sexta-feira, 14 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DIA (Mt 19,3-12)

ANO "A" - DIA: 14.08.2026
19ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERMELHO)
MARTÍRIO DE SÃO MAXIMILIANO MARIA KOLBE

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Acolhei a palavra de Deus, não como palavra humana, mas como mensagem de Deus o que ela é, em verdade!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 3 alguns fariseus aproximaram-se de Jesus, e perguntaram, para o tentar: "É permitido ao homem despedir sua esposa por qualquer motivo?' 4 Jesus respondeu: "Nunca lestes que o Criador, desde o início os fez homem e mulher? 5 E disse: 'Por isso, o homem deixará pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne'? 6 De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe". 7 Os fariseus perguntaram: "Então, como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio e despedir a mulher?" 8 Jesus respondeu: "Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o início. 9 Por isso, eu vos digo: quem despedir a sua mulher - a não ser em caso de união ilegítima - e se casar com outra, comete adultério". 10 Os discípulos disseram a Jesus: "Se a situação do homem com a mulher é assim, não vale a pena casar-se". 11 Jesus respondeu: 'Nem todos são capazes de entender isso, a não ser aqueles a quem é concedido. 12 Com efeito, existem homens incapazes para o casamento, porque nasceram assim; outros, porque os homens assim os fizeram; outros, ainda, se fizeram incapazes disso por causa do Reino dos Céus. Quem puder entender, entenda".

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"União matrimonial indissolúvel"

Vida matrimonial, o desafio de se tornar uma só carne
Naquele tempo, alguns fariseus aproximaram-se de Jesus e perguntaram para o tentar: “É permitido ao homem despedir sua esposa por qualquer motivo?” Jesus respondeu: “Nunca lestes o que o Criador desde o início fez homem e mulher e disse, o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua mulher e os dois serão uma só carne. De modo que eles já não são dois, mas uma só carne.” Os fariseus perguntaram: “Então como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio e despedir a mulher?” Jesus respondeu: “Moisés permitiu despedir a mulher por causa da dureza do vosso coração.” (Mateus 19,3-12)

Existem as chamadas exceções a uma regra, não é? A gente já escutou isso muitas vezes: toda regra tem a sua exceção. Claro que isso não valida um comportamento, mas abre uma discussão, caso por caso, para ajudar os fiéis a viver plenamente os sacramentos e a vida da Igreja.

União matrimonial que supera a dureza do coração
Jesus foi bem claro quando interrogado sobre a certidão de divórcio: foi pela dureza de coração que Moisés permitiu tal certidão. Na verdade, quando o coração se torna duro, é incapaz de amar até o extremo. Homem e mulher que foram criados para se tornar uma só carne, acabam rompendo os laços pactuais e fragilizando a união entre eles.

A indissolubilidade como tesouro da Igreja
No tempo de Jesus, existiam duas escolas rabínicas, uma que era muito liberal, e a outra que era muito rigorosa. A primeira dava concessão de separação por motivos absurdos e insignificantes. Por exemplo: se a mulher cozinhava mal, era motivo para o marido despedi-la.

Já na segunda escola, ela seguia uma linha mais rígida, e não admitia concessão a não ser em caso de adultério. A temática matrimonial seguiu o curso dos séculos, adotando cada vez mais a linha da revelação, salvaguardando a indissolubilidade como tesouro da relação entre o homem e a mulher.

A lei canônica foi sendo cada vez mais pautada pelo entendimento da maturidade dos cônjuges ao assumir o compromisso matrimonial. E buscou-se valorizar as propriedades do matrimônio, como a unidade e a indissolubilidade, ambas em vista do bem do casal e da constituição da prole.

O discernimento e acompanhamento espiritual
Vale a pena ler o Catecismo da Igreja, na sessão sobre o sacramento do matrimônio, aqueles que trazem dúvidas quanto a esse tema. E as pessoas que vivem em situações irregulares possam reorganizar a vida e buscar a comunhão com Deus. Acima de tudo, ter discernimento e deixar-se ser acompanhado, pelo seu pároco, seu diretor espiritual, para que as coisas sejam encaminhadas da melhor forma possível.

Sobre todos vós desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Humildade: A agulha de Deus que remenda os rasgões da nossa vida

Uma vida digna da vocação que recebemos

Hoje, podemos alegrar o nosso coração, porque estamos em Jesus. Vamos acordar e viver, sim, o dia de hoje. Nós estamos com Deus e Deus com a gente. É importante isso! Às vezes, a gente senta assim num cantinho, e fica pensando: “Como vou viver o momento presente?” O nosso momento presente é com Deus. E é maravilhoso estarmos satisfeitos, porque, mesmo com todos os problemas da vida, a gente está satisfeito, porque sabe que está em Deus.

E hoje nós vamos falar um pouquinho da Palavra em Efésios 4,1-4, que diz assim: “Eu, prisioneiro do Senhor, vos exorto que leveis uma vida digna da vocação que recebestes com a tua humildade e mansidão, e, com a paciência, suportai-vos uns aos outros no amor, solícitos em guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”.

Humildade, palavra muito forte. O orgulho é fruto da nossa ignorância sobre quem é Deus, de quem somos e o que podemos. Devemos ser humildes.
A humildade nos aproxima de Deus

O que é ser humilde? É ser bobo? Não! Ser humilde é viver sobre a batuta de Deus. Não é viver sobre a batuta dos homens, mas sim de Deus. Batuto quer dizer “sobre o mando de Deus”. Eu não sou desobediente, eu sou obediente. Eu não sou orgulhoso, porque eu sou humilde. Se eu for orgulhoso, eu vou ser prepotente, e essa prepotência vai fazer com que eu fique muito longe de Deus. Eu tenho que ser humilde. “Jesus manso e humilde de coração, fazer o meu coração semelhante ao vosso”.

Entendeu? A humildade tem os efeitos da caridade. Se você não é humilde, você não enxerga a caridade, porque você enxerga muito alto. E para você enxergar a caridade, você tem que olhar para baixo, porque senão você não enxerga as coisas embaixo.

Não é para sermos para baixo, é olharmos para baixo, porque o necessitado, o que precisa da caridade está abaixo de nós. Como você está abaixo de outros, os que estão acima de você têm que ter a caridade de olhar para baixo e enxergar você.

Como Deus é tão misericordioso e como é tão bom viver em Deus! Temos a capacidade de olhar para baixo e de nos realizarmos, mas, muitas vezes, a gente fica irado, fica bravo porque o de cima não consegue nos enxergar. Mas Deus nos deu a glória de olharmos para baixo e enxergarmos.

Onde está a sua caridade?
E aqueles que estão abaixo de nós? Nós olhamos para eles e enxergamos aqueles que precisam da misericórdia. A humidade tem os efeitos da caridade. Ser caridoso é bom demais! É como ser Canção Nova é bom demais! É ser caridoso. Ah, eu sou da Comunidade Canção Nova. Que coisa linda e bonita! Eu apareço na televisão, eu vou à Rádio, eu estou na internet… Ótimo! Mas onde está a caridade? Fala para mim. Antes de você ser tudo isso, você tem que ter a caridade, porque você, tendo a caridade, enxerga o irmão.

Um encontro marcado pela humildade e pela caridade
Um dia desses, na casa do padre Jonas, casa onde eu moro, recebi uma visita importante para mim: os jovens que estão fazendo a imersão para entrar na Comunidade Canção Nova. Foi um dia felicíssimo para mim! Cada um quis chegar com humildade. O padre que celebrava a missa chorava, e não era por causa de mim, não! Mas pela situação em que nós nos encontrávamos, de alegria e de caridade uns com os outros. Aquele jovem, naquela alegria, um brincando com outro, mas também tinha aqueles que choravam por estar ali.

Não era por causa de mim, não era por causa da Luzia, mas era por causa do ambiente de caridade, um ambiente como dos três mosqueteiros: “um por todos e todos por um”. Ali, naquele momento de alegria, naquele momento de oração, naquela Missa maravilhosa, nós recordamos muita coisa.

Quando Deus fala através da caridade
Depois, sentados na sala onde milhares de vezes nós sentávamos – eu, Luzia e Padre Jonas – para discutir as coisas da comunidade, as coisas da obra de Deus, eles pareciam estar bebendo aquele momento. Era Deus falando com eles. Era Deus deixando a mensagem a cada um. A cada palavra que a gente falava, a gente via que nascia, do nada, dentro da gente, um dia glorioso para nós e para eles. Isso nos levantou muito, porque tivemos aquela certeza de que a Canção Nova é viva e vivida. Caso contrário, Deus não permitiria termos, hoje, esses jovens – mais de 15 ou 20 – para fazer uma imersão e entrar na Comunidade Canção Nova. Coisa maravilhosa isso! Como foi bom, como foi gostoso, como foi bonito!

Humildade é aceitar a nossa pequenez
Mas vamos lá. A humildade é uma agulha. Preste atenção: a humildade é uma agulha que remenda todos os buracos e rasgões maravilhosamente. E não é o buraco da calça, não; é o buraco da vida. O que é o rasgão? É o sofrimento da nossa vida, é o desperdício da nossa vida.

Quantas vezes nós deixamos o diabo nos rasgar! Quantas vezes nós jogamos fora a caridade que Deus nos faz! Jogamos fora. Mas, pela humildade, vem justamente aquela agulha, aquela linha que vai costurando com muito amor o nosso coração que está aberto, escancarado, que está machucado. E quantos remendos ela vai ter que colocar ali, costurar e deixar perfeito como Deus quer.

Essa é a realidade da nossa vida. E todos querem ser grandes. Ninguém se conforma com a sua pequenez. Humildade. Vejo a verdade. Para ser humilde basta ser verdadeiro. Não esqueça disso, meu irmão, minha irmã. Para ser humilde tem que ser verdadeiro. De outra forma, não conseguiremos.

Deus o abençoe! E guarde isso com você: somos agulhas de Deus. Queremos costurar todos os remendos dos nossos irmãos.

Deus o abençoe, guarde e ilumine; e que Nossa Senhora esteja sempre à sua frente esmagando a cabeça da serpente. Amém.

Do seu amigo,

Wellington Silva Jardim – Eto
Cofundador da Comunidade Canção Nova

São Maximiliano Maria Kolbe

Raimundo (Raymond) Kolbe nasceu em Zdunska Wola, perto de Lódz, na Polônia, no ano de 1894, quando a Rússia ocupava o país. Seus pais eram operários, pobres materialmente mas ricos na Fé. Aos 13 anos entrou para o Seminário dos Frades Menores Conventuais Franciscanos em Lvov, cidade que por sua vez estava ocupada pela Áustria. Ali destacou-se pelo brilhantismo no estudo e intensa atuação.

Foi para Roma completar os estudos, e sua devoção à Virgem Maria o levou a fundar ali, em 1917, o movimento de apostolado mariano “Milícia da Imaculada", cujos membros devem se consagrar à Virgem Maria e por meio Dela lutar pela edificação do Reino de Deus em todo o mundo, por todos os meios moralmente legítimos. Em 1918 foi ordenado sacerdote e adotou o nome de Maximiliano Maria, em homenagem a São Maximiliano e a Nossa Senhora. Voltou à Polônia para lecionar no seminário franciscano de Cracóvia.

Seu profundo amor à Santíssima Virgem e seu enorme empreendedorismo nas comunicações sociais se concretizaram na fundação, quase sem recursos, de uma tipografia em 1922, para a publicação da revista mensal “Cavaleiro da Imaculada”, cujo objetivo era difundir o conhecimento, o amor e o serviço a Maria como meio da conversão das almas a Cristo. A primeira tiragem foi de 500 exemplares; em 1939, já chegara a um milhão. Em seguida criou um periódico semanal, uma revista para crianças e outra para sacerdotes. Depois, uma rádio católica, cuja difusão chegou ao Japão. Em 1929, fundou a primeira “Cidade da Imaculada” no convento franciscano de Niepokalanów, e que viria a se tornar uma cidade consagrada à Virgem Maria.

Atendendo a uma solicitação do Papa, ofereceu-se como missionário em 1931, voltando em 1936 à Polônia como diretor espiritual de Niepokalanów. Com o início da Segunda Guerra Mundial, foi preso em 1939 pelos nazistas que invadiram o país e levado com outros frades para campos de concentração na Alemanha e na própria Polônia. Foi solto pouco tempo depois, no dia consagrado à Imaculada Conceição.

Em fevereiro de 1941 foi novamente preso e enviado à prisão de Pawiaak, de onde foi transferido para o campo de concentração de Auschwitz. Em agosto, um prisioneiro conseguiu fugir, e em represália os alemães sortearam dez presos para serem mortos cruelmente. Um destes era Francisco Gajowniczek, casado e com filhos, e que por causa da família desesperou-se. O padre Maximiliano Maria Kolbe ofereceu-se então para tomar o seu lugar, e o comandante aceitou.

Os condenados foram despidos e fechados numa cela pequena, úmida e escura, para morrer de fome e sede. Depois de duas semanas, além de dois outros de físico privilegiado, só Maximiliano permanecia vivo, por causa das orações e de estar habituado aos jejuns. Querendo desocupar a cela, os soldados alemães injetaram-lhes uma substância mortal, e faleceram em 14 de agosto de 1941.

O corpo do padre Maximiliano foi cremado e as cinzas jogadas ao vento. Antes ele escrevera uma carta na qual afirmava: “Quero ser reduzido a pó pela Imaculada e espalhado pelo vento do mundo”.

São Maximilano Maria Kolbe é o Padroeiro do Século XX, Patrono da Imprensa e mártir da caridade. Na sua canonização, em 1982, estava presente Francisco Gajowniczek.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Vivemos numa Terra dominada por interesses estrangeiros aos de Deus… como quer que se apresentem, todos pretendem subjugar e comandar as almas, injetando nelas a substância mortal do materialismo. E para combatermos nesta guerra, com a intenção de vencer, não há outro exército ao qual nos filiarmos do que a Milícia da Imaculada, isto é, ao serviço de Nossa Senhora, pela Qual nos vem o Cristo e a Salvação, e pela Qual nos encontramos com Ele e o Reino de Deus. Como ensina a Igreja, não há outro caminho para chegar a Deus, a não ser Maria, Corredentora das almas com Jesus, inseparável Dele, Mãe Dele e nossa, com a missão justamente de interceder ao Seu Filho Redentor por nós, para que, por obediência amorosa a Ela, o Filho Se digne nos atender. Assim, a Igreja a reconhece como “Medianeira de todas as graças”, e inúmeros santos canonizados têm por ela uma devoção especial. São Maximiliano Kolbe foi um deles, e ciente de que só por Ela chegaremos a Cristo, pois só pela Mãe se pode ter o Filho, santificou-se também, e muito, pela devoção à Virgem e à sua divulgação. A sincera devoção a Ela é um sinal de predestinação da salvação, como ensinam São Boaventura, São Bernardo de Claraval e Santo Afonso Maria de Ligório. Só seremos soltos das prisões do pecado e da morte infinita pela intercessão de Maria, do mesmo modo como São Maximiliano Kolbe foi solto dos nazistas no dia consagrado à Imaculada Conceição. Seguindo seu exemplo, devemos nos concentrar nos campos de atuação apostólica, para sermos livres da tibieza e omissão, e o apostolado da Virgem é o caminho mais curto e seguro para levar as almas ao Céu. Na proposta da Milícia de Maria, na qual devemos ingressar, particular ação tem os Cavaleiros, tradicionalmente uma grande força dos exércitos cristãos na Idade Média, e que, especificamente na Polônia de São Maximiliano Kolbe, era o principal destaque militar até a Segunda Guerra Mundial. Associando os ideais elevados dos Cavaleiros medievais com a força de combate dos cavaleiros poloneses, o apostolado através da divulgação da revista “Cavaleiros da Imaculada” (editada até hoje e presente no Brasil) foi, junto com outras iniciativas, o modo de santificar os veículos de comunicação escrita no tempo de Kolbe, e bem representavam a pujança e alcance das cargas de cavalaria nos combates antigos. Atualmente, sem diminuir a importância da divulgação impressa, tanto os textos quanto imagens e áudios por via eletrônica chegam ainda mais longe, e este meio, de acordo com as intenções da “Nova Evangelização” proposta por São João Paulo II, deve ser também conquistado para Nossa Senhora. Os combates e guerras geram vítimas, e na batalha pela evangelização tombou mártir São Maximiliano. Mas, diferentemente da maioria dos outros mártires católicos, cuja morte foi em defesa individual da própria vida da alma, ele se ofereceu para morrer no lugar de outro – como Cristo Se ofereceu à Cruz por nós. Vivenciou assim o modelo mais perfeito de caridade: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13). Embora o martírio não seja necessariamente o chamado de Deus para todos, o católico tem que, por coerência à sua Fé, estar disposto a ele, a qualquer momento; mas estamos no caminho certo se oferecemos os pequenos martírios, mortificações, do dia a dia, para Deus, por Nossa Senhora: um sorriso sincero diante do mal humor alheio, uma esmola dada com amor, um esforço para não se atrasar para a Missa.

Oração:

Senhor Deus dos Exércitos, que nos protegeis pela Onipotência Suplicante de Vossa e nossa Mãe, concedei-nos por intercessão de São Maximiliano Maria Kolbe a sua mesma devoção e entrega a Maria, para que, despindo-nos do orgulho e prepotência que desejam conquistar este mundo, os troquemos pelo vigor do apostolado mariano, e montados nos ginetes das virtudes, no momento de desocupar a pequena cela deste corpo cavalguemos seguros para o Paraíso. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer é confirmado como membro do Conselho para a Economia da Santa Sé


O Papa Leão XIV confirmou o arcebispo de São Paulo, o cardeal Odilo Pedro Scherer, como membro do Conselho para a Economia da Santa Sé. As nomeações e confirmações para a composição do organismo foram divulgadas nesta terça-feira, 11.

Também foram confirmados o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, na Alemanha, como coordenador do Conselho, e a professora Charlotte Kreuter-Kirchhof, da Universidade Heinrich-Heine de Düsseldorf, como vice-coordenadora.

Instituído pelo Papa Francisco em 24 de fevereiro de 2014, por meio da Carta Apostólica Fidelis dispensator et prudens, o Conselho para a Economia tem a tarefa de supervisionar a gestão econômica e as estruturas e atividades administrativas e financeiras dos Dicastérios da Cúria Romana, das instituições ligadas à Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano.

Permanecem como membros, além de dom Odilo, os cardeais Gérald Cyprien Lacroix, arcebispo de Quebec, no Canadá, e Joseph William Tobin, C.Ss.R., arcebispo de Newark, nos Estados Unidos; Leslie Jane Ferrar, administradora da Arquidiocese de Westminster, na Grã-Bretanha; e Alberto Minali, administrador da REVO Insurance. Monsenhor Brian Edwin Ferme foi confirmado como secretário.
Supervisão da gestão econômica

Instituído pelo Papa Francisco em 24 de fevereiro de 2014, por meio da Carta Apostólica Fidelis dispensator et prudens, o Conselho para a Economia tem a tarefa de supervisionar a gestão econômica e as estruturas e atividades administrativas e financeiras dos Dicastérios da Cúria Romana, das instituições ligadas à Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano.

O organismo exerce, portanto, uma função de supervisão e orientação no âmbito econômico e administrativo. Em entrevista ao Vatican News, em 2023, Dom Odilo explicou que o Conselho não é um órgão executivo, mas atua no discernimento e na apresentação de propostas e sugestões em vista das decisões do Papa.

Dom Odilo integra o Conselho para a Economia desde agosto de 2020, quando foi nomeado pelo Papa Francisco. Desde então, participa das reuniões do organismo dedicadas, entre outros temas, à análise dos balanços, dos orçamentos e das políticas econômicas e financeiras da Santa Sé. Com informações do jornal O São Paulo.

Papa envia primeira ajuda econômica à Colômbia


Por meio da Esmolaria Apostólica, com o prefeito em contato direto com a Nunciatura e a Conferência Episcopal, o Papa enviou uma doação urgente às dioceses afetadas pelo abalo de 7,4. na segunda-feira. Mais ajudas serão enviadas em breve.

Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano

Em meio aos escombros e à poeira nas áreas devastadas pelo violento terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a região oeste da Colômbia na segunda-feira, manifesta-se a proximidade do Papa Leão XIV, que se concretiza não apenas pela oração e por palavras - como o telegrama enviado na terça-feira ao presidente da Conferência Episcopal Colombiana, dom Francisco Javier Múnera Corre, ou a mensagem de solidariedade na Audiência Geral desta quarta-feira - mas também com uma alocação inicial e urgente de recursos enviados por meio do Dicastério para o Serviço da Caridade - Esmolaria Apostólica -, para as dioceses afetadas pelo terremoto, graças ao contato constante do prefeito, o arcebispo Luis Marín de San Martín, com a Nunciatura e a Conferência Episcopal local.

A situação na Colômbia é crítica e de extrema urgência após o potente terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país. O desastre provocou colapso hospitalar, mortes em ...

Primeiro auxílio emergencial
Assim como ocorreu com a Venezuela, também atingida por um forte terremoto em junho, o Pontífice enviou um auxílio financeiro inicial à Colômbia, como sinal concreto de sua proximidade neste momento de emergência. Essa quantia de € 100.000 é destinada diretamente à Secretaria Nacional de Pastoral Social - Cáritas Colombiana da Conferência Episcopal, que atua como ponto central de coordenação para a arrecadação e distribuição do auxílio, de modo a prestar assistência solidária às dioceses afetadas. O valor foi acordado com os beneficiários e é uma doação inicial para atender às emergências mais urgentes. Outros auxílios concretos serão enviados conforme as necessidades forem identificadas e prontamente comunicadas ao Dicastério.

A atenção constante da Esmolaria
De fato, desde as primeiras horas, é constante o contato entre o Esmoler, o arcebispo Marín de San Martín, e o presidente do Episcopado Colombiano, dom Francisco Javier Múnera Correa, arcebispo de Cartagena, que o informou sobre o que está acontecendo nas áreas afetadas, e com a Nunciatura, por meio de seu secretário, monsenhor In Je Hwang.

Um relatório também está sendo preparado para delinear as necessidades urgentes do Dicastério para o Serviço da Caridade, o que confirma seu papel como o “braço” do Papa estendido onde houver necessidade. “É a Igreja como família de Deus”, afirma o prefeito, “uma Igreja atenta ao sofrimento e às necessidades, que responde com fraternidade e eficácia.”

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EVANGELHO DO DIA (Mt 18,21-19,1)

ANO "A" - DIA:  13.08.2026
19ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIA DE SANTA DULCE DOS POBRES

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 21 Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?" 22 Jesus respondeu: "Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25 Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: 'Dá-me um prazo! E eu te pagarei tudo'. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28 Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: 'Paga o que me deves'. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: 'Dá-me um prazo! E eu te pagarei'. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32 Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: "Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33 Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?" 34 O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão". 19,1 Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território da Judeia além do Jordão.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O perdão e a memória da misericórdia"

O perdão recebido nos capacita a agir com misericórdia
Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar se o meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” Jesus respondeu: “Não digo até sete vezes, mas setenta vezes sete. Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. Como o empregado não tivesse com o que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo. O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e prostrado suplicava, daime um prazo e eu te pagarei.” Diante disso, o patrão teve compaixão. Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas, agarrou e começou a sufocá-lo dizendo paga o que me deves.” (Mateus 18,21-19,1)

Quem recebe o perdão está marcado para sempre com o golpe de misericórdia dado por Deus e nunca poderá se esquecer disso. Fará memória sempre desse perdão, para também estar pronto a usar a mesma medida de amor àqueles que precisarem da sua compaixão.

O perdão de Deus e nossa dívida impagável
Pena que isso não aconteceu com o personagem do Evangelho de hoje. A dívida que ele possuía com o patrão era de, mais ou menos, 250 mil anos de trabalho.

Fazendo o cálculo aqui, o número é astronômico! Isso nos mostra que não havia recurso humano para sanar aquela dívida. Só uma bondade maior poderia resolver tal situação. O perdão acontece. Algo parecido com o que nós experimentamos em cada confissão que fazemos. O perdão que é recebido sem nenhum merecimento.

Usar de misericórdia para com o próximo
A coisa se complica logo depois, porque esse bendito, que foi perdoado, fraco de memória, encontra um companheiro. O termo grego usado aqui é syndoulós, um coescravo, alguém que serve o mesmo patrão, alguém da mesma raça, podemos dizer, do nosso grupo, da nossa comunidade, da nossa família, do nosso ambiente. Quantas vezes não usamos de misericórdia para com aqueles que estão mais perto, que nós conhecemos e com quem convivemos!

A força recriadora da misericórdia divina
Por isso, eu volto ao que eu disse acima: como é importante manter a memória viva do dia em que nós fomos agraciados com o perdão de Deus, para que nunca nos esqueçamos de que devemos fazer o mesmo com os nossos irmãos que erram.

Ninguém nasce pronto. A única que nasceu santa foi a Virgem Maria. Todos nós precisamos da força recriadora da misericórdia divina. Por isso não se esqueça do dia em que Deus perdoou os seus pecados, para que você também perdoe os seus irmãos.

Sobre todos vós desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


“Vocação matrimonial é experiência de conhecimento mútuo”

Casal coordenador nacional da Pastoral Familiar reflete sobre desafios e passos no discernimento pelo matrimônio e frisa auxílio de outros casais da comunidade

Gabriel Fontana
Da Redação

Foto: Canva

A segunda semana do Mês das Vocações, em agosto, é dedicada à vocação familiar. Mais do que “juntar as escovas de dente”, um casal é chamado a experimentar uma realidade muito maior, marcada pelo sacramento do matrimônio. Nele, experimenta-se a doação total um ao outro, gerando testemunho para aqueles que estão ao redor.

Alisson e Solange Schila, casal coordenador nacional da Pastoral Familiar, pontuam que o discernimento vocacional pelo matrimônio é tão importante quanto para os outros estados de vida. “A vida matrimonial também exige que esse processo de discernimento seja feito com muita oração, muita reflexão, e tempo para que isso possa ser realizado”, indica Solange.

Alisson observa ainda que o discernimento dessa vocação é mais complexo, pois depende da resposta de duas pessoas, ao passo que a resposta a outras vocações é pessoal. Entre os pontos que devem ser considerados nesse período, Solange cita a reflexão sobre a capacidade de doação e entrega ao outro e de construir uma família.

Leia mais

“Deve ser um momento de autoconhecimento e de conhecimento do outro, se há objetivos comuns e quais são as prioridades”, aponta Alisson. Neste contexto, Solange frisa que, normalmente, quem pode orientar um casal neste discernimento são outras famílias, que vivem a vocação matrimonial com todos os seus desafios e alegrias e que já têm essa caminhada.

Alisson e Solange Schila / Foto: Arquivo pessoal

Segundo Alisson, a vocação matrimonial, familiar, é uma experiência de convivência e conhecimento mútuo e constante. Por isso, há algumas fases extremamente importantes: tudo começa com o namoro, que é um período de conhecimento e discernimento; depois vem o noivado, onde vai se afinando esse conhecimento e a proximidade; e depois os primeiros anos do matrimônio, onde também se encontram elementos de conhecimento, de referencialidade, de autoconhecimento e de conhecimento do outro.

“Os cuidados que devem ser levados em conta é para que se tenha, mesmo no namoro e no noivado, esse conhecimento, assumindo o outro com toda a sua história, com todo o seu ser, com todas as suas maneiras. É realmente assumir a outra pessoa também como parte sua”, expressa Solange.

Alisson destaca ainda que não pode faltar, nesse caminho, a experiência de fé e de proximidade com Cristo. “Esse é um segredo de toda vocação: Jesus dá a todos os seus discípulos, principalmente aqueles que respondem ao sacramento do matrimônio, a força espiritual interior e o conteúdo missionário do anúncio do Reino”, salienta.

Neste contexto, o coordenador aponta a importância da proximidade entre os cônjuges. “Dizemos que o matrimônio é um sacramento de resposta cotidiana, onde nós, ao acordar e ao dormir, reafirmamos essa intenção de vivermos e convivermos todos os dias, enquanto esposo e esposa, enquanto pai e mãe, para que possamos fazer um encontro com o Senhor todos os dias e dar nosso testemunho de casados”, indica.

Acompanhamento da Igreja
Solange observa que, nesta jornada de discernimento, a Igreja dispõe de casais que já vivem essa vocação matrimonial para preparar, através de um verdadeiro itinerário, aqueles que se preparam para trilhar o mesmo caminho.

“Para colaborar conosco nesses momentos importantes da vocação familiar, é importante no namoro, por exemplo, procurarmos um grupo paroquial para que juntos possamos fazer um discernimento, um encontro com o Senhor dentro daquela realidade a qual nós escolhemos vocacionalmente”, reitera Alisson.

Ele frisa que a Igreja pede uma preparação especial, para que, quando chegar o momento, a resposta dada pelo casal seja uma resposta madura. Neste sentido, a Pastoral Familiar atua diretamente neste acompanhamento aos casais que buscam o sacramento do matrimônio, sejam eles jovens ou pessoas que já convivem e estão buscando casar-se.

Da mesma forma, a Igreja segue acompanhando seus filhos, mesmo após o matrimônio. Solange sinaliza que, na criação dos filhos, a Igreja aponta um caminho muito sólido e seguro para a educação, pautado sempre no Evangelho. “Nós somos convidados a aprofundar cada vez mais a liturgia da casa, a Igreja doméstica, a fazermos esses processos dentro de nós mesmos para que possamos passar isso tudo aos nossos filhos”, conclui Alisson.

Santa Dulce dos Pobres

Nascida em Salvador, Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes foi canonizada pelo Papa Francisco no ano de 2019, tornando-se a primeira santa brasileira. Recebe o título de Santa Dulce dos Pobres, em memória a sua vida completamente dedicada ao serviço dos mais necessitados.

Depois de sua formatura como professora, ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Na toma de hábito escolheu o nome de Dulce em homenagem a sua falecida mãe e para recordar que foi no calor da família que brotou sua vocação religiosa e o amor desinteressado pelos mais pobres.

Mulher de saúde frágil, porém de coração forte e decidido, não regateou esforços e criatividade para ajudar a minimizar os sofrimentos dos irmãos mais desvalidos da sociedade baiana. Foi promotora de diversas obras sociais e amou com carinho de mãe a cada um dos pequenos a ela confiados por Deus Pai.

Dulce dos Pobres é conhecida como o anjo bom da Bahia, pois para muitos foi ajuda vinda dos céus em momentos de extrema pobreza e desamparo. Seu olhar terno e penetrante confortou doentes, órfãos, idosos e moradores de rua; suas mãos trabalhadoras deram sustento aos abandonados e descartados do nosso Brasil.

Colaboração: Yara Fonseca

Reflexão:

A santidade de Santa Dulce dos Pobres é um convite à caridade para todos os cristãos, especialmente para nós, brasileiros, que compartilhamos com ela a mesma cultura e desafios sociais. Nosso anjo bom foi mensagem de Deus para os desamparados, com suas palavras e ações foi rosto da misericórdia e amor providente de Deus Pai. Busquemos que seu testemunho desperte em nossos corações a atitude do bom samaritano que no caminho da vida socorreu ao irmão ferido.

Oração:

Santa Dulce, Anjo Bom do nosso Brasil, já que na vida terrena fostes enviada pelo Pai para socorrer aos pobres, imploramos a Deus que no céu sejais nossa intercessora e nos ajude a viver uma autêntica caridade para com todos, especialmente os mais necessitados. Intercedei para que nesta terra de Santa Cruz reine o amor de Cristo e a fraternidade universal. Que assim seja, amém.