quarta-feira, 20 de maio de 2026

Encontro de Ecônomos reflete sobre gestão eclesial diante dos desafios econômicos, pastorais e éticos



Teve início nesta terça-feira, 19 de maio, em Brasília (DF), na Casa Dom Luciano, o Encontro de Ecônomos, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Com o tema “Gestão Eclesial em tempos de mudanças: desafios econômicos, pastorais e éticos”, o evento reúne ecônomos, bispos, padres, religiosos e leigos de diversas dioceses do país para um tempo de formação, partilha de experiências e aprofundamento sobre a administração dos bens da Igreja.

A mesa de abertura contou com a presença do primeiro vice-presidente da CNBB, dom João Justino de Medeiros Silva, e do padre Felipe Lima, ecônomo da CNBB. Já a primeira conferência do encontro foi conduzida pelo Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, que abordou o tema da gestão eclesial em tempos de secularização e mudança cultural.


Serviço pastoral a favor da missão da Igreja
Ao dar as boas-vindas aos participantes, dom João Justino destacou que a realização do encontro responde a uma decisão da 62ª Assembleia Geral da CNBB, realizada em abril, em Aparecida (SP), na qual os bispos manifestaram apoio à promoção de iniciativas voltadas à formação de colaboradores das dioceses em diferentes áreas, como pastoral, jurídica e econômica.

“Reunimo-nos como Igreja que deseja servir melhor à própria Igreja, na administração dos bens que devem estar a serviço da missão”, afirmou.
Dom João Justino, primeiro vice-presidente da CNBB

O arcebispo ressaltou que a função do ecônomo ultrapassa o aspecto técnico e administrativo, constituindo-se como um verdadeiro serviço pastoral. Segundo ele, a boa gestão dos bens eclesiais é expressão concreta do cuidado com a evangelização, com a sustentabilidade da missão e com a promoção da dignidade humana.

“Não se trata apenas de uma função técnica ou administrativa, mas de um verdadeiro serviço pastoral realizado com profundo senso de responsabilidade eclesial”, enfatizou.

Inspirado no caminho sinodal vivido pela Igreja, dom João Justino destacou a importância de uma administração cada vez mais participativa, responsável e transparente. Ele recordou que a prestação de contas fortalece a confiança, o testemunho e a credibilidade da Igreja perante a sociedade.

Para o primeiro vice-presidente da CNBB, a gestão dos bens eclesiais é também um espaço concreto de vivência da sinodalidade, onde todos colaboram para que a Igreja seja sinal do Reino de Deus no mundo.

Ao concluir sua mensagem, desejou que os dias de encontro sejam fecundos em reflexão, diálogo e fraternidade, pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida para que a Igreja no Brasil continue crescendo em unidade, fidelidade ao Evangelho e compromisso com uma Igreja cada vez mais sinodal, missionária e transparente.

Governança, integridade e reforma tributária
Na sequência, o padre Felipe Lima acolheu os participantes e destacou a importância do encontro como espaço de formação, informação e renovação da consciência sobre a missão confiada aos ecônomos.

“Administramos bens que não nos pertencem, mas que foram colocados sob nossos cuidados para que possamos agir com equidade, transparência, sustentabilidade e fidelidade ao Evangelho”, afirmou.
Padre Felipe Lima, ecônomo da CNBB

O ecônomo da CNBB ressaltou que o contexto atual, marcado por rápidas transformações sociais, econômicas e jurídicas, exige atualização constante dos gestores eclesiais. Entre os desafios apontados, mencionou a reforma tributária em curso no Brasil, que demandará atenção especial por parte das dioceses quanto aos impactos sobre as instituições religiosas.

Padre Felipe também enfatizou a necessidade de fortalecer uma cultura de governança e integridade, com práticas como compliance, auditoria, prestação de contas, planejamento estratégico e gestão de riscos.

“A transparência não enfraquece a Igreja; ao contrário, fortalece sua credibilidade. A boa gestão cria as condições necessárias para que a evangelização aconteça com continuidade e confiança”, destacou.
Primeira conferência: Gestão eclesial em tempos de secularização e mudança cultural


A primeira conferência do encontro foi conduzida pelo Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, que abordou o tema da gestão eclesial em tempos de secularização e mudança cultural.

Em sua exposição, o representante da Santa Sé refletiu sobre os impactos da secularização e das profundas mudanças culturais sobre a vida da Igreja e sua sustentabilidade econômica. Segundo ele, o cenário atual exige novos instrumentos e uma mentalidade capaz de unir competência técnica e sabedoria evangélica.

Dom Giambattista destacou que o crescimento das denominações evangélicas, a mudança no perfil dos fiéis e a redução da participação sacramental trazem consequências concretas para a administração das dioceses, como diminuição das ofertas ordinárias e maior exigência de transparência.

O Núncio recordou ainda que a administração dos recursos de uma diocese deve ser uma ação colegial, sustentada por organismos funcionais e pela corresponsabilidade efetiva entre bispo, ecônomo e conselho para assuntos econômicos.

“Governar os recursos de uma diocese não é uma tarefa solitária nem prerrogativa exclusiva do ecônomo. É uma ação colegial que requer organismos funcionais, plurais e corresponsabilidade efetiva”, afirmou.

Outro ponto destacado foi a necessidade de superar o modelo de paróquias economicamente isoladas em favor de uma gestão integrada em nível diocesano, capaz de promover maior eficiência, solidariedade e comunhão entre as comunidades.

Para dom Giambattista, o ecônomo é chamado a ser “construtor de comunhão”, exercendo um serviço essencial para a missão evangelizadora da Igreja.

O Núncio Apostólico destacou que a Igreja é chamada a avançar para um modelo de gestão integrada dos bens e recursos, com serviços como contabilidade, administração de pessoal e manutenção do patrimônio, além da criação de unidades pastorais com administração compartilhada. Segundo ele, essa perspectiva encontra respaldo no Código de Direito Canônico, que atribui ao bispo diocesano a responsabilidade de coordenar e supervisionar toda a administração patrimonial, garantindo que os recursos sejam utilizados de forma eficiente e em conformidade com a missão evangelizadora da Igreja.

Ele reconheceu que essa transição pode gerar resistências, sobretudo entre paróquias que temem perder autonomia ou ver seus recursos destinados a outras comunidades. Por isso, ressaltou que a implantação deve ocorrer de maneira gradual, dialogada e respeitosa, deixando claro que a gestão integrada não significa expropriação, mas racionalização e partilha solidária em benefício de toda a diocese.
Dom Giambattista Diquattro, Núncio Apostólico no Brasil

O representante da Santa Sé enfatizou também a dimensão comunitária da administração dos bens eclesiais. Recordou que os administradores devem prestar contas aos fiéis, que não são meros destinatários das decisões econômicas, mas participantes ativos cuja confiança deve ser continuamente cultivada. Nesse contexto, o ecônomo diocesano aparece como figura-chave, chamado a unir competência técnica, sensibilidade pastoral e espírito de comunhão.

O Núncio observou que, em um país de dimensões continentais e profundas desigualdades como o Brasil, é essencial fortalecer mecanismos de solidariedade entre dioceses, como fundos comuns e instrumentos de equalização financeira coordenados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, para garantir que nenhuma Igreja particular fique privada dos recursos necessários para cumprir sua missão.

Ao tratar da formação dos ecônomos, destacou que o cargo não pode ser reduzido ao de mero administrador. Trata-se de um colaborador estratégico do bispo, cuja atuação exige preparo específico em direito canônico, legislação civil, gestão financeira, ética e doutrina social da Igreja. Por isso, recomendou a criação de programas permanentes de capacitação para ecônomos, bispos e membros dos conselhos econômicos, com a colaboração de universidades católicas e faculdades especializadas.

Dom Giambattista ressaltou ainda que a administração eclesial deve observar não apenas o Código de Direito Canônico, mas também a legislação civil brasileira, especialmente no que se refere a contratos, obrigações, regimes fiscais e responsabilidade patrimonial. Segundo ele, a gestão financeira das dioceses situa-se na interseção entre a ordem canônica e a ordem estatal, e falhas em qualquer um desses campos podem acarretar sérias consequências jurídicas e econômicas.

Por fim, destacou que o pontificado do Papa Francisco impulsionou uma profunda renovação na governança econômica da Igreja, com a criação de organismos como o Conselho para a Economia e a Secretaria para a Economia. Inspiradas em princípios de transparência, separação de funções e controle independente, essas estruturas, segundo o Núncio, tornaram-se referência para todas as Igrejas particulares, inclusive no Brasil, e desafiam as dioceses a aperfeiçoarem continuamente seus instrumentos de gestão em sintonia com os padrões de responsabilidade e integridade promovidos pela Igreja universal.
Outras conferências

Ainda neste primeiro dia de encontro dos ecônomos serão discutidos os impactos reais da reforma tributária na economia e no Terceiro Setor; e os desafios legais e pastorais na administração eclesial com relação à auditoria, prestação de contas e Compliance.

O Encontro de Ecônomos segue até a próxima quinta-feira, 21 de maio, com conferências, debates e partilhas voltados ao fortalecimento da gestão econômica e patrimonial da Igreja no Brasil, sempre em sintonia com os princípios da ética, da corresponsabilidade e da missão evangelizadora.

Por Larissa Carvalho | Fotos: Fiama Tonhá

Leão XIV: a liturgia celebrada deve ser traduzida em vida



O Papa iniciou um ciclo de catequeses sobre a Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium. A "liturgia está ao serviço do mistério de Cristo" e "sustenta os fiéis, mergulhando-os sempre e de novo na Páscoa do Senhor". De acordo com o Papa, "a participação dos fiéis na ação litúrgica é simultaneamente «interior» e «exterior»" e exige "uma existência fiel, capaz de concretizar o que foi vivido na celebração".

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Leão XIV iniciou na Audiência Geral desta quarta-feira (20/05), realizada na Praça São Pedro, uma série de catequeses sobre o primeiro documento promulgado pelo Concílio Vaticano II: a Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium.

“Ao elaborar esta Constituição, os Padres conciliares pretenderam não só empreender uma reforma dos ritos, mas também conduzir a Igreja a contemplar e a aprofundar aquele vínculo vivo que a constitui e a une: o mistério de Cristo.”

"A liturgia, com efeito, toca o próprio coração deste mistério: ela é simultaneamente o espaço, o tempo e o contexto em que a Igreja recebe de Cristo a sua própria vida", frisou o Papa, recordando o "Mistério cristão: o evento pascal, ou seja, a paixão, a morte, a ressurreição e a glorificação de Cristo, que precisamente na liturgia nos é tornado sacramentalmente presente, de modo que cada vez que participamos na assembleia reunida 'em seu nome' estamos imersos neste Mistério".

“O próprio Cristo é o princípio interior do mistério da Igreja, povo santo de Deus, nascido do seu lado traspassado na cruz. Na santa liturgia, com o poder do seu Espírito, Ele continua a agir. Santifica e associa a Igreja, sua esposa, à sua oferta ao Pai. Exerce o seu sacerdócio absolutamente único, Ele que está presente na Palavra proclamada, nos sacramentos, nos ministros que celebram, na comunidade reunida e, em grau supremo, na Eucaristia.”

A seguir, Leão XIV recorda "que, segundo Santo Agostinho, ao celebrar a Eucaristia, a Igreja «recebe o Corpo do Senhor e torna-se aquilo que recebe»: torna-se o Corpo de Cristo, «morada de Deus, por meio do Espírito». Esta é «a obra da nossa Redenção», que nos configura a Cristo e nos edifica na comunhão".

"Na sagrada liturgia, essa comunhão realiza-se «por meio duma boa compreensão dos ritos e orações»", disse o Papa, citando o número 48 da Sacrosanctum Concilium. "A ritualidade da Igreja expressa a sua fé e ao mesmo tempo, molda a identidade eclesial", sublinhou.

"Se a liturgia está ao serviço do mistério de Cristo, compreende-se por que razão foi definida como «simultaneamente a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força». É verdade que a ação da Igreja não se limita apenas à liturgia; no entanto, todas as suas atividades, a pregação, o serviço aos pobres, o acompanhamento das realidades humanas, convergem para este «culminar»", disse ainda Leão XIV.

De acordo com o Papa, "no sentido inverso, a liturgia sustenta os fiéis, mergulhando-os sempre e de novo na Páscoa do Senhor e, por isso, através da proclamação da Palavra, da celebração dos sacramentos e da oração comum, eles são revigorados, encorajados e renovados no seu empenho de fé e na sua missão. Por outras palavras, a participação dos fiéis na ação litúrgica é simultaneamente «interior» e «exterior»", disse o Pontífice, acrescentando:

“Isso significa também que ela é chamada a manifestar-se concretamente ao longo de toda a vida quotidiana, numa dinâmica ética e espiritual, de modo que a liturgia celebrada se traduza em vida e exija uma existência fiel, capaz de concretizar o que foi vivido na celebração: é assim que a nossa vida se torna «sacrifício vivo, santo, agradável a Deus», realizando o nosso «culto espiritual».”

"Desta forma, a liturgia «edifica os que estão na Igreja em templo santo no Senhor» e forma uma comunidade aberta e acolhedora para com todos. Ela é, de fato, habitada pelo Espírito Santo, introduz-nos na vida de Cristo, torna-nos o seu Corpo e, em todas as suas dimensões, representa um sinal da unidade de toda a humanidade em Cristo", disse ainda o Papa Leão.

Por fim, Leão XIV convidou a nos deixar "moldar interiormente pelos ritos, pelos símbolos, pelos gestos e, sobretudo, pela presença viva de Cristo na liturgia", sublinhando que outros aprofundamentos serão feitos nas próximas catequeses.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 17,11b-19)

ANO "A" - DIA: 20.05.2026
7ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao céu e rezou, dizendo: 11b "Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um. 12 Quando eu estava com eles, guardava-os em teu nome, o nome que me deste. Eu guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para se cumprir a Escritura. 13 Agora, eu vou para junto de ti, e digo estas coisas, estando ainda no mundo, para que eles tenham em si a minha alegria plenamente realizada. 14 Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os rejeitou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo. 15 Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. 16 Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. 17 Consagra-os na verdade; a tua palavra é verdade. 18 Como tu me enviaste ao mundo, assim também eu os enviei ao mundo. 19 Eu me consagro por eles, a fim de que eles também sejam consagrados na verdade".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
Jesus intercede pela nossa proteção ao Pai

A oração de Jesus que nos protege do mal
Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao céu e rezou dizendo: “Pai Santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um. Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, o nome que me deste. Eu guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição para se cumprir a escritura” (Jo 17,11b-19).

Bem, meus irmãos e minhas irmãs, nós estamos saboreando a oração mais bela, feita pelo próprio Jesus, pelo Filho de Deus, nas intenções da nossa pessoa, da nossa comunidade cristã, a unidade dos cristãos.

A proteção de quem caminha sob o abraço de Deus
Certamente, ninguém neste mundo fez uma oração tão especial por você como essa que nós ouvimos do Evangelho e que está documentada com palavras carregadas de amor, de cuidado, de zelo do Senhor pelos Seus discípulos. Não é uma oração que nos coloca numa bolha de proteção contra todo e qualquer tipo de situação adversa.

Não é uma oração pedindo a nossa retirada imediata do mundo. Mas é uma oração que nos coloca no campo de batalha do mundo, com a couraça da proteção divina. É combater tendo às costas a proteção do Pai do Céu. Como é bom poder caminhar na vida assim, profundamente imersos nas realidades deste mundo! Mas, antes de tudo, imersos no abraço protetor de Deus Pai, que cuida de cada um dos seus filhos.

O cuidado de Deus exige de nós responsabilidade
Jesus pede a proteção contra o maligno, porque a obra deste é justamente questionarmos e duvidarmos da paternidade de Deus. Lembremos as tentações de Jesus no deserto. Uma delas era fazer Jesus duvidar da proteção de Deus, tentando-O com uma espécie de suicídio. “Jogue-se daqui, o Pai vai te buscar, vai mandar os anjos para te buscar”. O cuidado de Deus não nos exime da nossa responsabilidade pela nossa vida.

Deus não poderá protegê-lo na estrada se você acabar fazendo ultrapassagens proibidas. Se você exceder a velocidade permitida. Ou se você fizer uso de bebidas alcoólicas e depois pegar no volante.

Existe uma paternidade muito responsável que nos compromete a fazer a nossa parte enquanto Deus faz muito bem a parte d’Ele. Jesus ora ao Pai na certeza de que os discípulos vão se comportar muito bem como filhos do Pai do Céu. Por isso, acolhamos esta oração de Jesus com abertura de coração e vivamos como verdadeiros filhos de Deus.

Sobre todos vós desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Fwrreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Descobrindo o propósito da sua missão de evangelizar

A finalidade definitiva da catequese: o encontro com Cristo

Evangelizar não é apenas uma tarefa, mas uma resposta de amor ao sacrifício de Cristo. No Luz da Fé, Tia Adelita nos recorda que todos nós, especialmente pais e catequistas, somos chamados a trabalhar pela evangelização com um propósito claro: levar as almas à comunhão com Jesus.

Muitas vezes, podemos nos perder em metodologias, mas o Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 426, é muito direto: a finalidade definitiva da catequese é levar à comunhão com Jesus Cristo. Somente Ele pode nos conduzir ao amor do Pai no Espírito e nos fazer participar da vida da Santíssima Trindade.

Para quem ensina a fé, o primeiro passo é ser “catequizado” pelo próprio amor de Deus. O catequista precisa ter o conhecimento, mas, acima de tudo, a convicção de que está guiando alguém para se tornar íntimo de Jesus. Como a Tia Adelita partilha, o objetivo é que a criança saia da catequese amando e conhecendo Jesus profundamente.

O exemplo de Santa Teresinha: nenhuma gota de sangue por terra
A inspiração para essa missão pode ser encontrada na vida dos santos. Santa Teresinha do Menino Jesus, ainda criança, impactou-se ao ver uma imagem do sangue de Jesus caindo na terra. Naquele momento, ela prometeu: “Eu não vou permitir que nenhuma gota do teu sangue caia por terra, Jesus”.

Essa promessa nasceu da compreensão de que é justo que as almas se salvem após o tremendo sacrifício que o Senhor fez na cruz. Evangelizar, portanto, é um ato de justiça e amor; não é justo que Jesus tenha derramado Seu sangue por uma alma que não aceita essa salvação. Esse desejo de salvar almas deve ser tão forte que nos leve a perdoar até quem nos feriu, desejando que também essa pessoa encontre o Céu.

Leia mais:

Ferramentas para evangelizar com criatividade
A evangelização pode e deve utilizar os dons que Deus nos deu. Seguindo o conselho do Padre Jonas Abib, a Tia Adelita assumiu a missão de escrever para o público infantil e juvenil, transformando a doutrina e a vida dos santos em histórias envolventes, quase como um filme.

Entre os recursos valiosos para a formação das crianças e adolescentes, destacam-se:

Vidas de Santos: Livros que narram as trajetórias de figuras como Dom Bosco e Santarcísio (o padroeiro dos coroinhas), ajudando os jovens a se sentirem parte da história.

Manual de Santidade: O livro “Quem quer ser santo”, voltado para a perseverança na fé após a Primeira Eucaristia, apresentando a doutrina de forma lúdica.

Vocação e Inspiração: Obras que mostram a beleza da vida religiosa, como a história de Santa Teresinha, apresentando Jesus como o verdadeiro “príncipe” das almas.

A Bíblia Infantil: Criada com o mesmo formato da Bíblia dos adultos para que a criança se familiarize com a Palavra de Deus e aprenda a fazer seu próprio estudo bíblico.

Um tesouro que não pode ser guardado
Quando descobrimos que Jesus nos ama, encontramos um tesouro que não podemos guardar apenas para nós. Queremos que todo mundo saiba dessa verdade para que ninguém se perca. Se você sente esse chamado, utilize os recursos disponíveis, estude o Catecismo e peça a intercessão dos santos catequistas. Como nos recorda a Tia Adelita, a missão de evangelizar é o fruto de uma vivência real com Deus.

Para mais dicas sobre como educar na fé as crianças, você pode buscar os materiais de evangelização da Canção Nova em loja.cancaonova.com

São Bernardino de Sena


Bernardino nasceu numa pequena aldeia, Massa Marítima, Carrara, República de Sena na Itália, em 1380. Sua família Albizzeschi era nobre, e seu pai governador de Massa. Era filho único, concebido pela intercessão da Virgem Maria, pedida pelos pais.

Órfão de mãe aos três anos e do pai aos sete, foi criado em Sena por duas tias muito devotas, que desde cedo lhe despertaram o profundo amor a Nossa Senhora e a Jesus. Rezava frequentemente diante de alguma imagem da Virgem, comovendo-se até as lágrimas, e desde cedo jejuava todos os sábados em Sua honra, hábito que levou pela vida inteira. Recitava diariamente o Ofício de Nossa Senhora, e gostava de visitar as igrejas; com memória excepcional, reproduzia detalhadamente às outras crianças os sermões que ouvia.

Certa vez, vendo a tia despedir um pobre sem nada lhe dar, por não haver em casa sequer um pão para o jantar da família, disse-lhe: "Pelo amor de Deus, demos alguma coisa ao pobre homem; dai-lhe o que me daríeis para o jantar; de bom grado passo em jejum".

Bernardino era dócil, cortês, modesto, respeitoso, muitíssimo inteligente. Também era belo e de extrema pureza, não suportando conversas obscenas. Recebeu, além da ótima educação religiosa, igual formação em letras e ciências humanas, formando-se aos 22 anos na Universidade de Sena. Logo depois, ingressou na Ordem de São Francisco, na mesma cidade.

Foi recebido por João Nestor, venerável ancião que, no Martirológio franciscano, consta como Bem-Aventurado. Desejando maior radicalidade na vida religiosa, Bernardino ingressou na Observância, uma forma mais extremada de pobreza à imitação de São Francisco, fazendo seu exemplar noviciado em Colombière, um convento completamente isolado, em Sena.

Ali haviam estado mais de uma vez o próprio São Francisco e São Boaventura, sendo costume que os jovens religiosos lá permanecessem algum tempo. Mesmo na Observância, acrescentava ainda mais austeridades do que as já estabelecidas; procurava fazer os serviços mais repulsivos e humilhantes, e alegrava-se quando, nas ruas, os meninos o injuriavam e tacavam pedras – até quando um parente o censurou amargamente pelo tipo de vida abjeto e desprezível que levava, o consideravam uma desonra para a família...

Seu empenho o levou a ser eleito pelos frades da Estrita Observância como seu Superior Geral em 1438. Após cinco anos no cargo e tendo promovido uma reforma rigorosa para o setor italiano, pediu a dispensa desta função, e aos 35 anos iniciou seu apostolado como pregador.

Viajando por toda a Itália, levava sempre um quadro de madeira com a inscrição IHS, Iesus Hominibus Salvatoren em Latim, ou “Jesus Salvador dos Homens” (criada por ele e que no século XVI foi adotada como emblema da Companhia de Jesus por Santo Inácio de Loyola, sendo até hoje frequente em várias ornamentações nas igrejas e nas hóstias). A ideia era de que os fiéis recordassem a missão salvadora de Cristo em favor da Humanidade, de modo a que arrependendo-se dos pecados e se convertendo, pudessem ser salvos.

Exortava sobre a caridade, a humildade, a concórdia, a justiça, e tinha palavras duríssimas para aqueles que "renegam a Deus por uma cabeça de alho". Promovia em praça pública a queima de livros impróprios. Elaborando o método taquigráfico, que permitia a um ajudante transcrever com facilidade e rapidez, fez registrar os seus sermões, que por este motivo chegaram até os dias de hoje.

O enorme esforço físico necessário para estas ininterruptas atividades, somado às constantes penitências, pouca alimentação e repouso, desgastaram a sua saúde, e ele veio a falecer em 20 de maio de 1444, no convento de Áquila, aos 64 anos.

São Bernardino de Sena é o patrono dos publicitários por causa dos meios empregados na evangelização – cartazes (com “IHS”), taquigrafia, fogueiras públicas, etc., que chamavam a atenção.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

As ações verdadeiramente santas são inevitavelmente precedidas por uma profunda formação espiritual na Verdade, e por isso as obras concretas de São Bernardino, que como discípulo de São Francisco sempre buscou ajudar os pobres, direcionam-se prioritariamente para a conversão das almas, pois de fato Iesus Hominibus Salvatoren est, e não é por exemplo o pão material ou reformas sociais que darão ao ser humano a felicidade, muito menos a infinita, após a morte. Por isso divulgou, por meios inéditos mas lícitos, o Evangelho, e não ideologia. Sua publicidade não foi voltada para o escândalo ou a mentira, mas para o que é justo diante de Deus. Que contraste, a sua iniciativa de queimar livros impuros, e a atual exaltação mediática e jurídica dos pecados da carne. O fogo do inferno não agirá sobre papel ou imagens, mas sobre as imagens impressas nas almas daqueles que fazem o papel de corruptores da castidade e da pureza. Para todos que trocam ninharias mundanas pela alegria da Comunhão infinita com Deus; os que "renegam a Deus por uma cabeça de alho". Fundamental é saber o que desejamos ingerir, interiorizar no espírito e no corpo, as “cebolas e alhos do Egito” (cf. Nm 11,5), ou a Sagrada Eucaristia. São Bernardino apropriadamente faleceu em Áquila, origem do Latim para “águia”, pois, como o símbolo utilizado em referência a São João Evangelista e a profundidade e acuidade do seu Evangelho, também ele soube voar alto na busca do Céu, tendo aguda visão da Terra e suas miudezas…

Oração:

Deus Pai, que não nos deixa órfãos, concedei-nos pela intercessão e exemplo de São Bernardino de Sena buscarmos desde já a companhia dos Vossos santos, aprendendo com eles a perfeição do espírito, para que também nossas boas ações possam ser registradas no Livro da Vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos mobiliza celebrações e encontros ecumênicos em todo o Brasil


Entre os dias 17 e 24 de maio, cristãos de diferentes tradições se unem em oração e reflexão durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) 2026. Celebrada no hemisfério sul entre a solenidade da Ascensão do Senhor e Pentecostes, a iniciativa convida as comunidades a aprofundarem o compromisso com o diálogo ecumênico e a busca pela unidade entre os seguidores de Jesus Cristo.

Neste ano, o tema escolhido é: “Há um só corpo e um só Espírito, assim como a vocação de vocês os chamou a uma só esperança” (cf. Efésios 4,4). A proposta destaca que, apesar da diversidade de tradições e expressões cristãs, todos são chamados a testemunhar juntos a esperança e a reconciliação em Cristo.

As reflexões e subsídios da SOUC 2026 foram preparados por fiéis da Igreja Apostólica Armênia, em colaboração com irmãos e irmãs das Igrejas Católica Armênia e Evangélica. Inspirados na rica tradição espiritual da Armênia – primeira nação a adotar oficialmente o cristianismo, em 301 d.C. – os textos resgatam antigas orações, hinos e práticas litúrgicas que expressam a herança comum da fé cristã.

Desde 2021, os materiais da Semana são disponibilizados exclusivamente em formato digital. O caderno de celebração (e-book) e o cartaz oficial podem ser acessados e baixados gratuitamente no site do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).

A unidade como testemunho
Em entrevista ao portal da Canção Nova, o assessor da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da CNBB, padre Marcus Barbosa Guimarães, recorda que a Semana de Oração não é um evento isolado, mas uma oportunidade concreta para que as comunidades cristãs se encontrem e reconheçam que “aquilo que nos une é bem maior do que aquilo que nos divide”.

Segundo ele, a unidade é condição essencial para a missão evangelizadora. “Num mundo profundamente dividido pelo ódio, intolerâncias e violências, somos chamados, como discípulos de Jesus Cristo, a ser verdadeiras testemunhas de reconciliação e unidade”, afirma.

Já o presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da CNBB, dom Rodolfo Weber, destaca que o compromisso ecumênico ganhou novo impulso com o decreto Unitatis Redintegratio. “Quando algo está dividido, a tarefa de um católico não é aumentar a divisão, mas trabalhar pela unidade”, ressalta.

Celebrações e encontros pelo país
Diversas cidades brasileiras promovem celebrações, rodas de conversa e encontros ecumênicos ao longo da semana.

Em Brasília (DF), a abertura oficial acontece neste domingo, 18 de maio, às 20h, na Catedral Anglicana de Brasília. Também na capital federal, a sede da CNBB realiza, no dia 22 de maio, às 11h45, um momento especial de oração com seus colaboradores.

Em São Paulo, em diversas paróquias a programação se estende de 17 a 23 de maio, reunindo líderes cristãos em celebrações ecumênicas, rodas de conversa e encontros em diferentes locais da cidade. E em São José dos Campos a programação acontece de 25 a 29 de maio.

Ainda nesta segunda-feira, 18, uma roda de diálogo promovida pela ASLI e outras entidades será transmitida online pelo YouTube, ampliando a participação de pessoas de todo o país.

No estado do Rio de Janeiro, a abertura da Semana ocorreu no domingo, 17 de maio, na Igreja Matriz de Santa Cecília, na diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda. Já a Paróquia Nossa Senhora de Copacabana e Santa Rosa de Lima realizam a celebração de encerramento às 20h, no dia 23 de maio.

Já no Rio Grande do Sul, comunidades de Porto Alegre e Alvorada realizam celebrações em diversas paróquias desde o dia 17.




Oferta fortalece projetos ecumênicos

Durante a SOUC, as comunidades também são convidadas a realizar uma oferta especial em favor do ecumenismo. Os recursos arrecadados são destinados ao Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil e às representações regionais, apoiando iniciativas de diálogo, formação e ações conjuntas entre as Igrejas. A oferta pode ser feita por meio da chave Pix: conic@conic.org.br ou pelo QrCode abaixo:


Mais do que uma tradição anual, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos reafirma o compromisso das Igrejas com o desejo de Jesus: “Que todos sejam um” (João 17,21). Em tempos marcados por divisões e conflitos, a SOUC recorda que a unidade dos cristãos é sinal profético de esperança e instrumento de evangelização para o mundo.

Por Larissa Carvalho | Com informações do CONIC

Magnifica humanitas, a primeira encíclica de Leão XIV. Publicação em 25 de maio



O documento sobre o tema "da salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial" foi assinado pelo Papa em 15 de maio, aniversário da encíclica Rerum Novarum de Leão XIII. A apresentação ocorrerá na próxima segunda-feira, no Salão Novo do Sínodo, na presença do Papa.

Vatican News

"Magnifica humanitas". Este é o título da primeira encíclica de Leão XIV, "sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial". O documento será publicado em 25 de maio e leva a assinatura do Papa com a data de 15 de maio, no 135º aniversário da promulgação da encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII.

A apresentação de "Magnifica humanitas" ocorrerá no mesmo dia de sua publicação, 25 de maio, às 11h30, no Salão Sinodal, com a presença do próprio Leão XIV.

Os oradores serão os cardeais Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e Michael Czerny, S.J., prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Na sequência, a professora Anna Rowlands, teóloga e professora da Durham University, no Reino Unido; Christopher Olah, cofundador da Anthropic (EUA) e responsável pela pesquisa sobre a interpretabilidade da inteligência artificial; a professora Leocadie Lushombo i.t., docente de teologia política e pensamento social católico na Jesuit School of Theology de Santa Clara, Califórnia.

A conclusão da apresentação estará a cargo do cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin. Em seguida, haverá um discurso e uma bênção do Papa Leão XIV.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 17,1-11a)

ANO "A" - DIA: 19.05.2026
7ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Rogarei ao meu Pai e ele há de enviar-vos um outro Paráclito, que há de permanecer eternamente convosco.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: "Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique a ti, 2 e, porque lhe deste poder sobre todo homem, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste. 3 Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo. 4 Eu te glorifiquei na terra e levei a termo a obra que me deste para fazer. 5 E agora, Pai, glorifica-me junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse. 6 Manifestei o teu nome aos homens que tu me deste do meio do mundo. Eram teus, e tu os confiaste a mim, e eles guardaram a tua palavra. 7 Agora eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti, 8 pois dei-lhes as palavras que tu me deste, e eles as acolheram, e reconheceram verdadeiramente que eu saí de ti e acreditaram que tu me enviaste. 9 Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10 Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. 11a Já não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Testemunhar com parresía através do Espírito Santo"

Parresía é a coragem de anunciar a verdade
Naquele tempo, os discípulos disseram a Jesus: “Eis que agora falas claramente e não usas mais figuras. Agora, sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue, por isso cremos que vieste da parte de Deus” (Jo 16,29-33).

Os discípulos se dão conta de que, agora, Jesus lhes fala claramente. Esse termo, no grego, é parresia, uma palavra que talvez você já tenha escutado por aí, cujo significado é “falar francamente”, sem rodeios, falar diretamente. Estamos nos aproximando do evento de Pentecostes, e será preciso muita parresia para que os discípulos levem adiante a mensagem de Cristo.

A clareza que nasce da intimidade
Muitos embates virão, muitas perseguições. Muitos fraquejarão e voltarão atrás. Muitos não suportarão a verdade e vão abandonar o caminho do Senhor. A parresia, com a qual o Espírito enriqueceu os discípulos, é necessária nos tempos de hoje para todos nós. E não se trata de dizer certas verdades de uma forma suicida, irresponsável ou até mesmo agressiva, humilhando ou diminuindo as pessoas.

A verdade do Evangelho impõe-se por si mesma. Às vezes, nós queremos fazer apologética – a defesa da fé –, mas às custas de ofender o outro que pensa e crê diferente de nós. Quantos episódios de intolerância nós cristãos enfrentamos ao longo desses séculos de história! Quantas coisas, quanta perseguição, quanta humilhação! E, agora, nós vamos fazer a mesma coisa que fizeram conosco?

Vivendo a parresía com radicalidade e amor
Quem não quer seguir Cristo com toda a sua radicalidade, que seja feliz na sua crença, no seu modo de viver. A mensagem do Evangelho é radical para nós que acolhemos Jesus, que O aceitamos na nossa vida como Mestre e como Senhor. Para nós, que nos decidimos pelo discipulado de Jesus, precisamos dessa palavra de parresía, sem meias verdades, vivendo de uma forma leviana a nossa vida cristã. Não! Vamos viver com radicalidade, vamos viver com profundidade a mensagem do Evangelho.

Sobre todos vós desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. canção Nova