sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Setor Música Litúrgica da CNBB reúne compositores na 17ª edição de encontro nacional


A Equipe de Reflexão do Setor Música Litúrgica da Comissão Episcopal para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reuniu cerca de 30 pessoas de várias partes do país no 17º Encontro de Compositores. Realizado entre os dias 4 e 7 de setembro, no Instituto Pio XI, em São Paulo (SP), o encontro teve a proposta de refletir e aprofundar o tema “A Música Brasileira na Liturgia”.

De acordo com a Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, o evento continua a caminhada de formação litúrgico-musical “nas veredas do Concílio Vaticano II e do magistério da Igreja no Brasil”.

“No atual momento de implantação da sinodalidade, é essencial retomar o trabalho das comissões diocesanas e regionais, como estruturas pastorais de diálogo com as equipes de liturgia, ministros ordenados, cantores e instrumentistas”, destacou o padre Jair Costa, assessor do Setor Música Litúrgica da CNBB.

Ele considera que é urgente “criar processos pastorais de formação para todas as assembleias celebrantes, considerando a música litúrgica como elemento essencial da pastoral, integrada nos planejamentos de evangelização nas Igrejas locais”, mais do que dizer ‘o que pode ou não pode’ no canto litúrgico.

A proposta é que os compositores colaborem para que as assembleias sejam formadas para a participação ativa e frutuosa, segundo padre Jair.

Memória agradecida
No início do evento, foi realizada uma memória agradecida dos compositores “da primeira hora”, que produziram música litúrgica intensamente nos primeiros anos após o Concílio: Cônego Amaro Cavalcante, padre José Geraldo Souza, Nicola Vale, padre Jocy Rodrigues, frei Joel Postma, padre Geraldo Leite, padre Silvio Milanez, padre Ney Brasil, padre José Weber, Reginaldo Veloso, José Alves, irmã Miria Kolling e tantos outros que, de acordo com a Comissão, “atuaram para fazer ressoar a voz da Igreja no coração do povo”.

“Semearam com abundância para a colheita musical das gerações que os seguiram”, destacou padre Jair.

Serviço à liturgia
Em um dos momentos do encontro, o bispo de Bonfim (BA) e presidente da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, dom Hernaldo Pinto Farias, conversou com os participantes por videochamada, e os incentivou a vislumbrar novas possibilidades para a vida litúrgica. Para dom Hernaldo, é essencial reunir competências de diversas regiões do país para avançar na qualidade da música litúrgica brasileira.

O bispo defendeu que o foco do compositor e da compositora deve ser o serviço à liturgia, evitando que o desejo de reconhecimento pessoal ou o brilho da própria composição se sobreponham à celebração. Por fim, afirmou que a música litúrgica, quando escolhida e programada com critério, dá o tom da celebração e atinge o coração da assembleia, tendo um impacto maior do que comentários ou homilias.

“A música bem elaborada, num estilo cultural próximo da assembleia que celebra, possibilita que os fiéis levem a mensagem do Evangelho e os mistérios de Cristo para a vida cotidiana”.

Os participantes do evento expressaram gratidão a dom Hernaldo pela presença e pela ternura demonstrada no diálogo, destacando que essa proximidade é vital para aqueles que atuam na liturgia, na música e na evangelização.
Contribuição da Equipe de Reflexão

Os membros da Equipe de Reflexão se revezaram na condução dos trabalhos do evento. Márcio Almeida explicou que a música acontece em culturas concretas, em uma variedade de expressões autênticas. “O que escutamos e cantamos é expressão dos lugares que habitamos e das experiências de Deus nestes lugares”, refletiu. Como questionamento aos compositores, sugeriu a pergunta: “que povo canta em mim quando realizo meu trabalho musical?”

A cantora e antropóloga convidada, Renata Mattar, contribuiu com a reflexão sobre a “Música na Religiosidade Popular”, pensando como a música está presente nos momentos importantes da vida do povo simples e devoto, nos cantos de trabalho e benditos. Renata ponderou como esta música está repleta de referências ao sagrado e à religião, e por isso se torna uma referência essencial para os compositores de música litúrgica. “Uma música que fala ao coração do povo”.

Frei Joaquim Fonseca apresentou uma reflexão sobre a Música Brasileira na Liturgia, destacando a dimensão memorial da música litúrgica: ela retrata a experiência de Deus nas raízes culturais dos povos. A busca destas raízes culturais no Brasil foi realizada desde os primeiros anos após o Concílio Vaticano II, respondendo à questão: “se podemos rezar em nossa própria língua, porque não podemos cantar em nossas expressões culturais?”. Os pesquisadores e compositores “da primeira hora” constataram muitas semelhanças entre as estruturas musicais do canto gregoriano e cantos da etnomúsica brasileira, e seguiram estas descobertas para fazer música litúrgica fiel à grande tradição e às culturas brasileiras.

Partilha musical
Cada participante do encontro teve oportunidade de apresentar composições autorais para o tempo pascal (tema do encontro anterior) e para o Ordinário da Missa. Os participantes puderam opinar e sugerir melhorias sobre as obras dos colegas. A Oficina de Composição – Letra foi conduzida por padre Josenildo Nunes e Márcio Almeida; e a Oficina de Composição – Música foi conduzida por frei Wanderson Freitas, padre Wallison Rodrigues e Adenor Terra. Nos momentos de oração do Ofício das Comunidades e Eucaristia, coordenados por padre José Carlos Sala, Daniela Oliveira e Adenor Terra, os participantes experimentaram composições de salmos e cantos litúrgicos afinados com a tradição da Igreja e da cultura brasileira.

Com informações de Pe. Jair Costa

O Papa: a Igreja não está isolada do mundo, mas anuncia a esperança


Leão XIV recebeu os bispos nomeados recentemente que participam do curso de formação no Vaticano. Em seu discurso, ele assegurou que "nenhum bispo está sozinho" e os exortou a estarem próximos do povo, amando aqueles que Deus lhes confiou, especialmente os sacerdotes. O Pontífice olha para este tempo de mudanças e desenvolvimento tecnológico e indica a Magnifica humanitas como referência para enfrentar o grande desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial.

Salvatore Cernuzio/Mariangela Jaguraba – Vatican News

“Nenhum bispo caminha sozinho.” Nenhum bispo deve abandonar seu povo, mas sim conhecer suas alegrias, tristezas e sonhos, mantendo “um coração aberto a todos” — incluindo cristãos de outras confissões e fiéis de outras religiões — e anunciando o Evangelho nesta época, por vezes “desconcertante”, de rápidas mudanças e desenvolvimento da inteligência artificial. Assim, o Papa se dirigiu a 147 bispos de cinco continentes. São os prelados nomeados no último ano que participaram do curso anual de formação no Vaticano, um espaço para favorecer o diálogo, a orientação e o conhecimento entre os que provêm de diversos contextos eclesiais, culturais e sociais. Participaram desta edição noventa e oito bispos no programa oferecido pelo Dicastério para os Bispos e 49 no programa oferecido pelo Dicastério para a Evangelização.

"Bispos, servidores da comunhão na Igreja e no mundo de hoje", foi o tema deste minicurso oferecido aos novos bispos, que começou em 2 de setembro e se concluiu na manhã desta quinta-feira, dia 10, com uma audiência com o Papa Leão XIV na Sala do Sínodo. Ele iniciou o encontro pedindo "uma oração pelo descanso eterno" do pai do cardeal Luís Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, que faleceu há alguns dias.

Bispos brasileiros de recente nomeação que participaram do encontro no Vaticano

"Nenhum bispo caminha sozinho"
Leão XIV começou seu discurso dizendo estar "sinceramente feliz" com a "experiência única de fraternidade" vivida pelos prelados nos últimos dias: juntos eles "escutaram, rezaram, celebraram a Eucaristia". Tudo isso nos ajuda a lembrar "uma coisa muito simples e preciosa: nenhum bispo caminha sozinho", afirmou o Papa.

“Vocês estão em minhas orações, e com vocês suas Igrejas: sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas, seminaristas, famílias, jovens, idosos, pobres, os que sofrem e aqueles que ainda aguardam o encontro com a alegria do Evangelho. Todos devem encontrar um lugar no coração do Bispo, porque todos já têm um lugar no coração de Cristo.”

O desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial
Partindo dessa premissa, o Papa ofereceu algumas orientações concretas aos novos bispos para o seu ministério. Especialmente nesta "era de rápidas mudanças", em que "os avanços nas tecnologias de comunicação e na Inteligência Artificial abriram possibilidades que, até alguns anos atrás, nem sequer imaginaríamos". Essas oportunidades e novos cenários "certamente não podem libertar a humanidade do pecado e de suas consequências: as crises que estamos vivendo demonstram isso tragicamente", enfatizou Leão.

Neste cenário complexo e, de certa forma, "perturbador", a Igreja "celebrou o Jubileu da Esperança no ano passado". "Talvez porque viva fora do mundo?", questionou o Pontífice. "Pelo contrário, porque é enviada por Cristo, morto e ressuscitado, para proclamar o Evangelho da salvação a todos. E nós, bispos, somos os primeiros destinatários deste mandato." Ele apontou para a Encíclica Magnifica humanitas como referência para "uma visão e um método para enfrentar o grande desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial".

“Encorajo-os a promover a reflexão e o diálogo em suas dioceses, a formar e apoiar aqueles que querem comprometer-se a servir a civilização do amor.”
O ministério nasce da proximidade com Jesus

O primeiro mandato que o Papa ofereceu aos bispos é o de "permanecerem com Jesus". Isto é o mais importante, afirmou o Pontífice, porque "somos bispos", mas antes de tudo "discípulos". E para falar de Cristo, "precisamos estar com Ele". “Para guiar o seu povo, devemos deixar-nos guiar por Ele todos os dias.”

“Por isso, valorize sempre o seu tempo com o Senhor: a Eucaristia, a Palavra de Deus, a oração e aqueles momentos em que você pode estar na sua presença com o coração simples do discípulo que se deixa amar pelo seu Senhor.”

O ministério “nasce daí” e assim “o serviço torna-se mais sereno, mais livre e mais fecundo”.

Amar seu povo
Um segundo aspecto que o Papa Leão destacou foi ter um coração “totalmente doado aos irmãos”. Doado aos sacerdotes e diáconos que ordenarão, aos jovens sempre “cheios de entusiasmo”, aos religiosos e religiosas, aos missionários, aos catequistas e às famílias, testemunhas de uma “generosidade silenciosa”. “O bispo – afirmou o Papa – é um homem que aprende cada dia mais a amar o seu povo: a conhecer as alegrias e as tristezas do seu povo, a partilhar os seus sonhos, a alegrar-se ao ver crescer as comunidades”.

“Amem as pessoas que o Senhor lhes confiou. Aprendam seus nomes, ouçam suas histórias, entrem em suas casas quando puderem, rezem com elas.”

Portanto, a “presença” é importante, especialmente nas Igrejas jovens: “Ela diz muito, mesmo antes das palavras”. “Uma visita, uma bênção, um tempo dedicado a um sacerdote, ouvir uma família, conversar com um jovem: são pequenos gestos, mas que podem permanecer na alma de uma pessoa por toda a vida”, assegurou o Papa Leão XIV.

O Papa Leão com os bispos na Sala do Sínodo (@Vatican Media)

Que os sacerdotes encontrem no bispo um pai e um irmão
Na mesma linha, ele exortou à “solicitude pastoral”, que “não significa simplesmente ter muitas responsabilidades”, mas sim demonstrar a verdadeira “paternidade episcopal”, “ter uma grande alma, grande o suficiente para acolher a todos”. A esse respeito, Leão XIV citou o Papa Francisco, que lembrou que “a proximidade é uma das características de Deus com o seu povo”. “Palavras preciosas para nós!” O Papa Prevost afirmou: “Que as pessoas sintam, através da nossa presença, algo da ternura e da paternidade de Deus! E isto vale de modo especial para os sacerdotes.”

“Neste ponto, o Pontífice recomendou “amar” os sacerdotes, para que eles encontrem no bispo “um pai e um irmão”.”

O Papa os convidou a escutar e encorajar os sacerdotes, a rezar por eles, se alegrar com o bem que fazem e acompanha-los com confiança no seu ministério. Dediquem especial atenção aos idosos e aos doentes. Façam eles saber que são preciosos, que a Igreja lhes é grata e que o Bispo não os esquece. Por vezes, é suficiente um telefonema, uma visita, uma palavra de carinho da parte de vocês.

Um coração missionário aberto a todos
Leão XIV dirigiu uma palavra aos pastores das Igrejas “mais jovens”: “Vocês conhecem a beleza e também o trabalho da missão, de uma Igreja que talvez possua pouco, mas que é rica de uma grande fé. Por isso, convido-os a manter um coração missionário”, exortou o Papa. "O bispo missionário tem o coração aberto a todos: não só aos que frequentam as nossas paróquias, mas também aos cristãos de outras denominações, aos fiéis de outras religiões, às pessoas que não professam uma fé, a todos os homens e mulheres de boa vontade. Ele escuta e respeita a todos, aproxima-se de todos e sabe reconhecer o bem presente no coração de cada pessoa."

“Caminhemos com o nosso povo: rezemos com ele, escutemos a Palavra com ele, celebremos a Eucaristia com ele. Busquemos a face do Senhor com ele todos os dias.”

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EVANGELHO DO DIA (Lc 6,39-42)

ANO "A" - DIA: 11.09.2026
23ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 39 Jesus contou uma parábola aos discípulos: "Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? 40 Um discípulo não é maior do que o mestre; todo discípulo bem formado será como o mestre. 41 Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho? 42 Como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Pregar o Evangelho e testemunhar com a vida"

Pregar o Evangelho como discípulos bem formados
Naquele tempo, Jesus contou uma parábola aos discípulos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois no buraco? Um discípulo não é maior do que o mestre. Todo discípulo bem formado será como mestre. Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão e não percebes a trave que há no teu próprio olho?” (Lucas 6,39-42)

Bem-vindos, meus irmãos e minhas irmãs, à nossa homilia diária! Aqui no Brasil, setembro é o mês dedicado à Bíblia. São Paulo, na primeira leitura de hoje, disse que existe uma imposição de pregar o Evangelho. É algo que se impõe, porque isso deriva do nosso batismo. Nós, como batizados, somos pregadores do Evangelho, anunciadores da Boa-Nova.

Pregar a Boa-Nova com preparo e coerência
Porém, o Evangelho de hoje deixa claro que o discípulo precisa estar preparado, bem formado. Katartizo, do grego, quer dizer completo, pronto para ser examinado, posto em ordem ou aperfeiçoado. Vejam, nós temos a obrigação, como São Paulo nos afirmou, de pregar o Evangelho, mas ele precisa primeiro passar por nós, precisa tocar a nossa existência e a nossa vida para que nós possamos ser bons anunciadores da Palavra.

Enxergar a si para testemunhar
Karfós quer dizer resíduo, o comportamento, às vezes moralista, de procurar pequenos erros em tudo e em todos… Muito cuidado na pregação do Evangelho, porque nós precisamos ter atenção com cada coração. Depois, aparece dokós, que significa uma viga, um pedaço de madeira. São comportamentos que, às vezes, são laxos, que não nos deixam enxergar os piores defeitos que nós temos. E aí, quando ousamos anunciar a Palavra de Deus, precisamos enxergar, primeiramente em nós, essas faltas, essas incoerências, para que o nosso testemunho seja fecundo.

Tornar-se um guia cego no anúncio do Evangelho não danifica apenas a estrada do Senhor, mas, muitas vezes, tira fora desse caminho muitas outras ovelhas que estavam caminhando com o Senhor. Por isso, vamos anunciar, sim, o Evangelho, mas também deixemos que ele, primeiramente, nos toque e nos purifique.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


As damas de Samaria e os perigos da vaidade, do pecado e da redenção

O programa Boa Semente e a palavra de Amós

Boa Semente é um programa em que temos um momento de conversa, e eu fico muito alegre de estar junto de vocês nesses dias em que podemos meditar um pouquinho sobre o que é a boa semente.

Quero convidar você a também ser um participante do Boa Semente. Não interessa o que eu falei ou deixei de falar, o que você sabe ou o que você leu: leve a Boa-Nova ao seu irmão! Leve sempre uma coisa boa para quem você desejar. “Ah, hoje tenho vontade de levar essa palavra para fulano de tal…” Senta com ele, conversa, vai, volta e deixa ali a palavra para ele meditar e pensar. É isso que nós temos que fazer, tudo certo?

Às vezes, uma mensagem que você manda para a pessoa faz ela ganhar o dia — entende? É tudo de que ela precisa.

Vamos falar hoje sobre uma coisa interessante, que envolve assuntos atuais, mas está no livro de Amós, capítulo 4, versículos de 1 a 3. O título é ‘As Damas de Samaria’, e diz assim: ‘Escutai, damas’. Escutai essa palavra.

Vacas de Basã do planalto de Samaria. Vós que explorais os fracos e enganais os indigentes, que só sabeis dizer aos maridos: “Traze, vamos beber”. O Senhor Deus jurou por sua própria Santidade, um dia há de vir para vós, quando sereis tocado com ferrões e que restar de vós com arpões de pescador, uma atrás a outra, terei que passar pela brecha da muralha e sereis atirado pelo lado de Hermon, o oráculo do Senhor.

O pecado de hoje, o luxo e a aparência
Damas de Samaria, quero dizer para vocês que hoje o pecado está tão espalhado na nossa vida e na nossa sociedade. Nós estamos ficando cada vez mais distantes de Deus, a ponto de ficarmos igualzinhos a essas damas de Samaria, certo? O pecado de hoje, o luxo… Como é difícil a gente ver essa disputa de luxo! Eu sei que, quanto mais bonitos ficarmos, melhor é — não é verdade?

Você se arruma… Eu sei que as mulheres gostam muito de se enfeitar, de estar na moda e de acompanhar essas coisas. Eu acho que tudo isso é realidade e até aí tudo bem. Mas há pessoas que se deformam inteiramente para poderem se sentir superiores às outras.

Quando eu tinha 40 anos, era de um jeito. Quando comecei na Canção Nova, com 25 para 26 anos de idade, era uma coisa. Hoje, estou com 77 e sou completamente diferente. Quando chegar aos 80 — faltam 3 anos —, serei outro completamente diferente. E a cada dia que passa, eu mudo. Por quê? A minha matéria vai se desgastando, então não adianta.

Mas quero voltar à palavra. Hoje, o luxo nos leva à hipocrisia. Quantas pessoas sofrem com a hipocrisia! Aquela pessoa perto da qual você se sente mal por ser tão hipócrita… E tem muita gente assim, sabe? Aquele tipo de pessoa que quer parecer demais. Faz mal para você? Para mim faz. Hoje, infelizmente… Eu, graças a Deus, não tenho o vício do luxo, que hoje se tornou uma droga muito violenta.

A ilusão de querer parecer demais e a hipocrisia
Existe um negócio que se chama celular, que é uma ferramenta de trabalho, mas, se você não dominar essa ferramenta, ela se torna uma droga — como a cocaína, a morfina e sei lá mais o quê, todas as “ínas” da vida. Infelizmente, hoje ele traz esse vício.

E como é difícil ver a pessoa se apresentar nesse celular e mandar a sua fotografia… Eu não sei como se chama aquele negócio — graças a Deus, não sei —, mas ela manda a sua imagem para o mundo inteiro. Toda pintada, toda rebocada… E não é só mulher, não. Não estou falando apenas para as mulheres, estou falando para todos nós, inclusive para os homens.

Hoje em dia, virou uma necessidade ter tantos músculos na vida, ter o corpo sarado. Eu mesmo já não tenho mais de onde tirar. Hoje, os meus médicos brigam para que eu tenha músculos, massa magra, mas eu não consigo. Tomo todo tipo de remédio e vitamina, mas não dá mais: é a idade, certo?

Acho bonito a pessoa que é forte, que faz ginástica e tem os músculos certinhos, bonitinhos. Acho bonito isso, tanto em mulher quanto em homem, não sou diferente. O problema é a exibição: aí o negócio muda. Por isso é muito triste ver acontecer essa obstinação.

A exploração dos fracos e a prática da agiotagem
“Vós que explorais os fracos e esmagais os indigentes”, Jesus sofreu isso, Ele sofreu na carne. “Vós que explorais os fracos”. Eu tive um pecado muito grave na vida, e, um dia desses, eu recebi uma carta, de uma pessoa tentando me agredir, dizendo que eu era agiota; ela quis me ofender, e esse foi o pecado da carne que eu mais sofri. E por que sofri esse pecado? Porque, quando você vai se se relacionando com Deus e se tornando íntimo d’Ele, os seus pecados vão se desabrochando, vai virando uma flor aberta para você, onde você cheira ou esmaga. E quando eu tinha esse pecado, o que fazia? Eu chegava, eu trabalhava numa estatal, eu tinha o meu dinheiro. Ganhei muito dinheiro com isso!
O meu pecado mais grave: Testemunho de Conversão

Eu fazia assim: recebia o meu pagamento e tinha o meu dinheiro. Naquele tempo, quando chegava uma pessoa que não tinha recursos e que passava necessidade, faltava-lhe o pão de cada dia, ela vinha até mim pedir emprestado, e eu emprestava o dinheiro.

Na época, os juros eram altíssimos! A gente ganhava com um negócio chamado overnight — acho que era overnight, nem me lembro mais, graças a Deus. Eram juros diários, e eles subiam todo dia. Então, a pessoa chegava até mim e pedia. Eu pegava o meu cheque e perguntava: “Quanto você quer?”. Entregava o meu cheque e pegava o dela. “Vou emprestar para você por 15, 20 ou 30 dias” — não interessava o prazo, o que interessava para mim era o juro do negócio. Eu pegava o cheque da pessoa e, como era amigo do gerente do banco onde ela recebia — ela trabalhava comigo e recebia no mesmo caixa que eu —, eu chegava antes de a pessoa depositar o dinheiro na conta dela e já entregava o cheque para o gerente.

Ah, para você ver que crime eu cometia…
O crime que cometi e a dor do arrependimento sincero
Quando ele ia receber o pagamento dele, já estava descontado o meu cheque. Então, ele recebia o pagamento de 30 dias trabalhado e eu tirava o dinheiro antes dele receber. Logicamente, faltava esse dinheiro. faltava pra vida dele, para os filhos dele, certo? Aí, qual era o recurso que ele tinha? Voltar para emprestar novamente.

Quando me converti de verdade, eu chorei muito por esse pecado! E, hoje, eu vejo esse excesso, e que eu gastava em luxo e coisa tal, tudo isso é igualzinho aqueles muros, como diz aqui: “Um dia há de vir para vós, quando sereis tocado com ferrões e que restar de vós com arpões e pecadores, um atrás a outro”.

A brecha da muralha: Um alerta final
“Tereis que passar pela brecha da muralha”. Antigamente, onde havia religiosos, havia uma passagem para o refeitório. Era uma muralha estreita, e eu conheci isso, uma muralha para você passar, para você entrar na porta do refeitório. Então, o que acontecia? Se você engordasse muito, você não conseguiria passar na muralha. Então, você não podia comer, tem que fazer regime para passar e poder comer. Era assim de primeiro, certo? E assim somos nós.

Se nós cairmos no pecado, na luxúria, na beleza de ser um mais que o outro, de ter mais do que o outro, de aparecer mais do que um outro… Pelo amor de Deus! Nós somos todos iguais. Então, eu quero dizer para você: não seja uma dama da Samaria, não seja uma vaca de Basã.

Deus abençoe seu dia! E não se esqueça: Deus o ama muito e o abençoa.

Do seu amigo,

Wellington Silva Jardim – Eto
Cofundador da Comunidade Canção Nova



São João Gabriel Perboyre

João Gabriel Perboyre nasceu no ano de 1802, em Mongesty, diocese de Cahors, França, de uma numerosa família de agricultores profundamente cristã. Primeiro dos oito filhos do casal, foi educado para seguir a profissão do pai. Porém, desde cedo demonstrava vocação religiosa, e na adolescência, juntamente a dois dos seus irmãos, ingressou no seminário da Congregação de São Vicente de Paulo (lazaristas). Três de suas irmãs também se fizeram religiosas, e um seu tio já era sacerdote.

Foi ordenado padre em 1826, ficando alguns anos em Paris, onde foi professor e diretor de seminários vicentinos. Mas aspirava ser missionário na China, numa casa vicentina; neste país, por esta época havia sido martirizado um outro padre.

Em 1832 um dos seus irmãos, também sacerdote, foi enviado ao povo sino, mas faleceu durante a viagem marítima. João pediu para ser seu substituto, seguindo em 1835 primeiro para Macau (possessão portuguesa até 1999). Ali aprendeu os costumes e o idioma chinês, bem como a apresentar-se como um nativo, pois a entrada de estrangeiros era proibida. Seguiu então para as regiões de Ho-Nan, e depois Hou-Pé. Encontrou um quadro de muitas apostasias, pois a perseguição aos católicos era grande e vários fraquejavam. Mas consolou-os e os incentivou à Fé, e realizou batismos, evangelizando em diversas aldeias.

Antes da celebração de uma Missa dominical em 1839, soldados chineses o quiseram prender, mas ele fugiu e se escondeu num bambuzal. Um rapaz recém-batizado o traiu, indicando o lugar aos perseguidores, que o capturaram. Foi imediatamente espancado. Durante este procedimento, era pressionado a revelar onde estavam outros padres; depois, foi levado a “julgamento”. Na prisão, ficou um ano sendo cruelmente torturado, em três cadeias diferentes. Sofreu mais de 20 interrogatórios, sob deboches, pancadas e torturas, com a intenção de que revelasse a localização de outros sacerdotes que deveriam ser mortos. Numa dessas ocasiões, foi-lhe oferecida a liberdade, se pisasse num crucifixo: recusando veementemente, foi punido com 110 chicotadas. Os tormentos incluíram sobrecarregá-lo com correntes, esmagar seus pés num torno, açoitá-lo com bambus, chicoteamento até a desfiguração, obrigá-lo a beber sangue de cachorro, insultar seu pudor. João Gabriel apenas dizia, “melhor morrer do que pecar.”

Foi por fim condenado à morte. Em 11 de setembro de 1839, amarrado a uma cruz em forma de “X”, foi espancado, escarrado, e teve os cabelos arrancados; enquanto o estrangulavam, ainda lhe davam pontapés na barriga. São João Gabriel Perboyre foi o primeiro missionário da China canonizado pela Igreja.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Ao longo da História, é possível verificar que no Oriente, de forma geral, o Catolicismo sempre foi muito perseguido, e particularmente após o surgimento do Comunismo. E atualmente a intolerância religiosa, particularmente contra a Igreja Católica, é cada vez mais evidente, mesmo nos países, orientais e ocidentais, que se apresentam com denominação de “democráticos” e “tolerantes”. A falsidade e incoerência destes governos fica escandalosa na pressão social, diminuição ou restrição completa de direitos civis, desrespeito aos valores, tradições e ensinamentos católicos, proibições absurdas até de liberdade de expressão, e em muitos casos prisões, deportações e assassinatos dos filhos da Santa Igreja – em geral, com a argumentação de que os católicos é que são intolerantes com os demais! De fato, Deus, a Igreja e os fiéis não podem ser tolerantes com o pecado, que é o que os “tolerantes” desejam, já que adotam facilmente este modo de vida, e não estão dispostos a terem suas iniquidades confrontadas pela Verdade sobrenatural, e pelas verdades naturais, que o Catolicismo comprova; mas se há tolerância com os pecadores, é nos países de matriz católica (os não corrompidos pelo modernismo). Os “tolerantes democráticos” aceitam tudo, inclusive o satanismo, mas não a Igreja; rejeitam, ignoram, distorcem verdades e fatos históricos, usando de poderosa mídia, na tentativa de desacreditar e desmoralizar a Igreja e a Fé, alegando que este tipo de atitude é em prol da “liberdade”… de quem? Só dos que não são católicos. Mentiras tão absurdas e gigantescas não podem trazer futuro bom para nenhuma sociedade, pois estão apoiados na mentira, e os que hoje são indulgentes com essa mentalidade serão os primeiros a serem escravizados por ela. Os “tolerantes democráticos” odeiam a Igreja porque ela prega a caridade, o perdão, a honestidade, a castidade, o amor na família e na sociedade, o estudo para conhecer a verdade (e não para desenvolver uma retórica a serviço da mediocridade e da mentira), o respeito mútuo, que necessariamente não impede a correção quando devido, a justiça, as verdades naturais da Criação de Deus (como a realidade incontestável que um ser humano é um ser humano desde a sua concepção; alguém por acaso contesta que uma baleia é uma baleia desde a sua concepção? Aos animais se dá mais valor intrínseco do que ao Homem, o único ser feito à imagem e semelhança de Deus! Pode haver “tolerância” ou “consenso democrático” por exemplo a respeito da mudança do valor intrínseco de 1 +1 =2?? Verdades biológicas, ou matemáticas, são verdades, não dependem, absolutamente, de acordos ou convenções); e muitas coisas mais, da mesma índole: assim, por ser honesto, casto, moralmente virtuoso, etc. é que o católico é perseguido. Uma bestialidade que não pode mais ser admitida. Não pode haver liberdade em rejeitar e desonrar a Cruz, justamente a prova maior de Cristo para a nossa libertação do pecado. É portanto necessário aos católicos beber o cálice do Sangue de Cristo, e não se regalar no sangue dos cães, se for o caso imitando diretamente a Jesus e a São João Gabriel Perboyre: sofrendo traição, tortura e morte, talvez numa cruz. É também necessário, de forma, premente, rezar e se mortificar pelas conversões dos que perseguem a Cristo e Sua Igreja. “É melhor morrer do que pecar”. Mas se houver fidelidade e obediência aos Mandamentos de Deus, na vida com os Seus Sacramentos, não será necessário chegar a este ponto: os santos e as conversões inúmeras vezes evitaram desgraças no mundo católico. Que comecem, enquanto é tempo, as conversões, primeiro a nossa, dos católicos, para que a nossa santidade, que é obra do Espírito Santo com a nossa cooperação, possa obter a misericórdia de Deus.

Oração:

Ó Senhor, Todo-Poderoso, infinitamente bom, e infinitamente justo: concedei-nos pela intercessão e exemplo de São João Gabriel Perboyre a graça de não nos sobrecarregarmos com as cadeias do pecado, da apostasia, de não trairmos Cristo e os irmãos, mas protegei os Vossos filhos, livrando-os dos males da alma e do mundo, sustentando-nos nas boas obras e na coragem de rezar e agir pelo Vosso Reino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Pastoral do Turismo realiza XI Encontro Nacional em Lorena e anuncia Ituporanga como sede de 2027

A cidade de Lorena, no Vale do Paraíba paulista, recebeu, entre os dias 3 e 6 de setembro de 2026, o XI Encontro Nacional da Pastoral do Turismo (PASTUR). Com o tema “Caminhos Sustentáveis e Transformação”, o encontro reuniu agentes da pastoral, religiosos, profissionais do turismo, pesquisadores e representantes de diferentes regiões do Brasil para quatro dias de formação, espiritualidade, partilha de experiências e fortalecimento da missão evangelizadora da Igreja no universo do turismo.


A programação promoveu reflexões sobre os novos caminhos da Pastoral do Turismo no Brasil, relacionando evangelização, hospitalidade, desenvolvimento dos territórios, sustentabilidade, patrimônio, cultura e as transformações que também chegam à comunicação e à atividade turística.

Entre os temas abordados esteve “A expansão da Pastoral do Turismo no Brasil e sua missionariedade que transforma”, apresentado pelo padre Manoel de Oliveira Filho, assessor da PASTUR Nacional. A reflexão destacou a presença missionária da Pastoral e os desafios e possibilidades para sua expansão em novas dioceses e comunidades do país.

A programação formativa também discutiu turismo responsável, planejamento e captação de recursos, com João Gouveia Cezar; hospitalidade e Inteligência Artificial, com o professor Alexandre Panosso Netto; além da experiência do Caminho do Louvor, apresentada por Eduardo Bittelbrunn, relacionando fé, cultura e cuidado com a Casa Comum.

Os minicursos aprofundaram temas como turismo de base comunitária, criação de experiências e serviços turísticos com foco na economia circular; presença digital da PASTUR e utilização da Inteligência Artificial como aliada da missão; e orientações para a estruturação de novos núcleos da Pastoral do Turismo.

Uma roda de conversa também refletiu sobre o papel do guia de turismo religioso e sua contribuição para experiências capazes de integrar conhecimento, patrimônio, cultura e espiritualidade.

Visita técnica aproximou formação e experiência
Um dos destaques da programação foi a visita técnica, que possibilitou aos participantes conhecer espaços de relevância religiosa, histórica, cultural e turística da região.

O roteiro contemplou a Capela Nossa Senhora de Pentecostes, sede da Renovação Carismática Católica do Brasil; o Santuário de São Miguel, em Piquete; a Basílica Menor da Imaculada Conceição; e o Santuário Nossa Senhora da Cabeça, em um percurso por locais da diocese de Lorena e da arquidiocese de Aparecida.


Durante as visitas guiadas, os participantes puderam conhecer a história, a espiritualidade e as características dos locais, vivenciando na prática temas trabalhados ao longo do Encontro e percebendo como patrimônio, turismo e evangelização podem caminhar juntos.

A experiência foi concluída em Aparecida, com visita guiada e participação na Santa Missa no Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Sacerdotes presentes no XI Encontro Nacional da PASTUR também concelebraram a Eucaristia na Basílica, em um significativo momento de comunhão e espiritualidade.

Cultura, fé e devoção na noite de sábado
A programação também reservou espaço para a valorização das manifestações culturais e religiosas dos diferentes territórios brasileiros.

Na noite de sábado, os participantes vivenciaram uma partilha cultural marcada pelo musical “Canções para Nazaré”, que trouxe ao Encontro a história, a cultura e, sobretudo, a profunda devoção do povo paraense a Nossa Senhora de Nazaré.

Por meio de canções e narrativas, a apresentação resgatou histórias e elementos ligados ao Círio de Nazaré, unindo música, memória, identidade cultural e fé em uma experiência que aproximou os participantes de uma das grandes expressões da religiosidade popular do povo paraense.

A noite contou ainda com a participação especial do Padre Antônio Maria, proporcionando um momento de confraternização, música e espiritualidade.

Padre Antônio Maria voltou a participar da programação no domingo pela manhã, quando realizou uma apresentação especial para os participantes, proporcionando mais um momento de fé e evangelização antes do encerramento das atividades.
De Lorena para Ituporanga: o caminho continua em 2027

Ao final do XI Encontro Nacional, a Pastoral do Turismo também voltou o olhar para o próximo destino dessa caminhada. Ituporanga, em Santa Catarina, foi anunciada como sede do Encontro Nacional da PASTUR de 2027, que será realizado de 24 a 27 de novembro.

A escolha possui um significado especial: Ituporanga abriga atualmente o único núcleo da Pastoral do Turismo em Santa Catarina. A cidade e a comunidade local já começam a se articular para acolher agentes, lideranças e representantes da PASTUR vindos de diferentes regiões do Brasil.

A preparação envolve a Pastoral do Turismo local, a Paróquia Santo Estêvão, a diocese de Rio do Sul e representantes do município, fortalecendo também a parceria com o poder público para a organização do encontro e para a valorização das potencialidades religiosas, culturais e turísticas de Ituporanga e da região.

Depois de quatro dias de formação, espiritualidade, cultura, convivência, visitas técnicas e troca de experiências em Lorena, o XI Encontro Nacional reafirmou a missão da Pastoral do Turismo de ser presença da Igreja nos espaços de descanso, lazer, peregrinação e turismo, promovendo acolhida, evangelização, cuidado com a Casa Comum e valorização dos territórios.

Lorena encerra um capítulo dessa caminhada, mas a missão continua. De 24 a 27 de novembro de 2027, os caminhos da PASTUR de todo o Brasil se encontrarão novamente, desta vez em Ituporanga, Santa Catarina.

Com informações da Pastoral do Turismo


O Papa: a Igreja não está isolada do mundo, mas anuncia a esperança


Leão XIV recebeu os bispos nomeados recentemente que participam do curso de formação no Vaticano. Em seu discurso, ele assegurou que "nenhum bispo está sozinho" e os exortou a estarem próximos do povo, amando aqueles que Deus lhes confiou, especialmente os sacerdotes. O Pontífice olha para este tempo de mudanças e desenvolvimento tecnológico e indica a Magnifica humanitas como referência para enfrentar o grande desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

“Nenhum bispo caminha sozinho.” Nenhum bispo deve abandonar seu povo, mas sim conhecer suas alegrias, tristezas e sonhos, mantendo “um coração aberto a todos” — incluindo cristãos de outras confissões e fiéis de outras religiões — e anunciando o Evangelho nesta época, por vezes “desconcertante”, de rápidas mudanças e desenvolvimento da inteligência artificial. Assim, o Papa se dirigiu a 147 bispos de cinco continentes. São os prelados nomeados no último ano que participam do curso anual de formação no Vaticano, um espaço para favorecer o diálogo, a orientação e o conhecimento entre os que provêm de diversos contextos eclesiais, culturais e sociais. Noventa e oito bispos inscritos no programa oferecido pelo Dicastério para os Bispos e 49 no programa oferecido pelo Dicastério para a Evangelização participaram desta edição.

Bispos, servidores da comunhão na Igreja e no mundo de hoje, foi o tema deste minicurso oferecido aos novos bispos, que começou em 2 de setembro e terminou na manhã desta quinta-feira, dia 10, com uma audiência com o Papa Leão XIV na Sala do Sínodo. Ele iniciou o encontro pedindo "uma oração pelo descanso eterno" do pai do cardeal Louis Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, que faleceu há alguns dias.

"Nenhum bispo caminha sozinho"
Leão XIV começou seu discurso dizendo estar "sinceramente feliz" com a "experiência única de fraternidade" vivida pelos prelados nos últimos dias: juntos eles "escutaram, rezaram, celebraram a Eucaristia". Tudo isso nos ajuda a lembrar "uma coisa muito simples e preciosa: nenhum bispo caminha sozinho", afirmou o Papa.

Vocês estão em minhas orações, e com vocês suas Igrejas: sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas, seminaristas, famílias, jovens, idosos, pobres, os que sofrem e aqueles que ainda aguardam o encontro com a alegria do Evangelho. Todos devem encontrar um lugar no coração do Bispo, porque todos já têm um lugar no coração de Cristo.

O desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial
Partindo dessa premissa, o Papa ofereceu algumas orientações concretas aos novos bispos para o seu ministério. Especialmente nesta "era de rápidas mudanças", em que "os avanços nas tecnologias de comunicação e na Inteligência Artificial abriram possibilidades que, até alguns anos atrás, nem sequer imaginaríamos". Essas oportunidades e novos cenários "certamente não podem libertar a humanidade do pecado e de suas consequências: as crises que estamos vivendo demonstram isso tragicamente", enfatizou Leão.

Neste cenário complexo e, de certa forma, "perturbador", a Igreja "celebrou o Jubileu da Esperança no ano passado". "Talvez porque viva fora do mundo?", questionou o Pontífice. "Pelo contrário, porque é enviada por Cristo, morto e ressuscitado, para proclamar o Evangelho da salvação a todos. E nós, bispos, somos os primeiros destinatários deste mandato." Ele apontou para a Encíclica Magnifica humanitas como referência para "uma visão e um método para enfrentar o grande desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial".

Encorajo-os a promover a reflexão e o diálogo suas dioceses, a formar e apoiar aqueles que querem comprometer-se a servir a civilização do amor.
O ministério nasce da proximidade com Jesus

O primeiro mandato que o Papa ofereceu aos bispos é o de "permanecer com Jesus". Isto é o mais importante, afirmou o Pontífice, porque "somos bispos", mas antes de tudo "discípulos". E para falar de Cristo, "precisamos estar com Ele". “Para guiar o seu povo, devemos deixar-nos guiar por Ele todos os dias.”

Por isso, valorize sempre o seu tempo com o Senhor: a Eucaristia, a Palavra de Deus, a oração e aqueles momentos em que você pode estar na sua presença com o coração simples do discípulo que se deixa amar pelo seu Senhor.

O ministério “nasce daí” e assim “o serviço torna-se mais sereno, mais livre e mais fecundo”.

Amar seu povo
Um segundo aspecto que o Papa Leão destacou foi ter um coração “totalmente doado aos irmãos”. Doado aos sacerdotes e diáconos que ordenarão, aos jovens sempre “cheios de entusiasmo”, aos religiosos e religiosas, aos missionários, aos catequistas e às famílias, testemunhas de uma “generosidade silenciosa”. “O bispo – afirmou – é um homem que aprende cada dia mais a amar o seu povo: a conhecer as alegrias e as tristezas do seu povo, a partilhar os seus sonhos, a alegrar-se ao ver crescer as comunidades”.

Amem as pessoas que o Senhor lhes confiou. Aprendam seus nomes, ouçam suas histórias, entrem em suas casas quando puderem, rezem com elas.

Portanto, a “presença” é importante, especialmente nas Igrejas jovens: “Ela diz muito, mesmo antes das palavras”. “Uma visita, uma bênção, um tempo dedicado a um sacerdote, ouvir uma família, conversar com um jovem: são pequenos gestos, mas que podem permanecer na alma de uma pessoa por toda a vida”, assegurou o Papa Leão XIV.

Que os sacerdotes encontrem no bispo um pai e um irmão
Na mesma linha, ele exortou à “solicitude pastoral”, que “não significa simplesmente ter muitas responsabilidades”, mas sim demonstrar a verdadeira “paternidade episcopal”, “ter uma grande alma, grande o suficiente para acolher a todos”. A esse respeito, Leão XIV citou o Papa Francisco, que lembrou que “a proximidade é uma das características de Deus com o seu povo”. “Palavras preciosas para nós!” O Papa Prevost afirmou: “Que as pessoas sintam, através da nossa presença, algo da ternura e da paternidade de Deus! E isto vale de modo especial para os sacerdotes.”

Neste ponto, o Pontífice recomendou “amar” os sacerdotes, para que eles encontrem no bispo “um pai e um irmão”.

O Papa os convidou a escutar e encorajar os sacerdotes, a rezar por eles, se alegrar com o bem que fazem e acompanha-los com confiança no seu ministério. Dediquem especial atenção aos idosos e aos doentes. Façam eles saber que são preciosos, que a Igreja lhes é grata e que o Bispo não os esquece. Por vezes, é suficiente um telefonema, uma visita, uma palavra de carinho da parte de vocês.

Um coração missionário aberto a todos
Leão XIV dirigiu uma palavra aos pastores das Igrejas “mais jovens”: “Vocês conhecem a beleza e também o trabalho da missão, de uma Igreja que talvez possua pouco, mas que é rica de uma grande fé. Por isso, convido-os a manter um coração missionário”, exortou o Papa. "O bispo missionário tem o coração aberto a todos: não só aos que frequentam as nossas paróquias, mas também aos cristãos de outras denominações, aos fiéis de outras religiões, às pessoas que não professam uma fé, a todos os homens e mulheres de boa vontade. Ele escuta e respeita a todos, aproxima-se de todos e sabe reconhecer o bem presente no coração de cada pessoa."

Caminhemos com o nosso povo: rezemos com ele, escutemos a Palavra com ele, celebremos a Eucaristia com ele. Busquemos a face do Senhor com ele todos os dias.

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EVANGELHO DO DIA (Lc 6,27-38)

ANO "A" - DIA: 10.09.2026
23ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Se nós nos amamos, irmãos, Deus vive unido conosco, e, em nós seu amor fica pleno!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 27 "A vós que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, 28 bendizei os que vos amaldiçoam, e rezai por aqueles que vos caluniam. 29 Se alguém te der uma bofetada numa face, oferece também a outra. Se alguém te tomar o manto, deixa-o levar também a túnica. 30 Dá a quem te pedir e, se alguém tirar o que é teu, não peças que o devolva. 31 O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles. 32 Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Até os pecadores amam aqueles que os amam. 33 E se fazeis o bem somente aos que vos fazem o bem, que recompensa tereis? Até os pecadores fazem assim. 34 E se emprestais somente àqueles de quem esperais receber, que recompensa tereis? Até os pecadores emprestam aos pecadores, para receber de volta a mesma quantia. 35 Ao contrário, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar coisa alguma em troca. Então, a vossa recompensa será grande, e sereis filhos do Altíssimo, porque Deus é bondoso também para com os ingratos e os maus. 36 Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. 37 Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. 38 Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Amar os inimigos segundo o Evangelho"

Amar os inimigos, a regra de ouro da vida cristã
Jesus vai nos apresentar hoje, no Evangelho, uma regra de ouro para a vida cristã, que é dedicada a amar, a abençoar, a não fazer o mal e a buscar sempre o bem. O Evangelho de São Lucas nos fala o seguinte:

“Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam e rezai por aqueles que vos caluniam” (Lucas 6,27-38).

Isso é algo muito difícil, mas não impossível, porque Jesus pediu. E se Jesus pediu, nós podemos praticar. Aqueles que colocam empecilhos é porque não querem viver o que Jesus está pedindo.

O Evangelho precisa ser vivido no amor
Nós vamos colocando muitos obstáculos para praticar o Evangelho, para viver o cristianismo na sua autenticidade. Será que eu e você somos também desses que colocam empecilhos para a graça de Deus acontecer? Jesus está apresentando para nós um dos ensinamentos mais exigentes e mais belos da vida cristã: o amor aos inimigos.

Não temos como olhar e ser pessimistas diante de um mundo que está fragilizado pelo esfriamento da caridade. Se eu perguntasse para você se existem pessoas ruins ou más no mundo, todo mundo diria que sim. Mas, na verdade, não existem pessoas essencialmente ruins ou más no mundo, porque Deus criou todas as coisas boas.

A essência humana criada à imagem de Deus
Deus é amor. Tudo o que Ele criou é bom, e nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus; por isso, a nossa essência é boa. No entanto, há algo que Santo Agostinho nos fala: pela liberdade, o homem pode escolher caminho, fazer o bem ou fazer o mal.

Não existem pessoas que sejam puramente más por essência, existem pessoas que, em sua liberdade, escolhem fazer o mal. Mas nós temos a opção de fazer o bem, porque a nossa origem e essência vêm de Deus. Nós precisamos fazer esse discernimento: é o livre-arbítrio do homem e da mulher que os faz escolher e praticar o mal.

Amar os inimigos pela graça de Deus
Por isso, peça ao Senhor o coração de um cristão que não responde ao mal com o mal, mas que responde ao mal com o bem. Quem segue a Cristo é chamado a romper o ciclo da violência, do rancor e da vingança. Amar os amigos é relativamente fácil, amar os inimigos é graça, é obra do Espírito Santo, é fruto de Deus habitando em nós. Ele é bom, e nós fomos feitos para o bem. Façamos o bem e evitemos o mal.

Que o Senhor nos ajude e que o Espírito Santo nos ilumine. Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova