quinta-feira, 27 de agosto de 2026


O Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reuniu-se nesta quarta-feira, 26 de agosto, de forma online, para acompanhar os principais processos pastorais em andamento na Igreja no Brasil. Entre os assuntos da pauta estiveram a recepção das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), o caminho sinodal, a preparação de documentos para a 63ª Assembleia Geral da CNBB, as Campanhas da Fraternidade e para a Evangelização e as atividades do Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial (IA).

A reunião também contou com informes sobre o Encontro dos Bispos das Grandes Cidades, o Congresso Eucarístico Nacional, o processo de elaboração do Relatório Final da Presidência e atividades de organismos vinculados à Conferência.



Recepção das DGAE
A acolhida das DGAE 2026-2032 nas dioceses e nos regionais da CNBB esteve entre os principais temas da reunião. A reunião do Consep apontou uma recepção positiva do documento e o desejo de fortalecer a comunhão e o alinhamento das ações pastorais em todo o país.

Ao apresentar a avaliação do recente encontro dos secretários-executivos dos regionais, padre Leandro Megeto, subsecretário-geral da CNBB, destacou que as Diretrizes têm sido bem acolhidas e que há um forte desejo de trabalho conjunto. O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, também ressaltou a avaliação positiva do encontro e a satisfação dos participantes com o apoio, as orientações e as partilhas oferecidas.


O secretário adjunto de Pastoral da CNBB, padre Tiago Ávila Camargo, observou que os regionais têm demonstrado interesse em alinhar seus trabalhos às novas Diretrizes, movimento que também vem sendo percebido na relação com as dioceses.

Outro sinal da recepção das DGAE foi apresentado durante a reunião: quase 150 mil exemplares do documento já foram comercializados pela Edições CNBB.
DGAE e caminho sinodal

O bispo de Petrópolis (RJ) e coordenador da Equipe Nacional de Animação do Sínodo, dom Joel Portella Amado, apresentou a avaliação do Encontro de Coordenadores de Pastoral, que reuniu representantes de 170 dioceses.

Segundo dom Joel, um dos focos do encontro foi aprofundar a articulação entre as conclusões do Sínodo e as DGAE, compreendidas como uma forma concreta de recepção do caminho sinodal na Igreja no Brasil.

A reflexão dedicou atenção especial às conversões propostas pelo Documento Final do Sínodo, sobretudo nos campos das relações, dos processos e dos vínculos. Para dom Joel, um dos desafios é aprofundar a compreensão da relação entre sinodalidade e Diretrizes, considerando que o próprio conceito de sinodalidade continua sendo assimilado e aprofundado na vida da Igreja.

Próximas etapas do Sínodo
O Consep também avaliou as iniciativas de animação do processo sinodal. Dom Joel recordou as três lives realizadas nos dias 4, 11 e 18 de agosto, dedicadas às conversões sinodais e à recepção do Documento Final do Sínodo.

No calendário apresentado, o primeiro semestre será dedicado às assembleias locais, nas dioceses e eparquias. Na etapa seguinte, serão realizadas as assembleias em nível intermediário, envolvendo os regionais da CNBB. O percurso seguirá em 2028 com a Assembleia Continental, sob responsabilidade do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), e, posteriormente, com a Assembleia Universal.

Entre os desafios está a sistematização das contribuições que serão produzidas pelas mais de 200 dioceses e eparquias brasileiras, respeitando a diversidade das realidades locais e, ao mesmo tempo, identificando elementos comuns que possam subsidiar as etapas regional e nacional.

A Equipe Nacional de Animação do Sínodo deverá trabalhar na identificação dessas convergências para a elaboração das contribuições solicitadas pela Secretaria Geral do Sínodo.

Documentos para a 63ª Assembleia Geral
Os bispos também acompanharam o andamento de documentos e estudos que deverão chegar à 63ª Assembleia Geral da CNBB.

Dom Vilson Basso, presidente da Comissão para a Juventude da CNBB, apresentou o processo de elaboração de um novo documento sobre a evangelização da juventude. A proposta, assumida após a última Assembleia Geral, é preservar o Documento 85 e, no contexto dos seus 20 anos, oferecer à Igreja no Brasil um novo texto dedicado aos atuais desafios da evangelização juvenil. A previsão é que, após novas contribuições, o material seja encaminhado aos bispos no início de março.

Dom Gregório Paixão, presidente da Comissão para a Cultura da CNBB, apresentou o andamento do documento sobre o Ensino Religioso no Brasil. O texto é resultado de um processo de cerca de quatro anos, que contou com a colaboração de especialistas e consultores e passou pela elaboração do Estudo 126. A expectativa é que o documento seja submetido à aprovação na próxima Assembleia Geral.

Também foi apresentado o processo do documento sobre a Pastoral Afro-Brasileira. Segundo dom Valdeci dos Santos Mendes, presidente da Comissão para a Ação Sociotransformadora, o texto passou pela análise de especialistas, já foi encaminhado aos bispos e encontra-se em fase de complementação.

Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial
O Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial, constituído a partir de encaminhamento do Conselho Permanente da CNBB, partilhou sobre seu primeiro encontro. Dom Valdir José de Castro, presidente da Comissão para a Comunicação da CNBB e membro do Grupo, avaliou positivamente a reunião e destacou o entrosamento entre os integrantes.

Segundo o bispo, o desenvolvimento da inteligência artificial exige uma reflexão que ultrapasse a dimensão tecnológica, uma vez que envolve questões relacionadas à missão da Igreja, à dignidade humana e às responsabilidades moral e ética.

Padre Danilo Pinto, membro e coordenador do Grupo, apresentou os primeiros encaminhamentos do grupo. Entre as propostas está a realização de um estudo que contribua para um “letramento” sobre inteligência artificial e ajude a compreender seus impactos nas diferentes áreas de atuação das Comissões Episcopais da CNBB. O grupo também definiu uma rotina para os próximos encontros.
Bispos das grandes cidades

O Consep recebeu ainda uma avaliação do Encontro dos Bispos das Grandes Cidades, realizado em Goiânia (GO), com a participação de 20 bispos, entre diocesanos e auxiliares.

A programação abordou temas como a iniciação à vida cristã em pequenas comunidades, os desafios para viver e anunciar a fé nos grandes centros urbanos e experiências pastorais desenvolvidas nas arquidioceses.

Dom Joel Portella destacou a metodologia do encontro, que não se restringiu a exposições teóricas, mas valorizou relatos e experiências concretas da presença da Igreja no ambiente urbano. O próximo encontro está previsto para 2028, na arquidiocese de Belo Horizonte (MG).

Pe. Jean Poul

Campanhas da CNBB
O secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, apresentou informações sobre as Campanhas para a Evangelização e da Fraternidade.

A Campanha para a Evangelização de 2026 segue em preparação, com a previsão de envio de cartazes às dioceses de todo o Brasil. Para 2027, os bispos aprovaram como tema a passagem bíblica: “Encontrareis o menino envolto em faixas” (Lc 2,12).

Sobre a Campanha da Fraternidade 2027, padre Jean informou que o texto-base está em processo de elaboração e consulta. O Seminário Nacional da Campanha da Fraternidade também será realizado em Brasília.

O Consep tratou ainda da Campanha da Fraternidade 2028, que terá como tema “Fraternidade e o sentido da vida” e lema “Para mim, viver é Cristo” (Fl 1,21). O objetivo geral será anunciar Jesus Cristo como fonte de esperança e vida plena, despertando pessoas, famílias, comunidades e a sociedade para o compromisso com a acolhida, o cuidado e a promoção da dignidade humana, especialmente daqueles que sofrem e perderam o sentido da vida.
Congresso Eucarístico e outros informes.

D. João Justino

Sobre o Congresso Eucarístico, dom João Justino de Medeiros Silva apresentou os próximos passos de preparação, entre eles ações de divulgação e o início da contagem regressiva para o evento. Também está prevista uma Coleta Nacional nas missas dos dias 5 e 6 de setembro.

O novo presidente da Comissão Nacional dos Presbíteros (CNP), padre Diego Carvalho, da arquidiocese de Vitória (ES), foi apresentado ao Consep. Ele destacou o propósito de fortalecer a comunhão com a Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB e acompanhar os presbíteros nos diferentes regionais da CNBB.

“É uma alegria trabalhar com os padres e servir aos presbíteros do Brasil em comunhão com a Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada”, afirmou.

Padre Tiago Ávila Camargo apresentou ainda o processo de elaboração do Relatório Final da Presidência da CNBB. O trabalho está estruturado em três eixos: pendências e novos encaminhamentos; novidades, iniciativas e projetos desenvolvidos no quadriênio; e perspectivas de continuidade. A proposta é registrar os avanços do período e indicar processos que poderão ter continuidade na próxima gestão.

A reunião contou ainda com informes sobre os próximos encontros e atividadades realizadas pela Ascom da CNBB, a preparação do 7º Congresso Americano Missionário (CAM 7), a Comissão Nacional dos Diáconos (CND), a Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB), a Cáritas Brasileira, a Pastoral da Criança, a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) e o Centro Nacional de Fé e Política “Dom Helder Câmara” (Cefep).


Leão XIV recebe bispos luteranos pelo desejo comum de reconciliação


Antes da Audiência Geral desta quarta-feira (26/08), o Papa encontrou uma delegação da Igreja Luterana da Noruega e agradeceu pela visita, num "esforço conjunto para buscar caminhos concretos de reconciliação e fraternidade". Leão XIV recordou Santo Olavo e Santa Sunniva, que ajudaram a unir os povos, e disse rezar "para que possamos sempre crescer juntos no nosso serviço à promoção da paz e da justiça".

Andressa Collet - Vatican News

Nesta quarta-feira (26/08), tradicional dia de Audiência Geral no Vaticano, o encontro com os fiéis na Basílica de São Pedro foi precedido pelo encontro com uma delegação de bispos da Igreja Luterana da Noruega. Na audiência, realizada na auletta da Sala Paulo VI, o Pontífice deu as boas-vindas ao grupo, esperando que os bispos tenham conseguido visitar os locais sagrados ligados aos primeiros cristãos e mártires, "cujo testemunho da fé em nosso Senhor continua a ser uma fonte de inspiração duradoura", a exemplo de Santo Olavo e Santa Sunniva que dedicaram a vida a Deus e ao próximo, além de terem ajudado a unir os povos, disse o Papa. Uma demonstração de "força transformadora da caridade" e de encorajar a fazer o bem uns pelos outros, sobretudo atualmente, com a turbulência do mundo:

"Parece haver uma animosidade crescente entre os povos, evidente não apenas nos conflitos e disputas internacionais, como vocês observaram, mas também dentro dos próprios países, como demonstra a acrimônia que muitas vezes caracteriza o debate político e social. Dada a nossa condição humana decaída, é muito fácil assumir uma atitude de hostilidade para com aqueles com quem discordamos. Por essa razão, é necessário um esforço conjunto para buscar caminhos concretos de reconciliação e fraternidade. A esse respeito, Jesus nos mostra um outro caminho, revelando que a bondade e a caridade têm o poder de desarmar."

Olav Fykse Tveit, presidente da Igreja na Noruega, durante o discurso ao Papa (@VATICAN MEDIA)

Pequenos gestos para a reconciliação
A visita da delegação de bispos luteranos da Noruega ao Papa é uma demonstração de "proximidade", enalteceu Leão XIV. Ao final da audiência, antes de pedir a Deus que "nos ajude a viver de maneira cada vez mais autêntica como irmãos e irmãs", testemunhando a vida de Jesus, o Pontífice afirmou:

"Sou sinceramente grato pela presença de vocês aqui e pelo desejo comum de buscar maneiras de construir a comunhão. De fato, mesmo pequenos gestos podem nos inspirar e nos guiar no caminho da reconciliação. Como bem sabemos, nosso Senhor rezou ao Pai celestial pela unidade dos seus discípulos: “para que sejam, assim, consumados na unidade, e o mundo reconheça que tu me enviaste e os amaste, como amaste a mim” (Jo 17, 23). Com base no nosso Batismo comum e na nossa missão compartilhada no mundo, rezo para que possamos sempre crescer juntos no nosso serviço à promoção da paz e da justiça."

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.


EVANGELHO DO DIA (Mt 24,42-51)

ANO "A" - DIA: 27.08.2026
21ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Vigiai, diz Jesus, vigiai, pois, no dia em que não esperais, o vosso Senhor há de vir.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 42 "Ficai atentos! porque não sabeis em que dia virá o Senhor. 43 Compreendei bem isso: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44 Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá. 45 Qual é o empregado fiel e prudente, que o senhor colocou como responsável pelos demais empregados, para lhes dar alimento na hora certa? 46 Feliz o empregado, cujo senhor o encontrar agindo assim, quando voltar. 47 Em verdade vos digo, ele lhe confiará a administração de todos os seus bens. 48 Mas, se o empregado mau pensar: 'Meu senhor está demorando', 49 e começar a bater nos companheiros, a comer e a beber com os bêbados; 50 então o senhor desse empregado virá no dia em que ele não espera, e na hora que ele não sabe. 51 Ele o partirá ao meio e lhe imporá a sorte dos hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Perseverar na oração e na esperança"

Perseverar na fé até o fim
“Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor” (Mateus 24, 42-51).
Irmãos e irmãs, celebramos a memória de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho. E amanhã, claro, celebraremos a festa de Santo Agostinho, mas Santa Mônica perseverou. Ela se manteve em constante intercessão e oração pelo seu filho e foi escutada.

Perseverar na vigilância interior
E vejam o Evangelho que nós escutamos no dia de hoje: “Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor”. Por isso devemos perseverar, como Santa Mônica perseverou, como se fôssemos receber a graça agora. Ela perseverou até o fim. O Evangelho nos traz um chamado claro de Jesus: “Ficai atentos”. Não se trata de viver com medo, mas com vigilância interior. Estar atento é viver de forma consciente, com o coração voltado para Deus, sabendo que cada momento pode ser ocasião de encontro com Ele.

Santa Mônica, modelo de fidelidade e confiança
A memória de Santa Mônica ilumina esse Evangelho de forma muito concreta. Por quê? Porque, durante anos, ela perseverou na oração e na esperança pela conversão do seu filho, o então Agostinho, posteriormente Santo Agostinho. Mesmo sem ver resultados imediatos, não desistiu. Sua vigilância não foi ansiedade, mas fidelidade constante. Ela viveu a atenção a Deus, confiando que o Senhor age no tempo certo.

Hoje, vivamos esta mesma atitude. Deus age no tempo certo. Qual atitude? Ou quais atitudes? Não relaxar na fé, não adiar a conversão, não viver distraídos espiritualmente. Estar vigilante é viver bem o presente com responsabilidade e confiança. Que Santa Mônica nos ensine a perseverar.

Sobre você desça e permaneça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


A vida de Santa Mônica, a mãe de Santo Agostinho


A autenticidade de Santa Mônica

Santa Mônica não é somente a mãe de Agostinho. É a santa mãe de Santo Agostinho. A celebridade, a fama e a glória de Mônica estão ligadas ao maior dos Doutores da Igreja. Tudo o que se sabe dela é autêntico: é o elogio caloroso que o próprio filho Agostinho fez de sua Mãe, sobretudo em seu livro Confissões, sentindo a força da oração, da maravilhosa ação da graça de Deus ao mencionar os benefícios divinos em Mônica (Conf. Livro IX, cap 8). Ela nasceu por volta do ano 331 na África do Norte, dentro dos costumes de uma família cristã, romanizada.
Pintura clássica retratando Santa Mônica / Domínio Público

Agostinho diz: “Seus pais nem podiam adivinhar o que viria a ser aquele a quem geraram. A disciplina de Cristo e sua doutrina educaram-na no temor de Deus, no seio de uma família fiel à Igreja. Mais que a disciplina de sua mãe por sua educação, Mônica enaltecia a companhia e vigilância de uma velha serva, que desempenhava com solicitude o encargo que lhe confiaram os seus senhores a olhar pelas suas filhas, repreendendo-as quando necessário, com santa energia e severidade, e instruindo-as com discreta prudência e corrigindo-lhes defeitos de adolescente, educando-as na modéstia e temperança.”

Os cristãos da Igreja primitiva tinham ideias claras de suas vidas. Em meio a um mundo decadente, dominado pelo hedonismo, pela moral do prazer a qualquer preço, os cristãos entendiam as exigências da mensagem do Evangelho, a seriedade da caminhada.

A conquista do marido para Deus
“… Quando chegou à idade de casar-se, Mônica foi dada em matrimônio a um jovem, Patrício, a quem serviu como senhor, no quadro da cultura da época, devido à situação de inferioridade da mulher. Procurava conquistá-lo para Deus, falando-lhe através de seus bons costumes. Suportava também suas infidelidades com paciência, não tendo discórdia alguma. Se o coração do marido era afetuoso, o temperamento era arrebatado. Mas ela sabia que era melhor não resistir à ira do esposo, nem por ações, nem por palavras. Logo que o via mais calmo e sossegado, oportunamente lhe dava explicação de sua atitude, para mostrar-lhe como se tinha irritado sem refletir”. (Relato do livro Confissões IX,9 )

Com muita discrição, Agostinho deixa entrever a dura realidade que Mônica teve que assumir, sabendo que ali havia grande amor e que ela esperava da misericórdia de Deus, que convertesse Patrício do paganismo, de seu caráter violento, e isso aconteceu mesmo: antes da morte, Patrício dobrou humildemente seu orgulho, recebeu o batismo e morreu na paz e no amor.

A regra de ouro para a paz na família
Agostinho, descrevendo o esforço de Mônica, fala de uma forma muito sucinta de seu relacionamento com a sogra: “A princípio, a sogra irritava-se contra ela, de tal forma que minha mãe a conquistou com afabilidade, com paciência e mansidão, que terminaram os mexericos”.

Naquela região do norte da África, onde as pessoas eram sumamente agressivas, as demais esposas perguntavam a Mônica porque seu marido era um dos homens de pior gênio em toda a cidade, mas não a agredia nunca, e, ao contrário, os esposos delas as agrediam sem compaixão. Mônica respondeu-lhes: “É que, quando meu marido está de mal humor, eu me esforço para estar de bom humor. Quando ele grita, eu me calo. E como para brigar precisam de dois, e eu não aceito a briga…não brigamos”. Essa fórmula fez-se célebre no mundo e serviu a milhões de mulheres para manter a paz em casa.

Ser conciliadora, uma forma de fazer apostolado
Assim, podemos entender como Mônica sabia levar a paz e tranquilizar o ambiente, aberta à solidariedade afetiva com todos. E diz: “Concedestes ainda um grande dom a esta fiel serva. Sempre que havia pessoas em discordância, ela procurava, quando possível, mostrar-se conciliadora: era uma forma de fazer apostolado, semeando paz”.

O livro II das Confissões coloca diante de nós os problemas do adolescente Agostinho e as diferentes reações de sua mãe Mônica e de seu pai Patrício. Em seguida, ele fala do que lhe aconteceu nesta idade difícil, residindo em sua cidade natal – Tagaste. O final do Livro III das Confissões descreve a angústia de Mônica, sua atitude orante a suplicar uma luz que iluminasse o caminho de Agostinho e o livrasse dos extravios morais. A presença de Mônica era incômoda, porque lembrava-lhe que sua vida precisava tomar novos rumos. Após deixar Madaura, Agostinho mudou-se para a imponente Cartago, cidade que o fascinou tanto pelos estudos superiores quanto pela paixão por uma jovem, com quem se relacionou e teve um filho.

A busca de realização profissional, de Roma a Milão
Em busca de realização profissional, Agostinho decidiu partir para Roma. Embora Mônica desejasse acompanhá-lo, ele a abandonou no porto e partiu às escondidas. Mais do que cruzar o mar, Agostinho parecia tentar escapar de sua própria consciência e da presença de Deus — das quais a presença de sua mãe era uma advertência constante. Assim, ele seguiu viagem, deixando Mônica para trás na África.

Ao chegar a Roma, Agostinho, professor de retórica e oratória, começa a dar aulas, mas adoece pouco tempo depois. Desiludido com a capital do mundo e sede do Império, ele presta um concurso, é aprovado e passa a residir em Milão, no norte da Itália, onde assume um novo emprego.

A conversão de Santo Agostinho
No ano de 385, Mônica resolveu ir ao seu encontro, numa desconfortável viagem, sustentada apenas por sua coragem e sua determinação sem limites: ela sabia que não podia perder o “filho de tantas lágrimas”, como lhe dissera um Bispo. Agostinho enfrentava nova fase de sua evolução espiritual, a grande crise de conversão: a busca da verdade, do bem, da felicidade que não o deixava descansar, enfrentara vários grupos filosóficos, abandonara descrente o Maniqueísmo. “Minha mãe, forte na piedade, já tinha vindo ao meu encontro, seguindo-me por terra e por mar, confiando em Vós, no meio de todos os perigos.” Mônica fica feliz ao vê-lo já mudado, convertido e aconselha-o a escutar o Bispo Ambrósio como ela. (Conf VI)

Mas a longa paciência, a fé e a coragem de Mônica reconduzem Agostinho a Deus, que, após estudos profundos da Sagrada Escritura, pede o batismo, junto a seu filho Adeodato. Este relato está em Conf. VIII.

O testamento espiritual de Mônica
Junto com um grupo de amigos, inclusive seu filho Navígio, entre pensadores, Mônica vai com Agostinho para uma chácara em Cassicíaco, nas proximidades de Milão. Mônica era a alma de todo o grupo, oravam, tinham longas horas de discussões filosóficas, onde surgiram importantes Obras literárias de Agostinho.

No final daquele mesmo ano de 387, o grupo formado por Agostinho, Mônica, Adeodato, Navígio, Evódio e Alípio, empreende a viagem de retorno a Roma, e de lá para o porto vizinho, na cidade de Óstia, perto da foz do rio Tibre, onde residem. Foi ali que se passou o episódio conhecido como Êxtase de Óstia. Mônica, já enferma, orava junto à janela que dava para o mar, procurando com Agostinho recuperar as forças. Em uma conversa doce e profunda, Mônica e Agostinho esqueceram o passado e voltaram-se para Deus. Em oração, sentiram-se elevados por uma luz que antecipava a vida eterna. Cinco dias depois, Mônica adoeceu. Mesmo sob os cuidados atentos de seus filhos, ela sentiu o fim aproximar-se e pediu: ‘Enterrai meu corpo aqui, mas lembrai-vos de mim diante do altar do Senhor, onde quer que estejais’. Enquanto recitavam os salmos, Mônica entregou sua alma a Deus e foi sepultada em Óstia. Sua vida, marcada pela espera e ligada à de Agostinho, revela que a santidade é acessível a todos, basta cumprir a vontade de Deus e buscar os Seus planos para nós.

Leia também:

Oração a Santa Mônica – Modelo de esposas e mães cristãs
Ó Esposa e Mãe exemplar, Santa Mônica, tu que experimentastes as alegrias e as dificuldades da vida conjugal; tu que conseguiste levar à fé teu esposo Patrício, homem de caráter desregrado e irascível; tu que chorastes tanto e oraste, dia e noite, por teu filho Agostinho, e não o abandonaste mesmo quando te enganou e fugiu de ti.

Intercede por nós, ó grande Santa, para que saibamos transmitir a fé em nossa família; para que amemos sempre e realizemos a paz.

Ajuda-nos a gerar nossos filhos também à vida da Graça; conforta-nos nos momentos de tristeza e alcança-nos da Santíssima Virgem, Mãe de Jesus e Mãe nossa, a verdadeira paz e a Vida Feliz. Amém.

Santa Mônica, rogai por nós!

Santa Mônica


Mônica nasceu em Tagaste, antiga cidade da Numídia. atual Argélia no norte da África, no ano de 332. Desde cedo dedicava-se ao cuidado dos pobres, que visitava frequentemente. Seus pais a casaram com Patrício, um pagão trabalhador mas colérico, infiel e dado ao jogo.

A sua sogra, também colérica, muito interferiu na vida do casal, tornando ainda mais infeliz a vida de Mônica, que tudo suportava pacientemente em Deus, pedindo em oração a conversão do esposo. Este, embora criticasse a caridade da esposa para com os necessitados, e a sua dedicação à oração, não a impedia, porém, de fazê-lo.

Com grande sabedoria, Mônica usou no seu casamento o que depois ficou conhecido num ditado popular: “quando um não quer, dois não brigam”; se ele estava de mau humor, ela procurava manter o bom humor; se ele gritava, ela se calava. Tal procedimento até hoje é receita para a manutenção da paz no lar. Assim evitava que o marido batesse nela, como era normal acontecer na época com outras mulheres.

Em 371, Patrício, após as muitas orações e sacrifícios de Mônica, converteu-se e se fez batizar, e também sua mãe. Um ano depois, ele morreu.

O casal tinha três filhos, Agostinho, Navígio e Perpétua, que veio a ser religiosa. Agostinho demonstrara desde a infância uma extraordinária inteligência, e por isso fôra enviado aos 16 para estudar Filosofia, Retórica e Literatura em Cartago. Quando Patrício morreu, Agostinho tinha 17 anos, e, por ter forte temperamento e nenhum apoio do pai para o lado religioso, que Mônica muito se esforçara para desenvolver, caíra já numa vida de vícios: jogo, mulheres, e adoção de uma seita maniqueísta. Mônica sofria muito com esta situação, chorava amargamente pelo filho no caminho da perdição eterna. Por ele, aumentava sempre mais as orações e penitências.

Em Cartago, Agostinho progredia como brilhante professor de Retórica. Incomodava-o porém as admoestações da mãe, e por isso, enganando-a, embarcou primeiro para Roma e depois para Milão, onde continuou seu trabalho docente. Mônica não desistiu, e foi encontrá-lo naquela cidade. Por este tempo, Agostinho já vivia numa união irresponsável com uma mulher e tinha um filho, Adeodato.

Querendo aperfeiçoar-se na arte da Retórica, Agostinho passou a ouvir os sermões de Santo Ambrósio. Este bispo, em conversa com Mônica, lhe dissera: “Continue a rezar, pois é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas”. E, tocado pelas pregações de Ambrósio, Agostinho acabou por se converter ao Catolicismo da sua infância, sendo batizado, com Adeodato, na Páscoa de 387. Ele viria a ser um dos maiores santos do período Patrístico da Igreja.

Estava assim realizada a maior obra de Mônica, a conversão e salvação do filho. Reconciliados, e tendo Agostinho abandonado sua vida mundana, os dois, com Navígio, resolveram voltar para Tagaste. No porto de Óstia, perto de Roma, conversavam à espera do embarque, enlevados pelo pensamento da vida no Paraíso Celeste, quando Mônica comentou: “E a mim, o que mais pode me amarrar à Terra? Já obtive meu grande desejo, o ver-te cristão. Tudo o que desejava consegui de Deus”. Pouco depois foi acometida por uma febre que, agravando-se rapidamente, levou ao seu falecimento, em 27 de agosto de 387, com 56 anos. Antes, pediu aos dois filhos que não deixassem de rezar pela sua alma.

Santa Mônica é padroeira das Mães Cristãs, que a invocam para a conversão de esposos e filhos.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Orações, choro, abnegação, sacrifício e penitência perseverantes – as manifestações da máxima caridade devem começar a partir da própria família, o que não impede outras ajudas, como provou Santa Mônica desde antes de se casar e durante o difícil casamento. Mas muitos querem “salvar o mundo” sem cuidar dos cônjuges, dos filhos, dos pais, dos avós, de parentes doentes… Grandes provas de amor não precisam ser por obras grandiosas, mas precisam ser, obrigatoriamente, a partir das obrigações de estado, e do próximo mais próximo. Embora a conversão de Santo Agostinho tenha sido a maior conquista de sua mãe, antes ela já havia conseguido a do esposo e da sogra, familiares que por natureza são anteriores aos filhos. Afirmou Santa Mônica que “Tudo o que desejava consegui de Deus”, o que já é em si admirável, mas consequente, pois o que for verdadeiramente bom Deus concederá certamente, se confiarmos; por isso esta declaração já é uma prova de santidade… mas, é preciso cuidado com o que desejamos. Deus também nos concederá a Sua ausência infinita, se o quisermos de modo consciente e definitivo. O inferno é a situação que Ele permite aos que desejam irrevogavelmente rejeitá-Lo, ao ponto de recusarem até o Seu perdão, como os demônios.

Oração:

Deus de amor infinito, que por nós tendes entranhas de mãe, concedei-nos por intercessão de Santa Mônica aceitarmos sem revolta as dificuldades, mas delas buscar em Vós as soluções, e embarcados na Nau de Pedro nunca desistirmos de fazer o bem ao próximo, para nela aportarmos no Paraíso. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

CNBB lança novo hotsite do Sínodo sobre a Sinodalidade para acompanhar fase de implementação


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua Assessoria de Comunicação, lança o novo hotsite dedicado ao Sínodo sobre a Sinodalidade. O espaço foi reformulado para acompanhar a atual etapa do processo sinodal, marcada pela recepção e implementação do Documento Final do Sínodo nas Igrejas locais. Conheça (aqui).

O novo ambiente reúne, em um único espaço, documentos, notícias, vídeos, conteúdos de formação e reflexão, experiências sinodais e materiais para download. O hotsite também recupera o percurso iniciado em 2021 e apresenta os próximos passos do processo, especialmente o caminho de implementação e preparação para as assembleias eclesiais previstas para 2027 e 2028.

Segundo o padre Julio Rezende, membro da Equipe de Animação do Sínodo no Brasil e um dos colaboradores na construção do hotsite, a proposta é facilitar o acesso de todo o Povo de Deus aos conteúdos que ajudam a compreender e acompanhar o processo sinodal.

“O principal objetivo do hotsite sobre a sinodalidade e o Sínodo é possibilitar aos leigos, aos religiosos e religiosas, aos ministros ordenados e a todos os interessados, de forma geral, o acesso às informações, aos documentos e aos materiais que ajudam a acompanhar esse percurso que a Igreja tem vivido desde 2021. Queremos apresentar, de forma bem clara, o caminho já realizado nos últimos anos e também os próximos passos dessa caminhada em vista da Assembleia Eclesial de 2028”, explica.

Espaço de encontro e partilha
Além de reunir conteúdos sobre o Sínodo, o novo espaço foi pensado para favorecer a troca de experiências entre as diferentes realidades eclesiais. Dioceses, grupos, movimentos, novas comunidades e organismos poderão compartilhar iniciativas concretas de vivência da sinodalidade.

Para padre Julio, essa possibilidade faz com que o hotsite vá além da função de repositório de documentos e informações.

“Mais do que um espaço para reunir documentos, o hotsite é também um lugar de encontro, um lugar de partilha e, como o Documento Final diz, um lugar de intercâmbio de dons e de experiências”, afirma.

O sacerdote destaca que a divulgação das iniciativas desenvolvidas em diferentes partes do país também pode contribuir para inspirar novas experiências. “Assim, podemos, por meio do hotsite, conhecer várias iniciativas que já estão sendo realizadas e, por que não dizer, permitir que essas iniciativas inspirem outras pelo país afora.”

Do caminho percorrido à implementação
Convocado pelo Papa Francisco, o Sínodo sobre a Sinodalidade teve início em outubro de 2021 com o tema “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. Desde então, diferentes expressões do Povo de Deus foram envolvidas em um amplo processo de escuta, diálogo, oração, discernimento e corresponsabilidade.

Uma das áreas do novo hotsite apresenta uma linha do tempo desse percurso. O conteúdo recorda a fase diocesana, realizada entre 2021 e 2022; a etapa continental; as duas sessões da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizadas em Roma em 2023 e 2024; a aprovação do Documento Final; e a atual fase de recepção e implementação.

No Brasil, mais de 270 dioceses enviaram contribuições durante a primeira etapa de escuta. Em março de 2023, Brasília também sediou a Assembleia Continental do Cone Sul, com representantes do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.

Com a conclusão das assembleias em Roma e a aprovação do Documento Final, em outubro de 2024, o processo entrou em uma nova etapa. A proposta agora é fazer com que os discernimentos amadurecidos ao longo do Sínodo sejam incorporados à vida cotidiana das comunidades e instituições eclesiais.


Um hotsite para todo o Povo de Deus
O novo espaço é destinado a diferentes públicos e busca servir como referência tanto para quem deseja conhecer a história do processo quanto para aqueles que estão diretamente envolvidos em sua implementação.

“O hotsite se destina a todas as pessoas, homens e mulheres de boa vontade, aos leigos, aos jovens, aos consagrados, aos ministros, às paróquias, comunidades, movimentos eclesiais, novas comunidades, todos os organismos eclesiais, as forças vivas da Igreja”, ressalta padre Julio.

Segundo ele, a plataforma pretende funcionar também como um guia para as próximas etapas. “É um lugar de encontro e de referências para promover a vivência concreta de uma Igreja cada vez mais sinodal, como nos propõe esse percurso que temos vivido do Sínodo sobre a Sinodalidade.”
Documento Final e implementação

O Documento Final ocupa uma área de destaque no novo hotsite. O texto, aprovado em outubro de 2024, apresenta a sinodalidade como dimensão constitutiva da Igreja e oferece orientações para fortalecer a comunhão, a participação e a missão.

Na seção dedicada à implementação são apresentados compromissos que devem orientar essa etapa, como o estudo do Documento Final, a criação de processos permanentes de escuta e discernimento comunitário, o fortalecimento dos conselhos e demais estruturas participativas, a ampliação da corresponsabilidade dos leigos, a participação das mulheres, a formação para a sinodalidade e a utilização da metodologia da conversação no Espírito.

Padre Julio considera o próprio hotsite uma ferramenta para contribuir com esse processo.

“O hotsite é também um instrumento a serviço da implementação do Sínodo. Ele busca dar visibilidade ao caminho que estamos realizando. Ao favorecer, por exemplo, o acesso a esses conteúdos e promover uma maior transparência e participação, estamos implementando aquilo que o Documento Final pediu.”

A disponibilização dos documentos e subsídios, segundo ele, também pode auxiliar as Igrejas particulares a traduzir as orientações do Sínodo para suas próprias realidades.

“Ao disponibilizar o Documento Final e outros materiais de apoio estamos ajudando as Igrejas particulares, as dioceses, a conhecê-lo, aprofundá-lo e encontrar caminhos para aplicá-lo na sua realidade bem concreta.”
Rumo às assembleias de 2027 e 2028


Outro destaque do hotsite é o itinerário rumo às assembleias eclesiais previstas para os próximos anos. O percurso está estruturado em quatro ações: fazer memória, interpretar, orientar e celebrar.

As dioceses serão chamadas a avaliar o caminho percorrido, reconhecer experiências e frutos, identificar desafios e discernir os próximos passos. As contribuições serão posteriormente aprofundadas nos regionais da CNBB e em âmbito nacional, permitindo reconhecer convergências, desafios e prioridades do caminho sinodal no país.

O percurso deverá culminar, em 2028, em uma Assembleia Eclesial no Vaticano, como momento de avaliação da implementação do Sínodo em toda a Igreja.
Formação, vídeos, notícias e documentos


O novo hotsite conta ainda com uma área de formação e reflexão, destinada a conteúdos que contribuam para o aprofundamento da sinodalidade, além de espaços específicos para vídeos, notícias e materiais para download.

Entre os documentos disponibilizados estão o Documento Final do Sínodo, orientações para a fase de implementação, materiais relacionados às assembleias de 2027 e 2028, o Instrumentum Laboris e textos produzidos durante a etapa continental.

O espaço também estabelece uma relação entre o processo sinodal e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, apresentadas como importante instrumento para a recepção e implementação do Documento Final na realidade brasileira.

Para padre Julio Rezende, a troca de experiências possibilitada pela nova plataforma contribui para consolidar esse modo de ser Igreja.

“Essas partilhas permitem que as pessoas e as comunidades apresentem suas experiências, mas também aprendam com outras. Tudo ajuda a fortalecer uma cultura sinodal, da escuta, da participação, do discernimento e da corresponsabilidade em vista da missão.”

Conheça o novo hotsite (aqui).

Por Larissa Carvalho

Papa sobre a reforma litúrgica: a participação dos fiéis não pode ser passiva


Leão XIV dedicou a catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (26/08) às razões que levaram o Concílio Vaticano II a promover a reforma litúrgica. O Pontífice destacou que a liturgia é uma realidade viva, inserida na tradição da Igreja, e deve favorecer a participação consciente, ativa e piedosa. "Os fiéis não podem nem devem continuar a permanecer em silêncio e passivos. A sua presença material não pode coexistir com a sua ausência espiritual", afirmou.

Thulio Fonseca - Vatican News

A reforma litúrgica não surgiu de maneira repentina nem representou uma ruptura com o passado. Foi o que afirmou o Papa Leão XIV na Audiência Geral desta quarta-feira, 26 de agosto, realizada na Basílica de São Pedro, em sua última catequese dedicada à Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II. Segundo o Pontífice, esse caminho amadureceu no interior da Igreja e foi preparado pelo Movimento Litúrgico e pelo Magistério ao longo do século XX. Ao retomar as razões da reforma, Leão XIV recordou uma carta de 1962 do então arcebispo de Milão, cardeal Giovanni Battista Montini, futuro São Paulo VI, que definia a liturgia como expressão do divino e do humano e como voz do diálogo com Deus.
Ouça com a voz do Papa e compartilhe

Fiéis não podem permanecer passivos
Na carta, Montini afirmava que os fiéis “não podem nem devem continuar a permanecer em silêncio e passivos” e que a presença material não pode coexistir com a ausência espiritual. Leão XIV observou que essas palavras estão em sintonia com a Sacrosanctum Concilium, que pede aos cristãos que não entrem no mistério da fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem da ação sagrada de modo consciente, ativo e piedoso:

“Uma vez que os gestos e as palavras da sagrada liturgia são decisivos para concretizar esta experiência, a participação dos fiéis não pode ser passiva.”

Por meio das ações rituais da Igreja, explicou o Papa, realiza-se a memória da obra da salvação e os fiéis podem viver uma verdadeira relação com Deus, entrando em contato com o acontecimento salvífico. Os gestos e as palavras da celebração são, portanto, essenciais para que essa experiência se concretize.

(@Vatican Media)

A liturgia, uma realidade viva
Ao colocar no centro o que constitui o cerne da experiência eclesial, a reforma buscou tornar a riqueza dos textos bíblicos e das orações mais acessível a todos os fiéis e simplificar a estrutura das celebrações em relação à prevista nos livros litúrgicos então em vigor:

“A reforma conciliar, ao colocar no centro aquilo que constitui o cerne da experiência eclesial, procurou fazer resplandecer a liturgia como ‘fonte primeira da vida divina que nos é comunicada’.”

A liturgia, recordou Leão XIV, é uma realidade viva e esteve sempre sujeita a evoluções e mudanças. Com respeito pelo patrimônio da tradição, o Concílio distinguiu os elementos divinos e imutáveis daqueles que podem ser modificados com o passar do tempo, para que os textos e os ritos expressem com maior clareza as realidades santas e favoreçam uma celebração plena, ativa e comunitária. Essa distinção, acrescentou, já havia sido apresentada por Pio XII na encíclica Mediator Dei, de 1947.

Um caminho preparado antes do Concílio
O desejo de uma “reforma geral” não surgiu de repente, observou Leão XIV, mas já se manifestava na ação dos Papas desde o início do século XX, em sintonia com as solicitações do Movimento Litúrgico. A constituição apostólica Divini Cultus, de Pio XI, também já havia retomado a necessidade de os fiéis não assistirem às celebrações como estranhos ou espectadores mudos. Pio XII, por sua vez, reorganizou os ritos da Semana Santa, recolocando-os nos horários correspondentes aos acontecimentos pascais, depois de terem sido antecipados por séculos para o período da manhã. São João XXIII também promoveu uma simplificação das rubricas do Breviário e do Missal por meio do motu proprio Rubricarum instructum, de 25 de julho de 1960, remetendo ao futuro Concílio Ecumênico a definição dos princípios fundamentais de uma reforma litúrgica.

(@VATICAN MEDIA)

Tradição viva da Igreja
Esse percurso histórico, explicou o Pontífice, ajuda a compreender a reforma litúrgica em continuidade com a vida da Igreja. Leão XIV advertiu, porém, que alguns princípios da reforma foram absolutizados ou interpretados de maneira equivocada no período pós-conciliar: “A reforma litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II se insere, portanto, na tradição viva da Igreja.”

Uma compreensão correta da reforma, acrescentou, permite rejeitar esses abusos. O Papa recordou ainda que as ações litúrgicas não são privadas, mas celebrações da Igreja, povo santo reunido e ordenado sob a direção dos bispos. Elas pertencem a todo o Corpo da Igreja e o manifestam.

Uma liturgia de nobre simplicidade
Ao concluir a catequese, o Santo Padre ressaltou a responsabilidade dos bispos e de cada sacerdote de zelar pela liturgia e promovê-la no respeito às normas, para que as celebrações manifestem a Igreja una, santa, católica e apostólica:

“É, portanto, responsabilidade primordial dos pastores, dos bispos, mas também de cada sacerdote, zelar e promover uma liturgia que, no respeito pelas normas litúrgicas, brilhe por sua nobre simplicidade e manifeste assim a Igreja una, santa, católica e apostólica.”

Uma liturgia assim, concluiu Leão XIV, torna-se um veículo fundamental de evangelização e um instrumento de graça, por meio do qual os fiéis aprendem a oferecer a si mesmos e, pela mediação de Cristo, crescem na unidade com Deus e entre si.

(@Vatican Media)

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.

EVANGELHO DO DIA (Mt 23,27-32)

ANO "A" - DIA: 26.08.2026
21ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- O amor de Deus se realiza em todo aquele que guarda sua palavra fielmente.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus: 27 "Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão! 28 Assim também vós: por fora, pareceis justos diante dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça. 29 Aí de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós construís sepulcros para os profetas e enfeitais os túmulos dos justos, 30 e dizeis: 'Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices da morte dos profetas'. 31 Com isso, confessais que sois filhos daqueles que mataram os profetas. 32 Completai, pois, a medida de vossos pais!"

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Da aparência externa à verdade interior"

Aparência de sepulcro caiado
“Por fora pareceis justos, mas por dentro estais cheios de hipocrisia” (Mt 23,27-32).

Irmãos e irmãs, no Evangelho de hoje, Jesus usa essa imagem que podemos chamar de forte: “Sois como sepulcros caiados”.

Na aparência, o perigo da hipocrisia
Por fora, tudo parece bonito, correto, religioso, mas por dentro há vazio, incoerência, distância de Deus. Vícios: virtudes públicas, vícios privados, vícios escondidos, vícios apodrecidos que nos apodrecem. Sepulcro caiado… Que imagem forte! É uma palavra dura, mas necessária, porque revela um risco real da vida espiritual: cuidar da aparência, mas esquecer o coração, que deve estar vinculado a Deus.

Deus olha e conhece o interior
A hipocrisia não é apenas fingir, mas é viver dividido. Hipocrisia é ter vida dupla, é quando existe uma distância entre aquilo que mostramos e aquilo que realmente somos. Jesus não condena a fragilidade humana, mas denuncia a falta de verdade. Deus não se impressiona com exterioridades. Ele olha o interior, onde nascem nossas intenções, escolhas e atitudes. Que tenhamos um caminho de autenticidade. Em vez de tentar parecer justos, deixemos que Deus nos torne justos por dentro. Isso exige humildade no nosso coração, mas exige também coragem, conversão.

Que o Senhor purifique, neste dia, o nosso coração, para que a nossa vida não seja apenas aparência, mas um testemunho verdadeiro de fé e amor. Não sejamos sepulcros caiados!

Sobre você, desça e permaneça a bênção do Deus Todo-poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edson Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova