segunda-feira, 22 de abril de 2024

PRESIDÊNCIA DA CNBB ENTREGA AOS PARLAMENTARES A MENSAGEM AO POVO BRASILEIRO APROVADA NA 61ª AG CNBB


Os membros da presidência da CNBB entregaram aos 63 parlamentares presentes na primeira Romaria dos Parlamentares promovida pela CNBB, no Santuário Nacional de Nossa Aparecida, no sábado, 20 de abril, a Mensagem ao Povo Brasileiro aprovada na 61ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil. A primeira Romaria dos Parlamentares teve como tema “Fratelli Tutti, amizade social e a política”.



Mensagem ao Povo Brasileiro

A Mensagem ao Povo Brasileiro, aprovada pelos 443 bispos que participaram da 61ª Assembleia Geral da CNBB, realizada em Aparecida (SP), de 10 a 19 de abril, traduz um sentimento de esperança e de futuro, abordando assuntos da realidade política e climática do Brasil e do planeta. Também aborda as eleições que se aproximam e incentivando a cuidar da Democracia e propõe o combate à violência no país e as guerras pelo mundo.

“Na sociedade do diálogo, a paz é um imperativo. O primeiro dom do Ressuscitado foi de que a paz estivesse no nosso meio (cf. João 20,21). Papa Francisco recorda que a paz, por ação da força “mansa e santa” dos que creem, deve ser buscada como forma de “se opor ao ódio da guerra” (Papa Francisco, 1º. de janeiro de 2024). Desejamos paz para os inúmeros países em guerra, cujas consequências são milhares de mortes e milhões de deslocados e refugiados.”, reforça um trecho da mensagem.

Papa aos Irmãos da Instrução Cristã: a guerra faz com que as crianças percam o sorriso


Papa Francisco recebeu na manhã desta segunda-feira (22/04) os participantes do Capítulo geral dos Irmãos da Instrução Cristã de Ploërmel que tem como carisma a evangelização das crianças e dos jovens por meio da educação.

Silvonei José – Vatican News

“A guerra faz isso: faz com que as crianças percam seus sorrisos. Trabalhem para que elas recuperem a capacidade de sorrir”: foi o que disse o Papa Francisco recebendo na manhã desta segunda-feira (22/04) os participantes do Capítulo geral dos Irmãos da Instrução Cristã de Ploërmel que tem como carisma a evangelização das crianças e dos jovens por meio da educação.

Este Capítulo – recordou o Papa nas suas palavras - vem na esteira das celebrações do bicentenário do Instituto e lhe oferece a oportunidade de retornar às ideias fundamentais que guiaram o Venerável Jean-Marie de La Mennais e o Padre Gabriel Dashayes. Hoje, seu trabalho está presente em vários países do mundo, porque eles acreditavam que tudo é possível para aqueles que se entregam totalmente ao Senhor e se colocam a serviço do desenvolvimento humano integral de cada pessoa. Nunca devemos nos esquecer de onde viemos e sempre ter em mente as motivações de nossas ações.

Francisco destacou então o trabalho dos irmãos em regiões do mundo onde há pobreza, desemprego entre os jovens e crises sociais de todos os tipos. O Papa exortou-os a serem pais daqueles a quem são enviados, pais que reflitam a face amorosa e compassiva de Deus.

“Em um mundo em constante mudança, vocês se colocam generosamente a serviço dos jovens, atentos às suas aspirações e, ao mesmo tempo, sempre voltados para Cristo, a regra suprema de suas vidas. Sua vocação os impele a ir aonde outros não vão, à periferia, às pessoas que formam a categoria dos rejeitados, dos feridos pela vida e das vítimas. Que sua presença seja uma fonte de esperança para muitos”.

O Santo Padre sublinhou em seguida que em seu espírito de fraternidade e acolhimento, que eles reconheçam outra face da humanidade desfigurada pelas guerras, pela indiferença e pelo descarte dos mais fracos. Essas crianças, esses jovens, - continuou - essas pessoas também têm sonhos, mas hoje, por tantas razões, são sonhos despedaçados. Que o senhor os ajude a reviver seus sonhos, a acreditar neles e a realizá-los! Francisco então destacou:

"As crianças brincam, mesmo sob bombas, em países em guerra. Quando vemos fotos desses países, há crianças brincando; mas uma coisa me chama a atenção: quando as crianças da Ucrânia vêm aqui a Roma, que se mudaram para cá e vivem aqui, essas crianças não sorriem: perderam o sorriso. A guerra faz isso: faz com que as crianças percam seus sorrisos. Trabalhem para que elas recuperem a capacidade de sorrir".

O Santo Padre afirmou em seguida que a Igreja é uma família e todos nós, na variedade de carismas e vocações, cooperamos para a salvação da humanidade. Nesse maravilhoso mistério de comunhão, posso contar com sua confiança filial e seu apego ao ministério do Sucessor de Pedro. “Encorajo-os a trabalhar em estreita colaboração com as dioceses onde estão em missão e com o fiel Povo de Deus; a afastar de suas vidas qualquer espírito de orgulho, fechamento, divisão e fofoca.

Mais uma vez chamou a atenção sobre a fofoca:

"A fofoca faz muito mal às comunidades religiosas. Um bom propósito para um religioso seria morder a língua toda vez que sentir vontade de fofocar sobre o outro. Esse seria um bom propósito, não é mesmo? De fato, "ser Igreja significa ser o Povo de Deus, de acordo com o grande plano de amor do Pai. Isso implica ser o fermento de Deus no meio da humanidade".

No final do Capítulo, os membros renovarão a consagração do Instituto ao Imaculado Coração de Maria. “Que sua pedagogia – disse Francisco -seja sempre inspirada naquela que, com seu "sim" total, consentiu que o plano salvífico de Deus para a humanidade fosse realizado em sua pessoa. Que ela os ajude a cultivar o zelo de se colocar a serviço, a cultivar a humildade, a confiança em Deus e a alegria de ser servo de sua ternura e misericórdia. Por favor, não percam a alegria. Por favor ...

EVANGELHO DO DIA (Jo 10,1-10)

ANO "B" - DIA: 22.04.2024
4ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)


«Em verdade, em verdade, vos digo: quem não entra pela porta no redil onde estão as ovelhas, mas sobe por outro lugar, esse é ladrão e assaltante. Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. Para este o porteiro abre, as ovelhas escutam a sua voz, ele chama cada uma pelo nome e as leva para fora. E depois de fazer sair todas as que são suas, ele caminha à sua frente e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. A um estranho, porém, não seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer.

Jesus disse então: «Em verdade, em verdade, vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; poderá entrar e sair, e encontrará pastagem. O ladrão vem só para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância».

COMENTÁRIOS:
«Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas: as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz »
Rev. D. Francesc PERARNAU i Cañellas(Girona, Espanha)

Hoje continuamos a considerar uma das imagens mais belas e mais conhecidas da pregação de Jesus: o bom Pastor, as suas ovelhas e o redil. Todos temos na memória as figuras do bom Pastor que contemplamos desde pequenos. Uma imagem que era muito querida aos primeiros fieis e que forma parte da arte sacra cristã desde o tempo das catacumbas. Quantas coisas nos invoca aquele pastor jovem com a ovelha ferida às suas costas! Muitas vezes vimo-nos, a nós próprios, representados naquele pobre animal.

Ainda há pouco celebramos a festa da Páscoa e uma vez mais, recordamos que Jesus não falava numa linguagem figurada quando nos dizia que o bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas. Realmente fê-lo: a sua vida foi a prenda do nosso resgate, com a sua vida comprou a nossa; graças a esta entrega, nós fomos resgatados: «Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo» (Jo 10,9). Encontramos aqui a manifestação do grande mistério do amor inefável de Deus que chega a estes extremos inimagináveis para salvar a criatura humana. Jesus leva até ao extremo o seu amor, até ao ponto de dar a sua vida. Ressoam ainda aquelas palavras do Evangelho de São João introduzindo-nos nos momentos da Paixão: «Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim» (Jo 13,1).

De entre as palavras de Jesus gostaria de aprofundar nestas: «Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-me» (Jo 10,14); mais ainda, «as ovelhas escutam a sua voz (…) e seguem-no, porque conhecem a sua voz» (Jo 10,3-4). É verdade que Jesus nos conhece, mas, poderemos nós dizer que o conhecemos bem, a Ele, que o amamos e que correspondemos como devemos?

Fonte: evangeli.net

12 regras de ouro para portar-se bem durante a Missa


Que a fim de aproveitar ao máximo os grandes frutos espirituais que se recebe na Missa é necessário participar da celebração com reverência.

A seguir, confira 12 regras de ouro ou conselhos práticos que servem para aproveitar a Missa e participar, ativa e reverentemente, na Eucaristia.

1. Não use o celular: Você não precisa dele para falar com Deus

Os celulares nunca devem ser usados na Missa para fazer ligações ou enviar mensagens de texto. É possível atender um telefonema de emergência, mas do lado de fora do templo. Por outro lado, é possível usar o telefone para leituras espirituais ou orações, embora seja necessário ser discreto.

2. Fazer jejum antes da Celebração Eucarística

Consiste em deixar de comer qualquer alimento ou tomar algo, pelo menos uma hora antes da Sagrada Comunhão, com exceção da água e dos remédios.

Os doentes podem comungar embora tenham tomado algo neste período antes da Missa. O objetivo do jejum é ajudar na preparação para receber Jesus na Eucaristia.

Leia também: 

3. Não comer nem beber na Igreja

As exceções seriam: uma bebida para crianças pequenas ou leite para os bebês, água para o sacerdote ou para as pessoas do coral (com discrição) e para os doentes.

Levar um aperitivo à igreja não é apropriado, porque o templo é um lugar de oração e de reflexão.

4. Não mascar chiclete

Ao fazer isso, rompe-se o jejum, ocorre uma distração, está sendo indelicado em um ambiente formal e não ajuda na oração.

5. Não usar chapéu

É falta de educação usar um chapéu dentro de uma Igreja. Embora esta seja uma norma cultural, deve ser cumprida. Assim como tiramos o chapéu quando se faz um juramento, assim se deve fazer na Igreja como um sinal de respeito.

6. Fazer o sinal da cruz com água benta ao entrar e sair do templo

Esta é uma forma de recordar o Batismo, sacramento pelo qual renascemos para a vida divina e nos tornamos filhos de Deus e membros da Igreja. É necessário estar plenamente consciente do que acontece ao fazer o sinal da cruz e se deve fazer pronunciando alguma oração.

7. Vestir-se com modéstia

Os católicos são convidados a participar da Eucaristia vestidos adequadamente, pois, se normalmente se vestem bem para ir a uma festa ou a algum outro tipo de compromisso, não há razão para não fazer a mesma coisa na Missa.

8. Chegar alguns minutos antes do início da Missa

Se por algum motivo não consegue chegar a tempo, é recomendável sentar-se na parte de trás para não incomodar as outras pessoas. Chegar à Missa cedo permite rezar e se preparar melhor para receber Cristo.

9. Ajoelhar-se diante do Sacrário ao entrar e sair do templo

Ao permitir que o nosso joelho toque o chão, reconhecemos que Cristo é Deus. Se alguém é fisicamente incapaz de se ajoelhar, então, fazer um gesto de reverência é suficiente. Durante a Missa, se passamos diante do altar ou do tabernáculo, devemos inclinar a cabeça com reverência.

10. Permanecer em silêncio durante a celebração

Ao ingressar no templo, deve-se guardar silêncio. Se tiver algo para falar, faça de forma silenciosa e breve. Lembre-se de que manter uma conversa pode incomodar alguém que está rezando.

Se tiver uma criança ou um bebê, pode se sentar perto de uma saída para qualquer contratempo.

Recorde que não há razão para sentir vergonha por ter que acalmar o controlar seu filho, dentro ou fora da igreja. Ensine-os a se comportar, especialmente com seu próprio exemplo.

11. Inclinar-se ao receber a Comunhão

Se diante de você está Deus, então pode mostrar respeito inclinando a cabeça como reverência. Se desejar, pode fazer uma genuflexão. Esta é uma prática antiga que continua até os dias de hoje.

12. Espere que a Missa termine

Devemos permanecer na Missa até a bênção final. Lembre-se de que um dos mandamentos da Igreja é participar da Missa nos domingos e festa de guarda.

É um bom hábito, embora não seja obrigatório, oferecer uma oração de ação de graças depois da celebração.

Finalmente, a saída deve ser em silêncio para não incomodar as outras pessoas que desejam permanecer no templo rezando.



Related Posts:

São Caio


Caio nasceu na cidade de Salona (hoje Solin) na Dalmácia (hoje Croácia), no século III. Parece ter tido parentesco com o imperador Dioclesiano, nascido na mesma cidade, sendo sua família nobre, e viveu em Roma. Não se sabe como abraçou o cristianismo, mas fez-se sacerdote, como um dos seus dois irmãos, e na sua casa (pois não era permitida à Igreja ter propriedades) ambos celebravam Missas, distribuíam a Eucaristia, enfim, ministravam os Sacramentos e acolhiam pobres e doentes.

Eleito Papa em 283, Caio foi pontífice durante 13 anos, num período de trégua das perseguições aos cristãos. Organizou a carreira eclesiástica, determinando a sequência de leitor, subdiácono, exorcista, acólito, hostiário, diácono, sacerdote e bispo. Dividiu os bairros de Roma sob a responsabilidade de diáconos. Construiu novas igrejas, ampliou os cemitérios cristãos, e foi o primeiro Papa a reunir representantes da Igreja e do império para tratar da cobrança de tributos aos cristãos. E conteve os que desejavam violentamente vingar a morte de Papas anteriores. Seu maior desafio foi o combate às heresias que surgiram entre o clero.

Com o tempo, a tolerância de Dioclesiano com a Igreja foi diminuindo, até se estabelecer uma das maiores perseguições de todos os tempos. Influiu para isto a negativa de Caio às pretensões do imperador de tornar Susana, sua sobrinha, a futura nora. Susana se tornaria mártir; e Caio e seus dois irmãos foram condenados à morte. Há duas versões para a morte de Caio, uma por decapitação, outra por maus tratos. Em qualquer caso, o Martirológio Romano faz o elogio do seu martírio, com falecimento a 22 de abril de 296.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Como todos os Papas do início do Cristianismo, São Caio teve que lutar em várias frentes, como a organização interna da Igreja, tanto espiritual quanto material, o combate às heresias, e as dificílimas relações com os imperadores romanos. Muitos deles tiveram pouquíssimo tempo à frente da Santa Sé, e grande parte deles foi mártir. Variaram, contudo, os motivos das condenações, algumas mais religiosas, outras mais políticas, ou mais pessoais. São Caio interferiu em defesa de Susana, sua sobrinha virgem e cristã, contra os interesses políticos de Dioclesiano, que procurava na própria família uma esposa para o seu protegido e sucessor Galério. A descoberta, pelo imperador, de que este seu ramo familiar era católico o levou a condenar todos à morte. No entanto, Caio, do Latim Caius, feliz, de fato alegrou-se no martírio, por saber colocar o serviço a Deus antes da subserviência aos caprichos e interesses humanos, e corajosamente defender a livre escolha religiosa da sua sobrinha. Também hoje necessitamos seguir o seu exemplo, servindo fielmente a Igreja e amparando os irmãos de Fé eventualmente perseguidos; sempre caberá melhor na fronte dos filhos de Deus a indestrutível coroa do martírio, se exigido, do que as caducas coroas mundanas.

Oração:

Pai de amor e misericórdia, que não poupastes o Vosso Filho nem o sofrimento de Vossa Mãe na obra da nossa Redenção, concedei-nos por intercessão de São Caio viver agora e na vida infinita inseparavelmente unidos ao Sangue salvador de Cristo, não cedendo às pretensões mundanas sequer do sangue de parentesco carnal, pois nossa verdadeira família está somente no Corpo Místico de Jesus. Pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

domingo, 21 de abril de 2024

Costa do Marfim, missionário italiano padre Matteo Pettinari morre em um acidente de carro


Originário da província de Ancona, 42 anos de idade, da Ordem dos Missionários da Consolata e em missão no país africano há 13 anos, faleceu em 18 de abril em uma colisão entre seu carro e um ônibus. Seu trabalho missionário incluía a construção de uma igreja com a participação da população local. Também colaborou com o Vatican News no projeto de conscientização sobre a vacinação contra a Covid-19.

Vatican News

Um missionário incansável. Assim era conhecido o padre Matteo Pettinari, religioso italiano originário de Monte San Vito e pertencente à Ordem dos Missionários da Consolata, que faleceu no último dia 18 de abril em um acidente de carro em Niakara, uma cidade no centro-norte da Costa do Marfim. Padre Matteo estava servindo no país africano há 13 anos. Sua morte ocorreu em uma violenta colisão entre o carro que ele dirigia e um ônibus.
As condolências dos Missionários da Consolata

Na sexta-feira, 19 de abril de 2024, uma nota da Cúria Geral dos Missionários da Consolata anunciou o falecimento do coirmão: "Em comunhão fraterna, rogamos ao Senhor pelo seu descanso eterno e que, por intercessão de Nossa Senhora da Consolata, conceda a nós e à sua família consolo e paz", diz o texto assinado pelo Superior Geral, padre Tiago Lengarin, e pelo secretário do Imc, padre Pedro Louro.

Seu trabalho para a construção de uma Igreja

A Igreja Paroquial Joseph Mukasa, no vilarejo de Dianra, está localizada na diocese de Odienné, no norte da Costa do Marfim. Concluída em 2019 após três anos de trabalho, a construção desse local de culto faz parte do projeto “Pedra Vermelha”. "Se algo deve falar de Deus, então deve falar a linguagem de Deus, que é a comunhão", disse o padre Matteo à arquiteta responsável pelo projeto de construção da igreja, Daniela Giuliani. Ela mesma contou isso em uma entrevista ao L'Osservatore Romano em fevereiro de 2023, acrescentando que as palavras do religioso foram de encorajamento e também uma grande inspiração como arquiteta, pois é proveniente da mesma diocese italiana do missionário: "Padre Matteo me ensinou o caminho da Igreja". Em 2022, padre Matteo colaborou com o Vatican News no projeto de conscientização sobre a vacinação contra a Covid-19, que foi realizado em dois países: Costa do Marfim e República Centro-Africana.

EVANGELHO DO DIA (Jo 10,11-18)

ANO "B" - DIA: 21.04.2024
4º DOMINGO DA PÁSCOA (BRANCO)

«Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. O mercenário, que não é pastor e a quem as ovelhas não pertencem, vê o lobo chegar e foge; e o lobo as ataca e as dispersa. Por ser apenas mercenário, ele não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas.

»Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste redil; também a essas devo conduzir, e elas escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. É por isso que o Pai me ama: porque dou a minha vida. E assim, eu a recebo de novo. Ninguém me tira a vida, mas eu a dou por própria vontade. Eu tenho poder de dá-la, como tenho poder de recebê-la de novo. Tal é o encargo que recebi do meu Pai».

COMENTÁRIOS:
«Eu sou o bom pastor»
Mons. José Ángel SAIZ Meneses, Arcebispo de Sevilha(Sevilla, Espanha)

Hoje celebramos do domingo do Bom Pastor. Em primeiro lugar, a atitude das ovelhas deve ser a de escutar a voz do pastor e segui-lo. Escutar com atenção, ser dóceis à sua palavra, segui-lo com uma decisão que compromete a toda a existência: o entendimento, o coração, todas as forças e toda a ação, seguindo seus passos.

Por outro lado, Jesus, o Bom Pastor, conhece a suas ovelhas e lhes dá a vida eterna, de tal maneira que não se perderão nunca e, além disso, ninguém vai tirá-las de suas mãos. Cristo é o verdadeiro Bom Pastor que deu sua vida pelas ovelhas (cf. Jn 10,11), por nós, imolando-se na cruz. Ele conhece suas ovelhas e suas ovelhas o conhecem a Ele, como o Pai o conhece e Ele conhece o Pai. Não se trata de um conhecimento superficial e externo, nem tão somente de um conhecimento intelectual; trata-se de uma relação pessoal profunda, um conhecimento integral, do coração, que acaba transformando-se em amizade, porque esta é a consequência lógica da relação de quem ama e de quem é amado; de quem sabe que pode confiar plenamente.

É Deus Pai quem confiou o cuidado de suas ovelhas. Tudo é fruto do amor de Deus Pai entregado a seu Filho Jesus Cristo. Jesus cumpre a missão que seu pai lhe encomendou, que é a cura de suas ovelhas, com uma fidelidade que não permitirá que ninguém as arrebate de sua mão, com um amor que o leva a dar a vida por elas, em comunhão com o Padre porque «Eu e o Pai somos um» (Jn 10,30).

Eis aqui exatamente onde radica a fonte de nossa esperança: em Cristo Bom Pastor a quem queremos seguir e a voz de quem escutamos porque sabemos que só nEle se encontra a vida eterna. Aqui encontramos a força ante as dificuldades da vida, nós, que somos um rebanho débil e que estamos submetidos a diversas tribulações.

Fonte: evangeli.net

O Purgatório e as Indulgências – Parte 1


A doutrina das indulgências está intimamente ligada à realidade do Purgatório, por isso vamos mostrar o que a Igreja ensina sobre isto.

O Catecismo da Igreja (CIC) afirma que:

“Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, sequelas dos pecados.” (§1498)O Papa Paulo VI (1963-1978), logo após o Concílio Vaticano II confirmou mais uma vez a realidade do Purgatório e das Indulgências na Constituição Apostólica Doutrina das Indulgências (DI), e nela ensina com clareza toda a verdade sobre esta matéria. Começa dizendo que:

“A doutrina e o uso das indulgências vigentes na Igreja Católica há vários séculos encontram sólido apoio na Revelação divina, a qual vindo dos Apóstolos “se desenvolve na Igreja sob a assistência do Espírito Santo”, enquanto “a Igreja no decorrer dos séculos, tende para a plenitude da verdade divina, até que se cumpram nela as palavras de Deus (Dei Verbum, 8)”. ( DI, 1)

Assim, fica claro que as Indulgências têm base sólida na doutrina católica (Revelação e Tradição) e, como disse Paulo VI, “se desenvolve na Igreja sob a inspiração do Espírito Santo”.

Como surgiram as Indulgências

O uso das indulgências teve sua origem nos primórdios da Igreja. Desde os primeiros tempos ela usou o seu poder de remir a pena temporal dos pecadores.

Sabemos que na Igreja antiga dos primeiros séculos, a absolvição dos pecados só era dada aos penitentes que se acusassem dos próprios pecados e se submetessem a uma pesada penitência pública; por exemplo, jejum de quarenta dias até o pôr do sol, trajando-se com sacos e usando o silício, autoflagelação, retirada para um convento, vagar pelos campos vivendo de esmolas, etc., além de ser privado da participação na Liturgia eucarística e da vida comunitária. Isto era devido ao “horror” que se tinha ao pecado e ao escândalo.

Aquele que blasfemasse o nome de Deus, da Virgem Maria, ou dos santos, ficava na porta da igreja, sem poder entrar, sete domingos durante a missa paroquial, e, no último domingo ficava no mesmo lugar sem capa e descalço; e nas sete sextas-feiras precedentes jejuava a pão e água, sem poder neste período entrar na igreja. Aquele que rogasse uma praga aos pais, devia jejuar quarenta dias a pão e água…

Essas pesadas penitências, e outras, tinham o objetivo de extinguir no penitente os requícios do pecado e as más inclinações que o pecado sempre deixa na alma do pecador, fazendo-o voltar a praticá-lo.

Na fase das perseguições dos primeiros séculos, quando era grande o número de mártires, muitos cristãos ficavam presos e aguardando o dia da própria execução; eram os Confessores da fé. Surgiu nesta época um belo costume: os penitentes recorriam à intercessão dos que aguardavam presos a morte. Um deles escrevia uma carta ao bispo pedindo a comutação da pesada penitência do pecador; eram as chamadas “cartas de paz”. Com este documento entregue ao bispo, o penitente era absolvida da pesada penitência pública que o confessor lhe impusera, e também da dívida para com Deus; a pena temporal que a penitência satisfazia. Assim, transferia-se para o pecador arrependido, o valor satisfatório dos sofrimentos do mártir.

Desta forma começou o uso da indulgência na Igreja.

Muitas vezes os penitentes não tinham condições de saúde suficiente para cumprir essas penitências tão pesadas; e isto fez com que a Igreja, com o passar do tempo, em etapas sucessivas e graduais, fosse abrandando as penitências.

Na idade média, a Igreja, com a certeza de que ela é a depositária dos méritos de Cristo, de Nossa Senhora e dos Santos, o chamado “tesouro da Igreja”, começou a aplicar isto aos seus filhos pecadores. Inspirados pelo Espírito Santo, os Papas e Concílios, a partir do século IX, entenderam que podiam aplicar esses méritos em favor dos penitentes que deviam cumprir penitencias rigorosas. Assim, surgiram as “obras indulgenciadas”, que substituíam as pesadas penitencias. O jejum rigoroso foi substituído por orações; a longa peregrinação, por pernoitar em um santuário; as flagelações, por esmolas; etc.. A partir daí, a remissão da pena temporal do pecado, obtida pela prática dessas “obras indulgenciadas”, tomou o nome de “indulgência”.

Nos exemplos das pesadas penitências públicas citadas acima, elas eram substituídas, respectivamente, por uma indulgência de sete semanas e por uma indulgência de 40 dias; por isso as indulgências eram contadas em dias, semanas e meses, porque assim, eram também contadas as penitências públicas.

Com a reza do Terço, por exemplo, em qualquer dia do mês de outubro, se ganhava a indulgência de sete anos.No século IX, os bispos já concediam indulgências gerais, isto é, a todos os fiéis, sem a necessidade da mediação de um sacerdote. Assim, os bispos estipularam que realizando certas obras determinadas, os fiéis poderiam obter, pelos méritos de Cristo, a remissão das penas devidas aos pecados já absolvidos.

É preciso compreender que esta prática não se constituía em algo mecânico; não, o penitente, ao cumprir a obra indulgenciada devia trazer consigo as mesmas disposições interiores daquele que cumpria no passado as pesadas penitências, isto é, profundo amor a Deus e repúdio radical de todo pecado. Sem isto, não se ganharia a indulgência.Com o passar do tempo, e principalmente por causa da “questão das indulgências” no tempo de Martinho Lutero, no século XVI, as indulgências foram ofuscadas e tornaram-se objeto de críticas. No entanto, após o Concílio Vaticano II (1962-65), o Papa Paulo VI reafirmou todo o seu valor, na Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina, onde quis claramente mostrar o sentido profundo e teológico das indulgências; incitando os católicos ao espírito de contrição e penitência que deve movê-los ao realizar as obras indulgenciadas, removendo toda a aparência de mecanicismo espiritual que no passado aconteceu.

O que são as Indulgências

As Normas sobre as Indulgências, que acompanham a Constituição Apostólica A Doutrina das Indulgências, ensina o que é a indulgência:

“Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos”. (Norma 1)

É preciso entender bem esta conceituação do que seja a indulgência. Em primeiro lugar, é “remissão”, isto é, livra, liberta, da “pena temporal” devida aos pecados já perdoados.

Todo pecado tem duas consequências: o da culpa e o da pena, devido à desordem causada pela culpa. Então, para que alguém fique totalmente redimido do pecado é preciso que obtenha de Deus o perdão da culpa, mediante o sacramento da Reconciliação, e restaure a ordem violada pelo pecado, cumpra a pena.Cientes disso, os primeiros cristãos, até a idade média, infligiam a si mesmos severas penas (jejum de muitos dias até o pôr do sol, flagelações, longas peregrinações, etc.) mesmo após o perdão dos pecados, para cumprir a pena devida ao pecado.

O Papa Paulo VI assim explica:”Assim nos ensina a revelação divina que os pecados acarretam como consequência penas infligidas pela santidade e justiça divina, penas que devem ser pagas ou neste mundo, mediante os sofrimentos, dificuldades e tristezas desta vida e sobretudo mediante a morte, ou então no século futuro…” (DI, 2)

Paulo VI lembra os ensinamentos de Santo Agostinho e de São Tomás de Aquino sobre o assunto.

Santo Agostinho afirma que: “toda iniquidade, pequena ou grande, deve ser punida, ou pelo próprio homem penitente, ou então por Deus (…)” (Com. Salmos LVIII 1,13; DI, ref. 1).

São Tomás de Aquino também ensina que:
“Sendo o pecado um ato desordenado, é evidente que todo o que peca, age contra alguma ordem. E é portanto decorrência da própria ordem que seja humilhado. E essa humilhação é a pena” (S. Th. 1-2, q. 87, a.1; DI, ref. 3)

O Papa explica com clareza o efeito das penas temporais:

“Essas penas são impostas pelo julgamento de Deus, julgamento a um tempo justo e misericordioso, a fim de purificar as almas, defender a integridade da ordem moral e restituir à glória de Deus a sua plena majestade. Todo pecado, efetivamente, acarreta uma perturbação da ordem universal, por Deus estabelecida com indizível sabedoria e caridade infinita, e uma destruição de bens imensos, quer se considere o pecador como tal quer a comunidade humana.” (DI, 2)O Catecismo da Igreja ensina o que é esta “pena temporal devida aos pecados já perdoados”:

“Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, é preciso admitir que o pecado tem dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação se chama pena eterna do pecado. Por outro lado, mesmo o pecado venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra quer depois da morte, no estado chamado purgatório. Esta purificação liberta da chamada “pena temporal” do pecado. Essas duas penas não devem ser concebidas como uma espécie de vingança infligida por Deus do exterior, mas antes como uma consequência da própria natureza do pecado.” (§1472)

Portanto, fica claro que o pecado, além da “pena eterna”, que é perdoada diante de Deus pelos méritos da Paixão de Cristo, especialmente no Sacramento da Reconciliação, acarreta também a “pena temporal”, que permanece mesmo após a remissão da pena eterna. São as consequências que o pecado deixou na alma do pecador, a desordem que promoveu no plano de Deus e a ofensa à Sua majestade.

É importante relembrar aqui o que ensina a Igreja sobre o perdão dos pecados”A confissão individual e integral seguida da absolvição continua sendo o único modo ordinário pelo qual os fiéis se reconciliam com Deus e com a Igreja, salvo se uma impossibilidade física ou moral dispensar desta confissão” (Ordo Poenitentiae, 31; Cat. §1484)

Como a justiça de Deus é perfeita, toda violação deve ser reparada, pois Ele é Pai, mas não é paternalista. Deus não é conivente com o mal e nem “passa por cima das suas consequências”, como se não as tivesse notado. Qualquer pai, mesmo perdoando ao filho os seus erros, não deixa, no entanto, de corrigi-lo para que abandone o erro e repare os seus estragos.

É preciso lembrar que a expiação das faltas não quer dizer castigo de Deus, mas é exigida para apagar as sequelas do pecado deixadas na alma do pecador. Isto liberta o pecador das suas paixões e aumenta na sua alma o amor a Deus, que o faz rejeitar todo pecado. Assim, são arrancadas as raízes do pecado que ainda permanecem após o perdão das culpas.

O amor a Deus em nós, nesta vida, ainda não é suficientemente forte para apagar todo o resquício de pecado na alma. Essa concupiscência desordenada, que faz o homem voltar ao pecado, por não ter ainda um amor tão grande a Deus, pode ser vencida nesta vida ou no Purgatório.

O Concilio de Trento (1545-1563) examinou cuidadosamente a doutrina das indulgências, por causa da Reforma protestante. Na Sessão XXV, no Decretum de Indulgentiis, afirmou:

“Tendo recebido de Cristo o poder de conferir indulgências, já nos tempos antiquíssimos usou a Igreja desse poder, que divinamente lhe fora doado…”(DS, 1935; DI, ref. 1).

Na Sessão VI, cânon 30, afirmou:”Se alguém disser que a todo pecador penitente, que recebeu a graça da justificação, é de tal modo perdoada a ofensa e desfeita e abolida a obrigação à pena eterna, que não lhe fica obrigação alguma de pena temporal a pagar, seja neste mundo ou no outro, purgatório, antes que lhe possam ser abertas as portas para o reino dos céus – seja excomungado.”(DS 1580,1689,1693; DI, ref. 8 )

O Concilio de Trento, analisou cuidadosamente a doutrina das Indulgências porque Martinho Lutero, em 1517, apresentou as suas 95 Teses divergindo da Igreja – afixando-as nas portas da igreja de Wittenberg, na Alemanha – com base principalmente na questão das indulgências. Esse Concilio, que foi o mais longo da História da Igreja (1545-1563), em nada revogou a doutrina sobre as indulgências, mas apenas disciplinou melhor a sua aplicação.

Falando das “penas temporais” dos pecados, afirmou:

“Uma conversão que procede de uma ardente caridade pode chegar a uma total purificação do pecador, não subsistindo mais nenhuma pena”. (DS 1712-1713; 1820)

O Catecismo da Igreja continua ensinando:

“O perdão do pecado e a restauração da comunhão com Deus implicam a remissão das penas eternas do pecado. Mas permanecem as penas temporais do pecado. O cristão deve esforçar-se, suportando pacientemente os sofrimentos e as provas de todo tipo e, chegada a hora de enfrentar serenamente a morte, aceitar como uma graça essas penas temporais do pecado; deve aplicar-se, através de obras de misericórdia e de caridade, como também pela oração e diversas práticas de penitência, a despojar-se completamente do “homem velho” para revestir-se do “homem novo” (Ef 4, 24)”. (§1472)

Algumas passagens da Sagrada Escritura mostram as consequências dos pecados, mesmo após o perdão de Deus. O Papa Paulo VI explica ainda que a realidade das indulgências mostra o peso e a gravidade do pecado, e que por nossas próprias forças não podemos nos livrar dos males que com eles afligimos a nós mesmos e à Igreja:

“Para brevemente relembrar os principais benefícios, o uso salutar das indulgências ensina “como é triste e amargo ter abandonado o Senhor Deus” (Jr 2,19). Pois, os fiéis, quando se empenham em ganhar as indulgências, compreendem que por suas próprias forças não podem expiar o prejuízo que se infligiram a si mesmos e a toda a comunidade, e por isso são excitados a uma salutar humildade.”(DI, 9)
“Além disso, disse Paulo VI, o uso das indulgências ensina com que íntima união em Cristo estamos ligados uns aos outros e que ajuda a vida sobrenatural de cada um poder trazer aos outros, a fim de mais fácil e estreitamente se unirem ao Pai.

Assim, o uso das indulgências inflama eficazmente a caridade e de modo excelente a exerce quando se leva um auxílio aos irmãos adormecidos em Cristo.”(idem)

O uso das indulgências dá-nos confiança e esperança na reconciliação total com Deus, como ensina o Papa:

“A prática das indulgências eleva igualmente à confiança e à esperança da total reconciliação com Deus Pai; contanto, evidentemente, que ela se desenvolva sem dar margem a nenhuma negligência nem diminuir a preocupação de se dispor devidamente a plena comunhão com Deus. Com efeito, embora sejam as indulgências benefícios gratuitos, não só concedidas tanto a favor dos vivos como dos defuntos a não ser que se cumpram as condições requeridas para sua obtenção. Duma parte devem ser cumpridas as boas obras prescritas, doutra parte deve o fiel apresentar as disposições exigidas, isto é, que ame a Deus, deteste os pecados, tenha confiança nos méritos de Cristo e firmemente creia na grande utilidade que para ele mesmo representa a comunhão dos Santos.” (DI, 10)

Por outro lado, a crença no valor das indulgências, faz-nos também, acreditar e nos submetermos aos Pastores da Igreja, que receberam o “poder das chaves” de Jesus:

“Não se deve deixar em silêncio que, adquirindo as indulgências, os fiéis docilmente se submetem aos legítimos Pastores da Igreja, e particularmente ao sucessor de São Pedro, que tem as chaves do céu, aos Pastores que o próprio Salvador mandou apascentar e conduzir sua Igreja.” (DI,10)

Outra razão de ser das indulgências, como mostra o Papa Paulo VI, é a de instaurar mais depressa o Reino de Deus, e a de preparar a Esposa do Cordeiro para as Bodas (Ap 19, 7):

“A salutar instituição das indulgências contribui, assim, por sua parte, para que a Igreja se apresente a Cristo sem mancha nem ruga, mas santa e imaculada (Ef 5,27) admiravelmente unida em Cristo pelo elo da caridade sobrenatural. De fato, por meio das indulgências são os membros da Igreja padecente mais rapidamente agregados à Igreja triunfante. Daí resulta que por essas mesmas indulgências o Reino de Cristo se instaura muito mais rapidamente até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e de pleno conhecimento do Filho de Deus, à idade de homem perfeito, à medida da estatura que convém ao complemento de Cristo (Ef 4,13)”. (DI, 9).

Paulo VI incentiva o uso das indulgências, e explica que elas não diminuem a importância dos outros meios que a Igreja nos põe à disposição para a busca da santidade e da perfeição cristã:

“Assim, apoiando-se nessas verdades, nossa santa Mãe igreja ainda uma vez recomendando aos fiéis o uso das indulgências, que foi tão caro ao povo cristão por tantos séculos e o é ainda, como o prova a experiência, não quer tirar nada às outras formas de santificação, em primeiro lugar ao santíssimo sacrifício da missa e aos sacramentos, sobretudo ao sacramento da Penitência, e em seguida aos abundantes socorros agrupados sob o nome de sacramentais, assim como as obras de piedade, de penitência e de caridade.

Todos esses meios têm isto em comum: operar a santificação e a purificação com tanto maior eficácia quanto mais estreitamente estiver o fiel pela caridade unido a Cristo-Cabeça e à Igreja-Corpo. A preeminência da caridade na vida cristã é até confirmada pelas indulgências. Pois não podem estas ser adquiridas sem uma sincera metanóia e sem união com Deus, a que visa o cumprimento das obras. É portanto mantida a ordem da caridade, esta ordem na qual se insere a remissão das penas pela distribuição do tesouro da Igreja.

Enfim, exortando seus fiéis a não abandonarem ou subestimarem as santas tradições de seus pais, mas a religiosamente aceitá-las como um precioso tesouro da família cristã e a segui-las, deixa a Igreja contudo cada um usar dos meios de purificação e de santificação com a santa e justa liberdade dos filhos de Deus; doutra parte ela sempre de novo vem lembrar-lhes o que deve ser colocado em primeiro lugar nos meios ordenados à salvação, isto é, os que são necessários, os melhores e mais eficazes.” (DI,11)

E, neste sentido, o Papa relembra as palavras de São Tomás de Aquino: “…ainda que tais indulgências muito valham para a remissão da pena, contudo outras obras de satisfação são mais meritórias sob o ponto de vista do prêmio essencial; o que vem a ser infinitamente melhor do que a remissão da pena temporal”. (S. Th. Suppl., q. 25, ad 2; DI, ref. 47)

O mesmo Papa Paulo VI ensina que a intenção da autoridade da Igreja ao conceder as indulgências, não é apenas ajudar os cristãos a pagarem as penas que devem à justiça divina, mas também, motivá-los a praticar obras de fé e piedade.

“A Igreja vai ao encontro dos cristãos que, levados pelo espírito de penitência, buscam atingir esta metanóia, com o fito de reencontrar, após o pecado, aquela santidade de que foram inicialmente revestidos em Cristo pelo batismo. Distribui indulgências, assim como a mãe, terna e cuidadosa, ampara os filhos fracos e doentes. O que de forma alguma significa ser a indulgência um caminho mais fácil, que nos permitisse evitar a indispensável reparação dos pecados. Bem ao contrário. É uma ajuda que todo fiel, reconhecendo com humildade a própria fraqueza, encontra no Corpo Místico de Cristo, o qual todo inteiro “concorre para sua conversão pela caridade, pelo exemplo e pela prece” ( Lumen Gentium, cap. 2, n. 11)”. (DI, ref. 39)

Outro ponto que a conceituação de indulgência afirma, na (Norma 1), é que ela é “alcançada por meio da Igreja”, que é a “dispensadora da redenção”. É ela, e somente ela, que “distribui e aplica por sua autoridade o tesouro das satisfações de Cristo e da Igreja”.

Portanto, só a Igreja, que é o “Sacramento universal da salvação da humanidade” (LG, 48), por vontade expressa do Pai e do Filho, pode conceder as indulgências. À Mãe Igreja, receptáculo do “dom de Deus”, como disse Santo Ireneu (?202), distribui aos seus filhos os méritos de Cristo e dos santos. Este é o “tesouro da Igreja”.

Talvez possa parecer a alguém que, através das indulgências, seja “fácil ou cômodo”se livrar das penas dos pecados. Mas é preciso lembrar que a Igreja é Mãe amorosa, que quer o bem dos seus filhos. Certa vez, o Cardeal Journet, falando das indulgências, contou uma passagem da vida do Cura d’Ars, São João Vianney:

“Um grande pecador tinha recebido do Santo Cura d’Ars a absolvição de seus pecados. Ele estava disposto a fazer fosse o que fosse para reparar as culpas cometidas. Mas impôs-se-lhe apenas uma penitência moderada, que ele considerou inadequada e o deixou perplexo. O santo Cura deu-lhe então uma resposta muito simples, mas profunda: ‘não temais, farei eu aquilo que falta'”. (Do livro Coração Indulgentíssimo de Jesus, de Hugo Ferreira Pinto, Ed. Vozes, 1998, Petrópolis, p. 45)

É exatamente isso que a Mãe Igreja faz pelo seu filho pecador penitente, deveras arrependido e desejoso de reparar as suas faltas por amor a Deus; Ela, com os méritos de Cristo ‘faz aquilo que falta’ para a salvação do filho. Isto explica as indulgências. Antes de subir para o céu, Jesus disse aos Apóstolos: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28,18), e esta autoridade Ele a conferiu à Sua Igreja. Jesus deu autoridade aos apóstolos para ensinar e agir em Seu próprio nome:

“Quem vos ouve a Mim ouve, quem vos rejeita a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou”. (Lc 10,16)



Related Posts: