quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Para a CNBB, redução da maioridade penal não enfrenta as causas da violência nem oferece respostas para a segurança pública



A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é contra a redução da maioridade penal. O tema retornou ao debate público nesta quarta-feira, 14, após o pedido para inserir no texto da PEC da Segurança Pública (Proposta de Emenda à Constituição nº 18/2025) a alteração do artigo 228 da Carta Magna, reduzindo para dezesseis anos como regra geral e para quatorze anos em determinadas hipóteses.

Os bispos recordam a carta enviada aos parlamentares em junho deste ano, na qual chamam atenção de que “a redução da maioridade penal não enfrenta as causas da violência nem oferece respostas duradouras para a segurança pública”.

Para o Conselho Permanente, “o Brasil será mais seguro se investir na proteção, na educação e na promoção de sua juventude, e não ampliando o encarceramento precoce de adolescentes”.

Os bispos pediram, na ocasião, que o Congresso Nacional “priorize políticas públicas capazes de enfrentar as causas da violência: educação de qualidade, fortalecimento das famílias, proteção da infância e da adolescência, ampliação de oportunidades para os jovens e aperfeiçoamento das medidas socioeducativas”.

Leia a carta na íntegra:

Brasília – DF, 26 de junho de 2026

Aos
PARLAMENTARES

Ref.: Redução da maioridade penal.

Senhoras e Senhores Parlamentares,

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, fiel à missão evangelizadora da Igreja, dirige-se respeitosamente a Vossas Excelências diante das discussões e iniciativas legislativas que visam reduzir a maioridade penal em nosso país.

A CNBB reafirma sua posição contrária à redução da maioridade penal. Essa convicção nasce da defesa da dignidade da pessoa humana, especialmente dos adolescentes, que se encontram em processo de desenvolvimento e devem ser responsabilizados por seus atos sem serem privados da possibilidade de recuperação e reintegração social.

O ordenamento jurídico brasileiro já prevê mecanismos de responsabilização para adolescentes por meio das medidas socioeducativas estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo. O desafio não está na ausência de instrumentos legais, mas na fragilidade de sua implementação e na insuficiência de investimentos em educação, proteção social e oportunidades para a juventude.

O simples endurecimento das penas não reduz a violência. Adolescentes envolvidos em atos infracionais são também vítimas da pobreza, da exclusão educacional, da desestruturação familiar, da dependência química e do aliciamento pelo crime organizado. Inseri-los precocemente no sistema prisional tende a ampliar ciclos de violência e exclusão, comprometendo sua ressocialização.

Por isso, apelamos ao Congresso Nacional para que priorize políticas públicas capazes de enfrentar as causas da violência: educação de qualidade, fortalecimento das famílias, proteção da infância e da adolescência, ampliação de oportunidades para os jovens e aperfeiçoamento das medidas socioeducativas.

A redução da maioridade penal não enfrenta as causas da violência nem oferece respostas duradouras para a segurança pública. O Brasil será mais seguro se investir na proteção, na educação e na promoção de sua juventude, e não ampliando o encarceramento precoce de adolescentes.

Confiando à intercessão de Nossa Senhora Aparecida os trabalhos desta Casa Legislativa e o futuro da juventude brasileira, renovamos nossa estima e nossas orações por todos os que exercem o nobre serviço da representação popular.

Dom Jaime Cardeal Spengler
Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS
Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia – GO
1º Vice-Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife – PE
2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF
Secretário-Geral da CNBB

Papa: obrigado a Deus pela generosidade e aos fiéis pelas orações

A vida matrimonial e familiar foi o tema da catequese do Papa, inspirado na segunda parte da Constituição Pastoral "Gaudium et spes". Leão XIV recordou que os filhos são o maior dom do matrimônio, e os pais têm a responsabilidade de os acolher, proteger e educar, segundo a lei de Deus. Mas antes, um agradecimento especial aos fiéis!

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

Leão XIV retomou esta quarta-feira a Audiência Geral uma semana após a operação para a retirada de um tumor maligno no pulmão direito. O encontro semanal com os fiéis foi realizado na Praça São Pedro e o Pontífice manteve o giro de papamóvel entre os presentes.

Antes de sua catequese, Leão XIV agradeceu mais uma vez aos fiéis pelas orações:

“A primeira coisa que gostaria de dizer a vocês é: obrigado! Obrigado pelo apoio de suas orações. Obrigado a Deus por sua generosidade. Renovemos todos nossa confiança na bondade e na misericórdia de Deus.”


Vida matrimonial e familiar
Prosseguindo o ciclo sobre a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, o Papa refletiu acerca do bem da pessoa e da sociedade, que está intimamente ligado à vida matrimonial e familiar.

Este documento define o matrimônio como "íntima comunidade da vida e do amor conjugal", fundada na entrega recíproca dos esposos, na fidelidade e na união indissolúvel, fortalecida pela graça de Cristo. A Gaudium et spes reforça que o amor conjugal não se limita à atração erótica, mas envolve toda a vontade dos cônjuges, "reavivando os afetos da alma e expressando-se através de sentimentos e gestos de ternura", explicou o Pontífice.

Iguais em dignidade, este amor permeia toda a vida dos cônjuges, abrindo-os à fecundidade. Com efeito, os filhos são "o maior dom do matrimônio" e os pais têm a responsabilidade humana e cristã de os acolher, proteger e educar, segundo a lei de Deus.

Papa saúda um casal de noivos (VATICAN MEDIA)

Proteger a vida desde a concepção
O documento reitera que vida humana nunca deve ser descartada e deve ser salvaguardada desde o primeiro momento da concepção, evitando o aborto e o infanticídio. Ao transmitirem a vida, os cônjuges tornam-se "cooperadores do amor de Deus criador ".

Por fim, o ensinamento da Gaudium et spes destaca a função social da família, definida como "uma escola de valorização humana" e "o fundamento da sociedade", exortando todos aqueles que têm responsabilidades sociais, especialmente nos âmbitos político e cultural, ao dever de "contribuir eficazmente para a promoção do matrimônio e da família".

Para o Santo Padre, este compromisso é mais urgente do que nunca. A Igreja está consciente deste desafio, como demonstra a solicitude pastoral dos Papas que se sucederam após o último Concílio, até à dupla Assembleia sinodal promovida pelo Papa Francisco. Leão XIV concluiu cofiando as as famílias de todo o mundo à Sagrada Família de Nazaré, para que as ilumine e proteja.

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EVANGELHO DO DIA (Lc 12,39-48)

ANO "A" - DIA: 21.10.2026
29ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Vigiai, diz Jesus, vigiai, pois, no dia em que não esperais, o vosso Senhor há de vir.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 39 "Ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. 40 Vós também ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes". 41 Então Pedro disse: "Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?" 42 E o Senhor respondeu: "Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa? 43 Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! 44 Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. 45 Porém, se aquele empregado pensar: 'Meu patrão está demorando', e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, 46 o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis. 47 Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes 48 Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Os dons que recebemos de Deus"

Os dons recebidos para servir a missão
“A quem muito foi dado, muito será pedido. A quem muito foi confiado, muito mais será exigido” (Lucas 12, 39-48).

Os dons da graça à disposição do Reino
Irmãos e irmãs, ouvimos essa palavra neste dia e entendemos que todos nós recebemos dons diversos diferentes, seja inteligência, tempo, oportunidades, pessoas que nos amam, mas, sobretudo, recebemos a graça de Cristo.

O Evangelho de hoje nos recorda que esses dons não são propriedades nossas, não são propriedades particulares, mas responsabilidades que o Senhor nos concede em Sua bondade. Então, deveríamos pensar que, no fim dos tempos, Deus nos perguntará sobre o que deixamos de fazer com o bem que Ele colocou em nossas mãos.

Frutificar no amor e na comunhão
O que você tem feito com os dons que você recebeu de Deus por misericórdia, por compaixão e por graça? Será que esses dons, se pensarmos neles como sementes, têm produzido frutos na vida das pessoas, na sua vida, no seu relacionamento com Deus? Este é o convite do Evangelho de hoje: para que produzamos frutos de vida eterna e cresçamos na comunhão com Deus.

Quando estamos em comunhão com Deus, crescemos também na comunhão com os irmãos. Isso é vida de santidade. Mas o que é a santidade? A santidade consiste em administrar a própria vida como quem sabe que tudo pertence ao Senhor. Somos os administradores, mas a nossa vida pertence ao Senhor.

Quem vive assim não age por medo de julgamento, mas sempre em gratidão, porque o amor nos precedeu, o amor veio antes e nos convida à conversão e a uma resposta de muita responsabilidade.

Sobre você, desça e permaneça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova




A anatomia espiritual da inveja


A origem diabólica da inveja e a queda da humanidade
Diz o livro da Sabedoria que é por causa da inveja que o demônio levou a pecar os nossos primeiros pais no início da história da humanidade. É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão (Sb 2,23-24).
O caruncho da alma segundo Santo Agostinho

Santo Agostinho dizia que a inveja é o pecado diabólico por excelência. E se referia a ela como o caruncho da alma, que tudo rói e reduz ao pó.

Créditos: tuaindeed by Getty Images

A inveja é companheira daquele que não suporta o sucesso dos outros e que não se conforma em ver alguém melhor do que ele mesmo. Fica torcendo pelo mal do outro; e quando este fracassa, diz no seu interior: Bem feito!
A inveja nas Sagradas Escrituras

Exemplos bíblicos do fratricídio às perseguições
O primeiro pecado dos filhos de Adão e Eva foi cometido por inveja: Caim matou o irmão Abel (cf. Gen 4). Pior do que um homicídio (assassinato de um homem), o crime de Caim, movido pela inveja, foi um fratricídio (assassinato de um irmão). Também por causa da inveja os filhos do patriarca Jacó venderam o seu filho caçula, José, para os mercadores do Egito. Também por causa da inveja, vimos o rei Saul odiar a Davi e caçá-lo como se fosse um animal a ser morto (cf. 1Sm 18,8;19,1).

Leia também:

O caso mais grave: a inveja na morte de Jesus
O caso mais triste que as Escrituras nos relatam, por causa da inveja, é o da morte de Jesus. O evangelista São Mateus deixa claro: “Pilatos dirigiu-se ao povo reunido: Qual quereis que eu vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo? Ele sabia que tinham entregue Jesus por inveja”. (Mt 27, 18).
Os estragos da inveja na vida humana e na Igreja
Como a inveja destrói as relações e as obras de Deus

Diante disso, temos que nos acautelar diante dela; uma vez que, movidos por ela, somos levados a praticar muitas injustiças.

Quantas fofocas, maledicências, intrigas, brigas, rivalidades, calúnias, ódios, etc., acontecem por causa de uma inveja! O pior de tudo para nós cristãos é constatar que ela se entranha até mesmo nas obras e nos filhos de Deus. Podemos dizer seguramente que muitas rivalidades e disputas que surgem também no coração da Igreja, tristemente, são causadas por inveja, ciúme e despeito.

O sucesso do irmão ou o Reino de Deus?
Em vez de se alegrar com o sucesso do irmão no seu trabalho para o Reino de Deus, muitas vezes fica remoendo a inveja, porque não consegue o mesmo sucesso. O que importa, afinal, é o meu sucesso, o sucesso do outro ou o crescimento do Reino de Deus e a salvação das almas? A inveja é uma perversão.

Santo Agostinho nos ajuda a entender a gravidade desse mal: Terrível mal da alma, vírus da mente e fulminante corrosivo do coração é invejar os dons de Deus que o irmão possui, sentir-se desafortunado por causa da fortuna dos outros, atormentar-se com o êxito dos demais, cometer um crime no segredo do coração entregando o espírito e os sentidos à tortura da ansiedade; destroçar-se com a própria fúria!

Autor Prof Felipe Aquino
Fonte:

Santa Úrsula e companheiras


Úrsula nasceu no ano 362, filha dos reis da Cornúbia, na Inglaterra. Era uma linda menina, meiga, inteligente e caridosa. Cresceu muito ligada à religião, seguindo aos princípios da fé e amor em Cristo. A fama de sua beleza se espalhou e logo os pedidos de casamento sugiram. Por motivos políticos, seu pai aceitou a proposta feita por um duque pagão.

Pela obediência à seu pai Ùrsula aceitou, mas pediu que ficasse ainda três anos solteira. Neste tempo pensava em converter o pretendente ou fazê-lo desistir das núpcias. Mas ao seu tempo a jovem precisou ir ao encontro do noivo. Com ela viajaram mais onze meninas virgens, que se casariam com soldados do rei.

Aconteceu então o imprevisto. Navegando pelo Reno, o navio de Úrsula cruzou o território dominado pelos Hunos, povo bárbaro e pagão. Logo os soldados hunos mataram todos e apenas Úrsula escapou, pois Átila, o rei dos Hunos, ficou maravilhado com a beleza e juventude da nobre princesa. Ele tentou seduzi-la e lhe propôs casamento. Mas, a custo da própria vida, Úrsula o recusou dizendo que já era esposa do mais poderoso de todos os reis da Terra, Jesus Cristo. Cego de ódio ele pessoalmente a degolou. Tudo aconteceu em 21 de outubro de 383.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR

Reflexão:

O martírio de Ùrsula e de suas companheiras retrata para nós a perseverança na fé mesmo em condições adversas. Sabemos que em períodos de tranquilidade é fácil manter o coração e a boca no louvor ao Senhor. Mas será que quando vierem as dores e as cruzes saberemos reconhecer a bondade de Deus em nossa vida?

Oração:

Ó Deus, destes a Santa Úrsula a fortaleza da graça para ir ao encontro do martírio com toda a coragem: concedei que, apoiados em suas preces e instruídos pelo seu exemplo, possamos avançar no caminho do vosso amor, por entre as dificuldades da vida, e chegar à contemplação de vossa beleza. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Representantes da Igreja Ortodoxa Siríaca Malankara são recebidos pelo secretário-geral da CNBB


Um grupo de representantes da Igreja Ortodoxa Siríaca Malankara, incluindo um bispo e 6 padres, foram recebidos pelo bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Ricardo Hoepers, na quinta-feira, 16 de outubro, em uma visita de cortesia para apresentação e estreitamento de laços com a Conferência. A visita foi acompanhada pelo subsecretário geral da CNBB, padre Leandro Megeto, e pelo assessor da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso, padre Marcus Barbosa.

De acordo com o assessor da Comissão para o Ecumenismo, tratou-se de um visita de cortesia, um “um encontro singelo, fraterno, de acolhida e diálogo”. Padre Marcus reforça que fica sempre mais claro que o caminho de respeito, escuta e o conhecimento verdadeiro de nossas tradições é base da busca sincera do caminho de unidade e comunhão entre os cristãos.

“É fonte que elimina muitas incompreensões, enfraquece as competições e cura feridas. Somos diferentes, mas o que nos une é maior”, disse padre Marcus.

A Comissão para o Ecumenismo informou que, após o encontro, fica o compromisso entre as duas Igrejas de continuar trilhando a missão comum que é evangelizar. “Um caminho apontado também nesse encontro é a busca de ampliar o diálogo com os bispos onde a Igreja Ortodoxa Siríaca Malankara atua”, pontuou.

Padre Marcus acolhe membros da Igreja Siríaca Malankara. | Fotos: Luiz Lopes Jr. – ASCOM CNBB.
Participantes do encontro
A comitiva da Igreja Ortodoxa Siríaca Malankara foi composta pelo bispo diocesano Thomas Mar Ivanios e pelo padre George Hatcher, ambos atuam nos Estados Unidos da América, e por padres que atuam em difentes missões da Igreja no Brasil: padre Elias Mota (missão Recife), padre Luciano Massucatti (missão Rio de Janeiro), padre Antônio Guedes (missão Brasília), padre Gregório Marius (missão São Paulo) e padre João Luiz Dias (missão Ceará).

Sobre a Igreja Igreja Ortodoxa Siríaca Malankara

A Igreja Ortodoxa Siríaca Malankara (em inglês: Malankara Orthodox Syrian Church – MOSC), também conhecida como Igreja Ortodoxa Indiana, é uma igreja cristã ortodoxa oriental e independente com sede em Devalokam, Kottayam, em Kerala, na Índia.

O chefe máximo da igreja acumula os títulos de Católico do Oriente e Metropolita de Malankara, sendo regida por uma constituição própria adotada em 1934 e ratificada em diversas ocasiões pela Suprema Corte da Índia. É membro fundador do Conselho Mundial de Igrejas e possui dioceses espalhadas pela Índia e em comunidades da diáspora (como na Europa, Reino Unido, América do Norte e Golfo Pérsico).

Por Willian Bonfim

Causas dos Santos: a história não é uma "ameaça", mas um diálogo entre Deus e a humanidade

O bispo de Termoli-Larino, dom Claudio Palumbo, abre o segundo dia do encontro em andamento no Augustinianum. Em sua reflexão, ele define os santos como "anticorpos históricos": mesmo sem serem "teólogos de profissão", eles traduzem o Evangelho em ações concretas. O padre Godding, diretor da Société des Bollandistes, examina as problemáticas e os instrumentos da pesquisa documental e arquivística.

Edoardo Giribaldi – Vatican News

Cabe à história a tarefa "titânica e nobre" de narrar o "como" das coisas; à Teologia cabe a responsabilidade igualmente essencial de revelar o "porquê". No meio, o fluxo do tempo e a vida real, que Deus não anula, mas "provoca" por meio das figuras dos santos, "anticorpos históricos" e testemunho concreto de uma reciprocidade operativa entre dois âmbitos, a Teologia e a história, por muito tempo considerados incompatíveis. Essas foram algumas das reflexões apresentadas pelo bispo de Termoli-Larino, dom Claudio Palumbo, que na manhã desta terça-feira, 20 de outubro, abriu o segundo dia do congresso intitulado "A santidade na história", organizado pelo Dicastério das Causas dos Santos e programado até o dia 21, no Instituto Patrístico Augustinianum, em Roma.

A história, "espaço teológico"
Em seu discurso de abertura, moderado pelo chefe do Dicastério, monsenhor Gianpaolo Rizzotti, dom Palumbo evocou uma perspectiva já delineada por Santo Tomás de Aquino, mas amplamente assimilada somente na era moderna: a história não é uma "ameaça da qual se defender", mas sim um "espaço teológico no qual ocorre o diálogo entre Deus e a humanidade, entre a Igreja e o mundo contemporâneo". Cultivar um olhar "sintético" entre a fé e o curso dos acontecimentos significa, portanto, viver "a missão que o Ressuscitado, no âmbito da história, confiou e confia à sua Igreja".

"O que Atenas tem a ver com Jerusalém?"
O prelado reconheceu a aparente incompatibilidade entre os dois campos de estudo. "De um lado está a história: o reino da mudança, do contingente, do fragmento, onde tudo flui e nada permanece o mesmo. Do outro, encontramos a Teologia: o olhar voltado para o Eterno, o Imutável, o Absoluto que transcende o tempo. A pergunta é: como podem o transitório e o eterno dialogar?" Já no século II, a tentação era a de separá-los: "O que Atenas tem a ver com Jerusalém?", perguntou o escritor e filósofo cristão Tertuliano. Com o tempo, porém, teólogos e historiadores desenvolveram a consciência da necessidade de diálogo. "Reconhecer a fronteira da diversidade" foi "o primeiro passo para descobrir que, apesar de falarem línguas diferentes, as duas disciplinas contemplam o mesmo mistério idêntico: o caminho do homem no mundo."

Remover o "absurdo"
É na experiência da humanidade, de fato, que a proclamação kerigmática de Jesus ressoa. Ela se realiza no desenrolar dos eventos, dentro dos quais Deus se faz conhecido "falando aos homens como a amigos", explicou dom Palumbo. "Se o cristianismo é a religião da intervenção de Deus na história, pode-se dizer que a categoria da história é introduzida nele precisamente por essa intervenção. A história se torna o próprio tecido da Revelação." A Teologia, por sua vez, ofereceu-se ao estudo dos eventos humanos como "hermenêutica", isto é, como a "ciência da interpretação", removendo-os do "não sentido" de uma história que, para usar a imagem de Shakespeare, é "uma história narrada por um idiota, cheio de barulho e fúria, e sem sentido".

"Autonomia mútua"
O princípio que une Teologia e história é, portanto, o da "autonomia mútua", sem que uma seja subordinada à outra. "A história fornece à Teologia seu contexto real. Ela a lembra de que o homem não é uma ideia abstrata, mas um ser imerso nos desafios de seu tempo: pobreza, guerras, transições tecnológicas, mudanças culturais. A Teologia, por sua vez, fornece à história uma direção baseada em valores. Ela injeta no fluxo dos eventos históricos um desafio ético, uma lembrança da dignidade intrínseca do ser humano, que nenhum poder temporal pode pisotear."

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EVANGELHO DO DIA (Lc 12,35-38)

ANO "A" - DIA: 20.10.2026
29ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Vigiai e orai para ficardes de pé, ante o Filho do Homem!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 35 "Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. 36 Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. 37 Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá. 38 E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar!"

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Espera e vigilância cristã"

Um coração à espera do Senhor
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando o seu Senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem imediatamente a porta logo que ele chegar e bater. Felizes os empregados que o Senhor encontrar acordados quando ele chegar” (Lucas 12,35-38).

Meus irmãos e minhas irmãs, Jesus põe em ressalto uma figura muito recorrente no Antigo Testamento, que é a do sentinela, o vigia: pessoas de expectativa, que sabiam esperar.
Espera com confiança no Senhor

Nos relacionamentos humanos, existe uma lei prudencial, que é aquela de não criar expectativa, para não se frustrar em relação ao outro. Mas o sentinela de que Jesus fala, ele espera é pelo seu Senhor, e não por nenhuma realidade humana, seja de pessoas ou estrutura. Ele espera pelo seu Senhor.

Essa esperança nas promessas do Senhor deve dar-se, inclusive, nas horas mais difíceis do ciclo da vida. O texto fala de meia-noite, madrugada, significando não os horários em que normalmente se fazem vigias, se rezam rosários, pois a vigilância é uma postura de retidão.
A vigília como um convite à prontidão

Quando eu morei em Roma, eu fiquei um pouco frustrado quando fui participar, uma vez, de uma vigília na Praça de São Pedro, inclusive com a presença do Santo Padre, o Papa. Porque eu imaginei e pensei nas vigílias como nós temos aqui no nosso Brasil. Mas lá as vigílias são cedo: começavam quatro ou cinco horas da tarde e, quando dava sete ou oito da noite, já terminavam.

A vigilância é uma postura de retidão, independentemente do horário, que espera Jesus, o noivo, pois Ele pode nos visitar em diversas ocasiões, em diversos momentos da nossa vida. O mais importante é o que está no Evangelho: felizes seremos se o Senhor nos encontrar prontos para o encontro com Ele. Independentemente do seu horário de encontro com Cristo, espere o Senhor na vigilância e na fidelidade.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!


Pe Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova