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sábado, 10 de novembro de 2012

Para uma vida "com" Deus

Escrito por Padre Evaristo Debiasi 

A fé é o grande e dom que recebemos da parte de Deus, nosso bom Pai, como dádiva de seu eterno amor oferecido gratuitamente à humanidade em virtude dos méritos da redenção de Jesus Cristo, seu Filho amado, na ação do Espírito Santo.

Neste sentido a fé não é resultado de méritos humanos, mas, é obra da infinita bondade do amor de Deus. A vida cristã se move na compreensão deste amor. O Papa Bento XVI após celebrar “o ano missionário” e “o ano sacerdotal” nos conclama para celebrarmos “o ano da fé” num mundo que tenta viver sua vida sem Deus.

Sem a fé, Deus, o cristianismo e as religiões se transformariam em uma simples projeção de nossa mente e de nossas necessidades humanas, que não conseguem responder satisfatoriamente as questões sobre a vida. É assim que pensam os ateus.

O Papa Bento XVI com frequência nos adverte que o homem de nossos tempos busca viver sem Deus. É o ateísmo pratico que, por vezes, se expressa na vida de tantos de nós cristãos. Vive-se como se Deus e seus ensinamentos pouco significassem para a vida diária e opções a nível pessoal, familiar, social, de comunidade e convivência humana.

Há uma verdade a aceitar. A experiência humana através dos tempos, desde Adão e Eva até em nossos dias, demonstra que a negação de Deus veio sempre acompanhada da negação dos verdadeiros valores da vida, tendo por resultado o questionamento da dignidade e da qualidade da vida gerando a exclusão de multidões de pessoas pelo mundo.

“Ano da fé”. Mas do que se trata? Antes de tudo trata-se do convite de irmos ao encontro da Pessoa de Jesus como o nosso único Salvador e Redentor. Trata-se de conhecer, amar e de viver melhor a mensagem salvadora dos Evangelhos, como de conhecer mais de perto as grandes verdades e ensinamentos da Igreja de Jesus. Enfim, entender melhor o que significa viver e existir como cristão no mundo de hoje.

O Papa João Paulo II já nos dizia que “se tem instalado em muitos um sentimento religioso vago e pouco comprometido com a vida levando muitos a viverem como se Deus não existisse” 23/11/95. Bento XVI recentemente nos falou que “nas grandes religiões do mundo a fé corre o risco de se apagar como uma chama que já não encontra alimento. Por isto estamos enfrentando uma profunda crise de fé, uma perda do religioso, que é um desafio para a Igreja de hoje”. Há infelizmente um verdadeiro cansaço da fé, tendo por preço a morte da religiosidade.

O ano da fé foi proclamado por Bento XVI com o objetivo de tirar os cristãos deste cansaço da fé e da não importância em viver uma vida cristã medíocre. É um convite para colocarmos Deus em nossa vida. O que sempre mais precisamos saber é que a vivência da fé é inseparável do amor a Deus e do amor ao próximo. “A fé, sem as obras, está completamente morta” (Tg 2,17).

“Desejo que o Ano da fé possa contribuir, com a colaboração cordial de todos os componentes do Povo de Deus, para tornar novamente Deus presente neste mundo e para abrir os homens ao acesso da fé ao confiar-se a Aquele Deus que nos amou até o fim”
(Bento XVI, proclamação do Ano da Fé).

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Fé sem fronteiras

"Jesus atravessou territórios por amor ao homem"
Foi atravessando os desertos do preconceito que Jesus adentrou no território mais sagrado do ser humano: o coração. Em regiões pagãs onde cada tarde anunciava o fim das esperanças, Ele devolvia a cada pessoa o direito de ver o dia renascer com cores de ressurreição. Onde os limites das fronteiras da impureza serviam como obstáculos para a vivência do amor incondicional, Jesus Cristo ajudou cada um dos que Dele se aproximavam a descobrir que a Fé que carregavam na alma era sem fronteiras.
Foi em um dia onde o sol escondia o brilho de uma linda manhã que se aproximou de Jesus uma mulher, cuja filha era atormentada por um demônio. Aquela mulher carregava na vida uma noite que não permitia a sua filha contemplar a estação de um novo tempo onde as flores pudessem devolver à vida a beleza de outros tempos. Nos limites da vida ela reconhecia em Jesus aquele que poderia ajudar a sua filha a vislumbrar uma manhã de possibilidades.
Diante de Jesus aquela mulher reconhece sua condição de pagã. O fim das esperanças anunciada por muitas tardes começava a se transformar em sinais de um novo tempo que iria chegar. Jesus olhou além das aparências que aquela mulher trazia impressa nas páginas da história de sua vida já cansada de sofrimentos e dores. O olhar de Cristo adentrou o território pagão daquela vida e reconheceu no grito de uma mãe que clamava pela cura de sua filha, uma Fé que ultrapassava os limites das palavras. O clamor das lágrimas de outrora acendeu a chama da Fé adormecida no coração daquela mulher e transformou o inverno de angustias em uma linda manhã de primavera.
Diante da dor estacionada no coração de cada ser humano os limites da Fé poderiam ultrapassar as fronteiras que impediam a vivência de uma nova vida de plenitude e paz. E foi assim que dois cegos se aproximaram de Jesus. Enquanto Jesus passava, os olhos da alma daqueles cegos se abriram para a possibilidade de terem a dignidade de suas vidas resgatadas. Diante dos olhares daquela sociedade eles haviam sido condenados por Deus, por terem cometido algum pecado muito grave. Excluídos da sociedade conviviam com o peso de carregarem nos ombros uma impureza imposta por outros.

Jesus ao curar aqueles cegos desmascara um sistema religioso opressor que impedia os doentes de se sentirem amados por Deus. Os olhos da vida são abertos para que aqueles dois cegos possam testemunhar a misericórdia de um Deus que se compadece com a dor de seus filhos. As alegrias de um novo tempo deixaram para trás as noites da condenação. Eles agora podiam caminhar na luz de um novo tempo nascido da Fé que carregavam no coração. Só pode se despedir do medo quem com a Fé aprendeu a caminhar na confiança da misericórdia de Deus.

As fronteiras da Fé se tornam sem limites a partir do momento em que as cercas da desconfiança são derrubadas e os campos da esperança são unidos pelo amor que depositamos em Deus. O que nos une em Cristo é a Fé que carregamos em nosso coração. Se nas incertezas da vida o medo quiser fazer morada em nossa alma será preciso construir um caminho que uma a nossa esperança ao amor que Cristo tem por cada um de nós. As tardes da vida somente são poéticas e belas quando a Fé é a certeza plena de um novo amanhecer.

Padre Flávio Sobreiro- Arquidiocese de Pouso Alegre - MG.

sábado, 3 de novembro de 2012

Amor que Santifica


O QUE É O AMOR?

É algo tão sublime como o é Deus, e com ela nos referimos também aos atos da mais baixa moralidade.

Tão pouco específica é esta palavra, que chegou a poder expressar quase que qualquer coisa; Quando os apóstolos escreveram o Novo Testamento, sua linguagem era mais rica que a nossa.

A palavra mais comum para a noção quotidiana de amor era eros, algo semelhante ao nosso uso mais habitual da palavra amor.

Denotava o amor mútuo entre cônjuges, o amor paternal e o filial, o amor entre os amigos, um princípio nobre e belo.

Quando o apóstolo João tomou sua pena para escrever a gloriosa expressão: “Deus é amor”, não pôde escrever “Deus é eros”, I JO 4, 8

Por mais nobre e belo que o eros pudesse parecer, teve que escrever : “Deus é ágape”.

Se iniciou assim um debate que já dura mais de dois mil anos, a respeito destas duas idéias contrapostas de Deus.

I Coríntios 13,1 Que maravilhosa palavra PAULO traz para aqueles que necessitam do AMOR AGAPE nos corações: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse ágape, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.”

I Coríntios 13,2 Para quê serve o conhecimento e a fé, se falta o ágape? “E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse ágape, nada seria.”



I Coríntios 13,3 Se repartir os seus bens com os pobres, e até chegue a morrer como mártir, mas carecendo de ágape, de quê serve? “E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse ágape, nada disso me aproveitaria.”

POR ISSO João nos diz em I João 4,7-8 “Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o ágape é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é ágape.”

Se você possui esse amor ágape pode VIVER intensamente a santificação de JESUS em sua vida. Com a profundidade do AMOR caminhamos com confiança na presença de Deus, entre anjos e santos!

No AMOR ágape não há temor, antes o perfeito AMOR ágape lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em ágape.

O ágape não faz mal ao próximo.” É um assunto de vital importância.

O apóstolo Tiago afirma (Tiago 2,10) que “qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos”.

Muitos crêem ser bons cristãos, porque supõem que sabem como amar.

No final, entretanto, haverão de ouvir as palavras do Senhor dizendo-lhes: “Nunca vos conheci” (Mateus 7,22 e 23). Porque vivemos um amor de interesse, um amor EROS e não AGAPE.

Jesus adverte: não confunda “eros” com “ágape”

Mateus 5:46 e 47 “Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?”

É um tipo de amor “eu-amo-a-quem-me-ama”.

A SANTIDADE VEM DA VIVENCIA DO AMOR…
Porque o próprio JESUS diz: “Eu, porém, vos digo: Amai [com ágape] a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus”

Olha para a cruz do Calvário se queres uma prova tangível de Seu amor.

O Céu te observa com intenso interesse, para ver o que tu irás fazer.

“Lance sobre ELE a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós” I Pedro 5:7

sábado, 5 de maio de 2012

A Graça Santificante

A Santíssima Virgem, no primeiro instante de sua existência, foi enriquecida por Deus com uma imensa plenitude de graça, superior à de todos os Anjos e Santos reunidos.

Maria - escreve o Côn. Campana - foi concebida toda brilhante de santidade e de inocência. A saudação que Lhe fez mais tarde o Arcanjo Gabriel: Ave gratiae plena, poder-lhe-ia ter sido dirigida logo no primeira instante em que sua alma, saindo das mãos de Deus, foi unida a seu corpo. Desde então, a Bem-aventurada Virgem sobrepujou a todos os Santos,
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  "Nosso Senhora do Coromoto" Seminário
   dos Arautos do Evangelho, São Paulo,
   Caieiras                         Timoty Ring
mesmo aqueles que fizeram nas vias da justiça as mais ousadas e admiráveis ascensões.
Passemos, pois, a considerar essa plenitude de graça na Santíssima Virgem.

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A graça santificante

Antes de tudo, ouçamos uma breve explicação sobre a graça santificante:

Esta expressão plenitude de graça, refere-se, segundo o sentido habitual da Escritura, à graça propriamente dita, que se distingue realmente da natureza humana e da angélica, como um dom de Deus inteiramente gratuito, que excede as forças naturais e as exigências de toda natureza criada e mesmo criável. A graça habitual ou santificante nos faz participar da própria natureza divina ou de sua vida íntima, segundo as palavras de São Paulo (II Ped. I, 4): "(Jesus Cristo) nos comunicou mui grandes e preciosas graças, a fim de que por elas nos tornássemos consortes da natureza divina."

Pela graça nos tornamos filhos adotivos de Deus, seus herdeiros e co-herdeiros do Cristo (Rom. VIII, 17); por ela somos nascidos de Deus. Ela nos torna aptos a receber a vida eterna como uma herança e como a recompensa dos méritos, dos quais ela é o princípio. Ela é mesmo o germe da vida eterna, sêmen gloriae diz a Tradição, enquanto ela nos dispõe, desde já, a ver a Deus como Ele se vê a si mesmo e a amá-lo como Ele se ama.

Esta graça habitual ou santificante é recebida na própria essência de nossa alma como um enxerto sobrenatural que sobreleva sua vitalidade, a deifica. Desta graça derivam para nossas faculdades as virtudes infusas, teologais e morais, e também os sete dons do Espírito Santo; quer dizer, tudo o que constitui nosso organismo sobrenatural. Segue-se daí que pela graça habitual a Santíssima Trindade habita em nós como num templo onde Ela é conhecida e amada.

A graça à qual se refere essas palavras do Anjo: Ave, gratia plena, é, portanto, superior às forças naturais e às exigências de toda natureza criada e criável. Sendo uma participação da natureza divina ou da vida íntima de Deus, ela nos faz entrar, propriamente, no reino de Deus, imensamente acima dos diversos reinos da natureza, que se podem chamar reinos mineral, vegetal, animal, humano e mesmo angélico (...)

O menor grau de graça santificante contido na alma de uma criancinha batizada, vale mais que o bem natural de todo o universo, mais que todas as naturezas criadas, inclusive as angélicas. Existe aí uma participação da vida íntima de Deus que é superior a todos os milagres e outros sinais exteriores da revelação divina, ou da santidade dos servos de Deus (...)

É desta graça, germe da glória, que se trata na palavra dirigida pelo Anjo a Maria: Deus te salve, cheia de graça!

E o Anjo devia notar que, embora tivesse ele a visão beatífica, aquela Santa Virgem possuía um grau de graça santificante e de caridade superior ao dele: o grau que convinha para que Ela se tornasse, nesse mesmo instante, a digna Mãe de Deus. (...)
Três graus distintos de plenitude de graça

Cumpre assinalar, tratando-se da plenitude de graça em geral, que esta existe em três graus muito diferentes, em Cristo, em Maria e nos Santos. São Tomás o explica em diversas passagens.
- Plenitude de graça própria a Jesus Cristo
Existe, primeiramente, a plenitude absoluta de graça que é própria ao Cristo, Salvador da humanidade. Segundo a potência ordinária de Deus, não poderia haver graça mais elevada e mais extensa que a sua. É a fonte eminente e inesgotável de todas as graças que recebeu e receberá a humanidade inteira, depois da queda de Adão (...)
- Plenitude de graça de Maria
Em segundo lugar, existe a plenitude dita de superabundância, que é o privilégio especial de Maria. (...)
- Plenitude de graça dos Santos

E há, por fim, a plenitude de suficiência que é comum a todos os Santos, e que os torna capazes de cumprir os atos meritórios (...) e alcançar a salvação eterna.

Entremos agora a tratar da graça santificante em Maria - em seu início, em seu progresso e em seu termo.
A graça inicial de Nossa Senhora

A Santíssima Virgem foi ornada pela graça santificante desde o primeiro instante de sua conceição. Esta é a sentença completamente certa em teologia.

Se Maria foi preservada de incorrer na culpa original, se foi, desde o primeiro instante de sua existência terrena, amiga de Deus, isto se deu por força da graça santificante, recebida nesse momento de Deus. Dizer-se, portanto, que Maria não esteve jamais, nem por um instante, sujeita à culpa, que é a morte da alma, equivale a reconhecer que sua alma bendita esteve sempre adornada pela graça, e, por isso mesmo, foi sempre objeto das complacências divinas.
- De que modo Maria foi santificada

Admitem comumente os teólogos que Maria foi santificada de modo consciente, desde o primeiro instante de sua vida terrena. É certo que já aí esteve Ela o pleno e perfeito uso da razão. Na verdade, argumenta Suárez, o uso da razão, mesmo antes do nascimento, foi concedido a São João Batista em sua santificação, como consta em São Lucas (I, 42).

Ora, se o uso da razão foi concedido a esse grande Santo, tanto mais terá sido concedido a Maria. Pois acrescenta o
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                Nossa Senhora do Carmo
doutor exímio, todo privilégio de graça que haja sido concedido a qualquer criatura, não é verossímil haja sido negado a Maria.

Dotada de tal faculdade, Ela, desde o primeiro instante de sua existência, teve logo o conhecimento de Deus e, portanto, com um ato de seu livre arbítrio, se lançou com todo o afeto de seu coração para Ele, num movimento de perfeitíssimo amor. E deste modo se dispôs, com seus atos pessoais, para sua santificação.

Compreenda-se bem, contudo, que esta descrição não quer dizer que Maria tivesse amado primeiro a Deus, para assim, merecer sua santificação. Todos esses seus atos iniciais só podiam alcançar e agradar a Deus, porque já eram movidos e inspirados pela graça divina: Deus A amou primeiro, e o que havia de bom n'Ela e o que Ela fazia de bem, já era efeito desse amor de Deus por Ela.
- Em que grau foi santificada

A graça santificante, em sua intensidade, por infindáveis graus, pode ser mais ou menos perfeita. Pois bem, em que grau de intensidade a recebeu Maria no primeiro instante de sua existência?

Se interrogarmos os Mariólogos, responder-nos-ão em coro que é muito difícil formar uma idéia a respeito da graça concedida à Virgem Santíssima naquele primeiro instante. Não foi, certamente, uma graça comum; deve ter sido, portanto, uma graça especialíssima.

a) Os Teólogos declaram, como o Doutor Angélico, que a graça concedida a Maria em sua primeira santificação, ou sejam a sua graça inicial, superou de longe a medida da graça concedida ao maior dos Santos entre os homens, e ao mais sublime dos Anjos, no primeiro instante da santificação dos mesmos.

O Pe. Terrien assim exprime esta opinião: "Se me interrogardes qual foi em Maria a perfeição da graça, quando Ela saiu radiosa e pura das mãos, digamos antes, do coração de Deus, eis de início uma resposta incontestável: jamais criatura, em sua primeira santificação, recebeu uma graça semelhante. Recordemos o grande princípio: Todo dom de graça concedido pela liberalidade divina a qualquer criatura que seja, Maria o recebeu em medida igual ou superior. Portanto, dado que a perfeição da graça inicial é manifestamente um benefício sobrenatural de Deus, ela foi, em grau supereminente, o privilégio de Maria.

Ademais, a intensidade da graça se revela por seus efeitos. Ora, um dos efeitos desta primeira graça em Maria foi de preservá-La para sempre de toda inclinação ao mal, e de confirmá-La absoluta e plenamente no bem. Portanto, também esse título Ela sobrepuja a primeira graça dos homens e dos Anjos: pois nem em uns, nem em outros, a santificação inicial teve, no mesmo grau, esse duplo efeito.

Ninguém, portanto, teve, em sua primeira santificação, tanta graça quanto teve a Virgem Santíssima.

b) Mas isto é muito pouco para Maria. De sorte que os doutores marianos, tendo à frente Suárez, avançam mais adiante seu confronto e nos dizem que a graça concedida à Virgem Santíssima em sua primeira santificação, ou seja, sua graça inicial, superou em intensidade a graça do mais santo dos Anjos e dos homens quando consumada, ao fim de sua provação.

c) Mas os Mariólogos ainda não estão contentes com isso. Vão mais adiante e nos dizem com Suárez, que a Virgem Santíssima provavelmente recebeu, no primeiro instante de sua existência, mais graça que todos os Anjos e Santos reunidos. A graça inicial de Maria teria, portanto, superado a graça inicial de todos os Anjos e de todos os Santos, somados. Com efeito, a graça como ensina Suárez, corresponde sempre ao amor de Deus por nós e está em proporção com o mesmo. Ora, a Virgem Santíssima, desde o primeiro instante de sua existência terrena, foi mais amada por Deus do que todos os outros, Anjos e homens, tomados coletivamente. Portanto, também a graça que Ela recebeu devia superar a concedida a todos os Anjos e Santos reunidos 9cfr. Suárez, De Incar., disp. 4, sect. 1)

d) Mas, uma vez admitido esse princípio, que é verdadeiríssimo e não pode se posto em dúvida, alguns Mariólogos vão ainda mais longe e concluem, sem mais, que a graça inicial de Maria superou a graça final (ou consumada) de todos os Anjos e de todos os Santos, coletivamente tomados.

E com efeito: qual é a medida que o Senhor usa ao distribuir suas graças? Já o dissemos, mas convém repeti-lo: é a união mais ou menos estreita e o amor mais ou menos intenso que Ele tem para com as criaturas. Ora, que união mais estreita e mais íntima se pode conceber do que a que existiu entre Deus e Maria, sua Mãe? Que amor maior, mais ardente? Não é, realmente, verdade que, desde o primeiro instante de sua conceição, Maria foi amada por Deus como sua futura Mãe e, portanto, mais que todos os outros Santos e todos os Anjos tomados juntos, mesmo considerados no auge de sua perfeição? Isto posto, como negar que Ela, desde o primeiro instante, tenha recebido uma graça mais copiosa e mais intensa do que todos os outros, tomados coletivamente, ao chegarem ao último estágio de sua santificação? Portanto, Maria começa onde os outros acabam. Do ponto aonde os outros chegam na via da perfeição, Ela, com um magnânimo impulso, começa a percorrer sozinha uma estrada quase infinita.

Oh! Sim! Reunamos, ao menos com pensamento, os méritos de todos os Anjos e Santos, em todos os séculos, a obediência dos Patriarcas, a fidelidade dos Profetas, o zelo ardente dos Apóstolos, a invicta constância dos Mártires, a fé viva dos confessores, os ardentes suspiros das viúvas, a inviolada pureza das Virgens, todos os exemplos de virtude com que a Terra foi edificada e o Céu rejubilado; imaginemos, se possível, todas as torrentes de graça e benção que correram
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  Igreja de Santa Maria, Kitchener, Canadá
                                       Gustavo Kralj
através dos séculos, descendo das mãos de Deus e ainda não teremos coisa igual ao oceano de graças que Deus infundiu na Virgem Santíssima no primeiro instante de sua Conceição Imaculada. Desde aquele instante, Ela foi mais pura, diante de Deus, mais santa e mais aceita a seus olhos, mais cara a seu divino coração, do que todas as outras criaturas juntas. Na verdade: "Diligit Dominus portas Sion super omnia tabernacula Jacob" - O Senhor ama as portas de Sião mais do que todas as tendas de Jacob. Realmente: "Fundamenta ejus in montibus sanctis" (Sl LXXXVI, 1). Seus fundamentos forram postos sobre os montes de Sião.

A graça de Maria, comparada à dos Santos, é como um sol comparado a um raio, como um oceano comparado a um rio, como um rio comparado a uma gota. A progressividade da graça em Nossa Senhora

Por maior e intensa que tenha sido a graça concedida a Maria no primeiro instante de sua existência terrena, ou seja, em sua primeira santificação, ainda estava bem longe de alcançar o máximo grau de intensidade e de extensão possível. Podia, portanto, como a de todos os justos, crescer cada dia mais em grau e intensidade, até o termo de sua existência terrena.

Com efeito, o Concílio de Trento ensina (cân. 24, sess.VI) que todas as almas, enquanto estiverem no estado de viandantes (isto é, até que tenham chegado à beatitude eterna) podem sempre aumentar com as boas obras o tesouro de sua graça. À maneira de sóis, irradiam uma luz cada vez mais intensa à medida que avançam em seu curso.

Ora, Maria Santíssima, durante toda a sua vida, esteve no estado de simples viandante, ou seja, não gozava da visão beatífica, ao menos de modo permanente. Pode sempre, portanto, avançar mais para o termo último da viagem que é, justamente, a celeste bem-aventurança.

A este propósito, Nicolas aduz oportuno esclarecimento: "A Imaculada Virgem não cessou de receber novas graças, de crescer em perfeição e santidade, não obstante ser sempre cheia de graça. Como pode ser isto? Só existe uma espécie de plenitude em um vaso material; de sorte que, estando cheio, nada mais pode receber. Porém, uma alma cheia de graça pode receber sempre novas plenitudes, porque recebe ao mesmo tempo novas capacidades. A graça divina engrandece a alma enchendo-a, e a enche engrandecendo-a. E todo cristão faz ou pode fazer, sob tal aspecto, a experiência de tão maravilhosa operação da graça, cuja perfeição se manifesta em Maria."

Mas, de quantos modos podia verificar-se em Nossa Senhora esse contínuo crescimento da graça?

De três modos, respondem os teólogos, a saber: ex opere operantis (em virtude da atividade do agente); ex opere operato (em virtude do próprio ato realizado e não em virtude da atividade do agente); e pela oração de súplica (via de impetração gratuita).

Padre Rufus esclarece os mitos sobre as possessões

Padre Rufus concedeu neste domingo uma coletiva de imprensa na sede da Canção Nova
Existem muitas verdades e mentiras sobre as possessões demoníacas. São muitas as histórias, filmes e explorações midiáticas sobre o assunto. O noticias.cancaonova.com perguntou ao presidente da Associação Internacional para o Ministério de Libertação e vice-presidente da Associação Internacional de Exorcistas, padre Rufus Pereira:  O que é verdade e o que é mentira quando falamos sobre possessões demoníacas? Quais são os maiores mitos?

“É uma grande pergunta e fundamental, pois como em tudo pode haver dois extremos: um extremo é dizer que o demônio não existe. Isso é muito contrário ao que diz na Bíblia. No outro extremo estão as pessoas que veem o demônio em toda parte, que culpam o demônio por tudo, mesmo por aquilo que é culpa delas próprias", responde padre Rufus, que participa nestes dias do Acampamento de Cura e Libertação na sede da Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP).

O sacerdote indiano salientou durante a entrevista coletiva na manhã deste domingo, 13, que graças aos encontros de cura e libertação que acontecem na Canção Nova, onde ele esteve pela primeira vez em 1999, muitas coisas aconteceram, mas muitas outras coisas poderiam acontecer.

"Da mesma forma devemos evidenciar os dois extremos: pessoas dizendo que não tem nada a ver com o demônio, que basta ir a um bom médico, um psiquiatra, e outras no outro extremos dizendo que não é preciso recorrer a medicina, aos psicólogos, basta recorrer a um exorcista", reforça.
Possessões demoníacas x doenças físicas e mentais
Para padre Rufus, a questão básica desse problema todo é o discernimento, não é simplesmente conhecer o ensinamento teórico da Igreja como um todo, mas entender a vivência na prática.

“Meu maior desejo é que pudesse dar esse tipo de encontro para a conferência episcopal de cada país, para que a gente possa evitar os dois extremos: ver o demônio em toda parte e não tomar as atitudes necessárias na busca de um médico, ou não acreditar que o problema da pessoa não é causado por germes ou infecções, por algo físico, mas algo espiritual”, destaca.
Outro ponto importante, segundo ele, é conhecer o ensinamento da Igreja que claramente revela do primeiro ao último livro da Bíblia a verdadeira existência do demônio e não somente isso, mas que ele continua trabalhando.
“Nossos primeiros pais, Adão e Eva, Jesus mesmo foi tentado por satanás. E eu tenho visto isso acontecendo todos os dias, nos últimos 40 anos, casos de pessoas que sofrem pela influência de satanás”, diz o vice-presidente da Associação Internacional de Exorcistas.
Os médicos e a compreensão do exorcismo
Padre Rufus conta que em setembro deste ano foi convidado pela terceira vez para dar um retiro sobre o Ministério de Cura Interior e Libertação para os membros da Associação dos Terapeutas católicos na Itália.
“Foi a terceira vez que fui convidado para falar aos mais renomados psiquiatras da Itália, então você pode compreender que eles acreditaram no que eu disse nas vezes anteriores e eles já me convidaram para o próximo ano. Lá encontrei casos incríveis”,  afirma.
Um desses casos encontrado na Itália por Padre Rufus foi o de uma mulher, entre 50 e 55 anos, que vivia junto com seu marido e seu filho. Ele conta que a medida que ia conversando com a mulher, o inimigo se manifestou.
“O marido teve que segurá-la firmemente porque ela queria pular sobre mim e me enforcar. Então comecei a rezar silenciosamente olhando para ela e aos poucos suas mãos foram relaxando”, explica.
E na medida em que o sacerdote conversava com a mulher e seu esposo, pôde ver que ela estava sendo afetada desde o momento de sua concepção.
“Eu não fiz uma oração especialmente, somente fiz como Jesus fazia, olhei para ela com grande amor e grande fé, e sua mãos foram relaxando até o ponto que o marido não precisava mais segurar, então ela me deu um beijo no rosto e foi liberta”, afirma.
O sacerdote indiano salienta que sempre quando alguém se apresenta a ele, ele pergunta se a pessoa já esteve num médico, pois não se pode deixar de lado a medicina. Em todos os casos, nas doenças físicas, psicológicas e psiquiátricas, bem como nas influências e possessões demoníacas, a cura está nas mãos de Deus.
“O que o homem não pode fazer, Deus faz, porque Ele é um Deus de amor, nosso Pai”, conclui Padre Rufus.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Perseverança até quando?

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Somos chamados ao heroísmo da fé
O ser humano é realmente frágil diante das agruras da vida. Somos capazes de grandes heroísmos. Mas diante da presença do mal, das oposições contínuas de gente mal-intencionada, sentimos a falta de coragem. A tentação da fuga, pura e simples, é uma alternativa aliciadora. “Todos os discípulos, deixando-o, fugiram” (Mt 26, 56). Nisso somos parecidos com os animais que, diante do perigo, por instinto de conservação, fogem rapidamente.

Os homens, por educação ou por graça divina (martírio), têm a capacidade de resiliência. Essa capacidade nos faz esperar que os tempos mudem, e tudo pode tomar um rumo novo. As pessoas, – homens ou mulheres, e até jovens – que têm perseverança e firmeza de conduta tornam-se arrimo para outros mais frágeis. Os que têm personalidade, e não se deixam desviar dos seus intentos, são líderes e vencedores. Essas pessoas se tornam heroínas pelo fato de abrirem caminho aos pusilânimes. Mas a perseverança é virtude proposta a todos, não só aos heróis. Este desafio nos é aberto em dois sentidos.
Antes de tudo, somos chamados ao heroísmo da fé. A tentação do desânimo, de abandonarmos a fé diante de outras propostas mais tentadoras, de alcançarmos a solução dos problemas pela via rápida dos milagres fáceis, pode nos fazer balançar. “Maldito seja aquele que vos anunciar um evangelho diferente daquele que eu anunciei” (Gal 1, 8).

A Igreja possui a doutrina de Jesus (imagem do Pai). Nesta doutrina seremos perseverantes e seguiremos o que ensinavam os apóstolos: “Sede firmes na fé”. Entre nós católicos há muitos que se deixam seduzir com facilidade, e abandonam a fé do seu batismo, para aderirem a soluções menos complicadas. Outro chamado, feito a todos, é de sermos perseverantes na prática do bem. Trabalhar gratuitamente em benefício dos outros pode cansar. As ingratidões e a falta de compromisso podem nos levar ao desânimo e a “jogar tudo para cima”. É mais fácil ter vida mansa e assistir tudo de camarote. Mas a Escritura nos alerta: “Quem for perseverante até o fim, este será salvo” (Mt 10, 22).
Dom Aloísio Roque Oppermann scj
Arcebispo Emérito de Uberaba - MG