terça-feira, 22 de agosto de 2017

Saiba diferença entre cristão e católico

Foto: Shutterstock

Em Atos dos Apóstolos (11,26) vemos que foi na cidade de Antioquia que os discípulos de Jesus foram, pela primeira vez, chamados de cristãos. Então percebemos que cristão não é um título, mas sim uma forma de viver, uma conduta pautada na pessoa de Jesus Cristo.

Então o que realmente é ser cristão? Ser cristão não é apenas dizer que acredita em Jesus, ou que acha interessante o que ele fez e falou. A fé em Jesus deve levar a um testemunho dele numa comunidade que também acredita nele, como disse Jesus: “onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles” (Mt 18, 20). Sendo assim, ser cristão é seguir Jesus e identificar-se com ele. Ser cristão é estar comprometido com a Verdade que é Cristo. A fé em Jesus deve gerar comprometimento com a causa do Reino de Deus. Ser cristão é querer ser continuador de sua missão e do seu jeito de amar no mundo. A pessoa se torna cristã no dia do seu batismo, quando passa a deixar o Espirito Santo de Deus conduzir sua vida.

Todo católico é cristão, mas nem todo cristão é católico. Pois alguns seguidores de Jesus não pertencem a Igreja Católica. Muitos seguidores de Jesus se identificam como cristãos, mas não como católicos, como é o caso dos protestantes e ortodoxos.

O cristão católico aceita a plenitude da fé revelada por Cristo e contida: na Sagrada Escritura, no Magistério da Igreja e na Tradição. O Católico participa dos Sacramentos e reconhece a autoridade do Papa (sucessor de Pedro) e dos Bispos (sucessores dos apóstolos).

A Igreja constituída pelos cristãos católicos é una – santa – católica e apostólica. Essas quatro características são tomadas da profissão de fé dos Concílios de Nicéia e Constantinopla e mostram 4 aspectos fundamentais da Igreja Católica: sua unidade, sua santidade, sua universalidade e sua base apostólica (nos discípulos que viram e tocaram Cristo).

A Igreja se chama católica porque acolhe em seu interior todos os seguidores de Cristo, de todos os tempos e lugares. “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a todos os povos” (Mc 16,15).

Então, muito mais do que falar de diferenças, devemos olhar nossa semelhança que está na fé em Jesus Cristo e no desejo de continuar levando seu Evangelho a todas as pessoas. Que Cristãos e Católicos em todos os tempos e lugares, possam realmente dar testemunho de pertença a Cristo e de sinceridade em fazer a vontade do Pai, vivendo sempre o mandamento do amor e do respeito ao próximo. Pois Jesus disse que nossa maior identidade de discípulo está na vivência do amor:“Nisto reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35).

Autor: Pe. Luiz Camilo Júnior, C.s.S.R


Fonte: www.a12.com

Nossa Senhora Rainha - Mãe da Igreja

Nossa Senhora é aquela que do Céu reina sobre as almas cristãs, a fim de que haja a salvação

Instituída pelo Papa Pio XII, celebramos hoje a Memória de Nossa Senhora Rainha, que visa louvar o Filho, pois já dizia o Cardeal Suenens: “Toda devoção a Maria termina em Jesus, tal como o rio que se lança ao mar”.

Paralela ao reconhecimento do Cristo Rei encontramos a realeza da Virgem a qual foi assunta ao Céu. Mãe da Cabeça, dos membros do Corpo místico e Mãe da Igreja; Nossa Senhora é aquela que do Céu reina sobre as almas cristãs, a fim de que haja a salvação: “É impossível que se perca quem se dirige com confiança a Maria e a quem Ela acolher” (Santo Anselmo).

Nossa Senhora Rainha, desde a Encarnação do Filho de Deus, buscou participar dos Mistérios de sua vida como discípula, porém sem nunca renunciar sua maternidade divina, por isso o evangelista São Lucas a identifica entre os primeiros cristãos: “Maria, a mãe de Jesus” (Atos 1,14). Diante desta doce realidade de se ter uma Rainha no Céu que influencia a Terra, podemos com toda a Igreja saudá-la: “Salve Rainha” e repetir com o Papa Pio XII que instituiu e escreveu a Carta Encíclica Ad Caeli Reginam(à Rainha do Céu): “A Jesus por Maria. Não há outro caminho”.

Nossa Senhora Rainha, rogai por nós!

EVANGELHO DO DIA (Lc 1,26-38)

ANO "A" -DIA: 22.08.2017
20ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 26o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria.

28O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” 29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação.

30O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”.

34Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” 35O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível”.

38Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS
"Maria nos aponta a direção das virtudes evangélicas"

Quando priorizamos as virtudes, elas nos colocam mais perto do coração de Deus

“Maria, então, disse: ‘Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!’ E o anjo retirou-se”(Lucas 1,38).

Maria é a serva do Senhor. Hoje, celebramos Nossa Senhora Rainha coroada como rainha do Céu e da Terra. Por que Maria se tornou rainha do Céu e da Terra? Por que ela é rainha de todos nós? Porque ela foi a mais humilde serva do Senhor. O grau de humildade dela foi excelente, perfeito, e Deus coroa os humildes, os servos, aqueles que sabem servir ao próximo.

Deus não coroa quem é orgulhoso, prepotente; pelo contrário, ele derruba os poderosos dos seus tronos. Diante de Deus há os títulos humanos, as coroações humanas que nós recebemos dessa terra e não têm valor nem significado. Às vezes, até nos afastam do caminho do Senhor e da vida.

Maria nos aponta a direção e o caminho do Céu, ela nos aponta a coroação do coração de Deus. Seremos coroados com a coroa da vida se vivermos a humildade. Maria é para nós uma escola de vida.

Em primeiro lugar, Deus sempre, em primeiro lugar, espírito de comunhão, de união, de vida mística e relacionamento pessoal com Ele.

Maria se relacionava com Deus, falava com Ele e era toda d’Ele. Maria servia seus irmãos, cuidava deles. Grávida de Jesus, ela saiu ao encontro de Isabel para se fazer serva, não foi lá para ser engrandecida: “Eu estou aqui. Eu sou a mãe de Jesus”. Não! Ela disse: “Eu sou a serva do Senhor. Estou aqui para te servir, minha irmã”.

Quem é todo de Deus, é todo dos irmãos; cuida, ama e serve.

Maria nos aponta a direção do Evangelho, das virtudes evangélicas, da lealdade, do amor, daqueles valores evangélicos que, muitas vezes, são deixados de lado. Quando nós priorizamos as virtudes, elas nos colocam mais perto do coração de Deus.

Na coroa de Maria estavam 12 estrelas, o “12” da perfeição e da busca sublime de uma vida entregue a Deus.

Deus quer que busquemos, com todo o ardor da nossa alma, a perfeição evangélica e as virtudes evangélicas. Muitas vezes, reconhecemos nossas fraquezas não para as exaltar, mas para reconhecer que Deus pode transformar nossas fraquezas em virtudes, para reconhecer que, mesmo sendo fracos, a virtude divina nos torna melhores, porque é no Céu, como Maria, que queremos também estar um dia.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Canção Nova

Fortalecidos pela Eucaristia

Imagem relacionadaEm cada Eucaristia, Jesus coloca em nós Seu corpo glorioso

Na Santa Ceia, foi instituída a Eucaristia, por isso Jesus disse que queria comer a ceia junto com os discípulos.

Meu irmão, vivemos, hoje, o amor. Jesus, reunido com Seus apóstolos, disse: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Ele amou de todas as formas, compreendendo e aturando os Seus apóstolos. Não foi fácil transformá-los, mas Jesus empenhou toda a Sua vida em amá-los. E o que aconteceu com eles acontece conosco também, porque Jesus quer nos formar discípulos, e só Ele pode fazer isso. Só o Senhor nos faz discípulos.

Jesus realizou já e agora a coisa mais linda que poderia realizar: “Isso é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isso em minha memória”. Também aquele que come ou bebe do cálice do Senhor, indignamente, pense bem antes de recebê-los, pois se é indignamente toma a sua própria condenação. É isso que o Senhor quer recobrar: a nossa fé na existência real na Eucaristia.

Houve um tempo em que os discípulos começaram a duvidar disso, porque, no início, os judeus falaram muito e questionavam como “esse homem podia dar Sua carne e Seu sangue”.

Quando os judeus começaram a falar assim, Jesus, em vez de voltar, foi aí que mais falou. Ele disse também: “Quem não comer minha carne nem meu sangue não terá a vida eterna”.

Diga ao Senhor: “Eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé. Senhor, eu quero ter fé viva, uma fé forte. Eu professo a minha fé. Enche-me, Senhor, com o seu Espírito”.

Seu irmão,

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

SÃO FILIPE BENÍCIO

Filipe Benício nasceu no dia 15 de agosto de 1233, no seio de uma rica família da nobreza, em Florença, Itália. Aos treze anos foi enviado com seu preceptor à Paris estudar medicina. Voltou e foi para a universidade de Pádua, onde aos dezenove anos formou-se em filosofia e medicina.

O jovem era muito devoto de Maria e muito religioso, possuía também sólida formação religiosa. Nesse período de estabelecimento profissional, passou a frequentar a igreja do mosteiro e com os religiosos aprofundou o estudo das Sagradas Escrituras. Logo suas orações frutificaram e recebeu o chamado para a vida religiosa.

Assim, em 1254 fez-se membro da Ordem dos Servitas. Foi superior geral de sua ordem, adquirindo fama de um ótimo pregador. Sob sua direção, os frades servitas se expandiram rapidamente e com sucesso. Era um conciliador, sua pregação talentosa e eficiente trouxe frutos benéficos para a Ordem e para a Igreja. Na sua simplicidade, fugia de todas as honras eclesiásticas.

Quando o Papa Clemente IV morreu, Filipe foi proposto como candidato à cátedra de Pedro, mas se retirou para as montanhas, onde ficou por algum tempo. Diz a tradição que São Filipe Benício recusou-se a ocupar a cátedra de Pedro. Por isso é comum representá-lo com a tiara pontifícia aos pés.

Segundo os registros da Ordem e a tradição Filipe gozava da fama de santidade em vida. Morreu em 22 de agosto de 1285 na cidade de Todi.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR

REFLEXÃO 
Infelizmente existem pessoas que se preocupam muito com as aparências externas. Na Igreja isto não é diferente. São Filipe Benício mostra-nos que o apego as vaidades nos impedem de conhecer o verdadeiro rosto de Cristo, pobre e excluído. Aprendamos hoje a viver uma religião de coração, mais do que uma religiosidade de aparências.


ORAÇÃO 
Concedei-nos, ó Deus de bondade, ser solícitos com os mais pobres, e a exemplo de são Filipe Benício buscar o que não passa e deixar de lado as vaidades efêmeras. Por Cristo Nosso Senhor. Amém!

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O que faz do catolicismo a única religião verdadeira?


No mundo existem mais de dez mil religiões com credos totalmente distintos. Diante disso, muitas vezes os católicos são questionados sobre como sabem que sua religião é a verdadeira ou o que diferencia a Doutrina Católica das demais superstições religiosas presentes no globo terrestre. Alguns, seja por ignorância, seja por pura heresia, afirmam que todas as religiões são igualmente verdadeiras e que, independente da religião, basta você ser uma “boa pessoa” para obter a salvação. Estes condicionam à sua fé a algo meramente cultural, sendo católicos simplesmente “porque papai e mamãe são”. Pelo contrário, embora haja um fator cultural importantíssimo para guiar, em especial as crianças, que ainda são imaturas para pensar racionalmente no assunto, um católico maduro, ao ser questionado sobre o «porquê» segue a Cristo e a sua Igreja deve sair da resposta infantil do “porque mamãe e papai são” e demonstrar o fator filosófico de porque escolheu racionalmente entrar e/ou permanecer no catolicismo, dando, se necessário, sua vida por Cristo e pela Igreja. E são estes motivos que diferem a Doutrina Católica das demais superstições religiosas que serão analisados neste estudo.

O problema do relativismo

O relativismo religioso é a doutrina que ensina que todas as religiões são igualmente boas e verdadeiras. Para os seus defensores, os credos religiosos individuais se devem à fatores meramente culturais, sendo definidos simplesmente pelo meio onde se vive. O relativismo exclui o caráter filosófico da religião e, resumindo-a à uma mera tradição humana passada de pai para filho (como a escolha de um time de futebol ou receitas de bolos), a torna totalmente descartável e irracional.

O relativismo é que, no entanto, possui estes atributos. Afinal, a Virgem Maria não pode ser ao mesmo tempo sempre-virgem (como prega o catolicismo) e ter tido sete filhos com José (como prega o protestantismo); Deus não pode ser ao mesmo tempo um só (como pregam as religiões monoteístas) e mil (como pregam as religiões politeístas); nossa alma não pode ser ao mesmo tempo imortal (como prega o catolicismo) ou mortal (como prega o adventismo); não podemos ao mesmo tempo morrer e receber nossa recompensa (como prega o Cristianismo) ou reencarnar em outros corpos (como prega o espiritismo). Uma crença não pode coexistir com a outra. Para que uma seja verdade, a outra necessariamente precisa não ser.

Ninguém nega que existam fatores culturais na escolha de uma religião, no entanto, não é isso que define ninguém em uma religião. Existem ateus que nascem em famílias religiosas e até mesmo católicos que nascem em famílias protestantes (Ex: Scott Hahn; Jimmy Akin; etc). O que define uma pessoa no catolicismo é um fator puramente filosófico: Diferente de todos os demais credos e superstições religiosas, o catolicismo é coerente. Todas as demais religiões apresentam inúmeras contradições em sua revelação religiosa, o que as torna incoerentes e contraditórias. Em resumo: um dos princípios da filosofia, o chamado «princípio da não-contradição» torna todas as demais religiões, com exceção do catolicismo, irracionais e tiram dela qualquer crédito que lhes era possível atribuir.

É claro que ao se afirmar isso, no entanto, surgirão supostas “contradições católicas” por parte de alguns mal-intencionados. No entanto, sempre um católico bem-instruído ou algum membro do Magistério conseguirá as refutar e mostrar o esplendor daquela que é «a coluna e o sustentáculo da verdade» (cf. 1 Tm 3:15).

Os primeiros cristãos utilizavam-se do princípio da não-contradição para converter os pagãos. O cristão Hérmias, o filósofo, escreveu no segundo século da Era Cristã uma obra intitulada «Escárnio dos filósofos pagãos» cujo intuito era simplesmente expor as contradições da religião dos gregos e mostrar-lhes que ali não residia a verdade.

Veja uma das inúmeras contradições do protestantismo: ao mesmo tempo em que eles negam a infalibilidade dos concílios católicos, utilizam o cânon do Novo Testamento que foi proposto “infalivelmente” pelos Concílios católicos de Hipona e Cartago no século IV.

Já os ditos “ortodoxos”, ao mesmo tempo em que pregam que se deve respeitar a Tradição Apostólica, acreditam que não são obrigados a concordar com tudo o que ensina a Igreja de Roma, mesmo com os Padres dos primeiros séculos afirmando claramente: «Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela [a Igreja de Roma], por causa da sua autoridade preeminente, toda a Igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a Tradição que deriva dos apóstolos’.» (Santo Irineu de Lião, Contra as Heresias, Livro III, 3, 2).

Os espíritas (que não podem nem ser considerados cristãos já que negam a salvação unicamente por Cristo), por sua vez, afirmam que devemos ser caridosos na Terra porque “fora da caridade não há salvação”, mesmo acreditando que todos (independentemente de suas obras) se reencarnarão até se tornarem “espíritos de luz”.

Todas as três doutrinas são inconsistentes diante da sua própria lógica e por isso podem, com razão, ser chamadas falsas e irracionais.

Não se pode, no entanto, obrigar as pessoas a pensar de maneira racional. Se alguém, após receber instrução, se recusa mesmo assim a ouvir a razão, não pode a verdade lhe ser imposta. É por isso que, ao condenar o relativismo religioso, o Vaticano lembrou que isso não tem nada haver com a afirmação da liberdade religiosa: «A afirmação da liberdade de consciência e da liberdade religiosa não está, portanto, de modo nenhum em contradição com a condenação que a doutrina católica faz do indiferentismo e do relativismo religioso.»[1].

Condenações do Magistério ao Relativismo

O Papa Paulo VI, que presidiu o Concílio Vaticano II, ao afirmar o direito humano à liberdade religiosa, lembrou que «o Concílio, de modo nenhum, funda um tal direito à liberdade religiosa sobre o facto de que todas as religiões e todas as doutrinas, mesmo erróneas, tenham um valor mais ou menos igual; funda-o, invés, sobre a dignidade da pessoa humana, que exige que não se a submeta a constrições exteriores, tendentes a coarctar a consciência na procura da verdadeira religião e na adesão à mesma»[2].

O Concílio Vaticano II também foi claro: «O Sagrado Concílio professa, em primeiro lugar, que o próprio Deus manifestou ao género humano o caminho por que os homens, servindo-O, podem ser salvos e tornar-se felizes em Cristo. Acreditamos que esta única verdadeira religião se verifica na Igreja Católica»[3]. No entanto, a Santa Sé lembra que «Isto não impede que a Igreja nutra um sincero respeito pelas várias tradições religiosas; pelo contrário, considera que nelas estão presentes “elementos de verdade e bondade”.» [4].

O mesmo o fez São João Paulo II em suas Encíclias Veritatis Splendor (1993) e Evangelium Vitae (1995). Bento XVI, por sua vez, condenou veementemente este tipo de pensamento chamando-o insistentemente de «ditadura do relativismo»[5].

Por fim, vale lembrar que no Catecismo da Igreja Católica (que é o livro escrito pelo Vaticano que diz quais doutrinas os católicos são obrigados a seguir) existe um dogma de fé (isto é, uma verdade inquestionável) que é totalmente avessa ao relativismo: trata-se do dogma do «Extra Ecclesia Nulla Sallus» (isto é, «Fora da Igreja não há salvação»). Leia o que consta no próprio Catecismo da Igreja:

“«FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO».

846. Como deve entender-se esta afirmação, tantas vezes repetida pelos Padres da Igreja? Formulada de modo positivo, significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça pela Igreja que é o seu Corpo: O santo Concílio «ensina, apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, que esta Igreja, peregrina na terra, é necessária à salvação. De facto, só Cristo é mediador e caminho de salvação. Ora, Ele torna-Se-nos presente no seu Corpo, que é a Igreja. Ao afirmar-nos expressamente a necessidade da fé e do Baptismo, Cristo confirma-nos, ao mesmo tempo, a necessidade da própria Igreja, na qual os homens entram pela porta do Baptismo. É por isso que não se podem salvar aqueles que, não ignorando que Deus, por Jesus Cristo, fundou a Igreja Católica como necessária, se recusam a entrar nela ou a nela perseverar»[6].

847. Esta afirmação não visa aqueles que, sem culpa da sua parte, ignoram Cristo e a sua Igreja: «Com efeito, também podem conseguir a salvação eterna aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo e a sua Igreja, no entanto procuram Deus com um coração sincero e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a sua vontade conhecida através do que a consciência lhes dita»[7].

848. «Muito embora Deus possa, por caminhos só d’Ele conhecidos, trazer à fé, «sem a qual é impossível agradar a Deus»[8], homens que, sem culpa sua, ignoram o Evangelho, a Igreja tem o dever e, ao mesmo tempo, o direito sagrado, de evangelizar»[9] todos os homens.” (Catecismo da Igreja Católica, itens 846-847)

Conclusão

Em síntese: Jesus não pregou verdades relativas. Ele pregou verdades objetivas. Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Ele (cf. Jo 14:6). Não existe outro caminho e outra verdade. Todo aquele que nega conscientemente a Cristo e sua Igreja, de acordo com Ele mesmo, «já está condenado» (Jo 3:18). E para aqueles que dizem que Jesus “não fundou religião”, indica-se as seguintes passagens: «E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.» (Mateus 16:18-19); «E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.» (Mateus 18:17).

Devemos respeitar as opiniões das pessoas, mas não é por isso que devemos considerá-las como também verdadeiras.

NOTAS

[1] CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, NOTA DOUTRINAL: sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política, nº8.

[2] Paulo VI, Discurso ao Sacro Colégio e aos Prelados Romanos, in: Insegnamenti di Paolo VI, 14 (1976) 1088-1089.

[3] Concílio Vaticano II, Decl. Dignitatis humanae, n. 1

[4] CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, NOTA DOUTRINAL: sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política, nota 28.

[5] Santa Missa «PRO ELIGENDO ROMANO PONTIFICE», Homilia do Cardeal Joseph Ratzinger Decano do Colégio Cardinalício, Segunda-feira 18 de Abril de 2005.

[6] Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 14: AAS 57 (1965) 18

[7] Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 16: AAS 57 (1965) 20; cf. Santo Ofício, Epistula ad Archiepiscopum Bostoniensem (8 de Agosto 1949): DS 3866-3872

[8] Cf. Heb 11, 6.

[9] II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 7: AAS 58 (1966) 955.




EVANGELHO DO DIA (Mt 19,16-22)

ANO "A" - DIA: 21.08.2017
20ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 16alguém aproximou-se de Jesus e disse: “Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?” 17Jesus respondeu: “Por que me perguntas sobre o que é bom? Um só é o Bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos”. 18O homem perguntou: “Quais mandamentos?” Jesus respondeu: “Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, 19honra teu pai e tua mãe, e ama o teu próximo como a ti mesmo”.

20O jovem disse a Jesus: “Tenho observado todas essas coisas. Que ainda me falta?” 21Jesus respondeu: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. 22Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS
"Busquemos o Reino de Deus em primeiro lugar"

Viver o Reino de Deus é morrer a cada dia, é ser livre para cuidar, amar e servir

“Se queres entrar na vida, observa os mandamentos” (Mateus 19,17).

Nesse Evangelho de hoje, temos a graça de escutar e meditar sobre um jovem que se aproximou de Jesus e perguntou: “Bom Mestre, o que devo fazer para possuir a vida eterna?”.

É uma pergunta interessante, porque, quando escutamos esse Evangelho em outras situações, achamos que esse jovem, por ter ido embora triste, foi excluído do Reino dos Céus, porque ele era muito rico.

Veja bem, duas coisas importantes na riqueza da meditação desse Evangelho de Deus: Ele nos mostra que há graus de vida interior, graus na nossa relação com Deus. Primeiro, nós precisamos entrar no Reino de Deus, e para entrar nele precisamos ser bons. Mas não somos bons, e para nos tornarmos bons, Jesus nos dá a graça. “Se queres entrar na vida”, ou seja, na vida que nos qualifica para sermos bons, temos que observar os mandamentos.

Hoje, é mais do que necessário educar, ensinar, mostrar e formar, para viver os mandamentos da Lei de Deus, os quais estão sendo desprezados por pessoas que têm o coração até bom, mas não têm a bondade do Reino, porque a malícia do mundo lhes tirou da graça dos mandamentos da Lei Divina.

A graça para sermos bons e entrarmos na dinâmica do Reino de Deus é observar os mandamentos. Este é o primeiro grau, o mínimo e necessário. Se não estamos observando os mandamentos, não podemos querer subir degraus maiores. Ainda estamos no grau inicial, e é óbvio que, se já entramos no Reino de Deus, porque observamos os Seus mandamentos, podemos galgar graus maiores na vida. O ideal é que busquemos a perfeição.

No Evangelho de hoje, Jesus nos mostra o desprendimento no grau máximo e total, assim como Ele viveu, não foi apegado a nada, aos bens. E mais do que isso, não basta dizer: “Eu sou uma pessoa despojada”. É preciso cuidar dos pobres, dos sofridos e necessitados. O que temos não é para nós, é para cuidarmos dos outros.

Aqui, todos nós somos chamados a viver, porque o Céu é dos perfeitos. “É só entra no Céu quem busca a perfeição de vida.

Você pode dizer: “Eu não consigo me despojar da vida, não consigo me despojar dos bens deste mundo. Eu tenho muitas coisas como o jovem do Evangelho”. Quando nós temos muitas coisas, ficamos tristes, porque temos que cuidar dessas coisas todas. O que não conseguimos com a vida, a morte nos tira, porque dessa vida nada levamos.

Viver o Reino de Deus é morrer a cada dia, é ser livre para cuidar, amar e servir. Não há problema nenhum em ter uma vida digna e ir melhorando. Mas não se apegue ao que você tem, pelo contrário, quanto mais você é chamado a ter, mais despojado você precisa ser, mais desapego você precisa ter, porque, senão, seu coração não consegue buscar o Reino de Deus em primeiro lugar.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Canção Nova

Você é verdadeiramente feliz?

Resultado de imagem para imagem de luzia santiagoQuando temos um coração ardente de amor, somos felizes.

“Felizes, sobretudo, são os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11,28).

O que nos faz verdadeiramente felizes é a experiência de nos sentirmos amados e termos um coração ardente de amor. Desde cedo, precisamos nos dirigir a Jesus em oração e pedir a Ele que nos faça sentir o Seu amor. Quando amamos e nos sentimos amados, conseguimos enxergar todas as coisas sob outra óptica e com entusiasmo renovado.

Até as pessoas que se mostram indiferentes aos atos de amor sentem essa necessidade, mesmo que não a queiram demonstrar. Façamos, hoje, a profunda experiência de amar e nos deixar amar por Deus e pelas pessoas que Ele coloca na nossa vida.

Jesus, eu confio em Vós!

Luzia Santiago
Cofundadora da Comunidade Canção Nova