quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

SBCC, UFN e CNBB lançam curso de extensão online e gratuito sobre Inteligência Artificial e missão pastoral


Em parceria inédita, a Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos (SBCC), a Universidade Franciscana (UFN) e o Setor Universidades da CNBB e com apoio da ANEC (Associação Nacional de Educação Católica) promovem o curso “Inteligência Artificial e missão pastoral: caminhos para um discernimento sinodal”. A iniciativa reafirma o compromisso da Igreja com o diálogo entre fé e ciência diante dos desafios do mundo contemporâneo.

Com inscrições gratuitas, a formação acontece de 24 de fevereiro a 12 de março, em formato EaD, com encontros às quartas-feiras, das 20h às 22h — totalizando 12 horas de conteúdo com certificação.

O curso oferece uma introdução acessível aos fundamentos da Inteligência Artificial e uma reflexão pastoral sobre seus impactos, limites e possibilidades na evangelização e na missão eclesial. Inspirada no magistério recente da Igreja, a proposta sublinha que a IA não substitui a inteligência humana nem possui moralidade própria, exigindo discernimento ético e responsabilidade em sua aplicação.

A quem se destina
A formação é voltada a bispos, padres, religiosos e religiosas, agentes de pastoral — especialmente da Pastoral da Comunicação e da Pastoral Universitária —, gestores, professores e profissionais da educação católica, além de pessoas com formação superior interessadas no tema.

Programação
24/02 — Inteligência Artificial e Missão Eclesial: impactos, limites e responsabilidade social da Igreja. Palestrante: Dom Edson Oriolo
26/02 — Fundamentos e evolução da IA: conceitos centrais para não especialistas. Palestrante: Prof. Dr. Rodrigo Clemente (UFPR)
03/03 — Sinodalidade e cultura digital: magistério recente e discernimento pastoral. Palestrante: Pe. Danilo Pinto (Fundação Dom Avelar/ INAPAZ)
05/03 — IA na comunicação e na evangelização: estratégias e desafios. Palestrante: Ms. Janaína Santos (Celam)
10/03 — Princípios éticos e critérios para o uso responsável da IA. Palestrante: Prof. Dr. Everthon Oliveira (CEFET-MG)
12/03 — Seminário integrador e orientações para o Módulo II. Palestrantes: Prof. Dr. Márcio Paulo Cenci (UFN)

Mais informações e inscrições


Leão XIV: toda cultura pode ser um lugar de encontro com Cristo



Em sua mensagem aos participantes do Congresso Teológico Pastoral sobre o milagre de Guadalupe, que se realiza na Cidade do México a partir desta terça-feira, 24 de fevereiro, até o dia 26, o Papa sublinha que evangelizar implica entrar com respeito e amor na história e na realidade dos povos: “Catequizar é missão central da Igreja”

Sebastián Sansón Ferrari – Vatican News

“Santa Maria de Guadalupe é uma lição da pedagogia divina sobre a inculturação da verdade salvífica”. Afirma Leão XIV em sua mensagem ao Congresso Teológico Pastoral sobre o Evento Guadalupano, que se realiza na Cidade do México a partir desta terça-feira, 24 de fevereiro, até o dia 26.

O encontro – convocado pela Pontifícia Comissão para a América Latina, pela Conferência Episcopal Mexicana, pelos Cavaleiros de Colombo e pela Pontifícia Academia Mariana Internacional - tem como objetivo principal refletir sobre o evento guadalupano para fortalecer os processos pastorais de todo o continente americano e dos outros países envolvidos, e animar todas as Igrejas das Américas e dos outros países envolvidos na novena guadalupana em vista do Jubileu de 2031.
Guadalupe, um modelo de encontro com Cristo

No texto, assinado em 5 de fevereiro, dia da memória de São Filipe de Jesus, protomártir mexicano, o Papa inicia sua reflexão reconhecendo a maneira como o próprio Deus se manifestou e nos ofereceu a salvação. Nesse sentido, afirma que Ele não quis se revelar como uma entidade abstrata nem como uma verdade imposta de fora, mas entrando progressivamente na história e dialogando com a liberdade do homem.

O Pontífice sustenta que evangelizar consiste, em primeiro lugar, em tornar Jesus Cristo presente e acessível, e que toda ação da Igreja deve procurar introduzir o ser humano em uma relação viva com Ele, “que ilumina a existência, interpela a liberdade e abre um caminho de conversão, disponho a acolher o dom da fé como resposta ao Amor que dá sentido e sustenta a vida em todas as suas dimensões”.

Leão XIV especifica que na Virgem de Guadalupe “não se canoniza uma cultura nem se absolutizam suas categorias, mas tampouco se ignoram ou desprezam: elas são assumidas, purificadas e transfiguradas para se tornarem um lugar de encontro com Cristo”.

A Morenita manifesta a maneira de Deus se aproximar de seu povo: respeitosa no ponto de partida, compreensível na linguagem, firme e delicada ao conduzir ao encontro com a Verdade plena, com o Fruto abençoado de seu ventre. Na tilma, entre rosas pintadas, a Boa Nova entra no mundo simbólico de um povo e torna visível sua proximidade, oferecendo sua novidade sem violência nem constrangimento. Assim, o que aconteceu em Tepeyac não se apresenta como uma teoria nem como uma tática, mas como um critério permanente para o discernimento da missão evangelizadora da Igreja, chamada a anunciar o Deus verdadeiro por meio do qual se vive, sem impô-lo, mas também sem diluir a novidade radical de sua presença salvífica.

Inculturação, um processo exigente
O Bispo de Roma esclarece que inculturar o Evangelho segue o caminho de Deus, que consiste em “entrar com respeito e amor na história concreta dos povos, para que Cristo possa ser verdadeiramente conhecido, amado e acolhido a partir da própria experiência humana e cultural”.

Isso implica assumir as línguas, os símbolos, as formas de pensar, de sentir e de se expressar de cada povo, não apenas como veículos externos do anúncio, mas como lugares reais nos quais a graça deseja habitar e operar.

Ao mesmo tempo, ele adverte que a inculturação não equivale a sacrificar a verdade cristã nem a adotar a cultura local como critério de fé.

A inculturação não equivale a uma sacralização das culturas nem à sua adoção como quadro interpretativo decisivo da mensagem evangélica, nem pode ser reduzida a uma acomodação relativista ou a uma adaptação superficial da mensagem cristã, pois nenhuma cultura, por mais valiosa que seja, pode identificar-se simplesmente com a Revelação nem se tornar o critério último da fé.

Ele adverte ainda que “legitimar tudo o que é culturalmente dado ou justificar práticas, visões de mundo ou estruturas que contradizem o Evangelho e a dignidade da pessoa significaria ignorar que toda cultura — como toda realidade humana — deve ser iluminada e transformada pela graça que brota do mistério pascal de Cristo”.

A inculturação, argumenta ainda, é “um processo exigente e purificador, através do qual o Evangelho, permanecendo íntegro em sua verdade, reconhece, discerne e assume os semina Verbi presentes nas culturas e, ao mesmo tempo, purifica e eleva seus valores autênticos, libertando-os do que os obscurece ou os deturpa. Essas sementes do Verbo, como traços da ação prévia do Espírito, encontram em Jesus Cristo seu critério de autenticidade e sua plenitude”.

Evangelizar a partir da realidade concreta
O Papa observa que hoje a transmissão da fé não pode mais ser dada como certa, sobretudo nos grandes centros urbanos e nas sociedades plurais, onde Deus é relegado à esfera privada ou posto de lado.

Por isso, o Bispo de Roma sublinha que a transmissão da fé “não pode ser concebida como uma repetição fragmentária de conteúdos nem como uma preparação meramente funcional para os sacramentos, mas como um verdadeiro caminho de discipulado, no qual a relação viva com Cristo forma fiéis capazes de discernir, de dar razão da sua esperança e de viver o Evangelho com liberdade e coerência”.

Catequese, uma prioridade para os pastores
Leão XIV, em sintonia com as recomendações do Documento de Aparecida de 2007, lembra que a catequese é a “prioridade inalienável para todos os pastores”.

Ela é chamada a ocupar um lugar central na ação da Igreja, a acompanhar de forma contínua e profunda o processo de amadurecimento que conduz a uma fé realmente compreendida, assumida e vivida de maneira pessoal e consciente, mesmo quando isso implique ir contra a corrente dos discursos culturais dominantes.

O Papa Prevost, ex-presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, incentiva os participantes do Congresso a se inspirarem nos santos evangelizadores do continente: Toribio de Mogrovejo, Junípero Serra, Sebastián de Aparicio, Mamá Antula, José de Anchieta, Juan de Palafox, Pedro de San José de Betancur, Roque González, Mariana de Jesús e Francisco Solano, entre outros.


Ele conclui confiando a obra de evangelização à intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe, Estrela da Nova Evangelização, e desejando que ela acompanhe e inspire todas as iniciativas no caminho rumo aos 500 anos de sua aparição.





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EVANGELHO DO DIA (Lc 11,29-32)

ANO "A" - DIA: 25.02.2026
1ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Jesus Cristo, sois bendito, sois o ungido de Deus Pai!
- Voltai ao Senhor, vosso Deus, ele é bom, compassivo e clemente.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 29 quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: "Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas. 30 Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração. 31 No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará juntamente com os homens desta geração, e os condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão. 32 No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. Porque eles se converteram quando ouviram a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Obediência a Deus: O Único Caminho para a Verdadeira Bênção"

Naquele tempo, quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: “Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas. Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração” (Lucas 11,29-32).

Irmãos e irmãs, qual é o sinal de Jonas? O sinal de Jonas é a redescoberta de que é na obediência a Deus que está o caminho da bênção. Isso mesmo, é na obediência a Deus que está o caminho da bênção. Esse é o sinal de Jonas.

O sinal de Jonas e o perigo de seguir o próprio caminho
Ele não quis obedecer, mas, a longas penas, descobriu que, quando nós criamos o nosso próprio caminho, às vezes, criamos caminhos de frustração e decepção. Jonas não queria que aquele povo no qual Deus o enviara se convertesse. Jonas não gostava daquele pessoal, e resolveu desviar-se do caminho. Mas, ali, entendeu que não era assim que ele deveria viver.

Quantas vezes também nós nos desviamos do caminho da obediência! Quantas vezes nós nos desviamos do caminho de Deus, porque não queremos fazer aquilo que Ele colocou no nosso coração! Então, obedecer é característica de quem sabe ouvir.

Então, o coração de Jonas se abriu à vontade de Deus, e ele aprendeu a obedecer quando colheu os frutos ruins da má escolha que ele tinha feito. Que a nossa vida, irmãos e irmãs, não seja assim. Se tivermos a oportunidade de caminhar na obediência, então vamos caminhar assim.

Fuja da desobediência. Fuja da maldição, pois o contrário da bênção é a maldição. Todas as vezes que você faz prevalecer a desobediência na sua vida, você se coloca em um caminho de perdição.

Quaresma: tempo de purificar o ouvido e o coração para Deus
Deus o criou para a bênção. Deus o criou para a obediência. Então, neste tempo de Quaresma, neste tempo de purificação que estamos vivendo, que tenhamos o nosso ouvido atento à realidade que, de fato, nós devemos obedecer.

Primeiramente, Deus. Primeiramente, Deus. Convém obedecer muito mais a Deus do que aos homens.

A bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo desça sobre vós e permaneça para sempre. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova

A diferença entre o catecismo de Pio X e o catecismo atual

A evolução dos Catecismos: de São Pio X ao Catecismo atual

Nesta edição do programa Luz da Fé, professor Felipe Aquino esclarece uma dúvida comum entre muitos fiéis: qual a real diferença entre o Catecismo de São Pio X e o Catecismo da Igreja Católica atual, promulgado por São João Paulo II?

Os três pilares da Doutrina escrita
Ao longo da história, a Igreja contou com três catecismos principais aprovados por papas canonizados:

1. Catecismo Romano (1565): Elaborado por São Pio V após o Concílio de Trento. Este concílio durou 18 anos para revisar a doutrina após a reforma de Lutero, mantendo-a intacta, mas buscando melhorar a formação do clero.

2. Catecismo de São Pio X (1905): Criado com uma metodologia pedagógica diferente, baseada inteiramente em perguntas e respostas.

3. Catecismo da Igreja Católica (1992): Promulgado por São João Paulo II, é o documento que utilizamos majoritariamente hoje.
Mesma Doutrina, novos desafios

É fundamental compreender que o conteúdo doutrinário é o mesmo em todos eles. A Igreja não muda sua doutrina; ela a aprofunda e a aplica a novas realidades.

A grande diferença reside na atualização frente aos problemas modernos. O Catecismo de 1905 não poderia tratar de temas que ainda não existiam, como:

• Bebês de proveta e inseminação artificial (que surgiu apenas por volta de 1980).
• Avanços da biotecnologia e seus impactos na moral.
• Desafios da era da internet e da comunicação moderna.

Qual Catecismo devo estudar?
O professor Felipe esclarece que o fiel pode, sim, ler o Catecismo de São Pio X ou o Catecismo Romano, pois neles só encontrará verdades de fé. No entanto, o Catecismo de 1992 é mais completo para o tempo atual.

“Quem lê este daqui [o atual] está lendo os outros dois”, explica o professor, pois a versão de São João Paulo II contém a herança dos anteriores, mas com as informações necessárias para discernir as questões morais e éticas do século XXI. Se o Catecismo de São Pio X fosse suficiente para os dias de hoje, não haveria a necessidade de o Papa João Paulo II ter elaborado uma nova versão para responder às mudanças da vida e da sociedade.

Veja também outros episódios da série Luz da fé com Felipe Aquino e Laércio Teixeira:
Conclusão

O estudo do Catecismo é essencial para que o católico coloque “as coisas no lugar” diante de tantas inovações tecnológicas e dilemas morais. Conhecer a fundo essas orientações permite uma vivência mais consciente e segura da fé católica.



São Cesário de Nazianzo


Cesário, nascido em Arianzo, Capadócia (atual Turquia) no ano de 330, pertencia a uma família de santos – seu pai Gregório, bispo da cidade próxima de Nazianzo, sua mãe Santa Nona, o mais famoso irmão mais velho São Gregório de Nazianzo, Doutor da Igreja, e sua irmã, Santa Gorgonia.

Estudou em Cesaréia e Alexandria, dedicando-se à medicina, e como médico foi servir em 325 ao imperador Constantino II e posteriormente ao imperador Juliano, em Constantinopla. Este, que abandonou o Catolicismo e ficou conhecido como Juliano o Apóstata, várias vezes tentou levá-lo ao paganismo. Mas Cesário, embora ainda catecúmeno, como o foi durante a maior parte da sua vida, não cedeu e abandonou a corte.

Estando em Nicéia em outubro de 368, Cesário sobreviveu milagrosamente a um terremoto, o que o levou finalmente a querer o Batismo. Depois disso trocou a cura dos corpos na medicina pela cura das almas, como pregador respeitado na comunidade cristã por sua fé, virtudes cristãs e caridade. Antes de falecer em Constantinopla, com apenas 39 anos em 369, fez seu testamento deixando tudo o que possuía para os pobres. Foi sepultado em Nazianzo, e seu irmão São Gregório lhe fez a oração fúnebre.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Curiosas são as diferenças das personalidades humanas. São Cesário, de uma família de santos e que certamente era bom homem e médico, resistindo inclusive às seduções do paganismo vindas diretamente do imperador, demorou-se a pedir o Batismo, só o fazendo depois de um acontecimento milagroso. Mais do que provavelmente, as orações dos seus familiares o auxiliaram, na preservação da sua vida e na sua decisão pelo Sacramento. Eis o valor da santidade pessoal e das orações: são meios efetivos de auxiliar o próximo, tanto temporal como espiritualmente, e este caminho de serviço ao irmão é o melhor que podemos seguir. Também Cesário, depois do Batismo, cuidou de se santificar e ajudar na santificação dos outros (o que aumentava a sua própria santidade…). Não é prudente esperar por fatos extraordinários para imitá-lo: as nossas vidas estão sempre sujeitas a terremotos para o corpo e para o espírito. Por isso, inclusive, a Igreja entendeu que o Batismo das crianças deve ser realizado logo que possível.

Oração:

Deus de amor, que nos preserva de todos os males, dai-nos por intercessão de São Cesário Nazianzeno a graça de intercedermos uns pelos outros e não adiarmos o Vosso serviço no serviço aos irmãos, especialmente no anúncio tão fundamental da Boa Nova, pela conduta e pela palavra. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Quaresma é tempo de conversão e compromisso com a moradia digna, afirma dom Pedro Cunha Cruz

O bispo de diocese de Nova Friburgo, dom Pedro Cunha Cruz, destacou que o tempo da Quaresma é um convite à renovação da vida cristã por meio da oração, do jejum e da caridade, conduzindo os fiéis a uma vivência mais profunda do mistério da morte e ressurreição de Cristo.

Segundo o bispo, os quarenta dias que antecedem a Páscoa constituem um “tempo de graça e bênção”, marcado pela escuta da Palavra de Deus, pela reconciliação e pela prática de gestos concretos de solidariedade. “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação”, recordou, citando a segunda carta de São Paulo aos Coríntios (2Cor 6,2), para reforçar o chamado à conversão pessoal e comunitária.

Dom Pedro ressaltou que a liturgia quaresmal possui um caráter pedagógico e prepara os cristãos para a celebração da Páscoa, centro da fé cristã. Nesse itinerário espiritual, os fiéis são convidados a olhar “para o alto, na oração; para si mesmos, no jejum; e para o outro, na esmola”, como forma de testemunhar o Evangelho da misericórdia.

Ao abordar a dimensão social da fé, o bispo destacou a Campanha da Fraternidade 2026, que traz como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). De acordo com ele, a iniciativa busca sensibilizar a sociedade para a realidade da moradia no Brasil, considerada um direito fundamental e base para a cidadania.

“A moradia digna é condição essencial para a vida familiar, para a dignidade humana e para a efetivação dos direitos humanos”, afirmou, lembrando que a falta de acesso à habitação adequada evidencia desigualdades sociais persistentes no país.

Para dom Pedro, a Campanha da Fraternidade é uma forma concreta de viver a Quaresma, despertando a consciência dos fiéis e também do poder público para a universalização do direito à moradia. Ele concluiu desejando que o tempo quaresmal fortaleça o compromisso com a superação de modelos sociais excludentes e incentive a construção de uma sociedade em que viver com dignidade não seja privilégio de poucos, mas direito de todos.

Acesse (aqui) o artigo do bispo na íntegra.

Exercícios Espirituais da Quaresma, 3ª meditação: a ajuda de Deus


O bispo Erik Varden faz sua terceira reflexão nos Exercícios Espirituais no Vaticano para o Papa Leão XIV, os cardeais residentes em Roma e os chefes dos Dicastérios, concentrando-se no tema: "A ajuda de Deus". Publicamos um resumo de sua reflexão.

Dom Erik Varden, OCSO*

A ideia de que Deus pode e quer nos ajudar em nossas dificuldades é um axioma da fé bíblica. Ela distingue o Deus de Abraão, Isaac e Jacó — o Deus que, em Cristo Jesus, se fez compaixão encarnada — do Motor Imóvel da filosofia.

O Salmo 90 começa com o versículo: “Qui habitat in adiutorio Altissimi”, isto é, “Tu que habitas sob a proteção do Altíssimo”.

O auxílio de Deus, diz Bernardo, pode ser definido como uma morada, pois constitui uma realidade que nos sustenta, dentro da qual podemos viver, mover-nos e existir. O auxílio de Deus não é ocasional; não é um serviço de emergência ao qual recorremos quando uma casa pega fogo ou alguém é atropelado, como se ligássemos para o 192.

Mas o que dizer dos casos em que pessoas tementes a Deus caem e parecem ser abandonadas? O que dizer quando clamam ao céu sem obter nenhuma resposta, ouvindo apenas o eco desolado da própria voz?

A figura bíblica dessa condição é Jó, cujo livro grandioso pode ser percebido como uma sinfonia em três movimentos: passando do Lamento visceral a uma exposição da Ameaça, até a experiência inesperada da Graça.

Jó não aceita as racionalizações de seus amigos. Recusa-se a pensar que Deus esteja fazendo contas com sua vida como se fosse um balanço contábil. Está determinado a encontrar Deus presente na aflição, clamando heroicamente: “quem, senão Ele, pode fazer isto?”

Como fiéis, podemos considerar a religião como uma apólice de seguro: certos de poder contar com a ajuda de Deus, julgamos estar a salvo do perigo. O mundo parece desmoronar se, e quando, o mal nos atinge. Como enfrento as provações que parecem sem sentido, que destroem minhas barreiras protetoras? Meu relacionamento com Deus é uma forma de negociação, de modo que, quando as coisas se tornam difíceis, sou levado a seguir o conselho da mulher de Jó de “amaldiçoar Deus e morrer”?

Deus pode tornar possível um mundo novo e abençoado depois de derrubar os muros que pensávamos ser o mundo — muros dentro dos quais, na verdade, estávamos sufocando.

Habitar no auxílio de Deus, como nos ensina São Bernardo, não significa negociar seguranças. Significa atravessar o Lamento e a Ameaça para aprender a viver com Graça nesse novo nível de profundidade. E, assim, permitir que outros o encontrem.

Com a presença do Papa Leão XIV, dos cardeais residentes em Roma e dos chefes dos Dicastérios, teve início, na tarde de domingo, 22 de fevereiro, na Capela Paulina, o tradicional ...

* Tradução não oficial da síntese publicada neste endereço: coramfratribus.com/archive/gods-help/

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EVANGELHO DO DIA (Mt 6,7-15)

ANO "A" - DIA: 24.02.2026
1ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!
- O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

7 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. 8 Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais. 9 Vós deveis rezar assim: Pai Nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10 venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. 11 O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. 12 Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. 13 E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. 14 De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. 15 Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós cometestes".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Verdadeira oração um caminho para a escuta de Deus"

Verdadeira oração características fundamentais
“Naquele tempo, disse Jesus: ‘Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos’. E disse também: ‘Sede perfeitos, como vosso Pai Celeste é perfeito'” (Mateus 6,7-15)

Irmãos e irmãs, quando orardes, não useis muitas palavras.
Então vamos refletir, hoje, sobre algumas características da oração. Primeiramente, a oração deve ser simples. E uma segunda característica: a oração deve ser sincera. A terceira característica é que a oração deve ser atenta à voz de Deus.

A sua oração é sincera? A sua oração é simples? A sua oração é atenta ao que Deus fala, aos direcionamentos, ensinamentos e convites que o Senhor, constantemente, lhe faz à conversão?

Uma verdadeira oração é diálogo e não manipulação
Essas são as características da verdadeira oração. Não é preciso falar muito, pedir muito ou, constantemente, falar, falar, falar… mas nunca escutar.

A verdadeira oração gera escuta. Como está a sua capacidade de escutar a Deus? Que, neste dia, sejamos provocados por esta palavra, por esta iniciativa, atentos a Deus, não a nós mesmos.

A verdadeira oração gera essa realidade em nossa vida: ficamos mais atentos a Deus, e não tanto a nós mesmos, porque, quando ficamos mais atentos a nós mesmos, queremos manipular Deus, manipular a vontade d’Ele, para que a nossa vontade seja feita. Mas isso não vai acontecer, isso não é a verdadeira oração.

A escuta atenta que gera salvação
Não multiplicaremos palavras, mas estaremos atentos, teremos uma escuta atenta, porque é na escuta atenta que somos motivados a fazer boas escolhas e também ajudar aqueles que se aproximam de nós.

Então, escutemos bastante a Deus e seremos capazes de anunciar a Palavra que gera salvação neste mundo, que gera salvação naqueles que se aproximam de nós.

Sobre você, desça e permaneça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova