segunda-feira, 23 de março de 2026

Em Bogotá, secretários-gerais das conferências episcopais analisam a realidade da América Latina e Caribe

Os secretários-gerais das Conferências Episcopais da América Latina e Caribe se reuniram dias 12 e 13 de março, em Bogotá (Colombia). A reunião foi convocada pelo do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho, o Celam.

À luz da conversa no espírito, os prelados discerniram “os sinais dos tempos” marcados, hoje, por violência, tráfico de drogas, extrativismo, crime organizado e migração forçada. Eles também viram com preocupação a situação geopolítica da região, influenciada pelo que descreveram como uma crise democrática, o surgimento do populismo e a influência de potências estrangeiras.

Observações que surgiram das análises dos secretári0s-gerais:

Corrupção e desigualdade
A região da América Central e México enfrenta uma grave crise de segurança marcada por violência estrutural e o crime organizado. Nesse sentido, o México ultrapassa 30.000 homicídios por ano e registra mais de 110.000 desaparecimentos.

Enquanto estava em El Salvador, a Igreja questionou o estado de emergência devido as detenções arbitrárias. A Guatemala denuncia a desnutrição infantil crônica e a discriminação indígena. O Panamá apresenta desigualdade extrema: 76% de pobreza nas regiões indígenas comparado a 4,8% nas áreas urbanas.

Quanto à crise política, eles identificaram que predomina uma profunda desconfiança institucional ligada à corrupção. No Panamá, por exemplo, a corrupção é o principal problema nacional (37%).

O México está enfrentando tensões devido ao enfraquecimento do equilíbrio de poderes e a uma reforma judicial por voto popular. Na Guatemala, o conflito entre redes corruptas e aqueles que buscam restaurar o Estado de Direito continua.

Os secretários apontaram que o crescimento econômico não se traduz em bem-estar à população devido à alta informalidade laboral. As remessas representam a principal renda no México (60 bilhões de dólares), superando até o investimento privado, e em Honduras sustentam a economia familiar.

As medidas restritivas dos Estados Unidos reduziram o fluxo migratório no Darien em 97%, gerando migração reversa para a América do Sul.

Em meio a todas essas vicissitudes, a Igreja mantém credibilidade, mas enfrenta desafios. Em Honduras, apenas 39% se declaram católicos. A jornada sinodal avança por meio da “conversa no espírito”.

Quanto à cultura de cuidado, o México possui um escritório nacional e 90% das dioceses com protocolos estabelecidos, enquanto o restante da região fortalece comissões após o III Congresso Latino-Americano no Panamá.

Diferente, mas igual
A região do Caribe, composta pela República Dominicana, Porto Rico, Haiti, Cuba e Pequenas Antilhas, é marcada pela resiliência cultural dos territórios insulares, diferentes uns dos outros, mas com problemas muito comuns.

Primeiro, o Caribe é altamente vulnerável às mudanças climáticas, com furacões mais intensos e erosão costeira. O alto custo de vida e a dívida pública predominam.

Na República Dominicana, o crescimento do turismo não alcança de forma equitativa os mais pobres. Os impactos da mineração e a crise dos serviços básicos em Cuba e Porto Rico são denunciados.

Em Cuba, há uma crise sistêmica com escassez de alimentos, remédios e apagões prolongados, enquanto Porto Rico enfrenta uma população envelhecida e uma queda histórica na taxa de natalidade. Nas Antilhas, o aumento dos homicídios é preocupante, enquanto a República Dominicana mantém relativa estabilidade social.

A Conferência Episcopal das Antilhas reiterou sua preocupação com a crescente presença militar dos Estados Unidos e seus efeitos na soberania regional. Em Porto Rico, a instabilidade política e a subordinação financeira ao Conselho de Supervisão Fiscal persistem.

Cuba mantém controle político e restrições à dissidência, enquanto a República Dominicana demonstra progresso institucional contra a corrupção.

Presença da Igreja
Em meio a essas agitações, a Igreja se caracteriza por sua proximidade com o povo. Em Cuba, ela se descreve como “pobre, pequena e frágil”, mas com fé viva na Virgem da Caridade.

As Antilhas enfrentam uma diminuição no número de fiéis e vocações; cada vez mais dependentes do clero estrangeiro. A jornada sinodal está avançando com equipes regionais e planos de formação (2025–2027).

A República Dominicana se destaca por seu Plano Pastoral Nacional e por uma forte rede de mídia católica. A cultura de cuidado possui comissões e protocolos em toda a região.

Polarização crescente
Na região dos países andinos: Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, o contexto social é influenciado pela desigualdade estrutural e por várias formas de violência. Sem dúvida, essa área sofre de fragilidade democrática e forte polarização.

A Bolívia inicia um novo ciclo político após duas décadas de hegemonia do MAS (Movimento Rumo ao Socialismo). Na Venezuela, a crise institucional derivada da extração de Nicolás Maduro mantém a cidade em estado de emergência, com mais incertezas do que certezas. A corrupção aparece transversalmente como um “pecado social”.

Nesse sentido, os bispos apontaram que predominam a desigualdade estrutural e várias formas de violência. A Venezuela está enfrentando uma crise profunda, com 86% de pobreza e colapso dos serviços básicos.

No Equador, o crime organizado deteriorou a segurança. Peru e Colômbia compartilham desconfiança institucional e exclusão rural. Os 7,7 milhões de migrantes venezuelanos e o deslocamento forçado na Colômbia devido ao aumento do conflito armado se destacam.

Eles alertaram que as economias dependem da exportação de matérias-primas. Na Colômbia e no Peru, economias ilícitas e alta informalidade laboral são uma preocupação. A Venezuela enfrenta uma inflação projetada de 682% e um salário mínimo erodido pela “economia de títulos”, que se baseia em subsídios e não em soluções reais.

Na região andina, prevalece a defesa da Casa Comum. O ecocídio no Arco de Mineração da Venezuela e a contaminação por mercúrio em territórios indígenas são denunciados. Bolívia e Peru sofrem com o recuo das geleiras e a mineração ilegal. A Igreja promove iniciativas como a Cúpula da Água da Amazônia e a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM).

Em meio a essas sombras sociais, a Igreja mantém credibilidade social como mediadora e “hospital de campanha”. O caminho sinodal avança com concílios paroquiais e diocesanos, embora persista resistência clerical.

Quanto à cultura de cuidado, a Colômbia lidera os processos de treinamento, enquanto Bolívia e Peru fortalecem as comissões de escuta e transparência.
Crise demográfica e realidade social

Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Chile compõem o Cone Sul. Os bispos desta região observam uma polarização crescente. O Uruguai mantém a estabilidade institucional apesar da fragmentação parlamentar. Na Argentina, mudanças estruturais são promovidas com pouco diálogo político.

Por sua vez, o Chile mostra estabilidade eleitoral, mas descontentamento com os partidos. O Brasil está enfrentando tensões entre as potências e o uso político da religião. O Paraguai enfrenta desconfiança devido à corrupção estrutural.

O Cone Sul enfrenta desafios em termos de realidade social e crise demográfica, todos enfrentando o envelhecimento populacional e a queda nas taxas de natalidade. O Chile tem a menor taxa de fertilidade das Américas (1,06).

O Uruguai combina a infantilização da pobreza com a maior taxa de encarceramento regional. O Brasil sofre com uma crise habitacional e um aumento de feminicídios. O Paraguai enfrenta desigualdade em saúde e fragmentação familiar. A Argentina alerta sobre o aumento do consumo problemático e do jogo online.

Os bispos alertaram que a diferença entre indicadores macroeconômicos e economia familiar está crescendo. O modelo extrativista gera conflitos socioambientais. O Chile sofre com secas prolongadas e incêndios. Brasil e Paraguai denunciam agrotóxicos e desmatamento. Na Argentina, mudanças produtivas levaram ao fechamento de indústrias e ao desemprego que é difícil de converter.

Em meio a essas dores, a Igreja vive entre a diminuição estatística e a renovação sinodal. O Brasil enfrenta o desafio de integrar inúmeras comunidades leigas.

Na Argentina, a morte do Papa Francisco marcou profundamente, embora o processo sinodal continue. A conversa no espírito é consolidada como um método pastoral. A cultura de cuidado é uma prioridade regional, com protocolos ativos na maioria das jurisdições.

Com informações: adn.celam.org


Papa: as guerras são um escândalo, não silenciar diante do sofrimento de inocentes


"Não podemos permanecer em silêncio diante do sofrimento de tantas pessoas, vítimas indefesas desses conflitos. O que as fere, fere toda a humanidade", disse o Santo Padre

Vatican News

“A morte e a dor provocadas por essas guerras são um escândalo para toda a família humana e um grito diante de Deus!”

Ressoaram fortes as palavras do Papa Leão ao final do Angelus de 22 de março. Diante de milhares de fiéis na Praça São Pedro, o Pontífice afirmou que continua acompanhando com consternação a situação no Oriente Médio, assim como em outras regiões do mundo dilaceradas pela guerra e pela violência.

Não podemos silenciar
"Não podemos permanecer em silêncio diante do sofrimento de tantas pessoas, vítimas indefesas desses conflitos. O que as fere, fere toda a humanidade", disse o Santo Padre, acrescentando que a morte e a dor provocadas pelos conflitos são um escândalo para toda a família humana e um clamor diante de Deus.

O Papa reiterou com veemência o apelo aos fiéis para perseverarem na oração, "para que cessem as hostilidades e se abram finalmente caminhos de paz baseados no diálogo sincero e no respeito pela dignidade de cada pessoa humana".

O apelo do Papa no Angelus dominical (@Vatican Media)

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EVANGELHO DDO DIA (Jo 8,1-11)

ANO "A" - DIA: 23.03.2026
5ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Glória a vós, Senhor Jesus, Primogênito dentre os mortos!
- Não quero a morte do pecador, diz o Senhor, mas que ele volte, se converta e tenha vida.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2 De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3 Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Colocando-a no meio deles, 4 disseram a Jesus: "Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5 Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?" 6 Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. 7 Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: "Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra". 8 E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. 9 E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio, de pé. 10 Então Jesus se levantou e disse: "Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?" 11 Ela respondeu: "Ninguém, Senhor". Então Jesus lhe disse: "Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Deixemos Jesus escrever a verdade em nosso coração"

O gesto de escrever no chão e o convite à conversão sincera
Naquele tempo, Jesus foi para o Monte das Oliveiras. De madrugada, voltou de novo ao templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. Entretanto, os mestres da lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério, colocando-a no meio deles. Disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em adultério. Moisés, na lei, mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?”. Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão (João 8,1-11).

Irmãos e irmãs, o Evangelho de hoje nos apresenta a cena dessa mulher adúltera, que foi pega em pecado. E o que nós escutamos nesse texto do Evangelho de São João? No final, Jesus diz uma palavra interessante: “Vá e não tornes a pecar”. Ela foi perdoada, mas, ao mesmo tempo, deveria ter uma responsabilidade de se manter em comunhão com Deus.

A lição profunda de Jesus ao escrever no chão
Mas um outro ponto interessante do Evangelho de hoje sobre o qual podemos refletir é essa atitude de Jesus, de, com os dedos, inclinar-se e começar escrever no chão. Então, especula-se que, ali, Jesus escreveu o decálogo, ou seja, os dez mandamentos.

Alguns estudiosos também dizem que pode ser que Jesus, ao escrever no chão, escreveu o pecado de cada um que ali estava acusando a mulher adultera. Jesus escrevia e nomeava o pecado de cada um. Então, aqueles que estavam com pedras nas mãos começaram a largar as pedras e seguir seu caminho, porque tiveram uma experiência de revelação divina.

Enxergar a necessidade de mudar de vida
A ciência profunda de Jesus mostrou para eles aquilo que não queriam reconhecer, seus próprios pecados nessa atitude de escrever no chão. Quantas vezes também nós precisamos olhar para o chão para ver, descritos ali, nossos pecados! Mas para não permanecermos nele, e sim para mudarmos de vida.

Por isso Jesus disse para a mulher adultera, e Ele diz a cada um de nós, como deveria dizer para aqueles que a acusavam: “Vá e não tornes a pecar”. Que, neste dia, você faça a experiência de procurar os confessionários, de procurar um padre, de confessar os seus pecados para permanecer na graça de Deus.

A bênção do Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre. Amém!


Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova




Chamados ao Profetismo

O profetismo por meio do batismo

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica (nº 785), o povo santo de Deus participa da função profética de Cristo. Mas como isso acontece na prática? O profetismo cristão sustenta-se em três pilares fundamentais:
Pregação do Pe. Donizete Heleno – Foto: Adailton Batista / Canção Nova

1. Adesão à fé transmitida: O profeta não anuncia suas próprias opiniões ou “achismos”, mas adere de forma plena à verdade recebida da Igreja.
2. Aprofundamento do conhecimento: Não se pode anunciar quem não se conhece. É preciso intimidade com as Escrituras, o Catecismo e o Magistério.
3. Testemunho no meio do mundo: O profetismo se exerce onde Deus te plantou — seja no trabalho, na universidade ou na sua comunidade.
A família como projeto profético

A família é o projeto mais lindo de Deus, e por isso é um dos principais alvos de ataque no mundo de hoje. Ser uma família profética significa reafirmar a obediência ao projeto divino e ser luz em meio às trevas, sempre com misericórdia, mas sem renunciar à verdade.

Exemplos bíblicos: A voz que incomoda

O profetismo nunca foi uma missão confortável. Ao longo da história bíblica, vemos homens que tiveram a coragem de confrontar reis e poderosos para restaurar a vontade de Deus:
• Samuel e Saul: Samuel ensinou que “sacrifícios sem obediência não servem para nada”.
• Natã e Davi: Com sabedoria, Natã levou o rei Davi ao arrependimento após seu grave pecado, mostrando que a voz profética deve nos confrontar com a nossa própria verdade.
• Elias e Acabe: Elias colocou o dedo na ferida da idolatria, um desafio que ainda enfrentamos hoje, quando as pessoas se afastam da fé genuína.

O Evangelho de Marcos (Mc 6,14-29) nos apresenta o auge do conflito profético: João Batista e o Rei Herodes. João vivia dizendo a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. E ele insistia oportuna e inoportunamente porque o profeta é, acima de tudo, um amante da verdade.
O perigo do ego e da autoimagem

Herodes gostava de ouvir João, mas seu coração estava dividido. O que o impedia de se converter não era apenas o pecado do adultério, mas a sua mania de grandeza e o apego à sua autoimagem perante os convidados do seu banquete. Por causa do orgulho e de um juramento imprudente, ele sacrificou a vida do profeta para manter as aparências.
Como assumir seu profetismo hoje?

Deus não quer que você perca a oportunidade de conversão que Ele está lhe dando hoje. Ser profeta exige coragem, mas também muita paciência. A profecia não deve ser um “martelo destruidor”, mas uma palavra de esperança e libertação.

“Eu sou profeta. Pelo meu batismo, recebi a graça de exercer o profetismo. Mas, primeiro, preciso aceitar esta palavra na minha vida e deixar o pecado“

Para viver o profetismo você precisa:
• Renunciar ao pecado: Não se pode ser profeta vivendo uma vida dupla.
• Clamar o Espírito Santo: Peça sabedoria, destemor e paciência para falar a verdade com amor.
• Ser protagonista: Saia da posição de espectador e assuma o protagonismo do seu cristianismo em sua casa e trabalho.
Uma batalha final

Lembremo-nos da profecia de Nossa Senhora de Fátima: a batalha final será contra as famílias. Portanto, não se acovarde. O Espírito Santo lhe dará as palavras certas para desconsertar o mal e atrair as almas de volta para o caminho do Senhor.

Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin

São Turíbio de Mongrovejo

Turíbio Alfonso de Mongrovejo nasceu em Maiorca, Espanha, em 1538, numa nobre e rica família. Estudou em várias cidades, Valadolid, Santiago de Compostela, Salamanca, Oviedo, e na Universidade de Coimbra. Advogado e doutor em Direito Canônico, foi nomeado juiz supremo do Tribunal da Santa Inquisição em Granada. Lecionava na Universidade de Salamanca, quando Felipe II, rei da Espanha, ciente das suas qualidades, solicitou ao Papa Gregório XIII que o nomeasse arcebispo da América Espanhola – na época, a escolha para o episcopado era diferente do modo atual. Turíbio, após um discernimento, aceitou, e recebeu de uma vez todas as ordens eclesiásticas, para em 1581, aos 41 anos, ser enviado para a Ciudad de los Reyes, atual Lima, capital do Peru.

Turíbio lá encontrou uma situação de miséria espiritual, moral, cultural, material e humana dos povos indígenas, pois os descendentes dos conquistadores, abusando dos seus privilégios e governando de fato ao invés do Vice-Rei, exploravam as populações locais; ao mesmo tempo, o clero era fraco e submisso a eles. O bispo então iniciou um trabalho de recuperação do clero, dando o exemplo de rica vida espiritual com oração e meditação, restaurando a disciplina e obrigando os sacerdotes a se instruírem. Também nisto deu exemplo, aprendendo as línguas locais, Quéchua e Aymara, de modo a comunicar a Igreja com os índios.

Com isso, em tempo foi possível publicar o Catecismo da Igreja Católica nas línguas indígenas, o primeiro na América do Sul, além do Espanhol. Construiu igrejas e escolas, e em 1591 fundou o primeiro Seminário da América Latina. Enfrentou a arbitrariedade dos colonizadores, defendendo os índios, que passaram a venerá-lo.

Dos 25 anos de episcopado, 17 foram dedicados a viagens missionárias a pé ou a cavalo num vastíssimo território, até mesmo além das fronteiras peruanas, por cerca de 40 mil quilômetros, numa das geografias mais acidentadas do mundo, desde as neves dos Andes até os desertos à beira do Pacífico. Segundo seus próprios cálculos, Turíbio chegou a crismar pessoalmente 90 mil fiéis, incluindo três futuros Santos: São Martinho de Porres, São Francisco Solano e Santa Rosa de Lima. Acudiu os peruanos quando a peste se abateu sobre o país.

São Turíbio criou também centenas de paróquias, e organizou 13 sínodos entre diocesanos e provinciais, e um Concílio pan-americano. Estes encontros formaram a estrutura legal e organizacional da Igreja Católica da América Espanhola, que dura até hoje. O Sínodo Provincial de Lima em 1582 se destacou historicamente, sendo comparado em importância ao Concílio de Trento. Conta-se que nesta ocasião o bispo desafiou os colonizadores, que se presumiam muito inteligentes, a aprenderem a língua indígena, ao que todos eles se calaram.

A necessária implantação das diretrizes do Concílio de Trento o colocaram seguidamente em confronto com vice-reis, com o Conselho das Índias e com o próprio rei, aferrados às ingerências do poder civil na Igreja.

Adoentado, com 68 anos, faleceu na cidade de Sanã, deixando seus pertences e tudo o mais que possuía, incluindo as roupas do corpo, para os pobres e os que trabalhavam para ele. Fez questão de receber o viático, isto é, a última Eucaristia em preparação para a morte, numa Capelinha indígena. Faleceu no dia 23 de março de 1606, numa Quinta-Feira Santa.

São Turíbio de Mongrovejo é um dos maiores apóstolos da América Latina e da história da Igreja. Apóstolo e Padroeiro do Peru, é igualmente padroeiro do episcopado latino-americano.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Muitos e enormes são os exemplos de São Turíbio, mas salta à vista a sua fidelidade à Mitra que lhe coube, agindo como verdadeiro Apóstolo pelo exemplo, autoridade e serviço. Não se intimidou com as pressões e dificuldades, quer do acidentado terreno geográfico ou das relações humanas, impondo-se o trabalho missionário e sabendo impor a disciplina e os valores maiores do Evangelho sobre o poder mundano (isto é, os abusos ao legítimo poder civil). Para com os interesses vis não teve respeitos humanos ou complacências, mas coragem de espírito e de ação. Na Igreja, atuou no que era óbvio e necessário, exigindo do clero a santidade, a disciplina, a obediência antes a Deus do que aos homens, e o estudo necessário para se fazer comunicar a Boa Nova. Elevou e plenificou assim a sua primeira formação, advogando a causa de Deus e ajuizando com sabedoria os rumos do Catolicismo na América do Sul. Que saibamos venerá-lo e à sua obra, correspondendo e agradecendo a ele e a elas como fizeram os primeiros filhos desta terra, para podermos ser assim também dos primeiros filhos no Céu.

Oração:

Senhor Deus, Pai que educais e salvais, providenciando sempre a direção da Vossa Igreja, concedei-nos por intercessão de São Turíbio de Mongrovejo a graça da firmeza no Vosso serviço, vencendo pela caridade e verdadeiro interesse pelo Bem do próximo quaisquer terrenos desta nossa viagem temporária de peregrinação e missão, e que, especialmente, o seu santo exemplo de conquistar novos continentes para Cristo seja seguido por todo o clero, a começar do episcopado no mundo inteiro. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho Rei do mundo, e Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira das Américas. Amém.

sexta-feira, 20 de março de 2026

EVANGELHO DO DIA (Jo 7,1-2.10.25-30)

ANO "A" - DIA: 20.03.2026
4ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Glória a Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!
- O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 Jesus andava percorrendo a Galileia. Evitava andar pela Judeia, porque os judeus procuravam matá-lo. 2 Entretanto, aproximava-se a festa judaica das Tendas. 10 Quando seus irmãos já tinham subido, então também ele subiu para a festa, não publicamente mas sim, como que às escondidas. 25 Alguns habitantes de Jerusalém disseram então: "Não é este a quem procuram matar? 26 Eis que fala em público e nada lhe dizem. Será que, na verdade, as autoridades reconheceram que ele é o Messias? 27 Mas este, nós sabemos donde é. O Cristo, quando vier, ninguém saberá donde ele é". 28 Em alta voz, Jesus ensinava no Templo, dizendo: "Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, 29 mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou". 30 Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A vida renovada por meio do encontro pessoal com Cristo"

Jesus passa por nós e a sua presença restaura a nossa vida
Naquele tempo, em alta voz, Jesus ensinava no tempo dizendo: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou. Eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse não o conheceis, mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou. Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora” (João 7,1-2.10.25-30).

Jesus não chega em Jerusalém com efeitos especiais, de forma extraordinária, mas de modo normal, como continuidade daquilo que Ele já vinha realizando na Galileia. Acontece que nós estamos nos acostumando tanto com as coisas espetaculares, que nós não nos damos conta mais da presença de Deus na nossa vida, nas coisas cotidianas, nos sinais que ele nos dá sempre.

Superando a insensibilidade espiritual em nossa vida
Deus tem passado através de fatos e situações, e muitas vezes nós não nos damos conta disso. O perigo da cegueira e da insensibilidade à presença de Deus ronda constantemente os nossos corações. Por isso o período da Quaresma nos dá essa leveza.

Acontece que as expectativas que fazemos na nossa vida são tão altas, que levamos isso para a nossa relação com Deus. Daí, se ele não chega de forma surpreendente, parece que não é Deus, e nós perdemos a chance de mudar o rumo da nossa vida.

Por isso a caminhada quaresmal, como eu falei, funciona como uma espécie de detox. Desculpe o termo, mas é uma palavra muito de moda hoje. É necessário esse detox espiritual para que enxerguemos o Cristo e nos deixemos tocar pela Sua graça salvadora.

Um encontro pessoal com Cristo que transforma
Não percamos tempo nem oportunidade de um belo encontro pessoal com o Cristo nessa caminhada quaresmal. Hoje, mais uma vez, Ele está passando na nossa vida e nos chamando a um compromisso ainda maior com o Seu Evangelho, com a Sua verdade.

Abra o seu coração para que essa Quaresma seja, de fato, um encontro definitivo com a vida de Cristo que transforme toda sua vida.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Eu vim para servir a quem? O chamado de Efésios para servir a Deus


O chamado para uma entrega total a servir a Deus
A palavra de Deus, hoje, está em Efésios 6,5-8: Servir. Eu vim para servir a Deus. O acréscimo vem depois. Senhor, o que queres de mim? O que queres que eu faça? São perguntas que eu faço para mim, e estou fazendo para você agora, neste momento: você se esgota até o fim por Jesus?
A semente da Palavra: obediência e sinceridade de coração
A Escritura nos exorta: “Servos, obedeceis a vossos senhores temporais com temor e solicitude de coração sincero como a Cristo”. Não se trata de mera ostentação ou de agradar aos homens, mas de agir como servos de Cristo que fazem de bom agrado a vontade de Deus.

Meus irmãos, nós vivemos num mundo que tem os nossos superiores. Se eu faço um concurso ou arrumo um emprego em uma loja, eu preciso saber trabalhar com meus superiores e seguir os métodos. É uma submissão necessária neste mundo material, pois servir com dedicação aos homens, quando feito por amor ao Senhor, é o que nos garante a recompensa divina, quer sejamos escravos ou livres.

A lição da companhia de pesca: unidade e humildade no serviço
É importante partilhar algo que o Padre Jonas nos ensinou na fundação da Canção Nova. Ele teve a inspiração da Companhia de Pesca. Pense bem: em uma companhia de pesca, você precisa do condutor do barco, do fabricante de gelo, daquele que lança a rede e daquele que a recolhe. Depois, há quem empacota e separa os peixes, pois cada um tem seu preço e destino.

Olha que coisa interessante: na mesma hora em que eu sou o responsável ou chefe de um departamento, quando eu saio daquela porta, eu sou submisso a alguém. Não existe essa “superioridade humana” de dizer “eu sou o tal”. Hoje, estou aqui; amanhã, ali. Hoje, sou chefe; amanhã, submisso. Na cadeia de uma companhia de pesca, todos são responsáveis e todos precisam uns dos outros. Essa é a igualdade em comunhão que devemos viver.
O perigo da morneza: você está disposto a se esgotar por Jesus?
Eu pergunto a você: o que quer dizer “esgotar-se”? Significa dar a sua vida por inteiro a Jesus. Não dá para ser “mais ou menos”. Para Jesus, não podemos esquecer que o morno vomita. Deus, em Sua misericórdia, atinge os quentes e os frios, mas o morno é instável, pois você nunca sabe o que ele pensa. Ou somos de Cristo, ou não somos.

Ganhar o mundo inteiro e perder a vida por Jesus — você está disposto? Se você deu a sua vida por Ele, não comece a arrumar “subjetivos” para viver em cima do muro. Ele deve ser o centro; dentro de você, só deve caber Jesus.

É possível realizarmos o impossível com Deus? Deixo essa pergunta para você responder no seu coração. Saiba que quanto mais tivermos esse diálogo franco, mais convictos ficaremos de que Deus é por nós e nada será contra nós.

Deus abençoe o seu dia. E nunca se esqueça: com Jesus e Maria, sempre somos vencedores. Amém!

Do seu amigo,

Wellington Silva Jardim – Eto
Cofundador da Comunidade Canção Nova

São Martinho de Braga

Martinho nasceu na Panônia, atual Hungria, no século VI, provavelmente no ano de 518. Jovem, foi para o Oriente, onde estudou Grego e ciências eclesiásticas, com tal distinção que Santo Isidoro o chamou de ilustre na Fé e na Ciência, e São Gregório de Tours o considerava como um dos homens insuperáveis do seu tempo. Voltando ao Ocidente, continuou os estudos, em Roma e na França, tendo a oportunidade de conviver com as pessoas de maior eminência em santidade e saber da época. Em especial, visitou o túmulo de São Martinho de Tours, de quem era especialissimamente devoto.

Foi então que conheceu o rei Charrico dos suevos. Este era um povo de origem germânica que invadiu a Península Ibérica (Hispânia do Império Romano) em 409, tendo ali permanecido até 585, quando foram derrotados pelos visigodos; inicialmente ocuparam a antiga província romana da Galécia (atual norte de Portugal e Galiza), estendendo-se ao Rio Tejo, na região da Lusitânia, e sua capital era Bracara Augusta (hoje Braga). Martinho acompanhou Charrico na volta ao seu reino, em 550, e apesar de que desde 448 a Galécia abraçava o Cristianismo, ali ainda havia restos do gentilismo (isto é, paganismo) e expansão do arianismo, por causa da grande ignorância religiosa.

Martinho foi um dos principais obreiros da cristianização e do monaquismo nesta região da Península. A partir de Dume, aldeia próxima de Bracara Augusta, onde fundou um mosteiro, iniciou sua evangelização. Caso único na história da Igreja, a Diocese de Dume por ele criada incluía apenas o mosteiro, e em 556 Martinho foi seu primeiro bispo, pois o bispo de Braga, que lhe concedeu o episcopado, reconheceu sua santidade, zelo e saber.

Em 559 o arianismo já estava praticamente extinto no reino suevo. Em 569 Martinho assumiu também a Sé de Braga, que, como capital do reino e sede episcopal, ganhou importância duradoura, sendo até hoje a Sé metropolita, ou primaz, das dioceses no noroeste português. Ele fundou também, pessoalmente, a igreja e o mosteiro de São Martinho de Tours, em Cedofeita, na atual cidade do Porto, na época um importante posto militar e administrativo (num burgo de nome Cale Castrum Novum – Castelo Novo de Cale –, havia um porto, Portus Cale ou Porto de Cale, atual Ribeira às margens do Rio Douro, cujo nome deu origem ao nome Portugal; Porto foi a capital, isto é, residência real, centro administrativo e sede diocesana do final do domínio suevo).

Em 561-563 Martinho convocou o 1° Concílio de Braga, quando proibiu que se cantassem muitos dos hinos e cantos de caráter popular nas missas e celebrações; com o tempo, a música litúrgica foi sendo fixada no Cantochão (do qual deriva o Canto Gregoriano, forma musical oficial da Igreja, próprio para as celebrações litúrgicas, pois eleva com serenidade a mente e a alma a Deus, sem distrações). Em 572, houve o 2° Concílio de Braga, e nesta ocasião ele registrou: “Com a ajuda da graça de Deus, nenhuma dúvida há sobre a unidade e retidão da fé nesta província”. De fato, um escrito de 580, o “Paroquial Suévico” relaciona 13 dioceses e 134 paróquias na região, embora também alguns “pagus”, paróquias arianas ou não cristãs.

São Martinho foi um profícuo e profundo escritor, abordando temas morais, teológicos, canônicos e monásticos. Além de “Escritos canônicos e litúrgicos”, outras das suas principais obras são: Aegyptiorum Patrum Sententiae (“Sentenças dos Padres Egípcios”, que traduziu e comentou), De Correctione Rusticorum (“Da Correção dos Rústicos”, livro simples e claro para a evangelização dos pagãos – não confundir com “Como Catequizar os Rudes”, de Santo Agostinho), Formula Vitae Honestae (“Fórmula da Vida Honesta”, durante séculos atribuído a Sêneca e dirigido ao rei suevo, enfatizando a Justiça aos responsáveis pelo governo), De Moribus (“Tratado dos Costumes”), De ira (“Da Ira”, comentário ao livro homônimo de Sêneca, e no mesmo espírito do ditado latino ira furor brevis est, de Horácio – “a ira é uma loucura de curta duração”), Pro Repellenda Jactantia (“Para Repelir a Jactância”), Item de Superbia (“Acerca da Soberba”), Exhortatio Humilitatis (“Exortação da Humildade”).

Importantíssima contribuição de Martinho na história da cultura e língua portuguesas foi a adoção dos atuais nomes dos dias da semana: segunda-feira, terça-feira, etc.. Até então, todas as línguas utilizavam nomes de deuses pagãos para este fim, relacionados aos astros, o que se mantém até hoje exceto no Português; na origem, Latim Lunae dies para o “dia da lua”, depois Espanhol Martes para o “dia de Marte”, Inglês Saturday para o “dia de Saturno”, etc.. Martinho utilizou uma nomenclatura escolástica, Feria ou Festa (de onde “feriado”), no caso, litúrgica: Feria secunda, Feria tertia, Feria quarta, Feria quinta, Feria sexta, Sabbatum, Dominica Dies, o sábado em referência ao Shabat sagrado dos judeus, que no Catolicismo foi substituído pelo “dia do Senhor (Dominus)”, o domingo. Assim a perspectiva pagã foi substituída no povo católico pela referência ao Deus Uno e Trino, o Qual nos concede o tempo. Como o 1° Concílio de Braga, quando foi feita esta substituição, era um concílio local e não de toda a Igreja, as demais línguas neolatinas permaneceram com as origens pagãs. Os mais antigos documentos em Português já trazem a mudança, uma mostra de que a partir dos suevos latinizados já houve a compreensão da maior dignidade desta nomenclatura para os fiéis católicos.

De fato, dentre os povos germânicos invasores, os suevos são reconhecidos como os de maior influência e importância para a formação de Portugal, tanto geograficamente quanto dos nomes e diversos aspectos da cultura local, bem como da sua base genética. Também São Martinho de Braga, pela sua obra de evangelização, pelos seus escritos, pelo impulso cultural do mosteiro de Dume, que cresceu por toda a Idade Média, marcou profundamente a cristianização, história e cultura da Península Ibérica, notadamente Portugal.

São Martinho faleceu em 20 de março de 579. Escreveu seu próprio epitáfio, honrando seu patrono particular São Martinho de Tours, que termina assim: “Tendo-te seguido, ó Patrono, eu, o teu servo Martinho, igual em nome que não em mérito, repouso agora aqui na paz de Cristo”. É também conhecido como Martinho de Braga ou Martinho de Dume, Martinho Dumiense, Martinho Bracarense ou Martinho da Panônia. É considerado Apóstolo dos Suevos e principal padroeiro da arquidiocese de Braga. A sua festa litúrgica oficial, no Calendário Romano, é a 5 de dezembro, mas a 22 de outubro na diocese de Braga e 20 de março em Portugal e na igreja Ortodoxa, que também o reconhece como santo.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

A imensa obra de São Martinho de Braga é centrada na sabedoria, santidade e apostolado a partir dos mosteiros, um método extremamente eficaz de fixar a vida católica numa região, pois como centros de paz, virtudes, conhecimento, espiritualidade, atraem e enraízam a Palavra de Deus entre os povos. Durante toda a Idade Média ocidental, este foi o meio mais importante para difundir e estabelecer a Igreja nas ruínas do antigo Império Romano e no caos dos invasores bárbaros. Mas o seu zelo também deu atenção à Liturgia, já naquela época sofrendo alguns abusos; a música na Missa tem um propósito específico relacionado à oração, e não à simples manifestação de alegria, por exemplo. Um zelo semelhante certamente faria muito bem à espiritualidade do povo de Deus, nos dias atuais. Não menos importante é a sua contribuição para a nomeação, mais adequada do ponto de vista da cultura católica, dos dias da semana em Português. Algo muito interessante para ser adotado no orbe da Igreja. Pelos próprios títulos dos seus livros, que indicam suas exortações para a necessidade da humildade para vencer a soberba, a jactância e a ira, e reformular os costumes, pode-se seguir um itinerário de busca da perfeição espiritual, que é o cerne da vida humana: um exemplo a ser imitado por todos os fiéis, assim como ele se espelhou em São Martinho de Tours.

Oração:

Senhor Deus, que na Vossa infinita bondade nos concedestes o tempo, de modo a que todo dia possa ser vivido para Vós e para o bem que devemos fazer nesta vida, concedei-nos por intercessão de São Martinho de Braga conhecer e praticar com amor a Vossa Doutrina, Vossos Mandamentos e Sacramentos, que são a verdadeira fórmula pra a vida honesta que precisamos ter para corrigir os nossos rústicos pecados e então, iguais no nome de irmãos, com o Cristo, embora não iguais nos Seus méritos, repousemos infinitamente na Vossa paz. Pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.