quarta-feira, 1 de julho de 2026


Frente às iniciativas que visam reduzir a maioridade penal no Brasil que tramitam no Congresso Nacional, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou, nesta terça-feira, 30 de junho, uma carta ao parlamentares brasileiros na qual reafirma a sua posição contraria à redução da maioridade penal.

No documento, a CNBB afirma que essa convicção nasce da defesa da dignidade humana, especialmente dos adolescentes, que se encontram em processo de desenvolvimento e devem ser responsabilizados por seus atos sem serem privados da possibilidade de recuperação e reintegração social.

A CNBB aponta, na carta, que o ordenamento jurídico brasileiro ja prevê mecanismos de responsabilização para os adolescentes mediante a aplicação de medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente e pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo.

“O desafio não está na ausência de instrumentos legais, mas na fragilidade de sua implementação e na insuficiência de investimentos em educação, proteção social e oportunidades para a juventude”, diz um trecho do documento. Para a CNBB, o simples endurecimento das penas não reduz a violência e nem as suas causas e tampouco oferece respostas duradouras para a segurança pública.

“O Brasil será mais seguro se investir na proteção, na educação e na promoção de sua juventude, e não ampliando o encarceramento precoce de adolescentes”, diz a carta.

Por Willian Bonfim

Último apelo do Papa aos lefebvrianos: não rasguem a túnica de Cristo


A carta enviada por Leão XIV ao superior da Fraternidade São Pio X traz a data de 29 de junho, festa dos Santos Pedro e Paulo, véspera da anunciada consagração episcopal sem mandato pontifício, que constituiria um novo ato cismático

Vatican News

Como havia anunciado nos últimos dias ao encontrar os jornalistas em Castel Gandolfo, o Papa Leão enviou um último apelo à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, pedindo que não prossiga com a consagração de quatro novos bispos sem mandato pontifício, prevista para a manhã de 1º de julho, em Écône, na Suíça.

“Com sentimentos paternos, desejo dirigir-me a Vossa Reverência e, por seu intermédio, aos bispos, sacerdotes, seminaristas e fiéis vinculados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, consciente da responsabilidade que o Senhor me confiou como Sucessor do Apóstolo Pedro. A Igreja reconhece o apreço pela vida litúrgica, o empenho na formação sacerdotal, o zelo apostólico e o desejo de fidelidade à Tradição que caracterizam muitas pessoas e comunidades vinculadas a essa Fraternidade. Tudo isto motivou a atenção e a benevolência que os meus Predecessores vos manifestaram constantemente.”

“Neste espírito, e repleto de afeto cristão, peço-vos e suplico-vos do fundo do coração: Reconsiderai! Exorto-vos a ter em conta, com muita atenção, o bem espiritual dos fiéis, porque a ação cismática que cometeríeis privá-los-ia da recepção lícita e, nalguns casos, até mesmo válida dos Sacramentos que eles amam e procuram para a sua santificação.”

“A Igreja – lê-se ainda na carta papal, redigida em francês e dirigida ao Superior-Geral da Fraternidade, padre Davide Pagliarani – está disponível a um caminho de diálogo e de entendimento, que o Espírito Santo pode tornar possível e fecundo. Rezo por vós, pois rasgar a Túnica inconsútil de Cristo é um pecado de extrema gravidade. Que o Senhor ilumine as vossas consciências e toque os vossos corações. Pela autoridade que recebi de Cristo, com o coração entristecido, mas ainda cheio de esperança, sinto o dever de vos pedir para desistirdes do vosso propósito, confiando estas intenções ao Coração Imaculado de Maria, Mãe do Bom Conselho.”

O Papa, portanto, pede mais uma vez aos lefebvrianos que renunciem a levar adiante o ato cismático das consagrações episcopais sem mandato pontifício. É significativo que o argumento mais forte apresentado na carta seja o bem das almas dos fiéis da Fraternidade São Pio X, uma vez que tal ato tornaria ilícitos e, em alguns casos (como na confissão sacramental e no matrimônio) também inválidos os sacramentos celebrados.

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EVANGELHO DO DIA (Mt 8,28-34)

ANO "A" - DIA: 01.07.2026
13ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Deus nos gerou pela palavra da verdade como as primícias de suas criaturas.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 28 quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. 29 Eles então gritaram: "O que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?" 30 Ora, a certa distância deles, estava pastando uma grande manada de porcos. 31 Os demônios suplicavam-lhe: "Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos". 32 Jesus disse: "Ide". Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas. 33 Os homens que guardavam os porcos fugiram e, indo até à cidade, contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. 34 Então a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Do mal à dignidade restaurada"

Libertos do mal pelo encontro com Jesus
Queremos acolher você com muita alegria para as nossas homilias diárias, mas quero também saudar aqueles que estão em outros países, como o Haiti, a Malásia, a Nigéria e Cuba. E você que está aqui nos acompanhando também no Brasil, seja bem-vindo. Nós vamos meditar, hoje, o Evangelho de São Mateus, onde nós vamos ouvir a seguinte frase:

“Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?” (Mateus 8,28-34)

Os próprios demônios reconhecem quem é Jesus, o Filho de Deus. Mas aqui é importante nós tratarmos de duas realidades: eram homens que estavam perdidos e tinham a sua dignidade ferida pelo mal, diante de uma sociedade que os excluía. Que fazia com que eles sofressem por causa dessa dominação do mal.

Do mal ao reconheço, Cristo cura o coração ferido
Mas Jesus vai ao encontro deles e nos mostra algo muito fundamental: Cristo nunca abandona quem está ferido. Se você, hoje, vive ferido, machucado, até mesmo pelo seu pecado, e você se sente culpado, Jesus veio para salvá-lo. Ele não te abandona jamais.

Por isso nós precisamos compreender que este Evangelho está nos trazendo algo importante. Jesus quer nos libertar do poder do mal e de tudo aquilo que nos oprime. E por isso Ele atravessou o mar e chegou a uma terra pagã, Ele se importa com todos, Ele não faz distinção de ninguém.

O chamado à verdadeira libertação
Outra palavra aqui importante e fundamental é reconhecermos quem é Jesus na nossa vida. Por isso, meu irmão, minha irmã, o triste contraste são os homens que recuperaram a vida, mas os povos estavam preocupados com os prejuízos dos porcos que se atiraram ao mar.

Em vez de se alegrar porque Deus veio visitar o seu povo, muitas vezes nós nos alegramos somente com aquilo que é material, e isso nos oprime, isso nos torna cativos. Mas Jesus veio para nos libertar de toda e qualquer prisão.

Que, nesta homilia, você possa fazer a experiência de reconhecer que Jesus é o Filho de Deus, para que você seja liberto de toda a opressão e dominação do mal.

Que o nosso Senhor nos abençoe e que o Espírito Santo nos conduza sempre mais para a graça de Deus.

Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


A reparação ao Imaculado Coração de Maria como via de consagração a Deus


A reparação ao Imaculado Coração de Maria como via de consagração a Deus

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado, e sua Mãe também!

Meus irmãos, é com o coração cheio de alegria e honra que partilho com vocês sobre uma doutrina tão preciosa da nossa Igreja: a reparação ao Coração Imaculado de Maria. Como membro da Canção Nova há 25 anos, e tendo vivido uma década inteira em Fátima, Portugal, brotou em mim uma paixão profunda por essa devoção, que se tornou o lema da minha vida: em tudo reparar o Imaculado Coração de Maria.

Áurea Maria – Foto: Reprodução TV Canção Nova / Edição: Adailton Batista ( IA)

Nós bebemos da fonte salesiana do nosso querido pai fundador, Padre Jonas Abib, que sempre nos ensinou: “Foi Ela quem tudo fez”. Todas as graças que Deus realiza em nosso meio acontecem pela intercessão poderosa de Nossa Senhora. Por isso, quero convidar você a mergulhar na mensagem de Fátima, compreendendo como a reparação ao Coração de Maria é, na verdade, uma via direta de consagração ao próprio Deus.

O papel de Maria na história da salvação
Antes de entendermos a reparação, precisamos olhar para a Palavra de Deus e para a tradição da nossa Igreja. São Luís Maria Grignion de Montfort nos ensina algo fortíssimo: “A salvação do mundo começou por Maria e é por ela que se deve consumar”. Na primeira vinda de Jesus, Maria esteve mais oculta. Mas para a segunda vinda de Cristo – para a qual nós preparamos o caminho -, Maria tem de ser conhecida e manifestada pelo Espírito Santo. Nós somos o exército de Nossa Senhora, e acreditamos no seu papel salvífico como a primeira cooperadora na obra redentora de Cristo.

A profecia de Simeão e o início da reparação

O Evangelho de São Lucas (2, 22-35), que narra a Apresentação de Jesus no Templo, marca um momento muito significativo para todos nós, batizados e consagrados. Quando Maria e José levam o Menino para ser apresentado ao Senhor, o termo usado evoca a ideia de “oferta” e “sacrifício”.

Lá, o velho Simeão abençoa a Sagrada Família e profetiza a Maria: “E a ti uma espada traspassará a tua alma para que se revelem os pensamentos íntimos de muitos corações”. O que Jesus sofreu no corpo e na alma durante a Sua Paixão, Nossa Senhora sofreu em sua alma! Ela cooperou de modo singular com esse sofrimento. Desde o seu “Sim” na Anunciação, que foi um profundo ato fundado na fé e na obediência, a vida inteira de Maria Imaculada foi e é uma contínua reparação a Deus.
DICA DE LIVRO

O que significa “Reparação”?
Anotem essa palavra teológica fortíssima que foi um pouco esquecida, mas que Nossa Senhora quer resgatar nos nossos dias: Reparação.

Nos escritos espirituais, a reparação indica a participação do cristão na obra redentora de Cristo. É a expiação do pecado e a restauração da obra de Deus. Precisamos reparar porque o pecado ofende a Deus e degrada a Sua criação. Sobretudo, reparar é ter uma atitude de compaixão pelos sofrimentos de Cristo, buscando consolá-Lo pelas ofensas que mais entristecem o Seu Sagrado Coração. E lembrem-se: tudo em Maria diz respeito a Nosso Senhor Jesus Cristo. Consagrar-se e reparar o Coração de Maria é consagrar-se e reparar o próprio Deus.

Penitências voluntárias e involuntárias
Quando o Anjo de Portugal apareceu aos Três Pastorinhos em Fátima, ele os introduziu na mística da reparação ensinando: “De tudo que puderdes, oferecei a Deus um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido”.

Como nós podemos fazer isso hoje? Através de duas vias:Penitências Voluntárias: São os sacrifícios que nós mesmos escolhemos oferecer a Deus.
Penitências Involuntárias: São aquelas contrariedades, humilhações e sofrimentos diários que o Senhor permite que cruzemos. O Anjo disse: “Sobretudo, aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar”. Suportar a dor com a intenção de consolar a Deus é um ato belíssimo de reparação.

A mensagem de Fátima, a paz e os primeiros sábados
O apelo à reparação está intrinsecamente ligado à paz no mundo. Nossa Senhora avisou que, se fizermos o que Ela pede, muitas almas se salvarão e teremos paz.

Para que isso aconteça, a Virgem Maria pediu algo muito concreto: a Devoção dos Cinco Primeiros Sábados. Em 1925, Ela apareceu à Irmã Lúcia com o coração cercado de espinhos, pedindo que fôssemos nós a tirar esses espinhos cravados pelas blasfêmias e ingratidões dos homens.

Os quatro atos reparadores dos primeiros sábados
Para consolar o Coração da nossa Mãe e alcançar as graças necessárias para a salvação, Ela nos pede que, durante cinco primeiros sábados consecutivos, façamos quatro atos com a intenção de desagravo:Confissão.
Receber a Sagrada Comunhão.
Rezar um Terço.
Fazer 15 minutos de companhia a Ela, meditando nos mistérios do Rosário.

Esta não é uma devoção para se fazer apenas uma vez. É uma espiritualidade perene, pois o exército de Nossa Senhora precisa viver dos sacramentos e estar sempre em estado de graça.

Consagração, reparação e santificação são a mesma realidade
Meus irmãos, para concluir, quero trazer as palavras do meu saudoso diretor espiritual em Fátima, o Padre Luís Kondor. Ele dizia que o homem não pode prestar ao Coração Imaculado de Maria outra reparação que não seja a “entrega total de si próprio a Deus em sacrifício de adoração”.

Consagração, reparação e santificação são a mesmíssima realidade! Elas acontecem quando oferecemos o nosso próprio “eu” ao Deus Amor.

Isso significa que consagração, reparação e santificação são a mesmíssima realidade! Elas acontecem quando oferecemos o nosso próprio “eu” ao Deus Amor. Quando nos unimos aos sofrimentos de Cristo através das nossas cruzes e penitências, nós também ajudamos a salvar almas com Ele.

Que a graça de Deus seja o conforto de vocês nesta caminhada. Deixem que a Virgem Maria guie cada um de vós até o coração de Deus. Se quiserem se aprofundar mais, acompanhem meu ministério no Instagram: @aureamaria.devocaoreparadora, onde partilho mais sobre essa espiritualidade.

Amém! Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e sua mãe, Maria Santíssima!

Transcrição e adaptação Adailton Batista

São Galo


Filho de pais nobres e ricos, Galo nasceu na França no ano 489. Na sua época era costume os pais combinarem os matrimônios dos filhos. Por isto, ele estava predestinado a se casar com uma jovem donzela de nobre estirpe. Mas Galo desde criança já havia dedicado sua alma à vida espiritual. Para não ter de obedecer à tradição social, ele fugiu de casa, refugiando-se num convento.

Ele era tão dedicado às cerimônias da Santa Missa que se especializou nos cânticos. Contam os escritos que, além do talento para a música, era também dotado de uma voz maravilhosa que encantava e atraía fiéis para ouvi-lo cantar no coro do convento.

Sua atuação religiosa fez dele uma pessoa querida. Foi designado para atuar na corte de Teodorico. Em 527, quando morreu o bispo Quinciano, Galo era tão querido e respeitado que o povo o elegeu para ocupar o posto.

Se não bastasse sua humildade, piedade e caridade, para atender às necessidades do seu rebanho, Galo protagonizou vários prodígios ainda em vida. Salvou sua cidade de um pavoroso incêndio que ameaçava transformar em cinzas todas as construções locais e livrou os habitantes de morrerem vítimas de uma peste que assolava a região.

Ele morreu em 01 de julho de 554, causando forte comoção na população, que logo começou a invocá-lo como santo nas horas de dor e necessidade.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR

Reflexão:

Destaca-se na pessoa de São Galo seu zelo pela liturgia da Igreja. Para ele, o zelo pelas celebrações, tornando-as agradáveis e profundas, era um meio de trazer mais pessoas para viver o mistério de Cristo. A Igreja sempre deu à liturgia um lugar de destaque. Celebrar com dignidade e criatividade é parte essencial da vida cristã. Como a sua comunidade tem celebrado o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo?

Oração:

Deus Pai de bondade, que criaste o ser humano para a felicidade e o dispuseste para cantar o seu louvor, alcançai-nos viver com amor o mistério do Cristo e que possamos, a exemplo de São Galo, revestir-nos de humildade para que o vosso nome seja engrandecido. Por Cristo nosso Senhor. Amém!

segunda-feira, 29 de junho de 2026

CNBB manifesta alegria por nomeação da teóloga Edoarda Scherer como coordenadora geral do CONIC

A advogada e teóloga Edoarda Sopelsa Scherer foi nomeada coordenadora geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC). Natural da diocese de Montenegro (RS), Edoarda iniciou sua caminhada pastoral e ecumênica ainda na juventude, em 2006, por meio do movimento católico Curso de Liderança Juvenil (CLJ).

A CNBB enviou carta ao CONIC saudando a sua nomeação como nova coordenadora da Conselho. “A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebe com alegria sua nomeação para Coordenadora Geral do CONIC” .

No documento, a CNBB agradece ainda a disponibilidade da nova coordenadora geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs e manifesta sua proximidade e colaboração na difícil e bela arte de construir pontes e desconstruir muros no campo do diálogo ecumênico no Brasil.

Trajetória ecumênica e de diálogo inter-religioso
A teóloga ampliou sua atuação junto à diocese de Montenegro e a organizações ecumênicas do Rio Grande do Sul, como o Centro Ecumênico de Capacitação e Assessoria (CECA). Ela também atua íntegra desde 2019, o Grupo de Reflexão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso (GREDIRE) da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Confira o documento na íntegra (aqui)

Fonte: 

Papa: como Pedro e Paulo, sejamos construtores de unidade

Na Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, Leão XIV presidiu à Santa Missa na Basílica de São Pedro, durante a qual impôs o pálio aos arcebispos metropolitanos nomeados nos últimos 12 meses. Entre eles, há quatro brasileiros.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

"Rezemos a São Pedro e São Paulo, para que nos apoiem no caminho da comunhão, seguindo as pegadas do Salvador." Este foi o auspício formulado pelo Papa Leão XIV, ao presidir à celebração eucarística na Solenidade dos santos padroeiros da cidade e da diocese Roma. Como recordou o Pontífice, "neles veneramos duas colunas da Igreja".

Esta cerimônia é repleta de particularidades. Uma delas é a tradicional presença de uma delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. A Santa Sé retribui este gesto fraterno enviando, por sua vez, um representante para a Festa de Santo André, em 30 de novembro, padroeiro da Igreja de Constantinopla. Com efeito, o Pontífice e o Metropolita de Calcedônia, Sua Eminência Emmanuel, enviado de Sua Santidade Bartolomeu, rezam diante dos restos de Pedro, guardados sob o altar principal da Basílica Vaticana.

O Papa se detém em oração também diante da imagem de bronze de São Pedro, que se encontra na nave principal, à direita do altar principal e do baldaquino de Bernini. Nesta ocasião, a imagem é revestida de um manto vermelho. Outro símbolo característico é o grande cesto colocado na entrada da Basílica Vaticana, em referência à expressão "pescador de homens".

Papa reza diante do túmulo de São Pedro (@Vatican Media)

Podemos ser apóstolos e construtores de unidade
Já em sua homilia, Leão XIV se deteve nas características mais marcantes dos dois santos. Pedro, guardião do Povo de Deus, aparece muitas vezes no Novo Testamento empenhado em conservar a comunhão entre os irmãos. Esta grandeza de espírito, observou o Papa, não significa que Pedro seja perfeito. Durante a Paixão, nega o Mestre, para depois chorar lágrimas sinceras de arrependimento. Porém, sabe reconhecer os seus erros e arrepender-se.

Esta solicitude fiel e paciente pela unidade está representada no símbolo das chaves, com o qual é identificado. Com efeito, uma chave não derruba portas, mas abre e fecha-as de acordo com a situação. Da mesma forma, comparou o Papa, "a comunhão na Igreja não se constrói endurecendo nas próprias posições, mas procurando, no coração de todos, os pontos de encontro na Verdade, à luz da qual cada um se torna, para o outro, instrumento de crescimento".

Assim, o exemplo de Pedro é também um convite a cada cristão se tornar construtor de unidade, colocando Deus no centro da sua existência. Este é também o ensinamento de Paulo, que o Santo Padre definiu como "incansável anunciador da Boa Nova". Os seus símbolos distintivos são o livro e a espada, estreitamente unidos entre si. O Apóstolo dos gentios deixou-se transformar pelo poder da Palavra de Deus, que o tirou à violência para o conduzir pelo caminho do amor.

"Caríssimos, hoje para nós é importante olhar para estes dois santos – Pedro e Paulo – a fim de compreender como, no que nos diz respeito, podemos ser apóstolos e construtores de unidade, servos generosos da verdade na caridade", exortou o Papa.

Papa com os arcebispos que receberam o pálio (@Vatican Media)

Tomar sobre os próprios ombros os irmãos
É com este espírito que se realiza o antigo e sugestivo rito da entrega dos pálios aos arcebispos metropolitas. Estas faixas de lã branca embelezadas com cruzes, explicou, expressam na verdade o compromisso de cada Pastor – mas também de cada cristão – "de tomar sobre os próprios ombros os irmãos e irmãs que lhe são confiados e de sacrificar por eles forças, tempo, canseiras e até mesmo a vida, para que o Evangelho chegue a todos e o mundo inteiro encontre nele harmonia e concórdia".

Após saudar os membros da Delegação ecumênica, o Pontífice concluiu: "Rezemos a São Pedro e São Paulo, para que nos apoiem no caminho da comunhão, seguindo as pegadas do Salvador. É a via que Ele traçou, pela qual intercedeu ao Pai na Última Ceia, a meta que nos ensinou a ansiar com esperança confiante".

A cerimônia prosseguiu com a bênção e imposição do pálio aos novos arcebispos metropolitanos. Eram 35 no total, dos quais quatro do Brasil. São eles: Dom Júlio Endi Akamine, arcebispo de Belém do Pará (PA), Dom José Roberto Fortes Palau, arcebispo de Sorocaba (SP), Dom Marco Aurélio Gubiotti, arcebispo de Juiz de Fora (MG), e Dom Mário Antônio da Silva, arcebispo de Aparecida (SP).

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EVANGELHO DO DIA (Mt 8,18-22)

ANO "A" - DIA: 29.6.2026
13ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 18 Vendo uma multidão ao seu redor, Jesus mandou passar para a outra margem do lago. 19 Então um mestre da Lei aproximou-se e disse: "Mestre, eu te seguirei aonde quer que tu vás". 20 Jesus lhe respondeu: "As raposas têm suas tocas e as aves dos céus têm seus ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça". 21 Um outro dos discípulos disse a Jesus: "Senhor, permite-me que primeiro eu vá sepultar meu pai". 22 Mas Jesus lhe respondeu: "Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Segui-lo exige disponibilidade de vida"

Segui-lo para caminhar rumo à santidade
Como está a nossa disposição de seguir Jesus mesmo nas contrariedades?
Naquele tempo, vendo uma multidão ao seu redor, Jesus mandou passar para outra margem, ao lago. Então o Mestre da Lei aproximou-se e disse: “Mestre, eu te seguirei aonde quer que tu vás”. Jesus lhe respondeu: “As raposas têm suas tocas, e as aves dos céus têm seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8,18-22).

Irmãos e irmãs, o Mestre da Lei diz, de maneira vazia, que seguirá Jesus aonde quer que ele vá. Jesus apresenta as exigências do seguimento.

Segui-lo com verdade e profundidade
O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. Em outras palavras, Jesus está perguntando se ele tem a disposição de passar sede. Fome e até mesmo sono para, de fato, segui-lo. Nossas palavras podem ser vazias. Falar em seguir Jesus pode ser fácil demais! E, às vezes, é fácil, nós falamos. Às vezes, falamos sobre seguir Jesus. Cantamos também sobre seguir Jesus. Cantamos “Eu seguirei, eu irei aonde fores Senhor”.

Seguir Jesus, com verdade e profundidade, tem suas exigências e pode ser bem menos romântico do que parece. Cristianismo não é romantismo, como pensa este Mestre da Lei aqui. É labuta, cruz, com sofrimentos próprios de toda e qualquer peregrinação.

A peregrinação na vida do cristão
Se você caminhar, passa por sofrimento. Um exemplo é quem é do Vale do Paraíba, que caminha para a Cidade de Aparecida; estes passam por labutas também. Peregrinação também é sofrimento. Não é só sofrimento. Nem sempre é fácil a caminhada, mas vale muito a pena.

O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça, mas vale muito a pena segui-Lo. Vale a pena cantar, vale a pena seguir, de fato, com a própria vida, com os próprios comportamentos e o próprio testemunho.

Sobre você, desça e permaneça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova