sexta-feira, 6 de novembro de 2026

A visita do Papa Leão XIV ao Uruguai, Argentina e Peru de 6 a 17 de novembro: uma viagem de escuta e unidade



Quase quarenta anos de espera para o Uruguai e a Argentina; um retorno aos lugares que marcaram sua vida como missionário e bispo no Peru. A sexta Viagem Apostólica internacional de Leão XIV, programada para o período de 6 a 17 de novembro, percorrerá três países da América Latina, entrelaçando memória, fé e grandes questões sociais. “Para o Papa, a viagem, e esta viagem em particular, é um tempo de escuta, de encontro, um tempo abençoado”, explicou Matteo Bruni, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, ao apresentar aos jornalistas o significado e as etapas da visita. Na introdução, a nova prefeita do Dicastério para a Comunicação, dra. Montserrat Alvarado, dirigiu uma breve saudação aos jornalistas presentes. No centro da viagem estão o papel da Igreja em sociedades profundamente transformadas, a defesa da dignidade humana, a atenção aos mais frágeis e a construção do bem comum.

As viagens dos Papas anteriores
Será a sétima viagem do pontificado, considerando também a visita a San Marino. Ao longo dos doze dias, Leão XIV pronunciará 36 discursos, todos em espanhol, língua que acompanhará os encontros com as comunidades e as autoridades dos três países.

O último Papa a visitar o Uruguai e a Argentina foi João Paulo II. Ele esteve na Argentina em 1982 e em 1987, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude. Visitou o Uruguai em 1987 e retornou ao país em 1988. O Pontífice polonês também esteve no Peru em 1985 e 1988, enquanto Francisco visitou o país em 2018. Para Leão XIV, que passou uma parte significativa de sua vida sacerdotal e episcopal no país andino, o retorno assume um significado pessoal e pastoral.

O início no Uruguai
A viagem começará na sexta-feira, 6 de novembro, pelo Uruguai, país de forte identidade laica, mas com profundas raízes cristãs. Em Montevidéu, o encontro com as autoridades na Plaza Independencia, lugar simbólico da história nacional, oferecerá a oportunidade de refletir sobre a convivência, a coesão social e a responsabilidade de construir uma comunidade capaz de reconhecer a dignidade de cada pessoa. A capital uruguaia, sede do Mercosul, também remete aos desafios compartilhados pelos países da região, desde a proteção do meio ambiente até o tráfico de armas e drogas.

No sábado, 7 de novembro, o Pontífice encontrará diferentes realidades do país, de Paysandú a Casavalle, passando pelo mundo da educação e pelos fiéis reunidos para uma vigília de oração. Um itinerário que, por meio da diversidade dos encontros, pretende valorizar a contribuição da Igreja para a vida da sociedade.

Etapa na Argentina
No domingo, 8 de novembro, terá início a etapa argentina. Após chegar a Buenos Aires, Leão XIV encontrará as autoridades na Casa Rosada. Na catedral da capital, também está previsto um momento de homenagem à memória do Papa Francisco, em um lugar que conserva testemunhos de sua ligação com a Igreja argentina. O país, marcado por uma história dolorosa, mas também pela capacidade de acolhimento e de reconstrução democrática, oferecerá ao Papa a oportunidade de abordar a relação entre fé, responsabilidade social e bem comum.

Entre os compromissos mais significativos está a visita ao Pequeno Cottolengo Don Orione, em Claypole, onde a Igreja cuida das pessoas mais vulneráveis. A programação prevê ainda encontros com representantes do mundo do trabalho, das comunidades cristãs e de outras tradições religiosas, além de jovens, bispos e equipes sinodais. Um lugar especial será reservado também ao encontro com alguns detentos, sinal de uma atenção pastoral que reconhece em cada pessoa a possibilidade de recomeçar.

A etapa argentina será concluída no Santuário de Nossa Senhora de Luján, centro da devoção popular do país e lugar profundamente ligado também à memória do Papa Francisco. Um compromisso que reúne a dimensão eclesial da viagem e a história religiosa de um povo.

O “retorno” ao Peru
A última parte da peregrinação será dedicada ao Peru. De Lima a Chiclayo, de Cusco a Pucallpa, Leão XIV reencontrará lugares e comunidades que conhece profundamente. Será também uma viagem pela história da evangelização do continente, marcada pelo testemunho de figuras como Santa Rosa de Lima, São Martinho de Porres e São Toríbio de Mogrovejo, promotor da difusão do catecismo nas línguas indígenas quéchua e aimará.

O Peru será também o lugar onde poderão emergir com particular força algumas das grandes questões contemporâneas: as desigualdades sociais, a proteção dos povos e do meio ambiente, a exploração dos recursos naturais e as consequências das transformações tecnológicas na vida das pessoas. Temas que, segundo o que foi apresentado durante a coletiva, poderão encontrar referências na encíclica Magnifica humanitas, sobretudo no que diz respeito à relação entre fé e ciência, caridade e tecnologia.

O chamado à santidade
A acompanhar todo o itinerário estará o chamado à santidade, compreendido não como um ideal distante da vida cotidiana, mas como uma responsabilidade pessoal e comunitária. Dos santos e beatos da América Latina aos testemunhos daqueles que atuam na educação, na solidariedade e na assistência aos mais vulneráveis, a viagem proporá uma reflexão sobre o papel dos cristãos em sociedades cada vez mais secularizadas.

Os lemas escolhidos pelos três países sugerem essa perspectiva: Les anuncio una gran alegría (Anuncio-lhes uma grande alegria), no Uruguai; Bienvenidos todos, y vayan y anuncien (Sejam todos bem-vindos, ide e anunciai), na Argentina; e Abramos el corazón (Abramos o coração), no Peru. Três expressões que evocam a alegria, o acolhimento, a missão e a abertura ao outro.

As perguntas dos jornalistas
Durante a coletiva, também foi abordada a questão das condições de saúde do Pontífice. Foi ressaltado que Leão XIV reorganizou sua agenda para garantir o descanso necessário antes da partida. Os médicos demonstraram confiança em sua recuperação e, durante a viagem, será assegurada assistência médica adequada. Bruni também esclareceu que o atendimento habitual estará garantido, sem necessidade de medidas extraordinárias.

Em relação ao Peru, destacou-se a dupla dimensão da visita: o desejo pessoal de Robert Prevost de reencontrar lugares e pessoas que marcaram sua vida pastoral e a missão universal de Leão XIV, chamado a chegar também às comunidades mais distantes, seguindo os passos dos primeiros missionários.

Entre os temas que poderão surgir durante a viagem está também a dolorosa questão dos abusos na Igreja, com particular atenção à proteção dos menores, à escuta das vítimas e à responsabilidade das instituições. Bruni confirmou que o Papa Leão encontrará algumas vítimas durante a viagem.

A dignidade humana, trabalho e pobres
O fio condutor será, portanto, a dignidade humana, a centralidade da pessoa, do trabalho, da família, dos jovens e daqueles que vivem à margem da sociedade. Não se trata apenas de uma questão social, mas de uma responsabilidade que tem suas raízes na Doutrina Social da Igreja.

Em um continente marcado por profundas contradições, Leão XIV levará um convite a construir vínculos, superar divisões e reconhecer no bem comum uma tarefa compartilhada. Será uma viagem na qual a fé será chamada a traduzir-se em gestos concretos de fraternidade, justiça e esperança.


Leão XIV parte para a América Latina: viagem de escuta, proximidade e unidade


A sexta Viagem Apostólica é um retorno às raízes latino-americanas de Leão XIV, mas também de um peregrino que deseja escutar, aproximar-se das realidades locais e renovar a esperança de um continente marcado pela fé, mas também por profundas desigualdades e desafios sociais.

Vatican News

"Confio-me às suas orações, para que esta viagem fortaleça a fé, renove a esperança, reavive o fogo da caridade e seja um impulso para continuar anunciando o Evangelho com alegria". (Leão XIV na Audiência Geral)”

A partida de Leão XIV do Aeroporto Internacional de Fiumicino, em Roma, às 7h05 da manhã desta sexta-feira, 6 de novembro, marca o início de sua sexta Viagem Apostólica, desta vez à América Latina. O destino inicial é Montevidéu, onde o Papa deverá chegar por volta das 16h30, horário local, após ter percorrido 11.123 km em 13h30 de voo. A tripulação do voo da ITA Airways inclui 13 pessoas: 3 pilotos e 10 comissários de bordo, acompanhados pela equipe da companhia aérea, dedicada a voos especiais. Além da delegação papal, também presentes no voo, como de costume, representantes da imprensa internacional.

O Pontífice inicia assim uma jornada que o levará ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, de 6 a 17 de novembro, com uma mensagem centrada na escuta, na unidade, na paz e na promoção da dignidade humana, a ser proposta a uma América Latina marcada por profundas raízes históricas, culturais e religiosas, e onde a Igreja é chamada a renovar seu compromisso com a evangelização, a justiça social e a construção da fraternidade.


A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou os detalhes da longa "peregrinação" que o Papa fará de 6 a 17 de novembro próximo, visitando Uruguai, Argentina e Peru, na viagem apostólica ...

Uma viagem com significado pessoal e eclesial

A viagem tem também um significado pessoal para Leão XIV, especialmente pelo retorno ao Peru, país onde viveu durante muitos anos como missionário, religioso agostiniano e bispo de Chiclayo. Será uma oportunidade de reencontrar comunidades que marcaram profundamente sua trajetória pastoral.

O itinerário começa pelo Uruguai, onde o Papa permanecerá de 6 a 8 de novembro, passando por Montevidéu, Paysandú e Florida. A etapa uruguaia terá como lema "Anuncio-vos uma grande alegria”.

Na Argentina, de 8 a 11 de novembro, Leão XIV visitará Buenos Aires, Córdoba e Luján. A passagem pelo país natal do Papa Francisco terá um significado especial, quase quatro décadas depois da última visita de um Pontífice à Argentina, realizada por São João Paulo II, em 1987.

A última etapa será o Peru, de 11 a 17 de novembro, com visitas a Lima, Chiclayo, Cusco e Pucallpa. Será um retorno às comunidades onde Robert Francis Prevost exerceu seu ministério missionário e episcopal, deixando marcas de proximidade e serviço.

Uma mensagem de esperança para a América Latina
Mais do que uma agenda repleta de compromissos institucionais e celebrações litúrgicas, a viagem pretende ser uma oportunidade de encontro com os povos latino-americanos, suas alegrias, dificuldades, esperanças e desafios.

A defesa da dignidade humana, a promoção da paz, a atenção aos mais vulneráveis, a educação, a juventude, a família e o compromisso missionário da Igreja estarão entre os temas que marcarão os encontros do Pontífice.

Na Audiência Geral de 4 de novembro, Leão XIV pediu aos fiéis que o acompanhem com suas orações, para que a viagem fortaleça a fé, renove a esperança e reacenda a chama da caridade, estimulando a todos a anunciar o Evangelho com alegria.

A peregrinação apostólica, que terminará em 17 de novembro, com o retorno a Roma, será também uma oportunidade para reafirmar a proximidade do Sucessor de Pedro com as Igrejas locais e fortalecer os laços de comunhão e fraternidade entre os povos da América Latina e a Igreja universal.

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EVANGELHO DO DIA (Lc 16,1-8)

ANO "A" - DIA: 06.11.2026
31ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- O amor de Deus se realiza em todo aquele, que guarda sua palavra fielmente.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 Jesus disse aos discípulos: "Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. 2 Ele o chamou e lhe disse: 'Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens'. 3 O administrador então começou a refletir: 'O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. 4 Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração'. 5 Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: 'Quanto deves ao meu patrão?' 6 Ele respondeu: 'Cem barris de óleo!' O administrador disse: 'Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!' 7 Depois ele perguntou a outro: 'E tu, quanto deves?' Ele respondeu: 'Cem medidas de trigo'. O administrador disse: 'Pega tua conta e escreve oitenta'. 8 E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Prudência cristã no dia a dia"

Prudência e discernimento
Queremos apresentar o coração a Nosso Senhor e pedirmos a Ele a graça da prudência, a capacidade de agir conforme o Seu coração. Amparado pelo Evangelho de hoje, Jesus nos fala o seguinte:

“O patrão elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz” (Lucas 16, 1-8).

Essa afirmação do Evangelho de hoje nos leva a uma profunda reflexão: quantas vezes nos empenhamos com muita dedicação pelas coisas passageiras, mas demonstramos pouco zelo pelas coisas de Deus?

Prudência nas escolhas
Aqui está o grande contraste: gastar mais tempo com as coisas do mundo e ter menos tempo para as coisas de Deus. Falta de zelo, falta de amor, falta de piedade… E o Senhor quer nos levar a este conhecimento que nos falta muitas vezes.

O administrador percebe que a situação exige uma mudança imediata. Nós também somos chamados a reconhecer que a nossa vida é um dom recebido de Deus e que, um dia, prestaremos contas da nossa administração, dos dons que Ele nos confiou: o nosso tempo, a nossa família, os bens, os talentos, a nossa própria fé.

Discernimento e prudência para buscar o Reino
Jesus nos convida a viver com muita sabedoria e com muita verdade. O cristão não pode ser ingênuo diante das exigências do Reino; ele precisa agir com responsabilidade, discernimento e prudência, colocar todos os recursos a serviço do bem e da construção do Reino de Deus.

Por isso essa parábola é para recordar a cada um de nós que os bens materiais são passageiros e eles devem servir para promover a justiça, a solidariedade, a misericórdia; nunca o egoísmo! Ter mais tempo para Deus do que para este mundo é o grande ensinamento dessa parábola.

Que o Senhor nos ajude a agir com prudência, misericórdia e sabedoria.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C, Canção Nova


Novembro Azul: perguntas e respostas sobre o câncer de próstata


O mês de novembro é voltado para a prevenção e a conscientização a respeito do câncer de próstata. O médico urologista Dr. Frederico Vilella responde às principais dúvidas e fala sem tabus acerca do assunto.


Assista
O que é o câncer de próstata e qual a sua incidência no Brasil?

Dados e epidemiologia da doença
O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens, ficando atrás apenas dos tumores de pele não melanoma. Estima-se que aproximadamente de 13% a 15% (cerca de 1 em cada 6 a 8 homens) desenvolverão a doença ao longo da vida.

No Brasil, registram-se por volta de 78 mil novos casos anuais, ocorrendo cerca de 17 mil mortes por ano decorrentes dessa neoplasia.
Fatores de risco e idade recomendada para exames

Quem apresenta maior risco de desenvolver a doença?
Os dois principais fatores de risco associados ao câncer de próstata são:Histórico familiar: Presença da doença em parentes diretos (pai, irmãos ou tios);
Etnia: Homens negros apresentam maior incidência do tumor.

O aparecimento de câncer de próstata em homens com menos de 40 anos de idade é considerado extremamente raro.

Com qual idade iniciar o rastreamento precoce?População geral: Início do rastreamento aos 50 anos de idade.
Grupos de risco (homens negros ou com histórico familiar): Início do rastreamento a partir dos 45 anos de idade.

Métodos de rastreamento e sintomas

Como é feito o diagnóstico precoce?
O rastreamento efetivo da doença deve ser realizado de forma combinada por meio de dois exames essenciais:Exame de sangue PSA (antígeno prostático específico);
Exame digital da próstata (toque retal).

Leia mais:

O câncer de próstata apresenta sintomas no início?
Não. Em sua fase inicial — que é o momento ideal para a realização do diagnóstico —, o câncer de próstata é totalmente assintomático.

Os sintomas (como dores ósseas) manifestam-se apenas na fase tardia, quando o tumor já se espalhou pelo corpo (metástase). Por esse motivo, é fundamental manter a rotina de exames sem aguardar a presença de dor ou desconforto.
Modalidades de tratamento e efeitos colaterais

Opções de tratamento para a fase inicial e vigilância ativa
Quando o diagnóstico ocorre precocemente, antes de a doença se espalhar, a chance de cura é excelente. As abordagens terapêuticas iniciais incluem:Cirurgia;
Radioterapia;
Braquiterapia: Tipo de radioterapia interna realizada com o implante de sementes radioativas na próstata (pouco frequente no Brasil);
Vigilância ativa: Tumores identificados como pouco agressivos podem ser apenas monitorados periodicamente pelo urologista, sem necessidade de tratamento imediato. Se a doença mostrar evolução para um padrão agressivo, o tratamento é discutido e estabelecido antes da ocorrência de metástases.
Tratamento em fases avançadas

Para casos tardios em que a doença já se espalhou pelo organismo, o tratamento indicado é a hormonioterapia.

Possíveis efeitos colaterais dos tratamentos
Todos os tratamentos carregam riscos de complicações que devem ser acompanhados: Cirurgia: Riscos de disfunção erétil (impotência sexual), incontinência urinária, estreitamento na anastomose (junção entre bexiga e uretra), além de complicações precoces como infecção e sangramento (que são majoritariamente preveníveis).
Radioterapia: Riscos de disfunção erétil, incontinência urinária e processo inflamatório actínico (atingindo bexiga, intestino reto e ânus).



São Leonardo de Noblac


Leonardo nasceu no ano 491 na província da Gália, hoje França. Era afilhado do rei Clodoveu, a quem, ainda jovem, e próximo ao bispo São Remígio, pediu e obteve o privilégio (exclusivo do bispado) de dar liberdade aos prisioneiros que encontrasse. Ingressou mais tarde na vida monástica, tendo sido posteriormente ordenado sacerdote. Como presbítero, em Berry, o exemplo de sua vida de santidade converteu muitos pagãos à fé católica.

Mais tarde buscou o isolamento para meditar e viver sua fé na oração. Encontrou o lugar certo para isso num bosque afastado. Lá havia apenas uma casa tosca e simples que lhe servia de morada. Mas seu sossego durou pouco pois a cada dia crescia o número de pessoas que vinham atrás de seus conselhos, orações e consolo.

Certa vez o rei Clóvis e seus súditos ali foram, participando de uma caçada. A rainha Clotilde, esposa do rei, também estava presente e, grávida, começou os trabalhos de parto. São Leonardo rezou por ela e a ajudou, e tudo correu bem; como recompensa o rei doou parte daquelas terras a Leonardo, que ergueu um altar à Nossa Senhora, construindo-se depois uma capela e finalmente um mosteiro, chamado “de Noblac”, com uma intensa e fervorosa comunidade religiosa.

Diz a tradição que o monge Leonardo só deixava o mosteiro quando alguma missão o exigia, especialmente quando se tratava de resgatar e converter os pagãos encarcerados. Ele teria sido, inclusive, visto a libertar franceses de cadeias muçulmanas no ano 1000, vários séculos depois da sua morte. O culto de Santo Leonardo de Noblac, uma das devoções mais antigas dos fiéis franceses, propagou-se em todo o mundo cristão e foi reconhecido pela Igreja.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, C.Ss.R.
Revisão e acréscimos: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

São Leonardo de Noblac é dos santos mais populares na Europa central. Diz um estudioso que em sua honra foram erigidas nada menos que seiscentas Igrejas e capelas. De nobre ascendência, dando exemplo igualmente da nobreza do espírito, abraçou a vida solitária e distinguiu-se pela sua santidade e milagres. Manifestava uma virtude toda particular na libertação de cativos e prisioneiros.

Oração:

Ó Senhor Deus, fazei que a exemplo dos santos saibamos apresentar-nos diante de Vós como uma oferenda agradável e pura, agora e na hora de nossa morte. Amém. São Leonardo de Noblac, rogai por nós.

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Encontro inter-religioso na CNBB reúne representantes de diferentes tradições religiosas e propõe mobilização pela paz


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebeu, nesta quarta-feira, 4 de novembro, em sua sede, em Brasília (DF), representantes de diferentes tradições religiosas para um encontro de diálogo, escuta e partilha. A reunião teve como objetivo fortalecer os laços entre as comunidades de fé e promover iniciativas conjuntas em favor da paz, do respeito à diversidade religiosa e do bem comum.

Os participantes foram acolhidos pelo secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers; pelo assessor da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso, padre Marcus Barbosa; e pelo subsecretário adjunto de Pastoral da Conferência, padre Tiago Ávila.

O encontro reuniu representantes de comunidades cristãs, judaicas, islâmicas, espíritas, de religiões de matriz africana e de outras tradições religiosas, que compartilharam experiências, preocupações e propostas para fortalecer a convivência fraterna na sociedade brasileira.



Diálogo e compromisso com a paz
Para dom Ricardo Hoepers, o encontro representou uma oportunidade de reconhecer os desafios enfrentados pelas diferentes tradições religiosas, especialmente diante das manifestações de intolerância e preconceito, mas também de reafirmar o compromisso comum com a construção da paz.

“Foi um momento muito emocionante, onde nós ouvimos, compartilhamos nossas alegrias, também nossas tristezas, porque ainda vemos muita intolerância religiosa, muito preconceito. Mas o mais bonito de tudo foi o horizonte que juntos nós podemos enxergar. Somos construtores, somos semeadores da paz”, destacou.

O secretário-geral ressaltou que o diálogo deve resultar em iniciativas concretas, capazes de mobilizar as comunidades religiosas em favor de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.

Segundo dom Ricardo, o encontro também possibilitou avançar na construção de uma mobilização conjunta pela paz, com uma iniciativa prevista para o início de 2027.

“A CNBB mais uma vez demonstrou que é o lugar onde as pessoas se sentem livres para conversar, para articular e para mobilizar o bem comum. Temos aqui uma mesa sempre aberta e disposta a ouvir todos aqueles que precisam”, afirmou.


Articulação entre as religiões
O assessor da Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB, padre Marcus Barbosa, explicou que o encontro dá continuidade a uma articulação iniciada em 2015, quando representantes religiosos de Brasília se mobilizaram em torno de uma questão social relacionada à defesa da Lei da Aprendizagem.

Desde então, o grupo ampliou sua participação e passou a fortalecer iniciativas de diálogo e cooperação entre diferentes comunidades de fé.

De acordo com o padre, a proposta é promover uma caminhada conjunta, marcada pela espiritualidade, pela troca de experiências e pela busca de caminhos concretos para a paz.

“O propósito é traçar caminhos concretos, não apenas desejos e orações, mas que tudo isso se desdobre em ações em busca da paz”, explicou.

Entre os encaminhamentos discutidos está a elaboração de uma carta por ocasião do Dia Mundial da Paz, celebrado em 1º de janeiro de 2027. A proposta é convidar outras tradições religiosas e comunidades de fé, de Brasília e de diferentes regiões do Brasil, a aderirem à iniciativa.
Diversidade religiosa

A reunião contou com a participação de representantes da Assembleia de Deus, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), da Associação Cultural Israelita de Brasília (ACIB), de comunidades islâmicas, da Federação Espírita do Distrito Federal, da Brahma Kumaris, de religiões de matriz africana, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e do Templo da Boa Vontade.

Também estiveram presentes integrantes da Iniciativa das Religiões Unidas (URI), da Rede Ecumênica da Água (REDA), da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (RENAFRO) e de outras organizações comprometidas com o diálogo inter-religioso.

Por Larissa Carvalho. Fotos: Fiama Tonhá

Papa recorda cardeais e bispos falecidos: a morte não desfaz os laços de amor


Na Missa em sufrágio dos cardeais e bispos falecidos ao longo do último ano, Leão XIV recordou que a esperança na ressurreição ilumina a memória daqueles que partiram e fortalece a comunhão que permanece para além da morte. “Rezar em sufrágio dos falecidos significa celebrar a vida! Antes de tudo, a vida ressuscitada de Cristo Senhor.”

Thulio Fonseca - Vatican News

O Papa Leão XIV presidiu nesta quinta-feira (05/11), à Santa Missa em sufrágio dos 143 cardeais e bispos falecidos ao longo do último ano. A celebração, realizada no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, no Vaticano, foi um momento de oração e memória por aqueles que dedicaram suas vidas ao serviço da Igreja. Partindo das palavras de Jesus no Evangelho de João: “Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo” (Jo 12,26) —, o Papa refletiu sobre o caminho do seguimento de Cristo, que conduz à glória através da cruz. Um percurso marcado pelas provações e pelos sofrimentos, mas sustentado pela esperança da vida eterna:

“Ao longo desse percurso, no qual não somos poupados das provações e dos sofrimentos, somos guiados e sustentados por uma promessa: a de uma comunhão sobre a qual a morte não tem poder.”
(VATICAN MEDIA)

A esperança na ressurreição
Ao recordar o valor espiritual da memória, Leão XIV evocou as palavras de Santa Mônica, que, pouco antes de morrer, pediu a seus filhos que se lembrassem dela diante do altar do Senhor. Um testemunho que expressa a importância da oração pelos falecidos, praticada pela Igreja desde os seus primórdios. Retomando a primeira leitura, do Segundo Livro dos Macabeus (2Mc 12,43-46), o Pontífice destacou o gesto de Judas Macabeu, que mandou oferecer um sacrifício expiatório pelos companheiros mortos em batalha, movido pela fé na ressurreição e pela confiança na misericórdia divina. “De fato, recordar os nossos irmãos falecidos diante do altar do Senhor se fundamenta na promessa de que a nossa vida, em Cristo, não se perde, porque foi redimida.” O Santo Padre ressaltou que essa esperança encontra sua plenitude no Mistério Pascal de Cristo e convidou os fiéis a contemplar a morte à luz da ressurreição:

“Caríssimos, rezar em sufrágio dos falecidos significa celebrar a vida! Antes de tudo, a vida ressuscitada de Cristo Senhor e, por sua graça, a nossa, que nele ressuscita.”

Leão XIV recordou ainda que o sacrifício eucarístico é o memorial da Páscoa de Cristo, que salvou a humanidade por meio da entrega de si mesmo. Por isso, a memória dos que partiram não deve se limitar à saudade, mas permanecer iluminada pela fé: “Não permitamos, portanto, que a recordação dos falecidos se reduza a uma mera nostalgia: na fé, meditemos sem medo sobre o mistério da morte, porque o Senhor está vivo, nos espera e já preparou um lugar para nós na casa de seu Pai.”
(VATICAN MEDIA)

A morte não desfaz os laços
Na parte final da homilia, o Papa aprofundou o significado da comunhão dos santos, recordando que a Igreja é um mistério de comunhão entre Cristo e todos os seus membros. Uma união que permanece para além da morte e que se manifesta também na oração, pois, segundo o Pontífice, quando rezamos pelos falecidos, não o fazemos apenas por eles, mas também com eles. Nesse sentido, destacou:

“Em Cristo, a morte não desfaz os laços, mas os transfigura numa nova dimensão, que só pode ser compreendida no mistério do seu amor, doado até o fim na cruz e derramado após a vitória pascal.”

Por fim, o Santo Padre convidou os fiéis a conservar e cultivar essa comunhão, alimentada pela Eucaristia, para que, ao chegar a hora da própria morte, também possam receber as orações dos irmãos que ainda peregrinam na terra e participar, com todos os santos, da alegria da pátria celeste.

(VATICAN MEDIA)

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EVANGELHO DO DIA (Lc 15,1-10)

ANO "A" - DIA: 05.11.2026
31ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Vinde a mim, todos vós que estais cansados, e descanso eu vos darei, diz o Senhor.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2 Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. "Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles". 3 Então Jesus contou-lhes esta parábola: 4 "Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? 5 Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, 6 e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: 'Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!' 7 Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. 8 E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? 9 Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: 'Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!' 10 Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Deus acolhe com misericórdia"

Ele acolhe os caídos e transforma os corações
Queremos, nesta Quinta-feira de Adoração, nos dedicar à Eucaristia, pois ela é penhor para a nossa salvação e vida eterna. São João Paulo II também diz que da Eucaristia emanam todas as graças e bênçãos. Nós vamos ler o Evangelho de São Lucas, o qual vai nos ajudar a compreender o mistério da salvação:

“Os cobradores de impostos e os pecadores aproximavam-se de Jesus para O escutar. Os fariseus e os mestres da Lei, porém, criticavam Jesus: ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeições com eles’” (Lucas 15,1-10).

Amados irmãos e irmãs, diante da murmuração dos fariseus, Jesus responde novamente contando uma nova parábola: a da ovelha perdida e a da moeda perdida.

A alegria do reencontro
A centralidade dessas duas parábolas é exatamente a alegria de Deus, que encontra aquele que se perde; mas, no coração humano, muitas vezes isso não acontece. Quando nós temos alguma indiferença com alguém, e este se perde, nós nos alegramos em não o ver.

Na lógica do Reino de Deus é o contrário: quando aquela ovelha se perde ou aquela moeda se perde, há muita alegria quando ela é encontrada. Aqui se revela o coração de Deus, o coração do Bom Pastor, que não se conforma em perder nenhum de seus filhos.

Acolha com bondade aquele que caiu
Ele deixa as noventa e nove ovelhas para procurar aquela que se afasta. Este é o grande sinal do coração de Nosso Senhor: Ele não se alegra com a morte do pecador, mas quer que ele se converta, que ele viva.

O que eu e você precisamos gestar no nosso coração? Essa mesma misericórdia, essa mesma bondade, esse mesmo desejo de acolher aquele que caiu, que errou, que fraquejou e que, de algum modo, se afastou.

Ninguém é apenas um número para Deus; cada um é amado de maneira única. Você se sente assim diante d’Ele? Amado de forma única, incondicional? É isso que a parábola hoje quer nos ensinar: a misericórdia de Deus é muito maior que a nossa fraqueza.

Que o Senhor o encontre e que Ele se alegre com o seu retorno.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova