quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A despedida do comunicador padre César Moreira, ex-presidente da Rede Católica de Rádio e pioneiro da TV Aparecida


Faleceu no último sábado, 15 de agosto, o padre Antônio César Moreira Miguel, missionário redentorista, aos 81 anos. Jornalista e sacerdote, dedicou grande parte de sua vida à evangelização por meio da comunicação, tendo entre as funções desempenhadas as de diretor da Rádio Aparecida, presidente da União de Radiodifusão Católica (UNDA) e da Rede Católica de Rádio (RCR), além de ter contribuído decisivamente para a implantação da TV Aparecida e atuado posteriormente em seu departamento de jornalismo.

O missionário também deixou sua contribuição por meio da escrita, com livros, artigos e trabalhos voltados à comunicação e à fé. Ordenado sacerdote em 1970, viveu 61 anos de consagração religiosa e 55 anos de ministério sacerdotal, servindo à Congregação do Santíssimo Redentor, à Igreja e à missão de comunicar a Boa-Nova.

Nas redes sociais, o perfil oficial da CNBB manifestou o pesar pelo falecimento do padre César Moreira:

“A CNBB se une aos Missionários Redentoristas, familiares, amigos e a todos que receberam o testemunho e o trabalho do Pe. César Moreira, elevando a Deus orações pelo seu descanso eterno”.

Despedida na Casa da Mãe Aparecida
O Santuário Nacional de Aparecida acolheu a Missa de corpo presente do padre César Moreira na tarde de domingo, 16, reunindo seus confrades redentoristas, familiares e fiéis em um momento de oração e gratidão pela vida do missionário redentorista.

A celebração foi presidida pelo arcebispo de Aparecida (SP), dom Mário Antonio da Silva, e marcada pela memória da trajetória do sacerdote, que dedicou grande parte de seu ministério à evangelização por meio da comunicação.

Na homilia, o padre José Ulysses, que também concelebrou a missa, destacou a relação de amizade e caminhada vocacional que manteve com padre César desde a infância, quando entraram na formação da congregação religiosa.

Ele também destacou seu trabalho no âmbito da comunicação. Na Rádio Aparecida, recebeu a herança do Padre Vítor Coelho de Almeida, fazendo com que a a emissora se difundisse “ainda mais”. Já na TV, realizou um sonho:

“E o mais interessante foi quando conseguiu a concessão de um canal de televisão. Aí o Pe. César realizou um sonho imenso. Ele foi o primeiro a dar uma formatação à TV Aparecida, que, assim como a rádio, deveria ser uma irradiação do Santuário Nacional”.


Luiz Lopes Jr com informações e fotos do Portal A12

Papa: a paz começa no coração e se estende ao cuidado da criação


Na mensagem para o XI Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, celebrado em 1º/09, Leão XIV alerta para as feridas provocadas pelas guerras e pela degradação ambiental e recorda que a construção da paz exige uma conversão pessoal e coletiva. “As verdadeiras ferramentas para construir a paz não são as armas de destruição, mas sim a verdade, o diálogo, a paciência, a bondade, a justiça, a misericórdia, a compreensão, o cuidado e o amor.”

Thulio Fonseca - Vatican News

“Transformarão as suas espadas em relhas de arados e as suas lanças em foices.” É a partir das palavras do profeta Isaías que o Papa Leão XIV desenvolve sua mensagem para o XI Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que será celebrado em 1º de setembro. O Pontífice convida os cristãos a contemplarem o dom da vida e a valorizarem a terra que a sustenta, num momento marcado por crises, sofrimento humano e pelo agravamento do desequilíbrio da criação. Realidades que, segundo o Papa, constituem “um único apelo à cura e à paz, proveniente dum mundo ferido”.
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As feridas da guerra atingem também a criação
Leão XIV chama a atenção para o contraste entre a paz oferecida por Cristo e uma realidade mundial na qual tantos esforços continuam direcionados à violência e à guerra. Os conflitos, recorda, não apenas ceifam vidas, separam famílias e obrigam milhões de pessoas a abandonar suas casas, mas deixam também uma destruição social e ecológica que pode perdurar por gerações.

A relação entre conflitos armados e degradação ambiental, adverte o Papa, alimenta um ciclo que destrói ecossistemas, contamina recursos essenciais, como o ar e a água, compromete a segurança alimentar e aumenta a pobreza, a desigualdade e as tensões sociais. A guerra, afirma Leão XIV, “não se trata apenas dum fracasso político, mas também moral e espiritual” e se apresenta como “um contratestemunho do Evangelho da paz”.

Papa no Borgo Laudato si’ (@Vatican Media)

Uma conversão que começa no coração
Diante dessas crises, o Pontífice pede uma conversão capaz de alcançar não apenas as estruturas, mas o próprio coração humano. As feridas da guerra e a degradação da terra, explica, estão intimamente ligadas àquilo que acontece dentro de cada pessoa. Por isso, para construir uma sociedade pacífica, é necessário renovar os corações e superar a vontade de domínio, a busca do lucro imediato e a incapacidade de reconhecer a dignidade de cada ser humano.

É nesse sentido que o apelo de Isaías para transformar “as espadas em relhas de arados” se torna também um chamado pessoal e coletivo. Para Leão XIV, a verdadeira conversão ecológica nasce do encontro com Cristo e se manifesta na relação com o próximo e com o mundo: “A paz, então, começa no coração e flui para as nossas relações, comunidades e para o mundo inteiro.”

As verdadeiras ferramentas da paz
O Papa convida ainda a imaginar um mundo no qual as energias atualmente investidas na guerra sejam destinadas ao desenvolvimento humano integral, à superação da pobreza, à proteção da dignidade humana e à reconciliação entre os povos. “As verdadeiras ferramentas para construir a paz não são as armas de destruição, mas sim a verdade, o diálogo, a paciência, a bondade, a justiça, a misericórdia, a compreensão, o cuidado e o amor.”

Ao concluir, Leão XIV encoraja os fiéis a se tornarem colaboradores da obra de renovação de Deus, permitindo que a transformação interior se traduza no cuidado com a criação e na construção da paz: “Lenta, mas certamente, passaremos do deserto ao jardim, da divisão à comunhão e da violência à paz.”
(@Vatican Media)

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EVANGELHO DO DIA (Mt 22,1-14)

ANO "A" - DIA: 20.08.2026
20ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIA DE SÃO BERNARDO DE CLARAVAL

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, 2 dizendo: "O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. 3 E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir. 4 O rei mandou outros empregados, dizendo: 'Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!' 5 Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, 6 outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram. 7 O rei ficou indignado e mandou suas tropas, para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. 8 Em seguida, o rei disse aos empregados: 'A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. 9 Portanto, ide até às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes'. 10 Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. 11 Quando o rei entrou para ver os convidados, observou ali um homem que não estava usando traje de festa 12 e perguntou-lhe: 'Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?' Mas o homem nada respondeu. 13 Então o rei disse aos que serviam: 'Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Ali haverá choro e ranger de dentes'. 14 Por que muitos são chamados, e poucos são escolhidos.'

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Comunidade edificada por Deus"

Em comunidade, o convite da festa do amor do Pai
Naquele tempo, Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo dizendo: “O reino dos céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho e mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir. O rei mandou outros empregados dizendo: ‘Dizei aos convidados: Já preparei o banquete, os bois e animais já foram abatidos e tudo está pronto vinde para a festa’” (Mateus 22,1-14).

A leitura do Evangelho de hoje é extensa, mas Deus continua a edificar a Sua comunidade com aqueles bons e maus que creem no Seu amor e com aqueles que não creem no Seu amor.

Comunidade dos imperfeitos
A experiência que Jesus nos convida a viver é surpreendente. A última parte da passagem, segundo os exegetas, contém uma segunda parábola que Mateus uniu à anterior para completar a mensagem. Jesus apresenta-nos uma visão do mundo como uma comunidade normal. Composta de pessoas com as suas fragilidades, boas e más, as quais o Pai chama para partilhar do Seu amor pelo Filho.

Mas não existem condições para participar dessa festa? Vocês viram que Ele chamou todos aqueles que estavam à beira do caminho para participar dessa festa. A única condição é vestir-se com a veste nupcial, isto é, participar da festa de casamento que o Pai preparou para o seu Filho.

Assumir a veste da graça
Crer no amor que o Pai nos dá, deixar-nos amar e permitir que a nossa vida seja a gota no oceano infinito do amor de Deus. No texto do Evangelho, há um momento em que o dono da festa encontra uma pessoa que não estava vestida com os trajes e diz: “Amigo, por que entraste aqui sem a veste nupcial?”. Não é importante competir para ser o primeiro, não é importante ser o mais ativo no fazer; o que importa é estar revestido de Cristo, viver como filhos entregues ao amor do Pai.

O amor de Deus transforma a nossa fragilidade
A Igreja é a comunidade daqueles que, na profundidade da sua fragilidade moral, não se justificam, não teorizam que tudo é permitido por ser humano, mas, com humildade, honestidade e verdade, creem no amor do Pai que perdoa, que renova o coração do ser humano e devolve a ele a alegria de participar dessa festa.

Cabe-nos como Igreja, como comunidade, chamarmos e convocarmos a todos a participar dessas alegrias para que todos, lavados, purificados, vestidos com as vestes nupciais do perdão e da alegria, possam participar desse grande banquete preparado para todos nós. Por isso, abramos o nosso coração e permitamos que Deus nos purifique na graça do seu amor.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Pe  Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


O extraordinário poder de atração de São Bernardo de Claraval

Saiba como São Bernardo se tornou um santo

O santo Bernardo nasceu no ano de 1090, no Castelo de Fontaine, perto de Dijon, na França, e foi o terceiro de seis irmãos. Ainda muito jovem, tornou-se monge em Cister. Seu pai, Tescelino, ficou consternado, pois, um após o outro, os filhos abandonavam o conforto do castelo para seguir Bernardo.

O poder de atração deste santo foi extraordinário. Guido, seu irmão mais velho, deixou até a esposa que também se fez monja. Nissardo, o irmão caçula, também deixou o mundo seguido pela única irmã, Umbelina, e pelo tio, Gaudry, que trocou a pesada armadura de cavaleiro para vestir o hábito branco de monge. Mais tarde, também Tescelino pediu para entrar no mosteiro, onde já estava quase toda a família, um acontecimento raro na História da Igreja.

Créditos: Domínio Público, Giuseppe Nuvolone

Como muitos outros jovens pedissem para entrar no mosteiro dos cistercienses, foi necessário fundar outros mosteiros, o que coube a Bernardo, que deixou Citeaux abraçando uma pesada cruz de madeira e seguido de doze religiosos que cantavam hinos e louvores ao Senhor.

Claraval: o refúgio do amor e do trabalho
Após uma longa caminhada, fizeram uma parada num vale bem protegido que chamaram de Claraval, onde se estabeleceram. Neste lugar, obedeciam à antiga regra de São Bento com todo rigor: oração e trabalho sob a obediência do abade.

Mas São Bernardo preferia os caminhos do coração à rígida norma fixa. Dizia a seus filhos: “Amemos e seremos amados”. Naqueles que amamos encontraremos repouso, e o mesmo repouso ofereceremos a todos os que amamos. Amar em Deus é ter caridade; procurar ser amado por Deus é servir à caridade.

Do mosteiro de Claraval, Bernardo expandia a sua luz sobre toda a Igreja. Embora frágil e de pouca saúde, percorreu boa parte da Europa, atuou em vários concílios e pregou uma cruzada à Terra Santa. Além disso, encontrava tempo para escrever muitas obras, cheia de otimismo e doçura como o “Tratado do Amor de Deus” e o “Comentário ao Cântico dos Cânticos, uma declaração de amor a Nossa Senhora.

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A devoção mariana de São Bernardo
Bernardo foi um dos maiores devotos e defensores do culto a Maria. Cada vez que passava por uma de suas imagens, a saudava dizendo: “Ave, Maria!”. Um dia, a imagem lhe retribuiu a saudação dizendo-lhe: “Ave, Bernardo”. Poucos instantes antes de sua morte, que aconteceu em 20 de agosto de 1153, assim consolava seus monges: “Não sei a quem escutar, se ao amor dos meus filhos, que me querem reter aqui em baixo, ou ao amor do meu Deus que me atrai lá pra cima”.

O Papa Pio XII o chamou de “O último dos Padres da Igreja, e não o menor”.
Alguns ensinamentos de São Bernardo:

“Quem recorreu a Vossa proteção e foi por Vós desamparado, ó Maria?”
“Amemos e seremos amados.”
“A vista ofuscada pela raiva não enxerga direito.”

Texto extraído do livro: “Na escola dos Santos Doutores”

Autor: Prof. Felipe Aquino
Editora Cléofas



São Bernardo de Claraval

Bernardo nasceu em 1090 no Castelo de Fontaine, próximo a Dijon na região de Borgonha, França. Seu pai era um nobre e sua mãe, Aleth de Monthbard, é venerada como Bem-Aventurada. Terceiro de sete irmãos, destacou-se pela inteligência, frequentado a escola canônica desde os nove anos, onde sobressaiu particularmente na área de Literatura.


Em 1112 entrou para a abadia de Cister, fundada por São Roberto de Molesme na Borgonha, com 22 anos. Sua decisão levou mais de 30 homens, incluindo irmãos, tios e vários amigos a também se consagrarem no mesmo mosteiro, sob o abade Santo Estevão Harding. A esposa do irmão primogênito também se fez monja. Dedicava-se à oração e à catequese, possuindo o dom da oratória, e sua influência era tanta que as mães e esposas procuravam afastar dele os filhos e maridos.

Com o aumento das vocações, foi necessária a fundação de novos mosteiros. Bernardo seguiu em 1115 com 12 irmãos para erguer no vale de Iangres a abadia de Claraval (“Vale Claro”) e se tornar o seu primeiro abade, com apenas 25 anos. A regra beneditina era adotada com todo o rigor, amor e integridade, oração e trabalho sob a obediência absoluta ao abade, e por seus méritos de santidade o mosteiro se tornou conhecido na França e posteriormente na Europa pela humildade, caridade e profunda cultura. O mosteiro chegou a ter 700 monges, entre os quais o irmão do Rei Luís Vll Henrique de França, mais tarde bispo e arcebispo de Reims. Outros 78 mosteiros foram fundados por Bernardo na França e na Europa, ao longo do tempo.

Participou do Concílio de Troyes (1129, quando obteve o reconhecimento da Ordem do Templo, os Templários, cujos estatutos ele mesmo escreveu), do Segundo Concílio de Latrão (1139) e do Concílio de Reims (1148), sempre a pedido do Papa, e também a seu pedido pregou em prol da realização da Segunda Cruzada (1147-1149).

A eleição do legítimo Papa Inocêncio II (1130-1143) necessitou do auxílio de São Bernardo, pelas orações e argumentações, contra as pretensões do antipapa Anacleto II, bispo da Gasconha, apoiado por um nobre influente. Apesar dos seus esforços, o cisma ainda durou oito anos. Por fim, admoestado por Bernardo, o nobre se arrependeu e se converteu, vindo a ser religioso, mas o bispo cismático morreu orgulhosamente no erro, sozinho, sem confissão e sem o Viático (Eucaristia para os que estão moribundos).

Famoso ficou o debate entre Bernardo e Abelardo. Este, um importante filósofo, teólogo e lógico francês, defendeu ideias por demais racionalistas, e seu tratado sobre a Santíssima Trindade foi considerado herético em 1121, pois reduzia a Fé a uma mera opinião, à parte da Verdade Revelada. Além disso, insistia no subjetivismo da intenção pessoal como critério único para determinar a bondade ou malícia de um ato moral, descartando o significado objetivo do valor moral das ações. Bernardo o encontrou em 1141, e por fim Abelardo morreu em comunhão com a Igreja, arrependendo-se dos seus erros.

Bernardo também teve que combater a heresia de Pedro de Bruys e de seu seguidor Henrique de Lausanne, que negava o batismo das crianças e a existência do Pecado Original, entre outros aspectos da doutrina Católica. Em 1145 foi ao sul da França, onde sua atuação praticamente acabou de vez com os hereges henriquianos e pedrobrusianos (ali também pregou contra os cátaros ou albigenses). Em 1146 Bernardo, por carta, exortava aos fiéis da região para que se extinguisse definitivamente a heresia.

Reconhecido pela santidade e sabedoria, Bernardo foi respeitado em todo o continente europeu e convidado a opinar sobre assuntos públicos, aconselhando Papas e reis, e defendendo os direitos da Igreja contra o abuso dos nobres. Ficou conhecido como Pai dos fiéis, Coluna da Igreja, Apoio da Santa Sé, Anjo Tutelar do Povo de Deus.

Era extremamente devoto de Nossa Senhora. Suas palavras na catedral de Spira, Alemanha, ajoelhado diante da Sua imagem, foram fixadas no final da oração da Salve Rainha: “Ó Clemente, ó Piedosa, ó Doce Virgem Maria!”. Seu pensamento mariológico tinham por temas centrais a explicação da Virgindade Perpétua de Maria, Sua função como Medianeira de todos os dons e graças da Salvação, e como os fiéis deviam invocá-La.

A sua grande e profunda obra escrita inclui estes temas marianos e muitos outros, sobre Teologia, Doutrina, biografia. Os títulos mais conhecidos são, talvez, “Tratado Sobre o Amor de Deus”, “Opúsculo Sobre o Livre-Arbítrio”, “Sermões Sobre o Cântico dos Cânticos”, “Tratado da Consciência ou do Conhecimento de Si” e “As Heresias de Pedro Abelardo”. Para Maria Santíssima, compôs a letra e a música do hino Ave Maris Stella.

São Bernardo faleceu no dia 20 de agosto de 1153, aos 63 anos de idade. Aos monges que rezavam por sua vida, disse, um pouco antes: “Por que desejais reter aqui um homem tão miserável? Usai da misericórdia para comigo e deixai-me ir para Deus”.

São Bernardo foi eminente pregador, prior, abade, polemista, diplomata, polemista, teólogo, pacificador, escritor, conselheiro de Papas, bispos e reis. É considerado o segundo fundador da Ordem Cisterciense (ordem beneditina reformada por São Roberto de Molesme em 1098), pelo zelo na sua vivência e fundação de muitos mosteiros; atualmente, os cistercienses estão nos cinco continentes, havendo no Brasil inclusive uma cidade chamada Claraval, surgida a partir de um mosteiro, no Estado de Minas Gerais. Também parece certa a sua influência na independência de Portugal, que traria a Fé para o Brasil: por sua mediação direta, ou da sua abadia, o Papa Alexandre III teria enviado um legado à Península Ibérica reconhecendo, ao menos, o título de duque a dom Afonso Henriques e a submissão do novo país à Santa Sé em 1179.

É Doutor da Igreja por suas pregações e escritos: "Doctor Mellifluus" (Doutor com voz de Mel), e considerado pelo Papa Pio XII como “o último dos Padres da Igreja, e não o menor” (Os “Padres da Igreja”, ou Santos Padres, Pais Apostólicos, Pais da Igreja, são os grandes católicos dos oito primeiros séculos depois de Cristo, na maioria bispos, cujos trabalhos servem de base doutrinária pela lucidez e correção dos seus ensinamentos).

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Bernard, ad quid veniste? (“Bernardo, a que vieste?”), perguntava-se um jovem Bernardo na francesa Borgonha do século XI. Qual o sentido da nossa existência? Os católicos o sabem, porque Jesus no-lo ensinou. Não há espaço para o ressurgente subjetivismo proposto por Abelardo, naquele século, e que tanta tristeza causa às pessoas. A cultura do relativismo ético já foi substituído, há muito, pela Verdade serena da Salvação, na qual temos a paz, e na qual, felizmente, morreu reconciliado Abelardo. Mas, para alcançar esta paz, vale o antigo ditado romano: Si vis pacem, para bellum, “se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Na eficaz devoção a Nossa Senhora, encontraremos como São Bernardo os necessários elementos de Fé, Esperança e Caridade que ele tão brilhantemente desenvolveu por escrito e pregou convincentemente, para vencer cismas, heresias e perseguições abusivas de muitos que se acham “nobres” o suficiente para querer “mudar” a Igreja de Cristo, Quem, como Deus, é imutável no Seu ser e nas Suas obras, perfeitas… Fomos chamados a esta vida pelo Senhor, para sermos felizes, embora a felicidade plena nos esteja reservada somente no Céu; saboreemos então no caminho para lá o mel da Santa Doutrina que São Bernardo nos transmitiu, no aconchego da nossa clemente, piedosa e doce Sempre Virgem Maria, Porta do Céu, e de mãos dadas com Ela estaremos seguros e não erraremos a direção.

Oração:

Senhor, que nos fizestes para Vós e para a alegria infinita, concedei-nos por intercessão de São Bernardo de Claraval ouvir e viver os ensinamentos da Vossa Igreja, fazendo das nossas almas como que vales clareados pela graça e pela proximidade de Maria Santíssima, e assim podermos efetivamente contribuir com as atuais e necessárias cruzadas pela Fé, no desejo firme de ir para Deus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026


As Pontifícias Obras Missionárias (POM) lançaram, na última sexta-feira, 14, o hino da Campanha Missionária (CM) 2026. A música tem como título “Um em Cristo” e está disponível em todas as plataformas de áudio. Além do hino, as Pontifícias Obras Missionárias (POM) liberaram o clipe com a letra e a partitura. O material foi produzido em parceria com o Estúdio Pauta, do Tocantins.

A composição da música foi feita em conjunto pelo Jair Costa, assessor do Setor Música Litúrgica da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB; padre Wallison Rodrigues da Silva, da diocese de São Luís de Montes Belos (GO), e Ismael Oliveira do Nascimento. A produção também contou com o apoio dos seguintes colaboradores: Renato Moreira (produção, pós-produção, instrumental e intérprete); Bianca Carvalho (intérprete); Renata Alves (intérprete e coro); e Maria da Guia (coro).

De acordo com as POM, o hino “contempla a unidade, a cooperação missionária e os jubileus que marcam esse ano”: os 100 anos do Dia Mundial das Missões; os 110 anos da Pontifícia Obra da União Missionária, fundada por padre Paolo Manna; os 200 anos do Rosário Vivo.

Confira o hino:

A partitura do hino e outros materiais da Campanha Missionária estão disponíveis no site oficial. Acesse aqui.

Papa: na liturgia, a música não é decoração, cantar e tocar significa rezar


Leão XIV dedicou a catequese da Audiência Geral à música sacra e à sua função na celebração litúrgica. O Pontífice recordou que o canto favorece a comunhão e destacou a importância de músicas e textos adequados à grandeza daquilo que se celebra. “Na liturgia, cantar e tocar significa rezar, sintonizando o próprio coração com o das irmãs e dos irmãos e com Deus.”

Thulio Fonseca – Vatican News

A música sacra foi o tema da reflexão do Papa Leão XIV na Audiência Geral desta quarta-feira, 19 de agosto, realizada pela terceira semana consecutiva na Basílica de São Pedro. O Santo Padre deu continuidade ao ciclo de catequeses dedicado à Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, detendo-se desta vez no sexto capítulo do documento, dedicado à música na liturgia.

Logo no início, Leão XIV recordou as palavras do Concílio, que define a tradição musical da Igreja como “um tesouro de inestimável valor” e o canto sagrado, quando intimamente unido ao texto, como parte necessária ou integrante da liturgia solene.
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“Cantar é próprio de quem ama”
Ao aprofundar a função ministerial da música, o Papa ressaltou que ela não é um elemento meramente decorativo, mas faz parte da própria ação litúrgica.

“A música, de fato, faz parte da ação litúrgica e não é mera decoração da celebração. Na liturgia, cantar e tocar significa rezar, sintonizando o próprio coração com o das irmãs e dos irmãos e com Deus, na participação ativa no mistério celebrado. Em particular, a música expressa a dimensão afetiva da oração, como afirma Santo Agostinho: «Cantare amantis est», ou seja, «cantar é próprio de quem ama». Isto é muito importante, porque ajuda a abrir o coração à ação de Deus na graça e a deixar-se moldar por ela.”

O canto, prosseguiu Leão XIV, possui uma dimensão comunitária: “através da sinfonia das vozes, contribui para a união dos espíritos, superando as diferenças entre as pessoas e reunindo todos no louvor a Deus. Torna-se assim uma epifania da Igreja, uma manifestação tangível da comunhão que pertence à sua própria natureza.”

(@Vatican Media)

Para além das modas
A importância teológica do canto sacro, explicou o Pontífice, exige também atenção àquilo que é escolhido para cada celebração: “Para além das modas ou das sensibilidades particulares dos autores, este deve corresponder, a todos os níveis, ao que é mais adequado para o momento celebrativo. A forma, por sua vez, especialmente no seu aspecto melódico, deve ser simultaneamente nobre e simples, de elevada qualidade musical e de fácil execução, sobretudo quando se destina a ser cantada por toda a assembleia.” O mesmo cuidado deve ser dedicado aos textos:

“O Concílio recomenda que também os textos sejam adequados, profundos e, ao mesmo tempo, de fácil compreensão, inspirados principalmente na Sagrada Escritura, nos livros litúrgicos e na Tradição espiritual da Igreja. É necessário velar por isso, para que se mantenha viva e cresça a dinâmica expressa no antigo princípio «lex orandi lex credendi», ou seja, a lei da oração é também a lei da fé.”

Participação dos fiéis e silêncio sagrado
Leão XIV abordou ainda a participação ativa dos fiéis, recordando que ela nasce de uma maior consciência do mistério celebrado e de sua relação com a vida cotidiana. No âmbito da música sacra, a Sacrosanctum Concilium indica um equilíbrio entre as diferentes formas de participação e os momentos de silêncio, e completou: “promovam-se as aclamações dos fiéis, as respostas, a salmodia, as antífonas, os cânticos” e “um silêncio sagrado”.

O Papa recordou que o Concílio atribui grande valor ao canto gregoriano, sem excluir outros gêneros de música sacra, e dedica especial atenção ao órgão. Outros instrumentos também podem ser utilizados, desde que sejam adequados ao uso sacro, respeitem a dignidade do templo e favoreçam a edificação dos fiéis.

(@Vatican Media)
O patrimônio musical e as diferentes culturas
A catequese abordou também o tema da inculturação. Segundo o Concílio, as tradições musicais dos diferentes povos devem ser levadas em consideração como parte de sua vida religiosa e social, promovendo, quando possível, sua presença também nas escolas e nas celebrações. Leão XIV destacou ainda a missão dos compositores, chamados a preservar o patrimônio musical da Igreja e, ao mesmo tempo, criar novas composições a serviço da liturgia:

“O compositor de música sacra é chamado a conhecer e a preservar o património musical da Igreja, deixando-se inspirar por ele para dar vida a novas composições ao serviço da liturgia, no respeito pela sensibilidade contemporânea e pelas diversas tradições culturais.”

Promover uma formação adequada
O Papa ressaltou ainda a importância de promover a formação e a prática da música sacra nos seminários, noviciados, casas de formação religiosa, institutos e escolas católicas, além de assegurar uma sólida formação litúrgica aos músicos e cantores. Leão XIV encerrou a catequese recordando a importância atribuída pelos Padres da Igreja ao canto litúrgico como símbolo da comunhão eclesial e citando as palavras de Santo Inácio de Antioquia:

“Vós, um por um, tornai-vos um coro a fim de que, harmoniosos no acorde e assumindo a tonalidade de Deus na unidade, canteis em uníssono por meio de Jesus Cristo ao Pai, para que vos ouça e, pelas boas obras que realizais, reconheça que sois membros do seu Filho.”

(@Vatican Media)
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EVANGELHO DO DIA (Mt 20,1-16a)

ANO "A" - DIA:19.08.2026
20ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração.
Leitura do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 1 "O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. 3 À nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça, desocupados, 4 e lhes disse: 'Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo'. 5 E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. 6 Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: 'Por que estais aí o dia inteiro desocupados?' 7 Eles responderam: 'Porque ninguém nos contratou'. O patrão lhes disse: 'Ide vós também para a minha vinha'. 8 Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: 'Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros!' 9 Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. 10 Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata. 11 Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12 'Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro'. 13 Então o patrão disse a um deles: 'Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? 14 Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. 15 Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?' 16a Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

"O patrão da vinha e a justiça do Reino"

O patrão na parábola revela um Deus que ama com generosidade
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: “O reino dos céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para sua vinha. Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia e os mandou para a vinha. Às nove horas da manhã o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça desocupados e lhes disse, ide também vós para minha vinha e eu os pagarei o que for justo. Eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia, às três da tarde e fez a mesma coisa. Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde encontrou outros que estavam na praça. E lhes disse, por que estais aí desocupados? (Mateus 20,1-16a)

A parábola continua e, depois, chega o momento do pagamento, que é uma parte importante. A mensagem que Cristo quer nos transmitir nunca é abstrata, mas sempre é encarnada na realidade social das pessoas.

A divisão do tempo na época de Jesus
Hoje, aparece a situação do trabalho escasso e mal pago, muito presente também no tempo de Jesus e nos tempos de hoje. Muitos trabalhadores ocupavam as praças à espera de um dono de terra que os contratasse para trabalhar. A divisão do dia, segundo o relógio do tempo, era contada da seguinte forma: o amanhecer ou a primeira hora da noite, que correspondia à primeira hora do dia. Depois. a terceira hora ou nove horas da manhã, seguida da sexta hora ou meio-dia. A nona hora que era três da tarde e, finalmente, a décima primeira hora que era às dezessete horas, no limiar do entardecer.

O patrão e a fidelidade
O salário que foi fixado era um denário de prata, que, segundo os romanos, era uma diária de trabalho ou o custo de um dia de vida, ou seja, trabalhava apenas para sobreviver. O patrão é fiel ao que havia estabelecido individualmente, mesmo sendo uma injustiça em relação às horas a mais de trabalho que alguns cumpriram em relação aos que chegaram depois.

O sentido da parábola não é social, é religioso. O patrão dá lugar a Deus, que age conosco segundo a Sua bondade, não violando a justiça, mas sendo fiel ao Seu contrato. Porém, o Seu amor ultrapassa os rigores da lei. A lei é rígida, mas Ele dá o Seu amor de forma desmedida.

Deus nos ama de forma abundante
Deus não sabe ser calculista, mesquinho. Na sua forma de amar, Deus nos ama abundantemente. A escala de trabalho distribuída ao longo do dia representa a humanidade diversificada. Com dons diferentes, com capacidades diferentes – uma pessoa tem algo, a outra não tem. Essa história de comunismo não encontra razão de ser no Evangelho. É impossível tratar todos da mesma forma.

Isso não isenta ninguém, é claro, de promover o bem-estar das pessoas, uma vida digna, com direitos que garantam alimentação, moradia, educação, lazer e tantos outros bens que todos devem usufruir. Ninguém é insignificante aos olhos de Deus. Cada um precisa fazer frutificar os dons que recebeu d’Ele. Nós somos diferentes, mas Deus nos trata como filhos e nos dá o Seu amor de forma abundante.

Sobre todos vós, desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova