quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Comissões da CNBB se reúnem para aprofundar compromisso com a justiça social e renovar respostas pastorais


A sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebeu, entre a noite de segunda-feira, 28, e a manhã desta quarta-feira, 30, o Encontro Anual de Bispos das Comissões para a Ação Sociotransformadora (Cepast), para o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (CEETH) e para a Ecologia Integral e Mineração (CEEM).

O encontro reuniu os bispos presidentes das Comissões, bispos referenciais das pastorais sociais, organismos como a Comissão Pastoral da Terra e o Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras, além de convidados.

As três Comissões atuam em temas transversais e, aproveitam o encontro para intensificar a união de esforços “para fortalecer a sinodalidade, aprofundar o compromisso com a justiça social e renovar as respostas pastorais contemporâneas”.

Este ano o encontro também contou com a participação de Cecília Barja e padre Paolo Parise, colaboradores do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, no Vaticano.

Segundo a Comissão para a Ação Sociotransformadora da CNBB, o encontro se constitui como “um momento de comunhão, compromisso e discernimento sobre os desafios da Igreja e os caminhos para uma atuação cada vez mais próxima das realidades das pessoas mais empobrecidas e excluídas dos direitos fundamentais”.

Diálogo e partilha
No início do encontro, os participantes celebraram a Eucaristia e fizeram um momento de acolhida e partilha pastoral a partir das vivências nos regionais, pastorais e organismos da CNBB.


No segundo dia do encontro, as atividades começaram com um momento de escuta e diálogo com os movimentos populares. Entre os temas em destaque estiveram as lutas e perspectivas das juventudes, dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, das mulheres camponesas, das pessoas migrantes e do encontro dos movimentos sociais com o Papa Leão XIV.

O secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, saudou os participantes e pôde ouvir as partilhas durante o período em que esteve presente no encontro.



Trabalho das comissões
Durante a programação, as Comissões da CNBB apresentaram sobre seus horizontes de trabalho para 2027. Na manhã de hoje, a reflexão sobre o trabalho também levou em consideração as indicações contidas nas Diretrizes Gerais da 

Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE).
Um dos caminhos da missão propostos nas DGAE diz respeito ao Serviço à vida plena para todos. Neste trecho, o documento propõe três compromissos fundamentais: a opção evangélica e preferencial pelos pobres, o cuidado da Casa Comum à luz da ecologia integral e a promoção da dignidade humana desde a concepção até o seu fim natural.

Contribuição do Dicastério
Cecília Barja e padre Paolo Parise apresentaram aos participantes uma reflexão a partir da encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial.


Igreja e transformação social
Na noite de terça-feira, o encontro foi oportunidade para o lançamento do livro “Igreja e transformação social – Pastoral SocioTransformadora“, publicado pela Edições CNBB. A obra nasce de um intenso processo de escuta de agentes, pastorais sociais e organismos de todo o Brasil e oferece uma profunda reflexão sobre como a evangelização deve, concretamente, transformar as realidades sociais.

O livro reafirma que evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo, num chamado urgente à ação por meio da fraternidade, da justiça social, da defesa intransigente da dignidade humana e do cuidado com a Casa Comum.

Organizado pelo teólogo e pastoralista padre Francisco Aquino Junior, o material é fundamentado no Evangelho, na Doutrina Social da Igreja e no magistério dos Papas. Segundo a Edições CNBB, esta publicação estabelece os fundamentos, valores e inspirações que guiam o compromisso da Igreja com os mais pobres e marginalizados.

Luiz Lopes Jr com Juce Rocha | Fotos: Juce Rocha e Fiama Tonhá

Papa pede diálogo diante da retomada dos combates no Tigré

Etíopes que fugiram dos combates em curso na região de Tigray reúnem-se no vilarejo de Hamdayet, perto da fronteira entre o Sudão e a Etiópia, no leste do estado de Kassala, Sudão. REUTERS/Mohamed Nureldin Abdallah (REUTERS)

Papa pede diálogo diante da retomada dos combates no Tigré
Há dezenas de milhares de novos deslocados em Afar e receio de um novo bloqueio total de comunicações, energia e ajuda humanitária. O conflito iniciou em novembro de 2020 entre forças do governo federal etíope e a FPLT, causando centenas de milhares de mortes. Um acordo de paz foi assinado em Pretória em novembro de 2022, mas permaneceu parcialmente cumprido, voltando a intensificar-se em setembro de 2026.

Vatican News

Acompanho com profunda preocupação a situação no Tigré e nas regiões vizinhas de Afar e Amhara, onde as hostilidades voltaram a eclodir. Dirijo o meu sentido apelo a todas as partes para que escolham o caminho do diálogo. O conflito armado nunca resolve os problemas, mas apenas os agrava, deixando atrás de si um rastro de morte, destruição e ressentimento. Somente um diálogo sincero pode lançar as bases para uma paz duradoura. É minha fervorosa esperança que a comunidade internacional ofereça uma contribuição generosa e oportuna para garantir que toda a ajuda humanitária chegue às pessoas necessitadas.

Ao final da Audiência Geral, o Leão XIV manifestou sua profunda preocupação com a retomada das hostilidades no Tigré e nas regiões vizinhas de Afar e Amhara, no norte da Etiópia. O apelo foi feito em um momento de forte escalada da violência: desde 22 de setembro, combates entre forças ligadas à Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) e forças do governo federal etíope voltaram a atingir diferentes pontos da região, colocando em risco o frágil acordo de paz firmado em Pretória, em novembro de 2022.

A nova escalada começou após meses de aumento das tensões. As forças do TPLF assumiram o controle de aeroportos em Mekelle, Axum e Shire e avançaram também para áreas de Afar e Amhara. O governo federal lançou uma contraofensiva, enquanto as duas partes apresentam versões divergentes sobre as causas e responsabilidades pela retomada dos combates. A ONU pediu máxima contenção, desescalada imediata, proteção dos civis e acesso seguro e sem obstáculos para as organizações humanitárias.
Hospitais recebem centenas de feridos

O impacto humanitário já é significativo. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou que o número de feridos de guerra atendidos nos hospitais de Korem e Alamata passou de cerca de 180 para mais de 420 entre 22 e 25 de setembro. No hospital de Suhul, em Shire, no noroeste do Tigré, mais de 300 feridos chegaram até 25 de setembro. A MSF também informou que suspendeu suas atividades no hospital de Alamata devido à insegurança e acompanha os deslocamentos de população no Tigré, Amhara e Afar.

A Agência Europeia de Proteção Civil e Ajuda Humanitária (ECHO) advertiu que o norte da Etiópia já enfrenta necessidades humanitárias graves, enquanto mais de 500 mil pessoas deslocadas internamente no Tigré dependem de assistência humanitária. Em 28 de setembro, a União Europeia anunciou 61 milhões de euros em ajuda humanitária para a Etiópia, diante da deterioração da situação no país, incluindo os efeitos do conflito, dos deslocamentos e de outras emergências.

O risco ultrapassa as fronteiras do Tigré. Os combates atingiram também Afar e Amhara, enquanto as tensões entre a Etiópia e a vizinha Eritreia aumentam a preocupação com uma possível ampliação regional da crise. A guerra de 2020–2022, que terminou com o Acordo de Pretória, provocou uma das maiores crises humanitárias recentes da África, com centenas de milhares de mortos e milhões de deslocados. A retomada das hostilidades ameaça reabrir feridas ainda não cicatrizadas e interromper os esforços de reconstrução.

Leão XIV, no final de seu apelo, voltou o olhar para a responsabilidade da comunidade internacional, expressando a esperança de que ela ofereça uma contribuição generosa e oportuna para garantir que a ajuda humanitária chegue a todos os que dela necessitam. A mensagem se insere, assim, na preocupação constante da Igreja com a população civil atingida pelos conflitos: diante da morte, da destruição e do deslocamento, a prioridade, segundo o Pontífice, deve ser abrir novamente o caminho do diálogo e garantir assistência aos mais vulneráveis.

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EVANGELHO DO DIA (Lc 10,1-12)

ANO "A" - DIA: 01.10.2026
26ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIA DE SANTA TEREZINHA DO MENINO

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Convertei-vos e crede no Evangelho, pois o Reino de Deus está chegando!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E dizia-lhes: "A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3 Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: 'A paz esteja nesta casa!' 6 Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7 Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8 Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9 curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: 'O Reino de Deus está próximo de vós.' 10 Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11 'Até a poeira de vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!' 12 Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A missão de rezar e evangelizar como Santa Teresinha"

A missão nasce no coração de Jesus
Quero acolher você com muita alegria para essa reflexão, nesta homilia onde Deus fala ao coração, mas também nos dá a graça de permanecermos na Sua vontade. Hoje, nós comemoramos o dia de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Outubro é mês das missões e também do rosário, e Santa Teresinha do Menino Jesus foi uma missionária sem sair do convento. Olha só que coisa maravilhosa para dizer para nós: se sairmos do nosso comodismo, também podemos levar a Palavra de Deus a muitas pessoas. Vamos ler, hoje, o Evangelho de São Lucas, onde o Senhor vai nos dizer:

“O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois à sua frente, a toda cidade e lugar para onde ele próprio devia ir.” (Lucas 10,1-12)

O Evangelho de São Lucas é profundamente missionário, pois está ligado juntamente a essa espiritualidade de Santa Teresinha do Menino Jesus. Percebemos assim que a missão não nasce da iniciativa humana, mas do coração de Jesus.

A eleição para anunciar
Jesus é quem escolhe, quem chama e quem envia. Antes de qualquer planejamento, existe um chamado. Antes de qualquer atividade, existe uma vocação. Olha que lindo: o discípulo não anuncia uma ideia própria, ele anuncia a pessoa de Jesus Cristo. Jesus está dizendo para nós que ele é o protagonista da evangelização.

É Ele que precisa ser conhecido através de cada um de nós. É interessante notar que Jesus não pede, em primeiro lugar, que trabalhemos, mas que rezemos. Para que a missão aconteça, é preciso rezarmos, é preciso ter intimidade com o nosso Senhor. A oração precede a missão.

A missão deve ser regada pela oração
Olha que importante isso dentro da liturgia de hoje: a missão precisa estar regada pela oração. Quem não reza corre o risco de trabalhar para si mesmo, e quem reza aprende a trabalhar para Deus. É isso que Santa Teresinha do Menino Jesus quer nos ensinar no dia de hoje. Jesus não esconde as dificuldades da vida missionária.

O discípulo não é enviado como um guerreiro armado, mas como um cordeiro. Ou seja, a sua força está na confiança, está na oração, na perseverança. É a lógica da cruz. Quem vence o mal com o bem, vence por meio da oração. A missão só será inteiramente positiva se eu passar a minha vida em oração. E termino falando do desapego que a missão também precisa nos levar, para confiar na Providência de Deus.

Que Santa Teresinha, padroeira das missões, possa interceder por cada um de nós, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


O verdadeiro motivo por trás dos vícios



Por trás dos vícios, a compensação

Toda fuga da realidade funciona, do ponto de vista psicológico, como um mecanismo de compensação. O ser humano busca preencher ou anestesiar uma dor imediata por meio de um prazer compensatório, assim como fazemos ao oferecer um doce a uma criança após uma injeção. Esse comportamento não se restringe à infância, os adultos também recorrem a ele diante de frustrações, angústias e problemas acumulados.

A ilusão dos vícios e a fuga da realidade
Diante da necessidade de desabafar e aliviar a pressão interna, existem basicamente dois caminhos possíveis: o positivo e o negativo. O primeiro caminho, o positivo, conhecido na psicologia como sublimação, trata-se do processo de superar uma miséria ou sofrimento humano elevando a mente a algo superior, como a fé, a oração e a leitura da Palavra de Deus.

Por outro lado, quando o indivíduo escolhe a compensação negativa, ele entra por atalhos destrutivos. É nesse cenário que a pessoa se rende ao alcoolismo, às drogas, à prostituição ou até mesmo ao crime, agravando ainda mais a sua situação original.

O sofrimento inevitável
Nesta vida, o sofrimento e as dificuldades são realidades universais que atingem a todos, independentemente de crença ou religião. Não adianta tentar correr ou se esconder, cada ser humano possui a sua própria cruz para carregar ao longo da jornada.

Leia mais

A postura diante o sofrimento
A grande diferença reside na maneira como decidimos carregar essa cruz. Quando enfrentamos as dores com fé e as oferecemos a Deus, temos a capacidade extraordinária de transformar lágrimas em bênçãos e em amadurecimento espiritual. Cair na blasfêmia ou buscar o alívio nos vícios apenas duplica o sofrimento.

O vício funciona como uma urticária. Quanto mais você coça para aliviar a coceira momentânea, mais a irritação se espalha pelo corpo, tornando o problema muito pior. Em vez de agravar a ferida com falsas saídas, o caminho correto é buscar o remédio certo na oração e na paciência. Escolher passar pelas provações ao lado de Deus torna o peso consideravelmente mais leve e confere um sentido real ao sofrimento.

Transcrito e adaptado por Jaqueline Scarpin


Santa Teresinha do Menino Jesus

Santa Teresinha nasceu no dia 2 de janeiro de 1873 em Alençon na França. Caçula de uma família de 9 irmãos, porém 4 deles morreram. As cinco meninas que sobreviveram, depois entraram para a vida religiosa tornando-se freiras.

A criação em um ambiente cristão foi o incentivo para as meninas, pois os seus pais Luís Martin e Zélia Guerín levavam uma vida piedosa, tanto que em 2015 o casal teve sua santidade reconhecida e foram canonizados juntos pelo papa Francisco.

Em 28 de agosto de 1877, sua mãe Zélia morreu de câncer de mama. Teresinha tinha quatro anos. Ela sofreu muito com a perda da mãe e escolheu a irmã Pauline como sua "segunda mãe".

Desde a infância, Teresinha queria ser freira. Depois que suas irmãs entraram para o Carmelo, Pauline em 1882 e Marie em 1886, seu pai aceitou que ela entrasse aos 15 anos. Céline entrou lá em 1894 enquanto Léonie entrou na Visitação de Caen em 1899.

Em 1887, Teresinha fez uma peregrinação à Itália junto com o seu pai para obter a permissão do Papa Leão XIII para poder entrar no Carmelo, devido a sua pouca idade.

Em 9 de abril de 1888, Teresinha entrou para o Carmelo. No ano seguinte vestiu o hábito de carmelita e assumiu o nome de Irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face.

No ano de 1894, a pedido de Madre Agnès (Pauline), começou a escrever suas memórias de infância, que continuaria até 1897. A autobiografia “História de uma alma” foi publicada em 1898, um ano depois de sua morte.

Em abril de 1896, Teresinha teve uma crise de hemoptise. Ela morreu de tuberculose em 30 de setembro de 1897, aos 24 anos de idade.

Santa Teresinha foi beatificada pelo Papa Pio XI em 1923 e canonizada pelo mesmo Papa em 1925.

Em 1927, Pio XI a proclamou “Padroeira das Missões” e em 1944, o Papa Pio XII a declarou “Co-padroeira da França”.

Finalmente, em 19 de outubro de 1997, centenário de sua morte, o Papa João Paulo II a proclamou "Doutora da Igreja".

Colaboração: Nathália Lima

Reflexão:

Santa Teresinha, quis provar o seu amor a Cristo que a chamou a dar a vida pelo mundo. Ela escolheu confiar totalmente em Deus e tornar-se cada vez menor para se render a Ele. O "pequeno caminho" de Teresinha é um "caminho de infância espiritual" que está no centro da mensagem que ela deseja transmitir. Este caminho representa um caminho espiritual a ser percorrido para aceitar a própria pequenez e oferecer-se a Deus, apesar das provações da fé.

Oração:

Santa Teresinha, a vós recorremos em nossas trevas. Alcançai para nós, para a nossa pátria, as luzes do Divino Espírito Santo, para que todo o nosso íntimo seja luz e claridade, para que recebamos sempre os raios benéficos e esplêndidos de quem se apresentava ao mundo como a Luz celeste. Amém.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Comissão Episcopal para a Juventude atualiza e disponibiliza cartilha “Cuidar da Vida” sobre prevenção ao suicídio


A Comissão Episcopal para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece a cartilha Cuidar da Vida revisada e atualizada. O material oferece subsídios para agentes de pastoral, educadores e lideranças que desejam desenvolver ações de prevenção do suicídio e promoção da vida entre adolescentes e jovens.

A iniciativa, aprovada pela CNBB e proposta pela Comissão Episcopal para a Juventude, nasceu da preocupação com a realidade enfrentada pelas novas gerações e da necessidade de preparar lideranças para reconhecer situações de sofrimento, promover a escuta e fortalecer redes de cuidado.

Desde 2024, o projeto vem percorrendo diferentes regiões do país, formando multiplicadores para a prevenção do suicídio e a promoção da vida. As formações presenciais passaram por Cuiabá (MT), Manaus (AM), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Imperatriz (MA) e São Paulo (SP), reunindo participantes de diferentes regionais da CNBB.

Em janeiro de 2025, uma edição especial foi realizada em Nova Santa Rita (RS), ampliando esse processo de formação. Ao todo, 193 participantes foram capacitados nas sete edições realizadas. A proposta é que esses agentes levem os conhecimentos adquiridos para suas dioceses, pastorais, grupos e movimentos juvenis e também para os espaços educacionais. Uma formação que se multiplica

Projeto Cuidar da Vida
O projeto Cuidar da Vida foi desenvolvido em parceria com a Pastoral Juvenil e a Pastoral da Educação, contando também com a colaboração voluntária de psicólogos e educadores católicos que unem conhecimento profissional e experiência pastoral.

A formação busca preparar lideranças para atuar na prevenção do suicídio entre adolescentes e jovens, especialmente nos ambientes onde eles vivem, estudam, convivem e desenvolvem sua experiência de fé.

A ideia de multiplicação está no centro da proposta. Quem participa da formação é chamado a compartilhar os conhecimentos em sua realidade local, ampliando uma rede de pessoas preparadas para promover o cuidado, identificar sinais de sofrimento e encaminhar situações que necessitem de acompanhamento especializado.

Dessa forma, o projeto não se limita às pessoas que participaram diretamente das formações. Cada multiplicador torna-se uma ponte para que o cuidado chegue a novas comunidades e grupos.

A cartilha: fruto de um caminho pela vida
É nesse contexto que a Comissão Episcopal para a Juventude disponibiliza a edição revisada e atualizada da cartilha Cuidar da Vida.

O material oferece subsídios para agentes de pastoral, educadores e lideranças que desejam desenvolver ações de prevenção do suicídio e promoção da vida entre adolescentes e jovens.

A cartilha também contempla o cuidado e o consolo às pessoas e famílias que enfrentam a perda de alguém por suicídio, reconhecendo que a atenção não termina diante da perda, mas continua no acolhimento daqueles que permanecem.

Mais do que um material de consulta, a publicação representa a continuidade de um trabalho que vem sendo construído em diferentes partes do Brasil. A cartilha é fruto de um caminho de formação e uma ferramenta para que esse caminho continue se multiplicando.

Cuidar da vida é missão permanente
A promoção da vida das juventudes é uma responsabilidade que ultrapassa o mês de setembro. O Setembro Amarelo contribui para ampliar a conversa sobre prevenção do suicídio, mas o cuidado precisa estar presente durante todo o ano, nos espaços de convivência, nas comunidades, nas escolas, nas famílias e também na vida pastoral.

Ao incentivar a formação de multiplicadores, a Igreja no Brasil busca fortalecer comunidades capazes de acolher, escutar e acompanhar adolescentes e jovens em suas diferentes realidades.

O projeto Cuidar da Vida expressa, assim, uma escolha: estar ao lado das novas gerações e trabalhar para que cada vida seja cuidada e valorizada.

A Comissão Episcopal para a Juventude convida dioceses, paróquias, comunidades, pastorais, movimentos, escolas e demais espaços que acompanham adolescentes e jovens a conhecerem e utilizarem o material.

Cartilha “Cuidar da vida – Prevenção de suicídio entre adolescentes e jovens” Baixar

Baixe AQUI gratuitamente a cartilha “Cuidar da Vida – Prevenção do Suicídio entre Adolescentes e Jovens” e ajude a multiplicar essa rede de cuidado e promoção da vida.


Leão XIV: o renascimento da fé na França é uma esperança para toda a Igreja


Na Audiência Geral, Leão XIV fala sobre a recente viagem apostólica ao país, ainda com impressões "tão vivas" e relembra os momentos vividos com os fiéis e a “inesquecível” Vigília dos jovens. A Catedral de Notre-Dame restaurada é um sinal de que é possível a “colaboração entre a Igreja, o Estado, as instituições públicas e a sociedade civil” e “a sinergia em prol do bem comum”. De Metz, a lição de que a Europa pode se renovar como um projeto de paz.

Andressa Collet - Vatican News

O Papa Leão XIV procurou compartilhar com os fiéis presentes na Praça São Pedro as suas reflexões e impressões "ainda tão vivas" da recente viagem apostólica à França que teve como tema“Pour que le monde ait la vie” — “Para que o mundo tenha vida” (cf. Jo 6, 51). Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (30/09), o Pontífice deu detalhes dos quatro dias no país, divididos em três etapas: Paris, Lourdes e Metz. Após os agradecimentos pela acolhimento e organização, tanto a autoridades e pastores da Igreja como "à multidão que quis encontrar o Papa ou simplesmente saudá-lo nas ruas como apóstolo de Cristo e mensageiro da paz. Obrigado a todos!".

O renascimento da Catedral de Notre-Dame
Ao começar a falar sobre a visita pastoral realizada de 25 a 28 de setembro, o Pontífice quis destacar o grande símbolo da Catedral de Notre-Dame em Paris que, há apenas 7 anos, "parecia mortalmente ferida" pelo incêndio de grandes proporções que sofreu. Mas ela foi reconstruída e está mais resplandecente do que nunca, tanto que o Papa celebrou as Vésperas em honra da Santíssima Virgem Maria no local, com uma liturgia solene e jubilosa. A catedral de Paris, continuou o Pontífice, "com o drama que viveu", ensina que a Igreja e a sociedade civil podem trabalhar juntas pelo bem comum, "oferecendo uma chave de leitura que eu resumiria numa única palavra: renascimento":

"Tal sinergia em prol do bem comum deveria ser o padrão de atuação para as instituições, forças políticas e sociais, e para todos aqueles que detêm responsabilidades cívicas e econômicas. É esta a mensagem que desejei transmitir às autoridades francesas, bem como aos membros da Unesco — a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, com sede em Paris —, ao destacar o critério fundamental sobre o qual tal colaboração deve assentar: a dignidade da pessoa humana."

Fazendo um paralelo com outro compromisso na capital francesa, a vigília dos jovens no Stade de France, "dois cenários completamente diferentes, mas dois acontecimentos complementares — quase espiritualmente unidos. O que os unia? A Igreja, que não é feita de pedra nem de cimento, mas de pessoas que amam Jesus Cristo porque foram amadas por Ele", disse o Papa. Assim como foi o encontro no lar Maison Bakhita que acolhe pessoas em situação de necessidade, um lugar com o "compromisso diário de servir a dignidade da pessoa humana com amor".

A verdadeira reconstrução da Igreja na França
A renovação da Igreja na França também se manifesta pelo número notável e crescente de jovens e adultos que pedem o Batismo. Uma "bela 'surpresa' de Deus", disse o Papa, que também pode encontrar e incentivar a caminhada dos catecúmenos e neófitos. E não só:

"O ponto alto da minha visita à capital foi a Missa na Place de la Concorde. Ali, um sinal de renascimento manifestou-se de modo notável: a assembleia litúrgica — reunindo sacerdotes, o coro e uma vasta multidão naquela praça espaçosa — estendia-se por toda a Avenue des Champs-Élysées, chegando ao Arco do Triunfo e mais além. No momento da Comunhão, todos puderam aproximar-se da Eucaristia, que foi distribuída por toda a área. Eis a verdadeira reconstrução, a restauração da Igreja que só Deus pode realizar, por intercessão da Virgem Maria."

Depois de Paris, a peregrinação a Lourdes para venerar a Mãe da Igreja que, através do cuidado materno, dá esperança a milhares de peregrinos e, especialmente, "aos que sofrem no corpo e no espírito", disse Leão XIV, ao acrescentar:

“Toda a vida humana, em qualquer condição — mesmo na de mais extrema fragilidade —, conserva a sua dignidade inviolável e merece ser cuidada, acompanhada e aliviada do sofrimento com compaixão humana e o auxílio de meios oferecidos pela ciência. Por isso, Lourdes apresenta-se ao mundo inteiro como um santuário da civilização do amor.”

O Papa também recordou o encontro que teve em Lourdes com pessoas que sofreram abusos, quando pediu que o ajudassem "a transmitir — também a outras vítimas — a minha determinação e a de toda a Igreja em ouvi-las e caminhar com elas na busca da cura, reconhecendo a dor causada nas suas vidas e trabalhando para prevenir abusos".

Renovar o mundo com o exemplo de Metz
Na última etapa da viagem apostólica, o Papa recordou dos encontros com representantes de diversas tradições religiosas na cidade de Metz, "situada numa região de França e da Europa marcada pelas cicatrizes da Segunda Guerra Mundial. Foi aí que Robert Schuman — uma das figuras-chave que inspirou o processo de unificação europeia — desenvolveu o seu trabalho". Leão XIV teve a oportunidade de recordar os horrores do conflito e o sonho de uma Europa unida, que "nasceu precisamente como um projeto de paz, na sequência da devastação da guerra", fundada em valores cristãos, entre eles, a abertura ao diálogo, tanto que foi assinado o "Apelo de Metz" pela paz:

"Podemos dizer que aquilo que aconteceu à Catedral de Notre-Dame de Paris com o incêndio, já havia ocorrido na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Contudo, a Europa renasceu, alicerçada em princípios de democracia, solidariedade e fraternidade entre os povos — princípios que muito devem às suas raízes cristãs. Ainda hoje, é sobre estes fundamentos e com esta 'seiva' vital que o projeto europeu pode se renovar num mundo muito mais globalizado, onde o diálogo inter-religioso desempenha um papel crucial."

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EVANGELHO DO DIA (Lc 9,57-62)

ANO "A" - DIA: 30.09.2026
26ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIA DE SÃO JERÔNIMO

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Eu tudo considero como perda e como lixo, a fim de eu ganhar Cristo e ser achado nele!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 57 enquanto Jesus e seus discípulos caminhavam, alguém na estrada disse a Jesus: "Eu te seguirei para onde quer que fores". 58 Jesus lhe respondeu: "As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça". 59 Jesus disse a outro: "Segue-me". Este respondeu: "Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai". 60 Jesus respondeu: "Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus". 61 Um outro ainda lhe disse: "Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares". 62 Jesus, porém, respondeu-lhe: "Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Radicalidade para o céu no testemunho de São Jerônimo"

Radicalidade como exigência no seguimento de Cristo
Quem põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o reino dos céus. (Lucas 9,57-62)

Irmãos e irmãs, na memória de São Jerônimo, a quem celebramos hoje, o Evangelho apresenta a radicalidade do seguimento de Cristo. Jesus responde a três candidatos ao discipulado, mostrando que o Reino dos Céus exige prioridade absoluta.

Radicalidade que abandona as seguranças
“O Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.” O Filho do homem não oferece segurança terrena, mas participação em Sua própria peregrinação neste mundo. Quando Cristo afirma que quem põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o Reino dos Céus, utiliza essa imagem agrícola de alguém que, ao desviar o olhar, torna torto o sulco da terra em que cultivava.

O que isso significa? Que o discípulo não pode viver dividido entre Cristo e o apego ao passado, entre a vontade de Deus e as seguranças do mundo. São Jerônimo, irmãos e irmãs, encarnou de modo admirável essa exigência evangélica. Deixou prestígio e comodidades para dedicar-se inteiramente à Palavra de Deus.

Entrega total à Palavra de Deus
A vida de São Jerônimo foi uma dedicação à Palavra e a sua tradução. Contribuiu para que hoje estivéssemos aqui lendo-a, traduzida para além dos textos originais. Por isso peçamos a intercessão de tão grande santo, que deixou tudo para se dedicar à Palavra e ao seu anúncio. Ele tem uma célebre afirmação: “Ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo.” São Jerônimo, irmãos e irmãs, revela que o verdadeiro seguimento nasce da escuta profunda da palavra divina.

Perseverar com radicalidade em Jesus
Neste mundo que é marcado por dispersões, superficialidades e pela constante tentação de olhar para trás, o Evangelho de hoje nos chama à perseverança e à fidelidade radical, nos chama à radicalidade. O discípulo autêntico é aquele que fixa o olhar em Jesus e continua avançando, mesmo quando o caminho exige renúncia. Nós permanecemos assim mesmo, permanecemos no combate espiritual e confiamos totalmente na graça de Deus.

Que, por intercessão de São Jerônimo, desça e permaneça sobre você a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova