Este
curioso título foi atribuído a um quadro milagroso da Virgem Santíssima
exposto numa igreja da capital austríaca e objeto de profunda devoção
popular
“Unsere Liebe Frau mit dem Geneigten Haupt!” (Nossa Senhora com a cabeça inclinada).
Assim é conhecido em toda Áustria o quadro milagroso encontrado em Roma
(1610) pelo carmelita descalço, venerável Frei Domingos de Jesus, em
meio a escombros de uma casa abandonada. Ele o compraria para a sua
Ordem — da qual mais tarde foi superior geral (1617-1620) – e há mais de
200 anos é venerado na igreja dos carmelitas, no bairro vienense de
Döbling. Após encontrar o quadro, o religioso levou-o para sua cela, limpou-o e
passou a venerá-lo. Certa vez em que se ajoelhou diante dele para pedir
um favor a Nossa Senhora, percebeu que ainda havia pó. Limpou-o então
imediatamente com um pano, dizendo para consigo: “Ó Virgem Pura! Não
há nada no mundo digno de tocar vosso rosto para limpá-lo. Mas, uma vez
que não tenho nada de melhor que este pano, aceitai assim a minha boa
vontade”.
O primeiro milagre
Então viu que a cabeça da imagem, antes ereta, inclinou-se em sinal de
gratidão por esse ato de amor, permanecendo nessa posição. Ao mesmo
tempo, ouviu as seguintes palavras de Maria: “Não temas, meu filho,
porque tua intenção foi bem recebida, e como recompensa pelo amor que
tens para com meu Filho e para comigo, pede uma graça”.
Imediatamente Frei Domingos pediu que um benfeitor falecido fosse
livrado do purgatório. Maria prometeu atender a seu pedido, desde que
mais algumas missas fossem celebradas por aquela alma. Depois de alguns
dias, a Mãe de Deus lhe apareceu com aquela alma redimida. O religioso pediu ainda à Virgem Santíssima que todos aqueles que
venerassem com devoção aquela imagem fossem atendidos
misericordiosamente. A Santíssima Virgem lhe respondeu. “Todos
aqueles que Me venerarem com devoção diante deste quadro e procurarem em
mim o seu refúgio, atenderei seus pedidos e lhes concederei muitas
graças; mas ouvirei especialmente aqueles que pedirem consolo e salvação
para as almas do purgatório”.
Esta promessa lhe foi feita em Roma em 1610. Em seguida ele colocou o
quadro para veneração pública na igreja de seu mosteiro – o Maria della Scala.
O quadro chega a Viena
Tendo-se tornado conselheiro de Fernando II (1629–1630), Imperador do
Sacro Império, Frei Domingos passou a residir em Viena, onde faleceu em
16 de fevereiro de 1630. Enterrado na igreja dos carmelitas de
Leopoldstadt, próxima do centro, seu corpo foi transferido para o
mosteiro carmelita de Döbling, bairro mais afastado.
Frei Domingos contou ao imperador a história do quadro e dos milagres operados pela intercessão de Nossa Senhora com a Cabeça Inclinada
— como a devoção tornou-se doravante conhecida. O soberano pediu à
Ordem do Carmo – da qual era grande benfeitor – que o quadro fosse
enviado a Viena, o que realmente aconteceu um ano após a morte do
religioso. Passou então a ser venerado na capela do Hofburg, o palácio
imperial, e tanto Fernando II como sua piedosa esposa Eleonora lhe
tinham profunda e terna devoção.
Em uma nova manifestação milagrosa, a Santíssima Virgem prometeu ao imperador: “Eu
protegerei sempre a Casa d’Áustria com minha intercessão junto a Deus e
a elevarei em seu poder enquanto ela permanecer piedosa e me for
devotada”. Alguns historiadores contam que esta revelação foi feita
pela Mãe de Deus ao imperador quando este consagrou a Casa d’Áustria e
seu império à Imaculada Conceição, em cuja homenagem mandou erigir um
grande monumento que ainda hoje pode ser visto na praça Am Hof, na
capital austríaca.
Após a morte da imperatriz Eleonora, ocorrida em 1655, o quadro foi
levado para a igreja dos carmelitas em Leopolstadt, ali permanecendo até
1901. Foi então transferido para o novo convento da Ordem em Döbling,
onde se encontra atualmente. Essa devoção acompanhou e confortou a
Imperatriz Zita (1892-1989) em todas as suas viagens e fases da vida. Durante as duas guerras mundiais, essa devoção foi de enorme alento
para os austríacos. O povo afluía constantemente e em grande número ao
Santuário de Döbling. Em três ocasiões, durante a primeira guerra, o
quadro foi levado em procissão por aproximadamente 50 mil fiéis até a
catedral de Santo Estêvão.
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Frei Domingos de JesusNascido na Espanha em 16 de maio de 1559 e batizado com o nome de
Domingos Ruzzola, entrou cedo para a Ordem dos Carmelitas Descalços,
reformada recentemente pela grande Santa Teresa. Dotado de dons
proféticos, curou doentes e chegou até a ressuscitar mortos. Favorecido
pelo discernimento dos espíritos, lia as consciências. Os Papas Clemente
VIII, Paulo V, Gregório XV e Urbano VIII convocaram-no para
Consistórios e o consultavam com frequência sobre importantes problemas
da Igreja.
Em 1620, na Boêmia, por ocasião da Guerra dos Trinta Anos, o venerável
Frei Domingos desempenhou, juntamente com Maximiliano, duque da Baviera,
o conde Charles Bonaventure de Longueval e o conde de Bucquoy, atuação
semelhante à do célebre Frei Marco d’Avino no cerco de Viena de 1683:
coligou as forças católicas e assistiu aos soldados em suas
necessidades, inspirando-lhes as virtudes cristãs e a coragem na luta.
Deu também larga contribuição para a importante vitória da Liga Católica
na batalha de Weissen Berg, perto de Praga, e previu a morte de Gustavo
Adolfo II – o rei da Suécia que assolou a Europa de 1630 a 1632,
infligindo grandes reveses aos católicos e tratando os vencidos com
extrema crueldade.
Fonte: www.catolicismo.com.br

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