quarta-feira, 15 de julho de 2026

Secretários dos regionais falam da acolhida das novas diretrizes nas dioceses do Brasil


O secretário-executivo do regional Sul 3, padre Rogério Ferraz de Andrade, afirmou ser muito importante para quem trabalha na linha de frente da missão da Igreja estar atento e alinhado ao que os bispos e a Igreja no Brasil esperam de seu papel.

“Esses dias aqui em Brasília, no Encontro com Bispos Secretários e Secretários-Executivos dos regionais, nos ajudam a compreender em que consiste a missão do secretário executivo de um regional”, afirmou.

Segundo o padre Rogério, em razão de seu papel pastoral, a função do secretário executivo de um regional, vai além de apenas articular as questões administrativas. “Para nós é uma alegria encontros como este. São dias de partilha, encontro com os outros secretários e os responsáveis pela gestão na CNBB, sendo um tempo de muito crescimento, aprendizado e harmonia”, disse.

Alegrias e esperanças da evangelização


O bispo de Pesqueira (PE) e secretário do regional Nordeste 2 da CNBB, dom José Luiz Ferreira Sales, destacou a contribuição do Encontro para a implementação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) – 2026-2032.

“Nesta reunião tão importante, aqui na sede da CNBB, temos a oportunidade de partilhar o chão de onde viemos, do nosso povo e da nossa gente. Também as alegrias e as esperanças do trabalho Evangelizador. De modo muito especial, agora, com as novas diretrizes”, ressaltou.

Dom José Luiz destacou a beleza do caminho feito com as novas diretrizes. “Tivemos uma boa acolhida, em nossas Igrejas Particulares, das novas diretrizes. É uma contribuição valiosa que a gente partilha de evangelização no Brasil, escutando o Brasil inteiro através de seus regionais”, afirmou.

Diálogo e escuta
O subscretário adjunto de pastoral da CNBB, padre Tiago Ávila, reforçou o papel do encontro com os bispos secretários e secretários-executivos dos 19 regionais da CNBB, realizado uma vez por ano na sede da conferência. “É uma alegria poder acolher esses nossos irmãos e irmãs que colaboram diretamente na missão do regionais junto às Igrejas locais”, disse.

O objetivo, segundo o padre Tiago, é oferecer uma espaço de partilha das experiências pastorais e administrativas e tudo o que envolve a vida dos regionais e o diálogo com a CNBB.

O subsecretário adjunto de pastoral da CNBB, reforça que, de modo especial, com as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026-2032, o secretariado de pastoral da CNBB, está criando uma oportunidade no diálogo e de escuta poder construir um caminho bonito, no qual se partilha as experiências, conhece os desafios em função de uma caminhada conjunta.


Programação do segundo dia
A manhã do segundo dia do encontro, terça-feira, (14), foi dedicada às questões administrativas, jurídicas, contábeis e de gestão do patrimônio.

A tarde foi dedicada à uma conversa reservada dos bispos secretários dis regionais com o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers (foto abaixo).

O próximo encontro dos secretários-executivos será realizado no regional Leste 3, em Vitória no Espírito Santo, em novembro deste ano. Padre Tiago destaca que trata-se de uma oportunidade também de encontro, convívio e partilhas, avançando nesta construção bonita e importante entre o secretariado geral da CNBB com os secretários dos regionais.

Secretário-geral se encontra com bispos secretários. 
Fotos: Fiama Tonhá – ASCOM CNBB.

Veja fotos do encontro no link abaixo:


Por Willian Bonfim

Guerra e IA: no Borgo Laudato si’, reflexões sobre o futuro da paz

Castel Gandolfo sedia um encontro entre vencedores do Prêmio Nobel, especialistas e representantes de grandes empresas de tecnologia para debater o desenvolvimento da Inteligência Artificial e as implicações para a condição humana. Na quinta (16/07), no Campidoglio, será assinada uma declaração que visa promover uma visão da segurança internacional baseada na cooperação, na dignidade humana e no desenvolvimento integral. O cardeal Tomasi: “a linguagem da dissuasão voltou a dominar as relações".

Federico Piana - Castel Gandolfo

Trinta vencedores do Prêmio Nobel, 20 dos principais especialistas em Inteligência Artificial, incluindo membros de gigantes da tecnologia como OpenAI, Google DeepMind, AarU e Anthropic. Além disso, 30 ex-chefes de Estado e de governo e 30 representantes das universidades e instituições de pesquisa mais importantes e influentes do mundo, como a Universidade de Harvard, a Universidade de Oxford e a Universidade de Columbia, apenas para citar algumas.

Diálogo construtivo
A partir de hoje e até o próximo dia 16 de julho, o Borgo Laudato si’ está sediando a “Global Nobel Laureates Assembly on Artificial Intelligence and Nuclear War” — a Assembleia Mundial dos Prêmios Nobel sobre Inteligência Artificial e Guerra Nuclear — cujo objetivo declarado é promover um debate construtivo sobre “o futuro da segurança internacional, a governance das tecnologias emergentes, o desarmamento e a construção de uma economia de paz”. E a paz, como destacou na saudação de boas-vindas o cardeal Fabio Baggio, pro-prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral e diretor-geral do Centro de Formação Superior do Borgo Laudato si’, “não representa simplesmente a ausência de guerra. É uma ordem fundamentada na justiça, na confiança mútua, no respeito ao direito e na dignidade inviolável de cada ser humano”.

A serviço do bem comum
A Inteligência Artificial, portanto, torna-se uma ferramenta que deve estar autenticamente voltada para o serviço à pessoa e à paz: “ela constitui uma oportunidade extraordinária para o progresso da medicina, da pesquisa, da educação, da economia e da cooperação entre os povos. Justamente por isso, ela exige uma reflexão ética proporcional ao alcance de suas consequências”.

As reflexões sobre o futuro da humanidade

Visão ampla
O evento, iniciado na manhã desta terça-feira (14/07), foi idealizado por diversas organizações internacionais que atuam nas áreas de desarmamento, gestão de crises humanitárias e estudos científicos de ponta, inspirando-se e alimentando-se da encíclica de Leão XIV, Magnifica humanitas, sobre a proteção da pessoa humana na era da Inteligência Artificial e, como afirmam os organizadores, “insere-se na visão do Pontífice de uma paz desarmada e desarmante”.

No centro do debate destes dias está a busca por um novo paradigma global capaz de conciliar inovação, responsabilidade e ética. E certamente não é por acaso que um evento de tão grande alcance esteja ocorrendo justamente no Borgo Laudato si’, 55 hectares dentro das vilas pontifícias de Castel Gandolfo, que abrigam não apenas jardins históricos, estufas, hortas, olivais, vinhedos, árvores monumentais e inúmeras espécies vegetais, mas, essencialmente, um centro de pesquisa, acolhimento, formação e reflexão sobre a relação entre o homem, a natureza, a tecnologia e o desenvolvimento.

Mudança geopolítica
Um crescimento tecnológico que, nos últimos anos, vem recebendo um grande impulso da corrida pelos algoritmos, explicou o cardeal Silvano Maria Tomasi, núncio apostólico e presidente da Fundação Communis, entidade dedicada a apoiar encontros internacionais, fóruns e eventos centrados na ética e na promoção do bem comum: «a Inteligência Artificial, os sistemas autônomos, as tecnologias quânticas, as capacidades informáticas e as infraestruturas computacionais avançadas estão redefinindo o próprio conceito de segurança». Essas inovações técnicas, explicou o cardeal, estão repercutindo em um cenário geopolítico mundial em que “a linguagem da dissuasão voltou a dominar as relações internacionais, as ameaças nucleares são novamente invocadas abertamente e as atuais estruturas de controle de armamentos têm se enfraquecido progressivamente”.

A conferência que começou nesta terça-feira (14/07)

O perigo de Babel
O cardeal Tomasi afirmou, com preocupação, que os conflitos regionais envolvem cada vez mais as potências globais, enquanto a possibilidade de uma escalada nuclear não é mais vista como um cenário abstrato, mas como um risco concreto e iminente. Citando a Magnifica humanitas, o cardeal quis lembrar que a humanidade de hoje se depara com uma escolha, como, no fundo, aconteceu com todas as gerações: «a de construir uma nova Babel, onde o poder tecnológico se torna um ídolo que promete a salvação, reduzindo, ao mesmo tempo, a pessoa humana a dados, eficiência e controle. Ou reconstruir Jerusalém, onde a diversidade se torna comunhão, a tecnologia está a serviço da fraternidade e toda inovação é medida com base na dignidade da pessoa humana, e não na expansão do poder. O Santo Padre nos lembra que a tecnologia nunca é moralmente neutra”.

Direitos fundamentais
A convicção de que um algoritmo, capaz de alterar profundamente o modo de viver e trabalhar do ser humano, não pode substituir a capacidade de discernimento humano é compartilhada também pelo cardeal Ángel Fernández Artime, pro-prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Em sua intervenção diante dos palestrantes e convidados internacionais, ele destacou que “o problema não é a tecnologia, mas a orientação que queremos dar a ela. Se não levarmos em conta os direitos fundamentais, corremos o risco de criar sistemas que favoreçam o controle, a manipulação e até mesmo novas formas de desigualdade”.

Alguns hóspedes da conferência ao testar mecanismos de IA

Rumo à Declaração de Roma
Durante toda a manhã desta terça-feira (14/07), houve inúmeras intervenções de vencedors do Prêmio Nobel, especialistas, ex-chefes de Estado e de governo e representantes de organizações da sociedade civil. A tarde continuaram as sessões a portas fechadas, em um processo de escuta e compartilhamento.

Ao final dos três dias de trabalhos será redigida a “Declaração de Roma por uma paz desarmada e desarmante na era da Inteligência Artificial, das armas nucleares e autônomas, dos novos protocolos digitais e dos modelos emergentes de desenvolvimento digital”, que será apresentada no dia 16 de julho no âmbito de um evento solene a ser realizado no Campidoglio. Este documento, segundo informaram os organizadores, “tem como objetivo definir princípios e diretrizes para a governance da Inteligência Artificial, promovendo uma visão da segurança internacional baseada na cooperação, na dignidade humana, no desenvolvimento integral e na paz entre os povos”.

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EVANGELHO DO DIA (Mt 11,25-27)

ANO "A" - DIA: 15.07.226
15ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIA DE SÃO BOAVENTURA

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois, revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

25 Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: "Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27 Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Esconder em Jesus para testemunhar o Seu amor"

Esconder-se em Cristo para testemunhar a Sua luz
Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado” (Mateus 11,25-27).

Meus irmãos e minhas irmãs, aparecem dois termos no Evangelho de hoje que servem para nossa reflexão: esconder e revelar.

Esconder e revelar um caminho interior
Os dois vocábulos gregos são kriptein e apocalyptein. O primeiro, kriptein, gera uma palavra muito conhecida de todos nós no português, que é “cripta”. Normalmente associada a um lugar subterrâneo onde se depositavam os corpos dos santos, dos mártires. E também relíquias importantes para serem preservadas como um lugar de peregrinação. Muitas basílicas que visitamos têm uma cripta.

Em uma geração onde tudo é postado: tudo o que se faz, tudo o que se fala, tudo o que se come, tudo o que se vive. Parece até um alerta para nós cristãos, para não perdermos a capacidade do recolhimento, do escondimento, para saborear as coisas divinas.

Nós não podemos nos deixar escravizar pela mentalidade do aparente, do midiático. Nós devemos retornar às criptas de antigamente. Não mais aquelas feitas de pedras, nos subsolos das igrejas, mas àqueles lugares privilegiados de encontro com Cristo para receber dele a sabedoria para conduzir bem a nossa vida.

A revelação e o anúncio do amor
O segundo termo que apareceu é apocalyptein, que também gera uma palavra que é “apocalipse”, a qual conhecemos muito bem como revelação, tornar conhecido ou manifestar. Também nós podemos olhar para o mundo de hoje, onde a verdade do Evangelho, em muitos contextos, tem sido escondida, trancada e, até mesmo em algumas culturas, aprisionada.

Essa verdade de Cristo precisa ser revelada não apenas com palavras, mas, antes de tudo, com a própria vida. Revelá-la primeiramente aos mais pequeninos, aqueles que ainda não conheceram a palavra e nem tiveram a oportunidade de encontrar-se com Cristo. São esses dois movimentos que nós, cristãos, precisamos fazer: esconder-nos no coração de Cristo para poder revelá-lo com mais entusiasmo a todas as pessoas.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Deus não se apressa nem se atrasa: Confie no tempo de Deus

As promessas de Deus e o tempo do homem

Há uma inquietação silenciosa que habita o coração humano: o medo de que o tempo passe e as promessas não se cumpram, o receio de que a porta se feche antes de entrarmos, a angústia de sentir que a vida escorre pelos dedos enquanto esperamos.

No Evangelho, encontramos uma cena que parece um paradoxo. Jesus está cercado por aqueles que querem prendê-lo, silenciá-lo, antecipar um desfecho que imaginavam ser o fim. As mãos estão estendidas, prontas para agarrá-lo. Mas algo acontece: ninguém pôs a mão n’Ele. Não porque faltasse vontade ou força, mas porque, no mistério profundo da soberania divina, ainda não tinha chegado a Sua hora.

Essa pequena frase carrega um dos maiores consolos da vida espiritual: Deus não se apressa, mas também nunca se atrasa.


A pressa é nossa, não d’Ele
Nós vivemos numa cultura da urgência. Queremos respostas imediatas, soluções rápidas, milagres que caibam no nosso calendário. Quando a resposta demora, confundimos silêncio com ausência, espera com abandono. Mas o tempo de Deus não é cronológico — é kairós: o momento exato em que o eterno irrompe no tempo para cumprir o que foi prometido.

Jesus sabia que sua “hora” era a cruz. E, no entanto, Ele não correu para ela, nem fugiu dela. Ele caminhou em obediência passo a passo, dia após dia, até que o Pai dissesse: Agora. Enquanto essa hora não chegava, ninguém podia tocá-lo. Não porque Ele estivesse escondido, mas porque estava protegido dentro da vontade do Pai.

A pressa é, muitas vezes, uma desconfiança disfarçada. Quando tentamos apressar Deus, estamos, no fundo, duvidando que Ele sabe o que faz. Mas a Escritura nos lembra: “Aquele que crê em mim não será apressado” (Is 28,16, segundo a Septuaginta). A fé nos ensina a esperar sem desespero.

O atraso que nunca acontece
Se Deus não se apressa, também não se atrasa. E isso é igualmente importante, porque há momentos em que sentimos que o tempo já passou, que as oportunidades se foram, que a vida perdeu o sentido. Para o coração humano, existe uma dor particular nas promessas que parecem tardar.

Mas, na perspectiva do Evangelho, o que chamamos de “atraso” é, na verdade, o tempo necessário para que tudo seja feito em plenitude. Jesus só foi à cruz quando tudo estava pronto: o ensino concluído, os discípulos formados, o coração dos homens exposto, o plano do Pai maduro. Se tivesse ido antes, a missão ficaria incompleta; se tivesse ido depois, o mistério perderia sua precisão Divina.

Deus não trabalha com atrasos. Ele trabalha com plenitudes. Quando a hora chega, ela chega no ponto exato — nem um dia antes, nem um momento depois. O que nos parece demora é, na verdade, o cuidado de Quem não quer entregar uma obra pela metade.


O que fazer enquanto a hora não chega?

Essa é a pergunta que nos confronta. Se Deus não se apressa nem se atrasa, qual deve ser a nossa postura enquanto aguardamos?

A resposta está na própria vida de Jesus. Enquanto a hora não chegava, Ele viveu. Pregou, curou, caminhou, ensinou, amou. Não se apressou, mas também não parou. A espera, para Ele, não foi vazia — foi tempo de missão, de presença, de obediência cotidiana.

Assim também conosco. A espera não é um vácuo, mas um solo fértil. É nela que Deus nos prepara, nos forma, nos ensina a confiar. É na aparente demora que Ele nos mostra que nossa vida não está suspensa — ela está sendo tecida, linha por linha, até que o desenho final se revele.
Tempo de Deus: a confiança que sustenta

A frase “ainda não tinha chegado a sua hora” nos devolve uma paz que o mundo não pode dar: a paz de saber que nossa vida está nas mãos de Alguém que conhece o tempo certo para tudo. Não estamos à mercê do acaso, nem reféns das intenções alheias. Há uma “hora” determinada para cada promessa, para cada livramento, para cada entrega que nos é pedida.

Até lá, estamos protegidos. Não porque não haja adversidades, mas porque, enquanto não chega a nossa hora de cruz — seja ela qual for —, há uma soberania invisível que guarda nossos passos. Ninguém pode antecipar o que Deus determinou para o tempo exato.

Por isso, descansemos. Deus não se apressa porque é eterno, e Sua eternidade não o torna indiferente ao nosso tempo — ao contrário, ela o torna perfeitamente fiel. Ele não se atrasa porque é amor, e o amor nunca falha, nem chega tarde demais.

Deus não se apressa nem se atrasa. Ele chega sempre na hora certa — a hora da glória, a hora do encontro, a hora do cumprimento.

Até lá, confie. Viva. Espere. A sua hora ainda não chegou, mas quando chegar, você saberá: foi exatamente no tempo de Deus.

Autor:
Pe Elenildo Pereira
Sacerdote da C. Canção Nova

São Boaventura

João de Fidanza nasceu no ano de 1218 em Bagnorea (atualmente Bagnoregio), região de Viterbo, Itália. Seu pai era um médico famoso, mas não conseguiu curá-lo de uma enfermidade grave na infância, que foi obtida quando a família reunida a pediu por intercessão de São Francisco de Assis.

Foi para Paris estudar, e lá, aos 20 anos, entrou para a Ordem Franciscana com o nome de Boaventura. Concluídos em 1253 os cursos de Filosofia e Teologia na Universidade de Paris, foi nela nomeado, no mesmo ano, catedrático das duas matérias, pois sua inteligência e sabedoria o destacavam. Nesta mesma universidade conheceu e fez grande amizade com São Tomás de Aquino, a partir da qual muitas e fundamentais obras espirituais e literárias surgiram através de ambos, conduzindo a Igreja nos séculos futuros.

Boaventura via na Ordem Franciscana, e por isso com ela se identificou, um reflexo da própria Igreja, pois ambas haviam surgido entre homens simples e humildes, só posteriormente agregando-se a elas os nobres e cultos. As ordens mendicantes, como a dos franciscanos, representavam assim as origens da Igreja, e por isso precisavam ser preservadas.

Em 1254 surgiu grande controvérsia entre os mestres seculares e os das ordens mendicantes, os primeiros argumentando que aquelas não deveriam ser reconhecidas pelas universidades. Foi na defesa destas Ordens que, pelas suas qualidades superiores como teólogo e orador, Boaventura se destacou no meio eclesiástico.

Em 1257 ele foi nomeado pelo Papa Alexandre IV, em função da sua virtude e cultura, ciência e sabedoria, como superior geral dos franciscanos (com o título oficial de Ministro-Geral da Ordem dos Frades Menores). Por isto deixou o ensinou nos seguintes 18 anos, bem como teve que viajar muito pela Europa em missões importantes.

Em 1260 escreveu uma biografia de São Francisco de Assis, a Legenda Maior, superior a todas as anteriores e com o objetivo de fortalecer a unidade da Ordem, que já contava com cerca de 30 mil frades, mas se via ameaçada por espiritualidades discutíveis e influências mundanas. O famoso pintor Giotto inspirou-se nesta obra para realizar sua série “Histórias de São Francisco”.

O Papa Gregório X o tornou bispo e cardeal de Albano Laziale em 1273, encarregando-o de organizar e dirigir o Concílio de Lyon de 1274, no qual foi trabalhada a unidade entre a Igreja latina e a grega, bem como a reconciliação entre o clero secular e as ordens mendicantes

Além de todas estas suas altas funções e responsabilidades, Boaventura escreveu ainda uma vasta e profunda obra, abordando quase todos os assuntos acadêmicos da sua época, com destaque porém para a Filosofia e Teologia, testemunhando a relação mútua entre estas duas disciplinas, com a submissão da primeira à segunda. Para ele, Cristo é o caminho de todas as ciências, e só a Verdade revelada pode uni-las e plenificá-las para o seu objetivo de levar ao conhecimento de Deus.

Procurando sempre fundamentar com a Razão as verdades da Fé, tomou a Caridade como base do seu pensamento teológico. Este foi desenvolvido num total de 11 volumes. Entre os muitos e diversos textos, destacam-se "Comentário sobre as Sentenças de [Pedro] Lombardo”, (incluindo "Comentário sobre o Evangelho de São Lucas", Itinerarium Mentis in Deum, Breviloquium, De Reductione Artium ad Theologiam, Soliloquium e De septem itineribus aeternitatis), realizado por ordem dos seus superiores, quando tinha apenas 27 anos. Escreveu o tratado “Sobre a Perfeição da Vida" para Santa Isabel de França, irmã de São Luís IX de França, e suas clarissas.

Após duas e decisivas intervenções no Concílio de Lyon, São Boaventura faleceu em 15 de julho de 1274, assistido pessoalmente pelo Papa.

O modo exemplar como conduziu a ordem franciscana o tornou conhecido por “Segundo Fundador” e “Segundo Pai” da mesma. Recebeu o título de Doutor da Igreja – “Doutor Seráfico”, paralelamente a São Tomás de Aquino, o “Doutor Angélico”.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Fato comum na vida dos santos é a influência benéfica e inicial da família na sua formação espiritual, independentemente da situação cultural, social ou econômica. São Boaventura foi curado na infância pela intercessão da família reunida… não apenas por um dos pais, por exemplo, mas por toda a família. A oração em família é, de fato, um caminho de cura para muitos males e para a obtenção de muitas graças, e precisa ser urgentemente resgatada e valorizada como atividade habitual nos lares católicos. “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18,20): quanto mais se estes forem uma família… a de Nazaré rezava junta. Sua grandiosa obra, acadêmica, pastoral, evangelizadora, administrativa, e especialmente espiritual é centrada na Caridade, como fundamento teológico, fundamento este a que se submetem a Filosofia, e demais ciências: uma ordenação hierárquica que interconecta na Verdade o conhecimento e a ação humana sob a primazia de Deus. Escreveu que “Não basta a leitura sem a unção, não basta a especulação sem a devoção, não basta a pesquisa sem maravilhar-se; não basta a circunspecção sem o júbilo, o trabalho sem a piedade, a ciência sem a caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sem a graça”. Amém. São Boaventura foi também reformador da Ordem Franciscana, ameaçada então por discutíveis espiritualidades. E suspeitas influências humanas. Também hoje, no contexto maior da crise da Igreja em geral, os franciscanos foram muito atacados pela herética “Teologia da Libertação”. Rezemos para que o Senhor, a Virgem Maria, São Francisco de Assis e São Boaventura libertem a sã Teologia desta ideologia comunista infiltrada no Catolicismo, e que se espalhou também por outros dos seus setores.

Oração:

Senhor, que quereis reformar nossas almas no caminho da santidade, concedei-nos por intercessão de São Boaventura viver na Verdade da caridade, portanto em harmonia Convosco e com as criaturas em meio às desordens deste mundo, para que tenhamos a boa ventura de repousar em Vós depois dos nossos terrenos trabalhos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Inscrições prorrogadas, até 12/7, para o curso “Liderança e Coordenação de Grupos de Jovens”



As inscrições para o curso “Liderança e Coordenação de Grupos de Jovens” foram prorrogadas até o dia 12 de julho. A formação é promovida pela Comissão Episcopal para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pode ser feita de forma gratuita. O público-alvo são jovens de 14 a 29 anos que desejam liderar, coordenar, animar e servir melhor na missão junto às juventudes.

Segundo a Comissão para a Juventude da CNBB, o Curso de Liderança e Coordenação de Grupos de Jovens é uma proposta formativa da Pastoral Juvenil do Brasil, voltada a fortalecer o protagonismo juvenil e preparar jovens líderes para o serviço e a comunhão. “É um itinerário de amadurecimento humano, espiritual e pastoral, que ajuda o jovem a descobrir seu papel como discípulo missionário de Cristo no meio da juventude”, explica a Comissão para a Juventude.

A proposta é que, após a conclusão do curso, o jovem seja capaz de compreender e viver a identidade cristã da liderança; animar grupos com maturidade, fé e espírito comunitário; ser referência de compromisso e serviço em sua realidade pastoral; contribuir para a unidade e o crescimento da Pastoral Juvenil em sua diocese ou comunidade.

O curso é oferecido na plataforma de Ensino a Distância (EAD) dos Jovens Conectados, combinando teoria, espiritualidade e prática pastoral, estimulando os participantes a viverem a liderança como serviço e testemunho de fé. Os módulos combinam formação teórica, com base em documentos da Igreja e experiências da Pastoral Juvenil; reflexão pessoal e comunitária, a partir da realidade dos grupos de jovens; ação prática, com propostas de aplicação no cotidiano das comunidades.


Papa: que os ventos da guerra não apaguem a chama da esperança e da paz



Após rezar a oração do Angelus em Castel Gandolfo, Leão XIV voltou a fazer um forte apelo pela paz diante dos conflitos que atingem diversas regiões do mundo. O Pontífice recordou as populações afetadas pelas guerras no Oriente Médio, na Ucrânia e em outras partes do planeta, pedindo que prevaleçam o diálogo, o encontro e a diplomacia.

Thulio Fonseca – Vatican News

Em seus apelos, ao término da oração mariana deste domingo, 12 de julho, na Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo, o Papa Leão XIV voltou a manifestar sua preocupação com os conflitos que continuam a provocar sofrimento em diversas regiões do mundo e renovou seu apelo em favor da paz:

“Infelizmente, voltam a soprar os ventos da guerra no Oriente Médio, na Ucrânia e em muitas outras partes do mundo, semeando violência, terror e morte e atingindo, mais uma vez, tantos inocentes. Não permitamos que esses ventos apaguem a chama da esperança e da paz, mesmo quando ela parece frágil e vacilante. Reitero o meu apelo para que se prossiga com perseverança o caminho do diálogo, do encontro e da diplomacia, o único caminho capaz de conduzir a uma paz justa e duradoura, na qual os povos possam viver reconciliados, em segurança mútua e no respeito pela dignidade de cada pessoa.”

Domingo do Mar
Em seguida, o Papa recordou a celebração do “Domingo do Mar”, dirigindo um pensamento especial aos marinheiros, pescadores e trabalhadores portuários de todo o mundo. Leão XIV destacou aqueles que vivem marcados pela distância de seus familiares e, por vezes, pelo medo provocado pelos conflitos que atravessam as rotas marítimas, agradecendo o trabalho paciente e silencioso com que sustentam o comércio e a vida de muitos povos.

Saudação a Castel Gandolfo e aos fiéis poloneses
Por fim, o Santo Padre saudou os habitantes da "bela cidade de Castel Gandolfo", onde passa alguns dias de descanso, e acolheu com alegria os peregrinos vindos de diversas partes do mundo. O Papa também se uniu em oração aos numerosos fiéis poloneses reunidos na peregrinação anual diante do ícone de Jasna Góra, pedindo que, "como discípulos missionários, sejam testemunhas alegres do Evangelho".

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EVANGELHO DO DIA (Mt 11,20-24)

ANO "A" - DIA: 14.07.226
15ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Oxalá ouvísseis hoje a sua voz. Não fecheis os corações como em Meriba!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus começou a censurar as cidades onde fora realizada a maior parte de seus milagres, porque não se tinham convertido. 21 "Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se os milagres que se realizaram no meio de vós, tivessem sido feitos em Tiro e Sidônia, há muito tempo elas teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinza. 22 Pois bem! Eu vos digo: no dia do julgamento, Tiro e Sidônia serão tratadas com menos dureza do que vós. 23 E tu, Cafarnaum! Acaso serás erguida até o céu? Não! Serás jogada no inferno! Porque, se os milagres que foram realizados no meio de ti tivessem sido feitos em Sodoma, ela existiria até hoje! 24 Eu, porém, vos digo: no dia do juízo, Sodoma será tratada com menos dureza do que vós!"

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Acolhida sincera da voz de Jesus"

A acolhida do Evangelho nos livra das escolhas erradas
Naquele tempo, Jesus começou a censurar as cidades onde fora realizada a maior parte dos seus milagres, porque não se tinham convertido: “Ai de ti, Corazim, ai de ti, Betsaida. Porque se os milagres que se realizaram no meio de vós tivessem sido feitos em Tiro e Sidônia, há muito tempo elas teriam feito penitência, vestindo-se de e cobrindo-se de cinzas” (Mateus 11,20-24).

Ai de ti, Corazim. Ai de ti, Betsaida. Parece até que a gente escuta a voz da nossa mãe quando ela queria nos advertir de alguma coisa. E não era por ódio, nem por vingança, terror ou ameaça. Era por amor. Era para evitar que uma escolha errada nossa depois nos fizesse mal lá na frente.

Jesus sofre diante a dureza do coração
Essa interjeição do Evangelho indica uma tristeza. Um pesar, justamente uma preocupação de Jesus com o grau de dureza e fechamento dos habitantes daquelas cidades diante da proposta de salvação que Jesus lhes apresentava. Jesus sofre porque as duas cidades às quais Ele dedicou mais tempo, força, empenho, entusiasmo, são as que menos se abriram a sua mensagem.

Na experiência de amor de uma mãe, pai, amigo ou no matrimônio, às vezes acontece esse tipo de coisa muita dedicação e pouco resultado. A atitude de Jesus é de não desanimar diante disso, porque o amor de Jesus é gratuito. Isso que poupou Jesus de um desespero, na sua forma de amar.

A acolhida de Jesus é uma decisão
Jesus amava e pronto. Onde ele encontrava acolhida, ele entrava, fazia festa e a vida das pessoas era transformada, onde não havia acolhida como foram, são os casos de Betsaida e Corazim. O jeito era sacudir a poeira dos pés e seguir em frente.

As palavras de sentença que Jesus profere não são maldições, mas é apenas um modo de alerta para as consequências das nossas escolhas. Jesus não pode evitar um final escolhido por cada um de nós. Ele respeita a nossa liberdade, até mesmo usada de forma errada e leviana. Porém, Ele deixa claro aquilo que pode nos acontecer. Por isso, hoje, escute a voz de Jesus. Não desperdice a oportunidade que Ele está lhe dando.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Ferreira Heleno
Sacerdote Da C. Canção Nova