terça-feira, 26 de maio de 2026

CNBB renova acordo de cooperação em defesa da dignidade e dos direitos de crianças e adolescentes


A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) assinou nesta segunda-feira, 25 de maio, a renovação do “Acordo de Cooperação pela Dignidade e Direitos das Crianças e Adolescentes – Mesa BICE Brasil 2025-2030”, iniciativa construída em parceria com diversas instituições católicas e organismos dedicados à promoção e proteção da infância e adolescência no país.


Estiveram presentes na assinatura do acordo o presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler; o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers; o subsecretário geral da CNBB, padre Leandro Megeto, além de Francine Junqueira e Irmão José Aderlan, coordenador e assessora da área de Identidade, Missão e Vocação da União Marista do Brasil.

O acordo reúne entidades como a Associação Nacional de Educação Católica do Brasil, o Bureau International Catholique de l’Enfance, a Conferência dos Religiosos do Brasil, a Pastoral da Criança, a Pastoral do Menor, a Rede Jesuíta Brasil, a Rede La Salle, a Rede Salesiana do Brasil, a União Brasileira de Educação Católica, a União Marista do Brasil e o Instituto Migrações e Direitos Humanos, entre outras organizações.


Inspirado no Evangelho e na Doutrina Social da Igreja, o documento reafirma o compromisso das instituições com a promoção dos direitos humanos, especialmente na defesa da dignidade de crianças e adolescentes. O texto destaca a necessidade de fortalecer processos de reconhecimento da infância como prioridade social, e de garantir ambientes seguros, educativos e protetivos para meninas e meninos.

O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, destacou que a iniciativa responde diretamente ao apelo do Evangelho e às necessidades da sociedade atual.

“Colocar as crianças no centro da dinâmica evangelizadora da Igreja, mas não só. No centro, eu diria, das atenções da sociedade como um todo, reflete aquilo que o Evangelho mesmo nos pede. Jesus, quando diz: ‘permitam que as criancinhas cheguem até mim’, cheguem até Ele que é caminho, verdade e vida. Então, nesse sentido, certamente este convênio que aqui assinamos, de alguma forma corresponde ou responde a isto que o próprio Evangelho pede de nós e que a sociedade de hoje tanto necessita”, afirmou.


Ao comentar a relação entre o acordo e a Doutrina Social da Igreja, dom Jaime ressaltou que não há separação entre evangelização e compromisso social.

“Nós não podemos jamais separar o Evangelho da Doutrina Social da Igreja. A Doutrina Social é, por assim dizer, reflexo daquilo que o próprio Evangelho pede de todos nós e que a tradição ao longo dos tempos foi elaborando, sempre atenta aos sinais dos tempos e ao próprio Evangelho. Portanto, não existe esta possível ou imaginária distinção”, enfatizou.

O coordenador de Identidade, Missão e Vocação da União Marista do Brasil, irmão José Aderlan, também reforçou a importância da Mesa BICE Brasil para a promoção da proteção integral de crianças e adolescentes. Segundo ele, o tema já é prioridade para a Igreja e exige o fortalecimento de políticas públicas e ações conjuntas entre instituições religiosas e a sociedade.

“É uma pauta muito importante para a proteção das crianças e adolescentes, sobretudo aqui do Brasil. Um tema que a Igreja abraça já há alguns anos e que tem prioridade. Sobretudo neste tempo em que pensamos políticas e formas de garantir para nossas crianças um mundo melhor. Nada melhor do que a Igreja, com o povo de Deus e as instituições religiosas, priorizar esse tema”, afirmou.

O religioso recordou ainda a centralidade da criança no Evangelho: “Como Jesus dizia, Ele colocou uma criança no centro. Então continua valendo todo o esforço e todo o empenho que a Igreja do Brasil faz para que a gente possa cuidar dessa criança e desse adolescente, que são o futuro e também o presente”, disse.

O acordo também reforça o compromisso das entidades signatárias na prevenção e enfrentamento de todas as formas de violência e abuso contra crianças e adolescentes. O documento recorda a importância de uma cultura do cuidado e da proteção integral, em sintonia com os apelos do Papa pela salvaguarda das infâncias e adolescências na Igreja e na sociedade.

Com vigência prevista até 2030, a parceria busca articular ações conjuntas de formação, conscientização, incidência social e promoção de políticas de proteção, envolvendo redes educativas, pastorais e organismos da Igreja no Brasil.

Acesse (aqui) o acordo.
Outras iniciativas


A assinatura do acordo também se soma a outras iniciativas recentes da Igreja no Brasil voltadas à promoção de ambientes seguros e à proteção de menores e pessoas vulneráveis. Em abril deste ano, por exemplo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Conferência dos Religiosos do Brasil e a Pontifícia Comissão para a Tutela de Menores firmaram um protocolo de intenções para fortalecer ações de prevenção, cuidado e proteção na Igreja no Brasil. O documento prevê iniciativas conjuntas de formação, cooperação entre dioceses e organismos eclesiais, além da promoção de boas práticas institucionais voltadas à cultura do cuidado.

Acesse a notícia (aqui).

Por Larissa Carvalho

A encíclica de Leão XIV: a IA deve servir à humanidade, não ao poder de poucos


No 135º aniversário da “Rerum novarum”, o Pontífice reflete, em sua primeira encíclica, “Magnifica humanitas”, sobre a Doutrina Social da Igreja na era da inteligência artificial. O apelo para preservar “uma magnífica humanidade habitada por Deus”, promovendo a verdade, a dignidade do trabalho, a justiça social e a paz. Na era digital, é preciso desarmar a IA e superar a teoria da “guerra justa”, relançando o diálogo e o multilateralismo

Isabella Piro – Vatican News

“A magnífica humanidade criada por Deus encontra-se hoje diante de uma escolha decisiva: erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos”. O incipit da primeira encíclica de Leão XIV – Magnifica humanitas, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial” – resume suas razões fundamentais e seu objetivo. Publicada hoje, segunda-feira, 25 de maio, foi assinada pelo Pontífice no último dia 15 de maio, no 135º aniversário da promulgação da Rerum novarum de Leão XIII. E de seu predecessor, o Papa Prevost recolheu a herança, escrevendo uma encíclica social que aborda um dos principais desafios da época contemporânea: a inteligência artificial. Dividida em cinco capítulos, Magnifica humanitas parte de um pressuposto: a tecnologia não é uma “força antagônica em relação à pessoa” (4), nem “um mal em si mesma” (9). No entanto, ela “não é neutra, pois assume o rosto daqueles que a concebem, a financiam, a regulam e a utilizam”. Daí, o apelo do Pontífice para “construir o bem” e “permanecer humanos”, seguindo a lógica da corresponsabilidade corajosa e da comunhão.


A Doutrina Social da Igreja
O primeiro capítulo – Um pensamento dinâmico fiel ao Evangelho – repercorre a Doutrina Social da Igreja (DSI) no magistério recente e no Concílio Vaticano II, destacando “o seu caráter dinâmico” (17). Longe de ser “um manual de princípios e normas a serem aplicados”, a DSI é antes uma “teologia da comunhão na história” (27) que orienta a leitura dos acontecimentos à luz do Evangelho. No segundo capítulo, Leão XIV enumera os Fundamentos e princípios da Doutrina Social da Igreja: entre os primeiros, inclui a dignidade da pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus; a inviolabilidade dos direitos humanos, entre os quais o direito à vida “desde a concepção até ao seu fim natural”; o reconhecimento dos direitos das minorias, com especial atenção às mulheres, para que sejam verdadeiramente ouvidas e valorizadas (57).

É inaceitável subjugar uma nação
Quanto aos princípios da DSC, Leão XIV aponta cinco: o primeiro é o bem comum, “forma social da dignidade reconhecida a cada um” (59). Em um ponto, o Papa é particularmente firme: “A promoção do bem comum nunca pode ser separada do respeito ao direito dos povos de existir, de preservar sua identidade e de contribuir com sua originalidade para a família das nações”. Consequentemente, “qualquer tentativa ou projeto de eliminar ou subjugar uma nação é gravemente imoral e, portanto, inaceitável” (64).


O Papa aprovou a instituição do órgão pelo cardeal Czerny, prefeito do Dicasterio para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que será o coordenador. A Comissão é composta ...

A tecnologia não deve estar nas mãos de poucos
O segundo princípio diz respeito à destinação universal dos bens: aí e em outros pontos da encíclica, Leão XIV insiste na necessidade de que as tecnologias não se concentrem nas mãos de poucos, alimentando a disparidade entre os incluídos e os excluídos da revolução digital (67). Daí decorrem o terceiro e o quarto princípios, a saber, a subsidiariedade (68) – que exige a superação do paternalismo e do assistencialismo em favor da corresponsabilidade – e a solidariedade (73), “princípio e virtude” que se opõe à indiferença.

A justiça social
O quinto princípio da DSC é a justiça social: na era digital, ela deve garantir a todos um acesso equitativo às oportunidades, proteger os mais vulneráveis, combater o ódio e a desinformação e submeter o uso das tecnologias ao controle público. Leão XIV aponta os migrantes como um “teste decisivo” nesse campo: a maneira como a sociedade os trata demonstra “se a ideia de justiça é guiada pelo medo ou pela fraternidade”. Daí, o apelo tanto para salvaguardar “o direito à esperança” daqueles que são forçados a partir, garantindo-lhes vias seguras e legais, acolhimento digno e integração; quanto para promover “o direito de permanecer” de cada um em sua terra, em paz e segurança, enfrentando “as causas profundas” das migrações (81). O Pontífice entende que os cinco princípios acima mencionados se dirigem também à Igreja, chamada a “um exame de consciência”, a ouvir as “vítimas de abusos espirituais, econômicos, institucionais, sexuais, de poder e de consciência”, pois isso “é parte integrante de um caminho de justiça, que compreende o reconhecimento do dano, a reparação justa e a prevenção” (89).

Leão XIV e o Arcebispo Paolo Rudelli, substituto da Secretaria de Estado. (@Vatican Media)

Um código ético para a IA
O terceiro capítulo – Técnica e domínio. A grandeza da pessoa humana diante das promessas da IA – ressalta que é preciso abordar a IA com cautela, mantendo clareza sobre as responsabilidades em todas as suas etapas (accountability) e apostando em políticas e marcos jurídicos adequados, vigilância independente e educação dos usuários. Acima de tudo, é necessário um código ético submetido a critérios de justiça social compartilhada, pois “não serve uma IA mais moral se essa moral for decidida por poucos” (107). Sem deixar de lado o impacto ambiental das novas tecnologias, que exigem grandes quantidades de energia e água, afetando a Criação (101).

Desarmar a IA
É preciso “desarmar a IA” – prossegue Leão XIV – para subtraí-la à lógica da competição militar, econômica e cognitiva; para romper a equivalência entre poder técnico e direito de governar; para subtraí-la aos monopólios e impedir que domine o humano. Amplo espaço é dedicado à crítica do transumanismo e do pós-humanismo, que interpretam o progresso como a superação dos limites do humano. Em vez disso, o limite não é um defeito a ser eliminado, mas uma dimensão constitutiva da pessoa, pois é na fragilidade e na finitude que amadurecem a relação e a abertura a Deus e ao outro. Fazer a tecnologia crescer eliminando os limites do humano significa, portanto, fazer o coração regredir. Magnífica e, ainda assim, ferida, a humanidade “não deve ser substituída nem superada”. A tecnologia pode aliviar seus sofrimentos e abrir-lhe novas possibilidades, mas não deve negá-la naquilo que lhe é próprio: “a capacidade de relação e de amor” (126). Diante da IA, a verdadeira alternativa não está entre o entusiasmo e o medo, mas entre duas formas de construir o progresso: a serviço da pessoa e dos povos ou das lógicas do poder (129).


Mensagem de Leão XIV, assinada pelo cardeal secretário de Estado Parolin, por ocasião da 102ª Jornada da Universidade Católica: “Um saber não orientado para o encontro e para a ...

Uma ecologia da comunicação
No quarto capítulo – Preservar o humano na transformação. Verdade, trabalho, liberdade –, a encíclica defende uma “ecologia da comunicação” baseada na verdade. O Papa pede transparência nos critérios de seleção de conteúdos, proteção dos dados pessoais, um jornalismo sério fundamentado na argumentação e na verificação, uma nova consciência no uso “correto e crítico” da IA e a integração dos conhecimentos. Uma comunicação transparente e leal é exigida também da Igreja, sobretudo nos casos de injustiças e abusos. É fundamental também o apelo a uma aliança educativa renovada, para que nos jovens não se apague “o desejo de fazer perguntas” por causa de máquinas perfeitas que fazem parecer inútil o pensamento humano (140). Leão XIV pede ainda que se aposte na escola como lugar onde se aprende a “buscar e amar a verdade” (147).
A dignidade do trabalho
Na “quarta revolução industrial” representada pela transição digital, o Pontífice ressalta então a importância de proteger a dignidade do trabalho, projetando sistemas centrados na pessoa e não apenas no desempenho. A tecnologia pode certamente aliviar o homem de tarefas pesadas ou repetitivas, mas não deve levar ao desemprego em nome da redução de custos e do aumento do lucro. Nesse sentido, espera-se também uma renovação das organizações sindicais.

Paz e desenvolvimento
O Pontífice destaca, em seguida, a necessidade de superar o PIB como parâmetro do grau de desenvolvimento de um país, apostando, em vez disso, na dignidade do trabalho, na prosperidade compartilhada, na redução das desigualdades e na preservação do meio ambiente. A finança pela finança é, de fato, diferente da finança para o desenvolvimento (159-160). E, seguindo os passos de São Paulo VI, destaca-se a interdependência entre paz e desenvolvimento, almejando uma cooperação internacional capaz de definir estratégias comuns, sobretudo em favor dos países e dos grupos mais vulneráveis, pois a prosperidade contribui para a paz “somente se for difundida, inclusiva e sustentável” (163). É forte, ainda, a referência à família, fundada na união estável entre um homem e uma mulher: ela é “bem social primário”, “célula fundamental e insubstituível de toda organização comunitária” (165), que deve ser apoiada também por meio de políticas do trabalho em favor da estabilidade e de ritmos humanos, para assim proteger a capacidade social de “construir o futuro”.


Nos 50 anos do TG2, o telejornal do segundo canal da RAI na Itália, Leão XIV parabenizou pelo aniversário e recordou que a história do noticiário contada pelo convívio de "posições ...

A “arquitetura da visibilidade”
Por fim, a questão da liberdade humana: numa época em que as plataformas digitais são projetadas para capturar o tempo dos usuários e explorar suas fragilidades, é preciso fortalecer a liberdade interior de cada um, enfrentando também o risco do controle social decorrente da coleta massiva de dados e do uso de sistemas algorítmicos. Perfilar, prever e orientar comportamentos, de fato, é “um novo poder” (171) que corre o risco de discriminar os mais fracos. O Papa deplora, em particular, a “arquitetura da visibilidade” que amplifica apenas o que é visível, moldando as opiniões.

Novas formas de escravidão e novo colonialismo
A IA também gera novas formas de escravidão, como a dos “corpos marcados, mutilados, consumidos” (173) daqueles que trabalham na extração das “terras raras” necessárias à tecnologia. Portanto, a luta contra as novas formas de escravidão é outro “teste decisivo para o discernimento ético” da transformação digital. Leão XIV ressalta que “a Igreja renova sua firme condenação contra toda forma de escravidão, tráfico e mercantilização de pessoas”. Ao mesmo tempo, o Papa pede “sinceramente perdão” pelo atraso com que a Igreja, no passado, condenou “o flagelo da escravidão” (174-176). A encíclica também faz referência às “novas terras raras do poder”, ou seja, as informações vitais – por exemplo, sobre saúde e demografia – utilizadas para orientar estratégias econômicas: trata-se de uma face inédita do colonialismo que transforma vidas pessoais em informações exploráveis, tornando o ambiente digital um “espaço de predação” (178-179).

Superar a teoria da “guerra justa”
No quinto capítulo — A cultura do poder e a civilização do amor —, Leão XIV volta seu olhar para a guerra: “A revolução digital está modificando a gramática dos conflitos” e, sem uma abordagem ética, as decisões sobre a vida e a morte das pessoas serão cada vez mais impessoais, com o recurso à força considerado uma “opção imediata e viável” (182-183). Na base de tudo está uma “cultura do poder” que normaliza a guerra e a reabilita como “instrumento de política internacional”, favorecendo o rearmamento. Sobre a opinião pública pesam hoje também as narrativas midiáticas polarizadoras, bem como “uma preocupante perda de memória histórica” que priva de uma visão de longo prazo (191). Consequentemente, hoje a paz não é mais entendida como uma tarefa a ser assumida, mas como um intervalo entre os conflitos. Por isso, Leão XIV reitera que – sem prejuízo do direito à legítima defesa no sentido mais estrito – é preciso superar a teoria da “guerra justa”, promovendo, em vez disso, o diálogo, a diplomacia e o perdão (192).


Em incisivo discurso na Universidade Sapienza de Roma, Leão XIV falou da vocação dos jovens de não se fecharem entre ideologias e fronteiras nacionais. E fez uma dura crítica ...
Nenhum algoritmo torna a guerra moralmente aceitável
O Papa Prevost não deixa de deplorar o crescimento da indústria bélica, a corrida aos armamentos nucleares e o surgimento de novos atores armados – entre os quais os jihadistas – que visam perpetuar os conflitos como fonte de poder e de renda. É clara, ainda, a advertência contra o uso de armas ligadas à IA, pois “não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável”. São necessárias restrições éticas rigorosas, compartilhadas internacionalmente, baseadas na responsabilidade pessoal e na proteção dos civis, pois “toda tecnologia que facilita atacar sem ver o rosto do outro abaixa o limiar moral do conflito” (199).

A crise do multilateralismo
A cultura do poder decorre também da crise do multilateralismo e do surgimento de um “multipolarismo desordenado e conflituoso” (201). A força do direito é substituída pelo direito do mais forte; as lógicas do poder prevalecem sobre a construção da paz e as instituições criadas para zelar pelo destino comum dos povos estão agora enfraquecidas. A esse respeito, o Papa deseja para a ONU “reformas profundas” que superem a atual crise de valores em favor do bem comum (226).

A civilização do amor
O cristão é chamado a responder à cultura do poder construindo “a civilização do amor” e escolhendo entre alimentar a lógica da força ou zelar pela paz. O Papa aponta cinco “caminhos de responsabilidade”: desarmar as palavras dizendo a verdade; construir a paz na justiça; assumir o olhar das vítimas tomando posição, pois há conflitos em que “não é justo permanecer neutro”; cultivar “um saudável realismo” que busque caminhos de paz viáveis com os fatos, não apenas com palavras. Por fim, relançar o diálogo, passando de uma cultura do poder para uma cultura da negociação. É decisivo também “o diálogo entre as religiões”, portador de uma mensagem de paz: “Quem usa o nome de Deus para legitimar o terrorismo, a violência ou a guerra trai o seu rosto” é a advertência de Leão XIV (223).

A magnífica humanidade
Ao concluir a carta, o Pontífice convida os fiéis a viver as novas tecnologias à luz do Evangelho, seguindo “um itinerário de vida cristã sóbrio e exigente”. Para que, mesmo na era da IA, todos possam testemunhar “a beleza de uma magnífica humanidade habitada por Deus”.

Apresentação da encíclica na Sala do Sínodo

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EVANGELHO DO DIA (Mc 10,28-31)

ANO "A" - DIA: 26.05.2026
8ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIA DE SÃO FELIPE NÉRI

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois, revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 28 começou Pedro a dizer a Jesus: "Eis que nós deixamos tudo e te seguimos". 29 Respondeu Jesus: "Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30 receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna. 31 Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Disposto a preferir o paraíso"

Disposto a uma verdadeira entrega
São Filipe Néri preferiu o paraíso, e nós, no ocaso de nossa vida, o que vamos escolher? Você tem coragem de dizer: “Eu prefiro o paraíso”?

Naquele tempo, começou Pedro a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo: quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna”. (Mc 10,28-31)

A palavra central do Evangelho de hoje é “deixar”. Monsenhor Jonas, quando fez o apelo para os primeiros chamados da Comunidade Canção Nova, perguntou: “Quem está disposto a deixar?” E, novamente, nós tocamos nesta palavra neste dia: quem está disposto a deixar tudo o que lhe gera apego para se dedicar inteiramente ao Evangelho?

A disponibilidade para abandonar-se inteiramente
Claro que aqui, quando falo de dedicar-se ao Evangelho, não estou falando apenas de vocação. A sua família é um espaço de dedicação ao Evangelho. Talvez você já seja um religioso, então aí é um espaço de dedicação ao Evangelho de fato, entende? Vivido na vida, com testemunho. Quem está disposto a deixar? Será que você está disposto a deixar tudo o que lhe gera apego para se dedicar a Jesus?

Você está disposto a deixar a sua embriaguez? Está disposto a deixar o cigarro por amor a Jesus? Quem é mais importante: Jesus ou este cigarro que está acabando com a sua vida? Você está disposto a deixar? Deixe que o amor a Jesus cresça em sua vida? Quem é mais importante: Jesus ou a sua ideologia política? Será que a sua ideologia política é mais importante que Jesus? Essa ideologia política, que tanto o afasta da Igreja e o aproxima do mundo e dos pensamentos do mundo… Você está disposto a deixar tudo isso?

O coração disposto e a recompensa divina
Jesus nos convida a uma entrega total, e Ele nos faz uma promessa: quem deixar tudo receberá cem vezes mais agora, durante esta vida, e depois a vida eterna. Só que, antes de falar da vida eterna, Ele diz: “com perseguições”. Então, Ele não disse que seria fácil — já ouvimos essa frase —, mas disse que valeria a pena. Vale a pena seguir a Jesus. Vale a pena permanecer com Ele, não obstante às perseguições, aos sofrimentos e às dores desta vida. Eu quero deixar tudo para permanecer com Jesus, amor da minha vida neste mundo e amor da minha vida também no mundo vindouro.

Sobre você, desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


Deus conhece o coração


Homilia da Santa Missa: Humildade, inveja e a escolha de Deus

Pregador: Padre Adriano Zandoná

Imagina se Deus mandasse uma lepra toda vez que você falasse mal de alguém. A primeira coisa a cair em nós seria a língua!

Quando Deus exalta uma pessoa, é porque essa pessoa tem humildade o bastante para continuar lá em cima, sem pisar nos outros, sem sufocar os outros. Estou falando de quando Deus faz, porque, às vezes, há pessoas que chegam lá em cima por outros meios, não é? Mas quando Deus escolhe exaltar uma pessoa, é porque, no coração dela, há coisas que eu e você não estamos vendo.

Na Igreja Católica, na Canção Nova, eu me admiro com alguns irmãos de comunidade, e eu preciso dizer: há pérolas escondidas.

Usamos o termo “você não dá nada para a pessoa”, mas quando você começa a conviver com ela, descobre uma riqueza de humildade, uma pessoa de oração, uma pessoa modesta, uma pessoa com bons conselhos, uma pessoa que quer o bem do outro.

Você já encontrou pessoas assim?
A gente encontra pessoa ruim, mas também encontra pessoa boa. Na Igreja, há pérolas, há riquezas. Na Canção Nova, há riquezas.
Nem sempre as aparências mostram a verdade

Às vezes, você não dá nada para uma pessoa, e, há outras pessoas de quem você espera tanto, mas quando começa a conviver com ela, não é aquilo que imaginava.

Eu sinto isso quando vou à academia: todo mundo acha que quem tem dois metros tem que levantar duzentos quilos. Aí, chega um grandão e fala: “Mas você é grande!”. Respondo: “Eu sou grande, mas não sou um orangotango”.

Eu uso esse exemplo para dizer que, às vezes, você espera muito de alguém, mas não é aquilo que você imaginava. Deus vê o que você não vê.

Respeitar a escolha de Deus
Quando Deus escolhe um ungido para exaltar, é porque Ele viu que tem humildade naquele coração. E a gente tem que respeitar a escolha de Deus e submeter-se à escolha d’Ele, senão seguimos o caminho de Lúcifer.

Diz a tradição que o demônio, quando soube que teria que servir um Deus feito carne – porque o diabo era um anjo, um espírito perfeito –,ele disse: “Não, eu não vou servir”. Ele deixou de ser um anjo de luz, que era Lúcifer, e tornou-se o diabo e foi expulso do céu.

Então, se você não se submete à escolha de Deus, você entra na mesma dinâmica.

O perigo da comparação
Eu escrevi um livro para vocês, mulheres, e digo com muito respeito: quem leu o livro sabe que eu coloquei psicologia feminina, pesquisas e relatos de mulheres. Não é achismo.

Pela constituição afetiva e psíquica da mulher, existe uma sensibilidade emocional maior e uma tendência maior à comparação. Isso é psicologia. E o problema é que a inveja nasce, muitas vezes, da comparação.

A gente se compara:
“Fulana tem mais atenção.”
“Fulana tem o cabelo de tal jeito.”
“Fulano tem isso, fulano tem aquilo.”

Mas você é único. Você é única.
Deus tem algo único para você

Deus tem coisas lindas para você. E enquanto você fica olhando o que o outro tem e o que você não tem, Deus não dá o que é seu.

Enquanto a gente fica cobiçando o que é do outro e não abre os olhos para aquilo que Deus quer fazer em nós, Ele não pode entregar aquilo que é nosso.

Cada um tem um processo de maturação. Cada um tem um tempo.
Às vezes, você está cobiçando o que o outro recebeu, mas se você recebesse aquilo agora, poderia até destrui-lo.
Um exame de consciência

A graça de Deus age de forma pessoal na vida de cada um. Por isso, o primeiro passo é fazermos um exame de consciência.

Analisemos o nosso coração e arranquemos a inveja pela raiz.
Porque a inveja gera maldade.
A inveja gera fofoca.
A inveja gera amargura.
A inveja gera tristeza.

E Deus quer libertar o nosso coração para que possamos viver aquilo que Ele preparou para cada um de nós.

São Filipe Néri

Filipe Néri nasceu em San Pier Gattolino, próximo à cidade de Florença, Itália, no ano de 1515. Sua família era rica. Ficou órfão de mãe muito cedo, e ele e sua irmã Elisabete foram educados pela madrasta. Criança, era conhecido pela alegria, lealdade, inteligência e bondade, ganhando o apelido de Pippo il Buono, “Filipe o bom”.

Estudou e trabalhou com o pai, um tabelião, e embora frequentasse normalmente a igreja, não aparentava vocação religiosa. Quando fez 18 anos, recebeu o convite de um tio para trabalhar em São Germano, na região de Monte Cassino, sul de Roma. Ali, por contato e influência dos monges beneditinos da famosa abadia de Monte Cassino, decide, ao contrário do jovem rico que não seguiu Jesus (Mt 19,16-30), abandonar as riquezas para se entregar a Deus.

Foi para Roma sem dinheiro e sem projeto algum, confiando na Divina Providência. Foi recebido por uma família, na qual ajudou a criar os dois filhos, que se tornaram sacerdotes. Estudou Filosofia e Teologia com os agostinianos, e passou a viver austeramente, alimentando-se só de pão, água e legumes, dormindo pouco e dedicando-se longamente à oração e adoração. Por fim vendeu sua biblioteca, deu os bens aos pobres e passou a viver a maior parte do tempo nas igrejas e catacumbas.

Iniciou o hábito da “Visitação das Sete Igrejas” – Giro delle Sette Chiese. Passava a maioria das suas noites nas catacumbas da cidade. No tempo livre, dedicava-se com alegria à ajuda e pregação aos pobres, órfãos, doentes e prisioneiros.

Certa noite, a caminho de levar alimentos a um desvalido, foi salvo pelo anjo da guarda de cair num profundo buraco – não o seu anjo, mas o da pessoa a quem ia ajudar: Deus quis assim mostrar quanto Lhe era agradável a esmola que ia fazer.

Em 1544, na Vigília de Pentecostes, na catacumba da Basílica de São Sebastião, pediu ao Espírito Santo os Seus dons; uma bola de fogo entrou-lhe pela boca e fez arder de tal modo o seu coração, que este se dilatou, deslocando duas costelas (fato constatado por uma autópsia) e formando uma protuberância visível no seu peito. Mas ele nunca sentiu qualquer dor.

Fundou a Irmandade da Santíssima Trindade, em particular para acolher os romeiros que visitavam a cidade, particularmente os doentes e pobres, oferecendo hospedagem e tratamento gratuitos, com o auxílio de 15 companheiros. No início de cada mês, Filipe convidava o povo para a Adoração Eucarística, e embora fosse leigo pregava admiravelmente; muitas eram as esmolas recebidas para a Irmandade, à qual ficavam honrados de pertencer cardeais, bispos, reis, princesas, generais e ministros. Seu exemplo estimulou muitas vocações religiosas; e Santo Inácio de Loyola, que o conheceu, dizia que ele parecia um sino, levando todos para dentro da Igreja, enquanto ele mesmo não entrava… Filipe achava-se indigno.

Afinal, com 36 anos, obediente ao seu confessor, foi ordenado sacerdote em 1551 e designado para a igreja de São Jerônimo da Caridade. E desejou ir para as Índias e morrer como mártir. Mas São João Evangelista apareceu-lhe para dizer que sua missão era em Roma.

Assim, fundou ali a Congregação do Oratório, chamando outros homens distintos pelo saber e piedade para participarem. A origem foi o Oratório do Divino Amor, onde reunia jovens para cantar e rezar, ele mesmo um apaixonado da poesia e música; o drama lírico com coro e orquestra foi desenvolvido. Nas reuniões dos adultos, frequentadas por todo o clero e pelos fiéis, fazia profundas reflexões a partir da Summa Teologica de São Tomás de Aquino, seus estudos universitários e experiência particular.

Seu sucesso despertou a inveja, e daí a perseguição, que culminou numa falsa acusação às autoridades eclesiásticas: Filipe foi suspenso das suas ordens sacerdotais e impedido de celebrar a Missa, ministrar a Eucaristia e pregar. Em resposta, dizia: “Como Deus é bom, que assim me humilha!”. Mas, seu principal inimigo, cardeal Virgilio Rosario, acabou por se retratar, publicamente, e se tornar seu discípulo. A suspensão foi retirada, e o Papa, São Pio V, quis torná-lo cardeal, oferta que Filipe recusou.

Sua vida sacerdotal era exemplar. Passava grande parte do dia no confessionário. Suscitou vocações, como a de César Barônio († 1607), autor de “Anais Eclesiásticos”, obra de extremo valor histórico e espiritual por compilar com exatidão fatos pretéritos da Igreja. Para não entrar em êxtase, o que era frequente, Filipe pedia companhia para rezar a Liturgia da Horas. Podia ver a santidade no rosto dos outros, como disse por exemplo para São Carlos Borromeu e Santo Inácio de Loyola.

Fez vários milagres, o principal a ressurreição do jovem e doente Paolo Massimo, em 16 de março de 1583. Atrasado para lhe ministrar os últimos sacramentos, encontrou o rapaz morto, mas ao falar o seu nome ele voltou à vida; recebendo o viático e as últimas assistências espirituais, o moço morreu.

Assim, aos poucos Roma foi se transformando, afastando-se da devassidão e paganização, e Felipe Néri ficou conhecido como “Apóstolo de Roma”.

Por seus jejuns e orações, acompanhado por Barônio, confessor do Papa Clemente VIII, conseguiu que este perdoasse pela segunda vez a heresia calvinista do rei Henrique IV, evitando assim que toda a França caísse na apostasia.

No final da vida, entrava em êxtase durante a celebração da Santa Missa, ficando seu corpo elevado até 45 cm do chão. Por isso, o Papa o consultava em decisões importantes, e também quis beijar as suas mãos.

Em 1594, idoso e doente, cria-se que em breve morreria. Mas os médicos, saindo do seu quarto, ouviram sua exclamação: “Ó minha Senhora, ó dulcíssima e bendita Virgem! Não sou digno, não sou digno de Vós, ó dulcíssima Senhora, que venhais visitar-me!”. Voltando, encontraram Filipe elevado sobre o leito: “Não vistes a Santíssima Virgem, que me livrou das dores?”.

Levantou-se, curado, e só veio a falecer no ano seguinte, no dia de Corpus Christi, após prever o horário de sua morte. Deitou-se na cama, em perfeita saúde, e disse “Eu preciso morrer”. Três horas depois, faleceu serenamente, assistido pelo cardeal Barônio.

São Filipe Néri é conhecido como o santo da alegria e da caridade, e padroeiro dos educadores e comediantes.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

São Filipe Néri foi exemplar como leigo, por saber abandonar as riquezas passageiras (ainda que legítimas) e pela imensa caridade no auxílio ao próximo, tanto na formação e assistência imateriais quanto nos auxílios materiais, e igualmente como sacerdote, pela pregação e ministério específico, particularmente no Sacramento da Confissão. Mas o que o singulariza dentre outros santos que assim também procederam é sem dúvida a sua alegria e bom humor. Seu lema, “Peccati e melancolia, fuori di casa mia”, “Pecados e melancolia, fora da casa minha”, é já uma declaração da sua confiança e abandono em Deus, ou seja, de um caminho concreto de santidade. E só a santidade pode trazer a verdadeira alegria. Nem sempre ela se manifestará em risos, é fato, mas quando além desta paz e serenidade internas que existem na comunhão (ainda que discreta) com Deus se traduz de forma mais perceptível, enorme é o seu poder de levar as almas para Deus. O verdadeiro bom humor, que tem sua origem e constância no seguir a Jesus, é apanágio dos santos, e parece ser especialmente recompensado por Deus (cf. São Jonas e São Baraquísio, em Santo do Dia - São Jonas e São Baraquísio (ou Barachiso) - Reze no Santuário Nacional (a12.com) ). Outro destaque em São Filipe Néri é que, apesar das suas grandes obras assistenciais, os seus maiores auxílios foram indiscutivelmente espirituais. Este é o sentido maior, aliás, do sacerdócio, e foi depois de abraçá-lo que a obra caritativa de Filipe tornou-se ainda maior, gigantesca. Talvez o melhor exemplo seja o caso de Paolo Massimo: receber os últimos sacramentos era de tal modo importante que Deus concedeu-lhe a ressurreição por meio do padre Filipe, para apenas em seguida levá-lo Consigo – o que talvez pudesse não ser o seu destino, sem esta ação espiritual. Devemos estar sempre atentos, clero e fiéis da Igreja, para a primazia do espiritual, pois é efetivamente desta dimensão existencial que teremos, ou não, a Vida infinita, e alegre, no Paraíso.

Oração:

Senhor Deus, que és e doais a Vida, concedei-nos por intercessão de São Filipe Néri dilatar o coração para Vós, abraçando a riqueza que é Vos servir na obediência e oração e na caridade aos irmãos, ainda que no corpo soframos as fraturas das imperfeições inerentes à nossa condição de pecadores; pois só assim chegaremos à alegria infinita de participar da Vossa Ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

Especialistas em IA: uma "voz moral" que nenhum incentivo irá submeter


Especialistas renomadosdo mundo das novas tecnologias na apresentação da primeira encíclica de Leão XIV. Olah, cofundador da Anthropic: grato ao Papa; é preciso pessoas "de fora" da nossa área que estejam dispostas a dizer "coisas incômodas". Lushombo, professor de pensamento social católico: crianças são exploradas no Sul global para que o fluxo do progresso não pare. Rowlands, teóloga política: ter cautela com as perspectivas pós-humanistas e transumanistas

Edoardo Giribaldi – Cidade do Vaticano

"Poderia parecer estranho", admite ele, que o cofundador da Anthropic, uma das empresas de inteligência artificial mais influentes, entre no debate aberto pela primeira encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica humanitas, dedicada à salvaguarda da pessoa humana na era da IA. No entanto, é precisamente no coração deste território, marcado pelo lucro, competição geopolítica e ambição desenfreada, que se sente a necessidade de uma voz capaz de resistir aos "incentivos", de proferir palavras "incômodas", de recordar aquilo que as máquinas jamais possuirão: corpo, consciência e senso moral.

Uma voz que também denuncie o lado oculto do progresso. As crianças no Sul Global obrigadas a trabalhar dias inteiros em meio a poeira tóxica e materiais triturados para extrair as terras raras necessárias para alimentar o "fluxo de cálculo" do mundo digital. Governos incapazes de "olhar além do PIB". É por isso que o debate sobre inteligência artificial não é "neutro". Recordar hoje a centralidade da pessoa humana significa intervir em um contexto de fratura histórico, suspenso entre o desespero e a tentação prometeica de se tornar a própria divindade. Nesse cenário, a voz do Pontífice aparece não como uma "interferência indesejada", mas como a continuação de uma longa vigilância iniciada há 135 anos com a Rerum Novarum: desmascarando os ídolos de cada época. Os de hoje imaginam a humanidade como "engrenagens do Estado, agentes de mercado ou instrumentos de uma ordem algorítmica", redimíveis apenas pelas promessas do pós-humanismo e do transhumanismo. Mas, em uma época em que "o poder faz a razão" e, ainda assim, cresce mais rápido do que a sabedoria necessária para governá-lo, a verdadeira urgência permanece a mesma: redescobrir o valor profundamente humano das limitações.

É assim que algumas vozes renomadas no campo das novas tecnologias enquadraram a primeira encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica humanitas, sobre a proteção da pessoa humana na era da inteligência artificial. A apresentação do documento teve lugar nesta segunda-feira, 25 de maio, na Sala do Sínodo, na presença do Pontífice, e incluiu comentários de Christopher Olah, cofundador da Anthropic, uma empresa estadunidense de influência global no campo das novas tecnologias, e responsável pela pesquisa sobre a interpretabilidade da IA; Anna Rowlands, docente de Teologia Política, incluindo a Doutrina Social da Igreja e Ética Teológica da Migração Humana no Departamento de Teologia e Religião da Universidade de Durham, Reino Unido; e Leocadie Lushombo, docente de Teologia Política e Pensamento Social Católico na Escola Jesuíta de Teologia da Universidade de Santa Clara, Califórnia (Jesuit School of Theology della Santa Clara University.

Anna Rowlands, entre o cardeal Hernandez e Olah (@Vatican Media)

Olah: IA, "personagem fictícia" que fala ao humano
Olah se apresenta como alguém que escolheu trabalhar na área de IA para o bem da humanidade. No entanto, não esconde a estrutura de "restrições" dentro da qual trabalha, que, às vezes, "pode ​​entrar em conflito com fazer a coisa certa". Essas são pressões novas e antigas, das quais é praticamente impossível não ser influenciado. Daí a necessidade de pessoas "de fora" do sistema, capazes de exercer uma crítica consciente e gerar o "impulso e a pressão" que podem realmente fazer a humanidade avançar. Magnifica humanitas se encaixa nessa linha, buscando um terreno comum compartilhado por Anthropic e Leão XIV, bem como outros líderes de diferentes tradições religiosas: "Se essa tecnologia deve chegar, é preciso que ela funcione bem, para nossa casa comum e para as gerações futuras". Olah enfatiza que as questões relacionadas à IA não se limitam aos cientistas da computação, porque esses sistemas não funcionam como o projeto complexo de, por exemplo, uma ponte ou um avião. De fato, eles operam em uma estrutura que replica o cérebro humano, posicionando-se em uma linha "mais tênue" do que a imagem da ficção científica de "robôs frios e calculistas". Além disso, são desenvolvidos por meio de processos que permanecem um tanto misteriosos. "Se isso ajudar, às vezes descrevo assim: é um pouco como dar vida a um personagem fictício. E agora estamos entrando em um mundo extraordinário onde esses personagens fictícios falam conosco, são ativos e têm empregos."
"Continuamos a encontrar coisas misteriosas, até mesmo perturbadoras"


O cofundador da Anthropic então se concentra em três aspectos abordados na encíclica do Papa Leão XIII. O primeiro diz respeito ao dever para com os pobres do mundo, à luz da possibilidade real de a IA substituir o trabalho em larga escala. "Se isso acontecer, apoiar as pessoas que ela substituir será um imperativo moral de proporções históricas", reconhece Olah, especialmente considerando como o desenvolvimento de novas tecnologias está "concentrado em um punhado de nações ricas".

O segundo aspecto é a "necessidade de imaginação moral e de ambição para a realização humana": questões que já preocupam muitos pais, "comprometidos com a mente de seus filhos". Por fim, surge a "necessidade de discernimento sobre a natureza dos modelos de inteligência artificial".

Olah, que lidera uma equipe de pesquisa que estuda a estrutura interna desses sistemas, não mede palavras: "Continuamos a encontrar coisas misteriosas, até mesmo perturbadoras. Detectamos estruturas que espelham as descobertas da neurociência humana. Encontramos evidências de introspecção. Não sei o que isso significa, mas acho que exige discernimento constante."

Christopher Olah, cofundador da Anthropic (Foto: Maurizio Brambatti/ANSA) (ANSA)

O Início de um "projeto global de boa vontade"
O pronunciamento de Olah se conclui com um pedido: que "uma parte mais ampla do mundo", especialmente as suas instituições, independentemente do âmbito de pertença, imitem a ação do Papa: "levar essa questão a sério, examiná-la cuidadosamente e direcionar os acontecimentos para um caminho melhor". "Precisamos de críticos competentes para dizer aos laboratórios quando eles estão errados. Precisamos de vozes morais que os incentivos não possam silenciar." Magnifica humanitas representa, portanto, "o início de uma longa colaboração", um "projeto global de boa vontade" capaz de conduzir "a um futuro cheio de esperança para a magnífica humanidade".
Lushombo: salvaguardar a Verdade

Uma das primeiras advertências da encíclica, identificada por Lushombo, é a "salvaguarda da verdade". Embora as máquinas possam, "em certo sentido", fornecê-la ao disponibilizar informações precisas, não lhes deve ser atribuída a "responsabilidade pessoal de expressar juízos". De fato, uma IA não possui experiências corporais ou sensoriais, não amadurece por meio de relacionamentos e não assimila conceitos como a distinção entre o bem e o mal. Na Magnifica humanitas, afirma o professor, Leone também se concentra na preservação da liberdade interior, reconhecendo que as estruturas das plataformas digitais são "projetadas para capturar o tempo e o olhar dos usuários, explorando suas fragilidades".

O relacionamento no conhecimento
A verdade, afirma o Papa no documento, não é apenas "racional", mas também "relacional" e, portanto, sujeita a revisões e trocas que surgem das realidades concretas, especialmente as mais pobres, porque elas "nos dizem como é o mundo". Esses conceitos encontram expressão nas diversas culturas do planeta: na América Latina, na dinâmica de "convivência e conjunto, no cotidiano"; na África, na filosofia Ubuntu, segundo a qual "sou humano porque pertenço. Participo, compartilho"; na Ásia, no ideograma coreano 정, que indica "o senso de conexão emocional, pelo qual as pessoas veem os outros como fundamentalmente conectados a si mesmas".

Leocadie Lushombo, docente de Teologia Política e Pensamento Social Católico na Escola Jesuíta de Teologia da Universidade de Santa Clara, Califórnia. (Foto: Maurizio Brambati) (ANSA)

Um novo "extrativismo colonial"
Magnifica humanitas, continua Lushombo, convoca o Sul Global a não perder seus valores humanos devido à IA, que torna o aprendizado transacional e excessivamente autônomo, e as culturas menos desenvolvidas "ainda mais vulneráveis ​​ao extrativismo colonial". O Papa escreve a esse respeito: "O colonialismo em nossos dias mostra uma nova face. Ele não apenas domina os corpos, mas também se apropria dos dados, transformando vidas pessoais em informações exploráveis".

Não delegar poder a quem pode manipular
Em relação às implicações práticas da IA, a Magnifica humanitas destaca três desafios, segundo Lushombo: sociopolítico, pedagógico e intelectual. Usar novas tecnologias para o bem significa "dar voz às pessoas de maneiras que não eram possíveis antes", possibilidades às quais a IA oferece acesso. Isso deve ser feito tendo em mente que tudo o que circula on-line "molda a imaginação", especialmente a dos mais jovens. O conhecimento, portanto, não é "um monopólio de poder ou influência, nem é colonial, como muitas vezes é a inteligência artificial tecnológica". Seu desenvolvimento desenfreado sufoca o desejo de fazer perguntas, o único caminho verdadeiro para o conhecimento. Como escreve Leone: "Se não tomarmos cuidado, um sistema educacional desprovido de amor pela verdade pode se formar, no qual o fluxo incessante de informações substitui o exercício da pesquisa, da reflexão e do discernimento". Seria inaceitável sacrificar esse "impulso transcendental" à IA, delegando maior poder "àqueles que podem manipular o sistema de informação com mais eficácia e usá-lo para seu próprio benefício".

"Olhar para além do PIB"
Na Magnifica humanitas, o Papa também denuncia os desenvolvimentos tecnológicos que ampliam a desigualdade entre ricos e pobres, "seguindo os padrões da globalização econômica". Nesse sentido, a encíclica apela à necessidade de proteger os trabalhadores, muitas vezes substituídos pela IA, instando-nos a "olhar além do PIB". Especialmente no Sul global, observa Leone, "adolescentes e crianças trabalham em condições perigosas triturando materiais dos quais se extraem terras raras" para que "o fluxo de cálculos não seja interrompido".

Muitos governos, explica Lushombo, priorizam esse tipo de aquisição, mesmo quando tais materiais não são essenciais para o desenvolvimento humano integral. Além disso, esses mesmos recursos são frequentemente usados ​​para fortalecer o potencial militar dos países mais poderosos. Como afirma a Encíclica, conclui o professor, "as ferramentas que temos hoje são insuficientes diante das mudanças provocadas pela inteligência artificial, pelas novas estruturas de mercado e pela intensificação da concorrência, que muitas vezes negligencia a sustentabilidade social". Líderes políticos, sindicatos, empresas e cientistas devem, portanto, trabalhar juntos rapidamente para criar regulamentações eficazes e compartilhadas internacionalmente.

O Indivíduo no centro
A reflexão do Papa na Magnifica humanitas não é "neutra", pois as visões incorporadas pelas tecnologias atuais não são equidistantes, segundo Rowlands. O professor enfatiza o apelo para "transformar os modos dominantes de poder em formas de poder compartilhado e medir os desenvolvimentos tecnológicos por sua contribuição para um progresso social e ético autêntico".

Enquanto a encíclica do Papa Francisco de onze anos atrás, Laudato si', alertava para um "paradigma tecnocrático que mede o valor humano pela utilidade", a primeira encíclica de Leão XIV esclarece que, para superar tais padrões, é necessário primeiro salvaguardar a pessoa, centrada em Jesus Cristo. Essa ideia está longe de ser um clichê, mas sim atingiu um "ponto de ruptura", gerando duas reações diametralmente opostas, porém igualmente danosas: por um lado, dor e desespero; por outro, o "desejo de transcender nossa humanidade buscando nos tornarmos nossas próprias divindades". Magnifica humanitas, por outro lado, propõe uma existência livre desses grilhões, fazendo com que a voz da Igreja ressoe em uma questão social que alguns podem interpretar como "interferência indesejada". No entanto, observa o professor, é precisamente tarefa da comunidade eclesial "acompanhar a humanidade em sua busca pelo verdadeiro bem e promover a unidade". Isso é possível promovendo uma visão que vai além dos indivíduos entendidos como "engrenagens do Estado, agentes de mercado ou instrumentos de uma ordem algorítmica".

O valor dos limites
Desde a Encíclica Rerum Novarum de Leão XIII, de 1891, há mais de 135 anos a Igreja desmascara os "falsos ídolos presentes nas ideologias de cada época". Magnifica humanitas alerta contra a visão difundida hoje de que a humanidade é "salva" pela IA ou por suas perspectivas pós-humanistas e transhumanistas. Reafirma o valor dos limites contra aquelas crenças que "apresentam a autonomia total, a automação radical, as ambições de uma consciência artificial e a superação das limitações humanas como objetivos salvíficos", mas que acabam gerando "novas dependências, exclusões, manipulações e desigualdades".

O homem contemporâneo e o poder
A tradição das Encíclicas, no entanto, também conta uma "história positiva" de tecnologias que aliviam o sofrimento humano, expandem a liberdade e satisfazem as necessidades humanas. Isso nem sempre acontece com as tecnologias atuais, que "carregam culturas e sustentam arquiteturas morais". Onde o poder da inovação não pertence mais aos Estados, mas a alguns poucos atores privados muito ricos, "cujas culturas escapam ao controle do interesse público e correm o risco de se apresentarem como um novo império".

No documento, o Papa resume a situação atual com uma observação do teólogo Romano Guardini: "O homem moderno não foi educado no uso correto do poder". Como, então, podemos retornar às origens? Essa é a questão que permeia a encíclica, um incentivo a fazer a sua parte, rompendo o vínculo entre os "falsos realismos" que normalizam a guerra e a dominação social, automatizam a realidade e reduzem o indivíduo a dados. "O poder gera a razão", mas "nada mais é do que força que, sob a máscara, revela relações empobrecidas". Magnifica humanitas, conclui Rowlands, nos ajuda a compreender que o desejo de poder, o que Santo Agostinho chama de libido dominandi, "pode ​​ser louvado pelo mundo como força, mas é desprezo por Deus e pelo próximo e nunca é uma virtude cristã".

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segunda-feira, 25 de maio de 2026

EVANGELHO DO DIA (Jo 19,25-34)

ANO "A" - DIA: 25.05.2026
BEM AVENTURADA VIRGEM MARIA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.

- Ó feliz Virgem, que geraste o Senhor; ó santa Mãe da Igreja, que nos alimenta com o Espírito do teu Filho, Jesus Cristo.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.

-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 25 perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. 26 Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, este é o teu filho”. 27 Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. 28 Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse: “Tenho sede”. 29 Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. 30 Ele tomou o vinagre e disse: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. 31 Era o dia da preparação para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. 32 Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro que foram crucificados com Jesus. 33 Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; 34 mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Maria, a Mãe da Igreja"

Acolha Maria como a Mãe da Igreja
“Eis aí tua mãe”, diz Jesus a João e a nós.

Naquele tempo, perto da cruz de Jesus, estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria de Cleofas e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, este é o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. (Jo 19,25-34)


Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse: “Tenho sede”. Irmãos e irmãs, hoje, logo após o domingo de Pentecostes, nós celebramos a memória da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja. “Eis aí tua mãe”. Então, ela é mãe, não apenas essa palavra é para João, mas é para todos nós. A Mãe da Igreja é mãe de todos nós.
Aos pés da Cruz, recebemos a Mãe da Igreja

Aos pés da cruz, irmãos e irmãs, todos nós nos tornamos filhos de Maria por vontade de Jesus. Jesus disse: “Eis aí tua mãe”. O Evangelho e a memória litúrgica que celebramos, hoje, nos levam a imitar aquela que foi a primeira que acreditou no Evangelho — a primeira que acreditou no Evangelho vivo, que é seu próprio Filho. Também nós queremos aprender, neste dia em que celebramos a memória de Nossa Senhora, Mãe da Igreja, Nossa Mãe, este papel da maternidade e dos cuidados de Nossa Senhora.

Nós somos tutelados por ela; estamos sob a tutela de Maria. Ela caminha conosco em tudo, caminha conosco em nossa espiritualidade e em nosso cotidiano. Sim, no nosso cotidiano, Nossa Senhora permanece conosco.
Na escola de Maria para fazer a vontade de Deus

Ela é presença fiel, presença de mãe, presença de mestra e, sobretudo, presença de educadora. Nós somos educados por Maria; somos parte da Sua escola. Eu quero ser da escola de Maria; eu quero ser filho daquela que cuidou de Jesus. Como não vou desejar que ela cuide de mim também? Se ela educou Jesus, também ela nos educará.

Maria nos educa como Igreja, a fim de que façamos em tudo a vontade de Deus, em tudo escutemos a Palavra Divina, que é a salvação e que gera transformação em nós.

Então, nós também queremos rezar e dizer assim a Deus: “Faça-se em mim segundo a sua vontade, Senhor Deus. Faça-se em mim segundo o teu querer”. Você tem coragem? Você tem coragem de fazer esta oração neste dia? Então, permita que Nossa Senhora cuide de você, de suas necessidades, do seu coração e de tudo aquilo de que você precisa.

Sobre você, desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


Restaurados no poder do Espírito Santo

Restaurados no poder do Espírito Santo

O pecado de Adão e Eva é que eles desobedeceram àquilo que Deus havia instruído a eles. Não pode fazer isso, e eles foram lá e fizeram. Só que isso gerou uma consequência. Esse pecado gerou um afastamento de Deus.

À medida em que eles foram seduzidos pela serpente, à medida em que eles estiveram ali nesse diálogo e cometeram um pecado, eles se afastaram de Deus. Adão e Eva caminhavam na presença de Deus no jardim do Éden. Eles caminhavam com Deus, eles caminhavam na presença de Deus.

Depois do pecado, o que foi que Adão fez? Escondeu-se. E aí nosso Senhor pergunta: “Por que você se escondeu, Adão?” E ele disse assim: “Porque eu estava nu e tive vergonha”. Mas ele estava com vergonha não somente da sua nudez física, ele estava com vergonha da sua nudez de alma, porque ele havia desobedecido a Deus.

Ele tomou consciência de que fez o que Deus pediu para não fazer. E esse pecado nós chamamos, na doutrina da Igreja, de pecado original.

A luta constante pela obediência a Cristo
Existe uma luta constante para que nós possamos ser obedientes a Cristo. E aí, meus irmãos, é nessa hora, nessa hora dessa luta constante que há dentro de nós, que nós precisamos do auxílio do Espírito Santo.

O Espírito Santo, ele é o santificador. E se você precisa ser santo para poder chegar no céu, você precisa do auxílio do Espírito Santo.

Nós precisamos, por isso que precisamos ser restaurados pelo poder do Espírito.

Quando a gente reza o Veni Creator, nós estamos rezando isso: Vinde Espírito Criador. Quando nós rezamos ‘Vinde, Espírito Criador’, nós estamos dizendo assim: “Vinde, Espírito”.

Transformando o caos em ordem
Vou lhe dar um exemplo: se, na sua casa, a coisa está um caos, clame pelo Espírito, lá dentro, e você vai vê-Lo transformar aquele caos em ordem. Ele coloca tudo no devido lugar.

E se dentro de nós existe, de fato, essa luta do homem novo contra o homem velho, nós precisamos, constantemente, clamar pelo poder do Espírito, para que Este venha e coloque em ordem o que está dentro, inclusive para que Ele possa lhe mostrar os seus pecados.

Diácono Renné Viana
Membro da C. Canção Nova