segunda-feira, 4 de maio de 2026

Crédito: FrankyDeMeyer / GettyImages

Contra a ditadura do “eu sozinho”, a Igreja propõe a revolução do corpo: quando um membro sofre, o organismo inteiro, o Corpo Místico, entra em alerta

São Paulo afirma em suas cartas que somos o Corpo Místico de Cristo. Na Festa da Misericórdia, as leituras bíblicas nos apontam esse caminho: a comunidade é o lugar da vida e do encontro com o Senhor ressuscitado. Ninguém é bom sozinho. Precisamos uns dos outros para nos firmarmos na santidade em Deus.


De fato, a Igreja é o Corpo Místico de Cristo. E um corpo não é um mero ‘amontoado de peças’, mas uma unidade integrada. Se você martela o dedão do pé, a boca grita e os olhos choram. O cérebro não ignora o pé só porque ele está longe da cabeça. Ora, o mesmo se passa com a fé: não é uma experiência psicológica individual; é um sistema nervoso espiritual. Como disse Papa Bento XVI em sua Encíclica Spe Salvi (Salvos na esperança) a propósito do tema da salvação: “Ninguém vive só. Ninguém peca sozinho. Ninguém se salva sozinho” (Spe Salvi, 48). Assim, se um cristão é perseguido na Nigéria ou uma família passa fome na sua paróquia, o seu “eu” espiritual deveria sentir com eles. Se não sente, é porque o nervo pode estar atrofiado.

O antídoto para a solidão moderna
Em um mundo como o nosso, onde tudo e todos estão sempre ‘conectados’, só Jesus e o Seu Corpo Místico – a comunidade dos crentes – pode nos salvar do isolamento e do individualismo. O mundo promete a liberdade, mas aprisiona o ser humano ainda mais no isolamento.

Como curar essa doença? O que fazer para sarar essa depressão coletiva? A resposta está no “Corpo Místico de Cristo”: a Igreja.

Ser católico é aceitar que “eu” só existo plenamente no “nós”. Não somos sócios de um clube; somos células de um organismo vivo. Necessitamos todos uns dos outros.

O “estado inflamatório” da graça

A santidade e o pecado não são privados. Tudo o que fazemos atinge a Cristo e os irmãos. O Senhor é Quem mesmo diz: “Tudo o que fizestes a um desses pequeninos, a Mim o fizestes” (Mt 25). Por isso, se um membro adoece ou sofre, todos sofrem com ele, pois é impossível o corpo não sentir.

Quando um irmão ou uma irmã sofre, a Igreja entra em “estado inflamatório”: o coração dói com o mal do outro. O “eu” não fica indiferente.

A indiferença não é apenas uma falha moral; é uma doença neurológica na fé. Quem diz: “isso não é problema meu” está sofrendo de uma paralisia espiritual que o desliga do Corpo de Cristo. São Paulo nos adverte: não pode haver divisão no corpo, mas todos devem ter a mesma solicitude uns para com os outros. (1Cor 12,25).

São Francisco de Assis e a “fusão de nervos”
Se a Igreja é um só corpo, ninguém pode pensar que suas ações não alcançam os outros, ou que a sua fé é apenas um ato isolado. Alguns dizem “eu tenho a minha fé”. É propício recordar de São Francisco de Assis, pois ao celebrarmos um ano jubilar franciscano por ocasião dos 800 anos de sua morte, ele nos ensina que todos somos irmãos! Francisco é mestre da interconectividade! Não ajudou apenas os pobres, mas se tornou pobre. Ao abraçar o leproso, ele sentiu a dor na própria pele, porque entendeu que o leproso era seu próprio braço ferido. Chamou de irmão ao próprio Sol e de irmã a Lua, bem como irmãos e irmãs as estrelas, o fogo, o vento… e até o irmão Lobo (símbolo daqueles ‘membros’ que desprezamos por conta de suas más opções e más ações).

De fato, São Francisco de Assis é o exemplo de que só a fraternidade (povo de Deus, um só Corpo) em Cristo faz desaparecer a fronteira entre o “eu” e o “outro” através da caridade.

Despertar os nervos:
A próxima vez que você ouvir sobre uma tragédia ou uma injustiça, não pergunte ‘por que Deus permite isso?’, mas eu o convido a perguntar ao seu coração: ‘Por que os meus nervos ainda não dispararam?’ Pois isso foi o que aconteceu com os mártires: eles deram a vida, assumiram a vida do irmão como sendo sua própria, parte do seu próprio corpo.

Temos outro exemplo: São Maximiliano Kolbe (franciscano conventual) que, no campo de concentração de Auschwitz, trocou sua vida pela de Franciszek Gajowniczek, um sargento do exército polonês e pai de família. Ao voltar para sua casa, ele dedicou o restante de sua vida a divulgar o ato heroico de Kolbe e agradeceu pessoalmente o “dom da vida”, testemunhando a canonização de São Maximiliano por São João Paulo II em 1982.

São Maximiliano Kolbe é reverenciado como mártir da caridade, um santo que escolheu o amor em meio ao ódio extremo. Assumamos, então, esse compromisso para com Deus e o Seu Corpo, a Igreja: acolhamos a dor e o sofrimento do outro e rezemos por aqueles membros ‘mais frágeis’, porque amar o outro e rezar por ele não é um favor que você faz; é a manutenção da sua própria saúde espiritual, para que os nervos despertem!

Frei Sérgio Pinheiro, ofm
Promotor vocacional da Província Portuguesa da OFM

São Floriano


Floriano nasceu em Zeiselmer, povoado da Alta-Áustria, no século III. Era oficial romano, administrador militar servindo numa legião imperial da região do Rio Danúbio, em Nórica (atualmente parte da Áustria e da Alemanha).

A rápida disseminação do Catolicismo no Império Romano ocorreu em parte pela sua boa rede de estradas e pelo envio de soldados para as diversas áreas do império. Muitos militares se converteram, entre eles Floriano.

Nesta época ocorria a duríssima perseguição de Dioclesiano aos cristãos, que incluía a morte para os que não renegassem o Cristo e sacrificassem aos deuses pagãos, bem como a destruição de qualquer escrito da Palavra de Deus. Juntamente a 40 soldados, Floriano declarou-se cristão a Aquilino, comandante militar no vale do Rio Danúbio, em Lorch (atual Áustria); foi agredido a pauladas e teve arrancada a carne das espáduas.

Mas, não renunciando à Fé ele e os demais, foram todos condenados à morte. A sentença cumpriu-se com os condenados sendo atirados do alto de uma ponte ao rio Enns, próximo a Lorch, com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço, em 4 de maio de 304.

Seu corpo foi levado pelas águas, recolhido numa margem por cristãos e enterrado num local que no século VIII foi doado à Igreja por um presbítero, Reginolfo, que incluía as terras “do lugar aonde foi enterrado o precioso mártir Floriano".

Em 1138, o rei polaco Casimiro e o bispo Gedeão, de Cracóvia, pediram ao Papa Lúcio III a doação de algumas relíquias de mártires, seguindo entre elas as de São Floriano; por este motivo, ele é padroeiro da Polônia, e também de Linz no norte da Áustria, e ainda outros países da Europa Central.

Seu culto foi muito divulgado, especialmente entre soldados, na Idade Média. É também invocado contra os incêndios, sendo padroeiro dos bombeiros europeus e norte-americanos, pois ele teria criado um destacamento de legionários, conhecido como “combatentes do fogo”, para apagar os constantes incêndios nas modestas construções de acampamento. Sua imagem o representa embraçando um recipiente de onde a água cai sobre habitações queimando.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Pode-se dizer que São Floriano viveu e morreu na sua própria “casa”, hoje Áustria, ainda que sob o Império Romano; o mesmo se aplica a nós, que devemos viver, neste mundo, na nossa “casa” – mais ainda, “Corpo”, Místico e também material – que é a Igreja, e na qual queremos permanecer igualmente para sempre. Isto implica em que devemos combater, como num verdadeiro exército, as pressões mundanas e despóticas que nos querem afastar de Deus e consequentemente de nós mesmos, que somos Sua imagem e semelhança. A água do Batismo que caiu sobre cada um de nós deve constantemente apagar as chamas do pecado que nunca deixarão de nos tentar consumir durante o nosso serviço, neste posto avançado que é a terrena existência, e o apoio mútuo entre as legiões de Cristo deve formá-las, à semelhança de Nossa Senhora, “como um exército em ordem de batalha” (cf. Ct 63.9). Não poucos foram os mártires cristãos entre os legionários romanos, e como eles é preciso militar na obediência antes a Deus do que aos homens (cf. At 5,28-30).

Oração:

Senhor, Deus dos Exércitos, concedei-nos pela intercessão de São Floriano, e seus companheiros mártires, a união na Vossa obediência, e a graça de administrar as nossas vidas na lógica da conversão diária e perseverante, de modo a que em qualquer momento e situação, nas pequenas ou decisivas situações, tenhamos o destemor de confessar a Fé por obras e palavras, para a Vossa glória, o bem dos irmãos, e a nossa salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Em mensagem ao povo de Deus, bispos do Brasil reafirmam e renovam o compromisso de evangelizar


Ao final da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi divulgada a mensagem do episcopado a todo o povo de Deus. Esperança e unidade inspiram o texto que apresenta um chamado à comunhão e ao renovado compromisso de evangelizar numa Igreja onde todos são “corresponsáveis pela missão da Igreja, qualquer que seja o ministério que exerçamos”.

Os bispos unem-se ao Papa Leão XIV em seu profético empenho pela paz; destacam o Batismo como fonte de todas as vocações e a riqueza dos dons e carismas “que, na diversidade dos ministérios, dinamizam o serviço na Igreja e na sociedade”; e manifestam gratidão a todo o Povo de Deus, “que se mantém fiel no seguimento a Jesus Cristo”, com proximidade aos que “sofrem calúnias e agressões por seu compromisso com o Evangelho”.

Há o pedido de esforço pela unidade e pela valorização da diversidade dos dons, além do convite ao renovado compromisso na construção da cultura vocacional.

No espirito de comunhão e unidade, os bispos motivam a assumir “com renovado ardor, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”, expressão concreta da acolhida ao caminho sinodal.

“Somos uma Igreja ministerial e, sob o olhar amoroso da Virgem Aparecida, Mãe das Vocações, renovamos nosso compromisso de evangelizar, anunciando Jesus Cristo com alegria e esperança, para que cheguemos à plenitude do Reino de Deus”.

Confira a mensagem na íntegra:

MENSAGEM DOS BISPOS DO BRASIL AO POVO DE DEUS
Jesus disse de novo: “A paz esteja convosco.
Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21)

Reunidos em Aparecida, junto à Padroeira do Brasil, nós, Bispos Católicos, por ocasião da 62ª Assembleia Geral da CNBB, de 15 a 24 de abril, dirigimos esta mensagem de esperança e unidade a todo o Povo de Deus. Fortalecidos pela oração, reafirmamos o compromisso de evangelizar, sendo uma Igreja Sinodal que escuta, acolhe e serve a Jesus Cristo com amor e fidelidade.

Unimo-nos ao Papa Leão XIV em seu profético empenho pela paz, que não pode ser um ideal distante, mas uma realidade concreta. Exortamos todos a reconhecer que a paz, dom do Ressuscitado, brota da conversão dos corações, do diálogo fraterno e da solidariedade com os mais pobres.

O Batismo é a fonte de todas as vocações e, por meio dele, somos chamados à santidade e à comunhão. Revestidos todos da mesma dignidade, tornamo-nos corresponsáveis pela missão da Igreja, qualquer que seja o ministério que exerçamos. Nesta harmonia, reconhecemos a riqueza dos dons e carismas que, na diversidade dos ministérios, dinamizam o serviço na Igreja e na sociedade.

Manifestamos nossa gratidão a todo o Povo de Deus, que se mantém fiel no seguimento a Jesus Cristo, e expressamos nossa proximidade a todos os cristãos leigos e leigas, consagrados e consagradas, e ministros ordenados que sofrem calúnias e agressões por seu compromisso com o Evangelho, principalmente junto aos pobres e na defesa da Casa Comum.

Pedimos a todos um esforço contínuo pela unidade, fazendo de nossas comunidades ambientes onde o diálogo se manifeste na superação das polarizações. Empenhemo-nos na valorização da diversidade dos dons, onde todos os ministérios sejam vividos como serviço ao próximo, num caminho de comunhão, participação e missão.

Somos gratos aos cristãos leigos e leigas, chamados a ser sal da terra e luz do mundo nas realidades sociais e eclesiais (cf. Mt 5,13-16). Enaltecemos, igualmente, a vocação matrimonial e a família, cuja missão reside em gerar e cuidar da vida, na educação das novas gerações e na transmissão da fé.

Esse mesmo olhar queremos dirigir aos diáconos e presbíteros, chamados — a exemplo do Bom Pastor — a serem conosco os primeiros, dentre o Povo de Deus, servidores na comunidade e dispensadores da graça sacramental, construindo um caminho de unidade e comunhão. Reconhecemos também a importância da vida consagrada e seu compromisso missionário, especialmente junto aos mais fragilizados, como um sinal profético de doação da própria vida e um testemunho da alegria no discipulado.

Iluminados pelo magistério do Papa Francisco, que nos animou a ser uma “Igreja em saída”, reconhecemos o trabalho incansável de todos os fiéis que se dedicam às iniciativas de cuidado dos pobres e da Casa Comum, atuando nas periferias geográficas e existenciais. A doação de suas vidas, nesta missão, impulsiona-nos a uma sensibilidade e abertura missionária permanentes.

Agradecemos, de modo especial, a todos os jovens presentes em nossas comunidades. Vocês são o “agora de Deus”, e nos ajudam a ser uma Igreja viva e renovada. Ao mesmo tempo, convidamos todas as lideranças eclesiais a acolherem e caminharem junto aos jovens, no cuidado, na escuta e no discernimento.

Convidamos todos a um renovado compromisso na construção da cultura vocacional, fazendo de nossas comunidades espaços de encontro, testemunho e missão. Ao redor da mesa da Palavra e da Eucaristia, em cada domingo, unamo-nos na oração pelas vocações e pela perseverança dos que se colocam a serviço da evangelização.

Neste espírito de comunhão, como um só corpo (cf. Rm 12,5), assumamos, com renovado ardor, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Elas são a expressão concreta de nossa acolhida ao caminho sinodal, que nos leva a redescobrir a beleza da variedade das vocações, carismas e ministérios.

Somos uma Igreja ministerial e, sob o olhar amoroso da Virgem Aparecida, Mãe das Vocações, renovamos nosso compromisso de evangelizar, anunciando Jesus Cristo com alegria e esperança, para que cheguemos à plenitude do Reino de Deus.

Aparecida – SP, 24 de abril de 2026.
62ª Assembleia Geral da CNBB

Dom Jaime Cardeal Spengler
Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS
Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia – GO
1º Vice-Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife – PE
2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF
Secretário-Geral da CNBB


Papa faz saudação especial às jovens brasileiras da Orquestra Chiquinha Gonzaga

As "Chiquinhas", como são carinhosamente conhecidas, levaram a música brasileira para o Papa e outras 25 mil pessoas na Praça São Pedro. A participação na Audiência Geral desta quarta-feira (29/04) fez parte das comemorações dos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé, mas, sobretudo, foi um marco na vida de 27 jovens instrumentistas que viram um sonho sendo concretizado e servindo de inspiração para tantas outras que ficaram no Rio de Janeiro.

Andressa Collet - Vatican News

“Uma cordial saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo especial ao grupo do Colégio Laura Vicuña, de Lisboa, e às jovens da Orquestra Chiquinha Gonzaga, do Rio de Janeiro! Na África, encontrei comunidades eclesiais que, cada uma do seu modo, dão testemunho de uma fé viva. Peçamos ao Senhor que reavive a nossa fé! Deus os abençoe!”

As palavras do Papa Leão XIV, que na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (29/04) recordou a recente viagem apostólica à África, quando passou por quatro países em 10 dias, foram um bálsamo para as 27 instrumentistas da Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga, do Rio de Janeiro. Elas estão na Itália para cumprir agenda da turnê internacional "Conexão Vaticano", por ocasião das comemorações dos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé (1826-2026). Há uma semana em Roma, elas já visitaram a Academia Santa Cecília, um dos mais prestigiados centros de formação musical da Europa; apresentaram um pocket show na Mostra de Cinema Brasileiro no Cinema Troisi, que contou com a curadoria do cardeal José Tolentino De Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé; assim como realizaram concertos na Universidade La Sapienza de Roma e na Embaixada do Brasil na Itália.

A orquestra em plena Praça São Pedro na Audiência Geral com o Papa (afael Ribeiro/OSJ Chiquinha)

As Chiquinhas com o Papa na Praça São Pedro
O grupo, acompanhado da cantora Flor Gil, neta de Gilberto Gil, interpretaram grandes obras da música brasileira em plena Praça São Pedro, levando para o Papa e para cerca de 25 mil pessoas a paixão pela cultura do país, através de um instrumento universal de diálogo entre as nações, como comentou ao Vatican News, Moana Martins, pianista e diretora-executiva da OSJ Chiquinha Gonzaga:

"Estar ali, bem pertinho dele, recebendo a sua bênção, as suas palavras de paz, de justiça. E a sua pregação foi tão envolvente: ele estava contando hoje sobre a sua missão na África e os valores que orientam o seu ministério, porque orientam também a nossa missão de paz, trabalhando com as favelas no Rio de Janeiro. Ele acredita naquilo que a gente acredita, pregando por essa nossa ação conjunta pela paz e pelo amor. E nós estávamos tocando o hino brasileiro 'Garota de Ipanema' e, no final, aquela frase 'por causa do amor'... e aí foi quando ele entrou (na Praça São Pedro)! O amor é a grande mola-mestra da paz, é o nosso elo da perfeição. E eu e as meninas, muito tocadas, muito alimentadas na nossa alma, por tudo o que ele representa e falou, e falou o nome da nossa orquestra e nos deu a sua bênção em alto e bom som! Então, você imagina como ainda está o meu coração, fervilhando de alegria!"

Algumas instrumentistas com a diretora-executiva, Moana, ao visitar a Rádio Vaticano

Flor Gil, convidada de honra da orquestra, é a segunda vez em menos de um mês que volta a Roma para concertos: o primeiro foi no início de abril em turnê com a família, liderada pelo avô Gilberto Gil, e desta vez na turnê "Conexão Vaticano" com as "Chiquinhas":

"Foi muito bonito cantar lá; tinha muita gente... E ver o Papa, assim, entrando, com 'Garota de Ipanema', que eu cantei com as meninas. Foi muito legal! Me vejo já como uma pessoa muito abençoada e com muitos privilégios, vindo de uma família que já abriu muitas portas pra mim, consegui também fazer o meu caminho por si só."

A orquestra é jovem, com apenas 5 anos de atividades, mas carrega a força que brota das suas origens, já que nasceu na primeira favela do Brasil e se distingue por ser a primeira orquestra de meninas do Brasil. A formação, exclusivamente feminina, por 52 instrumentistas com idades entre 13 e 21 anos, leva o nome da primeira maestra do país, simbolizando uma herança de luta, liberdade e protagonismo feminino e da juventude brasileira. As meninas representam comunidades inteiras de jovens e, estar aqui junto com o Papa, "é uma vitória coletiva", disse a diretora-executiva, enaltecendo a importância de celebrar o talento das instrumentistas, mas também a potência da música como ferramenta de transformação cultural e social.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 13,16-20)

ANO "A" - DIA: 30.04.2026
4ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Jesus Cristo, a fiel testemunha, primogênito dos mortos, nos amou e do pecado nos lavou, em seu sangue derramado.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus lhes disse: 16 "Em verdade, em verdade vos digo: o servo não está acima do seu senhor e o mensageiro não é maior que aquele que o enviou. 17 Se sabeis isto, e o puserdes em prática, sereis felizes. 18 Eu não falo de vós todos. Eu conheço aqueles que escolhi, mas é preciso que se realize o que está na Escritura: 'Aquele que come o meu pão levantou contra mim o calcanhar.' 19 Desde agora vos digo isto, antes de acontecer, a fim de que, quando acontecer, creiais que eu sou. 20 Em verdade, em verdade vos digo, quem recebe aquele que eu enviar, me recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Ser mensageiro e servo de Cristo"

O mensageiro abandona a omissão e, com a vida, testemunha Jesus
Jesus lava os pés dos discípulos e nos ensina que quem é anunciado é maior do que quem anuncia. A mensagem é maior que o mensageiro. Jesus é a mensagem, nós somos seus mensageiros.

Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus lhes disse: “Em verdade, em verdade vos digo, o servo não está acima do seu senhor e o mensageiro não é maior que aquele que o enviou. Se sabeis isto e o puserdes em prática, sereis felizes”. (Jo 13,16-20)

Irmãos e irmãs, jamais deveríamos nos esquecer da dimensão do servir. Lavar os pés nos leva a essa atitude de serviço. Serve verdadeiramente a Deus quem não tem medo de ser humilhado nem maltratado por amor a Jesus. É assim que seremos verdadeiramente servos do Senhor.

O mensageiro anuncia com a própria vida
Podemos ser humilhados no trabalho por manifestar a fé, ou na faculdade, onde, muitas vezes, a crença em Jesus é escondida, não manifestada publicamente. Ou até mesmo ser humilhado em casa. Às vezes, nós nos calamos quando falam mal de Jesus e da Igreja na nossa frente, mas então precisamos nos questionar: temos coragem de viver a fé ou nos deixar envolver pelo medo e pela omissão?

O combate à omissão
Se ficarmos com medo de anunciar Jesus, deveríamos pensar que uma lâmpada não foi feita para ficar escondida, ela foi feita para ser vista, para iluminar e dissipar as trevas. Toda vez que você anuncia Jesus, você contribui para que as trevas deste mundo e o mal sejam dissipados. Não anunciar Jesus é muito mais que vergonha: é omissão. É esconder a luz e o bem que o mundo precisa e espera.

Portanto, tome coragem e anuncie. Fale de Jesus com a própria vida e com o seu testemunho. Todas as vezes que nos omitimos, o mal vence um pouco. Mas nós queremos que o bem, que é Jesus e que é luz, dissipe as trevas do nosso coração, porque o mal não terá a última palavra. A última palavra é a de Jesus sobre as trevas deste mundo. Se o mundo jaz sob o maligno, anunciemos Aquele que nos liberta para sempre deste mal.

A bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


O toque de fé que transforma a vida e cura a alma

É preciso tocar o Senhor

A cena parece cômica. Imagine só. Jesus acaba de atravessar o mar e uma numerosa multidão o cerca. De repente, sente-se tocado e pergunta:

– Quem foi que me tocou?
Os apóstolos começam a rir. Afinal de contas, milhares de pessoas o cercam e muitos têm esbarrado em Jesus. Pedro, como sempre, toma a palavra e diz:

– Mestre, a multidão te comprime, te aperta e te esmaga e tu perguntas quem foi que esbarrou…
– Jesus insiste:

– Eu não estou perguntando quem foi que esbarrou, e sim quem foi que tocou em mim?

Uma mulher, que há 12 anos sofria de hemorragia, tremendo de medo e se sentindo curada, se apresenta:
– Fui eu, Senhor.
– Minha filha, tua fé te curou, vá em paz!

Essa experiência (cf. Lc 8,43-48) foi vivida também por muitos outros doentes que tocaram ou foram tocados pelo Senhor (cf. Mt 14,36; Mc 6,56; Lc 6,19). Todos percebiam que de Jesus saía uma força.

Foto Ilustrativa: PeteWill by Getty Images

Também hoje é preciso “tocar” o Senhor
Esse toque não significa simplesmente aproximar-se fisicamente dele, o que hoje seria impossível, mas pode ser um “toque” na . Lembremos da experiência de Tomé: “Se eu não tocar em suas mãos chagadas e em seu coração transpassado, eu não acreditarei” (Jo 20,24-29).

O próprio Cristo afirma a Tomé que mais felizes serão aquele que nele acreditarão sem ter visto, isto é, aqueles que o experimentarão pela fé. Existem hoje, no mundo, muitos cristãos que são como a maioria dos que comprimiam Jesus. Esbarram no Senhor, mas não chegam a tocar seu coração.

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Também hoje é preciso e possível tocar Jesus. É necessário fazer uma experiência pessoal com Ele em nossa vida e permitir que Ele viva em nós (Gl 2,19b-20).

Ele veio para nos sarar, para nos curar, nos salvar, e isso é possível somente para aqueles que o encontram. Tocá-lo é encontrar-se com Ele. Esse encontro é, muitas vezes, um salto na escuridão. É o caso de Maria, que acreditou e, por isso, se encontrou com Deus. Outras vezes, é fruto de um chamado todo especial, como aconteceu com Paulo e Pedro.

Por vezes, o encontro se dá num momento decisivo e até mesmo angustiante de nossa vida, como aconteceu com aquela pecadora à beira do apedrejamento (Jo 8) ou como a samaritana adúltera (Jo 4).

Às vezes, esse encontro se dá na calada da noite, como ocorreu com Nicodemos (Jo 3), ou ao amanhecer de um novo dia, como aconteceu com Madalena (Jo 20,11-18). Outras vezes, é um encontro inesperado, como o de Zaqueu (Lc 19,1-10) ou o de Levi (Mt 9,9).

Não importa o momento nem a hora ou as condições. O que realmente importa é que o encontremos e o toquemos.

Todos aqueles que O tocaram tiveram suas vidas transformadas. Após cada encontro, sempre ocorreu uma cura, quer seja física (Lc 8,43-48; Jo 5,1-9; 9,1-7) ou psíquica e interior (Lc 19,1-10; Jo 4).

Todos aqueles que se encontraram com o Senhor, que O tocaram ou deixaram que Ele os tocasse, mudaram os rumos de suas vidas. Todo encontro com o Senhor sempre leva o homem a repensar a sua vida e suas atitudes.

Muitos não se encontraram ainda com o Senhor. A exemplo da multidão que o cercava, muitos somente esbarram n’Ele. O Novo Testamento é repleto de passagens que nos mostram também aqueles que não O quiseram tocar: o moço rico (Mt 19,16-22), os sumos sacerdotes (Mt 26,57-66), Pilatos (Mt 27,11-26), Herodes (Lc 23,8-12) e tantos outros que esbarraram nele, mas não permitiram o toque salvífico.

Não importa a hora desse encontro. Pedro, por exemplo, o encontrou num momento de grande queda (Lc 22,54-62). O importante é permitir o toque do Senhor, percebendo e acolhendo o seu olhar amoroso.

Precisamos, hoje, tocar o Senhor. Como? De que maneira? É este o objetivo de nossa reflexão.

O que importa é tocar o Senhor, nem que seja no momento final de nossa vida (Lc 23,39-43). É preciso encontrá-Lo, porque só assim encontraremos a nós mesmos e teremos condições de encontrar nossos irmãos.


Texto extraído do livro Tocar o Senhor, autoria de Padre Léo, SCJ.

São Pio V, Papa e Confessor

Antônio Michele Ghislieri nasceu na pequena aldeia de Bosco Marengo, província de Alexandria no norte da Itália, em 1504. Quando rapaz, era pastor de ovelhas. Aos 14 anos ingressou na Ordem Dominicana. Ordenado sacerdote, ocupou sucessivamente vários cargos: professor, prior conventual, superior provincial, inquiridor do Santo ofício em Como e Bérgamo, bispo de Sutri e Nepi próximo a Roma, cardeal, bispo de Mondovi e Papa em 1566, aos 62 anos, com o nome de Pio V. Participou, como bispo, da última sessão do Concílio de Trento (1562-1563).

Este era o período da Contra-Reforma Católica diante do desafio da “Reforma” Protestante, e o Concílio de Trento, um dos mais importante da Igreja, estabeleceu normas claras para a ação da Igreja, que precisavam ser implementadas. Ao mesmo tempo, havia a grave e iminente ameaça da invasão muçulmana dos turcos otomanos na Europa.

Pio V teve uma grandiosa atuação em diversas áreas, em apenas seis anos de Pontificado. Fundamental foi ter colocado em prática os Decretos do Concílio. Neste sentido, publicou a Bula “In Coena Domini”, sobre a custódia da Fé e contra as heresias protestantes, condenando os crimes dos soberanos, com boa repercussão na Itália, Portugal, Polônia e Alemanha; dos países católicos, apenas a França colocou oposição. Excomungou a rainha Elisabeth I da Inglaterra, cismática e perseguidora dos católicos, e abençoou os soberanos que aderiram às mudanças do Concílio. Publicou e difundiu o Catecismo Tridentino, e reformou o Breviário (1568) e o Missal (1570) Romanos, utilizados até 1968. Confirmou a importância do cerimonial.

Trabalhou muito para corrigir e elevar o comportamento do clero e da população: acabou com a simonia na Cúria Romana (“comércio” de favores espirituais como bençãos e indulgências, ou de coisas temporais relacionadas às espirituais, como cargos e benefícios eclesiásticos), reduziu os gastos da Corte Papal, combateu energicamente o nepotismo (aos seus parentes que ambicionam cargos em Roma, disse que deveriam se considerar ricos por não estarem na miséria; afastou da cidade um sobrinho relapso, sob ameaça de pena de morte), aboliu costumes mundanos dos funcionários da Cúria; impôs a obrigação de residência para os bispos, a clausura dos religiosos, o celibato e a santidade de vida dos sacerdotes, as visitas pastorais dos bispos, o aumento das missões, a censura para publicações religiosas (em face das divulgações heréticas). Para dar o exemplo, levava vida santa e austera, dormindo sobre palhas e jejuando com frequência. Auxiliou os necessitados com a criação dos montepios (“Monte de Piedade”), procurando livrá-los dos usurários; dedicava semanalmente dez horas de audiência aos pobres; fundou os hospitais de São Pedro e do Espírito Santo; distribuiu alimentos e promoveu serviços sanitários em 1566, um período de escassez; abriu estradas e reformou aquedutos; proibiu em Roma as touradas e o uso de máscaras.

Além de resgatar a unidade religiosa do continente, conseguiu unir a Europa também politicamente, ao favorecer o fim das guerras internas e criar a Liga Santa, uma coalisão militar, chefiada pelo imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Maximiliano II, em aliança com a República de Veneza e a Santa Sé, de modo a combater os muçulmanos. O confronto decisivo se deu na Batalha (naval, no golfo) de Lepanto (no Mar Jônico, Grécia), em 7 de outubro de 1571, mas o Papa já ordenara o apoio espiritual, com preces públicas e orações penitenciais. Em cada navio exigiu um sacerdote para a confissão dos soldados, que deveriam também rezar o Rosário; colocou um núncio apostólico no porto de saída da armada de guerra, na Sicília (Itália), para abençoar cada navio – que levavam todos o estandarte de Maria – com a imagem de Nossa Senhora.

A frota católica, com 243 navios, enfrentou as 283 naves otomanas num combate de aproximadamente quatro horas. Enquanto rezava o Terço durante este período, Pio V teve uma visão da vitória católica, e mandou tocar todos os sinos em Roma. Ele instituiu nesta data a festa de Nossa Senhora do Rosário (da Vitória), e construiu a igreja de Santa Maria della Victoria, onde está a famosa escultura de Bernini, “Êxtase de Santa Teresa”. Acrescentou também a invocação “Auxílio dos cristãos, rogai por nós”, na Ladainha de Nossa Senhora.

São Pio V faleceu no dia 1° de maio de 1572, já debilitado por longa doença.

Reflexão:

Gigantesca é a obra de São Pio V, influindo direta e decisiva e positivamente em áreas tão variadas como a reforma de textos litúrgicos, auxílios materiais aos necessitados, e os rumos políticos do continente europeu. Jovem, era pastor de ovelhas, adulto, pastor de almas: seu empenho em colocar em prática as diretrizes do fundamental Concílio de Trento rendeu à Cristandade o élan necessário para se equilibrar após o evento do Protestantismo. De fato, era necessário corrigir os desmandos do clero e do comportamento laxo dos fiéis, unir as nações católicas e combater a iminente e fatal invasão otomana, que colocaria a Europa católica em ruínas. Sem dúvida suas vitórias, particularmente no apoio à armada católica na batalha de Lepanto, se devem à entrega de tudo nas mãos de Nossa Senhora. Orações públicas e penitenciais e a recitação do Rosário, em especial no momento mesmo do confronto, mostram que recorrer a Nossa Senhora, como Ela mesma e Jesus nos pedem, é sempre garantia de proteção e sucesso. Por que nós, os fiéis atuais, diante das batalhas dos nossos tempos, hesitamos em fazer o mesmo? Certamente, são empenhos do diabo nos “distrair” do socorro infalível de Nossa Mãe, pois contra Ela satanás nada pode. A situação de crise interna na Igreja, com dissenções cada vez maiores, evidentes e profundas, a gravíssima situação da política mundial e no Brasil, inúmeras misérias em todo o globo, e o fundamento de todos estes males – o afastamento deliberado do Homem em relação a Deus – mais do que nunca nos clama a implorar: “Auxílio dos cristãos, rogai por nós”!, para que Nossa Senhora do Rosário, da Vitória, traga paz e reine neste mundo. Temos um Lepanto atual, decisivo, pessoal e mundialmente – e só com Nossa Senhora o venceremos. O Rosário é a nossa arma para este combate, e, significativamente, Maria Santíssima, nas Suas últimas aparições ao longo dos séculos, tanto insiste em que o rezemos. Não tornemos a errar por desfazer dos Seus avisos: a crise mundial de hoje é claramente consequência do atraso na Consagração da Rússia, por Ela pedida nas aparições de 1917 em Fátima: “Se atenderem os meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz. Se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas.” Claríssimo o nosso dever de rezar diariamente o Santo Rosário, mesmo que com esforço.

Oração:

Deus Pai de misericórdia, que nos destes Vossa própria Mãe por protetora, concedei-nos que por intercessão de São Pio V tenhamos a fé, a humildade e a sabedoria de cumprirmos com as nossas tarefas, conforme Vós as evidenciais para nós, e concedei-nos especial confiança e amor à devoção por Nossa Senhora, para garantirmos a salvação pessoal e a paz no mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e a mesma Nossa Senhora. Amém. Nossa Senhora da Conceição Aparecida, rogai por nós.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Presidência da CNBB apresenta as principais definições da 62ª AG em coletiva de imprensa de conclusão do evento


Padre Arnaldo Rodrigues, assessor de Comunicação da CNBB. 
Fotos: Fiama Tonhá – Comunicação 62ª AG CNBB.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou, de 15 a 24 de abril, a 62ª Assembleia Geral (62ª AG CNBB), no Santuário Nacional de Aparecida.

O encontro foi marcado por uma programação extensa que trouxe à pauta central a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), além de outros temas, informes e atividades da Conferência e dos organismos eclesiais.

Na manhã desta sexta-feira, 24 de abril, a presidência da CNBB concedeu entrevista coletiva aos veículos de imprensa. Na oportunidade, o arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Conferência, dom Jaime Cardeal Spengler, abordou o tema central da 62ª AG.


Dom Jaime Spengler celebrou a aprovação novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE), que foram construídas ao longo de três anos com o trabalho intenso de uma comissão. Além disso, destacou que as propostas dos bispos enriqueceram o texto, que chegou ao final com cerca de 1,5 mil contribuições, emendas e sugestões.

“Chegamos a um texto que, eu imagino, reflete as necessidades da obra da evangelização hoje no território. O texto está dividido em seis capítulos. O primeiro, a igreja compreendida como tenda do encontro. A tenda acolhe todos. A tenda pode ser sempre de novo alargada de acordo com as necessidades”, disse.

O presidente da CNBB ainda lembrou que as novas DGAE estão alinhadas ao documento final do Sínodo 2021-2024 e são a marca da recepção do processo sinodal na Igreja Católica presente no Brasil. “O sexto capítulo expressa os nossos compromissos sinodais. Por que esse capítulo é importante? Porque havia uma decisão por parte não só da Assembleia, mas da equipe, de que estas diretrizes estivessem em sintonia com as decisões do Sínodo. Mas ainda, que elas expressassem a atuação do Sínodo nas nossas realidades locais. E aqui então tratamos dos três grandes compromissos sinodais: conversão das relações, dos processos e dos vínculos”, concluiu.


O Brasil será sede de encontros nacionais e continentais O arcebispo de Goiânia (GO) e primeiro vice-presidente da CNBB, dom João Justino de Medeiros Silva, detalhou a agenda de grandes eventos que serão realizados no Brasil. No ano de 2027, de 20 a 24 de julho, a diocese de Cachoeiro do Itapemirim (ES), vai acolher o 16º Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Dom João Justino detalhou a organização do 19º Congresso Eucarístico Nacional (CEN), que vai acontecer de 03 a 07 de setembro de 2027, em Goiânia (GO). Com o tema “Hóstias vivas no mundo, para a glória do Pai”, o evento reafirma a centralidade da Eucaristia na vida cristã. Ele ainda abordou o 7º Congresso Americano Missionário (CAM 7), agendado para novembro de 2029, em Curitiba (PR).

Com o tema “ América em saída, povo de Deus que anuncia e testemunha Jesus Cristo”, o CAM 7 terá a participação de delegações de 22 países. Dom João Justino pontuou duas ações que foram aprovadas episcopado na 62ª AG: a realização de um Ano Missionário Nacional entre novembro de 2028 e novembro de 2029, além de uma coleta para subsidiar o evento.

Mensagens da 62ª AG CNBB


O arcebispo de Olinda e Recife (PE) e segundo vice-presidente da CNBB, dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, apresentou as quatro mensagens aprovadas pela Assembleia: ao Papa Leão XIV, ao prefeito do Dicastério para os Bispos, ao povo de Deus, com destaque para a carta direcionada a todo o povo brasileiro, que aborda a complexa realidade sociopolítica do país.

“Tratamos das problemáticas sociais e damos um pouco de destaque ao tema das eleições, pedindo a ética na política, que se deve evitar compra e venda de votos e que se deve buscar, com critérios éticos objetivos, votar em pessoas que de fato possam melhorar o nível ético do nosso país”, salientou.

Acesse as mensagens na íntegra:


Dom Ricardo ressaltou a inovação e a logística da 62ª AG

O bispo auxiliar de Brasília (DF) secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers,  ressaltou o desafio logístico de gerir o maior episcopado do mundo e as inovações tecnológicas implementadas nesta 62ª AG. Ele abordou o uso de dispositivos digitais para votações e a criação de um centro de dados para a Igreja no Brasil.

“Demos um passo na tecnologia. Praticamente em todas as votações utilizamos dispositivos para que agilizasse as votações. Tivemos a aprovação muito importante de um centro de dados da Igreja Católica no Brasil, onde nós estamos elaborando esta importante plataforma para que a fonte dos dados da Igreja do Brasil seja fidedigna e a partir da realidade das dioceses”.

Dom Ricardo já lembrou que a CNBB logo vai iniciar o planejamento da edição de 2027 da Assembleia. “E assim, estamos já prevendo a próxima Assembleia, que será eletiva, trazendo o máximo de tecnologia também para agilizar os processos”.

Todos os membros da presidência fizeram questão de agradecer aos profissionais da imprensa pelo trabalho de cobertura e reverberação dos trabalhos da 62ª Assembleia Geral da CNBB.

Assista a coletiva final:

Por Felipe Padilha - Comunicação da 62ª AG CNBB