terça-feira, 6 de outubro de 2026

Seminário sobre bens culturais da Igreja começa nesta segunda-feira, 5, em Brasília, com transmissão ao vivo



A Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) inicia, nesta segunda-feira, 5 de outubro, em Brasília (DF), o II Seminário Nacional de Patrimônio Cultural Católico e o III Encontro dos Equipamentos e Centros Culturais Católicos. A programação segue até quinta-feira, 8, na Casa Dom Luciano Mendes de Almeida.

Com o tema “Os bens culturais da Igreja e sua gestão integrada a serviço da evangelização”, os eventos são realizados no contexto do Acordo de Cooperação Técnica entre a CNBB e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Abertura será transmitida ao vivo
A abertura oficial será realizada hoje, às 19h30, no auditório São João XXIII, com momento orante e a participação do primeiro vice-presidente da CNBB, dom João Justino de Medeiros Silva; do presidente da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação, dom Gregório Paixão; e do bispo referencial do Setor Bens Culturais, dom Dirceu de Oliveira Medeiros.

Na sequência, às 20h10, será realizada a aula magna “A Pastoral da Cultura e as Expressões Culturais Católicas na Evangelização”, conduzida pela diretora do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) de Portugal, doutora Isabel Maria Alçada Cardoso.

Link para acompanhar a abertura hoje, às 19h30, pelo Youtube da CNBB:

Gestão e preservação do patrimônio
O encontro deve reunir representantes das arquidioceses, profissionais e técnicos do Iphan, integrantes de equipamentos e centros culturais católicos, como museus, memoriais, arquivos e bibliotecas eclesiásticas, além de especialistas de diferentes áreas.

Durante os quatro dias, os participantes vão refletir e traçar estratégias relacionadas à preservação e à sustentabilidade dos bens culturais da Igreja, além da identificação, captação de recursos e investimentos voltados ao Patrimônio Cultural Católico.

A programação inclui conferências, painéis, mesas-redondas e workshops sobre temas como inventário e catalogação, conservação preventiva, Lei Rouanet, projetos de intervenção e adequação de espaços litúrgicos, além do uso de técnicas científicas e inteligência artificial aplicadas ao patrimônio cultural.

Também está prevista a apresentação de uma proposta de gestão integrada dos bens culturais da Igreja e a construção da Rede Eclesial Nacional de Equipamentos e Centros Culturais (RENECC).
Precioso patrimônio

O arcebispo de Fortaleza (CE) e presidente da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da CNBB, dom Gregório Paixão, recorda que a Igreja Católica no Brasil possui um “precioso patrimônio cultural material e imaterial, constituído ao longo dos séculos”.

“São igrejas, imagens, documentos, objetos litúrgicos, músicas, festas, tradições e tantas expressões de fé que testemunham a história da evangelização e da vida do nosso povo”, afirma.

Segundo dom Gregório, o trabalho desenvolvido pela Comissão, por meio do Setor de Bens Culturais, busca promover, preservar, divulgar, salvaguardar e pesquisar esse patrimônio, além de fortalecer a cooperação com instituições públicas responsáveis pela preservação dos bens culturais, como ocorre no Acordo de Cooperação Técnica com o Iphan.

“Na Igreja, preservar um patrimônio não significa apenas cuidar de coisas antigas, significa cuidar da memória, da identidade e da fé de um povo. Aquilo que recebemos de gerações passadas, pode continuar sendo instrumento de evangelização para as novas gerações”, destaca.

Programação segue até quinta-feira
Na terça-feira, 6, a programação contará com uma participação, por videoconferência, do prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Cúria Romana, cardeal José Tolentino de Mendonça. Também serão debatidos temas como identificação e salvaguarda dos bens culturais eclesiásticos, captação de recursos, políticas públicas e atuação do Iphan.

Na quarta-feira, 7, o destaque será o Workshop de Gestão Integrada dos Bens Culturais da Igreja e o Patrimônio Cultural Católico no Brasil, além de oficinas temáticas voltadas à conservação, inventário, financiamento de projetos, espaços litúrgicos, arqueometria e inteligência artificial.

O encontro será concluído na quinta-feira, 8, com o Workshop de Elaboração da Rede Eclesial Nacional de Equipamentos e Centros Culturais (RENECC). A programação prevê ainda o lançamento da “Jornada Nacional de Mobilização sobre Investimentos e Promoção do Patrimônio Cultural – 2026”, iniciativa da CNBB e do Iphan.

Papa: não tenham medo, Deus chama os jovens ao grande amor do matrimônio


Os jovens "foram criados para o amor", escreve Leão XIV no prefácio do livro da Fundação YOUCAT, intitulado "Amor para sempre", que será apresentado em Roma nesta terça (06/10). E a forma de amor entre homem e mulher é verdadeiro, é um "sim profundo ao outro", uma aliança para a vida toda quando reflete Deus. A obra, inspirada pelo Papa Francisco, prepara casais ao matrimônio e ao chamado para esse "grande amor. Não tenham medo da sua profundidade", "não é perfeito, mas cresce à luz da fé".
Vatican News

O Papa Leão XIV escreveu o prefácio do novo "YOUCAT Amor para sempre”, uma obra destinada a acompanhar os jovens na reflexão sobre o amor, os relacionamentos e o matrimônio à luz da fé católica. A apresentação internacional será nesta terça-feira, 6 de outubro, no Centro Internazionale Giovanile San Lorenzo de Roma, com a presença de representantes da Igreja e colaboradores envolvidos no projeto YOUCAT. Na programação da noite, celebração de missa presidida por dom John Joseph Kennedy, secretário do Dicastério para a Doutrina da Fé; apresentação de testemunhos e do próprio livro com o prólogo do Pontífice, em formato audiovisual, que agora propomos o texto na íntegra:

"Queridos jovens amigos,
O coração de vocês anseia por amor. Um amor que seja profundo, apaixonado e duradouro. Esse anseio não é por acaso. É sinal de que vocês foram criados para o amor. Santo Agostinho, cujo coração ardente, trespassado por uma seta, está representado no meu brasão, expressou-o desta forma: 'Inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Ti, ó Deus' (Confi ssões 1,1). Assim ele expressou o anseio pelo amor divino, que Deus realmente derrama em nossa alma quando estamos unidos a Ele. De fato, o próprio Deus pode estar presente no amor humano e transformá-lo. Então, Ele nos concede a capacidade de amar como Ele ama: no serviço, na generosa entrega de si mesmo e, quando necessário, no perdão. Pois Deus é amor e nos criou para amar – a Ele e às pessoas ao nosso lado.

Entre todas as formas de amor humano, o amor que existe entre homem e mulher ocupa um lugar especial. Ele pode atingir o coração como uma flecha – de forma intensa e rápida. Mas o amor verdadeiro não para por aí.

Não é simplesmente um sentimento fugaz, que se acende só por um instante. É mais do que isso. É um “sim” profundo ao outro, uma decisão, um caminho e uma aliança para a vida toda. “O amor é autêntico e pode durar para sempre apenas quando reflete o esplendor eterno de Deus, que é amor (cf. 1Jo 4,8). Relacionamentos sólidos e fecundos constroem-se juntos, com base na confiança mútua, neste ‘para sempre’ que palpita em cada vocação à vida familiar e à consagração religiosa” (Discurso no encontro com jovens no Líbano). Esse amor pergunta, em primeiro lugar: “Como posso amar como Cristo amou?” (cf. Jo 15,12); e coloca em segundo plano a pergunta “O que recebo em troca?”.

No matrimônio, algo do próprio mistério de Deus se revela. Quando um homem e uma mulher se entregam totalmente um ao outro no amor, Deus ganha vida no meio deles. Sua fidelidade, seu perdão e sua luta diária pelo bem são um reflexo do amor de Cristo pela sua Igreja. Pode parecer um exagero romântico, mas é uma verdade profunda sobre a realidade: “Naquele que é um, somos um” (Agostinho, Comentário ao Salmo 127). Deus chama vocês, queridos jovens, a esse grande amor. Não tenham medo da sua profundidade! Pois o amor para o qual vocês são chamados é forte o suficiente para vencer as dificuldades; e grande o suficiente para sustentá-los por toda a vida. Não é perfeito, mas cresce à luz da fé. O amor verdadeiro é um dom de Deus e não podemos simplesmente criá-lo. Enquanto o amor humano muitas vezes é manchado por desejos egoístas, o amor de Deus, pelo contrário, é altruísta, longânime, paciente e possui todas as maravilhosas qualidades que Paulo elenca na Carta aos Coríntios (cf. 1Cor 13).

A imagem mais bela do amor verdadeiro é vista quando contemplamos a cruz de Jesus Cristo. Ele nos amou tanto que se dispôs a morrer por nós. Esse é o “DNA” do cristianismo, o mandamento de Cristo: “Amem-se uns aos outros, assim como eu amei a vocês. Ninguém tem amor maior do que alguém que dá a vida pelos amigos” (Jo 15,12-13).

Este livro, YOUCAT – Amor para sempre, quer acompanhá-los nesse caminho. Jovens como vocês, de mais de 30 países diferentes, deram aqui testemunho de que o ideal para o qual Cristo nos chama é um tesouro fascinante. O livro convida vocês a abrirem o coração a um projeto que é maior do que qualquer sonho humano. Ele serve como preparação para um “sim” que não é para apenas um dia, mas para a vida toda – um “sim” que, como o amor de Deus, é incansável e fiel.

Rezo por vocês que leem este livro, uma obra inspirada pelo nosso amado papa Francisco. Que Jesus Cristo agite o coração de vocês até que nele encontrem descanso. Que o Espírito Santo seja a luz e a força de vocês. E que, como Maria, a Mãe do Belo Amor, vocês respondam com confiança e coragem à mais bela de todas as vocações: a vocação ao amor."

A capa do livro que leva o prefácio do Papa Leão XIV



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EVANGELHO DO DIA (Lc 10,38-42)

ANO "A" - DIA: 06.10.2026
27ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 38 Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39 Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra. 40 Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: "Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!" 41 O Senhor, porém, lhe respondeu: "Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. 42 Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Discipulado verdadeiro segundo o Evangelho"

Discipulado que comporta ação e contemplação
O Evangelho de São Lucas nos faz mergulhar em algo importante da memória de São Bruno: o serviço, o acolhimento e o desejo de estar aos pés de Nosso Senhor. Nós vamos ouvir, aqui, o Evangelho onde se fala de Marta e de Maria. Um Evangelho muito conhecido, mas pouco aprofundado. Por isso, escutemos o que o Senhor tem a nos dizer:

“Marta recebeu Jesus em sua casa. Maria, sua irmã, sentou-se aos pés do Senhor e escutava a Sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres.” (Lucas 10, 38-42)

O que precisa ficar marcado no meio do seu coração, nesta liturgia, é o ensinamento profundo sobre o verdadeiro discipulado. Quando o nosso discipulado não tem profundidade, nós não temos espaço para Deus ocupar o primeiro lugar do nosso coração. Aqui, existem dois contrastes: uma que faz e a outra que contempla.

Discipulado fundamentado no equilíbrio
Jesus não está negando o fazer e também não está negando o contemplar. É preciso unir as duas coisas para que haja um equilíbrio dentro da vida espiritual. E, desde o princípio, nós percebemos duas atitudes diante da presença de Jesus. Marta manifesta o seu amor através do serviço: ela abre as portas da sua casa e prepara tudo para acolher o Mestre. Seu trabalho é bom, é necessário, é generoso. O problema não é servir, mas deixar que o serviço a impeça de estar com Aquele a quem servimos.

Trabalhar e estar com o Senhor
Nós trabalhamos para Deus, mas qual é o tempo que temos para Ele? Essa é a grande dificuldade do verdadeiro discipulado: trabalhar demais para Deus, mas não estar com Deus. Fica vazia a vida missionária quando só se trabalha e pouco se reza, ou se reza muito e se trabalha pouco. É preciso unir as duas coisas. E Maria mostra para nós que os seus olhos estão ali, de fato, no Senhor. E isso é importante: sentar aos pés de Jesus para escutar.

O que nós devemos aprender aqui com Maria? A escuta da Palavra de Deus. Para que uma vida missionária e o verdadeiro discipulado possam acontecer de forma profunda, é preciso escutar, estar aos pés de Jesus. Por fim, meus irmãos e minhas irmãs, peçamos ao Senhor a graça de que o nosso coração possa, de fato, realizar o trabalho para Deus, mas também estar com Ele.

Que o Senhor nos ajude e que nós vivamos a nossa vida para Deus e trabalhemos para Ele.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!


Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis

Adoração ao Espírito Santo

Cada vez que começamos a orar a Jesus, é o Espírito Santo que, por sua graça previdente, nos atrai ao caminho da oração. Se ele nos ensina a orar recordando-nos Cristo, como não orar a Ele mesmo? Por isso a Igreja nos convida a implorar, a cada dia, o Espírito Santo, sobretudo no início e no fim de toda ação importante. Se o Espírito não deve ser adorado, como é que ele me diviniza pelo batismo? E se ele deve ser adorado, não deve ser o objeto de um culto particular? (Catecismo da Igreja Católica)

Foto Ilustrativa: by Getty Images/ Ig0rZh

Comentário:
– A primeira e mais excelente forma de vida interior é a oração. Os doutores mestres espirituais estão tão convencidos disso, que, frequentemente, apresentam a vida interior como vida de oração. Dessa vida, o principal autor é o Espírito Santo, como já o era em Cristo. Lemos, com efeito, no Evangelho de Lucas: Neste mesmo instante (Jesus), estremeceu de alegria sob a ação do Espírito Santo e disse: “Bendigo-Te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra” (Lc 10,21). É uma oração de louvor e de agradecimento que, segundo o Evangelista, brota daquela alegria de Jesus no Espírito Santo.

Na realidade, sobretudo no ensinamento de São Paulo, o Espírito Santo aparece como o autor da oração cristã. Antes de tudo, porque incita à oração. É ele que gera a necessidade e o desejo de cumprir aquele “vigiai e orai” recomendado por Cristo, especialmente na hora da tentação, porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca (Mt 26,41).

O Espírito Santo está na origem da oração, que reflete do modo mais perfeito a relação existente entre as Pessoas divinas da Trindade: a oração de glorificação e de ação de graças com que se louva o pai e com Ele o Filho e o Espírito Santo. Essa oração estava nos lábios dos Apóstolos, no dia de Pentecostes, quando anunciavam as maravilhas de Deus (cf. At 2,11). O mesmo acontece na casa do centurião Cornélio, quando, durante o discurso de Pedro, os presentes receberam o Dom do Espírito Santo e glorificavam a Deus (cf. At 10,45-47).

💻Leia mais:

O louvor na liturgia: do Te Deum ao Glória Patri
São Paulo interpreta essa primeira experiência cristã, tornada patrimônio comum na Igreja primitiva, quando, na Carta aos Colossenses, depois de Ter desejado que a palavra de Cristo habite em vós ricamente (Col 3,16), exorta os cristãos a permanecerem na oração, cantando, sob a ação da graça, louvores a Deus em vossos corações (ibid). E pede-lhes que este estilo de vida orante seja transferido para tudo quanto se fizer, por palavra ou por obra: fazei-o em nome do Senhor Jesus e dando por Ele graças a Deus Pai (Col 3,17). Recomendação análoga na Carta aos Efésios: Enchei-vos do Espírito. Recitai entre vós Salmos e hinos… cantando e louvando ao Senhor em vossos corações, dando sempre graças por tudo a Deus Pai em nome de nosso senhor Jesus Cristo (5,18-50).

Sobressai aqui a dimensão trinitária da oração cristã, segundo o ensinamento e a exortação do Apóstolo. Vê-se também que, segundo o Apóstolo, é o Espírito Santo que estimula àquela oração e a forma no coração do homem. A vida de oração dos Santos, dos místicos, das escolas e correntes de espiritualidade, que se desenvolveu nos séculos cristãos, está na linha da experiência das comunidades primitivas. É nessa linha que se mantém a liturgia da Igreja, como aparece, por exemplo, no Glória in Excelsis Deo, quando dizemos: Damo-vos graças, pela vossa imensa glória; assim como no Te Deum, no qual louvamos a Deus e O confessamos Senhor.

Nos Prefácios, depois, reaparece o constante convite: Demos graças ao Senhor Nosso Deus, e os fiéis são convidados a dar a resposta de assentimento e de participação: é nosso dever e nossa salvação. Como é belo, por outro lado, repetir com a Igreja orante, no fim de cada Salmo e em tantas outras ocasiões, a breve, densa e esplêndida doxologia do Glória Patri: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo…(João Paulo II LOsservatore Romano de 21/04/91)

Resumo:
‘Ninguém pode dizer: Jesus é Senhor a não ser no espírito Santo (1Cor 12,3). A Igreja nos convida a invocarmos o Espírito Santo como o Mestre interior da oração cristã’.

(Catecismo da Igreja Católica)

Dom Eugenio de Araújo Sales – (⭐ 08/11/1920 – ✝️ 09/07/2012 )
Fonte: Arquidiocese do Rio de Janeiro


São Bruno Abade

Bruno, nasceu em 1035, em Colônia, na Alemanha. Era de família conhecida pela piedade e devoção cristã. Ele é o fundador da Ordem dos Cartuxos.

Completou seus estudos em Reims e aperfeiçoou-se nas ciências sagradas que naquela época consistiam no estudo da Sagrada Escritura e dos Padres.

Em 1056, foi nomeado cônego da catedral de Reims e depois eleito reitor, onde dedicou-se ao ensino por mais de vinte anos, distinguindo-se pela sua cultura, a sua qualidade pedagógica.

Em 1069, o arcebispo Manasés, que havia tomado posse a base de intrigas, levando o Papa Gregório VII a ordenar o Concílio de Lyon, para resolver a questão e dessa forma, destituiu definitivamente o arcebispo Manasés.

Ao voltar para a cidade, em 1080 Bruno recebe o convite para o assumir o arcebispado, mas recusa o cargo. Ele amadurece a ideia de servir a uma Ordem religiosa.

Depois de uma primeira tentativa em um mosteiro, mas não se sentindo à vontade, Bruno e seus discípulos partem para Grenoble, onde seu amigo São Hugo era bispo.

Durante a viagem, Bruno sentiu-se cansado e recostou-se com a cabeça apoiada num pilar. Três anjos lhe apareceram em sonho e anunciaram que Deus marcharia a seu lado e abençoaria a sua obra.

Na mesma noite, São Hugo, em sonho, foi transportado a um lugar ermo e agreste de sua diocese, onde viu erguer-se um templo e descerem do céu sobre ele sete estrelas.

Quando Bruno chegou com seus seis discípulos, São Hugo entendeu que se tratava do sonho e os levou para o lugar visto no sonho.

Bruno iniciou então, no deserto da Cartuxa (Chartreux), a sua Ordem pautada pela pobreza, abnegação e silêncio. Por conta do nome do local, a Ordem ficou conhecida como Cartuxa.

Em 1090 Bruno foi chamado para ser conselheiro do Papa urbano II, que havia sido seu aluno. Ele devendo obediência acolheu o pedido, mas não resistiu muito tempo em Roma e pediu para voltar para a vida no mosteiro, agora na Calábria.

Viveu assim recolhido até que adoeceu gravemente. Chamou então os irmãos e fez uma confissão pública da sua vida e reiterou a profissão da sua fé, falecendo em 06 de outubro de 1101.

Colaboração: Nathália Lima

Reflexão:

A austeridade de vida é a marca registrada dos cartuxos. Infelizmente o número de pessoas que resolvem viver este estilo de vida é cada vez mais limitado. A absoluta entrega a vontade de Deus, o silêncio exterior e interior, a simplicidade de vida fazem destes homens verdadeiros testemunhos para uma humanidade dedicada quase exclusivamente às vaidades desmedidas e ao bem-estar acima de tudo.

Oração:

São Bruno, que adotastes como regra de vida a oração, o trabalho, o estudo e a pobreza, que fundastes uma ordem monástica para uma ainda maior intimidade com Deus, inspirai-nos também a uma vida contemplativa esquecendo-nos bem mais das ocupações terrenas e nos ocupando mais com nossa união cada vez mais íntima com nosso Deus e Criador. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Vitalidade da Igreja no Brasil impressiona representante de Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral


O sacerdote italiano que colabora com o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano em pautas sobre migração e direitos humanos, padre Paolo Parise, esteve esta semana na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, participando do Encontro Anual de Bispos das Comissões para a Ação Sociotransformadora (Cepast), para o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (CEETH) e para a Ecologia Integral e Mineração (CEEM).

“Eu participei deste encontro e me chamou a atenção a vitalidade da Igreja brasileira, especialmente ver tantos bispos comprometidos com a proteção e a defesa dos direitos humanos a partir da perspectiva da fé”, disse.

O padre, da Congregação dos Missionários de São Carlo, reforçou que o Papa Leão falou duas vezes, em sua carta encíclica Magnifica Humanitas, da relação entre fé e direitos humanos. “Este tema, portanto, não é algo estranho à missão da Igreja que considera o ser humano como um todo. Na Igreja, falamos de desenvolvimento humano integral: toda a pessoa e suas dimensões”, disse.

O número de migrantes e refugiados no Brasil, cerca de 2 milhões e meio de pessoas, também chamou a atenção do representante do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. “A Igreja, em muitos lugares do Brasil, deu respostas na acolhida, na integração, na defesa dos direitos e também na dimensão espiritual aos migrantes e refugiados, com celebrações em inglês e em outros idiomas para que eles possam vivenciar a sua fé”, disse.

Reflexão e pesquisa
No Dicastério, o sacerdote atua na Segunda Sessão cujo papel é promover a reflexão e a pesquisa, produzir materiais e orientações pastorais sobre o trabalho com os migrantes, seleção de boas práticas em vários continentes e acompanhar todas as temáticas ligadas à migração e refúgio. “A gente busca estar a serviço, oferecendo o nosso melhor às Igrejas locais e a serviço do Santo Padre”, disse.

Um dos grandes desafios a atualidade, segundo ele, é garantir a dignidade do migrante e do refugiado. “O Papa Leão tem insistido muito nisto. Nas viagem que fez às ilhas canárias. Infelizmente existem algumas tendências do ser humano em excluir e dizer porque passou a fronteira e não tem documento perdeu a dignidade. Para o Santo Padre a dignidade do ser humano vem antes de tudo. Este é um grande desafio da atualidade”, afirmou.

Padre Paolo atuou como missionário no Brasil por 28 anos e trabalhou na baixada Santista, na periferia Sul em São Paulo e, em seus últimos anos no país, na Missão Paz, no Centro de São Paulo, trabalhando com migrantes e refugiados. O padre, que se considera meio brasileiro e meio italiano, disse que o grande aprendizado que fez foi o de incorporar o jeito de ser Igreja no Brasil. “Um dos grandes aprendizados que fiz aqui foi o jeito acolhedor de viver a fé, o jeito de uma Igreja acolhedora”.

Leão XIV: rezemos o Terço para que os povos sejam libertados do flagelo da guerra


O Pontífice pediu aos fiéis que intensifiquem a oração do Terço neste mês de outubro em particula pela Terra Santa e pelas vítimas inocentes da violência. Ao final do Angelus, o Papa recordou ainda a realização de um encontro no Vaticano sobre os 10 anos da Exortação Apostólica Amoris laetitia.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

Ao final do Angelus, Leão XIV recordou que domingo passado, em Lourdes, convidou os fiéis a rezarem o Santo Rosário durante o mês de outubro, com a intenção especial de que "cessem as guerras e se construa a paz".

Entre os primeiros a rezar estiveram as crianças, e continuam a fazê-lo através da iniciativa promovida pela Fundação "Ajuda à Igreja que sofre" de 1º a 7 de outubro, intitulada "Um milhão de crianças reza o Santo Rosário"

“Agradeço de coração a todas as crianças que, em tantas partes do mundo, se unem a esta oração. Sigamos todos o seu exemplo, invocando a intercessão da Virgem Maria para que os povos sejam libertados do flagelo da guerra. Em particular, rezemos pela Terra Santa e pelas vítimas inocentes da violência.”

Famílias, sinal de esperança e riqueza inestimável
O Pontífice recordou ainda um importante evento que terá lugar no Vaticano nos próximos dias, por ocasião do décimo aniversário da Exortação Apostólica Amoris laetitia. Trata-se de um encontro convocado pelo próprio Papa do qual foram convidados os líderes das Igrejas Orientais Católicas e os Presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo.

"Será um momento de discernimento sinodal, para identificar os passos a dar para anunciar hoje o Evangelho junto das famílias e das jovens gerações", disse o Santo Padre, confiando à oração dos fiéis este compromisso e, sobretudo, das famílias, que "são sinal de esperança e riqueza inestimável para a Igreja e para a sociedade".

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EVANGELHO DO DIA (Lc 10,25-37)

ANO "A" - DIA: 05.10.2026
27ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIAS DE SANTA FAUSTINA KOWALSKA E SÃO BENEDITO

- Eu vos dou novo preceito: que uns aos outros vos ameis, como eu vos tenho amado.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 25 um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: "Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?" 26 Jesus lhe disse: "O que está escrito na Lei? Como lês?" 27 Ele então respondeu: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!" 28 Jesus lhe disse: "Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás". 29 Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: "E quem é o meu próximo?" 30 Jesus respondeu: "Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora deixando-o quase morto. 31 Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. 32 O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. 33 Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. 34 Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. 35 No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: "Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais'. E Jesus perguntou: 36 "Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?" 37 Ele respondeu: "Aquele que usou de misericórdia para com ele". Então Jesus lhe disse: "Vai e faze a mesma coisa".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Desapegar com liberdade e amor"

Desapegar do mundo para receber a vida eterna
Hoje, comemoramos a memória de Santa Faustina Kowalska e São Benedito, dois grandes santos da Igreja que irão nos ensinar, nesta liturgia de hoje, a renunciarmos e a desapegarmos para fazermos a vontade de Deus. O Evangelho de São Lucas nos ensina o seguinte:

“Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” O Senhor responde a ele: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda a tua inteligência, com toda a tua força e ao teu próximo como a ti mesmo.” (Lucas 10, 25-37)

Jesus começa então com uma pergunta muito importante, mas Ele não responde de forma imediata. Ele conduz aquele homem a olhar para a Palavra de Deus.

Desapegar da vida antiga
Jesus quer que aquele homem reflita: por que ele precisa renunciar? Por que ele precisa desapegar? E Jesus cria, no coração dele, um questionamento. O Senhor quer que aquele homem possa fazer a vontade de Deus, mas não por obrigação, não por coação, e sim por liberdade, por amor.

Quantos de nós caminhamos nos caminhos de Deus, mas ainda acumulamos, em nosso coração, as nossas vontades da vida passada? E o Senhor quer hoje, através desta liturgia, nos aproximar da vontade de Deus. O que devemos fazer para receber a vida eterna?

Com coragem, assumir a liberdade interior
Será que eu e você temos a coragem de responder com generosidade, com gratuidade, ao chamado de Deus? Nós precisamos ser instrumentos nas mãos d’Ele para comunicar a Sua misericórdia. Aquele homem tinha um anseio, tinha um desejo de fazer a vontade de Deus, mas o apego, o seu coração ainda egoísta, não abriam espaço para a liberdade interior, aquela que nos conduz para a vontade de Deus. E a vontade de Deus, quando acolhida, gera muitos frutos, e o desapego das coisas deste mundo torna-se natural em nosso coração.

Que Jesus nos ajude a refletir antes de responder à vontade do Pai, e que Ele nos abençoe em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova