sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Em artigo, dom João Santo Cardoso reflete sobre moradia como dimensão essencial do existir humano


A Campanha da Fraternidade 2026, com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), propõe uma reflexão que vai além da urgência social do déficit habitacional no Brasil. Para dom João Santo Cardoso, arcebispo de Natal, a moradia toca a própria estrutura da existência humana, pois diz respeito ao modo como a pessoa está e permanece no mundo.

Em artigo, ao abordar o tema, o arcebispo recorre ao pensamento do filósofo alemão Martin Heidegger, especialmente ao ensaio Construir, Habitar, Pensar (1951). Na obra, Heidegger afirma que “habitar é o modo como os mortais são sobre a terra”. Segundo ele, o ser humano não apenas ocupa um espaço físico: ele habita. E esse habitar não é uma atividade secundária, mas a forma fundamental de existir – cuidar, preservar e permanecer.

O filósofo distingue “construir” e “habitar”, recordando que o termo alemão bauen (construir) tem ligação etimológica com o verbo “ser”. A reflexão inverte a lógica comum de que primeiro se constrói para depois habitar. Para Heidegger, constrói-se porque já se habita; constrói-se porque se é. Assim, erguer uma casa não significa apenas levantar paredes, mas criar condições para uma presença enraizada e protegida na terra.

Nesse horizonte, a casa deixa de ser vista apenas como abrigo funcional e passa a ser compreendida como espaço de memória, vínculos e cuidado. Habitar significa proteger o que foi confiado e viver de maneira atenta às relações com o mundo, reconhecendo limites, laços e transcendência.

A partir dessa perspectiva, dom João destaca que a perda da moradia ou a vida em condições precárias provocam não apenas carência material, mas uma verdadeira ferida existencial. A insegurança habitacional compromete a estabilidade, a dignidade e a capacidade de projetar o futuro.

“Sem um espaço que proteja e acolha, enfraquece-se a possibilidade de confiar, sonhar e construir sentido”, resume.

O Texto-Base da Campanha também aponta que a negação do direito à moradia digna revela graves insuficiências humanas e sociais. A ameaça constante de despejo, a situação de rua ou as construções improvisadas fragilizam o sentimento de pertencimento e fragmentam a vida.

À luz da fé cristã, a reflexão ganha ainda maior profundidade. A encarnação recorda que o próprio Deus assumiu o habitar humano. Ao “vir morar entre nós”, o Verbo partilhou a experiência concreta de uma casa, conferindo à moradia uma dimensão de encontro entre o humano e o divino.

Promover moradia digna, portanto, é mais do que atender a uma necessidade básica: é garantir condições para que cada pessoa exerça plenamente seu modo próprio de existir. Defender a moradia é defender a dignidade humana. Onde falta casa, falta chão para que o ser humano floresça.

Acesse (aqui) o artigo de dom João na íntegra.

Exercícios espirituais, a realidade é um grito que implora a misericórdia de Deus



O bispo Erik Varden faz sua nona reflexão nos Exercícios Espirituais no Vaticano para o Papa Leão XIV, os cardeais residentes em Roma e os chefes dos Dicastérios, concentrando-se no tema: "São Bernardo realista". Publicamos um resumo de sua reflexão.

Vatican News

A identidade do movimento cisterciense é forjada na interface entre o ideal e o concreto, o poético e o pragmático. Seus protagonistas são postos à prova e purificados pelas tensões que daí decorrem.

Falei dos elevados ideais de Bernardo, da sua inclinação para elaborar mentalmente uma linha de conduta, seguida depois de forma um pouco drástica. Era natural para ele mirar alto. Uma característica intransigente nunca o abandonou, mas suavizou-se com o tempo. É deste processo que devemos agora falar: transformou o idealista num realista.

O psicanalista Jacques Lacan disse que "o real" é aquilo com que nos colidimos. A amplitude dos esforços de Bernardo na Realpolitik fez com que ele se colidisse com frequência. Mas ele se tornou um realista, não apenas no sentido de aceitar as coisas como são, mas também porque aprendeu que a realidade mais profunda de todas as vicissitudes humanas é um grito que implora misericórdia.

Quanto mais aprendia a reconhecer esse grito nos corações humanos angustiados, nas lágrimas amargas, nos conflitos mundanos, nas campanhas insanas contra a decência e a verdade — e até mesmo no sussurro das árvores da floresta — mais Bernardo se tornava consciente da resposta gloriosa e misericordiosa de Deus. Ele a ouvia no santo nome de Jesus, que se tornou indizivelmente querido a ele. Em Jesus, Deus revela seu plano de salvação, derramando-o sobre a humanidade como um óleo perfumado, curativo e purificador.

“Todo alimento para a alma”, disse Bernardo aos seus monges, “é árido, se não estiver impregnado deste óleo; é insípido, se não for temperado com este sal. Se você escreve, para mim não tem sabor, se eu não ler Jesus. Se você discute ou discursa, para mim não tem sabor, se não ressoar Jesus. Jesus, mel na boca, melodia no ouvido, júbilo no coração.”

Bernardo aprendeu as maravilhas que a misericórdia de Deus pode realizar em Jesus. Isso deu à sua devoção uma profundidade afetiva. O termo affectus é fundamental para ele. Tem um amplo espectro de significados, mostrando que a graça nos move como seres encarnados, permitindo que nossos sentidos percebam Deus. Mas Bernardo considerava Jesus, a encarnação da verdade, nada menos que um princípio hermenêutico. Ele interpretava situações, pessoas e relações rigorosamente à luz de Jesus. Essa perspectiva lhe renderá admiradores convictos muito além do rebanho católico, de Martinho Lutero ao fundador do movimento metodista, John Wesley.

Somente quando iluminada de forma sobrenatural, nossa natureza revelará sua forma perfeita, sua forma bem torneada; somente então ficará evidente o deleite de que a vida terrena é capaz; somente então a glória escondida dentro de nós e ao nosso redor brilhará com intensos lampejos, ensinando-nos o que nós, e os outros, podemos nos tornar, fornecendo um paradigma para um mundo renovado.

Tal é o realismo ao qual Bernardo chegou em sua maturidade! Isso lhe permitiu tornar-se não apenas um grande reformador, um orador sem igual e um líder da Igreja: o conhecimento da realidade absoluta do amor de Cristo e de seu poder de transformar tudo fez de Bernardo um doutor e um santo. É por isso que o amamos e o honramos.

"Ele era", nos diz a Primeira Vida, "livre em si mesmo". Isso é o que a vida lhe ensinou. Um homem ou uma mulher verdadeiramente livre é uma realidade verdadeiramente gloriosa.

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EVANGELHO DO DIA (Mt 5,20-26)

ANO "A" - DIA: 27.02.2026
1ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!
- Lançai para bem longe toda a vossa iniquidade! Criai em vós um novo espírito e um novo coração!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20 "Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus. 21 Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal'. 22 Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: 'patife!' será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno. 23 Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24 deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. 25 Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26 Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Reconciliar-se a condição para uma oferta agradável a Deus"

Deixe sua oferta no altar é o convite urgente para reconciliar
Naquele tempo, disse Jesus: “Quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal” (Mateus 5,20-26).

Irmãos e irmãs, a liturgia da Palavra, neste dia, é um imperativo, mas também um convite especial para todos nós: procure a reconciliação! Nós devemos nos reconciliar com Deus, com os nossos irmãos enquanto caminharmos e peregrinarmos neste mundo.

O caminho da paz começa na iniciativa
Só após esse processo de reconciliação é que nós devemos entregar a nossa oferta. É no caminho que se dá a reconciliação. Então, eu convido você, de maneira muito especial, a pensar em pessoas das quais talvez você tenha se afastado. A pessoa o ofendeu, mas ela, às vezes, nem sabe.

Quaresma tempo de reconciliar diálogos rompidos
Será que você não pode fazer um processo de aproximação dessa pessoa que nem sabe? Alguns sabem que, nos ambientes familiares, talvez haja alguém com quem você, há mais de dois anos, não fale, não dirija a palavra, não mande uma mensagem.

Mas a liturgia é bem enfática, e você tem participado de momentos de oração, você tem escutado a homilia, mas ainda não teve essa iniciativa neste tempo, sobretudo que é o tempo quaresmal.

A graça de Deus que transforma a ofensa em encontro
Então, na palavra da liturgia, na palavra da Igreja, qual é o convite? Abra-se à reconciliação, procure-a neste dia. E não se trata de reconciliar-se com os irmãos, porque o texto disse: “Quando estiveres levando sua oferta ao altar”…

Neste momento, você se lembra de alguns irmãos, você se lembra de alguém que tem alguma coisa contra você? Então, deixe a sua oferta ali, diante do altar, ou seja, diante de Deus, e vai procurar o seu irmão.

Alguém o ofendeu ou você ofendeu alguém? Procure essa pessoa, neste dia, e seja transformado pela graça de Deus.

O Senhor esteja convosco, Ele está no meio de nós! A bênção do Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


Somente um coração novo pode cantar um canto novo


Somente um coração novo pode cantar um canto novo
Pregador: Padre Roger Luis

O tema desse pregação nos convida a entrar na dinâmica do Salmo 96: “Cantai a Deus um canto novo”. Podemos substituir “canto novo” por “canção”, pois ambos têm o mesmo significado. O canto novo é o canto dos remidos, a expressão de um coração renovado por Deus. E o tema dessa pregação nos direciona: somente um coração novo pode cantar um canto novo.
A promessa de um coração novo

Para iluminar essa pregação, recorremos ao profeta Ezequiel, no capítulo 36, onde Deus promete dar ao Seu povo um coração novo e um espírito novo. Essa promessa é essencial para compreendermos que apenas a transformação interior nos permite viver e cantar o canto novo ao Senhor.

Santo Agostinho, ao meditar sobre o Salmo 96, nos ensina que “o homem novo conhece o canto novo”. Isso significa que o homem velho, preso ao pecado e às antigas estruturas de vida, não pode cantar um canto novo. Apenas aquele que renasce em Cristo e se abre às novidades do Espírito Santo pode entoar esse louvor.
O canto novo como expressão de vida nova

O canto novo é mais do que palavras e melodia; ele é uma manifestação de alegria e amor. Como nos ensina Agostinho: “Quem aprendeu a amar a vida nova, aprendeu também a cantar o canto novo”. A vida nova em Cristo nos leva a um louvor autêntico, que brota do mais profundo do coração.

Ele continua afirmando que o canto novo está ligado ao homem novo, à nova aliança e ao Reino de Deus. Não há quem não ame, mas a grande questão é: o que estamos amando? Deus nos convida a um caminho curto e direto: “Amai e me possuireis”.

Não basta cantar com os lábios; nossa vida precisa estar em conformidade com os louvores que entoamos. O canto deve ser um reflexo da vida em Cristo, uma expressão da fé vivida e experimentada diariamente.

Na Canção Nova, vemos o dom de Deus se manifestando por meio da música e da entrega dos que louvam. O canto não é meramente uma performance, mas um testemunho de uma vida transformada, como bem expressa o Salmo “Cantai ao Senhor Deus um canto novo!”. Essa é a ordem do Senhor para nós. Portanto, deixemos Deus transformar nosso coração para que possamos cantar, com verdade e alegria, o canto novo dos remidos!

Assista à pregação completa:

São Leandro

Leandro, irmão dos santos Fulgêncio e Isidoro, bispos, e Florentina, abadessa, nasceu em Cartagena, Espanha, por volta de 520. A sua família, distinta na posição social e na espiritualidade, o formou no Catolicismo, e jovem fez-se monge no primeiro mosteiro beneditino da Espanha.

Nos séculos V e VI o país, por 170 anos, foi dominado pelo arianismo. Esta heresia, que não reconhecia a divindade de Cristo, veio com os bárbaros que venceram o Império Romano do Ocidente, e que não eram mais pagãos, pois um bispo ariano chamado Ulfilas havia pregado este erro entre várias tribos germânicas, incluindo os visigodos que chegaram à Espanha (e outros povos fizeram o mesmo nos diversos países europeus, de modo que o arianismo afetou toda a Europa, e também o Oriente).

Em Sevilha reinava o rei ariano Leovigildo, que se opôs ao apostolado de Leandro, feito bispo provavelmente em 579. Leandro havia criado uma escola na qual se ensinavam as artes conhecidas daquele tempo, mas também a catequese, e entre os alunos estavam Hermenegildo e Recaredo, filhos do rei. Muitos pagãos e arianos, incluindo Hermenegildo, se converteram ao Catolicismo; por isso o rei, em 584, iniciou uma guerra civil contra este seu filho mais velho e natural sucessor, acabando por condená-lo à morte. Hermenegildo não renegou a fé e tornou-se mártir. São Leandro foi forçado ao exílio pela perseguição do rei, indo a Constantinopla pedir auxílio ao imperador; lá ficou amigo do futuro Papa São Gregório Magno. Ali escreveu livros contra o arianismo, defendendo a ortodoxia católica.

O desterro terminou em 586. Voltando à Sevilha, continuou no seu zelo missionário, e afinal o rei, arrependido, e reconhecendo que é necessária a coerência entre a Fé e a vida prática, antes de morrer pediu ao santo a educação católica dos filhos. O seu filho Recaredo, convertido e novo rei, atraiu muitos súditos para a Igreja, e aconselhado por Leandro convocou o Concílio III de Toledo; este e o Concílio de Sevilha, também com a influência de Leandro, finalmente levaram a Espanha visigótica a abjurar do arianismo, em todas as suas formas (pois foram várias as sutilezas que esta heresia assumiu).

Outras muitas atividades de São Leandro foram a regra monástica que escreveu para a irmã, o impulso para a fundação de mosteiros, o estabelecimento de paróquias, junto com uma vida de oração, penitência e jejum. Acrescentou o Credo Niceno-Constantinopolitano à Liturgia espanhola, onde fica clara a negação ao arianismo, na afirmação da verdadeira divindade e humanidade de Cristo.

Já idoso, Leandro sofreu muitas enfermidades, principalmente a gota. Faleceu por volta do ano 600 aos 80 anos, sucedido no bispado pelo irmão Santo Isidoro. Ficou conhecido como o “Apóstolo dos Godos”.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

O nome Leandro significa “força do Leão”, e, de acordo com isto, este santo batalhou com a força do Leão da tribo de Judá, isto é, o Cristo. Isto implica em dizer que ele em tudo se empenhou pela causa da Igreja, porém consciente de que é necessário para isto a ajuda sobrenatural de Deus, conseguida pela mediação de Maria – nenhum ser humano consegue sucesso apostólico apenas com seus próprios esforços. E o apostolado, tanto a nível pessoal quanto social, é indispensável para que se possa viver com menos erros e mais paz, uma condição essencial para que Cristo reine na Terra, a partir dos corações. O primeiro campo de apostolado é o próprio coração: a partir desta conversão, pode-se ter verdadeiramente a conversão das comunidades. Uma situação prática disto é justamente o legado de São Leandro, pois quando Recaredo, por ele convertido, assumiu o trono, auxiliou na obra do santo bispo, com proveito para toda a nação espanhola, um admirável exemplo de colaboração entre a Igreja e o Estado. Para estas condições devemos igualmente trabalhar também nós, os católicos de hoje, de modo que, levando uma coerente vida de Fé no dia-a-dia, emprego, família, lazer, dificuldades e sucessos, contribuamos para a santidade das nossas almas e consequentemente da sociedade.

Oração:

Senhor Deus, perfeito e imutável, concedei-nos por intercessão de São Leandro a coragem e estabilidade na Fé, para lutar contra as heresias do nosso tempo, isto é, todas as ideias mundanizantes na área religiosa, cultural, ideológica, política, econômica, morrendo para o pecado e os respeitos humanos, incluindo, se for o caso, os familiares, para sermos fiéis ao nosso Credo e imitarmos Jesus na Sua humanidade, e assim Dele recebermos também a comunhão com a Divindade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Projeto apoiado pelo Fundo Nacional de Solidariedade fortalece mobilização em defesa dos rios Araguaia-Tocantins no Pará

Em sintonia com a temática da Ecologia Integral proposta pela Campanha da Fraternidade 2025, um dos projetos apoiados pelo Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) tem promovido formação, conscientização e mobilização social na diocese de Cametá (PA), em defesa dos rios Araguaia-Tocantins e das comunidades ribeirinhas.

Intitulado “Hidrovia Araguaia-Tocantins: Um Projeto de Morte”, o projeto foi desenvolvido pela Paróquia São José das Ilhas, sob a coordenação do padre Javé de Oliveira Silva.
Padre Javé de Oliveira Silva, coordenador do projeto apoiado pelo FNS | Crédito: Fiama Tonhá

Segundo o sacerdote, a iniciativa nasceu da preocupação com os possíveis impactos socioambientais da implantação da hidrovia, que prevê intervenções estruturais no leito do rio para viabilizar o transporte de cargas.

“O nosso primeiro propósito era conscientizar o povo sobre os impactos que a hidrovia pode causar, caso venha a acontecer. Vimos no Fundo Nacional de Solidariedade um parceiro importante para transformar essa preocupação em ações concretas”, explica o padre.

A equipe tomou conhecimento do edital por meio da divulgação no site e dos materiais impressos disponibilizados pela Conferência. A partir disso, elaborou o projeto e realizou o cadastro no portal do Fundo, enxergando na iniciativa uma oportunidade de fortalecer as ações pastorais e socioambientais já desenvolvidas no território.
Formação e mobilização nas comunidades

Com os recursos recebidos, a paróquia promoveu uma série de atividades formativas e missionárias ao longo de 2025.

Entre os principais momentos esteve o Retiro Missionário e o I Encontro das Águas, realizado nos dias 5 e 6 de setembro, na comunidade Nossa Senhora do Carmo, no Rio Cuxipiari Carmo. O encontro reuniu representantes de 50 comunidades e dois grupos de evangelização, somando aproximadamente 178 participantes.

Durante a programação, foram realizadas rodas de conversa com especialistas, lideranças religiosas e representantes das comunidades. Os debates abordaram os impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais da hidrovia, bem como os direitos das populações ribeirinhas. O encontro resultou na elaboração de uma Carta Aberta às autoridades e à opinião pública, reafirmando o compromisso com a defesa dos povos das águas e do ecossistema amazônico.

Ao longo do mês de setembro, todas as comunidades da paróquia também realizaram Círculos Bíblicos nas famílias, com quatro encontros voltados à reflexão sobre a preservação dos rios, os impactos da hidrovia e a proposta da Ecologia Integral. Os encontros serviram de preparação para o mês missionário e fortaleceram a dimensão espiritual do cuidado com a Casa Comum.

Círculo Bíblico nas Famílias

Educação ambiental e missão porta a porta
Em outubro, as equipes missionárias realizaram visitas às escolas de todo o território paroquial. As atividades incluíram músicas, apresentações teatrais, cartazes e dinâmicas educativas, envolvendo crianças e adolescentes na reflexão sobre a preservação ambiental e os impactos do projeto da hidrovia.

Visita na Escola E.M.E.I.F | Foto: Jadielson de Souza Moraes

No mesmo período, ocorreram também as visitas porta a porta, conduzidas pelo Conselho Comunitário, pela Pastoral da Juventude e pela Infância e Adolescência Missionária. Os missionários percorreram as comunidades sem distinção de religião ou credo, dialogando com as famílias e distribuindo materiais informativos sobre a importância da preservação do rio Tocantins.

Para o padre Javé, o projeto alcançou plenamente seus objetivos:
“Hoje, o nosso povo não apenas está consciente, mas também mobilizado na defesa do rio. A população percebe que o projeto não é esse ‘mar de rosas’ que muitas vezes é apresentado e está abraçando a causa”, afirma.
Comunidade Jaituba

Desdobramentos e articulação regional
Como desdobramento das ações, foi realizado também, em dezembro, o I Seminário Integrado da Amazônia Tocantina, reunindo pesquisadores da UFPA e da UEPA, movimentos sociais e lideranças religiosas. O seminário aprofundou o debate técnico e científico sobre os impactos da hidrovia e reforçou a articulação entre Igreja, comunidade acadêmica e movimentos sociais.

A mobilização local também ganhou repercussão nacional. Após a divulgação das ações nas redes sociais, o padre Javé foi convidado a participar no Palácio do Planalto, em Brasília, de agendas com grupos que atuam na defesa dos rios amazônicos.

Segundo ele, a mobilização já obteve resultados importantes, como a revogação do Decreto 12.600, que previa a privatização de trechos dos rios Tocantins, Madeira e Tapajós. Ainda assim, o grupo segue acompanhando outras iniciativas relacionadas à implantação da hidrovia.
 
Padre Javé e Franklin Queiroz, coordenador do Departamento Social da CNBB | Crédito: Fiama Tonhá

O coordenador do projeto destaca que o apoio do Fundo foi essencial para estruturar as ações formativas e ampliar o alcance da mobilização.

“Muitas vezes não sabemos a quem recorrer para desenvolver material ou promover encontros. O Fundo Nacional de Solidariedade é esse grande parceiro da Igreja no Brasil”, ressalta padre Javé.

Ele também incentiva outras dioceses a participarem dos editais:
“É fundamental que as dioceses procurem esse apoio, não apenas para projetos já em andamento, mas para iniciativas que respondam aos desafios de cada território. No fim, quem é contemplada é a população.”

A experiência da Paróquia São José das Ilhas evidencia como a articulação entre fé, organização comunitária e cuidado com a Casa Comum pode gerar impactos concretos, fortalecendo a consciência socioambiental e a defesa da vida nos territórios amazônicos.

Saiba mais

Acesse o site de Campanhas da CNBB




Por Larissa Carvalho

África, Espanha e Principado de Mônaco: Leão XIV retoma Viagens Apostólicas


África, Espanha e Principado de Mônaco: Leão XIV retoma Viagens Apostólicas
Anunciadas nesta quarta-feira as primeiras Viagens Apostólicas de 2026 de Leão XIV: dez dias na África, entre Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, um dia em Monte Carlo e seis dias na Espanha, entre Madri, Barcelona e as Ilhas Canárias.

Vatican News

Uma viagem de dez dias à África, duas viagens à Europa, uma viagem de um único dia ao Principado de Mônaco e uma viagem de seis dias à Espanha e às Ilhas Canárias. Após a significativa viagem à Türkiye (Turquia) e ao Líbano no final de 2025 e o anúncio das viagens pela Itália - que o levarão, entre outros, a Lampedusa -, o Papa Leão XIV retoma suas peregrinações ao redor do mundo, conforme anunciado nesta quarta-feira (25/02) pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

A mais longa delas — de 13 a 23 de abril — o levará a seguir os passos de Santo Agostinho na Argélia (Argel e Annaba); depois à África Central, na República dos Camarões (Yaoundé, Bamenda e Douala); Angola (Luanda, Muxima e Saurimo); e por fim Guiné Equatorial (Malabo, Mongomo e Bata).

Uma viagem complexa, que é contemporaneamente uma viagem em memória do Santo de Hipona, a quem o Sucessor de Pedro é ligado, para então visitar outros dois países, com particular atenção aos mais vulneráveis, aos pobres e àqueles que cuidam deles.

A paz também será um dos objetivos: Leão XIV viajará para a região de língua inglesa ao norte dos Camarões. A última parada será a Guiné Equatorial, único país de língua espanhola na África.

Uma peregrinação que, por sua duração, se assemelha àquela realizada na África por São João Paulo II em 1985, com sete países visitados em 11 dias.

A viagem de um dia ao Principado de Mônaco, em 28 de março - véspera da Semana Santa - será a primeira de sua série de Viagens Apostólicas no primeiro semestre de 2026. Leão XIV responde assim positivamente aos reiterados convites feitos pelas autoridades monegascas, primeiro ao Papa Francisco e depois a ele próprio.

O Principado representa uma realidade europeia onde o catolicismo é a religião oficial e onde o diálogo entre as instituições civis e a Igreja mantém uma importância concreta, inclusive no debate público. O compromisso do Principado com a paz também é significativo, visto que pela primeira vez na época moderna receberá um Pontífice.

Por fim, de 6 a 12 de junho, Leão XIV visitará a Espanha - a capital Madri e depois Barcelona - ​​para inaugurar a nova e mais alta torre da Sagrada Família, a basílica monumental que remodelou o horizonte da cidade catalã. A visita coincide com o centenário da morte do brilhante arquiteto que "sonhou" a Basílica e iniciou sua construção, Antoni Gaudí, declarado Venerável Servo de Deus no ano passado.

O Pontífice, permanecendo na Espanha, se deslocará de Barcelona para as Ilhas Canárias, para realizar uma viagem que já estava no coração de Francisco, como destacou o cardeal arcebispo de Madri, José Cobo Cano, em janeiro passado. Nesta etapa, os destinos serão Tenerife e Gran Canaria.

Por meio dessas três viagens, o Bispo de Roma terá a oportunidade de encontrar uma grande variedade de países e situações, desde uma nação muçulmana como a Argélia, onde os cristãos são uma pequena minoria e uma semente de fraternidade, até países de maioria cristã localizados no coração do continente africano, com seus desafios e seu alegre testemunho de fé.

O Papa fará uma breve visita ao segundo menor país do mundo - depois da Cidade do Estado do Vaticano -, localizado na Riviera Francesa, e em seguida viajará para uma nação europeia, a Espanha, cuja identidade foi moldada pela fé cristã, mas que sofre com a secularização. E concluirá a viagem com as Ilhas Canárias, uma das principais rotas migratórias da África para a Europa, com dezenas de milhares de desembarques a cada ano.

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EVANGELHO DO DIA (Mt 7,7-12)

ANO "A" - DIA: 26.02.2026
1ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!
- Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo a alegria de ser salvo!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7 "Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! 8 Pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e a quem bate, a porta será aberta. 9 Quem de vós dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? 10 Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe? 11 Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem! 12 Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Fazer aos outros o que queremos para nós"

O desafio de oferecer para os outros o respeito que você exige
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! Pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e a quem bate, a porta será aberta. Quem de vós dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem! Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas” (Mateus 7,7-12).

Irmãos e irmãs, “tudo o que quereis que os outros vos façam, fazei também a eles”.
Quantas vezes você exige dos outros o que você mesmo não oferece nem faz! Quantas vezes você exige respeito, mas não respeita ninguém! Quantas vezes você exige que não falem mal de você – “Eu não quero que ninguém fale mal de mim no trabalho!” –, mas estão falando, são fofoqueiros. E você também vive fofocando!

Por que a lente para ver a dificuldade dos outros é sempre maior, enquanto que, para olhar as suas, você não vê? Fica cego, é iludido! Olha que tristeza!
O ato vale mais que a palavra para os outros

O convite do Evangelho de hoje é provocativo: nós devemos mudar. Então, ao exigir algo de alguém, olhe para si mesmo e pergunte-se: “Eu vivo essa realidade? Eu faço isso?” Isso é muito comum no ambiente familiar. O pai, por exemplo, diz para o filho ir à igreja, mas ele mesmo [o pai] não vai. Então, o que ele está ensinando para o filho? Não é bom ir à igreja.

O ato não condiz com a palavra. Você acha que o filho vai obedecer? O que vai fazer com que o seu filho mude de vida não é dizer a ele o que fazer, mas é viver.

Muitas vezes, eu quero que me escutem, mas, na verdade, eu não quero escutar ninguém. Eu quero que as pessoas escutem aquilo que eu falo, aquilo que eu direciono, mas eu não escuto, eu não quero ser direcionado por ninguém.
O chamado para ser diferente a partir de Deus

Olhemos então para nós mesmos, para descobrirmos o que nós precisamos ser diferentes a partir da Palavra de Deus.

“Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a lei e os profetas.”

O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós.
A bênção do Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova