sexta-feira, 10 de abril de 2026

Inspirada no tema da Campanha da Fraternidade, série da TV Aparecida aborda a crise da moradia no Brasil


A falta de moradia digna e as desigualdades socioterritoriais no Brasil são o foco do novo episódio da série jornalística Desafios da Igreja, da TV Aparecida. Com o tema “Fraternidade e Moradia”, o especial, que vai ao ar na quinta-feira, 2 de abril, reforça a urgência do assunto em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2026, ao apresentar diferentes realidades enfrentadas pela população e a atuação da Igreja Católica na promoção da dignidade habitacional.

Camila Morais

A reportagem, conduzida pela jornalista Camila Morais, percorre diversas regiões do país para retratar de perto esse cenário. Assim, reúne depoimentos de moradores, religiosos e representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), evidenciando desafios e iniciativas ligadas ao acesso à moradia.

“Nós pegamos o texto-base da Campanha da Fraternidade, elaborado pela CNBB, e colocamos os rostos das pessoas nesse texto. Então, vamos mostrar como é viver sem moradia digna, as implicações de morar em áreas de risco e a ausência de saneamento básico, que são direitos fundamentais”, explica a jornalista.

Dom Joel Portella

Em Petrópolis, o destaque é a grave situação das moradias em áreas de encosta. A cidade, marcada por deslizamentos de terra, expõe um cenário de crescimento desordenado e ocupação em regiões de risco. O especial apresenta histórias de moradores que perderam tudo na tragédia de 2022 e mostra a atuação da Igreja por meio do projeto Presença Samaritana, que oferece apoio emergencial e assistência social às famílias atingidas. O bispo diocesano, dom Joel Portella Amado, ressalta a importância do acolhimento às vítimas.


Já em Brasília (DF), a reportagem se volta para a Sol Nascente, a maior favela da América Latina. A cerca de 30 km do centro do poder político do país, a região abriga cerca de 100 mil moradores em condições precárias de infraestrutura. As famílias convivem com a falta de saneamento básico, moradias improvisadas, violência frequente e ações de despejo.

Em meio a esse cenário, o especial destaca o trabalho de religiosas de diferentes congregações, que atuam junto à comunidade, sobretudo com as mulheres, promovendo iniciativas como inclusão digital, cozinha solidária e atividades para crianças.


Por fim, o especial apresenta o modelo de moradia por autogestão, no qual as próprias comunidades se organizam para construir ou reformar suas casas. A iniciativa surge como alternativa para reduzir o déficit habitacional e garantir moradia digna à população mais vulnerável. A produção também evidencia o apoio da Igreja nesse processo, por meio da Pastoral da Moradia e Favela e da Campanha da Fraternidade 2026, além de trazer relatos de famílias que conquistaram a casa própria nesse modelo coletivo e a análise de padre Jean Poul Hansen, secretário-executivo de campanhas da CNBB.

“Desafios da Igreja – Fraternidade e Moradia” reforça o compromisso da TV Aparecida com a reflexão sobre justiça social e dignidade humana, à luz da Campanha da Fraternidade, ao apresentar não apenas os desafios, mas também experiências concretas de solidariedade e transformação.
A edição tem reportagem e produção de Camila Morais, imagens de João Éder, Rodolfo Carvalho como assistente de mídias, edição de texto de Renato Dias e edição de vídeo de William Carvalho.

Saiba mais sobre o projeto em a12.com/desafiosdaigreja.

Por Portal A12 | Fotos: Reprodução TV Aparecida

Leão XIV na África, peregrino no grande continente entre "diferentes povos e mundos"



O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, apresentou aos jornalistas a longa viagem apostólica que o Papa fará de 13 a 23 de abril, no Continente Africano, passando pela Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial: um itinerário caracterizado pela riqueza e diversidade de histórias, culturas e tradições. O Pontífice falará em quatro línguas e abordará temas como paz, meio ambiente, migração, família, juventude e colonialismo. Não estão previstas medidas especiais de segurança.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Primeiro, a Argélia, depois três países que não veem um Papa há trinta anos: Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Leão XIV prepara-se para a sua viagem mais longa, à África, de 13 a 23 de abril: quatro países, onze dias e uma dezena de cidades, onde falará em inglês, francês, português e espanhol. Na sua terceira viagem apostólica, depois da Turquia, do Líbano e do Principado do Mônaco, o Pontífice estadunidense irá mergulhar num mundo multifacetado de línguas, culturas, histórias e tradições diversas, explorando as realidades complexas, feridas pela violência, pelo fundamentalismo e pela tragédia da migração, mas marcadas pelo entusiasmo das novas gerações, pelo papel de liderança das religiões na busca da paz e pelo desafio da coexistência entre diferentes confissões.

Os precedentes dos Pontífices
Na manhã desta quinta-feira, 9 de abril, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, descreveu a viagem papal e destacou todas as suas nuances e pontos principais durante a habitual coletiva de imprensa com os jornalistas da imprensa internacional que acompanharão Leão XIV em suas diversas etapas. Segundo o porta-voz do Vaticano, esses são lugares "que um Pontífice não visita há muitos anos" e, no caso da Argélia, "onde um Papa nunca esteve antes". João Paulo II visitou Camarões em 1985, como parte de uma longa peregrinação ao Continente Africano. Depois, Bento XVI em 2009, antes de viajar para Angola, onde Wojtyla já tinha ido em 1992. Wojtyla, por sua vez, fez uma parada na Guiné Equatorial em 1982, em sua segunda viagem apostólica à África (a primeira foi em 1980). O Papa Francisco, no entanto, nunca esteve em nenhum desses países, apesar de ter visitado dez países da África.

"É uma viagem pela riqueza deste grande continente, povoado por diversos povos e mundos", enfatizou Bruni, descrevendo gradualmente as várias etapas da viagem.

Na Argélia, seguindo os passos de Santo Agostinho
Primeira etapa: Argélia, uma terra impregnada pelo testemunho e legado de Santo Agostinho, o pai da ordem religiosa à qual Robert Francis Prevost pertence. O próprio Leão XIV já havia antecipado essa visita no voo de volta de Beirute, quando — em resposta a perguntas de jornalistas sobre futuras viagens — revelou seu destino: África, acrescentando seu desejo de "visitar os lugares de Santo Agostinho", mas também de continuar "o diálogo, a construção de pontes entre os mundos cristão e muçulmano", para o qual o Bispo de Hipona é uma figura respeitada. Prevost já tinha viajado diversas vezes a Argel e Annaba no passado como Superior Geral dos Agostinianos. Agora, ele retorna como Papa e peregrino a uma "terra de testemunho cristão antigo e moderno": não apenas Santo Agostinho, mas também os cristãos do Norte da África na época romana e a experiência de Charles de Foucauld no deserto do sul do país entre os tuaregues. Os sete monges trapistas de Nossa Senhora do Atlas, assassinados na década de 1990, e os outros 19 religiosos de diversas ordens foram beatificados pelo Papa Francisco em 2018. "Uma terra de grande sofrimento", disse Bruni, e também um lugar "profundamente amado", cuja localização geográfica, entre o deserto e o Mar Mediterrâneo — aquele que tantos africanos tentam atravessar — ​​dará uma oportunidade para abordar a questão da migração. Bruni também observou que as diversas observações do Pontífice haverá referência ao "risco de exploração de recursos por outros, sejam indivíduos ou organizações".

Em Camarões, "uma África em miniatura"
Da Argélia, o Papa continuará sua viagem — pontuada por deslocamentos de avião ou de helicóptero quase diários — até Camarões: "Uma África em miniatura devido à variedade e riqueza de seu território, seus recursos e suas tradições, inclusive linguísticas". João Paulo II falou de esperança ali, Bento XVI de reconciliação, justiça e paz. Leão XIV encontrará "um país que atravessa provações complexas devido à convivência de diversas realidades", como as crises no Norte e Sudoeste, no Extremo Norte, ou o "veneno" do fundamentalismo, particularmente entre os jovens. Mas em Camarões, o Papa Leão XIV também poderá observar os esforços das religiões na construção da paz, incentivar o papel dos governos, da sociedade civil e das mulheres, e também chamar a atenção do público para as questões do meio ambiente e do desenvolvimento humano integral, também tendo em vista o décimo aniversário da Laudato si'.

Angola, uma "força para a mudança"
Paz, recursos naturais, humanos, juventude e as feridas da corrupção, da exploração e do colonialismo serão os pilares da viagem a Angola, uma terra tão jovem quanto seu povo. Sua "esperança" e "alegria", disse Matteo Bruni, garantem que esta nação da África Austral possa hoje ser considerada "uma verdadeira fonte de inspiração espiritual e uma força para a mudança". Sim, existe "a tentação da tristeza e do desânimo", mas em Angola, a fé prevalece: "É o coração do cristianismo africano".

Os recursos humanos e naturais da Guiné Equatorial
A viagem apostólica conclui-se na Guiné Equatorial. Uma realidade diferente, situações e desafios diferentes. Uma área do continente rica em recursos minerais, jazidas e, ainda mais, em humanidade, culturas e línguas. Numerosas ilhas, pesca difundida e numerosos cristãos reforçam o compromisso da Igreja "em apoiar e construir uma cultura de paz". A cultura também é um tema proeminente na Guiné, com a presença de universidades, algumas das quais apoiadas pela Igreja local.

Comitiva e medidas de segurança
A comitiva papal incluirá o cardeal Luís Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização; George Koovakad, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso; e dois chefes eméritos de Dicastério, Peter Appiah Turkson e Robert Sarah, ambos africanos. O novo substituto, Paolo Rudelli, e algunas agostinianos também estarão presentes, mas apenas durante a etapa na Argélia. O Papa frequentemente se deslocará de carro conversível durante as diversas celebrações. Respondendo a perguntas de jornalistas, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé afirmou que não há preocupações com a segurança: "Não estão previstas medidas especiais. As medidas ordinárias são consideradas suficientes."

Uma homenagem ao Papa Francisco
O Pontífice realizará a tradicional coletiva de imprensa com jornalistas a bordo do voo papal, e não está descartada a possibilidade de que ele "apareça" durante os voos internos: "Talvez ele tenha algo a dizer em algumas ocasiões", como aconteceu, por exemplo, durante a viagem de Istambul a Beirute. Quanto à escolha dos diferentes países que compõem o itinerário, Bruni não apresentou razões específicas: a África, disse ele, é "um continente muitas vezes esquecido que precisa ser ouvido", cujos "problemas" e "desafios" precisam ser abordados. Dentre eles, a poligamia — um tema também central nas discussões do sínodo — ou a falta de democracia em algumas regiões. "O Papa também abordará essas questões?", perguntaram os repórteres. "Listei alguns tópicos; não está descartada a possibilidade de a poligamia ser discutida, mas o Papa certamente falará sobre família", explicou Matteo Bruni. Sobre o outro ponto, ele respondeu que "com a liberdade com que o Papa visita cada país, encontrando pessoas e mundos políticos diferentes, ele se dirigirá a todos".

Por fim, haverá uma homenagem ao Papa Francisco, cujo aniversário de morte ocorre em 21 de abril, durante sua viagem apostólica.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 21,1-14)

ANO "A" - DIA: 10.04.2026
OITAVA DE PÁSCOA-SEXTA FEIRA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: 2 Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. 3 Simão Pedro disse a eles: "Eu vou pescar". Eles disseram: "Também vamos contigo". Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. 4 Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5 Então Jesus disse: "Moços, tendes alguma coisa para comer?" Responderam: "Não". 6 Jesus disse-lhes: "Lançai a rede à direita da barca, e achareis". Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. 7 Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: "É o Senhor!" Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. 8 Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. 9 Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. 10 Jesus disse-lhes: "Trazei alguns dos peixes que apanhastes". 11 Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. 12 Jesus disse-lhes: "Vinde comer". Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13 Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. 14 Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A vida velha e o transbordar da misericórdia de Deus"

Jesus nos liberta da vida velha e nos confia a missão
Hoje, no Evangelho de João, 21, 1-14, nós vamos começar a compreender que a ressurreição de Cristo gera milagres, faz acontecer milagres quando nós cremos. Nós vamos ver hoje o episódio da pesca milagrosa e o encontro com o Ressuscitado. Vamos ler este evangelho com muita atenção para que traga para nós conversão.

“Depois disso, tornou Jesus a manifestar-se aos discípulos, junto ao lago de Tiberíades. Manifestou-se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois de seus discípulos. Simão Pedro lhes disse: ‘Eu vou pescar’. Eles responderam: ‘Nós também vamos contigo’. Partiram e entraram na barca. Naquela noite, porém, nada apanharam” (Jo 21,1-14).

Quando Pedro diz “vou pescar”, o que significa? O retorno à antiga vida, como os discípulos de Emaús. Simão disse “vou pescar”, e os outros responderam: “Também vamos contigo”. Ou seja, os outros também voltaram para a vida velha.

Seguir Jesus, meus irmãos e minhas irmãs, é uma atitude de decisão. Não pode se basear somente nos nossos sentimentos, porque, quando a tristeza vier, quando o sofrimento bater a nossa porta e quando a cruz se tornar pesada, precisaremos ter a decisão de continuar a seguir Jesus, mesmo quando não vemos nada.

O perigo de voltar à vida velha
Somente os olhos da fé podem nos fazer passar pelos momentos de confusão ou de crise, ou, muitas vezes, quando queremos voltar ao nosso passado, ao que era seguro. Mas o Evangelho diz algo muito importante: naquela noite, não pescaram nada. A noite, na simbologia bíblica, significa escuridão, ausência de Deus, escuridão espiritual, esforço humano sem a graça divina. Essa é a realidade da noite dentro do contexto bíblico.

O milagre de seguir em frente
Os discípulos trabalham, se esforçam, mas o resultado é vazio. Isso nos ensina algo profundo: sem Cristo nossos esforços se tornam estéreis. Mas quando Cristo aparece na nossa vida, tudo se torna novo, ou seja, ganha sentido. A escuridão passa, a noite escura passa e o sofrimento começa a ganhar sentido. E nós conseguimos vencer não pelos nossos esforços, mas pela graça de Deus.

Que a fé no Ressuscitado possa realizar este grande milagre: a nossa conversão e a nossa atitude de seguir em frente e não voltar à vida velha.

Que Deus nos abençoe em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


Como viver o nosso batismo? Sem ele, não somos capazes de amar

O Batismo como caminho de humanização integral

Somos convidados a fazer parte da família de Deus. É, portanto, de fundamental importância assumirmos o batismo, crescendo na fé professada, cultivando-a e comunicando-a aos homens.

No batismo, somos tocados pela graça de Deus. O termo graça santificante indica a presença do Espírito Santo vivificador em nossa vida. É preciso compreender essa realidade e permitir que Deus continue morando em nós.

Créditos: Arquivo CN.

Como viver nosso batismo? Como assumi-lo, se fomos batizados sem mesmo sermos consultados? Muitos questionam, hoje, o fato de a Igreja batizar crianças. Alguns especialistas, especialmente os behavioristas, o consideram um condicionamento prejudicial para a criança, que seria, dessa forma, desrespeitada e forçada, pelos pais, a assumir uma fé arcaica e cheia de tradições.

A nosso ver, os que pensam assim deveriam deixar também que o filho cresça para optar se for estudar ou não, comer ou não, tomar banho ou não etc. Trata-se de coisas fundamentais para o homem. O argumento não tem, portanto, nenhum valor. Afinal de contas, o ser humano necessita ser introduzido na sua cultura e de cuidados básicos para o seu desenvolvimento integral.

O Batismo e a capacidade de amar verdadeiramente
O homem não é somente um ser biológico, físico, racional. Ele tem emoções, sentimentos, espírito. Por isso é impossível que ele se torne pessoa sem que haja uma introdução e um crescimento também no campo espiritual. Existem, no mundo de hoje, muitas pessoas desajustadas, pessoas com muitos traumas, cheias de complexos, etc. A experiência nos leva a crer que essas pessoas não foram educadas de forma integradora. Não houve um crescimento espiritual adequado.

Na era da tecnologia, o homem é convidado a ser especialista em muitos campos. O computador trabalha por ele, pensa por ele, mas, infelizmente, não inventaram um computador que ame no lugar dele.

O homem, sem o batismo, não tem capacidade de amar verdadeiramente. No máximo, poderá gostar muito, mas amar mesmo será impossível, porque sem Deus, fonte e origem de todo o amor, é impossível amar. Só Deus é Amor (cf. 1Jo 4,8.16). O homem só poderá amar verdadeiramente se estiver ligado a esse amor.

O batismo propicia essa capacidade de amar. Assumido no dia a dia, o batismo permite ao homem desenvolver a capacidade de doação: o amor verdadeiro.

Um homem que só se preocupa com seu crescimento físico e intelectual, jamais se tornará uma pessoa. Uma sociedade que nega ao homem esse direito, nega-lhe a humanização e lança-o num humanismo estéril que já levou inúmeros jovens ao desespero, ao suicídio, à morte. É, portanto, uma sociedade assassina.

O batismo, antes de ser uma iniciação religiosa (o que é verdade também), é um novo nascimento, que permite ao homem tornar-se gente, íntegro, sem recalques.

De um ato a uma atitude: por que muitos cristãos não mudam?
Surge, então, um novo questionamento. Por que encontramos, entre os cristãos, pessoas tão complexadas, desestruturadas, amarguradas com a vida? Por que, entre os cristãos, nem sempre percebemos esse processo de humanização, já que ser cristão é tornar-se profundamente humano?

A resposta está no fato de que muitos não assumiram o batismo. Para muitos, o batismo não passa de uma lembrança, às vezes, emoldurada na parede de seu quarto. Para muitas pessoas, o batismo foi um ato, não se tornou uma atitude de vida, algo existencial. Daí, que nem mesmo os cristãos percebem a riqueza desse sinal sensível de Deus.

Sem o batismo verdadeiro, é impossível para o homem tocar o Senhor. No batismo, somos tocados pelo amor de Deus e convidados a experienciar esse amor durante toda a nossa vida.

Por serem batizados, alguns pensam que já estão salvos. Sem dúvida, o batismo é condição fundamental para a salvação, mas isso não significa que baste o rito em si para que sejamos salvos.

Jesus disse: “Se alguém não nascer do alto, não poderá ver o Reino de Deus” (Jo 3,3). Não basta nascer para ser gente, realizar-se como pessoa.

Leia também:

Batismo não é mágica, é crescimento
É preciso crescer em todos os aspectos. Pensar que o simples rito batismal “salva” é o mesmo que pensar que basta fazer vestibular de medicina para se tornar médico.

Batizado não é apenas aquele que foi imerso nas águas, e sim aquele que assume, no seu dia a dia, tudo aquilo que o Batismo lhe conferiu. Daí que é impossível falarmos de batismo sem falar nos demais sacramentos instituídos por Jesus Cristo.

O Batismo é o sacramento básico por meio do qual podemos tocar o Senhor. Ele nos purifica do pecado e nos torna filhos de Deus. Por ele somos acolhidos como filhos de Deus (Rm 8,15-16) no seu coração de Pai.

Trecho extraído do livro “Tocar o Senhor” de Pe. Léo, SCJ.


Santa Madalena de Canossa


Madalena Gabriela Canossa nasceu em 1774 na cidade de Verona, região de Veneto, nordeste da Itália, a terceira de seis irmãos. Sua família era nobre e o pai muito rico, mas morreu quando ela tinha cinco anos. Dois anos depois, sua mãe casou em segundas núpcias e entregou a educação dos filhos a uma severa governanta francesa.

Aos 15 anos, Madalena ficou doente, com uma febre misteriosa, uma forma grave de varíola e dores isquiáticas, um quadro que lhe desenvolveu asma crônica e dolorosa contração dos braços, agravados com o passar do tempo.

Com 17 anos, desejando entrar para o Carmelo, por duas vezes fez fracassadas experiências conventuais. De volta à casa, assumiu de forma excelente o controle e administração dos bens familiares, com excepcional tino comercial. Mas, mantendo sua vocação religiosa, não se casou, e incrementou no seu palácio o auxílio aos pobres, aos quais lá já atendia antes das tentativas de clausura.

As consequências da Revolução Francesa e das guerras napoleônicas, e os domínios estrangeiros, tornou difícil a condição italiana nos anos 1800, aumentando a pobreza e o número de doentes e desabrigados. Neste período duas adolescentes foram procurar guarida no palácio, e Madalena as acolheu. Outras vieram; e logo grande parte do palácio se transformou num abrigo de meninas abandonadas. Isto gerou desagrado nos familiares, mas Madalena percebeu o que Deus desejava dela.

Em 1808, chegando a um acordo com os irmãos, deixou o palácio para viver no bairro mais pobre de Verona, dedicando-se à evangelização, cuidado e educação dos desvalidos. Fundou assim a Congregação das Filhas da Caridade, para a formação de religiosas educadoras, cujas Regras de Vida foram escritas por Madalena em 1812. Rapidamente, novas casas surgiram na Itália e na Europa, com aprovações diocesanas. A aprovação papal das Regras ocorreu em 1828. No Instituto de Bérgamo, Madalena funda o primeiro Centro para professoras camponesas e a Ordem Terceira das Filhas da Caridade, aberto também às mulheres casadas ou viúvas, que se dedicavam, sobretudo, à formação das enfermeiras e professoras. Em 1831 inaugurou-se em Veneza a primeira Casa, ou Oratório, do ramo masculino da Congregação dos Filhos da Caridade, destinado à formação e evangelização de jovens e adultos carentes.

Madalena desejava para os seus congregados a disposição de ir a qualquer lugar, mesmo os mais remotos, no empenho de evangelizar e educar. Aconselhava-lhes o sereno abandono à vontade de Deus, mais do que rigor excessivo, e a fuga da tristeza e melancolia. Seus objetivos específicos eram cinco: caridade para integral promoção das pessoas, catequese para absolutamente todos mas especialmente para os mais carentes, assistência principalmente aos doentes, seminários residenciais para formação de professoras nas áreas rurais e auxílio pastoral aos párocos, e exercícios espirituais anuais para sensibilizar as mulheres (inicialmente da alta nobreza) em atividades caritativas.

Madalena teve uma profunda vida espiritual, na oração e na mística, que a sensibilizava sempre mais à dor e necessidades dos irmãos. Napoleão Bonaparte a chamava de “anjo da caridade”. Nos seus últimos anos, sofreu crises frequentes de asma e dores nos braços e pernas. Faleceu com 61 anos na sua cela em Verona, aos 10 de abril de 1835, uma Sexta-Feira da Paixão, rezando à Nossa Senhora.

A Família Canossiana Filhos e Filhas da Caridade atua hoje nos cinco continentes, subdividida em 24 organismos.
Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR

Reflexão:

Novamente a Providência nos oferece um santo dedicado ao ensino como tema para nossa reflexão e ação. Talvez porque os tempos atuais sejam extremamente carentes do bom ensino religioso, verdadeiramente católico, não apenas na esfera diretamente espiritual como também na cultura em geral. Chama a tenção que um dos focos principais das Congregações educativas fundadas por Santa Madalena de Canossa fosse a “catequese para absolutamente todos mas especialmente para os mais carentes”: absolutamente a todos… especialmente aos mais carentes. Um questionamento se faz necessário para os dias atuais, quem são os mais carentes de catequese? Pois salta à vista que os católicos, em grande número – incluindo, infelizmente, representantes do próprio clero – não têm boa (ou sequer minimamente correta) formação, e que entre os religiosos há alarmantes sinais, por todo o mundo, de atitudes heréticas e de apostasia. Grande é, portanto, a obra de evangelização a ser feita, e que dirijamos súplicas e penitências, certamente necessárias, para a santificação de todos os membros da Igreja. E começemos este serviço de amor ao próximo pela nossa própria conversão, nas orações e nas ações, particularmente aos que têm por encargo o ensino.

Oração:

Pai de santidade e misericórdia, que velais sempre pelo ensino das nossas almas, concedei-nos pela intercessão de Santa Madalena de Canossa bons pastores e o empenho santo na evangelização, na plena e serena confiança do Vosso contínuo auxílio, sem permitir, como ela orientava, que a tristeza e a melancolia diante dos desafios nos desanimem ou diminuam a alegria e entusiasmo das boas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

CNBB realiza sua 62ª Assembleia Geral, em Aparecida (SP), a partir do próximo dia 15 de abril



Na próxima semana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) inicia sua 62ª Assembleia Geral. De 15 a 24 de abril, os bispos de todo o Brasil estarão reunidos no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), para dias de convivência, oração e definições importantes para a missão da Igreja Católica no país.

Órgão supremo da CNBB, a Assembleia Geral é “a expressão e a realização maior do afeto do colegial, da comunhão e da corresponsabilidade dos Bispos da Igreja no Brasil”. O Estatuto da CNBB estabelece que este órgão tem a finalidade de realizar os “objetivos da CNBB, para o bem do povo de Deus”. Nesse encontro, são tratados assuntos pastorais relacionados à missão da Igreja e aos problemas das pessoas e da sociedade, sempre na perspectiva da evangelização.

Tema Central
O tema central desta assembleia é a aprovação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Após um processo de atualização adiado para receber as contribuições do Sínodo sobre a Sinodalidade, o texto com os acréscimos e contribuições recebidos também das dioceses, pastorais e organismos chega ao conjunto do episcopado para ser votado e aprovado.

As diretrizes formam o documento que direciona e orienta a missão da Igreja de evangelizar. Elas auxiliam as dioceses de todo o país na sua atuação pastoral a partir do discernimento da realidade e oferece propostas para iluminar a vida eclesial e a sociedade a partir dos valores do Evangelho.

Além do tema central, os bispos também vão tratar de três temas prioritários, 20 temais diversos, 4 mensagens e 10 comunicações. O encontro dos bispos também conta com um retiro espiritual, que acontece nos primeiros dias de assembleia.

Entre os temas prioritários está o relatório da Presidência da CNBB, e entre os temas diversos as análises de conjuntura social e eclesial; o processo de implantação do Sínodo sobre a Sinodalidade no Brasil; aprovações de textos litúrgicos; as Campanhas da CNBB; a Tutela de Menores e adultos vulneráveis; o Congresso Americano Missionário (CAM 7), marcado para 2029; o Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé; a atualização do Documento “Evangelização da Juventude” (Doc. 85 CNBB); e o 19º Congresso Eucarístico Nacional, marcado para 2027.


Programação
A programação diária dos bispos tem início às 8h, com a oração das Laudes, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida. A primeira das quatro sessões diárias começará às 8h30 e a segunda às 11h. Já às 10h30, bispos definidos pela Presidência concedem entrevista coletiva à imprensa, com transmissão pelas redes sociais da CNBB.
À tarde, as sessões retornam às 15h, com a oração da Hora Média. Às 18h, os bispos celebram a Eucaristia com a oração das Vésperas, no altar central da basílica de Aparecida.

Nos primeiros dias, os bispos vivenciarão um retiro espiritual, com início na tarde do dia 15 de abril e conclusão com a Eucaristia, na noite de quinta-feira. Antes da celebração, prevista para 18h, os bispos rezarão o terço durante procissão do Centro de Eventos até a Basílica do Santuário Nacional.

No sábado e no domingo, as missas serão pela manhã: no dia 18, às 7h, e no dia 19, às 8h.

Quem participa
São convocados para a Assembleia Geral da CNBB os membros da Conferência: cardeais, arcebispos, bispos diocesanos, auxiliares e coadjutores. Os bispos eméritos, administradores diocesanos e representantes de organismos e pastorais da Igreja são convidados.

A Igreja Católica no Brasil possui 281 circunscrições eclesiásticas. O número de bispos no país é de 497, dos quais 324 estão no exercício do governo pastoral de alguma diocese/arquidiocese e outros 173 são bispos eméritos. Destes, 373 estão inscritos na 62ª Assembleia Geral da CNBB.

Para acompanhar
Será possível acompanhar o encontro dos bispos pelos meios de comunicação da CNBB e pelas emissoras de rádio e de TV de inspiração católica. A sessão de abertura, as coletivas de imprensa e as missas serão transmitidas ao vivo, tanto no canal da CNBB no Youtube, quanto nas emissoras de TV.

A Assessoria de Comunicação da CNBB vai levar ao público vários conteúdos especiais na cobertura da Assembleia Geral, tanto para o Portal da CNBB, quanto para as redes sociais e para os veículos de comunicação católicos. Confira abaixo a programação:Live sobre a pauta do dia – 7h45
CNBB Confere – 9h
Coletiva de imprensa – 10h30
Podcast – 11h45
Boletim de Rádio para emissoras de inspiração católica- 17h
Boletim Igreja no Brasil – 19h



Luiz Lopes Jr | Foto: Thiago Leon

Papa aos atletas: em tempos de guerra, o esporte promove a lógica do encontro


Após os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, Leão XIV recebeu, nesta quinta-feira, no Vaticano, atletas, dirigentes e representantes do esporte. O Pontífice destacou que o verdadeiro sucesso não se mede pelas medalhas, mas pela qualidade das relações, e advertiu contra as tentações do doping, do lucro e da espetacularização.

Thulio Fonseca – Vatican News

Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 reuniram cerca de 2.900 atletas de 90 países, em 116 provas de 16 modalidades, entre 6 e 22 de fevereiro. Já os Jogos Paralímpicos contaram com mais de 660 atletas de 56 nações, de 6 a 15 de março, em uma edição marcada pelo 50º aniversário das Paralimpíadas de Inverno. Foi a terceira vez que a Itália sediou os Jogos Olímpicos de Inverno, depois de Cortina d'Ampezzo, em 1956, e Turim, em 2006.

Foi a alguns desses protagonistas que o Papa Leão XIV dirigiu sua saudação na manhã desta quinta-feira, 9 de abril, no Vaticano, ao receber os atletas dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Milão-Cortina 2026. O Santo Padre agradeceu pelo testemunho oferecido durante as competições e afirmou que o esporte, quando vivido de forma autêntica, “não permanece apenas uma prestação: é uma forma de linguagem, uma narração feita de gestos, de esforço, de espera, de quedas e de recomeços”.

                       Papa com os atletas de Milano-Cortina 2026 (@VATICAN MEDIA)

Ninguém vence sozinho
No início do discurso, Leão XIV recordou que, durante os Jogos, o mundo não viu apenas corpos em movimento, mas histórias de sacrifício, disciplina e perseverança. Referindo-se de modo particular às competições paralímpicas, o Papa ressaltou que “o limite pode tornar-se lugar de revelação: não algo que impede a pessoa, mas algo que pode ser transformado, até transfigurado, em qualidades reencontradas”. E acrescentou: “Vocês, atletas, tornaram-se biografias que inspiram muitíssimas pessoas”.

O Pontífice destacou ainda que toda vitória é fruto de um caminho compartilhado: “O entrosamento entre vocês nos recorda que ninguém vence sozinho”, afirmou, recordando o papel das famílias, das equipes e dos longos dias de treinamento, pressão e solidão que acompanham a preparação esportiva. Segundo Leão XIV, é precisamente nessas experiências que se forma o caráter. O esporte, disse o Papa, ensina “a conhecer o próprio corpo sem idolatrá-lo, a governar as emoções, a competir sem perder o sentido da fraternidade, a acolher a derrota sem desespero e a vitória sem arrogância”.
No texto, publicado nesta sexta-feira (6/02) por ocasião dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno, o Pontífice destaca o esporte como caminho de formação humana, fraternidade ...

Um espaço de paz diante das guerras
Para o Santo Padre, o esporte permanece autêntico quando conserva sua vocação de “escola de vida e de talento”. Nessa escola, explicou, aprende-se que “o verdadeiro sucesso se mede pela qualidade das relações: não pela quantidade dos prêmios, mas pela estima recíproca, pela alegria compartilhada no jogo”. Leão XIV relacionou essa visão com a expressão evangélica “vida em abundância”, escolhida como título da carta publicada pelo Papa por ocasião do início dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Num mundo “marcado por polarizações, rivalidades e conflitos que desembocam em guerras devastadoras”, o Papa afirmou que o compromisso dos atletas adquire um valor ainda maior. “O esporte pode e deve tornar-se verdadeiramente um espaço de encontro! Não uma exibição de força, mas um exercício de relação”, declarou o Pontífice, recordando também o valor da trégua olímpica. Segundo Leão XIV, os atletas tornaram visível “esta possibilidade de paz como uma profecia nada retórica: romper a lógica da violência para promover a do encontro”.

Contra o doping e a lógica do mercado
Na parte final do discurso, o Papa advertiu sobre as tentações que ameaçam o mundo esportivo. Entre elas, mencionou “a prestação a qualquer custo”, que pode levar ao doping; “o lucro”, que transforma o jogo em mercado; e “a espetacularização”, que reduz o atleta a uma imagem ou a um número.

“Contra estas derivações, o testemunho de vocês é essencial”, insistiu Leão XIV, convidando os atletas a continuarem mostrando que “é possível competir sem odiar-se. Que se pode vencer sem humilhar. Que se pode perder sem perder a si mesmos”. Ao concluir, o Santo Padre confiou aos presentes uma missão: “Continuar a fazer com que a pessoa permaneça no centro do esporte em todas as suas expressões”.

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EVANGELHO DO DIA (Lc 24,35-48)

ANO "A" - DIA: 09.04.2026
OITAVA DA PÁSCOA-QUINTA FEIRA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 35 os dois discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. 36 Ainda estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: "A paz esteja convosco!" 37 Eles ficaram assustados e cheios de medo, pensando que estavam vendo um fantasma. 38 Mas Jesus disse: "Por que estais preocupados, e porque tendes dúvidas no coração? 39 Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho". 40 E dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés. 41 Mas eles ainda não podiam acreditar, porque estavam muito alegres e surpresos. Então Jesus disse: "Tendes aqui alguma coisa para comer?" 42 Deram-lhe um pedaço de peixe assado. 43 Ele o tomou e comeu diante deles. 44 Depois disse-lhes: "São estas as coisas que vos falei quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos". 45 Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras, 46 e lhes disse: "Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia 47 e no seu nome, serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48 Vós sereis testemunhas de tudo isso".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A paz que liberta e transforma dor em alegria"

Jesus traz paz ao nosso coração
Hoje, nós vamos perceber, no Evangelho, algo que falta ao nosso coração muitas vezes: a paz que vem de Deus, e o Evangelho de Lucas vai nos falar sobre essa realidade.

“Eles, por sua parte, contaram o que lhes havia acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão” (Lucas 24,35-48).

O Evangelho nos apresenta uma das aparições de Jesus ressuscitado: os discípulos, reunidos, estão com medo e precisam compreender os acontecimentos da Paixão, da Morte e da Ressurreição de Jesus, pois a paz do Ressuscitado vence o medo.

A paz que substitui o medo
Quantos de nós vivemos perturbados, assustados, com traumas de muitas realidades que nos colocam para baixo, sem olhar para o Alto, de onde vem a nossa salvação, de onde vem o nosso socorro e a nossa ajuda! Isso revela o estado interior daqueles que caminhavam com Jesus.

Corações feridos, corações inseguros e incapazes de compreender plenamente o mistério da ressurreição. Mas olha que bonito: Jesus lhes traz uma palavra de ânimo: “A paz esteja convosco!” Não é qualquer paz, é a paz que vem do Ressuscitado, a paz que é fruto da vitória sobre o pecado e a morte.

A vitória na Cruz gera alegria
A cruz parece uma derrota para aqueles que não creem, mas, agora, ela se revela como caminho de salvação. Jesus quer que compreendamos que só Ele pode nos trazer a paz. Mesmo na dor, mesmo na incompreensão, mesmo quando tudo parece difícil, quem experimenta a paz de Jesus não se deixa abalar, não se deixa ser tocado pela tristeza; mas é revestido da alegria.

Quantas vezes nós vivemos como os discípulos: inquietos, inseguros e dominados por medos interiores! O Ressuscitado continua vindo ao nosso encontro para dizer: “A paz esteja convosco”. Essa paz nasce da certeza de que Cristo venceu definitivamente o mal e traz paz ao nosso coração. Não perturbeis o vosso coração. Tendes fé em Cristo Jesus.

E que Deus o abençoe em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!


Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova