sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Comissão inicia processo de escuta para preparação do Ano Missionário Nacional 2028-2029



A Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) iniciou um processo de escuta para a construção do projeto do Ano Missionário Nacional, que será celebrado de 26 de novembro de 2028 a 18 de novembro de 2029. A iniciativa busca envolver dioceses, arquidioceses, prelazias, pastorais, movimentos, organismos e comunidades eclesiais na elaboração de propostas que fortaleçam a consciência missionária da Igreja no Brasil.

A realização do Ano Missionário Nacional foi aprovada durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, como parte da preparação para o 7º Congresso Americano Missionário (CAM 7), que acontecerá de 14 a 18 de novembro de 2029, na arquidiocese de Curitiba (PR).

O presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, dom Maurício da Silva Jardim, destacou a importância da participação das Igrejas locais nesse processo.

“Queremos convidar você, sua diocese, arquidiocese, prelazia, instituição e organismo a participar da preparação. Como caminho, queremos fazer uma escuta que nos ajudará a planejar um projeto de Ano Missionário Nacional, que vai ajudar nossas Igrejas locais na animação da consciência missionária aberta a todos os povos”, afirmou.

Segundo a Comissão, a proposta é promover um caminho sinodal de comunhão, participação e missão, incentivando a formação, a espiritualidade e a cooperação missionária entre as Igrejas. A iniciativa também pretende fortalecer o compromisso de todos os batizados com o anúncio do Evangelho, especialmente nas periferias e nas diferentes fronteiras geográficas, sociais e culturais.

Como participar da escuta
O instrumento de escuta apresenta três perguntas que devem orientar as contribuições: qual deve ser o objetivo do Ano Missionário Nacional, o que não pode faltar no projeto e quais sugestões podem colaborar para sua elaboração.

As respostas devem ser construídas a partir das realidades locais, preferencialmente por meio de encontros comunitários que favoreçam a participação de lideranças, pastorais, movimentos, conselhos missionários e demais organismos eclesiais.

As contribuições poderão ser encaminhadas à comissão preparatória até 28 de fevereiro de 2027, por meio do formulário: https://forms.gle/uzhC3PDW3nxex2Xu9

Dom Maurício reforçou o convite à participação e explicou que as propostas recolhidas vão subsidiar a elaboração do projeto nacional. Veja o vídeo abaixo:

Preparação para o CAM 7
O 7º Congresso Americano Missionário terá como tema “América em saída: povo de Deus que anuncia e testemunha Jesus Cristo!” e como lema “Igrejas da América, em missão nas fronteiras”.

O encontro pretende fortalecer a experiência sinodal e a cooperação entre as Igrejas do continente, incentivando uma presença missionária comprometida com os desafios da evangelização.


Mais do que preparar a realização do Congresso, o Ano Missionário Nacional busca impulsionar um processo permanente de renovação missionária nas comunidades e estruturas eclesiais.

“Juntos, caminhando na mesma missão, que é de Deus. E Deus confia a nós sermos cooperadores desta missão”, concluiu dom Maurício.

Leão XIV: a IA jamais deve decidir sobre a vida humana



O Papa manifestou a necessidade de criar instituições internacionais capazes de colocar em prática princípios éticos que orientem o desenvolvimento da inteligência artificial. E proibir armas autônomas letais, reiterando que a IA deve ser "desarmada".

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

O tema da inteligência artificial (IA) esteve no centro do discurso de Leão XIV aos participantes do encontro “O Futuro da IA: Um Diálogo entre o Vaticano e o Mundo Científico sobre os Avanços e as Aplicações das Tecnologias Inteligentes”. A iniciativa foi organizada pela Pontifícia Academia para a Vida e pelo Instituto Futuro da Vida.

Ao reunir especialistas de diversos países, o evento evidencia um sentimento comum que, segundo o Papa, é o de inquietação em relação ao desenvolvimento da inteligência artificial e os seus rumos. O Pontífice desenvolveu cinco considerações, a partir de sua Encíclica Magnifica humanitas.

Em primeiro lugar, o futuro da inteligência artificial não está predeterminado. "Por ser uma tecnologia desenvolvida pelos seres humanos, seu futuro depende das escolhas que fizermos", ressaltou o Papa. Temos, portanto, a responsabilidade de orientar, transformar e, quando necessário, rejeitar suas aplicações. Para o Santo Padre, a questão decisiva não é simplesmente “O que a IA pode fazer?”, mas sim “A que finalidade ela deve servir?”.

"Aqueles que encaram seu desenvolvimento meramente como uma corrida a ser vencida correm o risco de se concentrar exclusivamente na linha de chegada, esquecendo-se daqueles que ficam para trás."

Em segundo lugar, as máquinas são ferramentas, não pessoas. Leão XIV alertou quanto a propostas que pretendem conceder direitos a esses sistemas, ou até mesmo personalidade jurídica, obscurecendo a responsabilidade humana.

A inteligência artificial deve ser "desarmada"
Em terceiro lugar, apontou o Pontífice, certas decisões nunca devem ser delegadas: "As decisões que afetam a vida humana, a liberdade e o uso da força devem permanecer sempre sujeitas a uma supervisão humana eficaz, informada e responsável", disse o Papa, citando o exemplo dos bancos de dados de controle de fronteiras.

A este propósito, Leão XIV encorajou os Estados que se reunirão em Genebra em novembro a tomarem medidas concretas no sentido de proibir armas autônomas letais, reiterando que a inteligência artificial deve ser "desarmada".

Em quarto lugar, as tecnologias inteligentes devem ser orientadas para o bem comum e não servir meramente aos interesses de um pequeno grupo privilegiado.

Por fim, o Papa destacou o desafio que considera o mais urgente. E se trata de ter instituições, especialmente internacionais, capazes de colocar em prática princípios éticos que orientem o desenvolvimento da inteligência artificial. "Isso exige normas compartilhadas, supervisão independente e mecanismos claros de prestação de contas, para que as decisões relativas ao desenvolvimento e ao uso da IA possam ser examinadas, questionadas quando necessário e acompanhadas de medidas corretivas adequadas para qualquer dano causado."

Leão XIV concluiu agradecendo ao grupo por suas contribuições nessa área e exortando a perseverarem e trabalharem juntos "em espírito de diálogo e responsabilidade compartilhada pelo bem comum".

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EVANGELHO DO DIA (Lc 14,1-6)

ANO "A" - DIA: 30.10.2026
30ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

1 Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. 2 Diante de Jesus, havia um hidrópico. 3 Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da Lei e aos fariseus: "A Lei permite curar em dia de sábado, ou não?" 4 Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o. 5 Depois lhes disse: "Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?" 6 E eles não foram capazes de responder a isso.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Acolher a vontade do bom Deus"

A vontade do Pai revela o transbordar da misericórdia
“É permitido fazer o bem em dia de sábado?” (Lucas 14,1-6)

Irmãos e irmãs, Jesus mostra que o amor nunca pode ser prisioneiro de uma interpretação fria que nós mesmos fazemos. A lei existe para conduzir a vida, nunca para impedir a misericórdia. Portanto, no dia de sábado, devemos fazer o bem.

A vontade do Pai é que façamos o bem
Se na lei falava do descanso, de guardar o sábado, o sábado não é maior do que a vida humana, é uma instituição em si. Portanto, é permitido fazer o bem, sobretudo nos dias de preceito também. O Senhor continua nos perguntando se a nossa fé aproxima as pessoas ou as afasta.

É o que está em jogo no Evangelho de hoje. Se você lê o Evangelho completo, vai ver que tem uma noção de afastamento. Afastamento tendo em vista um preceito. Mas se o preceito afasta, ele deixa de cumprir a sua finalidade. Devemos perguntar: cura ou apenas lança culpa sem gerar transformação de vida? A nossa fé cura, a nossa fé transforma ou não?

O preceito deve produzir amor
Nós, enquanto discípulos de Jesus, não devemos escolher entre verdade e caridade. Na verdade, devemos viver as duas de maneira inseparável. Onde há verdadeiro amor, ali a vontade de Deus sempre encontrará espaço para agir. Que o Senhor encontre verdadeiro amor em nosso coração para podermos fazer a vontade d’Ele, para podermos fazer o bem também no dia de sábado, porque não é proibido.

Sobre você desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edilson Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova

Não mascare a morte: reze com honestidade diante da dor

Jesus deixou esta parábola a respeito de alguns que se vangloriavam como se fossem justos e desprezavam os outros:

“Dois homens subiram ao templo para orar. Um era fariseu, o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim em seu íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de toda a minha renda.’ O publicano, porém, ficou a distância e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem compaixão de mim, que sou pecador!’ Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, mas o outro não. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lucas 18,10-14).

Quando ouvimos um trecho como esse, com muita honestidade, pensamos assim: “Ou Jesus era absolutamente débil mental, ou nós não entendemos o que está escrito aí.” Pois, objetivamente falando, aquele fariseu era um santo. E Jesus não disse que ele era mentiroso — o homem era mesmo bom.
Créditos: Olga Mosman by Getty Images

O fariseu não foi ouvido na sua oração porque foi diante de Deus para rezar, mas, na verdade, ficou fazendo propaganda de si mesmo, como se Deus precisasse escolher a quem atender. “Eu não sou como esse cobrador de impostos, eu jejuo duas vezes por semana, eu não sou injusto, eu não sou ladrão. Vote em mim!”. Jesus disse que Deus não ouviu essa oração de autoelogio, porque isso não é oração. Ele tinha necessidade de rezar, mas não foi rezar: foi falar de si mesmo para Deus. Disso Deus não precisa, pois Ele sabe quem somos.
Tirar as máscaras diante de Deus

Você quer rezar? Primeira condição absolutamente necessária: seja pela dor da morte, pela perda de alguém ou experiência traumática que você teve: tire sua máscara.

É preciso eliminar, em Deus, a causa do problema. A oração não pode ser fingida. É preciso rezar com honestidade, principalmente quando se trata de assuntos ligados à dor da perda. Não adianta querer amenizar o problema. É preciso buscar a cura.

A oração do órfão e da viúva
Então, a primeira coisa que a morte nos ensina e que a oração do fariseu precisa nos ensinar é: tire suas máscaras. Deus jamais despreza a oração de dois tipos de pessoas: do órfão e da viúva. Está falando de morte. A pessoa fica órfã quando o pai ou a mãe morre, e fica viúva quando o esposo morre. Deus não despreza as orações dessas pessoas, quando elas têm coragem de lhe abrir o coração.

Viva sem fingimento e com responsabilidade
A oração que esse safado, sem-vergonha, ordinário publicano fez foi ouvida por Deus. Jesus não está justificando, ele não está dizendo que você tem que viver uma vida de qualquer jeito e depois basta fazer uma rezinha. Você não sabe a hora da sua morte, por isso viva como se fosse o último dia da sua vida. Um dia você acerta!

Muitas vezes, aprendemos a viver feito o publicano e a rezar feito o fariseu. Vivemos no pecado e rezamos como um santo. Precisamos aprender a levar a sério as coisas de Deus: jejum, dízimo, honestidade espiritual. Sem isso nossa oração será sempre mascarada e superficial.

A dor da perda e a ilusão do sofrimento único
Temos um complexo de exclusividade infantil. Achamos que apenas nós sofremos. Aquelas pessoas que vêm nos consolar e dizem que sabem o que estamos sentindo, porque já passaram por aquilo, na verdade não sabem, porque dor da gente ninguém sente. A dor é nossa, é única.
A parábola da semente de mostarda

Certa vez, disseram a uma senhora que havia perdido seu filho que um monge tinha o dom de ressuscitar pessoas, principalmente crianças. E ela foi procurar esse monge:

— É verdade que o senhor tem o poder de ressuscitar uma pessoa morta?
— Não é que eu tenho o poder; existe esse poder, e Deus me usa para executá-lo. Eu posso reavivar essa criança.
— E o que eu preciso fazer?
— É muito simples: a senhora precisa conseguir uma semente de mostarda, mas que tenha nascido no canteiro de uma casa cuja família nunca tenha perdido um ente querido.
— Só isso?
E ela foi de casa em casa:
— Tem semente de mostarda?
— Tem.
— Mas aqui já morreu alguém da família?
— Já, meu pai morreu.
Ia até o vizinho:
— A minha avó morreu, e também o meu cachorrinho.

Ao contemplar a volta no quarteirão, compreendeu que era besteira achar que apenas ela tinha sofrido a dor da morte.
Somos de Deus e estamos de passagem

Todos passamos ou vamos passar pela experiência da perda de um ente querido, do mesmo jeito que todos sabemos que um dia morreremos.

A vida não nos pertence, assim como nossos entes queridos não nos pertencem. Somos de Deus. Estamos aqui de passagem, estamos aqui viajando; não temos morada definitiva aqui, mas caminhamos para a Jerusalém celeste. O Céu é a nossa pátria.

“No reino do Pai há muitas moradas; Eu vou preparar um lugar para você.” Jesus fala “moradas”, no plural, exatamente para isso, para que cada um entenda que, do jeito que vivemos nossa santidade de vida, com as limitações que temos, Deus nos acolherá em seu coração.

A misericórdia infinita de Deus reserva um lugar para cada um de nós. Talvez a sua vida seja igual à do publicano, talvez já se tenha descoberto seu pecado. Quantos já passaram vergonha na vida por terem feito uma bobagem? Roubaram uma loja, tiveram profissões desonradas, usaram drogas, se prostituíram, se estragaram publicamente. E no entanto, hoje, sabem que estão no coração de Deus. Porque, assim como o pecador público, um dia você também teve essa graça de dizer: “Senhor, tem piedade de mim, eu sou pecador”.
Pare de se comparar com os outros

Jesus contou essa parábola para chamar a atenção daqueles e daquelas que desprezavam os outros porque se consideravam muito santos. Pare de se achar melhor do que os outros. Nós não temos que nos comparar com ninguém. Não nascemos para ser melhor nem pior do que ninguém; não podemos deixar que nos comparem com alguém. A comparação cria competição, inveja, ciúme. E a inveja e o ciúme foram os pais da morte, pois foi pela inveja do demônio que a morte entrou no coração da humanidade.

Não se compare com ninguém; aceite-se do jeito que você é.
Não se conforme com seus defeitos e pecados. Assuma-se como você é. Só quem se assume pode mudar o que precisa ser mudado. Aceite-se, reconcilie-se consigo mesmo, com sua história, e coloque-se por inteiro nas mãos de Deus.

O encontro com o Deus que ama
Ninguém deve temer o dia do juízo final. Para muitos, esse será o grande momento de redenção perante o mundo, já que foram vítimas de calúnias, injustiças, mentiras e sofrimentos. O juízo será o momento histórico de reabilitação. Nunca deveríamos ter medo de nos encontrarmos com o juiz verdadeiro, que é Deus, porque Ele não é um juiz que me julga: Ele, acima de tudo, é um juiz que me ama.

(Fonte: Livro Cura dos traumas da morte, p. 63 a 68)

São Marcelo


São Marcelo foi um centurião romano que viveu durante o século III, também foi casado e pai de doze filhos.

A história proporciona pouca informação sobre sua vida e conversão, porém sabemos que no ano 298 foi martirizado por defender a fé em Jesus Cristo e em Deus como nosso único Deus verdadeiro.

Durante a celebração das festas que comemoravam o nascimento do Imperador Valério, São Marcelo fez uma confissão pública da fé cristã. Querendo testemunhar sua conversão, jogou no chão a espada de centurião e o ramo de videira que simbolizava o ramo militar ao qual pertencia. Nesta ocasião recusou a oferecer sacrifícios aos deuses pagãos.

Esta manifestação explícita de adesão ao cristianismo custou a vida de São Marcelo, que foi sentenciado pelo prefeito pretório Aurélio Agricolano e levado ao martírio, sofrendo decapitação na cidade de Tânger em Marrocos.

Reflexão:

Nos inícios do cristianismo era comum escutar aos fiéis dizendo que o sangue dos mártires é semente de novos cristãos. São Marcelo nos oferece o testemunho desta certeza esperançadora. Peçamos a Deus que este exemplo de coragem fortaleça nossa fé e nos faça capazes de defender o que amamos, sem temer as consequências e seguros da alegria maior que é a amizade com Jesus que nos abraça com o Pai e o Espírito Santo.

Oração:

São Marcelo, fostes soldado dos homens e te converteste, por meio do martírio, em soldado para Cristo Jesus. Olhai por nós que enfrentamos tantas situações nas quais precisamos de coragem para seguir a Deus com firmeza, dando testemunho de sua onipotência e grandeza. Rogai por nós, para que também sejamos soldados do Rei de reis. Que assim seja, Amém!

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Comissão celebra 10 anos de luta profética contra o tráfico de pessoas; momento reafirma a missão eclesial


Na noite de 15 de outubro, telas se conectaram de diferentes cantos do país numa mesma sintonia de memória e compromisso profético. A Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEETH), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizou um encontro virtual para marcar uma década de caminhada sob o lema: “10 anos rompendo o silêncio: Tráfico de pessoas existe e enfrentá-lo é a nossa missão”.

Mais do que recordar a caminhada institucional, o momento reafirmou a coragem profética e a missão eclesial. Com a participação de bispos, religiosas, leigos, leigas e agentes de pastoral recordando os rostos, histórias e pegadas de uma mobilização firme contra a mercantilização humana, a Comissão abriu o ciclo celebrativo dessa trajetória.

“São dez anos de uma caminhada feita por muitas mãos, muitos rostos, muitas organizações, comunidades e pessoas que acreditaram, e continuam acreditando, que nenhuma vida humana pode ser transformada em mercadoria. Hoje não queremos apenas recordar datas. Queremos recordar pessoas. Queremos agradecer. Queremos rezar. E queremos renovar nosso compromisso com a vida e com a liberdade”, destacou no momento celebrativo a irmã Rose Bertoldo que integra a Comissão.

Ao iniciar a cerimônia, o presidente da Comissão, dom Adilson Pedro Busin, expressou sua gratidão ao Grupo de Trabalho. Ao avaliar o percurso percorrido e os laços consolidados, sublinhou:


“Que bom que estamos no barco; tem gente aqui que é marinheiro da primeira hora, e nós estamos remando, muitas vezes, contra a corrente do tráfico de pessoas”.

Dom Adilson evocou, comovido, a partida de duas referências fundamentais na gênese do trabalho: a defensora de direitos humanos Henriqueta Cavalcante, em janeiro deste ano, e dom Enemésio Ângelo Lazzaris, bispo falecido em 2020.


“Dom Enemésio era muito singelo nas suas colocações e muito atento. Ele e a sua maletinha preta, seus vários caderninhos de anotação, andava para lá e para cá com aquela maleta, mas muito atento, enfrentando as injustiças sociais para que as pessoas, as famílias, os agricultores e agricultoras pudessem ter justiça, paz e dignidade humana”, lembrou Francisco Alan, integrante da Comissão.

De forma igualmente marcante, o legado de Henriqueta Cavalcante foi reverenciado pela sua coragem e escuta vigilante: “Muitas mulheres e homens, defensores e defensoras de direitos humanos, aprenderam com a Henriqueta o exercício da escuta. Uma escuta que era de denúncia, de ação, pautada no anúncio e também centrada na indignação”, ressaltou Alan, lembrando a proximidade de convivência e a atuação incisiva de Henriqueta na proteção a meninas e mulheres no arquipélago do Marajó. O resgate histórico recordou também a dedicação profética de dom José Luiz Azcona no Marajó (PA).

Entre as presenças e memórias marcantes que estruturaram os primeiros mutirões de enfrentamento, foram destacadas a atuação de irmã Claudina Scapini (presente na cerimônia), irmã Rosita Milesi, padre Ari (da Pastoral Afro), frei Xavier Plassat (Comissão Pastoral da Terra – CPT), Alessandra Miranda e dom Plínio José Luz da Silva, bispo de Picos (PI) e bispo referencial da Comissão.
Irmã Eurides, que integra a Comissão em ação na cidade de São Paulo em 2024

Prevenção, acolhimento e a inspiração de Santa Bakhita
Ao avaliar essa década de caminhada e apontar os passos necessários para o presente e o futuro, a secretária executiva da Comissão, Alessandra Miranda, destacou dois eixos fundamentais que sustentam a ação pastoral: a formação de base e a espiritualidade encarnada.

“São dez anos de atuação em defesa da vida, sobretudo das pessoas mais vulneráveis e que são as maiores vítimas do tráfico humano. A meu ver, dois elementos marcam profundamente essa trajetória. O primeiro é a formação e capacitação de lideranças, para que multipliquem materiais e conteúdos voltados à prevenção, aprofundando a compreensão sobre o que é o tráfico e suas diversas modalidades. Assim, cada pessoa torna-se um agente transformador, vigilante na defesa da vida. O segundo é Santa Bakhita, que perpassa todo o nosso caminho eclesial. Ela própria foi vítima do tráfico e nos traz uma profunda inspiração no seguimento de Jesus e do Evangelho, sobretudo pela perseverança, resistência e pelo simbolismo de sua história”, pontuou Alessandra.

Para a secretária executiva, a missão da Igreja exige uma postura ativa e integral diante das violações:

“É missão da Igreja abrir todas as portas para que o tráfico humano seja banido da sociedade. Mas, para isso, precisamos prevenir, identificar e acolher. São esses elementos fortes que mobilizaram estes dez anos e que continuarão nos mobilizando por um bom período pela frente”.
Comissão em missão no estado de Roraima. Foto: Cláudia Pereira

Missões, desafios e luz da esperança no horizonte
O percurso da Comissão, impulsionado pela Campanha da Fraternidade de 2014, integrou esforços com a Rede Um Grito Pela Vida, pastorais e organismos que caminham lado a lado em frentes territoriais por todo o país. Entre as iniciativas, destacam-se as missões realizadas em Roraima, no Regional Norte 1 da CNBB: a primeira em 2018, no ápice do fluxo migratório, quando 40% da Coleta Nacional da Solidariedade foi destinada para estruturar a Cáritas local; e a segunda em 2024, que constatou a persistência e a gravidade das denúncias de tráfico no território.

Os participantes enfatizaram ainda que a Comissão manteve suas atividades ininterruptas durante a pandemia de Covid-19 e alertaram para a urgência de encarar o aliciamento no meio digital como um dos maiores desafios contemporâneos da inteligência e da prevenção pastoral.

A dimensão orante fez-se ecoar a partir da Carta aos Gálatas (5, 1): “É para a liberdade que Cristo nos libertou”. Dom Evaristo Spengler convidou todos a acenderem velas diante das câmeras, afirmando:

“A vela nos recorda o Cristo ressuscitado, a luz de Deus que ilumina os nossos caminhos, não nos deixa na escuridão das trevas, mas nos ilumina com o seu amor. Rezemos celebrando hoje dez anos e celebrando o horizonte que nos espera, porque nenhuma vida é mercadoria, toda vida tem dignidade, toda pessoa nasceu para ser livre”.

Sob a intercessão de Santa Josefina Bakhita, reiterou-se o compromisso de que nenhuma opressão encontre indiferença na Igreja.
Continuidade das celebrações

O encontro virtual marcou a abertura de uma agenda comemorativa e formativa que se estenderá até o primeiro semestre de 2027. A Comissão já disponibilizou subsídios litúrgicos com a oração dos fiéis para celebrações comunitárias, além da nova identidade visual sintetizada pelo lema: “10 anos rompendo o silêncio: Tráfico de pessoas existe e enfrentá-lo é a nossa missão”.

Até o final deste ano, novos materiais e vídeos de resgate histórico circularão nos meios digitais, preparando o caminho para uma série de debates e transmissões ao vivo ao longo de 2027 com foco nas particularidades regionais do país, fortalecendo as redes de denúncia e a incidência em políticas públicas.

Por Cláudia Pereira | Cepast CNBB


Papa: a fé é chamada a se tornar cultura para alcançar todas as pessoas


Na Praça São Pedro, Leão XIV deu continuidade ao ciclo sobre os documentos conciliares, analisando hoje o tema da cultura segundo Constituição Pastoral Gaudium et spes. Neste documento, a Igreja exorta a comunidade internacional a garantir que todos possam ter acesso aos bens culturais fundamentais, superando o analfabetismo e a falta de instrução.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

A cultura e as suas relações com a fé cristã foram o tema da catequese do Santo Padre na Audiência Geral desta quarta-feira, 28 de outubro.

Leão XIV se ateve ao segundo capítulo da segunda parte da Constituição Gaudium et spes (GS), que descreve como a Igreja Católica foi determinante para o desenvolvimento da civilização ocidental não só por meio da criação de escolas e universidades, mas também na promoção da arte.

“A fé pode encarnar-se em qualquer cultura, porque não se identifica com nenhuma delas de forma específica. Ela habita-as, moldando-as a partir de dentro segundo a «forma» de Jesus Cristo, ou seja, com a caridade, o serviço e o reconhecimento filial da paternidade de Deus.”

Papa durante o giro de papamóvel (VATICAN MEDIA)

Garantir acesso à cultura
Assim, acrescentou o Pontífice, a Igreja capta nas diversas culturas o que há de bom, de belo e de verdadeiro, para encarnar e transmitir a mensagem do Evangelho. Ela é capaz de entrar em comunicação com as diversas formas de cultura porque não está exclusiva e indissoluvelmente ligada a nenhuma raça ou nação, a nenhuma tradição antiga ou moderna.

A cultura é um bem em si mesma, através da qual o ser humano pode realizar a sua vocação na terra. "Por esta razão, a Gaudium et spes exorta a comunidade internacional a garantir que todos possam ter acesso aos bens culturais fundamentais, superando o analfabetismo e a falta de instrução", disse ainda o Santo Padre, ressaltando que o Concílio já afirmava a importância da participação das mulheres na vida cultural.

A Gaudium et spes defende, assim, a necessidade para os cristãos de cultivar uma unidade fecunda do saber:"Embora tenham recebido da Revelação as respostas às grandes questões da existência, isso não os dispensa de uma formação intelectual e cultural paciente; pelo contrário, os seus conhecimentos humanos e científicos devem avançar a par dos conteúdos da sua fé", defendeu o Papa.

Por fim, o documento conciliar recomenda que não se viva a fé num espírito de oposição ou de hostilidade em relação ao mundo, à cultura e às suas expressões humanas. "Alcançar uma síntese madura e responsável entre fé e cultura é, com efeito, uma condição necessária para a perseverança na vocação cristã, mas também um requisito indispensável para testemunhar a fé ao mundo e comunicá-la aos outros de forma crível", concluiu o Santo Padre.

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EVANGELHO DO DIA (Lc 6,12-19)

ANO "A" - DIA: 28.10.2026
30ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERMELHO)
MARTÍRIO DE SÃO JUDAS E ESÃO SIMÃO

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- A vós, ó Deus, louvamos, a vós, Senhor, cantamos; vos louva, ó Senhor, o coro dos Apóstolos!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

12 Naqueles dias, Jesus foi à montanha para rezar. E passou a noite toda em oração a Deus. 13 Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de apóstolos: 14 Simão, a quem impôs o nome de Pedro, e seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15 Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelota; 16 Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que se tornou traidor. 17 Jesus desceu da montanha com eles e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e grande multidão de gente de toda a Judéia e de Jerusalém, do litoral de Tiro e Sidônia. 18 Vieram para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças. E aqueles que estavam atormentados por espíritos maus também foram curados. 19 A multidão toda procurava tocar em Jesus, porque uma força saía dele, e curava a todos.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Em oração constante com o Pai"

Em oração, a alma descobre a voz de Deus


“Jesus passou a noite inteira em oração a Deus” (Lucas 6,12-19)


Irmãos e irmãs, nós celebramos, hoje, a festa de São Simão e São Judas, apóstolos. E o Evangelho nos recorda que Jesus passou a noite inteira em oração. Ou seja, antes das grandes decisões, Jesus sempre se colocava em diálogo com o Pai do céu.
Em oração, Jesus nos mostra como discernir

Toda decisão acertada deve ter em vista primeiro a oração, a escuta, o discernimento daquilo que Deus pede a nosso respeito. Não foi diferente com a escolha dos apóstolos que nós estamos celebrando neste dia. Antes de escolher os apóstolos, Jesus reza durante toda a noite.

Não foi pouca a oração: durante toda a noite. Isso nos ensina que as decisões mais importantes da nossa vida nascem não da pressa, mas da intimidade com o coração de Deus. Como está a sua caminhada? Como está o seu coração? Seu coração está muito acelerado? A sua vida está muito acelerada? Você tem parado para escutar Deus? Tem parado para rezar? Tem parado para ler a Palavra que ajuda a discernir o que é melhor para a sua vida segundo Deus?
Superando o imediatismo para sermos docéis

No contexto de vida onde tudo precisa ser imediato, tudo é para agora, tudo é para ontem. Cristo revela o valor do discernimento. Deus não chama pessoas perfeitas. Os apóstolos não eram perfeitos. Estes que celebramos hoje também não eram perfeitos, mas eram homens disponíveis para serem transformados pela graça de Deus. Aquela graça que se antecipa, aquela graça que nos precede, que precede a toda iniciativa nossa, que precede até mesmo a nossa conversão.

Continuamente, o Senhor nos faz este convite: “Colabore com a minha obra”. Os apóstolos colaboraram. Nós também podemos colaborar. Quanto mais profunda for a nossa vida de oração, mais serena e fecunda será a nossa escolha e qualquer tipo de discernimento.

Sobre você desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edson Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova