quinta-feira, 11 de junho de 2026

CNBB manifesta solidariedade à Igreja de Moçambique pelo assassinato de Dom Osório Citora Afonso


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua presidência, publicou nesta segunda-feira, 8 de junho, uma “Mensagem de Condolência e solidariedade ao Episcopado de Moçambique e à Diocese Quelimane” pelo assassinato do secretário-geral da Conferência Episcopal de Moçambique, bispo de Quelimane e administrador apostólico da arquidiocese Beira, dom Osório Citora Afonso, ocorrido na manhã do último sábado, 6 de junho.

Segundo informações do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), o bispo foi atingido mortalmente por um disparo de arma de fogo do tipo AKM, no peito, alegadamente a curta distância. O corpo foi encontrado no corredor do Paço Episcopal. As autoridades locais indicam que os autores do crime terão violado a cerca eléctrica sede da diocese.

Na mensagem, a CNBB afirma ter recebido com “grande pesar a notícia deste ato de violência que ceifou a vida de um pastor dedicado ao serviço do Evangelho, da Igreja e do povo moçambicano. Neste momento de dor, elevamos nossas orações ao Senhor da Vida para que acolha Dom Osório em sua paz eterna e conceda conforto, esperança e fortaleza à Diocese de Quelimane, à Arquidiocese da Beira, ao episcopado de Moçambique, aos familiares e a todos os fiéis que choram sua partida.”

Com o gesto, a CNBB une-se às palavras do Papa Leão XIV, que expressou sua consternação diante deste grave ato de violência e assegurou sua proximidade espiritual ao povo moçambicano, e compartilha do apelo à fé, à unidade e à solidariedade fraterna manifestado pela Conferência Episcopal de Moçambique.

A mensagem da CNBB destaca a contribuição de dom Osório Citora Afonso no anúncio do Evangelho e no serviço à Igreja, tendo exercido importantes missões pastorais em seu país e junto ao Dicastério para a Evangelização, da Santa Sé. “Seu testemunho de fé, entrega e compromisso eclesial permanecerá vivo na memória do povo de Deus.”, diz um trecho.

Confira, aqui, a íntegra da mensagem da CNBB

Leão XIV desembarca em Las Palmas de Gran Canaria


Com a Missa celebrada na noite de ontem, 10 de junho, na Basílica da Sagrada Família, Leão XIV concluiu a segunda etapa de sua viagem apostólica a Barcelona e, às 10h38 locais desta quinta-feira, aterrissou no grande arquipélago situado no Oceano Atlântico. O primeiro compromisso será o encontro com as realidades de acolhida aos migrantes.

Vatican News

Às 10h38 locais desta quinta-feira, 11 de junho, o Papa Leão XIV aterrissou na Base Aérea de Gran Canaria-Gando. Com a visita ao grande arquipélago do Oceano Atlântico, que incluirá também uma etapa em Santa Cruz de Tenerife, o Pontífice concluirá sua quarta viagem apostólica à Espanha.

A despedida de Barcelona
Na manhã desta quinta-feira, por volta das 7h30, o Bispo de Roma despediu-se da residência arquiepiscopal e seguiu para o aeroporto, onde recebeu a saudação de algumas autoridades locais. Em seguida, Leão XIV embarcou em um Airbus A320 da companhia Iberia, que o conduziu à Base Aérea de Gran Canaria-Gando. Como prevê a tradição, algumas autoridades locais estavam presentes para recebê-lo, seguido de um encontro na Sala VIP.

Estradas fechadas, chuva e vento, atenção meticulosa aos detalhes nestes dias em Las Palmas de Gran Canaria para preparar a chegada de Leão XIV, o primeiro Papa a pisar nesta terra ...

O encontro com as realidades de acolhida aos migrantes
A primeira etapa da permanência do Papa nas Ilhas Canárias será o encontro com as realidades de acolhida aos migrantes no porto de Arguineguín, localizado na costa sul da ilha de Gran Canaria. O local ainda é conhecido como o “Porto da Vergonha” porque, em 2020, pouco depois do início da emergência provocada pela Covid-19, cerca de 3 mil migrantes chegaram ali ao longo de apenas uma semana. Por causa da pandemia, porém, ninguém podia entrar no porto. Somente a Cáritas se organizou para prestar assistência aos náufragos, levando alimentos e materiais sanitários. Uma voluntária da instituição estará entre as pessoas que apresentarão seus testemunhos ao Pontífice durante o encontro.

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EVANGELHO DO DIA (Mt 10,7-13)

ANO "A" - DIA: 11.06.2026
10ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERMELHO)
MEMÒRIA DE SÃO BARNABÉ

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Ide ao mundo e ensinai a todas as nações! Eis que eu estou convosco até o fim do mundo!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7 "Em vosso caminho, anunciai: 'O Reino dos Céus está próximo'. 8 Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! 9 Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; 10 nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. 11 Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. 12 Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13 Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"As exigências que nos tornam cristãos"

Exigências e despojamentos na vida do seguidor de Jesus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Em vosso caminho anunciai, o reino dos céus está próximo, curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificais os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!” (Mateus 10,7-13)

Meus irmãos e minhas irmãs, estamos de volta ao nosso canal da Homilia Diária. Hoje, celebramos São Barnabé, apóstolo.

O exemplo de Barnabé
A primeira leitura afirma que Barnabé era um homem bom, cheio do Espírito Santo e cheio de fé. O mesmo texto do livro dos Atos dos Apóstolos afirma que, juntamente com Saulo, Barnabé esteve à frente da evangelização em Antioquia, instruindo muitos fiéis.

Graças a ele, houve tamanha assimilação do estilo de vida de Cristo; e, nessa cidade, pela primeira vez, os discípulos foram chamados de cristãos. Que coisa bonita! Olha que interessante: Barnabé transmitiu, com tanta fidelidade, o jeito de ser de um verdadeiro discípulo de Jesus, que esta marca passou a identificar aqueles que seguiam o Cristo. Que grande responsabilidade! Eu pergunto para mim e para você: será que, hoje, quando eu digo que sou cristão, estão em mim as feições de Cristo? Será que eu imito as ações de Cristo?

A humildade como porta para a evangelização
Um outro detalhe ainda sobre Barnabé é que ele foi considerado profeta e mestre. Mesmo com toda essa bagagem, ele era um homem humilde e com grande gana de evangelizar. Isso era tão evidente, que o próprio Espírito Santo o escolheu em diversos momentos para muitas missões.

No Evangelho que nós ouvimos hoje, dessa festa do apóstolo, nos deparamos com o despojamento – despojamento que deve ter aquele que se dispõe para o apostolado.

Exigências que impedem a evangelização
O texto de hoje nos traz aquelas exortações de Jesus para os apóstolos. Às vezes, uma pessoa que se coloca a serviço da evangelização esquece isso e começa a fazer uma série de exigências. Pouco a pouco, acabam se confundindo com as exigências de um artista, uma celebridade desse mundo.

Nem ouro, nem prata. Nem sacola, nem dinheiro. Nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão. Indicação de viver apenas com o necessário. Muitas malas de alguns missionários não passariam no primeiro teste. São tantas exigências e tantas frescuras — desculpe a palavra —, que, muitas vezes, causam vergonha e contratestemunho.

A nossa missão está no serviço
A raiz do apostolado está em servir às pessoas. Gastar-se por elas, acolhê-las, instruí-las e dar-lhes bom exemplo. Barnabé é um modelo de evangelizador: sábio, audaz, ousado, mas também acolhedor. Respeitoso das diferenças, maleável e até capaz de lidar com pessoas muito difíceis. Que ele interceda por nossas comunidades para que nós nos tornemos, de fato, evangelizadores.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova



A história de Jó realmente aconteceu?

Livro de Jó e a sua mensagem espiritual

A Igreja não tem certeza se Jó e os três amigos que o consolavam realmente existiram. Não há condição histórica ou científica de verificar isso. Alguém escreveu o livro, e não sabemos exatamente quem, mas a Igreja, assistida pelo Espírito Santo, entendeu que esse é um livro canônico, ou seja, inspirado por Deus.

O valor da parábola sobre o fato
Para a Igreja Católica, o mais importante não é o fato histórico, científico ou saber quem escreveu o livro de Jó, mas sim a mensagem religiosa do texto. É como o livro de Jonas: São Gregório Magno, Doutor da Igreja e Papa, afirma que o livro de Jonas é uma parábola.

O livro de Jó também pode ser uma parábola, mas uma parábola importantíssima que nos ensina a enfrentar o sofrimento. A lição central é não enfrentar o sofrimento com rebeldia, blasfêmia ou desespero, mas sim com fé e paciência.

Leia mais

Lição de Jó para enfrentar o sofrimento
Como o próprio Jó dizia: “Deus deu, Deus tirou, bendito seja Deus”. Ele reconheceu que tudo pertence a Deus e que Ele tem o direito de tirar o que é Seu. Ao final, Jó venceu, mostra que Deus devolveu a ele em dobro tudo o que havia perdido.

Portanto, o essencial do livro de Jó é aprender a enfrentar o sofrimento na fé e com paciência para, assim, vencer. O mais importante não é provar a sua existência histórica, isso não importa. Assim como na parábola do filho pródigo, o que prevalece é a beleza e o ensinamento do texto.

Transcrito e adaptado por Jaqueline Scarpin

Autor: Prof. Felipe Aquino



São Barnabé

Barnabé nasceu na ilha de Chipre no século I. Era filho de pais judeus e seu nome significa "filho da consolação", não fez parte dos primeiros doze Apóstolos escolhidos por Jesus, mas acompanhou os Apóstolos naqueles primeiros dias. Vendeu um campo de plantações que possuía para doar seu dinheiro aos Apóstolos. Era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé.

Ele era da tribo de Levi. Estudou com o mestre Gamaliel, de quem aprendeu a firmeza de caráter, as ciências e as virtudes. Tinha o maravilhoso dom de acalmar e de consolar os aflitos.

Foi pelas mãos de Barnabé que Paulo depois de sua conversão, ingressou nos círculos judaico-cristãos. Barnabé também o acompanhou em sua primeira viagem apostólica e foram parceiros na grande obra de conversão realizada em Antioquia, onde estabeleceram e firmaram a primeira comunidade denominada de cristã.

Barnabé estava em Chipre quando foi apedrejado no ano 61. Outra tradição diz que Barnabé teria sido consagrado o primeiro Bispo de Milão, cidade que o tem como seu padroeiro até hoje.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR

Reflexão:

Barnabé apresenta-se como Apóstolo cheio de fé e do Espírito Santo, sempre disposto à luta contra as dificuldades que se lhe opunham. A vida foi-lhe continuado martírio, razão por que os Apóstolos afirmavam que ele sacrificara a vida por amor do nome de Jesus Cristo. Que nós possamos assumir com fidelidade e paciência os desafios que a vida de fé nos coloca a cada dia.

Oração:

Santo Apóstolo Barnabé, volvei o vosso olhar a nós e a todos os apóstolos da Igreja, para que servindo ao Evangelho, possam encontrar a fortaleza necessária para nunca desanimar. Olhai para as pedras que se encontram em nosso caminho: que ela nos levem à santidade. Por Cristo Nosso Senhor. Amém!

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Iniciação à missão no Brasil: onde os caminhos do mundo se cruzam na fé


“Uma jornada de mil milhas começa sempre com um passo discreto”, ensina a antiga sabedoria chinesa. Essa máxima ecoou na voz do padre Antônio Valdeir Duarte de Queiróz, diretor-geral do Centro Cultural Missionário (CCM), durante o agradecimento que marcou o encerramento dos 90 dias de jornada formativa da 129ª edição do Centro de Formação Intercultural (Cenfi), um programa de iniciação à missão no Brasil.

O ciclo, concluído em clima de celebração, havia começado bem antes: ao desembarcarem no Planalto Central no outono de 2026, o passo inaugural exigiu daqueles homens e mulheres mais do que a coragem de cruzar oceanos e fronteiras. Demandou a ousadia de despir-se do idioma nativo para habitar uma nova língua. Vindos de quatro continentes – em uma Babel mística-missionária composta por onze representantes da África, onze da América, três da Ásia e dois da Europa –, o grupo escolheu o Brasil não como mero destino, mas como pátria para viver a missão de suas vocações.

Uma bússola para o envio
Durante a celebração eucarística que marcou o encerramento do Cenfi, dom Ricardo Hoepers, bispo auxiliar de Brasília, secretário-geral da CNBB e presidente do CCM, agradeceu profundamente aos religiosos e religiosas por abraçarem o Brasil como o solo sagrado de suas missões. Com sensibilidade pastoral, recordou que a convivência desses meses deixará marcas indeléveis: o tempo passa, mas o coração guardará para sempre a memória de cada partilha e o rosto de cada pessoa.

Ao sintonizar a caminhada do grupo com a liturgia do dia 6 de junho, o bispo buscou na primeira leitura as palavras do apóstolo Paulo para selar o envio daqueles homens e mulheres, oferecendo-as como uma bússola espiritual: “Tu, porém, mostra vigilância em tudo, suporta o sofrimento, desempenha o teu serviço de pregador do evangelho, cumpre com perfeição o teu ministério”.

O mosaico da chegada
O ponto de convergência dessa odisseia, promovida pelo CCM – órgão vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) –, teve início no dia 10 de março, quando a sede em Brasília abriu suas portas para acolher os primeiros vinte e um caminhantes. Semanas depois, já no segundo módulo, o grupo expandiu-se com a chegada de mais seis missionários, completando o mosaico humano que, até o dia 6 de junho de 2026, compartilhou o pão, a gramática, a cultura de cada país – convergindo com a riqueza do Brasil – e o altar, nas celebrações e momento orantes.

No princípio, lembrou o padre Antônio Valdeir, a convivência teceu-se na timidez dos pequenos diálogos cotidianos. Pelos corredores do Centro, as vozes tateavam as texturas do português através de expressões que, aos poucos, ganharam o calor do afeto. O formalismo dava lugar à espontaneidade brasileira em fonemas curtos e profundos: “Bom dia!”, “Opa!”, “Sim, sim!”, o cauteloso “Vamos ver!”, o tipicamente expressivo e de raiz brasileira “Anram!”, além dos afetuosos “Meu amigo!”, “Toma cuidado!” e “Muito bom!”. São pequenas chaves linguísticas que deixam de ser simples vocábulos para se tornarem monumentos na memória afetiva do grupo em missão — estímulos permanentes para desbravarem as entranhas culturais e eclesiais das Igrejas Locais onde irão servir.

“Foram 90 dias de curso para o bem-estar de todos vocês. O Centro Cultural Missionário tem a missão de acolher, acompanhar, formar e enviar missionários de outros países para bem servir ao Povo de Deus. A presença de vocês é sinal de uma Igreja viva, missionária e acolhedora. Não tenham medo desse novo passo na jornada missionária! Vocês serão muito bem acolhidos nas diversas regiões do Brasil. O povo brasileiro é acolhedor e continuará ajudando vocês a aprofundarem a língua portuguesa, a cultura e a religiosidade”, reforçou o diretor-geral.

Atravessando os desertos do desterro
A travessia, contudo, não se faz sem desertos. O saudoso Papa Francisco, cujo magistério continua a iluminar os passos da Igreja, lembrava na exortação Evangelii Gaudium que o verdadeiro missionário jamais deixa de ser discípulo: ele sabe que Jesus caminha, fala, respira e trabalha ao seu lado, sentindo-O vivo no coração da tarefa evangelizadora. “É essa certeza mística que ancora vocês aqui no Brasil diante dos desafios inevitáveis do desterro: a solidão das noites, a saudade, a tristeza sutil da distância, as perdas deixadas além-mar, os atritos naturais da convivência e as frustrações momentâneas que nascem do cansaço diário”, animou o diretor do CCM.

Ele lembrou ainda que, ecoando essa mesma mística, o Papa Leão XIV, em sua mensagem para o 100º Dia Mundial das Missões celebrado neste ano, enfatizou que “no centro da missão está o mistério da união com Cristo”. É a união íntima com o Transcendente que resgata a alegria e transfigura as dificuldades em frutos maduros. Os vinte e sete rostos que agora se despedem de Brasília são compreendidos pela Igreja que os acolhe como puros dons divinos – sementes vivas prontas para florescer e fecundar a fé de tantas outras pessoas.

Vozes que contam a história
As narrativas particulares que se cruzaram no CCM traduzem a profundidade desses três meses. O Padre Joshua Tinourtob Bol, missionário do Verbo Divino vindo do Gana e cujo destino será a Arquidiocese de Curitiba, no Paraná, resume a experiência em tom de profunda gratidão:

“Foi um tempo muito especial que marcou minha vida em três partes: língua, missão e cultura. Experiência com a língua: minha professora Yasmin sempre dizia que o objetivo da língua não é ser perfeito, mas é comunicar. Comunicação é entender, falar, escrever e ler. Estudar em grupo trouxe apoio e motivação. Experiência missionária: na entrada do CCM, há uma frase que diz: ‘O CCM é um lugar onde a cultura encontra a missão’. Isso foi verdade para mim. Aprender português me ajudou a viver a missão de forma mais simples e bonita. Descobri que a missão é escutar e caminhar ao lado das pessoas que sempre me receberam com carinho. Experiência cultural: conhecer tradições e costumes do Brasil foi muito legal. Participei de festas. Provei comida típica do Brasil com feijoada, pão de queijo e ouvi música brasileira. Vi como cada região tem sua beleza. Isso me ensinou a respeitar a diferença e a valorizar as belezas da cultura brasileira. Então, esse tempo foi mais do que aprender uma língua. Foi uma experiência de crescimento, serviço e integração cultural. Sou muito grato pela oportunidade. Eu quero levar esses aprendizados para futuras missões. Muito obrigado!”

Da mesma forma, a leiga hondurenha Lilian Azucena Sanches Herrera, membra da Sociedade de Missões Estrangeiras e que agora parte para os desafios amazônicos na arquidiocese de Manaus (AM), sintetiza sua vivência sob a ótica da vida comunitária:

“Meu sentimento é de gratidão por tudo o que eu aprendi da língua portuguesa, pelas experiências missionárias nas paróquias e com as famílias. Isso me ajudará na integração com a realidade local no Brasil. Sou muito agradecida pela vivência comunitária, no intercâmbio entre participantes de diferentes culturas, nos momentos de oração juntos e juntas. Foi maravilhoso ter essas experiências de relações fraternas. Deus abençoe, gratidão para cada uma das pessoas que estavam presentes para que nós tivéssemos tudo o que precisávamos. Deus abençoe, boa missão!”.

Ao final do ciclo, o Centro Cultural Missionário cumpre mais uma vez o seu destino de ser porto e farol. Os vinte e sete missionários deixam Brasília munidos não apenas de conhecimento, mas de uma nova identidade cultural. O sotaque ainda estrangeiro agora carrega a doçura e o vigor da terra brasileira. Eles partem convictos de que a língua aprendida já não é uma barreira, mas o sacramento da comunhão e do caminhar conjunto com o Povo de Deus.

Por Osnilda Lima

Papa: a gratuidade dos voluntários deixou Madri mais próxima a Jesus

Quase 18 mil voluntários trabalharam para a visita de Leão XIV à cidade de Madri durante estes quatro dias e, do Pontífice, veio o agradecimento pela dedicação e gratuidade em fazer o bem que "faz crescer a qualidade humana, ética e espiritual da socidade". Em um mundo "influenciado pela lógica do interesse, do lucro", disse o Papa, a lógica mais verdadeira é pensar e agir segundo o Evangelho, com "o amor de Deus que move os corações daqueles que encontraram o Senhor Jesus".

Andressa Collet - Vatican News

O Papa Leão XIV foi até o Pavilhão 3 do Parque de Exposições da IFEMA, em Madri, na manhã desta terça-feira (09/06) para o último compromisso oficial dos quatro dias na capital espanhola. O espaço com 13 pavilhões, tradicionalmente ocupado feiras e congressos, recebeu milhares de voluntários que, como comentou o Pontífice, desde que foram comunicados da visita apostólica, deram uma "resposta entusiasta" ao apelo da arquidiocese local para "viver verdadeiramente uma experiência de Igreja missionária e em comunhão", como declarou o cardeal José Cobo Cano, arcebispo de Madri. O purpurado enalteceu a presença do voluntariado que, sem buscar reconhecimento, sem querer aparecer nos telões, usou do amor escondido "em meio a um mundo cansado de divisões e de barulho" o milagre "do encontro, do acolhimento e da comunhão" em caminhos de fraternidade que agora continuarão a ser percorridos como diocese, "sendo 'mais povo' graças" à passagem de Leão XIV, que logo no início do discurso fez o seu agradecimento:

"Este encontro é o último da etapa madrilenha da minha viagem apostólica, mas estou muito feliz que seja com vocês, voluntários e voluntárias, cada um de vocês e muitos outros que não puderam estar aqui nesta manhã. Vocês merecem um 'obrigado' muito especial, porque ofereceram a presença e o serviço de vocês, e o fizeram por amor ao Senhor, à Igreja e ao Papa. Obrigado de todo o coração!"

O encontro com os voluntários foi a última etapa em Madri (@Vatican Media)

O fermento da gratuidade
O Pontífice, então, ouviu o testemunho de dois dos quase 18 mil voluntários: de Mercedes Rodríguez Loeb, que disse ter descoberto na Igreja a sua Mãe e no voluntariado uma escola de humildade; e também de Nuño Adam Castrillo, pai de 8 filhos que nunca esperou nada em troca com o voluntariado, mas uma certeza silenciosa de estar fazendo a coisa certa. Orgulhoso, ele contou que todos presentes disseram sim, não com aquilo que sobra na rotina diária - um pouco de tempo livre, algum dinheiro - mas com o melhor deles próprios, através inclusive dos talentos de cada um.

A festa dos voluntários ao encontrar o Papa Leão XIV (@Vatican Media)

Novamente em uma atmosfera alegre e entusiasta típica de estádio de futebol, os voluntários receberam a gratidão de Leão XIV por terem tirado férias do trabalho para ajudar, pela dedicação de meses para dar o que podiam à visita apostólica entre "coração, mãos, ideias, competências, sorrisos. Que Deus os recompense como só Ele sabe fazer!", disse o Papa ao compartilhar uma reflexão simples e resumida assim: "os cristãos são chamados a levar ao mundo o fermento da gratuidade", através da parábola sobre o Reino dos Céus, relatada pelo evangelista Mateus (Mt 13,33). Uma experiência de gratuidade, continuou o Pontífice, que se vê em Madri, mas também com irmãos em vários outros lugares - como também foi no Jubileu da Esperança em Roma:

"A gratuidade é um fermento que faz crescer a qualidade humana, ética e espiritual de uma sociedade, porque, poderíamos dizer, é uma característica típica da 'cidade de Deus'. Ainda mais em um mundo continuamente influenciado pela lógica do interesse, do lucro, onde o termo 'crescimento' é reduzido à dimensão econômica-financeira, é necessário pensar e viver segundo a lógica mais verdadeira, isto é, a de um crescimento humano integral."

O discurso de agradecimento do Papa aos quase 18 mil voluntários (@Vatican Media)

Mais feliz em dar do que em receber
Um fermento da gratuidade apresentado por Jesus, disse o Papa, que misturado à humanidade ferida ajuda a curar. Leão XIV exortou à buscá-la através da oração, mas também por "um estilo de vida, de um modo de pensar e de agir que é o do Evangelho".

“Uma característica essencial desse estilo é a gratuidade que vocês testemunharam nestes últimos dias aqui em Madri. Obrigado! Obrigado! Talvez as estatísticas não registrem, mas sabemos que, nestes dias, também graças a vocês, esta cidade cresceu e está mais perto do Reino de Deus. Mérito nosso? Não! Tudo é graça d'Ele! Este é o segredo: o amor de Deus, que move o sol e os astros e move os corações daqueles que encontraram o «Senhor Jesus, que disse: 'A felicidade está mais em dar, do que em receber!'».”

A bênção das primeiras pedras
Para fechar o encontro com os voluntários e confirmar que, apesar da partida, a presença e o impacto de Leão XIV permanecerão no futuro, o arcebispo de Madri pediu, como último ato, a bênção das 18 primeiras pedras das paróquias que a província eclesiástica construirá nos próximos anos. Em seguida, o Papa seguiu para o aeroporto de onde viaja para Barcelona para dar seguimento à viagem apostólica na Espanha.

A bênção das pedras ao final do encontro com os voluntários (@Vatican Media)

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EVANGELHO DO DIA (Mt 5,17-19)

ANO "A" - DIA: 10.06.2026
10ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Fazei-me conhecer vossa estrada, vossa verdade me oriente e me conduza!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 17 "Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18 Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. 19 Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A plenitude da Lei"

A plenitude da lei consiste em viver o pleno amor
Hoje, Jesus vai nos ensinar que a plenitude da lei se plenifica no amor. Nós vamos ver aqui que isso causa um certo descontentamento para aqueles que não querem viver segundo os critérios de Jesus.

“Não julgueis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para os abolir, mas para dar-lhes a perfeição. Pois, em verdade, eu vos digo: passará o céu e a terra antes que desapareça uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei.” (Mateus 5, 17-19.)

Então Jesus vem e diz: “Eu não vim abolir a lei, eu vim levá-la à plenitude”. O que significa isso? Significa que Jesus revela o verdadeiro sentido da lei: o amor. Agora, será que nós queremos viver essa verdade? Será que eu e você queremos, realmente, diante daquilo que Deus nos oferece, viver isso na gratuidade, na doação e na entrega?

A plenitude no amor, uma regra de vida
Só quem vive a lei de Deus e os Seus mandamentos nessa perspectiva pode viver aquilo que Jesus nos fala: ser pleno no amor. Toda lei encontra sua plenitude quando é vivida no amor a Deus e ao próximo. Por isso, mais adiante no Evangelho, Jesus também vai nos mostrar que não basta não matar, é preciso vencer o ódio. Não basta não cometer adultério, é preciso purificar o coração. Não basta cumprir normas, é preciso amar.

Percebes que Jesus não está diminuindo a existência da lei? Pelo contrário, Ele a está aprofundando, pois nos chama a uma justiça maior, que nasce do nosso interior. Quando Ele diz: “Amai os vossos inimigos”, “Abençoai os que vos perseguem”, “Não pagueis o mal com o mal”, “O que eu não quero que faça para mim, não faço para o outro”… Tudo isso está dentro da lei que é plenificada no amor, porque, antes disso, era “olho por olho, dente por dente”. Essa era a lei.

Um chamado exigente
O amor nos leva a algo mais exigente, por isso Jesus, agora, está se aprofundando ao nos dizer: “Quem praticar e ensinar os mandamentos será considerado grande no reino dos céus”. Por fim, meus irmãos, aqui está uma grande lição espiritual: a fé cristã não é teoria, mas é viva, é vivida. Não basta conhecer o Evangelho, é preciso praticá-lo. Não basta falar de Deus, é preciso viver segundo Ele. Que o Senhor nos ajude a não viver a hipocrisia, mas sim a caridade como cumprimento de toda a Lei.

Que Deus nos abençoe em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova