quinta-feira, 23 de abril de 2026

EVANGELHO DO DIA (Jo 6,44-51)

ANO "A" - DIA: 23.04.2026
3ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Eu sou o pão vivo descido do céu, quem deste pão come, sempre há de viver.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 44 "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45 Está escrito nos Profetas: 'Todos serão discípulos de Deus'. Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim. 46 Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47 Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna. 48 Eu sou o pão da vida. 49 Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50 Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51 Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Uma oferta que gera vida"

O sacrifício de Cristo, uma oferta total na Eucaristia
O amor verdadeiro se esvazia e não retém nada para si. Assim fez Jesus por nós, que se deu por inteiro.

“Eis aqui o pão que desce do céu, quem dele comer nunca morrerá. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”. (Jo 6,44-51)

Irmãos e irmãs, o texto de hoje revela o que nós chamamos de amor kenótico. Esse amor kenótico de Cristo por nós significa esvaziamento. Então, Jesus se esvaziou de Sua glória, fez-Se humano, assumiu a nossa carne para que fôssemos elevados por Sua bondade.

A oferta de Jesus como fonte de vida para o mundo
Cristo não reteve nada, não retém nada, mas Se oferece totalmente, irmãos e irmãs, na cruz e na Eucaristia, transformando este sacrifício em fonte de vida para nós, em fonte de vida para o mundo inteiro. Então Jesus se esvazia para nos preencher de Deus, para nos preencher da glória de Deus. E nós somos desejosos, queremos esta glória de Deus em nossa vida.

O alimento do céu
Esse pão que nós ouvimos, aqui no Evangelho, é presença que atualiza o mistério pascal de Jesus Cristo. Esse trecho do Evangelho tem, então, irmãos e irmãs, essa dimensão pascal e eucarística. Dimensão eucarística: Ele mesmo Se fez pão para nos alimentar a cada dia, até o fim dos tempos.

Por isso o convite para que, juntos, elevemos o nosso coração ao Senhor em oração: “Ajuda-nos, Jesus, nós Te pedimos, pois queremos ser oferta a cada dia. Também nós queremos nos esvaziar, queremos ser uma oferta agradável a Ti, uma oferta agradável a Deus. Oferta no cuidado que o Senhor coloca, com as pessoas que o Senhor coloca em nosso caminho. Que a Sua graça nos guie, Senhor”.

Sobre você, desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


Dizer ‘sim’ a Deus: o caminho da verdadeira alegria


A nossa alegria vem do sim que damos a Deus
Deus é o único que sabe da nossa vida e do caminho que devemos seguir, por isso precisamos acolher Suas orientações e fazer tudo o que Ele nos manda. A nossa alegria e o nosso bem-estar dependem do nosso sim a Deus. Não se deixe abater, procure viver o que o Senhor tem para você a cada dia. Revista-se da armadura do cristão.

Deus tem um sonho, um plano para a vida de cada um de nós, e esse plano não é revelado de uma vez só, mas vai se desvendando dia após dia. Quando olhamos um bordado pelo lado contrário, vemos muitas linhas entrelaçadas, sem sentido, mas quando olhamos o outro lado do bordado, começamos a identificar um lindo desenho.

Da mesma forma acontece conosco. Hoje, só vemos as dificuldades, as linhas entrelaçadas, mas Deus está trabalhando continuamente; e quando olharmos do outro lado, veremos o lindo bordado que é a nossa vida! A maior alegria do coração de Deus é contemplar a Sua vontade se realizando na vida de Seus filhos. E a alegria do Senhor é a nossa alegria!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

Jorge nasceu na antiga região chamada Capadócia, atualmente parte da Turquia, por volta do ano 280, de família cristã. Seu pai, militar, morreu combatendo, e sua mãe mudou-se com o filho para a Palestina, sua terra de origem.

Adolescente, Jorge entrou para o exército do imperador romano Dioclesiano, onde tornou-se capitão. Suas provadas qualidades mereceram do imperador um título de nobreza, de modo que com 23 anos Jorge passou a residir na alta corte, trabalhando como Tribuno Militar.

Dioclesiano, porém, decretou em 303 o início de uma imensa perseguição à Igreja, entre outras coisas influenciado por Galério (também imperador romano na reorganização política chamada Tetrarquia, como administrador das províncias balcânicas). Este alegava que os cristãos traziam “azar” para o império. Jorge testemunhou as injustiças contra os cristãos e, após doar sua grande herança para os pobres, declarou-se publicamente fiel a Cristo. Diante do imperador, na reunião senatorial confirmando o edito das perseguições, Jorge levantou-se condenando a falsidade dos ídolos pagãos e confessou a sua Fé.

O imperador, inicialmente, quis suborná-lo com uma promoção, terras e dinheiro, o que foi inútil. Então Jorge foi preso e colocado numa cela, para onde levaram uma mulher com a missão de seduzi-lo. Mas no dia seguinte a mulher havia sido convertida e batizada. Seguiu-se a tortura e a decapitação de Jorge, chamado por isso, no Oriente, de megalomartir, isto é, o grande mártir. A imperatriz, Prisca, diante destes fatos, acabou por se converter ao Cristianismo, sendo posteriormente morta com a filha Valéria, ambas canonizadas.

A sepultura de São Jorge em Lida, atualmente uma cidade em Israel, perto de Tel-Aviv, é local de peregrinação, que não foi interrompida sequer durante as Cruzadas. Sua memória, tanto no Ocidente como no Oriente, é no dia 23 de abril.

São Jorge é padroeiro de inúmeras cidades e localidades no mundo inteiro, bem como dos cavaleiros, soldados e arqueiros. É invocado também contra a peste, a lepra e as serpentes. Os muçulmanos o veneram como profeta.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Da mesma época de São Caio, Papa, cuja memória foi ontem (cf. Santo do Dia - São Jorge - Reze no Santuário Nacional (a12.com)), São Jorge enfrentou também a cruel perseguição do imperador Dioclesiano., que não poupou da morte nem familiares nem destacados subordinados seus, como no caso presente, por serem católicos. A ira e o fanatismo contra Deus levam a muitas aberrações, incluindo atitudes tão insensatas como destruir a própria família e os melhores servidores. De grande destaque, no caso de São Jorge – assim como também para São Sebastião, outro militar – foi a coragem de espontaneamente se proclamar cristão diretamente ao imperador, admoestando-o por seus erros. Uma coragem invulgar, pela certa condenação à morte, foi exigida para um tal ato; coragem que falta, talvez, hoje, para muitos católicos, ao viver e proclamar a sua Fé. Outro importante exemplo de São Jorge é a sua pureza e castidade, pois os varões católicos devem ser coerentes com os ensinamentos do maior de todos eles, Jesus Cristo. Resistir às tentações é, no homem, uma atitude varonil, e fracos são os que pecam contra a castidade alegando, falsamente, que são “homens”, querendo assim justificar um prazer ilícito e as próprias consciências frouxas. Exemplo de militar, “Jorge” tem por significado no Grego original “agricultor”; mas nas obras de Deus não há incoerência, e São Jorge, combatendo o bom combate da Fé, como escreveu São Paulo (2Tm 4,7), plantou o bem e colheu seus frutos de santidade, propagando as sementes de conversão para muitos até hoje, um verdadeiro exército. É notória a lenda de São Jorge matando um dragão, mas não há qualquer base sólida para ela. A sua mais plausível origem é o encontro por soldados de uma Cruzada, na Idade Média, de uma escultura na Palestina. Ela estava numa igreja dedicada a São Jorge, representando o imperador Constantino, que havia combatido o arianismo, matando com uma lança esta heresia representada como dragão. A associação imediata com São Jorge levou à lenda. Por outro lado, há sem dúvida verdade no fato de que Jorge matou o pecado na sua vida, algo que é a essência da guerra diária de todo católico.

Oração:

Senhor, que sempre combateis por nós, com o envio dos Vossos exércitos angelicais, concedei-nos por intercessão de São Jorge a graça da pureza e da coragem de viver com integridade a nossa Fé, batalhando perseverantemente não contra dragões imaginários, mas sim contra o veneno da antiga serpente, o diabo, que age nas almas muito mais por astúcia e engano do que por violência direta. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Dom João Inácio Müller presidiu Celebração Eucarística em memória de arcebispos e bispos falecidos


Dom João Inácio Müller, arcebispo de Campinas (SP) | Fotos: Jaison Alves – 

Comunicação 62ª AG CNBB.
A Celebração Eucarística com Vésperas marcou o início da noite desta segunda-feira (20) no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, reunindo bispos e fiéis em um momento de oração, memória e esperança, no contexto da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (AG CNBB).

A Missa foi presidida pelo arcebispo da Arquidiocese de Campinas (SP), dom João Inácio Müller, e concelebrada por dom Jaime Pedro Kohi, dom Eduardo Malaspina, dom Jacinto Bergmann, dom Gregório Paixão e dom Roberto Francisco Paes.

A celebração teve como intenção especial o sufrágio pelos arcebispos e bispos falecidos ao longo do último ano, confiando-os à misericórdia de Deus. Logo no início da homilia, dom João Inácio destacou o sentido espiritual desse momento, afirmando que a Igreja eleva ao Senhor suas preces por aqueles que nos precederam na fé. Segundo o prelado, trata-se de fazer memória de suas histórias à luz da Páscoa, contemplando a fecundidade de vidas inteiramente dedicadas ao Evangelho, pois “Deus não esquece de nada, tudo Ele recolhe”.

Refletindo sobre o Evangelho proclamado, o arcebispo chamou atenção para as diferentes motivações da multidão que buscava Jesus. Ele explicou que há uma busca superficial, voltada às necessidades imediatas, e outra mais profunda, que se abre à escuta e ao sentido da vida. Nesse contexto, ressaltou o convite de Cristo a trabalhar não pelo alimento passageiro, mas pelo que permanece para a vida eterna, recordando que o verdadeiro pão é a própria vida de Jesus, oferecida por amor ao Pai e aos irmãos.

Eucaristia é realidade transformadora
Dom João Inácio também aprofundou o sentido da Eucaristia, destacando que ela não é apenas símbolo, mas realidade transformadora. “Nela, o próprio Cristo se oferece como alimento que sustenta e transforma a existência”, afirmou, ao explicar que comungar é deixar-se assimilar por Cristo, passando a viver não mais para si, mas para Deus e para os outros.

Ao recordar o testemunho dos pastores falecidos, o arcebispo fez referência à figura de Santo Estêvão, apresentada na primeira leitura, como exemplo de fidelidade até a entrega total. Ele destacou que a serenidade do mártir reflete a presença de Deus em sua vida, realidade também percebida em tantos bispos que, mesmo diante das dificuldades do ministério episcopal, permaneceram firmes e enraizados em Cristo.

A reflexão também abordou o sentido cristão da morte. Inspirado no ensinamento de São João Paulo II, dom João Inácio recordou que, sem Cristo, a morte se apresenta como fim, mas com Ele se torna passagem. Assim, afirmou que a memória dos arcebispos e bispos falecidos é vivida como um acontecimento pascal, inserido na esperança da ressurreição.

Por fim, dom João Inácio ressaltou que a esperança cristã não nasce das circunstâncias, mas da fidelidade de Deus, sendo uma esperança que não decepciona. Confiando os falecidos à intercessão de Nossa Senhora, pediu que todos perseverem na fé, para que, ao final da caminhada, sejam acolhidos na alegria eterna.

Antes da bênção final, voltados para a imagem da Virgem Maria Santíssima, os fiéis renovaram a Consagração a Nossa Senhora da Conceição Aparecida.



Por Sara Gomes - Comunicação 62ª AG CNBB

Leão XIV: é dever da boa política remover os obstáculos ao desenvolvimento humano

Em seu primeiro discurso na Guiné Equatorial, o Papa recordou que "o fosso entre uma “pequena minoria” – 1% da população – e a vasta maioria aumentou de maneira dramática", e disse que hoje "a exclusão é a nova face da injustiça social".

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Leão XIV iniciou, nesta terça-feira (21/04), sua visita pastoral à Guiné Equatorial, quarta e última etapa de sua viagem apostólica internacional ao Continente Africano.

Ao pé da escada do avião, no Aeroporto de Malabo, antiga capital, o Pontífice foi recebido pelo presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, acompanhado de sua esposa, Constância Mangue de Obiang, e pelo núncio apostólico José Avelino Bettencourt. Duas crianças vestidas com roupas tradicionais ofereceram flores a Leão XIV. Depois, o Papa foi de Papamóvel até o Palácio Presidencial onde houve a visita de cortesia ao presidente Obiang Mbasogo.

A seguir, Leão XIV encontrou-se com as autoridades, os representantes da sociedade civil e o corpo diplomático, no salão do Palácio Presidencial, onde proferiu seu primeiro discurso em terras equato-guineenses.

O Papa Leão XIV com o presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo (@Vatican Media)

Confirmar na fé e consolar o povo deste país
O Papa manifestou satisfação por "visitar o amado povo da Guiné Equatorial" e recordou a visita de São João Paulo II ao país, em 1982, que na época definiu o atual presidente, no poder desde 1979, como «o centro simbólico para o qual convergem as vivas aspirações de um povo a um clima social de autêntica liberdade, de justiça, de respeito e promoção dos direitos de cada pessoa ou grupo, e de melhores condições de vida, para se realizar como homens e como filhos de Deus».
"São palavras que permanecem atuais e que interpelam quantos estão investidos de responsabilidades públicas", disse Leão XIV. "Por outro lado, «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração»".

“Estas palavras da Constituição Gaudium et spes do Concílio Vaticano II expressam da melhor forma as razões e os sentimentos que me trazem até vós, para confirmar na fé e consolar o povo deste país em rápida transformação. Pois, tal como no coração de Deus, assim também no coração da Igreja ressoa o eco do que acontece na terra, entre milhões de homens e mulheres pelos quais o nosso Senhor Jesus Cristo deu a vida.”

O Papa durante o encontro com as autoridades da Guiné Equatorial (@Vatican Media)

A nova capital do país, Cidade da Paz
A seguir, citou Santo Agostinho que "interpretava os acontecimentos e a história segundo o modelo de duas cidades: a de Deus, eterna e caracterizada pelo seu amor incondicional (amor Dei), unido ao amor pelo próximo, especialmente pelos pobres; e a terrena, lugar de morada provisória, na qual o homem e a mulher vivem até à morte".

"Nesta perspectiva, as duas cidades existem conjuntamente até ao fim dos tempos e cada ser humano manifesta nas suas decisões, dia após dia, a qual delas deseja pertencer", sublinhou o Papa, acrescentando:

“Sei que empreendestes o imponente projeto de construir uma cidade, que há poucos meses é a nova capital do vosso país. Decidistes dar-lhe um nome em que parece ressoar o da Jerusalém bíblica, Ciudad de la Paz. Que tal decisão possa interrogar as consciências sobre qual cidade desejam servir!”

De acordo com o Papa, "Agostinho considera que os cristãos são chamados por Deus a habitar na cidade terrena com o coração e a mente voltados para a cidade celeste, a sua verdadeira pátria". "Todo o ser humano pode apreciar a antiquíssima consciência de viver na terra como de passagem. É fundamental que sinta a diferença entre o que perdura e o que passa, mantendo-se livre da riqueza injusta e da ilusão do domínio", sublinhou o Papa Leão. "Em particular, «o cristão, vivendo na cidade terrena, não está alheio ao mundo político e procura aplicar ao governo civil a ética cristã, inspirada nas Escrituras. A Cidade de Deus não propõe um programa político, mas fornece reflexões valiosas sobre questões fundamentais da vida social e política»", disse ainda o Papa.

Leão XIV durante o encontro com as autoridades da Guiné Equatorial (@Vatican Media)

Fosso entre uma pequena minoria e a vasta maioria
De acordo com Leão XIV, "hoje, a Doutrina Social da Igreja representa uma ajuda para quem deseja enfrentar as 'coisas novas' que desestabilizam o planeta e a convivência humana, buscando, antes de tudo, o Reino de Deus e a sua justiça". "O objetivo da Doutrina Social é educar para enfrentar os problemas, que são sempre diferentes, porque cada geração é nova, com renovados desafios, sonhos e interrogações", sublinhou.

"Comparando os nossos tempos com aquele em que o Papa Leão XIII promulgou a Rerum novarum, hoje a exclusão é a nova face da injustiça social", disse ainda o Papa Leão, recordando que "o fosso entre uma pequena minoria – 1% da população – e a vasta maioria aumentou de maneira dramática".

O Papa saudando o povo equato-guineense (@Vatican Media)

Remover os obstáculos ao desenvolvimento humano
"Quando falamos de exclusão, também nos deparamos com um paradoxo. A falta de terra, comida, casa e trabalho digno coexiste com o acesso às novas tecnologias que se difundem por toda a parte através dos mercados globalizados. Os telefones celulares, as redes sociais e até mesmo a inteligência artificial estão ao alcance de milhões de pessoas, incluindo os pobres", sublinhou o Papa, ressaltando "é dever inalienável das autoridades civis e da boa política remover os obstáculos ao desenvolvimento humano integral, do qual o destino universal dos bens e a solidariedade são princípios fundamentais".

“Não se pode esconder, por exemplo, que a vertiginosa evolução tecnológica a que assistimos acelerou uma especulação ligada à necessidade de matérias-primas, que parece fazer esquecer exigências fundamentais como a salvaguarda da criação, os direitos das comunidades locais, a dignidade do trabalho e a proteção da saúde pública.”

O Papa na chegada do Palácio Presidencial da Guiné Equatorial (ANSA)

Novas tecnologias usadas para fins bélicos
A este propósito, Leão XIV recordou "o apelo do Papa Francisco, que há precisamente um ano deixou este mundo: «Hoje devemos dizer 'não a uma economia da exclusão e da desigualdade social'. Esta economia mata»".

“Com efeito, hoje, mais do que há alguns anos, é ainda mais evidente que a proliferação dos conflitos armados tem entre os seus principais motivos a colonização de jazidas petrolíferas e minerais, sem nenhum respeito pelo direito internacional e pela autodeterminação dos povos. As próprias novas tecnologias surgem concebidas e utilizadas principalmente para fins bélicos e em contextos que não deixam vislumbrar um aumento de oportunidades para todos.”

O Papa assina o Livro de Honra no final do encontro com as autoridades (@Vatican Media)

Rever as trajetórias de desenvolvimento
De acordo com o Papa, "sem uma mudança de rumo na assunção de responsabilidade política e sem respeito pelas instituições e pelos acordos internacionais, o destino da humanidade corre o risco de ser tragicamente comprometido. Deus não deseja isto. O seu santo Nome não pode ser profanado pela vontade de domínio, pela prepotência e pela discriminação: acima de tudo, não deve nunca ser invocado para justificar escolhas e ações de morte".

“Que o vosso país não hesite em rever as suas trajetórias de desenvolvimento e as positivas oportunidades de se posicionar no cenário internacional ao serviço do direito e da justiça.”

De acordo com o Papa, a Guiné Equatorial pode encontrar na Igreja "ajuda para a formação de consciências livres e responsáveis", com as quais caminhar "juntos rumo ao futuro". Disse que "num mundo ferido pela prepotência, os povos têm fome e sede de justiça" e que "é preciso valorizar quem acredita na paz e ousar políticas contracorrente, cujo centro é o bem comum". "É urgente ter a coragem de visões novas e de um pacto educativo que dê aos jovens espaço e confiança", sublinhou.

Leão XIV concluiu, exortando a caminhar juntos, "com sabedoria e esperança, rumo à Cidade de Deus, que é a cidade da paz".

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EVANGELHO DO DIA (Jo 6,35-40)

ANO "C" - DIA: 22.04.2026
3ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Quem vê o filho e nele crê, este tem a vida eterna, e eu o farei ressuscitar no último dia, diz Jesus.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 35 "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede. 36 Eu, porém, vos disse que vós me vistes, mas não acreditais. 37 Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei. 38 Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39 E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. 40 Pois esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Uma fidelidade irrevogável para preservar até o fim"

Uma fidelidade que nos sustentará nos momentos mais difíceis
É Jesus quem nos preserva em uma fidelidade irrevogável a Ele até o fim.
“Todos os que o Pai me confia virão a mim e, quando vierem, não os afastarei. Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas os ressuscite no último dia”. (Jo 6,35-40)

Irmãos e irmãs, este trecho expressa uma fidelidade irrevogável que Jesus tem em nos preservar na ressurreição até o fim. É fundamental compreendermos que Deus permanece sempre fiel, para que nós também sejamos fiéis e permaneçamos nesse caminho, precisamos pedir constantemente a Deus a graça da fidelidade. Ele nos preenche com Sua presença e, em Sua fidelidade, nos torna fiéis também.

Uma fidelidade que gera salvação
Desejamos essa fidelidade a Deus, pois ninguém trabalha tanto quanto Ele para que vençamos os males e as tentações. O desejo do Pai do Céu é que nenhum de Seus filhos se perca. Não é da vontade de Deus que você se perca. Por isso, abramos nossos corações à ação do Espírito Santo, que nos transforma, age em nosso interior, em nossas mentes e em nossas escolhas.

O clamor pelo cuidado do Senhor em nossa vida
Se porventura nos afastarmos, Jesus virá atrás de nós. Ele é o Bom Pastor que busca a ovelha perdida e ferida para enfaixá-la e cobri-la de cuidados. Nós clamamos por esse cuidado do Senhor em nossa vida. Rezemos juntos: “Senhor, eu quero ter vida em Ti. Se eu me afastar, resgata-me, Senhor. Não posso viver longe de Ti. Somente em Ti, Senhor Jesus, está a vida verdadeira”.

Sobre você desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


Descobrimento do Brasil: o marco religioso da primeira Missa

O alvorecer de uma nova terra: o encontro em porto seguro

Com o crepúsculo tingindo a cena de dourado, Afonso Lopes, piloto da nau capitânia, embarcou em um esquife e foi sondar o porto por dentro. No interior daquela baía, deparou com dois daqueles homens da terra, que pescavam em uma almadia.

De imediato, o piloto os capturou. À cena assistiram, da praia, dezenas de outros nativos que por ali andavam com seus arcos e flechas, porém deles não se utilizaram. Afonso Lopes, então, conduziu os dois nativos para bordo da nau capitânia. Os dois jovens guerreiros foram levados à presença de Pedro Álvares Cabral.


A primeira Missa no Brasil.
O comandante-mor estava assentado em uma cadeira de espaldar alto, colocada sobre uma alcatifa. Seguindo o cerimonial que regia os encontros dos lusos com soberanos do Congo e mercadores árabes da costa oriental da África, Cabral estava bem vestido. Sancho de Tovar, Simão de Miranda, Nicolau Coelho, Aires Correia e Pero Vaz de Caminha reuniram-se em torno do capitão assentados no chão, sobre essa alcatifa. A visão daqueles nobres portugueses – herdeiros dos heróis da batalha de Aljubarrota – pouco impressionou os dois jovens nativos.

Eles não fizeram nenhum sinal de cortesia, nem de falar com o capitão, ou com quem quer que fosse. Por outro lado, o impacto que causaram nos portugueses parece ter sido bem maior.

O choque cultural a bordo da capitânia
Aquele, na verdade, foi o primeiro encontro entre indígenas brasileiros e navegantes lusos. E foi preservado para a posteridade nos mínimos detalhes. De fato, a precisão meticulosa com a qual Pero Vaz de Caminha cuidou de descrevê-lo não configura apenas uma lição de rigor narrativo, mas de precisão antropológica. A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura.

Não fazem o menor caso de cobrir ou mostrar suas vergonhas, e nisso são tão inocentes quanto em mostrar o rosto. Os lusos lhes mostram um papagaio: eles o reconhecem. Uma ovelha: eles a ignoram. Uma galinha: eles se espantam. Da despensa do capitão-mor lhes trazem pão e pescado cozido, confeitos, mel e passas de figo. Tudo lhes repugna: em quase nada tocam. Do pouco que provaram, tudo cuspiram. O vinho lhes foi oferecido numa taça: mal molharam os lábios nele, logo o afastaram.

Em uma albarrada lhes trouxeram água: “Lavaram as bocas com ela e a lançaram fora.” Era água trazida de Portugal, já há quarenta e cinco dias armazenada em um tonel. Ao verem um castiçal de prata e o colar de ouro do capitão, os jovens guerreiros apontam para eles e, a seguir, para a praia, como querendo dizer que ali havia ouro e prata. Tudo Caminha descreve com frescor e minúcia.

Em seguida, os jovens indígenas demonstram entusiasmo muito maior – uma alegria infantil – diante de um simples rosário de contas brancas. E então, por ser já tarde, os dois nativos se deitaram para dormir, em pleno convés, sem nenhuma preocupação de cobrirem suas vergonhas. Caminha observa, assim, que eles não só tinham suas cabeleiras bem raspadas e feitas como não eram “fanados”, ou seja, não eram circuncidados.

A diplomacia dos presentes e o reconhecimento do território
O sábado, 25 de abril, também amanheceu radioso. Tendo a ancoragem sido reconhecida por Afonso Lopes na noite anterior, Pedro Alvarez Cabral ordenou que todas as naus entrassem na baía, logo considerada um porto tão grande, tão formoso e tão seguro, que poderia “abrigar mais de duzentos navios e naus.

De fato, tal baía que, desde 1817, se chama Cabrália possui cerca de doze quilômetros de comprimento e cinco de largura. Assim que a frota ancorou, o capitão-mor ordenou que Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias baixassem à terra e levassem aqueles dois homens, com seus arcos e flechas, mas isso depois que fizera presentear a cada um deles uma camisa nova, uma touca vermelha e um rosário de contas brancas de osso, que eles levaram nos braços, mais cascavéis [guizos] e campainhas.

Do encontro à luz de tochas da noite anterior aos presentes de despedida, toda a cena remete a vários outros encontros iniciais que os portugueses tiveram com outros povos, em outras latitudes, mas se assemelha especialmente ao episódio no qual Vasco da Gama, ao chegar à baía de Santa Helena, na costa ocidental da África, próxima ao cabo da Boa Esperança, capturou ali um nativo, levou-o para a nau capitânia, jantou com ele, deixou-o dormir a bordo e, no dia seguinte, o vestiu muito bem e o mandou pôr em terra.

No entanto, houve uma diferença fundamental entre os dois episódios: ao contrário do que Gama fizera – e, antes dele, todos os navegantes lusos que percorriam a costa da África –, Cabral e seus homens não mostraram especiaria alguma para os índios do Brasil. Esse indício é forte o bastante para comprovar que os lusos, naquele instante, já sabiam que estavam numa terra sem qualquer relação com a África ou com a Ásia. Há também quem prefira ver, no final do episódio, ecos da fábula do homem feliz, que nem camisa possuía e cuja felicidade foi substituída pela avidez no dia em que ganhou uma.

De fato, ao longo das três décadas seguintes, os nativos do Brasil se tornariam progressivamente dependentes dos presentes dados pelos europeus. De qualquer modo, as ressonâncias daquele simples desembarque de fato são múltiplas. No batel, estavam dois futuros personagens dos Lusíadas: Coelho, o navegador da Índia, e Bartolomeu Dias, o trágico herói do cabo das Tormentas. A eles juntou-se Pero Vaz de Caminha, o narrador irretocável.

Na ilustre companhia de Coelho, Dias e Caminha, também seguiu para terra para lá ficar um mancebo degredado, criado de D. João Telo, a quem chamam Afonso Ribeiro. Ribeiro, assassino confesso, era um dos 20 degredados que embarcaram na frota de Cabral. Junto com outro, cujo nome se desconhece, ele de fato seria deixado no Brasil, para andar lá com eles [os nativos] e saber de seu viver e maneiras – mas não a partir daquele momento, já que nem nesse dia nem nos seguintes os índios permitiriam que ele ficasse em terra.

Logo que o batel chegou à praia, os nativos que tinham dormido a bordo saíram correndo para esconder seus presentes. Contudo, vinte outros estavam ali – e eles logo começaram a ajudar os portugueses a encher de água seus tonéis.

Ao contrário do que Gama prudentemente sugerira, Cabral não havia renovado seus estoques de água nas ilhas do Cabo Verde, como faziam todas as expedições. Alguns historiadores veem nessa temeridade de Cabral um sinal claro de que ele tinha deliberado propósito de fazer escalas em terras ocidentais. De outro modo, antes de chegar à Índia, já estaria sem uma gota a bordo. À medida que os tonéis eram enchidos, Coelho e Dias distribuíam guizos e miçangas aos selvagens.

Esses presentes baratos, sobras da viagem anterior à Ásia, chegavam agora a um terceiro continente – no qual, como na África e ao contrário da Índia, fariam grande sucesso. Caminha chegou a observar com mais detalhes as pinturas corporais e os adereços dos nativos.

Quem mais lhe chamou a atenção foi um velho que andava por galanteria cheio de penas pegadas pelo corpo, de tal maneira que parecia um São Sebastião cheio de flechas. Foi também naquele instante que Caminha viu as primeiras mulheres do Brasil.

Ficou impressionado com elas, tão moças e tão gentis, com cabelos muito pretos e compridos. A seguir, com o batel carregado de tonéis repletos de água fresca, ele e seus companheiros retornaram às naus.

Das observações tomadas por Caminha ao longo do dia – especialmente sobre o instante em que um índio se dirigiu a Cabral sem perceber que ele era o chefe, pois ignoravam essa relação –, e também de sua conclusão de que aqueles homens pareciam não ter nenhuma idolatria, crença ou adoração surgiria o provérbio, defendido mais tarde por outros cronistas, segundo o qual os “gentios do Brasil” não pronunciavam as letras f, l e r porque não possuíam fé, lei ou rei.

De fato, somente na década de 1550 em diante é que o conhecimento sobre o Brasil ganharia uma literatura mais específica: de um lado, os autores ibéricos com seus interesses voltados para a colonização; de outro, os não ibéricos, sobretudo franceses, que com base na experiência no Brasil fariam dos índios matéria de reflexão.

Dentre os textos portugueses, o mais conhecido é o de Pero Magalhães Gandavo, criado da Câmara de Dom Sebastião e provedor da Fazenda, copista da Torre do Tombo, o qual deu uma forma quase canônica ao debate que, desde Pero Vaz de Caminha, se referia à colônia a partir da ambivalência entre o éden e a barbárie. Como se costuma perguntar desde os tempos do descobrimento: “O Brasil seria o paraíso ou o inferno? Seus habitantes, ingênuos ou detraídos?” (Schwarcz; Starling, 2015, p. 36).

Em alguns de seus livros, como por exemplo, Tratado da Terra do Brasil e História da Província Santa Cruz, o escritor lusitano não se cansa de tecer elogios às qualidades da terra, região de abundância e de deleitosa primavera. No entanto, no que se refere aos “índios da terra”, ele é mais econômico nos elogios, assim dizendo: “A língua deste gentio toda pela costa é uma: carece de três letras – não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não tem Fé, nem Lei, nem Rei, e desta maneira vivem sem justiça e desordenadamente” (Gândavo, 1995, p. 19).

Na tarde daquele sábado, o capitão-mor saiu em seu batel, com todos nós e com os outros capitães em seus batéis, a folgar pela baía, defronte à praia, que se apresentava deserta. Os botes ancoraram no banco de corais, de tons rubros, batizado de Coroa Vermelha. Ali, onde ninguém podia ir a não ser de barco ou a nado, sentaram-se todos e descansaram por mais de uma hora. Os marinheiros pescaram com uma rede. Ao cair da tarde, retornaram para suas respectivas naus.

A primeira Missa: o altar entre o sagrado e o desconhecido
O dia seguinte, 26 de abril, era domingo de Pascoela (o primeiro após a Páscoa). Cabral mandou que um altar muito bem arranjado fosse erguido da parte emersa do ilhéu da Coroa Vermelha, sob um esperável (espécie de tenda, ou dossel, de forma cônica). Ali, frei Henrique de Coimbra celebrou a primeira missa, junto com os demais frades e capelães. Cabral levava consigo a bandeira de Cristo e a manteve sempre alta durante o Evangelho. Enquanto os portugueses escutavam a missa, com muita satisfação e devoção, a praia encheu-se de nativos. Eles sentaram-se lá, surpresos com as complexidades do ritual, ao qual observavam de longe.

Quando o frei Henrique acabou a pregação, os indígenas se ergueram e começaram a soprar conchas e buzinas, saltando e dançando por um bom tempo. Após o almoço, Cabral voltou a se reunir com os capitães em sua nau e decidiu-se então que a naveta de mantimentos, cujo capitão era Gaspar de Lemos, seria esvaziada e enviada de volta a Portugal com a notícia do descobrimento da nova terra.

A primeira missa no Brasil, celebrada em 26 de abril de 1500 na Bahia, é fundamental por simbolizar a chegada do cristianismo, a oficialização da posse da terra pela Coroa Portuguesa e o início da colonização. Conduzida por Frei Henrique de Coimbra, marcou o encontro cultural e religioso entre europeus e indígenas. A celebração oficializou a tomada de posse da terra, que passou a ser vista como parte do Reino de Portugal, reforçada pela fixação de uma cruz de madeira. A missa estabeleceu o catolicismo como a religião oficial do novo território, marcando o início do processo de evangelização e catequese dos povos indígenas.

A cerimônia, ocorrida na praia da Coroa Vermelha (Porto Seguro/Santa Cruz Cabrália), inaugurou a presença cultural europeia, que moldaria a identidade brasileira ao longo dos séculos. Detalhes da cerimônia foram registrados na carta de Pero Vaz de Caminha, sendo um documento crucial para o início da história escrita do Brasil. A missa passou a ser vista como o “nascimento” cristão do Brasil, que, por um tempo, chegou a ser chamado de “Terra de Santa Cruz”. O evento, celebrado durante a semana de Páscoa de 1500, representa o início do processo de transculturação e a influência cristã na formação da sociedade brasileira.

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O legado pictórico: a obra de Victor Meirelles

A Primeira Missa no Brasil” (1861), de Victor Meirelles, é uma das pinturas mais icônicas da história brasileira. Encomendada por D. Pedro II, a obra de arte retrata o evento de 1500 com uma visão idealizada, focando na harmonia entre portugueses e indígenas para construir uma identidade nacional pacífica durante o Segundo Reinado, baseando-se na carta de Pero Vaz de Caminha. Pintada em Paris entre 1859 e 1861, a tela a óleo foi financiada pelo Império.

A cena exibe uma cruz centralizadora no meio da natureza, com o Frei Henrique de Coimbra celebrando a missa. Indígenas são retratados ao redor, observando com curiosidade e passividade, em um clima de concórdia, diferentemente dos relatos de Caminha que mencionavam comportamento mais ativo.

A obra buscou criar um “mito fundador” para o Brasil, destacando a união das culturas europeia e indígena, além de celebrar a fé católica e o estado português como civilizadores. Meirelles, influenciado pelo estilo acadêmico europeu, utilizou luz intensa sobre o altar para destacar a importância da religião e do encontro. A obra foi um sucesso em Paris e no Brasil, consolidando Victor Meirelles como um dos grandes pintores históricos do país.

São Caio

Caio nasceu na cidade de Salona (hoje Solin) na Dalmácia (hoje Croácia), no século III. Parece ter tido parentesco com o imperador Dioclesiano, nascido na mesma cidade, sendo sua família nobre, e viveu em Roma. Não se sabe como abraçou o cristianismo, mas fez-se sacerdote, como um dos seus dois irmãos, e na sua casa (pois não era permitida à Igreja ter propriedades) ambos celebravam Missas, distribuíam a Eucaristia, enfim, ministravam os Sacramentos e acolhiam pobres e doentes.

Eleito Papa em 283, Caio foi pontífice durante 13 anos, num período de trégua das perseguições aos cristãos. Organizou a carreira eclesiástica, determinando a sequência de leitor, subdiácono, exorcista, acólito, hostiário, diácono, sacerdote e bispo. Dividiu os bairros de Roma sob a responsabilidade de diáconos. Construiu novas igrejas, ampliou os cemitérios cristãos, e foi o primeiro Papa a reunir representantes da Igreja e do império para tratar da cobrança de tributos aos cristãos. E conteve os que desejavam violentamente vingar a morte de Papas anteriores. Seu maior desafio foi o combate às heresias que surgiram entre o clero.

Com o tempo, a tolerância de Dioclesiano com a Igreja foi diminuindo, até se estabelecer uma das maiores perseguições de todos os tempos. Influiu para isto a negativa de Caio às pretensões do imperador de tornar Susana, sua sobrinha, a futura nora. Susana se tornaria mártir; e Caio e seus dois irmãos foram condenados à morte. Há duas versões para a morte de Caio, uma por decapitação, outra por maus tratos. Em qualquer caso, o Martirológio Romano faz o elogio do seu martírio, com falecimento a 22 de abril de 296.
Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Como todos os Papas do início do Cristianismo, São Caio teve que lutar em várias frentes, como a organização interna da Igreja, tanto espiritual quanto material, o combate às heresias, e as dificílimas relações com os imperadores romanos. Muitos deles tiveram pouquíssimo tempo à frente da Santa Sé, e grande parte deles foi mártir. Variaram, contudo, os motivos das condenações, algumas mais religiosas, outras mais políticas, ou mais pessoais. São Caio interferiu em defesa de Susana, sua sobrinha virgem e cristã, contra os interesses políticos de Dioclesiano, que procurava na própria família uma esposa para o seu protegido e sucessor Galério. A descoberta, pelo imperador, de que este seu ramo familiar era católico o levou a condenar todos à morte. No entanto, Caio, do Latim Caius, feliz, de fato alegrou-se no martírio, por saber colocar o serviço a Deus antes da subserviência aos caprichos e interesses humanos, e corajosamente defender a livre escolha religiosa da sua sobrinha. Também hoje necessitamos seguir o seu exemplo, servindo fielmente a Igreja e amparando os irmãos de Fé eventualmente perseguidos; sempre caberá melhor na fronte dos filhos de Deus a indestrutível coroa do martírio, se exigido, do que as caducas coroas mundanas.

Oração:

Pai de amor e misericórdia, que não poupastes o Vosso Filho nem o sofrimento de Vossa Mãe na obra da nossa Redenção, concedei-nos por intercessão de São Caio viver agora e na vida infinita inseparavelmente unidos ao Sangue salvador de Cristo, não cedendo às pretensões mundanas sequer do sangue de parentesco carnal, pois nossa verdadeira família está somente no Corpo Místico de Jesus. Pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.