quinta-feira, 5 de março de 2026

Nunciatura Apostólica e CNBB realizam recepção diplomática para celebrar o bicentenário das relações Brasil-Santa Sé


A Nunciatura Apostólica no Brasil organizou em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na terça-feira, às 19h, uma recepção diplomática que reuniu autoridades eclesiais, politicas, governamentais e representantes das embaixadas que atuam no país em torno da comemoração do bicentenário das relações entre o Brasil e a Santa Sé. Participaram também os bispos membros do Conselho Permanente da CNBB, padres, religiosos e religiosas e leigos.

No início da cerimônia, foram executados os hinos do Brasil e da Santa Sé. O momento recordou não apenas a presença diplomática da Santa Sé no Brasil, mas também a história de diálogo, respeito mútuo e colaboração em favor do bem comum entre o Brasil e a Santa Sé.

Em sua apresentação do evento, o mestre de cerimônia e assessor de Comunicação da CNBB, padre Arnaldo Rodrigues, destacou que nos primeiros anos de sua Independência, o Brasil empenhou-se em consolidar sua posição entre as nações e que a Santa Sé esteve entre os primeiros Estados a reconhecer oficialmente o Brasil como nação soberana.

“Em 23 de janeiro de 1826, o Papa Leão XII recebeu as credenciais do representante do Império Brasileiro, monsenhor Francisco Correia Vidigal, inaugurando formalmente as relações diplomáticas entre os dois Estados. Aquele gesto marcou o início de uma trajetória que ultrapassa quase dois séculos”, disse.


Bênção Apostólica
Durante a cerimônia, foram convidados a fazer o uso da palavra o enviado especial da Santa Sé, dom Lorenzo Baldisseri, o arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler e o secretário de Europa e América do Norte do ministério das Relações Exteriores do Brasil, Roberto Abdala.

O cardeal Baldisseri recordou a sua passagem pelo Brasil em 2024, no evento organizado pela CNBB que marcou os 15 anos do Acordo Brasil-Santa Sé. Disse que, apesar de seu desejo, não achava que voltaria ao Brasil tão cedo, mas que foi designado pelo Papa Leão XIV como enviado especial para trazer às comemorações do bicentenário a benção apostólica.

“Voltar ao Brasil é como voltar para a casa”, disse recordando os doze anos, de 2002 a 2012, em que foi Núncio Apostólico no Brasil, tempo no qual ajudou a consolidar o Acordo Brasil-Santa Sé. Ele comparou o Acordo, promulgado em 11 de fevereiro de 2010, através do Decreto nº 7.107, como uma composição musical de tom maior, um documento no qual a Igreja e o Estado brasileiro encontraram um terreno comum e um modo de servir ao povo brasileiro.

Diplomacia e amizade
O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, enalteceu a importância da amizade e da diplomacia como caminhos para construir novas relações entre os países. “Depois de Deus, um dos maiores dons são os amigos e as amigas. Que Deus nos conceda o dom de cultivar a amizade e a diplomacia”, disse.


O secretário de Europa e América do Norte do ministério das Relações Exteriores do Brasil, Roberto Abdala, reforçou que a paz duradoura precisa ser construída com base na dignidade humana e em torno de uma ordem mundial justa e igualitária. “É preciso construir um mundo onde a ética e a fraternidade predominem sobre a força”, reforçou.

Ele destacou o papel do Papa Leão XIV na promoção da paz, do multilateralismo e a atenção aos pobres. “Estes valores aproximam o esforço da Santa Sé dos valores que são importantes ao governo brasileiro e os princípios que orientam a diplomacia do país”, disse.

Veja, abaixo, as fotos da recepção:

Por Willian Bonfim com fotos de Fiama Tonhá - ASCOM CNBB

Fonte: 

Parolin: as guerras preventivas correm o risco de incendiar o mundo

Entrevista com o cardeal Secretário de Estado sobre o que está acontecendo no Oriente Médio: perigosa a afirmação de um multipolarismo marcado pela primazia do poder.

Andrea Tornielli

"Este declínio do direito internacional é realmente preocupante: a justiça foi substituída pela força." O secretário de Estado Vaticano, cardeal Pietro Parolin, falou à imprensa vaticana sobre a guerra em andamento no Oriente Médio e observou com preocupação que "um multipolarismo marcado pela primazia do poder e pela autorreferencialidade está se afirmando perigosamente."

Eminência, como está vivendo esses momentos dramáticos?
Com grande pesar, pois os povos do Oriente Médio, incluindo as já frágeis comunidades cristãs, mergulharam novamente no horror da guerra, que brutalmente destrói vidas humanas, produz destruição e arrasta nações inteiras em espirais de violência com resultados incertos. No domingo passado, durante o Angelus, o Papa falou de uma “tragédia de proporções enormes” e do risco de um “abismo irreparável”. São palavras mais do que eloquentes para descrever o momento que estamos atravessando.

O que senhor acha do ataque dos EUA e de Israel ao Irã?
Acredito que a paz e a segurança devem ser cultivadas e buscadas por meio das possibilidades oferecidas pela diplomacia, especialmente aquela exercida nos organismos multilaterais, onde os Estados têm a possibilidade de resolver os conflitos de maneira pacífica e mais justa. Após a Segunda Guerra Mundial, que causou aproximadamente 60 milhões de mortes, os pais fundadores, com a criação da Organização das Nações Unidas, quiseram poupar seus filhos dos horrores que eles tinham vivido. Por isso, na Carta da ONU, buscaram fornecer diretrizes precisas sobre a gestão de conflitos. Hoje, esses esforços parecem ter sido em vão. Não só isso, mas, como o Papa lembrou ao Corpo Diplomático no início do ano, "uma diplomacia que promove o diálogo e busca o consenso entre todos está sendo substituída por uma diplomacia da força, de indivíduos ou grupos de aliados", e acredita-se que a paz pode ser buscada "pelas armas".

Quando se fala das causas de uma guerra, é complexo determinar quem está certo e quem está errado. O que é certo, porém, é que ela sempre produzirá vítimas e destruição, bem como efeitos devastadores sobre os civis. Por essa razão, a Santa Sé prefere enfatizar a necessidade de utilizar todos os instrumentos oferecidos pela diplomacia para resolver disputas entre Estados. A história já nos ensinou que somente a política, com o esforço da negociação e a atenção ao equilíbrio de interesses, pode aumentar a confiança entre os povos, promover o desenvolvimento e preservar a paz.

A justificativa para o ataque foi impedir a realização de novos mísseis — em suma, uma "guerra preventiva"...

Como enfatiza a Carta da ONU, o uso da força deve ser considerado apenas como último recurso, após o esgotamento de todos os instrumentos de diálogo político e diplomático, após cuidadosa avaliação dos limites da necessidade e da proporcionalidade, com base em avaliações rigorosas e razões bem fundamentadas, e sempre no âmbito de uma governança multilateral. Se aos Estados fosse reconhecido o direito à “guerra preventiva”, segundo critérios próprios e sem um quadro jurídico supranacional, o mundo inteiro correria o risco de se encontrar em chamas. É realmente preocupante este declínio do direito internacional: a justiça foi substituída pela força, a força do direito foi substituída pelo direito da força, com a convicção de que a paz só pode nascer depois de o inimigo ter sido aniquilado.

Que peso têm as enormes manifestações de rua das últimas semanas, brutalmente reprimidas no Irã? Podem ser esquecidas?

Certamente que não; isso também foi motivo de profunda preocupação. As aspirações dos povos devem ser levadas em consideração e garantidas dentro de um quadro jurídico de uma sociedade que assegura a todos a liberdade e a expressão pública de suas ideias, e isso também se aplica ao querido povo iraniano. Ao mesmo tempo, podemos nos perguntar se realmente se acredita que a solução possa vir através do lançamento de mísseis e bombas.

Por que o direito internacional e a diplomacia estão passando por esse declínio hoje?
A consciência de que o bem comum realmente beneficia a todos — isto é, o bem do outro também é um bem para mim — se dissipou, e a justiça, a prosperidade e a segurança se realizam na medida em que todos podem se beneficiar delas. Esse princípio fundamenta a criação do sistema multilateral ou de um projeto ambicioso, como o da União Europeia. Essa consciência se dissipou, alimentando a busca pelo interesse próprio.

Isso tem outra consequência: o sistema da diplomacia multilateral nas relações entre os Estados atravessa uma profunda crise, devido, entre outros fatores, pela desconfiança dos Estados em relação aos vínculos legais que limitam sua ação. Esse comportamento representa a outra face da vontade de poder: o desejo de agir livremente, de impor a própria ordem aos outros, evitando o árduo, porém nobre, trabalho da política, composto de discussões, negociações, de vantagens pessoais e concessões aos outros. Um multipolarismo marcado pela primazia do poder e pela autorreferencialidade está se afirmando de forma perigosa. Infelizmente, princípios como a autodeterminação dos povos, a soberania territorial e as normas que regem a própria guerra (jus in bello) estão sendo questionados. Todo o aparato construído pelo direito internacional em áreas como desarmamento, cooperação para o desenvolvimento, respeito aos direitos fundamentais, propriedade intelectual, trocas e trânsitos comerciais está sendo questionado e gradualmente arquivado. E, acima de tudo, parece ter tido uma perda de consciência do que Immanuel Kant escreveu em 1795: "Uma violação do direito que ocorre numa parte da Terra é sentida em todos os lugares". Ainda mais grave, em alguns aspectos, é invocar o direito internacional para atender às próprias conveniências.

A que se refere?
Refiro-me ao fato de haver casos em que a Comunidade internacional se indigna e toma medidas, e casos em que não o faz, ou o faz muito menos, dando a impressão de que há violações do direito que devem ser punidas e outras que devem ser toleradas, vítimas civis que devem ser deploradas e outras que devem ser consideradas "danos colaterais". Não há mortes de primeira e segunda classe, nem há pessoas que tenham um direito maior de viver do que outras simplesmente por terem nascido num continente em vez de outro ou num determinado país. Gostaria de sublinhar a importância do direito internacional humanitário, cujo respeito não pode depender das circunstâncias ou de interesses militares e estratégicos. A Santa Sé reitera com veemência a sua condenação de toda forma de envolvimento de civis e estruturas civis, como residências, escolas, hospitais e locais de culto, em operações militares, e pede para que o princípio da inviolabilidade da dignidade humana e da sacralidade da vida seja sempre protegido.

Quais as perspectivas de curto prazo o senhor vê para esta nova crise?
Espero e rezo para que o apelo à responsabilidade feito pelo Papa Leão XIV no último domingo seja ouvido e possa tocar os corações de quem está tomando decisões. Espero que o barulho das armas cesse em breve e que se retorne às negociações. Não se deve esvaziar o sentido das negociações: é essencial conceder o tempo necessário para que se alcancem resultados concretos, trabalhando com paciência e determinação. Além disso, devemos reconhecer que a ordem internacional mudou profundamente em relação àquela concebida oitenta anos atrás, com a criação da ONU. Sem nostalgia do passado, é necessário combater toda deslegitimação das instituições internacionais e promover a consolidação de normas supranacionais que ajudem os Estados a resolver disputas pacificamente, por meio da diplomacia e da política.

Que esperança há diante de tudo isso?
Os cristãos têm esperança porque confiam no Deus que se fez Homem, que no Getsêmani ordenou a Pedro que embainhasse a espada e que na Cruz experimentou em primeira mão o horror da violência cega e insensata. Eles também têm esperança porque, apesar das guerras, das destruições, das incertezas e de um sentimento generalizado de desorientação, de muitas partes do mundo continuam se levantando vozes que clamam por paz e justiça. Os nossos povos pedem paz! Esse apelo deveria impactar governos e todos aqueles que trabalham no contexto das relações internacionais, levando-os a multiplicar os esforços pela paz.

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Fonte: 

EVANGELHO DO DIA (Lc 16,19-31)

ANO "A" - DIA: 05.03.2026
2ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Glória a Cristo, palavra eterna do Pai que é amor!
- Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração; e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: 19 "Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20 Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão à porta do rico. 21 Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas. 22 Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23 Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24 Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas'. 25 Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26 E, além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós'. 27 O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, 28 porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento'. 29 Mas Abraão respondeu: 'Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!' 30 O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter'. 31 Mas Abraão lhe disse: 'Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos' 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Como a indiferença pode nos afastar de Deus"

O abismo da indiferença é um pecado sutil
Amados irmãos e irmãs, quero, através dessa homilia, levá-los a uma compreensão muito importante. O meu próximo é importante para mim. O meu próximo deve ser importante para você. Nós vamos ver isso na parábola do Rico e do Lázaro.

Está lá em Lucas 16,19.31: “Havia um homem rico que se vestia com grandes roupas finas e todos os dias dava grandes banquetes. E havia também um pobre chamado Lázaro, coberto de feridas, que ficava à porta do Rico, desejando saciar-se com as migalhas que caíam da mesa do Rico. Quando ambos morreram, Lázaro foi levado pelos anjos para junto de Abraão, e o Rico para o inferno, onde sofria tormentos”.

A indiferença diante do sofrimento do outro fecha nosso coração e nos distancia de Deus. Quando Deus nos pede para amar a Ele e o próximo, está nos dizendo que o tanto que O amamos é o mesmo tanto que devemos amar o nosso próximo. Quando nós não fazemos isso, existe algo muito ruim dentro de nós, que, muitas vezes, vem para fora, que é a indiferença.

A indiferença é o pecado mais grave do nosso tempo
É preferível levar um tapa na cara do que alguém ser indiferente conosco, porque afeta o coração e nós nos sentimos humilhados, desprezados. Isso mostra a indiferença, ou seja, ver e agir.

O Evangelho está nos apresentando um contraste profundo entre dois homens. Um rico, que vive no luxo e na abundância, e Lázaro, pobre que sofre à sua porta. Ambos vivem próximos fisicamente, mas distante do coração. É a parábola da indiferença. Talvez o pecado mais sutil e mais grave do nosso tempo.

Atenção é onde o amor se torna próximo
Termino com uma reflexão bem pequena, lá no Rio de Janeiro, quando eu vi um garotinho que distribuía balas; as pessoas passavam e olhavam com indiferença. Por várias vezes, eu vi aquela cena. Teve um dia que eu atravessei a rua, cheguei próximo dele, e ele me reconheceu como padre. Ele pediu que eu comprasse balas. Eu não tinha dinheiro, mas dei atenção, fiquei um tempo conversando com ele.

Ele encheu a mão de bala, depois da conversa, me deu e disse: “Aqui estão as balas para o Senhor”. Eu disse que não precisava. Mas ele disse: “Padre, mais do que eu vender as balas, é alguém parar e me dar atenção, e saber o que eu estou sentindo, o que eu estou passando”.

Não sejamos indiferentes a um do outro, mas sejamos próximos.

Que Deus nos abençoe em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

A Palavra que cura e liberta

A pregação da Palavra de Deus não é apenas uma palestra ou um compartilhamento de conhecimento humano. É um momento de derramamento de poder. Quando paramos para ouvir o que o Senhor tem a dizer, algo de ruim que trazíamos no coração — uma mágoa, um vício, uma tristeza profunda — quebra, cai e sai da nossa vida.


Por que sentimos medo?
Muitas vezes, vivemos acuados, com medo das pessoas, do futuro ou até da morte. Segundo Márcio Mendes, o medo nasce da nossa falta de confiança em Deus. Quando não confiamos plenamente que o Senhor está no controle, tentamos nos anestesiar com barulho, sensualidade ou vícios. Mas o Senhor te diz hoje: “Eu te levantarei, filho amado!”.

O nosso Defensor e Amigo
No Evangelho de João (16, 7-11), Jesus nos faz uma promessa maravilhosa: Ele enviaria o Defensor. Esse Defensor, o Espírito Santo, não vem apenas para nos consolar, mas para nos proteger das mentiras e maldades do mundo.

Deus conhece o seu coração. Ele sabe quem mentiu para você e quem tentou derrubá-lo. O Espírito Santo vem para revelar a verdade e lhe dar o alívio necessário, tomando a sua causa nas mãos.

As três coisas de que o Espírito Santo nos convence

Jesus explicou que o Espírito Santo viria para convencer o mundo sobre o pecado, a justiça e o julgamento.

1. Do pecado: O pecado que gera todos os outros é não confiar em Jesus. Se você confia n’Ele, mesmo que tenha caído, Ele te levantará.

2. Da justiça: Deus é justo e não deixa na morte quem Lhe é fiel. A justiça de Deus garante que você vai ressuscitar; a morte para o cristão é apenas um despertar para a eternidade.

3. Do julgamento: O inimigo já está vencido. O mal é como uma cobra que teve a cabeça cortada; ela ainda se debate, mas já está derrotada por Jesus.
A mudança começa no coração: o exemplo de Zaqueu

Muitas vezes queremos que o marido mude, que os filhos mudem ou que a situação financeira mude. Mas a verdadeira transformação começa de dentro para fora. Nenhum ser humano consegue mudar o próprio coração de pedra; só Deus concede essa graça.

Veja o exemplo de Zaqueu: quando ele decidiu consertar o que estava quebrado em sua vida e abrir o coração para Jesus, a salvação entrou na casa dele. Se o seu coração mudar pelo poder do Espírito Santo, toda a sua família será impactada por essa luz.
Obediência e felicidade

A nossa felicidade está em cumprir a vontade de Deus. Isso inclui viver a castidade e o respeito ao próprio corpo, que é templo do Espírito Santo. Quando obedecemos aos mandamentos, mesmo sem entender tudo de imediato, colhemos famílias sólidas e uma vida livre de amarras.

Lembre-se: “Quem ama é livre! Deixe o Espírito Santo conduzir você hoje e sempre.”

Uma oração de renúncia e vida nova
O Espírito Santo nos dá discernimento para julgar as situações e mudar nossos valores, colocando Deus em primeiro lugar. Se você deseja essa renovação, coloque-se na presença do Senhor agora.

Reze com fé: “Senhor Jesus, eu renuncio ao meu orgulho, à mentira, à inveja e a toda impureza. Eu declaro guerra aos espíritos das trevas e estabeleço o Teu sangue como uma muralha entre mim e o inimigo. Jesus, derrama sobre mim uma poderosa efusão do Teu Espírito Santo!”.

Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin

São José da Cruz

Carlos Caetano Calosirto, filho de pais nobres e ricos, nasceu em1654 na cidade de Ponte, ilha de Ischia, Itália. Já na infância recolhia-se a maior parte do tempo num quarto mais retirado da casa, onde colocou um pequeno altar em honra da Santíssima Virgem. Desejando para ele uma melhor formação religiosa, os pais o enviaram para estudar com aos agostinianos de Ischia. Ali, quando por motivo de estudo tinha que se juntar a outros jovens, evitava as más companhias, querendo preservar a inocência, bem como combatia a vaidade, a mentira e a superficialidade.

Admirador de São Francisco de Assis, quis imitá-lo, e em 1671 entrou para a Ordem dos Franciscanos Descalços, conhecidos como “Alcantarinos” (porque eram oriundos da Reforma de São Pedro de Alcântara), no convento de Santa Luzia no Monte, em Nápoles. Adotou então o nome de João José da Cruz. Identificou-se com a maior austeridade destas regras, e por isso decidiu ficar sempre descalço. Havia, então, uma divisão entre os alcantarinos da Espanha e da Itália.

Em 1671 foi enviado com 11 irmãos para Piedimonte d'Alife, a construir o primeiro convento da Ordem. Eram muitas as dificuldades. João José começou a construção sozinho, juntando pedras com as próprias mãos e trabalhando com a enxada, cal, madeira, até fazer os alicerces. Inicialmente pensaram que estava louco, mas depois os outros religiosos e o povo o ajudaram, e o convento foi erigido em tempo recorde. Construiu-se também um pequeno eremitério, ainda hoje meta de peregrinações, chamado "A Solidão".

Em 1677 foi ordenado sacerdote, logo depois mestre dos noviços e, aos 24 anos, guardião da Ordem do convento de Piedimonte. Construiu um outro local para retiro, chamado “ermo”, num local isolado na encosta do bosque. E também o convento do Granelo em Portici em Nápoles.

Foi nomeado em 1702 vigário provincial e geral da Ordem Franciscana de Nápoles, seguidores da reforma alcantarina, o que o permitiu abrir várias casas religiosas. Com isso a ordem cresceu, também em santidade, em toda a Itália. Esta fama chegou à Santa Sé, e, com o peso dos seus 20 anos de trabalho, os alcantarinos da Espanha e da Itália se reunificaram. Isto lhe custou muitas injustiças e calúnias, ao que respondia com voto de silêncio, dizendo: "Tudo o que Deus permite, permite para o nosso bem."

De volta a Santa Luzia, o arcebispo Francisco Pignatelli o convocou para dirigir 73 mosteiros e retiros na região de Nápoles, onde restaurou a disciplina religiosa. Por isso recebeu a mesma incumbência para a diocese de Aversa. Recebeu de Deus a graça se realizar bilocações, profecias, perscrutar corações, levitações, curas milagrosas e até uma ressurreição.

Vivia em grande austeridade. Seu quarto continha apenas um crucifixo, uma imagem da Virgem, de quem era profundo devoto, um livro de orações e um “leito” – dois pedaços de couro e uma coberta de lã. Usou por 65 anos, até a morte, um único hábito de pano grosseiro, sempre remendado, e por isso era chamado de "frade dos cem remendos". Comia pouco, uma vez ao dia; dormia pouco, acordando à meia-noite para rezar.

São Francisco de Jerônimo e Santo Afonso Maria de Ligório o conheceram e lhe pediam conselhos. Faleceu aos 84 anos em Piedimonte d'Alife e foi sepultado no convento de Santa Luzia. É padroeiro de Ischia, juntamente com Santa Restituta.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Muitos são os bons exemplos de São João José da Cruz. A busca constante do silêncio para estar a sós com Deus, o desapego das coisas materiais, a austeridade de vida, levados a graus heroicos, mas que todos devem seguir na própria medida. Desta autodisciplina, pôde, com a constante devoção a Nossa Senhora – característica de inúmeros santos – orientar e disciplinar os demais, inclusive outros santos. Sobretudo, devemos imitar a sua busca de união espiritual, a começar pelos irmãos de fé e na fé, e o constante remendar das nossas faltas: a túnica de Cristo, inconsútil (e feita por Maria), é o nosso ideal, mas não sendo perfeitos como Ele, devemos, como São João José, consertar sem desânimo os rasgos da nossa veste espiritual, na oração, confissão e Eucaristia, pois são inevitáveis as nossas quedas ao carregar a Cruz, seja circunstancialmente no nome, seja certamente na vida.

Oração:

Senhor, Uno e Trino, que tudo criastes por Vós mesmo, concedei-nos pela intercessão de São José da Cruz a iniciativa de, mesmo que sozinhos dos demais, porém sempre Convosco, construir os alicerces das Vossas obras, para que sejam abrigo dos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Cardeal Baldisseri: “Que o Brasil e a Santa Sé possam continuar caminhando juntos, como servidores da humanidade”


Nas comemorações dos 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, os bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dirigiram-se à Catedral Metropolitana de Brasília para a Eucaristia em Ação de Graças. A celebração foi presidida pelo cardeal Lorenzo Baldisseri, enviado especial do Papa Leão XIV para a ocasião e núncio apostólico no Brasil em um dos momentos mais marcantes da história dessa relação diplomática, quando foi assinado o Acordo Diplomático entre os dois Estados, em 2010.

“Estou muito feliz de me encontrar hoje no Brasil nesta esplêndida Catedral de Brasília, na qualidade de enviado especial de sua santidade Leão XIV para a feliz recorrência de 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. Tenho a honra de trazer a saudação, a bênção apostólica e a particular solicitude de sua Santidade, Pastor Universal da Igreja, para esta Terra de Santa Cruz, tão rica em humanidade, tradição e vida cristã”, afirmou o enviado especial.

Baldisseri quis juntar à saudação do Papa seus sentimentos, partilhando “a lembrança dos anos que tive a alegria e o dom de viver com vocês, em nome do Senhor, como núncio apostólico a serviço dessa Igreja viva e de todo o povo brasileiro”. Ele foi núncio apostólico no país entre 2002 e 2012.

O enviado especial do Papa Leão XIV, desejou abraçar o Brasil, que tem uma “particular vinculação com a Igreja”.

Destacando a diplomacia como serviço da paz, de negociações e mediações, o cardeal Lorenzo Baldisseri rogou, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, “que o Brasil e a Santa Sé possam continuar caminhando juntos, como servidores da humanidade”.

Foto: Luiz Lopes Jr/CNBB

Agradecimentos
Ao final da celebração, o arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, agradeceu a presença e a disponibilidade de dom Lorenzo em participar como enviado especial do Papa Leão neste “marco histórico”. Dom Jaime recordou ainda, com gratidão, que o cardeal Baldisseri faz parte da história da Igreja no Brasil.

O presidente da CNBB também fez um agradecimento especial ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, citando o contexto no qual a diplomacia internacional é exigida por conta das tensões que o mundo vive, e da exigência de “sabedoria e discernimento”.

“Muito obrigado pela sua presença e que Deus o ilumine nesse trabalho extraordinário que o senhor faz, não só em prol do Brasil, mas eu diria da comunidade internacional”.

Luiz Lopes Jr

Papa: a Igreja é humana e divina, sinal visível da ação de Cristo na história


Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 4 de março, Leão XIV refletiu sobre a natureza da Igreja à luz da Constituição dogmática Lumen Gentium. “Não existe uma Igreja ideal e pura, separada da terra, mas apenas a única Igreja de Cristo, encarnada na história”, destacou o Pontífice.

Thulio Fonseca – Vatican News

Na Audiência Geral desta quarta-feira (4/03), na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição dogmática Lumen Gentium, refletindo sobre a natureza da Igreja. O Pontífice destacou que ela é uma realidade “complexa”, não por ser confusa, mas porque reúne, de modo harmonioso, a dimensão humana e a divina, sem que uma se oponha à outra. Não existe, segundo o Santo Padre, uma Igreja ideal separada da história, mas a única Igreja de Cristo, encarnada no tempo e formada por pessoas reais.

Ao explicar o sentido dessa “complexidade”, o Papa recordou que o primeiro capítulo da Lumen Gentium procura responder à pergunta fundamental: o que é a Igreja? Para isso, o Concílio a define como “um organismo bem estruturado, no qual coexistem as dimensões humana e divina, sem separação nem confusão”.

A dimensão humana e a origem divina da Igreja
Leão XIV explicou que a dimensão humana da Igreja é a mais visível: trata-se de uma comunidade de homens e mulheres que vivem a alegria e o peso de ser cristãos, com suas forças e fragilidades, anunciando o Evangelho e sendo sinal da presença de Cristo no mundo. Contudo, essa descrição não é suficiente para compreender plenamente a Igreja, que possui também uma origem e uma dimensão divina.

“A Igreja não é fruto de uma perfeição ideal dos seus membros, mas nasce do plano de amor de Deus pela humanidade, realizado em Cristo.”

(@VATICAN MEDIA)

A Igreja à luz da humanidade de Cristo
O Papa recordou que, por isso, a Igreja é, ao mesmo tempo, comunidade terrena e Corpo Místico de Cristo, assembleia visível e mistério espiritual, realidade inserida na história e povo em peregrinação rumo ao céu. Para ilustrar essa realidade, recorreu à experiência dos discípulos com Jesus. Eles encontravam um homem concreto, com rosto, voz e gestos, mas, ao segui-lo, abriam-se ao encontro com o próprio Deus: “A carne de Cristo, o seu rosto, os seus gestos e as suas palavras manifestam visivelmente o Deus invisível.”

Da mesma forma, ao olhar para a Igreja, vê-se uma dimensão humana feita de pessoas que, por vezes, refletem a beleza do Evangelho e, em outras, mostram limites e erros. No entanto, é precisamente através dessa fragilidade que Cristo continua a agir e a salvar.

Não há oposição entre Evangelho e instituição
O Santo Padre recordou as palavras de Bento XVI para reafirmar que não existe oposição entre o Evangelho e as estruturas da Igreja, pois elas servem justamente para tornar o Evangelho concreto na vida do nosso tempo:

“Não existe uma Igreja ideal e pura, separada da terra, mas apenas a única Igreja de Cristo, encarnada na história. A santidade da Igreja consiste nisto: no fato de Cristo habitar nela e continuar a doar-se através da pequenez e fragilidade dos seus membros.”

(@Vatican Media)

A caridade edifica a Igreja
Já na parte final da catequese, Leão XIV recordou que Deus se manifesta por meio da fraqueza humana e convidou os fiéis a edificarem a Igreja não apenas por meio das suas estruturas visíveis, mas sobretudo através da comunhão e da caridade, que geram constantemente a presença do Ressuscitado.

E, citando Santo Agostinho, o Pontífice concluiu: “Queira o céu que todos pensem somente na caridade: ela só, de fato, conquista todas as coisas, e sem ela todas as coisas são inúteis; onde quer que se encontre, atrai todas as coisas a si”.

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EVANGELHO DO DIA (Mt 20,17-28)

ANO "A" DIA: 04.03.2026
2ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Salve, Cristo, luz da vida, companheiro na partilha!
- Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não caminha entre as trevas, mas terá a luz da vida
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 17 enquanto Jesus subia para Jerusalém, ele tomou os doze discípulos à parte e, durante a caminhada, disse-lhes: 18 "Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da Lei. Eles o condenarão à morte, 19 e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, para flagelá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia ressuscitará". 20 A mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21 Jesus perguntou: "O que tu queres?" Ela respondeu: "Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda". 22 Jesus, então, respondeu-lhes: "Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?" Eles responderam: "Podemos." 23 Então Jesus lhes disse: "De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou". 24 Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. 25 Jesus, porém, chamou-os, e disse: "Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26 Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27 quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28 Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Abandone as coisas deste mundo para abraçar as coisas do alto"

Seguir a Cristo exige abandonar as ilusões deste mundo
Hoje, a Igreja comemora a vida de São Casimiro. E nós vamos perceber, no Evangelho de hoje, que não devemos buscar as grandezas deste mundo, que nos fecham para as coisas do céu, mas nos abrem à humildade e ao serviço ao próximo. Nós vamos ver isso no Evangelho de Mateus 20, 17.28.

Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos para ser zombado, flagelado e crucificado, mas no terceiro dia ressuscitará (Mateus 20,17.28)

Servir é o verdadeiro caminho da grandeza no reino de Deus. Quem se acha grande neste mundo, perde a graça da vida eterna, perde a graça do reino dos céus, porque para entrar no Reino dos céus é preciso se fazer pequeno.

Jesus, sabendo que a sua morte se aproximava, é um homem que se entrega totalmente à vontade de Deus. Faz-se pequeno. Sendo Deus, Ele se humilha, rebaixa-se para que Ele se torne grande no reino dos céus.

Renunciar as coisas deste mundo e o mistério da Cruz
Como diz o Evangelho, no terceiro dia Deus vai ressuscitar. E por isso Jesus está subindo para Jerusalém. Jesus está subindo para o caminho da cruz. O ponto culminante na missão de Jesus é a cruz, porque da cruz vem a glória. Ele sabe que o sofrimento o espera, mas segue firme. Você precisa ter essa consciência, meu irmão, minha irmã, de que o sofrimento também lhe espera.

E você precisa seguir firme, confiante, porque Deus dará a você a glória. Essa subida a Jerusalém é o símbolo da entrega total que nós temos de amor por Deus. Por isso, enquanto Jesus fala de dor e ressurreição, os discípulos ainda pensam em poder e em posições.

Essa é a grande dificuldade dos cristãos nos dias de hoje: eles buscam mais as glórias, o prazer e o poder deste mundo, do que abraçam a cruz que leva para a salvação, que leva para a vida eterna. Isso não é somente um mero discurso moral, não. Nós temos que deixar as grandezas deste mundo para abraçar as coisas do céu.

O coração livre para servir
As coisas deste mundo nos atrapalham, o dinheiro nos atrapalha, o apelo nos atrapalha. Mas aqui não estou dizendo que o dinheiro é algo ruim. Não, estou dizendo que o dinheiro, se não for usado da forma correta, pode criar, no nosso coração, manias de grandezas. Isso pode nos afastar de servir a Deus e ao próximo.

Subamos para Jerusalém, abraçamos a cruz de Cristo e sejamos homens que servem o Reino de Deus e que se tornam pequenos diante dele.

Que Deus nos abençoe em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!