segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

“Ele veio morar entre nós”: CNBB abre Campanha da Fraternidade 2026 com foco na dignidade da moradia


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou oficialmente, nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, a Campanha da Fraternidade 2026, em cerimônia realizada na sede da instituição, em Brasília (DF). Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a iniciativa convida a Igreja e a sociedade a refletirem sobre a moradia como direito fundamental e expressão concreta da dignidade humana.

A programação teve início com a celebração da Santa Missa na Capela Nossa Senhora Aparecida, presidida pelo secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers. Em seguida, no Auditório Dom Helder Câmara, ocorreu a cerimônia de abertura, que contou com a participação do coro da Arquidiocese de Brasília. Sob a regência de Geovane Ferreira da Silva, o grupo apresentou o hino oficial da Campanha da Fraternidade 2026.

Santa Missa na Capela Nossa Senhora Aparecida, presidida pelo secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers

Durante o evento, o secretário-executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul, fez a leitura da mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma. No texto, o Pontífice destacou a tradição de mais de 60 anos da Campanha da Fraternidade como expressão concreta da fé da Igreja no Brasil, especialmente no compromisso com os pobres. Ele recordou a Exortação Apostólica Dilexi te, reafirmando que “existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres” e a necessidade de enfrentar as causas estruturais da pobreza.

Conversão pessoal, comunitária e social
Em sua fala, o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, ressaltou que a Campanha da Fraternidade propõe uma conversão pessoal, comunitária e social. Ao explicar o sentido do tema deste ano, afirmou que a moradia não pode ser tratada como privilégio, mas como condição básica para o exercício de outros direitos.

“Não podemos naturalizar que alguém viva sem teto e aceitar que crianças cresçam em áreas de risco”, declarou.

O secretário-geral também enfatizou que a tradição cristã une fé e responsabilidade histórica. Segundo ele, a espiritualidade autêntica não pode ignorar o sofrimento do povo.

“A conversão que Deus pede é integral. Não é apenas interior, mas também relacional, estrutural e social”, afirmou, reforçando que políticas públicas habitacionais são dever do Estado e que a economia deve estar a serviço da vida.

O secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, ressaltou que a Campanha da Fraternidade propõe uma conversão pessoal, comunitária e social

Dom Ricardo conclamou autoridades públicas, setor privado, universidades, movimentos sociais e toda a Igreja no Brasil a se unirem na promoção da moradia digna. “Este não é um tema partidário; é um tema humano, civilizatório”, disse, lembrando que cada família que conquista sua casa experimenta a restauração da dignidade.

Gestos concretos e mobilização
A cerimônia também apresentou testemunhos que evidenciam a ação concreta da Igreja. Direto de Salvador (BA), o irmão Henrique Peregrino compartilhou a experiência da Comunidade da Trindade, que desenvolve o projeto “Moradias Acompanhadas”. A iniciativa oferece não apenas uma casa, mas acompanhamento integral às pessoas que viveram em situação de rua.

Experiência da Comunidade da Trindade, que desenvolve o projeto “Moradias Acompanhadas”

Segundo ele, ao longo dos anos a comunidade percebeu que não basta oferecer “muros em pé”, mas é necessário garantir apoio na saúde, na geração de renda e na reconstrução dos vínculos familiares e comunitários.

Altair Leal de Aguiar, beneficiado pelo projeto, deu seu testemunho. Após anos vivendo nas ruas, hoje mora em uma das casas do projeto.

“Essa caminhada pra mim foi boa. Tive bastante ajuda da comunidade. Me tiraram da rua, me deram carinho e amor”, relatou.

Ao apresentar as propostas práticas da Campanha, padre Jean Poul destacou cinco ações fundamentais: assumir a Campanha nas comunidades; intensificar a oração pelos que sofrem com a falta de moradia; praticar o jejum que se converta em solidariedade; fortalecer a ação sociopolítica; e participar da Coleta Nacional da Solidariedade.

Ele contou o exemplo de uma família que decidiu abrir mão da reforma de uma suíte para construir um banheiro na casa de uma trabalhadora que não tinha acesso ao item básico.


“O nosso jejum, se não se converter em bem do próximo, é apenas economia”, afirmou.

Padre Jean Poul apresenta as propostas práticas da Campanha

A Coleta Nacional da Solidariedade será realizada no Domingo de Ramos, 29 de março, e os recursos arrecadados serão destinados aos Fundos Diocesano e Nacional de Solidariedade, que apoiam projetos sociais em todo o país.
Exposição e memória das Campanhas

Ao final da cerimônia, o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, convidou o subsecretário-geral, padre Leandro Megeto, e o diretor geral da Edições CNBB, monsenhor Jamil Alves de Souza, para fixar o quadro com o cartaz da CF 2026 na galeria das Campanhas da Fraternidade, localizada no corredor externo ao auditório, marcando oficialmente sua integração à memória histórica da iniciativa.

Fixação do quadro com o cartaz da CF 2026 na galeria da Campanhas da Fraternidade

Os participantes também visitaram a exposição “Caminhos da Fraternidade”, com projetos apoiados pelo Fundo Nacional da Solidariedade nos últimos três anos. A mostra apresentou dados sobre os recursos arrecadados e iniciativas financiadas, evidenciando os frutos concretos da Campanha.

Exposição “Caminhos da Fraternidade”

A visita foi acompanhada por cantos que marcaram a história das Campanhas da Fraternidade, conduzidos pelo assessor do Setor de Música Litúrgica da CNBB, padre Jair Oliveira.

Com o lançamento da CF 2026, a CNBB reafirma o compromisso da Igreja no Brasil com a construção de uma sociedade mais justa e fraterna, onde todos tenham acesso à terra, teto e trabalho- sinais visíveis do Deus que “veio morar entre nós”.

Confira a transmissão da cerimônia na íntegra:

Veja mais fotos em: https://flic.kr/s/aHBqjCKLuh

Por Larissa Carvalho | Fotos: Fiama Tonhá


Apelo do Papa pela paz na Ucrânia: "Calem as armas! Cessem os bombardeios!"


Após a oração do Angelus, o Pontífice pediu o fim imediato dos combates, libertação de prisioneiros e diálogo sincero. "Convido todos a unirem-se em oração pelo martirizado povo ucraniano e por todos aqueles que sofrem por causa desta guerra", suplicou.

Thulio Fonseca - Vatican News

“Quantas vítimas, quantas vidas e famílias despedaçadas, quanta destruição, quanto sofrimento indescritível! (…) Que as armas se calem, que cessem os bombardeamentos, que se chegue sem demora a um cessar-fogo e que se reforce o diálogo para abrir caminho à paz.”

Após a oração do Angelus deste domingo, 22/02, o Papa Leão XIV renovou com firmeza seu apelo pedindo o fim da guerra na Ucrânia, ao lembrar que já se passaram quatro anos desde o início deste dramático conflito "que está diante dos olhos de todos". O Pontífice destacou que a paz não pode ser adiada e deve encontrar espaço nos corações, transformando-se em decisões responsáveis:

"Toda guerra é realmente uma ferida infligida à inteira família humana: deixa para trás morte, devastação e um rastro de dor que marca gerações. (...) Convido todos a unirem-se em oração pelo martirizado povo ucraniano e por aqueles que sofrem em razão desta guerra e dos outros conflitos no mundo, para que o tão esperado dom da paz possa brilhar nos nossos dias."


No final desta primeira Audiência Geral de 2026 realizada na Praça São Pedro, o encontro do Papa Leão XIV com as eposas e mães de soldados atualmente prisioneiros na Rússia, 

Um cenário de sofrimento e destruição
A guerra teve início em 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou uma invasão em larga escala contra a Ucrânia. Desde então, o conflito provocou dezenas de milhares de mortos e feridos, destruiu cidades inteiras e forçou milhões de pessoas a se deslocarem dentro e fora do país. Organismos internacionais classificam esta como a maior crise humanitária da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com impactos profundos na segurança, na economia e na vida diária da população civil, sem que até o momento tenha sido alcançado um acordo definitivo para o fim das hostilidades.

Desde o início do conflito na Ucrânia, o Papa Francisco reiterou inúmeros pedidos pelo fim da guerra e pela libertação de prisioneiros, com atenção especial às crianças e às vítimas civis, enquanto o rigor do inverno agravava os danos provocados pelos bombardeios. Ao longo desses anos, a Santa Sé manteve apoio humanitário à população ucraniana, dialogou com líderes como Putin e Zelensky, recebeu associações, famílias e refugiados, e reafirmou sua disposição em sediar negociações de paz, sublinhando a importância do engajamento da Europa e da Itália. O Papa Leão XIV deu continuidade a esse compromisso pela paz, enviando também ajudas concretas ao país.

Leão XIV, por meio da Esmolaria Apostólica, enviou 80 geradores de energia para o país do Leste Europeu, para ajudar a população afetada pela guerra e pelo frio. Medicamentos como ...

Saudações aos peregrinos
Ao final, como de costume, o Papa dirigiu suas saudações aos fiéis de Roma e aos peregrinos provenientes de diversos países. O Santo Padre também encorajou as associações empenhadas no cuidado das pessoas afetadas por doenças raras e, por fim, desejou a todos um frutuoso caminho quaresmal.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui


EVANGELHO DO DIA (Mt 25,31-46)

ANO "A" - DIA: 23.02.2026
1ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Salve Cristo, luz da vida, companheiro na partilha!
- Eis o tempo de conversão; eis o dia da salvação.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 31 "Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. 32 Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33 E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. 34 Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: 'Vinde benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! 35 Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; 36 eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar'. 37 Então os justos lhe perguntarão: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? com sede e te demos de beber? 38 Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? 39 Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?' 40 Então o Rei lhes responderá: 'Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!' 41 Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: 'Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos. 42 Pois eu estava com fome e não me destes de comer; eu estava com sede e não me destes de beber; 43 eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; eu estava nu e não me vestistes; eu estava doente e na prisão e não fostes me visitar'. 44 E responderão também eles: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou nu, doente ou preso, e não te servimos?' 45 Então o Rei lhes responderá: 'Em verdade eu vos digo, todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!' 46 Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
Caridade caminho para o verdadeiro encontro com Deus

Caridade como comunhão com o Cristo que sofre
“Quando o Filho do Homem vier em sua glória, separará as nações como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Vinde, bendito de meu Pai, recebei o reino preparado para vós, porque tive fome e me destes de comer” (Mateus 25,31-46).

A sequência, irmãos e irmãs, deste Evangelho já está em nossos corações: “Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, eu estava nu e me vestistes”. Essa é a dinâmica da caridade.

Também nós devemos crescer na caridade, no cuidado com o próximo neste tempo quaresmal. Então nós crescemos e queremos crescer na experiência de oração, mas também queremos crescer na capacidade de fazer o bem.
Enxergar o Cristo no próximo

Será levado em consideração qualquer mínimo detalhe feito e realizado ao menor desses pequeninos, porque fazer o bem ao próximo é um tipo de espiritualidade também, porque ali você faz e se aproxima do próprio Cristo que sofre nessas pessoas, que está ali naqueles que mais necessitam do nosso amor e da nossa presença.

O Discernimento do Coração
Assim como o texto de hoje diz que, nos últimos tempos, haverá um processo de separação, então nós iniciamos o texto dizendo que o Senhor separará as ovelhas dos cabritos. Também em nós devemos separar o que convém do que não convém.

Nesses dias já de Quaresma que estamos vivendo, faça também esse processo de separação. O que convém na sua vida? O que tem escolhido convém de fato? Assim como no final dos tempos haverá essa separação, nós devemos já começar a fazer a distinção no nosso coração.

O que é de Deus? O que me aproxima de Deus e o que me afasta d’Ele? Logicamente, aquilo que o afasta de Deus precisa ser abandonado, para que você mergulhe mais inteiramente na experiência da comunhão e de permanecer com o nosso Senhor.

O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós. A bênção do Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova





Entenda a beleza e a profundidade da misericórdia divina

Indulgências: um tesouro desconhecido

Há verdades da fé que, embora antigas, continuam pulsando com força no coração da Igreja e, paradoxalmente, permanecem desconhecidas ou mal compreendidas por muitos cristãos. Entre elas está a doutrina das indulgências. Longe de ser um detalhe marginal ou uma prática ultrapassada, trata-se de um verdadeiro tesouro espiritual, profundamente ligado à concupiscência do homem, à misericórdia de Deus e à esperança da vida eterna.

Tudo começa no início da história humana
O pecado original é definido como a desobediência dos nossos primeiros pais que, ao preferirem a própria vontade à de Deus, fizeram com que toda a natureza humana caísse numa condição de pecado e inclinação ao mal. Essa inclinação, uma espécie de “fome de pecado” não é algo que o ser humano consiga vencer sozinho. Ela gera uma dívida impagável.

Deus, em sua infinita misericórdia, enviou seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, que assumiu sobre si o castigo da humanidade, oferecendo, na cruz, o remédio necessário para esse grande mal. Nele, a justiça e a misericórdia se encontram. Por meio do batismo, instituído pelo próprio Cristo, o ser humano passa a participar da vida eterna de Deus: o pecado original é apagado, assim como todos os pecados cometidos até aquele momento.
Mesmo depois do batismo, a inclinação ao pecado permanece

Por isso, a Igreja oferece o sacramento da confissão, que restaura a graça quando o fiel cai em pecados graves que interrompem o fluxo da vida divina na alma. Mas a misericórdia vai ainda mais fundo, já que, mesmo após o perdão da culpa, permanecem os apegos ao pecado, chamados de penas temporais. E, portanto, se uma pessoa morre em estado de graça, mas ainda permanece marcada por esses apegos, ela passa pelo purgatório.

Essa realidade, embora implícita, encontra fundamento nas Escrituras, como em Mateus 5,26: “Em verdade, te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.

As indulgências surgem, então, como um auxílio concreto da Igreja para ajudar o fiel nesse caminho de purificação. Elas não são ritos mágicos, nem atalhos espirituais, mas a misericórdia divina para queimar as penas temporais e favorecer o desapego do pecado. Trata-se da aplicação dos méritos de Cristo, da Virgem Maria e dos Santos, concedida pela autoridade do Papa, a quem foi dado o poder de “ligar e desligar”.
Esse tesouro não é uma invenção tardia

As indulgências remontam aos primeiros séculos do cristianismo, quando mártires e confessores da fé escreviam as “cartas de paz” aos bispos, pedindo que seus sofrimentos fossem aplicados para aliviar as severas penitências públicas impostas aos pecadores convertidos.

Para obter uma indulgência, especialmente a plenária, não basta realizar uma obra piedosa. A Igreja estabelece condições claras: confissão sacramental, Comunhão Eucarística, oração pelas intenções do Papa e um arrependimento profundo e radical, marcado pelo desapego sincero do pecado. Não se trata de formalidade, mas da conversão real do penitente.

Ao longo da história, porém, essa doutrina também atravessou momentos de crise. A Reforma Protestante que surgiu num contexto complexo, marcado por tensões espirituais e políticas. Os Papas renascentistas buscavam recursos para a construção da Basílica de São Pedro, e as indulgências acabaram sendo mal interpretadas. Não havia uma “venda” tabelada, mas a concessão de indulgências vinculada a ofertas de esmola.

Houve abusos de alguns pregadores, como Johann Tetzel, que agravaram este cenário. O então Frei Martinho Lutero reagiu a esses excessos, mas o que de fato foi preponderante é que o movimento foi instrumentalizado por príncipes alemães interessados em sua independência política e financeira de Roma, levando à radicalização de teses e ao surgimento de doutrinas heréticas, como o Sola Scriptura e o livre exame.

Mais tarde, no Concílio de Trento, a Igreja reafirmou a doutrina das indulgências, apresentando-a de modo ainda mais teológico.

Tudo isso e muito mais é apresentado de forma profunda, clara e fiel à doutrina no documentário “Indulgência: um tesouro desconhecido”.

A obra conta com a participação de especialistas que ajudam a iluminar esse tema com autoridade e sensibilidade: o Cardeal Mauro Piacenza, de Roma/Itália; Padre Leonardo, da Comunidade Canção Nova; Padre José Eduardo, de Osasco/SP; Padre Demétrio, de Niterói/RJ; Frei Ulise Zarza da Terra Santa; Professor Felipe Aquino, de Lorena/SP; e Professor Raphael Tonon, da Comunidade Pantokrator.

Convidamos a todos, em preparação para a Quaresma que se inicia, a redescobrir o sentido das indulgências, a profundidade da misericórdia divina e a beleza da comunhão dos santos. Um tesouro antigo, vivo e atual, agora revelado a todos que desejam compreender melhor os caminhos da fé.

Autora: Micheline Teixeira é consagrada da Comunidade Canção Nova, Logoterapeuta, roteirista e diretora do documentário.



São Policarpo

Policarpo nasceu em 69, em local não indicado, de pais cristãos. Santo Ireneu, seu discípulo do século II, escreveu sobre ele, esclarecendo que Policarpo conviveu diretamente com alguns dos Doze Apóstolos, especialmente São João: “Poderia reproduzir o que nos contava do seu trato com São João Apóstolo e os demais que tinham visto o Senhor e como repetia suas mesmas palavras…”.

Por testemunhar pela vida e pelos escritos a Fé recebida diretamente dos Doze, Policarpo, junto a São Clemente Romano, Santo Inácio de Antioquia e São Pápias são chamados de “Padres Apostólicos”, e foram o elo entre a Igreja primitiva e a Igreja do mundo greco-romano, na passagem do primeiro para o segundo século. Imensa importância têm estes Padres, pois na sua época havia inúmeras interpretações sobre o que Jesus havia feito e dito; assim puderam esclarecer e autenticar com autoridade a verdadeira mensagem dos Apóstolos.

São Policarpo foi sagrado bispo de Esmirna pelo próprio São João Evangelista. Por suas muitas qualidades era estimado e respeitado em todo o Oriente. Em 107 Policarpo acolhe em Esmirna Santo Inácio de Antioquia, de passagem e sob escolta, indo a Roma para ser julgado. Escreveu muitas cartas, mas somente uma, endereçada aos Filipenses em 110, foi preservada. Nela exalta a fé em Jesus Cristo, a qual precisa ser confirmada no trabalho árduo, diário e no dia a dia dos cristãos, incutindo em cada um a lembrança de suas obrigações particulares. Ela também cita trechos da Carta de São Paulo aos Filipenses e os Santos Evangelhos, além de repetir as muitas e preciosas informações que ele próprio recebera diretamente dos Apóstolos, especialmente de São João Evangelista. São Policarpo parece ter sido um dos que compilaram, editaram e publicaram o Novo Testamento.

Por volta do final de 154, Policarpo vai a Roma como representante dos cristãos da Ásia Menor, para tratar com o Papa Aniceto sobre diversas questões, mas principalmente sobre a data da Páscoa, que nas Igrejas Orientais era celebrada no dia 14 do mês judaico de Nisan, enquanto que, na capital do Império, no domingo seguinte. Não se chega a um acordo, mas eles celebraram juntos a Eucaristia, mostrando que uma mera questão disciplinar não devia desunir a Igreja.

Marcião, numa carta que os fiéis de Esmirna enviaram para a cidade de Filomélio na Frígia (atual Turquia) em 23 de fevereiro de 156, e conhecida como Martyrium Polycarpi, descreve o martírio de São Policarpo em 155. É considerada como uma dos mais antigos relatos genuínos de martírios cristãos, e um dos poucos relatos sobreviventes compostos na época das perseguições. Também é a primeira obra que define como mártir aquele que morre pela Fé. Policarpo, já com 86 anos, diante da perseguição do Imperador Antonino Pio, havia se ocultado, mas foi delatado e preso. Diante do pró-cônsul que o instigava a renegar a Fé, resistiu e foi condenado à fogueira. Subiu espontaneamente os degraus que a ela levavam, mas o fogo não lhe fez mal algum, sendo então morto à espada. Ele é o padroeiro dos que sofrem queimaduras.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

São Policarpo de fato vivenciou o significado do seu próprio nome (poli = muitos; carpo = fruto – muitos frutos), pois, permanecendo unido à Videira, que é Cristo, através da ortodoxia da Doutrina recebida diretamente pela Tradição dos Apóstolos, por suas obras, testemunhos e martírio muito enriqueceu a Igreja. Os nossos nomes pessoais também estão inscritos no Coração do Pai com o de Cristo, o único Nome pelo Qual podemos ser salvos (Jesus = Deus salva, Cristo = ungido; é Aquele que Deus ungiu para nos salvar, cf. Catecismo da Igreja Católica nos 430-440). Se permanecermos fiéis ao que ensina o Espírito Santo na Igreja, a qual Ele mantém na Verdade como prometido em Pentecostes (cf. Jo 16,13-14; CIC nos76-83 e 767), daremos os mesmos frutos. É preciso crer de fato no Evangelho, para podermos vivê-lo, dar a vida por Ele. Isto significa normalmente o pequeno martírio diário de cumprir com amor e zelo nossas obrigações normais, na paciência com os irmãos, no arrependimento sincero dos nossos pecados, no serviço aos necessitados de corpo e espírito.

Oração:

Senhor Deus da Verdade, que não pode nunca enganar, por intercessão de Vosso servo São Policarpo concedei-nos a firmeza da Fé que recebemos legitimante dos Apóstolos pela Igreja, iluminada infalivelmente pelo Espírito Santo, para caminharmos espontaneamente ao chamado do Fogo do Vosso amor – e, na certeza do que cremos, praticarmos corajosamente a caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Os frades de Assis aguardam o Papa com os jovens europeus: “será uma JMJ franciscana”



Frei Luca Di Pasquale, um dos responsáveis pelo “GO! Franciscan Youth Meeting”, relata a alegria de seus confrades após o anúncio nesta quinta-feira (19/02) da chegada de Leão XIV à cidade do “Pobrezinho” no próximo dia 6 de agosto, por ocasião do encontro de jovens, crentes e não crentes, vindos da Itália e da Europa.

Benedetta Capelli – Vatican News

A notícia já estava no ar, mas faltava a confirmação oficial, que chegou nesta quinta-feira, 19 de fevereiro: o Papa Leão estará em Assis no dia 6 de agosto por ocasião do GO! Franciscan Youth Meeting, o evento dirigido a jovens europeus, crentes e não crentes, com idades entre 18 e 33 anos, que terá início no dia 3 de agosto. Em uma postagem no X, os frades menores expressaram sua alegria pelo retorno do Pontífice à Úmbria, após a parada de um dia em novembro, quando ele primeiro prestou homenagem ao túmulo de São Francisco e depois se reuniu com os bispos italianos reunidos para o Conselho Permanente da CEI. Naquela ocasião, Leão XIV prometeu que participaria de um dos eventos relacionados ao Santo de Assis no ano jubilar em que se comemoram os 800 anos de sua morte.

“Quando começamos os preparativos para os vários eventos relacionados com o centenário da morte de São Francisco – conta Frei Luca Di Pasquale, um dos responsáveis pelo GO! Franciscan Youth Meeting – já tínhamos enviado uma carta ao Papa Leão XIV para o convidar para as várias iniciativas, incluindo a relacionada com os jovens europeus. Ficamos contentes com a notícia, era o que esperávamos”. Frei Luca esteve presente no encontro do Papa na Porciúncula: “ele nos havia anunciado que teria o prazer de vir, mas não havia certeza. Ouvir isso oficialmente é motivo de grande alegria para nós, também porque ele teve essa bela atenção, não apenas de vir encontrar os jovens, mas de falar com eles”. De fato, de acordo com o programa divulgado pelos frades, o Papa celebrará a missa na Basílica de Santa Maria dos Anjos, local onde Francisco faleceu.

Assis (© Amata J. Nowaszewska CSFN)

O fascínio de Francisco
Ainda há tempo para organizar da melhor maneira possível o evento, promovido pelos frades menores, pelos frades menores conventuais e pelos frades menores capuchinhos, juntamente com a cidade de Assis e a Diocese. A intenção é criar um espaço compartilhado onde os jovens possam experimentar a escuta, o diálogo, viver juntos momentos de oração e espiritualidade, mas também de compartilhamento de vida e festa.

“Uma espécie de JMJ franciscana”, afirma frei Luca, que expressa admiração pela atenção constante, especialmente dos jovens, em relação a São Francisco, “exemplo credível do Evangelho”, fundamento de sua vida “a ponto de encarná-lo também com as chagas na própria pele”.

Assis

Um novo capítulo das Esteiras
A intuição de organizar um grande encontro de jovens partiu do frei Francesco Piloni, ministro provincial dos Frades Menores da Úmbria e da Sardenha, que queria repropor o capítulo das Estolas de 1221, o “encontro” que o Santo de Assis organizou para reunir aqueles que haviam recebido o chamado franciscano, a fim de compartilhar as experiências da missão e do Evangelho. Naquela época, não havia lugares para acolher todos os frades, que usaram esteiras para dormir. “Obviamente – explica frei Luca Di Pasquale – não podíamos chamá-lo assim porque é difícil de entender, por isso preferimos um título mais internacional, escolhendo Go, Vai, para recordar as palavras do Senhor a Francisco enquanto ele rezava diante do Crucifixo de São Damião, quando lhe disse: ‘Vai e repara a minha Igreja’”.

Tudo é dom de Deus
Enquanto aguarda a chegada do Papa Leão, frei Luca reflete sobre os muitos eventos relacionados a Francisco – os 800 anos do presépio de Greccio, os aniversários do aparecimento dos estigmas e da escrita do Cântico das Criaturas – que são ocasiões para redescobrir o fogo que animava Francisco. “Reler os últimos momentos da vida de Francisco foi para mim como encontrar uma pessoa inquieta, sempre em busca, em busca de uma vida bela, apesar do cansaço, dos sofrimentos que também suportou. Lê-se sobre o amor não correspondido de seus frades, o isolamento em La Verna, a composição do Cântico das Criaturas, que é um louvor a Deus, uma grande escola ainda hoje para nós, porque nos ensina a não nos fecharmos em nós mesmos, mas a levantar os olhos e louvar a Deus, compreendendo melhor o que estamos vivendo”. “Chegar a este ano da sua morte – conclui o frade – não é nada mais do que voltar à escola do seu testamento. Tudo o que ele viveu e recebeu foi um dom de Deus, ele repete isso continuamente e, no final da sua vida, relembra tudo segundo essa perspectiva, um grande ensinamento que redescobrimos precisamente nesta ocasião”.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

“Ele veio morar entre nós”: CNBB abre Campanha da Fraternidade 2026 com foco na dignidade da moradia


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou oficialmente, nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, a Campanha da Fraternidade 2026, em cerimônia realizada na sede da instituição, em Brasília (DF). Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a iniciativa convida a Igreja e a sociedade a refletirem sobre a moradia como direito fundamental e expressão concreta da dignidade humana.

A programação teve início com a celebração da Santa Missa na Capela Nossa Senhora Aparecida, presidida pelo secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers. Em seguida, no Auditório Dom Helder Câmara, ocorreu a cerimônia de abertura, que contou com a participação do coro da Arquidiocese de Brasília. Sob a regência de Geovane Ferreira da Silva, o grupo apresentou o hino oficial da Campanha da Fraternidade 2026.

Santa Missa na Capela Nossa Senhora Aparecida, presidida pelo secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers

Durante o evento, o secretário-executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul, fez a leitura da mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma. No texto, o Pontífice destacou a tradição de mais de 60 anos da Campanha da Fraternidade como expressão concreta da fé da Igreja no Brasil, especialmente no compromisso com os pobres. Ele recordou a Exortação Apostólica Dilexi te, reafirmando que “existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres” e a necessidade de enfrentar as causas estruturais da pobreza.

Conversão pessoal, comunitária e social
Em sua fala, o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, ressaltou que a Campanha da Fraternidade propõe uma conversão pessoal, comunitária e social. Ao explicar o sentido do tema deste ano, afirmou que a moradia não pode ser tratada como privilégio, mas como condição básica para o exercício de outros direitos.

“Não podemos naturalizar que alguém viva sem teto e aceitar que crianças cresçam em áreas de risco”, declarou.

O secretário-geral também enfatizou que a tradição cristã une fé e responsabilidade histórica. Segundo ele, a espiritualidade autêntica não pode ignorar o sofrimento do povo.

“A conversão que Deus pede é integral. Não é apenas interior, mas também relacional, estrutural e social”, afirmou, reforçando que políticas públicas habitacionais são dever do Estado e que a economia deve estar a serviço da vida.

O secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, ressaltou que a Campanha da Fraternidade propõe uma conversão pessoal, comunitária e social

Dom Ricardo conclamou autoridades públicas, setor privado, universidades, movimentos sociais e toda a Igreja no Brasil a se unirem na promoção da moradia digna. “Este não é um tema partidário; é um tema humano, civilizatório”, disse, lembrando que cada família que conquista sua casa experimenta a restauração da dignidade.
Gestos concretos e mobilização

A cerimônia também apresentou testemunhos que evidenciam a ação concreta da Igreja. Direto de Salvador (BA), o irmão Henrique Peregrino compartilhou a experiência da Comunidade da Trindade, que desenvolve o projeto “Moradias Acompanhadas”. A iniciativa oferece não apenas uma casa, mas acompanhamento integral às pessoas que viveram em situação de rua.

Experiência da Comunidade da Trindade, que desenvolve o projeto “Moradias Acompanhadas”

Segundo ele, ao longo dos anos a comunidade percebeu que não basta oferecer “muros em pé”, mas é necessário garantir apoio na saúde, na geração de renda e na reconstrução dos vínculos familiares e comunitários.

Altair Leal de Aguiar, beneficiado pelo projeto, deu seu testemunho. Após anos vivendo nas ruas, hoje mora em uma das casas do projeto.

“Essa caminhada pra mim foi boa. Tive bastante ajuda da comunidade. Me tiraram da rua, me deram carinho e amor”, relatou.

Ao apresentar as propostas práticas da Campanha, padre Jean Poul destacou cinco ações fundamentais: assumir a Campanha nas comunidades; intensificar a oração pelos que sofrem com a falta de moradia; praticar o jejum que se converta em solidariedade; fortalecer a ação sociopolítica; e participar da Coleta Nacional da Solidariedade.

Ele contou o exemplo de uma família que decidiu abrir mão da reforma de uma suíte para construir um banheiro na casa de uma trabalhadora que não tinha acesso ao item básico.

“O nosso jejum, se não se converter em bem do próximo, é apenas economia”, afirmou.
Padre Jean Poul apresenta as propostas práticas da Campanha

A Coleta Nacional da Solidariedade será realizada no Domingo de Ramos, 29 de março, e os recursos arrecadados serão destinados aos Fundos Diocesano e Nacional de Solidariedade, que apoiam projetos sociais em todo o país.
Exposição e memória das Campanhas

Ao final da cerimônia, o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, convidou o subsecretário-geral, padre Leandro Megeto, e o diretor geral da Edições CNBB, monsenhor Jamil Alves de Souza, para fixar o quadro com o cartaz da CF 2026 na galeria das Campanhas da Fraternidade, localizada no corredor externo ao auditório, marcando oficialmente sua integração à memória histórica da iniciativa.

Fixação do quadro com o cartaz da CF 2026 na galeria da Campanhas da Fraternidade

Os participantes também visitaram a exposição “Caminhos da Fraternidade”, com projetos apoiados pelo Fundo Nacional da Solidariedade nos últimos três anos. A mostra apresentou dados sobre os recursos arrecadados e iniciativas financiadas, evidenciando os frutos concretos da Campanha.

Exposição “Caminhos da Fraternidade”

A visita foi acompanhada por cantos que marcaram a história das Campanhas da Fraternidade, conduzidos pelo assessor do Setor de Música Litúrgica da CNBB, padre Jair Oliveira.

Com o lançamento da CF 2026, a CNBB reafirma o compromisso da Igreja no Brasil com a construção de uma sociedade mais justa e fraterna, onde todos tenham acesso à terra, teto e trabalho- sinais visíveis do Deus que “veio morar entre nós”.

Confira a transmissão da cerimônia na íntegra:

Veja mais fotos em: https://flic.kr/s/aHBqjCKLuh

EVANGELHO DO DIA (Mt 9,14-15)

ANO "A" - DIA: 20.02.2026
SEXTA FEIRA DEPOIS DAS CINZAS (ROXO)

- Salve, Cristo, luz da vida, companheiro na partilha!
- Buscai o bem, não o mal, pois assim vivereis; então o Senhor, nosso Deus, convosco estará!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 14 os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: "Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?" 15 Disse-lhes Jesus: "Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Jejuar um caminho de encontro com Deus"

Jejuar é uma verdadeiro via para libertação
Naquele tempo, os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Por que razão nós, os fariseus, praticamos jejum, mas os teus discípulos não?” Disse-lhe Jesus: “Por acaso os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles?” (Mateus 9,14-15)

Bem, meus irmãos e minhas irmãs, o jejum é uma prática profética por si só.
A ascese que fazemos com o nosso corpo é sinal de que estamos buscando a essencialidade e não a fugacidade. Ou seja, estamos buscando as coisas essenciais e não as coisas banais.

Abertura do coração à caridade
Queremos nos desapegar dos excessos que o mundo acaba nos impondo e que sufocam o nosso espírito.

Primeiro: ele nos abre à caridade. Retirando os excessos, os nossos olhos se abrem para ver a necessidade do outro. O consumismo sufoca o amor humano. Segundo: o jejum é uma forma de purificação da mente, dos barulhos, das distrações, dos apelos mundanos que muitas vezes contaminam o nosso interior.

Por fim, o jejum nos abre à transcendência para Deus. O coração humano precisa se lembrar de que, um dia, ele estará diante do seu Senhor, Cristo, esposo da Igreja, o justo Juiz. Não dá para viver como se não houvesse um encontro definitivo com aquele que nos criou.
Jejuar com alegria

Jejuar nos liberta de uma concepção de mundo imanente de que acaba tudo aqui. Vamos cuidar, nesta Quaresma, para não fazer um jejum de forma legalista, voltado apenas para o nosso progresso espiritual, condenando quem não faz o jejum.

Vamos deixar de lado aquela mania que nós temos de querer nos achar melhor do que os outros pelo simples fato de nós jejuarmos. Você vai jejuar? Perfuma a sua cabeça, alegra o seu rosto e a disposição do seu coração. Jejuando, você também enxerga quem está perto de você e precisa da sua ajuda.

Que o Senhor nos conceda a Sua graça.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova