quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Pastoral do Turismo realiza XI Encontro Nacional em Lorena e anuncia Ituporanga como sede de 2027

A cidade de Lorena, no Vale do Paraíba paulista, recebeu, entre os dias 3 e 6 de setembro de 2026, o XI Encontro Nacional da Pastoral do Turismo (PASTUR). Com o tema “Caminhos Sustentáveis e Transformação”, o encontro reuniu agentes da pastoral, religiosos, profissionais do turismo, pesquisadores e representantes de diferentes regiões do Brasil para quatro dias de formação, espiritualidade, partilha de experiências e fortalecimento da missão evangelizadora da Igreja no universo do turismo.


A programação promoveu reflexões sobre os novos caminhos da Pastoral do Turismo no Brasil, relacionando evangelização, hospitalidade, desenvolvimento dos territórios, sustentabilidade, patrimônio, cultura e as transformações que também chegam à comunicação e à atividade turística.

Entre os temas abordados esteve “A expansão da Pastoral do Turismo no Brasil e sua missionariedade que transforma”, apresentado pelo padre Manoel de Oliveira Filho, assessor da PASTUR Nacional. A reflexão destacou a presença missionária da Pastoral e os desafios e possibilidades para sua expansão em novas dioceses e comunidades do país.

A programação formativa também discutiu turismo responsável, planejamento e captação de recursos, com João Gouveia Cezar; hospitalidade e Inteligência Artificial, com o professor Alexandre Panosso Netto; além da experiência do Caminho do Louvor, apresentada por Eduardo Bittelbrunn, relacionando fé, cultura e cuidado com a Casa Comum.

Os minicursos aprofundaram temas como turismo de base comunitária, criação de experiências e serviços turísticos com foco na economia circular; presença digital da PASTUR e utilização da Inteligência Artificial como aliada da missão; e orientações para a estruturação de novos núcleos da Pastoral do Turismo.

Uma roda de conversa também refletiu sobre o papel do guia de turismo religioso e sua contribuição para experiências capazes de integrar conhecimento, patrimônio, cultura e espiritualidade.

Visita técnica aproximou formação e experiência
Um dos destaques da programação foi a visita técnica, que possibilitou aos participantes conhecer espaços de relevância religiosa, histórica, cultural e turística da região.

O roteiro contemplou a Capela Nossa Senhora de Pentecostes, sede da Renovação Carismática Católica do Brasil; o Santuário de São Miguel, em Piquete; a Basílica Menor da Imaculada Conceição; e o Santuário Nossa Senhora da Cabeça, em um percurso por locais da diocese de Lorena e da arquidiocese de Aparecida.


Durante as visitas guiadas, os participantes puderam conhecer a história, a espiritualidade e as características dos locais, vivenciando na prática temas trabalhados ao longo do Encontro e percebendo como patrimônio, turismo e evangelização podem caminhar juntos.

A experiência foi concluída em Aparecida, com visita guiada e participação na Santa Missa no Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Sacerdotes presentes no XI Encontro Nacional da PASTUR também concelebraram a Eucaristia na Basílica, em um significativo momento de comunhão e espiritualidade.

Cultura, fé e devoção na noite de sábado
A programação também reservou espaço para a valorização das manifestações culturais e religiosas dos diferentes territórios brasileiros.

Na noite de sábado, os participantes vivenciaram uma partilha cultural marcada pelo musical “Canções para Nazaré”, que trouxe ao Encontro a história, a cultura e, sobretudo, a profunda devoção do povo paraense a Nossa Senhora de Nazaré.

Por meio de canções e narrativas, a apresentação resgatou histórias e elementos ligados ao Círio de Nazaré, unindo música, memória, identidade cultural e fé em uma experiência que aproximou os participantes de uma das grandes expressões da religiosidade popular do povo paraense.

A noite contou ainda com a participação especial do Padre Antônio Maria, proporcionando um momento de confraternização, música e espiritualidade.

Padre Antônio Maria voltou a participar da programação no domingo pela manhã, quando realizou uma apresentação especial para os participantes, proporcionando mais um momento de fé e evangelização antes do encerramento das atividades.
De Lorena para Ituporanga: o caminho continua em 2027

Ao final do XI Encontro Nacional, a Pastoral do Turismo também voltou o olhar para o próximo destino dessa caminhada. Ituporanga, em Santa Catarina, foi anunciada como sede do Encontro Nacional da PASTUR de 2027, que será realizado de 24 a 27 de novembro.

A escolha possui um significado especial: Ituporanga abriga atualmente o único núcleo da Pastoral do Turismo em Santa Catarina. A cidade e a comunidade local já começam a se articular para acolher agentes, lideranças e representantes da PASTUR vindos de diferentes regiões do Brasil.

A preparação envolve a Pastoral do Turismo local, a Paróquia Santo Estêvão, a diocese de Rio do Sul e representantes do município, fortalecendo também a parceria com o poder público para a organização do encontro e para a valorização das potencialidades religiosas, culturais e turísticas de Ituporanga e da região.

Depois de quatro dias de formação, espiritualidade, cultura, convivência, visitas técnicas e troca de experiências em Lorena, o XI Encontro Nacional reafirmou a missão da Pastoral do Turismo de ser presença da Igreja nos espaços de descanso, lazer, peregrinação e turismo, promovendo acolhida, evangelização, cuidado com a Casa Comum e valorização dos territórios.

Lorena encerra um capítulo dessa caminhada, mas a missão continua. De 24 a 27 de novembro de 2027, os caminhos da PASTUR de todo o Brasil se encontrarão novamente, desta vez em Ituporanga, Santa Catarina.

Com informações da Pastoral do Turismo


O Papa: a Igreja não está isolada do mundo, mas anuncia a esperança


Leão XIV recebeu os bispos nomeados recentemente que participam do curso de formação no Vaticano. Em seu discurso, ele assegurou que "nenhum bispo está sozinho" e os exortou a estarem próximos do povo, amando aqueles que Deus lhes confiou, especialmente os sacerdotes. O Pontífice olha para este tempo de mudanças e desenvolvimento tecnológico e indica a Magnifica humanitas como referência para enfrentar o grande desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

“Nenhum bispo caminha sozinho.” Nenhum bispo deve abandonar seu povo, mas sim conhecer suas alegrias, tristezas e sonhos, mantendo “um coração aberto a todos” — incluindo cristãos de outras confissões e fiéis de outras religiões — e anunciando o Evangelho nesta época, por vezes “desconcertante”, de rápidas mudanças e desenvolvimento da inteligência artificial. Assim, o Papa se dirigiu a 147 bispos de cinco continentes. São os prelados nomeados no último ano que participam do curso anual de formação no Vaticano, um espaço para favorecer o diálogo, a orientação e o conhecimento entre os que provêm de diversos contextos eclesiais, culturais e sociais. Noventa e oito bispos inscritos no programa oferecido pelo Dicastério para os Bispos e 49 no programa oferecido pelo Dicastério para a Evangelização participaram desta edição.

Bispos, servidores da comunhão na Igreja e no mundo de hoje, foi o tema deste minicurso oferecido aos novos bispos, que começou em 2 de setembro e terminou na manhã desta quinta-feira, dia 10, com uma audiência com o Papa Leão XIV na Sala do Sínodo. Ele iniciou o encontro pedindo "uma oração pelo descanso eterno" do pai do cardeal Louis Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, que faleceu há alguns dias.

"Nenhum bispo caminha sozinho"
Leão XIV começou seu discurso dizendo estar "sinceramente feliz" com a "experiência única de fraternidade" vivida pelos prelados nos últimos dias: juntos eles "escutaram, rezaram, celebraram a Eucaristia". Tudo isso nos ajuda a lembrar "uma coisa muito simples e preciosa: nenhum bispo caminha sozinho", afirmou o Papa.

Vocês estão em minhas orações, e com vocês suas Igrejas: sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas, seminaristas, famílias, jovens, idosos, pobres, os que sofrem e aqueles que ainda aguardam o encontro com a alegria do Evangelho. Todos devem encontrar um lugar no coração do Bispo, porque todos já têm um lugar no coração de Cristo.

O desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial
Partindo dessa premissa, o Papa ofereceu algumas orientações concretas aos novos bispos para o seu ministério. Especialmente nesta "era de rápidas mudanças", em que "os avanços nas tecnologias de comunicação e na Inteligência Artificial abriram possibilidades que, até alguns anos atrás, nem sequer imaginaríamos". Essas oportunidades e novos cenários "certamente não podem libertar a humanidade do pecado e de suas consequências: as crises que estamos vivendo demonstram isso tragicamente", enfatizou Leão.

Neste cenário complexo e, de certa forma, "perturbador", a Igreja "celebrou o Jubileu da Esperança no ano passado". "Talvez porque viva fora do mundo?", questionou o Pontífice. "Pelo contrário, porque é enviada por Cristo, morto e ressuscitado, para proclamar o Evangelho da salvação a todos. E nós, bispos, somos os primeiros destinatários deste mandato." Ele apontou para a Encíclica Magnifica humanitas como referência para "uma visão e um método para enfrentar o grande desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial".

Encorajo-os a promover a reflexão e o diálogo suas dioceses, a formar e apoiar aqueles que querem comprometer-se a servir a civilização do amor.
O ministério nasce da proximidade com Jesus

O primeiro mandato que o Papa ofereceu aos bispos é o de "permanecer com Jesus". Isto é o mais importante, afirmou o Pontífice, porque "somos bispos", mas antes de tudo "discípulos". E para falar de Cristo, "precisamos estar com Ele". “Para guiar o seu povo, devemos deixar-nos guiar por Ele todos os dias.”

Por isso, valorize sempre o seu tempo com o Senhor: a Eucaristia, a Palavra de Deus, a oração e aqueles momentos em que você pode estar na sua presença com o coração simples do discípulo que se deixa amar pelo seu Senhor.

O ministério “nasce daí” e assim “o serviço torna-se mais sereno, mais livre e mais fecundo”.

Amar seu povo
Um segundo aspecto que o Papa Leão destacou foi ter um coração “totalmente doado aos irmãos”. Doado aos sacerdotes e diáconos que ordenarão, aos jovens sempre “cheios de entusiasmo”, aos religiosos e religiosas, aos missionários, aos catequistas e às famílias, testemunhas de uma “generosidade silenciosa”. “O bispo – afirmou – é um homem que aprende cada dia mais a amar o seu povo: a conhecer as alegrias e as tristezas do seu povo, a partilhar os seus sonhos, a alegrar-se ao ver crescer as comunidades”.

Amem as pessoas que o Senhor lhes confiou. Aprendam seus nomes, ouçam suas histórias, entrem em suas casas quando puderem, rezem com elas.

Portanto, a “presença” é importante, especialmente nas Igrejas jovens: “Ela diz muito, mesmo antes das palavras”. “Uma visita, uma bênção, um tempo dedicado a um sacerdote, ouvir uma família, conversar com um jovem: são pequenos gestos, mas que podem permanecer na alma de uma pessoa por toda a vida”, assegurou o Papa Leão XIV.

Que os sacerdotes encontrem no bispo um pai e um irmão
Na mesma linha, ele exortou à “solicitude pastoral”, que “não significa simplesmente ter muitas responsabilidades”, mas sim demonstrar a verdadeira “paternidade episcopal”, “ter uma grande alma, grande o suficiente para acolher a todos”. A esse respeito, Leão XIV citou o Papa Francisco, que lembrou que “a proximidade é uma das características de Deus com o seu povo”. “Palavras preciosas para nós!” O Papa Prevost afirmou: “Que as pessoas sintam, através da nossa presença, algo da ternura e da paternidade de Deus! E isto vale de modo especial para os sacerdotes.”

Neste ponto, o Pontífice recomendou “amar” os sacerdotes, para que eles encontrem no bispo “um pai e um irmão”.

O Papa os convidou a escutar e encorajar os sacerdotes, a rezar por eles, se alegrar com o bem que fazem e acompanha-los com confiança no seu ministério. Dediquem especial atenção aos idosos e aos doentes. Façam eles saber que são preciosos, que a Igreja lhes é grata e que o Bispo não os esquece. Por vezes, é suficiente um telefonema, uma visita, uma palavra de carinho da parte de vocês.

Um coração missionário aberto a todos
Leão XIV dirigiu uma palavra aos pastores das Igrejas “mais jovens”: “Vocês conhecem a beleza e também o trabalho da missão, de uma Igreja que talvez possua pouco, mas que é rica de uma grande fé. Por isso, convido-os a manter um coração missionário”, exortou o Papa. "O bispo missionário tem o coração aberto a todos: não só aos que frequentam as nossas paróquias, mas também aos cristãos de outras denominações, aos fiéis de outras religiões, às pessoas que não professam uma fé, a todos os homens e mulheres de boa vontade. Ele escuta e respeita a todos, aproxima-se de todos e sabe reconhecer o bem presente no coração de cada pessoa."

Caminhemos com o nosso povo: rezemos com ele, escutemos a Palavra com ele, celebremos a Eucaristia com ele. Busquemos a face do Senhor com ele todos os dias.

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EVANGELHO DO DIA (Lc 6,27-38)

ANO "A" - DIA: 10.09.2026
23ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Se nós nos amamos, irmãos, Deus vive unido conosco, e, em nós seu amor fica pleno!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 27 "A vós que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, 28 bendizei os que vos amaldiçoam, e rezai por aqueles que vos caluniam. 29 Se alguém te der uma bofetada numa face, oferece também a outra. Se alguém te tomar o manto, deixa-o levar também a túnica. 30 Dá a quem te pedir e, se alguém tirar o que é teu, não peças que o devolva. 31 O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles. 32 Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Até os pecadores amam aqueles que os amam. 33 E se fazeis o bem somente aos que vos fazem o bem, que recompensa tereis? Até os pecadores fazem assim. 34 E se emprestais somente àqueles de quem esperais receber, que recompensa tereis? Até os pecadores emprestam aos pecadores, para receber de volta a mesma quantia. 35 Ao contrário, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar coisa alguma em troca. Então, a vossa recompensa será grande, e sereis filhos do Altíssimo, porque Deus é bondoso também para com os ingratos e os maus. 36 Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. 37 Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. 38 Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Amar os inimigos segundo o Evangelho"

Amar os inimigos, a regra de ouro da vida cristã
Jesus vai nos apresentar hoje, no Evangelho, uma regra de ouro para a vida cristã, que é dedicada a amar, a abençoar, a não fazer o mal e a buscar sempre o bem. O Evangelho de São Lucas nos fala o seguinte:

“Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam e rezai por aqueles que vos caluniam” (Lucas 6,27-38).

Isso é algo muito difícil, mas não impossível, porque Jesus pediu. E se Jesus pediu, nós podemos praticar. Aqueles que colocam empecilhos é porque não querem viver o que Jesus está pedindo.

O Evangelho precisa ser vivido no amor
Nós vamos colocando muitos obstáculos para praticar o Evangelho, para viver o cristianismo na sua autenticidade. Será que eu e você somos também desses que colocam empecilhos para a graça de Deus acontecer? Jesus está apresentando para nós um dos ensinamentos mais exigentes e mais belos da vida cristã: o amor aos inimigos.

Não temos como olhar e ser pessimistas diante de um mundo que está fragilizado pelo esfriamento da caridade. Se eu perguntasse para você se existem pessoas ruins ou más no mundo, todo mundo diria que sim. Mas, na verdade, não existem pessoas essencialmente ruins ou más no mundo, porque Deus criou todas as coisas boas.

A essência humana criada à imagem de Deus
Deus é amor. Tudo o que Ele criou é bom, e nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus; por isso, a nossa essência é boa. No entanto, há algo que Santo Agostinho nos fala: pela liberdade, o homem pode escolher caminho, fazer o bem ou fazer o mal.

Não existem pessoas que sejam puramente más por essência, existem pessoas que, em sua liberdade, escolhem fazer o mal. Mas nós temos a opção de fazer o bem, porque a nossa origem e essência vêm de Deus. Nós precisamos fazer esse discernimento: é o livre-arbítrio do homem e da mulher que os faz escolher e praticar o mal.

Amar os inimigos pela graça de Deus
Por isso, peça ao Senhor o coração de um cristão que não responde ao mal com o mal, mas que responde ao mal com o bem. Quem segue a Cristo é chamado a romper o ciclo da violência, do rancor e da vingança. Amar os amigos é relativamente fácil, amar os inimigos é graça, é obra do Espírito Santo, é fruto de Deus habitando em nós. Ele é bom, e nós fomos feitos para o bem. Façamos o bem e evitemos o mal.

Que o Senhor nos ajude e que o Espírito Santo nos ilumine. Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova

Série: Setembro Amarelo | Vamos falar sobre a bipolaridade

Setembro é o mês dedicado à prevenção do suicídio. A campanha, que teve início no Brasil em 2015, é uma forma de ajudar a salvar a vida de milhares de pessoas. Confira a explicação da psicóloga Adriana Potexki sobre a bipolaridade, pois essa doença pode levar 50% das pessoas diagnosticadas a cometerem suicídio.

Veja mais:

A bipolaridade é um dos transtornos psiquiátricos com maior risco associado ao suicídio. Enquanto na depressão unipolar grave o índice de tentativas de suicídio é de cerca de 20%, na bipolaridade essa taxa sobe para 40% a 50%. No Brasil, estima-se que cerca de 4,2 milhões de pessoas convivam com essa condição, afetando um número expressivo de jovens.

Para abordar esse tema com a devida gravidade, é essencial superar preconceitos e memes populares que banalizam o transtorno — como rotular uma mulher irritada ou um adolescente nervoso como “bipolares”. Muitas vezes, esses comportamentos decorrem de problemas matrimoniais graves ou das complexidades naturais da idade, exigindo atenção e amor em vez de rotulações superficiais.

A natureza do transtorno e os sintomas mais comuns
A bipolaridade não é um modismo e nem algo que se “pega” ao longo da vida; ela possui um caráter fortemente hereditário, sendo transmitida ao longo de gerações em famílias de forma silenciosa e cruel. É muito comum que mães ou avós tenham passado a vida inteira sem o diagnóstico correto, sendo tratadas apenas como portadoras de uma depressão crônica.

A oscilação de humor característica do transtorno vai muito além do estresse diário ou da irritação passageira. Trata-se de uma alternância drástica entre estados extremos:

A fase de mania e o declínio depressivoFase de mania: O cérebro entra em um estado de hiperativação tão intenso que a pessoa pode passar de duas a cinco noites consecutivas sem dormir. Nesse período, surge uma necessidade compulsiva de falar, levando a pessoa a ligar para conhecidos e conversar por horas seguidas devido à aceleração do pensamento.
Fase depressiva: De maneira repentina, quem estava em extrema agitação pode amanhecer prostrado na cama no dia seguinte, sem forças para se levantar ou mesmo para realizar a higiene pessoal, como tomar banho.

Compulsões e hipersexualidade
Além das oscilações intensas de energia, a bipolaridade frequentemente se manifesta por meio de comportamentos compulsivos graves:Compulsão por compras: a perda de controle financeiro no pico da fase de mania pode levar a pessoa a estourar cartões de crédito e perder todos os seus bens.
Uso de substâncias e jogos: compulsões por jogos, pornografia, drogas e alcoolismo são frequentes. Em muitos casos, o alcoolismo funciona como uma tentativa involuntária de camuflar o transtorno bipolar subjacente.
Hipersexualidade: Um sintoma bastante comum, porém pouco debatido, é a hipersexualidade. A desregulação do cérebro pode levar a um comportamento de promiscuidade, exagero sexual ou até mesmo à prostituição.

Os desafios para um diagnóstico preciso
Nem todas as pessoas bipolares apresentam o quadro clássico de mania. A prática clínica demonstra que quadros de depressão severa podem esconder uma bipolaridade de difícil identificação.

Em um caso acompanhado há cerca de 15 anos por uma psicóloga com quase 30 anos de atuação, uma religiosa diagnosticada com depressão grave tratou seus traumas profundos em terapia. Embora seus pensamentos negativos tenham sido superados e ela tenha chegado a declarar a frase “sou digna de bênçãos e graças”, seu corpo continuava sem responder aos estímulos da vida prática.

O impacto dos estabilizadores de humor
Diante da falta de resposta física aos antidepressivos tradicionais, a paciente foi encaminhada a uma nova avaliação com o psiquiatra Dr. Alexandre Carona. A conduta médica adotada foi a retirada completa dos antidepressivos e a introdução de um estabilizador de humor. Em apenas uma semana (sete dias), o corpo da paciente respondeu e ela recuperou a vitalidade.

Embora a paciente não apresentasse o histórico típico de mania, a psiquiatria tem demonstrado que certos quadros classificados como depressão respondem diretamente aos estabilizadores de humor.

A investigação minuciosa do histórico familiar funciona como um trabalho investigativo. Relatos de familiares com comportamentos atípicos (como “dias em que a pessoa ficou esquisita”) ou com histórico de tentativas de suicídio são pistas fundamentais para identificar surtos bipolares que nunca foram diagnosticados no passado.

Próximos passos
Compreender a bipolaridade e identificar seus sintomas reais é o primeiro passo para buscar ajuda qualificada e proporcionar o tratamento adequado a amigos, familiares ou a si mesmo. O uso correto de medicações e o acompanhamento profissional trazem luz e recuperação para a qualidade de vida.

Autora: Adriana Katia Potexki

São Nicolau de Tolentino

Nicolau nasceu na pequena cidade de Castelo Sant’Angelo, atual Sant’Angelo in Pontano, região das Marcas (Marche) no leste da Itália, em 1245. Seu nome foi em honra de São Nicolau de Mira, que numa visão atendeu ao pedido dos pais de lhes concederem um filho. Ele mesmo contou que, na infância, via o Menino Jesus na Hóstia Consagrada: “(…) assistindo à Missa na igreja que frequentava, quando o celebrante elevava o Corpo do Senhor de acordo com o ritual, com estes meus olhos vi com clareza um Menino de belíssima aparência, traje maravilhoso, rosto luminoso e olhar cheio de júbilo, que me dizia: ‘Os inocentes e os justos estão unidos a Mim’”.

Também muito pequeno, fugia das coisas mundanas e rezava com admirável recolhimento. Aos sete anos, as suas preocupações eram as orações, o jejum três vezes por semana, receber os pobres na casa paterna e se retirar numa gruta próxima para rezar. Já mais crescido servia de acólito na Missa. Frequentou a escola paroquial dos cônegos regulares de Santo Agostinho, onde se sobressaía pela seriedade e responsabilidade, progredindo rapidamente nos estudos e recebendo as ordens menores, de modo que sendo ainda adolescente foi feito cônego na Igreja Collegiata do Santíssimo Salvador.

Ao ouvir a pregação de um frade agostiniano, com cerca de 14 anos, decidiu ingressar na Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho. Terminou o postulantado em Sant’Angelo e foi enviado para o convento da cidade vizinha de San Ginesio, para começar o noviciado e estudar Teologia. Ali foi designado esmoler, destacando-se na caridade para com os pedintes, e realizando seu primeiro milagre: a cura de um menino enfermo, em quem pôs as mãos sobre a cabeça dizendo “O bom Deus te curará”, o que aconteceu imediatamente. Humilde e alegremente desempenhava as funções mais árduas, guardava a pureza, e submetia-se a duras penitências – jejuns, uso do cilício, dormir no chão, usar uma pedra como travesseiro; nunca comia carne, mas só pão e alguns legumes malcozidos e insossos. Fez sua profissão perpétua antes de completar os dezoito anos.

Frequentemente, os provinciais o mudavam de casa, para que o seu exemplo de observância da regra e o seu odor de santidade edificassem os irmãos de hábito. De San Ginesio foi enviado sucessivamente a Recanati, Macerata, de novo San Ginesio, e depois Cingoli, onde foi ordenado sacerdote. Passou ao eremitério de Pésaro e daí para Valmanente, sempre levando vida ascética. O caráter divino do sacerdócio aumentou sua dedicação, e doente ou não celebrava a Missa todos os dias, com admirável piedade, nunca sem ter se confessado antes, e seguidas vezes entre lágrimas. Em Valmanente, a alma de um frei, que estava no Purgatório, apareceu-lhe pedindo que rezasse uma Missa por ele e outras almas; Nicolau então celebrava as Missas como hebdomadário, isto é, durante os dias de semana, quando não eram colocadas intenções pelos falecidos, mas pediu licença ao prior para fazê-lo, e depois de sete dias todas aquelas almas lhe vieram agradecer a entrada no Paraíso. (Esta é a origem do septenário de Missas pelos fiéis defuntos de São Nicolau de Tolentino).

Um primo de Nicolau, superior de um convento próximo a quem fôra visitar, e onde a regra era menos austera, convidou-o a lá ficar, alegando que estava muito magro e acabaria por perder a saúde, tornando-se inútil para a Igreja. Em oração, Nicolau procurou discernimento, e vários anjos lhe apareceram, cantando: “É em Tolentino que deveis permanecer, mantém tua vocação, nela encontrareis vossa salvação”. Isto esclareceu a sutil tentação que o demônio lhe oferecia. Assim, foi para a cidade de Tolentino, nas Marcas, em 1275, perseverando na vida de grande austeridade por 30 anos, e dedicando-se à Missa, às Confissões, à pregação e às visitas aos pobres e doentes.

Nicolau comia muito pouco e por isso ficou doente. Por obediência, ingeriu um pequeníssimo pedaço de carne, dizendo: “Já obedeci, não me aborreçam mais com gulodices”. E Deus o curou. Portanto continuou a jejuar às segundas, quartas e sextas, e, aos sábados, em honra a Maria Santíssima. Acontecendo de novamente cair doente, Nossa Senhora lhe apareceu e o orientou a comer um pouco de pão molhado em água, abençoado com o sinal da Cruz, depois do que ficou bom. Daí surgiu a bênção dos pãezinhos de São Nicolau, realizada no dia de sua festa, responsável pela cura de inúmeros doentes, o mais famoso deles Filipe II da Espanha, que aos oito anos foi assim curado de febres muito altas.

Outras penitências suas eram o uso de tecidos ásperos e cadeias metálicas, que irritavam a pele. Além das horas canônicas de oração obrigatória, rezava todo o período entre cada uma delas, se não tivesse que atender confissões ou cumprir alguma obrigação. Se não estivesse na igreja ou perto de um altar, orava na cela, onde colocara duas lajes, para apoio dos joelhos e dos braços, e que sendo muito frias o mantinham acordado no período da noite.

O diabo de tudo fazia para perturbar as suas orações. Alternava gritos com sons de animais, como o uivo de lobos ou rugidos de leões, e outras vezes fingia abrir o telhado, quebrar telhas ou quadros, ou derrubar a casa. Por três vezes, como um pássaro gigantesco, invadiu sua cela para derrubar e quebrar a lâmpada do seu oratório. Mas a tudo isso Nicolau, sem temor ou perturbação, mantinha-se sereno e em oração. Em outras várias oportunidades, o diabo o agredia fisicamente, deixando-o ferido e em estado grave, em seguida largando-o no claustro, onde os frades o encontravam. Depois de uma dessas ocasiões, Nicolau ficou coxo e passou a usar uma bengala para poder andar.

O diabo também o tentou com o escrúpulo sobre a validade das suas penitências, que não agradariam a Deus e se tornavam um fardo para a comunidade… mas Jesus lhe apareceu em sonho, garantindo que suas penitências Lhe eram gratas e que o temor escrupuloso que sentia eram nada “mais que um artifício de satanás e que seu nome já estava escrito no livro da vida”. Assim, mesmo alquebrado, Nicolau continuava com os sacrifícios, e a visitar os pobres e os doentes. Era também um ótimo pregador, e, no confessionário, por vezes se oferecia para pagar, ele mesmo, as penas dos arrependidos.

Muitos foram os milagres que realizou (301 reconhecidos até a sua canonização). Certa vez o prior o viu dando aos pobres o pão destinados à comunidade, e lhe perguntou o que levava na toalha sob o manto; Nicolau respondeu que eram flores, e de fato em belíssimas rosas os pães haviam se transformado, em pleno mês de dezembro – inverno, sem flores, no Hemisfério Norte… em outra ocasião recebeu a pedido de doação, de uma dona de casa simples, uma quantidade de farinha, parte significativa da que a senhora tinha para a própria família. Ele a abençoou, dizendo: “Que Deus, por amor de quem, mesmo sendo pobre, deste esta esmola com alegria, multiplique a farinha que conservas”. A partir de então, a quantidade de farinha na casa dela nunca diminuiu.

Um ano antes da sua morte, um astro luminoso começou a acompanhá-lo permanentemente, visto por todos; nos seus últimos seis meses de vida, anjos cantavam para ele todas as noites. Faleceu em 10 de setembro de 1305, na presença de uma relíquia da Santa Cruz. Foi sepultado na capela onde habitualmente confessava e celebrava a Missa, que por conta dos milagres ali ocorridos tornou-se local de peregrinação. Seu corpo foi encontrado incorrupto 40 anos depois da sua morte, e nesta ocasião jorrou sangue dos braços, o mesmo acontecendo de tempos em tempos, posteriormente. São Nicolau de Tolentino foi um dos santos mais populares na cristandade, até perto dos anos 1800.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

A vida de São Nicolau de Tolentino nos evidencia a seriedade com que, desde criança, tratava os assuntos espirituais. Cultivava uma fé incondicional em Nosso Senhor e na Virgem Maria, que se concretizava na caridade e, como religioso, no extremo cuidado com a Missa, os Sacramentos, enfim, com a sua condição de sacerdote e religioso; perseverou nas orações e penitências – como Nossa Senhora iria enfatizar em Fátima, nas Suas aparições de 1917 – em obediência, humildade e destemor dos obstáculos naturais e sobrenaturais. Correspondeu com integridade total ao aviso, que é para todos nós, ouvido na pregação que o levou a ser religioso: “Não ameis o mundo, nem as coisas dele. (…). Mas o mundo passa e seus desejos imoderados também, mas o que cumpre a vontade de Deus permanece para sempre” (1Jo 2,15.17). Por isso o bem que ele fez chegou a toda a Igreja: padecente, militante e triunfante. Os religiosos e leigos, hoje, têm a mesma seriedade, nas suas respectivas vocações? Nós devemos seguir seriamente o Astro Luminoso que é Jesus, se quisermos ouvir as vozes angelicais no Paraíso. Sabendo-nos coxos de espírito, só poderemos caminhar para Ele nos apoiando no báculo que nos é oferecido pela Santa Igreja.

Oração:

Senhor Deus, que não tomais como brincadeira ou com indiferença a salvação das nossas almas, a ponto de entregar Vosso Filho na Cruz, concedei-nos por intercessão de São Nicolau de Tolentino o entendimento e o compromisso de uma vida espiritual verdadeiramente austera, que não afasta nem a alegria nem o bom humor, mas sim nos faz recusar a vida “mais fácil” que o tentador sutilmente oferece, de modo a podermos florir em boas obras sob o manto inconsútil de Cristo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Seminário Bíblico aprofunda o livro de Daniel durante o Mês da Bíblia 2026


A Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com a Edições CNBB, promove, nos dias 8, 9 e 10 de setembro, o Seminário Bíblico – Mês da Bíblia 2026. A iniciativa oferece três noites de formação e aprofundamento na Palavra de Deus, sempre às 19h30, com transmissão ao vivo pelos canais Catequese do Brasil e Edições CNBB.

Acompanhe, ao vivo, o primeiro dia:

Livro de Daniel
Neste ano, o livro bíblico proposto para estudo e reflexão durante o Mês da Bíblia é o de Daniel. O texto-base preparado para orientar a celebração e a vivência deste período apresenta aprofundamento bíblico, contextualização histórica e pistas pastorais para ajudar as comunidades a compreenderem a mensagem do livro e sua atualidade.

Marcado por narrativas, símbolos, sonhos e visões, o livro de Daniel apresenta uma mensagem de fidelidade e esperança em meio às adversidades. Surgido em um contexto de forte opressão cultural e religiosa, o texto bíblico recorda que, mesmo diante das tribulações e dos poderes que ameaçam a fé, a história permanece nas mãos de Deus.

Esperança e fidelidade em tempos de desafios
Um dos aspectos centrais do livro é o testemunho de Daniel, que vive no coração do Império Babilônico e exerce funções públicas sem abandonar os valores fundamentais de sua fé. Sua trajetória convida os fiéis a refletirem sobre como viver a fidelidade a Deus em meio às pressões sociais e culturais do próprio tempo, aliando sabedoria, discernimento e perseverança.

O livro também oferece elementos importantes para a compreensão bíblica da esperança na ressurreição. No capítulo 12, diante do sofrimento e da perseguição dos justos, ganha força a certeza de que a morte não tem a última palavra. A esperança na ressurreição torna-se, assim, fonte de coragem para enfrentar as dificuldades do presente.

Outro episódio destacado é a história de Susana, narrada no capítulo 13. Vítima de assédio, abuso de poder e de um julgamento injusto promovido por autoridades de sua própria comunidade, Susana tem sua inocência reconhecida graças à intervenção de Daniel. A narrativa convida à defesa da vida e da dignidade das mulheres e ao enfrentamento das diferentes formas de injustiça.

A linguagem apocalíptica é outra característica marcante do livro. Repleta de símbolos e visões, ela não pretende provocar medo, mas transmitir uma mensagem de esperança. As imagens utilizadas pelo texto apontam para a transitoriedade dos poderes humanos e reafirmam a confiança na vitória de Deus, da verdade e da salvação.

Papa: a dignidade humana é dom de Deus, não depende de capacidades ou riquezas


Leão XIV dedicou a catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (09/09) à dignidade da pessoa humana, tema abordado no primeiro capítulo da Constituição conciliar Gaudium et spes: “Comprometamo-nos a promovê-la e defendê-la sempre, com a luz e a força do Evangelho”, exortou.

Thulio Fonseca – Vatican News

O reconhecimento dos aspectos e dos direitos fundamentais da dignidade humana representa um dos capítulos mais significativos da história da humanidade. Essa trajetória, porém, ainda não terminou e deve enfrentar antigas e novas contradições que impedem sua plena realização. Foi o que afirmou o Papa Leão XIV na Audiência Geral desta quarta-feira, 9 de setembro, realizada na Praça São Pedro, com a presença de milhares de fiéis.

Dando continuidade ao ciclo de catequeses dedicado à Constituição Pastoral Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II, o Pontífice aprofundou o primeiro capítulo do documento, que apresenta a dignidade da pessoa como fundamento dos valores mais apreciados na sociedade. Esses valores, advertiu, não podem perder sua relação com a fonte divina, sob o risco de sofrer as distorções provocadas pela corrupção do coração humano.

Uma dignidade que precede cada pessoa
Ao apresentar a contribuição da Igreja para a compreensão da dignidade humana, Leão XIV retomou um trecho de sua recente encíclica Magnifica Humanitas:

“Cada pessoa, constitutivamente feita para a relação, é pensada e desejada por Deus para entrar numa história de comunhão com Ele, com os outros e com a criação. A sua dignidade não depende das capacidades que possui, das riquezas ou da função que desempenha, de escolhas certas ou erradas, mas é um dom que a precede e a ultrapassa, concedido por Deus como expressão do seu amor que nunca falha.”

A dignidade infinita do ser humano está, portanto, enraizada em sua identidade de criatura feita à imagem de Deus, capaz de conhecer e amar seu Criador. Na fé, explicou o Papa, é possível compreender o fundamento último dessa dignidade, pois Cristo, ao revelar o mistério do Pai e de seu amor, também revela plenamente o ser humano a si mesmo e lhe apresenta sua sublime vocação.
(@Vatican Media)

Um dom a ser partilhado
Ao explicar a dimensão relacional da pessoa humana, o Pontífice evidenciou que “Uma pessoa significa sempre relação, comunhão e participação com Deus e com os outros, portanto, uma relação filial com Deus Pai e uma relação fraterna com Cristo e com todos os homens. Exclui fechamentos autorreferenciais. Ser pessoa significa perceber-se como um dom a partilhar, crescendo e amadurecendo na acolhida, na reciprocidade e no serviço.”

Essa dignidade, acrescentou Leão XIV, é confiada à responsabilidade de cada indivíduo, mas exige também solidariedade e cuidado mútuo. Por isso, é necessário superar as inúmeras falsificações e manipulações que ainda desfiguram a percepção da dignidade humana e impedem sua realização. Ao longo da história, as escolhas contrárias à dignidade fizeram com que o ser humano se encontrasse dividido dentro de si, vivendo uma luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. Contudo, recordou o Papa, Cristo veio para libertar e fortalecer a pessoa, renovando-a interiormente e libertando-a da escravidão do pecado.

(@Vatican Media)

Não reduzir o corpo a um objeto
Segundo o Papa, a Gaudium et spes também chama a atenção para a unidade da pessoa humana: “A dignidade humana diz respeito à totalidade da pessoa e, por isso, as visões dualistas devem ser ultrapassadas: o ser humano é um ‘ser uno, composto de corpo e alma’. Reduzir o corpo a um ‘objeto’ de que se pode dispor arbitrariamente é sempre uma negação da dignidade da pessoa.” Por fim, Leão XIV recordou que, em Cristo, o ser humano recebe luz diante do mistério da dor e da morte e caminha em direção à ressurreição, e concluiu:

“Queridos irmãos e irmãs, criados à imagem de Deus, por meio de Cristo e para Ele, recebemos uma dignidade única e indelével. Comprometamo-nos a promovê-la e defendê-la sempre, com a luz e a força do Evangelho.”

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EVANGELHO DO DIA (Lc 6,20-26)

ANO "A" - DIA: 09.09.2026
23ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Meus discípulos, alegrai-vos, exultai de alegria, pois grande é a recompensa que nos céus tereis um dia!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 20 Jesus levantando os olhos para os seus discípulos, disse: "Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus! 21 Bem-aventurados, vós que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir! 22 Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome, por causa do Filho do Homem! 23 Alegrai-vos, nesse dia, e exultai pois será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. 24 Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação! 25 Ai de vós, que agora tendes fartura, porque passareis fome! Ai de vós, que agora rides, porque tereis luto e lágrimas! 26 Ai de vós quando todos vos elogiam! Era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Verdadeira felicidade para os filhos de Deus"

A verdadeira felicidade está no Reino dos Céus
A Palavra de Deus hoje, através do Evangelho de São Lucas, quer nos levar a uma experiência de intimidade com Deus, na qual somos convidados a não nos apegarmos às riquezas deste mundo, que são passageiras. O Evangelho de São Lucas diz para nós:

“Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus. Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis saciados. Bem-aventurados vós que agora chorais, porque havereis de rir.” (Lucas 6, 20 a 26)


Meu irmão, minha irmã, Jesus nos revela, através deste trecho do Evangelho, o verdadeiro caminho da felicidade. O Senhor não fala de uma alegria passageira, baseada em riquezas ou em sucessos humanos, mas da felicidade que nasce da confiança em Deus.

Verdadeira felicidade na dependência de Deus
O homem e a mulher que são providos desta confiança não se abalam, não se deixam entristecer e também não se deixam ludibriar pelas coisas deste mundo. Jesus apresenta para nós uma lógica diferente da lógica do mundo. O mundo ensina que felizes são os ricos, os fortes, os admirados e os que nunca sofrem. Mas Cristo mostra que a verdadeira felicidade está em viver na dependência de Deus, com o coração desapegado e cheio de confiança.

O depósito da nossa confiança
O Senhor não nos condena simplesmente por possuirmos bens. O que Jesus condena é o coração fechado, é o coração orgulhoso, é o coração indiferente ao sofrimento do seu próximo. Quando a pessoa coloca a sua segurança apenas nas suas riquezas, no prazer ou no reconhecimento humano, corre o risco de se esquecer de Deus e de perder o essencial.

Este Evangelho nos convida a examinar o coração: onde está a minha verdadeira felicidade? Em Deus ou nas coisas passageiras? Nossa vida está fundamentada no amor ou na esperança do Reino? Jesus faz este questionamento para nos levar à fidelidade e a cultivar um coração simples, misericordioso e cheio de confiança.

Que o Senhor nos ajude e que nós tenhamos os nossos olhares voltados para a vida eterna, e não para as coisas passageiras.

Que Deus nos abençoe. Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote Da C. Canção Nova