quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Setor Música Litúrgica oferece sugestões de cantos para a Quaresma



O Tempo Litúrgico da Quaresma se aproxima e as celebrações ganharão nova dinâmica neste momento dedicado à preparação para a Páscoa. Também a música nas Missas é diferente, buscando favorecer a escuta mais frequente da Palavra de Deus e a entrega à oração e à penitência. É com essa motivação que o Setor Música Litúrgica da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB oferece uma playlist com Cantos para a Quaresma.

“A seleção de músicas é um demonstrativo de muitas boas produções que foram lançadas desde 2006, quando a CNBB reorientou as antigas ‘Missas da Campanha da Fraternidade’ para o lançamento do ‘Hino da CF e cantos quaresmais’. A partir disto, a cada ano é produzido um hino, conforme o tema proposto, e o repertório quaresmal vai se firmando, alternando cantos da tradição com o acréscimo de novas composições”, explicou o assessor do Setor Música Litúrgica, padre Jair Costa.

A orientação aos grupos de animação, animadores, cantores, regentes e corais, é que estejam entrosados com as equipes de liturgia e analisem o que a comunidade já sabe de cantos para a Quaresma, para então dosar o acréscimo das novidades, sem perder a participação de todos no repertório já adquirido.


Papa: nas cinzas está o peso de um mundo em chamas. A Quaresma estimula a conversão


Pela primeira vez em seu pontificado, Leão XIV presidiu à tradicional procissão da Quarta-feira de Cinzas, que tem início na Igreja de Santo Anselmo até a Basílica de Santa Sabina , onde foi celebrada a Santa Missa com a imposição das cinzas.

Vatican News - Bianca Fraccalvieri

As cinzas do direito internacional e da justiça, de ecossistemas inteiros, do pensamento crítico e do sentido do sagrado: para os católicos, a Quaresma que hoje se inicia carrega o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra. Esta metáfora está contida na homilia que o Papa Leão XIV pronunciou na Missa de Quarta-feira de Cinzas celebrada na Basílica de Santa Sabina, após a tradicional procissão que partiu da Igreja de Santo Anselmo, no bairro romano do Aventino.

Procissão penitencial (@VATICAN MEDIA)

Quaresma, tempo forte de comunidade
No início de cada tempo litúrgico, disse o Santo Padre, redescobrimos com alegria sempre renovada a graça de ser Igreja, e também hoje a Quaresma é um forte tempo de comunidade: "Sabemos como é cada vez mais difícil reunir as pessoas e sentir-se povo, não de forma nacionalista e agressiva, mas na comunhão em que cada um encontra o seu lugar".

Na Igreja, ganha forma um povo que reconhece os próprios pecados, ou seja, que o mal não vem de presumíveis inimigos, mas está dentro da própria vida e dos próprios corações - pecados que devem ser enfrentados com a assunção de responsabilidades, mesmo que se trate de uma "atitude contracorrente", defendeu o Papa.

                               Papa Leão XIV durante a Santa Missa (@Vatican Media)

Certamente, o pecado é sempre pessoal, afirmou, mas ganha forma nos ambientes reais e virtuais que frequentamos, muitas vezes dentro de autênticas “estruturas de pecado” de ordem econômica, cultural, política e até religiosa. "Como é raro encontrar adultos que se arrependem, pessoas, empresas e instituições que admitem ter errado!", lamentou Leão XIV.

E a Quaresma trata precisamente desta possibilidade e, por isso, atrai sobretudo os jovens. Opor o Deus vivo à idolatria significa ousar a liberdade. São os jovens que percebem nitidamente que é possível um modo de vida mais justo e que existem responsabilidades por tudo o que não funciona na Igreja e no mundo. "É necessário, portanto, começar por onde se pode e com quem está presente", exortou o Santo Padre, reiterando ainda o alcance missionário da Quaresma, de se abrir a pessoas que procuram caminhos para uma autêntica renovação de vida.

“A Quaresma, com efeito, estimula-nos às mudanças de direção – conversões – que tornam mais crível o nosso anúncio.”

Apologia das Cinzas
Este anúncio passa também pelo Rito das Cinzas, que São Paulo VI desejou celebrar publicamente sessenta anos atrás, poucas semanas após a conclusão do Concílio Vaticano II. Na época, o Papa Montini usou a expressão "apologia das cinzas" para sintetizar o pessimismo que permeava a produção intelectual, em que emergia a imensa tristeza da vida e a metafísica do absurdo e do nada.

“Hoje podemos reconhecer a profecia contida nestas palavras e sentir nas cinzas que nos são impostas o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra: as cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos, as cinzas de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas, as cinzas do pensamento crítico e de antigas sabedorias locais, as cinzas daquele sentido do sagrado que habita em cada criatura.”

Momento da imposição das cinzas (@VATICAN MEDIA)

Eis a necessidade de testemunhar Cristo Ressuscitado. Reconhecer os nossos pecados para nos convertermos, acrescentou o Papa, é já um presságio e um testemunho da ressurreição: "Significa, efetivamente, não nos determos nas cinzas, mas levantarmo-nos e reconstruirmos. Então, o Tríduo Pascal, que celebraremos ao culminar o caminho quaresmal, desprenderá toda a sua beleza e significado".

Neste percurso rumo à Páscoa, nos inspiram os mártires antigos e contemporâneos, que escolheram o caminho das Bem-aventuranças e levaram até ao fim as suas consequências. A Quaresma então é a oportunidade de restabelecer a profunda sintonia com o Deus da vida. "A Ele redirecionemos, com sobriedade e alegria, todo o nosso ser, todo o nosso coração", concluiu o Santo Padre.

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EVANGELHO DO DIA (Lc 9,22-25)

ANO "A" - DIA: 19.02.2026
QUINTA FEIRA DEPOIS DAS CINZAS (ROXO)

- Glória a vós, Senhor Jesus, primogênito dentre os mortos!
- Convertei-vos, nos diz o Senhor, está próximo o Reino de Deus!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 22 "O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia". 23 Depois Jesus disse a todos: "Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. 24 Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará. 25 Com efeito, de que adianta a um homem ganhar o mundo inteiro se se perde e se destrói a si mesmo?"

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Renunciar a si mesmo para encontrar a verdadeira vida em Cristo"

Renunciar-se e assumir a Cruz é via para conversão
Jesus disse a todos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me, pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará” (Lucas 9,22-25).

“Se alguém quer me seguir” – opíso erchesthai, em grego, significa vir atrás de mim; essa é a tradução original.

Já é o ponto de partida para qualquer discípulo configurar a sua vida imitando Cristo em cada passo da Sua vida, percorrer a mesma estrada que Ele percorreu.

Assumir o lugar de discípulo
Tem muitos discípulos que queriam ir à frente de Jesus, não queriam estar depois d’Ele. E existe, ainda hoje, quem quer ensinar a Jesus algumas lições. De vez em quando, eu vejo alguns defensores da fé querendo ensinar o Papa, os cardiais, os bispos, sobre a Doutrina da Igreja Católica.

É claro que o diálogo aberto com os pastores de alma, sejam eles padres, bispos ou até mesmo o Santo Padre, é previsto, inclusive no Código de Direito Canônico. Todos os fiéis têm o direito de expor o que pensam e sentem aos seus pastores. Porém, o desrespeito e a ofensa são coisas inadmissíveis para um católico que se preze. Ir atrás de Jesus, esse é o lugar do discípulo.

Agora, duas decisões que devem ser tomadas para quem quer seguir Jesus. A primeira é renunciar a si mesmo. Mas não se trata de anular a si mesmo. Cristo jamais violaria a dignidade de alguém.

Renunciar ao egoísmo para acolher as iniciativas de Deus
Renunciar é matar o egoísmo que existe dentro de nós e abandonar os interesses pessoais. A pior coisa é encontrar um consagrado, um discípulo de Cristo que, a todo momento, só pensa em realizar os seus interesses pessoais.

Não há lugar para as iniciativas de Deus na vida de alguém que age dessa forma. Tudo só tem sentido para ela se atender aos seus anseios. Quem não renuncia a si mesmo acaba renunciando ao próprio Cristo.

O preço e a alegria de pertencer a Jesus
A segunda decisão é tomar a sua cruz. Não há vida em Cristo sem sacrifício. A cruz é o símbolo de todo preço que custa ser de Jesus, tudo aquilo que comporta a escolha feita pelo Senhor. Tomar a cruz significa assumir as consequências de uma escolha que pode incluir a doação da própria vida.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Pe Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova



Você tem saudade de Deus?

Quem nunca teve saudade nesta vida?

Às vezes, nós falamos que a vida de comunidade é uma vida muito pesada, muito dura. Realmente, existe a parte da “dureza” desta vida missionária, mas existe, também, a parte da alegria, algo que deve existir na vida de um missionário e que, muitas vezes, deixamos passar: a saudade.

Padre José Augusto – Foto: Arquvivo Canção Nova

Nesta pregação você vai aprender:

Quem nunca sentiu saudades nesta vida? A saudade é um dom de Deus. Ela é a única coisa que pode unir pessoas que estão longe umas das outras é.

O discípulo de Cristo precisa, também, ter saudade. Quando digo saudade, falo de uma saudade de Deus.

Nas casas de missão de cada comunidade sempre tem uma capela. Muitas vezes, levantamos cedo para estar diante do Senhor e isso jamais deve ser para nós um peso. Precisa ser uma alegria do discípulo que vai encontrar-se com o seu Amado.

Quando estamos com muita saudade de uma pessoa, mesmo estando cansados, nós vamos em busca dessa pessoa para matar essa saudade.
Imagina um cristão que não tem saudade de Deus?

Eu já senti saudade de Deus, entrei na Capela, fiquei olhando para Jesus Sacramentado e descobri que, ali, naquele momento, eu estava com muita saudade d’Ele.

Existe dentro de mim, um desejo grande de contemplar a face de Deus.
Eu quero vê-Lo com os meus próprios olhos. Eu acredito em Jesus Eucarístico, O adoro, mas existe em mim o desejo de estar com Ele face a face.

Jesus passa no meio de nós e deixa-Se tocar. Foi o que aconteceu com aquela mulher, que narra a Escritura, que há mais de 12 anos sofria de hemorragia e disse: “Se eu tocar na orla da sua veste, eu ficarei curada”. E ela tocou e foi curada.
Você tem visto Deus? Talvez você diga que vê Deus no rosto do irmão, mas você realmente O vê? Existe esse desejo no seu coração de ver a Deus?

Jesus viveu na terra 33 anos e voltou para o Pai e, hoje, só podemos vê-Lo pela fé, na Eucaristia, na Palavra, na comunidade que se reúne, mas eu quero vê-Lo! Porque a minha alma tem saudade de Deus.

Do que sua alma precisa?
Jesus, também, tinha muita saudade do Pai. Ele passava toda a noite com o Pai.
“Durante o dia Jesus ensinava no templo e, à tarde, saía para passar a noite no monte chamado das Oliveiras” (Lucas 21,37).

O discípulo de Jesus precisa ter saudade do Pai, de Jesus e do Espírito Santo.
Você tem saudade de tantas coisas: sua terra, sua namorada, mas é preciso que tenhamos saudades de Deus.

Eu não estou falando de morte, estou falando das saudades, de estar com Aquele que é o centro da minha vida, da minha alma.
Tento matar as minhas saudades de Deus quando vou na adoração, quando me reúno com a minha comunidade, mas eu quero mais. Quero vê-Lo face a face.

A oração de expectativa
Reze esta oração: “Eu quero mais, eu preciso ver o Senhor face a face”.

Sabe o que é que me sustenta como discípulo e sacerdote no meu dia a dia diante de tantos problemas? É esta palavra: “Ele virá, Ele voltará”.

Enquanto o Senhor não vem, cada discípulo precisa trazer sempre mais uma pessoa para que essa pessoa, também, possa dizer: “Vem, Senhor”.

Desculpe-me, mas só um bobo para não desejar a vinda de Jesus. Seria masoquismo não desejar essa vinda, porque a profecia diz que, quando Ele vir não haverá mais sofrimento.
Enquanto sofremos, precisamos oferecer esse sofrimento com alegria. Se temos de carregar a Cruz, vamos carregar, mas eu aspiro pelo momento que nos encontraremos com Deus face a face.

No livro do Apocalipse, diz que a Igreja precisa dizer: “Vem, Senhor Jesus! Maranathá!”.
As comunidades precisam clamar isso. Pois, esse dia glorioso, a cada dia mais se aproxima.

Quem tem saudade de Deus?
Santa Teresinha tinha tanta saudades de Deus que ela dizia : “Vem, ladrão, me roubar”.

Seja um discípulo, dê a vida por Jesus!
“A minha alma tem sede do Deus vivo”. O regresso do Senhor está próximo! Precisamos celebrar a vitória. As comunidades vão celebrar a vitória!

Transcrição e adaptação: Tatiane Bastos – 13/08/2006

Autor: Pe José Augusto

São Conrado de Placência

São Conrado era casado e vivia na cidade de Placência, na Itália. Certo dia em que estava caçando lebres e faisões, causou um incêndio acidental que provocou grandes danos. Em seguida, ele fugiu para escapar da justiça. Ao saber que um inocente fora condenado em seu lugar, apresentou-se, confessou sua responsabilidade e ofereceu todos os seus bens para indenizar os prejuízos. Este gesto fez Conrado gastar todo seu dinheiro e ele acabou ficando pobre.

Mas ninguém conhece os caminhos do Senhor. O caçador incendiário ingressou num Convento, na Ordem Terceira de São Francisco, abandonando a esposa, que também retirou-se para um mosteiro. Apesar destes gestos bruscos, Conrado era muito bom e piedoso.

Em 1343, chegou a Siracusa e estabeleceu-se na cidade de Noto. Escolheu como habitação uma cela ao lado da igreja do Crucifixo. A fama de sua santidade foi aumentando e comprometia a paz e o silêncio de que tanto gostava. Quando percebeu que as muitas visitas perturbavam sua vida de oração, frei Conrado levantou acampamento e foi humildemente para uma solitária gruta dos Pizzoni, que foi depois chamada de gruta de são Conrado.

Morreu a 19 de fevereiro de 1351. Frei Conrado foi sepultado entre as esplêndidas igrejas de Noto. Viveu 40 anos na oração e na penitência.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, C.Ss.R.

Reflexão:

São Conrado foi um homem decidido e profundamente marcado pelas ações radicais. Seu temperamento forte levou-o a abandonar a família, os bens e sua terra natal, para dedicar-se à oração e a contemplação dos mistérios de Deus. Tornou-se um místico. O exemplo de são Conrado convida-nos a buscar Deus de todas as maneiras. O desapego das coisas passageiras facilita o diálogo com o Pai e abre nosso coração para a caridade fraterna com o próximo.

Oração:

Meu querido Pai, celebrando hoje a memória de São Conrado, permita-nos seguir seu exemplo e buscar Deus em todos os momentos da vida. Que nossa vida seja cercada de oração e de ações amorosas em favor do próximo, sobretudo os mais abandonados. Isso pedimos por Cristo, nosso Senhor. Amém.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Escuta, fé e território: CPP encerra Assembleia Nacional e mergulha na missão para o próximo triênio


Reunindo agentes de pastoral, pescadores e pescadoras artesanais, bispos, representantes de movimentos sociais e organizações parceiras de todo o país, a Assembleia Nacional do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP) foi realizada entre os dias 3 e 7 de fevereiro, em Luziânia (GO), no Centro de Formação Vicente Cañas, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

O encontro teve como principais objetivos avaliar a caminhada pastoral do último triênio, analisar a conjuntura eclesial, social e política que incide sobre os territórios pesqueiros e definir as diretrizes que orientarão a atuação do CPP nos próximos três anos. A programação foi encerrada com a eleição do novo secretariado nacional, a aprovação de encaminhamentos estratégicos e a reafirmação do compromisso da pastoral com a defesa da vida, dos territórios e dos direitos dos povos das águas.


A barca do CPP segue guiada pela escuta e pela fé
O momento eletivo do CPP foi vivido como um processo de discernimento coletivo, enraizado na espiritualidade das comunidades e na identidade pastoral construída nos territórios. Conduzido por dom José Altevir, presidente do CPP, o tempo de oração e reflexão enfatizou a sinodalidade, a escuta e o discernimento, inspirados nos textos bíblicos, na mística das águas e nos ensinamentos do Papa Francisco e do Papa Leão XIV, como fundamentos para escolhas responsáveis e para o caminhar da pastoral junto aos povos das águas.

“É momento de agradecer a caminhada realizada, avaliar os desafios enfrentados e fortalecer nosso compromisso profético diante das ameaças que recaem sobre as águas, os territórios e as comunidades tradicionais”, dom José Altevir, bispo da prelazia de Tefé (AM) e presidente do CPP.

Ao final da contagem dos votos, a Assembleia elegeu o novo Secretariado Nacional do CPP para o ciclo que se encerrará em 2029, composto por dom José Altevir, bispo da Prelazia de Tefé (AM), na presidência; dom Evaldo Carvalho dos Santos, bispo da diocese de Viana (MA), na vice-presidência; Gilberto Lima na Secretaria-Executiva; Shirley Almeida na Secretaria de Economia Solidária; Luciano Galeno na Secretaria de Direitos e Organização; Marcos Brandão na Secretaria de Território e Meio Ambiente; e Isabel Silva como Ecônoma, consolidando uma direção marcada pelo compromisso com a organização comunitária, a espiritualidade das águas e a luta por direitos nos territórios, celebrada com falas e manifestações das pessoas eleitas.

Em mensagem dirigida à Assembleia, o novo vice-presidente do CPP, dom Evaldo Carvalho, expressou surpresa e disponibilidade ao acolher a missão, reafirmando o compromisso de caminhar ao lado das comunidades pesqueiras e da direção nacional da pastoral.

“Manifesto minha disposição de caminhar com esta pastoral em espírito de sinodalidade para que nossos irmãos e irmãs pescadores e pescadoras tenham seus direitos respeitados e assegurados para que todos e todas tenham vida em abundância. Que Deus os abençoe, os anime e os fortaleça sempre mais no compromisso e testemunho profético como membros da Pastoral!”, disse o bispo.


Conjuntura, escuta e compromisso com o Bem Viver dos povos
A programação também foi composta pela leitura da conjuntura eclesial e política, retomando o Concílio Vaticano II, o projeto de renovação pastoral e os desafios atuais para uma Igreja comprometida com a justiça social. A análise foi conduzida pelo padre Mardonio Brito, agente de pastoral do CPP Maranhão e sacerdote da diocese de Brejo (MA), e pelo padre Edinho Thomassim, assessor da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cepast-CNBB), que refletiram sobre as transformações do cenário eclesial e social contemporâneo e seus impactos no trabalho das pastorais sociais.

Outra mesa contou com contribuições do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), na figura da pescadora Ana Ilda Nogueira, que destacou as reivindicações das pescadoras e pescadores e a luta por direitos, ressaltando a relevância política desse debate, principalmente em ano eleitoral. Ayala Ferreira, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e Lara Estevão da assessoria jurídica da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e representante do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNGH), também colaboraram com falas a respeito de como o modelo de produção vigente intensifica conflitos e violências contra os territórios de comunidades ligadas à terra, às florestas e às águas.


Diretrizes para o próximo triênio: presença, organização e compromisso com os territórios
Com a nova secretaria definida e após os debates de conjuntura, a Assembleia Nacional avançou na consolidação das diretrizes que irão orientar a atuação da pastoral no próximo triênio. As propostas foram construídas em Grupos de Trabalho e aprovadas em plenária, com foco na missão pastoral, no fortalecimento da presença nos territórios pesqueiros e na ampliação da incidência política e das articulações institucionais. A assembleia reafirmou o compromisso com as comunidades da pesca artesanal, priorizando o acompanhamento de base e a defesa dos povos das águas, em diálogo com outras organizações e pastorais alinhadas à justiça socioambiental e climática.

Entre os encaminhamentos centrais, destacou-se a necessidade de fortalecer os Regionais, com acompanhamentos mais sistemáticos e maior articulação com igrejas locais, movimentos da pesca artesanal e organizações populares. A comunicação foi reconhecida como eixo estratégico da ação pastoral, tanto como ferramenta de mobilização quanto de formação e memória.

A assembleia também debateu a sustentabilidade da pastoral, o fortalecimento de projetos, o incentivo a iniciativas da economia solidária e a valorização de produtos das comunidades pesqueiras. No campo da formação,um aprofundamento em temas como saúde mental, juventudes e a compreensão do território como corpo e extensão da Casa Comum. Os encaminhamentos reforçam a perspectiva de uma pastoral enraizada nos territórios, com organização, cuidado e compromisso com a vida e a autonomia das comunidades.
60 anos do CPP

Para fechar o evento, a plenária levou seu olhar para a celebração dos 60 anos da pastoral, que acontecerá em 2028. O aniversário é compreendido não apenas como uma data festiva, mas como um marco pastoral e político capaz de reafirmar, interna e publicamente, a identidade e valores da organização. A reflexão destacou que o processo comemorativo deve ser construído com capilaridade, em diálogo com pescadoras e pescadores artesanais e demais pessoas que caminharam ao lado do CPP, alimentando a mística e o compromisso com a defesa da vida e dos territórios das águas.

Com essas definições, a Assembleia Nacional do CPP 2026 encerrou seus trabalhos reafirmando o compromisso da pastoral com a vida, os territórios e os povos das águas, projetando um novo triênio marcado pela organização coletiva, pela fé encarnada e pela esperança ativa que nasce do caminhar juntos e juntas.

Texto: Henrique Cavalheiro e Louise Campos / Comunicação do CPP, e João Palhares.

Rádio Vaticano: 95 anos sendo o eco da voz do sucessor de Pedro


Das ondas curtas de Marconi à inovação digital do Vatican News, o Programa Brasileiro celebrará 68 anos de história. Conheça mais sobre este serviço que, atuando de Roma, serve como ponte essencial entre o pulsar do coração da Igreja e a realidade lusófona.

Pe. Rodrigo Rios - Vatican News

Nesta quinta (12/02), celebramos um marco que une ciência, fé e comunicação: os 95 anos da Rádio Vaticano. Desde que Guglielmo Marconi, prêmio nobel de Física, entregou ao Papa Pio XI as chaves desta ferramenta de evangelização, a "voz do Papa" nunca mais deixou de ressoar além fronteira. O que começou com o solene discurso de Pio XI em latim, dirigido à "toda a criação", hoje se desdobra em mais de 40 idiomas, alcançando as periferias existenciais e geográficas, das aldeias da África às profundezas da Amazônia.

A ponte brasileira: fé e comunicação
O programa brasileiro nasceu em um momento de efervescência eclesial, em 12 de março de 1958. Naquela época, enquanto o mundo aguardava a transição entre Pio XII e o Papa Bom, João XXIII, o Brasil já se consolidava como o maior país católico do mundo.

Desde o primeiro responsável, o padre Antônio Aquino, até a equipe atual de sete profissionais integrados ao sistema Vatican News, o objetivo permanece inalterado: criar uma ponte entre a Santa Sé a e as dioceses brasileiras.

Silvonei José Protz, coordenador e voz emblemática do Programa Brasileiro, descreve essa missão não apenas como um trabalho, mas como um verdadeiro serviço espiritual: "Eu creio que é um privilégio para mim e também para todos os meus colegas que cada vez que nós realizamos uma crônica ou uma transmissão dos eventos papais, a nossa grande preocupação é fazer com que as pessoas que nos seguem através do rádio, da televisão e das redes sociais, possam rezar com o Santo Padre. Esse é o grande desafio a cada transmissão que a gente faz".

Presença multimídia e marcos históricos
Se na década de 30 operava com ondas curtas experimentais, a Rádio Vaticano hoje possui uma forte presença digital. Através de satélite, portal, YouTube e redes sociais, o conteúdo chega a centenas de emissoras parceiras em todo o território brasileiro.

Para Silvonei, a relação com as rádios locais é o que dá vida ao projeto: "É importante mais uma vez a gente recordar que existimos porque existe uma Igreja no Brasil. Portanto, a nossa especificidade aqui é levar o magistério petrino para a nossa realidade. E essas emissoras de rádio espalhadas em todo o Brasil nos abrem portas e janelas todos os dias para que a gente possa chegar com a mensagem do Papa. Portanto, é um relacionamento em crescimento”.

Ainda conforme o jornalista e doutor em comunicação, olhar a Igreja a partir de Roma oferece uma perspectiva única, mas sem distanciamento afetivo: “trabalhando em sintonia com a CNBB e as dioceses; a equipe brasileira atua como parte integrante do corpo da Igreja. Temos hoje um lugar privilegiado para olharmos a igreja, mas fazemos parte dela também”.

Ao longo de quase um século, a Rádio Vaticano narrou a história da Igreja e dos acontecimentos do mundo. Silvonei José recorda com emoção momentos que marcaram sua trajetória e a de milhões de ouvintes. Ele destaca a intensidade do funeral de São João Paulo II, com quem trabalhou por 16 anos: "Foi um momento muito marcante porque perdíamos um pai. Estivemos na Sala Clementina antes do corpo ser levado à Basílica de São Pedro, foi algo vivido com muita intensidade e emoção, ao lado de pessoas tão caras como o padre Jonas Abib", recorda.

Mais recentemente, a rádio foi o elo que uniu o mundo à oração do Papa Francisco em 27 de março de 2020, durante a pandemia da Covid-19. Silvonei relata: "O Papa subindo a rampa da Basílica, sozinho na praça, rezando pelo fim da pandemia... ali ficou claro o que ele tanto dizia: estamos todos no mesmo barco e precisamos remar juntos”.

Jornalistas do Programa Brasileiro da Rádio Vaticano com o Papa Francisco, em outubro de 2024, durante Assembleia do Dicastério para a Comunicação

Equipe atual e grade de programação
Às vésperas de completar 68 anos de história no próximo mês, o Programa Brasileiro da Rádio Vaticano reafirma seu papel como ponte entre Roma e o Brasil. Sob a coordenação de Silvonei José, a atual redação do Vatican News é composta por sete profissionais: Thulio Fonseca, Andressa Collet, Bianca Fraccalvieri, Jackson Erpen, Mariângela Jaguraba e Raimundo de Lima. Juntos, eles formam o corpo editorial que traduz a comunhão entre o coração da Igreja e as paróquias e comunidades espalhadas pelo imenso Brasil.

A grade de programação é um verdadeiro mosaico de fé, informação e companhia espiritual para o mundo lusófono. Entre os destaques, estão os Boletins de notícias, transmitidos às 11h, 12h e 17h (horários de Roma), que trazem as principais atividades da Santa Sé e da Igreja no mundo, além das transmissões ao vivo dos grandes eventos do Santo Padre, como a Audiência Geral às quartas-feiras e o Angelus aos domingos. O conteúdo se completa com programas temáticos e podcasts como "Em Romaria" e "Porta Aberta", que aprofundam a reflexão cristã e a realidade das dioceses.

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EVANGELHO DO DIA (Mc 7,31-37)

ANO "A" - DIA: 13.02.2026
5ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Abri-nos, ó Senhor, o coração para ouvirmos a palavra de Jesus!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 31 Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32 Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33 Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34 Olhando para o céu, suspirou e disse: "Efatá!", que quer dizer: "Abre-te!" 35 Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. 36 Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37 Muito impressionados, diziam: "Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O poder de Jesus é a liberdade para o nosso coração"

Como o poder de Jesus rompe o silêncio da alma
Naquele tempo, Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia. Trouxeram então um homem surdo que falava com dificuldade e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. Jesus afastou-se com o homem para fora da multidão, em seguida colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá”, que quer dizer, abre-te. Imediatamente, seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade (Marcos 7,31-37).

Um homem aprisionado no silêncio, na incapacidade de exprimir o que sentia, o que pensava, o que desejava de mais belo da vida. Que coisa terrível, não é?

Você talvez já tenha passado pela dura experiência de não conseguir expressar com palavras aquilo que você sentia no seu interior. Como é terrível isso! Quantas pessoas sofrem com síndromes e outras doenças da alma, e se veem assim: aprisionadas no silêncio cruel de não saber nem poder se expressar.
A importância de ser levado ao encontro de Jesus pela comunidade

Ele, além da surdez, padecia da gagueira – mogiilalós. Felizmente, esse homem era amado por uma comunidade, porque o texto diz que o levaram até Jesus.

Como é louvável quando as nossas comunidades se tornam instrumentos que levam os irmãos até a presença de Jesus!

Traduzindo: uma comunidade que oferece solução de um drama a quem sofre, que aponta uma saída para aqueles que estão perdidos, que oferece perdão e misericórdia para os que erram… Essa era a comunidade que aquele surdo possuía.

Jesus o acolhe, chama-o à parte. O Senhor não faz do ministério dos milagres um show nem uma oportunidade de se exibir. Ele trata aquele homem surdo com descrição e personaliza o seu cuidado. Jesus exagera nos gestos, pois era essa a linguagem que aquele homem podia compreender.

O poder de Jesus no toque
Não há palavras. Jesus entra no silêncio que habitava o surdo há muitos anos e toca, inicialmente, os ouvidos, porque só quem sabe ouvir, sabe falar.

O gesto da saliva, que apareceu no texto do Evangelho, é impactante! Expressando uma coisa interessante: Jesus dá daquilo que há de mais íntimo, algo de dentro d’Ele, como se Ele comunicasse o Espírito àquele homem, o Espírito que dá a vida.

Jesus volta Seu olhar para o céu, comunicando-se com o Pai para devolver a comunicação àquele homem. Ele suspira e diz, no Seu dialeto aramaico, o que o texto deixou escapar aqui: Éfata! (abre-te!). Ele usa a língua do coração para estabelecer uma comunicação definitiva com aquele homem.

Imediatamente, o texto diz: o homem começou a falar corretamente, sem dificuldade. Agora, ele pode expressar o que tinha dentro do seu coração. O poder de Jesus também realizara isso em cada um de nós.

Sobre todos vós, desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova