quinta-feira, 16 de abril de 2026

Assembleia Geral da CNBB deve votar novas Diretrizes após percurso sinodal marcado por escuta e comunhão


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, de 15 a 24 de abril, em Aparecida (SP), sua próxima Assembleia Geral tendo como tema central a votação e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto é fruto de um processo iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento em chave sinodal.

A expectativa é que o episcopado brasileiro consolide, nesta Assembleia, um documento que deverá orientar a ação pastoral da Igreja no país nos próximos anos, em sintonia com os desafios contemporâneos e com o caminho sinodal vivido pela Igreja no mundo.

Ao longo desse percurso, dois marcos se destacam como referências fundamentais: a carta dos bispos à Igreja no Brasil, que deu início ao processo, e a mensagem enviada pelo Papa Francisco ao episcopado brasileiro, que confirmou e encorajou o caminho adotado.
A carta à Igreja no Brasil: ponto de partida do caminho sinodal

Ainda em 2022, durante a 59ª Assembleia Geral, os bispos brasileiros divulgaram uma carta à Igreja no Brasil apresentando o itinerário de construção das novas Diretrizes. Mais do que um cronograma, o documento expressou uma escolha clara: trilhar um caminho sinodal, com ampla participação do Povo de Deus.

Painel da 59ª AG CNBB

Na carta, o episcopado reafirma o compromisso de construir “uma Igreja decididamente sinodal”, destacando a necessidade de avançar sem retrocessos, com mais escuta, diálogo e corresponsabilidade. O texto também aponta para a urgência de uma Igreja mais fraterna, missionária e comunitária, capaz de responder aos desafios do tempo presente.

Esse documento teve papel decisivo ao mobilizar dioceses, organismos e fiéis em todo o país, incentivando a participação ativa e o envio de contribuições. Ao mesmo tempo, situou a elaboração das Diretrizes em sintonia com o Sínodo sobre a Sinodalidade, ampliando o horizonte eclesial da reflexão.

Discernimento Pastoral
Em 2023, o processo avançou para o discernimento pastoral, com reflexões sobre os impactos da pandemia, as transformações culturais e digitais e desafios como a pobreza, a polarização e o enfraquecimento do senso de pertença eclesial. Nesse contexto, ganharam força as palavras-chave comunhão, participação e missão, que passaram a orientar a elaboração do texto.

A carta do Papa Francisco: encorajamento e confirmação

Em 2024, durante a 61ª Assembleia Geral, o Papa Francisco enviou uma carta ao episcopado brasileiro na qual manifestou alegria pelo processo de elaboração das Diretrizes, destacando seu caráter sinodal.

61ª Assembleia Geral da CNBB

A mensagem foi recebida como sinal de comunhão com a Igreja no Brasil e como confirmação do caminho percorrido. O Papa encorajou os bispos a manterem viva a caridade, a busca pela verdade e o compromisso com o Evangelho, recordando que toda ação pastoral deve ser guiada pelo amor e pela entrega.

Consolidação e aprofundamento em 2024
Ainda em 2024, os bispos trabalharam sobre um instrumento de trabalho que sistematizou as contribuições recebidas. A metodologia incluiu a “conversa no Espírito”, com grupos de discernimento voltados à escuta dos sinais dos tempos e à definição de caminhos pastorais.

A imagem da “tenda alargada” tornou-se inspiração central, expressando o desejo de uma Igreja mais acolhedora, aberta e missionária. O processo também buscou integrar as conclusões do Sínodo e dialogar com questões emergentes, como o impacto das novas tecnologias, a crise climática e o crescimento do individualismo.



Equipe de Elaboração e amadurecimento do texto

Ao longo do processo, o texto passou por sucessivas revisões e foi profundamente marcado pela atuação da Equipe de Elaboração das Diretrizes, que teve papel decisivo na escuta, sistematização e discernimento das contribuições vindas de dioceses, organismos e conselhos pastorais. Em 2026, o documento alcançou sua 23ª versão, consolidando um caminho construído de forma colegiada, marcado pela escuta, pela corresponsabilidade e pelo método sinodal como eixo estruturante. O texto também incorpora inspirações do Papa Leão XIV e do magistério recente.

A assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB e membro da Equipe de Elaboração das Diretrizes, Mariana Aparecida Venâncio, destaca a relevância do grupo nesse percurso:

“Dom Leomar Brustolin foi designado para presidir a equipe e buscou constituí-la com bispos que representassem todo o Brasil. Além disso, ela conta com a assessoria de peritos e assessores da CNBB”, afirma.

Segundo Mariana, a composição plural e representativa da equipe foi fundamental para garantir que o texto refletisse a diversidade e a riqueza da realidade eclesial brasileira, contribuindo de maneira decisiva para a qualidade e a unidade das  Diretrizes.

 
Dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da Equipe de Elaboração das DGAE

Também para dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS), o trabalho da equipe tem favorecido um maior aprofundamento e comunhão entre os bispos.

“Há uma grande participação, comunhão e senso de pertença. Acho que nas Diretrizes teremos grandes linhas para a evangelização”, destacou.
Versão final e votação em 2026

Em março de 2026, o Conselho Permanente da CNBB recebeu a versão final das Diretrizes, considerada uma das mais abrangentes já elaboradas pela Conferência em termos de escuta e participação.

Conselho Permanente reunido em março de 2026

O documento está estruturado em seis capítulos, abordando desde a imagem da comunidade como “tenda” até compromissos sinodais concretos. Para Mariana Venâncio, um dos aspectos mais significativos é a mudança na forma de organização do texto.

“Aquilo que, em diretrizes passadas, denominávamos prioridades ou eixos, agora são caminhos por meio dos quais a Igreja no Brasil busca atender ao chamado à sinodalidade”, explica.

Ela destaca ainda o vínculo direto com o Sínodo:
“Uma das referências fundamentais dessas DGAE é o Sínodo da Sinodalidade. Ela se constitui como um grande instrumento de recepção, apontando o modo como a Igreja no Brasil pode viver a sinodalidade em suas realidades, desafios e potencialidades”.

Sobre a vigência do documento, Mariana ressalta que a decisão caberá ao conjunto dos bispos reunidos em Assembleia:

“A equipe de elaboração levará uma proposta, mas esse é um discernimento que deverá ser feito por todo o episcopado durante os trabalhos da Assembleia”, afirma.

O objetivo geral do texto, ainda a ser aprovado, é “evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja sinodal sustentada pela Palavra e pelos sacramentos”, com forte ênfase na missão, na comunhão e na participação.

Um marco para a Igreja no Brasil
A Assembleia de abril representa o ponto culminante de um processo de quase quatro anos, marcado por escuta, diálogo e amadurecimento coletivo. Caso aprovadas, as novas Diretrizes deverão orientar a ação evangelizadora da Igreja no Brasil em um cenário de profundas transformações sociais, culturais e religiosas.

Mais do que um documento, as DGAE expressam um modo de ser Igreja: sinodal, missionária e atenta aos sinais dos tempos. Sustentadas pela carta inicial dos bispos e confirmadas pelo encorajamento do Papa Francisco, elas apontam os rumos da evangelização no país para os próximos anos.

Composição atual da Equipe de Elaboração das DGAE
Dom Leomar Antônio Brustolin | Arcebispo de Santa Maria (RS)
Dom José Altevir da Silva | Bispo de Tefé (AM)
Dom Pedro Carlos Cipollini | Bispo de Santo André (SP)
Dom Francisco de Sales Alencar Batista | Bispo de Mossoró (RN)
Dom Paulo Renato Campos | Bispo de Barra do Garças (MT)
Dom Jânison de Sá Santos | Bispo auxiliar de Fortaleza (CE)
Padre Abimar Oliveira de Moraes | PUC Rio
Padre Jean Poul Hansen | Secretário-executivo de Campanhas da CNBB
Mariana Aparecida Venâncio | Assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB

Por Larissa Carvalho


Leão XIV chega a Camarões para a 2ª etapa de sua viagem apostólica à África


O Papa chegou a Camarões na tarde desta quarta-feira, 15 de abril. Ainda hoje, o Pontífice se reunirá com autoridades, visitará um orfanato e encontrará bispos locais, durante a segunda etapa de sua viagem à África.

Vatican News

Teve início a segunda etapa da viagem apostólica de Leão XIV ao continente africano. O Pontífice chegou a Camarões nesta quarta-feira, 15 de abril, às 14h57 locais. Na chegada ao Aeroporto Internacional de Yaoundé-Nsimalen, o Papa foi recebido pelo primeiro-ministro Joseph Dion Ngute e pelo núncio apostólico José Avelino Bettencourt. Após a execução dos hinos nacionais e a apresentação das delegações, o Pontífice segue para o Palácio da Unidade, residência oficial do presidente Paul Biya, que o receberá juntamente com a esposa Chantal.

Em seguida, Leão XIV se reunirá com representantes das autoridades, da sociedade civil e do corpo diplomático, sempre no Palácio Presidencial. Lá, ele irá proferir um discurso, precedido por uma intervenção do presidente Biya. A próxima etapa deste terceiro dia da viagem apostólica será a visita ao Orfanato Ngul Zamba, instituição mantida exclusivamente por doações, que acolhe jovens de 18 meses a 20 anos. Após saudar a comunidade, seguirá para a sede da Conferência Episcopal do Camarões para um encontro privado com os bispos locais. O dia será encerrado na Nunciatura Apostólica no Camarões, onde o Papa jantará em ambiente privado.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 3,31-36)

ANO "A" - DIA: 16.04.2026
2ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Acreditaste, Tomé, porque me viste. Felizes os que creem sem ter visto.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

31 "Aquele que vem do alto está acima de todos. O que é da terra, pertence à terra e fala das coisas da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. 32 Dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. 33 Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. 34 De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque Deus lhe dá o espírito sem medida. 35 O Pai ama o Filho e entregou tudo em sua mão. 36 Aquele que acredita no Filho possui a vida eterna. Aquele, porém, que rejeita o Filho não verá a vida, pois a ira de Deus permanece sobre ele".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Santíssima Trindade, a perfeita comunhão"

O segredo divino da Santíssima Trindade
“Aquele que vem do alto está acima de todos. O que é da terra pertence à terra e fala as coisas da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. Dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque Deus lhe dá o seu Espírito sem medida.” (Jo 3, 31-36)

“Aquele que vem do céu dá testemunho daquilo que viu e ouviu”. Com esta afirmação de Jesus, nós vamos recorrer aos estudos sobre a Trindade Santa. Na Teologia Trinitária, nós temos dois conceitos que são chamados a trindade ad intra e ad extra. Em palavras mais simples, a trindade interna e a trindade externa.

A comunhão do amor perfeito
No primeiro conceito, na trindade interna, nós falamos da comunhão entre as três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, as quais participam de uma mesma natureza e são, entre si, consubstanciais. As três encerram-se em si mesmas, bastam a si mesmas e vivem uma perfeita comunhão de amor.

O que acontece é que Deus quis compartilhar conosco desse amor intratrinitário entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Por isso, no seu desígnio de amor, no seu plano de salvação, o Pai — de quem procedem Filho e Espírito Santo — quis revelar esse mistério de amor. Por isso Jesus pode afirmar que vem do céu, ou seja, Ele vem do seio da Santíssima Trindade na direção de todos nós, de toda a humanidade.

E, com autoridade, Ele pode falar de tudo o que viu e ouviu, porque Ele estava no seio da Santíssima Trindade. Jesus é a testemunha credível, qualificada para nos falar dos mistérios do Pai. Aquilo que estava no segredo da trindade ad intra (dentro, interno), agora, em Jesus – ad extra (para fora) – provém das alturas do céu para nos enriquecer com todas as graças celestes.

Acolher a Santíssima Trindade para crescer na vida espiritual
Daqui a alguns dias, nós vamos ter isso também na descida do Espírito Santo sobre Maria e os apóstolos em Pentecostes. Mais uma vez, a terceira pessoa da Santíssima Trindade vai nos dar a conhecer os mistérios de Deus.

Hoje, Cristo quer nos revelar tudo isso para que creiamos na Sua pessoa e sejamos salvos por meio d’Ela. Por isso, se nós queremos crescer na vida espiritual, nós precisamos receber as coisas espirituais. É só Aquele que vem do alto que pode nos conceder isso: Jesus, o Senhor. Por isso, entremos em profunda comunhão com Cristo e adentremos nos mistérios divinos.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho, e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Voz: um dom de Deus que demanda zelo e cuidado

No dia 16 de abril, celebramos o DIA MUNDIAL DA VOZ. Esta data é um convite para pararmos e ouvirmos o instrumento que carregamos conosco desde o primeiro choro ao nascer. Para nós, fonoaudiólogos, é também um marco de responsabilidade: a legislação brasileira, por meio da Resolução CFFa nº 320/2006, estabelece que o fonoaudiólogo é o profissional devidamente capacitado e responsável pelo tratamento, reabilitação e pelo aprimoramento da voz humana, reconhecendo a importância da nossa atuação tanto na voz profissional e artística quanto na saúde ocupacional e nos distúrbios vocais. Cuidar da voz não é apenas tratar uma doença, é lapidar a forma como nos apresentamos ao mundo.

Imagem de freepik

O sopro de vida e a voz que anuncia a Salvação
Quando olhamos para a criação, percebemos que Deus nos fez de forma admirável. Como bem proclama o salmista: “Sede bendito por me haverdes feito de modo tão maravilhoso.” (Salmo 138, 14). Ele nos deu a voz não apenas para a sobrevivência, mas como nossa principal identidade humana, e a fala como principal veículo da nossa comunicação, uma vez que somos imagem e semelhança de Deus.

A voz é o espelho da alma; por meio dela, expressamos alegria, dor, entusiasmo e amor. A voz comunica quem somos antes mesmo de concluirmos uma frase.

Para quem evangeliza, esse dom ganha uma dimensão sagrada. A voz é o veículo que faz a Palavra de Deus ecoar. Seja na voz do Padre que ministra os Sacramentos, do catequista que ensina a doutrina, dos cantores do ministério de música que nos ajudam a rezar com a força do seu canto, dos leitores nas Missas, dos formadores, dos pregadores, dos locutores de rádio, dos apresentadores de TV, daqueles que atuam nos portais de evangelização na internet e, até mesmo, em nossas comunidades paroquiais, todos são instrumentos de um anúncio maior.

É a nossa voz que devolvemos a Jesus Cristo para que Ele chegue aos corações necessitados. Por ser um canal de Deus, essa voz merece o nosso mais profundo zelo.

Leia mais:
Templos do Espírito Santo: como cuidar bem do seu instrumento vocal?

Muitas vezes, na pressa da missão, esquecemos que a graça de Deus age por meio daqueles que Ele mesmo constituiu no meio de nós. Como diz a Escritura: “Honra o médico por causa da necessidade, pois foi o Altíssimo quem o criou.” (Eclo 38, 1). Deus capacita os profissionais de saúde para serem guardiões da vida, e cuidar do corpo é uma forma de gratidão ao Criador. E por isso, agora, seguem algumas orientações para cuidar da sua Voz!
Pilares fundamentais para uma voz saudável

Para manter sua voz saudável, alguns pilares são fundamentais:
• Hidratação: Beba água regularmente (hidratação sistêmica). Além disso, a inalação com soro fisiológico (hidratação indireta) ajuda a manter as pregas vocais bem lubrificadas para a sua atividade.

• Alimentação e refluxo: Evite alimentos muito pesados ou ácidos antes de usar a voz. O refluxo gastroesofágico pode irritar a laringe e prejudicar a fala.

• Descanso: O sono é o momento em que o corpo e as pregas vocais se recuperam. Lembre-se de que a sua voz é parte do seu corpo. Respeite e promova o seu descanso.

• Saúde emocional: A nossa laringe é um órgão extremamente sensível às nossas emoções. O estresse, a ansiedade e o esgotamento podem gerar tensões musculares que travam a voz ou causam cansaço ao falar. Cultivar o equilíbrio emocional e cuidar da mente é, também, cuidar das pregas vocais, permitindo que a voz flua com liberdade e verdade.
Exercícios de preparação e recuperação

• Relaxamento: Antes de pregar ou cantar, faça movimentos giratórios lentos e suaves com os ombros, com a cabeça e com o pescoço, sempre associados a uma respiração lenta e profunda, na qual você puxa o ar lentamente pelo nariz e solta pela boca enquanto faz os movimentos suaves, entre 10 e 15 repetições, objetivando o relaxamento e o controle da respiração.

• Aquecimento: Depois dos exercícios de relaxamento, antes de pregar ou cantar, faça também exercícios suaves de vibração de língua ou lábios de 3 a 5 séries de 1 minuto, tomando pequenos goles de água entre uma série e outra. A duração do exercício vibratório deve ser entre 3 e 5 minutos para preparar a sua musculatura vocal para a atividade.

• Desaquecimento: Após o uso da voz, ao término da sua atividade, é necessário trazer a voz para o tom habitual; por isso, depois de pregar ou cantar, imite bocejos (de sono) suaves e sonorizados com vogais (a, e, i, o, u) para relaxar a musculatura. Preze por repor sua hidratação, alimentar-se com fibras e proteínas, fazer repouso vocal e, principalmente, dormir bem.
Quando acender o sinal de alerta?

Se notar rouquidão por mais de 15 dias, cansaço ao falar ou pigarro constante, procure um Otorrinolaringologista. Ele realizará a videolaringoscopia, que é o exame no qual se consegue visualizar as suas pregas vocais. É indicado que, independentemente de sintomas, toda pessoa que usa a voz na fala e no canto, uma vez que são profissionais da voz, possa fazer este exame e check-up vocal pelo menos uma vez todos os anos. Com o diagnóstico concedido pelo Otorrino, o Fonoaudiólogo entrará em cena para o condicionamento vocal ou para reabilitar lesões como os nódulos vocais (que popularmente chamamos de calos vocais) ou as fendas vocais, tão comuns em quem usa muito a voz.
Profissionais de Deus: cuidar da voz é evangelizar

Ao longo da minha trajetória profissional, assumi um compromisso que aprendi com a essência do Carisma Canção Nova e com o nosso saudoso Monsenhor Jonas Abib: a missão de ser um “Profissional de Deus”. Isso significa colocar a excelência da minha técnica fonoaudiológica e de todos os meus dons a serviço do Reino de Deus.

É imensamente gratificante ser usado como instrumento para cuidar de tantas vozes que passam por mim, independentemente de sua atuação na sociedade. No entanto, sinto um apelo especial ao saber que, ao cuidar de uma voz que evangeliza, estou também participando diretamente da evangelização. Quando ajudo um missionário a recuperar sua voz ou a cantar com mais facilidade, a Palavra de Deus continua a ser anunciada com força e clareza.

Cuidar da sua voz é um ato de amor a você, ao próximo e a Deus. Afinal, uma voz bem cuidada é uma voz que pode anunciar a Esperança por muito mais tempo e preparar um povo bem disposto para a vinda do Senhor, abraçando a nossa missão de gerar homens novos para o mundo novo!

Camilo Bastos da Silva

Santa Maria Bernadette Soubirous


Bernadette nasceu em 7 de janeiro de 1844, na cidade de Lourdes na França. Filha de Francisco Soubirous e de Luísa Castèrot, ela foi a primeira de nove filhos. Na infância, ela trabalhou como pastora e criada doméstica.

Desde pequena, Bernadette teve a saúde debilitada devido à extrema pobreza de sua habitação. Nos primeiros anos de vida foi acometida pela cólera. Por causa do frio no inverno, adquiriu asma, aos 10 anos. Tinha dificuldades de aprendizagem e não pôde frequentar a escola, mantendo-se analfabeta até os 14 anos.

No dia 11 de fevereiro de 1858, em Lourdes, Bernadette foi com a irmãzinha e uma amiga para pegar gravetos, quando ouviu um barulho nos arbustos, ergueu os olhos e viu uma luz, dentro da gruta de Massabielle, era uma “Senhora” vestida de branco, faixa azul na cintura, terço entre as mãos, que a chamou para rezar. Esta foi a primeira das 18 aparições que Bernadette presenciou.

Segundo relato escrito pela Bernadette “Somente na terceira vez, a Senhora me falou e perguntou-me se eu queria voltar ali durante quinze dias. Durante quinze dias lá voltei e a Senhora apareceu-me todos os dias, com exceção de uma segunda e uma sexta-feira. Repetiu-me, várias vezes, que dissesse aos sacerdotes para construir, ali, uma capela. Ela mandava que fosse à fonte para lavar-me e que rezasse pela conversão dos pecadores.”

Bernadette então se dirigiu ao padre Dominique para relatar os fatos, mas o padre não acreditou, então disse a Bernadette: “Peça a essa senhora que diga o seu nome” para que possamos construir a capela.

Bernadette relata “Muitas e muitas vezes perguntei quem era ela, mas apenas me sorria com bondade. Finalmente, com braços e olhos erguidos para o céu, disse-me que era a Imaculada Conceição”. Ao informar o nome ao padre, ele ficou espantado, pois sabia que a moça não estava inventando, ela não tinha nenhum conhecimento do significado de suas palavras, muito menos conhecimento do dogma "Imaculada Conceição", então recentemente promulgado pelo Papa.

Diversas curas foram acontecendo na gruta de "Massabielle" e o número de pessoas que visitavam o local aumentava a cada vez mais. Em 25 de fevereiro de 1858, na presença de uma multidão, sob orientação de Nossa Senhora, Bernadette cavou o solo com as mãos de onde brotou uma fonte de água cristalina.

Após terminar o ciclo das visões na gruta de Massabielle, Bernadette foi acolhida no Instituto das Irmãs da Caridade de Nevers, onde passou seis anos e depois admitida ao noviciado. Trabalhou como enfermeira no cuidado aos doentes.

Obrigada a ficar acamada por causa da asma, da tuberculose e de um tumor ósseo no joelho, morreu aos 35 anos, em 16 de abril de 1879.

Em 1925, foi beatificada pelo Papa Pio XI, que a proclamou santa em 8 de dezembro de 1933. Bernadette de Soubirous é protetora dos doentes, camponeses e pastores.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

“Depois dos acontecimentos na Gruta, graças à oração, Bernadette transformou a sua fragilidade em ajuda aos outros; graças ao amor, foi capaz de enriquecer o próximo e, sobretudo, de oferecer a sua vida pela salvação da humanidade. O fato de a ‘Bela Senhora’ ter-lhe pedido para rezar pelos pecadores, nos recorda que os enfermos e os sofredores não têm somente o desejo de sarar, mas também de viver cristãmente a sua vida, chegando até a doá-la como autênticos discípulos missionários de Cristo”. Papa Francisco, trecho da mensagem para o Dia Mundial do Enfermo de 2017.

Oração:

Santa Maria Bernadette, que estais tão perto de Deus, sede nossa protetora na terra e nossa intercessora no Céu. Alcançai-nos a graça da saúde, da paz e da concórdia. Que em nossa família nunca falte a união, o amor, o trabalho digno e o alimento necessário. Amém.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Papa deixa a Argélia para seguir a Camarões, segunda etapa da viagem à África



O avião com o Pontífice a bordo partiu do aeroporto de Argel às 10h16 (hora local). Um voo de cerca de 5 horas o levará a Yaoundé, capital de Camarões, onde será recebido com uma cerimônia de boas-vindas. Além dos encontros institucionais com o presidente da República e as autoridades, está prevista uma visita ao orfanato Ngul Zamba.

Vatican News

O avião da ITA Airways, com o Papa Leão XIV a bordo, decolou do Aeroporto Internacional Houari Boumédiène, em Argel, às 10h16 (hora local). O voo desta quarta-feira, 15 de abril, com destino a Camarões — segunda etapa das quatro nações visitadas pelo Pontífice na sua viagem apostólica à África —, terá duração de cerca de 5 horas.

A visita à creche Notre Dame d’Afrique
Antes da partida e após a despedida da Nunciatura Apostólica, o Pontífice visitou brevemente a creche Notre Dame d’Afrique, administrada pelas Irmãs Missionárias da Caridade. A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou a notícia em seu canal do Telegram, especificando que “as crianças apresentaram um breve espetáculo para o Papa, que depois se despediu delas e das irmãs antes de seguir para o aeroporto”.

Forte apelo à unidade
“Que tous soient un”, “May they all be one”, “In Illo uno unum”. Três idiomas, três apelos à unidade: nos dois primeiros casos, trata-se de uma passagem do Evangelho de João; no último, porém, do lema de Leão XIV, extraído de um sermão de Santo Agostinho, que expressa a ideia de que “embora nós, cristãos, sejamos muitos, no único Cristo somos um”. É esse o eixo temático em que se insere a presença do Pontífice no país, que se estende quase até o Equador. Ele ficará em Yaoundé, a capital, mas também visitará Douala, centro econômico de Camarões, e Bamenda, no noroeste: uma região assolada, desde 2013, por um conflito sangrento e quase esquecido, que causou milhares de mortos e quase 500 mil deslocados internos.

A programação do dia
Na chegada ao Aeroporto Internacional de Yaoundé-Nsimalen, o Papa será recebido pelo primeiro-ministro Joseph Dion Ngute e pelo núncio apostólico José Avelino Bettencourt. Após a execução dos hinos nacionais e a apresentação das delegações, o Pontífice seguirá para o Palácio da Unidade, residência oficial do presidente Paul Biya, que o receberá juntamente com a esposa Chantal. Após a visita de cortesia, com um encontro privado e a troca de presentes, Leão XIV se reunirá com representantes das autoridades, da sociedade civil e do corpo diplomático, sempre no Palácio Presidencial. Lá, ele irá proferir um discurso, precedido por uma intervenção do presidente Biya.

A próxima etapa deste terceiro dia da viagem apostólica será a visita ao Orfanato Ngul Zamba, instituição mantida exclusivamente por doações, que acolhe jovens de 18 meses a 20 anos. Lá, cantos e testemunhos darão as boas-vindas ao Pontífice, que, após saudar a comunidade, seguirá para a sede da Conferência Episcopal do Camarões para um encontro privado com os bispos locais. O dia será encerrado na Nunciatura Apostólica no 

Camarões, onde o Papa jantará em ambiente privado.
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EVANGELHO DO DIA (Jo 3,16-21)


ANO "A" - DIA: 15.04.2026
2ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Deus o mundo tanto amou, que lhe deu seu próprio Filho, para que todo o que nele crer, encontre vida eterna.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo segundo São João.
-Glória a vós, Senhor.

16 Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17 De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18 Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito. 19 Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. 20 Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. 21 Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A redenção do mundo à custa de sangue"

O alcance do amor para salvar o mundo
Naquele tempo, disse Jesus: “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo aquele que nele crê, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado porque não acreditou no nome do Filho unigênito” (Jo 3,16-21).

Bom, estatisticamente, no Novo Testamento, a raiz do termo grego que corresponde a amor, que é a palavra Ágape, aparece pelo menos 320 vezes. Ora como substantivo não abstrato, mas muito concreto. Ora como um verbo, indicando o movimento de Deus em direção a nós. Ora como um adjetivo, para nos lembrar a qualidade do amor que Deus tem por nós, que é um amor pessoal e incondicional.

A salvação do mundo na entrega perfeita
Claro que para chegar ao axioma, ou seja, à verdade suprema presente no Evangelho de hoje, houve toda uma construção e uma elaboração desde o Antigo Testamento. Para nós, hoje, é relativamente fácil ler assim: “Deus amou tanto o mundo ao ponto de dar a vida, dar o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crê, mas tenha a vida eterna”. Mas para chegar a esta conclusão, muitos embates foram travados, e o Filho de Deus teve que pagar com a própria vida esse preço.

Esse amor não é um amor abstrato, uma ideia vaga do cristianismo para falar que Deus gosta de nós. Esse conceito de amor, ele identifica o nosso Deus. São João conclui: “Deus é amor”, é a sua identidade. Cria por amor, conserva por amor, cuida por amor, governa por amor, conduz por amor e salva por amor.

Esse amor também não é algo estático, mas é um movimento descendente. Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou por primeiro. O movimento parte de Deus e não conhece nunca a inércia. Deus nunca está parado. O amor d’Ele é sempre movimento, mesmo quando nós nos aprisionamos nos nossos pecados, mesmo quando freamos essa força de amor.

O sinal do amor de Deus
Deus insiste em nos buscar e nos amar. Ele fez isso conosco na Páscoa, na Ressurreição do Seu Filho. Esse amor também tem algumas nuances peculiares. É possível adjetivar o amor de Deus por aquilo que Jesus mesmo nos revelou sobre Ele.

O amor de Deus é paciente, é magnânimo, tudo crê, tudo suporta, tudo espera, tudo perdoa… nunca acaba. É esse o que nós chamamos, no tempo de hoje, de um “combo” que nós recebemos na pessoa de Jesus. Deus nos amou tanto, tanto, tanto… Agora, é hora também de respondermos a esse amor.

Sobre todos vós desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Pe Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


A diferença entre gestos de amor e carência afetiva

Quem de nós nunca se viu perdido frente a um sentimento? Essa é uma das grandes lutas do ser humano: aprender a amar de verdade. Até que ponto meu sentimento é equilibrado nesse relacionamento? Estou amando ou estou só preenchendo minha carência?

Quando amo, minhas ações e atitudes surgem impulsionadas pelo desejo de doar-me, de construir o outro, mesmo que isso exija muito de mim. A felicidade do amar está em dar-se e perceber que, ao me dar, sou mais completo. No amor verdadeiro, não há posse nem ciúme, pois, o outro não é meu domínio, não há isolamento.
Créditos: AntonioGuillem by Getty Images

Saiba identificar a diferença entre gestos de amor e carência afetiva
O amor não exige resposta, não é determinado pelo que se recebe em troca. O amor é gratuito, não precisa ser pago, por isso posso amar, mesmo quando o outro não merece, e posso perdoar quando o outro não consegue responder com amor. O amor me faz fiel, confiável, solícito, paciente e bondoso; ele inclui o outro na minha verdade, na minha intimidade, sem exigir exclusividade ou permanência eterna. Só o amor verdadeiro nasce da liberdade.

A carência afetiva é uma tentativa de autopreenchimento. Por me sentir necessitado, sou impulsionado a buscar no outro o que me falta. Meus gestos bons, meu esforço para acertar, são uma forma de conquista e troca, para que receba em retorno carinho, simpatia, reconhecimento, elogios e intimidade. Quando consigo fazer com que alguém se torne próximo, quero garantir essa relação para que sempre tenha essa fonte de contato para mim.

A carência é ciumenta, tenta exclusividade por meio do isolamento; ela é uma forma de usar o outro, roubando a liberdade de todos os envolvidos. Num relacionamento carente, acontece o vício do outro, a dependência. Minha felicidade fica condicionada a outra pessoa.
Estabilidade afetiva

Sei que, parece muito infantil essa descrição da carência, mas quero lhe dizer que todas as pessoas precisam equilibrar, todos os dias, seus sentimentos. A tendência (concupiscência), por eu ser marcado pelo pecado, é agir de acordo com as carências que carrego. Ninguém está totalmente estável em seus afetos. Todas as pessoas têm cicatrizes de desamor, de abandono e decepção, todas são carentes. Isso me lembra que sou humano, que não sou completo, por isso preciso saciar constantemente minha carência na Fonte verdadeira de amor. Mesmo com a experiência verdadeira do Amor de Deus, essas cicatrizes ficam em mim.

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Reconhecer que minha necessidade é contínua faz-me ver que não estou livre de errar em meus afetos. Todos os dias, posso errar ou acertar, posso usar do outro ou me doar. O que vai determinar isso é o quanto estou saciado em Deus.
A importância do perdão

Relacionamentos bons podem se tornar desequilibrados ao longo do tempo. Após um momento de me deixar guiar por minhas carências, posso me redimir por meio do perdão, posso retomar o caminho de doação sem cobrança. A graça de Deus tem força e capacidade para superar e suprir todas as minhas carências, e assim, me tornar livre para amar de verdade. Mas, a graça é para o hoje. A graça de Deus não altera o ontem, não me dá carga extra para o amanhã. Ela é para o agora! É como um copo furado, que é totalmente preenchido, mas, como tem um ponto de esvaziamento, é necessário encher frequentemente.

A cada atitude minha, preciso perguntar: faço isso por que quero uma recompensa ou por que quero me doar? Se não recebesse algo bom em troca, ainda agiria assim?

Reconhecendo que sou necessitado, vejo-me dependente de ter a experiência verdadeira de amor com Aquele que é sua origem e fonte inesgotável. Só quem se sacia frequentemente em Deus pode amar de verdade. Ele me recompensa!