sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Encontro reúne representantes para fortalecer a prevenção de abusos e a cultura do cuidado na Igreja



De 31 de agosto a 3 de setembro de 2026, a Casa Dom Luciano, em Brasília (DF), sediará o IV Encontro da Rede Latino-Americana e Caribenha para a Cultura do Cuidado, reunindo responsáveis pela prevenção de abusos de conferências episcopais, congregações religiosas e da Cáritas América Latina e Caribe. Ao todo, o evento contará com 102 participantes de 17 países e de diversas organizações eclesiais da região. Do Brasil, 41 representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) integram a iniciativa.

Com o tema “A cultura do cuidado na Igreja da América Latina e do Caribe: uma perspectiva a partir da Magnifica Humanitas”, o encontro aprofundará os desafios contemporâneos da proteção e salvaguarda, as responsabilidades institucionais e a construção de ambientes eclesiais seguros. Nesta edição, os debates darão ênfase especial aos abusos de natureza não sexual (como abusos de poder e de consciência) e às vulnerabilidades que surgem ou se propagam nas redes sociais e no ambiente digital.

A programação conta com conferências, painéis temáticos, sessões plenárias e trabalhos por regiões geográficas (Cone Sul, Região Bolivariana, Caribe, México e América Central – CAMEX). O objetivo central é estreitar a cooperação internacional, promover a troca de boas práticas e traçar diretrizes conjuntas para a continuidade das ações de prevenção no continente.

O encontro é promovido pelo Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), pela Confederação Latino-Americana e Caribenha de Religiosos (CLAR) e pela Cáritas América Latina e Caribe, com realização e acolhida local a cargo da CNBB, da CRB Nacional e da CLAR.

Serviço
Evento: IV Encontro da Rede Latino-Americana e Caribenha para a Cultura do Cuidado

Tema: “A cultura do cuidado na Igreja da América Latina e do Caribe: uma perspectiva a partir da Magnifica Humanitas”

Data: 31 de agosto a 3 de setembro de 2026

Local: Casa Dom Luciano Mendes de Almeida – Brasília (DF)

Contato de imprensa: Osnilda Lima | tutela@cnbb.org.br | 61 98366-1236

A dor do Papa pelas vítimas da inundação no Nepal


Leão XIV expressa seu pesar pelo desastre natural que atingiu o país por meio de um telegrama assinado pelo cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin. O Pontífice confia a Deus as almas daqueles que perderam a vida, reza pelas equipes de resgate e manifesta sua “proximidade espiritual” a todas as pessoas afetadas.

Vatican News

Leão XIV recebeu com “dor” a trágica notícia das numerosas vítimas e da “devastação” causada pela recente inundação que atingiu o Nepal. Em um telegrama assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, o Papa confia as “almas dos falecidos” à misericórdia de Deus e expressa suas “mais sentidas condolências” aos familiares das vítimas. Pelo menos 290 pessoas morreram e mais de 1.300 estão desaparecidas em decorrência da catástrofe natural. Os danos materiais são de grandes proporções: estradas, pontes, moradias e infraestruturas hidrelétricas foram destruídas. O Pontífice assegura sua “proximidade espiritual” a todas as pessoas atingidas por essa “tragédia”, garante suas orações por todos os “profissionais dos serviços de emergência”, que continuam empenhados nas operações de resgate, e invoca sobre todos a “proteção divina”.

(AFP or licensors)

Grandes perdas humanas e materiais
Embora a causa do desastre ainda esteja sendo investigada por especialistas, imagens de satélite e análises sísmicas indicariam que ontem, quarta-feira, 26 de agosto, o colapso de uma geleira em grande altitude teria provocado a cheia repentina do rio Bhote Koshi, no distrito de Rasuwa, perto da fronteira entre o Tibete e a China. As localidades de Timure, Syaphrubesi e outros povoados ao longo do rio foram duramente atingidos pela inundação.

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EVANGELHO DO DIA (Mt 25,1-13)


ANO "A" - DIA: 28.8.2026
21ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
MEMÓRIA DE SANTO AGOSTINHO_BISPO E DOUTOR

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Vigiai e orai para ficardes de pé, ante o Filho do Homem!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 1 "O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. 2 Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. 3 As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4 As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. 5 O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. 6 No meio da noite, ouviu-se um grito: 'O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!' 7 Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. 8 As imprevidentes disseram às previdentes: 'Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando'. 9 As previdentes responderam: 'De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores'. 10 Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. 11 Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: 'Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!' 12 Ele, porém, respondeu: 'Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!' 13 Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Demora do Senhor e a perseverança de Santo Agostinho"

Demora de Cristo e a espera confiante da Igreja
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: “O reino dos céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram imprevidentes e as outras cinco eram previdentes. As imprevidentes pegaram suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas.” (Mateus 25,1-13)

Meus irmãos e minhas irmãs, hoje, a Igreja celebra a memória de Santo Agostinho e a liturgia nos propõe a parábola das dez virgens que esperam o esposo que demora a chegar.

O despertar de Santo Agostinho
Remontando a demora da parousia, porque os primeiros cristãos aguardavam a iminência da volta do Senhor. Porém, passaram-se muitos anos e Cristo não voltou e a comunidade precisava dar sentido a esta espera. O santo de hoje elaborou um discurso sobre a demora para que ele aceitasse o amor de Cristo.

“Tarde te amei, beleza antiga e tão nova. Eis que eu procurava fora o que estava dentro de mim e teu grito rompeu a minha surdez”. Santo Agostinho compõe esta realidade justamente falando da demora para que ele aceitasse o amor de Cristo em sua vida. Lembremos que a mãe dele rezou pela sua conversão por mais de trinta anos, mantendo a fidelidade, sabendo que Deus um dia alcançaria o seu coração.

O óleo da perseverança
Voltando para a parábola, as cinco das virgens, as primeiras imprevidentes dormem, mas tem o óleo suficiente, as previdentes dormem, mas tem o óleo suficiente. As cinco imprevidentes também dormem, mas não tem o óleo suficiente para a espera do esposo.

Elas se parecem um pouco conosco, porque nós começamos até bem a nossa caminhada, mas pouco a pouco nós vamos perdendo o entusiasmo, vamos perdendo certas coisas, deixando de lado o ardor, é esta falta do óleo.

Demora do Senhor é um convite à fidelidade
Não basta dizer “Senhor! Senhor!”, é preciso manter a fidelidade em todas as situações. Mesmo quando não se tem vontade de rezar, de ir ao grupo de oração na paróquia, de frequentar a comunidade, de ir à missa. Nós não podemos nos basear somente nas nossas emoções, a vida cristã é manter o entusiasmo. A chama do amor deve ser mantida todos os dias até a vinda gloriosa do Senhor, ou nós irmos ao seu encontro.

Santo Agostinho, demorou a aceitar o amor de Deus, mas depois que ele foi seduzido pelo Senhor, nunca mais ele o deixou. Sigamos também o exemplo de Santo Agostinho e vamos pedir a fidelidade a nosso Senhor em todos os tempos.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Humildade: A agulha de Deus que remenda os rasgões da nossa vida


Uma vida digna da vocação que recebemos

Hoje, podemos alegrar o nosso coração, porque estamos em Jesus. Vamos acordar e viver, sim, o dia de hoje. Nós estamos com Deus e Deus com a gente. É importante isso! Às vezes, a gente senta assim num cantinho, e fica pensando: “Como vou viver o momento presente?” O nosso momento presente é com Deus. E é maravilhoso estarmos satisfeitos, porque, mesmo com todos os problemas da vida, a gente está satisfeito, porque sabe que está em Deus.

E hoje nós vamos falar um pouquinho da Palavra em Efésios 4,1-4, que diz assim: “Eu, prisioneiro do Senhor, vos exorto que leveis uma vida digna da vocação que recebestes com a tua humildade e mansidão, e, com a paciência, suportai-vos uns aos outros no amor, solícitos em guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”.

Humildade, palavra muito forte. O orgulho é fruto da nossa ignorância sobre quem é Deus, de quem somos e o que podemos. Devemos ser humildes.
A humildade nos aproxima de Deus

O que é ser humilde? É ser bobo? Não! Ser humilde é viver sobre a batuta de Deus. Não é viver sobre a batuta dos homens, mas sim de Deus. Batuto quer dizer “sobre o mando de Deus”. Eu não sou desobediente, eu sou obediente. Eu não sou orgulhoso, porque eu sou humilde. Se eu for orgulhoso, eu vou ser prepotente, e essa prepotência vai fazer com que eu fique muito longe de Deus. Eu tenho que ser humilde. “Jesus manso e humilde de coração, fazer o meu coração semelhante ao vosso”.

Entendeu? A humildade tem os efeitos da caridade. Se você não é humilde, você não enxerga a caridade, porque você enxerga muito alto. E para você enxergar a caridade, você tem que olhar para baixo, porque senão você não enxerga as coisas embaixo.

Não é para sermos para baixo, é olharmos para baixo, porque o necessitado, o que precisa da caridade está abaixo de nós. Como você está abaixo de outros, os que estão acima de você têm que ter a caridade de olhar para baixo e enxergar você.

Como Deus é tão misericordioso e como é tão bom viver em Deus! Temos a capacidade de olhar para baixo e de nos realizarmos, mas, muitas vezes, a gente fica irado, fica bravo porque o de cima não consegue nos enxergar. Mas Deus nos deu a glória de olharmos para baixo e enxergarmos.

Onde está a sua caridade?
E aqueles que estão abaixo de nós? Nós olhamos para eles e enxergamos aqueles que precisam da misericórdia. A humidade tem os efeitos da caridade. Ser caridoso é bom demais! É como ser Canção Nova é bom demais! É ser caridoso. Ah, eu sou da Comunidade Canção Nova. Que coisa linda e bonita! Eu apareço na televisão, eu vou à Rádio, eu estou na internet… Ótimo! Mas onde está a caridade? Fala para mim. Antes de você ser tudo isso, você tem que ter a caridade, porque você, tendo a caridade, enxerga o irmão.

Um encontro marcado pela humildade e pela caridade
Um dia desses, na casa do padre Jonas, casa onde eu moro, recebi uma visita importante para mim: os jovens que estão fazendo a imersão para entrar na Comunidade Canção Nova. Foi um dia felicíssimo para mim! Cada um quis chegar com humildade. O padre que celebrava a missa chorava, e não era por causa de mim, não! Mas pela situação em que nós nos encontrávamos, de alegria e de caridade uns com os outros. Aquele jovem, naquela alegria, um brincando com outro, mas também tinha aqueles que choravam por estar ali.

Não era por causa de mim, não era por causa da Luzia, mas era por causa do ambiente de caridade, um ambiente como dos três mosqueteiros: “um por todos e todos por um”. Ali, naquele momento de alegria, naquele momento de oração, naquela Missa maravilhosa, nós recordamos muita coisa.

Quando Deus fala através da caridade
Depois, sentados na sala onde milhares de vezes nós sentávamos – eu, Luzia e Padre Jonas – para discutir as coisas da comunidade, as coisas da obra de Deus, eles pareciam estar bebendo aquele momento. Era Deus falando com eles. Era Deus deixando a mensagem a cada um. A cada palavra que a gente falava, a gente via que nascia, do nada, dentro da gente, um dia glorioso para nós e para eles. Isso nos levantou muito, porque tivemos aquela certeza de que a Canção Nova é viva e vivida. Caso contrário, Deus não permitiria termos, hoje, esses jovens – mais de 15 ou 20 – para fazer uma imersão e entrar na Comunidade Canção Nova. Coisa maravilhosa isso! Como foi bom, como foi gostoso, como foi bonito!

Humildade é aceitar a nossa pequenez
Mas vamos lá. A humildade é uma agulha. Preste atenção: a humildade é uma agulha que remenda todos os buracos e rasgões maravilhosamente. E não é o buraco da calça, não; é o buraco da vida. O que é o rasgão? É o sofrimento da nossa vida, é o desperdício da nossa vida.

Quantas vezes nós deixamos o diabo nos rasgar! Quantas vezes nós jogamos fora a caridade que Deus nos faz! Jogamos fora. Mas, pela humildade, vem justamente aquela agulha, aquela linha que vai costurando com muito amor o nosso coração que está aberto, escancarado, que está machucado. E quantos remendos ela vai ter que colocar ali, costurar e deixar perfeito como Deus quer.

Essa é a realidade da nossa vida. E todos querem ser grandes. Ninguém se conforma com a sua pequenez. Humildade. Vejo a verdade. Para ser humilde basta ser verdadeiro. Não esqueça disso, meu irmão, minha irmã. Para ser humilde tem que ser verdadeiro. De outra forma, não conseguiremos.

Deus o abençoe! E guarde isso com você: somos agulhas de Deus. Queremos costurar todos os remendos dos nossos irmãos.

Deus o abençoe, guarde e ilumine; e que Nossa Senhora esteja sempre à sua frente esmagando a cabeça da serpente. Amém.

Do seu amigo,

Wellington Silva Jardim – Eto
Cofundador da Comunidade Canção Nova












Santo Agostinho


Aurélio Agostinho nasceu em Tagaste, antiga cidade da Numídia. atual Argélia no norte da África, no ano de 354. Filho primogênito de Santa Mônica e de Patrício, rude pagão que depois viria a se converter ao Catolicismo. Teve um irmão, Navígio, e uma irmã, Perpétua, que viria a ser religiosa.
Com inteligência superior, aos 11 anos estudou inicialmente em Madauro, perto de Tagaste. Aprendeu ali sobre literatura latina mas também sobre o paganismo local e romano.

Sua mãe o educara na Fé católica, mas a inconstância, o espírito de insubordinação e a impetuosidade de caráter de Agostinho a levara a adiar o seu batismo, com medo que ele viesse a profanar o Sacramento. E realmente, aos 16 anos, tendo ido estudar Retórica, Filosofia e Literatura em Cartago, adotou uma vida desregrada.

Seu pai tinha preocupação apenas em que tivesse boas notas, brilhasse nas festas sociais e se destacasse nas atividades físicas; com 17 anos, quando seu pai morreu, Agostinho estava corrompido pelo jogo e pela luxúria, e passara a seguir uma seita maniqueísta, onde há um deus bom e outro mau. O hedonismo, a ideia de que o prazer é o fim único da vida, o levou a juntar-se dois anos depois com uma mulher cartaginesa, da qual teve um filho, Adeodato.

Aos 20 anos, Agostinho era professor conceituado de Retórica em Cartago. Mas sua mente inquieta não estava satisfeita. Ao ler “Hortensius”, de Cícero, começou a buscar a sabedoria: “A felicidade – escreveu o grande romano – consiste nos bens que não perecem: sabedoria, verdade, virtudes”. Esta busca o levou a estudar e conhecer diferentes propostas filosóficas, ao longo do tempo. Em 382, procurando algo que o satisfizesse interiormente, e ao mesmo tempo querendo evitar as admoestações de sua mãe, usou de um estratagema para deixá-la no porto de Cartago, enquanto embarcava com a amante e Adeodato para Roma.

Lá teve apoio dos maniqueístas e abriu uma escola, mas já não estava satisfeito com esta seita. Em 384 obtém a cátedra de Retórica na corte imperial em Milão, onde passa a seguir o ceticismo. Nesta cidade estava o bispo Santo Ambrósio, cujos brilhantes sermões começaram a interessá-lo pela refinada técnica oratória e dialética. Ao aspecto intelectual foi acrescentado o espiritual, o conteúdo das pregações, e Agostinho começou a se questionar quanto ao Catolicismo.

Mônica já se mudara também para Milão, para estar mais perto do filho, e suas orações e lágrimas, partilhadas e orientadas por Ambrósio, de quem se aproximou, começaram a dar frutos. Atormentado, Agostinho leu tanto variadas obras filosóficas quanto a Bíblia, interessando-se pelos pensadores gregos e pelos ascetas cristãos. Mas ele buscava a Verdade, e seguindo um impulso interno – como uma voz interior, certamente uma moção do Espírito Santo – que lhe dizia “Pega e lê!”, abriu uma das cartas de São Paulo, em Rm 13,13-14: “Vivamos honestamente, como quem vive à luz do dia. Nada de comilanças ou bebedeiras, nem volúpias, nem luxúrias, nem brigas, nem rivalidades. Pelo contrário, revesti-vos de Jesus Cristo e não tenhais preocupações com a carne, para satisfazer as suas concupiscências”. Estas palavras, e o que ouvira de Santo Ambrósio, o decidiram finalmente. Encerrou o relacionamento indecoroso de 13 anos com a amante, que voltou para a África, abandonou os vícios e maus costumes, e preparou-se para o Batismo. Tanto ele, aos 33 anos, como Adeodato, com 15, foram batizados por Santo Ambrósio na catedral de Milão, na Páscoa de 387.

Não muito tempo depois, Adeodato morreu, e Santa Mônica, junto com Agostinho e seu irmão Navígio, decidiram voltar para Tagaste. No porto de Óstia, próximo de Roma, Mônica, depois de constatar que a sua missão nesta vida fôra completada com a conversão do filho, é acometida por uma misteriosa e fulminante febre, falecendo em poucos dias. Agostinho depois escreveria dela: “Pela carne, me concebeu para a vida temporal, e pelo coração me fez nascer para a eterna” (“Confissões”, IX-8). Sepultada Santa Mônica, Agostinho seguiu para Tagaste, onde chegando em 388, junto com alguns amigos iniciou uma vida monástica com uma regra escrita por ele mesmo. Dedicavam-se à oração, à meditação, ao estudo da Bíblia e a obras de caridade.

Em 390 ou 391, o Bispo Valério de Hipona o ordenou sacerdote, e com o seu falecimento em 396, Agostinho foi aclamado pelo povo como seu sucessor. Por 34 anos fica à frente da diocese e desenvolve um trabalho portentoso, de alcance verdadeiramente católico, isto é, universal, e de verdade perene.

Agostinho foi um bispo sempre atento às necessidades espirituais e materiais dos fiéis, ensinando a Doutrina com toda a ortodoxia e combatendo heresias, e cuidando caridosamente dos pobres. Como mestre incontestável de espiritualidade, a demonstrou por palavras faladas e escritas, e por ações. A sua primeira comunidade deu origem a muitas ordens e congregações, masculinas e femininas, que seguiram as inspirações da Regra que escreveu para ela.

Segundo seu primeiro biógrafo, ele “deixou à Igreja um clero muito numeroso, assim como mosteiros de homens e de mulheres cheios de pessoas dedicadas à continência sob a obediência dos seus superiores, juntamente com as bibliotecas que contêm livros e discursos seus e de outros santos […]”. É considerado o mais profundo pensador do mundo antigo, bem como um dos mais importantes teólogos e filósofos da Patrística na Igreja, influenciando e iluminando até hoje o pensamento universal, divulgado na imensa obra escrita – mais de mil publicações – que deixou e que abarca os mais diversos temas filosóficos, doutrinais, apologéticos, morais, monásticos, teológicos e exegéticos. Além disso, muitas de suas homilias transcritas serviram de modelo e inspiração para os religiosos ao longo do tempo.

Santo Agostinho faleceu em Hipona, então sob invasão bárbara e perseguição aos católicos, em 28 de agosto do ano 430, com 76 anos. É Doutor da Igreja e um dos luminares da Patrística.

A sua incessante busca pela Verdade enriqueceu a Igreja, e sobretudo pelas suas obras a Idade Média teve acesso à antiguidade cristã. Seus escritos são fundamentais na formação de toda a cultura do Ocidente; segundo Paulo VI, “Pode-se dizer que todo o pensamento da Antiguidade conflui na sua obra e dela derivam correntes de pensamento que permeiam toda a tradição doutrinal dos séculos sucessivos”. Acima de tudo, Santo Agostinho é o Doutor da Graça não somente por ter ensinado como ela opera, mas porque é a prova mesma de como podemos – se o permitimos – ser totalmente transformados por ela: seu exemplo pessoal mostra como alguém que não tinha forças para deixar o pecado foi tomado e imerso na Graça de Deus: “porque é Ele próprio que começa, fazendo com que queiramos, e é Ele que acaba, cooperando com aqueles que assim querem”.

Das suas principais obras, que incluem “A Trindade” (em 15 livros), “O Livre Arbítrio” (em três volumes), “A Graça” (em dois livros, com sete partes no total) e “Comentários Bíblicos” (do Antigo e Novo Testamentos), talvez as amais conhecidas sejam “Confissões” e “Cidade de Deus”. A primeira (em 13 livros) é como que uma sua autobiografia espiritual e um hino de louvor ao Senhor, onde confessa tanto a sua miséria espiritual, dos seus pecados, quanto a grandeza de Deus, que o redimiu. A segunda (em 22 livros) trata da relação entre a Fé a política, retratada nas aspirações da alma e os desejos mundanos, e influenciou diretamente a Teologia cristã e o pensamento político ocidental. Foi escrita no contexto do saque de Roma pelos visigodos em 410, e das críticas pagãs de que Roma estava mais segura na época das divindades pagãs do que com o Cristo. Em resumo, mostra a Humanidade dividida (desde Adão e Eva, diríamos…) entre dois amores: o amor a si mesmo, “até à indiferença por Deus”, e o amor a Deus, “até à indiferença por si mesmo”.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

É da natureza humana buscar a Deus, porque somos Sua imagem e semelhança. Com maior ou menor sensibilidade, todos nós ansiamos por Ele, que é eterno, inesgotável e perfeito. Nesta procura, por causa das consequências do Pecado Original, a confusão do que é “perfeito” com o que traz sensações agradáveis em diferentes níveis da dimensão humana, como o físico, o racional, o emotivo, é uma tendência constante, e que exige um esforço, a partir do espiritual, o aspecto humano mais afim de Deus, para que saibamos distinguir estes apelos inferiores da Verdade, que é o próprio Deus (“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai sensação por Mim. Se conhecêsseis a Mim, conheceríeis também a Meu Pai. Desde já O conheceis e O tendes visto” (Jo 14,6-7), esclareceu Jesus aos Apóstolos, indicando também que é Um com o Pai, na Santíssima Trindade). “conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará” (cf. Jo 8,32): Perfeição – Verdade – Deus, Quem é nossa origem e fim, e o único no Qual encontraremos a felicidade e alegria, perene e completa, que percebemos e naturalmente buscamos naquilo que, nesta vida, percebemos como perfeito. Toda a vida de Santo Agostinho nos coloca diante deste drama essencialmente humano que é a busca ansiosa por Deus, pela plenitude da felicidade-perfeição, que é a Verdade da nossa existência; para o que fomos criados e foi perdido no Pecado Original, mas resgatado na Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus, Deus Encarnado exatamente para que pudéssemos ser resgatados: o preso e miserável não pode ser resgatar-se a si mesmo, precisa de alguém que ofereça por ele, e o Pecado Original prendeu o Homem na miséria, logo, é necessário outro ser humano, livre e rico, que o tire da prisão – mas quem, se a Humanidade inteira, na sua essência, está cativa? Jesus, Deus, Se encarna e Se oferece por nós (“porque é Ele próprio que começa, fazendo com que queiramos, e é Ele que acaba, cooperando com aqueles que assim querem”), e só por isso o desejo natural da perfeição pode ser de novo alcançado, se, libertado, o Homem não se entregar de novo à prisão, ao pecado, voluntariamente... O próprio Agostinho, depois de convertido, dá testemunho deste processo, que demorara a entender, na talvez mais famosa (com justiça) das suas citações: “Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Estáveis dentro de mim e eu estava fora, e aí Vos procurava; e disforme como era, lançava-me sobre estas coisas formosas que criastes. Estáveis comigo e eu não estava convosco. Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria se não existisse em Vós. Mas Vós me chamastes (…) e agora tenho fome e sede de Vós. Tocastes-me, e comecei a desejar ardentemente a vossa paz” (“Confissões” X, 27, 38). Mas não basta a conversão, “Na vida espiritual, quem não avança retrocede” (São Padre Pio de Pietrelcina). A busca de Santo Agostinho é inerente e natural a qualquer outro homem, mas continuar avançando na vida de santidade, apesar de novas quedas e levantamentos, constantemente e sem desistir, é uma escolha pessoal. Da qual, naturalmente, seremos os únicos responsáveis pelas consequências nesta e na vida futura.

Oração:

Deus de infinita paciência, que por séculos preparastes a Redenção, e nos aguardais com amor assíduo, concedei-nos por intercessão de Santo Agostinho de Hipona a sinceridade da busca e da conversão a Vós, ao longo de toda a nossa vida, e a honestidade de perseverarmos sempre mais no crescimento da santidade, até que o amor por Vós chegue à indiferença por nós mesmos”. Por Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026


O Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reuniu-se nesta quarta-feira, 26 de agosto, de forma online, para acompanhar os principais processos pastorais em andamento na Igreja no Brasil. Entre os assuntos da pauta estiveram a recepção das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), o caminho sinodal, a preparação de documentos para a 63ª Assembleia Geral da CNBB, as Campanhas da Fraternidade e para a Evangelização e as atividades do Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial (IA).

A reunião também contou com informes sobre o Encontro dos Bispos das Grandes Cidades, o Congresso Eucarístico Nacional, o processo de elaboração do Relatório Final da Presidência e atividades de organismos vinculados à Conferência.



Recepção das DGAE
A acolhida das DGAE 2026-2032 nas dioceses e nos regionais da CNBB esteve entre os principais temas da reunião. A reunião do Consep apontou uma recepção positiva do documento e o desejo de fortalecer a comunhão e o alinhamento das ações pastorais em todo o país.

Ao apresentar a avaliação do recente encontro dos secretários-executivos dos regionais, padre Leandro Megeto, subsecretário-geral da CNBB, destacou que as Diretrizes têm sido bem acolhidas e que há um forte desejo de trabalho conjunto. O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, também ressaltou a avaliação positiva do encontro e a satisfação dos participantes com o apoio, as orientações e as partilhas oferecidas.


O secretário adjunto de Pastoral da CNBB, padre Tiago Ávila Camargo, observou que os regionais têm demonstrado interesse em alinhar seus trabalhos às novas Diretrizes, movimento que também vem sendo percebido na relação com as dioceses.

Outro sinal da recepção das DGAE foi apresentado durante a reunião: quase 150 mil exemplares do documento já foram comercializados pela Edições CNBB.
DGAE e caminho sinodal

O bispo de Petrópolis (RJ) e coordenador da Equipe Nacional de Animação do Sínodo, dom Joel Portella Amado, apresentou a avaliação do Encontro de Coordenadores de Pastoral, que reuniu representantes de 170 dioceses.

Segundo dom Joel, um dos focos do encontro foi aprofundar a articulação entre as conclusões do Sínodo e as DGAE, compreendidas como uma forma concreta de recepção do caminho sinodal na Igreja no Brasil.

A reflexão dedicou atenção especial às conversões propostas pelo Documento Final do Sínodo, sobretudo nos campos das relações, dos processos e dos vínculos. Para dom Joel, um dos desafios é aprofundar a compreensão da relação entre sinodalidade e Diretrizes, considerando que o próprio conceito de sinodalidade continua sendo assimilado e aprofundado na vida da Igreja.

Próximas etapas do Sínodo
O Consep também avaliou as iniciativas de animação do processo sinodal. Dom Joel recordou as três lives realizadas nos dias 4, 11 e 18 de agosto, dedicadas às conversões sinodais e à recepção do Documento Final do Sínodo.

No calendário apresentado, o primeiro semestre será dedicado às assembleias locais, nas dioceses e eparquias. Na etapa seguinte, serão realizadas as assembleias em nível intermediário, envolvendo os regionais da CNBB. O percurso seguirá em 2028 com a Assembleia Continental, sob responsabilidade do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), e, posteriormente, com a Assembleia Universal.

Entre os desafios está a sistematização das contribuições que serão produzidas pelas mais de 200 dioceses e eparquias brasileiras, respeitando a diversidade das realidades locais e, ao mesmo tempo, identificando elementos comuns que possam subsidiar as etapas regional e nacional.

A Equipe Nacional de Animação do Sínodo deverá trabalhar na identificação dessas convergências para a elaboração das contribuições solicitadas pela Secretaria Geral do Sínodo.

Documentos para a 63ª Assembleia Geral
Os bispos também acompanharam o andamento de documentos e estudos que deverão chegar à 63ª Assembleia Geral da CNBB.

Dom Vilson Basso, presidente da Comissão para a Juventude da CNBB, apresentou o processo de elaboração de um novo documento sobre a evangelização da juventude. A proposta, assumida após a última Assembleia Geral, é preservar o Documento 85 e, no contexto dos seus 20 anos, oferecer à Igreja no Brasil um novo texto dedicado aos atuais desafios da evangelização juvenil. A previsão é que, após novas contribuições, o material seja encaminhado aos bispos no início de março.

Dom Gregório Paixão, presidente da Comissão para a Cultura da CNBB, apresentou o andamento do documento sobre o Ensino Religioso no Brasil. O texto é resultado de um processo de cerca de quatro anos, que contou com a colaboração de especialistas e consultores e passou pela elaboração do Estudo 126. A expectativa é que o documento seja submetido à aprovação na próxima Assembleia Geral.

Também foi apresentado o processo do documento sobre a Pastoral Afro-Brasileira. Segundo dom Valdeci dos Santos Mendes, presidente da Comissão para a Ação Sociotransformadora, o texto passou pela análise de especialistas, já foi encaminhado aos bispos e encontra-se em fase de complementação.

Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial
O Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial, constituído a partir de encaminhamento do Conselho Permanente da CNBB, partilhou sobre seu primeiro encontro. Dom Valdir José de Castro, presidente da Comissão para a Comunicação da CNBB e membro do Grupo, avaliou positivamente a reunião e destacou o entrosamento entre os integrantes.

Segundo o bispo, o desenvolvimento da inteligência artificial exige uma reflexão que ultrapasse a dimensão tecnológica, uma vez que envolve questões relacionadas à missão da Igreja, à dignidade humana e às responsabilidades moral e ética.

Padre Danilo Pinto, membro e coordenador do Grupo, apresentou os primeiros encaminhamentos do grupo. Entre as propostas está a realização de um estudo que contribua para um “letramento” sobre inteligência artificial e ajude a compreender seus impactos nas diferentes áreas de atuação das Comissões Episcopais da CNBB. O grupo também definiu uma rotina para os próximos encontros.
Bispos das grandes cidades

O Consep recebeu ainda uma avaliação do Encontro dos Bispos das Grandes Cidades, realizado em Goiânia (GO), com a participação de 20 bispos, entre diocesanos e auxiliares.

A programação abordou temas como a iniciação à vida cristã em pequenas comunidades, os desafios para viver e anunciar a fé nos grandes centros urbanos e experiências pastorais desenvolvidas nas arquidioceses.

Dom Joel Portella destacou a metodologia do encontro, que não se restringiu a exposições teóricas, mas valorizou relatos e experiências concretas da presença da Igreja no ambiente urbano. O próximo encontro está previsto para 2028, na arquidiocese de Belo Horizonte (MG).

Pe. Jean Poul

Campanhas da CNBB
O secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, apresentou informações sobre as Campanhas para a Evangelização e da Fraternidade.

A Campanha para a Evangelização de 2026 segue em preparação, com a previsão de envio de cartazes às dioceses de todo o Brasil. Para 2027, os bispos aprovaram como tema a passagem bíblica: “Encontrareis o menino envolto em faixas” (Lc 2,12).

Sobre a Campanha da Fraternidade 2027, padre Jean informou que o texto-base está em processo de elaboração e consulta. O Seminário Nacional da Campanha da Fraternidade também será realizado em Brasília.

O Consep tratou ainda da Campanha da Fraternidade 2028, que terá como tema “Fraternidade e o sentido da vida” e lema “Para mim, viver é Cristo” (Fl 1,21). O objetivo geral será anunciar Jesus Cristo como fonte de esperança e vida plena, despertando pessoas, famílias, comunidades e a sociedade para o compromisso com a acolhida, o cuidado e a promoção da dignidade humana, especialmente daqueles que sofrem e perderam o sentido da vida.
Congresso Eucarístico e outros informes.

D. João Justino

Sobre o Congresso Eucarístico, dom João Justino de Medeiros Silva apresentou os próximos passos de preparação, entre eles ações de divulgação e o início da contagem regressiva para o evento. Também está prevista uma Coleta Nacional nas missas dos dias 5 e 6 de setembro.

O novo presidente da Comissão Nacional dos Presbíteros (CNP), padre Diego Carvalho, da arquidiocese de Vitória (ES), foi apresentado ao Consep. Ele destacou o propósito de fortalecer a comunhão com a Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB e acompanhar os presbíteros nos diferentes regionais da CNBB.

“É uma alegria trabalhar com os padres e servir aos presbíteros do Brasil em comunhão com a Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada”, afirmou.

Padre Tiago Ávila Camargo apresentou ainda o processo de elaboração do Relatório Final da Presidência da CNBB. O trabalho está estruturado em três eixos: pendências e novos encaminhamentos; novidades, iniciativas e projetos desenvolvidos no quadriênio; e perspectivas de continuidade. A proposta é registrar os avanços do período e indicar processos que poderão ter continuidade na próxima gestão.

A reunião contou ainda com informes sobre os próximos encontros e atividadades realizadas pela Ascom da CNBB, a preparação do 7º Congresso Americano Missionário (CAM 7), a Comissão Nacional dos Diáconos (CND), a Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB), a Cáritas Brasileira, a Pastoral da Criança, a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) e o Centro Nacional de Fé e Política “Dom Helder Câmara” (Cefep).


Leão XIV recebe bispos luteranos pelo desejo comum de reconciliação


Antes da Audiência Geral desta quarta-feira (26/08), o Papa encontrou uma delegação da Igreja Luterana da Noruega e agradeceu pela visita, num "esforço conjunto para buscar caminhos concretos de reconciliação e fraternidade". Leão XIV recordou Santo Olavo e Santa Sunniva, que ajudaram a unir os povos, e disse rezar "para que possamos sempre crescer juntos no nosso serviço à promoção da paz e da justiça".

Andressa Collet - Vatican News

Nesta quarta-feira (26/08), tradicional dia de Audiência Geral no Vaticano, o encontro com os fiéis na Basílica de São Pedro foi precedido pelo encontro com uma delegação de bispos da Igreja Luterana da Noruega. Na audiência, realizada na auletta da Sala Paulo VI, o Pontífice deu as boas-vindas ao grupo, esperando que os bispos tenham conseguido visitar os locais sagrados ligados aos primeiros cristãos e mártires, "cujo testemunho da fé em nosso Senhor continua a ser uma fonte de inspiração duradoura", a exemplo de Santo Olavo e Santa Sunniva que dedicaram a vida a Deus e ao próximo, além de terem ajudado a unir os povos, disse o Papa. Uma demonstração de "força transformadora da caridade" e de encorajar a fazer o bem uns pelos outros, sobretudo atualmente, com a turbulência do mundo:

"Parece haver uma animosidade crescente entre os povos, evidente não apenas nos conflitos e disputas internacionais, como vocês observaram, mas também dentro dos próprios países, como demonstra a acrimônia que muitas vezes caracteriza o debate político e social. Dada a nossa condição humana decaída, é muito fácil assumir uma atitude de hostilidade para com aqueles com quem discordamos. Por essa razão, é necessário um esforço conjunto para buscar caminhos concretos de reconciliação e fraternidade. A esse respeito, Jesus nos mostra um outro caminho, revelando que a bondade e a caridade têm o poder de desarmar."

Olav Fykse Tveit, presidente da Igreja na Noruega, durante o discurso ao Papa (@VATICAN MEDIA)

Pequenos gestos para a reconciliação
A visita da delegação de bispos luteranos da Noruega ao Papa é uma demonstração de "proximidade", enalteceu Leão XIV. Ao final da audiência, antes de pedir a Deus que "nos ajude a viver de maneira cada vez mais autêntica como irmãos e irmãs", testemunhando a vida de Jesus, o Pontífice afirmou:

"Sou sinceramente grato pela presença de vocês aqui e pelo desejo comum de buscar maneiras de construir a comunhão. De fato, mesmo pequenos gestos podem nos inspirar e nos guiar no caminho da reconciliação. Como bem sabemos, nosso Senhor rezou ao Pai celestial pela unidade dos seus discípulos: “para que sejam, assim, consumados na unidade, e o mundo reconheça que tu me enviaste e os amaste, como amaste a mim” (Jo 17, 23). Com base no nosso Batismo comum e na nossa missão compartilhada no mundo, rezo para que possamos sempre crescer juntos no nosso serviço à promoção da paz e da justiça."

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EVANGELHO DO DIA (Mt 24,42-51)

ANO "A" - DIA: 27.08.2026
21ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Vigiai, diz Jesus, vigiai, pois, no dia em que não esperais, o vosso Senhor há de vir.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 42 "Ficai atentos! porque não sabeis em que dia virá o Senhor. 43 Compreendei bem isso: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44 Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá. 45 Qual é o empregado fiel e prudente, que o senhor colocou como responsável pelos demais empregados, para lhes dar alimento na hora certa? 46 Feliz o empregado, cujo senhor o encontrar agindo assim, quando voltar. 47 Em verdade vos digo, ele lhe confiará a administração de todos os seus bens. 48 Mas, se o empregado mau pensar: 'Meu senhor está demorando', 49 e começar a bater nos companheiros, a comer e a beber com os bêbados; 50 então o senhor desse empregado virá no dia em que ele não espera, e na hora que ele não sabe. 51 Ele o partirá ao meio e lhe imporá a sorte dos hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Perseverar na oração e na esperança"

Perseverar na fé até o fim
“Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor” (Mateus 24, 42-51).
Irmãos e irmãs, celebramos a memória de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho. E amanhã, claro, celebraremos a festa de Santo Agostinho, mas Santa Mônica perseverou. Ela se manteve em constante intercessão e oração pelo seu filho e foi escutada.

Perseverar na vigilância interior
E vejam o Evangelho que nós escutamos no dia de hoje: “Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor”. Por isso devemos perseverar, como Santa Mônica perseverou, como se fôssemos receber a graça agora. Ela perseverou até o fim. O Evangelho nos traz um chamado claro de Jesus: “Ficai atentos”. Não se trata de viver com medo, mas com vigilância interior. Estar atento é viver de forma consciente, com o coração voltado para Deus, sabendo que cada momento pode ser ocasião de encontro com Ele.

Santa Mônica, modelo de fidelidade e confiança
A memória de Santa Mônica ilumina esse Evangelho de forma muito concreta. Por quê? Porque, durante anos, ela perseverou na oração e na esperança pela conversão do seu filho, o então Agostinho, posteriormente Santo Agostinho. Mesmo sem ver resultados imediatos, não desistiu. Sua vigilância não foi ansiedade, mas fidelidade constante. Ela viveu a atenção a Deus, confiando que o Senhor age no tempo certo.

Hoje, vivamos esta mesma atitude. Deus age no tempo certo. Qual atitude? Ou quais atitudes? Não relaxar na fé, não adiar a conversão, não viver distraídos espiritualmente. Estar vigilante é viver bem o presente com responsabilidade e confiança. Que Santa Mônica nos ensine a perseverar.

Sobre você desça e permaneça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova