quinta-feira, 23 de abril de 2026

Evangelização da Juventude: episcopado reunido na 62ª AG da CNBB define pela continuidade da elaboração do documento


O oitavo dia da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (62ª AGCNBB) trabalhou, nas duas sessões da manhã, sobre a evangelização juvenil. Após a oração das Laudes desta quarta-feira, 22 de abril, a Comissão Episcopal para a Juventude apresentou a proposta da atualização do Documento 85, lançado em 2007.


Dom Vilsom Basso, bispo de Imperatriz (MA) e presidente da Comissão apresentou o grupo de trabalho responsável pela revisão do Documento 85 “Evangelização da Juventude: desafios e perspectivas pastorais”, e traçou a linha do tempo do processo de atualização. A proposta nasceu do encontro dos responsáveis pela juventude de mais de 200 arqui/dioceses brasileiras e foi aprovada pelo Conselho Permanente da CNBB em novembro de 2024.

Pesquisa envolveu quase 11,5 mil jovens
Ao longo do Jubileu de 2025, a Comissão Episcopal para a Juventude realizou uma pesquisa nacional entre os meses de abril, maio e junho, em parceria com a Universidade Católica de Brasília, a Cátedra Unesco de Juventude, além das Pontifícias Universidades Católicas do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. Segundo dom Vilsom, “a Comissão fez este levantamento que é equitativo, proporcional, válido cientificamente, com 11.498 jovens e adolescentes, majoritariamente católicos”.

Com o resultado da pesquisa em mãos, em julho de 2025, a Comissão de Redação foi constituída com pessoas que acompanharam desde o início as escutas feitas.
Novas linhas de ação abraçam a comunicação e ecologia integral

Membros da Comissão de Redação e da Comissão Episcopal para a Juventude fizeram a apresentação de cada um dos pontos do texto, construído a partir da dinâmica do ver-julgar-agir. Depois da apresentação, os bispos se reuniram de forma reservada nos 19 regionais da CNBB para que pudessem ler a nova versão do Documento 85. Em plenária, cada grupo pôde explanar novas sugestões para emendar o texto.

Ao final da plenária os bispos avaliaram que o texto não estava suficientemente maduro para sua votação e decidiram por continuar o processo de elaboração do documento que orientará a evangelização da juventude nos próximos anos, em sintonia com o magistério da Igreja, buscando responder aos desafios atuais, sem deixar de reconhecer e valorizar a importância do documento 85.

Por Felipe Padilha - 62ª Comunicação AG CNBB

O Papa: a luz da caridade, cultivada nos lares e vivida na fé, pode transformar o mundo


Testemunhemos todos os dias que amar é belo, que as maiores alegrias, em todos os ambientes, provêm da capacidade de dar e de se doar, especialmente quando nos inclinamos perante quem mais precisa. A luz da caridade, cultivada nos lares e vivida na fé, pode verdadeiramente transformar o mundo, inclusivamente nas suas estruturas e instituições, para que cada pessoa nele encontre respeito e ninguém seja esquecido: disse Leão XIV no Encontro com os jovens e as famílias, em Bata, na Guiné Equatorial

Ouça a reportagem com a voz do Papa Leão XIV e compartilhe

Raimundo de Lima – Vatican News

O Encontro com os jovens e as famílias no Estádio de Bata, em Bata, cidade costeira da Guiné Equatorial, encerrou os compromissos do Papa esta quarta-feira, 22 de abril, em seu segundo e penúltimo dia no país africano.

O Estádio de Bata, uma das principais estruturas esportivas do país, reformado para a Copa da África de 2012 e com capacidade para 35 mil pessoas, transformou-se no cenário de um grande evento de luzes e cores, embalado pelo ritmo dos cantos juvenis e danças tradicionais com os trajes típicos dos principais grupos étnicos que formam o povo da Guiné Equatorial. A forte chuva que se abateu no Estádio até pouco antes da chegada do Papa não tirou o entusiasmo dos presentes.

Antes do discurso de Leão XIV, teve lugar a saudação de boas-vindas de dom Miguel Angel ao Papa, a apresentação dos grupos juvenis com danças e vestes tradicionais, seguida do testemunho de uma jovem trabalhadora, de um jovem casal, de um jovem seminarista e de um adolescente.

Encontro do Papa Leão XIV com os jovens e as famílias no Estádio de Bata, na Guiné Equatorial (@Vatican Media)

Cristo é alegria, sentido, inspiração e beleza para a nossa vida
No discurso, o Pontífice lembrou o lema desta viagem - Cristo, luz da Guiné Equatorial, rumo a um futuro de eseprança -, bem como o logotipo, em que se destaca a imagem de uma cruz dourada. Colhendo a inspiração bíblica deste Encontro com os jovens e as famílias “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12) e a ideia central do evento - Cristo é a Luz. Os jovens, iluminados por Ele, são esperança do país e a família é a primeira escola de luz -, o Santo Padre afirmou:

“Aqui, a luz mais resplandecente é a dos vossos olhos, dos vossos rostos, do vosso sorriso, dos vossos cânticos, nos quais tudo é testemunho de que Cristo é alegria, sentido, inspiração e beleza para a nossa vida.”

O Santo Padre ressaltou que a Guiné Equatorial é um país rico de história e tradições. “Vimo-lo há pouco - disse -, nas danças, nos trajes e nos símbolos com que cada grupo expressou a sua identidade, tornando ainda mais evidente e comovente o nosso estar juntos. Trouxestes objetos simples e do quotidiano – um bastão, uma rede, a reprodução de uma ilha, um barco, um instrumento musical – que falam da vossa vida e dos valores antigos e nobres que a animam, como o serviço, a unidade, o acolhimento, a confiança, a festa. É a herança luminosa e exigente da qual vós, queridos jovens, sois chamados a ser, na fé, o alicerce do vosso futuro e desta Terra”.

Encontro do Papa Leão XIV com os jovens e as famílias no Estádio de Bata, na Guiné Equatorial (@Vatican Media)

Promover sempre a dignidade de cada ser humano
Lembrando os testemunhos precedentemente apresentados, Leão XIV referiu-se ao de uma jovem trabalhadora. Ela afirmou que ser cristã não significa apenas participar na celebração eucarística, mas também trabalhar com dignidade e tratar todos com respeito, evocando ainda o desafio de ser mulher no mundo do trabalho.

Alicia falou-nos da importância de se ser fiel aos próprios deveres e de contribuir, através do trabalho quotidiano, para o bem da família e da sociedade. Partilhou conosco o seu sonho de uma terra “na qual os jovens, homens e mulheres, não procurem o sucesso fácil, mas optem pela cultura do esforço, da disciplina e do trabalho bem feito, e que este seja valorizado”.

Isto convida-nos a refletir sobre a importância do empenho fecundo e sobre a necessidade de promover sempre a dignidade de cada ser humano, frisou o Santo Padre, acrescentando:

O mesmo testemunhou Francisco Martin, referindo-se ao chamamento para o sacerdócio. Ele escancarou diante de nós uma janela para a belíssima realidade de tantos jovens que se entregam totalmente a Deus pela salvação dos irmãos. Não escondeu que teve dificuldade em encontrar coragem para dizer sim, seu fiat, sim Senhor, mas nas suas palavras todos nós compreendemos que confiar na vontade de Deus dá alegria e profunda serenidade. Uma vida entregue a Deus é uma vida feliz, que se renova todos os dias na oração, nos sacramentos e no encontro com os irmãos e irmãs que o Senhor coloca no nosso caminho.

Encontro do Papa Leão XIV com os jovens e as famílias no Estádio de Bata, na Guiné Equatorial (@Vatican Media)

Não tenhais medo de seguir as pegadas de Cristo
Na comunhão dos corações e na ação solícita para com os necessitados, renovam-se os milagres da caridade. Por isso, se sentis que Cristo vos chama a segui-lo num caminho de especial consagração – como sacerdotes, religiosas, religiosos, catequistas –, não tenhais medo de seguir as suas pegadas, exortou o Papa.

Leão XIV lembrou aos jovens que eles vieram a este encontro com suas famílias. “Elas são o terreno fértil no qual a árvore fresca e frágil do vosso crescimento humano e cristão afunda as suas raízes. Convido-vos, portanto, a agradecer juntos ao Senhor pelo dom dos vossos entes queridos”, a confiar-vos a Ele para que as vossas famílias possam crescer na união, acolher a vida como um dom a ser protegido e educado para o encontro com o Senhor, Caminho, Verdade e Vida.

Muitos de vós preparam-se para o sacramento do Matrimônio. Ser esposos e pais é uma missão entusiasmante, uma aliança a viver dia após dia, na qual vos descobrireis sempre novos um para o outro, artífices, com Deus, do milagre da vida e construtores de felicidade, para vós e para os vossos filhos.

Encontro do Papa Leão XIV com os jovens e as famílias no Estádio de Bata, na Guiné Equatorial (@Vatican Media)

Uma família que sabe acolher e amar é luz, é calor
Victor Antonio lembrou-nos que acolher a vida requer amor, empenho e cuidado, e estas palavras nos lábios de um adolescente devem levar-nos a refletir seriamente sobre o quão importante é tutelar e proteger a família e os valores que nela se aprendem. Uma família que sabe acolher e amar é luz, é calor.

Antes de despedir-se, o Santo Padre fez uma forte exortação aos jovens, aos pais e a todos os presentes, convidando-os a deixar-se entusiasmar pela beleza do amor, a ser testemunhas do amor que Jesus nos deu e ensinou: “Testemunhemos todos os dias que amar é belo, que as maiores alegrias, em todos os ambientes, provêm da capacidade de dar e de se doar, especialmente quando nos inclinamos perante quem mais precisa. A luz da caridade, cultivada nos lares e vivida na fé, pode verdadeiramente transformar o mundo, inclusivamente nas suas estruturas e instituições, para que cada pessoa nele encontre respeito e ninguém seja esquecido”.

“Façamos juntos disto mesmo um firme propósito e um compromisso alegre, para que Cristo, Crucificado e Ressuscitado, luz da Guiné Equatorial, da África e do mundo inteiro, possa guiar-nos a todos rumo a um futuro de esperança”, disse por fim.

Encontro do Papa Leão XIV com os jovens e as famílias no Estádio de Bata, na Guiné Equatorial (@Vatican Media)

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EVANGELHO DO DIA (Jo 6,44-51)

ANO "A" - DIA: 23.04.2026
3ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Eu sou o pão vivo descido do céu, quem deste pão come, sempre há de viver.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 44 "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45 Está escrito nos Profetas: 'Todos serão discípulos de Deus'. Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim. 46 Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47 Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna. 48 Eu sou o pão da vida. 49 Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50 Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51 Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Uma oferta que gera vida"

O sacrifício de Cristo, uma oferta total na Eucaristia
O amor verdadeiro se esvazia e não retém nada para si. Assim fez Jesus por nós, que se deu por inteiro.

“Eis aqui o pão que desce do céu, quem dele comer nunca morrerá. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”. (Jo 6,44-51)

Irmãos e irmãs, o texto de hoje revela o que nós chamamos de amor kenótico. Esse amor kenótico de Cristo por nós significa esvaziamento. Então, Jesus se esvaziou de Sua glória, fez-Se humano, assumiu a nossa carne para que fôssemos elevados por Sua bondade.

A oferta de Jesus como fonte de vida para o mundo
Cristo não reteve nada, não retém nada, mas Se oferece totalmente, irmãos e irmãs, na cruz e na Eucaristia, transformando este sacrifício em fonte de vida para nós, em fonte de vida para o mundo inteiro. Então Jesus se esvazia para nos preencher de Deus, para nos preencher da glória de Deus. E nós somos desejosos, queremos esta glória de Deus em nossa vida.

O alimento do céu
Esse pão que nós ouvimos, aqui no Evangelho, é presença que atualiza o mistério pascal de Jesus Cristo. Esse trecho do Evangelho tem, então, irmãos e irmãs, essa dimensão pascal e eucarística. Dimensão eucarística: Ele mesmo Se fez pão para nos alimentar a cada dia, até o fim dos tempos.

Por isso o convite para que, juntos, elevemos o nosso coração ao Senhor em oração: “Ajuda-nos, Jesus, nós Te pedimos, pois queremos ser oferta a cada dia. Também nós queremos nos esvaziar, queremos ser uma oferta agradável a Ti, uma oferta agradável a Deus. Oferta no cuidado que o Senhor coloca, com as pessoas que o Senhor coloca em nosso caminho. Que a Sua graça nos guie, Senhor”.

Sobre você, desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


Dizer ‘sim’ a Deus: o caminho da verdadeira alegria


A nossa alegria vem do sim que damos a Deus
Deus é o único que sabe da nossa vida e do caminho que devemos seguir, por isso precisamos acolher Suas orientações e fazer tudo o que Ele nos manda. A nossa alegria e o nosso bem-estar dependem do nosso sim a Deus. Não se deixe abater, procure viver o que o Senhor tem para você a cada dia. Revista-se da armadura do cristão.

Deus tem um sonho, um plano para a vida de cada um de nós, e esse plano não é revelado de uma vez só, mas vai se desvendando dia após dia. Quando olhamos um bordado pelo lado contrário, vemos muitas linhas entrelaçadas, sem sentido, mas quando olhamos o outro lado do bordado, começamos a identificar um lindo desenho.

Da mesma forma acontece conosco. Hoje, só vemos as dificuldades, as linhas entrelaçadas, mas Deus está trabalhando continuamente; e quando olharmos do outro lado, veremos o lindo bordado que é a nossa vida! A maior alegria do coração de Deus é contemplar a Sua vontade se realizando na vida de Seus filhos. E a alegria do Senhor é a nossa alegria!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

Jorge nasceu na antiga região chamada Capadócia, atualmente parte da Turquia, por volta do ano 280, de família cristã. Seu pai, militar, morreu combatendo, e sua mãe mudou-se com o filho para a Palestina, sua terra de origem.

Adolescente, Jorge entrou para o exército do imperador romano Dioclesiano, onde tornou-se capitão. Suas provadas qualidades mereceram do imperador um título de nobreza, de modo que com 23 anos Jorge passou a residir na alta corte, trabalhando como Tribuno Militar.

Dioclesiano, porém, decretou em 303 o início de uma imensa perseguição à Igreja, entre outras coisas influenciado por Galério (também imperador romano na reorganização política chamada Tetrarquia, como administrador das províncias balcânicas). Este alegava que os cristãos traziam “azar” para o império. Jorge testemunhou as injustiças contra os cristãos e, após doar sua grande herança para os pobres, declarou-se publicamente fiel a Cristo. Diante do imperador, na reunião senatorial confirmando o edito das perseguições, Jorge levantou-se condenando a falsidade dos ídolos pagãos e confessou a sua Fé.

O imperador, inicialmente, quis suborná-lo com uma promoção, terras e dinheiro, o que foi inútil. Então Jorge foi preso e colocado numa cela, para onde levaram uma mulher com a missão de seduzi-lo. Mas no dia seguinte a mulher havia sido convertida e batizada. Seguiu-se a tortura e a decapitação de Jorge, chamado por isso, no Oriente, de megalomartir, isto é, o grande mártir. A imperatriz, Prisca, diante destes fatos, acabou por se converter ao Cristianismo, sendo posteriormente morta com a filha Valéria, ambas canonizadas.

A sepultura de São Jorge em Lida, atualmente uma cidade em Israel, perto de Tel-Aviv, é local de peregrinação, que não foi interrompida sequer durante as Cruzadas. Sua memória, tanto no Ocidente como no Oriente, é no dia 23 de abril.

São Jorge é padroeiro de inúmeras cidades e localidades no mundo inteiro, bem como dos cavaleiros, soldados e arqueiros. É invocado também contra a peste, a lepra e as serpentes. Os muçulmanos o veneram como profeta.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Da mesma época de São Caio, Papa, cuja memória foi ontem (cf. Santo do Dia - São Jorge - Reze no Santuário Nacional (a12.com)), São Jorge enfrentou também a cruel perseguição do imperador Dioclesiano., que não poupou da morte nem familiares nem destacados subordinados seus, como no caso presente, por serem católicos. A ira e o fanatismo contra Deus levam a muitas aberrações, incluindo atitudes tão insensatas como destruir a própria família e os melhores servidores. De grande destaque, no caso de São Jorge – assim como também para São Sebastião, outro militar – foi a coragem de espontaneamente se proclamar cristão diretamente ao imperador, admoestando-o por seus erros. Uma coragem invulgar, pela certa condenação à morte, foi exigida para um tal ato; coragem que falta, talvez, hoje, para muitos católicos, ao viver e proclamar a sua Fé. Outro importante exemplo de São Jorge é a sua pureza e castidade, pois os varões católicos devem ser coerentes com os ensinamentos do maior de todos eles, Jesus Cristo. Resistir às tentações é, no homem, uma atitude varonil, e fracos são os que pecam contra a castidade alegando, falsamente, que são “homens”, querendo assim justificar um prazer ilícito e as próprias consciências frouxas. Exemplo de militar, “Jorge” tem por significado no Grego original “agricultor”; mas nas obras de Deus não há incoerência, e São Jorge, combatendo o bom combate da Fé, como escreveu São Paulo (2Tm 4,7), plantou o bem e colheu seus frutos de santidade, propagando as sementes de conversão para muitos até hoje, um verdadeiro exército. É notória a lenda de São Jorge matando um dragão, mas não há qualquer base sólida para ela. A sua mais plausível origem é o encontro por soldados de uma Cruzada, na Idade Média, de uma escultura na Palestina. Ela estava numa igreja dedicada a São Jorge, representando o imperador Constantino, que havia combatido o arianismo, matando com uma lança esta heresia representada como dragão. A associação imediata com São Jorge levou à lenda. Por outro lado, há sem dúvida verdade no fato de que Jorge matou o pecado na sua vida, algo que é a essência da guerra diária de todo católico.

Oração:

Senhor, que sempre combateis por nós, com o envio dos Vossos exércitos angelicais, concedei-nos por intercessão de São Jorge a graça da pureza e da coragem de viver com integridade a nossa Fé, batalhando perseverantemente não contra dragões imaginários, mas sim contra o veneno da antiga serpente, o diabo, que age nas almas muito mais por astúcia e engano do que por violência direta. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Dom João Inácio Müller presidiu Celebração Eucarística em memória de arcebispos e bispos falecidos


Dom João Inácio Müller, arcebispo de Campinas (SP) | Fotos: Jaison Alves – 

Comunicação 62ª AG CNBB.
A Celebração Eucarística com Vésperas marcou o início da noite desta segunda-feira (20) no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, reunindo bispos e fiéis em um momento de oração, memória e esperança, no contexto da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (AG CNBB).

A Missa foi presidida pelo arcebispo da Arquidiocese de Campinas (SP), dom João Inácio Müller, e concelebrada por dom Jaime Pedro Kohi, dom Eduardo Malaspina, dom Jacinto Bergmann, dom Gregório Paixão e dom Roberto Francisco Paes.

A celebração teve como intenção especial o sufrágio pelos arcebispos e bispos falecidos ao longo do último ano, confiando-os à misericórdia de Deus. Logo no início da homilia, dom João Inácio destacou o sentido espiritual desse momento, afirmando que a Igreja eleva ao Senhor suas preces por aqueles que nos precederam na fé. Segundo o prelado, trata-se de fazer memória de suas histórias à luz da Páscoa, contemplando a fecundidade de vidas inteiramente dedicadas ao Evangelho, pois “Deus não esquece de nada, tudo Ele recolhe”.

Refletindo sobre o Evangelho proclamado, o arcebispo chamou atenção para as diferentes motivações da multidão que buscava Jesus. Ele explicou que há uma busca superficial, voltada às necessidades imediatas, e outra mais profunda, que se abre à escuta e ao sentido da vida. Nesse contexto, ressaltou o convite de Cristo a trabalhar não pelo alimento passageiro, mas pelo que permanece para a vida eterna, recordando que o verdadeiro pão é a própria vida de Jesus, oferecida por amor ao Pai e aos irmãos.

Eucaristia é realidade transformadora
Dom João Inácio também aprofundou o sentido da Eucaristia, destacando que ela não é apenas símbolo, mas realidade transformadora. “Nela, o próprio Cristo se oferece como alimento que sustenta e transforma a existência”, afirmou, ao explicar que comungar é deixar-se assimilar por Cristo, passando a viver não mais para si, mas para Deus e para os outros.

Ao recordar o testemunho dos pastores falecidos, o arcebispo fez referência à figura de Santo Estêvão, apresentada na primeira leitura, como exemplo de fidelidade até a entrega total. Ele destacou que a serenidade do mártir reflete a presença de Deus em sua vida, realidade também percebida em tantos bispos que, mesmo diante das dificuldades do ministério episcopal, permaneceram firmes e enraizados em Cristo.

A reflexão também abordou o sentido cristão da morte. Inspirado no ensinamento de São João Paulo II, dom João Inácio recordou que, sem Cristo, a morte se apresenta como fim, mas com Ele se torna passagem. Assim, afirmou que a memória dos arcebispos e bispos falecidos é vivida como um acontecimento pascal, inserido na esperança da ressurreição.

Por fim, dom João Inácio ressaltou que a esperança cristã não nasce das circunstâncias, mas da fidelidade de Deus, sendo uma esperança que não decepciona. Confiando os falecidos à intercessão de Nossa Senhora, pediu que todos perseverem na fé, para que, ao final da caminhada, sejam acolhidos na alegria eterna.

Antes da bênção final, voltados para a imagem da Virgem Maria Santíssima, os fiéis renovaram a Consagração a Nossa Senhora da Conceição Aparecida.



Por Sara Gomes - Comunicação 62ª AG CNBB

Leão XIV: é dever da boa política remover os obstáculos ao desenvolvimento humano

Em seu primeiro discurso na Guiné Equatorial, o Papa recordou que "o fosso entre uma “pequena minoria” – 1% da população – e a vasta maioria aumentou de maneira dramática", e disse que hoje "a exclusão é a nova face da injustiça social".

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Leão XIV iniciou, nesta terça-feira (21/04), sua visita pastoral à Guiné Equatorial, quarta e última etapa de sua viagem apostólica internacional ao Continente Africano.

Ao pé da escada do avião, no Aeroporto de Malabo, antiga capital, o Pontífice foi recebido pelo presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, acompanhado de sua esposa, Constância Mangue de Obiang, e pelo núncio apostólico José Avelino Bettencourt. Duas crianças vestidas com roupas tradicionais ofereceram flores a Leão XIV. Depois, o Papa foi de Papamóvel até o Palácio Presidencial onde houve a visita de cortesia ao presidente Obiang Mbasogo.

A seguir, Leão XIV encontrou-se com as autoridades, os representantes da sociedade civil e o corpo diplomático, no salão do Palácio Presidencial, onde proferiu seu primeiro discurso em terras equato-guineenses.

O Papa Leão XIV com o presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo (@Vatican Media)

Confirmar na fé e consolar o povo deste país
O Papa manifestou satisfação por "visitar o amado povo da Guiné Equatorial" e recordou a visita de São João Paulo II ao país, em 1982, que na época definiu o atual presidente, no poder desde 1979, como «o centro simbólico para o qual convergem as vivas aspirações de um povo a um clima social de autêntica liberdade, de justiça, de respeito e promoção dos direitos de cada pessoa ou grupo, e de melhores condições de vida, para se realizar como homens e como filhos de Deus».
"São palavras que permanecem atuais e que interpelam quantos estão investidos de responsabilidades públicas", disse Leão XIV. "Por outro lado, «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração»".

“Estas palavras da Constituição Gaudium et spes do Concílio Vaticano II expressam da melhor forma as razões e os sentimentos que me trazem até vós, para confirmar na fé e consolar o povo deste país em rápida transformação. Pois, tal como no coração de Deus, assim também no coração da Igreja ressoa o eco do que acontece na terra, entre milhões de homens e mulheres pelos quais o nosso Senhor Jesus Cristo deu a vida.”

O Papa durante o encontro com as autoridades da Guiné Equatorial (@Vatican Media)

A nova capital do país, Cidade da Paz
A seguir, citou Santo Agostinho que "interpretava os acontecimentos e a história segundo o modelo de duas cidades: a de Deus, eterna e caracterizada pelo seu amor incondicional (amor Dei), unido ao amor pelo próximo, especialmente pelos pobres; e a terrena, lugar de morada provisória, na qual o homem e a mulher vivem até à morte".

"Nesta perspectiva, as duas cidades existem conjuntamente até ao fim dos tempos e cada ser humano manifesta nas suas decisões, dia após dia, a qual delas deseja pertencer", sublinhou o Papa, acrescentando:

“Sei que empreendestes o imponente projeto de construir uma cidade, que há poucos meses é a nova capital do vosso país. Decidistes dar-lhe um nome em que parece ressoar o da Jerusalém bíblica, Ciudad de la Paz. Que tal decisão possa interrogar as consciências sobre qual cidade desejam servir!”

De acordo com o Papa, "Agostinho considera que os cristãos são chamados por Deus a habitar na cidade terrena com o coração e a mente voltados para a cidade celeste, a sua verdadeira pátria". "Todo o ser humano pode apreciar a antiquíssima consciência de viver na terra como de passagem. É fundamental que sinta a diferença entre o que perdura e o que passa, mantendo-se livre da riqueza injusta e da ilusão do domínio", sublinhou o Papa Leão. "Em particular, «o cristão, vivendo na cidade terrena, não está alheio ao mundo político e procura aplicar ao governo civil a ética cristã, inspirada nas Escrituras. A Cidade de Deus não propõe um programa político, mas fornece reflexões valiosas sobre questões fundamentais da vida social e política»", disse ainda o Papa.

Leão XIV durante o encontro com as autoridades da Guiné Equatorial (@Vatican Media)

Fosso entre uma pequena minoria e a vasta maioria
De acordo com Leão XIV, "hoje, a Doutrina Social da Igreja representa uma ajuda para quem deseja enfrentar as 'coisas novas' que desestabilizam o planeta e a convivência humana, buscando, antes de tudo, o Reino de Deus e a sua justiça". "O objetivo da Doutrina Social é educar para enfrentar os problemas, que são sempre diferentes, porque cada geração é nova, com renovados desafios, sonhos e interrogações", sublinhou.

"Comparando os nossos tempos com aquele em que o Papa Leão XIII promulgou a Rerum novarum, hoje a exclusão é a nova face da injustiça social", disse ainda o Papa Leão, recordando que "o fosso entre uma pequena minoria – 1% da população – e a vasta maioria aumentou de maneira dramática".

O Papa saudando o povo equato-guineense (@Vatican Media)

Remover os obstáculos ao desenvolvimento humano
"Quando falamos de exclusão, também nos deparamos com um paradoxo. A falta de terra, comida, casa e trabalho digno coexiste com o acesso às novas tecnologias que se difundem por toda a parte através dos mercados globalizados. Os telefones celulares, as redes sociais e até mesmo a inteligência artificial estão ao alcance de milhões de pessoas, incluindo os pobres", sublinhou o Papa, ressaltando "é dever inalienável das autoridades civis e da boa política remover os obstáculos ao desenvolvimento humano integral, do qual o destino universal dos bens e a solidariedade são princípios fundamentais".

“Não se pode esconder, por exemplo, que a vertiginosa evolução tecnológica a que assistimos acelerou uma especulação ligada à necessidade de matérias-primas, que parece fazer esquecer exigências fundamentais como a salvaguarda da criação, os direitos das comunidades locais, a dignidade do trabalho e a proteção da saúde pública.”

O Papa na chegada do Palácio Presidencial da Guiné Equatorial (ANSA)

Novas tecnologias usadas para fins bélicos
A este propósito, Leão XIV recordou "o apelo do Papa Francisco, que há precisamente um ano deixou este mundo: «Hoje devemos dizer 'não a uma economia da exclusão e da desigualdade social'. Esta economia mata»".

“Com efeito, hoje, mais do que há alguns anos, é ainda mais evidente que a proliferação dos conflitos armados tem entre os seus principais motivos a colonização de jazidas petrolíferas e minerais, sem nenhum respeito pelo direito internacional e pela autodeterminação dos povos. As próprias novas tecnologias surgem concebidas e utilizadas principalmente para fins bélicos e em contextos que não deixam vislumbrar um aumento de oportunidades para todos.”

O Papa assina o Livro de Honra no final do encontro com as autoridades (@Vatican Media)

Rever as trajetórias de desenvolvimento
De acordo com o Papa, "sem uma mudança de rumo na assunção de responsabilidade política e sem respeito pelas instituições e pelos acordos internacionais, o destino da humanidade corre o risco de ser tragicamente comprometido. Deus não deseja isto. O seu santo Nome não pode ser profanado pela vontade de domínio, pela prepotência e pela discriminação: acima de tudo, não deve nunca ser invocado para justificar escolhas e ações de morte".

“Que o vosso país não hesite em rever as suas trajetórias de desenvolvimento e as positivas oportunidades de se posicionar no cenário internacional ao serviço do direito e da justiça.”

De acordo com o Papa, a Guiné Equatorial pode encontrar na Igreja "ajuda para a formação de consciências livres e responsáveis", com as quais caminhar "juntos rumo ao futuro". Disse que "num mundo ferido pela prepotência, os povos têm fome e sede de justiça" e que "é preciso valorizar quem acredita na paz e ousar políticas contracorrente, cujo centro é o bem comum". "É urgente ter a coragem de visões novas e de um pacto educativo que dê aos jovens espaço e confiança", sublinhou.

Leão XIV concluiu, exortando a caminhar juntos, "com sabedoria e esperança, rumo à Cidade de Deus, que é a cidade da paz".

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EVANGELHO DO DIA (Jo 6,35-40)

ANO "C" - DIA: 22.04.2026
3ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Quem vê o filho e nele crê, este tem a vida eterna, e eu o farei ressuscitar no último dia, diz Jesus.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 35 "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede. 36 Eu, porém, vos disse que vós me vistes, mas não acreditais. 37 Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei. 38 Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39 E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. 40 Pois esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Uma fidelidade irrevogável para preservar até o fim"

Uma fidelidade que nos sustentará nos momentos mais difíceis
É Jesus quem nos preserva em uma fidelidade irrevogável a Ele até o fim.
“Todos os que o Pai me confia virão a mim e, quando vierem, não os afastarei. Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas os ressuscite no último dia”. (Jo 6,35-40)

Irmãos e irmãs, este trecho expressa uma fidelidade irrevogável que Jesus tem em nos preservar na ressurreição até o fim. É fundamental compreendermos que Deus permanece sempre fiel, para que nós também sejamos fiéis e permaneçamos nesse caminho, precisamos pedir constantemente a Deus a graça da fidelidade. Ele nos preenche com Sua presença e, em Sua fidelidade, nos torna fiéis também.

Uma fidelidade que gera salvação
Desejamos essa fidelidade a Deus, pois ninguém trabalha tanto quanto Ele para que vençamos os males e as tentações. O desejo do Pai do Céu é que nenhum de Seus filhos se perca. Não é da vontade de Deus que você se perca. Por isso, abramos nossos corações à ação do Espírito Santo, que nos transforma, age em nosso interior, em nossas mentes e em nossas escolhas.

O clamor pelo cuidado do Senhor em nossa vida
Se porventura nos afastarmos, Jesus virá atrás de nós. Ele é o Bom Pastor que busca a ovelha perdida e ferida para enfaixá-la e cobri-la de cuidados. Nós clamamos por esse cuidado do Senhor em nossa vida. Rezemos juntos: “Senhor, eu quero ter vida em Ti. Se eu me afastar, resgata-me, Senhor. Não posso viver longe de Ti. Somente em Ti, Senhor Jesus, está a vida verdadeira”.

Sobre você desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova