quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Comissão para a Cultura e a Educação da CNBB lança a publicação: “Novos compromissos do Pacto Educativo Global”


Como parte da programação do XXIII Encontro Nacional da Pastoral da Educação (Enape) e do o XIII Encontro Nacional do Ensino Reigioso (Ener), promovidos Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi lançado no sábado, 19/09, após Celebração Eucarística na Catedral de Brasília a publicação: “Novos compromissos do Pacto Educativo Global – Guia pedagógico-pastoral para a Educação Básica”.

O guia tem como objetivo apresentar os três novos compromissos do Pacto Educativo Global — educar para a paz, para a interioridade e para um mundo digital mais humanizado —, traduzindo-os para a realidade concreta de nossas escolas. Para isso, oferece sugestões pedagógicas e pastorais que possam colaborar com os educadores na concretização desses compromissos e na construção de novos horizontes para a educação.
Inspiração na pedagogia de Jesus

O arcebispo de Fortaleza (CE) e presidente da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da CNBB, dom Gregório Paixão, reforça que o Papa Leão XIV deu continuidade, com vigor renovado, ao caminho aberto pelo Papa Francisco por meio das iniciativas do Pacto Educativo Global.

Segundo ele, trata-se de uma resposta lúcida da Igreja que, inspirada na pedagogia de Jesus, reconhece os desafios de um contexto marcado, em tantas partes do mundo, pelo enfraquecimento do compromisso com uma educação integral e humanizadora.

Dom Gregório Paixão reforça que é importante, como Igreja no Brasil, assumir também os três novos compromissos do Pacto Educativo Global. “Queremos somar forças com as instituições educativas, os governos e a sociedade como um todo, a fim de fortalecer um compromisso renovado com a educação. Acreditamos que educar é uma tarefa essencial para a construção de uma sociedade mais fraterna, solidária e capaz de promover a dignidade de cada pessoa”, afirmou.
Sobre a publicação

A publicação está organizada em três capítulos: 1) Educar para vida interior; 2) Educar para um diálogo humano; e 3) Educar para Paz. Em cada um dos compromissos/capítulo, a publicação apresenta as inspirações bíblicas, conecta-se com as Bases Nacional Curricular Comum (BNCC), propostas pedagógicos e pastorais, quadro de atividades e projetos integrados.

Se destina a gestores, coordenadores, professores, agentes de pastoral e equipes de Ensino Religioso. O essencial não é seguir cada sugestão à risca, mas permitir que os três compromissos se tornem cultura escolar — um modo de ser e de educar.

Baixe a publicação na íntegra:


Grupo de ucranianas com o Papa: “Lutamos por nossos entes queridos desaparecidos ou presos”


Yulia, Olesya, Alla, Violetta, Tetiana e outras cinco companheiras, presidentes ou colaboradoras de ONGs na Ucrânia, participaram da Audiência Geral e reencontraram Leão XIV, a quem entregaram uma mensagem e um quadro enviado por um soldado que está na linha de frente em Kharkiv. Na entrevista à Rádio Vaticano, elas relataram o sofrimento pelos maridos, namorados e irmãos presos na Rússia: “Sentimo-nos apoiadas pelo Papa. Não vamos parar e lutamos para que todos os desaparecidos voltem para cas

Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano

“Te ordeno a voltares vivo”. Yulia Rostovska havia sido categórica com o marido, Serhij Rostovskij, preso há cinco anos em Mariupol pelos russos e do qual nunca mais teve notícias. Ele ainda está vivo, Yulia sabe disso. O que ela não sabe é onde ele está, já que é transferido de uma prisão para outra. Tampouco sabe quando ele voltará para casa, para junto dela e dos dois filhos, Roman e Adelina, pois um tribunal de ocupação o condenou a 27 anos de prisão por “acusações inventadas”. “Tenho medo de que meu marido volte quando tiver 60 anos”, conta a mulher aos meios de comunicação do Vaticano, onde foi recebida depois de participar da audiência geral na Praça São Pedro, ao final da qual pôde cumprimentar pessoalmente o Papa Leão XIV.

Unidas pela guerra
Yulia não estava sozinha. Com ela estavam outras dez mulheres ucranianas — esposas, irmãs e noivas — que esperam desde 2022, primeiro ano desta guerra brutal que parece não ter fim, pelo retorno de seus maridos, irmãos e noivos. Elas não são parentes entre si, nem amigas, e vêm de lugares diferentes: “É o problema que nos une... a guerra”, exclama Olesya Aulina, esposa do tenente Damir, desaparecido em 2023 sem deixar vestígios.

Cada uma delas é presidente ou colaboradora de uma ONG ou de outras associações que, atuando na Ucrânia ou na Polônia, distribuem ajuda humanitária, trabalham pelo retorno dos desaparecidos ou prisioneiros de guerra e reúnem seus familiares. “Todas colaboramos ou dirigimos organizações estatais ou sem fins lucrativos. Nós nos conhecemos, nos encontramos durante as reuniões, quando precisamos compartilhar nossos problemas”, conta Yulia.

Ucranianas entregam a pintura do soldado Ivan ao Papa. (@Vatican Media)

O bilhete e o quadro de Ivan, na linha de frente em Kharkiv
De 21 a 26 de setembro, o grupo está em Roma para reuniões institucionais no Parlamento italiano e nas Embaixadas junto à Itália e à Santa Sé. Hoje, foram à Praça São Pedro, acompanhadas pelo embaixador ucraniano Andrii Yurash, para cumprimentar Leão XIV.

“Ficamos impressionadas com a dimensão dessa audiência. Foi espetacular ver representantes de todo o mundo”, relatam. Ao Papa, entregaram uma mensagem e um presente do próprio autor, Ivan Bodnariuk, soldado ucraniano de 35 anos e comandante da Guarda de Fronteira na martirizada Kharkiv. Talvez Ivan estivesse na linha de frente, ou talvez estivesse fugindo de algum míssil, no mesmo momento em que uma de suas compatriotas colocava nas mãos do Pontífice a obra que ele próprio realizou: uma reprodução da obra de Rembrandt, O apóstolo Pedro, bordada sobre tela.

Na mensagem dirigida ao Papa, o significado do presente é explicado:

“Obrigado por tudo o que o senhor faz pelos militares e por suas famílias. Esperamos que todos voltem para casa! Peço que aceite este modesto presente, feito por minhas próprias mãos como sinal de gratidão e respeito por seu compromisso diplomático em favor da Ucrânia e de nossos companheiros de armas.”

Como embaixadoras
“O Papa nos agradeceu”, contam as mulheres. Elas não tiveram tempo de dizer algo a Leão XIV, mas conseguiram colocar em suas mãos cartas e desenhos de crianças.

Elas dizem sentir-se apoiadas pelo Papa e, de modo geral, pela Santa Sé, em seus esforços diplomáticos e humanitários. “Realmente sentimos esse apoio e batemos a todas as portas, procuramos todas as oportunidades para poder trazer nossos entes queridos de volta para casa.”

Diante do Pontífice, apresentaram-se todas vestidas de preto, com um broche em forma de laço azul e amarelo, as cores da bandeira da Ucrânia, tendo ao centro uma espiga, um dos símbolos do país.

“O preto não é sinal de tristeza, mas porque nossa é uma missão diplomática; somos como embaixadoras”, explica Alla Didenko, coordenadora das relações com as famílias do Azov. Ela está em Roma para dar voz a Oleksii, seu noivo, também militar, mantido prisioneiro na Rússia desde maio de 2022. Ele foi capturado quando estava ferido no braço e permanece detido depois de três condenações.

Chama a atenção o fato de Alla, apesar de muito jovem, não ter pensado em reconstruir a própria vida nesses cinco anos. Mas quer concluir seu compromisso, por Oleksii e pelos demais: “Apesar de tudo, encontramos dentro de nós mesmas a força para lutar. Acreditamos firmemente que conseguiremos trazer todos de volta, todos os que estão presos, e que encontraremos aqueles que estão desaparecidos”.

Momento do encontro (@VATICAN MEDIA)

O esforço para que todos voltem
O mesmo afirma Violetta Sukhorebrova, a mais jovem do grupo, com 24 anos. Ela é cofundadora da associação A Força dos Fuzileiros Navais e presidente da ONG Condenados, mas não esquecidos, que reúne familiares de ucranianos condenados injustamente.

Violetta é noiva de Dmytro Shegai, militar que, em março de 2022, havia recebido uma licença de dez dias para voltar e se casar com ela. A guerra em larga escala destruiu todos os planos. Em 2023, ele foi preso e condenado a 22 anos de reclusão por acusações falsificadas de “assassinato de civis” em Mariupol.

Violetta permanece em silêncio durante quase toda a entrevista. Fala apenas para reafirmar seu compromisso, que define como uma “luta” para “trazer de volta todos os prisioneiros e, sobretudo, aqueles que receberam essas condenações ilegais”.

Medo e força de espírito
Sobre o coração dessas mulheres pesam, além das dificuldades da guerra e da incerteza de viver em meio à falta de eletricidade e de aquecimento, profundas preocupações. Yulia as expressa claramente:

“Preocupa-me pensar que, quando meu marido voltar, terá 60 anos. Preocupa-me muito que as esposas, as irmãs e as mães não consigam mais rever seus entes queridos. Preocupa-me que nossos filhos cresçam sem um pai.”

“É possível fazer o impossível? Nossos jovens fizeram o impossível. Foram ao encontro da morte. Fizeram isso para proteger todos nós”, acrescenta Tetiana Goidik, irmã de Oleg, paraquedista desaparecido em combate. Há anos, ela organiza em Zhytomyr iniciativas de sensibilização em apoio às pessoas desaparecidas.

“Essas pessoas não apenas não aparecem nas trocas de prisioneiros, como simplesmente não são encontradas. Mas ninguém desaparece do nada... Meu pai passou mal quando soube que seu filho estava desaparecido. E olho para minha mãe: sua vida vai embora gota a gota.”

O medo é grande, mas também é grande a força de espírito. “Estamos aqui para dizer ao mundo inteiro que a Ucrânia continua lutando”, afirmam as mulheres. “E que, apesar de tudo o que nos aconteceu, resistimos por nossos entes queridos.”

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EVANGELHO DO DIA (Lc 9,7-9)

ANO "A" - DIA: 24.09.2026
25ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Sou o caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 7 o tetrarca Herodes ouviu falar de tudo o que estava acontecendo, e ficou perplexo, porque alguns diziam que João Batista tinha ressuscitado dos mortos. 8 Outros diziam que Elias tinha aparecido; outros ainda, que um dos antigos profetas tinha ressuscitado. 9 Então Herodes disse: "Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?" E procurava ver Jesus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A consciência é iluminada pela verdade do Evangelho"

Então Herodes disse: “Eu mandei degolar João. Quem é esse homem sobre quem ouço falar essas coisas?”. E procurava ver Jesus (Lucas 9,7-9).

O Evangelho de hoje apresenta Herodes Antipas, inquieto diante da fama de Jesus: “Eu mandei degolar João. Quem é esse homem?”.

A consciência atormentada de Herodes
A pergunta de Herodes não nasce da fé, que isso fique claro, mas de uma consciência atormentada. Depois de ter mandado matar São João Batista, ele vive assombrado. Ele vive atormentado pela possibilidade de que Deus esteja novamente falando por meio de alguém ainda maior. Na tradição bíblica, quando o homem rejeita a verdade, não alcança a paz interior. Então Herodes não tinha paz interior.

O pecado endurece o coração, mas não consegue silenciar totalmente a consciência. Ele tinha o coração adormecido, mas a consciência estava funcionando bem. Herodes representa o homem dividido, fascinado, de certa forma, pelo sagrado, mas incapaz de converter-se verdadeiramente. Ele quer ver Jesus, diz o texto, mas deseja fazê-lo sem arrependimento, sem mudança de vida, apenas por curiosidade ou temor.

A fidelidade a Deus versus a aprovação do mundo
Irmãos e irmãs, há ainda aqui um contraste profundo entre João Batista e Herodes. João perdeu a cabeça por fidelidade à verdade. Herodes conservou o poder, mas perdeu a liberdade interior. O profeta anunciava a conversão e denunciava o pecado com coragem. O rei, embora reconhecesse certa santidade em João, preferiu agradar aos homens e perseverar nos próprios interesses. Que não sejamos assim, que não sejamos como Herodes.

O encontro que muda tudo
Quando Herodes pergunta “Quem é esse homem?”, São Lucas conduz discretamente cada um de nós a uma grande questão. Quem é Jesus? Não apenas um profeta ressuscitado, nem um milagreiro extraordinário, mas o próprio Filho de Deus que visita o Seu povo. A inquietação de Herodes revela algo espiritualmente profundo.

Ninguém permanece indiferente diante de Cristo. Sua presença obriga, Sua presença nos constrange, obriga cada coração a tomar posição, acolher a luz ou refugiar-se nas trevas. Todos nós somos filhos da luz, não das trevas. O detalhe final é decisivo. Herodes procurava ver Jesus. Mais tarde, durante a paixão, ele finalmente verá Cristo face a face, mas não como discípulo, e sim como o homem endurecido que espera um espetáculo. Ver Jesus exteriormente não basta. É necessário reconhecê-Lo com fé e deixar-se transformar por Ele.

Sobre você, desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


Humildade e amor-próprio ao encontro do equilíbrio


A humildade e o ego, um conflito aparente

Muitas pessoas confundem virtude com anulação, chegando a se perguntar se amar a si mesmo é um erro. No entanto, ser humilde não significa destruir-se ou rebaixar-se. O mandamento é claro: “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Portanto, para conseguir amar o outro, você precisa, primeiro, cultivar o amor-próprio.

Esse cuidado pessoal serve como base e medida para a forma como devemos tratar o próximo no dia a dia. Compreender o que é humildade passa longe de anular-se. Uma das definições mais belas vem de Santa Teresa d’Ávila, a qual ensina que a humildade é, fundamentalmente, caminhar na verdade.

A humildade na visão dos santos
Caminhar na verdade significa olhar para si mesmo com coragem e reconhecer, com honestidade, as próprias qualidades e defeitos. Santa Catarina de Sena também aconselhava o fiel a entrar na “cela do autoconhecimento” para descobrir o seu nada e a grandeza de Deus. Esse processo não serve para diminuir o ser humano, mas para ajustá-lo ao seu real papel. Deus deseja que você cresça, desenvolva-se e aprimore cada vez mais as suas capacidades.

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A humildade na prática da multiplicação dos talentos
Devemos desenvolver os talentos que recebemos, não para alimentar o orgulho ou a vaidade, mas para servir melhor ao próximo. Quanto mais competentes formos em nossa missão, mais úteis seremos na construção do Reino de Deus. O único cuidado necessário é não se tornar um “ladrão da glória de Deus”. Reconheça que tudo o que você faz de bom é fruto de um dom divino. Ser humilde é buscar a excelência sem achar que o mérito é puramente seu, mas sim da graça de Deus.

Transcrito e adaptado por Jaqueline Scarpin

Autor: Prof. Felipe Aquino

São Gerardo Sagredo


Geraldo (Gerardo) nasceu em Veneza, Itália, no ano 980. Estudou numa escola da Ordem Beneditina, recebendo ótima formação espiritual e acadêmica. Cedo entrou para esta Ordem e completou os estudos superiores na Universidade de Bolonha. Monge exemplar no claustro veneziano de São Jorge, foi eleito abade ainda jovem.

Com o desejo de estudar com mais profundidade a Bíblia, renunciou ao cargo de abade para poder viajar à Terra Santa. A caminho, seguiu pelo rio Danúbio, passando pela Hungria, e ali o rei Estêvão, futuro santo, insistiu para que permanecesse no país, a fim de ajudar na sua evangelização e na educação do seu filho, o príncipe Emeric.

Geraldo renunciou também nesta ocasião, trocando seu projeto particular em favor de uma obra para o bem dos irmãos. Aceitou ser preceptor do príncipe e aconselhou o rei em várias questões espirituais e terrenas, e quis se preparar para sua missão evangelizadora no país depois de um período de retiro solitário na Selva Bacónia, aonde teria preferido ficar.

Mas com o falecimento do bispo local, e obedecendo à Santa Sé, foi nomeado e assumiu a organização da nova diocese de Csanád, numa região de população quase totalmente pagã. Dedicou incessantemente sua nova tarefa à Onipotência Suplicante da Virgem Maria.

Acompanhado de 12 beneditinos, escolhidos dos mosteiros húngaros que começavam a dar frutos, erigiu em Csanád a catedral, a igreja do claustro em honra de Maria Virgem e uma escola de formação para os futuros sacerdotes e monges. A diretriz que usou foi, a partir da sua própria experiência pessoal e vocação monacal, especificamente beneditina, que tem por mote Ora et Labora, “Reza e Trabalha”, desenvolver a presença de Cristo na alma de cada fiel, para que a Igreja, comunidade destes mesmos fiéis, cresça a partir de dentro, da comunhão e qualidade desta união interior com o Senhor: assim cada membro do Corpo Místico coopera coerentemente no Espírito que une a todos eles, em benefício de todo o Corpo.

Este impulso inicial de levar Jesus a todos cabe particularmente àqueles que foram chamados para o clero, e Geraldo, como bispo, não fugiu ou delegou a responsabilidade de pelo exemplo e pela palavra dar a conhecer a Boa Nova ao povo. E a prática deste anúncio, o fez através do mais perfeito dos meios, a caridade. Portanto, além de evangelizar os nobres, deu especial atenção aos mais necessitados, pobres e doentes, pelos quais tinha especial amor. Recebia os leprosos na sua residência, partilhando da sua mesa, e tratava pessoalmente das suas feridas. Quando necessário, fazia-os repousar na sua própria cama e dormia no chão.

Deu grande atenção à renovação litúrgica, de modo a ressaltar a alegria sacramental. Escreveu várias obras sobre temas teológicos e sobre a Sagrada Escritura. Quanto a si mesmo, dominava-se com árduas penitências; várias vezes saía à noite, para cortar lenha na floresta, como mortificação do corpo. Os seus esforços missionários obtiveram ótimo resultado, e foram fundamentais para sedimentar a Hungria como nação católica.

Geraldo era admirado e amado pelos fiéis, mas havia membros da corte, refratários à Fé, que se tornaram seus inimigos. Com a morte do rei Estêvão em 1038, iniciaram-se as lutas pelo poder, uma vez que o herdeiro natural, príncipe Emeric, havia falecido prematuramente. Geraldo se recusou a coroar o pretendente Avon como rei magiar, por ter sido responsável pela morte de muitos inocentes, e quando da cerimônia de coroação na igreja, o bispo se levantou e denunciou publicamente os seus crimes; profetizou também a sua morte, violenta, que aconteceu três anos depois.

Neste ambiente instável, as animosidades contra Geraldo foram incitadas, enquanto ele procurava de modo pacífico garantir a correta sucessão régia. Partiu da cidade de Székesfehérvár para a de Buda, a fim de receber pessoalmente Endre (André), filho do primo (Basílio) de Estêvão, o legítimo futuro rei. No caminho, foi surpreendido e atacado por pagãos revoltosos, que o apedrejaram e o trespassaram com uma lança. Tornou-se assim o primeiro mártir da Hungria, em 24 de setembro de 1046.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

É rico, em qualidade e quantidade, o testemunho – acepção original de “martírio” – que nos dá São Geraldo. Independentemente das vocações particulares, podemos segui-lo nos fundamentos dos três aspectos que ele viveu e que são típicos da vida católica: a oração e o trabalho (“monge”), o apostolado (“missionário”) e entrega total a Deus, por amor (“mártir”). Na oração e trabalho, vem primeiro o cuidado da própria alma, a busca da comunhão com Deus na oração, crescimento espiritual necessário para a santificação de toda e qualquer atividade que se faça. O apostolado, a missão de levar o Evangelho, é intrínseca a todo batizado, e é exercido não apenas em terras distantes, mas na verdade, obrigatoriamente, no ambiente em que estamos e vivemos normalmente. A entrega total a Deus por amor se traduz, na maioria das vezes, simplesmente na caridade verdadeira, capaz de conquistar o irmão para o Senhor pela bondade. Além desse “plano geral”, a vida de São Geraldo mostra como devemos ter devoção e confiança em Nossa Senhora, a importância do cuidado com a Liturgia, a necessidade da formação na Fé, primeiro pessoal, depois pelo ensino ao próximo, a consciência e responsabilidade de assumirmos nossos trabalhos com todo o empenho, e a generosidade de abrirmos mão dos nossos sonhos, mesmo que bons e legítimos, se Deus o pedir para um bem maior. Só Ele sabe aonde nos levarão os caminhos que escolhemos nesta vida… talvez, como São Geraldo, tenhamos motivos corretos para querer chegar a objetivos longínquos, mas nosso serviço seja maior e melhor numa área mais próxima; o fundamental é que, como ele, e neste ponto com certeza e não “talvez”, nos disponhamos a encontrar pessoalmente o que rege de modo legítimo a real nobreza nesta pátria terrestre, e sermos arrebatados a caminho para o encontro face a face com a Realeza da Pátria Celeste. A respeito de nações, é apropriado um comentário de São João Paulo II a respeito da ação de São Geraldo na Hungria*: “Na sociedade moderna, como em qualquer outro tempo, não é acaso bênção ter semelhantes conselheiros e semelhantes preceptores se ocupem do destino do povo, especialmente da educação e da direção da juventude (...)? Para tal espírito ser formado não só na consciência de quantos têm responsabilidade, mas também na consciência de cada membro da Igreja e da sociedade, e se tornar cada vez mais operante, é necessário o conhecimento da doutrina cristã. (…) recordei a importância essencial da catequese para a formação dos cristãos no nosso tempo, isto não só para as crianças e para os jovens, mas também e sobretudo, para as pessoas adultas.” Em adendo, “(…) também nós devemos amar e servir a nossa pátria terrena, a sua cultura e os seus valores, sempre amando e servindo a Deus.” São Geraldo e mais 12, escolhidos por ele, começaram a consolidar a Fé num país; imitemos também este seu último exemplo e façamos o mesmo no Brasil, começando com Cristo e mais 12, escolhidos por Ele. *(cf. https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/1980/documents/hf_jp-ii_let_19800924_millennio-sangerardo.html)

Oração:

Senhor Deus, que destes o testemunho de Vós mesmo a todas as nações, em Cristo, concedei-nos por intercessão de São Geraldo a graça de sempre nos recusarmos a coroar de pecados as nossas vidas, mas como legítimos herdeiros do Céu, não morramos antes de nos lançarmos com perfeição às boas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Delegação brasileira participa de reunião internacional preparatória para a JMJ Seul 2027

De 14 a 17 de setembro, representantes da pastoral juvenil de cerca de 100 países estão reunidos em Seul, na Coreia do Sul, para a segunda reunião internacional preparatória para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Seul 2027.

Na abertura do encontro, o arcebispo Jeong Sun-taek, presidente do Comitê Organizador Local da JMJ Seul 2027, destacou a importância da reunião para a preparação do grande encontro internacional. Segundo ele, o momento representa “um novo ponto de partida para a Igreja mundial trabalhar em conjunto” na construção da próxima Jornada.

Em Seul, a segunda reunião internacional de preparação para a Jornada Mundial da Juventude de Seul 2027 (© The WYD Seoul 2027 COL)

Ao longo dos dias, os participantes conhecem a visão missionária da JMJ e o planejamento para a preparação e a realização do evento em Seul. O programa também inclui momentos de partilha por meio do método do “diálogo no Espírito Santo”, também chamado de “conversação espiritual”, além de experiências voltadas à realidade da Igreja na Coreia.

A programação contempla ainda visitas e atividades relacionadas à preparação diocesana, momentos de convivência e a participação conjunta em celebrações e momentos de oração. A proposta é favorecer a troca de experiências entre as diferentes realidades eclesiais e fortalecer a comunhão entre os países que se preparam para acolher jovens de todo o mundo em 2027.

Brasileiros com o cardeal Farrell, Prefeito do Dicastério para os Leigos, e dom Vilsom Basso, presidente da Comissão para a Juventude CNBB.

Brasil presente na preparação
A Igreja no Brasil participa da reunião por meio de representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da pastoral juvenil e de organismos ligados à juventude.

Presidente da Comissão Episcopal para a Juventude da CNBB, dom Vilsom Basso ressalta que a participação brasileira no encontro reforça o compromisso de acompanhar os jovens que desejam participar da JMJ Seul 2027.

“Sabemos dos esforços que os jovens brasileiros têm feito para se fazer presentes na JMJ Seul em 2027. Estar neste encontro preparatório reforça o compromisso da Comissão para a Juventude em apoiar, levar as informações necessárias, tirar as dúvidas e auxiliar para que tenhamos uma boa representatividade de brasileiros em 2027”, afirmou.

Também participa do encontro o padre João Chagas, sacerdote brasileiro que atuou por mais de duas décadas no Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, especialmente na seção dedicada à juventude. Durante a reunião, ele partilhou sua experiência no organismo da Santa Sé e recordou sua participação na preparação e realização de diferentes edições da Jornada Mundial da Juventude, desde o Rio de Janeiro, em 2013, até Lisboa, em 2023, passando por Cracóvia, na Polônia, e Panamá.

A partir dessa experiência, o sacerdote destacou a dimensão e a riqueza das JMJ e o que esses grandes encontros representam para a vida da Igreja e dos jovens.

Outro brasileiro presente é o padre Franco Galdino, atual coordenador do Setor Juventude do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Ele manifestou entusiasmo diante da organização da JMJ Seul 2027 e destacou o estilo proativo e organizado da Igreja coreana.

(© The WYD Seoul 2027 COL)

A delegação brasileira conta ainda com Erika Teles, jovem integrante da Coordenação da Pastoral Juvenil e representante do Brasil no Organismo Consultivo Internacional da Juventude (IYAB), além de padres e missionários da Comunidade Católica Shalom.

“Estamos em Seul na expectativa de que muitos brasileiros possam viver essa experiência única que é uma JMJ. A nossa missão, como Pastoral Juvenil do Brasil e como IYAB, é motivar e ajudar os peregrinos neste caminho até 2027”, afirmou Erika.

Caminho para Seul 2027
A segunda reunião internacional preparatória busca transformar a proposta da JMJ Seul 2027 em ações concretas, a partir da colaboração entre as Igrejas particulares e os organismos responsáveis pela pastoral juvenil em diferentes partes do mundo.

O encontro reúne representantes de diversas nações para compartilhar experiências, alinhar os trabalhos de preparação e refletir sobre a acolhida dos peregrinos que chegarão à Coreia do Sul em 2027.

Participantes do Cone Sul da América Latina

A expectativa é que a Jornada seja uma oportunidade de encontro entre jovens de diferentes culturas e, ao mesmo tempo, um momento de renovação da vida da Igreja na Ásia e em todo o mundo.

Da Redação, Jovens Conectados.


O Papa na América do Sul: divulgado o programa da viagem


A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou os detalhes da longa "peregrinação" que o Papa fará de 6 a 17 de novembro próximo, visitando Uruguai, Argentina e Peru, na viagem apostólica mais longa de seu pontificado até agora. Encontros, celebrações, visitas e orações em santuários, com etapas em locais políticos e espirituais ricos em história e significado. O retorno à Diocese de Chiclayo, onde foi bispo, e um dia passado na Amazônia peruana entre missionários e povos indígenas.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Doze dias sem interrupção, cerca de vinte viagens de avião e helicóptero, encontros com todas as realidades possíveis de cada país – social, política, eclesial – visitas a governos, centros de assistência, santuários, prisões e o retorno à “querida diocese” à qual dirigiu um pensamento em sua primeira aparição no balcão central da Basílica de São Pedro: Chiclayo, a diocese no norte do Peru da qual foi pastor, o coração de sua missão.

O Papa partirá para a França daqui a poucos dias, mas já está pensando em sua próxima viagem apostólica à América Latina, de 6 a 17 de novembro. Como se sabe, as três etapas — Uruguai, Argentina e Peru — durarão mais do que sua viagem à África em abril, tornando-se a viagem internacional mais longa do Pontífice estadunidense.

Nesta segunda-feira, 21 de setembro, a Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou o programa detalhado da peregrinação latino-americana de Leão XIV, que começará na capital uruguaia, Montevidéu, onde o Papa — que partirá do Aeroporto de Roma/Fiumicino às 7h locais do dia 6 de novembro — chegará às 16h30 locais.

Primeira etapa no Uruguai
A recepção oficial se realizará no Aeroporto Internacional de Montevidéu-Carrasco, seguida da cerimônia de boas-vindas na Praça Independência e do tradicional encontro de início de viagem com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático. Às 18h15, o Papa visitará o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, no Edifício José Artigas e, após cerca de uma hora, celebrará as Vésperas com bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e seminaristas na Catedral Metropolitana da Imaculada Conceição e dos Santos Filipe e Tiago.

O Papa ficará hospedado em Montevidéu e, de lá, no dia seguinte, 7 de novembro, irá a Paysandú, a terceira maior cidade em tamanho e população, além de importante centro econômico do país. Às 10h, celebrará a missa no Parque Paris Londres, em Paysandú. Em seguida, retornará a Montevidéu num voo de 45 minutos. Após um breve descanso, o Pontífice visitará a Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, na capital, para um encontro com a comunidade de Casavalle, bairro localizado na periferia centro-norte da cidade, uma área profundamente vulnerável devido à complexa dinâmica socioeconômica. Logo depois, encontrará os representantes do mundo da educação na Universidade Católica do Uruguai. Mas esse não será o último evento do dia: às 19h locais, o Papa Leão XIV participará da Vigília de Oração no Estádio Centenário.

Aos pés da Virgem dos Trinta e Três
No domingo, 8 de novembro, será a vez de Florida, o “berço” da nação, pois foi palco da Declaração da Independência de 1825 e também por abrigar o Santuário da Virgem dos Trinta e Três, padroeira do Uruguai. No país considerado o mais laico e secularizado de toda a América Latina, é profundamente arraigada a devoção à Virgem, considerada também um símbolo patriótico ligado, justamente, à época da independência. Aos pés da Virgem, na praça em frente à Catedral, o Papa celebrará a missa. Almoçará com os bispos na Casa de Acolhimento Jesús Buen Pastor e, às 15h10, seguirá para o aeroporto para voar rumo a Buenos Aires, capital da Argentina, segunda etapa da viagem apostólica.

Segunda etapa na Argentina
A chegada à cidade natal de seu predecessor Papa Francisco, está prevista para as 16h30 locais. Após o acolhimento oficial, mas antes da cerimônia de boas-vindas na histórica Casa Rosada, está programada a visita ao Monumento ao general San Martín e aos exércitos da Independência na Praça San Martín. No Palácio presidencial, o Papa se reunirá com o presidente Javier Milei. A duração prevista é de quarenta minutos: às 18h30, o Papa se reunirá com as autoridades, os representantes da sociedade civil e do corpo diplomático no Palácio da Liberdade – Centro Cultural Domingo Faustino Sarmiento.

A programação será retomada no dia seguinte, 9 de novembro, com uma nova viagem — desta vez curta — a Claypole. Trata-se de uma pequena cidade a cerca de 26 km ao sul do centro da capital, que o Papa Prevost visitará para conhecer de perto os profissionais e os assistidos do Pequeño Cottolengo Dom Orione de Claypole, uma verdadeira “aldeia da caridade” que aparece entre as maiores obras assistenciais da Família Orionina. Jorge Mario Bergoglio, quando era arcebispo de Buenos Aires, conhecia bem o centro, que visitou várias vezes, apoiando de perto as iniciativas e atividades. Entre os doentes e os profissionais, no dia 9 de novembro estará o Papa Leão XIV, que dirigirá uma saudação a todos.

Ao retornar a Buenos Aires, às 11h30 será celebrada a missa em frente a um dos conjuntos esculturais mais icônicos e imponentes da cidade, o Monumento dos Espanhóis, no coração do bairro de Palermo. À tarde, o Papa seguirá para a Universidade Católica Argentina para se encontrar com os representantes do mundo do trabalho e, em seguida, com os líderes das comunidades cristãs e das tradições religiosas no Palácio San Martín. Ainda no mesmo dia, às 18h45, serão celebradas as Vésperas com o Episcopado argentino e as equipes sinodais na Catedral da Santíssima Trindade. Leão XIV jantará com os bispos na Casa Arquiepiscopal.

Em Córdoba e Luján
A cidade de Córdoba será o destino do segundo dia de viagem. O Papa chegará de avião na manhã do dia 10 de novembro e, do aeroporto internacional, seguirá imediatamente para o pátio da Escola de Aviação Militar onde celebrará a missa. Após o almoço, ele se encontrará com os bispos e o clero do país na Catedral de Nossa Senhora da Assunção. Às 16h55, retornará a Buenos Aires. Após algumas horas de descanso, seguirá para a Vigília com os jovens, no Monumento dos Espanhóis.

Leão XIV se despedirá da Argentina no dia 11 de novembro para seguir para o Peru, mas antes de partir, visitará o coração espiritual do país, o santuário de Luján, que abriga a imagem da Nossa Senhora, padroeira da nação. Antes disso, às 8h da manhã, o Papa se dirigirá ao Complexo Penitenciário Federal de Buenos Aires, local que também traz lembranças do arcebispo Bergoglio, que ali celebrou várias vezes a Missa da Quinta-feira Santa. Em Luján, o Papa Leão presidirá a missa, às 10h, na praça em frente à Basílica de Nossa Senhora de Luján.

Retorno ao Peru
O Papa partirá de Buenos Aires em direção a Lima, capital do Peru. O voo para Lima está marcado para as 14h e a chegada está prevista para as 17h30 locais na Base Aeronaval de Callao, onde será realizada a recepção oficial. A cerimônia de boas-vindas será realizada no Palácio do Governo, onde também ocorrerá a visita à presidente Keiko Fujimori. Já no Grande Teatro Nacional, haverá um encontro com autoridades, representantes da sociedade civil e diplomatas.

O dia 12 de novembro começará com um encontro com os bispos peruanos na capela do Palácio Arquiepiscopal, em Lima. Às 9h30, o Papa se reunirá com os bispos, com quem se encontrará novamente menos de uma hora depois na Basílica Catedral de São João Apóstolo e Evangelista para a celebração da Hora Média com sacerdotes, religiosos, seminaristas, a equipe sinodal e os conselhos pastorais. Na mesma manhã, está previsto um evento que se espera que seja significativo para toda a nação: o Encontro sobre os desafios e as esperanças para o futuro do povo peruano. O cenário será a praça em frente à Catedral, e o Papa proferirá um dos discursos mais aguardados pelo povo desta terra sofredora. Robert Francis Prevost encerrará o primeiro dia de viagem em seu território de missão com a Vigília de oração com jovens e universitários no Estádio Monumental de Lima. Às 20h, ele será convidado dos bispos para o jantar na Nunciatura Apostólica.

Em "sua" Chiclayo
Enquanto isso, a população de Chiclayo estará em polvorosa e todos os preparativos já em andamento no pequeno centro da cidade e nos bairros periféricos estarão concluídos. O retorno daquele que todos lembram com carinho como “padre Roberto” se realizará na manhã do dia 13 de novembro. O Papa chegará à capital do departamento de Lambayque de avião e saudará sua diocese com uma missa na esplanada próxima às Pampas de Pimentel.

Após esse grande momento público, haverá um momento privado com a visita à Capela de São Óscar A. Romero; está prevista, nessa ocasião, uma saudação. Ele proferirá, por sua vez, um discurso no Santuário de Nossa Senhora da Paz, durante o encontro com o clero, as equipes sinodais e os conselhos pastorais. O mundo universitário o receberá logo em seguida na Universidade Católica dedicada a São Turíbio de Mogrovejo, padroeiro dos bispos da América do Sul. E no Colégio, também dedicado a São Turíbio, será realizado o jantar do Papa com os sacerdotes da Diocese de Chiclayo.

O ato de abertura no sábado, 14 de novembro, será simbólico: a cerimônia de coroação da Virgem Imaculada na Catedral de Santa Maria, no centro histórico de Chiclayo, de frente para a Plaza de Armas. A cerimônia terá início às 8h; às 9h10, o Papa Leão, de helicóptero, seguirá para o pequeno distrito rural de Santa Cruz de Succhabamba, onde celebrará a missa na praça local. Ele retornará a Chiclayo ainda pela manhã e, no final da tarde, presidirá a oração com a comunidade católica para o encerramento do Ano Jubilar de São Turíbio de Mogrovejo no santuário a ele dedicado.

No coração da Amazônia peruana
Mudança de cenário, em 15 de novembro, mas ainda no Peru, com a visita a Cusco, cidade famosa por seus pontos turísticos e pelos picos andinos situados a 3.400 metros de altitude, que servem de ponte para a bacia amazônica a leste. Em Cusco, Leão XIV chegará de avião e, imediatamente, encontrará fiéis e representantes da devoção popular no Parque Arqueológico Nacional de Saqsaywaman. Pouco antes do meio-dia, ele rezará o Ângelus diante da Basílica da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. De Cusco, às 13h05, o Pontífice seguirá para a Amazônia peruana, em Pucallpa, centro da floresta pluvial às margens do rio Ucayali. Do aeroporto internacional, ele seguirá para o Malecón Puerto Callao, onde se encontrará com missionários e representantes dos povos amazônicos. À tarde, celebrará a missa na Villa Deportiva Regional Ucayali e, à noite, partirá para a capital, Lima.

No último dia no Peru, em 16 de novembro, Leão passará o dia na periferia pobre de Callao, onde atuou como administrador apostólico. Cidade portuária do Peru e província constitucional autônoma (apesar de estar totalmente integrada à região metropolitana de Lima), em Callao Leão visitará os profissionais e os beneficiários da Casa de Acolhimento das Hermanitas de los Ancianos Desamparados. O evento final será a missa na Base Aérea de Las Palmas, ao sul de Lima. Depois, se seguirá a cerimônia de despedida na Base Aeronaval del Callao e o voo de volta a Roma. A partida está prevista para as 13h45 e a chegada a Roma/Fiumicino, às 10h25 do dia seguinte, 17 de novembro.
Logotipos e lemas

Junto com o programa, foram divulgados os logotipos e lemas das viagens aos três países. “Anuncio-lhes uma grande alegria”, o anúncio do anjo aos pastores de Belém, é o lema da viagem ao Uruguai, cujo logotipo coloca no centro Cristo crucificado e ressuscitado; à direita e à esquerda, o Papa e a Virgem dos Trinta e Três; e, acima, o “Sol de Mayo”, símbolo característico da identidade nacional.

Uma corola formada por muitas pequenas figuras humanas de diferentes formas, tamanhos e cores, reunidas em uma única composição, representa, por sua vez, o logotipo da viagem à Argentina. “Bem-vindos a todos. Vão e anunciem” é o lema que pretende ser um símbolo universal no qual cada pessoa possa se reconhecer como parte de um único povo.

Por fim, elementos históricos e artísticos que evocam a fé e a missão evangelizadora da Igreja compõem o logotipo da etapa ao Peru. O elemento principal é um mapa do país, encimado pela pomba do Espírito Santo. Ao centro, está o Papa sorridente, acenando; ao seu lado, estão os principais santos da tradição peruana: Santa Rosa de Lima, São Turíbio de Mogrovejo, São Martinho de Porres, São Francisco Solano e São João Macías. O lema é “Abramos o coração”, o convite do Papa a abrir o coração a Deus para renovar a fé, proclamar o Evangelho e construir a unidade e a paz.

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EVANGELHO DO DIA (Lc 8,19-21)

ANO "A" - DIA: 22.09.2026
25ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
 Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 19 a mãe e os irmãos de Jesus aproximaram-se, mas não podiam chegar perto dele, por causa da multidão. 20 Então anunciaram a Jesus: "Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem te ver". 21 Jesus respondeu: "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A Palavra de Deus nos torna família de Jesus"

A Palavra de Deus exige de nós coerência de vida
“Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus” (Lucas 8,19-21).
No Evangelho de hoje, Jesus afirma: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”. Longe, irmãos e irmãs, de diminuir a dignidade da Virgem Maria, o Senhor revela justamente a grandeza dela. Isso nós vemos no texto de hoje.

A Palavra de Deus acolhida com perfeita obediência
Maria é bem-aventurada não apenas por ter gerado o Cristo segundo a carne, mas porque acolheu a Palavra de Deus com perfeita obediência. Ela ouviu, acreditou e viveu inteiramente para cumprir a vontade divina. Assim com essa Palavra, Jesus ensina que o verdadeiro parentesco com Ele nasce da fidelidade, nasce da obediência, não apenas de laços humanos ou sentimentos passageiros, que são arrastados pelo vento, pelas coisas transitórias.

Vivemos tempos em que muitos desejam um cristianismo, um catolicismo sem compromissos, reduzido apenas a emoções ou a opiniões pessoais. “Eu quero criar o meu cristianismo, eu quero criar o meu catolicismo, minhas opiniões”. Nós estamos atentos à opinião da Palavra, nós devemos manter o nosso coração vinculado ao coração de Deus, nós devemos superar as limitações deste tempo.

A santidade nasce da fidelidade à vontade de Deus
Cristo é claro conosco: pertence, verdadeiramente, a sua família quem escuta a Palavra e a pratica. E isso exige fé católica, exige coerência de vida, perseverança na verdade e fidelidade aos mandamentos. Não basta conhecer o Evangelho, é necessário conformar a própria existência à vontade de Deus, ainda que isso exija renúncia, sacrifício, coragem diante do mundo. A santidade não nasce da acomodação, mas da obediência perseverante.

A Igreja sempre ensinou que a Palavra de Deus deve ser recebida com humildade e transmitida sem adulterações, sem modificações. Por isso o discípulo autêntico não molda o Evangelho aos costumes do tempo, mas permite que o Evangelho transforme sua vida. Então, peçamos a intercessão da Virgem Maria para que sejamos verdadeiros membros da família de Cristo, que sejamos firmes na fé, constantes na oração, fiéis aos sacramentos e obedientes à vontade de Deus em todas as coisas.

Sobre você, desça e permaneça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova