quinta-feira, 2 de julho de 2026

São Bernadino Realino

Bernardino nasceu na ilha de Capri, Itália, em 1530, de rica e nobre família. Recebeu formação católica e na juventude destacou-se pela inteligência. Com 12 anos, terminou os estudos clássicos na famosa Academia de Modena; em 1548, com 18, formou-se em Filosofia, Medicina, Direito Civil e Direito Eclesiástico na também famosa Universidade de Bolonha. Doutorou-se em Direito Civil e Eclesiástico em 1556.

Aos 25 anos, por indicação do cardeal e governador de Milão, amigo de sua família, iniciou uma muito bem sucedida carreira administrativa, política e social: sucessivamente, foi prefeito de Felizzano de Monferrato, advogado fiscal de Alexandria, prefeito de Cassine, prefeito de Castel Leone, e, em Nápoles, auditor e lugar-tenente a serviço do marquês Francesco Ferdinando d’Avalos, vice-rei da Sicília. Ao longo destes dez anos, sempre ajudou os pobres.

Mas em 1564, já com enorme sucesso, ficou gravemente doente. Acamado, dedicou-se mais à oração, e teve uma visão de Nossa Senhora com o Menino Jesus ao colo, o que o impactou enormemente. Procurou a orientação e direção espiritual de um frade jesuíta, discernindo a vontade de Deus para a sua vida e, com 35 anos, foi ordenado sacerdote da Companhia de Jesus

Intensificou então o seu trabalho junto aos pobres, além de se tornar um grande pastor e evangelizador. Recebendo os dons da cura e do bom conselho, passou a ser procurado por religiosos, por nobres e pelo povo em geral: o Papa Paulo V, o Imperador Rodolfo II do Sacro Império Romano-Germânico, o rei Henrique IV de França, os Duques da Baviera, Mântua, Parma e Módena. São Roberto Belarmino ajoelhou-se diante dele.

Em 1574 Bernardino foi enviado para Lecce a fim de fundar um colégio jesuíta, e lá permaneceu por 42 anos, marcando de forma tão profunda e benéfica a cidade que, muito adoentado e prestes a morrer, recebeu o pedido direto do conselho municipal para ser o seu padroeiro e interceder a Deus por ela, quando estivesse na Glória do Pai, um fato inédito na Igreja Católica e o reconhecimento da sua santidade, já em vida… pedido que ele aceitou de viva voz.

Bernardino faleceu aos 86 anos, em 2 de julho de 1616. É padroeiro de Lecce (mesmo antes de ter sido canonizado!) e depois também de Capri.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

São Bernardino, antes do sacerdócio, legitimamente trabalhava com êxito na vida leiga, nada fazendo de especialmente condenável. Seria este também um caminho santificação, digno aos olhos de Deus. Mas há dois detalhes que o alavancaram para um patamar espiritual superior. Recebeu formação católica… boa formação, certamente, dado que era honesto no trabalho e aproveitava corretamente o dom de inteligência que recebera; e sempre ajudava os pobres… portanto, não esquecido dos necessitados pelo próprio sucesso, praticava constantemente a caridade. Com tais disposições, Deus lhe propôs ainda mais: “Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado” (Mt 5,29). Daí a Providência de uma enfermidade, que o levou a rezar mais, e preparar assim a alma para uma revelação; depois da qual, sensatamente buscou autêntica orientação espiritual. A partir da qual, por fim, consagrou-se mais perfeitamente a Deus. E como religioso foi simplesmente um bom pastor, evangelizando: Deus lhe deu, a mais, os dons da cura e do bom conselho. Educação católica, caridade. Realidades possíveis e até comuns. Caro leitor, qual etapa do roteiro de vida de São Bernardino estaria tão inacessível aos católicos normais, que tenham como ele se iniciado no conhecimento da Doutrina e, por consequência necessária, buscado praticar habitualmente a caridade? Católicos como nós... Que trabalhamos, vivendo a vida usual. Também a nós Deus quer santos. Talvez que nas doenças e adversidades, não nos conformemos… nãos busquemos com mais vontade a oração… que vejamos Nossa Senhora e Jesus em visões de sonhos, mas não na realidade… que não busquemos adequada direção espiritual. Deus sempre nos provê com muitos dons; mas se não os aproveitamos para enriquecer a Ele, ao espírito (querendo enriquecer mais o corpo) e ao próximo, se nem ao menos os identificarmos, ficaremos tão pobres deles, que por fim nada teremos. O mundo se encarregará de no-los tirar – incluindo a vida, perecível no físico. Temos dons, para recebermos ainda mais; é este o plano de Deus. São Bernardino é para nós a evidência clara de que a santidade faz parte da normalidade, que pode ser alcançada nos contextos mais comuns. Queremos? “Pedi e vos será dado, procurai e achareis, batei na porta e ela se abrirá para vós” (Mt 7,7).

Oração:

Senhor, que desde a eternidade nos quer felizes, e portanto santos, concedei-nos por intercessão de São Bernardino Realino o bom conselho de, como ele, “não nos contentarmos com este mundo”, ainda no que é legítimo, para não perdermos o que de maior nos quereis dar, que é Vós mesmo; que ele ajude, como fez na Terra, ao que há de mais pobre, o nosso pobre coração, com a cura espiritual. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

Bispos Referenciais e assessores da Pastoral Familiar debatem aprofundamento da evangelização das famílias


A Pastoral Familiar reúne, em Brasília, durante esta semana, cerca de 130 pessoas no Encontro Nacional de Bispos Referenciais e Assessores (as) da Pastoral Familiar, promovido pela Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Comissão Nacional da Pastoral Familiar. A reunião é oportunidade para discutir formas de fortalecer a unidade pastoral e favorecer o aprofundamento da evangelização das famílias em todo o país.

Neste ano, o encontro aborda “O aggiornamento da Teologia do Matrimônio em Amoris Laetitia”. O objetivo é formar e fortalecer os assessores e as assessoras da Pastoral Familiar para que, em comunhão com a Igreja e à luz do Evangelho da família, possam acompanhar, discernir e integrar, com unidade, zelo pastoral e espírito missionário, a ação evangelizadora junto às famílias.

“Estamos em Brasília estudando com os padres e bispos esse caminho que a Igreja fez desde o Concílio Vaticano II até hoje, como a Igreja atua junto às famílias lá no dia a dia da vida paroquial com o apoio da Pastoral Familiar. Queremos apontar caminhos para auxiliar os padres em suas paróquias e comunidades”, explicou bispo de Ponta Grossa (PR) e presidente da Comissão Vida e Família da CNBB, dom Bruno Elizeu Versari.

Quem assessora o encontro é padre Jonas Emerim Velho, da diocese de Criciúma (SC). Ele aponta a importância da discussão sobre as Exortações Apostólicas Amoris Laetitia e Familiaris Consortio, dois documentos que dão luzes para o agir da Pastoral Familiar no mundo.

“São resultados de um trabalho sinodal que olham a realidade da família, que iluminam segundo a luz do evangelho e como a Igreja pode se colocar diante dela como uma comunidade vivendo em aliança no sacramento que manifesta o amor e a presença do nosso Deus”, apontou.

O bispo auxiliar de Porto Alegre (RS), dom Bertilo João Morsch, está presente no encontro e ressaltou a expectativa de aprofundar a caminhada do matrimônio dentro das relações na vida familiar. “Muito se questiona sobre as dificuldades e os caminhos que apresentamos para as famílias. E quando temos esse fundamento que vai ajudando a criar essa base concreta, damos esperança e sentido para as elas”, disse.

Na terça-feira, o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, foi ao encontro para saudar os participantes.

Luiz Lopes Jr. com Portal Vida e Família

Consagrações episcopais dos lefebvrianos: decretada a excomunhão


Um documento assinado pelo cardeal-prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé define como “ato de natureza cismática” o rito celebrado em 1º de julho. Em uma nota explicativa, são detalhadas as consequências da grave sanção canônica.

Vatican News

Os bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay (respectivamente, sagrante principal e co-sagrante), bem como os bispos recém-consagrados Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier, incorreram ipso facto na excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica por terem realizado “um ato de natureza cismática”, ou seja, a “consagração episcopal de quatro presbíteros sem mandato pontifício e contra a vontade do Sumo Pontífice”. É o que se lê no decreto assinado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e referendado pelos dois secretários do mesmo Dicastério. Trata-se da conclusão, infelizmente anunciada, que chega vinte e quatro horas após a solene cerimônia celebrada em Écône, na Suíça, na manhã de 1º de julho de 2026.
O decreto de excomunhão e a nota explicativa do Dicastério para a Doutrina da Fé

O decreto do antigo Santo Ofício estabelece que, ao realizar a consagração, tanto os consagrantes quanto os consagrados incorreram na excomunhão prevista pelo direito canônico. É o doloroso desfecho, consequência da decisão tomada pelos lefebvrianos contra a vontade expressa repetidamente por Leão XIV. A excomunhão coloca novamente em situação de separação da Igreja de Roma tanto os bispos quanto os sacerdotes pertencentes à Fraternidade São Pio X. Quanto aos fiéis leigos, devem ser considerados excomungados aqueles que aderem formalmente à Fraternidade. Mais detalhes estão contidos em uma “Nota Explicativa”, publicada pelo Dicastério simultaneamente ao decreto de excomunhão, reproduzida integralmente a seguir.

A Nota do Dicastério
Desde os tempos de São Paulo VI até os mais recentes diálogos realizados neste Dicastério, as numerosas tentativas de reconduzir à plena comunhão com a Igreja Católica os membros do movimento iniciado por Dom Marcel Lefebvre revelaram-se infrutíferas. Essa situação agravou-se ainda mais em razão das recentes consagrações episcopais celebradas sem mandato pontifício, contra a vontade do Santo Padre e em manifesta violação do direito canônico.

Por isso, este Dicastério, no fiel exercício das funções que lhe foram confiadas, considera necessário reconhecer que tal ato configurou o delito de cisma, com as correspondentes consequências canônicas para os ministros sagrados e os fiéis leigos envolvidos. Com efeito, como já foi declarado em 1988, “tal desobediência — que implica uma rejeição prática do Primado Romano — constitui um ato cismático” (cf. João Paulo II, Carta Apostólica Ecclesia Dei, n. 3).

Na Suíça, na sede da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, foi realizada a celebração presidida pelos bispos de Galarreta e Fellay, com o rito da consagração episcopal. Milhares de ...

Diante disso, estabelece-se o seguinte:
1. Os ministros sagrados pertencentes à Fraternidade Sacerdotal São Pio X encontram-se em situação de cisma e, portanto, devem ser considerados cismáticos (cf. Ecclesia Dei, 5 c; Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Nota Explicativa sobre a excomunhão por cisma incorrida pelos aderentes ao movimento do Bispo Marcel Lefebvre, 24.08.1996, nn. 5-6), estando sujeitos à excomunhão prevista pelo direito (cân. 1364 § 1 do Código de Direito Canônico).

2. No que diz respeito aos fiéis leigos, devem ser considerados cismáticos e excomungados aqueles que aderem formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X nas condições estabelecidas pela Nota Explicativa do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos de 1996 (cf. ibidem, n. 7), ainda em vigor e assumida por este Dicastério.

A carta enviada por Leão XIV ao superior da Fraternidade São Pio X traz a data de 29 de junho, festa dos Santos Pedro e Paulo, véspera da anunciada consagração episcopal sem .

3. Adverte-se, por fim, o santo Povo de Deus de que os ministros sagrados da Fraternidade Sacerdotal São Pio X administram ilicitamente os sacramentos e que o sacramento da penitência por eles administrado e o matrimônio por eles assistido são inválidos.

A Igreja, como mãe solícita, acolherá com sincero afeto e viva solicitude todos aqueles que desejarem retornar à plena comunhão. Os núncios apostólicos disporão dos procedimentos que os ordinários poderão utilizar nos diversos casos.

Por fim, exortam-se todos os fiéis a permanecer firmes na comunhão com o Romano Pontífice, com os bispos em comunhão com ele e com toda a Igreja (cf. Lumen Gentium, 22; cân. 751 do Código de Direito Canônico), abstendo-se de participar das celebrações e atividades promovidas pela referida Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Nova advertência do Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé sobre as ordenações episcopais sem mandato pontifício que o grupo tradicionalista anunciou para o mês de julho ...

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EVANGELHO DO DIA (Mt 9,1-8)

ANO "A" - DIA: 02.7.226
13ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Em Cristo, Deus reconciliou consigo mesmo a humanidade; e a nós ele entregou essa reconciliação.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 entrando em um barco, Jesus atravessou para a outra margem do lago e foi para a sua cidade. 2 Apresentaram-lhe, então, um paralítico deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: "Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!" 3 Então alguns mestres da Lei pensaram: "Esse homem está blasfemando!" 4 Mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse: "Por que tendes esses maus pensamentos em vossos corações? 5 O que é mais fácil, dizer: 'Os teus pecados estão perdoados', ou dizer: 'Levanta-te e anda'? 6 Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados, - disse, então, ao paralítico - "Levanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa". 7 O paralítico então se levantou, e foi para a sua casa. 8 Vendo isso, a multidão ficou com medo e glorificou a Deus, por ter dado tal poder aos homens.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O paralítico e a cura da alma"

Jesus cura o paralítico de Cafarnaum
Nós vamos, hoje, meditar algo muito profundo, pois Deus quer nos mostrar aquilo que ouvimos da Tradição, da Doutrina da Igreja e dos santos: Deus nos criou sem nós, mas não pode nos salvar sem nós, ou seja, sem a nossa colaboração. E nós vamos ouvir o Evangelho de Mateus:

“Naquele tempo entrando em um barco, Jesus atravessou para a outra margem do lago e foi para a sua cidade. Apresentaram-lhe, então, um paralítico.” (Mateus 9,1-8)

Jesus volta para Cafarnaum, lugar que para ele já era conhecido, e ali apresentaram a Ele um paralítico.

O paralítico e o valor dos amigos
Um homem que não conseguia caminhar sozinho, ou seja, dependia de outros para chegar até Jesus. E, aqui, aparece a primeira mensagem deste Evangelho: ninguém se salva sozinho. Deus coloca pessoas em nosso caminho para nos aproximarmos d’Ele.

Quantas vezes somos chamados a entregar e a carregar alguém que nos pede oração, que nos pede conselho e nos ajuda para a vivência da vontade de Deus! Você tem a oportunidade de ser instrumento d’Ele na vida de outras pessoas. Por isso Ele nos criou em comunidade, para vivermos uma comunhão profunda, de uma fraternidade fundada em Cristo Jesus.

A cura da paralisia da alma pelo perdão
Por isso, meu irmão, minha irmã, percebemos algo muito profundo: quando Jesus se aproximou daquele paralítico, disse para ele: “Os teus pecados estão perdoados”, ou seja, Jesus não somente disse: “Levanta-te e anda”.

Jesus não fala apenas da paralisia física, mas do pecado, porque a pior paralisia não é a do corpo, mas a da alma. Existem muitas pessoas que estão interiormente paralisadas pelo orgulho, pela mágoa, pelo ressentimento, pela falta de perdão e pela tristeza ou a distância de Deus.

Hoje, Jesus quer colocar pessoas ao seu lado para levar você até Ele, para que o Senhor o liberte e cure de todo o mal.

Que o Senhor nos abençoe e derrame sobre nós a Sua graça e a Sua força.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


Como ter discernimento espiritual no reconhecimento da ação do inimigo


Como discernir a ação do inimigo

Sabemos que há três espíritos que podem agir em nós: o espírito humano (nosso próprio espírito), o Espírito Santo e o espírito do mal. Como saber qual deles está agindo em nós?
Paz versus perturbação

A primeira coisa é entender que Deus nunca causa perturbação na nossa alma. Se você está sendo perturbado em seus pensamentos ou perdendo o sono, pode ter certeza de que não é o Espírito de Deus. O Espírito Santo pode até nos corrigir, mas Ele o faz com paz, e não com aflição.

A segunda diretriz é observar se a influência que você está recebendo vai contra a fé católica. Se for contrária, certamente não vem de Deus. Por isso é fundamental conhecer a Doutrina e o Catecismo da Igreja Católica. Se alguma “inspiração” ou informação surge contra o que a Igreja ensina, não é o Espírito Santo quem está falando.

Leia mais


Discernimento pela paz e oração
Além disso, a ação de Deus não causa perturbação nem no indivíduo, nem na comunidade. Se um espírito está gerando confusão, divisão ou brigas em um grupo, ele não é o Espírito de Deus. É através desses sinais que vamos compreendendo o discernimento dos espíritos.

Por fim, vale lembrar que o discernimento é um dom do Espírito Santo. Devemos pedir esse presente a Deus, especialmente aqueles que possuem papéis de liderança na Igreja, na evangelização ou em grupos de oração.

Transcrito e adaptado por Jaqueline Scarpin

quarta-feira, 1 de julho de 2026


Frente às iniciativas que visam reduzir a maioridade penal no Brasil que tramitam no Congresso Nacional, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou, nesta terça-feira, 30 de junho, uma carta ao parlamentares brasileiros na qual reafirma a sua posição contraria à redução da maioridade penal.

No documento, a CNBB afirma que essa convicção nasce da defesa da dignidade humana, especialmente dos adolescentes, que se encontram em processo de desenvolvimento e devem ser responsabilizados por seus atos sem serem privados da possibilidade de recuperação e reintegração social.

A CNBB aponta, na carta, que o ordenamento jurídico brasileiro ja prevê mecanismos de responsabilização para os adolescentes mediante a aplicação de medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente e pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo.

“O desafio não está na ausência de instrumentos legais, mas na fragilidade de sua implementação e na insuficiência de investimentos em educação, proteção social e oportunidades para a juventude”, diz um trecho do documento. Para a CNBB, o simples endurecimento das penas não reduz a violência e nem as suas causas e tampouco oferece respostas duradouras para a segurança pública.

“O Brasil será mais seguro se investir na proteção, na educação e na promoção de sua juventude, e não ampliando o encarceramento precoce de adolescentes”, diz a carta.

Por Willian Bonfim

Último apelo do Papa aos lefebvrianos: não rasguem a túnica de Cristo


A carta enviada por Leão XIV ao superior da Fraternidade São Pio X traz a data de 29 de junho, festa dos Santos Pedro e Paulo, véspera da anunciada consagração episcopal sem mandato pontifício, que constituiria um novo ato cismático

Vatican News

Como havia anunciado nos últimos dias ao encontrar os jornalistas em Castel Gandolfo, o Papa Leão enviou um último apelo à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, pedindo que não prossiga com a consagração de quatro novos bispos sem mandato pontifício, prevista para a manhã de 1º de julho, em Écône, na Suíça.

“Com sentimentos paternos, desejo dirigir-me a Vossa Reverência e, por seu intermédio, aos bispos, sacerdotes, seminaristas e fiéis vinculados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, consciente da responsabilidade que o Senhor me confiou como Sucessor do Apóstolo Pedro. A Igreja reconhece o apreço pela vida litúrgica, o empenho na formação sacerdotal, o zelo apostólico e o desejo de fidelidade à Tradição que caracterizam muitas pessoas e comunidades vinculadas a essa Fraternidade. Tudo isto motivou a atenção e a benevolência que os meus Predecessores vos manifestaram constantemente.”

“Neste espírito, e repleto de afeto cristão, peço-vos e suplico-vos do fundo do coração: Reconsiderai! Exorto-vos a ter em conta, com muita atenção, o bem espiritual dos fiéis, porque a ação cismática que cometeríeis privá-los-ia da recepção lícita e, nalguns casos, até mesmo válida dos Sacramentos que eles amam e procuram para a sua santificação.”

“A Igreja – lê-se ainda na carta papal, redigida em francês e dirigida ao Superior-Geral da Fraternidade, padre Davide Pagliarani – está disponível a um caminho de diálogo e de entendimento, que o Espírito Santo pode tornar possível e fecundo. Rezo por vós, pois rasgar a Túnica inconsútil de Cristo é um pecado de extrema gravidade. Que o Senhor ilumine as vossas consciências e toque os vossos corações. Pela autoridade que recebi de Cristo, com o coração entristecido, mas ainda cheio de esperança, sinto o dever de vos pedir para desistirdes do vosso propósito, confiando estas intenções ao Coração Imaculado de Maria, Mãe do Bom Conselho.”

O Papa, portanto, pede mais uma vez aos lefebvrianos que renunciem a levar adiante o ato cismático das consagrações episcopais sem mandato pontifício. É significativo que o argumento mais forte apresentado na carta seja o bem das almas dos fiéis da Fraternidade São Pio X, uma vez que tal ato tornaria ilícitos e, em alguns casos (como na confissão sacramental e no matrimônio) também inválidos os sacramentos celebrados.

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EVANGELHO DO DIA (Mt 8,28-34)

ANO "A" - DIA: 01.07.2026
13ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Deus nos gerou pela palavra da verdade como as primícias de suas criaturas.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 28 quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. 29 Eles então gritaram: "O que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?" 30 Ora, a certa distância deles, estava pastando uma grande manada de porcos. 31 Os demônios suplicavam-lhe: "Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos". 32 Jesus disse: "Ide". Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas. 33 Os homens que guardavam os porcos fugiram e, indo até à cidade, contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. 34 Então a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Do mal à dignidade restaurada"

Libertos do mal pelo encontro com Jesus
Queremos acolher você com muita alegria para as nossas homilias diárias, mas quero também saudar aqueles que estão em outros países, como o Haiti, a Malásia, a Nigéria e Cuba. E você que está aqui nos acompanhando também no Brasil, seja bem-vindo. Nós vamos meditar, hoje, o Evangelho de São Mateus, onde nós vamos ouvir a seguinte frase:

“Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?” (Mateus 8,28-34)

Os próprios demônios reconhecem quem é Jesus, o Filho de Deus. Mas aqui é importante nós tratarmos de duas realidades: eram homens que estavam perdidos e tinham a sua dignidade ferida pelo mal, diante de uma sociedade que os excluía. Que fazia com que eles sofressem por causa dessa dominação do mal.

Do mal ao reconheço, Cristo cura o coração ferido
Mas Jesus vai ao encontro deles e nos mostra algo muito fundamental: Cristo nunca abandona quem está ferido. Se você, hoje, vive ferido, machucado, até mesmo pelo seu pecado, e você se sente culpado, Jesus veio para salvá-lo. Ele não te abandona jamais.

Por isso nós precisamos compreender que este Evangelho está nos trazendo algo importante. Jesus quer nos libertar do poder do mal e de tudo aquilo que nos oprime. E por isso Ele atravessou o mar e chegou a uma terra pagã, Ele se importa com todos, Ele não faz distinção de ninguém.

O chamado à verdadeira libertação
Outra palavra aqui importante e fundamental é reconhecermos quem é Jesus na nossa vida. Por isso, meu irmão, minha irmã, o triste contraste são os homens que recuperaram a vida, mas os povos estavam preocupados com os prejuízos dos porcos que se atiraram ao mar.

Em vez de se alegrar porque Deus veio visitar o seu povo, muitas vezes nós nos alegramos somente com aquilo que é material, e isso nos oprime, isso nos torna cativos. Mas Jesus veio para nos libertar de toda e qualquer prisão.

Que, nesta homilia, você possa fazer a experiência de reconhecer que Jesus é o Filho de Deus, para que você seja liberto de toda a opressão e dominação do mal.

Que o nosso Senhor nos abençoe e que o Espírito Santo nos conduza sempre mais para a graça de Deus.

Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova