quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Que relação há entre o “pecado dos anjos” e o “pecado original” do homem?


Natureza teológica do pecado dos anjos

Há uma certa correlação. Qual foi o pecado dos anjos? A soberba. Os santos doutores da Igreja – escrevi sobre isso no livro ‘Os Anjos’ – e os grandes doutores como São Tomás de Aquino e Santo Agostinho são unânimes em dizer que foi a soberba. Esse era o único pecado que eles poderiam cometer.
O pecado da soberba

Como o anjo não possui corpo, não pode cometer pecados como a gula ou a luxúria. Sendo um ser espiritual, só poderia cometer um pecado de natureza espiritual: inveja, orgulho ou soberba. E eles o cometeram. Ninguém os tentou, erraram por própria escolha. Eles não aceitaram ser simples criaturas e quiseram ser como Deus. Esse foi o problema.

Lúcifer viu-se tão belo e maravilhoso, encantou-se tanto consigo mesmo, que decidiu: “Eu quero ser Deus”. É o “Não servirei” presente no livro do profeta Jeremias. O que disseram a Deus foi justamente isso: “Não servirei”.
A rejeição do Verbo Encarnado

Alguns teólogos trabalham com a hipótese de que, ao saberem que o Verbo encarnaria como homem, os anjos rebeldes se recusaram a adorar um Deus feito homem, por se considerarem superiores aos seres humanos. No fundo, foi um pecado de soberba, quiseram ser Deus.

São Tomás de Aquino afirma em sua obra que o demônio deseja ser adorado como Deus. Por isso esconde-se atrás dos ídolos. Como o ídolo é apenas uma fantasia — uma imagem de barro, pedra ou ouro —, quando recebe adoração, quem a recebe, na verdade, é o demônio. Daí o perigo da idolatria.

Leia mais

A tentação do Éden ao homem moderno
O demônio quer que o ser humano também se sinta Deus. É o que o homem moderno pensa ser. Filósofos ateus como Herbert Marcuse dizem que “O homem é a medida de todas as coisas”, ou seja, o homem é Deus. Nietzsche proclamou a morte de Deus e a valorização do “super-homem”. Não é à toa que Nietzsche terminou seus dias alienado, pois não encontrou respostas para a existência.

Sem Jesus Cristo, não se encontra resposta para nada. O demônio quer ser Deus e instigou Eva a comer o fruto proibido prometendo que ela seria como Deus. Essa foi a mesma tentação que o fez cair no céu e que ele trouxe para a humanidade. É fascinante a ideia de querer ser Deus, pois, nessa condição, não se obedece a lei alguma, mas cria-se a própria lei. Como dizia Dostoiévski: “Se Deus não existe, a lei não existe, eu sou Deus”.

Transcrito e adaptado por Jaqueline Scarpin

Autor: Prof Felipe Aquino

São Gregório Magno


Gregório nasceu no ano 540 em Roma. Sua família, de sobrenome Anícia, tradicional na alta corte romana, era rica, poderosa e influente; seu pai, que havia sido senador e prefeito da cidade, participava ativamente do seu governo. Além disso, ele viveu e foi educado num ambiente cristão: as três mulheres mais responsáveis pela sua formação espiritual e cultural, a mãe Silvia e as tias paternas Emiliana e Tarsila, são santas canonizadas. A mansão familiar erguia-se num dos lados do monte Célio, lugar privilegiado no centro da Roma antiga, de onde se avistavam, já naquela época, ruínas da antiga grandeza romana, causadas por catástrofes naturais e pelas invasões bárbaras.

De fato, durante mais de 150 anos, a península italiana foi invadida por hordas estrangeiras, que sucessivamente saquearam e dizimaram Roma: em 410, os visigodos; em 455, os vândalos; em 472, os suevos e burgúndios; em 476, os germanos; em 489, os ostrogodos; a partir de 526, godos e bizantinos ali se bateram por mais de duas décadas; por fim, os bizantinos a serviço de Constantinopla, sob o imperador Justiniano, derrotaram os ostrogodos, que haviam invadido Roma em 546, período da infância de Gregório. Seguiu-se um tempo de relativa paz que permitiu a Gregório, seguindo a tradição familiar, cursar a carreira jurídica.

De inteligência e capacidade organizativa superiores, Gregório destacou-se nos meios cultos da época, e aos 30 anos foi nomeado prefeito de Roma, exercendo o cargo com austeridade e honestidade, seguindo seus princípios católicos. Mas já nesta época, nova invasão ocorreu na Itália: em 568, os lombardos, que haviam adotado a heresia ariana (a qual considerava Jesus inferior ao Pai), e cujo método de ação era a violência extrema, com a eliminação metódica das elites latinas, conquistaram o norte do país. Inúmeros sobreviventes foram para Roma; entre eles, monges beneditinos de Montecassino, o primeiro mosteiro fundado por São Bento. Gregório doou a eles um palácio da família no monte Célio, onde fundaram o mosteiro de Santo André. A frequente convivência com eles levou Gregório a se tornar religioso.

Durante a sua atividade civil, Gregório já sentia o chamado da vocação monacal, e tendo concluído seu mandato em 575, ingressou no mosteiro de Santo André. Foi o melhor período da sua vida, como admitiu depois, quando pôde dedicar-se ao silêncio, à oração, à meditação da Palavra de Deus e às leituras sagradas. Depois de quatro anos, foi ordenado pelo Papa Bento I diácono regional, ou seja, encarregado da administração de uma das regiões eclesiásticas que nessa época dividiam a cidade de Roma. E como suas qualidades não podiam ficar escondidas, não muito tempo depois o novo Papa, Pelágio II, o enviou como apocrisiário (núncio) à capital do Império do Oriente, Constantinopla.

Passou ali seis anos lidando com as dificuldades da corte e no firme combate às influências das heresias monofisita (Cristo só teria a natureza divina, mas não a humana) e nestoriana (Cristo não seria uma única pessoa, com natureza divina e humana, mas duas pessoas, o Jesus humano o Logos divino), e conseguindo manter um estilo de vida monástico, além de escrever, neste período, a maior parte da sua obra literária. Voltou a Roma por volta de 585, sendo eleito abade em Santo André, e neste cargo ficou conhecido pela sua caridade, dedicação, firmeza e austeridade.

Em 589 chuvas de intensidade absurda provocaram uma calamidade em Roma, com destruição e fome, seguidas por uma epidemia devastadora de peste bubônica, da qual morreu o Papa Pelágio II. O clero, o senado e o povo, unanimemente, aclamaram Gregório como o novo Papa; ele, sentindo-se indigno do cargo, fugiu para as montanhas e florestas vizinhas, até ser achado e então, humildemente reconhecendo a vontade de Deus, ser sagrado em 590. Não quis receber outro título senão o de servus servorum Dei — servo dos servos de Deus.

Gregório I assumiu o pontificado numa época de caos civil e abalos heréticos na Igreja. Ele reconheceu a sua época como uma de transição, do fim do ius civitatis romano (conjunto de direitos e deveres de um indivíduo em relação à comunidade em que vive) a ser substituído pelo donum caritatis cristão (presente da caridade), se é que a civilização ocidental deveria continuar. Procurou assim elevar os espíritos às realidades sobrenaturais, para que vivessem os acontecimentos temporais sob uma perspectiva eterna; e desse modo fez o transporte definitivo da Europa pagã do mundo antigo para a nova civilização cristã sob o Evangelho, regada pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, Salvador.

A desolação provocada pelos lombardos continuava, e por duas vezes Roma foi por eles sitiada. Nas duas ocasiões, a intervenção de Gregório obteve o levantamento pacífico do cerco. Foram assinadas tréguas, e o Papa empenhou-se na conversão dos invasores da Itália. Conseguiu, com a ajuda da princesa Teodolinda, esposa do chefe lombardo e filha do rei católico da Baviera, o batismo do filho do casal – primeiro passo na futura conversão de todo este povo.

Protegeu os judeus, na Itália, contra a perseguição dos hereges. Na Espanha, Gregório apoiou São Leandro na conversão do rei Recaredo, visigodo e ariano, e por conseguinte desta nação; na Gália, isto é, França, manteve boas relações com os monarcas francos, conseguindo a renovação do clero em decadência, a convocação de sínodos e a extinção de persistentes e cruéis práticas pagãs; e sobretudo obteve a conversão da Grã-Bretanha (Inglaterra), ex-província do império romano, no seu tempo paganizada pelos invasores anglo-saxões: conseguiu o casamento de uma princesa católica francesa com um dos seus reis e enviou inúmeros missionários, destacando-se Santo Agostinho de Cantuária, responsável direto pela conversão de milhares de insulares . Seu desejo caridoso de chamar os infiéis a Cristo, e não de meramente combatê-los, fez florescer no Ocidente a Igreja e “o bom perfume” de Cristo (cf. 2Cor 2,14-15). Fez com que o cristianismo fosse respeitado por sua piedade, prudência e magnanimidade, sendo assim muito amado pelo povo simples e acreditado pelos pagãos.

Não menos importante foi a sua ação dentro da própria Igreja. Levando uma vida monacal, dispensou do palácio pontifício os servidores leigos, o que diminuiu os abusos cortesãos e levianos. Exigiu o trabalho, a disciplina, a moralidade (incluindo a observância do celibato pelo clero) e o respeito às tradições da Doutrina. Reformou a Liturgia, introduzindo a oração do Pai Nosso na Santa Missa, e criando o Canto Gregoriano, próprio para com a dignidade necessária elevar a música como adequado auxílio às orações litúrgicas. Escreveu a Regra Pastoral, como orientação, ainda atual, para a santidade do clero, e várias outras obras: Livro dos Diálogos, para a edificação dos fiéis; Vida de São Bento, Sacrementaria Gregoriana, Comentário Sobre Jó, Comentário Sobre I Reis, Homilias sobre Ezequiel, Sermões, Cartas.

A constituição física de Gregório sempre fôra um tanto frágil, e sofreu muito com várias doenças, o que não lhe impediu de permanecer firme nas suas atividades até o falecimento, em 604. A data da sua festa é a da sua consagração Papal. Ficou conhecido como “Magno”, isto é, aquele que é superior a tudo o que lhe é congênere, o que tem importância máxima. Foi declarado Doutor da Igreja.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

A obra de São Gregório I é verdadeiramente magna. Deus sempre provê as pessoas certas para as missões necessárias, e o período de afirmação para o início da Idade Média Cristã, que glorificou a Europa e o Catolicismo, irradiando seus bens para o mundo inteiro, tem seu marco no pontificado deste santo Papa. (infelizmente, as ideologias modernistas e atéias fazem de tudo para incutir a ideia de que a Idade Média na Europa foi um “período de trevas” da Humanidade, quando, ao contrário, foi um ápice da civilização e da espiritualidade; certamente este mundo não é e nunca será perfeito após o Pecado Original, e os seres humanos de todas as épocas cometerão erros e pecados, mas sem a civilização católica européia firmada na Idade Média, e sua benéfica influência no mundo ocidental, a História não conheceria os progressos, espirituais e civilizatórios, de que pôde desfrutar. E que foram perdidos e/ou deturpados posteriormente, até a caótica atualidade, exatamente pela negação progressiva dos valores católicos e seus desdobramentos, depois deste período). Neste sentido, são perenes e esclarecedoras as palavras do próprio São Gregório: “Estamos contemplando a que extremo foi reduzida Roma, a mesma que outrora parecia ser a senhora do mundo! (…) Nela desapareceu todo o esplendor das glórias terrenas. Desprezemos com toda a alma este mundo quase extinto, e imitemos a conduta dos santos”. De acordo com o Primeiro Mandamento da Lei de Deus, São Gregório Magno desejou ardentemente o bem do próximo, sob o amor de Deus, e por isso alcançou um vasto horizonte de conversões e pacificação. Ora, o mesmo devemos fazer nós, os católicos de hoje, visando pela oração, vida santa e apostolado firme, profundo e correto, trazer para o amor de Cristo as hordas de pessoas com pensamento mundano que vagam pelo orbe. O tempo do Reinado de Maria, que Nossa Senhora nos prometeu em 1917, em Fátima, quando por gerações a maior parte da humanidade viverá em estado de graça, vai chegar, e possivelmente não demorará muito; porém entraremos nele ou pela conversão e apaziguamento verdadeiro em Deus, ou pela Sua punição a um mundo perdido e recalcitrante, como já aconteceu na época do Dilúvio. Não existe uma terceira via, portanto o momento de rezar e trabalhar, especialmente através da santificação pessoal, é agora. Este trabalho inclui, naturalmente, a santificação da própria Igreja, nos seus membros, e por isso atenção muito particular deve ser dada à Tradição, à Doutrina, à Liturgia, à sã Teologia. A dignidade e seriedade das celebrações litúrgicas, com ênfase na Santa Missa, é uma necessidade primordial. Daí a formação indispensável, do clero e dos fiéis, para a importância de tesouros eclesiásticos como o uso do Latim (aliás, língua oficial da Igreja, portanto nada mais natural que seja ensinada e conhecida) e do Canto Gregoriano (igualmente oficial no uso da Igreja), por exemplo. A verdadeira inculturação não significa tornar indigno o que é sacro, mas elevar o que é humano ao sobrenatural, também e necessariamente pela via da Cultura, da Arte.

Oração:

Senhor, Pai Eterno, que fostes o primeiro a servir, por amor gratuito, às Vossas criaturas, começando por dar a elas a sua mesma existência, concedei-nos pela intercessão e exemplos de São Gregório Magno resistir às invasões da barbárie moderna, buscando unicamente sermos como ele servos dos servos de Deus pelos Mandamentos e Sacramentos da Igreja, de modo a abandonar o que é pagão e antigo, para construir este mundo sobre a Boa Nova de Cristo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Seminário Nacional aprofunda gestão integrada dos bens culturais da Igreja a serviço da evangelização



A Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, em outubro, dois eventos conjuntos sobre os bens culturais da Igreja: O II Seminário Nacional de Patrimônio Cultural Católico e III Encontro dos Equipamentos e Centros Culturais Católicos. Realizado no contexto do Acordo de Cooperação Técnica entre a CNBB e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o seminário terá como tema “Os bens culturais da Igreja e sua gestão integrada a serviço da evangelização”.

A programação será realizada de 5 a 8 de outubro, na Casa Dom Luciano Mendes de Almeida, em Brasília (DF). Haverá aula magna conduzida pela diretora do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) de Portugal, doutora Isabel Maria Alçada Cardoso. Os participantes também terão a oportunidade de acompanhar conferências e painéis e participar de workshops.


A expectativa é reunir representantes das (arqui)dioceses, profissionais e técnicos do Iphan, representantes dos equipamentos e centros culturais católicos (centros culturais, museus, memoriais, arquivos e bibliotecas eclesiásticas), profissionais especialistas de diversas áreas, para refletir e traçar estratégias sobre a preservação, sustentabilidade, identificação e captação de recursos e investimentos em vista dos Bens Culturais da Igreja e do Patrimônio Cultural Católico.

Precioso patrimônio
Dom Gregório Paixão, arcebispo de Fortaleza (CE) e presidente da Comissão para a Cultura e a Educação da CNBB, recorda que a Igreja Católica no Brasil possui um “precioso patrimônio cultural material e imaterial, constituído ao longo dos séculos”.

“São igrejas, imagens, documentos, objetos litúrgicos, músicas, festas, tradições e tantas expressões de fé que testemunham a história da evangelização e da vida do nosso povo”, enumera.

Nesse sentido, salienta o bispo, o trabalho da Comissão, por meio do Setor de Bens Culturais, é de promover, preservar, divulgar, salvaguardar e pesquisar esse patrimônio. O trabalho ainda busca fortalecer a cooperação com as instituições públicas na sua preservação, como é o caso do Acordo de Cooperação Técnica com o Iphan.

“Na Igreja, preservar um patrimônio não significa apenas cuidar de coisas antigas, significa cuidar da memória, da identidade e da fé de um povo. Aquilo que recebemos de gerações passadas, pode continuar sendo instrumento de evangelização para as novas gerações”, destaca dom Gregório.


Papa: a Igreja não pode permanecer passiva nem indiferente ao que acontece no mundo


Após a Sacrosanctum Concilium, agora é a vez da Constituição Pastoral Gaudium et Spes ser aprofundada pelo Papa Leão XIV em seu ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II. O texto trata da relação da Igreja com o mundo contemporâneo, buscando "responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida".

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

A Audiência Geral desta quarta-feira voltou para a Praça São Pedro, depois de quatro semanas sendo realizada na Basílica Vaticana. Diante de cerca de 15 mil fiéis, Leão XIV introduziu um novo documento do Concílio Vaticano II, a Constituição Pastoral Gaudium et spes.

O texto aprofunda um tema fundamental, que é a relação da Igreja com o mundo contemporâneo, reconhecendo "uma nova ordem de relações humanas", como definiu São João XXIII. A Constituição Conciliar Gaudium et spes começa por declarar que a Igreja sente como suas "as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem" (GS 1).

"Essa partilha com a humanidade é o caminho que Cristo pede à Igreja", afirmou Leão XIV.

“É uma partilha que nos convida a sair de toda a passividade e indiferença perante os acontecimentos, a história e a vida das pessoas, sobretudo perante a mudança rápida e profunda que hoje vivemos. Não é possível permanecer como espectadores desinteressados; pelo contrário, é preciso escutar com o coração, deixar-se interpelar, envolver-se.”

A ilusão de que a guerra é um caminho eficaz para construir a paz
Os fiéis são então chamados a assumir as dificuldades dos irmãos, "sobretudo daqueles que são oprimidos pela injustiça, pela discriminação e pela violência". Nesse sentido, acrescentou o Pontífice, a proximidade com a humanidade abre caminho a uma leitura mais profunda dos acontecimentos e da própria Revelação e, nessa mesma perspetiva, a Gaudium et spes recorda o «dever de a Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho» (GS 4).

Esta Constituição conciliar, portanto, exortou a Igreja a um compromisso permanente de conversão e a desmascarar as contradições que caracterizam o mundo contemporâneo. Como exemplo, o Papa citou o progresso científico e tecnológico que oferece sempre novas possibilidades, mas apenas a alguns; ou ainda, uma maior disponibilidade de riquezas desproporcionamente distribuídas; ou ainda, diante de ações que ameaçam o futuro do planeta, a incapacidade de renunciar ao consumo egoísta e à ilusão de que a guerra é um caminho eficaz para construir a paz.

A Igreja é chamada a servir o ser humano
Assim, concluiu Leão XIV, numa época de profundas mudanças, "das quais decorrem desequilíbrios preocupantes, a Igreja é chamada a servir o ser humano, escutando e acolhendo as questões mais profundas do seu coração e os anseios que nele habitam, indicando em Cristo «a chave, o centro e o fim de toda a história humana» (GS 10)".

“Queridos irmãos e irmãs, que a alegria e a esperança – gaudium et spes – sejam as características distintivas de uma Igreja que anuncia e testemunha o Evangelho, aproximando-se das mulheres e dos homens do nosso tempo.”

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EVANGELHO DO DIA (Lc 4,38-44)

ANO "A" - DIA: 02.09.2026
22ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- O Espírito do Senhor repousa sobre mim e enviou-me a anunciar aos pobres o Evangelho.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 38 Jesus saiu da sinagoga e entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava sofrendo com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. 39 Inclinando-se sobre ela, Jesus ameaçou a febre, e a febre a deixou. Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los. 40 Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levaram a Jesus. Jesus colocava as mãos em cada um deles e os curava. 41 De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: "Tu és o Filho de Deus". Jesus os ameaçava, e não os deixava falar, porque sabiam que ele era o Messias. 42 Ao raiar do dia, Jesus saiu, e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam e, indo até ele, tentavam impedi-lo que os deixasse. 43 Mas Jesus disse: "Eu devo anunciar a boa-nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado". 44 E pregava nas sinagogas da Judeia.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Compaixão e misericórdia de Jesus"

Compaixão divina que acolhe as nossas dores e nos restaura
Nós vamos, neste Evangelho de hoje, ver que Jesus se coloca a serviço com um coração compassivo para tocar o coração das pessoas. E o Evangelho de São Lucas vai nos dizer o seguinte:

“Jesus inclinou-se sobre ela, ameaçou a febre, e a febre a deixou. Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los” (Lucas 4, 38-44).

Jesus não apenas toca e cura o nosso físico, o nosso corpo, mas Ele restaura o coração e devolve o sentido da nossa missão. A sogra de Pedro, da qual o Evangelho fala, depois de ela ser curada, não permanece inerte, não permanece parada; ela se coloca a serviço.

O encontro com a compaixão de Jesus
O encontro verdadeiro com Cristo sempre gera em nós serviço, caridade e disponibilidade. Meu irmão, minha irmã, o Evangelho continua mostrando que, ao pôr do sol, muitos levavam os doentes até Jesus, e Ele impunha as mãos sobre cada um deles.

São Lucas destaca a palavra compaixão, a qual mostra quem é Jesus: um Homem misericordioso. Jesus não olha as multidões de forma distante, Ele toca pessoa por pessoa. Isso nos mostra que Deus conhece as nossas dores, as nossas lutas e as nossas necessidades mais escondidas.

Compaixão para anunciar Jesus
Termino com algo importante da missão de Jesus: anunciar o reino dos céus. Quando Jesus anuncia o reino dos céus, anuncia libertações, curas e conversões acontecem no meio de nós. A missão de Jesus é anunciar o reino para tirar o Seu povo da escravidão, do pecado e da morte.

Jesus quer nos levar a essa experiência profunda de sermos tocados por Ele e sermos esses que irão também tocar outros por meio da Sua misericórdia. A misericórdia que nos alcança é a mesma que precisamos levar para as pessoas. Colocar-se a serviço como a sogra de Pedro é viver como Jesus viveu nesta terra. Jesus passou por esta terra fazendo o bem. E como Santa Teresinha de Jesus disse: “Eu quero passar o meu céu nesta terra fazendo o bem”.

Que Jesus nos dê a graça e nos encoraje. Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


A Quaresma de São Miguel e a promessa de Cristo a respeito dos Anjos

O céu aberto e o papel dos Santos Anjos na salvação

Nesta Quaresma de São Miguel, queremos refletir sobre a promessa que Cristo Jesus fez aos seus discípulos:

“Em verdade, em verdade vos digo: vereis o céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem!” (Jo 1, 50-51).

Ao ouvirem estas palavras, os discípulos de Jesus pensavam certamente na escada de Jacó. Este teve um sonho no qual “via uma escada, que, apoiando-se na terra, tocava com o cimo o céu; e os santos anjos de Deus subiam e desciam pela escada. E no alto estava o Senhor” (Gn 28,12). No entanto, nas palavras da promessa de Jesus, podemos notar uma mudança significativa: os Anjos já não são apenas os mediadores entre Deus no alto e os homens embaixo, mas eles sobem e descem sobre o Filho do homem.


Qual é o significado disso?
O Filho de Deus desceu à terra para se tornar Filho do homem; ele veio para nos salvar trazendo consigo os Santos Anjos para o auxiliarem na sua missão de salvador da humanidade. Por isso, diz o Catecismo da Igreja Católica (n.º 331):

“Cristo é o centro do mundo dos anjos. Estes pertencem-lhe… são dele… porque Ele os fez mensageiros do seu plano salvador”.

O centro do mundo angélico já não é o trono de Deus sobre os céus, mas Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem. E assim, os Anjos sobem e descem sobre o Filho do homem. O Catecismo afirma ainda (n.º 333):

“Desde a Encarnação até a Ascensão, a vida do Verbo Encarnado é cercada da adoração e do serviço dos anjos.”

Os Anjos na vida de Jesus
Será que Jesus precisava do serviço e do auxílio dos Santos Anjos? O mistério de Jesus Cristo consiste precisamente nisto: ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Como Deus, os anjos o adoram. Como homem, os Anjos o servem e auxiliam. Com efeito, enquanto homem, ele precisava também do serviço dos Anjos.Um Anjo avisou São José do iminente perigo para a vida do menino Jesus (cf. Mt 2,13).
Os Anjos vieram para servir Jesus no deserto e durante toda a sua vida (cf. Mt 4,11).
Um Anjo fortaleceu-o na sua agonia no Monte das Oliveiras (cf. Lc 22,43).

De fato, em Jesus como homem havia uma íntima relação com os Anjos. Estes o assistiram e ajudaram-no a cumprir a vontade do Pai e realizar a obra da redenção. E disso os próprios discípulos de Jesus se tornaram testemunhas. De fato, junto de Jesus, os seus discípulos viram os “céus abertos” e a poderosa ação dos Anjos de Deus que acompanharam e serviram Cristo na sua missão salvadora e, ao mesmo tempo, foram os primeiros evangelizadores. Eles proclamaram a Boa-Nova do nascimento do Salvador aos pastores (cf. Lc 2,10-14), a notícia da ressurreição às mulheres na manhã da Páscoa (cf. Lc 24,5-7) e a promessa da segunda vinda de Cristo aos discípulos depois da ascensão de Cristo ao céu (cf. At 1,10-11).

Os Anjos na vida da Igreja
Será que Jesus cumpre sua promessa ainda hoje? Onde é que podemos ver o céu aberto e os Santos Anjos descendo e subindo?

Disse o saudoso Papa Bento XVI: “A Eucaristia é o lugar onde se cumpre a promessa de Cristo a Natanael. É na liturgia que podemos ver o céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem” (cf. Jo 1,51). Pois na Eucaristia Cristo se faz presente em nosso meio. E onde Cristo está presente, aí o céu está aberto e os Anjos sobem e descem.

Por isso, “em sua Liturgia, a Igreja se associa aos anjos para adorar o Deus três vezes Santo” (Catecismo, 335). No início da oração eucarística, o celebrante convida, pois, os fiéis a se unirem de modo particular aos Anjos:

“Concedei-nos também a nós, associar-nos à multidão dos querubins e serafins, cantando a uma só voz: Santo, Santo, Santo…”

Os Anjos na nossa vida
Santo Agostinho pergunta: Como é possível que os Santos Anjos subam e desçam sobre o Filho do homem, se este, depois de ter subido ao céu, está sentado à direita do Pai? Ele então lembra a palavra de Jesus a Paulo: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9,4). E responde: É verdade, Cristo subiu aos céus, mas, ao mesmo tempo, ficou na terra em cada um dos Seus discípulos. Jesus não disse a Saulo: Por que persegues “meus discípulos”, mas sim por que “me” persegues a mim. Pelo batismo, tornamo-nos cristãos, o que quer dizer: Cristo está em nós e nós em Cristo. Este é um dom que nos foi dado no Batismo e, ao mesmo tempo, uma tarefa que perdura por toda a nossa vida: seguir Cristo, tornar-se semelhante a ele.

Portanto, os Anjos não somente servem a Cristo presente na Eucaristia, mas também a Cristo em nós. A sua tarefa é a de nos ajudar no caminho da salvação. Assim, diz o Catecismo (n.º 334):

“Toda a vida da Igreja se beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos.”

Então, é verdade que os Anjos descem e sobem sobre nós, ou melhor, sobre Cristo presente em nós: descem para nos comunicar as palavras, graças e bênçãos de Deus e sobem para elevar a Deus nossos louvores, orações e sacrifícios.
Qual é a missão dos Anjos em relação a nós?

Cristo faz todos os Santos Anjos participarem no seu projeto de salvação:
“Porventura não são todos os Anjos espíritos a serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?” (Hb 1, 14).

Os Anjos que serviam a Cristo durante sua vida aqui na terra continuam a servir a Cristo em nós, membros do seu Corpo, que é a Igreja. De modo particular, enquanto Anjos da Guarda, eles se tornam nossos servos para acompanhar-nos no caminho da salvação e conduzir-nos ao céu.

Será que os Anjos são felizes em servir a nós, seus “irmãos menores”?
Os Santos Anjos desejam colaborar na nossa salvação. Disse Jesus:
“Digo-vos que haverá júbilo entre os Anjos de Deus por um só pecador que se converte” (Lc 15,10).
Os anjos veem Cristo em nós, e por isso eles nos servem com muita dedicação e grande zelo. Eles estão conscientes de que o que fizerem a um desses seus irmãos menores será a Cristo que o farão (cf. Mt 25,40). De fato, no Juízo Final, quando Jesus vier na Sua glória, juntamente com todos os Anjos (cf. Mt 25,31), poderemos contemplar com admiração a ação misericordiosa, muitas vezes escondida, mas eficaz dos Anjos, especialmente do nosso Anjo da Guarda, na nossa vida e na história.
Será que a promessa de Jesus sobre os Anjos descendo e subindo vale para todos os homens ou somente para os que, pelo batismo, se tornaram filhos de Deus?

O Catecismo (n.º 336) faz duas afirmações:
“Desde o início até a morte, a vida humana é cercada pela proteção e pela intercessão dos Anjos.”

Portanto, não há dúvida de que todos os homens gozam da proteção e da intercessão dos Santos Anjos ao longo de sua vida, pois todos são chamados à salvação em Cristo. No entanto, há uma grande diferença entre a relação de uma pessoa batizada e uma pessoa não batizada com o seu Anjo da Guarda. Por isso o Catecismo continua citando São Basílio:

“Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida.”
Pelo batismo, somos unidos a Cristo, e n’Ele com todos os outros membros de Seu corpo, isto é, com nossos irmãos aqui na terra e, ao mesmo tempo, com nossos irmãos no céu, ou seja, com os Anjos e Santos. Por conseguinte, somente uma pessoa batizada se torna irmão do seu Anjo, e então pode experimentar uma profunda união com ele em Cristo. De fato, “ainda aqui na terra, a vida cristã participa na fé da sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus” (Catecismo, 336).

Sugestões: Medite nesta semana sobre a promessa de Jesus: “Vereis o céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem!” (Jo 1, 50-51).
Abra os olhos do seu coração para ver a presença dos Santos Anjos na celebração da Santa Missa e também na sua vida no dia a dia!

Imite os Anjos no seu serviço para com os homens praticando obras de misericórdia! Seja um “Anjo” para seu irmão, sua irmã!
Una-se aos Anjos para adorar Jesus no Santíssimo Sacramento do altar.
E reze com frequência a oração dos Anjos: o “Sanctus”, e experimentará que o céu se abrirá sobre você e os Anjos descerão sobre você e sua casa:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, o céu e a terra estão cheios de sua glória. Hosana nas alturas. Bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas.

Autor: Pe Fidelis Stockl, ORC

São Zenão, Mártir de Nicomédia

São Zenão, um cristão fervoroso de Nicomédia, na atual Turquia, foi um dos muitos mártires perseguidos durante o reinado do imperador Juliano, o Apóstata, conhecido por seu esforço em restaurar o paganismo e suprimir o cristianismo. Zenão, um homem de grande fé, era pai de dois filhos, Concórdio e Teodoro, que também foram alvos da perseguição. Sua história, marcada pelo sacrifício e pela devoção, foi preservada através de uma antiga passio latina, que mistura fatos históricos com elementos lendários.

De acordo com a tradição, Zenão e seus filhos foram capturados e torturados pelas autoridades romanas, que buscavam fazê-los renunciar à sua fé cristã. Contudo, eles permaneceram firmes em suas convicções, mesmo diante das mais terríveis provações. O testemunho de Zenão, assim como o de Concórdio e Teodoro, tornou-se um símbolo de resistência espiritual e fidelidade a Cristo, inspirando gerações de cristãos a perseverarem na fé, independentemente das adversidades.

Entre a história e a lenda, o martírio de São Zenão e seus filhos se destaca como um exemplo de amor incondicional a Deus, a ponto de escolher a morte em vez de renunciar à fé. Esse exemplo de coragem e lealdade continua a ser um farol para os cristãos de todo o mundo, que encontram em sua vida uma fonte de inspiração e força.

Reflexão:

A espiritualidade de São Zenão é marcada por uma profunda confiança na providência divina e uma entrega total à vontade de Deus. Ele nos ensina a importância da perseverança na fé, mesmo quando enfrentamos as mais duras perseguições e desafios. A vida de São Zenão nos convida a uma fé inabalável, sustentada pelo amor a Cristo e pela esperança na vida eterna. Sua história é um lembrete de que o verdadeiro cristão deve estar disposto a sacrificar tudo por amor a Deus, confiando plenamente em Sua graça e misericórdia.

Oração:

Ó glorioso São Zenão, mártir fiel e corajoso, que suportaste os mais terríveis sofrimentos por amor a Cristo, intercede por nós para que possamos ser firmes na fé e corajosos em nossas provações. Ajuda-nos a viver com a mesma entrega e confiança em Deus que tu mostraste em tua vida. Concede-nos, por tua intercessão, a graça de permanecermos sempre fiéis ao Evangelho, mesmo diante das adversidades. Amém.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Dia do Catequista marca encerramento da II Romaria Nacional em Aparecida e abertura do Mês da Bíblia


No domingo, 30 de agosto, Dia do Catequista, a Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) concluiu a II Romaria de Catequistas, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, e celebrou a abertura do Mês da Bíblia, que terá início no próximo dia 1º.

Cerca de 4,7 mil participantes da II Romaria Nacional de Catequistas renovaram o compromisso de anunciar Jesus Cristo nas comunidades, após três dias de formação, oração, convivência e celebração. Promovida pela Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Romaria teve como tema “Transmitir a fé hoje” e como lema “O que vimos e ouvimos, vos anunciamos” (1Jo 1,3).

Do encontro ao envio
No Dia do Catequista, a Igreja no Brasil reconhece e agradece a missão de homens e mulheres que se colocam a serviço da transmissão da fé e acompanham crianças, jovens, adultos e famílias em seus itinerários de encontro com Jesus Cristo.

Dom Leomar Brustolin presidiu a Missa que encerrou a Romaria e louvou a Deus pelos catequistas que fazem ecoar a Palavra e fazem da sua vida uma missão. São religiosas e religiosos, presbíteros, diáconos e bispos, e uma imensidão de homens e mulheres, sobretudo mulheres que nas comunidades levam adiante essa missão.

“Todos unidos pelo mesmo mistério: um dia, nos deixamos encontrar pelo Senhor e hoje estamos celebrando na Casa da Mãe o Dia do Catequista”.

A reflexão do presidente da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB é que o segredo mais profundo da vocação do catequista esteja no encontro com Cristo.

“Antes de ensinar, nós fomos seduzidos; antes de anunciar, nós fomos encontrados; antes de falar de Deus, Deus falou ao nosso coração. Em algum momento da nossa história, Cristo passou pela nossa vida”, afirmou.


O bispo destacou, pela experiência dos dias de encontro que os catequistas não estão sozinhos: “nós não estamos sozinhos, há milhares caminhando conosco, a Igreja caminha conosco, Cristo caminha conosco”.

Meditando a liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum, dom Leomar destacou que o catequista é alguém que carrega o fogo do Espírito Santo: “um fogo silencioso que arde por dentro e nos faz dizer assim: eu preciso anunciar Jesus Cristo”.

No Evangelho, o convite de Jesus foi ao discipulado, e assim a Igreja no Brasil tem insistido na proposta da Iniciação à Vida Cristã.

“A Iniciação à Vida Cristã, essa nova consciência da catequese, que catequese não é ensinar coisas sobre Jesus, é levar a pessoa a fazer um encontro com Jesus. E por isso a IVC não conduz apenas ao conhecimento da verdade, mas conduz ao encontro e ao seguimento de Jesus Crucificado e Ressuscitado”.

Catequistas celebram abertura do Mês da Bíblia
No envio dos catequistas, dom Leomar destacou que o retorno às comunidades e dioceses se dará “com o coração seduzido pela Palavra, sedento de Deus, novamente disposto a seguir”. E ao concluir a Romaria, continuou, é aberto o Mês da Bíblia, neste ano com o convite a meditar e aprofundar o livro de Daniel.

A imagem que dom Leomar ofereceu aos catequistas e romeiros no Santuário de Nossa Senhora Aparecida foi da janela aberta.

“Daniel viveu numa terra estrangeira, tudo era contrário à sua fé: ele tinha ameaças, perseguições, poderes e até feras – leões que rugiam na cova esperando por ele. E Daniel fez algo belíssimo. Não tinha saída, abriu a janela, voltou-se para Jerusalém e começou a rezar. Quando tudo parecer fechado em sua vida, mantenha uma janela aberta para Deus, aí sua vida muda. Enquanto você ficar fechado em si mesmo, não tem muita saída”, destacou dom Leomar.

Segundo dom Leomar, Daniel nos ensinará neste Mês da Bíblia que a fé não significa ausência de feras.
“Quem tem fé não fica livre dos perigos, mas pede que esses perigos não derrubem e não estingam a vida. As feras não têm a última palavra. A fé abre sempre a janela”.

Celebrado durante o mês de setembro pela Igreja no Brasil, o Mês da Bíblia convida comunidades, grupos e famílias a aprofundarem a escuta, o estudo, a oração e a vivência da Palavra de Deus. Em 2026, o livro escolhido para o aprofundamento é o Livro de Daniel, que convida à fidelidade a Deus diante dos desafios e fortalece a esperança e a perseverança do povo.

Luiz Lopes Jr.