que, além disso, exercem seu ministério entre os católicos de alguma comunidade específica.

Para tirar toda a dúvida, é necessário explicar por que esses casos ocorreram.

Os episcopalianos convertidos
Seria muito raro ver essa situação no Brasil e em geral, na América Latina. Acontece, sobretudo nos Estados Unidos, com alguns sacerdotes episcopalianos - que são casados - e que se converteram ao catolicismo. As causas são diversas. Até aconteceu com comunidades inteiras. O notável é que muitos deles pediram para serem admitidos como padres católicos.

O padre Kenneth Doyle explicou isso em um artigo escrito para o The Catholic Missourian:

"Em 1980, uma disposição pastoral do Papa João Paulo II permitiu que clérigos anglicanos convertidos ao catolicismo fossem ordenados sacerdotes católicos romanos, mesmo casados. Esta disposição tem sido aplicada desde então nos Estados Unidos a cerca de 120 clérigos, principalmente ex-padres anglicanos (episcopais)".

A Provisão Pastoral
A Conferência Episcopal dos Estados Unidos tem um documento chamado Provisão Pastoral, cuja origem é atribuída a São João Henrique Newman por "sua previsão de uma completa unidade dos anglicanos com a Igreja" - lembremos que ele mesmo era anglicano -.

É claro que eles devem passar por todo um processo de avaliação, discernimento e aceitação porque também devem ser ordenados como padres católicos.

Também é conveniente ressaltar que, se o clérigo ficar viúvo, não poderá se casar novamente, vivendo em celibato pelo resto de sua vida.

Grupo de Assessores se encontra em momento de partilhas e apresentação de novidades para a Comunicação da CNBB


O Grupo de Assessores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) esteve reunido na sede da entidade, em Brasília (DF), na manhã desta quinta-feira, 24 de setembro. O encontro foi marcado pelas partilhas das atividades realizadas e pela apresentação de novidades no âmbito da Comunicação da CNBB. A reunião também contou com a participação on-line de assessores que não estão na Capital Federal.

O início do encontro foi marcado pela oração que será meditada no início do próximo mês por grupos e comunidades de todo o Brasil, durante a Semana Nacional da Vida. O assessor da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB, padre Rodolfo Chagas, conduziu a oração proposta no subsídio Hora da Vida.

Após a saudação do secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, os assessores partilharam sobre os eventos nacionais promovidos pelas Comissões Episcopais da CNBB, como o Fórum das Pastorais Sociais; o Encontro de Formação Ecumênica; o XVIII Seminário com os Bispos Referenciais para as CEBs e para o Laicato; a reunião ampliada da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada e o 5º Congresso Vocacional do Brasil; e o XXIII Encontro Nacional da Pastoral da Educação (Enape) e XIII Encontro Nacional do Ensino Religioso (Ener).


Comunicação
Seguindo com a dinâmica de abrir espaço para apresentações específicas dos assessores sobre iniciativas e processos dentro de sua área de atuação, o assessor de comunicação da CNBB, padre Arnaldo Rodrigues, falou sobre algumas novidades propostas pela Assessoria de Comunicação da Conferência.

A primeira novidade é a atualização do portal da CNBB, com renovação visual e uma ideia de maior integração das páginas institucionais. Na sequência, padre Arnaldo também apresentou a proposta de Protocolo de Comunicação construído pelo departamento com o objetivo de aprimorar o atendimento das solicitações de cobertura, divulgação e apoio da equipe de comunicação. “A ideia é implementar uma cultura e processos que dinamizem a comunicação, tanto interna, quanto externa, em vista da missão institucional da Conferência dos Bispos”, explica padre Arnaldo.

O assessor também partilhou sobre o encontro realizado na tarde de ontem entre a Presidência da CNBB e jornalistas dos principais veículos de comunicação do país.

Questões administrativas
A reunião também foi oportunidade para alinhamentos administrativos. Os assessores partilharam sobre a construção dos relatórios quadrienais, em vista da próxima Assembleia Geral da CNBB, e receberam informes sobre o planejamento orçamentário relacionado às atividades que ainda serão realizadas até o primeiro semestre de 2027.

Subsecretário adjunto geral, padre Leandro Megeto, fala sobre os relatórios quadrienais

Subsecretário adjunto de Pastoral, padre Tiago Camargo

Luiz Lopes Jr. | Fotos: Paulo Augusto Cruz


O Papa a caminho de Paris: vou à França para levar uma mensagem de paz ao mundo


No voo rumo à França, Leão XIV cumprimenta os cerca de 80 jornalistas que o acompanham durante os quatro dias da viagem transalpina. O Pontífice expressou gratidão pelo trabalho que será realizado, seguido de saudações e respostas a algumas perguntas sobre temas atuais, como a crise em Ceuta ou a inteligência artificial. Os presentes foram significativos, a começar por dois livros: um com as cartas dos católicos franceses ao jornal La Croix; o outro, com as fotografias do terremoto na Venezuela

Salvatore Cernuzio – Do voo Roma/Paris

“Bom dia a todos! Bonjour! Good morning!”. A saudação é a de sempre no início de cada voo papal, com a adição do francês, a língua que ele falará nesta maratona de quatro dias na França. Leão XIV, de pé e com o microfone na mão, uma hora após a decolagem do aeroporto de Roma/Fiumicino, passa a cumprimentar os cerca de 80 jornalistas de dez países (mais de 20 são franceses) que o acompanham em sua quinta viagem apostólica. Ele agradece antecipadamente pelo trabalho de cobertura que será realizado na TV, no rádio, na internet, na imprensa escrita e nas redes sociais e — como já aconteceu em voos anteriores —, durante a rodada de saudações, não se intimida diante de piadas ou perguntas relacionadas à atualidade premente.

Como a Inteligência Artificial, após o anúncio das Big Tech de uma “desaceleração” do progresso tecnológico. “Talvez estejam começando a ler sua encíclica?”. “Nossa Comissão vaticana está em contato com muitos dos líderes do mundo da IA e estamos dando continuidade ao diálogo que espero ter iniciado com a encíclica. Acho que muitos deles — acrescenta Leão — estão abertos a buscar maneiras de garantir que a IA não suplantem nem destruam a humanidade, mas que seja, ao contrário, uma ferramenta a favor dos seres humanos. Coisas positivas estão começando a acontecer”.

O Papa Leão, em sua saudação aos jornalistas (@Vatican Media)

Ceuta, crise humanitária
A recente decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de proibir a CNN e outros meios de comunicação de acessarem a Casa Branca transparece — ainda que indiretamente — na saudação do Papa ao correspondente da própria CNN, Christopher Lamb, a quem o Pontífice diz: “estou muito contente por vocês estarem todos aqui e acho que é necessário, que é muito importante haver uma boa cobertura da mídia em todos os lugares e para todos”. Já com os colegas espanhóis, Leão XIV relembra a crise migratória do verão passado em Ceuta, que ele afirma ter acompanhado “desde o primeiro dia”: “É uma crise que tem causas de diferentes tipos por trás. É preciso entender como responder para evitar esse tipo de emergência. Foi realmente uma crise humanitária”.

Uma menção do Papa à Espanha, sua quarta viagem apostólica em junho passado, também nas palavras iniciais de saudação: “Gostaria de fazer uma menção especial àqueles de vocês que viajaram comigo quando voltamos de Espanha para Roma. E quero pedir desculpas pessoalmente por um incidente, com o qual não tenho nada a ver, mas sei que deixou alguns de vocês chateados pelo fato de não termos podido viajar juntos de volta para Roma”.

Para anunciar a paz
O Papa Leão agradece, então, a todos pelo trabalho de “cobertura da viagem à França”, que aborda “vários temas importantes”. Ele adia a entrevista para a coletiva de imprensa no voo de volta de Metz: “Mal posso esperar para vê-los durante a viagem de volta, e teremos a oportunidade de conversar um pouco”. Mas, antes, uma observação importante: “Em primeiro lugar, viajo à França, assim como a qualquer outra parte do mundo, como seguidor de Jesus Cristo para anunciar a paz, a paz de Cristo em todo o mundo. É uma mensagem que, como todos sabemos, é importante neste momento”.

Além das breves conversas, dos pedidos e das bênçãos, surgiram também algumas perguntas mais pessoais. “O senhor é uma pessoa feliz?”, pergunta a especialista em assuntos do Vaticano do jornal “Il Messaggero”, Franca Giansoldati. “Sim, sou feliz, apesar das dificuldades, mas encontro consolo na fé…”, responde o Papa. “De qualquer forma, estou contente com a escolha que fiz há tantos anos. Mas por que você me vê triste?”. “Não, mas o peso da Igreja se faz sentir?”. “Às vezes um pouco mais… mas Deus é grande!”, responde Leão.

Presente ao Papa (@Vatican Media)

Os presentes para Leão XIV
Também foram muitos os presentes durante a viagem a bordo do Airbus da Ita Airways. Dois presentes se destacam em especial: dois livros. O primeiro é aquele que o tradicional jornal francês “La Croix2 elaborou com mensagens de 340 leitores de todo o país. “Cher Pape León” é o título do livro que reúne preocupações geopolíticas, pedidos de reformas na Igreja e confidências íntimas ao Papa, figura que, como transparece nas páginas do livro, muitos veem como uma autoridade moral ouvida e respeitada em um mundo que está “à beira do abismo”. São muitas as preocupações dos franceses com a crise climática, a guerra, a IA, mas também com questões geopolíticas. Há quem, como Martine, agradeça ao Papa “por sua firmeza” diante daqueles que “querem instrumentalizar o cristianismo para conduzir guerras que atendam aos seus interesses políticos e financeiros”. E há quem peça “mais força para os palestinos e todas as pessoas privadas de sua terra”. Outros compartilham os temores em relação ao próprio país diante das eleições presidenciais de 2027, com o risco de uma polarização política, ou em relação à recente aprovação da lei sobre o suicídio assistido. Há também mensagens de gratidão por um caminho de fé reencontrado.

Cartas para o Papa é, por sua vez, o título do outro livro entregue ao Papa. Ele também reúne cartas — 74, para ser mais exato — com depoimentos de pessoas afetadas pelos terremotos de 24 de junho na Venezuela, além de fotografias do fotojornalista Miguel Gutiérrez que documentam as consequências do sismo em La Guaira. Imagens comoventes, algumas em preto e branco, assim como são comoventes os relatos — em espanhol — daqueles que viram tudo desabar sobre si. Quem entrega o livro a Leão é a repórter fotográfica Lola Gómez, veterana dos voos papais e natural da Venezuela. Ela é uma das idealizadoras da iniciativa (“Pensada para o Papa e destinada apenas ao Papa”), juntamente com outros quatro correspondentes em Roma: Jovel Álvarez, José Arnaldo Mujica e Daniel Cáceres. “Pretende ser uma ponte para levar ao Santo Padre as experiências, o sofrimento e a esperança expressos por aqueles que participaram”.

A cruz presenteada ao Papa (@Vatican Media)

Uma cruz feita com madeira recuperada após os incêndios na Espanha
Da Espanha, e mais uma vez como testemunho de um desastre natural, o outro presente ao Pontífice, trazido de avião pela jornalista da Rádio Cope, Eva Fernández: uma cruz feita com madeira de carvalho recuperada dos incêndios do verão passado na Espanha, que queimaram hectares inteiros de áreas florestais. No interior da cruz, um óculo contendo os restos carbonizados recolhidos nas proximidades da capela de Nossa Senhora da Nova, em Getafe (Madri), uma das poucas igrejas poupadas pelas chamas. O Papa observou atentamente o presente e, em seguida, afirmou: “Diante das catástrofes naturais, devemos assumir a responsabilidade e cuidar da Casa Comum”. Acima de tudo, devemos “rezar”. Ele, assegurou, é a primeira coisa que faz diante desse tipo de tragédia.

Houve também momentos mais descontraídos, acompanhados de risadas, diante de outras perguntas dos repórteres. Como aquela sobre se ele está praticando francês: “Um pouco!”. Mas com o Duolingo (famoso aplicativo para aprender idiomas estrangeiros, ndr)? “Não, não, não uso mais esse. É uma notícia falsa!”. Ao colega americano que lembrou da partida de basquete de 1º de novembro em Roma entre as universidades norte-americanas de Villanova e Notre-Dame e perguntou se a Villanova, universidade do jovem Prevost, teria o apoio e a bênção papal, Leão XIV respondeu: “Disseram-me que 90% das pessoas que irão ao jogo são de Villanova e 10% de Notre Dame. Portanto, a voz do povo de Deus será muito forte do lado de Villanova”.

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