segunda-feira, 9 de março de 2026

Comissão para o Laicato da CNBB realiza sua primeira reunião do ano no Centro Cultural de Brasília


A Comissão Episcopal para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou sua primeira reunião do ano no Centro Cultural de Brasília, de 27/02 a 1º/3. Participaram da reunião o seu presidente e bispo de Araguaína (TO), dom Giovane Pereiro de Melo, o bispo de Campos (RJ), dom Roberto Francisco Ferreria Paz, e o bispo de Floresta (PE), dom Gabriele Marchesi.

O encontro contou ainda com a participação das assessoras Célia Soares de Souza e Marilza José Lopes Schuina, do secretário executivo do Centro Nacional de Fé e Política “Dom Helder Camara” (CEFEP), Jardel Neves Lopes, de membros do Grupo de Reflexão e do presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), , Márcio José de Oliveira.

O foco principal do encontro foi o estudo do texto das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora a serem aprovadas na 62ª Assembleia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em abril deste e a revisão dos Parâmetros de Formação para o Laicato.

Além das atividades de estudo, a reunião reservou um espaço dedicado à celebração, convivência e escuta de experiências e ações pastorais dos setores: Leigos – Movimentos e Famílias de Carismas; Setor CEBs – Comunidades Eclesiais de Base; CEFEP – Centro de Formação e Estudos Políticos Dom Helder Câmara; e o CNLB Nacional.


Papa: Oriente Médio, silenciem as armas, espaço ao diálogo e à voz dos povos


Papa: Oriente Médio, silenciem as armas, espaço ao diálogo e à voz dos povos
O Papa Leão XIV durante o Angelus deste domingo. 8 de março, compromisso com a igualdade de dignidade entre homens e mulheres, demasiadas discriminações.

Silvonei José – Vatican News

O Papa Leão XIV voltou neste domingo (08/03) a pedir o fim da guerra no Irã e a abertura do diálogo, alertando que o conflito está se espalhando por todo o Oriente Médio e semeando “um clima de ódio e medo”.

Após a oração do Angelus, Leão expressou sua “profunda consternação” pela guerra e pela forma como ela está desestabilizando o Líbano, um “baluarte” para os cristãos em uma região de maioria muçulmana, e rezou pelo fim dos bombardeios e pela abertura do diálogo “para ouvir a voz do povo”.

“Do Irã e de todo o Oriente Médio continuam chegando notícias que causam profunda consternação. Aos episódios de violência e devastação, e ao clima generalizado de ódio e medo, soma-se o temor de que o conflito se alastre e outros países da região, entre eles o querido Líbano, possam mergulhar novamente na instabilidade”.

Elevemos nossa humilde oração ao Senhor, - continuou o Papa - para que cesse o barulho das bombas, calem-se as armas e se abra um espaço de diálogo, no qual se possa ouvir a voz dos povos.

“Confio esta súplica a Maria, Rainha da Paz: que ela interceda por aqueles que sofrem por causa da guerra e acompanhe os corações pelos caminhos da reconciliação e da esperança”.

O santo Padre recordou também que neste dia 8 de março celebra-se o Dia da Mulher.

“Renovamos o compromisso, que para nós cristãos se baseia no Evangelho, pelo reconhecimento da igual dignidade do homem e da mulher”.

Infelizmente - disse o Papa -, muitas mulheres, desde a infância, ainda são discriminadas e sofrem várias formas de violência: “a elas, em especial, vai a minha solidariedade e a minha oração”.

Em seguida o Papa saudou os fiéis presentes na Praça São Pedro provenientes de várias partes do mundo desejando a todos um bom domingo.

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EVANGELHO DO DIA (Lc 4,24-30)

ANO "A" - DIA: 09.03.2026
3ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Jesus Cristo, sois bendito, sois o ungido de Deus Pai!
- No Senhor ponho a minha esperança, espero em sua palavra. Pois no Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
-Glória a vós, Senhor.

Jesus, vindo a Nazaré, disse ao povo na sinagoga: 24 "Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25 De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26 No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27 E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio". 28 Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29 Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30 Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A mulher Samaritana e o chamado para uma vida nova"

Mulher Samaritana: da sede à missão
Estamos caminhando, meus irmãos, por um itinerário quaresmal, um itinerário onde nós queremos buscar a vontade de Deus. Comemoramos tantas realidades que o Senhor tem realizado em nossas vidas.

Quero continuar através do Evangelho da Samaritana que nós escutamos no dia de ontem. O Evangelho está em João, capítulo 4, versículo 24-30. “Deus é Espírito e os que O adoram devem adorar o Espírito e a verdade. A mulher disse-lhe: ‘Sei que há de vir o Messias chamado Cristo, quando Ele vier, nos anunciará todas as coisas. Disse-lhe Jesus: ‘Sou eu que falo contigo’.”

Ontem, nós ouvimos aquela mulher samaritana que tinha sede, sede de ser alcançada por Deus. Hoje, essa mesma mulher começa a viver uma vida diferente. Adorar em Espírito e em verdade é a graça que transforma o coração e nos faz testemunhas de Cristo.

Os efeitos do encontro para a mulher samaritana
A mulher samaritana tornou-se missionária, tornou-se uma mulher que testemunhou o que Deus fez na vida dela. Por isso, meus irmãos, o gesto dessa mulher mostra que a salvação é para todos e que Deus se aproxima de cada pessoa. Por quê? Os judeus não se davam com os samaritanos, mas Jesus se aproximou daquela mulher. Por isso, meus irmãos e minhas irmãs, a mulher foi tocada por Jesus. Ela deixou-se ser alcançada por Ele.
Deixar o cântaro para viver a vontade de Deus

Quando aquela mulher deixa o cântaro, ou seja, aquele recipiente que coloca a água, símbolo de sua antiga vida e da sede que ela nunca tinha sido saciada, ela deixa a vida antiga, deixa a vida pregressa para viver na vontade de Deus.

Ela passa de ouvinte a missionária, de pecadora a testemunha. Quem encontra Cristo verdadeiramente não consegue ficar calado. Sente a necessidade de partilhar o amor que o transformou. Se Jesus o transformou, se Jesus o tocou, não fique parado. Anuncie o que Deus realizou na sua vida.

Que Deus o abençoe em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!


Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


A mulher plena do Espírito


Pregação: Dra. Filó

Eu gostaria que vocês abrissem o coração e o ouvido, para que a gente pudesse entender como eu posso, na minha vida hoje, imitar Maria, minha mãe, a mãe de Deus.

Façam a leitura de Lucas 1,26-38

Nossa Senhora é igual a uma carta escrita não com tinta, mas com sangue. Ela é escrita pelo Espírito Santo, não em pedra, mas num coração de carne. Ela é a carta viva de Deus para nós. A gente olha para Maria e fala: “Ela é o retrato daquilo que Deus gostaria de fazer na vida de cada um de nós. Ela é a imagem daquela que Deus gostaria que fôssemos”. Deus Pai nos deu Maria, Maria nos deu Jesus, e Maria se deu ao Espírito Santo de Deus.

Nós precisamos aprender muita coisa com a nossa Mãe Santíssima, mas a primeira coisa que aprendemos é que o anjo Gabriel foi enviado a uma cidade chamada Nazaré, a uma virgem em torno de 15 anos, que se chamava Maria, que estava prometida em casamento a José. Por que estou repetindo essa frase com vocês? Porque é extremamente importante que exista uma vida concreta. Deus precisa, para a ação d’Ele, da sua vida concreta.

A história de Maria no Templo e o voto de castidade
A sua história é encarnada. Deus precisa da sua história, do seu existir, para que haja um acontecimento. Ele age em você e através de você. Por isso é tão importante que a gente saiba disso. A gente já sabe que Nossa Senhora foi entregue ao templo aos três anos de idade, que ela subiu as escadas do templo sem olhar para trás. Ela foi crescendo lá dentro do templo e tinha um voto de castidade secreto com Deus Pai, porque o Filho viria através dela, com Deus Pai. Ela conhecia toda a história de que uma virgem daria à luz um filho, e este seria o Filho do Altíssimo. Ela sabia disso. À medida que cresceu, os anciãos falaram: “Maria, você vai ter que casar”. Ela falou: “Como é que é?” Mas a obediência dela era assim: ela aceitou, embora triste por causa do voto sagrado de castidade que havia feito.

A escolha de José como esposo de Maria
Convocaram todo mundo no templo e disseram: “Um de vocês será o esposo de Maria.” Como se escolhia o marido? Rezavam, e cada um recebeu um ramo, e aquele que Deus aprovasse e escolhesse, faria o ramo brotar.

Santa Catarina de Bolonha

Catarina de Vigri nasceu em Bolonha, Itália, em 1413. Era filha de um advogado e professor da Universidade de Bolonha, e agente diplomático do marquês de Ferrara. Na primeira infância morou na casa dos avós, sendo educada pela fervorosa mãe e pelos parentes. Mas por volta dos 10 anos muda com sua mãe para Ferrara, e aos 11 é indicada para ser a dama de honra de Margarida, filha do Marquês, de quem se torna amiga e confidente, compartilhando da sua mesma educação.

O marquês valorizava a cultura e convidada a Ferrara artistas e pessoas letradas de diversos países. Assim, na corte, Catarina aprende música, pintura, dança, Latim, poesia e composições literárias; torna-se especialista na arte da miniatura e da cópia. Ao mesmo tempo, não vive os perigos mundanos da corte, tendo o espírito constantemente voltado para as coisas do Céu. Seu contato com os Frades Menores da Observância do convento do Santo Espírito, de onde recebia orientação espiritual, solidificou seu desejo de servir a Deus.

Em 1427, com 14 anos de idade, após ter ficado órfã de pai e depois do casamento de Margarida, Catarina decide entrar para um grupo de jovens mulheres provenientes de famílias nobres que viviam em comum, consagrando-se a Deus. Sofre então tentações do demônio e uma grande crise espiritual, da qual Deus a tira através de uma visão, na qual lhe mostra a verdade da presença de Cristo na Eucaristia. No mesmo período, a comunidade sofre com a divisão entre as que desejam seguir a regra agostiniana e as que desejam a regra franciscana, mais rigorosa, de Santa Clara de Assis. Catarina pertence ao segundo grupo, que por providência divina tem a proximidade da Igreja do Espírito Santo, anexa ao convento dos Frades Menores, seguidores do movimento de Observância de Santa Clara.

Catarina e as companheiras podem assim participar regularmente das celebrações litúrgicas e receber uma adequada assistência espiritual. Têm também a alegria de escutar as pregações de São Bernardino de Sena.

Em 1431 tem uma visão do Juízo Final, e a cena aterradora dos condenados faz com que intensifique as orações e penitências pela salvação dos pecadores. O demônio continua a atacá-la e ela se confia de modo sempre mais completo ao Senhor e à Virgem Maria. A este respeito, escreve para a instrução das irmãs, alertando sobre as tentações do demônio que frequentemente se esconde com aparências enganadoras, para depois insinuar dúvidas de fé, incertezas vocacionais e sensualidade. Estes escritos, “As Sete Armas Espirituais”, trazem grande sabedoria e profundo discernimento, contra o mal e o diabo.

Além do conteúdo, seu estilo literário de várias obras é original, e precioso para o estudo do dialeto da sua região na língua italiana da época.

No convento, Catarina, apesar de ser habituada à corte de Ferrara, serve como lavadeira, costureira, padeira, e é empregada no cuidado de animais. Faz tudo, também os serviços mais humildes, com amor e pronta obediência, pois vê na desobediência aquele orgulho espiritual que destrói toda outra virtude. Por obediência, aceita o encargo de mestra de noviças, e depois o serviço do parlatório. Falecendo a abadessa, os superiores a querem por substituta, mas ela os convence de que nas Clarissas de Mântua, mais instruídas nas constituições e nas observâncias religiosas, encontrariam opção melhor.

Porém, um ano depois é pedido ao seu mosteiro que crie uma nova fundação em Bolonha, e para lá ela vai como abadessa, sendo exemplo de serviço. Em pouco tempo o número de irmãs em Bolonha se vê multiplicado. Ocupa ainda outra vez este cargo quatro anos depois, mas já então está muito doente, com agravamentos desde 1461. Em 1463, anuncia sua morte e, depois de mais de um mês de grandes sofrimentos, falece em 9 de março. Foi enterrada sem caixão no cemitério da comunidade e não foi embalsamada.

Depois de 18 dias, em função de milagres e de um perfume que saía do seu túmulo, seu corpo exumado se conservava incorrupto, em perfeito estado de conservação e flexível. Assim permanece até hoje na Igreja do convento das Clarissas em Bolonha. Está sentada, com a Regra de Santa Clara nas mãos.

Santa Catarina de Bolonha é considerada uma das grandes místicas da Idade Média, e padroeira da Academia de Arte de Bolonha, dos artistas das belas-artes.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Santa Catarina de Bolonha se destaca pela sua imensa humildade, total confiança em Deus, e pronta obediência. Cada um destes aspectos mereceria uma longa reflexão; mas busquemos um resumo deles, por assim dizer, no seu atualíssimo programa de vida espiritual, as sete armas para combater o diabo: 1. ter cuidado e preocupação de trabalhar sempre para o bem; 2. crer que, sozinhos, nunca poderemos fazer nada de verdadeiramente bom; 3. confiar em Deus e, por Seu amor, não temer nunca a batalha contra o mal, seja no mundo, seja em nós mesmos; 4. meditar com frequência nos eventos e palavras da vida de Jesus, sobretudo Sua Paixão e Morte; 5. recordar que devemos morrer; 6. ter fixa na mente a memória dos bens do Paraíso; 7. ter familiaridade com a Sagrada Escritura, levando-a sempre no coração, para que nos oriente todos os pensamentos e todas as ações.

Oração:

Senhor Deus, Todo-Poderoso, que nos ensinais ser a verdadeira autoridade o servir ao próximo, concedei-nos pela intercessão de Santa Catarina de Bolonha a confiança na Vossa Providência, deixando-nos guiar pela Vossa vontade com humildade, para na obediência generosa realizarmos o santo e melhor projeto que desejais para cada um de nós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora, fontes excelsas da humildade, da obediência e do serviço. Amém.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Nunciatura Apostólica e CNBB realizam recepção diplomática para celebrar o bicentenário das relações Brasil-Santa Sé


A Nunciatura Apostólica no Brasil organizou em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na terça-feira, às 19h, uma recepção diplomática que reuniu autoridades eclesiais, politicas, governamentais e representantes das embaixadas que atuam no país em torno da comemoração do bicentenário das relações entre o Brasil e a Santa Sé. Participaram também os bispos membros do Conselho Permanente da CNBB, padres, religiosos e religiosas e leigos.

No início da cerimônia, foram executados os hinos do Brasil e da Santa Sé. O momento recordou não apenas a presença diplomática da Santa Sé no Brasil, mas também a história de diálogo, respeito mútuo e colaboração em favor do bem comum entre o Brasil e a Santa Sé.

Em sua apresentação do evento, o mestre de cerimônia e assessor de Comunicação da CNBB, padre Arnaldo Rodrigues, destacou que nos primeiros anos de sua Independência, o Brasil empenhou-se em consolidar sua posição entre as nações e que a Santa Sé esteve entre os primeiros Estados a reconhecer oficialmente o Brasil como nação soberana.

“Em 23 de janeiro de 1826, o Papa Leão XII recebeu as credenciais do representante do Império Brasileiro, monsenhor Francisco Correia Vidigal, inaugurando formalmente as relações diplomáticas entre os dois Estados. Aquele gesto marcou o início de uma trajetória que ultrapassa quase dois séculos”, disse.


Bênção Apostólica
Durante a cerimônia, foram convidados a fazer o uso da palavra o enviado especial da Santa Sé, dom Lorenzo Baldisseri, o arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler e o secretário de Europa e América do Norte do ministério das Relações Exteriores do Brasil, Roberto Abdala.

O cardeal Baldisseri recordou a sua passagem pelo Brasil em 2024, no evento organizado pela CNBB que marcou os 15 anos do Acordo Brasil-Santa Sé. Disse que, apesar de seu desejo, não achava que voltaria ao Brasil tão cedo, mas que foi designado pelo Papa Leão XIV como enviado especial para trazer às comemorações do bicentenário a benção apostólica.

“Voltar ao Brasil é como voltar para a casa”, disse recordando os doze anos, de 2002 a 2012, em que foi Núncio Apostólico no Brasil, tempo no qual ajudou a consolidar o Acordo Brasil-Santa Sé. Ele comparou o Acordo, promulgado em 11 de fevereiro de 2010, através do Decreto nº 7.107, como uma composição musical de tom maior, um documento no qual a Igreja e o Estado brasileiro encontraram um terreno comum e um modo de servir ao povo brasileiro.

Diplomacia e amizade
O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, enalteceu a importância da amizade e da diplomacia como caminhos para construir novas relações entre os países. “Depois de Deus, um dos maiores dons são os amigos e as amigas. Que Deus nos conceda o dom de cultivar a amizade e a diplomacia”, disse.


O secretário de Europa e América do Norte do ministério das Relações Exteriores do Brasil, Roberto Abdala, reforçou que a paz duradoura precisa ser construída com base na dignidade humana e em torno de uma ordem mundial justa e igualitária. “É preciso construir um mundo onde a ética e a fraternidade predominem sobre a força”, reforçou.

Ele destacou o papel do Papa Leão XIV na promoção da paz, do multilateralismo e a atenção aos pobres. “Estes valores aproximam o esforço da Santa Sé dos valores que são importantes ao governo brasileiro e os princípios que orientam a diplomacia do país”, disse.

Veja, abaixo, as fotos da recepção:

Por Willian Bonfim com fotos de Fiama Tonhá - ASCOM CNBB

Fonte: 

Parolin: as guerras preventivas correm o risco de incendiar o mundo

Entrevista com o cardeal Secretário de Estado sobre o que está acontecendo no Oriente Médio: perigosa a afirmação de um multipolarismo marcado pela primazia do poder.

Andrea Tornielli

"Este declínio do direito internacional é realmente preocupante: a justiça foi substituída pela força." O secretário de Estado Vaticano, cardeal Pietro Parolin, falou à imprensa vaticana sobre a guerra em andamento no Oriente Médio e observou com preocupação que "um multipolarismo marcado pela primazia do poder e pela autorreferencialidade está se afirmando perigosamente."

Eminência, como está vivendo esses momentos dramáticos?
Com grande pesar, pois os povos do Oriente Médio, incluindo as já frágeis comunidades cristãs, mergulharam novamente no horror da guerra, que brutalmente destrói vidas humanas, produz destruição e arrasta nações inteiras em espirais de violência com resultados incertos. No domingo passado, durante o Angelus, o Papa falou de uma “tragédia de proporções enormes” e do risco de um “abismo irreparável”. São palavras mais do que eloquentes para descrever o momento que estamos atravessando.

O que senhor acha do ataque dos EUA e de Israel ao Irã?
Acredito que a paz e a segurança devem ser cultivadas e buscadas por meio das possibilidades oferecidas pela diplomacia, especialmente aquela exercida nos organismos multilaterais, onde os Estados têm a possibilidade de resolver os conflitos de maneira pacífica e mais justa. Após a Segunda Guerra Mundial, que causou aproximadamente 60 milhões de mortes, os pais fundadores, com a criação da Organização das Nações Unidas, quiseram poupar seus filhos dos horrores que eles tinham vivido. Por isso, na Carta da ONU, buscaram fornecer diretrizes precisas sobre a gestão de conflitos. Hoje, esses esforços parecem ter sido em vão. Não só isso, mas, como o Papa lembrou ao Corpo Diplomático no início do ano, "uma diplomacia que promove o diálogo e busca o consenso entre todos está sendo substituída por uma diplomacia da força, de indivíduos ou grupos de aliados", e acredita-se que a paz pode ser buscada "pelas armas".

Quando se fala das causas de uma guerra, é complexo determinar quem está certo e quem está errado. O que é certo, porém, é que ela sempre produzirá vítimas e destruição, bem como efeitos devastadores sobre os civis. Por essa razão, a Santa Sé prefere enfatizar a necessidade de utilizar todos os instrumentos oferecidos pela diplomacia para resolver disputas entre Estados. A história já nos ensinou que somente a política, com o esforço da negociação e a atenção ao equilíbrio de interesses, pode aumentar a confiança entre os povos, promover o desenvolvimento e preservar a paz.

A justificativa para o ataque foi impedir a realização de novos mísseis — em suma, uma "guerra preventiva"...

Como enfatiza a Carta da ONU, o uso da força deve ser considerado apenas como último recurso, após o esgotamento de todos os instrumentos de diálogo político e diplomático, após cuidadosa avaliação dos limites da necessidade e da proporcionalidade, com base em avaliações rigorosas e razões bem fundamentadas, e sempre no âmbito de uma governança multilateral. Se aos Estados fosse reconhecido o direito à “guerra preventiva”, segundo critérios próprios e sem um quadro jurídico supranacional, o mundo inteiro correria o risco de se encontrar em chamas. É realmente preocupante este declínio do direito internacional: a justiça foi substituída pela força, a força do direito foi substituída pelo direito da força, com a convicção de que a paz só pode nascer depois de o inimigo ter sido aniquilado.

Que peso têm as enormes manifestações de rua das últimas semanas, brutalmente reprimidas no Irã? Podem ser esquecidas?

Certamente que não; isso também foi motivo de profunda preocupação. As aspirações dos povos devem ser levadas em consideração e garantidas dentro de um quadro jurídico de uma sociedade que assegura a todos a liberdade e a expressão pública de suas ideias, e isso também se aplica ao querido povo iraniano. Ao mesmo tempo, podemos nos perguntar se realmente se acredita que a solução possa vir através do lançamento de mísseis e bombas.

Por que o direito internacional e a diplomacia estão passando por esse declínio hoje?
A consciência de que o bem comum realmente beneficia a todos — isto é, o bem do outro também é um bem para mim — se dissipou, e a justiça, a prosperidade e a segurança se realizam na medida em que todos podem se beneficiar delas. Esse princípio fundamenta a criação do sistema multilateral ou de um projeto ambicioso, como o da União Europeia. Essa consciência se dissipou, alimentando a busca pelo interesse próprio.

Isso tem outra consequência: o sistema da diplomacia multilateral nas relações entre os Estados atravessa uma profunda crise, devido, entre outros fatores, pela desconfiança dos Estados em relação aos vínculos legais que limitam sua ação. Esse comportamento representa a outra face da vontade de poder: o desejo de agir livremente, de impor a própria ordem aos outros, evitando o árduo, porém nobre, trabalho da política, composto de discussões, negociações, de vantagens pessoais e concessões aos outros. Um multipolarismo marcado pela primazia do poder e pela autorreferencialidade está se afirmando de forma perigosa. Infelizmente, princípios como a autodeterminação dos povos, a soberania territorial e as normas que regem a própria guerra (jus in bello) estão sendo questionados. Todo o aparato construído pelo direito internacional em áreas como desarmamento, cooperação para o desenvolvimento, respeito aos direitos fundamentais, propriedade intelectual, trocas e trânsitos comerciais está sendo questionado e gradualmente arquivado. E, acima de tudo, parece ter tido uma perda de consciência do que Immanuel Kant escreveu em 1795: "Uma violação do direito que ocorre numa parte da Terra é sentida em todos os lugares". Ainda mais grave, em alguns aspectos, é invocar o direito internacional para atender às próprias conveniências.

A que se refere?
Refiro-me ao fato de haver casos em que a Comunidade internacional se indigna e toma medidas, e casos em que não o faz, ou o faz muito menos, dando a impressão de que há violações do direito que devem ser punidas e outras que devem ser toleradas, vítimas civis que devem ser deploradas e outras que devem ser consideradas "danos colaterais". Não há mortes de primeira e segunda classe, nem há pessoas que tenham um direito maior de viver do que outras simplesmente por terem nascido num continente em vez de outro ou num determinado país. Gostaria de sublinhar a importância do direito internacional humanitário, cujo respeito não pode depender das circunstâncias ou de interesses militares e estratégicos. A Santa Sé reitera com veemência a sua condenação de toda forma de envolvimento de civis e estruturas civis, como residências, escolas, hospitais e locais de culto, em operações militares, e pede para que o princípio da inviolabilidade da dignidade humana e da sacralidade da vida seja sempre protegido.

Quais as perspectivas de curto prazo o senhor vê para esta nova crise?
Espero e rezo para que o apelo à responsabilidade feito pelo Papa Leão XIV no último domingo seja ouvido e possa tocar os corações de quem está tomando decisões. Espero que o barulho das armas cesse em breve e que se retorne às negociações. Não se deve esvaziar o sentido das negociações: é essencial conceder o tempo necessário para que se alcancem resultados concretos, trabalhando com paciência e determinação. Além disso, devemos reconhecer que a ordem internacional mudou profundamente em relação àquela concebida oitenta anos atrás, com a criação da ONU. Sem nostalgia do passado, é necessário combater toda deslegitimação das instituições internacionais e promover a consolidação de normas supranacionais que ajudem os Estados a resolver disputas pacificamente, por meio da diplomacia e da política.

Que esperança há diante de tudo isso?
Os cristãos têm esperança porque confiam no Deus que se fez Homem, que no Getsêmani ordenou a Pedro que embainhasse a espada e que na Cruz experimentou em primeira mão o horror da violência cega e insensata. Eles também têm esperança porque, apesar das guerras, das destruições, das incertezas e de um sentimento generalizado de desorientação, de muitas partes do mundo continuam se levantando vozes que clamam por paz e justiça. Os nossos povos pedem paz! Esse apelo deveria impactar governos e todos aqueles que trabalham no contexto das relações internacionais, levando-os a multiplicar os esforços pela paz.

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Fonte: 

EVANGELHO DO DIA (Lc 16,19-31)

ANO "A" - DIA: 05.03.2026
2ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Glória a Cristo, palavra eterna do Pai que é amor!
- Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração; e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: 19 "Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20 Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão à porta do rico. 21 Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas. 22 Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23 Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24 Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas'. 25 Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26 E, além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós'. 27 O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, 28 porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento'. 29 Mas Abraão respondeu: 'Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!' 30 O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter'. 31 Mas Abraão lhe disse: 'Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos' 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Como a indiferença pode nos afastar de Deus"

O abismo da indiferença é um pecado sutil
Amados irmãos e irmãs, quero, através dessa homilia, levá-los a uma compreensão muito importante. O meu próximo é importante para mim. O meu próximo deve ser importante para você. Nós vamos ver isso na parábola do Rico e do Lázaro.

Está lá em Lucas 16,19.31: “Havia um homem rico que se vestia com grandes roupas finas e todos os dias dava grandes banquetes. E havia também um pobre chamado Lázaro, coberto de feridas, que ficava à porta do Rico, desejando saciar-se com as migalhas que caíam da mesa do Rico. Quando ambos morreram, Lázaro foi levado pelos anjos para junto de Abraão, e o Rico para o inferno, onde sofria tormentos”.

A indiferença diante do sofrimento do outro fecha nosso coração e nos distancia de Deus. Quando Deus nos pede para amar a Ele e o próximo, está nos dizendo que o tanto que O amamos é o mesmo tanto que devemos amar o nosso próximo. Quando nós não fazemos isso, existe algo muito ruim dentro de nós, que, muitas vezes, vem para fora, que é a indiferença.

A indiferença é o pecado mais grave do nosso tempo
É preferível levar um tapa na cara do que alguém ser indiferente conosco, porque afeta o coração e nós nos sentimos humilhados, desprezados. Isso mostra a indiferença, ou seja, ver e agir.

O Evangelho está nos apresentando um contraste profundo entre dois homens. Um rico, que vive no luxo e na abundância, e Lázaro, pobre que sofre à sua porta. Ambos vivem próximos fisicamente, mas distante do coração. É a parábola da indiferença. Talvez o pecado mais sutil e mais grave do nosso tempo.

Atenção é onde o amor se torna próximo
Termino com uma reflexão bem pequena, lá no Rio de Janeiro, quando eu vi um garotinho que distribuía balas; as pessoas passavam e olhavam com indiferença. Por várias vezes, eu vi aquela cena. Teve um dia que eu atravessei a rua, cheguei próximo dele, e ele me reconheceu como padre. Ele pediu que eu comprasse balas. Eu não tinha dinheiro, mas dei atenção, fiquei um tempo conversando com ele.

Ele encheu a mão de bala, depois da conversa, me deu e disse: “Aqui estão as balas para o Senhor”. Eu disse que não precisava. Mas ele disse: “Padre, mais do que eu vender as balas, é alguém parar e me dar atenção, e saber o que eu estou sentindo, o que eu estou passando”.

Não sejamos indiferentes a um do outro, mas sejamos próximos.

Que Deus nos abençoe em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!