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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Dez dicas de cura interior

Dez dicas de cura interior, para você fazer uma reflexão de vida, são propostas pelo saudoso padre Léo no livro ‘Gotas de cura interior’

1. A cura interior, muito mais do que um objetivo a ser alcançado ou uma meta a ser conquistada, é consequência do nosso jeito de viver. Cura interior é fruto e, como tal, precisa ser cultivada. E como vivemos num mundo desértico e árido, precisamos ter a sabedoria de gotejá-la todos os dias.

2. Na vida, precisamos aprender a celebrar as vitórias, sejam elas pequenas ou grandes. Cada passo vivido precisa ser degustado, saboreado e festejado. Não podemos ficar esperando para celebrar somente as grandes conquistas. Aliás, sem a celebração dos pequenos êxitos conquistados perdemos o sabor das grandes vitórias. Cada pequeno sucesso celebrado é semente para os grandes feitos almejadas.


3. O pessimismo do mundo moderno acaba contaminando nosso coração. Tornamo-nos especialistas em ressaltar o que é negativo e o alimentamos por meio das notícias e conversas. Enfocamos o negativo com lente de aumento, e com isso nos especializamos naquilo que não presta. É preciso educar-se para as conquistas, para o belo e positivo. A celebração de cada etapa vivida e conquistada nos ajuda nesse processo.

4. A celebração das vitórias tem também um aspecto muito importante, que precisa ser ressaltado cada vez mais: aprender a compartilhar nossas conquistas. Vitória que não é compartilhada não pode ser assim chamada. A celebração das conquistas nos ajuda a nos prepararmos para vencer novos desafios.

5. Feliz aquele que tem com quem compartilhar suas tristezas e dores. Mais feliz ainda aquele que tem com quem compartilhar suas alegrias. O amigo verdadeiro é aquela pessoa diante de quem podemos nos revelar por inteiro. Muita gente tem medo de partilhar suas vitórias; outras, nem mesmo têm com quem dividi-las. O outro parece sempre ser uma ameaça. Como vivemos numa constante competição, parece que ser feliz ofende os outros. Acreditar na felicidade é um bom caminho para encontrá-la, é uma trilha segura para construí-la.

6. Um coração curado sabe que a alegria verdadeira não está naquilo que temos ou conquistamos, mas na qualidade de nossos relacionamentos. O que não pode ser partilhado não merece ocupar lugar nenhum em nossa vida.

7. Para compartilhar a felicidade é preciso optar pela alegria. Divertir-se corretamente não é pecado. O grande pecado é não saborear a vida. É preciso ter seriedade suficiente para ser alegre e brincalhão. Uma boa piada, na hora certa, tem um lindo poder restaurador em nosso coração. Rir e ajudar os outros a rir é um dos mais eficientes e eficazes remédios para a cura interior. Quem aprendeu a sorrir saberá chorar na hora certa, diante das pessoas e das situações adequadas.

8. No processo de cura interior, é fundamental não perder tempo nem energia com bobagens. Cada vez que nos entristecemos devemos nos perguntar: é algo realmente sério? Será que esse fato merece a atenção que estou dando a ele? Não estou atribuindo um peso excessivo ao que a pessoa me falou ou me fez? Quanto tempo vou continuar alimentando essa tristeza em meu coração?

9. Todos nós estamos sujeitos a muitos erros e falhas. Ninguém está vacinado contra os dissabores da vida. Portanto, ficar remoendo o passado gesta o rancor, que é sempre prejudicial a nós e aos outros. A raiva emburrece a pessoa. O ressentimento bestifica. É preciso aprender a perdoar aos outros e a nós mesmos. O rancor produz medo de começar de novo. Viver é correr riscos sempre. Amar é um risco consciente; a vida é imprevisível! Só quem tem coragem de se arriscar saberá saborear a alegria das vitórias.

10. É preciso estar aberto ao novo. Não devemos temer coisas novas, pessoas, comidas ou culturas novas. Triste de quem viaja para outros países, mas logo procura um restaurante com comida típica de seu país. Então, para que viajar? É preciso deixar-se impregnar pela cultura e pelos costumes locais. Ao menos para conhecer é preciso saborear. Se a outra pessoa daquele país gosta de tal alimento, por que não posso me arriscar? Abrir-se ao novo pode ser o começo de uma experiência muito interessante.

Fonte: Livro “Gotas de cura interior” – Padre Léo

domingo, 22 de abril de 2012

Olhar a pessoa com o coração

 
 
Somente um coração curado poderá ter um olhar generoso

Olhar a outra pessoa com o coração. Esta frase parece estranha, pois nós olhamos com os olhos e não com o coração. Mas estou utilizando esta expressão um tanto poética para dizer que o nosso olhar deve ter sempre uma fonte de julgamento: o coração. Isto porque sempre que olhamos para alguém acontece naturalmente um julgamento, uma análise. Vemos o seu exterior, a situação que se nos apresenta. Quantas vezes olhamos para uma pessoa e a realidade dela naquele momento é reprovável ou triste. Outras vezes olhamos a atitude errada de alguém e logo o julgamos e o condenamos somente com o olhar. Noutro momento a situação é bela e grandiosa: alguém fazendo o bem, outra sendo generoso e o aprovamos de imediato.
A reflexão que estou partilhando com você é esta: o julgamento que exprimo com meu olhar reflete a realidade interior que estou vivendo. A Bíblia diz que o olho é o espelho da alma. Por isso, muitas vezes, quando não estamos bem, quando nosso interior está machucado pelas agressões que a vida nos proporciona, quando perdemos o sentido para fazer algumas coisas, ou estamos precisando ser amados, normalmente vemos e julgamos de forma negativa as situações e as pessoas.
Para olharmos o mundo com o coração, isto é, transformarmos este olhar em um olhar positivo, é preciso curar o próprio coração. Muitos dão nome a isso de cura interior. Todos precisamos de cura interior. E este é um processo que começa quando temos a coragem de apresentar a Deus as nossas feridas, fraquezas, pecados e imperfeições, também os sofrimentos que a vida nos proporcionou, as pessoas que nos feriram, e pedir que a força redentora da cruz de Cristo atinja tudo isso e restaure, com o Seu supremo Amor, os sentimentos do nosso coração. O passo seguinte é projetar em Jesus uma vida nova, uma nova chance de recomeço, deixando para o passado as situações dolorosas, depositando nos sofrimentos de Cristo, na cruz, os nossos sofrimentos e pecados, rancores e ressentimentos, mágoas e decepções.
Somente um coração curado poderá fazer com que você e eu possamos ver o mundo e as pessoas com um olhar generoso, capaz de obscurecer os erros e elevar as suas qualidades. Eu quero chamar isto de: olhar a pessoa com o coração. Mas com um coração renovado e curado.
Quem sabe você também não esteja precisando ter este olhar. Então a dica que eu deixo para você é: procure curar o seu coração, reze nesse sentido e peça a Jesus a sua cura interior, deixando toda a mágoa provocada pelas situações passadas depositadas no coração d'Ele e se abra para uma vida nova. Com certeza, o seu relacionamento com as pessoas com quem convive, seja esposa, seja esposo, namorado, filho, filha, irmãos será iluminado por uma nova luz, a luz do amor. 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Liberte-se para uma vida nova

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Cure-se dos venenos emocionais
Você já passou dias, semanas, meses e até anos carregando consigo sentimentos negativos em relação a pessoas ou situações? Creio que todos nós já passamos por isso alguma vez na vida. O mais interessante a observar é que sentir coisas “más” nos faz carregar um peso ainda maior do que a situação em si. Como cristãos, não admitimos alguns desses sentimentos, fazemos de conta que não existem. Um passo muito importante é assumir nossos sentimentos e a possibilidade de tocar nestas emoções e desabafar.

Mas de que forma eu posso fazer este desabafo?

O perdão é uma decisão, mas não apenas uma decisão simples: é um processo contínuo, que gera memórias, dores, ativa ressentimentos, e, acima de tudo, gera libertação. Libertamo-nos dos sentimentos maus para que o novo seja gerado em nós. Libertamo-nos para uma vida nova!

Esse tipo de sentimento, guardado em nosso interior, é como um alimento estragado na geladeira; aos poucos, contamina todos os outros produtos e deixa aquele cheiro mau. Imagine você assim, cheio de coisas estragadas dentro de si. Logo, as dores começam a aparecer, assim como doenças estranhas, sentimentos maus, humor deprimido. Esses são nossos “venenos emocionais”: venenos que nos entristecem e, consecutivamente, nos adoecem.

O venenoso não envenena apenas a si, mas também ao outro. Falar mal, difamar, reclamar, queixar-se, murmurar, tudo isso pouco adianta. Não cura nenhuma ferida, pelo contrário, abre outras.

Assista: "Exercícios práticos para a cura", com o saudoso padre Léo, scj



Quando falamos para o outro sobre nosso sentimento negativo, corremos o risco de nos machucar ainda mais. Por isso, preparar o terreno para conversar é muito importante. Se não há condições para o diálogo, uma boa sugestão é escrevê-los [seus sentimentos] num papel, como numa carta que, muitas vezes, não será mandada. Isso funciona como forma de libertação.

Coloque, nesse papel, tudo o que gostaria. Escreva sobre as situações que o machucaram, sobre suas dores e dificuldades com aquela pessoa. Algumas pessoas gostam de jogar essa folha de papel num rio, outras de queimá-la, outras a levam à capela e oferecem, em oração, esses sentimentos descritos nela. Essas atitudes funcionam como meio saudável de superar essas dificuldades, sem que para isso você precise descarregar toda a raiva na outra pessoa.

Se para você é muito difícil escrever, poderá pensar nas situações em algum lugar de que você goste ou ficar recolhido e dizer a uma cadeira vazia, representando a pessoa de quem tem mágoa, tudo aquilo que você sente. “Mas, a pessoa não está ali” você pode pensar. O mais importante é que seus sentimentos sejam ditos. É o esvaziar-se daquele sentimento e ponto final. Faça isso com o desejo de se libertar pela última vez daquele sentimento negativo. Em geral, depois de fazê-lo, tendemos a iniciar o processo de perdão e esquecimento.

Muitas vezes, murmurar e se queixar só potencializam nossos “venenos” emocionais. E, então, nesta Páscoa, o que você deseja?
Ressuscitar para uma vida nova, liberta dos seus “venenos” ou manter-se no sepulcro escuro e repleto de amarguras? Faça a sua opção! Certamente, ela não será fácil, muito menos doce, mas, certamente, os frutos dessa escolha serão grandiosos!

Elaine Ribeiro

terça-feira, 27 de março de 2012

A cura da afetividade

Reinalda Reis
Foto: Robson Siqueira/Cancaonova.com
Sabemos que o amor atualmente está, por uma ordem social, deteriorado. A palavra que vai direcionar nossa partilha está no Atos dos Apóstolos 10,38 na qual Pedro, encantado com a manifestação de Jesus, exclama: “Como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Por toda a parte, ele andou fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo diabo; pois Deus estava com ele.” Pedro, foi uma testemunha ocular dos milagres de Jesus.

Tomamos também o Catecismo da Igreja Católica (CIC), em seu parágrafo 517: “Toda a vida de Cristo é mistério de Redenção. A Redenção nos vem antes de tudo pelo sangue da Cruz, mas este mistério está em ação em toda a vida de Cristo: já em sua Encarnação, pela qual, fazendo-se pobre, nos enriqueceu por sua pobreza; em sua vida oculta, que, por sua submissão, serve de reparação para nossa insubmissão; em sua palavra, que purifica seus ouvintes; em suas curas e em seus exorcismos, pelos quais "levou nossas fraquezas e carregou nossas doenças" (Mt 8,17); em sua Ressurreição, pela qual nos justifica.

Vivemos um momento privilegiado da manifestação do Espírito Santo em toda a Igreja. Presenciamos momentos de muita conversão. Nos parágrafos 1.500 e 1.550 do CIC, vemos que: “A enfermidade e o sofrimento sempre estiveram entre problemas mais graves da vida humana. Na doença, o homem experimenta sua impotência, seus limites e sua finitude. Toda doença pode fazer-nos entrever a morte. A enfermidade pode levar a pessoa à angústia, a fechar-se sobre si mesma e, às vezes, ao desespero e à revolta contra Deus. Mas também pode tomar a pessoa mais madura, ajudá-la a discernir em sua vida o que não é essencial, para volta-se àquilo que é essencial. Não raro, a doença provoca uma busca de Deus, um retomo a Ele.


Deus, em Sua infinita misericórdia nos visita, até mesmo diante dos nossos sofrimentos. Quando não passamos por sofrimentos, dificilmente entendemos o mistério salvífico do Pai. Precisamos aprender com Jesus a cuidar dos que sofrem. Já no Antigo Testamento o povo vivia os sofrimentos diante de Deus. A enfermidade também é caminho de conversão. O Senhor não guarda rancor dos nossos pecados.

Êxodos 15,16: “Eu sou o Deus que vos cura”. Deus cuida de nós de forma pessoal, precisamos do fundo do coração afirmar que Ele nos ama e que cuida de nós. Ele age em todas as nossas necessidades. Precisamos entender que a enfermidade é um pedaço do pecado que nós cometemos ou que outras pessoas cometeram. Mas saibamos que, acima de todas as coisas, o Senhor nos ama. Não sejamos, portanto, reféns do “anjo decaído”. Tenha a certeza de que toda a enfermidade que não nos leva a Deus não veio dele.
“Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28)
Foto: Robson Siqueira/Cancaonova.com

É no poder da cruz e das chagas de Cristo que somos libertos dos nossos pecados. Não deixemos para os nossos descendentes as consequências dos nossos pecados. Jesus tem um amor de predileção pelos enfermos. Esse amor está nos incansáveis esforços para aliviar os sofrimentos deles. É vontade de Deus que você seja curado. É desejo de Deus sermos vencedores, Ele nos quer com um corpo sadio para adorá-Lo. Ele quer que se cumpra em nossas vidas as palavras proféticas. “Jesus é o mesmo de ontem, hoje e sempre”, ou seja, é desejo de Jesus nos curar e essa mesma vontade de outrora ainda continua viva em nós.

Deus quer nos cumular de todos os benefícios e nos dá todas as bênçãos de que nós precisamos. Para afirmar que uma pessoa estar bem de saúde, devemos considerar a saúde dela do físico, da alma e a da parte psíquica. Quando falamos em oração pelas enfermidades espirituais, devemos considerar que é preciso haver uma libertação espiritual. Em muitos casos, como os abusos sexuais ocorridos no passado, as consequências dele podem se refletir nos dias de hoje em sua vida afetiva. Assim como outros casos como alcoolismo, a traição ou ainda os jugos hereditários. Muitas pessoas, por si só, não conseguem se libertar desses males e precisam de ajuda; muitas vezes, quando essas áreas não são bem curadas, podem ocorrer os casos de opressão maligna. A partir daí, até mesmo o lado físico da pessoa fica comprometido.

Todos nós interiormente podemos estar enfermos, isso se deve aos problemas afetivos, resultados de relacionamentos não resolvidos, problemas do coração. Assim como existem pessoas que nos ajudam de maneira positiva, para que sejamos cada vez melhores, também existem aquelas pessoas que nos julgam e querem o nosso mal. Existem casos de feridas que ocorreram no início de nossa história, como um filho de um pai alcoólico, na qual a imagem que a criança pode ter do pai é negativa, e ao crescer ela vai ter um senso de cobrança muito grande de si mesma. E com isso seus futuros relacionamentos podem refletir o fato ocorrido em seu passado, o que acontece é que essa pessoa está tentando consertar seu passado. A nossa afetividade precisa ser curada.

"Viveremos em plenitude se formos curados"
Foto: Robson Siqueira/Cancaonova.com

Passos para a cura da nossa afetividade:
Renunciar a toda ansiedade, perceber os pensamentos que frenquentemente nos assolam. Somente quando nossa mente está em descanso é que nosso corpo pode gerar saúde. Toda a ansiedade produz tensão.

Fixar nosso olhar em Deus e não em nós mesmos. Renunciar a todo medo, remorso e culpa do passado. Muitas vezes, nós mesmos nos condenamos. Trazemos sentimentos negativos, excessos de escrúpulos. Ao fixarmos nosso olhar em Jesus Ele age em nós. Compartilhar, fazer uma catarse, fazer memória daquilo que foi difícil, expor as situações. Conversar. Procure alguém, um sacerdote, uma pessoa ministeriada em cura e libertação.

Precisamos reconhecer as emoções que estão em nós. Detectar as situações, saber das raízes. Fazer processo de autoconhecimento. Busque um caminho de santidade, saber o porquê do ódio, da raiva. Muitas dessas emoções estão em nosso inconsciente.

É preciso tomar passo da cura que Deus fez em nós, pois Ele quer nos fortificar, para perseverarmos no caminho do bem. Crer é como abrir a água da torneira.
 
Transcrição e adaptação: Luana Oliveira