segunda-feira, 4 de maio de 2026

Em entrevista à Ascom da CNBB, novo arcebispo de Aparecida fala sobre a missão e o legado que recebe ao assumir a Igreja local


O Santuário Nacional de Aparecida acolhe, neste sábado, 2 de maio, o novo arcebispo da arquidiocese de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva. A celebração de posse canônica será realizada às 15h, no Altar Central da Basílica, marcando o início de sua missão pastoral à frente da Igreja local.

Sexto arcebispo de Aparecida, dom Mário assume a condução da arquidiocese em um momento de renovação e continuidade, sucedendo dom Orlando Brandes, que esteve à frente da Igreja particular por quase dez anos.

Em entrevista concedida à Assessoria de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Mário partilha os sentimentos que marcaram a acolhida de sua nomeação e o discernimento diante da nova missão.

Ele também recordou sua trajetória episcopal e falou sobre o caminho percorrido até chegar a Aparecida. Após experiências marcantes na Amazônia, em Roraima e, mais recentemente, em Cuiabá, o novo arcebispo destaca que leva consigo a vivência de uma Igreja próxima, missionária e atenta às realidades humanas e sociais.

A despedida de Cuiabá, segundo ele, é marcada pela gratidão. Depois de anos de pastoreio em diferentes regiões do país, dom Mário chega a Aparecida trazendo a experiência de quem aprendeu, em contextos diversos, a importância da escuta, da presença e do cuidado com os mais vulneráveis.

Dom Mário também reconhece com gratidão o legado deixado por dom Orlando Brandes, marcado pela proximidade pastoral, pela alegria no anúncio do Evangelho e pelo testemunho de amor à Igreja e a Nossa Senhora.

Ao concluir a entrevista, dom Mário dirige sua primeira mensagem aos fiéis da arquidiocese de Aparecida com palavras de esperança, confiança e comunhão, convidando o povo de Deus a caminhar unido neste novo tempo da Igreja local.

Confira a entrevista na íntegra:

Biografia de dom Mário
Nascido em Itararé (SP), em 17 de outubro de 1966, dom Mário Antônio da Silva tem 59 anos e uma sólida trajetória de serviço à Igreja no Brasil. Mestre em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma, foi ordenado sacerdote em 1991 e bispo em 2010. Antes de ser nomeado para Aparecida, foi bispo auxiliar de Manaus, bispo de Roraima e arcebispo de Cuiabá.

Foi eleito presidente do regional Norte 1 da CNBB, que abrange o estado de Roraima e o norte do Amazonas, durante a 53ª Assembleia da CNBB em 2015, função que exerceu por quatro anos. Na 57ª Assembleia Geral, realizada em maio de 2019, foi eleito o segundo vice-presidente da Conferência, permanecendo nesse cargo até 2023.

Atualmente, também preside a Cáritas Brasileira, organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil voltado à promoção da caridade e da solidariedade, missão que segue exercendo em âmbito nacional.

Leão XIV no Regina Caeli: a fraternidade e a paz são o nosso destino


Cada um tem já um valor infinito no mistério de Deus, que é a verdadeira realidade. Amando-nos uns aos outros como Jesus nos amou, oferecemos a nós mesmos essa consciência. É o mandamento novo: assim antecipamos o céu na terra, revelamos a todos que a fraternidade e a paz são o nosso destino. Com efeito, no meio de uma multidão de irmãos, no amor, cada um descobre ser único. Foi o que disse o Papa no Regina Caeli deste V Domingo do Tempo Pascal

Raimundo de Lima – Vatican News

O Evangelho proclamado neste domingo introduz-nos no diálogo do Mestre com os seus, durante a Última Ceia. Em particular, ouvimos uma promessa que nos conecta desde já no mistério da sua ressurreição. Jesus diz: «Quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também» (Jo 14, 3).

Com essas palavras, o Santo Padre comentou o Evangelho deste domingo, 3 de maio, no Regina Caeli, ao meio-dia, ao rezar com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro para a oração que substitui o Angelus no perído pascal.

Após o Regina Caeli deste V Domingo do Tempo Pascal, no início do mês de maio, o Pontífice destaca a importância da recitação do Terço e confia suas intenções à intercessão da ...

Neste tempo litúrgico, tal como a Igreja nascente, ressaltou o Pontífice, recordamos as palavras de Jesus que revelam todo o seu significado à luz da sua paixão, morte e ressurreição. O que antes escapava aos discípulos ou lhes causava perturbação, agora ressurge na memória, aquece o coração e dá esperança.

Fiéis na Praça São Pedro rezam o Regina Caeli com o Papa Leão XIV (@VATICAN MEDIA)

Em Deus há lugar para cada um
Os Apóstolos descobrem que em Deus há lugar para cada um. Dois deles tinham-no experimentado desde o primeiro encontro com Jesus, junto ao rio Jordão, quando Ele se deu conta de que o seguiam e os convidou a ficar naquela tarde na sua casa.

“Também agora, diante da morte, Jesus fala de uma casa, desta vez muito grande: é a casa do seu Pai e do nosso Pai, onde há lugar para todos. O Filho descreve-se como o servo que prepara os aposentos, para que cada irmão e irmã, ao chegar, encontre o seu pronto e se sinta desde sempre esperado e finalmente encontrado.”

O Papa observou que no mundo antigo em que ainda caminhamos, chamam a atenção os lugares exclusivos, as experiências ao alcance de poucos, o privilégio de entrar onde ninguém mais pode. Em vez disso, no mundo novo para onde o Ressuscitado nos leva, aquilo que tem maior valor está ao alcance de todos. Mas não por isso perde o seu encanto. Pelo contrário, aquilo que está acessível a todos agora gera alegria: a gratidão substitui a competição; a acolhida apaga a exclusão; a abundância já não implica desigualdade.

Fiéis na Praça São Pedro rezam o Regina Caeli com o Papa Leão XIV (@VATICAN MEDIA)

Em Deus cada um é finalmente ele mesmo
Acima de tudo, ninguém é confundido com outra pessoa, ninguém está perdido. A morte ameaça apagar o nome e a memória, mas em Deus cada um é finalmente ele mesmo. Na verdade, é este o lugar que procuramos durante toda a vida.

“«Tende fé», diz-nos Jesus. Eis o segredo! «Tende fé em Deus e tende fé também em mim». É precisamente esta fé que liberta o nosso coração da ansiedade de obter e de possuir, do engano de perseguir um lugar de prestígio para valer alguma coisa. Cada um tem já um valor infinito no mistério de Deus, que é a verdadeira realidade. Amando-nos uns aos outros como Jesus nos amou, oferecemos a nós mesmos essa consciência. É o mandamento novo: assim antecipamos o céu na terra, revelamos a todos que a fraternidade e a paz são o nosso destino.”

Com efeito, no meio de uma multidão de irmãos, no amor, cada um descobre ser único, disse por fim o Pontífice, pedindo, então, a Maria Santíssima, Mãe da Igreja, para que cada comunidade cristã seja uma casa aberta a todos e atenta a cada um.

Jovens fiéis na Praça São Pedro rezam o Regina Caeli com o Papa Leão XIV (@VATICAN MEDIA)

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EVANGELHO DO DIA (Jo 14,21-26)

ANO "C" - DIA: 04.05.2026
5ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- O Espírito Santo, o Paráclito, haverá de lembrar-vos de tudo o que tenho falado, aleluia.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 21 "Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele". 22 Judas - não o Iscariotes - disse-lhe: "Senhor, como se explica que te manifestarás a nós e não ao mundo?" 23 Jesus respondeu-lhe: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24 Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. 25 Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. 26 Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O coração fiel à Palavra de Deus"

Deixar o coração ser transformado pela obediência
Hoje, segunda-feira, queremos pedir a Nossa Senhora, neste mês mariano, que ela possa nos ajudar em três pontos fundamentais que escutaremos no Evangelho: guardar a Palavra, vivê-la e obedecer-lhe.

O Evangelho de João nos diz: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu pai, e eu o amarei e manifestarei a ele” (João, 14, 21-26).

Quem ama verdadeiramente a Deus vive em comunhão com Ele. Para estar nessa comunhão, é preciso antes viver, obedecer e guardar os mandamentos. A lei de Deus não é pesada e não serve para criar fardos, mas para nos levar à plenitude do amor. O amor a Deus não é apenas um sentimento, é fidelidade concreta.

Amar a Deus é viver a Sua vontade
O nosso amor ao Senhor precisa passar do mero sentimento. Isso significa que, mesmo quando você não estiver bem ou sentir que não tem nada a oferecer, será fiel e continuará amando-Lhe de forma concreta. No pensamento bíblico, amar significa justamente isto: guardar, viver e obedecer. Não se trata de um amor apenas de palavras, mas de vida.

Muitas vezes, dizemos que amamos a Deus, que rezamos e participamos das missas, mas o critério que Jesus nos dá é muito claro: amar é viver a Sua palavra. Não se deve viver de ritos externos para mostrar uma ligação íntima enquanto o coração permanece distante.

Coração, a morada do Senhor
Quando o coração humano se afasta da vontade de Deus, ele se fecha para a Sua graça, mas, quando acolhe a Palavra, abre-se para a Sua presença. Jesus nos diz: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu pai o amará. E nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada.”

Deus deseja habitar o nosso coração, e o coração humano pode se tornar a morada d’Ele. Abramos o nosso coração e deixemos Deus morar nele.

Que Deus nos abençoe: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


Crédito: FrankyDeMeyer / GettyImages

Contra a ditadura do “eu sozinho”, a Igreja propõe a revolução do corpo: quando um membro sofre, o organismo inteiro, o Corpo Místico, entra em alerta

São Paulo afirma em suas cartas que somos o Corpo Místico de Cristo. Na Festa da Misericórdia, as leituras bíblicas nos apontam esse caminho: a comunidade é o lugar da vida e do encontro com o Senhor ressuscitado. Ninguém é bom sozinho. Precisamos uns dos outros para nos firmarmos na santidade em Deus.


De fato, a Igreja é o Corpo Místico de Cristo. E um corpo não é um mero ‘amontoado de peças’, mas uma unidade integrada. Se você martela o dedão do pé, a boca grita e os olhos choram. O cérebro não ignora o pé só porque ele está longe da cabeça. Ora, o mesmo se passa com a fé: não é uma experiência psicológica individual; é um sistema nervoso espiritual. Como disse Papa Bento XVI em sua Encíclica Spe Salvi (Salvos na esperança) a propósito do tema da salvação: “Ninguém vive só. Ninguém peca sozinho. Ninguém se salva sozinho” (Spe Salvi, 48). Assim, se um cristão é perseguido na Nigéria ou uma família passa fome na sua paróquia, o seu “eu” espiritual deveria sentir com eles. Se não sente, é porque o nervo pode estar atrofiado.

O antídoto para a solidão moderna
Em um mundo como o nosso, onde tudo e todos estão sempre ‘conectados’, só Jesus e o Seu Corpo Místico – a comunidade dos crentes – pode nos salvar do isolamento e do individualismo. O mundo promete a liberdade, mas aprisiona o ser humano ainda mais no isolamento.

Como curar essa doença? O que fazer para sarar essa depressão coletiva? A resposta está no “Corpo Místico de Cristo”: a Igreja.

Ser católico é aceitar que “eu” só existo plenamente no “nós”. Não somos sócios de um clube; somos células de um organismo vivo. Necessitamos todos uns dos outros.

O “estado inflamatório” da graça

A santidade e o pecado não são privados. Tudo o que fazemos atinge a Cristo e os irmãos. O Senhor é Quem mesmo diz: “Tudo o que fizestes a um desses pequeninos, a Mim o fizestes” (Mt 25). Por isso, se um membro adoece ou sofre, todos sofrem com ele, pois é impossível o corpo não sentir.

Quando um irmão ou uma irmã sofre, a Igreja entra em “estado inflamatório”: o coração dói com o mal do outro. O “eu” não fica indiferente.

A indiferença não é apenas uma falha moral; é uma doença neurológica na fé. Quem diz: “isso não é problema meu” está sofrendo de uma paralisia espiritual que o desliga do Corpo de Cristo. São Paulo nos adverte: não pode haver divisão no corpo, mas todos devem ter a mesma solicitude uns para com os outros. (1Cor 12,25).

São Francisco de Assis e a “fusão de nervos”
Se a Igreja é um só corpo, ninguém pode pensar que suas ações não alcançam os outros, ou que a sua fé é apenas um ato isolado. Alguns dizem “eu tenho a minha fé”. É propício recordar de São Francisco de Assis, pois ao celebrarmos um ano jubilar franciscano por ocasião dos 800 anos de sua morte, ele nos ensina que todos somos irmãos! Francisco é mestre da interconectividade! Não ajudou apenas os pobres, mas se tornou pobre. Ao abraçar o leproso, ele sentiu a dor na própria pele, porque entendeu que o leproso era seu próprio braço ferido. Chamou de irmão ao próprio Sol e de irmã a Lua, bem como irmãos e irmãs as estrelas, o fogo, o vento… e até o irmão Lobo (símbolo daqueles ‘membros’ que desprezamos por conta de suas más opções e más ações).

De fato, São Francisco de Assis é o exemplo de que só a fraternidade (povo de Deus, um só Corpo) em Cristo faz desaparecer a fronteira entre o “eu” e o “outro” através da caridade.

Despertar os nervos:
A próxima vez que você ouvir sobre uma tragédia ou uma injustiça, não pergunte ‘por que Deus permite isso?’, mas eu o convido a perguntar ao seu coração: ‘Por que os meus nervos ainda não dispararam?’ Pois isso foi o que aconteceu com os mártires: eles deram a vida, assumiram a vida do irmão como sendo sua própria, parte do seu próprio corpo.

Temos outro exemplo: São Maximiliano Kolbe (franciscano conventual) que, no campo de concentração de Auschwitz, trocou sua vida pela de Franciszek Gajowniczek, um sargento do exército polonês e pai de família. Ao voltar para sua casa, ele dedicou o restante de sua vida a divulgar o ato heroico de Kolbe e agradeceu pessoalmente o “dom da vida”, testemunhando a canonização de São Maximiliano por São João Paulo II em 1982.

São Maximiliano Kolbe é reverenciado como mártir da caridade, um santo que escolheu o amor em meio ao ódio extremo. Assumamos, então, esse compromisso para com Deus e o Seu Corpo, a Igreja: acolhamos a dor e o sofrimento do outro e rezemos por aqueles membros ‘mais frágeis’, porque amar o outro e rezar por ele não é um favor que você faz; é a manutenção da sua própria saúde espiritual, para que os nervos despertem!

Frei Sérgio Pinheiro, ofm
Promotor vocacional da Província Portuguesa da OFM

São Floriano


Floriano nasceu em Zeiselmer, povoado da Alta-Áustria, no século III. Era oficial romano, administrador militar servindo numa legião imperial da região do Rio Danúbio, em Nórica (atualmente parte da Áustria e da Alemanha).

A rápida disseminação do Catolicismo no Império Romano ocorreu em parte pela sua boa rede de estradas e pelo envio de soldados para as diversas áreas do império. Muitos militares se converteram, entre eles Floriano.

Nesta época ocorria a duríssima perseguição de Dioclesiano aos cristãos, que incluía a morte para os que não renegassem o Cristo e sacrificassem aos deuses pagãos, bem como a destruição de qualquer escrito da Palavra de Deus. Juntamente a 40 soldados, Floriano declarou-se cristão a Aquilino, comandante militar no vale do Rio Danúbio, em Lorch (atual Áustria); foi agredido a pauladas e teve arrancada a carne das espáduas.

Mas, não renunciando à Fé ele e os demais, foram todos condenados à morte. A sentença cumpriu-se com os condenados sendo atirados do alto de uma ponte ao rio Enns, próximo a Lorch, com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço, em 4 de maio de 304.

Seu corpo foi levado pelas águas, recolhido numa margem por cristãos e enterrado num local que no século VIII foi doado à Igreja por um presbítero, Reginolfo, que incluía as terras “do lugar aonde foi enterrado o precioso mártir Floriano".

Em 1138, o rei polaco Casimiro e o bispo Gedeão, de Cracóvia, pediram ao Papa Lúcio III a doação de algumas relíquias de mártires, seguindo entre elas as de São Floriano; por este motivo, ele é padroeiro da Polônia, e também de Linz no norte da Áustria, e ainda outros países da Europa Central.

Seu culto foi muito divulgado, especialmente entre soldados, na Idade Média. É também invocado contra os incêndios, sendo padroeiro dos bombeiros europeus e norte-americanos, pois ele teria criado um destacamento de legionários, conhecido como “combatentes do fogo”, para apagar os constantes incêndios nas modestas construções de acampamento. Sua imagem o representa embraçando um recipiente de onde a água cai sobre habitações queimando.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Pode-se dizer que São Floriano viveu e morreu na sua própria “casa”, hoje Áustria, ainda que sob o Império Romano; o mesmo se aplica a nós, que devemos viver, neste mundo, na nossa “casa” – mais ainda, “Corpo”, Místico e também material – que é a Igreja, e na qual queremos permanecer igualmente para sempre. Isto implica em que devemos combater, como num verdadeiro exército, as pressões mundanas e despóticas que nos querem afastar de Deus e consequentemente de nós mesmos, que somos Sua imagem e semelhança. A água do Batismo que caiu sobre cada um de nós deve constantemente apagar as chamas do pecado que nunca deixarão de nos tentar consumir durante o nosso serviço, neste posto avançado que é a terrena existência, e o apoio mútuo entre as legiões de Cristo deve formá-las, à semelhança de Nossa Senhora, “como um exército em ordem de batalha” (cf. Ct 63.9). Não poucos foram os mártires cristãos entre os legionários romanos, e como eles é preciso militar na obediência antes a Deus do que aos homens (cf. At 5,28-30).

Oração:

Senhor, Deus dos Exércitos, concedei-nos pela intercessão de São Floriano, e seus companheiros mártires, a união na Vossa obediência, e a graça de administrar as nossas vidas na lógica da conversão diária e perseverante, de modo a que em qualquer momento e situação, nas pequenas ou decisivas situações, tenhamos o destemor de confessar a Fé por obras e palavras, para a Vossa glória, o bem dos irmãos, e a nossa salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Em mensagem ao povo de Deus, bispos do Brasil reafirmam e renovam o compromisso de evangelizar


Ao final da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi divulgada a mensagem do episcopado a todo o povo de Deus. Esperança e unidade inspiram o texto que apresenta um chamado à comunhão e ao renovado compromisso de evangelizar numa Igreja onde todos são “corresponsáveis pela missão da Igreja, qualquer que seja o ministério que exerçamos”.

Os bispos unem-se ao Papa Leão XIV em seu profético empenho pela paz; destacam o Batismo como fonte de todas as vocações e a riqueza dos dons e carismas “que, na diversidade dos ministérios, dinamizam o serviço na Igreja e na sociedade”; e manifestam gratidão a todo o Povo de Deus, “que se mantém fiel no seguimento a Jesus Cristo”, com proximidade aos que “sofrem calúnias e agressões por seu compromisso com o Evangelho”.

Há o pedido de esforço pela unidade e pela valorização da diversidade dos dons, além do convite ao renovado compromisso na construção da cultura vocacional.

No espirito de comunhão e unidade, os bispos motivam a assumir “com renovado ardor, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”, expressão concreta da acolhida ao caminho sinodal.

“Somos uma Igreja ministerial e, sob o olhar amoroso da Virgem Aparecida, Mãe das Vocações, renovamos nosso compromisso de evangelizar, anunciando Jesus Cristo com alegria e esperança, para que cheguemos à plenitude do Reino de Deus”.

Confira a mensagem na íntegra:

MENSAGEM DOS BISPOS DO BRASIL AO POVO DE DEUS
Jesus disse de novo: “A paz esteja convosco.
Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21)

Reunidos em Aparecida, junto à Padroeira do Brasil, nós, Bispos Católicos, por ocasião da 62ª Assembleia Geral da CNBB, de 15 a 24 de abril, dirigimos esta mensagem de esperança e unidade a todo o Povo de Deus. Fortalecidos pela oração, reafirmamos o compromisso de evangelizar, sendo uma Igreja Sinodal que escuta, acolhe e serve a Jesus Cristo com amor e fidelidade.

Unimo-nos ao Papa Leão XIV em seu profético empenho pela paz, que não pode ser um ideal distante, mas uma realidade concreta. Exortamos todos a reconhecer que a paz, dom do Ressuscitado, brota da conversão dos corações, do diálogo fraterno e da solidariedade com os mais pobres.

O Batismo é a fonte de todas as vocações e, por meio dele, somos chamados à santidade e à comunhão. Revestidos todos da mesma dignidade, tornamo-nos corresponsáveis pela missão da Igreja, qualquer que seja o ministério que exerçamos. Nesta harmonia, reconhecemos a riqueza dos dons e carismas que, na diversidade dos ministérios, dinamizam o serviço na Igreja e na sociedade.

Manifestamos nossa gratidão a todo o Povo de Deus, que se mantém fiel no seguimento a Jesus Cristo, e expressamos nossa proximidade a todos os cristãos leigos e leigas, consagrados e consagradas, e ministros ordenados que sofrem calúnias e agressões por seu compromisso com o Evangelho, principalmente junto aos pobres e na defesa da Casa Comum.

Pedimos a todos um esforço contínuo pela unidade, fazendo de nossas comunidades ambientes onde o diálogo se manifeste na superação das polarizações. Empenhemo-nos na valorização da diversidade dos dons, onde todos os ministérios sejam vividos como serviço ao próximo, num caminho de comunhão, participação e missão.

Somos gratos aos cristãos leigos e leigas, chamados a ser sal da terra e luz do mundo nas realidades sociais e eclesiais (cf. Mt 5,13-16). Enaltecemos, igualmente, a vocação matrimonial e a família, cuja missão reside em gerar e cuidar da vida, na educação das novas gerações e na transmissão da fé.

Esse mesmo olhar queremos dirigir aos diáconos e presbíteros, chamados — a exemplo do Bom Pastor — a serem conosco os primeiros, dentre o Povo de Deus, servidores na comunidade e dispensadores da graça sacramental, construindo um caminho de unidade e comunhão. Reconhecemos também a importância da vida consagrada e seu compromisso missionário, especialmente junto aos mais fragilizados, como um sinal profético de doação da própria vida e um testemunho da alegria no discipulado.

Iluminados pelo magistério do Papa Francisco, que nos animou a ser uma “Igreja em saída”, reconhecemos o trabalho incansável de todos os fiéis que se dedicam às iniciativas de cuidado dos pobres e da Casa Comum, atuando nas periferias geográficas e existenciais. A doação de suas vidas, nesta missão, impulsiona-nos a uma sensibilidade e abertura missionária permanentes.

Agradecemos, de modo especial, a todos os jovens presentes em nossas comunidades. Vocês são o “agora de Deus”, e nos ajudam a ser uma Igreja viva e renovada. Ao mesmo tempo, convidamos todas as lideranças eclesiais a acolherem e caminharem junto aos jovens, no cuidado, na escuta e no discernimento.

Convidamos todos a um renovado compromisso na construção da cultura vocacional, fazendo de nossas comunidades espaços de encontro, testemunho e missão. Ao redor da mesa da Palavra e da Eucaristia, em cada domingo, unamo-nos na oração pelas vocações e pela perseverança dos que se colocam a serviço da evangelização.

Neste espírito de comunhão, como um só corpo (cf. Rm 12,5), assumamos, com renovado ardor, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Elas são a expressão concreta de nossa acolhida ao caminho sinodal, que nos leva a redescobrir a beleza da variedade das vocações, carismas e ministérios.

Somos uma Igreja ministerial e, sob o olhar amoroso da Virgem Aparecida, Mãe das Vocações, renovamos nosso compromisso de evangelizar, anunciando Jesus Cristo com alegria e esperança, para que cheguemos à plenitude do Reino de Deus.

Aparecida – SP, 24 de abril de 2026.
62ª Assembleia Geral da CNBB

Dom Jaime Cardeal Spengler
Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS
Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia – GO
1º Vice-Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife – PE
2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF
Secretário-Geral da CNBB


Papa faz saudação especial às jovens brasileiras da Orquestra Chiquinha Gonzaga

As "Chiquinhas", como são carinhosamente conhecidas, levaram a música brasileira para o Papa e outras 25 mil pessoas na Praça São Pedro. A participação na Audiência Geral desta quarta-feira (29/04) fez parte das comemorações dos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé, mas, sobretudo, foi um marco na vida de 27 jovens instrumentistas que viram um sonho sendo concretizado e servindo de inspiração para tantas outras que ficaram no Rio de Janeiro.

Andressa Collet - Vatican News

“Uma cordial saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo especial ao grupo do Colégio Laura Vicuña, de Lisboa, e às jovens da Orquestra Chiquinha Gonzaga, do Rio de Janeiro! Na África, encontrei comunidades eclesiais que, cada uma do seu modo, dão testemunho de uma fé viva. Peçamos ao Senhor que reavive a nossa fé! Deus os abençoe!”

As palavras do Papa Leão XIV, que na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (29/04) recordou a recente viagem apostólica à África, quando passou por quatro países em 10 dias, foram um bálsamo para as 27 instrumentistas da Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga, do Rio de Janeiro. Elas estão na Itália para cumprir agenda da turnê internacional "Conexão Vaticano", por ocasião das comemorações dos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé (1826-2026). Há uma semana em Roma, elas já visitaram a Academia Santa Cecília, um dos mais prestigiados centros de formação musical da Europa; apresentaram um pocket show na Mostra de Cinema Brasileiro no Cinema Troisi, que contou com a curadoria do cardeal José Tolentino De Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé; assim como realizaram concertos na Universidade La Sapienza de Roma e na Embaixada do Brasil na Itália.

A orquestra em plena Praça São Pedro na Audiência Geral com o Papa (afael Ribeiro/OSJ Chiquinha)

As Chiquinhas com o Papa na Praça São Pedro
O grupo, acompanhado da cantora Flor Gil, neta de Gilberto Gil, interpretaram grandes obras da música brasileira em plena Praça São Pedro, levando para o Papa e para cerca de 25 mil pessoas a paixão pela cultura do país, através de um instrumento universal de diálogo entre as nações, como comentou ao Vatican News, Moana Martins, pianista e diretora-executiva da OSJ Chiquinha Gonzaga:

"Estar ali, bem pertinho dele, recebendo a sua bênção, as suas palavras de paz, de justiça. E a sua pregação foi tão envolvente: ele estava contando hoje sobre a sua missão na África e os valores que orientam o seu ministério, porque orientam também a nossa missão de paz, trabalhando com as favelas no Rio de Janeiro. Ele acredita naquilo que a gente acredita, pregando por essa nossa ação conjunta pela paz e pelo amor. E nós estávamos tocando o hino brasileiro 'Garota de Ipanema' e, no final, aquela frase 'por causa do amor'... e aí foi quando ele entrou (na Praça São Pedro)! O amor é a grande mola-mestra da paz, é o nosso elo da perfeição. E eu e as meninas, muito tocadas, muito alimentadas na nossa alma, por tudo o que ele representa e falou, e falou o nome da nossa orquestra e nos deu a sua bênção em alto e bom som! Então, você imagina como ainda está o meu coração, fervilhando de alegria!"

Algumas instrumentistas com a diretora-executiva, Moana, ao visitar a Rádio Vaticano

Flor Gil, convidada de honra da orquestra, é a segunda vez em menos de um mês que volta a Roma para concertos: o primeiro foi no início de abril em turnê com a família, liderada pelo avô Gilberto Gil, e desta vez na turnê "Conexão Vaticano" com as "Chiquinhas":

"Foi muito bonito cantar lá; tinha muita gente... E ver o Papa, assim, entrando, com 'Garota de Ipanema', que eu cantei com as meninas. Foi muito legal! Me vejo já como uma pessoa muito abençoada e com muitos privilégios, vindo de uma família que já abriu muitas portas pra mim, consegui também fazer o meu caminho por si só."

A orquestra é jovem, com apenas 5 anos de atividades, mas carrega a força que brota das suas origens, já que nasceu na primeira favela do Brasil e se distingue por ser a primeira orquestra de meninas do Brasil. A formação, exclusivamente feminina, por 52 instrumentistas com idades entre 13 e 21 anos, leva o nome da primeira maestra do país, simbolizando uma herança de luta, liberdade e protagonismo feminino e da juventude brasileira. As meninas representam comunidades inteiras de jovens e, estar aqui junto com o Papa, "é uma vitória coletiva", disse a diretora-executiva, enaltecendo a importância de celebrar o talento das instrumentistas, mas também a potência da música como ferramenta de transformação cultural e social.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 13,16-20)

ANO "A" - DIA: 30.04.2026
4ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Jesus Cristo, a fiel testemunha, primogênito dos mortos, nos amou e do pecado nos lavou, em seu sangue derramado.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus lhes disse: 16 "Em verdade, em verdade vos digo: o servo não está acima do seu senhor e o mensageiro não é maior que aquele que o enviou. 17 Se sabeis isto, e o puserdes em prática, sereis felizes. 18 Eu não falo de vós todos. Eu conheço aqueles que escolhi, mas é preciso que se realize o que está na Escritura: 'Aquele que come o meu pão levantou contra mim o calcanhar.' 19 Desde agora vos digo isto, antes de acontecer, a fim de que, quando acontecer, creiais que eu sou. 20 Em verdade, em verdade vos digo, quem recebe aquele que eu enviar, me recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Ser mensageiro e servo de Cristo"

O mensageiro abandona a omissão e, com a vida, testemunha Jesus
Jesus lava os pés dos discípulos e nos ensina que quem é anunciado é maior do que quem anuncia. A mensagem é maior que o mensageiro. Jesus é a mensagem, nós somos seus mensageiros.

Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus lhes disse: “Em verdade, em verdade vos digo, o servo não está acima do seu senhor e o mensageiro não é maior que aquele que o enviou. Se sabeis isto e o puserdes em prática, sereis felizes”. (Jo 13,16-20)

Irmãos e irmãs, jamais deveríamos nos esquecer da dimensão do servir. Lavar os pés nos leva a essa atitude de serviço. Serve verdadeiramente a Deus quem não tem medo de ser humilhado nem maltratado por amor a Jesus. É assim que seremos verdadeiramente servos do Senhor.

O mensageiro anuncia com a própria vida
Podemos ser humilhados no trabalho por manifestar a fé, ou na faculdade, onde, muitas vezes, a crença em Jesus é escondida, não manifestada publicamente. Ou até mesmo ser humilhado em casa. Às vezes, nós nos calamos quando falam mal de Jesus e da Igreja na nossa frente, mas então precisamos nos questionar: temos coragem de viver a fé ou nos deixar envolver pelo medo e pela omissão?

O combate à omissão
Se ficarmos com medo de anunciar Jesus, deveríamos pensar que uma lâmpada não foi feita para ficar escondida, ela foi feita para ser vista, para iluminar e dissipar as trevas. Toda vez que você anuncia Jesus, você contribui para que as trevas deste mundo e o mal sejam dissipados. Não anunciar Jesus é muito mais que vergonha: é omissão. É esconder a luz e o bem que o mundo precisa e espera.

Portanto, tome coragem e anuncie. Fale de Jesus com a própria vida e com o seu testemunho. Todas as vezes que nos omitimos, o mal vence um pouco. Mas nós queremos que o bem, que é Jesus e que é luz, dissipe as trevas do nosso coração, porque o mal não terá a última palavra. A última palavra é a de Jesus sobre as trevas deste mundo. Se o mundo jaz sob o maligno, anunciemos Aquele que nos liberta para sempre deste mal.

A bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova