quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Comissão Episcopal para a Juventude atualiza e disponibiliza cartilha “Cuidar da Vida” sobre prevenção ao suicídio


A Comissão Episcopal para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece a cartilha Cuidar da Vida revisada e atualizada. O material oferece subsídios para agentes de pastoral, educadores e lideranças que desejam desenvolver ações de prevenção do suicídio e promoção da vida entre adolescentes e jovens.

A iniciativa, aprovada pela CNBB e proposta pela Comissão Episcopal para a Juventude, nasceu da preocupação com a realidade enfrentada pelas novas gerações e da necessidade de preparar lideranças para reconhecer situações de sofrimento, promover a escuta e fortalecer redes de cuidado.

Desde 2024, o projeto vem percorrendo diferentes regiões do país, formando multiplicadores para a prevenção do suicídio e a promoção da vida. As formações presenciais passaram por Cuiabá (MT), Manaus (AM), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Imperatriz (MA) e São Paulo (SP), reunindo participantes de diferentes regionais da CNBB.

Em janeiro de 2025, uma edição especial foi realizada em Nova Santa Rita (RS), ampliando esse processo de formação. Ao todo, 193 participantes foram capacitados nas sete edições realizadas. A proposta é que esses agentes levem os conhecimentos adquiridos para suas dioceses, pastorais, grupos e movimentos juvenis e também para os espaços educacionais. Uma formação que se multiplica

Projeto Cuidar da Vida
O projeto Cuidar da Vida foi desenvolvido em parceria com a Pastoral Juvenil e a Pastoral da Educação, contando também com a colaboração voluntária de psicólogos e educadores católicos que unem conhecimento profissional e experiência pastoral.

A formação busca preparar lideranças para atuar na prevenção do suicídio entre adolescentes e jovens, especialmente nos ambientes onde eles vivem, estudam, convivem e desenvolvem sua experiência de fé.

A ideia de multiplicação está no centro da proposta. Quem participa da formação é chamado a compartilhar os conhecimentos em sua realidade local, ampliando uma rede de pessoas preparadas para promover o cuidado, identificar sinais de sofrimento e encaminhar situações que necessitem de acompanhamento especializado.

Dessa forma, o projeto não se limita às pessoas que participaram diretamente das formações. Cada multiplicador torna-se uma ponte para que o cuidado chegue a novas comunidades e grupos.

A cartilha: fruto de um caminho pela vida
É nesse contexto que a Comissão Episcopal para a Juventude disponibiliza a edição revisada e atualizada da cartilha Cuidar da Vida.

O material oferece subsídios para agentes de pastoral, educadores e lideranças que desejam desenvolver ações de prevenção do suicídio e promoção da vida entre adolescentes e jovens.

A cartilha também contempla o cuidado e o consolo às pessoas e famílias que enfrentam a perda de alguém por suicídio, reconhecendo que a atenção não termina diante da perda, mas continua no acolhimento daqueles que permanecem.

Mais do que um material de consulta, a publicação representa a continuidade de um trabalho que vem sendo construído em diferentes partes do Brasil. A cartilha é fruto de um caminho de formação e uma ferramenta para que esse caminho continue se multiplicando.

Cuidar da vida é missão permanente
A promoção da vida das juventudes é uma responsabilidade que ultrapassa o mês de setembro. O Setembro Amarelo contribui para ampliar a conversa sobre prevenção do suicídio, mas o cuidado precisa estar presente durante todo o ano, nos espaços de convivência, nas comunidades, nas escolas, nas famílias e também na vida pastoral.

Ao incentivar a formação de multiplicadores, a Igreja no Brasil busca fortalecer comunidades capazes de acolher, escutar e acompanhar adolescentes e jovens em suas diferentes realidades.

O projeto Cuidar da Vida expressa, assim, uma escolha: estar ao lado das novas gerações e trabalhar para que cada vida seja cuidada e valorizada.

A Comissão Episcopal para a Juventude convida dioceses, paróquias, comunidades, pastorais, movimentos, escolas e demais espaços que acompanham adolescentes e jovens a conhecerem e utilizarem o material.

Cartilha “Cuidar da vida – Prevenção de suicídio entre adolescentes e jovens” Baixar

Baixe AQUI gratuitamente a cartilha “Cuidar da Vida – Prevenção do Suicídio entre Adolescentes e Jovens” e ajude a multiplicar essa rede de cuidado e promoção da vida.


Leão XIV: o renascimento da fé na França é uma esperança para toda a Igreja


Na Audiência Geral, Leão XIV fala sobre a recente viagem apostólica ao país, ainda com impressões "tão vivas" e relembra os momentos vividos com os fiéis e a “inesquecível” Vigília dos jovens. A Catedral de Notre-Dame restaurada é um sinal de que é possível a “colaboração entre a Igreja, o Estado, as instituições públicas e a sociedade civil” e “a sinergia em prol do bem comum”. De Metz, a lição de que a Europa pode se renovar como um projeto de paz.

Andressa Collet - Vatican News

O Papa Leão XIV procurou compartilhar com os fiéis presentes na Praça São Pedro as suas reflexões e impressões "ainda tão vivas" da recente viagem apostólica à França que teve como tema“Pour que le monde ait la vie” — “Para que o mundo tenha vida” (cf. Jo 6, 51). Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (30/09), o Pontífice deu detalhes dos quatro dias no país, divididos em três etapas: Paris, Lourdes e Metz. Após os agradecimentos pela acolhimento e organização, tanto a autoridades e pastores da Igreja como "à multidão que quis encontrar o Papa ou simplesmente saudá-lo nas ruas como apóstolo de Cristo e mensageiro da paz. Obrigado a todos!".

O renascimento da Catedral de Notre-Dame
Ao começar a falar sobre a visita pastoral realizada de 25 a 28 de setembro, o Pontífice quis destacar o grande símbolo da Catedral de Notre-Dame em Paris que, há apenas 7 anos, "parecia mortalmente ferida" pelo incêndio de grandes proporções que sofreu. Mas ela foi reconstruída e está mais resplandecente do que nunca, tanto que o Papa celebrou as Vésperas em honra da Santíssima Virgem Maria no local, com uma liturgia solene e jubilosa. A catedral de Paris, continuou o Pontífice, "com o drama que viveu", ensina que a Igreja e a sociedade civil podem trabalhar juntas pelo bem comum, "oferecendo uma chave de leitura que eu resumiria numa única palavra: renascimento":

"Tal sinergia em prol do bem comum deveria ser o padrão de atuação para as instituições, forças políticas e sociais, e para todos aqueles que detêm responsabilidades cívicas e econômicas. É esta a mensagem que desejei transmitir às autoridades francesas, bem como aos membros da Unesco — a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, com sede em Paris —, ao destacar o critério fundamental sobre o qual tal colaboração deve assentar: a dignidade da pessoa humana."

Fazendo um paralelo com outro compromisso na capital francesa, a vigília dos jovens no Stade de France, "dois cenários completamente diferentes, mas dois acontecimentos complementares — quase espiritualmente unidos. O que os unia? A Igreja, que não é feita de pedra nem de cimento, mas de pessoas que amam Jesus Cristo porque foram amadas por Ele", disse o Papa. Assim como foi o encontro no lar Maison Bakhita que acolhe pessoas em situação de necessidade, um lugar com o "compromisso diário de servir a dignidade da pessoa humana com amor".

A verdadeira reconstrução da Igreja na França
A renovação da Igreja na França também se manifesta pelo número notável e crescente de jovens e adultos que pedem o Batismo. Uma "bela 'surpresa' de Deus", disse o Papa, que também pode encontrar e incentivar a caminhada dos catecúmenos e neófitos. E não só:

"O ponto alto da minha visita à capital foi a Missa na Place de la Concorde. Ali, um sinal de renascimento manifestou-se de modo notável: a assembleia litúrgica — reunindo sacerdotes, o coro e uma vasta multidão naquela praça espaçosa — estendia-se por toda a Avenue des Champs-Élysées, chegando ao Arco do Triunfo e mais além. No momento da Comunhão, todos puderam aproximar-se da Eucaristia, que foi distribuída por toda a área. Eis a verdadeira reconstrução, a restauração da Igreja que só Deus pode realizar, por intercessão da Virgem Maria."

Depois de Paris, a peregrinação a Lourdes para venerar a Mãe da Igreja que, através do cuidado materno, dá esperança a milhares de peregrinos e, especialmente, "aos que sofrem no corpo e no espírito", disse Leão XIV, ao acrescentar:

“Toda a vida humana, em qualquer condição — mesmo na de mais extrema fragilidade —, conserva a sua dignidade inviolável e merece ser cuidada, acompanhada e aliviada do sofrimento com compaixão humana e o auxílio de meios oferecidos pela ciência. Por isso, Lourdes apresenta-se ao mundo inteiro como um santuário da civilização do amor.”

O Papa também recordou o encontro que teve em Lourdes com pessoas que sofreram abusos, quando pediu que o ajudassem "a transmitir — também a outras vítimas — a minha determinação e a de toda a Igreja em ouvi-las e caminhar com elas na busca da cura, reconhecendo a dor causada nas suas vidas e trabalhando para prevenir abusos".

Renovar o mundo com o exemplo de Metz
Na última etapa da viagem apostólica, o Papa recordou dos encontros com representantes de diversas tradições religiosas na cidade de Metz, "situada numa região de França e da Europa marcada pelas cicatrizes da Segunda Guerra Mundial. Foi aí que Robert Schuman — uma das figuras-chave que inspirou o processo de unificação europeia — desenvolveu o seu trabalho". Leão XIV teve a oportunidade de recordar os horrores do conflito e o sonho de uma Europa unida, que "nasceu precisamente como um projeto de paz, na sequência da devastação da guerra", fundada em valores cristãos, entre eles, a abertura ao diálogo, tanto que foi assinado o "Apelo de Metz" pela paz:

"Podemos dizer que aquilo que aconteceu à Catedral de Notre-Dame de Paris com o incêndio, já havia ocorrido na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Contudo, a Europa renasceu, alicerçada em princípios de democracia, solidariedade e fraternidade entre os povos — princípios que muito devem às suas raízes cristãs. Ainda hoje, é sobre estes fundamentos e com esta 'seiva' vital que o projeto europeu pode se renovar num mundo muito mais globalizado, onde o diálogo inter-religioso desempenha um papel crucial."

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EVANGELHO DO DIA (Lc 9,57-62)

ANO "A" - DIA: 30.09.2026
26ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIA DE SÃO JERÔNIMO

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Eu tudo considero como perda e como lixo, a fim de eu ganhar Cristo e ser achado nele!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 57 enquanto Jesus e seus discípulos caminhavam, alguém na estrada disse a Jesus: "Eu te seguirei para onde quer que fores". 58 Jesus lhe respondeu: "As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça". 59 Jesus disse a outro: "Segue-me". Este respondeu: "Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai". 60 Jesus respondeu: "Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus". 61 Um outro ainda lhe disse: "Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares". 62 Jesus, porém, respondeu-lhe: "Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Radicalidade para o céu no testemunho de São Jerônimo"

Radicalidade como exigência no seguimento de Cristo
Quem põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o reino dos céus. (Lucas 9,57-62)

Irmãos e irmãs, na memória de São Jerônimo, a quem celebramos hoje, o Evangelho apresenta a radicalidade do seguimento de Cristo. Jesus responde a três candidatos ao discipulado, mostrando que o Reino dos Céus exige prioridade absoluta.

Radicalidade que abandona as seguranças
“O Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.” O Filho do homem não oferece segurança terrena, mas participação em Sua própria peregrinação neste mundo. Quando Cristo afirma que quem põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o Reino dos Céus, utiliza essa imagem agrícola de alguém que, ao desviar o olhar, torna torto o sulco da terra em que cultivava.

O que isso significa? Que o discípulo não pode viver dividido entre Cristo e o apego ao passado, entre a vontade de Deus e as seguranças do mundo. São Jerônimo, irmãos e irmãs, encarnou de modo admirável essa exigência evangélica. Deixou prestígio e comodidades para dedicar-se inteiramente à Palavra de Deus.

Entrega total à Palavra de Deus
A vida de São Jerônimo foi uma dedicação à Palavra e a sua tradução. Contribuiu para que hoje estivéssemos aqui lendo-a, traduzida para além dos textos originais. Por isso peçamos a intercessão de tão grande santo, que deixou tudo para se dedicar à Palavra e ao seu anúncio. Ele tem uma célebre afirmação: “Ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo.” São Jerônimo, irmãos e irmãs, revela que o verdadeiro seguimento nasce da escuta profunda da palavra divina.

Perseverar com radicalidade em Jesus
Neste mundo que é marcado por dispersões, superficialidades e pela constante tentação de olhar para trás, o Evangelho de hoje nos chama à perseverança e à fidelidade radical, nos chama à radicalidade. O discípulo autêntico é aquele que fixa o olhar em Jesus e continua avançando, mesmo quando o caminho exige renúncia. Nós permanecemos assim mesmo, permanecemos no combate espiritual e confiamos totalmente na graça de Deus.

Que, por intercessão de São Jerônimo, desça e permaneça sobre você a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


São Jerônimo: a Bíblia nos conduz a Cristo e transforma a fé

Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo

No dia 30 de setembro, a Igreja Católica celebra a memória de São Jerônimo, um dos grandes estudiosos das Sagradas Escrituras. No Brasil, essa data também encerra o Mês da Bíblia, celebrado durante todo o mês de setembro. Não poderia haver ocasião melhor para fazermos uma pergunta bastante simples: qual é o lugar que a Bíblia ocupa, de fato, em nossa vida?

Crêdito: Domínio Público, Domenico Ghirlandaio / Wikimedia Commons.

Muitos de nós temos uma Bíblia em casa. Talvez até mais de uma. Recebemos uma na catequese, compramos outra edição algum tempo depois ou ganhamos de alguém. Mas ter uma Bíblia não significa, necessariamente, conhecer a Sagrada Escritura.

E aqui podemos aprender muito com São Jerônimo. Ele dedicou grande parte de sua vida ao estudo da Palavra de Deus. Aprendeu línguas, pesquisou textos, estudou várias áreas do conhecimento e realizou um trabalho bíblico muito importante na história da Igreja: a tradução das Escrituras para o latim, conhecida como Vulgata.

Mas seria pouco olhar para São Jerônimo apenas como um grande intelectual. Todo aquele enorme esforço tinha uma finalidade muito maior. Ele queria conhecer cada vez mais profundamente a Palavra de Deus porque, por meio dela, queria conhecer Jesus Cristo. Não por acaso, é dele uma frase que atravessou o tempo e continua profundamente atual: Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo.

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A Bíblia nos conduz a Jesus
Às vezes, podemos cometer o erro de olhar para a Bíblia apenas como um conjunto de histórias antigas, normas religiosas, ensinamentos morais ou frases bonitas para utilizar em determinados momentos da vida.

Ela é muito mais do que isso. A Bíblia apresenta a história de salvação. E toda essa história converge para Jesus Cristo. Nesse sentido, ler a Bíblia é também percorrer um caminho semelhante ao vivido pelos primeiros discípulos. Eles caminharam com Jesus, ouviram Suas palavras, presenciaram Seus milagres, enfrentaram dúvidas e dificuldades e, pouco a pouco, foram descobrindo quem Ele realmente era.

A leitura bíblica também precisa nos colocar nesse caminho. Não lemos apenas para acumular informações sobre Deus. Lemos para conhecê-Lo. E talvez seja esse um dos maiores ensinamentos que São Jerônimo pode deixar para nós neste 30 de setembro. Ele empregou inteligência, estudo, disciplina e grande parte de sua vida para mergulhar nas Sagradas Escrituras. Mas não estudou a Bíblia simplesmente para conhecer melhor um livro. Buscou a Escritura para conhecer melhor uma Pessoa: Jesus Cristo.

Por isso, neste Dia da Bíblia, talvez o melhor modo de celebrar seja também o mais simples: pegar nossa Bíblia, abri-la e (re)começar a leitura e o estudo. Porque quanto mais conhecemos a Palavra de Deus, mais somos conduzidos Àquele que disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim (Jo 14,6).


São Jerônimo

Sofrônio Eusébio Jerônimo nasceu em Estridão ou Estridônia, entre a Dalmácia e a Panônia (atualmente uma região entre Croácia e Hungria), entre os anos 340 e 347. Sua família era católica, culta e rica, e ele, filho único, teve a oportunidade de estudar em Roma, onde estudou Retórica, Oratória e Gramática com grandes mestres, além de Filosofia, e da dedicação à leitura de grandes autores, como Virgílio, Terêncio, Cícero e Platão.

Entregou-se a uma vida um tanto desregrada, mas, arrependendo-se, voltou à Fé da infância passou a se dedicar unicamente aos estudos dos textos santos. Foi batizado já adulto, como era costume na época, por volta dos 25 anos. Formou uma grande biblioteca. Seguiu para Tréveros, uma das mais conceituadas academias do Ocidente, para estudar Teologia. Em seguida, viajou para a Gália, atual França, onde se uniu a um grupo de monges. Formou ali uma comunidade dedicada ao estudo da Bíblia e das obras teológicas.

Por volta de 373-374 peregrinou à Terra Santa, mas uma doença o reteve durante muito tempo em Antioquia (atualmente Antáquia na Turquia), onde aprendeu o Grego. Seu temperamento forte e radical o levou a buscar uma vida eremítica no deserto de Cálcida, na Síria. Ali com muita dificuldade, esforço e empenho, aprendeu Hebraico com um convertido judeu. Sua vida ascética, de jejuns e orações, era tão extrema que quase morreu.

Depois de uns quatro anos, em 379, em Antioquia, aceitou o sacerdócio pelas mãos do bispo Paulino, mas somente após a promessa de que não teria trabalhos pastorais: sua vocação era a vida eremítica/monacal centrada na ascese, oração e estudos. Seguindo para Constantinopla, atual Istambul na Turquia, conheceu São Gregório Nazianzeno, que lhe estimulou ainda mais o amor pelo estudo das Sagradas Escrituras.

Chamado pelo Papa São Dâmaso I a Roma, em 382, para participar de um sínodo, acabou como seu secretário particular e incumbido por ele de traduzir a Bíblia para o Latim, uma vez que sua erudição, firmeza doutrinária e conhecimento do Grego e do Hebraico, as línguas originais das Escrituras, o tornavam particularmente apto a fazer este grandioso e necessário serviço. Iniciou o trabalho em Roma, em 383, e só o terminou em Belém da Judéia, entre 404-406, um período de cerca de 23 anos.

A versão final, conhecida por Vulgata (do Italiano “comum”, “corrente”, isto é acessível à leitura mais popular na Europa), embora não seja na íntegra de sua lavra, é a primeira tradução para o Latim, e a base para todas as traduções nas línguas modernas. Durante séculos foi a referência da Igreja, aprovada e oficializada no Concílio de Trento (1545-1563). E ainda hoje, embora revisada, é o texto oficial da Igreja de língua latina. Isto porque é extremamente fiel aos textos originais, além de apresentar riqueza de informações pertinentes.

Santo Isidoro de Sevilha (cerca de 560 a 636), na sua monumental obra Etimologias, diz que “Jerônimo era perito em três línguas, por isso sua interpretação é preferível à dos outros: ele apreende melhor o sentido das palavras e suas expressões são claras e transparentes. Além do que, sendo cristão, sua interpretação é verdadeira”.

Jerônimo ficou em Roma até 385, partindo depois para Jerusalém, acompanhado de Santa Paula e outros peregrinos. Depois de visitarem os lugares santos, ele viajou para o deserto da Nítria, Egito, visitando colônias monásticas, até voltar definitivamente para Belém em 386.

Santa Paula era rica, e pôde ajudar na construção de três mosteiros femininos e um masculino em Belém, no qual Jerônimo morou por 34 anos. Também foram erguidas hospedarias para os peregrinos, e ele se dedicou a este acolhimento, à oração, penitência e enorme atividade literária, além do ensino da cultura clássica e cristã.

A sua grande biblioteca, formada ao longo dos anos, crescera ainda mais. As controvérsias dogmáticas da época repercutiram em Belém, e Jerônimo, engajado nos problemas doutrinários da sua época, sempre defendeu vigorosamente a Fé, por escritos, sendo um polemista agressivo e eficaz. Os hereges pelagianos incendiaram seu mosteiro em 414, colocando sua vida e risco, e sucederam-se ataques dos Hunos, dos montanheses da Isáuria e dos piratas sarracenos, que obrigaram os monges a fugir temporariamente.

Seus últimos trabalhos foram relativos à organização do Ofício eclesiástico, com seus cânticos para o ano todo, por encomenda do Papa São Dâmaso I. Enviado a Roma de Belém, a composição foi aprovada pelo Sumo Pontífice e pelos cardeais, que determinaram a sua autenticidade perpétua. Depois disso, mandou construir para si um túmulo na entrada da gruta do sepulcro de Jesus. Faleceu na sua cela, perto da Gruta da Natividade, lúcido até o final, com idade entre 80 e 90 anos, no dia 30 de setembro, por volta do ano 420.

São Jerônimo é o padroeiro dos Estudos Bíblicos, e o Dia da Bíblia foi colocado no dia da sua morte. É também patrono das Escolas Superiores e Faculdades Teológicas. Além dos Santos Ambrósio, Agostinho e Gregório Magno, é também um dos quatro Padres da Igreja Ocidental com o título de Doutor da Igreja.

Sendo um autor de cultura enciclopédica, sua vasta obra inclui, além da Vulgata, biografias de 135 outros autores, cristãos, judeus e pagãos, no livro De Viris Illustribus, o Chronicon, sobre a História Universal desde o nascimento de Abraão até o ano 325 (uma tradução e reelaboração em Latim de uma obra em Grego), comentários, homilias, epístolas, tratados e cartas, muitas delas em correspondência com Santo Agostinho.

Seu temperamento e personalidade muito fortes gerava ódio nos inimigos e amor nos amigos, como por exemplo o carinho que lhe foi registrado por Santo Agostinho e pelo bem-aventurado Próspero. Um discípulo de São Martinho, Sulpício Severo, dele escreve: “… Jerônimo (...), cujos combates e lutas contra os maus eram incessantes.

Os hereges o odiaram porque ele sempre os atacou; os clérigos, porque sempre lhes repreendeu os crimes e a maneira de viver. Mas todas as pessoas de bem o admiravam e amavam. (...) Ele está sempre lendo, sempre no meio dos livros, sempre lendo ou escrevendo, não repousa nem de dia nem de noite.”

De si próprio, São Jerônimo deixou registrado: “Dou graças a Deus de ser digno do ódio do mundo. Falam de mim como de um malfeitor, mas sei que, para chegar ao Céu, é preciso suportar tanto a boa quanto a má reputação”.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Independentemente de qualquer outra obra, a Vulgata já daria a São Jerônimo um lugar especialíssimo entre os maiores escritores católicos e santos de todos os tempos, sendo para sempre merecedor de um agradecimento sem medida pela Igreja. O Papa São Dâmaso I, no seu tempo, percebeu o perigo gravíssimo que a falta de uma leitura correta da Bíblia poderia trazer, com deturpações monstruosas passando-se por “palavras de Deus”, e afastando as almas da salvação. Também hoje há inúmeras traduções bíblicas suspeitas, outras com erros graves mesmo, e portanto vale a pena o católico buscar com prudência o que lhe está sendo oferecido como inspirado pelo Espírito Santo. Como escreveu São Jerônimo, “Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, e quem ignora as Escrituras, ignora o poder e a sabedoria de Deus; portanto, ignorar as Escrituras Sagradas é ignorar a Cristo.” A formação, o estudo e o ensino da Doutrina, que obviamente remete à Bíblia, não é um luxo para os fiéis, mas sim uma necessidade fundamental, especialmente nos dias atuais, onde tão facilmente a divulgação de erros é não só permitida como fomentada. Enfim, se não na mesma forma dos jejuns, penitências e cansaços extremos de São Jerônimo, somos todos, os católicos, obrigados em consciência a viver, como ele, a radicalidade na vivência e na defesa da Fé, e para isso precisamos conhecê-la corretamente. A imensa caridade de São Jerônimo, na sua santa preocupação e santo empenho de escrever a Verdade para os irmãos, também se manifestou nos oferecimentos das suas aspérrimas penitências, e no carinho com que acolheu os peregrinos na Terra Santa, preocupando-se em providenciar hospedarias para eles. E belíssima é a sua declaração “...para chegar ao Céu, é preciso suportar tanto a boa quanto a má reputação.” – pois revela não apenas a sua disposição de enfrentar as injustiças por causa de Jesus, mas também a profunda humildade, que é a primeira e mais necessária das virtudes, para não se deixar levar pela vaidade, particularmente como intelectual que era, pois é notório que grandes pensadores e acadêmicos sofrem facilmente as seduções da vanglória. E não poucos, por causa disso, querendo transmitir não com fidelidade a Palavra de Deus, mas a sua própria “interpretação”, entregam-se a “releituras” das coisas da Igreja, cuja inspiração vem de outro espírito que não é o Santo.

Oração:

Senhor Deus, cuja perfeição é imutável, e que nos quisestes transmitir a Verdade do Vosso infinito amor, concedei-nos por intercessão de São Jerônimo a graça de, neste mesmo amor, buscar sinceramente o Vosso conhecimento, e com coragem enfrentarmos as asperezas, os antagonismos e as tentações do deserto desta vida, na certeza de que a fidelidade a Vós, na caridade também do apostolado aos irmãos, nos levará a repousar infinitamente junto ao lugar de onde constantemente nasceis para nós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Em espírito sinodal, comissões da CNBB promovem encontro nacional de bispos referenciais



A proposta é mais que um encontro de formação e partilha, tem o objetivo de fortalecer uma rede sociotransformadora em nível nacional. Debater e integrar temas como tráfico de pessoas, ecologia, racismo e mineração em nível nacional permite construir convergências necessárias diante dos desafios contemporâneos. As três comissões, que atuam em temas transversais, unem esforços para fortalecer a sinodalidade, aprofundar o compromisso com a justiça social e renovar as respostas pastorais contemporâneas.

Com essa perspectiva, a Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora (Cepast), a Comissão Episcopal Especial para o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (CEETH) e a Comissão Episcopal Especial para a Ecologia Integral e Mineração (CEEM) promovem, de 28 a 30 de setembro de 2026, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), um encontro com lideranças episcopais de todo o país. As três comissões, que atuam em temas transversais, unem esforços para fortalecer a sinodalidade, aprofundar o compromisso com a justiça social e renovar as respostas pastorais contemporâneas.

O evento reunirá os bispos referenciais das Pastorais Sociais, redes e organismos vinculados às comissões e aos regionais. Na pauta, destacam-se o acolhimento das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026–2032), o balanço do atual quadriênio de atuação e a reflexão sobre a Doutrina Social da Igreja com foco na encíclica Magnifica Humanitas. O programa inclui, ainda, momentos de diálogo com movimentos sociais populares e contará com a presença de representantes do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral da Santa Sé, reforçando a comunhão direta com as diretrizes do Vaticano.

A iniciativa é presidida conjuntamente por Dom José Valdeci Santos Mendes, presidente da Cepast e bispo de Brejo (MA); Dom Adilson Pedro Busin, presidente da CEETH e bispo de Tubarão (SC); e Dom Vicente de Paula Ferreira, presidente da CEEM e bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA).

Ação sociotransformadora
A Cepast é o organismo responsável por fortalecer a participação da Igreja na promoção da justiça, da paz, da dignidade humana e do cuidado com a criação, priorizando a defesa dos direitos humanos e a opção pelas pessoas empobrecidas. Sua atuação se dá pela articulação das Pastorais Sociais, diálogo com a sociedade, formação, incidência política, assessoria aos regionais da CNBB e pelo fortalecimento do projeto popular por meio das Semana Social Brasileira.

Dom José Valdeci Santos Mendes enfatiza que a Igreja no Brasil reafirma a opção preferencial pelos pobres e o compromisso sinodal em defesa da vida, da natureza e dos direitos dos excluídos e excluídas, fundamentados no Evangelho e no Magistério Social:

“São muitos desafios em comum que levam essas três comissões a trabalharem juntas nesse fortalecimento, neste compromisso com as pessoas vulneráveis. Por isso, destacamos a importância deste caminhar no espírito de sinodalidade. Tudo isto para afirmar que se trata de um compromisso de toda a Igreja no Brasil. Temos como base o Evangelho e a Doutrina Social da Igreja, que nos levam a assumir esta missão com muita responsabilidade”, pontua o presidente da Cepast.

Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas: 10 anos
Nascida a partir de um Grupo de Trabalho criado em 2010 e impulsionada pela Campanha da Fraternidade de 2014, a CEETH completa dez anos de criação oficial pela CNBB em outubro deste ano. A comissão atua na sensibilização da sociedade, realização de seminários formativos, campanhas e ações pelo país, além da articulação em rede com organizações religiosas e civis, incidência política no combate ao crime e acompanhamento de denúncias.

Dom Adilson Pedro Busin destaca a relevância do encontro para avançar em mutirão na defesa da vida e da dignidade humana:

“Considero o encontro de setembro especialmente importante pela sinodalidade, pelas novas diretrizes evangelizadoras e pelos dez anos da Comissão de enfrentamento ao tráfico de pessoas. Inspirados na dignidade humana, queremos fortalecer as pastorais sociais como expressão do cuidado, da proximidade e da missão da Igreja junto aos mais vulneráveis”, reforçou o bispo.

Ecologia Integral e resistência ao modelo predatório
Criada em 2017 e fundamentada no paradigma da Ecologia Integral e na encíclica Laudato Si’, a CEEM assessora o episcopado e a CNBB sobre os impactos socioambientais do extrativismo mineral predatório. Seu trabalho envolve o apoio direto às dioceses e comunidades atingidas, produção de estudos e notas públicas, articulação com redes como a Igrejas e Mineração e incidência política nacional e internacional, incluindo fóruns na ONU e diálogos no Vaticano.

Para Dom Vicente de Paula Ferreira, a atividade reúne comissões sociais e pastorais de fronteira com linhas de ação conjuntas em defesa dos direitos humanos e da casa comum:

“O encontro promoverá a integração das três Comissões, o estudo das novas diretrizes evangelizadoras e da encíclica sobre inteligência artificial, fortalecendo a defesa da vida, da criação, dos direitos humanos e a ação profética da Igreja”, afirmou Dom Vicente.

Serviço:Evento: Encontro de Formação e Partilha para Bispos Referenciais
Data: 28 a 30 de setembro de 2026
Local: Sede da CNBB — Brasília (DF)

Leão XIV: as religiões são guardiãs da vida


No encontro inter-religioso no Centro de Congressos "Robert Schuman", em Metz, na França, o Papa enfatizou que "nada do que desfigura a dignidade humana pode reivindicar uma autêntica inspiração divina. O discurso religioso deve exortar constantemente ao desarmamento dos corações e das palavras". Disse que Schuman, "homem de fé e convicções, soube transformar as antigas linhas de divisão em pontes de esperança para toda a Europa, tornando-se um verdadeiro embaixador da unidade na diversidade".

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Leão XIV deixou Lourdes, na manhã desta segunda-feira (28/09), e dirigiu-se para Metz, última etapa de sua viagem apostólica internacional à França.

Robert Schuman, homem de fé e convicções
Metz é uma cidade situada no nordeste da França, capital da região de Grande Leste. Ali, o Pontífice participou do encontro inter-religioso no Centro de Congressos "Robert Schuman", um dos pais fundadores da União Europeia. Em seu discurso, o Papa disse a propósito de Robert Schuman:

“Este homem de fé e convicções soube transformar as antigas linhas de divisão em pontes de esperança para toda a Europa, tornando-se um verdadeiro embaixador da unidade na diversidade. Seguindo o seu exemplo, a nossa responsabilidade comum de mulheres e homens religiosos é a de testemunhar que, para além das fronteiras, é sempre possível encontrar-nos, estabelecer amizades e construir a paz.”

"Dialogar não diminui a nossa identidade, mas expressa-a com simplicidade e verdade, abrindo-nos à diferença do outro", disse ainda Leão XIV, recordando as palavras do Papa Francisco na Encíclica Fratelli tutti: «O diálogo entre pessoas de diferentes religiões não se faz apenas por diplomacia, amabilidade ou tolerância. […] o objetivo do diálogo é estabelecer amizade, paz e harmonia». Lembrou também que o Papa João Paulo II "considerava o diálogo como uma exigência intrínseca da própria natureza do homem", e que "o diálogo é, segundo Paul Ricœur", um dos grandes filósofos e pensadores franceses, "o caminho através do qual reconhecemos a alteridade como uma promessa e não como uma ameaça; situa-se no extremo oposto da agressividade e da violência e constitui uma arte do encontro".

Exortar ao desarmamento dos corações e das palavras
“Com efeito, invocar o nome de Deus para legitimar a violência ou a opressão configura uma profanação desse nome. Nada do que desfigura a dignidade humana pode reivindicar uma autêntica inspiração divina. O discurso religioso deve exortar constantemente ao desarmamento dos corações e das palavras. Isto implica a responsabilidade direta de cada um de nós, enquanto guardiães das nossas respectivas tradições.”

"Por outro lado", disse ainda o Papa, "se a fecundidade das tradições religiosas se manifesta, acima de tudo, no seu serviço à paz e à fraternidade, ela expressa-se igualmente na sua capacidade de proteger, acompanhar e servir a vida. A grandeza de uma civilização não se mede pelos seus sucessos materiais, mas pela forma como acolhe, protege e eleva a pessoa humana".

Respeito pela dignidade de toda a pessoa humana
“As religiões são guardiãs da vida; elas afirmam o seu valor sagrado. A sua fecundidade é demonstrada pela presença amorosa junto das pessoas mais frágeis e vulneráveis. Servir a vida é rodeá-la de cuidados, presença e ternura, sobretudo nas provações, até ao fim. Nós, que estamos abertos à transcendência, temos como missão oferecer pontos de referência sólidos, em particular aos jovens, para construir uma comunhão que respeite e valorize a dignidade de toda a pessoa humana.”

A seguir, Leão XIV citou um trecho de sua Encíclica Magnifica humanitas: «A Igreja considera todos os que procuram sinceramente a verdade, a bondade e a beleza como companheiros de caminho».

O Papa concluiu, pedindo "que a bondade infinita de Deus e a sua sabedoria nos acompanhem e ensinem a viver cada vez mais como seus filhos e como irmãos e irmãs entre nós. E que assim possamos ser, onde quer que vivamos, artesãos de paz e testemunhas de uma esperança que não cessa de crescer no nosso mundo".

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EVANGELHO DO DIA (Lc 9,46-50)

ANO "A" - DIA: 28.09.2026
26ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Veio o filho do homem, a fim de servir dar sua vida em resgate por muitos.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 46 houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior. 47 Jesus sabia o que estavam pensando. Pegou então uma criança, colocou-a junto de si 48 e disse-lhes: "Quem receber esta criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior". 49 João disse a Jesus: "Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque não anda conosco". 50 Jesus disse-lhe: "Não o proibais, pois quem não está contra vós, está a vosso favor".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O maior no Reino de Deus"

O maior se faz servo de todos
Naquele tempo, houve entre os discípulos uma discussão para saber qual deles seria o maior. Jesus sabia o que estavam pensando. Pegou então uma criança e colocou-a junto de si, e disse-lhes: “Quem receber essa criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior” (Lucas 9,46-50).

Irmãos e irmãs, neste Evangelho, estamos vindo de um contraste impressionante. Enquanto Jesus tinha acabado de anunciar Sua Paixão e entrega na cruz, os discípulos discutiam sobre qual deles seria o maior. Jesus estava falando de sofrimento, de entrega, e os discípulos estavam na discussão sobre quem seria o maior.

O maior no Reino de Deus e a tentação do orgulho
Essa cena mostra como o nosso coração, mesmo próximo das coisas divinas – pois eles estavam próximos de Jesus –, continua sendo tentado pela lógica humana. E a lógica humana, às vezes, é uma lógica de poder; às vezes, é uma lógica de superioridade. Os discípulos ainda pensavam segundo critérios mundanos, esperando, talvez, posições de prestígio.

A pureza da criança e a humildade
Porém, Jesus revela que, no Reino de Deus, a grandeza não consiste em dominar, mas em servir; não em elevar-se acima dos outros, mas em descer pela humildade. A verdadeira espiritualidade, a verdadeira autoridade espiritual, nasce da conformidade com Cristo humilde e obediente.

Talvez por isso Jesus tenha utilizado a imagem, a figura e a presença das crianças, que representam o que há de mais puro neste mundo: a capacidade de reerguer-se, de perdoar, de se levantar e começar de novo. Uma criança, se cai, ela chora, mas se levanta e, sorridente, continua a vida, continua o caminho. Que assim seja na nossa vida também.

Sobre você desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova