quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Morre dom Alfio Rapisarda, representante diplomático da Santa Sé no Brasil de 1992 a 2002


Faleceu nesta quarta-feira, 11 de de fevereiro, o Núncio Apostólico Emérito em Portugal, dom Alfio Rapisarda. Ele atuou no Brasil, como Núncio Apostólico, representação diplomática da Santa Sé, de 1992 a 2002.

O funeral será celebrado na quinta-feira, 12 de fevereiro, às 10h, na paróquia de Santo Antônio de Pádua, em Monterosso Etneo, no sul da Itália, e na sexta-feira, 13 de fevereiro, às 9h30, na catedral de Catania, também na Itália. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou Nota de Pesar ao atual Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambatistta Diquattro.

Nota de pesar pelo falecimento de Dom Alfio Rapisarda

Estimado irmão, Dom Giambattista Diquattro,
Núncio Apostólico no Brasil

Recebemos, com pesar, a notícia do falecimento de Dom Aflfio Rapisarda, Núncio Apostólico Emérito em Portugal. Unimo-nos aos familiares e amigos e todos fiéis em oração pela alma deste nosso irmão e em gratidão a Deus pela vida doada em favor da evangelização com ardor missionário e amor à Igreja.

Por 10 anos, Dom Alfio serviu a Santa Sé como Núncio Apostólico no Brasil, cuidando de forma sempre atenta dos valores emanados pela diplomacia do Vaticano. Neste ano em que comemoramos o Bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, elevamos a Deus nossos agradecimentos pela atuação de dom Alfio em solo brasileiro, na certeza de que, com a sua atuação, os laços de fraternidade foram fortalecidos.

Que Maria, neste dia em que fazemos memória de Nossa Senhora de Lourdes, interceda por sua alma e que seja acolhido por Deus na plenitude da vida eterna.

Em Cristo,

Dom Jaime Cardeal Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo de Goiânia (GO)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Arcebispo de Olinda e Recife (PE)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers
Bispo Auxiliar de Brasília (DF)
Secretário-geral da CNBB
Biografia e trajetória eclesial

Dom Alfio Rapisarda foi ordenado padre no dia 14 de julho de 1957, pelo arcebispo Guido Luigi Bentivoglio e incardinado na arquidiocese de Catânia, na Itália. Licenciou-se em Direito Canônico. Tendo ingressado no serviço diplomático da Santa Sé em 1962, trabalhou posteriormente nas representações papais em Honduras, Brasil, França, Iugoslávia e Líbano.

Rapisarda foi nomeado pelo Papa João Paulo II como arcebispo titular de Canas e Núncio Apostólico na Bolívia em 22 de abril de 1979. Recebeu a ordenação episcopal no dia 22 de maio seguinte, na Basílica de São Pedro, pelo Papa João Paulo II; os principais co-consagradores foram Duraisamy Simon Lourdusamy, Arcebispo Emérito de Bangalore, e Eduardo Martínez Somalo, Arcebispo Titular de Thagora.

Em seguida, foi nomeado Pró-Núncio Apostólico no Zaire em 29 de janeiro de 1985 até ser transferido para o Brasil em 2 de junho de 1992. Por fim, em 12 de outubro de 2002, dom Alfio foi nomeado núncio no Portugal. Durante seu serviço, em 2004, Portugal e a Santa Sé assinaram uma nova concordata, substituindo uma desatualizada de 1940. O Papa Bento XVI aceitou a sua renúncia em 8 de novembro de 2008.


A oração de Leão XIV pelos enfermos na Gruta de Lourdes, no Vaticano



Ao final da Audiência Geral, conforme anunciado, Leão XIV dirigiu-se aos Jardins do Vaticano, onde acendeu uma vela diante da imagem da Imaculada Conceição e rezou com os enfermos presentes, por ocasião do Dia Mundial do Doente e da festa de Nossa Senhora de Lourdes. Ele também pediu a bênção de Deus para os médicos, enfermeiros e todos aqueles que acompanham os que sofrem.

Vatican News

É um dia muito bonito que nos faz recordar a proximidade de Maria, nossa mãe, que sempre nos acompanha e nos ensina tanto: o significado do sofrimento, o amor, o entregar a vida nas mãos do Senhor.

Com estas palavras o Papa Leão XIV se dirigiu ao grupo de enfermos que o aguardavam na manhã desta quarta-feira na Gruta de Lourdes, nos Jardins do Vaticano - como havia anunciado na Audiência Geral - após deixar a Sala Paulo VI. Diante da imagem de Nossa Senhora de Lourdes, o Santo Padre acendeu uma vela como sinal de sua oração "por todos os doentes, dos quais hoje, Dia Mundial do Doente, nos lembramos com particular carinho", disse ele durante a audiência. E assim dirigiu-se aos presentes na Gruta:

Hoje, neste Dia Mundial do Doente, queremos rezar em comunhão com todos aqueles que sofrem no mundo. Rezamos por vocês. Agradeço sinceramente o esforço de vir e nos acompanhar neste momento de oração, aqui diante de nossa mãe, Maria, em sua memória litúrgica, Nossa Senhora de Lourdes.

Uma bênção também para médicos, enfermeiros e auxiliares
Antes da oração da Ave Maria e da bênção dos participantes, o Pontífice concluiu:
Pedimos também a bênção do Senhor para vocês, para todos os doentes neste dia e sempre, e para todos aqueles que acompanham as ciências médicas, os doutores, os enfermeiros e as muitas pessoas que estão perto de nós, especialmente nos momentos mais difíceis.

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EVANGELHO DO DIA (Mc 7,24-30)

ANO "A" - DIA: 1202.2025
5ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Acolhei docilmente a palavra semeada em vós, meus irmãos; ela pode salvar vossas vidas!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 24 Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido. 25 Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. 26 A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. 27 Jesus disse: "Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos". 28 A mulher respondeu: "É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair". 29 Então Jesus disse: "Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha". 30 Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Fé persistente: O que aprendemos com a mulher cananeia"

O mistério do “não” de Jesus e a vitória da fé inabalável
“Naquele tempo, uma mulher que tinha uma filha com o Espírito impuro ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. Jesus disse: “Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-los aos cachorrinhos”. A mulher respondeu: É verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos debaixo da mesa comem as migalhas que as crianças deixam cair” (Marcos 7,24-30).

Sem um contexto adequado, nós podemos compreender essa cena de hoje apresentando um Jesus duro, rígido, insensível, machista. Ele está no território de fronteira, onde hoje é o atual Líbano. Vem uma mulher ao seu encontro, suplicando ajuda para sua filha. Inicialmente, Jesus a ignora completamente, não lhe dirigindo nem mesmo uma palavra.

Depois, a pedido dos discípulos, Ele responde com um “não” seco. A mulher não se dá por vencida, ela insiste. E Jesus solta-lhe um provérbio que parece ofensivo: “Não é justo tirar o pão dos filhos e dá-los aos cachorrinhos”. A tradução usa o diminutivo Kynaria como uma referência “cachorrinhos” aos povos infiéis e pagãos que não cultuavam o Deus verdadeiro, mas sim outros deuses. Então, essas pessoas acabavam recebendo esse adjetivo.
A fé persistente

Diante dessa afirmação chocante de Jesus, a mulher responde com muita humildade e com mais fé ainda: “Os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa dos seus donos”.

Parece que Jesus estava cavando o tesouro precioso da fé, escondido no coração daquela mulher pagã. Tanto que, ao final, Ele faz um belo elogio dizendo: “Mulher, grande é a tua fé!”.

Deus não nos dá migalhas, Ele nos dá o Tudo
Nosso Deus não nos deu migalhas, Ele nos deu tudo, Ele nos deu o Seu Filho e, hoje, certamente, está disposto a oferecer a você a Sua graça, o Seu perdão, o Seu amor, para satisfazer os anseios do nosso coração.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Pe Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Unção dos enfermos salva a alma de uma pessoa?


Sacramento da unção dos enfermos e o fortalecimento da alma

A base bíblica do sacramento da unção

A unção dos enfermos é um dos sete sacramentos instituídos por Cristo, fundamentado na tradição apostólica. Na segunda carta de São Tiago, observamos que o fiel doente deve chamar os presbíteros para que o unjam com óleo. Essa prática visa invocar a cura divina e o alívio para os sofrimentos do corpo e da alma.

Os efeitos espirituais na salvação da alma
Diferente da antiga ideia de extrema-unção, este sacramento não é exclusivo para o momento da morte, ela confere ao fiel uma graça especial de fortalecimento, paz e coragem para suportar a enfermidade. Dessa forma, caso o doente não possa confessar, o sacramento opera a remissão dos seus pecados.
A união com a Paixão de Cristo

O sacramento proporciona uma união íntima entre o sofrimento do fiel e a Paixão de Jesus Cristo. Assim, mediante essa graça, a doença adquire um novo significado, tornando-se uma participação na obra redentora, na qual o enfermo contribui para o bem de toda a Igreja e para a sua santificação pessoal.

Veja também:


O auxílio na recuperação da saúde física
Embora o foco seja o bem espiritual, a unção dos enfermos pode resultar na restauração da saúde física. Esse benefício ocorre sempre que o restabelecimento corporal for conveniente para a salvação da alma do fiel. Portanto, o sacramento deve ser recebido com fé na providência e no tempo de Deus.

Transcrito e adaptado por Jaqueline Scarpin


Santa Eulália


Eulália, nascida em local próximo a Barcelona na Espanha no final do século III, foi educada cristãmente, e desde pequena, rejeitando as vaidades, gostava de se reunir com as amigas para rezar no oratório de uma propriedade rural da família.

Quis consagrar-se totalmente a Cristo, e na sua época aconteciam as ferozes perseguições do imperador Diocleciano aos cristãos. Daciano, governador na Espanha, era igualmente hostil e despótico, e aplicou os decretos imperiais na região.

Os pais de Eulália procuraram esconderijo num local distante da cidade, mas ela, pressentindo com alegria a sua plena união com Jesus através do martírio, fugiu para Barcelona e apresentou-se a Daciano, condenando-lhe a idolatria e a perseguição iníqua contra Deus e os cristãos.

Espantado com tamanha coragem, inicialmente o governador procurou adulá-la, na tentativa de convencê-la à apostasia. Sua recusa veemente o irritou: Eulália atirou longe o turíbulo com o qual pretendiam que incensasse os ídolos pagãos, declarando-se “serva de Jesus Cristo, Rei dos Reis (…). Rejeito, portanto, as vossas divindades falsas, invenções dos demônios”. Diante disso, ele a mandou torturar com ferros em brasa. Cheia de alegria, Eulália exclamou: “Agora, ó Jesus, vejo no meu corpo os traços de Vossa sagrada Paixão”. Após outros tormentos, finalmente a jogaram numa fogueira.

Santa Eulália faleceu em 304 e é padroeira de Barcelona e da Espanha.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Para a mentalidade atual, talvez mesmo de muitos católicos, a firmeza dos primeiros mártires cristãos sugira um traço de loucura ou inconsequência. Mas ao contrário, eram eles totalmente consequentes com a sua – e nossa – Fé, e muitos não concebiam a ideia de permitir impunemente o avanço de ideias que, acertadamente, Santa Eulália definiu como “invenções de demônios”. Viver indiferente a Cristo e à Sua Salvação, num mundo materialista, ateu ou idólatra, isto sim é loucura. O corpo passa, e a vida futura é a única verdadeiramente importante, para a qual, em Cristo e na Igreja, devemos direcionar toda a nossa vontade, liberdade e ações. As perseguições, inclusive hoje, sempre vão existir; importa ao fiel permanecer corajosamente com Cristo, combatendo coerentemente as pressões mundanas, cada qual na sua vocação e âmbito de vida, mas com a mesma determinação e coragem. Antes o fogo terreno que o do inferno, era algo muito claro para os nossos primeiros, exemplares e heroicos irmãos em Cristo, e também o seu legado. Não o desperdicemos.

Oração:

Senhor Deus Todo Poderoso, Pai de amor e bondade, dai-nos por Santa Eulália o fogo ardente da Fé, capaz de superar as seduções e pressões deste mundo, para combatermos sem medo tudo o que procura sufocar a Vossa Igreja e Redenção, denunciando os erros dos projetos mundanos e confiando totalmente na Vossa proteção e Providência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Ressuscitado e Glorioso, e Nossa Senhora, Protetora da Igreja. Amém.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Conselho Episcopal Pastoral testa inovações para processos de votação eletrônica em vista da 62ª Assembleia Geral da CNBB


O arcebispo de Santa Maria (RS) e coordenador do grupo de redação das Novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), dom Leomar Brustolin, apresentou aos membros do Conselho Episcopal Pastoral (Consep), na tarde da terça-feira, 10 de fevereiro, a versão final do “Instrumento de Trabalho” a ser aprovado na 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a ser realizada de 15 a 24 de abril deste ano.

Dom Leomar ressaltou que o texto não é resultado do esforço de um grupo de trabalho, mas de um processo sinodal que dura 4 anos e foi pensando como forma de acolher, na Igreja no Brasil, as indicações do Sínodo sobre a Sinodalidade. O coordenador do grupo de redação informou que o texto será enviado a todos os bispos do Brasil ainda nesta terça-feira, 10 de fevereiro, e ressaltou que as palavras essenciais que animaram o sínodo (comunhão, participação e missão) são palavras essenciais para compreender o texto das diretrizes.

“O objetivo não é termos uma dissertação ou tese, mas um grande conjunto de diretrizes que apontam o caminho que vai animar a vida da Igreja no Brasil nos próximos anos. O texto é resultado de uma grande escuta e leva também em consideração as informações do último Censo Demográfico do Brasil”, disse.

O texto é organizado em 7 partes (Tenda: lugar do encontro, Escuta dos Sinais dos Tempos – sinais de esperança e desafios -, Discernimento e conversão pastoral – comunhão, participação e missão -, povo de Deus em Missão: laicato, vida consagrada e ministros ordenados, Caminhos da Missão, Compromissos sinodais – conversão das relações, processos e vínculos-, e Conclusão).

Foi pontuado pelos membros do Consep a importância de criar instrumentos e orientações para tornar as diretrizes conhecidas, vivenciadas e experimentadas nos planejamentos pastorais e considerar que elas são a opção feita, pela Igreja no Brasil, como modo de acolhida e recepção do Sínodo sobre a Sinodalidade no país.

Dom Leomar apresenta o “Instrumento de Trabalho” das DGAE. 
| Fotos: Paulo Augusto – ASCOM CNBB.

Teste de votação digital e eletrônica
Um outro ponto a ser encaminhado como inovação para a próxima assembleia foi o teste de um sistema de votação digital que pode ser adotado para votação de documentos e eleições. O bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, reforçou o princípio na adoção de um sistema de votação digital: “avançar como menos papel, mais tempo, confiabilidade e mais tecnologia que está à disposição de votação eletrônica”.

O subscretário da CNBB, padre Leandro Megeto, apresentou a empresa X Vote que oferece um Sistema de Votação Eletrônica já testado em eventos de organismos eclesiais e possui experiência de atendimento em votações de assembleias. A representante da empresa, Alessandra Revinthis, auxiliou nas explicações técnicas do teste realizado.


Cada participante da reunião do Consep, recebeu um aparelho eletrônico de votação (keypad). Após a explicação do equipamento e de todo o passo-a-passo do processo de votação, foram efetuadas várias votações em caráter de teste como oportunidade de verificar o desempenho da metodologia e da ferramenta.

A avaliação dos bispos, após o teste feito com o sistema, é que a votação eletrônica permitirá ganhar muito tempo de compilação dos dados. O teste foi feito com parágrafos das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, texto que será apreciado pelos bispos na próxima assembleia geral da CNBB em abril.

Na última parte da reunião, os participantes fizeram um discernimento sobre propostas de temas para a Campanha da Fraternidade 2028. Os temas e sugestões foram apresentados pelo secretário-executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul.


Por Willian Bonfim

O Papa: a Palavra de Deus sacia a nossa sede de sentido, de verdade sobre as nossas vidas


Leão XIV prosseguiu com o ciclo de catequeses sobre a Constituição Conciliar Dei Verbum. "A Igreja é o lugar próprio da Sagrada Escritura. Sob a inspiração do Espírito Santo, a Bíblia nasceu do povo de Deus e é destinada ao povo de Deus", disse o Papa, ressaltando que toda a Escritura proclama Jesus Cristo e "a sua presença salvadora, para cada um de nós e para toda a humanidade". "Abramos, pois, os nossos corações e mentes para acolher este dom, na escola de Maria, Mãe da Igreja", sublinhou.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina na Audiência Geral, desta quarta-feira (11/02), realizada na Sala Paulo VI.

Na catequese de hoje, o Pontífice se deteve no capítulo sexto da Constituição conciliar a propósito da "profunda e vital ligação entre a Palavra de Deus e a Igreja".

A Igreja é o lugar próprio da Sagrada Escritura. Sob a inspiração do Espírito Santo, a Bíblia nasceu do povo de Deus e é destinada ao povo de Deus. Na comunidade cristã, por assim dizer, tem o seu habitat: na vida e na fé da Igreja, encontra o espaço para revelar o seu sentido e manifestar a sua força.

O Papa recordou que "a Igreja nunca deixa de refletir sobre o valor da Sagrada Escritura" e que "após o Concílio, um momento muito importante a este respeito foi a Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema 'A Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja', em outubro de 2008".

De acordo com Leão XIV, "na comunidade eclesial, a Escritura encontra o contexto necessário para cumprir a sua tarefa específica e alcançar o seu objetivo: dar a conhecer Cristo e abrir ao diálogo com Deus".

A seguir, o Papa citou esta expressão de São Jerônimo: «A ignorância da Escritura é, de fato, a ignorância de Cristo». Ela nos lembra "o propósito último da leitura e da meditação das Escrituras: conhecer Cristo e, por meio d’Ele, entrar em comunhão com Deus, comunhão que pode ser entendida como uma conversa, um diálogo".

Leão XIV disse ainda que "a Constituição Dei Verbum nos apresentou a Revelação como um diálogo, em que Deus fala aos homens como amigos. Isto acontece quando lemos a Bíblia numa atitude interior de oração: então Deus vem ao nosso encontro e entra em diálogo conosco".

A Sagrada Escritura, confiada à Igreja, por ela guardada e explicada, desempenha um papel ativo: com efeito, com a sua eficácia e poder, dá sustento e força à comunidade cristã. Todos os fiéis são chamados a beber desta fonte, sobretudo na celebração da Eucaristia e dos outros Sacramentos.

Segundo o Papa, "o amor pela Sagrada Escritura e a familiaridade com ela devem guiar aqueles que exercem o ministério da Palavra: bispos, sacerdotes, diáconos, catequistas. O trabalho dos exegetas e dos que praticam a ciência bíblica é precioso; e a Escritura ocupa um lugar central na teologia, que encontra o seu fundamento e a sua alma na Palavra de Deus".

Leão XIV sublinhou que "o que a Igreja ardentemente deseja é que a Palavra de Deus chegue a cada membro e alimente a sua caminhada de fé. Mas a Palavra de Deus também impele a Igreja para além de si mesma, abrindo-a continuamente à missão de chegar a todos".

De fato, vivemos rodeados de tantas palavras, mas quantas delas são vazias! Por vezes, ouvimos até palavras sábias que, no entanto, não tocam o nosso destino final. A Palavra de Deus, pelo contrário, sacia a nossa sede de sentido, de verdade sobre as nossas vidas. É a única Palavra que é sempre nova: revelando-nos o mistério de Deus, é inesgotável, nunca deixa de oferecer as suas riquezas.

O Papa concluiu, dizendo que "vivendo na Igreja, aprendemos que a Sagrada Escritura está totalmente relacionada com Jesus Cristo e experimentamos que esta é a razão profunda do seu valor e do seu poder. Cristo é o Verbo vivo do Pai, o Verbo de Deus feito carne. Toda a Escritura proclama a sua Pessoa e a sua presença salvadora, para cada um de nós e para toda a humanidade. Abramos, pois, os nossos corações e mentes para acolher este dom, na escola de Maria, Mãe da Igreja".

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EVANGELHO DO DIA (Mc 7,14-23)

ANO "A" - DIA: 11.12.2026
5ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 14 Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: "Escutai todos e compreendei: 15 o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. 16 Quem tem ouvidos para ouvir, ouça". 17 Quando Jesus entrou em casa, longe da multidão, os discípulos lhe perguntaram sobre essa parábola. 18 Jesus lhes disse: "Será que nem vós compreendeis? Não entendeis que nada do que vem de fora e entra numa pessoa, pode torná-la impura, 19 porque não entra em seu coração, mas em seu estômago e vai para o fossa?" Assim Jesus declarava que todos os alimentos eram puros. 20 Ele disse: "O que sai do homem, isso é que o torna impuro. 21 Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, 22 adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. 23 Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Jesus e a moralidade humana: Como nossas intenções revelam quem somos"

O coração humano: fonte das nossas escolhas e da moralidade cristã
Naquele tempo, Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai todos e compreendei, o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Marcos 7,14-23).

Meus irmãos e irmãs, Jesus apresenta o coração humano como sendo a sede das escolhas, das ações e dos comportamentos. Segundo a Doutrina Católica, o ser humano é “pai dos seus atos”, isto é, ele é genitor, ele dá origem e consistência a esses atos.

A moralidade dos atos humanos depende de três coisas: o objeto escolhido; o fim que se tem em vista ou a intenção; e as circunstâncias da ação.

Os três pilares da ação humana: objeto, intenção e circunstância
O objeto, a intenção e as circunstâncias são a fonte ou os elementos constitutivos da moralidade humana. Primeiro, o objeto escolhido é um bem para o qual a vontade se encaminha e a matéria de um ato humano. Ele especifica moralmente o ato da vontade na medida em que a razão o reconhece e o julga, conforme ou não o verdadeiro bem.

Em face do objeto, a intenção coloca-se do lado da pessoa que age, porque está na fonte voluntária da ação; é um elemento essencial na qualificação da moralidade da ação.

O fim, em vista, é o primeiro dado da intenção e designa a meta a atingir com determinada ação. O que eu pretendo com a minha ação? O que eu quero? Por exemplo: um serviço prestado pode ter um fim de ajudar o próximo, mas pode ser inspirado, ao mesmo tempo, pelo amor de Deus, como fim último de todas as ações.

Uma mesma ação pode também ser inspirada por várias intenções, como prestar um serviço para obter um favor ou para satisfazer uma vaidade.

Uma intenção boa, como ajudar o próximo, não torna bom nem justo um comportamento em si que seja desordenado, como a mentira ou a maledicência. Aquela velha frase: o fim não justifica os meios.

A redenção que cura o coração e transforma nossas intenções
Por fim, as circunstâncias, incluindo as consequências, são elementos secundários de um ato moral. Estas, contribuem para agravar ou para atenuar a bondade ou a malícia moral dos atos humanos.

Por exemplo, o montante de um roubo: uma coisa é alguém que roubou uma caneta, outra coisa uma pessoa que roubou um carro.
Podem também diminuir ou aumentar a responsabilidade do agente, por exemplo, agir por medo da morte, em legítima defesa.

Jesus, como um bom conhecedor do coração humano, sabe que a sua redenção precisa chegar no mais íntimo do nosso ser. Deste modo, sairão do nosso interior, apenas boas ações, escolhas boas, intenções e finalidades boas.

Sobre todos vós, desça a benção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Pe Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova