terça-feira, 19 de maio de 2026

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos mobiliza celebrações e encontros ecumênicos em todo o Brasil


Entre os dias 17 e 24 de maio, cristãos de diferentes tradições se unem em oração e reflexão durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) 2026. Celebrada no hemisfério sul entre a solenidade da Ascensão do Senhor e Pentecostes, a iniciativa convida as comunidades a aprofundarem o compromisso com o diálogo ecumênico e a busca pela unidade entre os seguidores de Jesus Cristo.

Neste ano, o tema escolhido é: “Há um só corpo e um só Espírito, assim como a vocação de vocês os chamou a uma só esperança” (cf. Efésios 4,4). A proposta destaca que, apesar da diversidade de tradições e expressões cristãs, todos são chamados a testemunhar juntos a esperança e a reconciliação em Cristo.

As reflexões e subsídios da SOUC 2026 foram preparados por fiéis da Igreja Apostólica Armênia, em colaboração com irmãos e irmãs das Igrejas Católica Armênia e Evangélica. Inspirados na rica tradição espiritual da Armênia – primeira nação a adotar oficialmente o cristianismo, em 301 d.C. – os textos resgatam antigas orações, hinos e práticas litúrgicas que expressam a herança comum da fé cristã.

Desde 2021, os materiais da Semana são disponibilizados exclusivamente em formato digital. O caderno de celebração (e-book) e o cartaz oficial podem ser acessados e baixados gratuitamente no site do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).

A unidade como testemunho
Em entrevista ao portal da Canção Nova, o assessor da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da CNBB, padre Marcus Barbosa Guimarães, recorda que a Semana de Oração não é um evento isolado, mas uma oportunidade concreta para que as comunidades cristãs se encontrem e reconheçam que “aquilo que nos une é bem maior do que aquilo que nos divide”.

Segundo ele, a unidade é condição essencial para a missão evangelizadora. “Num mundo profundamente dividido pelo ódio, intolerâncias e violências, somos chamados, como discípulos de Jesus Cristo, a ser verdadeiras testemunhas de reconciliação e unidade”, afirma.

Já o presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da CNBB, dom Rodolfo Weber, destaca que o compromisso ecumênico ganhou novo impulso com o decreto Unitatis Redintegratio. “Quando algo está dividido, a tarefa de um católico não é aumentar a divisão, mas trabalhar pela unidade”, ressalta.

Celebrações e encontros pelo país
Diversas cidades brasileiras promovem celebrações, rodas de conversa e encontros ecumênicos ao longo da semana.

Em Brasília (DF), a abertura oficial acontece neste domingo, 18 de maio, às 20h, na Catedral Anglicana de Brasília. Também na capital federal, a sede da CNBB realiza, no dia 22 de maio, às 11h45, um momento especial de oração com seus colaboradores.

Em São Paulo, em diversas paróquias a programação se estende de 17 a 23 de maio, reunindo líderes cristãos em celebrações ecumênicas, rodas de conversa e encontros em diferentes locais da cidade. E em São José dos Campos a programação acontece de 25 a 29 de maio.

Ainda nesta segunda-feira, 18, uma roda de diálogo promovida pela ASLI e outras entidades será transmitida online pelo YouTube, ampliando a participação de pessoas de todo o país.

No estado do Rio de Janeiro, a abertura da Semana ocorreu no domingo, 17 de maio, na Igreja Matriz de Santa Cecília, na diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda. Já a Paróquia Nossa Senhora de Copacabana e Santa Rosa de Lima realizam a celebração de encerramento às 20h, no dia 23 de maio.

Já no Rio Grande do Sul, comunidades de Porto Alegre e Alvorada realizam celebrações em diversas paróquias desde o dia 17.




Oferta fortalece projetos ecumênicos

Durante a SOUC, as comunidades também são convidadas a realizar uma oferta especial em favor do ecumenismo. Os recursos arrecadados são destinados ao Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil e às representações regionais, apoiando iniciativas de diálogo, formação e ações conjuntas entre as Igrejas. A oferta pode ser feita por meio da chave Pix: conic@conic.org.br ou pelo QrCode abaixo:


Mais do que uma tradição anual, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos reafirma o compromisso das Igrejas com o desejo de Jesus: “Que todos sejam um” (João 17,21). Em tempos marcados por divisões e conflitos, a SOUC recorda que a unidade dos cristãos é sinal profético de esperança e instrumento de evangelização para o mundo.

Por Larissa Carvalho | Com informações do CONIC

Magnifica humanitas, a primeira encíclica de Leão XIV. Publicação em 25 de maio



O documento sobre o tema "da salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial" foi assinado pelo Papa em 15 de maio, aniversário da encíclica Rerum Novarum de Leão XIII. A apresentação ocorrerá na próxima segunda-feira, no Salão Novo do Sínodo, na presença do Papa.

Vatican News

"Magnifica humanitas". Este é o título da primeira encíclica de Leão XIV, "sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial". O documento será publicado em 25 de maio e leva a assinatura do Papa com a data de 15 de maio, no 135º aniversário da promulgação da encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII.

A apresentação de "Magnifica humanitas" ocorrerá no mesmo dia de sua publicação, 25 de maio, às 11h30, no Salão Sinodal, com a presença do próprio Leão XIV.

Os oradores serão os cardeais Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e Michael Czerny, S.J., prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Na sequência, a professora Anna Rowlands, teóloga e professora da Durham University, no Reino Unido; Christopher Olah, cofundador da Anthropic (EUA) e responsável pela pesquisa sobre a interpretabilidade da inteligência artificial; a professora Leocadie Lushombo i.t., docente de teologia política e pensamento social católico na Jesuit School of Theology de Santa Clara, Califórnia.

A conclusão da apresentação estará a cargo do cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin. Em seguida, haverá um discurso e uma bênção do Papa Leão XIV.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 17,1-11a)

ANO "A" - DIA: 19.05.2026
7ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Rogarei ao meu Pai e ele há de enviar-vos um outro Paráclito, que há de permanecer eternamente convosco.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: "Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique a ti, 2 e, porque lhe deste poder sobre todo homem, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste. 3 Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo. 4 Eu te glorifiquei na terra e levei a termo a obra que me deste para fazer. 5 E agora, Pai, glorifica-me junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse. 6 Manifestei o teu nome aos homens que tu me deste do meio do mundo. Eram teus, e tu os confiaste a mim, e eles guardaram a tua palavra. 7 Agora eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti, 8 pois dei-lhes as palavras que tu me deste, e eles as acolheram, e reconheceram verdadeiramente que eu saí de ti e acreditaram que tu me enviaste. 9 Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10 Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. 11a Já não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Testemunhar com parresía através do Espírito Santo"

Parresía é a coragem de anunciar a verdade
Naquele tempo, os discípulos disseram a Jesus: “Eis que agora falas claramente e não usas mais figuras. Agora, sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue, por isso cremos que vieste da parte de Deus” (Jo 16,29-33).

Os discípulos se dão conta de que, agora, Jesus lhes fala claramente. Esse termo, no grego, é parresia, uma palavra que talvez você já tenha escutado por aí, cujo significado é “falar francamente”, sem rodeios, falar diretamente. Estamos nos aproximando do evento de Pentecostes, e será preciso muita parresia para que os discípulos levem adiante a mensagem de Cristo.

A clareza que nasce da intimidade
Muitos embates virão, muitas perseguições. Muitos fraquejarão e voltarão atrás. Muitos não suportarão a verdade e vão abandonar o caminho do Senhor. A parresia, com a qual o Espírito enriqueceu os discípulos, é necessária nos tempos de hoje para todos nós. E não se trata de dizer certas verdades de uma forma suicida, irresponsável ou até mesmo agressiva, humilhando ou diminuindo as pessoas.

A verdade do Evangelho impõe-se por si mesma. Às vezes, nós queremos fazer apologética – a defesa da fé –, mas às custas de ofender o outro que pensa e crê diferente de nós. Quantos episódios de intolerância nós cristãos enfrentamos ao longo desses séculos de história! Quantas coisas, quanta perseguição, quanta humilhação! E, agora, nós vamos fazer a mesma coisa que fizeram conosco?

Vivendo a parresía com radicalidade e amor
Quem não quer seguir Cristo com toda a sua radicalidade, que seja feliz na sua crença, no seu modo de viver. A mensagem do Evangelho é radical para nós que acolhemos Jesus, que O aceitamos na nossa vida como Mestre e como Senhor. Para nós, que nos decidimos pelo discipulado de Jesus, precisamos dessa palavra de parresía, sem meias verdades, vivendo de uma forma leviana a nossa vida cristã. Não! Vamos viver com radicalidade, vamos viver com profundidade a mensagem do Evangelho.

Sobre todos vós desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. canção Nova


Cinco atitudes do dia a dia que nos aproximam de Deus

A importância entender o papel de Deus na nossa vida

Em meio a uma rotina apressada, repleta de compromissos e intensamente online, viver em sintonia com Deus é algo desafiador, porém, possível. Para compreendermos, de forma prática, como fazer isso, é preciso, antes de tudo, entender que papel Deus ocupa em nossa vida. Se Ele é o Senhor da nossa história, se dependemos Dele em tudo, isso significa que a harmonia com Deus deve ser uma prioridade. Mas, se nosso coração está preocupado, primeiramente, com outras coisas, o Senhor ficará em último plano e, desse modo, a intimidade com Ele se tornará meta difícil de ser alcançada.

Créditos: Arquivo CN.

Contudo, Jesus ensinou aos seus discípulos o seguinte: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). A unidade com o Senhor preenche nossa sede de eternidade e nos amadurece em todos os âmbitos da vida. A partir desse princípio dado pelo próprio Cristo, podemos pensar em cinco atitudes que julgamos essenciais para nos aproximarmos de Deus no dia a dia.
Cinco atitudes essenciais para a aproximação divina

Pensar no Senhor durante todo o dia.

“Do nascer ao pôr do sol seja louvado o nome do Senhor” (Sl 112,3). Isso significa viver em estado de oração, ou seja, iniciar o dia rezando, trabalhar, decidir e se relacionar com as pessoas pensando em Deus, além, claro, de tirar um horário do seu dia exclusivamente para orar. Santa Teresa d’Ávila, doutora da Igreja, ensina que, sem a oração, não se vai adiante. Orar é estabelecer nosso momento de encontro com Deus, conhecê-Lo, saber seus planos a nosso respeito e, ao mesmo tempo, conhecermo-nos, compreender nossos limites e fraquezas. A oração ordena o nosso interior e nos faz entender a grandeza do amor do Senhor por nós. Sendo assim, escolha um horário do dia para estar a sós com Deus. Ponha-o em sua agenda e cumpra-o como o compromisso mais importante do seu dia. É preciso que nossa alma esteja repleta da presença do Senhor.

Reduzir o excesso de informação.

Evite o uso constante do celular. Você não precisa saber de todas as informações o tempo todo, nem ficar constantemente analisando cada notificação que recebe. Aliás, deixe em seu celular apenas as notificações extremamente necessárias. Estabeleça horários para verificar suas redes sociais. Quem quer estar próximo de Deus precisa ser amigo do silêncio. A voz do Senhor só pode ser ouvida quando as outras se calam. Nesse sentido, mantenha a quietude interior, ainda que não esteja em um momento exclusivo de oração. Ouça seus pensamentos e sentimentos e ponha-os em ordem.

Ter uma vida de ascese equilibrada.

Os excessos de consumo e prazeres também acabam substituindo Deus em nossa vida, a ponto de nos apegarmos a eles como ídolos. Portanto, uma ascese equilibrada — vivendo a máxima de “estar no mundo e não ser do mundo” (cf. Jo 17,14-16) — nos ajuda a colocar as coisas em seus devidos lugares, exercitando a virtude do autodomínio e aceitando também as privações. Santa Teresa d’Ávila, Santa Teresinha e muitos outros santos nos ensinam a importância de aceitar as privações do dia a dia para deixar cair nosso orgulho e crescermos mais na humildade. Para isso, procure os sacramentos, como a confissão e a Eucaristia, a fim de obter perdão e força para viver em sintonia com o que Ele tem para você. O pecado é errar o alvo, e isso nos tira da presença de Deus e da sua graça. A busca pela santidade, ao contrário, nos torna mais parecidos com o Senhor e, assim, mais íntimos Dele.

Viver uma caridade concreta.

“Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito” (1Jo 4,12). O amor aos irmãos mantém a presença de Deus em nossa vida, porque, quando estamos reunidos em seu nome, Ele está (cf. Mt 18,20). Uma vida espiritual verdadeira se expressa na caridade para com os outros, seja por meio do serviço, da generosidade material ou da atenção às pessoas. Certamente, todos os dias há alguém diante de nós a quem poderemos amar de maneira concreta.


Unidade entre a fé e a vida.

Precisamos viver o que cremos em todas as realidades em que estamos inseridos: trabalho, estudos, associações ou tantas outras. Não podemos ter uma fé que termina quando saímos da Igreja. Dessa forma, além de não alcançarmos maturidade verdadeira, tornamo-nos um contratestemunho, que pode ser motivo de queda para os outros. O simples fato de buscarmos uma coerência de vida e procurarmos viver a nossa fé em tudo o que fazemos já nos coloca unidos a Ele. O Senhor vê que estamos lutando, ainda que não estejamos totalmente prontos. E, se cairmos, Ele nos ajuda a levantar, já que a vida cristã é um crescimento contínuo. Aqui, cabe-nos recomeçar sempre após as quedas, não desanimar com as dificuldades espirituais e ter disciplina simples e constante.

Essas cinco atitudes precisam ser vividas, obviamente, com a virtude da humildade, sem a qual não herdaremos o Reino dos Céus (cf. Mt 5,3). Sem humildade, todo o resto se corrompe, porque somente com essa virtude poderemos aceitar correções, reconhecer limites e abrir espaço para Deus agir.


Elane Gomes
Mestra em Comunicação e Cultura Midiática

São Pedro Celestino


Pedro Angeleri de Morrone nasceu em uma família de camponeses na Itália, em 1215.
Aos seis anos de idade, quando já era órfão de pai, revelou a sua mãe seu desejo de ser religioso, foi encaminhado por ela aos estudos eclesiásticos. Cresceu estudando com os beneditinos, pois admirava a vida dos monges. Terminou os estudos e foi para um local isolado, onde viveu alguns anos em orações, jejum e penitências.

Em 1239, aos 24 anos, recebeu a ordem sacerdotal, mas resolveu voltar ao isolamento no Monte Morrone, na região dos Abruzos, onde construiu uma cela vivendo novamente como eremita, vencia as tentações com sua cruz em punho.

Muitos o seguiam atraídos pelo seu exemplo. Assim, nasceu a ordem dos “Celestinos” que cresceu rapidamente fundando Mosteiros e restaurando Abadias, graças a magnitude do Cardeal Latina Malabranca e do Rei Carlos II de Anjou.

Pedro ficou conhecido na Europa como homem de Deus, ele atraia pessoas de todos os lugares para receber conselhos e curas e a todos ele propunha a conversão de coração como meio para obter a paz para aliviar as tensões, os conflitos e doenças que todos viviam naquele momento.

Em 1292, com a morte do Papa Nicolau IV, onze cardeais eleitores não conseguiam entrar em consenso, estavam sendo pressionado pelo Rei Carlos II para encontrar um candidato a seu gosto e pelo conflito entre as famílias Orsini e Colonna, isso já durava 27 meses.

Pedro em seu isolamento previu uma iminente punição divina que poderia ser evitada com a eleição em poucos meses do Sumo Pontífice e advertiu os Cardeais.

Os Cardeais eleitores perceberam que Pedro seria o candidato ideal para acabar com o impasse, foram até sua caverna de Maiella para convidá-lo a assumir o cargo. Ele recusou o convite, mas depois entendeu que era Deus que o chamava para essa nobre responsabilidade, porém, rejeitou o convite dos Cardeais de ir para Perugia.

Em dia 29 de agosto de 1294, (memória litúrgica de São João Batista), foi para Áquila montado em seu jumento e escoltado pelo Rei Carlos II, e recebeu a tiara na Basílica de Santa Maria de Collemaggio. Mais de duzentos mil fiéis participaram da cerimônia solene.

Pedro escolheu o nome de Papa Celestino V e logo convocou o primeiro jubileu da história, conhecido como: “Jubileu do Perdão”. O Perdão Celestino é a Indulgência Plenária concedida pelo Papa Celestino V com a Bula Inter Sanctorum Solemnia de 29 de setembro de 1294.Desde então, todos os anos se celebra o Perdão Celestino.

Entretanto percebeu, logo, que não era livre no exercício do seu Ministério, por causa daqueles que, na Cúria, esperavam se beneficiar pela sua pouca experiência de governo. Ele percebeu que a sua escolha foi política, por pressão de Carlos II. Com temperamento para a vida contemplativa e não para a de governança, os cardeais logo perceberam que a sua eleição teria sido um “erro”.

Papa Celestino V exerceu o papado durante um período cheio de intrigas, crises e momentos difíceis. Reconhecendo-se deslocado, renunciou em favor do Papa Bonifácio VIII, seu sucessor. Para não gerar um cisma na Igreja, Pedro Celestino aceitou humildemente ficar prisioneiro no Castelo Fumone. Ali permaneceu até sua morte em 19 de maio de 1296.

São Pedro Celestino V foi canonizado pelo Papa Clemente V, em 1313. Seus restos mortais estão na Basílica de Santa Maria de Collemaggio, em Áquila, que recebe muitos peregrinos, entre os mais ilustres destaca-se Bento XVI, que, em 2009, ali deixou o pálio recebido no início do seu Pontificado, e o Papa Francisco que em 28 de agosto de 2022 visitou a basílica e foi o primeiro papa a abrir a Porta Santa para receber a indulgência plenária do Perdão Celestino.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR Nathália Queiroz de Carvalho Lima

Reflexão:

O papa Bento XVI disse em 2010 que a vida de São Pedro Celestino "permanece na história pelas notáveis vivências de seu tempo e seu pontificado e, sobretudo, por sua santidade. A santidade, de fato, não perde nunca sua própria força, não cai no esquecimento, jamais sai de moda". Ele o descreveu como um “buscador de Deus”. “É no silêncio exterior, mas sobretudo no interior que ele chega a perceber a voz de Deus, capaz de orientar sua vida”, continuou o papa Bento XVI. Na nossa vida tão barulhenta e cheia de estímulos, como estamos vivendo o silêncio exterior e interior? Separamos tempo para refletir, para a oração, para buscar a Deus? Que São Pedro Celestino nos ajude a fazer silêncio para escutar a voz das pessoas que estão ao nosso redor e principalmente a voz de Deus.

Oração:

Deus eterno e todo-poderoso, quiseste que São Celestino V governasse todo o vosso povo, servindo-o pela palavra e pelo exemplo. Guardai, por suas preces, os pastores de vossa Igreja e as ovelhas a eles confiadas, guiando-os no caminho da salvação. Por Cristo nosso Senhor. Amém!

segunda-feira, 18 de maio de 2026

II Congresso Teológico de Pastoral Urbana: dom Jackson aprofunda a formação de comunidades e discípulos missionários

Em reflexão conduzida pelo arcebispo de Olinda e Recife (PE) e segundo-vice presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, a última conferência do II Congresso Teológico de Pastoral Urbana tratou do tema “Formação de comunidades de discípulos missionários nas novas configurações urbanas” nesta quinta-feira, 14 de maio.

Com o tema “Deus habita esta cidade” (Sl 47,9), o II Congresso Teológico de Pastoral Urbana é uma iniciativa da CNBB em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Teologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC RS) e com o Programa de Pós-Graduação Profissional em Teologia Prática da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).

O evento buscou dar continuidade ao I Congresso Teológico Internacional de Pastoral Urbana, realizado em 2024 pela PUCRS e pela CNBB. De acordo com a organização, o objetivo é consolidar um espaço de diálogo interdisciplinar e de cooperação institucional que promova a pesquisa e a reflexão voltadas à realidade urbana.

Formação de comunidades e discípulos missionários
Dom Paulo Jackson iniciou sua reflexão pontuando que pouco foi feito depois da Conferência Episcopal da América Latina e Caribe de Aparecida, da Exortação Apostólica que trata do anúncio do Evangelho no mundo atual, a Evangelii Gaudium, e dos documentos da CNBB número 100 – que fala de “Comunidade de Comunidades: uma nova paróquia” – e número 107 – intitulado “Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar discípulos missionários” – que tratam da formação de novas comunidades de discípulos missionários.

O segundo vice-presidente da CNBB afirmou ser necessário retomar os processos de formação de comunidades e de discípulos missionários. Dom Jackson refletiu sobre as novas configurações urbanas focado no fenômeno da verticalização dos condomínios, a queda do conceito de territorialidade e a questão da violência urbana e também sobre o direito à cidade. Neste contexto de urbanização recente, dom Jackson pontou que um dos últimos “serviços” à chegar nos espaços é a presença da Igreja Católica.

Dom Jackson também apontou elementos para compreender a cidade e como ela aparece na Bíblia. O arcebispo dedicou maior parte de sua reflexão às propostas sobre a formação de discípulos e formação de comunidades nos espaços urbanos. Veja abaixo a íntegra da conferência de dom Paulo Jackson.

“Que esse congresso nos ajude em nossas escolhas pastorais”

O sub-secretário adjunto de Pastoral da CNBB, padre Tiago Camargo participou, na sequência à conferência de dom Jackson, da mesa de encerramento do II Congresso Teológico da Pastoral Urbana. Padre Tiago saudou os participantes em nome da CNBB a agradeceu especialmente à Unicap e outras universidades que foram parceiras na organização do evento PUC RS e PUC Minas e também ao regional Nordeste 2 da CNBB e à arquidiocese de Olinda e Recife.

Padre Tiago reforçou que as reflexões oportunizaram a necessidade de recordar e reconhecer, mais uma vez, o lugar e importante valor que Teologia tem na cultura, sociedade e territórios. O subsecretário de Pastoral da CNBB reforçou que vivemos um tempo de constantes transformações e de “mudança de época”, como recorda o documento de Aparecida.

“Transformada pela urbanização, a cultura urbana exige de nós uma presença eclesial renovada, convertida, atenta e que sabe cuidar. Que aprendeu do Evangelho a olhar e a ver, ouvir e a escutar. Aproximar, tocar, resgatar e promover a dignidade da vida humana que pulsa, fala e dialoga. Quem tem cor e tem tom, que tem sede e sente, que grita e clama. Desejo que esse congresso possa frutificar ainda mais e dar frutos inspiradores e ajudar nossas atitudes e escolhas pastorais”, reforçou.

Padre Tiago Camargo anunciou, ao final de sua fala, que o III Congresso Teológico de Pastoral será realizado de 22 a 25 de maio 2028 na PUC Minas, em Belo Horizionte (MG). No vídeo acima, é possível ver a íntegra de todas as falas na cerimônia de encerramento que foi seguida de uma Eucaristia.



Leão XIV: o "percurso de ascensão" se dá com a prática do justo e amável no dia a dia


Leão XIV: o "percurso de ascensão" se dá com a prática do justo e amável no dia a dia
Na Solenidade da Ascensão do Senhor, celebrado em muitos países neste domingo (17/05), como no Brasil, o Papa recordou que conseguimos fazer "um percurso de ascensão", aprendendo "a subir para o Céu", através dos exemplos de Jesus, de Nossa Senhora e dos santos, e ao compartilhar o dia a dia com a família e amigos que se esforçam em viver segundo o Evangelho: "aqueles que a Igreja nos apresenta como modelos universais e aqueles – como o Papa Francisco gostava de dizer – «da porta ao lado»".


Andressa Collet - Vatican News

O Papa Leão XIV recordou logo no início da alocução que precedeu a oração mariana do Regina Caeli, neste domingo (17/05), numa Praça São Pedro com cerca de 20 mil pessoas, que "hoje, em muitos países do mundo, celebra-se a Solenidade da Ascensão do Senhor", como acontece no Brasil, por exemplo. Um mistério que marca a gloriosa partida de Jesus, quando sobe aos céus e senta-se à direita de Deus Pai, para servir como mediador, intercedendo por nós. A Igreja celebra essa solenidade 40 dias após a ressureição de Cristo e o tempo em que conviveu e instruiu os discípulos, antecipando Pentecostes na próxima semana. Com a vinda do Espírito Santo, todos somos convidados e enviados pelo Senhor a anunciar o Evangelho para todos.

A Solenidade da Ascensão do Senhor
A imagem de Jesus que sobe ao Céu, da Ascensão do Senhor, disse o Pontífice, "poderia nos levar a perceber este Mistério como um acontecimento distante. Contudo, não é assim"; não é "promessa distante", mas "vínculo vivo". Estamos unidos a Jesus e a sua "ascensão ao Céu atrai também nós" e "para a plena comunhão com o Pai", explicou o Papa, "aproximando cada vez mais a nossa maneira de pensar, de sentir e de agir à medida do coração de Deus":

"Toda a vida de Cristo é um movimento de ascensão, que abraça e envolve, através da sua humanidade, o inteiro cenário do mundo, elevando e resgatando o homem da sua condição de pecado, levando luz, perdão e esperança onde havia trevas, injustiça e desespero, para chegar à vitória definitiva da Páscoa, na qual o Filho de Deus «morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida»."

Como acontece o "percurso de ascensão"
Leão XIV recordou, então, São Paulo, que diz que "«tudo o que é verdadeiro […], justo, […] amável» e pondo em prática, com a ajuda de Deus", nos ajuda a transcorrer um "percurso de ascensão", "que nos atrai constantemente para o Alto, para o Pai", difundindo no mundo frutos preciosos de comunhão e de paz. Um caminho feito em comunhão com quem está próximo:

"Encontramos o caminho em Jesus, na dádiva da sua vida, nos seus exemplos e nos seus ensinamentos, assim como o vemos traçado na Virgem Maria e nos santos: aqueles que a Igreja nos apresenta como modelos universais e aqueles – como o Papa Francisco gostava de dizer – «da porta ao lado», com quem partilhamos o nosso dia a dia, pais, mães, avós, pessoas de todas as idades e condições, que com alegria e empenho se esforçam sinceramente por viver segundo o Evangelho.

“Com eles, com o seu apoio e graças à sua oração, também nós podemos aprender a subir, dia após dia, para o Céu, fazendo objeto dos nossos pensamentos.”

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EVANGELHO DO DIA (Jo 16,29-33)

ANO "A" - DIA: 18.05.2026
7ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Se com Cristo ressurgistes, procurai o que é do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus Pai.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 29 os discípulos disseram a Jesus: "Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. 30 Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus". 31 Jesus respondeu: "Credes agora? 32 Eis que vem a hora - e já chegou - em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só, o Pai está comigo. 33 Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações. Mas, tende coragem! Eu venci o mundo!"

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Testemunhar com parresía através do Espírito Santo"

Parresía é a coragem de anunciar a verdade
Naquele tempo, os discípulos disseram a Jesus: “Eis que agora falas claramente e não usas mais figuras. Agora, sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue, por isso cremos que vieste da parte de Deus” (Jo 16,29-33).

Os discípulos se dão conta de que, agora, Jesus lhes fala claramente. Esse termo, no grego, é parresia, uma palavra que talvez você já tenha escutado por aí, cujo significado é “falar francamente”, sem rodeios, falar diretamente. Estamos nos aproximando do evento de Pentecostes, e será preciso muita parresia para que os discípulos levem adiante a mensagem de Cristo.

A clareza que nasce da intimidade
Muitos embates virão, muitas perseguições. Muitos fraquejarão e voltarão atrás. Muitos não suportarão a verdade e vão abandonar o caminho do Senhor. A parresia, com a qual o Espírito enriqueceu os discípulos, é necessária nos tempos de hoje para todos nós. E não se trata de dizer certas verdades de uma forma suicida, irresponsável ou até mesmo agressiva, humilhando ou diminuindo as pessoas.

A verdade do Evangelho impõe-se por si mesma. Às vezes, nós queremos fazer apologética – a defesa da fé –, mas às custas de ofender o outro que pensa e crê diferente de nós. Quantos episódios de intolerância nós cristãos enfrentamos ao longo desses séculos de história! Quantas coisas, quanta perseguição, quanta humilhação! E, agora, nós vamos fazer a mesma coisa que fizeram conosco?

Vivendo a parresía com radicalidade e amor
Quem não quer seguir Cristo com toda a sua radicalidade, que seja feliz na sua crença, no seu modo de viver. A mensagem do Evangelho é radical para nós que acolhemos Jesus, que O aceitamos na nossa vida como Mestre e como Senhor. Para nós, que nos decidimos pelo discipulado de Jesus, precisamos dessa palavra de parresía, sem meias verdades, vivendo de uma forma leviana a nossa vida cristã. Não! Vamos viver com radicalidade, vamos viver com profundidade a mensagem do Evangelho.

Sobre todos vós desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Pe Donizete Ferreira Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova