sexta-feira, 10 de julho de 2026

Profeta Ezequiel: a renovação pelo Espírito


Nossa caminhada e o desvio do propósito

Em que ponto estamos na caminhada? Quão perto estamos daquilo para o qual fomos criados? Perdemo-nos em tantos atalhos… Nosso coração se endurece e resiste em desfrutar da graça que lhe é concedida. Tornamo-nos um povo que já não ouve a voz d’Aquele que quer nos conduzir ao lugar da nossa bem-aventurança.


A salvação como pura graça e a promessa de um coração novo
No livro do Profeta Ezequiel, encontramos um Deus que salva o seu povo não para cumprir as suas promessas, mas para defender a honra de seu nome. A salvação aqui não é recompensa por um “retorno” do povo ao caminho de Deus, à prática da Lei, mas pura graça do Senhor. É o próprio Deus que dá um coração novo e que infunde no homem um espírito novo:

“Dar-vos-ei um coração novo, porei no vosso íntimo espírito novo, tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ezequiel 36, 26).

A graça de Deus vem ao encontro do homem mesmo antes que este se arrependa de ter se desviado do caminho de fidelidade. É claro que, conforme cada ser humano dá passos na intimidade com Deus, o Espírito Santo vai conduzindo-o a uma contrição cada vez mais perfeita. O primeiro passo, contudo, sempre é de Deus. Ele nos amou primeiro (I João 4,19).

O contexto histórico e a missão sacerdotal do profeta Ezequiel
O profeta Ezequiel esteve entre os exilados da Babilônia e, ali, exerceu todo o seu ministério entre os anos 593 e 571 a.C. Um profeta sempre recebe de Deus a sua missão, e a de Ezequiel foi guardar o culto da Lei, separando o que era sagrado do que era profano. Ele era um sacerdote e, naturalmente, já se dedicava às necessidades do Templo, mas Deus usou deste zelo também em sua missão de profeta — tanto para o Templo presente, que se encontrava maculado pelos ritos impuros, quanto para o futuro Templo, que Ezequiel descreveu detalhadamente e para o qual viu Deus voltar.

Assim precisa acontecer com o nosso coração: uma purificação pelo Espírito Santo, de forma que Deus possa ali habitar. “Uma pessoa que ama a Deus só tem intenção de unir-se inteiramente a Deus” (Santo Afonso de Ligório).


Oráculos e visões: o mistério da benevolência divina
Além de exercer as funções de sacerdote, Ezequiel também foi um profeta em ação. Profeta ao proferir oráculos de censura e ameaças contra os israelitas antes do cerco de Jerusalém; profeta nos oráculos contra os infiéis e seus cúmplices; profeta ao consolar o seu povo, durante e após o cerco, trazendo as promessas de Deus que asseguravam um futuro melhor. Em sua obra, o Profeta Ezequiel apresenta visões importantes, manifestando um mundo fantástico, tais como a visão dos quatro seres viventes que sustentam o trono de Deus, os ossos ressequidos que recobram a vida pelo Espírito de Deus e o Templo novo, de onde brotava um rio que aumentava rapidamente de profundidade — rio este que traria vida e fecundidade por onde passasse. Todas as visões criam um ambiente em que se contempla o mistério do divino, a grandiosidade de Deus e também a Sua benevolência.

Deus, em sua bondade e misericórdia, quer nos dar um coração novo. É preciso acolher tudo o que o Espírito Santo está movendo e purificando em nós. Assim, teremos um coração de carne, e não mais um coração carnal. Pulsará, então, em nós um coração tão humano, humilde e simples, que reconhecerá a voz de Deus, seguí-Lo-á e viverá somente do Seu amor. Um coração que andará nos Seus caminhos e que não se desviará pelos atrativos do mundo, pois já não encontrará nada que o atraia como o Senhor o atrai.

Autora: Débora Rodrigues
Membro da C. Canção Nova

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