sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Escuta, fé e território: CPP encerra Assembleia Nacional e mergulha na missão para o próximo triênio


Reunindo agentes de pastoral, pescadores e pescadoras artesanais, bispos, representantes de movimentos sociais e organizações parceiras de todo o país, a Assembleia Nacional do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP) foi realizada entre os dias 3 e 7 de fevereiro, em Luziânia (GO), no Centro de Formação Vicente Cañas, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

O encontro teve como principais objetivos avaliar a caminhada pastoral do último triênio, analisar a conjuntura eclesial, social e política que incide sobre os territórios pesqueiros e definir as diretrizes que orientarão a atuação do CPP nos próximos três anos. A programação foi encerrada com a eleição do novo secretariado nacional, a aprovação de encaminhamentos estratégicos e a reafirmação do compromisso da pastoral com a defesa da vida, dos territórios e dos direitos dos povos das águas.


A barca do CPP segue guiada pela escuta e pela fé
O momento eletivo do CPP foi vivido como um processo de discernimento coletivo, enraizado na espiritualidade das comunidades e na identidade pastoral construída nos territórios. Conduzido por dom José Altevir, presidente do CPP, o tempo de oração e reflexão enfatizou a sinodalidade, a escuta e o discernimento, inspirados nos textos bíblicos, na mística das águas e nos ensinamentos do Papa Francisco e do Papa Leão XIV, como fundamentos para escolhas responsáveis e para o caminhar da pastoral junto aos povos das águas.

“É momento de agradecer a caminhada realizada, avaliar os desafios enfrentados e fortalecer nosso compromisso profético diante das ameaças que recaem sobre as águas, os territórios e as comunidades tradicionais”, dom José Altevir, bispo da prelazia de Tefé (AM) e presidente do CPP.

Ao final da contagem dos votos, a Assembleia elegeu o novo Secretariado Nacional do CPP para o ciclo que se encerrará em 2029, composto por dom José Altevir, bispo da Prelazia de Tefé (AM), na presidência; dom Evaldo Carvalho dos Santos, bispo da diocese de Viana (MA), na vice-presidência; Gilberto Lima na Secretaria-Executiva; Shirley Almeida na Secretaria de Economia Solidária; Luciano Galeno na Secretaria de Direitos e Organização; Marcos Brandão na Secretaria de Território e Meio Ambiente; e Isabel Silva como Ecônoma, consolidando uma direção marcada pelo compromisso com a organização comunitária, a espiritualidade das águas e a luta por direitos nos territórios, celebrada com falas e manifestações das pessoas eleitas.

Em mensagem dirigida à Assembleia, o novo vice-presidente do CPP, dom Evaldo Carvalho, expressou surpresa e disponibilidade ao acolher a missão, reafirmando o compromisso de caminhar ao lado das comunidades pesqueiras e da direção nacional da pastoral.

“Manifesto minha disposição de caminhar com esta pastoral em espírito de sinodalidade para que nossos irmãos e irmãs pescadores e pescadoras tenham seus direitos respeitados e assegurados para que todos e todas tenham vida em abundância. Que Deus os abençoe, os anime e os fortaleça sempre mais no compromisso e testemunho profético como membros da Pastoral!”, disse o bispo.


Conjuntura, escuta e compromisso com o Bem Viver dos povos
A programação também foi composta pela leitura da conjuntura eclesial e política, retomando o Concílio Vaticano II, o projeto de renovação pastoral e os desafios atuais para uma Igreja comprometida com a justiça social. A análise foi conduzida pelo padre Mardonio Brito, agente de pastoral do CPP Maranhão e sacerdote da diocese de Brejo (MA), e pelo padre Edinho Thomassim, assessor da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cepast-CNBB), que refletiram sobre as transformações do cenário eclesial e social contemporâneo e seus impactos no trabalho das pastorais sociais.

Outra mesa contou com contribuições do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), na figura da pescadora Ana Ilda Nogueira, que destacou as reivindicações das pescadoras e pescadores e a luta por direitos, ressaltando a relevância política desse debate, principalmente em ano eleitoral. Ayala Ferreira, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e Lara Estevão da assessoria jurídica da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e representante do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNGH), também colaboraram com falas a respeito de como o modelo de produção vigente intensifica conflitos e violências contra os territórios de comunidades ligadas à terra, às florestas e às águas.


Diretrizes para o próximo triênio: presença, organização e compromisso com os territórios
Com a nova secretaria definida e após os debates de conjuntura, a Assembleia Nacional avançou na consolidação das diretrizes que irão orientar a atuação da pastoral no próximo triênio. As propostas foram construídas em Grupos de Trabalho e aprovadas em plenária, com foco na missão pastoral, no fortalecimento da presença nos territórios pesqueiros e na ampliação da incidência política e das articulações institucionais. A assembleia reafirmou o compromisso com as comunidades da pesca artesanal, priorizando o acompanhamento de base e a defesa dos povos das águas, em diálogo com outras organizações e pastorais alinhadas à justiça socioambiental e climática.

Entre os encaminhamentos centrais, destacou-se a necessidade de fortalecer os Regionais, com acompanhamentos mais sistemáticos e maior articulação com igrejas locais, movimentos da pesca artesanal e organizações populares. A comunicação foi reconhecida como eixo estratégico da ação pastoral, tanto como ferramenta de mobilização quanto de formação e memória.

A assembleia também debateu a sustentabilidade da pastoral, o fortalecimento de projetos, o incentivo a iniciativas da economia solidária e a valorização de produtos das comunidades pesqueiras. No campo da formação,um aprofundamento em temas como saúde mental, juventudes e a compreensão do território como corpo e extensão da Casa Comum. Os encaminhamentos reforçam a perspectiva de uma pastoral enraizada nos territórios, com organização, cuidado e compromisso com a vida e a autonomia das comunidades.
60 anos do CPP

Para fechar o evento, a plenária levou seu olhar para a celebração dos 60 anos da pastoral, que acontecerá em 2028. O aniversário é compreendido não apenas como uma data festiva, mas como um marco pastoral e político capaz de reafirmar, interna e publicamente, a identidade e valores da organização. A reflexão destacou que o processo comemorativo deve ser construído com capilaridade, em diálogo com pescadoras e pescadores artesanais e demais pessoas que caminharam ao lado do CPP, alimentando a mística e o compromisso com a defesa da vida e dos territórios das águas.

Com essas definições, a Assembleia Nacional do CPP 2026 encerrou seus trabalhos reafirmando o compromisso da pastoral com a vida, os territórios e os povos das águas, projetando um novo triênio marcado pela organização coletiva, pela fé encarnada e pela esperança ativa que nasce do caminhar juntos e juntas.

Texto: Henrique Cavalheiro e Louise Campos / Comunicação do CPP, e João Palhares.

Rádio Vaticano: 95 anos sendo o eco da voz do sucessor de Pedro


Das ondas curtas de Marconi à inovação digital do Vatican News, o Programa Brasileiro celebrará 68 anos de história. Conheça mais sobre este serviço que, atuando de Roma, serve como ponte essencial entre o pulsar do coração da Igreja e a realidade lusófona.

Pe. Rodrigo Rios - Vatican News

Nesta quinta (12/02), celebramos um marco que une ciência, fé e comunicação: os 95 anos da Rádio Vaticano. Desde que Guglielmo Marconi, prêmio nobel de Física, entregou ao Papa Pio XI as chaves desta ferramenta de evangelização, a "voz do Papa" nunca mais deixou de ressoar além fronteira. O que começou com o solene discurso de Pio XI em latim, dirigido à "toda a criação", hoje se desdobra em mais de 40 idiomas, alcançando as periferias existenciais e geográficas, das aldeias da África às profundezas da Amazônia.

A ponte brasileira: fé e comunicação
O programa brasileiro nasceu em um momento de efervescência eclesial, em 12 de março de 1958. Naquela época, enquanto o mundo aguardava a transição entre Pio XII e o Papa Bom, João XXIII, o Brasil já se consolidava como o maior país católico do mundo.

Desde o primeiro responsável, o padre Antônio Aquino, até a equipe atual de sete profissionais integrados ao sistema Vatican News, o objetivo permanece inalterado: criar uma ponte entre a Santa Sé a e as dioceses brasileiras.

Silvonei José Protz, coordenador e voz emblemática do Programa Brasileiro, descreve essa missão não apenas como um trabalho, mas como um verdadeiro serviço espiritual: "Eu creio que é um privilégio para mim e também para todos os meus colegas que cada vez que nós realizamos uma crônica ou uma transmissão dos eventos papais, a nossa grande preocupação é fazer com que as pessoas que nos seguem através do rádio, da televisão e das redes sociais, possam rezar com o Santo Padre. Esse é o grande desafio a cada transmissão que a gente faz".

Presença multimídia e marcos históricos
Se na década de 30 operava com ondas curtas experimentais, a Rádio Vaticano hoje possui uma forte presença digital. Através de satélite, portal, YouTube e redes sociais, o conteúdo chega a centenas de emissoras parceiras em todo o território brasileiro.

Para Silvonei, a relação com as rádios locais é o que dá vida ao projeto: "É importante mais uma vez a gente recordar que existimos porque existe uma Igreja no Brasil. Portanto, a nossa especificidade aqui é levar o magistério petrino para a nossa realidade. E essas emissoras de rádio espalhadas em todo o Brasil nos abrem portas e janelas todos os dias para que a gente possa chegar com a mensagem do Papa. Portanto, é um relacionamento em crescimento”.

Ainda conforme o jornalista e doutor em comunicação, olhar a Igreja a partir de Roma oferece uma perspectiva única, mas sem distanciamento afetivo: “trabalhando em sintonia com a CNBB e as dioceses; a equipe brasileira atua como parte integrante do corpo da Igreja. Temos hoje um lugar privilegiado para olharmos a igreja, mas fazemos parte dela também”.

Ao longo de quase um século, a Rádio Vaticano narrou a história da Igreja e dos acontecimentos do mundo. Silvonei José recorda com emoção momentos que marcaram sua trajetória e a de milhões de ouvintes. Ele destaca a intensidade do funeral de São João Paulo II, com quem trabalhou por 16 anos: "Foi um momento muito marcante porque perdíamos um pai. Estivemos na Sala Clementina antes do corpo ser levado à Basílica de São Pedro, foi algo vivido com muita intensidade e emoção, ao lado de pessoas tão caras como o padre Jonas Abib", recorda.

Mais recentemente, a rádio foi o elo que uniu o mundo à oração do Papa Francisco em 27 de março de 2020, durante a pandemia da Covid-19. Silvonei relata: "O Papa subindo a rampa da Basílica, sozinho na praça, rezando pelo fim da pandemia... ali ficou claro o que ele tanto dizia: estamos todos no mesmo barco e precisamos remar juntos”.

Jornalistas do Programa Brasileiro da Rádio Vaticano com o Papa Francisco, em outubro de 2024, durante Assembleia do Dicastério para a Comunicação

Equipe atual e grade de programação
Às vésperas de completar 68 anos de história no próximo mês, o Programa Brasileiro da Rádio Vaticano reafirma seu papel como ponte entre Roma e o Brasil. Sob a coordenação de Silvonei José, a atual redação do Vatican News é composta por sete profissionais: Thulio Fonseca, Andressa Collet, Bianca Fraccalvieri, Jackson Erpen, Mariângela Jaguraba e Raimundo de Lima. Juntos, eles formam o corpo editorial que traduz a comunhão entre o coração da Igreja e as paróquias e comunidades espalhadas pelo imenso Brasil.

A grade de programação é um verdadeiro mosaico de fé, informação e companhia espiritual para o mundo lusófono. Entre os destaques, estão os Boletins de notícias, transmitidos às 11h, 12h e 17h (horários de Roma), que trazem as principais atividades da Santa Sé e da Igreja no mundo, além das transmissões ao vivo dos grandes eventos do Santo Padre, como a Audiência Geral às quartas-feiras e o Angelus aos domingos. O conteúdo se completa com programas temáticos e podcasts como "Em Romaria" e "Porta Aberta", que aprofundam a reflexão cristã e a realidade das dioceses.

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EVANGELHO DO DIA (Mc 7,31-37)

ANO "A" - DIA: 13.02.2026
5ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Abri-nos, ó Senhor, o coração para ouvirmos a palavra de Jesus!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 31 Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32 Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33 Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34 Olhando para o céu, suspirou e disse: "Efatá!", que quer dizer: "Abre-te!" 35 Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. 36 Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37 Muito impressionados, diziam: "Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O poder de Jesus é a liberdade para o nosso coração"

Como o poder de Jesus rompe o silêncio da alma
Naquele tempo, Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia. Trouxeram então um homem surdo que falava com dificuldade e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. Jesus afastou-se com o homem para fora da multidão, em seguida colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá”, que quer dizer, abre-te. Imediatamente, seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade (Marcos 7,31-37).

Um homem aprisionado no silêncio, na incapacidade de exprimir o que sentia, o que pensava, o que desejava de mais belo da vida. Que coisa terrível, não é?

Você talvez já tenha passado pela dura experiência de não conseguir expressar com palavras aquilo que você sentia no seu interior. Como é terrível isso! Quantas pessoas sofrem com síndromes e outras doenças da alma, e se veem assim: aprisionadas no silêncio cruel de não saber nem poder se expressar.
A importância de ser levado ao encontro de Jesus pela comunidade

Ele, além da surdez, padecia da gagueira – mogiilalós. Felizmente, esse homem era amado por uma comunidade, porque o texto diz que o levaram até Jesus.

Como é louvável quando as nossas comunidades se tornam instrumentos que levam os irmãos até a presença de Jesus!

Traduzindo: uma comunidade que oferece solução de um drama a quem sofre, que aponta uma saída para aqueles que estão perdidos, que oferece perdão e misericórdia para os que erram… Essa era a comunidade que aquele surdo possuía.

Jesus o acolhe, chama-o à parte. O Senhor não faz do ministério dos milagres um show nem uma oportunidade de se exibir. Ele trata aquele homem surdo com descrição e personaliza o seu cuidado. Jesus exagera nos gestos, pois era essa a linguagem que aquele homem podia compreender.

O poder de Jesus no toque
Não há palavras. Jesus entra no silêncio que habitava o surdo há muitos anos e toca, inicialmente, os ouvidos, porque só quem sabe ouvir, sabe falar.

O gesto da saliva, que apareceu no texto do Evangelho, é impactante! Expressando uma coisa interessante: Jesus dá daquilo que há de mais íntimo, algo de dentro d’Ele, como se Ele comunicasse o Espírito àquele homem, o Espírito que dá a vida.

Jesus volta Seu olhar para o céu, comunicando-se com o Pai para devolver a comunicação àquele homem. Ele suspira e diz, no Seu dialeto aramaico, o que o texto deixou escapar aqui: Éfata! (abre-te!). Ele usa a língua do coração para estabelecer uma comunicação definitiva com aquele homem.

Imediatamente, o texto diz: o homem começou a falar corretamente, sem dificuldade. Agora, ele pode expressar o que tinha dentro do seu coração. O poder de Jesus também realizara isso em cada um de nós.

Sobre todos vós, desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Sem santidade não há conquista


Pregadora: Irmã Maria Raquel

Muitas pessoas me fazem a seguinte pergunta: “Irmã Maria Raquel, como saber qual é a vontade de Deus para a minha vida?” Porque a gente aprende que, na vontade de Deus, a gente é feliz. Então, muitas pessoas se perguntam: “Como saber qual é a vontade de Deus para mim?”

E eu vou lhe dizer que a vontade de Deus é que nós sejamos santos. A vontade de Deus para você, para os seus, para a sua família, é que sejam santos.
O que o mundo entende por santidade

E, ao contrário daquilo que o mundo entende por santidade, o mundo rotula a santidade como se fosse uma vida triste. Tem gente que, sem conhecimento de causa, olha para uma freira, para um consagrado, e diz: “Que pena dele! A vida dele é tão triste!”.

Que povo triste é esse aqui? Não para de pular e de celebrar, exalando alegria! Tem felicidade mais verdadeira do que essa? Eu desafio.
A felicidade verdadeira de quem caminha com o Senhor

Pode ter muita gente tão feliz como eu, mas não existe ninguém mais feliz do que eu nesta terra. E você pode dizer talvez o mesmo, se você decidiu caminhar com o Senhor.

Isso significa que não há dificuldades no caminho? Isso significa que a gente não atravesse períodos de crise? Isso significa que eu nunca derramo lágrimas de dor? Não.

Dificuldades, todos os dias. A cruz nos toca todos os dias. Mas a grande diferença exatamente está aí: é que essa felicidade, essa alegria, nos acompanha em todos os momentos.
Felizes na dor e na alegria

Somos felizes celebrando, louvando. Somos felizes também atravessando os mistérios dolorosos da nossa vida, porque a nossa felicidade vem dessa intimidade com o Senhor.

A dor passa, a cruz passa, a crise é vencida, a batalha é superada, mas essa alegria, essa felicidade permanece eternamente.

Santa Catarina de Ricci


Alexandra, da nobre família Ricci residente em Florença, Itália, nasceu em 1522, época em que se iniciava o transtorno herético de Lutero na Europa. Menina de sete anos, foi entregue à educação das irmãs beneditinas da cidade próxima de Prato, que nela despertaram o gosto pela vida monástica.

De fato, voltando para casa, manteve os costumes do mosteiro, mesmo no luxo, e, mais tarde, apesar do plano dos pais de casá-la com um distinto jovem de Florença, os convenceu a deixá-la abraçar a vida religiosa.

Entrou com muita alegria para o mosteiro dominicano de Pratos, onde, desejando imitar Santa Catarina de Sena, adotou-lhe o primeiro nome. Procurou logo crescer nas virtudes religiosas, cultivando a humildade nos trabalhos mais simples.

Com 25 anos, foi escolhida para mestra das noviças, e, posteriormente, superiora, cargo que ocupou quase ininterruptamente durante os demais 42 anos da sua vida. Nesta função, dirigia as irmãs pelo exemplo, sendo generosa, firme nas atitudes mas doce no trato, com equilíbrio e engenho.

Tomando como exemplo de vida espiritual Jesus Crucificado, desejava ardentemente partilhar os sofrimentos de Jesus no madeiro, sentindo-Lhe as dores da agonia. Recebeu assim dons místicos, de modo que, das quintas-feiras à tarde, quando começava a meditação da Paixão e Morte do Senhor, até as tardes do dia seguinte, entrava em êxtase e coparticipava das Suas dores.

A graça mística não a alienou dos compromissos da vida diária, nem a tornou vaidosa. Tornou-se conselheira espiritual de muitas pessoas, de todo o mundo, sendo consultada em assuntos teológicos e questões espirituais por sacerdotes, bispos e cardeais. Correspondeu-se também com vários Papas – Marcelo II, Clemente VIII, Leão XI, São Pio V –, São Carlos Borromeu e São Filipe Néri.

Escreveu muito sobre temas espirituais, e recomendava o domínio de si, a luta e mortificação dos sentidos para obter a paz e a alegria de espírito. Outras recomendações suas eram a devoção à sagrada Paixão e Morte de Cristo e a docilidade às inspirações de Deus, para que se pudesse então elevar a alma gradativamente, pelas provações, até o pleno abandono à vontade divina.

Faleceu em 2 de fevereiro de 1590, e sua data litúrgica é o dia 13 deste mês.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Enquanto Lutero pregava o afastamento prático da Cruz, Deus nos dava o exemplo da felicidade em Santa Catarina de Ricci, abraçando-a. O Mistério de Cristo e da nossa salvação sempre inclui situações que parecem contraditórias: profunda alegria e grandes sofrimentos, sejam físicos e/ou morais e emocionais. A chave do paradoxo é que a Verdade, isto é, o amor a Deus e ao próximo, leva ao afastamento do que é realmente mau, o pecado, muitas vezes disfarçado nos prazeres mundanos; e une ao que é Bom – “só Deus é Bom” (cf. Mc 10,18) – ou seja, à pureza da alma e da consciência, o que nos dá a paz em Cristo. Santa Catarina de Ricci não morreu martirizada, mas ao longo da vida provou das dores de Jesus na Cruz… muito trabalhou, assumiu grandes responsabilidades, e permaneceu humilde, alegre e doce. Assumir os sofrimentos de Cristo, voluntariamente, implica em afastar os sofrimentos sem sentido e vazios deste mundo: os primeiros têm a recompensa da paz, e a garantia divina de que jamais serão superiores às nossas forças e limitações assistidas pelas graças de Deus, enquanto os segundos só trazem desespero e frustração e não têm limite quanto à desfiguração do próprio ser. O que Deus quer para nós jamais pode nos fazer mal.

Oração:

Ó Deus, que sois o único Bom e o nosso verdadeiro Bem, e que distribuis as vocações e as graças somente por amor e sabedoria infinitas, concedei-nos pela intercessão de Santa Catarina de Ricci a inteligência e a vivência de buscar apenas a Vossa vontade nesta vida, para que com ela e Convosco possamos ser infinitamente felizes na próxima, participando aqui da Cruz para podermos ter a glória da Ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, que Convosco vive e reina para sempre, e Nossa Senhora, Rainha do Céu e da Terra. Amém.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Morre dom Alfio Rapisarda, representante diplomático da Santa Sé no Brasil de 1992 a 2002


Faleceu nesta quarta-feira, 11 de de fevereiro, o Núncio Apostólico Emérito em Portugal, dom Alfio Rapisarda. Ele atuou no Brasil, como Núncio Apostólico, representação diplomática da Santa Sé, de 1992 a 2002.

O funeral será celebrado na quinta-feira, 12 de fevereiro, às 10h, na paróquia de Santo Antônio de Pádua, em Monterosso Etneo, no sul da Itália, e na sexta-feira, 13 de fevereiro, às 9h30, na catedral de Catania, também na Itália. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou Nota de Pesar ao atual Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambatistta Diquattro.

Nota de pesar pelo falecimento de Dom Alfio Rapisarda

Estimado irmão, Dom Giambattista Diquattro,
Núncio Apostólico no Brasil

Recebemos, com pesar, a notícia do falecimento de Dom Aflfio Rapisarda, Núncio Apostólico Emérito em Portugal. Unimo-nos aos familiares e amigos e todos fiéis em oração pela alma deste nosso irmão e em gratidão a Deus pela vida doada em favor da evangelização com ardor missionário e amor à Igreja.

Por 10 anos, Dom Alfio serviu a Santa Sé como Núncio Apostólico no Brasil, cuidando de forma sempre atenta dos valores emanados pela diplomacia do Vaticano. Neste ano em que comemoramos o Bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, elevamos a Deus nossos agradecimentos pela atuação de dom Alfio em solo brasileiro, na certeza de que, com a sua atuação, os laços de fraternidade foram fortalecidos.

Que Maria, neste dia em que fazemos memória de Nossa Senhora de Lourdes, interceda por sua alma e que seja acolhido por Deus na plenitude da vida eterna.

Em Cristo,

Dom Jaime Cardeal Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo de Goiânia (GO)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Arcebispo de Olinda e Recife (PE)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers
Bispo Auxiliar de Brasília (DF)
Secretário-geral da CNBB
Biografia e trajetória eclesial

Dom Alfio Rapisarda foi ordenado padre no dia 14 de julho de 1957, pelo arcebispo Guido Luigi Bentivoglio e incardinado na arquidiocese de Catânia, na Itália. Licenciou-se em Direito Canônico. Tendo ingressado no serviço diplomático da Santa Sé em 1962, trabalhou posteriormente nas representações papais em Honduras, Brasil, França, Iugoslávia e Líbano.

Rapisarda foi nomeado pelo Papa João Paulo II como arcebispo titular de Canas e Núncio Apostólico na Bolívia em 22 de abril de 1979. Recebeu a ordenação episcopal no dia 22 de maio seguinte, na Basílica de São Pedro, pelo Papa João Paulo II; os principais co-consagradores foram Duraisamy Simon Lourdusamy, Arcebispo Emérito de Bangalore, e Eduardo Martínez Somalo, Arcebispo Titular de Thagora.

Em seguida, foi nomeado Pró-Núncio Apostólico no Zaire em 29 de janeiro de 1985 até ser transferido para o Brasil em 2 de junho de 1992. Por fim, em 12 de outubro de 2002, dom Alfio foi nomeado núncio no Portugal. Durante seu serviço, em 2004, Portugal e a Santa Sé assinaram uma nova concordata, substituindo uma desatualizada de 1940. O Papa Bento XVI aceitou a sua renúncia em 8 de novembro de 2008.


A oração de Leão XIV pelos enfermos na Gruta de Lourdes, no Vaticano



Ao final da Audiência Geral, conforme anunciado, Leão XIV dirigiu-se aos Jardins do Vaticano, onde acendeu uma vela diante da imagem da Imaculada Conceição e rezou com os enfermos presentes, por ocasião do Dia Mundial do Doente e da festa de Nossa Senhora de Lourdes. Ele também pediu a bênção de Deus para os médicos, enfermeiros e todos aqueles que acompanham os que sofrem.

Vatican News

É um dia muito bonito que nos faz recordar a proximidade de Maria, nossa mãe, que sempre nos acompanha e nos ensina tanto: o significado do sofrimento, o amor, o entregar a vida nas mãos do Senhor.

Com estas palavras o Papa Leão XIV se dirigiu ao grupo de enfermos que o aguardavam na manhã desta quarta-feira na Gruta de Lourdes, nos Jardins do Vaticano - como havia anunciado na Audiência Geral - após deixar a Sala Paulo VI. Diante da imagem de Nossa Senhora de Lourdes, o Santo Padre acendeu uma vela como sinal de sua oração "por todos os doentes, dos quais hoje, Dia Mundial do Doente, nos lembramos com particular carinho", disse ele durante a audiência. E assim dirigiu-se aos presentes na Gruta:

Hoje, neste Dia Mundial do Doente, queremos rezar em comunhão com todos aqueles que sofrem no mundo. Rezamos por vocês. Agradeço sinceramente o esforço de vir e nos acompanhar neste momento de oração, aqui diante de nossa mãe, Maria, em sua memória litúrgica, Nossa Senhora de Lourdes.

Uma bênção também para médicos, enfermeiros e auxiliares
Antes da oração da Ave Maria e da bênção dos participantes, o Pontífice concluiu:
Pedimos também a bênção do Senhor para vocês, para todos os doentes neste dia e sempre, e para todos aqueles que acompanham as ciências médicas, os doutores, os enfermeiros e as muitas pessoas que estão perto de nós, especialmente nos momentos mais difíceis.

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EVANGELHO DO DIA (Mc 7,24-30)

ANO "A" - DIA: 1202.2025
5ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Acolhei docilmente a palavra semeada em vós, meus irmãos; ela pode salvar vossas vidas!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 24 Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido. 25 Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. 26 A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. 27 Jesus disse: "Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos". 28 A mulher respondeu: "É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair". 29 Então Jesus disse: "Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha". 30 Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Fé persistente: O que aprendemos com a mulher cananeia"

O mistério do “não” de Jesus e a vitória da fé inabalável
“Naquele tempo, uma mulher que tinha uma filha com o Espírito impuro ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. Jesus disse: “Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-los aos cachorrinhos”. A mulher respondeu: É verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos debaixo da mesa comem as migalhas que as crianças deixam cair” (Marcos 7,24-30).

Sem um contexto adequado, nós podemos compreender essa cena de hoje apresentando um Jesus duro, rígido, insensível, machista. Ele está no território de fronteira, onde hoje é o atual Líbano. Vem uma mulher ao seu encontro, suplicando ajuda para sua filha. Inicialmente, Jesus a ignora completamente, não lhe dirigindo nem mesmo uma palavra.

Depois, a pedido dos discípulos, Ele responde com um “não” seco. A mulher não se dá por vencida, ela insiste. E Jesus solta-lhe um provérbio que parece ofensivo: “Não é justo tirar o pão dos filhos e dá-los aos cachorrinhos”. A tradução usa o diminutivo Kynaria como uma referência “cachorrinhos” aos povos infiéis e pagãos que não cultuavam o Deus verdadeiro, mas sim outros deuses. Então, essas pessoas acabavam recebendo esse adjetivo.
A fé persistente

Diante dessa afirmação chocante de Jesus, a mulher responde com muita humildade e com mais fé ainda: “Os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa dos seus donos”.

Parece que Jesus estava cavando o tesouro precioso da fé, escondido no coração daquela mulher pagã. Tanto que, ao final, Ele faz um belo elogio dizendo: “Mulher, grande é a tua fé!”.

Deus não nos dá migalhas, Ele nos dá o Tudo
Nosso Deus não nos deu migalhas, Ele nos deu tudo, Ele nos deu o Seu Filho e, hoje, certamente, está disposto a oferecer a você a Sua graça, o Seu perdão, o Seu amor, para satisfazer os anseios do nosso coração.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Pe Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova