segunda-feira, 29 de junho de 2026

CNBB manifesta alegria por nomeação da teóloga Edoarda Scherer como coordenadora geral do CONIC

A advogada e teóloga Edoarda Sopelsa Scherer foi nomeada coordenadora geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC). Natural da diocese de Montenegro (RS), Edoarda iniciou sua caminhada pastoral e ecumênica ainda na juventude, em 2006, por meio do movimento católico Curso de Liderança Juvenil (CLJ).

A CNBB enviou carta ao CONIC saudando a sua nomeação como nova coordenadora da Conselho. “A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebe com alegria sua nomeação para Coordenadora Geral do CONIC” .

No documento, a CNBB agradece ainda a disponibilidade da nova coordenadora geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs e manifesta sua proximidade e colaboração na difícil e bela arte de construir pontes e desconstruir muros no campo do diálogo ecumênico no Brasil.

Trajetória ecumênica e de diálogo inter-religioso
A teóloga ampliou sua atuação junto à diocese de Montenegro e a organizações ecumênicas do Rio Grande do Sul, como o Centro Ecumênico de Capacitação e Assessoria (CECA). Ela também atua íntegra desde 2019, o Grupo de Reflexão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso (GREDIRE) da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Confira o documento na íntegra (aqui)

Fonte: 

Papa: como Pedro e Paulo, sejamos construtores de unidade

Na Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, Leão XIV presidiu à Santa Missa na Basílica de São Pedro, durante a qual impôs o pálio aos arcebispos metropolitanos nomeados nos últimos 12 meses. Entre eles, há quatro brasileiros.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

"Rezemos a São Pedro e São Paulo, para que nos apoiem no caminho da comunhão, seguindo as pegadas do Salvador." Este foi o auspício formulado pelo Papa Leão XIV, ao presidir à celebração eucarística na Solenidade dos santos padroeiros da cidade e da diocese Roma. Como recordou o Pontífice, "neles veneramos duas colunas da Igreja".

Esta cerimônia é repleta de particularidades. Uma delas é a tradicional presença de uma delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. A Santa Sé retribui este gesto fraterno enviando, por sua vez, um representante para a Festa de Santo André, em 30 de novembro, padroeiro da Igreja de Constantinopla. Com efeito, o Pontífice e o Metropolita de Calcedônia, Sua Eminência Emmanuel, enviado de Sua Santidade Bartolomeu, rezam diante dos restos de Pedro, guardados sob o altar principal da Basílica Vaticana.

O Papa se detém em oração também diante da imagem de bronze de São Pedro, que se encontra na nave principal, à direita do altar principal e do baldaquino de Bernini. Nesta ocasião, a imagem é revestida de um manto vermelho. Outro símbolo característico é o grande cesto colocado na entrada da Basílica Vaticana, em referência à expressão "pescador de homens".

Papa reza diante do túmulo de São Pedro (@Vatican Media)

Podemos ser apóstolos e construtores de unidade
Já em sua homilia, Leão XIV se deteve nas características mais marcantes dos dois santos. Pedro, guardião do Povo de Deus, aparece muitas vezes no Novo Testamento empenhado em conservar a comunhão entre os irmãos. Esta grandeza de espírito, observou o Papa, não significa que Pedro seja perfeito. Durante a Paixão, nega o Mestre, para depois chorar lágrimas sinceras de arrependimento. Porém, sabe reconhecer os seus erros e arrepender-se.

Esta solicitude fiel e paciente pela unidade está representada no símbolo das chaves, com o qual é identificado. Com efeito, uma chave não derruba portas, mas abre e fecha-as de acordo com a situação. Da mesma forma, comparou o Papa, "a comunhão na Igreja não se constrói endurecendo nas próprias posições, mas procurando, no coração de todos, os pontos de encontro na Verdade, à luz da qual cada um se torna, para o outro, instrumento de crescimento".

Assim, o exemplo de Pedro é também um convite a cada cristão se tornar construtor de unidade, colocando Deus no centro da sua existência. Este é também o ensinamento de Paulo, que o Santo Padre definiu como "incansável anunciador da Boa Nova". Os seus símbolos distintivos são o livro e a espada, estreitamente unidos entre si. O Apóstolo dos gentios deixou-se transformar pelo poder da Palavra de Deus, que o tirou à violência para o conduzir pelo caminho do amor.

"Caríssimos, hoje para nós é importante olhar para estes dois santos – Pedro e Paulo – a fim de compreender como, no que nos diz respeito, podemos ser apóstolos e construtores de unidade, servos generosos da verdade na caridade", exortou o Papa.

Papa com os arcebispos que receberam o pálio (@Vatican Media)

Tomar sobre os próprios ombros os irmãos
É com este espírito que se realiza o antigo e sugestivo rito da entrega dos pálios aos arcebispos metropolitas. Estas faixas de lã branca embelezadas com cruzes, explicou, expressam na verdade o compromisso de cada Pastor – mas também de cada cristão – "de tomar sobre os próprios ombros os irmãos e irmãs que lhe são confiados e de sacrificar por eles forças, tempo, canseiras e até mesmo a vida, para que o Evangelho chegue a todos e o mundo inteiro encontre nele harmonia e concórdia".

Após saudar os membros da Delegação ecumênica, o Pontífice concluiu: "Rezemos a São Pedro e São Paulo, para que nos apoiem no caminho da comunhão, seguindo as pegadas do Salvador. É a via que Ele traçou, pela qual intercedeu ao Pai na Última Ceia, a meta que nos ensinou a ansiar com esperança confiante".

A cerimônia prosseguiu com a bênção e imposição do pálio aos novos arcebispos metropolitanos. Eram 35 no total, dos quais quatro do Brasil. São eles: Dom Júlio Endi Akamine, arcebispo de Belém do Pará (PA), Dom José Roberto Fortes Palau, arcebispo de Sorocaba (SP), Dom Marco Aurélio Gubiotti, arcebispo de Juiz de Fora (MG), e Dom Mário Antônio da Silva, arcebispo de Aparecida (SP).

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.

EVANGELHO DO DIA (Mt 8,18-22)

ANO "A" - DIA: 29.6.2026
13ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 18 Vendo uma multidão ao seu redor, Jesus mandou passar para a outra margem do lago. 19 Então um mestre da Lei aproximou-se e disse: "Mestre, eu te seguirei aonde quer que tu vás". 20 Jesus lhe respondeu: "As raposas têm suas tocas e as aves dos céus têm seus ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça". 21 Um outro dos discípulos disse a Jesus: "Senhor, permite-me que primeiro eu vá sepultar meu pai". 22 Mas Jesus lhe respondeu: "Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Segui-lo exige disponibilidade de vida"

Segui-lo para caminhar rumo à santidade
Como está a nossa disposição de seguir Jesus mesmo nas contrariedades?
Naquele tempo, vendo uma multidão ao seu redor, Jesus mandou passar para outra margem, ao lago. Então o Mestre da Lei aproximou-se e disse: “Mestre, eu te seguirei aonde quer que tu vás”. Jesus lhe respondeu: “As raposas têm suas tocas, e as aves dos céus têm seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8,18-22).

Irmãos e irmãs, o Mestre da Lei diz, de maneira vazia, que seguirá Jesus aonde quer que ele vá. Jesus apresenta as exigências do seguimento.

Segui-lo com verdade e profundidade
O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. Em outras palavras, Jesus está perguntando se ele tem a disposição de passar sede. Fome e até mesmo sono para, de fato, segui-lo. Nossas palavras podem ser vazias. Falar em seguir Jesus pode ser fácil demais! E, às vezes, é fácil, nós falamos. Às vezes, falamos sobre seguir Jesus. Cantamos também sobre seguir Jesus. Cantamos “Eu seguirei, eu irei aonde fores Senhor”.

Seguir Jesus, com verdade e profundidade, tem suas exigências e pode ser bem menos romântico do que parece. Cristianismo não é romantismo, como pensa este Mestre da Lei aqui. É labuta, cruz, com sofrimentos próprios de toda e qualquer peregrinação.

A peregrinação na vida do cristão
Se você caminhar, passa por sofrimento. Um exemplo é quem é do Vale do Paraíba, que caminha para a Cidade de Aparecida; estes passam por labutas também. Peregrinação também é sofrimento. Não é só sofrimento. Nem sempre é fácil a caminhada, mas vale muito a pena.

O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça, mas vale muito a pena segui-Lo. Vale a pena cantar, vale a pena seguir, de fato, com a própria vida, com os próprios comportamentos e o próprio testemunho.

Sobre você, desça e permaneça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


Por que Paulo não fundou uma Igreja diferente da de Pedro?



Paulo e o primado de Pedro: a unidade acima da individualidade
O contraste entre dois gigantes

Pedro era um simples pescador, enquanto tu, Paulo, eras um intelectual. Pedro quase nem sabia ler e escrever; tu, por outro lado, fostes formado e educado aos pés de Gamaliel (At 22,3) e eras conhecedor até de línguas que Pedro não conhecia.

Tivestes dons tão extraordinários do Espírito Santo, que chegavas a escrever coisas difíceis de Pedro entender (2Pd 3,16). Evangelizastes mais que os doze apóstolos juntos e formastes muito mais colaboradores do que Pedro. Em tudo, parecias muito mais sábio, dinâmico e eficaz. Inclusive, tivestes que corrigir Pedro publicamente por causa de seu duplo procedimento (Gl 2,11.14).

Créditos: Jusepe de Ribera via Wikimedia Commons

A grande questão: Por que não uma “Igreja Paulina”?
Diante disso, Paulo, surge a pergunta: por que não formastes tua própria Igreja, já que Jesus Cristo te iluminou e pessoalmente te revelou Seu Evangelho? Tu fostes arrebatado até o terceiro céu (2Cor 12,2). O que te faltava? Por que caminhar a passos tão lentos?

Poderias ter escolhido nomes como “Igreja de Jesus Cristo Glorioso” ou “Igreja Paulina por ordem de Jesus Crucificado”. Mas o que desejo saber é: por que não fundastes uma nova Igreja? O que tens a dizer?

A submissão em favor da verdade

A resposta está em teu próprio relato:
“Catorze anos mais tarde, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também Tito comigo. E subi em consequência de uma revelação. Expus-lhes o Evangelho que prego entre os pagãos — e isso particularmente aos que eram de maior consideração — a fim de não correr, ou de não ter corrido em vão” (Gl 2,1-2).

Portanto, fostes submeter teu Evangelho a Pedro e aos demais apóstolos “de maior consideração” para te certificares de não estares correndo em vão. Isso nos mostra que alguém pode pregar o evangelho com muito empenho e, ainda assim, estar correndo em vão se estiver fora da unidade.

Um alerta contra a desobediência
E o que tens a dizer para aqueles que hoje pregam um Evangelho diferente e fazem esforço para tirar os fiéis da Igreja de Pedro (a Igreja Católica)? Atualmente, muitos estimulam a desobediência à Igreja que tem Pedro como guia. Tu nos advertes:

“Vocês corriam bem. Quem lhes pôs obstáculos, impedindo-os de obedecer à verdade? Esta sugestão não vem daquele que vos chama. […] De minha parte, confio no Senhor que vocês não assumirão outra orientação de pensamento. Mas quem lança confusão no meio de vocês, quem quer que seja ele, sofrerá condenação” (Gálatas 5,7-10).

É muito sério compreender que todo aquele que der uma orientação contrária ao que ensina a Igreja e o Evangelho de Jesus Cristo sofrerá condenação. Se quem ensina será tratado assim, imaginemos o que poderá sofrer quem segue esses ensinamentos.

A Igreja inabalável
Obrigado, Paulo Apóstolo. Por nada abandonastes a Igreja que Jesus fundou sobre Pedro, e muito menos quisestes fundar outra. Temos aqui a confirmação de que esta Igreja pode ser abalada pelas forças do inferno, porém, jamais será vencida (Mt 16,18), conforme afirmou Jesus, seu Fundador.

A solenidade de São Pedro e de São Paulo é uma das mais antigas da Igreja, sendo anterior


até mesmo à comemoração do Natal. Depois da Virgem Santíssima e de São João Batista, Pedro e Paulo são os santos que têm mais datas comemorativas no ano litúrgico. Além do tradicional 29 de junho, há: 25 de janeiro, quando celebramos a Conversão de São Paulo; 22 de fevereiro, temos a festa da Cátedra de São Pedro e 18 de novembro, reservado à Dedicação das Basílicas de São Pedro e São Paulo.

São Pedro

Tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Simão era Pescador e foi chamado pelo próprio Senhor Jesus. Esteve presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, como no momento da Transfiguração.

São Paulo

Saulo era natural de Tarso. Se tornou um fariseu zeloso, era perseguidor dos cristãos, sendo responsável inclusive pela morte de muitos deles. Se converteu à fé cristã, enquanto perseguia os cristãos, no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Jesus Ressuscitado lhe apareceu dizendo: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?”.

São Pedro é o apóstolo que Jesus Cristo escolheu e investiu da dignidade de ser o primeiro Papa da Igreja. A ele Jesus disse: "Tu és Pedro e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja". São Paulo é o maior missionário de todos os tempos, o advogado dos pagãos, o "Apóstolo dos gentios".

O martírio de ambos ocorreu na cidade de Roma: São Pedro, crucificado de cabeça para baixo na Colina Vaticana em 64, e São Paulo decapitado na chamada Três Fontes em 67.

Na homilia de 2012, por ocasião da solenidade de São Pedro e São Paulo, o papa Bento XVI chamou esses dois apóstolos de "principais patronos da Igreja de Roma". "A tradição cristã sempre considerou São Pedro e São Paulo inseparáveis: juntos, de fato, eles representam todo o Evangelho de Cristo", afirmou o papa Bento XVI.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR

Reflexão:

Pedro, segurando as chaves, símbolo de seu apostolado como chefe da Igreja, e Paulo, missionário por excelência, são as duas colunas da Igreja, enraizadas no grande fundamento da fé, que é Jesus Cristo. Celebrar a festa destes apóstolos nos permite vislumbrar a aproximação do Reino de Deus, que nasce de nosso envolvimento com a causa do evangelho.

Oração:

Príncipes dos apóstolos e doutores do Universo, São Pedro e São Paulo, rogai ao Mestre de todas as coisas que dê a paz ao mundo e às nossas almas a sua grande misericórdia. Fazei de nós seguidores fiéis de Jesus e inspirai-nos o zelo missionário. Amém!

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Coleta para o Óbolo de São Pedro contribui para a missão do Papa e ocorre neste final de semana



No próximo domingo, dia 28 de junho, quando a Igreja no Brasil celebra a Solenidade de São Pedro e São Paulo, será realizada a coleta do Óbolo de São Pedro. Essa iniciativa também é realizada em todo o mundo como forma concreta de apoiar o Santo Padre na sua missão ao serviço da Igreja universal.

O Óbolo de São Pedro é considerado um gesto concreto de comunhão com o Santo Padre e de solidariedade com a sua missão de levar o Evangelho por todo o mundo. Os recursos contribuem desde o anúncio do Evangelho até a promoção do desenvolvimento humano integral, da educação, da paz e da fraternidade entre os povos.

As doações para o Óbolo de São Pedro também contribuem para a missão pontifícia que se estende a todo o mundo por meio das atividades de serviço desenvolvidas pelos dicastérios, entidades e organismos da Santa Sé, além das iniciativas caritativas do Santo Padre em favor das pessoas e famílias em dificuldade, as populações afetadas por catástrofes naturais ou guerras, e aquelas que necessitam de assistência humanitária ou ajuda para o desenvolvimento.

Dia do Papa no Brasil
Aqui no Brasil, por determinação da VII Assembleia da CNBB, há a motivação de piedosa e generosa contribuição na coleta do Óbolo de São Pedro. As indicações daquela ocasião dizem respeito à comemoração do Dia do Papa, com pregações e orações que traduzam amor, comunhão, respeito e obediência ao Vigário de Cristo na terra, Cabeça da Santa Igreja universal em todas as igrejas e oratórios, mosteiros, conventos e colégios.

Fonte:  www.cnbb.org.br

Papa aos cardeais: "Preciso do apoio de vocês". Peço franqueza e lealdade


No discurso de abertura do Consistório Extrarodinário, Leão XIV foi sincero com os cardeais, pedindo apoio "forte, explícito e público" para que a Igreja continue a anunciar o Evangelho com maior fidelidade, liberdade e credibilidade. A missão, recordou, é a nossa razão de ser.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

"Como podemos ajudar hoje nossas Igrejas a anunciar o Evangelho com maior fidelidade, liberdade e credibilidade?" Esta foi a pergunta que Leão XIV dirigiu aos cardeais reunidos para o Consistório Extraordinário, em andamento no Vaticano.

Depois da Santa Missa na Basílica Vaticana, o Pontífice fez seu discurso de abertura na Sala Paulo VI, afirmando que a missão não é uma das muitas tarefas da Igreja, mas sua razão de ser. E é por isso, que se torna também o critério que orienta o discernimento.

Aprende-se caminhando, ressaltou o Santo Padre, explicando os quatro temas "profundamente interligados" que guiarão os trabalhos que hoje se iniciam. Não somos guardiões de interesses particulares, recordou, mas "discípulos e testemunhas do Reino de Deus, chamados a ser, em Cristo, fermento de fraternidade universal".

O Santo Padre faz seu discurso (@Vatican Media)

Quatro temas que convergem na missão da Igreja
O primeiro tema, portanto, é contemplar o mundo no qual a Igreja é chamada a anunciar o Evangelho. Antes de se questionar o que fazer, afirmou, é preciso deter-se diante da realidade, olhando-a com os olhos da fé e deixando-nos questionar pela escuta dos irmãos. Jesus habita os lugares de nossa vida cotidiana, e a Igreja é chamada a reconhecer a sua presença.

O segundo tema é a reflexão sobre a cultura do poder e a civilização do amor. "Muitos de vocês vêm de terras marcadas pela guerra, pela violência, pela polarização social ou religiosa. Mas nenhum de nós está alheio às muitas formas de conflito, de opressão e de divisão que hoje atravessam nossas sociedades. Por isso, o discernimento que somos chamados a realizar diz respeito a todos e interpela a missão da Igreja em todos os contextos."

Leão XIV indicou a Encíclica "Magnifica humanitas", que pode oferece chaves de interpretação para este tempo. Ao Papa, interessa saber como essas páginas ressoam nas Igrejas particulares, através dos questionamentos suscitados, das perspectivas abertas e dos passos sugeridos.

O terceiro tema é justamente o aprofundamento desta Encíclica, questionando-se sobre a contribuição que a Igreja pode oferecer para a construção do bem comum. "Vivemos em uma época em que cresce a tentação da fragmentação e os interesses particulares prevalecem com facilidade. A Doutrina Social da Igreja nos lembra que o bem comum não surge espontaneamente, mas exige responsabilidades compartilhadas."

Para a Igreja, acrescentou, isso se traduz num estilo sinodal a serviço da missão do Reino, em que as decisões são tomadas e as responsabilidades exercidas, com transparência, avaliação e corresponsabilidade.

Já o último tema diz respeito à implementação do Sínodo. "Diante das feridas do mundo, da construção do bem comum e da missão da Igreja, a sinodalidade indica um modo de proceder: ouvir, discernir e assumir juntos a responsabilidade pelas escolhas que o Senhor nos confia. A sinodalidade não é, antes de tudo, um conjunto de procedimentos; como já tive oportunidade de dizer várias vezes, a sinodalidade é uma atitude, uma abertura, uma disposição para compreender."

Não se trata de uma diminuição da autoridade; pelo contrário, ajuda a compreender mais profundamente o seu significado, que existe para guardar a comunhão, favorecer a participação de todos e orientar o caminho comum da Igreja.

Participam do Consistório cerca de 130 cardeais (@Vatican Media)

A missão é a razão de ser da Igreja
Para o Santo Padre, todos estes temas convergem em uma única pergunta: como podemos ajudar hoje nossas Igrejas a anunciar o Evangelho com maior fidelidade, liberdade e credibilidade?

"A missão não é uma das muitas tarefas da Igreja. É sua razão de ser e, justamente por isso, torna-se também o critério que orienta nosso discernimento. Quando aprendemos a ouvir uns aos outros, a compartilhar responsabilidades, a reconhecer a ação do Espírito nas diversas Igrejas, não estamos apenas melhorando nossa maneira de trabalhar: estamos nos tornando uma Igreja mais capaz de encontrar os homens e as mulheres do nosso tempo e de testemunhar a eles a alegria do Evangelho."

Um conselho sincero é sempre um ato de comunhão
Leão XIV pediu então uma ajuda especial aos cardeais:

“O ministério que o Senhor me confiou não pode ser vivido sozinho. Ele precisa da experiência de vocês, da sabedoria pastoral de vocês, do conhecimento que têm das Igrejas e dos povos que lhes foram confiados. Conto com vocês para que me ajudem a discernir o que o Espírito diz hoje à Igreja. Preciso do apoio de vocês: forte, explícito e público. Preciso sentir-me apoiado por vocês como irmãos.”

O pedido do Papa se estende para além desses dias de trabalho, através de "conselhos sinceros". "Ajudem-me a ouvir o que surge nas Igrejas, a reconhecer os sinais de esperança que muitas vezes crescem no silêncio, mas também a não ignorar as dificuldades, as incompreensões e as resistências que podem retardar o caminho. Preciso da liberdade de vocês, de sua franqueza e de sua lealdade. Um conselho sincero é sempre um ato de comunhão."

Por fim, mais um pedido, de que os cardeais apoiem esse estilo de discernimento eclesial, que exige paciência e, às vezes, suscita questionamentos. "No entanto, estou convencido de que o Senhor está nos ensinando uma maneira mais evangélica de viver juntos a responsabilidade que nos confiou. Daí também depende a credibilidade do nosso testemunho e a fecundidade da nossa missão."

O trabalho em grupos pode parecer inabitual para conduzir um Consistório, acrescentou o Papa, mas também isso faz parte do caminho pelo qual o Senhor está conduzindo a Igreja. "A comunhão nunca é um resultado conquistado de uma vez por todas: continua sendo uma conversão diária, que se concretiza na oração e por meio de atitudes concretas, relações de confiança e disponibilidade para nos ouvirmos reciprocamente."

Além do espaço para intervenções pessoais, Leão XIV reforçou que todos os participantes podem se sentir livres para lhe enviar observações ou reflexões confidenciais. "Mas peço que participem com confiança desse exercício eclesial. Nós também aprendemos a sinodalidade praticando-a; aprendemos juntos a crescer na comunhão. Agradeço-lhes desde já por sua disponibilidade, por sua liberdade interior e por seu amor à Igreja", concluiu o Santo Padre.

"Confiamos estes dias ao Espírito Santo, para que nos torne dóceis à sua voz e nos conceda a graça de buscar juntos o que melhor serve ao Evangelho e ao bem do Povo de Deus. Obrigado."

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.

EVANGELHO DO DIA (Mt 8,1-4)

ANO "A" - DIA: 26.6.2026
12ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- O Cristo tomou sobre si nossas dores, carregou em seu corpo as nossas fraquezas.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

1 Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam. 2 Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: "Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar". 3 Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: "Eu quero, fica limpo". No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra. 4 Então Jesus lhe disse: "Olha, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote, e faze a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho para eles".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Jesus quer purificar o seu coração"

Jesus quer restaurar a sua dignidade através do perdão
Senhor, se queres, tens o poder de purificar-me.
Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam. Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse, “Eu quero, fica limpo”. No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra. (Mt 8,1-4)

Jesus desce do monte, e uma multidão sedenta o procura. Um leproso se aproxima d’Ele. E nós vemos, neste evangelho, uma cena bela, muito bonita.
Jesus quer saber a sua vontade

Vemos o encontro de duas vontades. A vontade do leproso que quer a cura, e a vontade de Jesus que quer curá-lo. Jesus estendeu a mão, e aquele homem ficou curado. O leproso queria ser curado, e Jesus queria curá-lo. Tanto que quando ele pergunta, Jesus diz: “Eu quero, fica limpo”.

A cura no confessionário
Ao visualizar essa cena, eu me recordo do sacramento da confissão. No confessionário, o penitente chega com a lepra do pecado e a apresenta ao sacerdote, confessa os pecados. Ele quer ser purificado por Deus.

O sacerdote impõe as mãos, faz a oração de absolvição, e aquele penitente sai dali também purificado. Se o pecado é uma lepra, quando nós vamos para os confessionários, nós somos purificados também de nossas lepras.

Nós vamos até o confessionário e dizemos: “Senhor, eu quero ser purificado”. E Jesus nos diz: “Também eu quero purificá-lo”. Ele nos purifica, ele nos cura.

Jesus quer que você caminhe na graça
Eu o convido, neste dia, a fazer um exame de consciência sobre a própria vida, sobre as próprias escolhas. Confesse os seus pecados, queira sair da vida de pecado para caminhar na graça de nosso Senhor Jesus Cristo, para caminhar sem lepra neste mundo.

Sobre você, desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo.

Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova