quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Encontro inter-religioso na CNBB reúne representantes de diferentes tradições religiosas e propõe mobilização pela paz


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebeu, nesta quarta-feira, 4 de novembro, em sua sede, em Brasília (DF), representantes de diferentes tradições religiosas para um encontro de diálogo, escuta e partilha. A reunião teve como objetivo fortalecer os laços entre as comunidades de fé e promover iniciativas conjuntas em favor da paz, do respeito à diversidade religiosa e do bem comum.

Os participantes foram acolhidos pelo secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers; pelo assessor da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso, padre Marcus Barbosa; e pelo subsecretário adjunto de Pastoral da Conferência, padre Tiago Ávila.

O encontro reuniu representantes de comunidades cristãs, judaicas, islâmicas, espíritas, de religiões de matriz africana e de outras tradições religiosas, que compartilharam experiências, preocupações e propostas para fortalecer a convivência fraterna na sociedade brasileira.



Diálogo e compromisso com a paz
Para dom Ricardo Hoepers, o encontro representou uma oportunidade de reconhecer os desafios enfrentados pelas diferentes tradições religiosas, especialmente diante das manifestações de intolerância e preconceito, mas também de reafirmar o compromisso comum com a construção da paz.

“Foi um momento muito emocionante, onde nós ouvimos, compartilhamos nossas alegrias, também nossas tristezas, porque ainda vemos muita intolerância religiosa, muito preconceito. Mas o mais bonito de tudo foi o horizonte que juntos nós podemos enxergar. Somos construtores, somos semeadores da paz”, destacou.

O secretário-geral ressaltou que o diálogo deve resultar em iniciativas concretas, capazes de mobilizar as comunidades religiosas em favor de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.

Segundo dom Ricardo, o encontro também possibilitou avançar na construção de uma mobilização conjunta pela paz, com uma iniciativa prevista para o início de 2027.

“A CNBB mais uma vez demonstrou que é o lugar onde as pessoas se sentem livres para conversar, para articular e para mobilizar o bem comum. Temos aqui uma mesa sempre aberta e disposta a ouvir todos aqueles que precisam”, afirmou.


Articulação entre as religiões
O assessor da Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB, padre Marcus Barbosa, explicou que o encontro dá continuidade a uma articulação iniciada em 2015, quando representantes religiosos de Brasília se mobilizaram em torno de uma questão social relacionada à defesa da Lei da Aprendizagem.

Desde então, o grupo ampliou sua participação e passou a fortalecer iniciativas de diálogo e cooperação entre diferentes comunidades de fé.

De acordo com o padre, a proposta é promover uma caminhada conjunta, marcada pela espiritualidade, pela troca de experiências e pela busca de caminhos concretos para a paz.

“O propósito é traçar caminhos concretos, não apenas desejos e orações, mas que tudo isso se desdobre em ações em busca da paz”, explicou.

Entre os encaminhamentos discutidos está a elaboração de uma carta por ocasião do Dia Mundial da Paz, celebrado em 1º de janeiro de 2027. A proposta é convidar outras tradições religiosas e comunidades de fé, de Brasília e de diferentes regiões do Brasil, a aderirem à iniciativa.
Diversidade religiosa

A reunião contou com a participação de representantes da Assembleia de Deus, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), da Associação Cultural Israelita de Brasília (ACIB), de comunidades islâmicas, da Federação Espírita do Distrito Federal, da Brahma Kumaris, de religiões de matriz africana, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e do Templo da Boa Vontade.

Também estiveram presentes integrantes da Iniciativa das Religiões Unidas (URI), da Rede Ecumênica da Água (REDA), da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (RENAFRO) e de outras organizações comprometidas com o diálogo inter-religioso.

Por Larissa Carvalho. Fotos: Fiama Tonhá

Papa recorda cardeais e bispos falecidos: a morte não desfaz os laços de amor


Na Missa em sufrágio dos cardeais e bispos falecidos ao longo do último ano, Leão XIV recordou que a esperança na ressurreição ilumina a memória daqueles que partiram e fortalece a comunhão que permanece para além da morte. “Rezar em sufrágio dos falecidos significa celebrar a vida! Antes de tudo, a vida ressuscitada de Cristo Senhor.”

Thulio Fonseca - Vatican News

O Papa Leão XIV presidiu nesta quinta-feira (05/11), à Santa Missa em sufrágio dos 143 cardeais e bispos falecidos ao longo do último ano. A celebração, realizada no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, no Vaticano, foi um momento de oração e memória por aqueles que dedicaram suas vidas ao serviço da Igreja. Partindo das palavras de Jesus no Evangelho de João: “Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo” (Jo 12,26) —, o Papa refletiu sobre o caminho do seguimento de Cristo, que conduz à glória através da cruz. Um percurso marcado pelas provações e pelos sofrimentos, mas sustentado pela esperança da vida eterna:

“Ao longo desse percurso, no qual não somos poupados das provações e dos sofrimentos, somos guiados e sustentados por uma promessa: a de uma comunhão sobre a qual a morte não tem poder.”
(VATICAN MEDIA)

A esperança na ressurreição
Ao recordar o valor espiritual da memória, Leão XIV evocou as palavras de Santa Mônica, que, pouco antes de morrer, pediu a seus filhos que se lembrassem dela diante do altar do Senhor. Um testemunho que expressa a importância da oração pelos falecidos, praticada pela Igreja desde os seus primórdios. Retomando a primeira leitura, do Segundo Livro dos Macabeus (2Mc 12,43-46), o Pontífice destacou o gesto de Judas Macabeu, que mandou oferecer um sacrifício expiatório pelos companheiros mortos em batalha, movido pela fé na ressurreição e pela confiança na misericórdia divina. “De fato, recordar os nossos irmãos falecidos diante do altar do Senhor se fundamenta na promessa de que a nossa vida, em Cristo, não se perde, porque foi redimida.” O Santo Padre ressaltou que essa esperança encontra sua plenitude no Mistério Pascal de Cristo e convidou os fiéis a contemplar a morte à luz da ressurreição:

“Caríssimos, rezar em sufrágio dos falecidos significa celebrar a vida! Antes de tudo, a vida ressuscitada de Cristo Senhor e, por sua graça, a nossa, que nele ressuscita.”

Leão XIV recordou ainda que o sacrifício eucarístico é o memorial da Páscoa de Cristo, que salvou a humanidade por meio da entrega de si mesmo. Por isso, a memória dos que partiram não deve se limitar à saudade, mas permanecer iluminada pela fé: “Não permitamos, portanto, que a recordação dos falecidos se reduza a uma mera nostalgia: na fé, meditemos sem medo sobre o mistério da morte, porque o Senhor está vivo, nos espera e já preparou um lugar para nós na casa de seu Pai.”
(VATICAN MEDIA)

A morte não desfaz os laços
Na parte final da homilia, o Papa aprofundou o significado da comunhão dos santos, recordando que a Igreja é um mistério de comunhão entre Cristo e todos os seus membros. Uma união que permanece para além da morte e que se manifesta também na oração, pois, segundo o Pontífice, quando rezamos pelos falecidos, não o fazemos apenas por eles, mas também com eles. Nesse sentido, destacou:

“Em Cristo, a morte não desfaz os laços, mas os transfigura numa nova dimensão, que só pode ser compreendida no mistério do seu amor, doado até o fim na cruz e derramado após a vitória pascal.”

Por fim, o Santo Padre convidou os fiéis a conservar e cultivar essa comunhão, alimentada pela Eucaristia, para que, ao chegar a hora da própria morte, também possam receber as orações dos irmãos que ainda peregrinam na terra e participar, com todos os santos, da alegria da pátria celeste.

(VATICAN MEDIA)

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EVANGELHO DO DIA (Lc 15,1-10)

ANO "A" - DIA: 05.11.2026
31ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Vinde a mim, todos vós que estais cansados, e descanso eu vos darei, diz o Senhor.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2 Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. "Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles". 3 Então Jesus contou-lhes esta parábola: 4 "Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? 5 Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, 6 e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: 'Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!' 7 Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. 8 E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? 9 Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: 'Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!' 10 Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Deus acolhe com misericórdia"

Ele acolhe os caídos e transforma os corações
Queremos, nesta Quinta-feira de Adoração, nos dedicar à Eucaristia, pois ela é penhor para a nossa salvação e vida eterna. São João Paulo II também diz que da Eucaristia emanam todas as graças e bênçãos. Nós vamos ler o Evangelho de São Lucas, o qual vai nos ajudar a compreender o mistério da salvação:

“Os cobradores de impostos e os pecadores aproximavam-se de Jesus para O escutar. Os fariseus e os mestres da Lei, porém, criticavam Jesus: ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeições com eles’” (Lucas 15,1-10).

Amados irmãos e irmãs, diante da murmuração dos fariseus, Jesus responde novamente contando uma nova parábola: a da ovelha perdida e a da moeda perdida.

A alegria do reencontro
A centralidade dessas duas parábolas é exatamente a alegria de Deus, que encontra aquele que se perde; mas, no coração humano, muitas vezes isso não acontece. Quando nós temos alguma indiferença com alguém, e este se perde, nós nos alegramos em não o ver.

Na lógica do Reino de Deus é o contrário: quando aquela ovelha se perde ou aquela moeda se perde, há muita alegria quando ela é encontrada. Aqui se revela o coração de Deus, o coração do Bom Pastor, que não se conforma em perder nenhum de seus filhos.

Acolha com bondade aquele que caiu
Ele deixa as noventa e nove ovelhas para procurar aquela que se afasta. Este é o grande sinal do coração de Nosso Senhor: Ele não se alegra com a morte do pecador, mas quer que ele se converta, que ele viva.

O que eu e você precisamos gestar no nosso coração? Essa mesma misericórdia, essa mesma bondade, esse mesmo desejo de acolher aquele que caiu, que errou, que fraquejou e que, de algum modo, se afastou.

Ninguém é apenas um número para Deus; cada um é amado de maneira única. Você se sente assim diante d’Ele? Amado de forma única, incondicional? É isso que a parábola hoje quer nos ensinar: a misericórdia de Deus é muito maior que a nossa fraqueza.

Que o Senhor o encontre e que Ele se alegre com o seu retorno.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


Nossa Senhora e os santos fazem milagres?

O papel de Nossa Senhora e dos santos na realização de milagres

É fundamental compreender que somente Deus possui o poder de realizar milagres, pois estes envolvem a alteração da própria natureza. Quando Jesus transformou água em vinho, Ele demonstrou esse domínio absoluto sobre a criação. Nossa Senhora e os santos, portanto, não operam o prodígio diretamente, mas atuam como poderosos intercessores.
O exemplo bíblico nas bodas de Caná

Nas bodas de Caná, vemos claramente o papel de Maria: ela não mudou a natureza da água, mas apresentou a necessidade a seu Filho, Jesus. Este, em atenção ao pedido da Mãe, antecipou sua hora e realizou o primeiro sinal. O milagre flui da divindade de Cristo, impulsionado pela súplica confiante da Virgem.
Os milagres e as preces dos santos no céu

Os santos intercedem diante do trono de Deus apresentando seus méritos e preces acumulados durante a vida terrena. Santa Teresinha de Lisieux, por exemplo, prometeu passar seu céu fazendo o bem na terra através dessa mediação constante. Quando um fiel recebe uma graça, ela é uma resposta de Deus à intercessão desses amigos celestiais.

Leia mais:


A eficácia da oração e a resposta de Deus
Embora Deus conheça nossas necessidades, Ele valoriza a participação dos santos na economia da salvação. A mudança na realidade física ou espiritual ocorre por decreto divino, mas, frequentemente, motivada pela insistência dos que já estão na glória. Dessa forma, o milagre é sempre uma obra de Deus, manifestada através da comunhão dos santos.

Transcrito e adaptado por Jaqueline Scarpin

Autor: Prof. Felipe Aquino

São Zacarias e Santa Isabel


O Martirológio Romano faz hoje memória da veneração aos pais de São João Batista, elogiados no próprio Evangelho: “Ambos eram justos diante de Deus e caminhavam irrepreensíveis em todos os mandamentos e ordens do Senhor” (Lc 1,6).

O Evangelho de São Lucas relata que havia no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias; a sua mulher pertencia à descendência de Aarão e se chamava Isabel. Eles viviam na aldeia de Ain-Karim e tinham parentesco com a Sagrada Família de Nazaré.

Foram escolhidos por Deus por sua fé inabalável, pureza de coração e o grande amor que dedicavam ao próximo. Zacarias e Isabel eram um casal de idosos e infelizmente Isabel era estéril. Mas, como tudo nesta vida, a divina Providência permitiu esta limitação – vista como castigo de Deus na cultura judaica – para dela tirar um bem muito maior, e com ele o reconhecimento de Isabel: o anjo do Senhor apareceu ao velho sacerdote Zacarias no templo e lhe disse que sua mulher teria um filho, o qual seria chamado de João. Zacarias inicialmente se manteve incrédulo e para que pudesse crer precisou de um sinal: ele ficou mudo até o nascimento do filho.

O casal recebeu ainda a graça da visita de Nossa Senhora, que “com pressa” foi auxiliar Isabel durante a sua gravidez. Desta santa visita vieram as inspirações para as palavras de Santa Isabel à Virgem, nas quais está incluído um trecho da oração universal Ave Maria (“…bendita és Tu entre as mulheres, e bendito é o Fruto do Teu seio…”) e a resposta de Maria, o hino Magnificat (“Minha alma engrandece o Senhor…”), oração especialíssima utilizada na Liturgia e fonte de meditação profunda e necessária para os católicos (cf. Lc 1,39-56).

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, C. Ss. R.
Revisão e acréscimos: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Inimagináveis e sempre superando qualquer expectativa humana são os frutos da obediência e amor a Deus, o correto cumprimento da própria vocação e trabalho, e a aceitação das dificuldades que o Senhor permite a cada um, bem como a fé e abandono Naquele que tudo pode e que tudo de melhor nos quer dar. Zacarias e Isabel, idosos, sofriam a humilhação, para o entendimento religioso da época, de não ter filhos. Contudo, limitações e defeitos humanos (reais ou imaginários) servem a Deus para mostrar o Seu amor, poder e glória, na vida daqueles que Nele confiam e seguem amorosamente. Não apena o idoso casal concebeu milagrosamente um filho, como este foi São João Batista, o primo e Precursor de Jesus; das circunstâncias veio o exemplo de caridade de Nossa Senhora no auxílio a Isabel, inspirador da nossa atenção às necessidades do próximo; as palavras da oração da Igreja à Santíssima Virgem Nossa Mãe, e as Suas palavras inspiradas por Deus no Magnificat, fonte perene de reflexão para nós e toda a cristandade. E, por fim, a santificação de Zacarias e Isabel, recompensados no Céu e merecedores de veneração na Terra. Aprendamos a entender com fé, amor e paciência as contrariedades da vida, na certeza de que servem aos planos de Deus para a nossa santificação e salvação, e evitemos assim a murmuração, a desobediência e a desconfiança aos justos planos de Deus para as nossas vidas.

Oração:

Que Deus conceda aos pais de família imitar Zacarias e Isabel, levando-os a viver uma vida santa, sendo justos diante do Senhor e observando com exatidão Seus mandamentos. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Edições CNBB lança texto-base da Campanha da Fraternidade 2027 nesta quarta-feira, às 16h



A editora Edições CNBB lança, nesta quarta-feira, 4 de novembro, o texto-base da Campanha da Fraternidade 2027, com o tema “Fraternidade e o Cuidado das Crianças”. O material será oferecido com as principais reflexões que vão nortear ações e iniciativas a partir do tempo quaresmal do próximo ano.

O lançamento será realizado durante uma live especial, transmitida nos canais da CNBB e da Edições CNBB no Youtube. O secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, conduzirá o evento on-line.

A CF de 2027 convidará comunidades, pastorais e grupos a promoverem um caminho de conversão cristã para a corresponsabilidade no cuidado das crianças, reconhecendo, à luz do Reino de Deus, a infância como tempo sagrado de desenvolvimento integral, em um ambiente de relações seguras, marcadas pelo amor e pelo respeito.

Fonte: www.cnbb.org.br 


Papa: a política deve cuidar das feridas dos povos e oferecer esperança

Na Audiência Geral desta quarta-feira (04/11), Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, refletindo sobre a vida econômica, social e política à luz da Constituição pastoral Gaudium et spes. O Pontífice destacou a dignidade do trabalho, a necessidade de combater as desigualdades e a responsabilidade da política na construção da paz.

Thulio Fonseca - Vatican News

A economia e a política devem estar a serviço da dignidade humana, do bem comum e da paz. Foi o que destacou o Papa Leão XIV na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 4 de novembro, na Praça São Pedro, ao refletir sobre os capítulos III e IV da segunda parte da Constituição pastoral Gaudium et spes, dedicados à vida econômico-social e à comunidade política.

Aos milhares de fiéis presentes, o Pontífice recordou que a dimensão social faz parte da própria natureza humana e da fé cristã. Nesse contexto, alertou para os riscos que um desenvolvimento econômico injusto, marcado pelas desigualdades e pelo desrespeito à criação, representa para a paz mundial. Para mudar essa realidade, ressaltou, não basta o progresso técnico: são necessárias reformas econômicas e sociais, acompanhadas de uma mudança de mentalidade e de hábitos.

Segundo Leão XIV, o desenvolvimento econômico deve estar sempre a serviço do ser humano, princípio que está na base do conceito de desenvolvimento integral, aprofundado por São Paulo VI na encíclica Populorum progressio, de 1967. O Papa também destacou a atualidade do apelo conciliar para eliminar as discriminações que atingem os grupos sociais mais vulneráveis e os migrantes.

Ao abordar a dignidade do trabalho, o Santo Padre ressaltou sua importância para a realização pessoal, o sustento das famílias e a participação na sociedade. O trabalho, explicou, é também uma forma de colaborar com a obra do Criador:

“O coração da economia é o trabalho. Através dele, o homem desenvolve-se como pessoa, satisfaz as necessidades da família, expressa o seu talento, participa na vida social e constrói um mundo melhor, colaborando na obra criadora de Deus.”

Nesse sentido, o Papa condenou o desemprego, a exploração e as condições de trabalho que colocam em risco a saúde e a vida das pessoas. Destacou ainda o direito dos trabalhadores de participar das decisões relacionadas às suas atividades e a importância do diálogo e de ações não violentas na resolução dos conflitos. Leão XIV recordou também o princípio da destinação universal dos bens, segundo o qual as decisões econômicas e financeiras devem garantir condições dignas de vida para todos, sem comprometer as necessidades das futuras gerações.

A política a serviço do bem comum
Na segunda parte da reflexão, o Pontífice voltou sua atenção para a responsabilidade da comunidade política na defesa dos direitos humanos e na promoção do bem comum. Recordou que o exercício da autoridade deve considerar não apenas os interesses particulares, mas o bem de toda a família humana. O Papa reafirmou ainda a autonomia e a independência da Igreja e da comunidade política em seus respectivos âmbitos, destacando, porém, a importância de uma cooperação saudável entre ambas a serviço das pessoas.

(VATICAN MEDIA)

Construir a paz e oferecer esperança
Ao concluir, Leão XIV ressaltou que o compromisso com uma economia justa e uma política voltada para o bem comum representa um caminho concreto para a paz. Nesse contexto, citou a encíclica Fratelli tutti, do Papa Francisco, que recorda as consequências da guerra para a humanidade:

“A guerra é um fracasso da política e da humanidade, uma rendição vergonhosa, uma derrota perante as forças do mal.”

Em contraposição, o Santo Padre destacou que a política capaz de cuidar das feridas dos povos e daqueles que sofrem injustiças oferece esperança para o futuro da humanidade. Por fim, encorajou os jovens a seguirem o exemplo de homens e mulheres que deram testemunho no campo econômico e político e renovou seu apelo às comunidades cristãs para fortalecerem a formação na doutrina social da Igreja.

(VATICAN MEDIA)

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EVANGELHO DO DIA (Lc 14,25-33)

ANO "A" - DIA: 04.11.2026
31ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIA DE SÃO CARLOS BORROMEU

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Felizes sereis vós, se fordes ultrajados por causa de Jesus, pois repousa sobre vós o Espírito de Deus.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 25 grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: 26 "Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27 Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. 28 Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, 29 ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30 'Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!' 31

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:

São Carlos nos mostra o valor da doação

Hoje, nós comemoramos a memória de São Carlos Borromeu, um grande bispo da Igreja, cuja história nós vamos também tocar no dia de hoje. O Evangelho de São Lucas diz para nós o seguinte:

“Assim, pois, qualquer um de vós que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo” (Lucas 14,25-33).

Jesus, hoje, procura discípulos dispostos a segui-Lo com o coração inteiro. Aqui está a grande verdade do Evangelho: não se pode seguir a Nosso Senhor pela metade; é preciso estar inteiro em tudo o que nós fizermos.

Renunciar a tudo para ser fiel a Cristo
Essas palavras de Jesus não significam desprezar a família nem os bens materiais necessários para cada um de nós. Mas nada pode ocupar o lugar de Deus em nosso coração. O Evangelho também fala sobre carregarmos a nossa cruz; e essa não é procurada por si mesma, mas nasce da fidelidade ao Evangelho.

Por isso que nós precisamos compreender: a nossa fidelidade a Nosso Senhor nos trará muitas cruzes, mas essa cruz Nosso Senhor nos ajuda a carregar. Quem ama verdadeiramente a Jesus aprende a suportar as dificuldades, as incompreensões, os sacrifícios e até mesmo as perseguições sem abandonar a fé. Não existe ressurreição sem cruz nem santidade sem perseverança.

São Carlos e a total entrega ao Pai
São Carlos Borromeu viveu um tempo de muitas dificuldades, mas não desanimou. Ele se dedicou à reforma da Igreja no tempo dele, à formação dos novos sacerdotes, ao cuidado dos pobres e doentes, sendo um verdadeiro pastor segundo o coração de Cristo. Sua vida mostra que seguir a Jesus exige deixar de lado os interesses pessoais para colocar o Reino de Deus em primeiro lugar.

Esse santo não teve medo da cruz; ele viveu uma vida de coerência, de oração, de caridade, uma vida de amor profundo a Nosso Senhor Jesus Cristo. Isso define o verdadeiro discípulo de Cristo: amar a Nosso Senhor profundamente.

Que São Carlos Borromeu nos ajude a renunciar às coisas fúteis deste mundo para abraçar a cruz com perseverança e também com muita confiança.

Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova