terça-feira, 28 de abril de 2026

Presidência da CNBB apresenta as principais definições da 62ª AG em coletiva de imprensa de conclusão do evento


Padre Arnaldo Rodrigues, assessor de Comunicação da CNBB. 
Fotos: Fiama Tonhá – Comunicação 62ª AG CNBB.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou, de 15 a 24 de abril, a 62ª Assembleia Geral (62ª AG CNBB), no Santuário Nacional de Aparecida.

O encontro foi marcado por uma programação extensa que trouxe à pauta central a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), além de outros temas, informes e atividades da Conferência e dos organismos eclesiais.

Na manhã desta sexta-feira, 24 de abril, a presidência da CNBB concedeu entrevista coletiva aos veículos de imprensa. Na oportunidade, o arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Conferência, dom Jaime Cardeal Spengler, abordou o tema central da 62ª AG.


Dom Jaime Spengler celebrou a aprovação novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE), que foram construídas ao longo de três anos com o trabalho intenso de uma comissão. Além disso, destacou que as propostas dos bispos enriqueceram o texto, que chegou ao final com cerca de 1,5 mil contribuições, emendas e sugestões.

“Chegamos a um texto que, eu imagino, reflete as necessidades da obra da evangelização hoje no território. O texto está dividido em seis capítulos. O primeiro, a igreja compreendida como tenda do encontro. A tenda acolhe todos. A tenda pode ser sempre de novo alargada de acordo com as necessidades”, disse.

O presidente da CNBB ainda lembrou que as novas DGAE estão alinhadas ao documento final do Sínodo 2021-2024 e são a marca da recepção do processo sinodal na Igreja Católica presente no Brasil. “O sexto capítulo expressa os nossos compromissos sinodais. Por que esse capítulo é importante? Porque havia uma decisão por parte não só da Assembleia, mas da equipe, de que estas diretrizes estivessem em sintonia com as decisões do Sínodo. Mas ainda, que elas expressassem a atuação do Sínodo nas nossas realidades locais. E aqui então tratamos dos três grandes compromissos sinodais: conversão das relações, dos processos e dos vínculos”, concluiu.


O Brasil será sede de encontros nacionais e continentais O arcebispo de Goiânia (GO) e primeiro vice-presidente da CNBB, dom João Justino de Medeiros Silva, detalhou a agenda de grandes eventos que serão realizados no Brasil. No ano de 2027, de 20 a 24 de julho, a diocese de Cachoeiro do Itapemirim (ES), vai acolher o 16º Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Dom João Justino detalhou a organização do 19º Congresso Eucarístico Nacional (CEN), que vai acontecer de 03 a 07 de setembro de 2027, em Goiânia (GO). Com o tema “Hóstias vivas no mundo, para a glória do Pai”, o evento reafirma a centralidade da Eucaristia na vida cristã. Ele ainda abordou o 7º Congresso Americano Missionário (CAM 7), agendado para novembro de 2029, em Curitiba (PR).

Com o tema “ América em saída, povo de Deus que anuncia e testemunha Jesus Cristo”, o CAM 7 terá a participação de delegações de 22 países. Dom João Justino pontuou duas ações que foram aprovadas episcopado na 62ª AG: a realização de um Ano Missionário Nacional entre novembro de 2028 e novembro de 2029, além de uma coleta para subsidiar o evento.

Mensagens da 62ª AG CNBB


O arcebispo de Olinda e Recife (PE) e segundo vice-presidente da CNBB, dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, apresentou as quatro mensagens aprovadas pela Assembleia: ao Papa Leão XIV, ao prefeito do Dicastério para os Bispos, ao povo de Deus, com destaque para a carta direcionada a todo o povo brasileiro, que aborda a complexa realidade sociopolítica do país.

“Tratamos das problemáticas sociais e damos um pouco de destaque ao tema das eleições, pedindo a ética na política, que se deve evitar compra e venda de votos e que se deve buscar, com critérios éticos objetivos, votar em pessoas que de fato possam melhorar o nível ético do nosso país”, salientou.

Acesse as mensagens na íntegra:


Dom Ricardo ressaltou a inovação e a logística da 62ª AG

O bispo auxiliar de Brasília (DF) secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers,  ressaltou o desafio logístico de gerir o maior episcopado do mundo e as inovações tecnológicas implementadas nesta 62ª AG. Ele abordou o uso de dispositivos digitais para votações e a criação de um centro de dados para a Igreja no Brasil.

“Demos um passo na tecnologia. Praticamente em todas as votações utilizamos dispositivos para que agilizasse as votações. Tivemos a aprovação muito importante de um centro de dados da Igreja Católica no Brasil, onde nós estamos elaborando esta importante plataforma para que a fonte dos dados da Igreja do Brasil seja fidedigna e a partir da realidade das dioceses”.

Dom Ricardo já lembrou que a CNBB logo vai iniciar o planejamento da edição de 2027 da Assembleia. “E assim, estamos já prevendo a próxima Assembleia, que será eletiva, trazendo o máximo de tecnologia também para agilizar os processos”.

Todos os membros da presidência fizeram questão de agradecer aos profissionais da imprensa pelo trabalho de cobertura e reverberação dos trabalhos da 62ª Assembleia Geral da CNBB.

Assista a coletiva final:

Por Felipe Padilha - Comunicação da 62ª AG CNBB

Papa à arcebispa de Cantuária: a unidade dos cristãos é testemunho de paz


Leão XIV recebeu na manhã desta segunda-feira (27/04), Sua Graça Sarah Mullally, arcebispa de Cantuária. Em seu discurso, o Papa recorda o “memorável encontro”, há sessenta anos, entre o arcebispo Michael Ramsey e São Paulo VI, que anunciaram o primeiro diálogo teológico entre anglicanos e católicos, e reafirma que as divisões enfraquecem, em “um mundo sofredor”, a eficácia do anúncio do Evangelho.

Antonella Palermo - Vatican News

Unidos para proclamar a paz em um mundo dilacerado por conflitos. Leão XIV recebe no Vaticano, na tradição dos encontros entre os arcebispos de Cantuária e os bispos de Roma, Sua Graça Sarah Mullally, arcebispa de Cantuária, autoridade espiritual da Comunhão Anglicana, que tomou posse oficialmente no último dia 25 de março. Passaram-se sessenta anos daquele que define como o “memorável encontro entre São Paulo VI e o arcebispo Michael Ramsey”, e o caminho rumo a relações cada vez mais estreitas, centradas nos esforços comuns para dizer ‘não’ às guerras no mundo, mostra-se hoje mais inadiável do que nunca. Seria um “escândalo”, afirma, não se empenhar em superar as diferenças, “por mais insuperáveis que possam parecer”.

Testemunhar a paz desarmada de Cristo
Entre os presentes na audiência, o diretor do Centro Anglicano em Roma, o bispo Anthony Ball, que nesta noite será nomeado representante da arcebispa junto à Santa Sé. O encontro, que ocorre no tempo pascal, oferece ao Pontífice a ocasião de reafirmar a necessidade de ser mensageiros da paz do Ressuscitado, uma paz — sublinha — “desarmada”, porque “Ele sempre respondeu à violência e à agressão de modo desarmado, convidando-nos a fazer o mesmo”. É simplesmente olhando para Cristo que os cristãos devem “oferecer juntos um testemunho profético e humilde desta realidade profunda”, destaca o Sucessor de Pedro, evidenciando o lema escolhido para o seu pontificado (“No único, somos um”) e a Mensagem para o Dia Mundial da Paz para este ano.


Leão XIV envia uma mensagem de felicitações a Sarah Mullally, a mais alta autoridade espiritual da Igreja Anglicana, por ocasião de sua posse oficial na última quarta-feira. O ...
Remover toda pedra de tropeço

Consciente da necessidade da unidade, que torna a evangelização “mais fecunda”, o Papa volta o olhar para as feridas do tempo presente, em várias regiões do planeta, e recorda a importância de manter sempre vivo este pressuposto, que é ao mesmo tempo um objetivo:

“Enquanto o nosso mundo sofredor tem profunda necessidade da paz de Cristo, as divisões entre os cristãos enfraquecem a nossa capacidade de sermos portadores eficazes dessa paz. Se queremos que o mundo acolha com o coração a nossa pregação, devemos ser perseverantes na oração e nos esforços para remover qualquer pedra de tropeço que impeça a proclamação do Evangelho.”

Proclamar Cristo superando os desafios das questões divisivas
A postura concreta do Pontífice se torna exemplar ao dirigir-se à arcebispa de Cantuária e, referindo-se aos aspectos que ainda permanecem como fonte de divisão, afirma: “Não devemos permitir que esses desafios constantes nos impeçam de aproveitar toda ocasião possível para proclamar juntos Cristo ao mundo”, e observa:

“Certamente, este caminho ecumênico tem sido complexo. Embora muitos progressos tenham sido alcançados em questões historicamente divisivas, nas últimas décadas surgiram novos problemas, tornando mais difícil discernir o caminho rumo à plena comunhão. Sei que também a Comunhão Anglicana está enfrentando muitas dessas mesmas questões no presente.”

Na tarde deste domingo, 25 de janeiro, Leão XIV deixou o Vaticano para celebrar as Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, encerrando assim a Semana de Oração pela ...

Seria um escândalo não trabalhar para superar as diferenças
Leão retoma, confirma e completa, por fim, o que já havia dito seu predecessor Francisco aos Primazes da Comunhão Anglicana em 2024, ao falar de “escândalo” caso as divisões comprometessem o conhecimento do Evangelho por todos. Hoje, o Papa utiliza a mesma expressão:

“De minha parte, acrescento que seria um escândalo também se não continuássemos a trabalhar para superar as nossas diferenças, por mais insuperáveis que possam parecer.”
Mullally: diante da violência desumana, trabalhar pelo bem comum

“No mundo de hoje, somos chamados a viver e anunciar o Evangelho com renovada clareza”, afirmou a arcebispa de Cantuária diante do Papa. “Diante de uma violência desumana, de profundas divisões e de rápidas mudanças sociais, devemos continuar a contar uma história de esperança: de que toda vida humana tem um valor infinito, porque somos filhos preciosos de Deus; de que a família humana é chamada a viver como irmãos e irmãs; de que devemos, portanto, trabalhar juntos pelo bem comum, construindo sempre pontes, nunca muros; de que os mais pobres entre nós estão mais próximos do coração de Deus; e de que as forças da morte são vencidas pela vida ressuscitada de Cristo. Esta é a visão de Jesus Cristo: é sobre ela que devemos fixar o olhar nos anos que virão”. A primaz expressou satisfação pela recente viagem apostólica do Papa à África, “cheia de vida e de alegria. O mundo precisava desta mensagem neste momento: obrigado”. Também a arcebispa realizará em julho uma missão no continente africano, no Gana e nos Camarões. Estar ao lado dos outros “em seu sofrimento e tristeza, mas também em sua cura e alegria” é o compromisso que Mullally renova.

Papa Leão e Sua Graça Sarah Mullally (@Vatican Media)

Nesta noite, a arcebispa anglicana presidirá a celebração vespertina com cânticos corais na igreja de Santo Inácio de Loyola, durante a qual dará posse ao bispo Anthony Ball, diretor do Centro Anglicano de Roma, como representante do arcebispo de Cantuária junto à Santa Sé. A homilia será proferida pelo cardeal Luis Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização. A peregrinação se concluirá amanhã com visitas ao Centro de Refugiados Joel Nafuma (JNRC), na basílica de São Paulo “dentro dos muros”, e aos projetos administrados pela Comunidade de Santo Egídio.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 10,22-30)

ANO "A" - DIA: 28.04.2026
4ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

22 Celebrava-se, em Jerusalém, a festa da Dedicação do Templo. Era inverno. 23 Jesus passeava pelo Templo, no pórtico de Salomão. 24 Os judeus rodeavam-no e disseram: "Até quando nos deixarás em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente". 25 Jesus respondeu: "Já vo-lo disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim; 26 vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. 27 As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28 Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. 29 Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30 Eu e o Pai somos um".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Acreditar na Palavra de Deus em meio às dúvidas"

O desafio de acreditar nos exige abandono no Senhor
Conhecer, proteger e também eternizar. Essa é a atitude do pastor.
Os judeus rodeavam Jesus e diziam: “Até quando nos deixará em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente”. Jesus respondeu: “Já vo-lo disse, mas vós não acreditais” (Jo 10,22-30).

Quantas vezes, irmãos e irmãs, a nossa atitude é semelhante à daqueles que querem colocar Jesus em contradição! Quantas vezes nos fazemos de desentendidos diante do Senhor!

Acreditar é mudança de vida
Sabemos o que precisa ser feito, mas não o fazemos. Não mudamos de vida, não nos convertemos, não saímos do pecado e não fazemos penitência, embora tenhamos o conhecimento do caminho correto. A palavra de Jesus para nós é: “Eu já vos disse tudo e revelei tudo, mas vós não acreditais”. Aqueles que ouviam Jesus no Evangelho não eram de suas ovelhas.

Nós, ao contrário, somos as ovelhas de Jesus. Por isso temos o dever de acreditar e de realizar o que é necessário: converter-nos e confessar os nossos pecados. O fato de fé que precisamos cultivar hoje é a perseverança. Devemos desejar perseverar em Deus, mesmo em meio às contrariedades.

Vencer as contrariedades com a perseverança
Quando formos tentados a não acreditar, devemos vencer com as armas da perseverança e da constância na graça salvadora de Deus. Muitas vezes, carecemos de constância em nossos propósitos. Fazemos o compromisso de rezar mais e perseveramos por apenas dois dias, sem manter a constância por um mês ou um ano.

Aquele que é constante assume a oração como parte da própria vida, transformando esse hábito em uma virtude. Quem cresce em constância, certamente crescerá em virtude. Esta é a graça que peço para você neste dia em que ouvimos esta palavra.

Aqueles que tentaram colocar Jesus em contradição acabaram encontrando as suas próprias contrariedades. Entregamos a ti, Jesus, essas nossas contrariedades.

Que sobre você desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


Como perdoar quando a mágoa parece mais forte do que você?

O caminho para a cura no processo de perdão

O processo de perdão se dá numa caminhada que nem sempre é tão fácil ser vivida, pois traz consigo a mágoa, que faz com que tudo seja muito mais vivo dentro de nós. Perdoar parece algo que nos remete a ceder, perder ou dar o braço a torcer. Dá ainda a nós a sensação de um desafio injusto. É como se existisse uma distância muito grande entre o que você sente e o que, em algum momento, espera-se que você faça.

Uma grande batalha vai acontecendo dentro da gente: de um lado, a dor, o incômodo, as lembranças que insistem em voltar. Do outro lado, a ideia de perdoar, que, muitas vezes, soa como algo distante, difícil ou até impossível.

Créditos: Arquivos CN

A mágoa não surge do nada. Ela nasce quando algo importante para nós é ferido. Pode ser uma quebra de confiança, uma palavra dura, uma ausência que doeu mais do que deveria ou até uma repetição de pequenas situações que, acumuladas, se tornam pesadas. Cada pessoa sente à sua maneira, porque cada história tem seu próprio significado; portanto, não se culpe se o processo de perdão ainda não foi concluído em você.

O problema não está em sentir mágoa, mas quando ela se instala e vai ocupando um espaço constante na vida emocional. Reviver a situação, imaginar-se nela várias e várias vezes, sentir reações no corpo. Tudo isso é sinal de que o fato ainda tem um peso sobre você e que o perdão ainda não aconteceu.

Compreendendo a dor antes de tentar superar
Do ponto de vista espiritual, perdoar não se relaciona com esquecer o mal sofrido, mas com libertar-se do desejo de vingança, vivendo o amor e a misericórdia. Nesses momentos, falar de perdão pode parecer inadequado. Surge a pergunta: como perdoar algo que ainda dói?

Talvez o primeiro passo não seja perdoar, mas compreender. Compreender o que você sente, sem julgamento. Muitas pessoas tentam acelerar esse processo, como se houvesse um tempo “certo” para superar. Mas emoções não funcionam assim. Quanto mais você tenta ignorar ou reprimir o que sente, mais essa emoção encontra outras formas para aparecer em nós: dores, insônia, um dente que range e quebra, palpitações e tantos outros sintomas físicos e emocionais.

Permitir-se sentir não é prender-se à dor. É dar a ela um lugar para ser reconhecida. Você pode dizer, com honestidade interna: “isso me feriu”. Essa validação, por mais simples que pareça, começa a mudar sua relação com a mágoa.

Ferramentas práticas para aliviar o peso emocional
Um ato que pode ajudar muito é escrever (ou refletir, caso não queira escrever) sobre a situação que precisa ser perdoada. Você pode partir de alguns pontos que deixo aqui para você:

Esta é a situação que vivi e que ainda não consegui perdoar;
Este é o impacto que a situação trouxe para minha vida;
Essas são as coisas que ainda me afetam (sensações, reações etc.);
Eu imagino que a minha vida será melhor se eu conseguir perdoar essa pessoa.

Perdoar tem uma relação direta com a compreensão compassiva, ou seja, a compaixão para consigo, para a situação e para com o outro. Ao realizar esse caminho, você vai permitindo que a mágoa diminua e deixe de tomar tanto espaço dentro de você.


A Diferença entre perdoar e reaproximar
Todas as pessoas magoam alguém em algum momento da vida. Como você gostaria de ser visto ou que pensassem sobre você caso tivesse magoado alguém? Perdoar não é aprovar o erro ou esquecê-lo, mas buscar uma forma de abandonar a raiva e olhar as situações por uma outra perspectiva.

Eu tenho qualidades, e elas permitirão que eu siga em frente. Fale sobre elas. Muitas vezes, ficamos desacreditados de nós mesmos a partir do que nos ocorreu. Esse exercício é chamado de carta de perdão: nela você vai escrevendo aquilo que precisa falar e, talvez, por algum motivo, não possa fazer diretamente com a pessoa.

Do ponto de vista psicológico, não há uma forma imediata e rápida de libertar-se do que lhe aconteceu, mas, enquanto processo, há um caminho que você fará para abandonar este peso que ocupa um grande lugar em sua vida. Nem sempre podemos contar com um reconhecimento do erro por parte da outra pessoa. Sendo assim, apenas você poderá lidar com isso, desamarrando esse vínculo emocional e deixando de alimentar uma ferida. O perdão não exige proximidade; muitas vezes, o distanciamento será a melhor solução.

Falar com alguém de confiança, buscar conforto espiritual e até mesmo ajuda em psicoterapia são caminhos possíveis para ordenar seus sentimentos. Se esse tema foi ao encontro de algo que você está vivendo, pergunte-se: o que eu preciso fazer para começar a aliviar essa dor?

São Pedro Chanel


São Pedro Chanel

Pedro Chanel nasceu em Cuet, próximo a Belley, França no ano de 1803, de uma família do campo. Foi batizado pelos próprios pais em 16 de julho, memória litúrgica da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo; ele manteve por toda a vida grande devoção a Nossa Senhora. Era simples e educado, e o pároco de Cras-sur-Reyssouze notou a vocação religiosa do menino, convidando-o a estudar na escola do Seminário da sua paróquia. Ao ser crismado, quis acrescentar ao nome o do seu protetor, São Luís Gonzaga, e descobrindo que sua mãe o consagrara antes do nascimento à Virgem, adotou também o de Maria: Pedro Luís Maria Chanel.

Com 21 anos entrou para o Seminário Maior em Bourg, onde começou a desejar ser missionário, e depois de três anos, em 1827, ordenou-se padre. Foi nomeado vice-pároco em Ambérieu e depois pároco em Crozet. Duas vezes pediu ao bispo para abraçar a vida missionária, sem obter a permissão. Porém conheceu o padre Jean-Claude Colin, com o qual, e outros sacerdotes, fundou uma nova Congregação, a Sociedade de Maria, cujo carisma era a evangelização missionária dos não cristãos. Foi assim um dos primeiros membros da Congregação dos Maristas, aprovada em 1836.

Em 1835 a Santa Sé pediu voluntários à diocese de Lyon para uma missão na Oceania, e os maristas aceitaram. Embarcou Pedro em 1837 para Futuna, com um confrade, o Irmão Delorme. Levaram mais de um ano para chegar a esta ilha do Oceano Pacífico, no arquipélago de Willis, onde o rei Niuliki os recebeu e hospedou na sua própria casa. Iniciaram os missionários o aprendizado da língua e dos costumes locais. A primeira Missa, em dezembro, foi celebrada em segredo na cabana construída para eles, e que depois se tornaria uma capela. Mas Pedro decidiu convidar para a Missa de Natal o rei e sua família. O evento foi muito apreciado, e logo muitos ilhéus vieram pedindo uma repetição. Aos poucos, Pedro dedicou-se à visitação das aldeias e ao cuidado dos idosos e enfermos, com bondade e mansidão, o que o tornou conhecido e atraiu a atenção para a Fé católica. Em dois anos, surgiram os primeiros pedidos para o Batismo.

A popularidade dos sacerdotes incomodou os idosos da ilha, desejosos de manter sua religião, tradições e costumes, bem como o rei Niuliki, temeroso de perder sua autoridade: impediu as missões, incitou que os religiosos fossem insultados, maltratados e roubados, promoveu a perseguição dos catecúmenos; Pedro e Delorme chegaram a ficar sem comida. Por fim tiveram que sair da ilha. Mas ao saber da conversão do próprio filho, o rei mandou matar os padres, executados a golpes de tacape em 28 de abril de 1841. Pedro foi o primeiro mártir marista e da Oceania.

Em 1842, novos missionários chegaram a Futuna, construindo uma igreja no local do martírio, e em 1844 toda a ilha havia se convertido, tornando-se inclusive um centro de evangelização missionária para outras ilhas. Atualmente pertencente à França, Futuna é um local turístico e pacífico. São Pedro Chanel é padroeiro da Oceania.
Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Não há dúvida de que o testemunho é o melhor método de evangelização. Em primeiro lugar vem sempre a caridade, a bondade, e depois as explicações, como fez São pedro Chanel. Mas o esplendor do culto público, particularmente o Santo Sacrifício da Missa, que torna visível e materializada a presença de Cristo nas espécies eucarísticas, também é fundamental. Também no Brasil, o primeiro contato com a celebração da Missa cativou os indígenas, ainda que não a compreendessem, entendendo porém o seu caráter sagrado. Os Sacramentos realizam as graças de Deus, e por isso são necessários os sacerdotes, escolhidos por Deus para cuidar do povo indefeso diante do pecado. Roguemos ao Pai pela vocação e santidade de muitos sacerdotes, pois de fato “a messe é grande e os operários são poucos” (cf. Lc 10,2).

Oração:

Senhor, Deus do universo, que nos enviais a todos os lugares como missionários do Vosso amor, concedei-nos pela intercessão de São Pedro Chanel a graça de jamais sermos uma ilha apartada de Vós, mas um oceano de virtudes para cercar de cuidados as necessidades dos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Missa de conclusão da 62ª Assembleia Geral da CNBB celebra ação de graças pelo encontro e aprovação das novas DGAE


Cardeal Jaime Spengler, presidente da CNBB. | Fotos: Thiago Leon –
 Comunicação do Santuário de Aparecida.

Assembleia litúrgica, no Santuário Nacional de Aparecida, foi presidida por dom Jaime Cardeal Spengler, junto dos demais bispos que compõem a presidência da CNBB e dos regionais da Igreja no Brasil

O Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida acolheu, na manhã desta sexta-feira, 24 de abril, a Missa de conclusão da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (62ª AG CNBB). A assembleia litúrgica, presidida por dom Jaime Cardeal Spengler, junto dos demais membros da presidência e dos presidentes dos 19 regionais da CNBB.

A Missa elevou a ação de graças pelo encontro do episcopado brasileiro e a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE). Em sua homilia, dom Jaime lembrou que a Eucaristia é o centro da vida da Igreja. “A vida que todos desejamos nos é oferecida pela humanidade de Jesus Na sua carne e sangue oferecidos para a salvação do mundo. Crer em Jesus Pão vivo implica comer a sua carne e beber o seu sangue. A sua carne não é metafórica, é realmente o seu corpo oferecido a toda pessoa de boa vontade”.

Dom Jaime seguiu recordando que o encontro pessoal com Cristo torna o fiel um peregrino. “Nós nos tornamos aquilo ou naquele que amamos. E o modo de ser e de viver dele se assemelha ao de Jesus: tem o modo da doação, da entrega, do serviço, da solidariedade, da sobriedade. O que está, pois, em questão é assimilar o Filho amado do Pai que ama a todos”, enfatizou.

“Se deixar surpreender pela ousadia de Deus”
Se dirigindo ao episcopado brasileiro, dom Jaime pediu que os bispos estejam atentos ao cuidado do povo de Deus em suas realidades locais. “Numa sociedade em que respiramos diversas formas de ameaças de morte, como pastores do povo de Deus sedento de orientação, de esperança, de uma palavra segura, somos convidados a estar atentos e, talvez, nos deixar surpreender pela ousadia de um Deus amor”.

“É necessário vigilância contínua, pois também a nossa alma pode estar entorpecida pelo sono e não nos damos conta. Isto significaria incapacidade para alarmar-se com o poder do mal presente no mundo e essa incapacidade poderia nos tornar coniventes com as injustiças, a desigualdade contentando-nos com discursos para plateias fanatizadas ou ideologizadas”, pontuou dom Jaime.


CNBB: espaço de comunhão dos bispos

O presidente da CNBB ainda ressaltou que a conferência é o espaço de comunhão dos bispos do Brasil. “Acolher o ministério episcopal é assumir ser conferência. Neste sentido, não nos é permitido cultivar a apatia ou a indiferença. Ao contrário: urge, pois, sempre de novo, promover o espírito de pertença e o senso de corresponsabilidade pelo futuro da Igreja, não só no território. Como bispos, somos corresponsáveis por toda a Igreja. A CNBB é, também, uma reserva ética da sociedade e isto nos honra, mas também nos responsabiliza pelo futuro das novas gerações”, salientou dom Jaime.



Diretrizes Gerais: linhas para a caminhada pastoral
O último destaque da homilia de dom Jaime Spengler foi olhando as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), aprovadas na 62ª Assembleia Geral da CNBB. “Elas indicam a direção para nossas iniciativas pastorais. As regiões do território trazem marcas, diferenças e distinções, e isso é uma riqueza. No entanto, o espírito que ilumina a caminhada pastoral é um só e expressão do que somos: um corpo eclesial unido e promotor de comunhão”.

Dom Jaime concluiu a homilia invocando a intercessão de Nossa Senhora Aparecida para anunciar Jesus Cristo a todo povo. “Invocamos a proteção da Mãe de Deus para que possamos assumir e desenvolver o que aqui, nestes dias, em espírito de comunhão, aprovamos. Oxalá, inspirados e orientados pelas Diretrizes, com linguagem e metodologia adequadas aos tempos atuais, possamos continuar afirmando e animando, anunciando e testemunhando que Jesus é o filho de Deus, nosso Senhor e Mestre”, concluiu.

A Missa em ação de graças pela 62ª Assembleia Geral foi concluída com a consagração a Nossa Senhora Aparecida (foto acima) feita pelo segundo vice-presidente da CNBB, dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa. Todos os bispos se reuniram no altar central, e, conduzidos por dom Jaime, na bênção final, foram convidados a lembrar daqueles que necessitam de oração em suas realidades.

Por Felipe Padilha - Comunicação 62ª AG CNBB.

Papa: Chernobyl é alerta para uso de tecnologias cada vez mais poderosas


Recorrem-se neste domingo, 26 de abril, os 40 anos da tragédia nuclar que abalou a Ucrânia e a Europa. Dados oficiais apontam que apenas 31 pessoas morreram como resultado imediato da explosão, mas a extensão dos danos atingiu e atinge milhares de pessoas ainda hoje.

Vatican News

Ao final do Regina Caeli, o Papa recordou os 40 anos do desastre de Chernobyl e fez um alerta:
Hoje marca o 40º aniversário do trágico acidente de Chernobyl, que impactou a consciência da humanidade. Ele permanece como um alerta sobre os riscos inerentes ao uso de tecnologias cada vez mais poderosas. Confiamos à misericórdia de Deus as vítimas e todos aqueles que ainda sofrem as consequências. Espero que, em todos os níveis de tomada de decisão, o discernimento e a responsabilidade sempre prevaleçam, para que todo uso da energia atômica esteja a serviço da vida e da paz.
Ouça a reportagem completa com a voz do Papa Leão

Em 26 de abril de 1986, aconteceu um dos piores acidentes da história envolvendo energia nuclear onde hoje é o norte da Ucrânia. O desastre ocorreu perto da cidade de Chernobyl, na ex-URSS, que investiu pesadamente em energia nuclear após a Segunda Guerra Mundial

Durante um teste de segurança mal executado no reator nº 4, houve uma combinação de falhas humanas e problemas no projeto do reator. Isso causou uma explosão seguida de um incêndio, liberando uma enorme quantidade de material radioativo na atmosfera. 

Esse material se espalhou por grande parte da Europa.
Trabalhadores e bombeiros morreram logo após o acidente por exposição intensa à radiação. Milhares de pessoas desenvolveram câncer, especialmente câncer de tireoide. A resposta inicial foi lenta, o que agravou a exposição à radiação.

A cidade de Pripyat foi abandonada, e uma grande área ao redor (zona de exclusão) permanece praticamente desabitada até hoje. Solo, água e florestas ficaram contaminados por décadas.

Hoje, o reator destruído está coberto por uma estrutura de contenção (um “sarcófago” moderno) para impedir a liberação contínua de radiação.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 10,11-18 (O Bom Pastor)

ANO "A" - DIA: 27.04.2026
4ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Eu sou o bom pastor, conheço minhas ovelhas e elas me conhecem, assim fala o Senhor.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus: 11 "Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. 12 O mercenário, que não é pastor e não é dono das ovelhas, vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge, e o lobo as ataca e dispersa. 13 Pois ele é apenas um mercenário e não se importa com as ovelhas. 14 Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, 15 assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas. 16 Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo conduzir, escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 17 É por isso que o Pai me ama, porque dou a minha vida, para depois recebê-la novamente. 18 Ninguém tira a minha vida, eu a dou por mim mesmo; tenho poder de entregá-la e tenho poder de recebê-la novamente; esta é a ordem que recebi do meu Pai".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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"O Bom Pastor permanece ao lado das suas ovelhas"

O refúgio seguro que o Bom Pastor nos oferece
“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas. O mercenário, que não é o pastor e não é o dono das ovelhas, vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge; o lobo as ataca e as dispersa, pois ele é apenas um mercenário e não se importa com as ovelhas” (Jo 10,11-18).

Irmãos e irmãs, continuamos com este Evangelho que nos faz refletir sobre as atitudes do bom pastor e também sobre as atitudes das ovelhas. Jesus se doa livremente para nos salvar. Foi a Sua entrega na cruz que gerou vida nova para o rebanho disperso. Nós éramos este rebanho, mas talvez você ainda se sinta como uma ovelha perdida.

O sacrifício que nos devolve a dignidade
Saiba que, neste dia, o Senhor o alcança por meio da Sua Palavra, da Sua presença e do sentimento gerado em seu coração enquanto você a escuta. O amor de Jesus é aquele que não foge diante do perigo ou dos lobos. Diante de qualquer ameaça, Jesus permanece conosco. Ainda que a ovelha esteja suja ou ferida, Ele permanece ao seu lado para cuidar dela. É assim que somos resgatados da morte para a ressurreição.

Escutar a voz do Bom Pastor
Ele nos chama pelo nome. Jesus nos conhece profundamente porque é íntimo de cada um de nós, mesmo que nós ainda não sejamos íntimos d’Ele. Contudo, o nosso desejo deve ser de buscar essa proximidade com o Senhor. Essa relação nos transforma: deixamos de ser apenas seguidores para nos tornarmos amigos de Jesus.

Tornamo-nos amigos de Jesus cada vez que nos aproximamos dele em oração. Como uma ovelha que deseja estar perto de seu pastor, eu também quero permanecer próximo de Jesus, o Bom Pastor. Que, neste dia, você cultive, em seu coração, esse desejo de permanência e de ser cuidado por Ele.

Sobre você, permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova