terça-feira, 3 de novembro de 2026

III Seminário Nacional das Missões Populares reúne missionários e lideranças em Brasília até domingo


Começa nesta sexta-feira, na região administrativa de Sobradinho, em Brasília (DF), o III Seminário Nacional das Missões Populares. O evento vai reunir missionários, lideranças e religiosos de várias partes do país até domingo para momentos de formação, celebração e convivência, animados pelo tema “Passemos para a outra margem” (Mc 4,35). O evento é promovido pela Comissão Episcopal para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e sediado na Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Sobradinho I, Brasília (DF).

A abertura será a partir das 18h desta sexta-feira, com a Procissão de abertura e o acendimento da vela missionária. A mesa de abertura será logo em seguida, com a apresentação dos conferencistas; a acolhida pelo pároco anfitrião, padre José Valdo dos Santos, e a saudação do bispo referencial do Conselho Missionário Nacional (Comina), dom Paolo Andreolli, bispo eleito de Ponta de Pedras (PA).
Da memória à missão, da identidade ao compromisso

Segundo os organizadores, as atividades serão desenvolvidas a partir de quatro eixos temáticos: memória, identidade e encantamento; Igreja Sinodal e Eclesiologia da Missão; desafios contemporâneos; e metodologia, continuidade e estado permanente. Esses eixos temáticos propostos conduzem os participantes numa travessia pedagógica e espiritual: da memória à missão, da identidade ao compromisso.

As temáticas incluem o estudo da memória das missões populares, a identidade e o entendimento da missão como processo espiritual. Também serão aprofundados a sinodalidade missionária, com o chamado da Igreja à missão; os desafios contemporâneos, com a conjuntura socioeclesial, mundo digital, a realidade dos grandes centros, a juventude, as periferias e as fronteiras. O grupo ainda vai refletir sobre a continuidade das iniciativas missionárias, percebendo como garantir que a missão não seja só evento.

A metodologia do seminário prevê conferências, rodas de conversa, grupos temáticos, painel de testemunhos, noite cultural e momentos de oração, especialmente a partir da meditação da Liturgia das Horas.

No domingo, Solenidade de Todos os Santos, será celebrada a Missa de Envio com a bênção da carta-compromisso redigida ao final do encontro. A Missa terá início às 11h, no espaço paroquial.

Missões populares como compromisso eclesial
Um dos organizadores do seminário, o frade capuchinho frei Anderson Teodoro explica que as missões populares iniciaram muito ligadas às congregações religiosas e passaram a ser assumidas também pelas comunidades paroquiais e diocesanas.

“Elas começam ainda no período Colonial e ganham sua forma mais conhecida no Brasil Império, no século XIX, quando os religiosos percorriam as comunidades fazendo aquela missão de casa em casa, de povoado em povoado. Cada congregação tinha o seu jeito próprio de missionar: os capuchinhos, os frades menores, os carmelitas, os jesuítas, os redentoristas — cada família religiosa com o seu método, sua estilo e sua espiritualidade. Com o tempo, a missão deixou de ser exclusiva das congregações e passou a ser assumida também nas dioceses, comunidades, as paróquias e o povo se tornando protagonista. É por isso que a missão popular continua tão atual: ela não é um evento isolado, é um processo contínuo de uma Igreja que sai ao encontro da vida das pessoas, onde quer que elas estejam”, conta.

Acompanhe o evento no Instagram e no site da Comissão para a Ação Missionária da CNBB.

Papa: rezemos pelos falecidos e por quem hoje chora as dores da guerra

Papa: rezemos pelos falecidos e por quem hoje chora as dores da guerra
Na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, Leão XIV presidiu a Santa Missa no Cemitério Monumental do Verano, em Roma. Em sua homilia, o Pontífice recordou a esperança cristã diante da morte e rezou por aqueles que perderam uma pessoa querida, em particular pelas famílias atingidas pela violência das guerras.

Thulio Fonseca - Vatican News

Na tarde desta segunda-feira, 2 de novembro, o Papa Leão XIV se dirigiu ao Cemitério Monumental do Verano, em Roma, para celebrar a Santa Missa na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. Ao chegar, o Santo Padre deteve-se diante dos túmulos, recolheu-se em oração e ofereceu flores em memória daqueles que ali repousam.

Localizado na região central de Roma, o Verano é um dos cemitérios históricos e monumentais mais importantes da capital italiana. Com cerca de 83 hectares, reúne monumentos, esculturas, capelas e sepulturas que testemunham mais de dois séculos da história da Cidade Eterna. É o segundo ano consecutivo que Leão XIV escolhe o local para a celebração de 2 de novembro. Em 2025, no primeiro Dia de Finados de seu pontificado, o Papa também presidiu ali a Eucaristia.

(VATICAN MEDIA)

Um lugar de “afeto e de esperança”
Ao iniciar a homilia, Leão XIV voltou o olhar para o significado da celebração realizada em meio às sepulturas:

“Reunimo-nos para celebrar a Eucaristia neste lugar de oração e de memória, de afeto e de esperança. Nós a oferecemos em sufrágio dos fiéis defuntos, em particular daqueles que aqui repousam e daqueles que cada um de nós traz no coração.”

O Papa recordou ainda que a Comemoração dos Fiéis Defuntos, celebrada no dia seguinte à Solenidade de Todos os Santos, orienta a oração para a esperança na vida eterna. À luz do Livro da Sabedoria, ressaltou a confiança nas mãos de Deus, capazes de guardar as almas dos justos, sobre as quais “nenhum tormento” terá poder.
As Bem-aventuranças diante da morte

A reflexão prosseguiu a partir do Evangelho das Bem-aventuranças. No cemitério, destacou o Pontífice, as palavras de Jesus ressoam com uma força espiritual particular: “As Bem-aventuranças são o caminho da vida plena e realizada, já agora e por toda a eternidade. Quando as ouvimos proclamadas na Liturgia — nós o sabemos —, é o Senhor Ressuscitado que nos fala. E este anúncio de salvação, que são as Bem-aventuranças, ressoa com particular força espiritual em um cemitério, que é como um limiar entre o aquém e o além, entre a existência terrena e aquilo que nos espera. Jesus Ressuscitado nos diz: bem-aventurados aqueles que vivem segundo este caminho, porque deles é o Reino dos Céus.”

(VATICAN MEDIA)

As lágrimas das vítimas das guerras
Ao comentar a Bem-aventurança “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”, Leão XIV dirigiu seu pensamento às consequências da violência dos conflitos:

“Neste momento, queremos rezar por aqueles que perderam recentemente uma pessoa querida; em particular, por aqueles dos quais a absurda violência da guerra arrancou um ente querido. Que as lágrimas de tantas mães, de tantas crianças, de tantos idosos toquem a consciência daqueles que têm o poder de fazer calar as armas!”
São Francisco e a “irmã morte”

No oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis, o Papa evocou também as palavras acrescentadas pelo Santo de Assis ao Cântico das Criaturas quando percebeu que se aproximava o fim de sua vida: “Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã, a morte corporal, / da qual nenhum homem vivente pode escapar. / Ai daqueles que morrerem em pecado mortal! / Bem-aventurados aqueles que ela encontrar em tua santíssima vontade, / pois a segunda morte não lhes fará mal.”

(VATICAN MEDIA)

“Nosso vínculo não foi interrompido, mas transformado”
Na parte final da homilia, o Santo Padre voltou à esperança que nasce da fé em Cristo e à comunhão que encontra na Eucaristia a sua antecipação:

“Queridos irmãos e irmãs, a fé em Cristo nos diz que o nosso vínculo com os fiéis defuntos não foi interrompido, mas transformado. Com a oração de sufrágio, acompanhamos os nossos entes queridos rumo à plena comunhão com o Senhor, aquela comunhão que, verdadeiramente, já experimentamos antecipadamente aqui, no Sacramento da Eucaristia.”

(VATICAN MEDIA)

Leão XIV convidou, assim, os fiéis a prosseguir o caminho terreno com uma fé “repleta de esperança”, à espera do dia em que Deus “enxugará toda lágrima” e “não haverá mais morte, nem luto, nem clamor, nem dor”.

Ao final da celebração, o Santo Padre aspergiu e abençoou os túmulos. Em seguida, elevou a oração pelos falecidos: “Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso. Entre os esplendores da luz perpétua. Descansem em paz. Amém.”

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EVANGELHO DO DIA (Lc 14,15-24)

ANO "A" - DIA: 03.11.2026
31ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Vinde a mim, todos vós que estais cansados, e descanso eu vos darei, diz o senhor.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 15 um homem que estava à mesa, disse a Jesus: "Feliz aquele que come o pão no Reino de Deus!" 16 Jesus respondeu: "Um homem deu um grande banquete e convidou muitas pessoas. 17 Na hora do banquete, mandou seu empregado dizer aos convidados: 'Vinde, pois tudo está pronto'. 18 Mas todos, um a um, começaram a dar desculpas. O primeiro disse: 'Comprei um campo, e preciso ir vê-lo. Peço-te que aceites minhas desculpas'. 19 Um outro disse: 'Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-las. Peço-te que aceites minhas desculpas'. 20 Um terceiro disse: 'Acabo de me casar e, por isso, não posso ir'. 21 O empregado voltou e contou tudo ao patrão. Então o dono da casa ficou muito zangado e disse ao empregado: 'Sai depressa pelas praças e ruas da cidade. Traze para cá os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos'. 22 O empregado disse: 'Senhor, o que tu mandaste fazer foi feito, e ainda há lugar'. 23 O patrão disse ao empregado: 'Sai pelas estradas e atalhos, e obriga as pessoas a virem aqui, para que minha casa fique cheia'. 24 Pois eu vos digo: nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete'".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O grande banquete e a promessa do Céu"

O grande banquete e o convite da comunhão com o Pai
O Evangelho de São Lucas vai nos ajudar a compreender melhor o convite de Deus e a resposta que eu e você devemos dar a Deus. Ele nos diz assim:

“Um homem deu um grande banquete e convidou muitas pessoas. Na hora do banquete, mandou seu empregado dizer aos convidados: ‘Vinde, pois tudo está pronto’. Mas todos, um por um, começaram a dar desculpas” (Lucas 14,15-24).

O Evangelho de hoje nos apresenta uma parábola muito bela diante daquilo que nós costumamos ouvir de Jesus. É a Parábola do Grande Banquete.
Um lugar preparado no grande banquete

Diante da exclamação “feliz aquele que comer do pão no Reino de Deus”, Jesus está nos revelando que Ele prepara para todos um lugar. Cada um de nós tem um lugar na morada eterna, e não devemos arrumar desculpas para chegar um dia até lá.

Quantas vezes somos chamados e quantas vezes rejeitamos o chamado de Deus! Não O escutamos. O banquete representa o Reino de Deus, representa a comunhão com o Senhor, representa que Deus deseja oferecer à humanidade a vida eterna.
As desculpas que nos afastam da vontade divina

Deus não prepara para nós um banquete somente para satisfazer as nossas vontades. Ele prepara o grande banquete porque Ele quer viver em comunhão com cada um de nós. Mas quantos de nós vamos dando desculpas para não entrar neste banquete?

Um vai dizendo que comprou um campo, outro vai dizendo que adquiriu cinco juntas de bois, outro vai afirmando que ele precisa se casar. E nenhuma dessas coisas era má em si mesma, mas o problema era não responder ao chamado de Deus.

O grande banquete gera a comunhão e sacia a alma
A Palavra de Deus e o Catecismo da Igreja Católica nos ensinam que o homem tem o desejo de responder ao chamado do Senhor. Mas é preciso que ele elimine do coração as preocupações, as vaidades e o orgulho, que ele elimine tudo aquilo que possa roubar o lugar que pertence a Deus em nosso coração. Não rejeitemos ao Senhor, mas O acolhamos, porque o desejo d’Ele é que esse banquete nos leve à Sua comunhão, à vida eterna.

Que Deus nos abençoe e que o nosso coração se encha de alegria por participarmos deste banquete, a fim de que, um dia, participemos de forma eterna.

Em nome do Pai, Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


Como enfrentar o vazio existencial conectado na era digital: estratégias para a família

Juntos na sala, mas distantes na alma.

Uma cena comum: a família reunida na sala e cada um dos seus integrantes com os olhos fixos em uma tela diferente. Paira um silêncio que não é de paz ou tranquilidade, mas da ausência de um encontro.

Essa é uma das faces do que podemos chamar de vazio existencial conectado. É a sensação de falta de sentido, de pertencimento ou de presença que persiste justamente em um mundo onde estamos acessíveis 24 horas por dia. Nunca tivemos tantos meios para nos comunicar, porém tantas pessoas relatam solidão dentro da própria casa.
Mas, o que é o vazio existencial?

O psiquiatra Viktor Frankl, criador da logoterapia, descreveu o vazio existencial como um estado de tédio, apatia e perda de direção, que surge quando a pessoa deixa de enxergar sentido naquilo que vive. Para Frankl, o ser humano é movido fundamentalmente pela busca de sentido, e a frustração dessa busca gera sofrimento.

Créditos: LSOphoto by Getty Images

Nessa nossa era digital, esse vazio ganha novas camadas, considerando que as redes sociais oferecem estímulos rápidos e recompensas imediatas (curtidas, notificações, vídeos sem fim), mas raramente entregam o que alimenta de verdade, que são os vínculos profundos, reconhecimento genuíno e a experiência de ser visto por alguém. O resultado pode ser uma espécie de “fome” que nunca é saciada, porque o que ingerimos não é o que precisamos.
Como isso se manifesta nas famílias

No contexto familiar, o vazio existencial conectado costuma se manifestar de formas discretas, mas persistente:Conversas cada vez mais curtas e funcionais, limitadas à logística do dia a dia (“já fez a lição?”, “o jantar está pronto”).
Uso de telas como refúgio emocional para evitar conflitos, tédio ou desconforto.
Comparação constante com a vida aparentemente perfeita de outras famílias nas redes sociais.
Pais e mães divididos entre a presença com os filhos e as demandas profissionais que chegam pelos meios eletrônicos.
Crianças e adolescentes que se comunicam mais com amigos virtuais do que com a própria família, expressando angústia por meio de irritação, isolamento ou desinteresse.

Vale a pena ressaltar que a tecnologia, por si só, não é o problema, considerando que ela também aproxima pessoas distantes, facilita o acesso à informação e abre espaços de criatividade, mas o problema surge quando a tela ocupa o lugar do encontro, em vez de servir a ele.

O papel da escuta ativa, o counseling
O counseling (aconselhamento psicológico e relacional) oferece um espaço seguro para que a família pare, olhe para si mesma e reconstrua conexões. Diferentemente de uma abordagem punitiva — do tipo “tire o celular e resolva o problema” —, o aconselhamento busca compreender a função que as telas estão cumprindo na dinâmica familiar. Muitas vezes, elas funcionam como sintoma de uma desconexão que já existia.

A seguir, apresentamos seis estratégias que podem orientar esse trabalho:Escuta sem julgamento

O primeiro passo é criar um ambiente onde cada membro possa falar sobre o que sente sem ser corrigido ou ridicularizado. Perguntas abertas ajudam muito: “O que você sente quando estamos todos juntos, mas cada um no seu mundo?” ou “O que você gostaria que fosse diferente entre nós?”. Quando o jovem ou a criança percebe que será ouvido e não atingido com longo sermão, a defesa diminui e o diálogo se torna possível.Resgatar o sentido compartilhado

Essa estratégia propõe que a família se pergunte: o que dá sentido à nossa vida em comum? Quais valores queremos viver? Que projetos, tradições ou causas podem nos unir? Construir um propósito coletivo (como cuidar de uma horta, apoiar uma ação solidária ou criar um ritual semanal) transforma a convivência em algo vivo, indo além de uma simples coexistência sob o mesmo teto.Acordos digitais construídos em conjunto

Regras impostas tendem a gerar resistência, mas os acordos construídos com a participação de todos têm mais chances de funcionar. Isso inclui definir, em conversa aberta, momentos e espaços livres de telas (como as refeições e a hora de dormir) e, principalmente, aplicar as mesmas regras aos adultos. As crianças aprendem muito mais pelo exemplo que pelo discurso.Rituais de presença

Pequenos rituais regulares fortalecem o vínculo. Uma refeição semanal sem celulares, uma caminhada no fim da tarde, um jogo de tabuleiro ou a leitura de uma história antes de dormir.Educação emocional

Muitos usos problemáticos das telas surgem da dificuldade de lidar com emoções difíceis, como tédio, tristeza, ansiedade e solidão. A escuta verdadeira pode ajudar a família a nomear sentimentos, tolerar desconfortos e buscar alternativas saudáveis de regulação emocional, como conversar, movimentar-se, criar ou simplesmente descansar. Quem aprende a sentir sem fugir torna-se menos dependente de distrações constantes.Cuidar do adulto que cuida

Pais e responsáveis também experimentam o vazio existencial. A sobrecarga, a culpa e o cansaço podem levá-los a buscar alívio nas próprias telas. Por isso, o aconselhamento deve acolher os adultos, reconhecer seus limites e incentivá-los a cuidar do próprio bem-estar. Uma família é mais capaz de se reconectar quando os seus adultos também se sentem sustentados.

Leia também:

Pequenos passos para começar em casa
Nem toda mudança exige um processo longo. Algumas ações simples podem abrir caminhos férteis: Escolha um momento do dia para estar realmente presente e longe das telas.
Faça perguntas que vão além do tradicional “como foi o dia?”, experimentando questionamentos como “qual foi o momento mais legal e o mais difícil do seu dia?”.
Converse sobre como cada um se sente em relação ao uso do celular, em um tom aberto e livre de acusações.
Crie um ritual familiar pequeno, prazeroso e sustentável.

Se o sofrimento persistir, procure ajuda profissional. Buscar apoio é um gesto de cuidado e não de fracasso.

Considerações finais
O vazio existencial conectado nos lembra de que conexão digital não é sinônimo de vínculo humano. O que nos sustenta como pessoas é a experiência de sermos vistos, ouvidos e reconhecidos por alguém que importa para nós. As telas podem ser pontes, mas jamais substituem o encontro real.

O counseling familiar não promete eliminar a tecnologia da vida cotidiana. O que ele oferece é a possibilidade de transformar a convivência em verdadeiro encontro e de lembrar que, no fim, aquilo que preenche o vazio raramente está do outro lado de uma tela, mas pode estar logo ali, do outro lado da mesa.


São Martinho de Lima (ou de Porres)





Martinho de Lima sofreu muito com o preconceito, desde seu nascimento no dia 9 de dezembro de 1579. Filho de um cavalheiro espanhol, Juan de Porres, e de uma ex-escrava negra chamada Ana, o menino foi rejeitado pelo pai e pelos parentes, por ser mulato. Tanto que, na sua certidão de batismo, constou "pai ignorado".


Aos oito anos de idade, Martinho se tornou aprendiz de barbeiro-cirurgião, mas a vocação religiosa lhe falou mais alto. Entretanto, pelo fato de ser mulato, demorou a ser aceito, e só a muito custo conseguiu entrar como oblato num convento dos dominicanos.

Encarregava-se dos mais humildes trabalhos do convento, particularmente o de varrer, e era barbeiro e enfermeiro dos seus irmãos de hábito. Conhecedor profundo de ervas e remédios, devido à aprendizagem que tivera, também socorria todos os doentes pobres e mendigos da região. Martinho recebeu o dom dos milagres, e suas orações chegavam ao êxtase místico. Em atenção às suas virtudes, foi-lhe excepcionalmente concedida a profissão de irmão leigo. Com as esmolas que recebia fundou em Lima um hospital para meninos abandonados e colégio só para o ensino das crianças pobres, o primeiro do Novo Mundo.

Morreu aos sessenta anos, no dia 3 de novembro de 1639, após contrair uma grave febre; imediatamente após o seu falecimento, foi honrado e venerado como santo. A sua vida foi marcada pela prática da caridade.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, C.Ss.R.
Revisão e acréscimos: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

São Martinho, homem cheio do Espírito Santo e de obras no Amor, conseguia servir a Cristo no próximo. Mendigo por amor aos mendigos, destacou-se pela humildade, piedade e caridade. Numa sociedade preconceituosa, manifestou claramente que Deus abençoa especialmente os humildes de coração, independentemente da sua condição diante dos valores mundanos.

Oração:

Ó Senhor Deus, que exaltais os humildes e em sua pequenez deixais brilhar Vossa grandeza e Vosso poder, fazei que, pela intercessão de São Martinho, possam os enfermos e os moribundos alcançar a saúde e o consolo, e que o testemunho da sua fé e do seu amor por Vós ilumine o último dia de nossas vidas. Amém.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Comissão inicia processo de escuta para preparação do Ano Missionário Nacional 2028-2029



A Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) iniciou um processo de escuta para a construção do projeto do Ano Missionário Nacional, que será celebrado de 26 de novembro de 2028 a 18 de novembro de 2029. A iniciativa busca envolver dioceses, arquidioceses, prelazias, pastorais, movimentos, organismos e comunidades eclesiais na elaboração de propostas que fortaleçam a consciência missionária da Igreja no Brasil.

A realização do Ano Missionário Nacional foi aprovada durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, como parte da preparação para o 7º Congresso Americano Missionário (CAM 7), que acontecerá de 14 a 18 de novembro de 2029, na arquidiocese de Curitiba (PR).

O presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, dom Maurício da Silva Jardim, destacou a importância da participação das Igrejas locais nesse processo.

“Queremos convidar você, sua diocese, arquidiocese, prelazia, instituição e organismo a participar da preparação. Como caminho, queremos fazer uma escuta que nos ajudará a planejar um projeto de Ano Missionário Nacional, que vai ajudar nossas Igrejas locais na animação da consciência missionária aberta a todos os povos”, afirmou.

Segundo a Comissão, a proposta é promover um caminho sinodal de comunhão, participação e missão, incentivando a formação, a espiritualidade e a cooperação missionária entre as Igrejas. A iniciativa também pretende fortalecer o compromisso de todos os batizados com o anúncio do Evangelho, especialmente nas periferias e nas diferentes fronteiras geográficas, sociais e culturais.

Como participar da escuta
O instrumento de escuta apresenta três perguntas que devem orientar as contribuições: qual deve ser o objetivo do Ano Missionário Nacional, o que não pode faltar no projeto e quais sugestões podem colaborar para sua elaboração.

As respostas devem ser construídas a partir das realidades locais, preferencialmente por meio de encontros comunitários que favoreçam a participação de lideranças, pastorais, movimentos, conselhos missionários e demais organismos eclesiais.

As contribuições poderão ser encaminhadas à comissão preparatória até 28 de fevereiro de 2027, por meio do formulário: https://forms.gle/uzhC3PDW3nxex2Xu9

Dom Maurício reforçou o convite à participação e explicou que as propostas recolhidas vão subsidiar a elaboração do projeto nacional. Veja o vídeo abaixo:

Preparação para o CAM 7
O 7º Congresso Americano Missionário terá como tema “América em saída: povo de Deus que anuncia e testemunha Jesus Cristo!” e como lema “Igrejas da América, em missão nas fronteiras”.

O encontro pretende fortalecer a experiência sinodal e a cooperação entre as Igrejas do continente, incentivando uma presença missionária comprometida com os desafios da evangelização.


Mais do que preparar a realização do Congresso, o Ano Missionário Nacional busca impulsionar um processo permanente de renovação missionária nas comunidades e estruturas eclesiais.

“Juntos, caminhando na mesma missão, que é de Deus. E Deus confia a nós sermos cooperadores desta missão”, concluiu dom Maurício.

Leão XIV: a IA jamais deve decidir sobre a vida humana



O Papa manifestou a necessidade de criar instituições internacionais capazes de colocar em prática princípios éticos que orientem o desenvolvimento da inteligência artificial. E proibir armas autônomas letais, reiterando que a IA deve ser "desarmada".

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

O tema da inteligência artificial (IA) esteve no centro do discurso de Leão XIV aos participantes do encontro “O Futuro da IA: Um Diálogo entre o Vaticano e o Mundo Científico sobre os Avanços e as Aplicações das Tecnologias Inteligentes”. A iniciativa foi organizada pela Pontifícia Academia para a Vida e pelo Instituto Futuro da Vida.

Ao reunir especialistas de diversos países, o evento evidencia um sentimento comum que, segundo o Papa, é o de inquietação em relação ao desenvolvimento da inteligência artificial e os seus rumos. O Pontífice desenvolveu cinco considerações, a partir de sua Encíclica Magnifica humanitas.

Em primeiro lugar, o futuro da inteligência artificial não está predeterminado. "Por ser uma tecnologia desenvolvida pelos seres humanos, seu futuro depende das escolhas que fizermos", ressaltou o Papa. Temos, portanto, a responsabilidade de orientar, transformar e, quando necessário, rejeitar suas aplicações. Para o Santo Padre, a questão decisiva não é simplesmente “O que a IA pode fazer?”, mas sim “A que finalidade ela deve servir?”.

"Aqueles que encaram seu desenvolvimento meramente como uma corrida a ser vencida correm o risco de se concentrar exclusivamente na linha de chegada, esquecendo-se daqueles que ficam para trás."

Em segundo lugar, as máquinas são ferramentas, não pessoas. Leão XIV alertou quanto a propostas que pretendem conceder direitos a esses sistemas, ou até mesmo personalidade jurídica, obscurecendo a responsabilidade humana.

A inteligência artificial deve ser "desarmada"
Em terceiro lugar, apontou o Pontífice, certas decisões nunca devem ser delegadas: "As decisões que afetam a vida humana, a liberdade e o uso da força devem permanecer sempre sujeitas a uma supervisão humana eficaz, informada e responsável", disse o Papa, citando o exemplo dos bancos de dados de controle de fronteiras.

A este propósito, Leão XIV encorajou os Estados que se reunirão em Genebra em novembro a tomarem medidas concretas no sentido de proibir armas autônomas letais, reiterando que a inteligência artificial deve ser "desarmada".

Em quarto lugar, as tecnologias inteligentes devem ser orientadas para o bem comum e não servir meramente aos interesses de um pequeno grupo privilegiado.

Por fim, o Papa destacou o desafio que considera o mais urgente. E se trata de ter instituições, especialmente internacionais, capazes de colocar em prática princípios éticos que orientem o desenvolvimento da inteligência artificial. "Isso exige normas compartilhadas, supervisão independente e mecanismos claros de prestação de contas, para que as decisões relativas ao desenvolvimento e ao uso da IA possam ser examinadas, questionadas quando necessário e acompanhadas de medidas corretivas adequadas para qualquer dano causado."

Leão XIV concluiu agradecendo ao grupo por suas contribuições nessa área e exortando a perseverarem e trabalharem juntos "em espírito de diálogo e responsabilidade compartilhada pelo bem comum".

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EVANGELHO DO DIA (Lc 14,1-6)

ANO "A" - DIA: 30.10.2026
30ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

1 Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. 2 Diante de Jesus, havia um hidrópico. 3 Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da Lei e aos fariseus: "A Lei permite curar em dia de sábado, ou não?" 4 Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o. 5 Depois lhes disse: "Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?" 6 E eles não foram capazes de responder a isso.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Acolher a vontade do bom Deus"

A vontade do Pai revela o transbordar da misericórdia
“É permitido fazer o bem em dia de sábado?” (Lucas 14,1-6)

Irmãos e irmãs, Jesus mostra que o amor nunca pode ser prisioneiro de uma interpretação fria que nós mesmos fazemos. A lei existe para conduzir a vida, nunca para impedir a misericórdia. Portanto, no dia de sábado, devemos fazer o bem.

A vontade do Pai é que façamos o bem
Se na lei falava do descanso, de guardar o sábado, o sábado não é maior do que a vida humana, é uma instituição em si. Portanto, é permitido fazer o bem, sobretudo nos dias de preceito também. O Senhor continua nos perguntando se a nossa fé aproxima as pessoas ou as afasta.

É o que está em jogo no Evangelho de hoje. Se você lê o Evangelho completo, vai ver que tem uma noção de afastamento. Afastamento tendo em vista um preceito. Mas se o preceito afasta, ele deixa de cumprir a sua finalidade. Devemos perguntar: cura ou apenas lança culpa sem gerar transformação de vida? A nossa fé cura, a nossa fé transforma ou não?

O preceito deve produzir amor
Nós, enquanto discípulos de Jesus, não devemos escolher entre verdade e caridade. Na verdade, devemos viver as duas de maneira inseparável. Onde há verdadeiro amor, ali a vontade de Deus sempre encontrará espaço para agir. Que o Senhor encontre verdadeiro amor em nosso coração para podermos fazer a vontade d’Ele, para podermos fazer o bem também no dia de sábado, porque não é proibido.

Sobre você desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edilson Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova