segunda-feira, 13 de abril de 2026

CNBB realiza sua 62ª Assembleia Geral, em Aparecida (SP), a partir do próximo dia 15 de abril


Na próxima semana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) inicia sua 62ª Assembleia Geral. De 15 a 24 de abril, os bispos de todo o Brasil estarão reunidos no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), para dias de convivência, oração e definições importantes para a missão da Igreja Católica no país.

Órgão supremo da CNBB, a Assembleia Geral é “a expressão e a realização maior do afeto do colegial, da comunhão e da corresponsabilidade dos Bispos da Igreja no Brasil”. O Estatuto da CNBB estabelece que este órgão tem a finalidade de realizar os “objetivos da CNBB, para o bem do povo de Deus”. Nesse encontro, são tratados assuntos pastorais relacionados à missão da Igreja e aos problemas das pessoas e da sociedade, sempre na perspectiva da evangelização.

Tema Central
O tema central desta assembleia é a aprovação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Após um processo de atualização adiado para receber as contribuições do Sínodo sobre a Sinodalidade, o texto com os acréscimos e contribuições recebidos também das dioceses, pastorais e organismos chega ao conjunto do episcopado para ser votado e aprovado.

As diretrizes formam o documento que direciona e orienta a missão da Igreja de evangelizar. Elas auxiliam as dioceses de todo o país na sua atuação pastoral a partir do discernimento da realidade e oferece propostas para iluminar a vida eclesial e a sociedade a partir dos valores do Evangelho.

Além do tema central, os bispos também vão tratar de três temas prioritários, 20 temais diversos, 4 mensagens e 10 comunicações. O encontro dos bispos também conta com um retiro espiritual, que acontece nos primeiros dias de assembleia.

Entre os temas prioritários está o relatório da Presidência da CNBB, e entre os temas diversos as análises de conjuntura social e eclesial; o processo de implantação do Sínodo sobre a Sinodalidade no Brasil; aprovações de textos litúrgicos; as Campanhas da CNBB; a Tutela de Menores e adultos vulneráveis; o Congresso Americano Missionário (CAM 7), marcado para 2029; o Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé; a atualização do Documento “Evangelização da Juventude” (Doc. 85 CNBB); e o 19º Congresso Eucarístico Nacional, marcado para 2027.


Programação
A programação diária dos bispos tem início às 8h, com a oração das Laudes, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida. A primeira das quatro sessões diárias começará às 8h30 e a segunda às 11h. Já às 10h30, bispos definidos pela Presidência concedem entrevista coletiva à imprensa, com transmissão pelas redes sociais da CNBB.
À tarde, as sessões retornam às 15h, com a oração da Hora Média. Às 18h, os bispos celebram a Eucaristia com a oração das Vésperas, no altar central da basílica de Aparecida.

Nos primeiros dias, os bispos vivenciarão um retiro espiritual, com início na tarde do dia 15 de abril e conclusão com a Eucaristia, na noite de quinta-feira. Antes da celebração, prevista para 18h, os bispos rezarão o terço durante procissão do Centro de Eventos até a Basílica do Santuário Nacional.

No sábado e no domingo, as missas serão pela manhã: no dia 18, às 7h, e no dia 19, às 8h.

Quem participa
São convocados para a Assembleia Geral da CNBB os membros da Conferência: cardeais, arcebispos, bispos diocesanos, auxiliares e coadjutores. Os bispos eméritos, administradores diocesanos e representantes de organismos e pastorais da Igreja são convidados.

A Igreja Católica no Brasil possui 281 circunscrições eclesiásticas. O número de bispos no país é de 497, dos quais 324 estão no exercício do governo pastoral de alguma diocese/arquidiocese e outros 173 são bispos eméritos. Destes, 373 estão inscritos na 62ª Assembleia Geral da CNBB.

Para acompanhar
Será possível acompanhar o encontro dos bispos pelos meios de comunicação da CNBB e pelas emissoras de rádio e de TV de inspiração católica. A sessão de abertura, as coletivas de imprensa e as missas serão transmitidas ao vivo, tanto no canal da CNBB no Youtube, quanto nas emissoras de TV.

A Assessoria de Comunicação da CNBB vai levar ao público vários conteúdos especiais na cobertura da Assembleia Geral, tanto para o Portal da CNBB, quanto para as redes sociais e para os veículos de comunicação católicos. Confira abaixo a programação:Live sobre a pauta do dia – 7h45
CNBB Confere – 9h
Coletiva de imprensa – 10h30
Podcast – 11h45
Boletim de Rádio para emissoras de inspiração católica- 17h
Boletim Igreja no Brasil – 19h


Luiz Lopes Jr | Foto: Thiago Leon

Papa: “não sou político, falo de Evangelho. Aos líderes mundiais: basta de guerras”


Durante o voo de ida para Argel, primeira etapa da viagem apostólica à África, Leão XIV cumprimenta os cerca de 70 jornalistas que o acompanham: “é uma viagem especial, a primeira que eu queria fazer. Uma oportunidade muito importante para promover a reconciliação e o respeito pelos povos”. Ao Pontífice, uma pergunta sobre as críticas dirigidas a ele por Trump: “não quero entrar em um debate. A minha mensagem é o Evangelho e continuo a falar com força contra a guerra”

Salvatore Cernuzio – no voo Roma/Argel

“Bom dia a todos, welcome aboard!”. Leão XIV mostra-se sereno e claramente entusiasmado com esta terceira viagem apostólica internacional com destino à África, que tem início nesta segunda-feira, 13 de abril. Uma longa viagem que levará o Papa em peregrinação até a próxima quinta-feira, dia 23, pela Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Lugares onde, como ele diz, levará “a mensagem da Igreja, a mensagem do Evangelho: bem-aventurados os construtores de paz”. Pois esse é o papel do Papa: não o de “um político”, afirma Leão aos cerca de 70 jornalistas que o acompanham na viagem e que, uma hora após a decolagem, cumprimenta um a um durante o voo para Argel. Um costume em todas as viagens apostólicas, ocasião para a troca de presentes e, desta vez, também para comentar – a pedido dos próprios jornalistas – as duras declarações contra ele feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na rede social Truth.

Falar com força contra a guerra
“Eu não vejo o meu papel como o de um político; não sou um político, eu não quero entrar em um debate com ele”, observou o Pontífice, referindo-se ao presidente. “Não penso que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada como alguns estão fazendo. Eu continuo a falar com força contra a guerra, buscando promover a paz, promovendo o diálogo e o multilateralismo com os Estados para encontrar soluções aos problemas. Muitas pessoas estão sofrendo hoje, muitos inocentes foram mortos e acredito que alguém deve se levantar e dizer que há um caminho melhor”.

A mensagem que o Bispo de Roma faz questão de reiterar é, portanto, “sempre a mesma: a paz. Digo isso para todos os líderes do mundo, não apenas para ele: tentemos acabar com as guerras e promover a paz e a reconciliação”.

Construtores de paz
A uma jornalista dos Estados Unidos, que fazia a mesma pergunta, o Papa reitera: “eu não tenho medo do governo de Trump. Continuarei falando com voz forte sobre a mensagem do Evangelho, aquela pela qual a Igreja trabalha”. “Nós não somos políticos – repete Leão – não olhamos para a política externa com a mesma perspectiva. Mas acreditamos na mensagem do Evangelho como construtores de paz”.

Viagem especial
E é justamente a construção da paz o objetivo fundamental da viagem à África. Viagem que, como explica o próprio Leão XIV ao microfone, “deveria ter sido a primeira viagem do pontificado”. “Já no ano passado, no mês de maio, eu havia dito 'gostaria de fazer minha primeira viagem na África'. Outros sugeriram imediatamente a Argélia por causa de Santo Agostinho”, acrescenta, dizendo-se “muito feliz por visitar novamente a terra de Santo Agostinho, que oferece uma ponte muito importante para o diálogo inter-religioso”.

A oportunidade de visitar os locais da vida do bispo de Hipona, hoje Annaba, é, portanto, segundo o Papa Leão, “uma bênção também para mim pessoalmente, para a Igreja e para o mundo. Pois devemos sempre buscar pontes para construir a paz e a reconciliação”. Nessa perspectiva, a viagem apostólica “representa realmente uma oportunidade importantíssima para continuar com a mesma voz, com a mesma mensagem, de que queremos promover a paz e a reconciliação, bem como o respeito e a consideração por todos os povos”.

Um presente das Canárias
Foram muitos os presentes entregues ao Papa durante o encontro com os jornalistas, cinegrafistas e repórteres: livros, desenhos, cartas, uma pequena ícone de Nossa Senhora do Bom Conselho, venerada por toda a Ordem de Santo Agostinho, da qual provém. Entre os presentes mais simbólicos, certamente se destaca o da jornalista da emissora espanhola Radio Cope, Eva Fernández: simbólico porque une a viagem à África com a que ocorrerá em junho à Espanha. Trata-se de um fragmento de um dos inúmeros “cayucos”, nome dado às embarcações rudimentares com as quais os migrantes africanos deixam o seu país para desembarcar perto de La Restinga, na ilha de El Hierro. Neste que é o ponto mais ao sul da Espanha, somente em 2025 chegaram mais de 10 mil pessoas, quase tantas quanto os habitantes da ilha, que são pouco menos de 12 mil. A rota das Canárias é considerada uma das mais perigosas do mundo, com pessoas no mar por pelo menos uma semana.

Leão XIV visitará, como se sabe, as Canárias, ao final da sua viagem à Espanha de 6 a 12 de junho. Nesta segunda-feira (13/04), ele recebeu com gratidão, repetindo várias vezes “gracias” em espanhol, este presente abençoado pelo bispo de Tenerife e proveniente do Senegal e da Gâmbia. Ainda a respeito da Espanha, outro presente para Leão: uma reprodução do pináculo da torre de São Bernabé da Sagrada Família, a única construída em vida por Gaudí, que queria garantir que fosse concluída antes da sua morte para servir de modelo para as outras torres.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 3,1-8)

ANO "A" - DIA: 13.04.2026
2ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Se com Cristo ressurgistes, procurai o que é do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus Pai.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

1 Havia um chefe judaico, membro do grupo dos fariseus, chamado Nicodemos, 2 que foi ter com Jesus, de noite, e lhe disse: "Rabi, sabemos que vieste como mestre da parte de Deus. De fato, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, a não ser que Deus esteja com ele". 3 Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce do alto, não pode ver o Reino de Deus". 4 Nicodemos disse: "Como é que alguém pode nascer, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mãe?" 5 Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus". 6 Quem nasce da carne é carne; quem nasce do Espírito é espírito. 7 Não te admires por eu haver dito: Vós deveis nascer do alto. 8 O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O convite para Nicodemos nascer do Alto"

O convite a Nicodemos para uma vida no Espírito
Havia um chefe judaico, membro do grupo dos fariseus, chamado Nicodemos, que foi ter com Jesus de noite e lhe disse: “Rabi, sabemos que vieste como mestre da parte de Deus. De fato, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, a não ser que Deus esteja com ele”. Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nascer do alto, não pode ver o reino de Deus”. Nicodemos disse: “Como é que alguém pode nascer, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mãe?” Jesus disse: “Em verdade, eu vos digo: se alguém não nasce da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus” (João 3,1-8).

Bom, um dos homens mais zelosos do judaísmo vem ao encontro de Jesus. Não que o zelo seja algo negativo, ele até é uma expressão de amor; porém, se se tornar estéril, se não nos fizer amar a Deus e os irmãos, ele se torna vazio. Esse homem vai à procura de Jesus à noite – é um detalhe que o Evangelho deixa escapar, não porque ele tivesse medo de se expor, pois Nicodemos mesmo vai defender Jesus diante de todo o Sinédrio, ele vai tomar o corpo de Cristo diante dos judeus e dos romanos e colocá-Lo no sepulcro. A noite, aqui no texto, quer indicar que ele ainda não nasceu do alto. Ele ainda não viu a luz de Cristo na sua vida. É aquela fase da busca incessante por uma resposta.

Nicodemos e a busca incessante
Nicodemos tem até uma religiosidade bonita, louvável, mas ainda não conheceu a pessoa de Jesus. Talvez fizesse tudo por uma mera tradição – tradição de família ou um aspecto social, religioso. Nós podemos cair na tentação de viver uma vida religiosa desse jeito, e transformarmos toda a nossa vida sacramental numa sucessão de atos sociais e automáticos.

Nicodemos questiona Jesus com uma proposta que parece mais avançada do que a técnica, por exemplo, da clonagem, sendo velho entrar de novo na barriga de nossa mãe.
Com o passar do tempo, quantas técnicas de manipulação da vida servem às ideologias e interesses que beiram o descaso com os direitos humanos! Porém, Jesus o desconcerta, dizendo-lhe que se não nascesse do alto, não poderia ver o reino do Messias.

Ser gerado pelo Espírito
Interessante que o verbo usado está na forma passiva: ser gerado. Nicodemos não era capaz de gerar para Deus apenas praticando os ritos, as tradições, os preceitos. Ele não podia se gerar, ele seria gerado. Era preciso uma força do alto que viesse ao seu socorro. E é o que se passa comigo e com você.

Nós chegamos à Páscoa do Senhor não porque fizemos uma Quaresma certinha, cheia de práticas, mas porque Cristo nos deu o dom da vida nova. Do contrário, nós teríamos morrido nas nossas práticas, e elas seriam vazias. Começa, no coração de Nicodemos, aquilo que se dará no coração de todos nós: o movimento do Espírito. É Ele que nos levará ao conhecimento da plena verdade sobre nós e sobre Deus.

Sobre todos vós desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


Música, não seja incrédulo: o convite de Jesus à conversão sincera

Músicos: profissionais do som ou apóstolos da fé?

Queridos músicos,

Diante do Evangelho deste segundo domingo da Páscoa, a pergunta que surge é: eu tenho fé? E, mais ainda: fé em quem?

Quero convidá-los a refletir sobre como estamos vivendo nossa vida. Ela está escondida em Cristo ou estamos simplesmente tocando na igreja como tocaríamos em qualquer outro lugar?

A grande tentativa é ser músico na igreja como se fôssemos músicos em qualquer ambiente, com o coração voltado apenas para nós mesmos, pensando somente em si. Se você se encontra nessa situação, este é um grande momento para uma conversão sincera.
Créditos: Arquivo CN.

Mais uma vez, vemos como somos confrontados em nossa humanidade. Este Evangelho nos ajuda a perceber o quanto somos fracos. Aqueles que viveram com Jesus e O ouviram pessoalmente foram mais impactados pelo que viram do que pelo que ouviram — prova disso é que estavam fechados, com medo.

Então Jesus entra milagrosamente, saudável a todos com a paz, mostra que é Ele mesmo pelas marcas da Cruz e diz: “Assim como o Pai me invejoso, também eu vos envio.”
O envio ea cura do ministro

Tome para si essas palavras: assim como o Pai invejoso Jesus, Ele agora nos envia. Não somos simples músicos; somos músicos enviados por Jesus para levar a Sua Ressurreição. E isso não é pouco.

Jesus continua: “Recebei o Espírito Santo.” Ele conhece a fraqueza do homem e os ataques do inimigo. Por isso, já nos concedemos a graça do Espírito Santo, animador de nossas almas, e nos dá uma missão.

Que linda é essa primeira parte do Evangelho! Nela, peço a Jesus toda cura e libertação em relação ao medo de cantar e tocar, ao sentimento de inferioridade e incapacidade, e a toda ação do inimigo sobre a vida ministro dos ministros de música consagrados ao Senhor pelo Batismo.

A síndrome de Tomé no ministério
Continuando o texto, há uma segunda parte que também fala profundamente conosco. Tomé não estava presente naquele momento e não acreditou quando seus irmãos contaram o que havia acontecido.

Aqui entra a lógica do “ver para crer”. Jesus aparece novamente e diz a Tomé: “Coloca tua mão, vê, sente: sou Eu.” Então, Tomé acreditou. Mas Jesus afirma que mais felizes são aqueles que creem sem ver.

E você, como está sua fé em Jesus?
Às vezes, nós, como músicos, ouvimos falar de muitas ações de Jesus, mas, de canção em canção, a fé pode entrar no automático. Ver Jesus já não parece tão fácil, e começou a buscar provas, caindo na tentativa de uma fé apenas emocional — que, quando a emoção passa, a missão vai junto.

A fé não pode estar viva em nós apenas quando vemos milagres. Ela precisa permanecer sempre.
Não nos cansaremos de ver os milagres de Jesus, mas uma vida acostumada é mais perigosa do que uma vida que ainda não conhece Cristo. Aquele que não conhece pode um dia se encantar; Aquele que se acostumou pode até perder a salvação.

Não podemos perder tempo.
Jesus apareceu novamente e diz a Tomé: "Toca minhas chagas, do peito e das mãos. Não sejas incrédulo."

E você: toca na igreja porque vê o Senhor ou toca na igreja porque ama o Senhor?
devemos ser músicos na igreja sem esperar absolutamente nada em troca. Crer sem ver.

André Florêncio
Músico e Membro da Comunidade Canção Nova

São Martinho I

Martinho nasceu no ano de 590 em Todi, região da Úmbria, Itália. Sua família era nobre. Sacerdote em Roma, um grande estudioso, inteligência notável, de grande caridade para com os pobres. Foi enviado a Constantinopla pelo Papa Teodoro I como apocrisiário (uma espécie de embaixador eclesiástico junto aos governantes) para negociar a deposição canônica do patriarca herético Pirro.

Depois disso, falecendo Teodoro, foi eleito no seu lugar, em julho de 649. Ao longo do seu papado, ordenou 33 bispos, cinco diáconos e 11 sacerdotes, e pela primeira vez foi celebrada a festa da Virgem Imaculada, a 25 de março.

Porém, sua maior atuação foi contra a heresia monotelista, espalhada no Oriente e no Ocidente, que negava a plena condição humana de Cristo, ao declarar que Nele havia sim duas naturezas, humana e divina, mas uma só vontade, a divina (o que é contraditório, pois assim a natureza humana de Jesus não seria real).

Para isso agiu com energia, e, uma vez que o imperador do Oriente, Constante II, era tolerante com os monotelitas, chegando a fazer um decreto sobre a questão (o “Tipo de Constante”), não esperou a confirmação imperial para a sua consagração, e imediatamente convocou o Concílio de Latrão, com 150 bispos. O “Tipo” foi condenado, bem como a “Ektésis” de Heráclio, outro imperador oriental, também monotelista; foram excomungados os patriarcas Sérgio, Pirro, Paulo de Constantinopla, Ciro de Alexandria e Teodoro de Phran na Arábia; 20 cânones da doutrina católica sobre as duas vontades em Cristo foram definidas. Os decretos, firmados pelo Papa e pela assembleia dos bispos, foram enviados aos demais bispos e aos fiéis do mundo junto com uma encíclica de Martinho. As atas, com uma tradução grega, foram enviadas a Constante II – que como resposta mandou prender o Papa. Olímpio, seu exarca (representante do imperador romano do Oriente na qualidade de governador, um na Península Itálica e outro na África), planejou porém o assassinato do Papa, durante a distribuição da Eucaristia, que por Providência divina falhou.

Teodoro Calíopas foi o novo enviado de Constante II com a ordem de prisão, e Martinho, para evitar violências, não resistiu, saindo de Roma em junho de 653. Chegando em Constantinopla após longa e sofrida viagem, sob privações, foi humilhado e sujeito a maus-tratos: exposto semi-nu para a zombaria e insultos da multidão; ficou preso num calabouço fétido, passando fome, sede e frio, por mais de 80 dias; num julgamento iníquo diante do senado foi rotulado de herege, inimigo de Deus e do Estado, e sofreu diversas acusações, que no fundo se resumiam a não ter assinado o “Tipo”. Mas em nenhum momento perdeu a dignidade, nem reconheceu autoridade nos seus juízes. Acabou condenado à morte, mas Constante mudou a pena para exílio, e assim o Papa foi levado para um local de trabalho nas minas para escravos e assassinos em Quersonerso (atual Sebastopol na Criméia, sul da Ucrânia). Ali faleceu, doente e esquecido até pelos parentes, em 16 de setembro de 655. Muitos milagres são a ele atribuídos, tanto em vida quanto depois da morte.

Reflexão:

A vontade humana de Cristo, verdadeiro ser humano e verdadeiro Deus, é livre, como também a nossa, como também a de Adão e Eva, como também a de Nossa Senhora… e como verdadeiro Homem, Jesus livremente escolheu seguir a vontade divina, como também Nossa Senhora, mas não Adão e Eva… cabe a cada um de nós escolher igualmente, pois Deus não “absorve” impositivamente a nossa vontade, mas sim nos orienta e ampara na escolha da Verdade e do Bem, inclusive quando é necessário sofrer por isto: de outro modo, o próprio sacrifício de Cristo na Cruz, e os de todos os mártires por exemplo, não teriam qualquer valor, pois seriam uma mera imposição arbitrária. Na viagem desta vida, muitas vezes penosa, jamais encontraremos a morte definitiva, se estivermos, como São Martinho, em comunhão com Deus, pela Eucaristia.

Oração:

Pai santo, providente e infinitamente bondoso, que nos ensinas a Verdade e nos concede, por amor, a plena liberdade, a qual é um Vosso atributo divino partilhado com Vossos filhos: concedei-nos pela intercessão de São Martinho I manter a dignidade de alma ao não reconhecermos nos nossos corações as falsas autoridades das mentiras, mas sermos enérgicos contra elas, e que não nos falte a mansidão e total confiança em Vós, ainda que sob perseguições e injustiças. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Inspirada no tema da Campanha da Fraternidade, série da TV Aparecida aborda a crise da moradia no Brasil


A falta de moradia digna e as desigualdades socioterritoriais no Brasil são o foco do novo episódio da série jornalística Desafios da Igreja, da TV Aparecida. Com o tema “Fraternidade e Moradia”, o especial, que vai ao ar na quinta-feira, 2 de abril, reforça a urgência do assunto em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2026, ao apresentar diferentes realidades enfrentadas pela população e a atuação da Igreja Católica na promoção da dignidade habitacional.

Camila Morais

A reportagem, conduzida pela jornalista Camila Morais, percorre diversas regiões do país para retratar de perto esse cenário. Assim, reúne depoimentos de moradores, religiosos e representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), evidenciando desafios e iniciativas ligadas ao acesso à moradia.

“Nós pegamos o texto-base da Campanha da Fraternidade, elaborado pela CNBB, e colocamos os rostos das pessoas nesse texto. Então, vamos mostrar como é viver sem moradia digna, as implicações de morar em áreas de risco e a ausência de saneamento básico, que são direitos fundamentais”, explica a jornalista.

Dom Joel Portella

Em Petrópolis, o destaque é a grave situação das moradias em áreas de encosta. A cidade, marcada por deslizamentos de terra, expõe um cenário de crescimento desordenado e ocupação em regiões de risco. O especial apresenta histórias de moradores que perderam tudo na tragédia de 2022 e mostra a atuação da Igreja por meio do projeto Presença Samaritana, que oferece apoio emergencial e assistência social às famílias atingidas. O bispo diocesano, dom Joel Portella Amado, ressalta a importância do acolhimento às vítimas.


Já em Brasília (DF), a reportagem se volta para a Sol Nascente, a maior favela da América Latina. A cerca de 30 km do centro do poder político do país, a região abriga cerca de 100 mil moradores em condições precárias de infraestrutura. As famílias convivem com a falta de saneamento básico, moradias improvisadas, violência frequente e ações de despejo.

Em meio a esse cenário, o especial destaca o trabalho de religiosas de diferentes congregações, que atuam junto à comunidade, sobretudo com as mulheres, promovendo iniciativas como inclusão digital, cozinha solidária e atividades para crianças.


Por fim, o especial apresenta o modelo de moradia por autogestão, no qual as próprias comunidades se organizam para construir ou reformar suas casas. A iniciativa surge como alternativa para reduzir o déficit habitacional e garantir moradia digna à população mais vulnerável. A produção também evidencia o apoio da Igreja nesse processo, por meio da Pastoral da Moradia e Favela e da Campanha da Fraternidade 2026, além de trazer relatos de famílias que conquistaram a casa própria nesse modelo coletivo e a análise de padre Jean Poul Hansen, secretário-executivo de campanhas da CNBB.

“Desafios da Igreja – Fraternidade e Moradia” reforça o compromisso da TV Aparecida com a reflexão sobre justiça social e dignidade humana, à luz da Campanha da Fraternidade, ao apresentar não apenas os desafios, mas também experiências concretas de solidariedade e transformação.
A edição tem reportagem e produção de Camila Morais, imagens de João Éder, Rodolfo Carvalho como assistente de mídias, edição de texto de Renato Dias e edição de vídeo de William Carvalho.

Saiba mais sobre o projeto em a12.com/desafiosdaigreja.

Por Portal A12 | Fotos: Reprodução TV Aparecida

Leão XIV na África, peregrino no grande continente entre "diferentes povos e mundos"



O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, apresentou aos jornalistas a longa viagem apostólica que o Papa fará de 13 a 23 de abril, no Continente Africano, passando pela Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial: um itinerário caracterizado pela riqueza e diversidade de histórias, culturas e tradições. O Pontífice falará em quatro línguas e abordará temas como paz, meio ambiente, migração, família, juventude e colonialismo. Não estão previstas medidas especiais de segurança.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Primeiro, a Argélia, depois três países que não veem um Papa há trinta anos: Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Leão XIV prepara-se para a sua viagem mais longa, à África, de 13 a 23 de abril: quatro países, onze dias e uma dezena de cidades, onde falará em inglês, francês, português e espanhol. Na sua terceira viagem apostólica, depois da Turquia, do Líbano e do Principado do Mônaco, o Pontífice estadunidense irá mergulhar num mundo multifacetado de línguas, culturas, histórias e tradições diversas, explorando as realidades complexas, feridas pela violência, pelo fundamentalismo e pela tragédia da migração, mas marcadas pelo entusiasmo das novas gerações, pelo papel de liderança das religiões na busca da paz e pelo desafio da coexistência entre diferentes confissões.

Os precedentes dos Pontífices
Na manhã desta quinta-feira, 9 de abril, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, descreveu a viagem papal e destacou todas as suas nuances e pontos principais durante a habitual coletiva de imprensa com os jornalistas da imprensa internacional que acompanharão Leão XIV em suas diversas etapas. Segundo o porta-voz do Vaticano, esses são lugares "que um Pontífice não visita há muitos anos" e, no caso da Argélia, "onde um Papa nunca esteve antes". João Paulo II visitou Camarões em 1985, como parte de uma longa peregrinação ao Continente Africano. Depois, Bento XVI em 2009, antes de viajar para Angola, onde Wojtyla já tinha ido em 1992. Wojtyla, por sua vez, fez uma parada na Guiné Equatorial em 1982, em sua segunda viagem apostólica à África (a primeira foi em 1980). O Papa Francisco, no entanto, nunca esteve em nenhum desses países, apesar de ter visitado dez países da África.

"É uma viagem pela riqueza deste grande continente, povoado por diversos povos e mundos", enfatizou Bruni, descrevendo gradualmente as várias etapas da viagem.

Na Argélia, seguindo os passos de Santo Agostinho
Primeira etapa: Argélia, uma terra impregnada pelo testemunho e legado de Santo Agostinho, o pai da ordem religiosa à qual Robert Francis Prevost pertence. O próprio Leão XIV já havia antecipado essa visita no voo de volta de Beirute, quando — em resposta a perguntas de jornalistas sobre futuras viagens — revelou seu destino: África, acrescentando seu desejo de "visitar os lugares de Santo Agostinho", mas também de continuar "o diálogo, a construção de pontes entre os mundos cristão e muçulmano", para o qual o Bispo de Hipona é uma figura respeitada. Prevost já tinha viajado diversas vezes a Argel e Annaba no passado como Superior Geral dos Agostinianos. Agora, ele retorna como Papa e peregrino a uma "terra de testemunho cristão antigo e moderno": não apenas Santo Agostinho, mas também os cristãos do Norte da África na época romana e a experiência de Charles de Foucauld no deserto do sul do país entre os tuaregues. Os sete monges trapistas de Nossa Senhora do Atlas, assassinados na década de 1990, e os outros 19 religiosos de diversas ordens foram beatificados pelo Papa Francisco em 2018. "Uma terra de grande sofrimento", disse Bruni, e também um lugar "profundamente amado", cuja localização geográfica, entre o deserto e o Mar Mediterrâneo — aquele que tantos africanos tentam atravessar — ​​dará uma oportunidade para abordar a questão da migração. Bruni também observou que as diversas observações do Pontífice haverá referência ao "risco de exploração de recursos por outros, sejam indivíduos ou organizações".

Em Camarões, "uma África em miniatura"
Da Argélia, o Papa continuará sua viagem — pontuada por deslocamentos de avião ou de helicóptero quase diários — até Camarões: "Uma África em miniatura devido à variedade e riqueza de seu território, seus recursos e suas tradições, inclusive linguísticas". João Paulo II falou de esperança ali, Bento XVI de reconciliação, justiça e paz. Leão XIV encontrará "um país que atravessa provações complexas devido à convivência de diversas realidades", como as crises no Norte e Sudoeste, no Extremo Norte, ou o "veneno" do fundamentalismo, particularmente entre os jovens. Mas em Camarões, o Papa Leão XIV também poderá observar os esforços das religiões na construção da paz, incentivar o papel dos governos, da sociedade civil e das mulheres, e também chamar a atenção do público para as questões do meio ambiente e do desenvolvimento humano integral, também tendo em vista o décimo aniversário da Laudato si'.

Angola, uma "força para a mudança"
Paz, recursos naturais, humanos, juventude e as feridas da corrupção, da exploração e do colonialismo serão os pilares da viagem a Angola, uma terra tão jovem quanto seu povo. Sua "esperança" e "alegria", disse Matteo Bruni, garantem que esta nação da África Austral possa hoje ser considerada "uma verdadeira fonte de inspiração espiritual e uma força para a mudança". Sim, existe "a tentação da tristeza e do desânimo", mas em Angola, a fé prevalece: "É o coração do cristianismo africano".

Os recursos humanos e naturais da Guiné Equatorial
A viagem apostólica conclui-se na Guiné Equatorial. Uma realidade diferente, situações e desafios diferentes. Uma área do continente rica em recursos minerais, jazidas e, ainda mais, em humanidade, culturas e línguas. Numerosas ilhas, pesca difundida e numerosos cristãos reforçam o compromisso da Igreja "em apoiar e construir uma cultura de paz". A cultura também é um tema proeminente na Guiné, com a presença de universidades, algumas das quais apoiadas pela Igreja local.

Comitiva e medidas de segurança
A comitiva papal incluirá o cardeal Luís Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização; George Koovakad, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso; e dois chefes eméritos de Dicastério, Peter Appiah Turkson e Robert Sarah, ambos africanos. O novo substituto, Paolo Rudelli, e algunas agostinianos também estarão presentes, mas apenas durante a etapa na Argélia. O Papa frequentemente se deslocará de carro conversível durante as diversas celebrações. Respondendo a perguntas de jornalistas, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé afirmou que não há preocupações com a segurança: "Não estão previstas medidas especiais. As medidas ordinárias são consideradas suficientes."

Uma homenagem ao Papa Francisco
O Pontífice realizará a tradicional coletiva de imprensa com jornalistas a bordo do voo papal, e não está descartada a possibilidade de que ele "apareça" durante os voos internos: "Talvez ele tenha algo a dizer em algumas ocasiões", como aconteceu, por exemplo, durante a viagem de Istambul a Beirute. Quanto à escolha dos diferentes países que compõem o itinerário, Bruni não apresentou razões específicas: a África, disse ele, é "um continente muitas vezes esquecido que precisa ser ouvido", cujos "problemas" e "desafios" precisam ser abordados. Dentre eles, a poligamia — um tema também central nas discussões do sínodo — ou a falta de democracia em algumas regiões. "O Papa também abordará essas questões?", perguntaram os repórteres. "Listei alguns tópicos; não está descartada a possibilidade de a poligamia ser discutida, mas o Papa certamente falará sobre família", explicou Matteo Bruni. Sobre o outro ponto, ele respondeu que "com a liberdade com que o Papa visita cada país, encontrando pessoas e mundos políticos diferentes, ele se dirigirá a todos".

Por fim, haverá uma homenagem ao Papa Francisco, cujo aniversário de morte ocorre em 21 de abril, durante sua viagem apostólica.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 21,1-14)

ANO "A" - DIA: 10.04.2026
OITAVA DE PÁSCOA-SEXTA FEIRA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: 2 Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. 3 Simão Pedro disse a eles: "Eu vou pescar". Eles disseram: "Também vamos contigo". Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. 4 Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5 Então Jesus disse: "Moços, tendes alguma coisa para comer?" Responderam: "Não". 6 Jesus disse-lhes: "Lançai a rede à direita da barca, e achareis". Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. 7 Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: "É o Senhor!" Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. 8 Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. 9 Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. 10 Jesus disse-lhes: "Trazei alguns dos peixes que apanhastes". 11 Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. 12 Jesus disse-lhes: "Vinde comer". Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13 Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. 14 Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A vida velha e o transbordar da misericórdia de Deus"

Jesus nos liberta da vida velha e nos confia a missão
Hoje, no Evangelho de João, 21, 1-14, nós vamos começar a compreender que a ressurreição de Cristo gera milagres, faz acontecer milagres quando nós cremos. Nós vamos ver hoje o episódio da pesca milagrosa e o encontro com o Ressuscitado. Vamos ler este evangelho com muita atenção para que traga para nós conversão.

“Depois disso, tornou Jesus a manifestar-se aos discípulos, junto ao lago de Tiberíades. Manifestou-se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois de seus discípulos. Simão Pedro lhes disse: ‘Eu vou pescar’. Eles responderam: ‘Nós também vamos contigo’. Partiram e entraram na barca. Naquela noite, porém, nada apanharam” (Jo 21,1-14).

Quando Pedro diz “vou pescar”, o que significa? O retorno à antiga vida, como os discípulos de Emaús. Simão disse “vou pescar”, e os outros responderam: “Também vamos contigo”. Ou seja, os outros também voltaram para a vida velha.

Seguir Jesus, meus irmãos e minhas irmãs, é uma atitude de decisão. Não pode se basear somente nos nossos sentimentos, porque, quando a tristeza vier, quando o sofrimento bater a nossa porta e quando a cruz se tornar pesada, precisaremos ter a decisão de continuar a seguir Jesus, mesmo quando não vemos nada.

O perigo de voltar à vida velha
Somente os olhos da fé podem nos fazer passar pelos momentos de confusão ou de crise, ou, muitas vezes, quando queremos voltar ao nosso passado, ao que era seguro. Mas o Evangelho diz algo muito importante: naquela noite, não pescaram nada. A noite, na simbologia bíblica, significa escuridão, ausência de Deus, escuridão espiritual, esforço humano sem a graça divina. Essa é a realidade da noite dentro do contexto bíblico.

O milagre de seguir em frente
Os discípulos trabalham, se esforçam, mas o resultado é vazio. Isso nos ensina algo profundo: sem Cristo nossos esforços se tornam estéreis. Mas quando Cristo aparece na nossa vida, tudo se torna novo, ou seja, ganha sentido. A escuridão passa, a noite escura passa e o sofrimento começa a ganhar sentido. E nós conseguimos vencer não pelos nossos esforços, mas pela graça de Deus.

Que a fé no Ressuscitado possa realizar este grande milagre: a nossa conversão e a nossa atitude de seguir em frente e não voltar à vida velha.

Que Deus nos abençoe em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova