terça-feira, 14 de abril de 2026

Bispos utilizarão Keypads, pela primeira vez, para votações na 62ª Assembleia Geral da CNBB



A 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que será realizada nas próximas semanas, de 15 a 24 de abril, em Aparecida (SP), contará com uma novidade tecnológica no processo de deliberação: o uso de Keypads, dispositivos eletrônicos que permitem a realização de votações em tempo real, sem a necessidade de conexão com redes ou internet.

Os aparelhos serão utilizados pelos bispos durante as votações da Assembleia, oferecendo maior agilidade e precisão na coleta e apuração dos votos. As votações serão realizadas para a aprovação de equipes, atas, das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), entre outros itens da pauta. Para cada deliberação, os participantes utilizarão o teclado numérico dos dispositivos, sendo o número 1 correspondente ao voto “sim”, o número 2 ao voto “não” e o número 3 à “abstenção”.

Os Keypads são ferramentas já empregadas em diferentes contextos, como congressos, apresentações, pesquisas, eleições e ambientes educacionais, especialmente em situações que exigem respostas rápidas a questões de múltipla escolha.

Teste de votação eletrônica

A adoção da tecnologia foi precedida por um teste realizado durante reunião do Conselho Permanente (Consep) da CNBB, em fevereiro de 2026. Na ocasião, cada participante recebeu um dispositivo para simular votações, após orientações detalhadas sobre o funcionamento do sistema

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Padre Leandro Megeto e dom Ricardo Hoepers

O bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, destacou que a iniciativa busca alinhar o processo às demandas contemporâneas. Segundo ele, o objetivo é “avançar com menos papel, mais tempo, confiabilidade e mais tecnologia que está à disposição de votação eletrônica”.

Durante o encontro, o subsecretário da CNBB, padre Leandro Megeto, apresentou o sistema desenvolvido pela empresa X Vote, que já possui experiência em votações de assembleias e eventos eclesiais. A representante da empresa, Alessandra Revinthis, acompanhou a demonstração técnica e esclareceu dúvidas dos participantes.

Foram realizadas diversas votações simuladas, utilizando trechos das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), documento que estará entre os principais itens em análise na próxima assembleia.

Avaliação positiva
De acordo com os bispos que participaram do teste, o uso da votação eletrônica demonstrou potencial para otimizar significativamente o tempo de apuração dos resultados, além de garantir maior segurança e organização no processo deliberativo.

A experiência também foi vista como um passo importante na modernização das práticas da Conferência, sem comprometer a transparência e a confiabilidade das decisões.

Leão XIV: o sangue dos mártires é uma semente viva que nunca deixa de dar fruto


No encontro com os católicos argelinos, o Papa disse que essa comunidade é herdeira "de uma série de testemunhas que deram a vida, movidas pelo amor a Deus e ao próximo". O Pontífice recordou os "dezenove religiosos e religiosas mártires da Argélia, que escolheram estar ao lado deste povo nas suas alegrias e nas suas dores". Pediu aos argelinos para difundirem "a fraternidade, inspirando nos que os rodeiam desejos e sentimentos de comunhão e reconciliação".

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Leão XIV encontrou-se com a comunidade argelina, na tarde desta segunda-feira (13/04), na Basílica de Nossa Senhora da África, em Argel.

Leão XIV ouviu os testemunhos de quatro representantes da comunidade. Depois, iniciou o seu terceiro discurso em terras argelinas, manifestando satisfação de se encontrar com essa comunidade, "uma presença discreta e preciosa, enraizada nesta terra, marcada por uma história antiga e por luminosos testemunhos de fé".

Herdeiros de testemunhas que deram a vida
“A vossa comunidade tem raízes muito profundas. Sois herdeiros de uma série de testemunhas que deram a vida, movidas pelo amor a Deus e ao próximo. Penso, em particular, nos dezenove religiosos e religiosas mártires da Argélia, que escolheram estar ao lado deste povo nas suas alegrias e nas suas dores. O sangue deles é uma semente viva que nunca deixa de dar fruto.”

"Vós sois também herdeiros de uma tradição ainda mais antiga, que remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Nesta terra, ressoou a voz fervorosa de Agostinho de Hipona, precedida pelo testemunho da sua mãe, Santa Mônica, e de outros santos. A sua memória é um apelo luminoso para que sejamos, hoje, sinais críveis de comunhão, diálogo e paz", sublinhou.

A seguir, Leão XIV refletiu sobre três aspectos da vida cristã: a oração, a caridade e a unidade.

A oração une e humaniza
Em relação ao primeiro aspecto, a oração, disse que "todos nós somos necessitados da oração". Citou a propósito, o testemunho de Emmanuel Ali sobre sua experiência de serviço em Nossa Senhora da África. Ele disse que muita gente vai "ali para se recolher em silêncio, para apresentar e confiar as suas preocupações e as pessoas que amam, e para encontrar alguém disposto a ouvi-los e a partilhar os fardos que carregam no coração; e observou que muitos partem serenos e felizes por terem vindo". "A oração une e humaniza, fortalece e purifica o coração, e a Igreja argelina, graças à oração, semeia humanidade, unidade, força e pureza à sua volta, alcançando lugares e contextos que só o Senhor conhece", sublinhou o Papa.

O amor animou o testemunho dos mártires
Leão XIV se deteve no segundo aspecto da vida eclesial: a caridade. A este propósito, falou a Irmã Bernadette, "partilhando a sua experiência de ajuda às crianças com necessidades especiais e aos seus pais". "Neste testemunho, percebemos o valor da misericórdia e do serviço, não só como apoio aos mais frágeis, mas sobretudo como um espaço de graça, no qual quem se deixa envolver cresce e se enriquece", frisou o Pontífice. A religiosa contou que "a partir de um simples e inicial gesto de proximidade – a visita aos doentes –, nasceram, como rebentos, primeiro um sistema de acolhimento e depois uma organização assistencial cada vez mais articulada, uma verdadeira comunidade na qual inúmeras pessoas participam tanto nos acontecimentos alegres como nos dolorosos, unidas por laços de confiança, amizade e familiaridade. Um ambiente assim é saudável e revigorante, e não surpreende que, nele, quem sofre encontre os recursos necessários para melhorar a sua saúde, levando ao mesmo tempo alegria aos outros, como no caso de Fátima".

“Aliás, foi precisamente o amor pelos irmãos que animou o testemunho dos mártires que recordamos. Perante o ódio e a violência, permaneceram fiéis à caridade até ao sacrifício da vida, juntamente com tantos outros homens e mulheres, cristãos e muçulmanos. Fizeram-no sem pretensões e alarde, com a serenidade e firmeza de quem não presume nem se desespera, porque sabe em Quem depositou a sua confiança.”

O Papa recordou o exemplo do Irmão Luc, monge e médico da comunidade de Nossa Senhora do Atlas, que não abandonou "os seus doentes e amigos", mas permaneceu com eles, diante de potenciais perigos.

Paz e a harmonia características da comunidade cristã
A seguir, Leão XIV falou a propósito do terceiro ponto: o compromisso de promover a paz e a unidade. "O lema desta visita são as palavras de Jesus ressuscitado: «A paz seja convosco!»", recordou o Papa. "A paz e a harmonia têm sido características fundamentais da comunidade cristã desde as suas origens, por desejo do próprio Jesus, que disse: «Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.». A este respeito, Santo Agostinho afirmava que a Igreja «dá à luz povos, mas estes são membros de um só» e São Cipriano escreve: «O maior sacrifício que se pode oferecer a Deus é a paz que reina entre nós, a nossa concórdia fraterna e o ser um povo reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo». É maravilhoso, hoje, sentir que tanta riqueza de palavras e de exemplos encontra eco naquilo que acabamos de ouvir", disse ainda o Papa.

Comunhão entre cristãos e muçulmanos
"Esta basílica é símbolo de uma Igreja de pedras vivas, na qual, sob o manto de Nossa Senhora da África, se constrói a comunhão entre cristãos e muçulmanos", frisou Leão XIV. "Filhos desejosos de caminhar juntos, de viver, rezar, trabalhar e sonhar, porque a fé não isola, mas abre, une, mas não confunde, aproxima sem uniformizar e faz crescer uma verdadeira fraternidade, como nos disse Monia, e como testemunhou Rakel", disse o Papa, acrescentando:

“Num mundo onde as divisões e as guerras semeiam dor e morte entre as nações, nas comunidades e até mesmo nas famílias, o vosso viver unidos e em paz é um grande sinal. Unidos, difundis a fraternidade, inspirando nos que vos rodeiam desejos e sentimentos de comunhão e reconciliação, com uma mensagem tanto mais forte e clara quanto testemunhada na simplicidade e na humildade.”

Leão XIV recordou que "uma parte considerável do território deste país está ocupada pelo deserto, e no deserto não se sobrevive sozinho. As adversidades da natureza relativizam qualquer presunção de autossuficiência e recordam a todos que precisamos uns dos outros e que precisamos de Deus. É o reconhecimento da fragilidade que abre o coração ao apoio mútuo e à invocação d’Aquele que pode dar o que nenhum poder humano é capaz de garantir: a reconciliação profunda dos corações e, com ela, a verdadeira paz".

O Papa concluiu, encorajando-os a prosseguir o seu trabalho em terras argelinas "como comunidade de fé coesa e aberta, presença da Igreja, «sacramento universal de salvação»".
Papa encontra a comunidade argelina

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EVANGELHO DO DIA (Jo 3,7b-15)

ANO "A" - DIA: 15.04.2026
2ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- O Filho do homem há de ser levantado, para que, quem crer, possua a vida eterna.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 7b "Vós deveis nascer do alto. 8 O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito". 9 Nicodemos perguntou: "Como é que isso pode acontecer?" 10 Respondeu-lhe Jesus: "Tu és mestre em Israel, mas não sabes estas coisas? 11 Em verdade, em verdade te digo, nós falamos daquilo que sabemos e damos testemunho daquilo que temos visto, mas vós não aceitais o nosso testemunho. 12 Se não acreditais, quando vos falo das coisas da terra, como acreditareis se vos falar das coisas do céu? 13 E ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14 Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15 para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O mistério de um novo nascimento em Deus"

Uma vida no Espírito para compreender os mistérios de Deus
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: “Vós deveis nascer do alto. O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito”. Nicodemos perguntou: “Como é que isso pode acontecer?”. Respondeu-lhe Jesus: “Tu és mestre em Israel, mas não sabes essas coisas? Em verdade eu te digo, nós falamos daquilo que sabemos e damos testemunho daquilo que temos visto, mas vós não aceitais o nosso testemunho. Se não acreditais quando vos falo das coisas da terra, como acreditareis se vos falar das coisas do céu?” (João 3,7b-15).

Ainda estamos no mesmo diálogo que começamos ontem: de Jesus com Nicodemos, falando sobre essa parte de nós que ainda precisa se abrir ao novo nascimento trazido pela Páscoa, a Ressurreição de Jesus.

O mistério da pedagogia de Jesus
Jesus dirige uma correção a Nicodemos pelo fato da sua religiosidade não lhe conferir a capacidade de compreender os mistérios de Deus. Mesmo sendo um homem muito religioso, era ainda analfabeto a respeito desses mistérios. E olha que Jesus reconhece em Nicodemos um mestre para outros judeus, sendo um homem leal e observador da lei do Senhor!

A grande verdade é que, se não for Jesus a nos explicar os fatos e os mistérios da nossa vida, nós vamos ficar presos nos nossos raciocínios e passaremos a vida toda em busca de respostas, em busca de sentido. Já deve ter ocorrido com você de ter vivido, por exemplo, algum drama numa situação que abalou até mesmo as suas convicções religiosas. Você pensa que foi fácil para o mestre Nicodemos acolher em Jesus o Messias que ele tanto esperava, mas que passou muito longe dos seus ideais, dos seus planos?

O diálogo com Jesus diante as dificuldades
O sentido da nossa vida não está nas coisas nem nas pessoas, por mais nobres que essas sejam. Como explicar uma perda repentina, uma decepção amorosa, um rompimento de uma amizade, uma perda material? Essas coisas não encontram em si mesmas uma explicação.

É preciso colocá-las em diálogo com o Cristo, colocá-las em contato com o grande mistério da nossa vida, que é Cristo, o Senhor. E só Ele é capaz de nos explicar as coisas mais enigmáticas que nos acontecem. Se damos o passo de crer em Jesus, devemos fazê-lo com os olhos bem abertos. Nossa entrega a Ele não é uma entrega cega.

Jesus não foi para a sua Páscoa de morte e ressurreição com os olhos fechados. Pelo contrário: sofrendo em sua humanidade por ter que aceitar um projeto tão grandioso, Ele manteve os seus olhos abertos, fixos nas promessas do Pai. Somente nessa relação confiante e consciente nós poderemos caminhar com o Senhor.

Sobre todos vós desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!


Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


Nascer do Alto: o Novo Nascimento no Espírito Santo

O nascimento é um momento marcante. No mundo, vamos descobrindo-nos como pessoas plenas de possibilidades. Algumas delas surgem naturalmente, no decorrer da vida; outras, após serem trabalhadas, associam-se ao que somos. Contudo, em nosso processo de crescimento interior, carregamos conosco uma natureza frágil e pecadora. Com o passar do tempo, fazemos a descoberta de nossas limitações humanas e espirituais. Essas limitações, quando não trabalhadas, podem dar lugar a uma vida extremamente complexa, na qual o pecado nos arranca de nós mesmos e dos braços de Deus.

Foto: arkira by Getty Images

A Páscoa como Tempo Propício para Recomeçar
O tempo litúrgico da Páscoa é propício para vivermos, na vida, um tempo novo, em que os erros dão lugar às possibilidades adormecidas na alma. Recomeçar nem sempre é fácil. Exige muita força de vontade e uma capacidade interna de superação. Para nós, cristãos, a mudança interior não acontece somente a partir de nossas próprias forças interiores, mas conta com o auxílio do Espírito Santo. Ele guia nossa alma pelos bons caminhos e faz de cada dia um tempo novo de ressurreição:

O Sopro Renovador da Fé
“Vós deveis nascer do alto. O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3,7b-8).

Um novo nascimento nos faz pessoas renovadas no amor em Cristo. É uma vivência nova a partir da experiência da fé na ressurreição que invade nosso coração e nos capacita a sermos testemunhas do Ressuscitado.

Leia mais:

O Que Significa “Nascer do Alto”?
Nasce do Alto quem olha para o passado e, nele, faz um firme propósito de construir o presente a partir dos aprendizados de outrora. Nasce do Alto quem deixa o amor e a esperança ocuparem o lugar antes concedido ao egoísmo e à falta de fé.

A fé na ressurreição marca, definitivamente, a história de toda pessoa que se deixa inundar pelo Espírito Santo. Não há como nascer se não houver fecundação. E a experiência pascal de nossa caminhada cristã é fecundada pela ressurreição de Cristo, que nos faz seres humanos novos para um tempo novo.

A Vitória do Amor e da Vida
Nasce do Alto e do Espírito quem faz, no amor de Cristo, a experiência de deixar-se amar verdadeiramente por um Deus que, a cada dia, nos dá a alegre notícia: a vida vence a morte em cada gesto de amor!


Santa Liduína (Lidvina)


Liduina nasceu em Schiedam, Holanda, em 1380, numa família humilde e caridosa. Única mulher entre oito irmãos, desde cedo manifestou devoção a Nossa Senhora. Criança, já se preocupava em guardar roupas e alimentos para os abandonados, pobres e doentes.

Com 15 anos, sofreu um gravíssimo acidente ao patinar com amigos, quase morrendo. Afetada nas costelas, na coluna e com outras lesões internas, progressivamente apareceram mais complicações; ficou paralítica exceto da mão esquerda, tinha hemorragia na boca, orelhas e nariz, e jamais se recuperou, permanecendo o resto da vida na cama. Um dos médicos mais conhecidos da época disse, “não há médico no mundo que cure esta doença, porque ela é obra de Deus. Deus operará tais maravilhas nesta criatura, que eu daria o peso de ouro pela cabeça dela, para ser pai de semelhante filha."

Passando o tempo, Liduina chegou quase ao desespero. Um padre, João Pot, a ajudou, lembrando-lhe que, se Deus poda uma árvore, é para que ela possa produzir mais frutos. Ela assim entendeu que o seu sofrimento, aceito por amor, poderia ser um caminho para a sua salvação e a de outros. Realmente, muitas pessoas foram curadas ou se converteram através dela, que, mesmo com dores imensas, permanecia doce e amável.

Liduina não mais pediu a Deus a própria cura, porém amor para, com os sofrimentos, obter a conversão das almas. Recebeu o dom da profecia e da cura, e, depois de 12 anos enferma, também êxtases espirituais e visões celestiais, além de ser consolada constantemente pelo seu Anjo da Guarda. Alimentava-se apenas da Eucaristia, fato documentado em 1421 por autoridades civis.

Seus sofrimentos aumentaram nos últimos sete meses de vida, e ela faleceu em 14 de abril de 1433. Sua casa, de acordo com seu desejo ao padre e ao médico que a acompanhavam, foi transformada um hospital para pobres com doenças incuráveis. Curas aconteceram durante o seu velório em pessoas que lá estavam, e seu corpo voltou a ter a mesma beleza de antes do acidente, com o desaparecimento de todas as feridas. É padroeira dos patinadores e dos doentes incuráveis.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Nossa vida está nas mãos do Senhor, sempre, ainda que pretensiosamente o ser humano queira acreditar nos seus próprios planos e autosuficiência. Num momento tudo pode mudar de modo imprevisível, simplesmente não temos controle sobre isso. Deus provê a cada um aquilo que na Sua sabedoria e bondade será nosso caminho particular de salvação. Assim, situações que mundanamente são “desgraças”, podem ser ao contrário graças imensas de Deus, que deseja a nossa felicidade infinita no Céu, e não uma ilusão passageira de conforto e prazer. Certamente Ele dá, junto com as dificuldades, as graças necessárias, pois evidentemente não temos condições de lidar com sofrimentos sem a Sua ajuda; mas é necessário que reconheçamos a Sua vontade amorosa para nós em qualquer situação, e aceitemos as graças que nos conduzirão à maior santidade, num processo que cura não apenas as nossas almas, mas abre este mesmo caminho para os demais. Aceitar – com alegria – a vontade de Deus para nós é caminho certo de salvação, felicidade e santidade, não importa o grau de dificuldade encontrado. “Liduina” significa “sofrer largamente”, e esta disposição divina para a vida desta nossa santa irmã, longe de ter qualquer inferência negativa, implicou no verdadeiro “carregar a própria cruz” (cf. Mt 10,38) e “completar na própria carne o que falta aos sofrimentos de Cristo em favor da Igreja” (cf. Col 1,24). A doença não a impediu de ser alegre, “doce e amável”. Aceitemos, portanto, as dificuldades nesta vida, com disposição de oferecê-las a Deus, estando preparados pelo intenso empenho espiritual para encontrar com o Senhor a qualquer momento, em qualquer situação.

Oração:

Senhor Deus, médico das almas e dos corpos, que conheceis as nossas fraquezas e limitações, concedei-nos pela intercessão de Santa Liduina o reconhecimento e aceitação da Sua bondade infinita para conosco em qualquer circunstância, bem como a fortaleza nos sofrimentos, para que nos leve, e ao próximo, à salvação, e a graça de não nos queixarmos ou revoltar-nos frente a dificuldades que muitas vezes nem graves são. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que por nós sofreu a Paixão, e Nossa Senhora, cuja dor foi a maior da Humanidade, depois da de Cristo. Amém.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

CNBB realiza sua 62ª Assembleia Geral, em Aparecida (SP), a partir do próximo dia 15 de abril


Na próxima semana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) inicia sua 62ª Assembleia Geral. De 15 a 24 de abril, os bispos de todo o Brasil estarão reunidos no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), para dias de convivência, oração e definições importantes para a missão da Igreja Católica no país.

Órgão supremo da CNBB, a Assembleia Geral é “a expressão e a realização maior do afeto do colegial, da comunhão e da corresponsabilidade dos Bispos da Igreja no Brasil”. O Estatuto da CNBB estabelece que este órgão tem a finalidade de realizar os “objetivos da CNBB, para o bem do povo de Deus”. Nesse encontro, são tratados assuntos pastorais relacionados à missão da Igreja e aos problemas das pessoas e da sociedade, sempre na perspectiva da evangelização.

Tema Central
O tema central desta assembleia é a aprovação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Após um processo de atualização adiado para receber as contribuições do Sínodo sobre a Sinodalidade, o texto com os acréscimos e contribuições recebidos também das dioceses, pastorais e organismos chega ao conjunto do episcopado para ser votado e aprovado.

As diretrizes formam o documento que direciona e orienta a missão da Igreja de evangelizar. Elas auxiliam as dioceses de todo o país na sua atuação pastoral a partir do discernimento da realidade e oferece propostas para iluminar a vida eclesial e a sociedade a partir dos valores do Evangelho.

Além do tema central, os bispos também vão tratar de três temas prioritários, 20 temais diversos, 4 mensagens e 10 comunicações. O encontro dos bispos também conta com um retiro espiritual, que acontece nos primeiros dias de assembleia.

Entre os temas prioritários está o relatório da Presidência da CNBB, e entre os temas diversos as análises de conjuntura social e eclesial; o processo de implantação do Sínodo sobre a Sinodalidade no Brasil; aprovações de textos litúrgicos; as Campanhas da CNBB; a Tutela de Menores e adultos vulneráveis; o Congresso Americano Missionário (CAM 7), marcado para 2029; o Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé; a atualização do Documento “Evangelização da Juventude” (Doc. 85 CNBB); e o 19º Congresso Eucarístico Nacional, marcado para 2027.


Programação
A programação diária dos bispos tem início às 8h, com a oração das Laudes, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida. A primeira das quatro sessões diárias começará às 8h30 e a segunda às 11h. Já às 10h30, bispos definidos pela Presidência concedem entrevista coletiva à imprensa, com transmissão pelas redes sociais da CNBB.
À tarde, as sessões retornam às 15h, com a oração da Hora Média. Às 18h, os bispos celebram a Eucaristia com a oração das Vésperas, no altar central da basílica de Aparecida.

Nos primeiros dias, os bispos vivenciarão um retiro espiritual, com início na tarde do dia 15 de abril e conclusão com a Eucaristia, na noite de quinta-feira. Antes da celebração, prevista para 18h, os bispos rezarão o terço durante procissão do Centro de Eventos até a Basílica do Santuário Nacional.

No sábado e no domingo, as missas serão pela manhã: no dia 18, às 7h, e no dia 19, às 8h.

Quem participa
São convocados para a Assembleia Geral da CNBB os membros da Conferência: cardeais, arcebispos, bispos diocesanos, auxiliares e coadjutores. Os bispos eméritos, administradores diocesanos e representantes de organismos e pastorais da Igreja são convidados.

A Igreja Católica no Brasil possui 281 circunscrições eclesiásticas. O número de bispos no país é de 497, dos quais 324 estão no exercício do governo pastoral de alguma diocese/arquidiocese e outros 173 são bispos eméritos. Destes, 373 estão inscritos na 62ª Assembleia Geral da CNBB.

Para acompanhar
Será possível acompanhar o encontro dos bispos pelos meios de comunicação da CNBB e pelas emissoras de rádio e de TV de inspiração católica. A sessão de abertura, as coletivas de imprensa e as missas serão transmitidas ao vivo, tanto no canal da CNBB no Youtube, quanto nas emissoras de TV.

A Assessoria de Comunicação da CNBB vai levar ao público vários conteúdos especiais na cobertura da Assembleia Geral, tanto para o Portal da CNBB, quanto para as redes sociais e para os veículos de comunicação católicos. Confira abaixo a programação:Live sobre a pauta do dia – 7h45
CNBB Confere – 9h
Coletiva de imprensa – 10h30
Podcast – 11h45
Boletim de Rádio para emissoras de inspiração católica- 17h
Boletim Igreja no Brasil – 19h


Luiz Lopes Jr | Foto: Thiago Leon

Papa: “não sou político, falo de Evangelho. Aos líderes mundiais: basta de guerras”


Durante o voo de ida para Argel, primeira etapa da viagem apostólica à África, Leão XIV cumprimenta os cerca de 70 jornalistas que o acompanham: “é uma viagem especial, a primeira que eu queria fazer. Uma oportunidade muito importante para promover a reconciliação e o respeito pelos povos”. Ao Pontífice, uma pergunta sobre as críticas dirigidas a ele por Trump: “não quero entrar em um debate. A minha mensagem é o Evangelho e continuo a falar com força contra a guerra”

Salvatore Cernuzio – no voo Roma/Argel

“Bom dia a todos, welcome aboard!”. Leão XIV mostra-se sereno e claramente entusiasmado com esta terceira viagem apostólica internacional com destino à África, que tem início nesta segunda-feira, 13 de abril. Uma longa viagem que levará o Papa em peregrinação até a próxima quinta-feira, dia 23, pela Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Lugares onde, como ele diz, levará “a mensagem da Igreja, a mensagem do Evangelho: bem-aventurados os construtores de paz”. Pois esse é o papel do Papa: não o de “um político”, afirma Leão aos cerca de 70 jornalistas que o acompanham na viagem e que, uma hora após a decolagem, cumprimenta um a um durante o voo para Argel. Um costume em todas as viagens apostólicas, ocasião para a troca de presentes e, desta vez, também para comentar – a pedido dos próprios jornalistas – as duras declarações contra ele feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na rede social Truth.

Falar com força contra a guerra
“Eu não vejo o meu papel como o de um político; não sou um político, eu não quero entrar em um debate com ele”, observou o Pontífice, referindo-se ao presidente. “Não penso que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada como alguns estão fazendo. Eu continuo a falar com força contra a guerra, buscando promover a paz, promovendo o diálogo e o multilateralismo com os Estados para encontrar soluções aos problemas. Muitas pessoas estão sofrendo hoje, muitos inocentes foram mortos e acredito que alguém deve se levantar e dizer que há um caminho melhor”.

A mensagem que o Bispo de Roma faz questão de reiterar é, portanto, “sempre a mesma: a paz. Digo isso para todos os líderes do mundo, não apenas para ele: tentemos acabar com as guerras e promover a paz e a reconciliação”.

Construtores de paz
A uma jornalista dos Estados Unidos, que fazia a mesma pergunta, o Papa reitera: “eu não tenho medo do governo de Trump. Continuarei falando com voz forte sobre a mensagem do Evangelho, aquela pela qual a Igreja trabalha”. “Nós não somos políticos – repete Leão – não olhamos para a política externa com a mesma perspectiva. Mas acreditamos na mensagem do Evangelho como construtores de paz”.

Viagem especial
E é justamente a construção da paz o objetivo fundamental da viagem à África. Viagem que, como explica o próprio Leão XIV ao microfone, “deveria ter sido a primeira viagem do pontificado”. “Já no ano passado, no mês de maio, eu havia dito 'gostaria de fazer minha primeira viagem na África'. Outros sugeriram imediatamente a Argélia por causa de Santo Agostinho”, acrescenta, dizendo-se “muito feliz por visitar novamente a terra de Santo Agostinho, que oferece uma ponte muito importante para o diálogo inter-religioso”.

A oportunidade de visitar os locais da vida do bispo de Hipona, hoje Annaba, é, portanto, segundo o Papa Leão, “uma bênção também para mim pessoalmente, para a Igreja e para o mundo. Pois devemos sempre buscar pontes para construir a paz e a reconciliação”. Nessa perspectiva, a viagem apostólica “representa realmente uma oportunidade importantíssima para continuar com a mesma voz, com a mesma mensagem, de que queremos promover a paz e a reconciliação, bem como o respeito e a consideração por todos os povos”.

Um presente das Canárias
Foram muitos os presentes entregues ao Papa durante o encontro com os jornalistas, cinegrafistas e repórteres: livros, desenhos, cartas, uma pequena ícone de Nossa Senhora do Bom Conselho, venerada por toda a Ordem de Santo Agostinho, da qual provém. Entre os presentes mais simbólicos, certamente se destaca o da jornalista da emissora espanhola Radio Cope, Eva Fernández: simbólico porque une a viagem à África com a que ocorrerá em junho à Espanha. Trata-se de um fragmento de um dos inúmeros “cayucos”, nome dado às embarcações rudimentares com as quais os migrantes africanos deixam o seu país para desembarcar perto de La Restinga, na ilha de El Hierro. Neste que é o ponto mais ao sul da Espanha, somente em 2025 chegaram mais de 10 mil pessoas, quase tantas quanto os habitantes da ilha, que são pouco menos de 12 mil. A rota das Canárias é considerada uma das mais perigosas do mundo, com pessoas no mar por pelo menos uma semana.

Leão XIV visitará, como se sabe, as Canárias, ao final da sua viagem à Espanha de 6 a 12 de junho. Nesta segunda-feira (13/04), ele recebeu com gratidão, repetindo várias vezes “gracias” em espanhol, este presente abençoado pelo bispo de Tenerife e proveniente do Senegal e da Gâmbia. Ainda a respeito da Espanha, outro presente para Leão: uma reprodução do pináculo da torre de São Bernabé da Sagrada Família, a única construída em vida por Gaudí, que queria garantir que fosse concluída antes da sua morte para servir de modelo para as outras torres.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 3,1-8)

ANO "A" - DIA: 13.04.2026
2ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Se com Cristo ressurgistes, procurai o que é do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus Pai.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

1 Havia um chefe judaico, membro do grupo dos fariseus, chamado Nicodemos, 2 que foi ter com Jesus, de noite, e lhe disse: "Rabi, sabemos que vieste como mestre da parte de Deus. De fato, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, a não ser que Deus esteja com ele". 3 Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce do alto, não pode ver o Reino de Deus". 4 Nicodemos disse: "Como é que alguém pode nascer, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mãe?" 5 Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus". 6 Quem nasce da carne é carne; quem nasce do Espírito é espírito. 7 Não te admires por eu haver dito: Vós deveis nascer do alto. 8 O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O convite para Nicodemos nascer do Alto"

O convite a Nicodemos para uma vida no Espírito
Havia um chefe judaico, membro do grupo dos fariseus, chamado Nicodemos, que foi ter com Jesus de noite e lhe disse: “Rabi, sabemos que vieste como mestre da parte de Deus. De fato, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, a não ser que Deus esteja com ele”. Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nascer do alto, não pode ver o reino de Deus”. Nicodemos disse: “Como é que alguém pode nascer, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mãe?” Jesus disse: “Em verdade, eu vos digo: se alguém não nasce da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus” (João 3,1-8).

Bom, um dos homens mais zelosos do judaísmo vem ao encontro de Jesus. Não que o zelo seja algo negativo, ele até é uma expressão de amor; porém, se se tornar estéril, se não nos fizer amar a Deus e os irmãos, ele se torna vazio. Esse homem vai à procura de Jesus à noite – é um detalhe que o Evangelho deixa escapar, não porque ele tivesse medo de se expor, pois Nicodemos mesmo vai defender Jesus diante de todo o Sinédrio, ele vai tomar o corpo de Cristo diante dos judeus e dos romanos e colocá-Lo no sepulcro. A noite, aqui no texto, quer indicar que ele ainda não nasceu do alto. Ele ainda não viu a luz de Cristo na sua vida. É aquela fase da busca incessante por uma resposta.

Nicodemos e a busca incessante
Nicodemos tem até uma religiosidade bonita, louvável, mas ainda não conheceu a pessoa de Jesus. Talvez fizesse tudo por uma mera tradição – tradição de família ou um aspecto social, religioso. Nós podemos cair na tentação de viver uma vida religiosa desse jeito, e transformarmos toda a nossa vida sacramental numa sucessão de atos sociais e automáticos.

Nicodemos questiona Jesus com uma proposta que parece mais avançada do que a técnica, por exemplo, da clonagem, sendo velho entrar de novo na barriga de nossa mãe.
Com o passar do tempo, quantas técnicas de manipulação da vida servem às ideologias e interesses que beiram o descaso com os direitos humanos! Porém, Jesus o desconcerta, dizendo-lhe que se não nascesse do alto, não poderia ver o reino do Messias.

Ser gerado pelo Espírito
Interessante que o verbo usado está na forma passiva: ser gerado. Nicodemos não era capaz de gerar para Deus apenas praticando os ritos, as tradições, os preceitos. Ele não podia se gerar, ele seria gerado. Era preciso uma força do alto que viesse ao seu socorro. E é o que se passa comigo e com você.

Nós chegamos à Páscoa do Senhor não porque fizemos uma Quaresma certinha, cheia de práticas, mas porque Cristo nos deu o dom da vida nova. Do contrário, nós teríamos morrido nas nossas práticas, e elas seriam vazias. Começa, no coração de Nicodemos, aquilo que se dará no coração de todos nós: o movimento do Espírito. É Ele que nos levará ao conhecimento da plena verdade sobre nós e sobre Deus.

Sobre todos vós desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova