terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Liturgistas refletem sobre o Sacramento do Matrimônio em 37ª Assembleia dos Liturgistas do Brasil e da 11ª Jornada Litúrgica



De 26 a 30 de janeiro, o bispo de Bonfim (BA), dom Hernaldo Pinto Farias, juntamente com os assessores da Comissão Episcopal para a Liturgia, participou da 37ª Assembleia dos Liturgistas do Brasil e da 11ª Jornada Litúrgica, realizadas na Casa de Retiro São José, na Ilha de Itaparica (BA). O encontro reuniu cerca de 90 participantes, entre liturgistas, teólogos e agentes interessados na temática litúrgica.

 
Dom Hernaldo, à direita, e assessores da Comissão para a Liturgia da CNBB.

“Sacramento do Matrimônio”
O tema central do encontro foi “Sacramento do Matrimônio: ritualidade, simbologia e teologia”. À luz do Concílio Vaticano II, que assumiu uma compreensão personalista do matrimônio, as reflexões destacaram a relação esponsal como verdadeiro lugar teológico.

Nessa perspectiva, o matrimônio é compreendido como um acontecimento no qual e pelo qual dois batizados, “penetrados pelo Espírito de Cristo, que impregna toda a sua vida de fé, esperança e caridade, avançam cada vez mais na própria perfeição e na mútua santificação, cooperando assim, juntos, para a glorificação de Deus” (Gaudium et spes, n. 48).

O frei Luís Felipe, assessor da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, apresentou a conferência “Teologia litúrgica do matrimônio: a relação humana elevada à dinamicidade do sacramento”. Em sua reflexão, destacou a importância da redescoberta da bênção nupcial como elemento teológico central para a compreensão sacramental do matrimônio.

Segundo ele, a bênção possui um peso decisivo, ao menos equivalente ao do consentimento, pois viver o matrimônio apenas a partir de sua dimensão jurídico-formal esgota sua realidade sacramental. A bênção, afirmou, coloca a compreensão do vínculo numa relação viva entre a iniciativa gratuita de Deus e a resposta livre da pessoa humana.


Também esteve presente o padre Rodolfo Chagas (foto ao lado), assessor da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, que ressaltou a relevância do tema para a pastoral familiar.

Em sua contribuição, destacou os itinerários de vivência e preparação para o matrimônio, sublinhando que, à luz da Amoris Laetitia, o sacramento não pode ser reduzido a uma convenção social, a um rito vazio ou a um mero sinal externo de compromisso, mas deve ser vivido como dom para a santificação e a salvação dos esposos.

Com informações e fotos da Comissão


Papa aos sacerdotes: “Não é tempo de retraimento, mas de presença fiel e disponibilidade generosa”


A mensagem de Leão XIV enviada à Assembleia Presbiteral da arquidiocese de Madri convida o clero ao discernimento, à comunhão fraterna e a um ministério centrado em Cristo diante dos desafios culturais do tempo presente.

Thulio Fonseca - Vatican News

“Queridos filhos, alegra-me poder dirigir-lhes esta carta por ocasião de sua Assembleia Presbiteral e fazê-lo a partir de um sincero desejo de fraternidade e unidade”. Com estas palavras de tom paterno, o Papa Leão XIV se dirigiu, nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, por meio de uma mensagem, aos sacerdotes da arquidiocese de Madri, reunidos no CONVIVIUM, a assembleia presbiteral convocada pelo arcebispo da capital espanhola, o cardeal José Cobo.

04/02/2026

A peculiaridade deste momento reside no fato de estarmos falando de uma arquidiocese com mais ou menos 2.600 presbíteros vivendo no seu território. Dentre eles, foram convocados os ...

O encontro reúne representantes da diversidade do clero madrilenho — cerca de 1.585 presbíteros com encargos pastorais, entre os aproximadamente 2.600 sacerdotes que vivem no território arquidiocesano — e se apresenta como uma oportunidade de comunhão e discernimento sobre “que tipo de sacerdote Madri precisa hoje”.

No texto, o Papa expressa gratidão pela dedicação cotidiana dos presbíteros e reconhece as dificuldades do ministério. “Sei que muitas vezes este ministério se desenvolve em meio ao cansaço, a situações complexas e a uma entrega silenciosa da qual só Deus é testemunha”, escreve, desejando que suas palavras cheguem como “um gesto de proximidade e de ânimo”.
Discernir o tempo presente

O Pontífice convida os sacerdotes a uma leitura profunda da realidade atual, marcada por processos de secularização e polarização cultural. “A fé corre o risco de ser instrumentalizada, banalizada ou relegada ao âmbito do irrelevante”, adverte, recordando também a perda de referências comuns que durante séculos favoreceram a transmissão da mensagem cristã. Apesar disso, Leão XIV identifica sinais de esperança, sobretudo entre os jovens. “No coração de muitas pessoas abre-se hoje uma nova inquietação”, observa, afirmando que a absolutização do bem-estar, uma liberdade desvinculada da verdade e o progresso material não conseguiram responder ao desejo profundo do ser humano.

Nesse contexto, o Papa sublinha que o tempo atual não é de fechamento nem de desalento. “Para o sacerdote, não é tempo de retraimento nem de resignação, mas de presença fiel e de disponibilidade generosa”, escreve, lembrando que “a iniciativa é sempre do Senhor, que já está agindo e nos precede com a sua graça”.

Sacerdotes reunidos durante a assembleia presbiteral.

Sacerdotes configurados com Cristo
Indicando o perfil de sacerdote de que a Igreja necessita hoje, o Papa afirma que não se trata de multiplicar tarefas ou buscar resultados imediatos. “Não homens definidos pela pressão dos resultados, mas homens configurados com Cristo”, capazes de sustentar o ministério a partir de uma relação viva com Ele, nutrida pela Eucaristia e expressa numa caridade pastoral marcada pelo dom de si:

"Não se trata de inventar novos modelos nem de redefinir a identidade que recebemos, mas de voltar a propor, com renovada intensidade, o sacerdócio em seu núcleo mais autêntico — ser alter Christus —, deixando que seja Ele quem configure a nossa vida, unifique o nosso coração e dê forma a um ministério vivido a partir da intimidade com Deus, da entrega fiel à Igreja e do serviço concreto às pessoas que nos foram confiadas."

Uma Igreja que é casa
Servindo-se da imagem da catedral, o Papa recorda que a Igreja é chamada a ser casa para seus sacerdotes e espaço de comunhão. Leão XIV também sublinha que "o sacerdote não vive para se exibir, mas tampouco para se esconder. Sua vida é chamada a ser visível, coerente e reconhecível, ainda que nem sempre seja compreendida". Toda a vida do padre é chamada a remeter a Deus e a acompanhar o passo em direção ao 
Mistério, sem usurpar o seu lugar:
“Filhos meus, ninguém deveria sentir-se exposto ou sozinho no exercício do ministério: resisti juntos ao individualismo que empobrece o coração e enfraquece a missão!”

Ao final da mensagem, Leão XIV retoma as palavras de São João de Ávila como síntese do caminho sacerdotal: “Sejam totalmente d’Ele”. E conclui com um apelo direto: “Sejam santos!”, confiando os sacerdotes à intercessão de Santa Maria da Almudena e concedendo a Bênção Apostólica a todos os que lhes foram confiados pastoralmente.

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EVANGELHO DO DIA (Mc 7,1-13)

ANO "A" - DIA: 10.02.2026
5ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Inclinai meu coração às vossas advertências e dai-me a vossa lei como um presente valioso!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. 2 Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado. 3 Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. 4 Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre. 5 Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: "Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?" 6 Jesus respondeu: "Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: 'Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 7 De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos'. 8 Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens". 9 E dizia-lhes: "Vós sabeis muito bem como anular o mandamento de Deus, a fim de guardar as vossas tradições. 10 Com efeito, Moisés ordenou: 'Honra teu pai e tua mãe'. E ainda: 'Quem amaldiçoa o pai ou a mãe, deve morrer'. 11 Mas vós ensinais que é lícito alguém dizer a seu pai e à sua mãe: 'O sustento que vós poderíeis receber de mim é Corban, isto é, Consagrado a Deus'. 12 E essa pessoa fica dispensada de ajudar seu pai ou sua mãe. 13 Assim vós esvaziais a Palavra de Deus com a tradição que vós transmitis. E vós fazeis muitas outras coisas como estas".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A vontade de Deus acima das tradições humanas: Onde está o seu coração?"

Estar próximo de Deus e honrar a Sua vontade
O Evangelho de São Marcos, hoje, vai dizer para nós o seguinte: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (cf. Marcos 7,1-13)

Hoje, é dia de Santa Escolástica, irmã de São Bento. Nós queremos aprender com ela a ultrapassar as regras, os preconceitos e os preceitos que nós vamos criando ao longo da nossa vida e confiar na oração.

Primazia do amor. Aqui está sendo denunciado o perigo de colocar as tradições humanas acima da vontade de Deus. É o grande perigo que o mundo materialista e imediatista tem realizado na vida das pessoas. Colocar as coisas deste mundo acima da vontade de Deus, transformando a fé em mera formalidade é o grande perigo. Por isso Jesus vai dizer: “Este povo me honra com os lábios, mas o coração está longe de mim”.

O perigo da fé baseada em formalidades
Jesus recorda que a verdadeira pureza vem do coração, e não das práticas externas. Muitas vezes, as pessoas fazem coisas para mostrar que vivem uma vida de santidade, uma vida de pobreza, de castidade, mas o coração está longe de Deus. Faz apenas para querer agradar as outras pessoas. Jesus está denunciando tais práticas. Quando o homem substitui o amor e a misericórdia por rituais vazios, a religião perde o sentido.

Por que, muitas vezes, as pessoas se afastam de Deus? Pelo mau testemunho que muitos cristãos têm dado por aí, colocando a misericórdia de lado e confiando nos rituais. Isso estraga a fé.
Santa Escolástica e a primazia do amor

Por isso, meus irmãos, há exemplos de Santa Escolástica, que dedicou a vida à oração e à contemplação. São Gregório Magno mostra algo importante da vida de Santa Escolástica: o verdadeiro espírito do Evangelho.

Certa vez, Escolástica pediu para que seu irmão, São Bento, permanecesse com ela num colóquio espiritual que eles estavam vivendo, falando das coisas de Deus. São Bento, fiel à sua regra, recusou-se. Então, Escolástica rezou com o coração para que ele permanecesse ali, e veio, de repente, uma forte tempestade que impediu São Bento de voltar ao mosteiro. São Bento, então, disse admirado: “Deus atendeu a oração porque amastes mais”. Ele estava preocupado só com a regra. Sua irmã, Escolástica, estava preocupada em fazer a vontade de Deus.

Que o Senhor nos ajude a colocá-Lo em primeiro lugar, e não os rituais nem as práticas externas.

Que Deus nos abençoe em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Pe Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


O que é a Consagração a São José e como se preparar para vivê-la


O significado da Consagração a São José
A Consagração a São José é um ato de entrega a Deus. É uma atitude pessoal de alguém que sabe que veio de Deus e que tudo o que tem veio d’Ele, e sente no coração não pertencer a este mundo, mas ser pertença de Deus, e por isso busca auxílio espiritual em São José, porque foi a ele que o Pai do Céu confiou a vida de Jesus para que o guiasse até a vida adulta e, assim, Jesus pudesse realizar o que o Pai desejava: “Salvar o povo dos seus pecados e abrir-lhe a inteligência e o coração à graça salvífica de Deus”.

Mas também esta consagração serve para aqueles que estão longe de Deus, longe da Igreja e que precisam deste encontro, desta mudança de vida. Portanto, é para todos.

José João, missionário da Canção Nova – Foto: Bruno Marques

A Consagração como escola de formação espiritual
A Consagração a São José é como uma escola de formação, onde nos deixamos guiar pela presença silenciosa e discreta do carpinteiro de Nazaré, que docilmente se abriu à ação do Espírito Santo para ser o casto esposo da Virgem Maria e pai nutrício do Filho de Deus.

São José também quer ser seu pai espiritual por meio desta consagração. Ele deseja levá-lo a amar Jesus como Ele ama, a entregar-se a Jesus como Ele se entregou, a escutar a Deus como Ele escutou, a obedecer a Deus como Ele obedeceu e, assim, viver uma vida inteira dedicada a Deus no escondimento da vida interior.

Filhos espirituais de São José
Muito mais do que devotos de São José, precisamos ser filhos espirituais dele, pois o próprio Deus o cumulou de uma paternidade tão grandiosa ao lhe conceder ser sinal de Sua presença para o Menino Jesus que não podemos duvidar de que a missão de São José não terminou em si mesma com a Sagrada Família, ao nutrir e proteger o Menino Jesus e a Virgem Maria, mas continua.

Deus estendeu a missão de São José para que chegasse até nós, para que aprendêssemos dele a escuta, a humildade, a obediência e a prontidão em tudo fazer a vontade do Pai Celeste.

Deus quer nos abençoar por meio da paternidade de São José para que aprendamos a honrar sua virgindade, sua paternidade e todas as graças que Deus lhe concedeu em sua nobre missão, para assim termos paz em nossos corações ao nos tornarmos imitação de São José neste mundo.

José João e São José – Foto: Bruno Marques
Frutos da Consagração a São José

Por meio da Consagração a São José, afirmamos que somos de Deus e que a Ele pertencemos. Nós nos decidimos, com os esforços que forem necessários e o auxílio de Sua graça, a nos empenhar para sermos imitadores deste humilde e grandioso patriarca, São José. Além do crescimento espiritual que teremos, pois o próprio nome de São José significa “aquele que acrescenta”.

Como pai adotivo e escolhido por Deus para cuidar de Jesus, São José é o pai espiritual que todos nós precisamos para guiar nossas almas e nos aproximar de Deus. Assim como São José, ao longo dos séculos, ajudou tantos santos e santas da Igreja a viver na vontade de Deus, não tenho dúvidas de que ele também quer fazer isso conosco.
Como fazer para me consagrar a São José?
O que é necessário para começar a Consagração?

Tudo o que você precisa ter é disposição de coração e perseverar no itinerário que estarei fornecendo para você se consagrar.

Este ano, além do método atual de consagração individual, estarei apresentando o método da Consagração das Famílias a São José. Todo o conteúdo é gratuito e será enviado via WhatsApp, por meio de grupos fechados (acesse um dos canais).
Como funcionará a preparação?33 dias de exercícios espirituais, meditando as virtudes e glórias de nosso pai espiritual, além das orações para cada dia.
Utilizaremos o método do livro Consagração a São José, do padre Donald Calloway, para a consagração individual; e, para as famílias, o livro Consagração a São José para crianças e famílias, de Scott L. Smith Jr., ambos publicados pela Editora Eclesiae. Você pode adquirir diretamente no site da editora.
Você terá acesso ao roteiro diário da preparação, com a proposta de cada dia para te ajudar a se preparar.
Poderá tirar dúvidas por meio do WhatsApp com José João, missionário da Comunidade Canção Nova e moderador da preparação.

Começaremos dia 15 de fevereiro e nos consagraremos dia 19 de março. Cada um fará a Consagração em sua cidade.
Links oficiais da Consagração a São José 2026


Acampamento de São José – Comunidade Canção Nova
A Comunidade Canção Nova convida você a participar, de 19 a 22 de março, do Acampamento de São José, em Cachoeira Paulista–SP. O evento contará com a presença do Padre Donald Calloway, sacerdote norte-americano e autor do livro Consagração a São José.

Santa Escolástica

Escolástica, irmã gêmea de São Bento, o pai do monaquismo ocidental, nasceu em Núrcia, Úmbria, na Itália central, em 480. A mãe faleceu no parto dos irmãos, que desde sempre foram gêmeos também na vocação religiosa e de fundadores de mosteiros. Escolástica inclusive abraçou antes que Bento a vida monástica, quando este estudava retórica em Roma.

Escolástica e suas monjas seguiam a regra beneditina, e ela buscava a solidão na oração ou conversas pias sobre assuntos de Deus. Estes colóquios lhe eram muito edificantes e felizes com o irmão. Os respectivos mosteiros, masculino e feminino, dos irmãos, ficavam próximos, mas por motivo de mortificação e ascese eles se encontravam apenas uma vez por ano, numa propriedade do mosteiro de Monte Cassino onde Bento era abade.

Segundo a biografia de ambos escrita por São Gregório Magno, a partir de testemunhas oculares, no ano de 543, compreendendo que sua morte estava próxima, Escolástica foi como de costume visitar Bento, que desceu do seu mosteiro com alguns irmãos para encontrá-la. Passaram o dia juntos em santa comunhão e conversação, jantaram, e, à mesa, ela lhe pediu que ficassem ali naquela noite, falando sobre as coisas de Deus. Bento recusou-se, pois isto seria contra as regras do mosteiro.

Ela então rezou em silêncio, e o tempo, antes calmo e agradável, transformou-se numa chuva tão violenta que Bento e seus monges não podiam sequer sair da sala onde se encontravam. Ele se queixou, dizendo: “Que Deus onipotente te perdoe, irmã! Que fizeste?” Ao que ela respondeu: “Eu pedi a ti e não me quiseste ouvir; pedi ao Senhor, e Ele me escutou. Sai pois agora, se podes!”. Assim, passaram a noite em santas conversas, e no dia seguinte Bento retornou a Monte Cassino. Dias depois, ele teve a visão da alma da irmã, indo para o Céu. Mandou então buscar o seu corpo e o depositou na tumba que havia preparado para si, no próprio mosteiro. Pouco tempo depois, também ele faleceu.

Santa Escolástica é invocada nas situações em que o clima está hostil. A sua memória litúrgica, a 10 de fevereiro, é obrigatória.

Reflexão:

A busca do silêncio para a oração, e das boas conversas, evitando assuntos frívolos e vãos, bem como a companhia das pessoas de Deus é um exemplo de como devemos orientar a nossa vida, A comunhão fraterna, não apenas com os irmãos naturais, mas também com os de espírito, é uma vocação universal, refletido não apenas na vida de Santa Escolástica, mas igualmente no seu nome – pois “escolástica” se refere ao ensino da Igreja na Idade Média, conciliando as ideias de racionalidade de Aristóteles com a Fé da Verdade revelada.

Oração:

Deus, Pai de toda a Humanidade, concede-nos por intercessão de Santa Escolástica a busca constante do amor aos irmãos, a partir da comunhão Convosco, de modo a que Vossa família não seja separada nem na morte, mas permaneça unida desde já, pelas torrentes da Vossa graça, no clima de paz que infinitamente desejais para nós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e a Virgem Maria, Vossa e nossa Mãe. Amém.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

CF: mais de 60 anos unindo fé, solidariedade e compromisso social; em 2026, a moradia volta ao centro do debate


Criada há mais de seis décadas, a Campanha da Fraternidade (CF) se consolidou como uma das principais iniciativas evangelizadoras e sociais da Igreja no Brasil. Realizada todos os anos durante a Quaresma, a ação mobiliza comunidades católicas em todo o país para unir oração, reflexão e atitudes concretas em favor dos mais vulneráveis. Em 2026, o tema escolhido retoma um desafio histórico do país: o direito à moradia digna.
Como surgiu a Campanha da Fraternidade?


A Campanha da Fraternidade nasceu na Quaresma de 1962, em Nísia Floresta (RN), por iniciativa de dom Eugênio de Araújo Sales. Desde o início, foi pensada como uma mobilização ampla, com tempo determinado e arrecadação financeira, uma verdadeira campanha de solidariedade voltada à promoção da fraternidade cristã por meio da ajuda aos mais necessitados.

No ano seguinte, a experiência foi ampliada para as três dioceses do Rio Grande do Norte e mais 13 dioceses do Nordeste, alcançando grande adesão, especialmente em Fortaleza (CE), sob o impulso de dom José de Medeiros Delgado.

Ainda em 1963, durante o Concílio Vaticano II, os bispos brasileiros decidiram levar a iniciativa para todo o país. A decisão foi comunicada por dom Helder Câmara, então secretário-geral da CNBB. Assim, em 1964, a CF passou a ser realizada em âmbito nacional, sob os cuidados da Cáritas e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Desde então, tornou-se expressão de comunhão, conversão e partilha, alcançando comunidades em todos os cantos do Brasil.

Por que a CF aborda temas sociais?
A fraternidade é o foco permanente da Campanha. Já o tema anual busca iluminar situações concretas em que essa fraternidade está ameaçada ou ausente, exigindo conversão pessoal e transformação social.

Ao longo dos anos, a CF passou a ter um caráter formativo e participativo, ajudando a construir consciência cristã e cidadã. Além da reflexão, mantém o chamado “gesto concreto”: a Coleta Nacional da Solidariedade.
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Do valor arrecadado, 60% permanecem nas arquidioceses, formando os Fundos Arquidiocesanos de Solidariedade, que apoiam projetos locais. Os outros 40% compõem o Fundo Nacional de Solidariedade, destinado a iniciativas sociais em todo o Brasil.

Dessa forma, fé e ação caminham juntas, fortalecendo a dimensão sociocaritativa da Igreja.
CF 2026: Fraternidade e Moradia

A cada ano, os bispos do Conselho Episcopal Pastoral da CNBB (CONSEP) acolhendo as sugestões vindas dos regionais, dos organismos do Povo de Deus, das Ordens e Congregações Religiosas e dos fiéis leigos e leigas, escolhem um tema e um lema para chamar a atenção sobre uma situação que, na sociedade atual, necessita de conversão, em vista da fraternidade, do bem comum.

Para 2026, acolhendo sugestão da Pastoral da Moradia e Favelas, os bispos escolheram o tema “Fraternidade e Moradia”, com o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).

A proposta convida os cristãos a refletirem sobre a realidade habitacional do país. Embora a moradia digna seja um direito garantido pela Constituição, milhões de brasileiros ainda vivem sem casa ou em condições precárias.


Atualmente 6,2 milhões de famílias não têm moradia adequada e 328 mil pessoas vivem em situação de rua.

Para a Campanha, a moradia digna é a porta de entrada para todos os demais direitos. Sem ela, faltam segurança, saúde, educação e dignidade. A CF 2026 quer estimular comunidades, poder público e sociedade civil a buscar soluções concretas para enfrentar o déficit habitacional e fortalecer políticas públicas de habitação.


“É bom que todos nos perguntemos: por que estão sem casa estes nossos irmãos? Não tem um teto, por quê?”
A moradia já foi tema da CF em 1993

Esta não é a primeira vez que a Igreja coloca a questão da moradia em destaque. Em 1993, a Campanha da Fraternidade trouxe o tema “Moradia” e o lema “Onde moras?” (Jo 1,39).

Naquele ano, a CF denunciou a desigualdade urbana e o contraste entre a “cidade legal”, planejada e estruturada, e a “cidade irregular”, marcada por favelas, cortiços, ocupações e moradias precárias.

A reflexão apontou problemas como especulação imobiliária; má distribuição do solo urbano; falta de saneamento e investimentos públicos; crescimento de favelas em áreas de risco e histórico de exclusão habitacional das populações pobres.

Entre as propostas estavam a regularização de áreas ocupadas, construção de moradias populares, subsídios habitacionais, infraestrutura urbana e fortalecimento de associações comunitárias e da Pastoral da Moradia.

A edição de 1993 reafirmou o compromisso evangélico da Igreja com os mais pobres e defendeu a casa própria como condição básica para a dignidade, a vida familiar e o exercício da cidadania.
Fé que se transforma em ação

Ao retomar a temática da moradia em 2026, a Campanha da Fraternidade reforça sua missão histórica: transformar a espiritualidade quaresmal em compromisso concreto com a justiça social.

Mais do que uma iniciativa anual, a CF segue sendo um convite permanente à conversão do coração e das estruturas, para que a fraternidade se torne realidade na vida do povo brasileiro.
Saiba mais






Por Larissa Carvalho | Ascom CNBB

Papa: autoridades garantam a segurança na Nigéria em meio à violência e ao terrorismo


"É com dor e preocupação que tomei conhecimento dos recentes ataques contra várias comunidades na Nigéria, que causaram graves perdas de vidas humanas", disse Leão XIV ao se referir inclusive a um dos piores massacres dos últimos meses, quando 175 pessoas foram mortas na terça-feira (03/02) no estado de Kwara. "Espero que as autoridades competentes continuem trabalhando com determinação para garantir a segurança e a proteção da vida de todos os cidadãos."

Andressa Collet - Vatican News

A população da Nigéria, que tem sofrido sistematicamente com uma onda de violência e sequestros, também está nas orações do Papa Leão XIV. Ao final da oração mariana do Angelus deste domingo (08/02), o Pontífice recordou de comunidades inteiras que têm sido abaladas pela insegurança por causa de dezenas de grupos armados locais que lutam por território:

"É com dor e preocupação que tomei conhecimento dos recentes ataques contra várias comunidades na Nigéria, que causaram graves perdas de vidas humanas. Expresso minha proximidade em oração a todas as vítimas da violência e do terrorismo. Espero que as autoridades competentes continuem trabalhando com determinação para garantir a segurança e a proteção da vida de todos os cidadãos."

Só no início desta semana (03/02), as autoridades locais disseram que a Nigéria viveu um dos piores massacres dos últimos meses, quando 175 pessoas foram mortas num dramático atentado nas aldeias de Woro e Nuku, no estado de Kwara, na fronteira com o estado do Níger. A região está sendo cada vez mais afetada por incursões armadas, sequestros e saques de gado. Durante o ataque, grupos armados também incendiaram casas e saquearam lojas, devastando a aldeia. Já no estado de Kaduna, nos últimos três dias, pelo menos 51 pessoas foram sequestradas e 6 foram mortas. A região, de maioria cristã, segundo fontes dos serviços de segurança nigerianos citadas pela agência de notícias AFP, seria a mesma onde em janeiro mais de 180 pessoas foram sequestradas e depois libertadas nos últimos dias.

Na comunidade católica de Karku, homens armados sequestraram 11 pessoas, incluindo um padre, e mataram outras 3, na área do governo local de Kajuru. A arquidiocese católica de Kafanchan confirmou o sequestro de um sacerdote: trata-se do Pe. Nathaniel Asuwaye, pároco da Igreja da Santíssima Trindade de Karku, na área de Kajuru. O ataque, conforme confirmado em um comunicado da arquidiocese, ocorreu por volta das 3 da madrugada entre sexta e sábado em sua residência e também causou a morte de três pessoas no que foi definido por testemunhas como “uma invasão por um grupo de terroristas”.

Reforço das medidas de segurança
Na sequência dessa devastadora série de ataques, o presidente nigeriano, Bola Tinubu, enviou um batalhão para o estado de Kwara, onde aconteceu o massacre de 175 pessoas e onde o exército tinha recentemente conduzido operações contra os chamados “elementos terroristas”. Nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelo ataque definido pelo presidente como “brutal”, mas o governo estadual acusou “células terroristas” e o presidente Tinubu atribuiu a responsabilidade aos jihadistas do Boko Haram. Segundo o chefe de Estado nigeriano, o ataque teria sido realizado contra os habitantes da aldeia que rejeitaram a ideologia dos jihadistas.

O Papa Leão XIV, ao final dos apelos neste domingo (08/02), voltou a fazer um forte apelo pela paz:
“Continuemos a rezar pela paz. As estratégias de poder econômico e militar – como nos ensina a história – não dão futuro à humanidade. O futuro está no respeito e na fraternidade entre os povos.”

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EVANGELHO DO DIA (Mc 6,53-56)

ANO "A" - DIA: 09.02.2026
5ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Jesus pregava a Boa-nova, o Reino anunciando, e curava toda espécie de doenças entre o povo.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 53 tendo Jesus e seus discípulos acabado de atravessar o mar da Galileia, chegaram a Genesaré e amarraram a barca. 54 Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus. 55 Percorrendo toda aquela região, levavam os doentes deitados em suas camas para o lugar onde ouviam falar que Jesus estava. 56 E, nos povoados, cidades e campos onde chegavam, colocavam os doentes nas praças e pediam-lhe para tocar, ao menos, a barra de sua veste. E todos quantos o tocavam ficavam curados.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A sua fé te permite reconhecer a presença de Deus no seu dia a dia?"

Como o encontro com Cristo transforma nossa vida
O Evangelho de Marcos, capítulo 6, versículos 53 a 56, vai nos ajudar nessa compreensão: “Tendo Jesus e os discípulos, atravessado o lago, chegaram a Genesaré e amarraram a barca. Logo que saíram da barca, as pessoas reconheceram Jesus. E onde quer que Ele entrasse, nos povoados, cidades ou campos, colocava as mãos sobre os doentes nas praças e pedia que o tocasse ao menos na barra de seu manto. E todos que tocavam ficavam curados” (Marcos 6,53-56).

Hoje, nós vamos contemplar algo importante: reconhecer Jesus e nos aproximarmos d’Ele com fé, pois isso transforma a nossa vida! Aproxime-se com fé.

O texto começa com algo essencial: “Logo que saíram da barca, as pessoas reconheceram Jesus”. Esse reconhecimento é o primeiro passo da fé, ou seja, a multidão não via apenas um homem.

Onde encontrar o Senhor hoje?
As pessoas viam Deus em Jesus, ou seja, reconheciam que Ele era Deus, Aquele que cura, Aquele que liberta e traz vida. Hoje, eu e você somos chamados a reconhecer a presença de Cristo nas situações simples do nosso dia a dia: no nosso irmão, na 
Eucaristia, na Palavra… Quantas vezes, Ele está diante de nós, mas não o reconhecemos?!

Por isso, meus irmãos, minhas irmãs, o povo não ficou parado, diz o Evangelho, mas percorreu toda a região e levou as pessoas que estavam doentes até o Senhor, ou seja, o movimento de reconhecer quem é Jesus nos leva a sair e ir ao encontro d’Ele. Isso é fé!

A fé como movimento e ação
Quem garantiria que Jesus curaria aquelas pessoas? A fé. Por isso os levaram até Jesus.

A fé verdadeira move, coloca em movimento. Não é teoria, mas ação. Quem não reconhece Jesus não vai ao Seu encontro. Mas quem o reconhece faz de tudo para estar na Sua presença. Termino perguntando para você: Está fazendo tudo para estar na presença de Jesus? Ou a sua fé ainda é pequena demais para reconhecê-Lo como Senhor e Salvador?

Que o Senhor nos ajude a não perdermos essa graça e que sejamos firmes na nossa esperança para sempre reconhecermos que Ele é o Senhor da nossa vida e da nossa história.

Que Deus nos abençoe em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova