sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Dom Ricardo Hoepers abre série “Discernimento Católico – Eleições 2026” e aborda princípios da Doutrina Social da Igreja


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou uma série especial de Podcast – Discernimento Católico – Eleições 2026 -, dedicada a aprofundar a “Mensagem da CNBB ao povo brasileiro por ocasião das eleições de 2026”, publicada pelo Conselho Permanente da Conferência em junho deste ano. A cada episódio, apresentado pelo jornalista Luiz Lopes Jr, um dos aspectos do documento será abordado a partir dos ensinamentos da Igreja e dos desafios do período eleitoral.


O primeiro episódio da série tem como tema “O que diz a Doutrina Social da Igreja sobre a política” e contou com a participação do bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers. Na conversa, ele apresenta princípios para o discernimento dos cristãos e reforça que a missão da Igreja não é indicar candidatos ou partidos, mas oferecer critérios iluminados pelo Evangelho.

“Nós não somos partido. A Igreja é responsável por evangelizar. A fonte da Igreja é o Evangelho, que é a Boa-Nova, Jesus Cristo”, afirmou. Segundo dom Ricardo, a Doutrina Social da Igreja contribui para atualizar os ensinamentos do Evangelho diante das questões sociais e oferece instrumentos para que cada pessoa faça sua escolha de maneira consciente.

“A Igreja oferece critérios. E não são quaisquer critérios. São os critérios que estão no Evangelho”, ressaltou.

Critérios para o discernimento
Durante o episódio, dom Ricardo apresenta princípios da Doutrina Social da Igreja que podem contribuir para a reflexão dos eleitores. Entre eles estão a dignidade da pessoa humana e a inviolabilidade da vida, o bem comum, a destinação universal dos bens, a solidariedade e a subsidiariedade.

Ao abordar o bem comum, o secretário-geral da CNBB destacou que a política deve estar voltada para toda a sociedade, e não apenas para interesses particulares:

“A política precisa pensar no todo, não apenas em um grupo, em um partido ou em um interesse. O critério do bem comum é o critério do cristão, é o critério do Evangelho”, explicou.

Para dom Ricardo, esses princípios não apontam nomes, mas oferecem referências éticas para o processo de escolha. “São critérios que não definem nomes de candidatos. Definem, eu diria, a ética que fará com que escolhamos bons candidatos.”

Política como expressão da caridade
Outro aspecto aprofundado no primeiro episódio é a compreensão da política como uma forma de exercício da caridade quando está efetivamente orientada para o bem comum.


Dom Ricardo explicou que a caridade cristã não se limita às relações individuais, mas pode alcançar também as estruturas da sociedade. Políticas públicas e ações que promovem a dignidade humana, enfrentam injustiças e ampliam o acesso aos bens necessários à vida são, nessa perspectiva, expressões concretas do amor ao próximo.

“Toda estrutura social voltada para o bem comum é uma forma de ampliar essa caridade, esse amor ao próximo, por meio da política”, afirmou.

O bispo também fez referência ao conceito de “política melhor”, apresentado pelo Papa Francisco na Encíclica Fratelli Tutti. Segundo ele, nem toda prática política pode ser compreendida como expressão da caridade.

“A política melhor é aquela que é para todos, todos, todos. É aquela que não discrimina ninguém. É aquela que respeita a dignidade humana em todas as regiões, independentemente dos interesses.”

Fraternidade diante da polarização
A proximidade do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, memória litúrgica de São Francisco de Assis, também motivou uma reflexão sobre fraternidade e amizade social.

Dom Ricardo alertou para os efeitos da polarização, das inimizades e da violência nas relações políticas e defendeu que o período eleitoral seja vivido a partir do respeito ao outro.

“O outro jamais pode ser meu inimigo. O outro jamais pode ser um objeto que utilizo e depois descarto. A política melhor respeita o outro como irmão”, destacou.

O secretário-geral da CNBB também chamou atenção para a necessidade de superar conflitos partidários e ideológicos, inclusive no ambiente familiar, e direcionar o debate para o bem do país e, especialmente, para as necessidades das pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

“Que São Francisco nos ajude a sermos mais irmãos, mais fraternos entre nós, superando as polarizações e olhando um pouco mais para o horizonte da fraternidade e do respeito ao outro”, afirmou.

Esperança cristã e participação
A esperança cristã foi outro ponto abordado no Podcast. Para dom Ricardo, ela não pode ser entendida apenas como expectativa de que a realidade melhore, mas deve conduzir à ação e ao compromisso com a transformação da sociedade.

“A esperança não é somente a expectativa de que as coisas vão melhorar. Ela também é um ato concreto do cristão, daquele que crê e acredita que é possível mudar”, explicou.

Nesse sentido, o bispo ressaltou que problemas como corrupção, violência e injustiças não devem ser naturalizados. “A esperança em Cristo é saber que a cruz não é o final, mas que a ressurreição vem como vida nova.”

Oração pelo período eleitoral
O primeiro episódio termina com uma oração conduzida por dom Ricardo a partir do livro Encontros de Reflexão e Oração sobre as Eleições 2026, preparado pelo Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep).

Para o secretário-geral da CNBB, a participação nas eleições também deve ser acompanhada pela oração e pela consciência da responsabilidade de cada cidadão.

“Esse ato de cidadania que vamos realizar não é uma mera formalidade. É uma responsabilidade que precisa ser assumida como consequência da nossa oração”, afirmou.

A série “Discernimento Católico – Eleições 2026” terá novos episódios nas próximas semanas dedicados a outros temas presentes na mensagem do Conselho Permanente da CNBB para as eleições de 2026, contribuindo para aprofundar a reflexão, a formação e o discernimento dos cristãos durante o período eleitoral.

Assista o primeiro episódio na íntegra:

Por Larissa Carvalho

Paz no Líbano na pauta do encontro de Leão XIV com presidente Joseph Aoun


Além da audiência privada com o Papa, o líder libanês se reuniu com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, e cumpre compromissos na Itália com o presidente Sergio Mattarella e a primeira-ministra Giorgia Meloni.

Vatican News

Na manhã desta quinta-feira, 20 de agosto, o Papa leão XIV recebeu em audiência no Palácio Apostólico, no Vaticano, o presidente da República do Líbano, Sr. Joseph Aoun, que em seguida se reuniu com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, acompanhado pelo arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais.

Os cordiais colóquios realizados na Secretaria de Estado centraram-se principalmente no Acordo Quadro Trilateral, assinado pelos Estados Unidos, Israel e Líbano, com o objetivo de estabilizar as fronteiras do sul da República do Líbano, a fim de alcançar uma paz justa e duradoura. A Santa Sé, ao saudar a assinatura deste documento, expressou a sua profunda preocupação relativamente às dificuldades encontradas na sua implementação e assegurou o seu apoio aos esforços que estão a ser feitos a este respeito.

Encontros precedentes
A relação institucional entre os dois líderes tem sido intensa desde que ambos assumiram seus cargos em 2025. Em maio, o presidente Joseph Aoun havia viajado a Roma para participar da Missa de início de Pontificado de Leão XIV. Em junho, a primeira audiência oficial e reunião de trabalho privada no Palácio Apostólico, ocasião em que foram reforçadas as relações bilaterais e o papel social da Igreja Católica no Líbano. E entre 30 de novembro e 2 de dezembro de 2025, a visita de Leão XIV a Beirute e arredores, na segunda etapa de sua primeira Viagem Apostólica, na sequência da visita à Turquia.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.

EVANGELHO DO DIA (Mt 22,34-40)


ANO "A" - DIA: 21.08.2026
20ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIA DE SÃO PIO X

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Fazei-me conhecer vossa estrada, vossa verdade me oriente e me conduza!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 34 os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, 35 e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: 36 "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?" 37 Jesus respondeu: " 'Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!' 38 Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39 O segundo é semelhante a esse: 'Amarás ao teu próximo como a ti mesmo'. 40 Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"De todo o teu coração, amar ao Senhor"

Teu coração por inteiro nas mãos do Senhor
Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração. (Mateus 22,34-40)

Irmãos e irmãs, hoje, eu quero mandar um abraço muito especial para aqueles que acompanham a nossa homilia. Aqueles que nos acompanham do Vietnã, Deus abençoe o seu coração, faça frutificar cada vez mais a palavra divina no seu coração aí, nesse país distante.

Também aqueles que nos acompanham do Egito; também um abraço para você que nos acompanha de Honduras. Também nós temos acessos lá no Suriname! Deus abençoe você que nos acompanha do Suriname. Também El Salvador, Lituânia e Eslovênia. Deus abençoe a sua vida neste dia em que a liturgia nos dá este presente. Qual presente?

Teu coração perseverando no Amor
Ela nos recorda que nós devemos amar ao Senhor, e, hoje, nós celebramos a memória de São Pio X. Peçamos, neste dia, que ele interceda por nós e nos faça perseverar constantemente no amor e no conhecimento a Deus, na presença d’Ele em nosso meio. No Evangelho, Jesus nos apresenta o coração de toda a lei, e Ele diz: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento”.

Não se trata de um mandamento entre outros, mas da raiz de tudo: o amor a Deus. Amar a Deus é orientar toda a vida para Ele, sem divisões. Não devemos ter divisões no nosso coração sem reservas; e Jesus acrescenta: “Amar o próximo como a si mesmo”, ou seja, o amor a Deus se torna concreto no amor ao outro. São Pio X compreendeu profundamente essa verdade; seu desejo era renovar todas as coisas em Cristo, levando as pessoas a uma fé viva e concreta.

Uma fé simples e autêntica
Incentivou a participação na Eucaristia diária e ensinou que a vida cristã não é apenas conhecimento de regras, mas um encontro real com Deus que transforma o coração. Nós devemos desejar ardentemente essa realidade também: a transformação do nosso coração.

Para Ele, amar a Deus de todo o coração significa viver uma fé simples, autêntica e fiel no dia a dia. E como? Deveríamos nos perguntar: e como é o nosso amor por Deus? Como está o nosso amor por Deus? Ofereço migalhas ou me ofereço por inteiro? Ofereço aquilo que me sobra ou me ofereço por inteiro? Tenho vivido uma fé de aparência ou um relacionamento verdadeiro com o Senhor?

Que São Pio X, neste dia, nos ajude a redescobrir o essencial: colocar Deus no centro da vida e deixar que esse amor a Ele se traduza em gestos concretos de caridade, tornando visível no mundo a presença de Cristo, a presença de Jesus.

Sobre você, desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


Confissão dos pecados: Libertar-se do peso do pecado e encontrar a verdadeira paz com Deus

A carroça pesada do pecado e a necessidade da confissão

Caros amigos e irmãos que estão trabalhando para Jesus no dia de hoje na evangelização deste imenso mundo de Deus, que alegria podermos nos reunir, porque hoje é o dia que o Senhor fez para nós, e o nosso destino final é o céu. Quero desejar, do fundo do meu coração, a paz no seu interior.
A Palavra do Senhor, hoje, que está no livro de Baruc 1,13, nos faz um chamado muito sério e amoroso: ela fala sobre a confissão dos pecados. Mas por que nós precisamos confessar? Porque Deus quer escutar da sua própria boca aquilo que você fez, aquilo em que você entregou o seu coração. Só através da fala e da exposição você será verdadeiramente liberto.

Quando pecamos e desobedecemos à voz do Senhor, a vergonha queima nosso rosto. O pecado nos faz andar de cabeça baixa. É como aquele julgo — aquela forquilha pesada que se coloca no pescoço do boi para ele puxar a carroça. Muitas vezes, a nossa vida e a nossa carroça estão pesadas demais porque nós as entulhamos de porcaria e não descarregamos. Chega uma hora em que vamos envelhecendo, e, simplesmente, não aguentamos mais carregar esse fardo tão pesado.

Os mandamentos de Deus: o caminho simples para a vida
Deus, em Sua infinita misericórdia, facilitou as coisas para nós. Ele nos deixou apenas 10 mandamentos. Ele poderia ter escrito uma Bíblia inteira cheia de proibições e regras, mas nos deu apenas dez, porque sabe que somos um tanto limitados e temos dificuldade para gravar muita coisa. Esses 10 mandamentos representam a nossa vida – se fugirmos de qualquer um deles, estaremos pecando contra Deus.

O exemplo de honrar pai e mãe no mundo de hoje
Pensemos, por exemplo, no mandamento de honrar pai e mãe. Como o mundo de hoje está difícil! Vemos tantos filhos que vão embora e abandonam seus pais e suas mães, sem querer saber deles. Mas a vida tem uma lei muito clara: aquilo que o filho faz de abandono com seus pais, os seus próprios filhos farão com ele no futuro. Não se trata de um castigo de Deus, mas sim do próprio exemplo que não foi dado dentro de casa. Feliz daquele que honra seus pais!

Deixando de lado os nossos “pecados de estimação”
Todos nós somos pecadores, não importa o cargo, autoridade ou posição que ocupemos: sejamos reis, autoridades, sacerdotes, profetas ou cidadãos comuns. O grande perigo é que muitos de nós têm a mania de guardar e “entulhar” o pecado. Nós confessamos, temos aquele diálogo com Deus e dizemos que não vamos mais errar, mas guardamos aquele pecadinho com estimação, com carinho, e, de vez em quando, ele brota de novo.

Precisamos ter a prática constante de nos abrirmos a Jesus, fazer a confissão dos pecados e pedir com sinceridade: “Senhor, perdoa o meu pecado, mas perdoa de verdade”. Só assim ficaremos livres da vaidade, dos desejos egoístas e do orgulho do poder, para sermos exclusivamente de Deus.
Encontrando o verdadeiro amigo para aliviar o fardo
Para não guardar mais o entulho do pecado em nosso coração, nós precisamos descobrir o verdadeiro Amigo. E quem é o amigo verdadeiro? Amigo é aquele em quem você encosta a cabeça no ombro e chora.

Quando você se abre dessa forma a Deus, você se torna leve. Busque a sua salvação na libertação dos seus pecados. Deus ama muito você e não quer ver você carregando essa bagagem triste e pesada. Confie, confesse e caminhe livre rumo ao céu. Amém!

Do seu amigo,

Wellington Silva Jardim – Eto
Cofundador da Comunidade Canção Nova


São Pio X - Papa

José Melquior Sarto, segundo de 10 filhos, nasceu num vilarejo na região de Riese, Treviso, norte da Itália, no ano de 1835. Sua família era pobre e muito católica. Sua inteligência brilhante ficou evidente desde cedo, e seus pais fizeram um grande esforço para que ele pudesse estudar. Caminhava vários quilômetros por dia para ir e voltar da escola, almoçando apenas um pedaço de pão. Já nessa época dizia querer ser padre.

Seu pai faleceu quando estava prestes a entrar no seminário, e José quis abnegadamente abandonar os estudos para ajudar em casa. Sua mãe, mais abnegadamente ainda, o manteve no seminário, onde também se destacou pela inteligência. Foi ordenado com 23 anos, em 1858. Inicialmente foi vice-vigário em um vilarejo, depois vigário de uma grande paróquia. Pelo seu sucesso pastoral, foi nomeado cônego da catedral de Treviso e diretor espiritual do seminário, e então bispo da diocese italiana de Mântua (1884) e patriarca e cardeal de Veneza (1895). Este trajeto foi relativamente rápido, em função da sua humildade, vida de oração e capacidade intelectual. Em 1903, foi eleito Papa e adotou o nome de Pio X.

Esta nomeação não mudou a sua vida de simplicidade, modéstia e pobreza. Adotou como lema de pontificado "Restaurar as coisas em Cristo", e o colocou na prática cuidando zelosamente das questões internas da Igreja.

Neste sentido sua primeira providência foi acabar com o absurdo “veto leigo” usado por algumas monarquias europeias para interferir nas eleições papais, elaborando uma nova constituição para os conclaves. Mas muitas e importantes foram as suas ações em favor da Igreja e dos fiéis: promoveu a reforma da Cúria Romana e dos seminários, bem como a do Missal e a do Breviário (livro de orações obrigatórias diárias dos sacerdotes); codificou o Direito Canônico, criou o Instituto Bíblico e ordenou a revisão da Vulgata (tradução original da versão bíblica do Grego e Hebraico para o Latim); protegeu a música sacra, dando primazia ao canto gregoriano. Como grande devoto da Eucaristia, e sabendo da sua importância primordial na vida espiritual da Igreja, concedeu que os fiéis pudessem comungar todos os dias, o que era raro, e determinou que as crianças pudessem fazer a Primeira comunhão já aos sete anos (anteriormente, só em idade maior). O Catecismo passou a ser ministrado em todas as paróquias e para todas as idades; para isso elaborou um Catecismo famoso, que leva o seu nome, com a estrutura de perguntas e respostas, de modo a ser simples e acessível também às pessoas mais simples.

Importantíssima foi a sua postura contra as leis anticristãs na França, e contra o Modernismo (movimento anticatólico a partir das filosofias de Kant e Hegel levando ao racionalismo e ao idealismo ateus), particularmente através da Encíclica Pascendi Dominici gregis (1907), onde deixa claro os erros destas ideias. Na Itália, diminuiu as restrições de participação dos católicos na política.

Promoveu a criação de bibliotecas e incentivou os cientistas. Só no Brasil, criou 22 bispados e sete arcebispados. Fez imensos esforços para evitar a I Guerra Mundial, e muito sofreu por não consegui-lo. Além de tudo isso, Pio X foi um brilhante teólogo, embora se definisse como “um simples pároco do campo", e teve o dom da cura: durante a vida, vários doentes recuperaram a saúde depois de ter contato com ele, o que ele explicava com simplicidade acontecer por causa “do poder das chaves de São Pedro", e não dele pessoalmente. Sua bondade suave e marcante levava a que o chamassem de “padre santo", o que ele corrigia com um sorriso: “Não se diz santo, mas Sarto”, o seu sobrenome.

Para sua família, que não quis favorecer e continuou pobre, somente pediu aos cardeais uma esmola mensal para suas idosas irmãs.

Ficou conhecido como o Papa da Eucaristia e o Papa das Crianças, falecendo em 20 de agosto de 1914 com 79 anos.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

A belíssima história de vida de São Pio X começa com o maravilhoso exemplo de amor dos seus pais, e particularmente da sua mãe viúva e pobre, que investiu nas suas capacidades com grande sacrifício. Aceitar dificuldades, voluntariamente e por caridade, para fazer bem ao outro… é quase o mesmo resumo de Cristo sobre os Mandamentos, “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”: “Nestes dois Mandamentos se resume toda a Lei e os Profetas” (Mt 22,40). O exemplo familiar frutificou abundantemente em José Sarto, que como Papa teve especial carinho pelas crianças. Por isso facilitou a elas o que é mais importante nesta vida, a Eucaristia, e o necessário entendimento para recebê-la, através do Catecismo que escreveu, de imenso valor até hoje. O cuidado com a boa evangelização das crianças e do povo simples pelo ensino catequético, que determinou para todas as paróquias e para todas as idades, é fundamental também em todos os tempos, pois obviamente é necessário que os fiéis conheçam a sua Fé para poder praticá-la; e na época de Pio X, como hoje, este conhecimento era pouco e em geral mal ensinado, gerando profundos problemas de continuidade na vida católica dos fiéis. Muitas outras providências Pio X teve para com o bem da Igreja, incluindo a advertência e soluções para problemas que ainda iriam surgir nela e na sociedade no futuro, com o Modernismo ateu. Cujos desdobramentos e consequências, de fato, ainda hoje causam tanto mal. Como resposta aos desafios, trabalhou na Teologia, incentivou a cultura e as ciências, sempre com o exemplo de humildade, modéstia e desapego material. Foi o contraste vivo e evangélico às turbulências que prepararam e deflagaram a I Guerra Mundial.

Oração:

Senhor Deus, cuja Providência sempre nos oferece exemplos e oportunidades de fazer o bem e consertar o mal, concedei-nos por intercessão de São Pio X sermos curados na alma ao contato próximo com a Vossa Igreja, e com a vida centrada na Eucaristia fazermos a nossa parte para restaurar todas as coisas em Cristo. Pelo mesmo Cristo Nosso Senhor, e Nossa Senhora. Amém.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A despedida do comunicador padre César Moreira, ex-presidente da Rede Católica de Rádio e pioneiro da TV Aparecida


Faleceu no último sábado, 15 de agosto, o padre Antônio César Moreira Miguel, missionário redentorista, aos 81 anos. Jornalista e sacerdote, dedicou grande parte de sua vida à evangelização por meio da comunicação, tendo entre as funções desempenhadas as de diretor da Rádio Aparecida, presidente da União de Radiodifusão Católica (UNDA) e da Rede Católica de Rádio (RCR), além de ter contribuído decisivamente para a implantação da TV Aparecida e atuado posteriormente em seu departamento de jornalismo.

O missionário também deixou sua contribuição por meio da escrita, com livros, artigos e trabalhos voltados à comunicação e à fé. Ordenado sacerdote em 1970, viveu 61 anos de consagração religiosa e 55 anos de ministério sacerdotal, servindo à Congregação do Santíssimo Redentor, à Igreja e à missão de comunicar a Boa-Nova.

Nas redes sociais, o perfil oficial da CNBB manifestou o pesar pelo falecimento do padre César Moreira:

“A CNBB se une aos Missionários Redentoristas, familiares, amigos e a todos que receberam o testemunho e o trabalho do Pe. César Moreira, elevando a Deus orações pelo seu descanso eterno”.

Despedida na Casa da Mãe Aparecida
O Santuário Nacional de Aparecida acolheu a Missa de corpo presente do padre César Moreira na tarde de domingo, 16, reunindo seus confrades redentoristas, familiares e fiéis em um momento de oração e gratidão pela vida do missionário redentorista.

A celebração foi presidida pelo arcebispo de Aparecida (SP), dom Mário Antonio da Silva, e marcada pela memória da trajetória do sacerdote, que dedicou grande parte de seu ministério à evangelização por meio da comunicação.

Na homilia, o padre José Ulysses, que também concelebrou a missa, destacou a relação de amizade e caminhada vocacional que manteve com padre César desde a infância, quando entraram na formação da congregação religiosa.

Ele também destacou seu trabalho no âmbito da comunicação. Na Rádio Aparecida, recebeu a herança do Padre Vítor Coelho de Almeida, fazendo com que a a emissora se difundisse “ainda mais”. Já na TV, realizou um sonho:

“E o mais interessante foi quando conseguiu a concessão de um canal de televisão. Aí o Pe. César realizou um sonho imenso. Ele foi o primeiro a dar uma formatação à TV Aparecida, que, assim como a rádio, deveria ser uma irradiação do Santuário Nacional”.


Luiz Lopes Jr com informações e fotos do Portal A12

Papa: a paz começa no coração e se estende ao cuidado da criação


Na mensagem para o XI Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, celebrado em 1º/09, Leão XIV alerta para as feridas provocadas pelas guerras e pela degradação ambiental e recorda que a construção da paz exige uma conversão pessoal e coletiva. “As verdadeiras ferramentas para construir a paz não são as armas de destruição, mas sim a verdade, o diálogo, a paciência, a bondade, a justiça, a misericórdia, a compreensão, o cuidado e o amor.”

Thulio Fonseca - Vatican News

“Transformarão as suas espadas em relhas de arados e as suas lanças em foices.” É a partir das palavras do profeta Isaías que o Papa Leão XIV desenvolve sua mensagem para o XI Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que será celebrado em 1º de setembro. O Pontífice convida os cristãos a contemplarem o dom da vida e a valorizarem a terra que a sustenta, num momento marcado por crises, sofrimento humano e pelo agravamento do desequilíbrio da criação. Realidades que, segundo o Papa, constituem “um único apelo à cura e à paz, proveniente dum mundo ferido”.
Ouça e compartilhe

As feridas da guerra atingem também a criação
Leão XIV chama a atenção para o contraste entre a paz oferecida por Cristo e uma realidade mundial na qual tantos esforços continuam direcionados à violência e à guerra. Os conflitos, recorda, não apenas ceifam vidas, separam famílias e obrigam milhões de pessoas a abandonar suas casas, mas deixam também uma destruição social e ecológica que pode perdurar por gerações.

A relação entre conflitos armados e degradação ambiental, adverte o Papa, alimenta um ciclo que destrói ecossistemas, contamina recursos essenciais, como o ar e a água, compromete a segurança alimentar e aumenta a pobreza, a desigualdade e as tensões sociais. A guerra, afirma Leão XIV, “não se trata apenas dum fracasso político, mas também moral e espiritual” e se apresenta como “um contratestemunho do Evangelho da paz”.

Papa no Borgo Laudato si’ (@Vatican Media)

Uma conversão que começa no coração
Diante dessas crises, o Pontífice pede uma conversão capaz de alcançar não apenas as estruturas, mas o próprio coração humano. As feridas da guerra e a degradação da terra, explica, estão intimamente ligadas àquilo que acontece dentro de cada pessoa. Por isso, para construir uma sociedade pacífica, é necessário renovar os corações e superar a vontade de domínio, a busca do lucro imediato e a incapacidade de reconhecer a dignidade de cada ser humano.

É nesse sentido que o apelo de Isaías para transformar “as espadas em relhas de arados” se torna também um chamado pessoal e coletivo. Para Leão XIV, a verdadeira conversão ecológica nasce do encontro com Cristo e se manifesta na relação com o próximo e com o mundo: “A paz, então, começa no coração e flui para as nossas relações, comunidades e para o mundo inteiro.”

As verdadeiras ferramentas da paz
O Papa convida ainda a imaginar um mundo no qual as energias atualmente investidas na guerra sejam destinadas ao desenvolvimento humano integral, à superação da pobreza, à proteção da dignidade humana e à reconciliação entre os povos. “As verdadeiras ferramentas para construir a paz não são as armas de destruição, mas sim a verdade, o diálogo, a paciência, a bondade, a justiça, a misericórdia, a compreensão, o cuidado e o amor.”

Ao concluir, Leão XIV encoraja os fiéis a se tornarem colaboradores da obra de renovação de Deus, permitindo que a transformação interior se traduza no cuidado com a criação e na construção da paz: “Lenta, mas certamente, passaremos do deserto ao jardim, da divisão à comunhão e da violência à paz.”
(@Vatican Media)

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.

EVANGELHO DO DIA (Mt 22,1-14)

ANO "A" - DIA: 20.08.2026
20ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIA DE SÃO BERNARDO DE CLARAVAL

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, 2 dizendo: "O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. 3 E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir. 4 O rei mandou outros empregados, dizendo: 'Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!' 5 Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, 6 outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram. 7 O rei ficou indignado e mandou suas tropas, para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. 8 Em seguida, o rei disse aos empregados: 'A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. 9 Portanto, ide até às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes'. 10 Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. 11 Quando o rei entrou para ver os convidados, observou ali um homem que não estava usando traje de festa 12 e perguntou-lhe: 'Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?' Mas o homem nada respondeu. 13 Então o rei disse aos que serviam: 'Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Ali haverá choro e ranger de dentes'. 14 Por que muitos são chamados, e poucos são escolhidos.'

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Comunidade edificada por Deus"

Em comunidade, o convite da festa do amor do Pai
Naquele tempo, Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo dizendo: “O reino dos céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho e mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir. O rei mandou outros empregados dizendo: ‘Dizei aos convidados: Já preparei o banquete, os bois e animais já foram abatidos e tudo está pronto vinde para a festa’” (Mateus 22,1-14).

A leitura do Evangelho de hoje é extensa, mas Deus continua a edificar a Sua comunidade com aqueles bons e maus que creem no Seu amor e com aqueles que não creem no Seu amor.

Comunidade dos imperfeitos
A experiência que Jesus nos convida a viver é surpreendente. A última parte da passagem, segundo os exegetas, contém uma segunda parábola que Mateus uniu à anterior para completar a mensagem. Jesus apresenta-nos uma visão do mundo como uma comunidade normal. Composta de pessoas com as suas fragilidades, boas e más, as quais o Pai chama para partilhar do Seu amor pelo Filho.

Mas não existem condições para participar dessa festa? Vocês viram que Ele chamou todos aqueles que estavam à beira do caminho para participar dessa festa. A única condição é vestir-se com a veste nupcial, isto é, participar da festa de casamento que o Pai preparou para o seu Filho.

Assumir a veste da graça
Crer no amor que o Pai nos dá, deixar-nos amar e permitir que a nossa vida seja a gota no oceano infinito do amor de Deus. No texto do Evangelho, há um momento em que o dono da festa encontra uma pessoa que não estava vestida com os trajes e diz: “Amigo, por que entraste aqui sem a veste nupcial?”. Não é importante competir para ser o primeiro, não é importante ser o mais ativo no fazer; o que importa é estar revestido de Cristo, viver como filhos entregues ao amor do Pai.

O amor de Deus transforma a nossa fragilidade
A Igreja é a comunidade daqueles que, na profundidade da sua fragilidade moral, não se justificam, não teorizam que tudo é permitido por ser humano, mas, com humildade, honestidade e verdade, creem no amor do Pai que perdoa, que renova o coração do ser humano e devolve a ele a alegria de participar dessa festa.

Cabe-nos como Igreja, como comunidade, chamarmos e convocarmos a todos a participar dessas alegrias para que todos, lavados, purificados, vestidos com as vestes nupciais do perdão e da alegria, possam participar desse grande banquete preparado para todos nós. Por isso, abramos o nosso coração e permitamos que Deus nos purifique na graça do seu amor.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Pe  Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova