sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Comissões da CNBB se reúnem para aprofundar compromisso com a justiça social e renovar respostas pastorais


O Dicastério para a Comunicação do Vaticano divulgou na última terça-feira, 29, o tema que será aprofundado pelo Papa Leão XIV na próxima mensagem para o Dia Mundial das Comunicações, em maio de 2027. “Um novo olhar: “prestar atenção” na era do clickbait” é o convite feito pelo Papa e que ganhará uma reflexão do Papa Leão XIV. O assessor de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Arnaldo Rodrigues, comentou que a proposta é “muito importante para o nosso tempo”.

“Ao escolher como tema do Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2027 “Um novo olhar: ‘prestar atenção’ na era do clickbait”, o Papa nos chama a refletir sobre algo que vai muito além da comunicação nas redes sociais. Ele nos convida a perceber como estamos olhando para o mundo, para as pessoas e até para nós mesmos”, disse padre Arnaldo.

Isca de clique
O assessor da CNBB explicou que o chamado clickbait (“isca de clique”) é uma estratégia de comunicação digital que utiliza títulos, imagens ou chamadas exageradas, provocativas, ambíguas ou incompletas para despertar curiosidade e levar o usuário a clicar em determinado conteúdo.

“Em geral, explora emoções como surpresa, medo, indignação ou expectativa. O problema surge quando a chamada promete mais do que o conteúdo efetivamente entrega ou distorce informações para aumentar audiência e engajamento; por isso, embora possa gerar muitos cliques no curto prazo, o uso recorrente do clickbait pode prejudicar a credibilidade, a confiança e a reputação de quem comunica”, pontuou.

No contexto da economia da atenção, padre Arnaldo destaca a proposta do Papa Leão de que a comunicação não deve significar capturar ou vender a atenção do outro, mas que deve estar a serviço do encontro, da verdade e da relação humana.

“E aqui está a grande provocação para nós: Será que estamos apenas chamando a atenção das pessoas ou estamos realmente prestando atenção nelas?”, refletiu, adicionando que “prestar atenção significa olhar para o outro com interesse verdadeiro, escutar sua história, reconhecer sua dignidade e tentar compreender antes de julgar”.

Para o padre Arnaldo, a mensagem do Papa trará o convite a reaprender a olhar com atenção e com amor, “para enxergar o mundo, os outros e também a nós mesmos como Cristo nos vê: chamados pelo nome e amados”.

Reflexão para comunicadores da Igreja
Aos comunicadores da Igreja, padre Arnaldo destaca que a reflexão indica que não basta publicar conteúdos religiosos, alcançar muitas pessoas, ter números, curtidas ou visualizações.

“Precisamos nos perguntar: O nosso conteúdo aproxima ou afasta? Informa ou apenas provoca? Evangeliza ou simplesmente busca engajamento? Estamos comunicando uma mensagem ou estamos encontrando pessoas?”, provoca, apontando para o chamado a oferecer presença.

“Não precisamos entrar na lógica de fazer barulho para sermos ouvidos. Precisamos comunicar com verdade. Precisamos olhar com amor. Precisamos escutar antes de responder. Precisamos compreender antes de julgar. Precisamos encontrar pessoas, e não apenas alcançar públicos”, pontua.

A Mensagem do Papa Leão XIV para o 61º deverá ser divulgada no próximo dia 24 de janeiro, quando a Igreja celebra a Memória de São Francisco de Sales.

Luiz Lopes Jr.

Papa: um milhão de crianças rezam 50 milhões de Ave-Marias pedindo a paz no mundo

A iniciativa "Um milhão de crianças rezam o Terço", recordou o Papa a partir da Gruta de Lourdes nos Jardins do Vaticano, significa que são "50 milhões de 'Ave-Marias' que sobem ao Céu de todas as partes e em todas as línguas da terra pedindo a paz, e que se unem como em uma única e grandíssima coroa do Rosário, para abraçar e unir entre si todos os continentes, as raças e as nações do planeta". Até 7 de outubro, Dia de Nossa Senhora do Rosário, todos são convidados a rezar o terço pela paz.

Andressa Collet - Vatican News

O Papa Leão XIV encontrou cerca de 700 crianças e outras 500 pessoas, entre pais, sacerdotes e acompanhantes dos pequenos, para rezar pela paz no mundo. O encontro foi diante da Gruta de Lourdes, nos Jardins do Vaticano, no final da tarde desta quinta-feira (01/10), primeiro dia da Semana Mundial de Oração que, até 7 de outubro, dia de Nossa Senhora do Rosário, deve reunir "Um milhão de crianças" para rezar o terço em todo o mundo.

Essa iniciativa, explicou o cardeal Kurt Koch, presidente internacional da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), que promove o evento, e prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, "convida as crianças a descobrirem que podem levar a Jesus, juntamente com Maria, os sofrimentos do mundo. É justamente a voz dos mais pequeninos, que se confiam a Ele com fé, que encontra uma escuta privilegiada no coração de Deus".


O pedido de paz para todas as crianças do mundo
A partir do Vaticano, disse o Pontífice, as crianças começam a rezar junto a "todos esses amigos" ao redor do planeta. Além de se comprometer em se comportar bem em casa, na escola, na catequese, quando brinca e faz esporte, com os pais e com todos, recomendou o Papa, as orações "devem sempre ser acompanhadas de boas obras, com gestos de amor. É assim que cresce a paz!", explicou ainda Leão 14 às crianças, que se disse estar feliz com a presença de todos no Vaticano, sobretudo, "com as duas pessoas que nos amam mais do que qualquer outra. Quem são elas?", questionou o Papa, já ao responder: "o Senhor Jesus e a sua Mãe, Maria, que nunca nos deixam sozinhos e que estão sempre ao nosso lado". Leão, então, pediu se esse amor era compartilhado também pelas crianças:

"Nós também os amamos, não é mesmo? Vamos dizer isso a eles? Vamos tentar e repetir juntos: eu te amo Jesus. Eu te amo Maria. Sim, nós amamos vocês, Jesus e Maria, e esta noite pedimos um dom especial: a paz para todas as crianças do mundo, especialmente para aquelas que vivem onde há guerra, em tantos países da Terra."

"Um milhão de crianças rezam o Terço" é o título da iniciativa (VATICAN MEDIA)

São "50 milhões de Ave-Marias", recorda o Papa
O pedido é feito com a oração do terço, continuou o Papa, "que é uma oração simples, que todos podem rezar", além de gestos como o de oferecer flores, "como sinal de amor"; acender velas e refletir sobre momentos importantes da vida de Jesus que trouxeram "luz e paz a tantas pessoas" no mundo. Por isso, Leão XIV convida novamente as centenas de crianças a agradecer pelos dons maravilhosos da vida de Cristo: "vamos fazer isso juntos, mais uma vez. Digamos todos a Ele: obrigado, Jesus. E peçamos a Ele com confiança, todos unidos: dá-nos a paz!".

“Nesta noite e nestes dias não somos só nós que estamos rezando. Em todo o mundo, um milhão de crianças reza conosco. Um milhão! Pensem nisso: cinquenta milhões de 'Ave-Marias' que sobem ao Céu de todas as partes e em todas as línguas da terra pedindo a paz, e que se unem como em uma única e grandíssima coroa do Rosário, para abraçar e unir entre si todos os continentes, as raças e as nações do planeta.”

Leão XIV com uma família vestida com a camisa da Fundação Ajuda à que Sofre promotora da iniciativa (VATICAN MEDIA)

As intenções de oração
Após a saudação, o Papa abençoou os terços que cada criança recebeu para começar a recitação do terço, em várias línguas (italiano, árabe, alemão e espanhol). Como o cardeal Koch havia antecipado, nos "cinco mistérios luminosos, contemplamos Cristo como a luz do mundo, que ilumina as feridas e as esperanças dos povos". As orações foram dirigidas às "crianças da Ucrânia e todas as vítimas da guerra; às famílias da Síria, do Líbano e da Terra Santa, forçadas a abandonar suas casas; aos cristãos perseguidos no Paquistão e em outros lugares; à reconciliação no Sudão do Sul; às famílias de Cuba e da Venezuela, para que não percam a esperança". E o presidente internacional da ACN concluiu:

"Ao contemplarmos Cristo ressuscitado, pedimos que o medo e o ódio não tenham a última palavra. Maria nos ensina a acolher o amor de Deus e a deixá-lo agir em nossa vida. Assim, a oração também educa nossos corações para a paz, o perdão e o cuidado com os outros."

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.

EVANGELHO DO DIA (Mt 18,1-5.10)

ANO "A" - DIA: 02.10.2026
26ª SEMANA DO TEMPO COUM (BRANCO)
MEMÓRIA DOS SANTOS ANJOS DA GUARDA

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, seus ministros que fazeis sua vontade!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
- Glória a vós, Senhor.

Naquela hora, 1 Os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: "Quem é o maior no Reino dos Céus?" 2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3 e disse: "Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4 Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. 5 E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. 10 Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Como crianças, devemos depender de Deus Pai"

Como crianças, alcançar o Céu pela humildade
Hoje, a Igreja comemora os Santos Anjos da Guarda. Cada um de nós é protegido por um anjo, cujo nome não sabemos, mas que Deus nos deu para ficar lado a lado, para nos proteger do mal, das insídias de Satanás.

Nos momentos de perigo, devemos recorrer ao Santo Anjo da Guarda. Você tem tido essa intimidade com o seu anjo da guarda? Se não tem, procure viver este relacionamento. E nós vamos ver isso no Evangelho de Mateus:

Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus.” (Mateus 18, 1-5.10)

Interessante, meu irmão, minha irmã, que, quando Jesus se aproxima dos discípulos, Ele faz uma pergunta que, no fundo, revela um coração ainda marcado pela lógica do mundo: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” Aqui, levantam-se várias posições, honras, prestígio, mas Jesus não está interessado nisso.
Como crianças, confiar no Bom Pai

Jesus coloca aquela criança no meio, ali no centro, para que nós possamos responder a Ele com um coração humilde e de criança. O que essa criança representa dentro do Evangelho? Representa a dependência de Deus, a simplicidade, a confiança e a humildade.

Por isso que Jesus está dizendo: se nós não formos como esta criança, não entraremos no Reino dos Céus, ou seja, quem não for humilde, simples, quem não confiar nem depender de Deus. Cristo afirma que a grandeza do Reino não consiste em ser maior que os outros, mas em reconhecer que tudo recebemos e dependemos de Deus.

A verdadeira grandeza está na generosidade
Num mundo marcado por querer ser melhor que os outros, até mesmo fazer o mal em detrimento de estar acima do outro, Jesus nos fala que a lógica do Reino é totalmente contrária. É a lógica de servir. Jesus Cristo não veio para ser servido, mas para servir. Se nós não tivermos este coração de criança, dificilmente entraremos no Reino dos Céus. Por isso, peçamos ao Senhor a graça de sermos pequenos, fracos, simples. E peçamos a intercessão dos nossos Santos Anjos da Guarda para vivermos a vontade de Deus.

Que os Santos Anjos da Guarda nos protejam e que o Senhor nos abençoe: em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


Onde está o anjo da guarda na hora da tragédia?

Onde estava o meu anjo da guarda? A pergunta de quem sofre uma tragédia

Chovia fino na estrada quando o caminhão invadiu a pista. Ela se lembra do clarão dos faróis, do grito do metal e, depois, de um silêncio que durou horas. Acordou num corredor de hospital, com o braço imobilizado e um médico que olhava para a prancheta como quem procura ali a coragem que lhe faltava. A filha de sete anos, que dormia no banco de trás, abraçada a um coelho de pano, não tinha resistido. O coelho sobreviveu. Naquela madrugada, sozinha diante de uma parede branca que parecia não terminar nunca, voltou-lhe aos lábios a oração que a mãe lhe ensinara e que ela repetira com a menina todas as noites à beira da cama: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador…”. A oração veio com a naturalidade das coisas aprendidas na infância. E, colada a ela, a pergunta que lhe atravessou a alma como uma lâmina: onde estava o anjo da guarda da minha filha? Onde estava o meu?

Workshop of Domenichino, Public domain, via Wikimedia Commons

Há duas respostas fáceis para essa pergunta, ambas cruéis. A primeira é a do cético, que sorri com uma falsa pena e explica que anjos são histórias para “fazer as crianças dormirem”. Tem a vantagem de ser simples e a desvantagem de deixar aquela mãe sozinha no corredor para sempre. A segunda é a do sentimental, que imagina o anjo como uma espécie de airbag celeste, um dispositivo de segurança instalado por Deus para amortecer os choques da vida. Essa é mais doce e, ainda assim, a mais perigosa, pois, no dia em que o airbag não abrir, a fé explodirá junto com o carro.
O que a Igreja responde: o anjo estava ali

A resposta da Igreja é muito mais simples e sincera: o anjo estava ali. Sim, simplesmente isso: o anjo estava ali!

Estava ao lado da menina até o último instante, e estava ao lado daquela mãe no corredor do hospital, fazendo exatamente aquilo para que Deus o enviou. A Sagrada Escritura chama os anjos de espíritos servidores, enviados a serviço daqueles que devem herdar a salvação (Hb 1,14). Aí está a medida de toda a sua obra. O anjo da guarda é ministro da Providência divina em vista da vida eterna e cuida do bem temporal do homem na medida em que estes servem a esse fim. O mundo costuma julgar o anjo pelo que acontece ao corpo, mas este é um juízo equivocado, visto que seu real juízo se estabelece pelo que acontece à alma. Quando Deus permite uma tragédia no tempo, o anjo concentra seu cuidado no campo onde a salvação se decide: a inteligência ferida e o coração dilacerado de quem sofre, onde as virtudes teologais da fé, da esperança da caridade precisam permanecer de pé depois que todo o resto caiu.

É sobre essa obra silenciosa que as páginas seguintes procuram trazer alguma luz.
1. Guardião do caminho para Deus: Para que Deus enviou o anjo da guarda? O que é a “guarda dos anjos” segundo Santo Tomás de Aquino?

Para saber onde o anjo estava, é preciso saber para que foi enviado. Santo Tomás explica que Deus executa sua providência por meio de causas intermediárias; e como a natureza angélica está entre Deus e o homem, cabe aos anjos executar a providência divina a respeito da salvação humana, ajudando o homem a tender ao seu fim e livrando-o daquilo que impede o seu avanço. A essa execução, conclui ele, chama-se “guarda dos anjos”1. Deus não precisa deles, assim como um pai não precisa que o filho pequeno o ajude a carregar as compras. E, no entanto, entrega-lhe a sacola mais leve, porque o amor gosta de associar. Santo Tomás ensina que Deus age assim por sabedoria, para conceder aos anjos a dignidade de conduzir as criaturas de volta ao Criador2.

Todo ser humano tem um anjo da guarda?
Na Suma, São Tomás explica por que o homem precisa dessa condução. Somos semelhantes a viajantes com mapas surrados: nosso conhecimento vacila e nossos afetos oscilam ao sabor das circunstâncias, e cada encruzilhada da vida moral nos encontra um pouco mais cansados. Convém, por isso, que sejamos guiados por espíritos já firmados para sempre no bem, que regulem e movam nossa marcha em direção a esse mesmo bem3. A ajuda é oferecida a todos, desde o nascimento, e Deus não a economiza nem com os que a recusarão. Santo Tomás chega a afirmar que nem mesmo aquele que se perderá fica privado dela: assim como não lhe falta a luz interior da razão, também não lhe falta esse socorro exterior que Deus concedeu a toda natureza humana4. O anjo é uma oferta de salvação que caminha ao lado do homem a vida inteira, batendo à porta sem arrombá-la. O Catecismo subscreve a mesma doutrina, recordando as palavras de São Basílio: ao lado de cada fiel está um anjo, como protetor e pastor, para conduzi-lo à vida5.

O anjo da guarda protege o corpo ou a alma?
O cuidado do corpo entra nessa missão, mas em seu devido lugar. A criança pequena, ainda incapaz de merecer ou de pecar, tem um anjo que a protege dos males corporais na medida em que estes poderiam prejudicar a sua alma6. Quando o anjo da guarda segura a mão da criança à beira da escada, está pensando em algo muito maior do que os degraus. Mesmo quando ampara o corpo, nosso amigo celeste tem os olhos postos na eternidade.

2. A providência que permite: Por que Deus permite a tragédia se existe o anjo da guarda?
Se o anjo executa a ordem da Divina Providência, ele quer o que Deus quer e permite o que Deus permite. A pergunta pela ausência do anjo nos leva, então, ao mistério da própria providência, que alcança cada criatura naquilo que ela tem de mais singular7 e, ainda assim, deixa acontecer o acidente e os infortúnios da vida. Vista daqui de baixo, a história se parece com um bordado olhado pelo avesso (para usar o exemplo de São Padre Pio): fios cortados e cores que não combinam. O mesmo artigo de Santo Tomás oferece a chave para imaginar o lado direito do bordado: quem tem o cuidado de um todo permite certas falhas nas partes, para não impedir o bem do conjunto8. Garrigou-Lagrange acrescenta que Deus só quer a dor e o mal físico de modo acidental em vista de um bem mais alto9. Qual seja esse bem, São Paulo o diz no trecho de sua carta mais citado nos tratados da Providência: “Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28).

O anjo da guarda e a tribulação permitida por Deus
É sob essa luz que se deve ler o texto de Santo Tomás que responde mais diretamente a nossa pergunta. O anjo da guarda, diz ele, jamais abandona inteiramente o homem. Em algo, porém, o deixa: não impede que seja submetido a alguma tribulação, nem mesmo que caia em pecado, segundo a ordem dos juízos divinos10. A tribulação permitida acontece dentro da própria guarda. O anjo que não desviou o golpe continua ao lado de quem o recebeu, com a mesma solicitude de antes, e talvez com mais trabalho do que antes.

Jó e os caminhos da providência
O livro de Jó é o grande comentário bíblico a essa doutrina. O leitor sabe, desde o prólogo, que Deus permitiu a Satanás provar o justo; Jó ignora essa razão até o fim, e é justamente por ignorá-la que sua fidelidade vale tanto. Garrigou-Lagrange vê, neste relato, as vias ocultas da providência, reveladas ao leitor no início do livro e profundamente misteriosas para o aflito. Seguindo o comentário de Santo Tomás, observa que o erro dos amigos de Jó foi esquecer a vida futura e exigir que toda justiça se cumprisse nesta vida11. Quando o próprio Senhor fala, responde às perguntas de Jó com perguntas ainda maiores, e Jó se cala em paz. Chesterton escreveu, a propósito desse livro, que os enigmas de Deus satisfazem mais do que as soluções dos homens12. A lição final é que Deus prova os seus como o ouro na fornalha. Se uma aflição concreta é prova ou castigo, e em que medida é uma coisa e outra, somente Ele o sabe.

A providência na história de Pedro e Tiago
O capítulo 12 dos Atos dos Apóstolos coloca lado a lado duas cenas que parecem se contradizer. Herodes manda matar Tiago à espada; poucos versículos depois, um anjo desperta Pedro na prisão, faz caírem as correntes e o conduz pelas ruas adormecidas de Jerusalém. A mesma Igreja rezava pelos dois, o mesmo Senhor governava os dois destinos. São Pedro foi liberto para continuar a missão; São Tiago, no entanto, foi libertado de outro modo, mais definitivo, e entrou primeiro na glória. Para os olhos da terra, um foi salvo e o outro perdido. Para os olhos do céu, os dois chegaram exatamente aonde deviam, e nenhum deles ficou um só instante fora do cuidado de Deus e de seus anjos.

A promessa do salmo 90
O Salmo 90 promete que Deus dará ordens a seus anjos para guardarem o justo em todos os seus caminhos. Há uma ironia terrível no fato de que o primeiro a transformar esse versículo em garantia de “proteção espetacular e irrestrita” foi o demônio, no deserto (Mt 4,6). Nosso Senhor recusou a leitura diabólica. As promessas do Salmo, cheias de realismo espiritual, fazem entrever a vida futura, e o próprio Salmo termina apontando para ela: “Estarei com ele na tribulação, eu o livrarei e o glorificarei, e lhe mostrarei a minha salvação” (Sl 90,15-16). A promessa inclui a tribulação, e o que Deus jura é atravessá-la junto com o justo.

3. Como o anjo toca a alma
Para compreender o que o anjo faz no meio da dor, é preciso saber de que modo um espírito puro pode tocar uma criatura feita de barro. Santo Tomás dedica a isso uma questão inteira da Suma, com a paciência de um relojoeiro que desmonta o mecanismo peça por peça, e suas distinções iluminam o nosso tema com uma precisão indispensável.

Como o anjo ilumina a inteligência
O primeiro campo da ação angélica é a inteligência. O anjo a ilumina de dois modos: 1) fortalecendo a sua luz: como um corpo mais quente, aquece o que dele se aproxima, e 2) propondo-lhe a verdade sob imagens sensíveis, adaptadas a uma inteligência que conhece a partir dos sentidos13. É um mestre que se abaixa até a altura do aluno. Nas questões sobre a verdade, o Doutor Angélico precisa o alcance dessa ação: o anjo não pode infundir a luz intelectual, como Deus faz, e pode, contudo, fortalecer a luz infundida, para que o homem veja com mais perfeição14. E observa, quase de passagem, que o homem nem sempre percebe quando está sendo iluminado por um anjo!15. É uma das frases mais humildes e mais belas da angelologia. Passamos a vida inteira recebendo bons pensamentos e assinando-os como nossos.

Como o anjo age sobre a imaginação e a memória
Como a inteligência humana se apoia na imaginação, o anjo pode agir também sobre ela, movendo as disposições corporais que a sustentam e fazendo surgir diante da mente uma imagem ou outra16. Trabalha com o material que a própria vida depositou no homem: uma lembrança, uma palavra ouvida na catequese, o rosto de alguém que se ama, um conselho do diretor espiritual e assim por diante.

O anjo pode mover a vontade? O santuário que só Deus alcança
A vontade, porém, guarda um santuário onde só Deus entra. Somente Ele pode movê-la a partir de dentro, porque só Ele a criou e a inclina ao bem. O anjo fica à porta desse santuário: ele move a vontade de modo indireto, 1) apresentando à inteligência um bem sob o aspecto que o torna desejável, ou 2) despertando as paixões sensíveis; e mesmo assim a vontade permanece sempre livre para consentir ou resistir17. Bonino oferece um exemplo simples: assim como um demônio pode acender a concupiscência, um anjo bom pode suscitar um movimento de coragem18.

Por que quase nunca percebemos a ação do anjo da guarda no sofrimento
Daqui brotam duas consequências para quem sofre. A primeira é que a ação do anjo na tribulação é quase sempre discreta, e por isso quase sempre esquecida. Garrigou-Lagrange ensina que a intervenção do anjo da guarda que, por ordem de Deus, sugere um bom pensamento, no sono ou na vigília, pertence ao curso ordinário da providência e é frequente na vida dos que se abandonam a Deus19. A segunda é que essa ação alcança precisamente as faculdades que a tragédia fere. O choque de uma perda enche a imaginação de cenas que voltam sem cessar, turva o juízo e revolve as paixões como um vendaval. É nesse campo devastado que o anjo trabalha: acalmando, sugerindo, trazendo à memória uma palavra do Evangelho, protegendo como quem protege com as mãos em concha a pequena chama que ainda resta acesa.

4. O anjo e as virtudes teologais na provação: Como o anjo da guarda sustenta a fé, a esperança e a caridade na provação

A fé, a esperança e a caridade são obra exclusiva de Deus na alma. O assentimento da fé procede de Deus, que move interiormente pela graça20, e a caridade é derramada nos corações “pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Bonino resume o princípio do seguinte modo: o dom da graça está estritamente reservado a Deus, o único que pode agir no interior da vontade; e, ainda assim, convém que a instrução espiritual do homem passe pela iluminação dos anjos21. O anjo é, portanto, o jardineiro de uma planta que ele mesmo não semeou. Prepara o terreno, afasta as pragas, rega nas horas de seca e se alegra com cada flor que Deus faz brotar. Na tragédia, cada uma das três virtudes é atacada de um modo próprio, e o anjo acorre a cada uma segundo a sua natureza.
A fé: a luz que não se apaga

Contra a fé, a tragédia levanta a objeção mais antiga do mundo: se Deus fosse bom e poderoso, isso não teria acontecido. É curioso que a dor, que deveria ser o argumento mais forte contra Deus, tenha levado tantos homens a encontrá-lo: os santos são aqueles que sofreram e continuaram crendo; ou, melhor: que creram ainda mais por isso! O primeiro socorro do anjo chega à inteligência. Ele repropõe à alma as verdades que ela já conhece e que a dor encobriu como a neblina encobre uma paisagem que continua lá: Deus é Pai, nada escapa à Sua providência, a morte não tem a última palavra etc. E, segundo o princípio enunciado nas questões sobre a verdade, fortalece a luz que a alma já recebeu, para que continue a ver quando tudo escurece. Na véspera da Paixão, Cristo rezou para que a fé de Pedro não desfalecesse, na hora em que Satanás pedira para peneirá-lo como trigo (Lc 22,31- 32). Garrigou-Lagrange aproxima essa cena do prólogo de Jó e comenta que são melhores os que assim são peneirados22. Junto de cada fiel provado, o anjo é o primeiro servidor dessa oração de Cristo.
A esperança: o horizonte da eternidade

O perigo mais agudo da tragédia é o desespero, que encolhe o universo inteiro até o tamanho de um quarto de hospital. A esperança tem por objeto a bem-aventurança eterna e o auxílio divino para alcançá-la23. Poderíamos dizer que ela é a “virtude das janelas”. Como o anjo pode mover a vontade apresentando-lhe um bem sob o aspecto que o torna amável, ele é capaz de reabrir essas janelas e de recordar à alma que as almas dos justos estão nas mãos de Deus (Sb 3,1). Pode ainda suscitar, no plano das paixões, aquele pequeno movimento de coragem que permite dar o passo seguinte. Os amigos de Jó erraram por esquecer a vida futura; o anjo trabalha no sentido oposto e mantém a eternidade diante dos olhos de quem sofre, como quem segura uma lanterna na direção da saída.

Na escuridão da noite, vemos muito mais longe do que à luz do dia, porque é preciso que o sol se esconda para que as estrelas apareçam. Enquanto o dia nos mostra o bairro, a noite nos mostra o universo. Do mesmo modo, quando a providência apaga numa vida o brilho das coisas da terra, as realidades espirituais começam a mostrar-se em toda a sua grandeza24. Na noite da provação, o anjo ajuda a alma a erguer os olhos para as estrelas.
A caridade: permanecer unido a Deus

A caridade é atacada pela revolta, como no caso da mulher de Jó que lhe ordenou: “amaldiçoa a Deus e morre” (Jó 2,9). Quando a tragédia nasce de um crime, soma-se a ela a tentação do ódio contra o culpado. Aqui aparece outra função do anjo: combater os demônios, que exploram justamente as horas de fraqueza, como ladrões que preferem as casas com a porta arrombada25. O ato de caridade brota da vontade movida pela graça, e o anjo o serve afastando as sugestões do inimigo e apresentando à alma os motivos do amor: o Crucificado, a vontade de Deus que tudo ordena ao bem, a misericórdia que ela mesma já recebeu tantas vezes etc.

O anjo sustenta a caridade também pela oração. O arcanjo Rafael revela a Tobit e a Tobias que apresentava ao Senhor a memória das suas orações (Tb 12,12), e o Apocalipse mostra a fumaça do incenso subindo com as orações dos santos da mão do anjo diante de Deus (Ap 8,4). Santo Tomás explica que nossas orações chegam a Deus pelo ministério dos anjos que intercedem por nós26. Há algo de profundamente comovente nisso. Quando o fiel ferido já não consegue rezar, quando as palavras se desfazem na garganta e só resta o choro, há alguém que recolhe essas lágrimas e as leva ao trono de Deus como se fosse um salmo. O ato perfeito da caridade na provação é a palavra de Jó: “o Senhor deu, o Senhor tirou, bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1,21). Garrigou-Lagrange diz que Deus, quando permite a perseguição exterior, não permite que o justo perca o ânimo: sustenta-o invisivelmente27. Na ordem da execução, esse sustento invisível passa muitas vezes pelas mãos do anjo.

5. O anjo do Getsêmani: como o anjo consola quem sofre
Toda essa doutrina encontra a sua imagem perfeita num jardim das oliveiras. O Filho de Deus, que sustenta o universo com a sua palavra, está prostrado na terra, com o suor caindo-lhe como gotas de sangue. Pede ao Pai que afaste o cálice, se for possível, e entrega-se à Sua vontade. São Lucas acrescenta um detalhe que só ele registra: apareceu-lhe um anjo do céu, que o confortava; e, entrando em agonia, orava com mais insistência (Lc 22,43-44).

Por que o anjo não afastou o cálice de Jesus
O cálice permaneceu. O anjo veio para fortalecer Aquele que ia bebê-lo. Há poucos paradoxos tão vertiginosos em toda a Escritura: o Criador dos anjos consolado por um anjo, o Senhor dos exércitos celestes amparado por um dos seus soldados. E o fruto dessa consolação é surpreendente. Depois dela, Jesus reza com mais intensidade, levanta-se e caminha ao encontro de quem o entrega. Eis a forma da ajuda angélica na hora da dor: ela sustenta a fidelidade e acompanha o homem através da cruz, até o outro lado.

Poucas horas depois, quando São Pedro desembainha a espada, o Senhor lhe diz que poderia pedir ao Pai, e Ele lhe enviaria mais de doze legiões de anjos; mas então como se cumpririam as Escrituras? (Mt 26,53-54). Doze legiões esperavam uma palavra: ela apenas não foi dita. O poder de impedir estava ali, inteiro, e foi inteiramente subordinado à obra da salvação. Santo Tomás ensina que Cristo não teve anjo da guarda, porque já gozava da visão de Deus e era superior aos anjos28. Os anjos que o serviram no deserto e no Getsêmani exerceram um ministério junto à sua humanidade sofredora. Por analogia, o fiel que sofre unido a Cristo pode contar, da parte do seu anjo, com um ministério semelhante.

Como reconhecer a consolação do anjo em meio à dor
A cena ensina também uma pedagogia para quem acompanha os que sofrem. A consolação do anjo raramente tem a forma que o aflito imagina pedir. Chega como força para continuar rezando, como capacidade de dizer a vontade de Deus em lugar da própria, como uma paz que se instala na parte mais alta da alma enquanto a sensibilidade ainda sangra. É possível chorar e estar em paz ao mesmo tempo; os santos o fizeram, e o próprio Nosso Senhor o fez naquela noite. Garrigou-Lagrange descreve exatamente essa paz: em meio aos acontecimentos penosos, a alma permanece serena ao menos em sua parte superior, porque está intimamente persuadida de que Deus a conduz29.

6. O anjo sofre conosco? O que ensina Santo Tomás
Resta uma pergunta que brota do afeto, e talvez seja a mais humana de todas: o anjo chora conosco? Santo Tomás responde que os anjos não se entristecem com os males daqueles que guardam. Nada acontece no mundo contra a vontade dos anjos e dos bem-aventurados, porque a vontade deles adere inteiramente à ordem da justiça divina, e nada acontece no mundo senão aquilo que essa justiça faz ou permite30.
Vontade antecedente e consequente: a paz do anjo diante da dor

À primeira leitura, a resposta pode soar fria. Mas basta olhá-la um pouco mais de perto para encontrar seu calor. Bonino ilumina a questão com a distinção tomista entre vontade antecedente e vontade consequente31, que Santo Tomás formula ao tratar da vontade divina32. Considerado em si mesmo, o bem do protegido é querido pelo anjo com todo o ardor da caridade. Na vontade consequente, que é a vontade real e última, ele quer o que Deus quer ou permite, porque contempla o desígnio que o homem ainda não pode ver. Sua paz é a de quem já leu o último capítulo do livro e sabe como a história termina.

E essa paz é um presente para quem sofre. Quem atravessa uma tragédia precisa de muitas coisas, e uma das mais raras é alguém a seu lado que não se aflija junto. O salva-vidas que entra em pânico com o náufrago afunda com ele, enquanto que aquele que mantém a calma é o único que pode trazê-lo com segurança à praia. Garrigou-Lagrange afirma que as almas provadas verão um dia que os anjos encontravam motivo de alegria naquilo que, por vezes, as deixou profundamente desoladas33. O anjo já contempla o bem que Deus está tirando do mal, e sua serenidade é uma espécie de promessa silenciosa: um dia você também verá.

O anjo da guarda na hora da morte: o que acontece depois
Quando a tragédia inclui a morte, a fé da Igreja estende o cuidado angélico até o limiar da eternidade. O pobre Lázaro, que viveu à porta do rico sem que ninguém o notasse, teve na morte um cortejo que nenhum rei conheceu: foi levado pelos anjos ao seio de Abraão (Lc 16,22). A liturgia das exéquias pede que os anjos conduzam ao paraíso aquele que partiu. Santo Tomás ensina que, depois da morte, cessa o ofício propriamente de guarda, porque o homem já não é peregrino; ainda assim, o anjo permanece unido a ele de outro modo, como companheiro na glória. A morte, que aos olhos da terra parece o fracasso do guardião, é o momento em que ele entrega a sua obra concluída. Uma morte violenta ou repentina chega, assim, ao seu termo acompanhada pelo mesmo ministério que acompanhou a vida inteira.

O anjo da guarda no corredor do hospital: onde ele estava, afinal
Voltemos àquela mãe sentada diante da parede branca. Se alguém pudesse abrir-lhe os olhos para o invisível, como Eliseu abriu os olhos do seu servo diante do exército que cercava a cidade, ela veria que nunca esteve sozinha. O anjo da guarda da filha acompanhou a menina até o último instante e a conduziu a um lugar onde nenhum caminhão poderá jamais feri-la outra vez. O seu próprio anjo da guarda estava ali, junto dela, travando a batalha decisiva no único campo onde ela ainda podia ser vencida ou perdida: na sua inteligência, para que a fé não se apagasse; no seu coração, para que a esperança não morresse e a dor não converte a caridade em revolta. A oração que ela rezou quase sem voz, “Santo Anjo do Senhor…”, subiu a Deus pelas mãos dele, mais bela do que qualquer oração que ela tenha rezado em seus dias felizes.

É isso que a teologia católica pode dizer a quem pergunta onde estava o seu anjo da guarda: Ele estava exatamente onde Deus o colocou, cumprindo a missão que Deus lhe deu: conduzir você à vida eterna. Às vezes, afasta o perigo, e nós o chamamos de sorte. Outras vezes, segundo a ordem dos juízos divinos, deixa que a tribulação chegue e permanece ao seu lado, dentro dela, e nós o chamamos de ausente. Em nenhum dos casos, contudo, abandona o seu protegido. O anjo da guarda é o amigo mais fiel e o mais esquecido que um homem pode ter, e só na eternidade saberemos quantas vezes nos salvou sem que percebêssemos.

Como rezar ao anjo da guarda na hora da provação: seis petições
Por isso, convém ensinar o fiel a pedir ao anjo da guarda, na hora da provação, aquilo que corresponde à sua missão e ao modo como ele age na alma: que 1) fortaleça a luz da sua inteligência, para que a fé continue a ver quando tudo escurece; que 2) proponha, na sua imaginação ferida, imagens santas no lugar das cenas que o atormentam, uma palavra do Evangelho, o rosto do Crucificado, a lembrança dos que já estão nas mãos de Deus; que 3) apresente à sua vontade o bem eterno sob o aspecto que o torna amável, para que a esperança volte a abrir as janelas da alma; que 4) desperte em suas paixões aquele movimento de coragem que permite dar o passo seguinte; que 5) afaste as sugestões do inimigo, para que a dor não apodreça em revolta nem em ódio; e que 6) leve ao trono de Deus a oração que ele já não consegue formular. Pedir isso é pedir ao anjo da guarda exatamente aquilo para que Deus o enviou, e poucas orações coincidem tão perfeitamente com a vontade divina. Na noite da tragédia, rezar assim é estender a mão no escuro com a confiança de uma criança, certa de que há alguém ali para segurá-la.

Ou, se for difícil demais lembrar-se dessas seis petições, basta-nos repetir, como sempre, aquelas doces palavras da infância: “Santo Anjo do Senhor…”!

Santos Anjos da Guarda


A celebração especialmente dedicada aos Anjos da Guarda começou na Espanha, no final do ano 400, propagando-se por toda a Europa em poucos séculos. O dia 2 de outubro foi estabelecido em 1670, pelo Papa Clemente X.

O anjo da guarda nos ampara e nos defende dos perigos na nossa vida terrena. No salmo 90 nós podemos ler: "Porque aos seus anjos Ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos, eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra".

São Francisco de Sales nos esclarece que a tarefa dos anjos é levar as nossas orações à bondade misericordiosa do Altíssimo e de nos informar se elas foram atendidas. Assim sendo, as graças que recebemos nos são dadas por Deus, que é o princípio e o fim de nossa vida, e os mensageiros destas graças são os anjos.

O Papa São João XXIII em uma Meditação para a Festa dos Anjos da Guarda, escreve assim: "Devemos lembrar quão admirável foi a intenção da Providência divina em confiar aos anjos a missão de zelar por toda a humanidade e pelos seres humanos individualmente, para que não sejam vítimas dos graves perigos que enfrentam."

Colaboração: Nathália Lima

Reflexão:

Os anjos da guarda têm missão semelhante à das mães. Na infância são muito exigidos e solicitados, socorrendo as crianças nas situações de perigo. E no fim de cada dia de trabalho intenso, os pais ensinam as crianças a agradecerem a ele, e assim vai se estabelecendo uma relação extremamente íntima entre cada criança e seu anjo protetor. Não importa que ele não tenha um nome ou um rosto. Cada criança tem o seu anjo da guarda.

Oração:

"Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou a Piedade Divina, sempre me rege, me guarda, me governa e ilumina, agora e sempre. Amém!”.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Comissões da CNBB se reúnem para aprofundar compromisso com a justiça social e renovar respostas pastorais


A sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebeu, entre a noite de segunda-feira, 28, e a manhã desta quarta-feira, 30, o Encontro Anual de Bispos das Comissões para a Ação Sociotransformadora (Cepast), para o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (CEETH) e para a Ecologia Integral e Mineração (CEEM).

O encontro reuniu os bispos presidentes das Comissões, bispos referenciais das pastorais sociais, organismos como a Comissão Pastoral da Terra e o Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras, além de convidados.

As três Comissões atuam em temas transversais e, aproveitam o encontro para intensificar a união de esforços “para fortalecer a sinodalidade, aprofundar o compromisso com a justiça social e renovar as respostas pastorais contemporâneas”.

Este ano o encontro também contou com a participação de Cecília Barja e padre Paolo Parise, colaboradores do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, no Vaticano.

Segundo a Comissão para a Ação Sociotransformadora da CNBB, o encontro se constitui como “um momento de comunhão, compromisso e discernimento sobre os desafios da Igreja e os caminhos para uma atuação cada vez mais próxima das realidades das pessoas mais empobrecidas e excluídas dos direitos fundamentais”.

Diálogo e partilha
No início do encontro, os participantes celebraram a Eucaristia e fizeram um momento de acolhida e partilha pastoral a partir das vivências nos regionais, pastorais e organismos da CNBB.


No segundo dia do encontro, as atividades começaram com um momento de escuta e diálogo com os movimentos populares. Entre os temas em destaque estiveram as lutas e perspectivas das juventudes, dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, das mulheres camponesas, das pessoas migrantes e do encontro dos movimentos sociais com o Papa Leão XIV.

O secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, saudou os participantes e pôde ouvir as partilhas durante o período em que esteve presente no encontro.



Trabalho das comissões
Durante a programação, as Comissões da CNBB apresentaram sobre seus horizontes de trabalho para 2027. Na manhã de hoje, a reflexão sobre o trabalho também levou em consideração as indicações contidas nas Diretrizes Gerais da 

Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE).
Um dos caminhos da missão propostos nas DGAE diz respeito ao Serviço à vida plena para todos. Neste trecho, o documento propõe três compromissos fundamentais: a opção evangélica e preferencial pelos pobres, o cuidado da Casa Comum à luz da ecologia integral e a promoção da dignidade humana desde a concepção até o seu fim natural.

Contribuição do Dicastério
Cecília Barja e padre Paolo Parise apresentaram aos participantes uma reflexão a partir da encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial.


Igreja e transformação social
Na noite de terça-feira, o encontro foi oportunidade para o lançamento do livro “Igreja e transformação social – Pastoral SocioTransformadora“, publicado pela Edições CNBB. A obra nasce de um intenso processo de escuta de agentes, pastorais sociais e organismos de todo o Brasil e oferece uma profunda reflexão sobre como a evangelização deve, concretamente, transformar as realidades sociais.

O livro reafirma que evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo, num chamado urgente à ação por meio da fraternidade, da justiça social, da defesa intransigente da dignidade humana e do cuidado com a Casa Comum.

Organizado pelo teólogo e pastoralista padre Francisco Aquino Junior, o material é fundamentado no Evangelho, na Doutrina Social da Igreja e no magistério dos Papas. Segundo a Edições CNBB, esta publicação estabelece os fundamentos, valores e inspirações que guiam o compromisso da Igreja com os mais pobres e marginalizados.

Luiz Lopes Jr com Juce Rocha | Fotos: Juce Rocha e Fiama Tonhá

Papa pede diálogo diante da retomada dos combates no Tigré

Etíopes que fugiram dos combates em curso na região de Tigray reúnem-se no vilarejo de Hamdayet, perto da fronteira entre o Sudão e a Etiópia, no leste do estado de Kassala, Sudão. REUTERS/Mohamed Nureldin Abdallah (REUTERS)

Papa pede diálogo diante da retomada dos combates no Tigré
Há dezenas de milhares de novos deslocados em Afar e receio de um novo bloqueio total de comunicações, energia e ajuda humanitária. O conflito iniciou em novembro de 2020 entre forças do governo federal etíope e a FPLT, causando centenas de milhares de mortes. Um acordo de paz foi assinado em Pretória em novembro de 2022, mas permaneceu parcialmente cumprido, voltando a intensificar-se em setembro de 2026.

Vatican News

Acompanho com profunda preocupação a situação no Tigré e nas regiões vizinhas de Afar e Amhara, onde as hostilidades voltaram a eclodir. Dirijo o meu sentido apelo a todas as partes para que escolham o caminho do diálogo. O conflito armado nunca resolve os problemas, mas apenas os agrava, deixando atrás de si um rastro de morte, destruição e ressentimento. Somente um diálogo sincero pode lançar as bases para uma paz duradoura. É minha fervorosa esperança que a comunidade internacional ofereça uma contribuição generosa e oportuna para garantir que toda a ajuda humanitária chegue às pessoas necessitadas.

Ao final da Audiência Geral, o Leão XIV manifestou sua profunda preocupação com a retomada das hostilidades no Tigré e nas regiões vizinhas de Afar e Amhara, no norte da Etiópia. O apelo foi feito em um momento de forte escalada da violência: desde 22 de setembro, combates entre forças ligadas à Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) e forças do governo federal etíope voltaram a atingir diferentes pontos da região, colocando em risco o frágil acordo de paz firmado em Pretória, em novembro de 2022.

A nova escalada começou após meses de aumento das tensões. As forças do TPLF assumiram o controle de aeroportos em Mekelle, Axum e Shire e avançaram também para áreas de Afar e Amhara. O governo federal lançou uma contraofensiva, enquanto as duas partes apresentam versões divergentes sobre as causas e responsabilidades pela retomada dos combates. A ONU pediu máxima contenção, desescalada imediata, proteção dos civis e acesso seguro e sem obstáculos para as organizações humanitárias.
Hospitais recebem centenas de feridos

O impacto humanitário já é significativo. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou que o número de feridos de guerra atendidos nos hospitais de Korem e Alamata passou de cerca de 180 para mais de 420 entre 22 e 25 de setembro. No hospital de Suhul, em Shire, no noroeste do Tigré, mais de 300 feridos chegaram até 25 de setembro. A MSF também informou que suspendeu suas atividades no hospital de Alamata devido à insegurança e acompanha os deslocamentos de população no Tigré, Amhara e Afar.

A Agência Europeia de Proteção Civil e Ajuda Humanitária (ECHO) advertiu que o norte da Etiópia já enfrenta necessidades humanitárias graves, enquanto mais de 500 mil pessoas deslocadas internamente no Tigré dependem de assistência humanitária. Em 28 de setembro, a União Europeia anunciou 61 milhões de euros em ajuda humanitária para a Etiópia, diante da deterioração da situação no país, incluindo os efeitos do conflito, dos deslocamentos e de outras emergências.

O risco ultrapassa as fronteiras do Tigré. Os combates atingiram também Afar e Amhara, enquanto as tensões entre a Etiópia e a vizinha Eritreia aumentam a preocupação com uma possível ampliação regional da crise. A guerra de 2020–2022, que terminou com o Acordo de Pretória, provocou uma das maiores crises humanitárias recentes da África, com centenas de milhares de mortos e milhões de deslocados. A retomada das hostilidades ameaça reabrir feridas ainda não cicatrizadas e interromper os esforços de reconstrução.

Leão XIV, no final de seu apelo, voltou o olhar para a responsabilidade da comunidade internacional, expressando a esperança de que ela ofereça uma contribuição generosa e oportuna para garantir que a ajuda humanitária chegue a todos os que dela necessitam. A mensagem se insere, assim, na preocupação constante da Igreja com a população civil atingida pelos conflitos: diante da morte, da destruição e do deslocamento, a prioridade, segundo o Pontífice, deve ser abrir novamente o caminho do diálogo e garantir assistência aos mais vulneráveis.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.

EVANGELHO DO DIA (Lc 10,1-12)

ANO "A" - DIA: 01.10.2026
26ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIA DE SANTA TEREZINHA DO MENINO

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Convertei-vos e crede no Evangelho, pois o Reino de Deus está chegando!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E dizia-lhes: "A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3 Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: 'A paz esteja nesta casa!' 6 Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7 Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8 Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9 curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: 'O Reino de Deus está próximo de vós.' 10 Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11 'Até a poeira de vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!' 12 Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A missão de rezar e evangelizar como Santa Teresinha"

A missão nasce no coração de Jesus
Quero acolher você com muita alegria para essa reflexão, nesta homilia onde Deus fala ao coração, mas também nos dá a graça de permanecermos na Sua vontade. Hoje, nós comemoramos o dia de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Outubro é mês das missões e também do rosário, e Santa Teresinha do Menino Jesus foi uma missionária sem sair do convento. Olha só que coisa maravilhosa para dizer para nós: se sairmos do nosso comodismo, também podemos levar a Palavra de Deus a muitas pessoas. Vamos ler, hoje, o Evangelho de São Lucas, onde o Senhor vai nos dizer:

“O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois à sua frente, a toda cidade e lugar para onde ele próprio devia ir.” (Lucas 10,1-12)

O Evangelho de São Lucas é profundamente missionário, pois está ligado juntamente a essa espiritualidade de Santa Teresinha do Menino Jesus. Percebemos assim que a missão não nasce da iniciativa humana, mas do coração de Jesus.

A eleição para anunciar
Jesus é quem escolhe, quem chama e quem envia. Antes de qualquer planejamento, existe um chamado. Antes de qualquer atividade, existe uma vocação. Olha que lindo: o discípulo não anuncia uma ideia própria, ele anuncia a pessoa de Jesus Cristo. Jesus está dizendo para nós que ele é o protagonista da evangelização.

É Ele que precisa ser conhecido através de cada um de nós. É interessante notar que Jesus não pede, em primeiro lugar, que trabalhemos, mas que rezemos. Para que a missão aconteça, é preciso rezarmos, é preciso ter intimidade com o nosso Senhor. A oração precede a missão.

A missão deve ser regada pela oração
Olha que importante isso dentro da liturgia de hoje: a missão precisa estar regada pela oração. Quem não reza corre o risco de trabalhar para si mesmo, e quem reza aprende a trabalhar para Deus. É isso que Santa Teresinha do Menino Jesus quer nos ensinar no dia de hoje. Jesus não esconde as dificuldades da vida missionária.

O discípulo não é enviado como um guerreiro armado, mas como um cordeiro. Ou seja, a sua força está na confiança, está na oração, na perseverança. É a lógica da cruz. Quem vence o mal com o bem, vence por meio da oração. A missão só será inteiramente positiva se eu passar a minha vida em oração. E termino falando do desapego que a missão também precisa nos levar, para confiar na Providência de Deus.

Que Santa Teresinha, padroeira das missões, possa interceder por cada um de nós, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova