sexta-feira, 3 de julho de 2026

Em cerimônia, diocese de Cachoeiro de Itapemirim lança ícone e nova etapa de preparação ao 16º Intereclesial de CEBs


A diocese de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, iniciou uma nova etapa de preparação para o 16º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base do Brasil. Ao término da Santa Missa em honra a São Pedro, realizada no domingo, 28 de junho, no Grêmio Santo Agostinho, no bairro Vila Rica, foi apresentado oficialmente o ícone que acompanhará a caminhada rumo ao encontro nacional.

A apresentação aconteceu diante da assembleia reunida para a principal celebração do padroeiro da diocese, na Solenidade de São Pedro, e marcou o início da peregrinação do símbolo pelas comunidades da diocese. O 16º Intereclesial das CEBs será realizado entre os dias 20 e 24 de julho de 2027, em Cachoeiro de Itapemirim.


A cerimônia foi conduzida pelo padre Wosley Guimarães Pansini e pela leiga Sirley Camiletti, coordenadores do encontro. Durante a apresentação, padre Wosley destacou que o momento representava a manifestação pública do compromisso assumido pela diocese e pelo regional Leste 3 para a acolhida dos participantes.

“Hoje, na solenidade de São Pedro, reunidos como igreja diocesana em torno do nosso bispo, damos mais um passo na caminhada rumo ao 16º Intereclesial das CEBs do Brasil. Não apresentamos apenas um símbolo; apresentamos um compromisso. O compromisso de toda a nossa Diocese e do Regional Leste 3 em acolher, com alegria e espírito missionário, milhares de irmãos e irmãs que virão celebrar conosco este grande encontro da Igreja”, afirmou padre Wosley.
Ícone síntese da espiritualidade da Igreja no ES

O ícone foi concebido como uma síntese da espiritualidade, da história e da identidade eclesial do Espírito Santo. Produzida em acrílico transparente, a peça tem o formato do mapa capixaba e simboliza a presença do Espírito Santo na vida e na missão da Igreja.

“Assim como a luz atravessa o acrílico, também a graça de Deus atravessa a história do nosso povo”, explicou padre Wosley durante a apresentação.

No centro da composição está o Convento da Penha, principal santuário mariano do Estado e referência espiritual para os capixabas. Ao redor, estão representadas as quatro Igrejas Particulares que compõem o Regional Leste 3 da CNBB: a Arquidiocese de Vitória e as dioceses de Cachoeiro de Itapemirim, Colatina e São Mateus.

A representação das dioceses expressa a unidade da Igreja no Espírito Santo e o compromisso comum com a preparação e a realização do Intereclesial.

Outro elemento presente no ícone é a mão que sustenta o mapa, como sinal do cuidado permanente de Deus com seu povo. A base em granito preto faz referência a uma das principais riquezas econômicas do Estado e recorda o compromisso cristão com a preservação da criação e o cuidado com a Casa Comum.

Juventudes, Evangelho e serviço ao Reino
O 16º Intereclesial das CEBs terá como tema “CEBs: caminhando com as juventudes na alegria do Evangelho a serviço do Reino” e será iluminado pelo lema bíblico “Levanta-te e resplandece, pois chegou a tua luz” (Is 60,1).

Segundo padre Wosley, o ícone reúne visualmente esse chamado à missão, à participação e à esperança. “Na tradição da Igreja, um ícone é uma janela para o mistério de Deus. Ele anuncia uma mensagem, evangeliza sem palavras e convida à contemplação”, explicou.

A próxima edição do Intereclesial terá como um de seus principais compromissos o fortalecimento do protagonismo das juventudes e do diálogo entre as gerações. A preparação busca envolver comunidades, lideranças, pastorais, grupos de reflexão e famílias na construção de uma Igreja sinodal, missionária e próxima da vida do povo. 

Por Willian Bonfim com informações e fotos da diocese de Cachoeiro do Itapemirim

Leão XIV recebe presidente da Colômbia Gustavo Petro


Durante os cordiais colóquios realizados na Secretaria de Estado, foi expressa satisfação pelas boas relações entre a Colômbia e a Santa Sé, caracterizadas por uma colaboração positiva e constante entre a Igreja e o Estado em favor da promoção da paz, a reconciliação e a unidade nacional.

Vatican News

O Papa Leão XIV recebeu em audiência na manhã desta quinta-feira (02/07) no Palácio Apostólico, o Sr. Gustavo Francisco Petro Urrego, presidente da República da Colômbia, que sucessivamente se reuniu com o secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, acompanhado pelo Rev. Daniel Pacho, subsecretario para o Setor multilateral da Seção para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais.

Durante os cordiais colóquios realizados na Secretaria de Estado, foi expressa satisfação pelas boas relações entre a Colômbia e a Santa Sé, caracterizadas por uma colaboração positiva e constante entre a Igreja e o Estado em favor da promoção da paz, a reconciliação e a unidade nacional.

A conversa prosseguiu com uma troca de opiniões sobre a situação sociopolítica da Colômbia e regional, com especial atenção às repercussões dos conflitos, do crime organizado internacional e das mudanças climáticas.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.

EVANGELHO DO DIA (Jo 20,24-29)

ANO "C" - DIA: 3.07.226
13ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERMELHO)
MARTÍRIO DE SÃO TOMÉ APÓSTOLO

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Acreditaste, Tomé, porque me viste. Felizes os que creem sem ter visto.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

24 Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25 Os outros discípulos contaram-lhe depois: "Vimos o Senhor!". Mas Tomé disse-lhes: "Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei." 26 Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco". 27 Depois disse a Tomé: "Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel". 28 Tomé respondeu: "Meu Senhor e meu Deus!" 29 Jesus lhe disse: "Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!"

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"São Tomé e o caminho da adoração"

São Tomé nos ensina a passar da dúvida para a fé
Hoje, a Igreja está em festa, porque nós comemoramos o apóstolo São Tomé. A Igreja celebra este apóstolo, mas, muitas vezes, ele é lembrado pela dúvida. São Tomé, no entanto, nos ensina o caminho de uma fé madura e verdadeira; e eu quero meditar somente um trecho pequeno deste Evangelho de João, e eu me deterei somente no versículo 28:

“Meu Senhor e meu Deus” (João 20,24-29)
Amados irmãos e irmãs, muitos pensam que ele era uma pessoa sem fé, que não acreditava naquilo que Jesus falava, e por isso pedia sinais, para provar que Jesus era Deus.

O perigo quando fora da oração e da comunidade
Tomé teve a coragem e a humildade de dizer: “Meu Senhor e meu Deus”. Essa é uma das mais belas profissões de fé de todo o Evangelho. São Tomé passa da dúvida para a adoração. Ele não apenas acredita que Jesus está vivo, ele reconhece a divindade de Cristo.

O Evangelho começa dizendo que Tomé não estava com a comunidade quando Jesus apareceu pela primeira vez. Isso já nos ensina algo importante: longe da comunidade, longe da igreja, a fé enfraquece. Esta é a grande lição que eu e você precisamos tirar deste Evangelho.

Quando nós nos distanciamos da vontade de Deus, nos enfraquecemos em nossa fé. E aí nós damos margens e brechas para o inimigo nos atingir, provocando desânimo, descrença. E, hoje, o Evangelho mostra para nós: quando nos afastamos da vida de oração, da Eucaristia e dos irmãos, começam a surgir dúvidas, medos e inseguranças.

São Tomé e a adoração sincera
São Tomé é um homem de Deus, e você precisa também assumir isso na sua vida: ter a coragem de dizer “Meu Senhor e meu Deus”, ou seja, passar da dúvida para a adoração. Padre Jonas diz que adorar é nos rendermos a Deus, é nos prostrarmos diante d’Ele, é nos submetermos à Sua vontade.

Tomé, naquele instante, submeteu-se à vontade de Deus. O que você precisa aprender com São Tomé é que, se eu submeto a minha vida e o meu coração a Deus, a minha fé se fortalece.

Que o Senhor nos ajude e que Tomé interceda por nós. Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


Os impactos da lógica da competição e do consumo na sociedade


Competição humana

São Paulo VI, Papa da Igreja entre 1963 e 1978, compôs uma oração ao Espírito Santo, terceira pessoa da Santíssima Trindade, mestre de santidade e sabedoria. Entre as súplicas expressas na oração, pediu ao Espírito Santo para conceder-lhe um coração alheio a qualquer desprezível competição humana. De fato, distanciar-se de toda desprezível competição é uma graça que qualifica a interioridade e capacita o ser humano para uma vivência com liberdade interior: conquista exigente e, por isso mesmo, rara.

A raridade se deve à lógica estabelecida por um mercado que dita normas capazes de configurar também a existência humana, alimentando disputas fratricidas. Em nome de conquistas financeiras, as pessoas engajam-se em disputas que atingem núcleos relevantes de convivência.
Crédito: Nastco / Getty Images.

Há uma saudável competição humana, vinculada à lógica esportiva, que inspira a superação de limites, em uma dinâmica que caracteriza a vida de atletas. Mas essa competição pode também se contaminar por muitas abordagens que vão revelando e desmascarando funcionamentos e articulações que simplesmente ambicionam cifras bilionárias, sobrepondo-se à fidelidade a uma nação, ao chamado “amor à camisa”, ao sentido de defesa da pátria.

Cresce um sentimento nostálgico, saudade de gerações que enquadravam a competição esportiva no sonho de se praticar bem uma “arte” e, assim, alcançar a vitória. Torna-se cada vez mais comum um jeito de competir que é desrespeitoso, com perversidade estampada em rostos cínicos e indiferentes. Alimenta-se um egoísmo que faz o ser humano interessar-se somente pelas próprias coisas, sem considerar o importante sentido de participação corresponsável na construção de uma sociedade justa e solidária. Esse sentido de participação corresponsável precisa incidir, inclusive, no âmbito político, para interromper o crescimento de exclusões e misérias que deveriam envergonhar a sociedade.

As mudanças necessárias, profundas, pedem o permanente cultivo da corresponsabilidade, na contramão da grave semeadura das disputas. No mundo contemporâneo, porém, todos os funcionamentos e metas traçadas, em qualquer âmbito, são contaminados pela lógica da competição que fere a nobreza do sentido social e espiritual. Uma nobreza importante para edificar sociedades justas e solidárias, convencendo corações a priorizar o bem comum.

O individualismo e a ilusão do poder
A competição alimenta a vaidade, impulsiona o perverso consumismo. Forma-se, assim, um ciclo, pois o consumismo acentua ainda mais a lógica da disputa. Esse contexto faz com que o ser humano considere tudo a partir do prisma de seu próprio interesse e bem-estar. Uma perspectiva narcisista. Muitos sentimentos nobres são desconsiderados, enfraquecendo o sentido de gratidão.

Crescem as inimizades, as maledicências, a ingratidão desencadeada por pequenas contrariedades, restando a ânsia por competir, sob a falsa compreensão de que não se tem nada a perder. Constata-se o distanciamento da hospitalidade, na casa e, sobretudo, no coração. As portas são fechadas, as leituras da realidade, dos acontecimentos e dos desdobramentos institucionais ficam emolduradas pelos ressentimentos e pela doentia necessidade de conquistar reconhecimentos por titulações, cargos e exercícios do poder.

Nesse cenário de extrema competição, busca-se, de qualquer modo, impor a própria palavra, incapacitando-se para escutar. Uma verdadeira guerra de narrativas se instala, comprometendo o diálogo e, por consequência, a qualidade de discernimentos e escolhas. As instituições sofrem com algozes que manipulam e justificam injustiças. Não há sadia competitividade, aquela que, entre outros frutos, poderia gerar serviços mais qualificados. Prevalecem as guerras, entre pessoas, nas famílias, em ambientes que deveriam testemunhar os princípios da espiritualidade da comunhão. Revela-se desmedidamente a vaidade pessoal, fecundada pelo desejo de poder, com distanciamento do apreço pelo silêncio e do respeito incondicional ao semelhante.

A ilusão do poder, com todas as artimanhas para conquistá-lo, alicerça a mediocridade. Por isso mesmo, muitos que ocupam lugares de destaque são pouco ouvidos. Apegam-se a uma falsa e doentia convicção relacionada à própria imagem, julgando-se os mais importantes entre todos.

Leia também:

A espiritualidade como caminho de fraternidade
A desprezível competição humana consolida inimizades, mágoas e ressentimentos que levam até mesmo pessoas próximas a se entrincheirar em fronts sanguinários, mortais. A hospitalidade dá lugar à violência de todo tipo. Vale apenas o que corresponde a interesses egoístas, mesquinhos. São urgentes caminhos e experiências espirituais que proporcionem reconciliações, leituras mais civilizadas e, efetivamente, condutas mais humanísticas, superando as fratricidas disputas.

O remédio espiritual é indispensável, independentemente da prática religiosa e confessional. A espiritualidade é capaz de resgatar o ser humano de suas perversidades e fragilidades, conduzindo-o a viver a nobreza da fraternidade e a superar preconceitos que alimentam posturas na contramão da solidariedade.

A espiritualidade tem ensinamentos preciosos, com indicações pertinentes para se vencer a desprezível competição humana, gestando a nobreza da cidadania que é essencial para edificar um outro mundo possível. Dentre as indicações esperançosas apresentadas pelo caminho espiritual, merece atenção aquela ditada pelo padre Matta el Meskin, no horizonte de sua mística contemplativa, quando aponta a exigência de entrar na oração, cada dia mais urgente, não para salvar a própria vida, isolada do mundo que se perde, e sim para bloquear o perigo que o ameaça e resgatá-lo. Ao invés de competição humana desprezível, a oração: os joelhos dobrados, ensina o sacerdote, podem modificar não somente as almas, mas também o futuro do mundo.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
O Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte

São Tomé


Tomé era judeu da Galiléia, e provavelmente pescador. Seu nome (Didymus, em Grego) significa “gêmeo”, portanto deve ter tido um irmão. Foi um dos 12 Apóstolos escolhidos por Jesus (cf. Mc 3,18; Mt 10,3), acompanhando o Cristo durante os três anos da Sua vida pública. É citado nos Evangelhos sinóticos (isto é, semelhantes, de Mateus, Marcos e Lucas) apenas nas listagens dos Apóstolos, mas São João Evangelista o menciona com mais destaque. Fica evidente daí que, como São Pedro, Tomé tinha um caráter forte e impulsivo, podendo agir com soberba e obstinação, mas também capaz de profundo arrependimento e generosidade.

Assim, quando e apesar da já declarada perseguição dos fariseus a Jesus, Tomé apoia a intenção do Mestre de ir a Betânia para o episódio da ressurreição de Lázaro, apesar do medo dos demais Apóstolos, dizendo a eles: “Vamos também nós, para morrermos com Ele” (Jo 11,16). Porém mais adiante demonstra, na Última Ceia, uma desproporcionada incredulidade: “Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho? Ao que Jesus respondeu: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim” (Jo 14,5-6).

Esta sua incredulidade é ainda maior na situação pela qual São Tomé é mais conhecido, isto é, a de não acreditar na aparição de Jesus aos demais Apóstolos depois da Ressurreição, dizendo: “Se eu não vir as marcas dos pregos em Suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no Seu lado, não acreditarei.”; mas oito dias depois Cristo lhes aparece novamente, e Tomé reconhece, e dá, um dos maiores testemunhos da divindade de Jesus que há na Bíblia:

“Uma semana mais tarde, os seus discípulos estavam outra vez ali, e Tomé com eles. Apesar de estarem trancadas as portas, Jesus entrou, pôs-Se no meio deles e disse: ‘A Paz esteja convosco’. Depois, disse a Tomé: ‘Coloque o seu dedo aqui e olhe as Minhas mãos; estenda tua mão, coloque-a no Meu lado e crê, e não sejas mais incrédulo!’. Respondeu Tomé: ‘Meu Senhor e meu Deus!’. Então Jesus lhe disse: ‘Porque me viste, acreditaste. Bem-aventurados os que não viram e acreditam” (cf. Jo 20,24-29).

Tomé estava com os outros Apóstolos em Pentecostes (At 2,1-4), recebendo com eles o Espírito Santo. Após a Ressurreição de Jesus, a tradição propõe que São Tomé evangelizou a Síria, Edessa na atual Turquia, a Babilônia, a Mesopotâmia e, especialmente, a Índia. A cidade de Malabar neste país alega sua evangelização na região e o seu martírio pelos hindus, através de golpes de lanças. Os navegadores portugueses, que lá encontraram relíquias de São Tomé, e também São Francisco Xavier, no século XVI, constataram que uma fervorosa comunidade católica, persistente até hoje, ali existe a partir destes relatos.

Não parece mera coincidência que, em 2004, as ondas do tsunami que arrasou esta região não tocaram, ao contrário contornaram, a Igreja de São Tomé onde estão ao menos parte das suas relíquias: a tradição local afirma que o santo ficou um poste – que ainda existe – em frente ao local onde hoje está a igreja, afirmando que as águas do mar jamais passariam dali.
São Tomé é venerado por católicos, ortodoxos e coptas.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Aparentemente, a maior parte dos cristãos é gêmea de Asão Tomé. Somos iguais a ele em arroubos entusiasmados por Jesus e em Dele duvidar. Em não identificar o Caminho, mesmo O comungando na ceia eucarística. Felizmente, nada impede que como ele, humildemente, O vejamos como de fato é, Deus e Senhor que Se apresenta para nós de modo evidente, palpável, na realidade das chagas com que nos deparamos na vida para tocá-las com caridade, e na Vida que ainda mais caridosamente toca nossas chagas de corpo e alma, nos Mandamentos e Sacramentos. Já disse São Gregório Magno que Tomé, colocando as mãos nas chagas de Jesus, curou a ferida da nossa incredulidade. De fato, grande prova da Ressurreição é o testemunho de um cético. A nossa Fé deve, sim, ser embasada na Razão, por isso é prudente conhecer os fundamentos daquilo que cremos, mas é absolutamente necessário que nos disponhamos a seguir além, dar o passo no Caminho mesmo sem ver o que estará depois da curva, ou não sairemos do lugar, apenas questionado a Verdade enquanto a Vida passa. E então não haverá cura para a ferida de não estarmos seguros ao Seu lado.

Oração:

Meu Senhor e meu Deus, concedei-nos por intercessão de São Tomé acreditarmos no testemunho daqueles que Vos enxergam claramente, os santos, de modo a nos fincarmos na Verdade e assim não nos deixarmos carregar pelas ondas da desconfiança e incredulidade que afogam a Fé e as boas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

São Bernadino Realino

Bernardino nasceu na ilha de Capri, Itália, em 1530, de rica e nobre família. Recebeu formação católica e na juventude destacou-se pela inteligência. Com 12 anos, terminou os estudos clássicos na famosa Academia de Modena; em 1548, com 18, formou-se em Filosofia, Medicina, Direito Civil e Direito Eclesiástico na também famosa Universidade de Bolonha. Doutorou-se em Direito Civil e Eclesiástico em 1556.

Aos 25 anos, por indicação do cardeal e governador de Milão, amigo de sua família, iniciou uma muito bem sucedida carreira administrativa, política e social: sucessivamente, foi prefeito de Felizzano de Monferrato, advogado fiscal de Alexandria, prefeito de Cassine, prefeito de Castel Leone, e, em Nápoles, auditor e lugar-tenente a serviço do marquês Francesco Ferdinando d’Avalos, vice-rei da Sicília. Ao longo destes dez anos, sempre ajudou os pobres.

Mas em 1564, já com enorme sucesso, ficou gravemente doente. Acamado, dedicou-se mais à oração, e teve uma visão de Nossa Senhora com o Menino Jesus ao colo, o que o impactou enormemente. Procurou a orientação e direção espiritual de um frade jesuíta, discernindo a vontade de Deus para a sua vida e, com 35 anos, foi ordenado sacerdote da Companhia de Jesus

Intensificou então o seu trabalho junto aos pobres, além de se tornar um grande pastor e evangelizador. Recebendo os dons da cura e do bom conselho, passou a ser procurado por religiosos, por nobres e pelo povo em geral: o Papa Paulo V, o Imperador Rodolfo II do Sacro Império Romano-Germânico, o rei Henrique IV de França, os Duques da Baviera, Mântua, Parma e Módena. São Roberto Belarmino ajoelhou-se diante dele.

Em 1574 Bernardino foi enviado para Lecce a fim de fundar um colégio jesuíta, e lá permaneceu por 42 anos, marcando de forma tão profunda e benéfica a cidade que, muito adoentado e prestes a morrer, recebeu o pedido direto do conselho municipal para ser o seu padroeiro e interceder a Deus por ela, quando estivesse na Glória do Pai, um fato inédito na Igreja Católica e o reconhecimento da sua santidade, já em vida… pedido que ele aceitou de viva voz.

Bernardino faleceu aos 86 anos, em 2 de julho de 1616. É padroeiro de Lecce (mesmo antes de ter sido canonizado!) e depois também de Capri.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

São Bernardino, antes do sacerdócio, legitimamente trabalhava com êxito na vida leiga, nada fazendo de especialmente condenável. Seria este também um caminho santificação, digno aos olhos de Deus. Mas há dois detalhes que o alavancaram para um patamar espiritual superior. Recebeu formação católica… boa formação, certamente, dado que era honesto no trabalho e aproveitava corretamente o dom de inteligência que recebera; e sempre ajudava os pobres… portanto, não esquecido dos necessitados pelo próprio sucesso, praticava constantemente a caridade. Com tais disposições, Deus lhe propôs ainda mais: “Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado” (Mt 5,29). Daí a Providência de uma enfermidade, que o levou a rezar mais, e preparar assim a alma para uma revelação; depois da qual, sensatamente buscou autêntica orientação espiritual. A partir da qual, por fim, consagrou-se mais perfeitamente a Deus. E como religioso foi simplesmente um bom pastor, evangelizando: Deus lhe deu, a mais, os dons da cura e do bom conselho. Educação católica, caridade. Realidades possíveis e até comuns. Caro leitor, qual etapa do roteiro de vida de São Bernardino estaria tão inacessível aos católicos normais, que tenham como ele se iniciado no conhecimento da Doutrina e, por consequência necessária, buscado praticar habitualmente a caridade? Católicos como nós... Que trabalhamos, vivendo a vida usual. Também a nós Deus quer santos. Talvez que nas doenças e adversidades, não nos conformemos… nãos busquemos com mais vontade a oração… que vejamos Nossa Senhora e Jesus em visões de sonhos, mas não na realidade… que não busquemos adequada direção espiritual. Deus sempre nos provê com muitos dons; mas se não os aproveitamos para enriquecer a Ele, ao espírito (querendo enriquecer mais o corpo) e ao próximo, se nem ao menos os identificarmos, ficaremos tão pobres deles, que por fim nada teremos. O mundo se encarregará de no-los tirar – incluindo a vida, perecível no físico. Temos dons, para recebermos ainda mais; é este o plano de Deus. São Bernardino é para nós a evidência clara de que a santidade faz parte da normalidade, que pode ser alcançada nos contextos mais comuns. Queremos? “Pedi e vos será dado, procurai e achareis, batei na porta e ela se abrirá para vós” (Mt 7,7).

Oração:

Senhor, que desde a eternidade nos quer felizes, e portanto santos, concedei-nos por intercessão de São Bernardino Realino o bom conselho de, como ele, “não nos contentarmos com este mundo”, ainda no que é legítimo, para não perdermos o que de maior nos quereis dar, que é Vós mesmo; que ele ajude, como fez na Terra, ao que há de mais pobre, o nosso pobre coração, com a cura espiritual. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

Bispos Referenciais e assessores da Pastoral Familiar debatem aprofundamento da evangelização das famílias


A Pastoral Familiar reúne, em Brasília, durante esta semana, cerca de 130 pessoas no Encontro Nacional de Bispos Referenciais e Assessores (as) da Pastoral Familiar, promovido pela Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Comissão Nacional da Pastoral Familiar. A reunião é oportunidade para discutir formas de fortalecer a unidade pastoral e favorecer o aprofundamento da evangelização das famílias em todo o país.

Neste ano, o encontro aborda “O aggiornamento da Teologia do Matrimônio em Amoris Laetitia”. O objetivo é formar e fortalecer os assessores e as assessoras da Pastoral Familiar para que, em comunhão com a Igreja e à luz do Evangelho da família, possam acompanhar, discernir e integrar, com unidade, zelo pastoral e espírito missionário, a ação evangelizadora junto às famílias.

“Estamos em Brasília estudando com os padres e bispos esse caminho que a Igreja fez desde o Concílio Vaticano II até hoje, como a Igreja atua junto às famílias lá no dia a dia da vida paroquial com o apoio da Pastoral Familiar. Queremos apontar caminhos para auxiliar os padres em suas paróquias e comunidades”, explicou bispo de Ponta Grossa (PR) e presidente da Comissão Vida e Família da CNBB, dom Bruno Elizeu Versari.

Quem assessora o encontro é padre Jonas Emerim Velho, da diocese de Criciúma (SC). Ele aponta a importância da discussão sobre as Exortações Apostólicas Amoris Laetitia e Familiaris Consortio, dois documentos que dão luzes para o agir da Pastoral Familiar no mundo.

“São resultados de um trabalho sinodal que olham a realidade da família, que iluminam segundo a luz do evangelho e como a Igreja pode se colocar diante dela como uma comunidade vivendo em aliança no sacramento que manifesta o amor e a presença do nosso Deus”, apontou.

O bispo auxiliar de Porto Alegre (RS), dom Bertilo João Morsch, está presente no encontro e ressaltou a expectativa de aprofundar a caminhada do matrimônio dentro das relações na vida familiar. “Muito se questiona sobre as dificuldades e os caminhos que apresentamos para as famílias. E quando temos esse fundamento que vai ajudando a criar essa base concreta, damos esperança e sentido para as elas”, disse.

Na terça-feira, o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, foi ao encontro para saudar os participantes.

Luiz Lopes Jr. com Portal Vida e Família

Consagrações episcopais dos lefebvrianos: decretada a excomunhão


Um documento assinado pelo cardeal-prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé define como “ato de natureza cismática” o rito celebrado em 1º de julho. Em uma nota explicativa, são detalhadas as consequências da grave sanção canônica.

Vatican News

Os bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay (respectivamente, sagrante principal e co-sagrante), bem como os bispos recém-consagrados Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier, incorreram ipso facto na excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica por terem realizado “um ato de natureza cismática”, ou seja, a “consagração episcopal de quatro presbíteros sem mandato pontifício e contra a vontade do Sumo Pontífice”. É o que se lê no decreto assinado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e referendado pelos dois secretários do mesmo Dicastério. Trata-se da conclusão, infelizmente anunciada, que chega vinte e quatro horas após a solene cerimônia celebrada em Écône, na Suíça, na manhã de 1º de julho de 2026.
O decreto de excomunhão e a nota explicativa do Dicastério para a Doutrina da Fé

O decreto do antigo Santo Ofício estabelece que, ao realizar a consagração, tanto os consagrantes quanto os consagrados incorreram na excomunhão prevista pelo direito canônico. É o doloroso desfecho, consequência da decisão tomada pelos lefebvrianos contra a vontade expressa repetidamente por Leão XIV. A excomunhão coloca novamente em situação de separação da Igreja de Roma tanto os bispos quanto os sacerdotes pertencentes à Fraternidade São Pio X. Quanto aos fiéis leigos, devem ser considerados excomungados aqueles que aderem formalmente à Fraternidade. Mais detalhes estão contidos em uma “Nota Explicativa”, publicada pelo Dicastério simultaneamente ao decreto de excomunhão, reproduzida integralmente a seguir.

A Nota do Dicastério
Desde os tempos de São Paulo VI até os mais recentes diálogos realizados neste Dicastério, as numerosas tentativas de reconduzir à plena comunhão com a Igreja Católica os membros do movimento iniciado por Dom Marcel Lefebvre revelaram-se infrutíferas. Essa situação agravou-se ainda mais em razão das recentes consagrações episcopais celebradas sem mandato pontifício, contra a vontade do Santo Padre e em manifesta violação do direito canônico.

Por isso, este Dicastério, no fiel exercício das funções que lhe foram confiadas, considera necessário reconhecer que tal ato configurou o delito de cisma, com as correspondentes consequências canônicas para os ministros sagrados e os fiéis leigos envolvidos. Com efeito, como já foi declarado em 1988, “tal desobediência — que implica uma rejeição prática do Primado Romano — constitui um ato cismático” (cf. João Paulo II, Carta Apostólica Ecclesia Dei, n. 3).

Na Suíça, na sede da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, foi realizada a celebração presidida pelos bispos de Galarreta e Fellay, com o rito da consagração episcopal. Milhares de ...

Diante disso, estabelece-se o seguinte:
1. Os ministros sagrados pertencentes à Fraternidade Sacerdotal São Pio X encontram-se em situação de cisma e, portanto, devem ser considerados cismáticos (cf. Ecclesia Dei, 5 c; Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Nota Explicativa sobre a excomunhão por cisma incorrida pelos aderentes ao movimento do Bispo Marcel Lefebvre, 24.08.1996, nn. 5-6), estando sujeitos à excomunhão prevista pelo direito (cân. 1364 § 1 do Código de Direito Canônico).

2. No que diz respeito aos fiéis leigos, devem ser considerados cismáticos e excomungados aqueles que aderem formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X nas condições estabelecidas pela Nota Explicativa do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos de 1996 (cf. ibidem, n. 7), ainda em vigor e assumida por este Dicastério.

A carta enviada por Leão XIV ao superior da Fraternidade São Pio X traz a data de 29 de junho, festa dos Santos Pedro e Paulo, véspera da anunciada consagração episcopal sem .

3. Adverte-se, por fim, o santo Povo de Deus de que os ministros sagrados da Fraternidade Sacerdotal São Pio X administram ilicitamente os sacramentos e que o sacramento da penitência por eles administrado e o matrimônio por eles assistido são inválidos.

A Igreja, como mãe solícita, acolherá com sincero afeto e viva solicitude todos aqueles que desejarem retornar à plena comunhão. Os núncios apostólicos disporão dos procedimentos que os ordinários poderão utilizar nos diversos casos.

Por fim, exortam-se todos os fiéis a permanecer firmes na comunhão com o Romano Pontífice, com os bispos em comunhão com ele e com toda a Igreja (cf. Lumen Gentium, 22; cân. 751 do Código de Direito Canônico), abstendo-se de participar das celebrações e atividades promovidas pela referida Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Nova advertência do Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé sobre as ordenações episcopais sem mandato pontifício que o grupo tradicionalista anunciou para o mês de julho ...

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.