terça-feira, 3 de março de 2026

Na sede da CNBB, Comissão Nacional da Pastoral Familiar planeja ações para 2026 e 2027


A Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) reuniu-se, na sexta-feira (27), na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), para planejar ações para 2026 e 2027.

Entre as pautas discutidas estavam os preparativos para a organização dos subsídios “Hora da Vida”, “Hora da Família” e “Hora da Palavra” para 2027; as demandas para o 16º Simpósio Nacional da Família, que será realizado nos dias 30 e 31 de maio, em Aparecida (SP); e a realização do projeto “Alargai as Tendas”, juntamente com a catequese das paróquias e comunidades. Eventos como a Jornada Mundial das Crianças e o Congresso Vocacional também entraram na pauta.

O assessor da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB, padre Rodolfo Chagas Pinho, destacou a importância do encontro para o planejamento das ações durante os dois anos.

“Essa reunião nos ajuda a fazer um diálogo de escuta. Reunimos as demandas e desafios dos encontros que participamos pelo Brasil e colocamos à mesa, à luz da Palavra, do Evangelho e do Espírito para discernir esses desafios que as famílias vivem e tentar, a partir de ações práticas, ajudar as famílias”, afirmou.

Foto: Luiz Lopes JR/CNBB

Acolhida das Diretrizes da Ação Evangelizadora
Às vésperas da aprovação do texto das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, a Comissão para a Vida e a Família da CNBB e a Pastoral Familiar já se dedicaram ao estudo do texto de trabalho para buscar aplicar, na ação pastoral, as indicações que o documento vai propor no sentido da iniciação à vida cristã.

“O principal eixo desse encontro é colocar essa visão que a Igreja no Brasil está delineando sobre as Diretrizes da Ação Evangelizadora”, apontou o coordenador da Pastoral Familiar, Alisson Schila.

O assessor da Comissão para a Vida e a Família, padre Rodolfo Chagas Pinho, contou que, a partir do estudo do Instrumentum Laboris das Diretrizes começaram a pensar em um plano pastoral de aplicabilidade. Um exemplo é o projeto “Alargai as tendas”, cuja proposta sugere o acompanhamento da Pastoral Familiar a uma família de catequizando com visitas, momentos de oração para que no final do acompanhamento essa família seja integrada à comunidade.

Marcos em 2026
Os 10 anos da Exortação Apostólica Amoris Laetitia e os 45 anos da Exortação Apostólica Familiaris Consortio também foram lembrados pelo coordenador nacional da Pastoral Familiar, Alisson Schila. Já estão previstas diversas iniciativas neste ano para reforçar a ação pastoral com as famílias, como o Simpósio Nacional das Famílias e o subsídio Hora da Família.

Presenças
Estiveram presentes o bispo de Barreiras (BA) e membro da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB, dom Moacir Silva Arantes; o casal coordenador nacional, Alisson e Solange Schila; os vice-coordenadores, Milton e Lourdes Morais; o assessor nacional, padre Rodolfo Chagas Pinho. Remotamente, o bispo de Ponta Grossa (PR) e presidente da Comissão Vida e Família, dom Bruno Elizeu Versari, e o bispo auxiliar de Curitiba (PR) e membro da Comissão, dom Reginei Modolo, também participaram da reunião.

Movimentos e serviços eclesiais
No sábado, a Comissão Episcopal reuniu representantes de 17 movimentos e serviços que atuam na evangelização das famílias no Brasil, no 7º encontro nacional com esses grupos eclesiais. Para o bispo de Barreiras (BA) e membro da Comissão, dom Moacir Arantes, o encontro é importante “porque cada movimento e serviço reconhece a sua ligação e necessidade de comunhão com os bispos” e o convite da Pastoral Familiar para esses movimentos e serviços “reconhece neles também o dom e o carisma do Espírito Santo para colaborar nessa obra de salvação das famílias”.


Reunidos na sede da Secretaria Executiva da Comissão Nacional, os participantes também visitaram a Nunciatura Apostólica no Brasil e a sede da CNBB, onde foram acolhidos, respectivamente, pelo núncio apostólico no Brasil, dom Giambatistta Diquattro; e pelo secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers.


Com informações e fotos do Portal Vida e Família Foto de capa: Luiz Lopes Jr/CNBB

Leão XIV: formação teológica, investimento capaz de neutralizar a lógica da indiferença


O Papa recebeu os membros da Faculdade de Teologia da Puglia e do Instituto Teológico da Calábria, no Vaticano, e enfatizou que "a formação teológica não é um destino reservado a poucos especialistas, mas um chamado dirigido a todos, para que cada um possa aprofundar o mistério da fé e receber os instrumentos necessários para prosseguir com paixão o compromisso perseverante com a mediação cultural e social do Evangelho".

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta segunda-feira (02/03), na Sala Clementina, no Vaticano, os membros da Faculdade de Teologia da Puglia e do Instituto Teológico da Calábria.

Pensando nessas duas regiões italianas, "banhadas pela beleza e imensidão do mar", Leão XIV recordou, em seu discurso, as palavras do Papa Francisco que convidou a "permanecer em mar aberto" e que "o católico não deve ter medo do mar aberto, e não deve buscar o abrigo de portos seguros".

A formação teológica não é para poucos especialistas
A seguir, Leão XIV reiterou que "a Teologia serve para o anúncio do Evangelho, sendo, portanto, parte integrante e fundamental da missão da Igreja".

“A formação teológica, portanto, não é um destino reservado a poucos especialistas, mas um chamado dirigido a todos, para que cada um possa aprofundar o mistério da fé e receber os instrumentos necessários para prosseguir com paixão o “compromisso perseverante com a mediação cultural e social do Evangelho”.”

Nesta perspectiva, o Pontífice recordou o caminho precioso de unidade que os membros das duas instituições "iniciaram em suas Regiões, inclusive unificando realidades, instituições e programas de formação que antes operavam de forma independente".

De acordo com Leão XIV, "trata-se de uma sinergia realmente importante: uma verdadeira transição histórica", pois "promove a comunhão entre dioceses" e também "incentiva um caminho eclesial marcado pela unidade e fraternidade". "Nesse caminho, é possível construir um horizonte comum de pensamento e uma convergência sobre os desafios pastorais e as exigências da evangelização", ressaltou o Papa.
Fazer teologia na escuta e diálogo

"Eis, então, o convite: fazer Teologia juntos", disse o Pontífice, acrescentando:
“Uma formação que sirva para o anúncio do Evangelho só é possível juntos, navegando “em mar aberto”, mas não como navegadores solitários. E fazê-lo, como dizíamos, deixando o próprio porto seguro, indo além das próprias fronteiras territoriais e eclesiais, no encontro e no confronto, na escuta recíproca e no diálogo, naquela comunhão entre as Igrejas que conecta recursos, competências e carismas.”

De acordo com o Papa, "ao fazer teologia juntos, os horizontes intelectuais, espirituais e pastorais se ampliam e se entrelaçam, gerando perspectivas comuns e um compromisso eclesial mais encarnado no território, oferecendo a possibilidade de renovar os estilos e as linguagens da fé no contexto real em que se encontram".

Viver relações eclesiais no estilo sinodal
“Ao fazer teologia juntos, vocês descobrirão que são um laboratório que prepara os futuros presbíteros e agentes pastorais para viver relações eclesiais no estilo sinodal, em que os diferentes sujeitos, ministérios e carismas eclesiais se complementam mutuamente, superando todo fechamento.”

A formação teológica gera um pensamento crítico e profético
"Ao fazer teologia juntos, vocês estarão mais preparados para acolher as questões e os desafios do contexto social e cultural", disse ainda o Papa Leão, acrescentando:

“De fato, a riqueza da história de onde vocês provêm e a religiosidade difundida do seu povo não cancelam os numerosos problemas sociais, a crise do trabalho, o fenômeno da emigração e todas as formas de opressão, escravidão e injustiça que exigem uma nova consciência e um compromisso ousado por parte de todos. A formação teológica contribui para gerar um pensamento crítico e profético, representando um investimento cultural para o futuro capaz de neutralizar as lógicas da resignação e da indiferença.”

O Santo Padre convidou os membros da Faculdade de Teologia da Puglia e do Instituto Teológico da Calábria "a prosseguirem este projeto com entusiasmo e determinação", sem se deixarem "seduzir pela tentação de voltar atrás". "Convido-os a sonhar uma comunidade acadêmica onde os candidatos ao ministério ordenado, os consagrados e as consagradas, e os leigos e leigas se formem juntos e ajudem as comunidades cristãs a tornarem-se sinais do Evangelho e canteiros de esperança", concluiu.

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EVANGELHO DO DIA (Mt 23,1-12)

ANO "A" - DIA: 03.03.2026
2ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!
- Lançai para bem longe toda a vossa iniquidade! Criai em vós um novo espírito e um novo coração!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 Jesus falou às multidões e a seus discípulos e lhes disse: 2 "Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. 3 Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4 Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo. 5 Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas. 6 Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas; 7 Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre. 8 Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. 9 Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10 Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é o vosso Guia, Cristo. 11 Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12 Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Pregar sobretudo com a vida"

Autoridade e serviço para pregar e viver o Evangelho
Ontem, nós ouvimos sobre a misericórdia. Hoje, vamos ouvir sobre a humildade, a virtude e o coração de Jesus. Ele mesmo disse: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. O Evangelho de São Mateus 23,1-12, diz para nós o seguinte: Naquele tempo, Jesus falou às multidões e aos seus discípulos, dizendo: “Os mestres da lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a lei de Moisés. Por isso deveis fazer e observar tudo o que eles dizem, mas não imitem suas ações, pois dizem e não fazem. Amarram pesados pardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmo não os querem mover nem como um só dedo”. (Mateus 23,1-12)

Jesus denuncia a humildade como o caminho do verdadeiro serviço e da autêntica autoridade cristã. O Evangelho de hoje é uma forte advertência de Jesus contra a hipocrisia e a busca de prestígio religioso.

A denúncia de Jesus
Não é verdade que, nos tempos de hoje, o que mais nós temos visto são pessoas que se valem do Evangelho não para comunicar Jesus Cristo, mas para comunicar a si mesmas?

Falam de perdão, mas não perdoam. Falam que precisamos amar o outro, mas não têm coragem de amá-lo. Falam tantas coisas, mas somente para ganhar prestígio, dinheiro, fama, poder e status.

A necessidade de pregar e viver
Jesus está nos pedindo que nós tenhamos a coragem de não seguir pessoas que querem se valer do Evangelho para proveito próprio. Por isso, meus irmãos, Jesus está denunciando o comportamento daqueles que pregam, mas não vivem o que pregam. Isso é uma lástima, isto é uma tristeza.

Um homem que se diz de Deus, que prega e vive o contrário daquilo que se fala… Jesus o está denunciando, Jesus está dizendo que isso é uma hipocrisia. Você não deve ser um cristão hipócrita. Você deve ser um cristão autêntico, que vive o que prega, não para ter reconhecimento entre os homens, mas para ser reconhecido por Deus. Assim, um dia, chegará à glória eterna.

O Senhor nos ajude a permanecermos fiéis em Sua vontade.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Deixe-se moldar por Deus

Quaresma, um tempo propicio para se moldar

Estamos entrando em um tempo forte oferecido pela Igreja: a Quaresma. É o momento de voltarmos o olhar para dentro de nós e percebermos os resquícios do mundo que ainda habitam nosso coração.

O verdadeiro profetismo começa aqui, quando aceitamos o desafio de sermos moldados pela vontade de Deus para vivermos uma transformação interior profunda.


Deixar-se moldar pelo Divino Oleiro
Ser moldado por Deus não é um processo passivo, é ser trabalhado pelo Espírito Santo, que o Catecismo chama de “Mestre interior”. Esse processo consiste em conformar nossos pensamentos aos pensamentos de Deus, buscando a semelhança com Ele. Deus age como um grande escultor, tirando as “lascas” que o pecado impregnou em nós através de uma lapidação constante.

Para que essa obra aconteça, é necessário querer e decidir. Enquanto o mundo se perde em distrações passageiras, o cristão chamado ao profetismo escolhe o “combate espiritual”, mantendo-se desperto para que o inimigo não roube a graça semeada no coração. Ser moldado é, em última análise, permitir que o Espírito Santo forme em nós o caráter de Cristo: viver, amar, pensar e sentir como Jesus viveu e sentiu.

As ferramentas do profeta
O profetismo exige uma vida de coerência, e a Igreja nos aponta o caminho: oração, jejum e caridade. Como diz Santo Afonso Maria de Ligório, “quem reza se salva, quem não reza se condena”. A oração é o sustento que nos mantém na vontade de Deus e nos impede de retornar à escravidão do pecado. Sem intimidade com o Senhor, perdemos a nossa identidade profética. O apóstolo Paulo nos exorta a oferecer nossos corpos como um “sacrifício vivo e santo”.
“Não se conformar com a mentalidade deste mundo, mas transformar-se pela renovação do espírito para discernir a vontade de Deus.”

O verdadeiro profeta é aquele que:
• Troca o pecado pela vida na graça.
• Vence vícios como a fofoca, a impaciência e a raiva através da oração.
• Pratica o perdão, pois é inadmissível um cristão que não sabe perdoar.
A coerência de vida como testemunho profético

O maior profetismo que podemos exercer é a nossa coerência de vida. Quando Deus molda nosso coração, Ele muda nossa forma de falar e nossas companhias. Muitas vezes, o chamado ao profetismo exige o rompimento com amizades e ambientes de pecado para que possamos, mais tarde, retornar a esses lugares como luz e testemunho.

Para vencer as tentações, é preciso vigilância e esforço, como o banho gelado ou a oração do terço nos momentos de cansaço. Somos o barro na mão do Divino Oleiro; se o vaso se quebra, Ele nos amassa e refaz, transformando tristeza em alegria e sofrimento em paz.

Entregue-se, hoje, a essa lapidação divina e assuma o seu chamado: deixe-se moldar para ser o profeta que o mundo precisa.

Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin

Origem
Nasceu na Filadélfia (EUA). Filha de um famoso banqueiro, ela perdeu a mãe logo depois que nasceu e foi criada por seu pai e sua madrasta.

Generosidade familiar
A família de Catarina Drexel era rica e os bens que tinham eram partilhados com os mais necessitados. Ela aprendeu, desde criança, a ser generosa e a usar seus bens materiais para ajudar o próximo. O pai dela sustentava vários institutos católicos que cuidava dos pobres. Sua madrasta ensinou Catarina e suas duas irmãs a praticarem a caridade desde bem pequenas.

Educação católica
Catarina, que foi educada na fé desde jovem, trilhou um caminho espiritual de forma a querer conhecer, amar e servir ao Senhor.
Santa Catarina Drexel e a vida missionária

Indígenas e negros
Catarina se compadeceu da situação que os indígenas e os negros viviam no Oeste americano. Então, sentiu no coração o desejo de ajudar. Decidida a fazer algo pelos mais necessitados, ela vai ao encontro do Papa Leão XIII, a fim de pedir missionários para trabalhar com índios e negros, pois ela já os ajudava. Foi então que o Papa sugeriu que ela mesma se tornasse missionária.

Doação de vida
Decida a se entregar a Deus e, assim, servir aos mais pobres, Catarina, aos 32 anos, fez sua primeira profissão religiosa, em 1891, nas Irmãs da Misericórdia. Não conformada ainda com a sua entrega a Deus, depois, ela fundou a ordem das Irmãs do Santíssimo Sacramento, aprovada em Roma, em 1913, com a finalidade de anunciar o evangelho e a vida eucarística entre índios e afro-americanos.

Irmãs do Santíssimo Sacramento
Catarina e as irmãs da ordem do Santíssimo Sacramento cuidavam de um sistema de escolas católicas para índios e negros americanos, em 13 estados. Por ajudar aqueles que não eram homens livres, ela sofreu perseguição, mas não desistiu.
Jesus Eucarístico: o seu verdadeiro amor

Eucaristia
Tamanho era o seu amor pelo Senhor, ela ensinou as Irmãs do Santíssimo Sacramento que era preciso amar a Eucaristia e olhar para todos os povos, inclusive para os que sofriam discriminação racial.

Morte e subida aos altares
Catarina Drexel faleceu com 97 anos, em 3 de março de 1955, na Pensilvânia. Seus últimos 20 anos foram de vida centrada na meditação e oração. Foi beatificada em 20 de novembro de 1988, por São João Paulo II, e canonizada, também por ele, em 1º de outubro de 2000.

O verdadeiro valor
Uma mulher rica financeiramente, mas com um espírito despojado de si mesma e de toda a riqueza que possuía. Ela entendeu que os bens terrenos de nada valem se não tivessem ao serviço de Deus. Sua maior riqueza era o amor a sagrada Eucaristia.

Minha oração
“Olhar para os que sofrem bem mais do que eu: ‘Senhor, ajuda-me a fazer este exercício de não parar no meu sofrimento do tempo presente, mas olhar ao meu lado e reconhecer que a humanidade sofre e, com ela, devo unir-me à Cruz do Senhor’. Assim seja.”
Santa Catarina Drexel, rogai por nós!

segunda-feira, 2 de março de 2026

Em artigo, dom João Santo Cardoso reflete sobre moradia como dimensão essencial do existir humano


A Campanha da Fraternidade 2026, com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), propõe uma reflexão que vai além da urgência social do déficit habitacional no Brasil. Para dom João Santo Cardoso, arcebispo de Natal, a moradia toca a própria estrutura da existência humana, pois diz respeito ao modo como a pessoa está e permanece no mundo.

Em artigo, ao abordar o tema, o arcebispo recorre ao pensamento do filósofo alemão Martin Heidegger, especialmente ao ensaio Construir, Habitar, Pensar (1951). Na obra, Heidegger afirma que “habitar é o modo como os mortais são sobre a terra”. Segundo ele, o ser humano não apenas ocupa um espaço físico: ele habita. E esse habitar não é uma atividade secundária, mas a forma fundamental de existir – cuidar, preservar e permanecer.

O filósofo distingue “construir” e “habitar”, recordando que o termo alemão bauen (construir) tem ligação etimológica com o verbo “ser”. A reflexão inverte a lógica comum de que primeiro se constrói para depois habitar. Para Heidegger, constrói-se porque já se habita; constrói-se porque se é. Assim, erguer uma casa não significa apenas levantar paredes, mas criar condições para uma presença enraizada e protegida na terra.

Nesse horizonte, a casa deixa de ser vista apenas como abrigo funcional e passa a ser compreendida como espaço de memória, vínculos e cuidado. Habitar significa proteger o que foi confiado e viver de maneira atenta às relações com o mundo, reconhecendo limites, laços e transcendência.

A partir dessa perspectiva, dom João destaca que a perda da moradia ou a vida em condições precárias provocam não apenas carência material, mas uma verdadeira ferida existencial. A insegurança habitacional compromete a estabilidade, a dignidade e a capacidade de projetar o futuro.

“Sem um espaço que proteja e acolha, enfraquece-se a possibilidade de confiar, sonhar e construir sentido”, resume.

O Texto-Base da Campanha também aponta que a negação do direito à moradia digna revela graves insuficiências humanas e sociais. A ameaça constante de despejo, a situação de rua ou as construções improvisadas fragilizam o sentimento de pertencimento e fragmentam a vida.

À luz da fé cristã, a reflexão ganha ainda maior profundidade. A encarnação recorda que o próprio Deus assumiu o habitar humano. Ao “vir morar entre nós”, o Verbo partilhou a experiência concreta de uma casa, conferindo à moradia uma dimensão de encontro entre o humano e o divino.

Promover moradia digna, portanto, é mais do que atender a uma necessidade básica: é garantir condições para que cada pessoa exerça plenamente seu modo próprio de existir. Defender a moradia é defender a dignidade humana. Onde falta casa, falta chão para que o ser humano floresça.

Acesse (aqui) o artigo de dom João na íntegra.

Foto de capa: Raiane Miranda

Papa: a paz não se constrói com ameaças recíprocas nem com armas que semeiam morte


"Dirijo um veemente apelo sincero às partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável! Que a diplomacia recupere seu papel e promova o bem-estar dos povos que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça", foi o apelo do Pontífice.

Vatican News

"Que a diplomacia recupere seu papel e promova o bem dos povos, que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça". Poucos dias depois do quarto aniversário da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, as atenções nestas horas se voltam em particular para o Irã, onde um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel atingiu desde a manhã de sábado diversas cidades iranianas, matando o líder supremo Ali Khamenei. O Irã reagiu, atingindo Israel, bases estadunidenses, além de países vizinhos: hotéis e o aeroporto de Dubai, os cais utilizados pela Marinha Francesa em Abu Dhabi, um posto militar dos EUA em Erbil (Iraque), um petroleiro no Golfo Pérsico, o porto omanita de Duqm, escritórios da Marinha dos EUA no Bahrein, alvos na Arábia Saudita, Kuwait e Catar. O espaço aéreo sírio e jordaniano foi violado e drones foram enviados para o Mediterrâneo Oriental. E, claro, o território do Estado judeu.
Logo após rezar a oração mariana do Angelus, a preocupação de Leão XIV e o apelo ao diálogo:

Acompanho com profunda preocupação o que está acontecendo no Oriente Médio e no Irã nestas horas dramáticas. A estabilidade e a paz não se constroem por meio de ameaças recíprocas, nem com armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas somente por meio de um diálogo razoável, autêntico e responsável.

Diante dos desdobramentos imprevisíveis do conflito, o Santo Padre pediu ainda que a diplomacia recupere o seu papel, reiterando que os povos anseiam pela paz fundada na justiça:

Diante da possibilidade de uma tragédia de proporções enormes, dirijo um veemente apelo às partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável! Que a diplomacia recupere seu papel e promova o bem dos povos, que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça. E continuemos a rezar pela paz.

As novas hostilidades começaram em 22 de fevereiro com um ataque aéreo paquistanês em solo afegão que também atingiu Cabul e Kandahar nos dias seguintes. Em resposta, os ataques ...

E o pedido a continuar a rezar pela paz não se refere apenas ao Oriente Médio. A atenção do Pontífice se voltou também para a "guerra aberta" entre Paquistão, que possui armas nucleares, e o Afeganistão, onde o Talibã é especialista em guerra de guerrilha:

Além disso, nestes dias, chegam notícias preocupantes de confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão. Elevo a minha súplica por um retorno urgente ao diálogo.

E mais uma vez o pedido:
Rezemos juntos para que a harmonia prevaleça em todos os conflitos do mundo. Somente a paz, um dom de Deus, pode curar as feridas entre os povos.

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EVANGELHO DO DIA (Lc 6,36-38)

ANO "A" - DIA: 02.03.2026
2ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!
- Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; só tu tens palavras de vida eterna!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 36 "Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. 37 Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. 38 Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A misericórdia de Deus é a medida do amor"

A imitação da misericórdia de Deus
Nós vamos escutar, hoje, o Evangelho de São Lucas 6,36-38. Há um tema muito importante, dentro daquele que o Papa Francisco também sempre nos alertou sobre a misericórdia de Deus. O Evangelho vai nos dizer assim: “Sejam misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados. Não condeneis, e não sereis condenados. Perdoai, e sereis perdoados” (Lucas 6,36-38).

A misericórdia que gera reciprocidade
O fio condutor deste Evangelho é a misericórdia que gera reciprocidade. Quem é alcançado pela misericórdia de Deus precisa também ser misericordioso como o outro. Quantas vezes as pessoas erram conosco, nos fazem mal! E nós não temos coragem de ser misericordiosos e misericordiosas com elas! Depois, nós queremos que Deus, quando erramos, seja misericordioso conosco.

Aqui está muito claro no Evangelho: “Sejam misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso”. “Eu sou gente, eu sou humano! E quanto mais eu busco me parecer com Cristo, mais eu vou atribuir para a minha vida aquilo que é nosso Senhor.

Por isso Jesus convida os seus discípulos a imitar o Pai na misericórdia, pois a forma como tratamos os outros volta para nós. Quem julga será julgado; quem perdoa será perdoado, quem dá receberá em abundância.

A medida do amor é a medida da misericórdia de Deus
O centro da mensagem do Evangelho de hoje, meu irmão, minha irmã, é a medida do amor que usamos, será a medida do amor que receberemos.
Se eu amo pouco, também serei amado pouco. Se eu dou muito, receberei muito. Por isso, meu irmão, minha irmã, precisamos ter um coração generoso, um coração que, ao ajudar alguém, não espere nada em troca. Quando vivemos assim, Deus nos surpreende, Ele se manifesta no meio de nós e Ele mostra a sua misericórdia para sempre.

Agir como o Pai para além da compaixão
Por isso, meus irmãos, a misericórdia de Deus não é apenas ter pena ou sentir compaixão, mas agir como o Pai age, com um amor que não se mede, que não se fecha às ofensas, que perdoa, acolhe e dá sem esperar retorno.

É grande essa dificuldade no meio de nós, porque quando alguém nos faz o mal, nós queremos fazer também o mal – dente por dente. Deus não quer que nós vivamos assim, Deus quer que nós sejamos misericordiosos. Sendo misericordiosos, também outros farão a experiência profunda de dar e receber.

Que Jesus nos ajude, que o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação nos abençoe. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova