quarta-feira, 19 de agosto de 2026


As Pontifícias Obras Missionárias (POM) lançaram, na última sexta-feira, 14, o hino da Campanha Missionária (CM) 2026. A música tem como título “Um em Cristo” e está disponível em todas as plataformas de áudio. Além do hino, as Pontifícias Obras Missionárias (POM) liberaram o clipe com a letra e a partitura. O material foi produzido em parceria com o Estúdio Pauta, do Tocantins.

A composição da música foi feita em conjunto pelo Jair Costa, assessor do Setor Música Litúrgica da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB; padre Wallison Rodrigues da Silva, da diocese de São Luís de Montes Belos (GO), e Ismael Oliveira do Nascimento. A produção também contou com o apoio dos seguintes colaboradores: Renato Moreira (produção, pós-produção, instrumental e intérprete); Bianca Carvalho (intérprete); Renata Alves (intérprete e coro); e Maria da Guia (coro).

De acordo com as POM, o hino “contempla a unidade, a cooperação missionária e os jubileus que marcam esse ano”: os 100 anos do Dia Mundial das Missões; os 110 anos da Pontifícia Obra da União Missionária, fundada por padre Paolo Manna; os 200 anos do Rosário Vivo.

Confira o hino:

A partitura do hino e outros materiais da Campanha Missionária estão disponíveis no site oficial. Acesse aqui.

Papa: na liturgia, a música não é decoração, cantar e tocar significa rezar


Leão XIV dedicou a catequese da Audiência Geral à música sacra e à sua função na celebração litúrgica. O Pontífice recordou que o canto favorece a comunhão e destacou a importância de músicas e textos adequados à grandeza daquilo que se celebra. “Na liturgia, cantar e tocar significa rezar, sintonizando o próprio coração com o das irmãs e dos irmãos e com Deus.”

Thulio Fonseca – Vatican News

A música sacra foi o tema da reflexão do Papa Leão XIV na Audiência Geral desta quarta-feira, 19 de agosto, realizada pela terceira semana consecutiva na Basílica de São Pedro. O Santo Padre deu continuidade ao ciclo de catequeses dedicado à Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, detendo-se desta vez no sexto capítulo do documento, dedicado à música na liturgia.

Logo no início, Leão XIV recordou as palavras do Concílio, que define a tradição musical da Igreja como “um tesouro de inestimável valor” e o canto sagrado, quando intimamente unido ao texto, como parte necessária ou integrante da liturgia solene.
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“Cantar é próprio de quem ama”
Ao aprofundar a função ministerial da música, o Papa ressaltou que ela não é um elemento meramente decorativo, mas faz parte da própria ação litúrgica.

“A música, de fato, faz parte da ação litúrgica e não é mera decoração da celebração. Na liturgia, cantar e tocar significa rezar, sintonizando o próprio coração com o das irmãs e dos irmãos e com Deus, na participação ativa no mistério celebrado. Em particular, a música expressa a dimensão afetiva da oração, como afirma Santo Agostinho: «Cantare amantis est», ou seja, «cantar é próprio de quem ama». Isto é muito importante, porque ajuda a abrir o coração à ação de Deus na graça e a deixar-se moldar por ela.”

O canto, prosseguiu Leão XIV, possui uma dimensão comunitária: “através da sinfonia das vozes, contribui para a união dos espíritos, superando as diferenças entre as pessoas e reunindo todos no louvor a Deus. Torna-se assim uma epifania da Igreja, uma manifestação tangível da comunhão que pertence à sua própria natureza.”

(@Vatican Media)

Para além das modas
A importância teológica do canto sacro, explicou o Pontífice, exige também atenção àquilo que é escolhido para cada celebração: “Para além das modas ou das sensibilidades particulares dos autores, este deve corresponder, a todos os níveis, ao que é mais adequado para o momento celebrativo. A forma, por sua vez, especialmente no seu aspecto melódico, deve ser simultaneamente nobre e simples, de elevada qualidade musical e de fácil execução, sobretudo quando se destina a ser cantada por toda a assembleia.” O mesmo cuidado deve ser dedicado aos textos:

“O Concílio recomenda que também os textos sejam adequados, profundos e, ao mesmo tempo, de fácil compreensão, inspirados principalmente na Sagrada Escritura, nos livros litúrgicos e na Tradição espiritual da Igreja. É necessário velar por isso, para que se mantenha viva e cresça a dinâmica expressa no antigo princípio «lex orandi lex credendi», ou seja, a lei da oração é também a lei da fé.”

Participação dos fiéis e silêncio sagrado
Leão XIV abordou ainda a participação ativa dos fiéis, recordando que ela nasce de uma maior consciência do mistério celebrado e de sua relação com a vida cotidiana. No âmbito da música sacra, a Sacrosanctum Concilium indica um equilíbrio entre as diferentes formas de participação e os momentos de silêncio, e completou: “promovam-se as aclamações dos fiéis, as respostas, a salmodia, as antífonas, os cânticos” e “um silêncio sagrado”.

O Papa recordou que o Concílio atribui grande valor ao canto gregoriano, sem excluir outros gêneros de música sacra, e dedica especial atenção ao órgão. Outros instrumentos também podem ser utilizados, desde que sejam adequados ao uso sacro, respeitem a dignidade do templo e favoreçam a edificação dos fiéis.

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O patrimônio musical e as diferentes culturas
A catequese abordou também o tema da inculturação. Segundo o Concílio, as tradições musicais dos diferentes povos devem ser levadas em consideração como parte de sua vida religiosa e social, promovendo, quando possível, sua presença também nas escolas e nas celebrações. Leão XIV destacou ainda a missão dos compositores, chamados a preservar o patrimônio musical da Igreja e, ao mesmo tempo, criar novas composições a serviço da liturgia:

“O compositor de música sacra é chamado a conhecer e a preservar o património musical da Igreja, deixando-se inspirar por ele para dar vida a novas composições ao serviço da liturgia, no respeito pela sensibilidade contemporânea e pelas diversas tradições culturais.”

Promover uma formação adequada
O Papa ressaltou ainda a importância de promover a formação e a prática da música sacra nos seminários, noviciados, casas de formação religiosa, institutos e escolas católicas, além de assegurar uma sólida formação litúrgica aos músicos e cantores. Leão XIV encerrou a catequese recordando a importância atribuída pelos Padres da Igreja ao canto litúrgico como símbolo da comunhão eclesial e citando as palavras de Santo Inácio de Antioquia:

“Vós, um por um, tornai-vos um coro a fim de que, harmoniosos no acorde e assumindo a tonalidade de Deus na unidade, canteis em uníssono por meio de Jesus Cristo ao Pai, para que vos ouça e, pelas boas obras que realizais, reconheça que sois membros do seu Filho.”

(@Vatican Media)
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EVANGELHO DO DIA (Mt 20,1-16a)

ANO "A" - DIA:19.08.2026
20ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração.
Leitura do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 1 "O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. 3 À nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça, desocupados, 4 e lhes disse: 'Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo'. 5 E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. 6 Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: 'Por que estais aí o dia inteiro desocupados?' 7 Eles responderam: 'Porque ninguém nos contratou'. O patrão lhes disse: 'Ide vós também para a minha vinha'. 8 Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: 'Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros!' 9 Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. 10 Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata. 11 Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12 'Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro'. 13 Então o patrão disse a um deles: 'Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? 14 Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. 15 Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?' 16a Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

"O patrão da vinha e a justiça do Reino"

O patrão na parábola revela um Deus que ama com generosidade
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: “O reino dos céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para sua vinha. Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia e os mandou para a vinha. Às nove horas da manhã o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça desocupados e lhes disse, ide também vós para minha vinha e eu os pagarei o que for justo. Eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia, às três da tarde e fez a mesma coisa. Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde encontrou outros que estavam na praça. E lhes disse, por que estais aí desocupados? (Mateus 20,1-16a)

A parábola continua e, depois, chega o momento do pagamento, que é uma parte importante. A mensagem que Cristo quer nos transmitir nunca é abstrata, mas sempre é encarnada na realidade social das pessoas.

A divisão do tempo na época de Jesus
Hoje, aparece a situação do trabalho escasso e mal pago, muito presente também no tempo de Jesus e nos tempos de hoje. Muitos trabalhadores ocupavam as praças à espera de um dono de terra que os contratasse para trabalhar. A divisão do dia, segundo o relógio do tempo, era contada da seguinte forma: o amanhecer ou a primeira hora da noite, que correspondia à primeira hora do dia. Depois. a terceira hora ou nove horas da manhã, seguida da sexta hora ou meio-dia. A nona hora que era três da tarde e, finalmente, a décima primeira hora que era às dezessete horas, no limiar do entardecer.

O patrão e a fidelidade
O salário que foi fixado era um denário de prata, que, segundo os romanos, era uma diária de trabalho ou o custo de um dia de vida, ou seja, trabalhava apenas para sobreviver. O patrão é fiel ao que havia estabelecido individualmente, mesmo sendo uma injustiça em relação às horas a mais de trabalho que alguns cumpriram em relação aos que chegaram depois.

O sentido da parábola não é social, é religioso. O patrão dá lugar a Deus, que age conosco segundo a Sua bondade, não violando a justiça, mas sendo fiel ao Seu contrato. Porém, o Seu amor ultrapassa os rigores da lei. A lei é rígida, mas Ele dá o Seu amor de forma desmedida.

Deus nos ama de forma abundante
Deus não sabe ser calculista, mesquinho. Na sua forma de amar, Deus nos ama abundantemente. A escala de trabalho distribuída ao longo do dia representa a humanidade diversificada. Com dons diferentes, com capacidades diferentes – uma pessoa tem algo, a outra não tem. Essa história de comunismo não encontra razão de ser no Evangelho. É impossível tratar todos da mesma forma.

Isso não isenta ninguém, é claro, de promover o bem-estar das pessoas, uma vida digna, com direitos que garantam alimentação, moradia, educação, lazer e tantos outros bens que todos devem usufruir. Ninguém é insignificante aos olhos de Deus. Cada um precisa fazer frutificar os dons que recebeu d’Ele. Nós somos diferentes, mas Deus nos trata como filhos e nos dá o Seu amor de forma abundante.

Sobre todos vós, desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova




Acídia, a recusa da alegria que vem de Deus

Entenda o que é acídia, o demônio do meio-dia

No parágrafo 2094 do Catecismo, vamos trabalhar a acídia, que é a falta de cuidado, a recusa da alegria que vem de Deus, também conhecida como preguiça espiritual, o que pode resultar até no horror ao que é divino.

Pelos monges do deserto, na patrística, a Acídia era chamada frequentemente de demônio do meio-dia. A razão é porque, ao meio-dia, é aquele momento que estamos sonolentos, muitas vezes após comer. Durante a manhã, você está com expectativa em relação ao dia, à noite você já quer descansar. Ao meio-dia você ainda está nessa passagem, o que faz com que a acídia roube a alegria da pessoa.

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Deus manifesta Seu amor e cuidado conosco em todos os momentos
No Catecismo, quando se fala da recusa dessa alegria divina, Deus continua fazendo o bem, e a pessoa se irrita com esse gesto de amor. Como filhos de Deus, no “fogo da primeira conversão”, a pessoa quer realizar tudo, mas quando surgem as dificuldades, ela começa a se aborrecer enquanto Deus vai mostrando a ela que é bom e amoroso, mas ela vai perdendo a alegria. Ou seja, o indivíduo percebe que o Senhor manifesta seu amor por ela, mas o recusa. É como se fosse uma depressão espiritual, onde aquela pessoa sente tanta tristeza, que não consegue reconhecer o amor de Deus, mesmo sabendo que Ele existe e a ama.

O termo acídia vem do grego e significa falta de cuidado. São Tomás de Aquino dizia que isso é algo muito perigoso, pois a alegria vai sendo roubada aos poucos. Para combatê-lo, é essencial manter-se vigilante através da oração, buscando compreender sob a luz divina as verdadeiras causas desse desânimo para que Deus cure nossas feridas.

Texto transcrito por Willian Coutinho

São João Eudes


João Eudes nasceu no vilarejo de Ry perto de Argentan, na Baixa-Normandia (norte da França), em 1601. Seus pais, já idosos, suplicaram a Deus a graça de uma prole, consagrando o primeiro filho, de antemão, à Nossa Senhora. João foi o primogênito de sete irmãos, criados em ambiente profundamente religioso. A partir dos 12 anos, procurava comungar com frequência, ao contrário do costume de então de só fazê-lo na Páscoa.

Fez seus primeiros estudos com os jesuítas, em Caen, preferindo rezar na capela a brincar durante os recreios. Aos 14 anos fez o voto de perpétua virgindade. Em 1618 entrou para a Congregação Mariana do colégio, aprofundando a sua devoção a Nossa Senhora.

Em 1623, vencendo a resistência do pai, entrou em Paris na Congregação do Oratório de Jesus, do futuro cardeal Bérulle. Este percebeu seus dons de pregador e antes mesmo da sua ordenação em 1625, aos 24 anos, o encarregou de missões populares, ocasiões em que obtinha inúmeros frutos de piedade; dizia-se que desde São Vicente Ferrer (1350-1419) a França não tivera maior pregador.

Os encontros da Congregação, destinada à educação, formação e aprofundamento do clero, nos mesmos moldes daquela fundada por São Felipe Néri em 1575 na Itália, ocorriam semanalmente na residência de uma nobre francesa, surgindo daí uma elite conhecida como escola francesa de espiritualidade, que viria a reformar o clero francês no século XVII.

Em 1627 João assistiu aos enfermos da peste negra na Normandia. Visitou quase todos os locais afetados, especialmente os mais afastados e esquecidos, levando cuidados físicos e espirituais aos doentes e seus familiares. Não tinha medo da contaminação, e brincava que “até a peste tinha medo de sua pele”. Mas para evitar ser meio de propagação, dormia isolado num barril velho, ao lado de um paiol da própria casa.

Depois disso dedicou-se inteiramente à evangelização do povo, destacando-se nos três problemas fundamentais para a Igreja francesa da época: a evangelização das regiões rurais, a boa formação do clero e a necessidade de maior espiritualidade, no caso centrada na devoção aos Sagrados Corações de Jesus e Maria.

Principalmente nas regiões afastadas dos grandes centros urbanos, era lamentável a condição espiritual da população. Por isso João se indignava, dizendo: “Que fazem em Paris tantos doutores e tantos bacharéis, enquanto as almas perecem aos milhares por falta de quem lhes estenda a mão para tirá-las da perdição e preservá-las do fogo eterno?”. Suas pregações atraiam e convertiam multidões, por vezes milhares de uma só vez, e incluíam a administração dos Sacramentos, especialmente a Confissão. Há registro de impressionantes 110 das suas missões, cada uma de um ou dois meses, abrangendo vastos territórios como Bretanha, Bolonha, Normandia. Em Versailles, diante do rei Luís XIV e da rainha Ana d’Áustria, recriminou com termos severos a má conduta dos soberanos, que, reconhecendo os erros, passaram a apoiá-lo.

Nas suas inúmeras viagens pastorais, João constatou o mal causado pela heresia jansenista, que propunha a salvação para apenas certo número de eleitos e com isso levando o povo a perder a fé na misericórdia de Deus – e como consequência afastar-se da Igreja e se deixar levar pelos vícios. Contra esta “indignidade” que não permitia a participação nos Sacramentos, João ensinava a correta Doutrina do amor e do perdão de Deus pelos arrependidos, mesmo os que tivessem cometidos os mais graves pecados.

Entre 1641 e 1643, João foi forçado a um repouso absoluto por motivo de grave e súbita doença. “Deus me deu estes dois anos para empregá-los no retiro, para vagar na oração, na leitura de livros de piedade e em outros exercícios espirituais, a fim de preparar-me melhor para as missões”. Voltando ao trabalho ativo, constatou com tristeza que os frutos das evangelizações eram apenas temporários, e concluiu que isto se dava pela falta de sacerdotes piedosos e cultos, capazes de manter o fervor dos missionários. Esta situação, por sua vez, resultava da carência de seminários que bem preparassem os futuros padres, conforme as orientações do Concílio de Trento. Viu ele a necessidade da fundação de seminários, uma tarefa contudo difícil e exigente.

Mas seu propósito foi favorecido pelo auxílio de Maria de Vallées, uma virgem que conheceu em meados de 1643 na cidade de Coutances, e que havia se oferecido a Deus como vítima expiatória pelos pecados do mundo: sua extraordinária vida incluiu a possessão demoníaca do corpo, mas nunca a da alma e da vontade; por dois anos sofreu espiritualmente os suplícios do inferno, e durante 12 participou dos tormentos de Cristo. Por 15 anos ela auxiliou João com orações e conselhos, e assim ele se dedicou a fundar uma ordem religiosa destinada à formação do clero nos seminários, e uma congregação de religiosas cuja missão seria a regeneração das mulheres arrependidas: “O projeto é sumamente agradável a Deus, e foi o próprio Deus Quem o inspirou”, disse ela depois de muitas orações.

Para realizar estes trabalhos, João teve que se desligar da Congregação do Oratório, um processo muito custoso e ao longo do qual enfrentou muitas oposições e acusações injustas. Mas em 1643 fundou a Congregação de Jesus e Maria (ou Padres Eudistas), para a formação doutrinal e espiritual do clero e continuidade das missões paroquiais, e em 1651 a Congregação Nossa Senhora da Caridade do Refúgio (Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, ou Irmãs do Bom Pastor), destinada a socorrer tanto mulheres que se prostituíam por causa da pobreza como crianças abandonadas, para que não se perdessem no futuro. Fundou também a Sociedade do Coração da Mãe Mais Admirável, que se assemelha às Ordens Terceiras de São Francisco e São Domingos, para leigos que desejavam viver uma vida de perfeição.

Em todas estas iniciativas, começou a propagar a devoção aos Sagrados Corações de Jesus e Maria (antes das revelações deste Coração Divino a Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690)). Dedicou as capelas de seus seminários de Caen e Coutances aos Sagrados Corações, estabelecendo neles confrarias em Sua honra, e compôs um Ofício para o Sagrado Coração de Maria. Esta devoção era uma necessária e providencial reação ao jansenismo, inspirando amor e confiança na Misericórdia Divina, e naturalmente tem base teológica. João demonstrou com argumentos que o Coração de Jesus e o de Maria não têm diferenças entre Si, mas constituem, pela união existente entre Ambos, um só e mesmo Coração. Em 1648 celebrou pela primeira vez o culto litúrgico (Missa e Ofício, compostos por ele mesmo), aprovado pela Igreja, da festa do Imaculado Coração de Maria, e a do Sagrado Coração de Jesus no ano 1672. Essas celebrações fazem parte agora do Calendário Litúrgico normal.

João Eudes e os missionários da Congregação de Jesus e Maria pregaram milhares de missões populares, e justamente onde eles estiveram o povo melhor resistiu à perseguições antirreligiosas da Revolução Francesa (1789-1799).

No final da vida, vários foram os sofrimentos de João. Doenças, morte de amigos e benfeitores, calúnias, murmurações – não apenas dos jansenistas, mas também de católicos, acusando-o de zelo indiscreto –, a publicação de um libelo difamatório, e intrigas para o desacreditarem junto ao Papa e ao rei da França, Luís XIV. Em 1680, renunciou ao cargo de superior-geral da sua própria congregação. E faleceu no mesmo ano em Caen, norte da França, aos 19 de agosto, com a idade de 79 anos.

São João Eudes é o fundador de duas congregações religiosas e seis seminários. Além de extraordinário pregador popular, escreveu enorme número de obras ascéticas e místicas de grande valor teológico. É o “Autor do Culto Litúrgico do Sagrado Coração de Jesus e do Santo Coração de Maria” (Papa Leão XIII) e “pai, doutor [pelo seu embasamento teológico] e apóstolo” deste mesmo culto (Papa São Pio X).

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

São João Eudes foi um homem de oração, estudo e ação, muito harmoniosamente distribuídas e interrelacionadas na sua vida. Seguindo uma vocação eclesiástica, de início naturalmente fica mais enfatizada a sua busca espiritual e preparação/aprofundamento intelectual, na Congregação do Oratório de Jesus, embora já iniciasse uma admirável atividade de pregador antes mesmo da sua ordenação. Logo porém dedica-se às vítimas da peste, onde conhece a dura realidade do abandono, também espiritual, das populações rurais: “É de partir o coração de piedade ver um grande número desta pobre gente vinda de três ou quatro lugares, apesar dos maus caminhos, pedir, entre lágrimas, para ser atendida em Confissão, e que permanece de seis a oito dias sem poder ser atendida, dormindo à noite nos pórticos e nos mercados, qualquer que seja o tempo”. Pode então, com conhecimento de causa, criticar os que se dedicam só à teoria em conhecimento, mas não à prática da caridade… carência espiritual esta exacerbada pela heresia jansenista, o que o motiva, em meio à ação, a aprofundar-se no estudo, pela oração, à devoção aos Sagrados Corações de Jesus e Maria, sendo precursor desta devoção. Desenvolve aí o conteúdo teológico da Sua união como um só, em espírito, sentimento e afeição, ele mesmo mantendo vínculos místicos próximos com Cristo e Maria. Deus lhe concede um período de descanso, doença e maior espiritualidade, durante o qual percebe a necessidade de novas propostas de fundações religiosas, que efetiva não sem trabalho e incompreensões. A congregação dos Eudistas, voltada para a boa e necessária formação do clero, mantém, totalmente, a sua atualidade, em vista das modernas confusões doutrinais, heresias nem tão disfarçadas e mediocridade de e no ensino… e as das Irmãs do bom Pastor oferecendo um trabalho de viés social mais de acordo com a perspectiva espiritual e caritativa da Igreja, e não misturada ou substituída por ideologias políticas. Todos estes esforços asseguraram, entre outras coisas, a melhor resistência dos católicos aos desmandos da monstruosa e assassina Revolução Francesa, que proporcionou só a liberdade, igualdade e fraternidade de homicídios e perseguições a todos os que não fossem ateus e materialistas, num prenúncio da propaganda mentirosa e da praxis destruidora do comunismo condenado por Nossa Senhora em 1917, e que, como Ela avisou, continua a “espalhar seus males pelo mundo”, com o mesmo molde de propaganda enganosa e assolação, tanto de pensamento quanto material. Como é marca de todos os que seguem Cristo de perto, sofreu muito tanto física quanto moralmente antes de passar para a glória celeste, ao longo do tempo desenvolvendo ainda robusta obra literária de espiritualidade. Da trindade oração-estudo-ação que marcou a sua vida, destacam-se respectivamente a devoção aos Sagrados Corações de Jesus e Maria, a formação do clero e a pregação evangelizadora. Mas também atual, e que deve verdadeiramente nos incomodar, é uma sua outra constatação: “Algo deplorável até às lágrimas de sangue é ver que, dentre o tão grande número de homens que povoam a Terra, que foram batizados e, em consequência, admitidos na condição de filhos de Deus, membros de Jesus Cristo e templos vivos do Espírito Santo, portanto obrigados a levar uma vida conforme a estas divinas qualidades, muito mais numerosos são os que vivem como animais, como pagãos e até mesmo como demônios; quase não há quem se comporte como verdadeiro cristão”. Não há qualquer motivo para desânimo ou pessimismo diante das maiores dificuldades, se somos verdadeiramente católicos, porque sabemos perfeitamente que até a morte foi vencida por Jesus, e que, particularmente pela Eucaristia, estamos unidos a Ele na Sua vitória sobre o mundo. Necessário, sim, é simplesmente viver de fato como Ele nos ensinou, para mudar em Bem o que está mal. Como fez São João Eudes.

Oração:

Deus eterno, que desde sempre Vos quisestes unir inteiramente a nós em alma, corpo e coração, concedei-nos pela intercessão e admirável exemplo de São João Eudes equilibrarmos na santidade, como ele, nossas orações, formação e ações, de modo a mais perfeitamente vivermos a Caridade que nos propusestes, e por fim iniciarmos plena e infinitamente a comunhão Convosco, com Maria e com todos os santos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Vocação à Vida Religiosa Consagrada recorda chamado ao testemunho e à entrega total a Deus

A terceira semana do Mês de agosto é dedicada à oração e promoção da vocação à Vida Religiosa Consagrada, lembrando daquelas mulheres e homens que, assim como a Virgem Maria, disseram seu ‘sim’ ao chamado e consagraram toda a sua vida e a entregaram na proximidade, no serviço e na doação a Deus.

Neste ano, durante a celebração do Dia da Vida Consagrada, em 2 de fevereiro, Festa da Apresentação do Senhor, o Papa Leão XIV disse que a Igreja pede aos religiosos para serem profetas: “mensageiros e mensageiras que anunciam a presença do Senhor e preparam o seu caminho”.

Leão também situou o chamado ao testemunho na realidade atual:
“Numa sociedade onde, em nome de um conceito falso e reduzido da pessoa, a fé e a vida parecem cada vez mais distanciar-se uma da outra”, situou o Papa, os religiosos são chamados “a testemunhar que Deus está presente na história como salvação para todos os povos.”

As comunidades religiosas, refletiu o Papa, conservam numerosos “baluartes do Evangelho” em variados contextos, inclusive no meio de conflitos. Essas pessoas consagradas “não vão embora; não fogem; mas permanecem, despojadas de tudo, para ser um apelo, mais eloquente do que mil palavras, à sacralidade inviolável da vida na sua mais pura essência – mesmo onde retumbam as armas e onde parece prevalecer a prepotência, o interesse e a violência”.

Pertencer a Deus e deixar que Ele conduza minha vida
Entre os milhares de religiosos e religiosas, consagrados e consagradas da Igreja no Brasil, a irmã Maristela Ganassini, da Congregação das Filhas do Sagrado Coração de Jesus, tem a função de contribuir na animação vocacional no Brasil. Desde 2022, ela atua como assessora da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB.

Ela partilhou sobre seu chamado e o que significa ser consagrada. Para irmã Maristela, a consagração não é sinal de perfeição, mas “significa permitir que Deus transforme, dia após dia, a própria vida e, com humildade, colocar-se a caminho”.

“É aprender, todos os dias, a dizer: ‘Senhor, aqui estou; minha vida é Tua’. É confiar que, por meio do meu sim, do meu serviço e da minha doação, o amor de Deus possa chegar à vida de outras pessoas”.

Ser consagrada é viver no mundo como um sinal de que Deus continua chamando, amando e convidando cada pessoa a descobrir uma vida com sentido, esperança e doação.

Ser consagrada é, de forma simples, pertencer a Deus e deixar que Ele conduza a minha vida. É transformar o cotidiano em espaço de encontro, cuidado e serviço. É dizer “sim” não apenas com palavras, mas com escolhas, atitudes e gestos concretos de amor.

É caminhar com a certeza de que não estou pronta, mas estou disponível; não sou perfeita, mas sou chamada; não tenho todas as respostas, mas tenho a graça de continuar dizendo: “Senhor, conta comigo.”

Luiz Lopes Jr.

Pesar do Papa pelas vítimas de naufrágio no Zimbábue


Em telegrama assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, Leão XIV expressa condolências às famílias das vítimas do naufrágio ocorrido no lago Kariba. Segundo as autoridades locais, ao menos 92 pessoas morreram na tragédia.

Thulio Fonseca – Vatican News

O Papa Leão XIV manifestou sua proximidade às vítimas do naufrágio de uma embarcação no lago Kariba, no Zimbábue, que deixou ao menos 92 mortos, entre eles 18 crianças. O acidente ocorreu no último dia 11 de agosto, e as operações de busca e recuperação dos corpos continuam na região. Segundo a Polícia da República do Zimbábue, oito novos corpos foram encontrados nesta segunda-feira (17/08), elevando para 92 o número de vítimas fatais.

Em telegrama enviado nesta terça-feira, 18 de agosto, e assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, o Pontífice afirma ter recebido “com profunda tristeza” a notícia do trágico acidente ocorrido no lago Kariba. Leão XIV confia “as almas dos falecidos à amorosa misericórdia de Deus Todo-Poderoso” e envia suas sentidas condolências àqueles que choram a perda de seus familiares. O Santo Padre assegura ainda suas orações pelas autoridades civis e pelas equipes de emergência que continuam trabalhando na resposta à tragédia. Sobre todos os atingidos pelo naufrágio, o Papa invoca “as bênçãos divinas de consolação, cura e força”.

Equipes de resgate e operadores de embarcações locais participam das operações de busca e recuperação nas proximidades da embarcação de passageiros que virou no lago Kariba

A tragédia no lago Kariba
A embarcação naufragou durante a travessia do lago Kariba, na fronteira entre o Zimbábue e a Zâmbia, quando seguia de Kariba Town em direção à região pesqueira de Chalala. As autoridades afirmam que o barco tinha capacidade autorizada para 90 passageiros, mas transportava um número superior ao permitido. A Agência de Proteção Civil do Zimbábue informou que 77 pessoas foram resgatadas com vida. O presidente do país, Emmerson Mnangagwa, declarou estado de desastre, permitindo a mobilização de recursos adicionais para as operações de emergência e a assistência às famílias atingidas.

As buscas por possíveis vítimas e as investigações sobre as circunstâncias do naufrágio prosseguem. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a embarcação estava em operação havia 41 anos e realizava a travessia sob fortes ventos. No último dia 13 de agosto, familiares e moradores participaram de uma cerimônia no estádio de Kariba em memória das vítimas. Um dos maiores reservatórios artificiais do mundo, o lago Kariba se estende por mais de 200 quilômetros e constitui uma importante via de transporte para comunidades rurais e pesqueiras da região, onde as condições das estradas e a oferta de transporte público são limitadas.

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EVANGELHO DO DIA (Mt 19,23-30)

ANO "A" - DIA: 18.8.2026
20ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Jesus Cristo, Senhor nosso, embora sendo rico, para nós se tornou pobre, a fim de enriquecer-nos, mediante sua pobreza.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 23 Jesus disse aos discípulos: "Em verdade vos digo, dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus. 24 E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus". 25 Ouvindo isso, os discípulos ficaram muito espantados, e perguntaram: "Então, quem pode ser salvo?" 26 Jesus olhou para eles e disse: "Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível". 27 Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: "Vê! Nós deixamos tudo e te seguimos. O que haveremos de receber?" 28 Jesus respondeu: "Em verdade vos digo, quando o mundo for renovado e o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória, também vós, que me seguistes, havereis de sentar-vos em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. 29 E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna. 30 Muitos que agora são os primeiros, serão os últimos. E muitos que agora são os últimos, serão os primeiros".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Entrar no Reino dos Céus"

Entrar no Reino de Deus exige um coração livre e desapegado
Naquele tempo, Jesus disse aos discípulos: “Em verdade eu vos digo: dificilmente um rico entrará no reino dos céus. Digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus” (Mateus 19,23-30).

Foram algumas tentativas de interpretar essa alegoria usada por Jesus para falar da dificuldade de uma pessoa que é apegada aos bens materiais entrar no reino dos céus.

Entrar no Reino exige a abertura à renúncia
Alguns adotaram a tradução da palavra kamelon, que significa corda ou nó de marinheiro. Algo que tornaria a tradução da expressão um pouco mais compreensível porque nós estamos falando de elementos do mesmo contexto: corda e agulha. Outros fizeram alusão a uma porta que tem lá em Jerusalém, chamada olho da agulha devido a sua pequenez e a sua estreiteza.

Metáforas à parte, algo certo é que a indisposição de certas renúncias faz dos ricos impossibilitados de entrar no reino dos céus. Apenas um milagre os salvaria da condenação de Jesus. Quanto à riqueza, dirige-se àquele tipo de riqueza egoísta que não deixa espaço para a mensagem do Evangelho, e não aquela riqueza que sabe compartilhar, favorecer o bem dos outros através da abundância que possui.

Dar a Deus o lugar de Deus
Vamos deixar na mente a afirmação chocante de Jesus imaginando a impossibilidade de um camelo passando pelo buraco de uma agulha para mantermos sempre viva a nossa consciência de que não devemos servir a dois senhores. O dinheiro na nossa vida deve sempre ocupar um lugar secundário e deve servir para nos manter numa vida digna e sóbria sem perder o que é mais importante. Deus é o mais importante na nossa vida.

Sobre todos vós desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova