
A Equipe de Reflexão do Setor Música Litúrgica da Comissão Episcopal para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reuniu cerca de 30 pessoas de várias partes do país no 17º Encontro de Compositores. Realizado entre os dias 4 e 7 de setembro, no Instituto Pio XI, em São Paulo (SP), o encontro teve a proposta de refletir e aprofundar o tema “A Música Brasileira na Liturgia”.
De acordo com a Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, o evento continua a caminhada de formação litúrgico-musical “nas veredas do Concílio Vaticano II e do magistério da Igreja no Brasil”.
“No atual momento de implantação da sinodalidade, é essencial retomar o trabalho das comissões diocesanas e regionais, como estruturas pastorais de diálogo com as equipes de liturgia, ministros ordenados, cantores e instrumentistas”, destacou o padre Jair Costa, assessor do Setor Música Litúrgica da CNBB.
Ele considera que é urgente “criar processos pastorais de formação para todas as assembleias celebrantes, considerando a música litúrgica como elemento essencial da pastoral, integrada nos planejamentos de evangelização nas Igrejas locais”, mais do que dizer ‘o que pode ou não pode’ no canto litúrgico.
A proposta é que os compositores colaborem para que as assembleias sejam formadas para a participação ativa e frutuosa, segundo padre Jair.
Memória agradecida
No início do evento, foi realizada uma memória agradecida dos compositores “da primeira hora”, que produziram música litúrgica intensamente nos primeiros anos após o Concílio: Cônego Amaro Cavalcante, padre José Geraldo Souza, Nicola Vale, padre Jocy Rodrigues, frei Joel Postma, padre Geraldo Leite, padre Silvio Milanez, padre Ney Brasil, padre José Weber, Reginaldo Veloso, José Alves, irmã Miria Kolling e tantos outros que, de acordo com a Comissão, “atuaram para fazer ressoar a voz da Igreja no coração do povo”.
“Semearam com abundância para a colheita musical das gerações que os seguiram”, destacou padre Jair.
Serviço à liturgia
Em um dos momentos do encontro, o bispo de Bonfim (BA) e presidente da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, dom Hernaldo Pinto Farias, conversou com os participantes por videochamada, e os incentivou a vislumbrar novas possibilidades para a vida litúrgica. Para dom Hernaldo, é essencial reunir competências de diversas regiões do país para avançar na qualidade da música litúrgica brasileira.
O bispo defendeu que o foco do compositor e da compositora deve ser o serviço à liturgia, evitando que o desejo de reconhecimento pessoal ou o brilho da própria composição se sobreponham à celebração. Por fim, afirmou que a música litúrgica, quando escolhida e programada com critério, dá o tom da celebração e atinge o coração da assembleia, tendo um impacto maior do que comentários ou homilias.
“A música bem elaborada, num estilo cultural próximo da assembleia que celebra, possibilita que os fiéis levem a mensagem do Evangelho e os mistérios de Cristo para a vida cotidiana”.
Os participantes do evento expressaram gratidão a dom Hernaldo pela presença e pela ternura demonstrada no diálogo, destacando que essa proximidade é vital para aqueles que atuam na liturgia, na música e na evangelização.
Contribuição da Equipe de Reflexão
Os membros da Equipe de Reflexão se revezaram na condução dos trabalhos do evento. Márcio Almeida explicou que a música acontece em culturas concretas, em uma variedade de expressões autênticas. “O que escutamos e cantamos é expressão dos lugares que habitamos e das experiências de Deus nestes lugares”, refletiu. Como questionamento aos compositores, sugeriu a pergunta: “que povo canta em mim quando realizo meu trabalho musical?”
A cantora e antropóloga convidada, Renata Mattar, contribuiu com a reflexão sobre a “Música na Religiosidade Popular”, pensando como a música está presente nos momentos importantes da vida do povo simples e devoto, nos cantos de trabalho e benditos. Renata ponderou como esta música está repleta de referências ao sagrado e à religião, e por isso se torna uma referência essencial para os compositores de música litúrgica. “Uma música que fala ao coração do povo”.
Frei Joaquim Fonseca apresentou uma reflexão sobre a Música Brasileira na Liturgia, destacando a dimensão memorial da música litúrgica: ela retrata a experiência de Deus nas raízes culturais dos povos. A busca destas raízes culturais no Brasil foi realizada desde os primeiros anos após o Concílio Vaticano II, respondendo à questão: “se podemos rezar em nossa própria língua, porque não podemos cantar em nossas expressões culturais?”. Os pesquisadores e compositores “da primeira hora” constataram muitas semelhanças entre as estruturas musicais do canto gregoriano e cantos da etnomúsica brasileira, e seguiram estas descobertas para fazer música litúrgica fiel à grande tradição e às culturas brasileiras.
Partilha musical
Cada participante do encontro teve oportunidade de apresentar composições autorais para o tempo pascal (tema do encontro anterior) e para o Ordinário da Missa. Os participantes puderam opinar e sugerir melhorias sobre as obras dos colegas. A Oficina de Composição – Letra foi conduzida por padre Josenildo Nunes e Márcio Almeida; e a Oficina de Composição – Música foi conduzida por frei Wanderson Freitas, padre Wallison Rodrigues e Adenor Terra. Nos momentos de oração do Ofício das Comunidades e Eucaristia, coordenados por padre José Carlos Sala, Daniela Oliveira e Adenor Terra, os participantes experimentaram composições de salmos e cantos litúrgicos afinados com a tradição da Igreja e da cultura brasileira.
Com informações de Pe. Jair Costa
Fonte: www.cnbb.org.br
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