sexta-feira, 15 de maio de 2026

Dom Paulo Jackson abre Congresso de Pastoral Urbana: tema é dos mais urgentes em nossos dias


Teve início na manhã desta terça-feira, 12 de maio, o II Congresso Teológico de Pastoral Urbana, com a participação de pesquisadores, docentes, estudantes, agentes pastorais e lideranças religiosas. O arcebispo de Olinda e Recife (PE), dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, segundo vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), falou na abertura do evento, destacando a pastoral urbana como “uma das pautas mais urgentes para os nossos dias”.

“Eis a nossa missão: olhar para as nossas cidades, não apenas como ajuntamentos de concretos, problemas e estatísticas, mas como lugares teológicos, onde Deus habita e a partir de onde ele quer nos falar. Desejamos então, durante esses dias, perceber a presença de vida nas cidades, especialmente nas periferias existenciais e geográficas de nossas metrópoles e megalópoles. Desejamos discernir e aprofundar, cada vez mais, a relação entre fé e cultura urbana, buscando talvez respostas para os grandes desafios que a cidade nos oferece, e, talvez, calibrar a rota dos nossos processos de evangelização nas cidades nestes tempos permanentes de mudanças”, motivou o arcebispo.

Dom Paulo Jackson | Foto: Alex Costa/Unicap

Com o tema “Deus habita esta cidade” (Sl 47,9), o II Congresso Teológico de Pastoral Urbana é uma iniciativa da CNBB em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Teologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC RS) e com o Programa de Pós-Graduação Profissional em Teologia Prática da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).

O evento busca dar continuidade ao I Congresso Teológico Internacional de Pastoral Urbana, realizado em 2024 pela PUCRS e pela CNBB. De acordo com a organização, o objetivo é consolidar um espaço de diálogo interdisciplinar e de cooperação institucional que promova a pesquisa e a reflexão voltadas à realidade urbana.

“De hoje até quinta-feira, transformaremos este auditório num grande observatório de partilhas, escuta e discernimentos, unindo o rigor científico e acadêmico da Unicap e de outras universidades aqui presentes e representadas à força evangelizadora da nossa Conferência Episcopal, a CNBB”, disse dom Paulo Jackson.

O segundo vice-presidente da CNBB desejou que as conferências, intervenções e reflexões “ajudem a construir uma Igreja em saída permanente, em estado perene de missão, uma Igreja que ama e habita a cidade, que quer fazer o Evangelho dialogar com o ritmo alucinado dos nossos centros urbanos”.

Desafios da evangelização
A primeira conferência do evento foi conduzida por dom Joel Portella Amado, bispo de Petrópolis (RJ) e presidente da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB e do Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi (Inapaz). Dom Joel elegeu 10 desafios da evangelização no contexto urbano que dizem respeito à interação da Igreja nesse espaço. Tais reflexões estão presentes no debate eclesial, tanto nas linhas de pesquisas das universidades, quanto nos encontros dos bispos das grandes cidades.
Dom Joel Portella Amado | Foto: Alex Costa/Unicap

Os desafios apontados por dom Joel:Descompasso/distanciamento entre o mundo urbano e a ação evangelizadora;
Ruptura do mundo urbano com as bases da cristandade;
Necessidade de a Igreja ser presença profética sem ser cooptada pela mentalidade e pelos valores, como os de mercado ou do consumo;
Compreensão do conceito de urbano para além da limitação geográfica;
Relação entre ação evangelizadora e a academia;
Discernimento entre o que é valor e o que é contravalor da experiência urbana;
Urgência da sinodalidade
Conversão pastoral efetiva: da pastoral de conservação para uma pastoral urbana querigmática, mistagógica e com presença capilarizada;
Solidariedade diante das fragilidades
Superação da visão negativa da cidade, reconhecendo que Deus habita a cidade.

Luiz Lopes Jr Fotos: Alex Costa/Unicap

Papa: a luta contra drogas e crime organizado passa pela reeducação dos infratores

O fenômeno, disse o Papa, "sustenta redes criminosas e põe em risco o futuro das sociedades". Por isso, uma resposta passa pelo respeito e proteção dos direitos das pessoas, com esforços conjuntos em aplicar a lei, mas também em prevenir os crimes e estabelecer um sistema de justiça penal justo através de abordagens "voltadas para a reeducação e a plena reintegração dos infratores no tecido social", o que "exclui o uso da pena de morte, da tortura e de toda forma de punição cruel ou degradante".

Andressa Collet - Vatican News

O Papa Leão XIV recebeu na manhã desta sexta-feira (15/05), no Vaticano, os participantes da 2ª Conferência Interparlamentar sobre a Luta contra o Crime Organizado na Regional da OSCE, a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, que atua em mais de 50 países pela promoção da paz e da justiça em três dimensões: política-militar, econômica-ambiental e humana. O evento de dois dias em Roma, na Câmara dos Deputados, é destinado "à grave e urgente batalha contra o flagelo das drogas ilícitas", recordou o Pontífice logo no início do discurso na Sala Clementina às cerca de 120 pessoas presentes, entre parlamentares, especialistas do setor e representantes dos países da OSCE: "prevenir e combater o crime organizado é essencial para a construção de sociedades seguras, justas e estáveis".
O Estado de Direito, a prevenção e a justiça
"Com profunda esperança e preocupação pastoral", Leão XIV enalteceu o "testemunho da determinação coletiva de enfrentar um fenômeno que sustenta redes criminosas e põe em risco o próprio futuro de nossas sociedades". A própria Santa Sé, continuou ele, "está firmemente convencida de que o Estado de Direito, a prevenção do crime e a justiça penal devem avançar juntos, em união". Leão XVI disse que a implementação das leis "continua sendo indispensável para o desenvolvimento humano integral" e não o contrário, com a violação da dignidade e dos direitos das pessoas. Por isso, "a prevenção e a resposta às atividades criminosas estão intimamente relacionadas com o respeito e a proteção dos direitos humanos universais. Isso requer não apenas os esforços das autoridades responsáveis pela aplicação da lei, mas também o envolvimento da sociedade em geral, tanto no âmbito nacional quanto no internacional":

"Nesse sentido, a Santa Sé apoia plenamente todas as iniciativas que visem estabelecer um sistema de justiça penal eficaz, justo, humano e credível, capaz de prevenir e combater a produção e o tráfico de drogas ilícitas. Reconhecendo que a verdadeira justiça não pode se contentar apenas com a punição, tais esforços devem igualmente adotar abordagens marcadas pela perseverança e pela misericórdia, voltadas para a reeducação e a plena reintegração dos infratores no tecido social. O mesmo respeito pela dignidade inerente a cada pessoa, inclusive àquelas que cometeram crimes, exclui o uso da pena de morte, da tortura e de toda forma de punição cruel ou degradante."

Prevenir através da educação
São necessários, então, aprofundou o Pontífice, redescobrir a dignidade dada por Deus através de programas multidisciplinares que se sobrepõem a medidas puramente repressivas que não conseguem libertar os indivídios escravizados pelo vício. Essa abordagem pode vir através de tratamento médico, de apoio psicológico e de reabilitação sustentada.

Além disso, Leão XIV fez questão de enfatizar que "a educação é a chave para a prevenção", sobretudo nesta época de redes sociais que transmitem conteúdos que banalizam os riscos da dependência. Por constituir a base do desenvolvimento humano integral, a educação na família e na escola ajuda a capacitar crianças e jovens "a reconhecer a profunda devastação causada pelas drogas" no cérebro, no corpo, na conduta pessoal e no bem comum da comunidade. A própria conferência realizada em Roma pode produzir frutos importantes "de cooperação transnacional, prevenção eficaz e esperança genuína", acrescentou o Papa, ao finalizar:

"A Igreja Católica, por meio de suas numerosas instituições em todo o mundo e com base em sua longa experiência no acompanhamento das pessoas afetadas pela dependência química, está pronta para aprofundar ainda mais seu vínculo de cooperação frutífera com a sociedade civil. Juntos, num espírito de respeito mútuo e responsabilidade compartilhada, podemos promover políticas que sirvam verdadeiramente ao bem comum e à dignidade inalienável de cada ser humano".

A foto oficial ao final da audiência com o Papa, no Vaticano (@Vatican Media)

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EVANGELHO DO DIA (Jo 16,20-23a)

ANO "A" - DIA: 15.05.2026
6ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Era preciso que Cristo sofresse e ressuscitasse dos mortos, para entrar em sua glória.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20 "Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. 21 A mulher, quando deve dar à luz, fica angustiada porque chegou a sua hora; mas, depois que a criança nasceu, ela já não se lembra dos sofrimentos, por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo. 22 Também vós agora sentis tristeza, mas eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. 23a Naquele dia, não me perguntareis mais nada".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Alegrará o vosso coração"

Jesus promete que o nosso coração se alegrará
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Em verdade, em verdade eu vos digo: vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. A mulher, quando deve dar à luz, fica angustiada, porque chegou a sua hora, mas depois que a criança nasceu, ela já não se lembra dos sofrimentos por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo. Também vós agora sentis tristeza, mas hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará.” (Jo 16,20-23a)

O Evangelho de hoje trabalha, nos quatro versículos, os binômios choro, alegria; tristeza, alegria; angústia, alegria; tristeza, alegria.
Alegrará o fiel pois a dor é passageira e a graça eterna

Interessante que as sensações negativas são apresentadas no contexto transitório, momentâneo. Já as sensações positivas, apresentam-se como sendo perenes, duradouras. A famosa frase “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” encontra-se no Salmo 30,5. Esse versículo, escrito por Davi, é um hino de esperança que destaca que a dor é temporária, enquanto a bondade e o favor de Deus trazem restauração e alegria duradoura, transformando o lamento em dança.

Jesus quer nos fazer enxergar a luz da vitória que está escondida em cada momento de tribulação que nós atravessamos. Se nós conseguíssemos, por graça de Deus, enxergar essa luz escondida em cada tribulação, como seria maravilhoso! Jesus quer resgatar a nossa memória vitoriosa, o Hosana sobre todas as batalhas que nós travamos.

Plena confiança diante a Cruz
Isso não é uma anestesia, isso não é um ópio, uma forma de entorpecer a nossa cabeça. É uma consciência viva de que vale a pena enfrentar as dores e as fadigas, porque, após cada uma delas, nós experimentamos um novo nascimento. Algo novo que surge em nossas vidas depois de termos suportado as contradições.

O efeito colateral de suportar o sofrimento do tempo presente, qual é? Alegria imensa que invade o nosso coração.

Não confie nas suas forças para enfrentar as tristezas da vida. Confie em Jesus Cristo que, por meio das provações, nos fará participar das alegrias eternas reservadas para aqueles que o amam de coração sincero. Na tribulação, mantenha-se fiel, porque a alegria virá.

Sobre todos vós desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Pe Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Restaurados no poder do Espírito Santo


Restaurados no poder do Espírito Santo

O pecado de Adão e Eva é que eles desobedeceram àquilo que Deus havia instruído a eles. Não pode fazer isso, e eles foram lá e fizeram. Só que isso gerou uma consequência. Esse pecado gerou um afastamento de Deus.

À medida em que eles foram seduzidos pela serpente, à medida em que eles estiveram ali nesse diálogo e cometeram um pecado, eles se afastaram de Deus. Adão e Eva caminhavam na presença de Deus no jardim do Éden. Eles caminhavam com Deus, eles caminhavam na presença de Deus.

Depois do pecado, o que foi que Adão fez? Escondeu-se. E aí nosso Senhor pergunta: “Por que você se escondeu, Adão?” E ele disse assim: “Porque eu estava nu e tive vergonha”. Mas ele estava com vergonha não somente da sua nudez física, ele estava com vergonha da sua nudez de alma, porque ele havia desobedecido a Deus.

Ele tomou consciência de que fez o que Deus pediu para não fazer. E esse pecado nós chamamos, na doutrina da Igreja, de pecado original.
A luta constante pela obediência a Cristo

Existe uma luta constante para que nós possamos ser obedientes a Cristo. E aí, meus irmãos, é nessa hora, nessa hora dessa luta constante que há dentro de nós, que nós precisamos do auxílio do Espírito Santo.

O Espírito Santo, ele é o santificador. E se você precisa ser santo para poder chegar no céu, você precisa do auxílio do Espírito Santo.

Nós precisamos, por isso que precisamos ser restaurados pelo poder do Espírito.

Quando a gente reza o Veni Creator, nós estamos rezando isso: Vinde Espírito Criador. Quando nós rezamos ‘Vinde, Espírito Criador’, nós estamos dizendo assim: “Vinde, Espírito”.
Transformando o caos em ordem

Vou lhe dar um exemplo: se, na sua casa, a coisa está um caos, clame pelo Espírito, lá dentro, e você vai vê-Lo transformar aquele caos em ordem. Ele coloca tudo no devido lugar.

E se dentro de nós existe, de fato, essa luta do homem novo contra o homem velho, nós precisamos, constantemente, clamar pelo poder do Espírito, para que Este venha e coloque em ordem o que está dentro, inclusive para que Ele possa lhe mostrar os seus pecados.

Santa Dionísia

Dionísia foi uma das muitas vítimas cristãs das perseguições romanas dos primeiros séculos. Nasceu na Anatólia, Turquia, em 234. Na época o imperador Décio, intolerante ao Cristianismo, fazia muitos mártires tendo mandado matar o Papa Fabiano. Na Ásia Menor, seu procônsul Ottimo seguia diligentemente as suas ordens.

Assim prendeu os irmãos André e Paulo, e os amigos Pedro e Nicômaco, torturando-os para que negassem o Cristo. Dionísia acompanhou de perto a prisão deles, e pôde presenciar a apostasia de um só deles; Nicômaco: este, liberto, e a ponto de sacrificar aos deuses pagãos como lhe fora exigido, caiu subitamente no chão, tomado por convulsões, e morreu. A isto, ela chorou, comentando que ele perdera a vida eterna por alguns poucos momentos de vida terrena...

Quando presa foi levada ao tribunal e declarou-se cristã, e diante da ameaça de Ottimo respondeu que o seu Deus era muito mais poderoso do que o dele. Era uma donzela de 16 anos, e o procônsul a entregou à soldadesca para ser violentada. Mas os legionários, miraculosamente, permaneceram estáticos, impedidos de tocá-la.

Chegou o momento em que André e Paulo foram retirados da prisão para serem mortos na arena. Dionísia conseguiu escapar da sua própria cela e, juntando-se a eles, teria dito: “Eu partilhei os vossos sofrimentos no coração, por isso poderei partilhar a vossa glória no Céu.” Os soldados romanos a decapitaram. O martírio de Dionísia, Pedro, Paulo e André aconteceu em Lâmpsaco, no Helesponto, atual Turquia, aos 15 de maio de 250.

Entre as relíquias de Dionísia, conserva-se uma jarra contendo o seu sangue cristalizado, na igreja da Abadia de Flône, Bélgica.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Impressiona sempre a firmeza dos primeiros mártires católicos, sobretudo porque incluíam não apenas varões, mas crianças, idosos, mulheres e jovens, cuja fragilidade e impossibilidade de defesa deveria antes enternecer os corações dos algozes, e que a covardia dos que perseguem a Deus parece que, ao contrário, estimulavam na maldade. Esta coragem e tão firme convicção na recompensa do Paraíso seriam a atitude esperada também para nós… e contudo não é difícil ficarmos abatidos com a perseguição verbal e moral, muitas vezes a ponto de não termos reagirmos adequadamente. Mas, como esclareceu Santa Dionísia diante do procônsul, nosso Deus é de fato mais poderoso. Diante da ameaça de morte por causa da Fé, seríamos como ela ou Nicômaco? Por mais alguns momentos nesta vida terrena e inevitavelmente passageira, perder a vida eterna! Várias outras santas, como por exemplo Joana d’Arc, viram sua castidade ameaçada, e foram miraculosamente resguardadas. Não é pequeno o valor que Deus dá à pureza e castidade. Que contraste para com os nossos tempos, de imoralidade e depravação exacerbadas e exaltadas, aceitas e incentivadas, inclusive para com a infância. Na medida em que Deus valoriza e preserva a pureza, assim será a gravidade da Sua punição por estes pecados. Aos católicos, além da rejeição a estas perversidades em todos os âmbitos, espera-se – Deus mais do que todos – um vestuário e comportamento decente. Como educar os filhos na castidade, se nas igrejas, diante do Santíssimo, vê-se mulheres católicas com roupas indecentes, e homens de chinelos e bermuda, como num boteco? Serão todos tão pobres que não podem usar roupas minimamente dignas?

Oração:

Senhor Deus, de bondade mas também de infinito poder, concedei-nos por intercessão de Santa Dionísia e seus companheiros mártires a alegria de partilhar corajosamente os Vossos sofrimentos nesta Terra, para podermos também partilhar da Vossa Glória no Céu, cristalizando o nosso sangue junto ao do Redentor, de modo a que se tornem, por Vossa graça e amor infinitos, inseparáveis nos trabalhos e na recompensa. Pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Pastoral promove Vigília pelos mortos de Aids com o lema “Da dor à esperança: vidas que nos chamam ao cuidado”


No terceiro domingo de maio (17), a Pastoral da Aids da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove a Vigília pelos Mortos de Aids em 18 regionais da CNBB, além de iniciativas realizadas nas dioceses, paróquias e comunidades em todo o país.

A Vigília pelos mortos de Aids é um movimento internacional que iniciou em maio 1983, em Nova Iorque, por mães, familiares e amigos de pessoas que morreram em decorrência da aids. Desde então, a vigília tornou-se um gesto mundial de memória, solidariedade e compromisso com a vida.

Em 2026, a campanha traz o tema “Da dor à esperança: vidas que nos chamam ao cuidado”, convidando a sociedade a transformar o sofrimento em solidariedade e compromisso com a dignidade humana.

A Vigília de 2026 quer conclamar toda a comunidade cristã e a sociedade para o compromisso com a superação do estigma e do preconceito. Inspirados pelo Evangelho de Lucas (10,33-34) “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” somos chamados a cuidar das vidas feridas e a construir uma sociedade mais humana, fraterna e acolhedora.

A coordenação da Pastoral reforça que neste dia, fazemos memória das pessoas que morreram em consequência da aids, manifestamos solidariedade às pessoas que vivem e convivem com o HIV e reforçamos a importância da prevenção e do acesso ao diagnóstico e ao tratamento. A Igreja, mobilizada pela Pastoral da Aids, pela Casa Fonte Colombo e por diversas entidades comprometidas com a causa, reafirma sua missão de promover a vida e a dignidade para todos.

Realidade no Brasil
Dados do Ministério da Saúde apontam que, de 1980 até setembro de 2025, o Brasil registrou 1.165.533 casos de aids e 402.300 óbitos. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 40 milhões de pessoas morreram em decorrência da aids no mundo desde o início da epidemia. Em 2024, foram notificados 36.955 novos casos da doença no país. Apesar da redução da mortalidade e dos avanços no tratamento, a epidemia segue exigindo vigilância, prevenção e cuidado permanente.

Ao longo das últimas décadas, importantes avanços científicos e terapêuticos mudaram a história da epidemia do HIV. Hoje, com diagnóstico precoce e adesão ao tratamento, pessoas vivendo com HIV podem ter qualidade de vida, projetar o futuro, constituir família e realizar seus sonhos.

Significado do cartaz
O cartaz da Vigília pelos Mortos de Aids comunica, de forma direta e simbólica, um convite à memória, à fé e ao compromisso com a vida. O fundo vermelho expressa a intensidade da dor pelas perdas, mas também a força da vida que resiste, colocando em evidência a realidade do HIV/Aids que não pode ser esquecida.

O título destaca o sentido da vigília como atitude de cuidado e permanência: lembrar é também assumir responsabilidade. Nesse horizonte, o cartaz se conecta com o International AIDS Candlelight Memorial, reforçando a dimensão comunitária e global desse gesto.

Entretanto, o estigma e o preconceito ainda permanecem entre as maiores formas de violência enfrentadas pelas pessoas que vivem e convivem com o HIV. Muitas continuam sofrendo discriminação nos espaços sociais, familiares, religiosos e de trabalho. A doença não pode ser compreendida como castigo, culpa ou consequência moral. O adoecimento faz parte da condição humana e exige acolhida, cuidado e compaixão.

Celebre a vigília pelos mortos da Aids
Celebre junto com a Pastoral da Aids a Vigília pelos mortos de Aids. Estão disponíveis cartaz, folheto e spots para rádio. Entre em contato através secretaria@pastoralaids.org.br , telefone 51 33466405.

Papa aos universitários: sejam artesão de paz, o rearmamento enriquece as elites


Em incisivo discurso na Universidade Sapienza de Roma, Leão XIV falou da vocação dos jovens de não se fecharem entre ideologias e fronteiras nacionais. E fez uma dura crítica diante do aumento dos gastos militares: "Não se chame de 'defesa' um rearmamento que aumenta as tensões e a insegurança, empobrece os investimentos em educação e saúde, desmente a confiança na diplomacia, enriquece elites a quem nada importa o bem comum".

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

O Papa Leão pronunciou um discurso eloquente diante do corpo docente e discente na Aula Magna da Universidade Sapienza de Roma. Trata-se da primeira visita do Pontífice a esta renomada instituição, uma das mais prestigiosas e antigas da Europa, com 723 anos de fundação.

Ao chegar, o Santo Padre rezou na Capela Universitária “Divina Sapienza”. Na sequência, saudou um grupo de estudantes. No prédio do Reitorado, manteve um colóquio privado com a Magnífica Reitora, Antonella Polimeni, e assinou o Livro de Honra. Houve também a inauguração de uma placa de recordação da visita, a saudação aos membros do Senado Acadêmico e aos funcionários da Universidade. Ainda houve tempo para conhecer a mostra “La Sapienza e os Papas”.

Papa visita a mostra (@Vatican Media)

Somos um desejo, não um algoritmo!
Já na Aula Magna, Leão XIV falou desta Universidade como um polo de excelência em diversas disciplinas e enalteceu seu empenho em favor do direito ao estudo e maniestou seu apreço pelo acordo assinado entre o instituto e a Diocese de Roma, para a abertura de um "corredor humanitário universitário" com a Faixa de Gaza. E a primeira mensagem do Pontífice foi dirigida aos estudantes.

"Imagino-os, às vezes, despreocupados, felizes com a própria juventude que, mesmo em um mundo conturbado e marcado por terríveis injustiças, lhes permite sentir que o futuro ainda está por escrever e que ninguém pode roubá-lo de vocês."

Jovens, disse o Papa, como Santo Agostinho, irriquietos, como demonstram as centenas de perguntas que os estudantes dirigiram ao ele. Esta inquietude, todavia, esconde também um lado triste. Muitos sofrem com a pressão das expectativas e a exigência de desempenho, exacerbando a competitividade. "É justamente esse mal-estar espiritual de muitos jovens que nos lembra que não somos a soma do que possuímos nem uma matéria aleatoriamente agrupada de um cosmos mudo. Somos um desejo, não um algoritmo!"

Papa saúda os estudantes (@VATICAN MEDIA)

Sim à vida dos povos que clamam por paz e justiça!
E justamente essa dignidade conduz a duas perguntas, uma de caráter existencial - "Quem sou?" - e outra mais relacional - "Que mundo estamos deixando?". Sobre esta segunda questão, o Pontífice se deteve de maneira mais contudente, para responder que, infelizmente, se trata de mundo deformado pelas guerras e pelas palavras de guerra.

"Trata-se de uma contaminação da razão, que, a partir do plano geopolítico, invade todas as relações sociais", explicou o Santo Padre. A simplificação que cria inimigos deve, portanto, ser corrigida. O grito “nunca mais a guerra!” dos antecessores deve se aliar com o senso de justiça que habita o coração dos jovens, com a sua vocação de não se fecharem entre ideologias e fronteiras nacionais. Ao falar da ecologia e do aumento com os gastos militares, Leão XIV entrou no coração do seu discurso:

“Não se pode chamar de “defesa” um rearmamento que aumenta as tensões e a insegurança, empobrece os investimentos em educação e saúde, desmente a confiança na diplomacia e enriquece elites que nada se importam com o bem comum. É preciso, além disso, vigiar o desenvolvimento e a aplicação da inteligência artificial nos âmbitos militar e civil, para que ela não retire a responsabilidade das escolhas humanas e não agrave a tragédia dos conflitos. O que está a acontecer na Ucrânia, em Gaza e nos territórios palestinos, no Líbano e no Irã ilustra a evolução desumana da relação entre a guerra e as novas tecnologias numa espiral de aniquilação. O estudo, a investigação e os investimentos devem seguir na direção oposta: que sejam um «sim» radical à vida! Sim à vida inocente, sim à vida jovem, sim à vida dos povos que clamam por paz e justiça!”

Eis então a exortação do Papa aos jovens: não ceder à resignação, transformando a inquietação em profecia; estudar, cultivar e zelar pela justiça; ser artesãos da verdadeira paz, usando a própria inteligência e coragem.

Papa saúda a reitora (@Vatican Media)

A arte de ensinar
Já os professores ouviram de Leão XIV palavras exaltantes ao comparar o ensino a uma forma de caridade: é como "socorrer um migrante no mar, um pobre na rua, uma consciência desesperada".

"Trata-se de amar sempre e em todas as circunstâncias a vida humana, de valorizar suas possibilidades, de modo a falar ao coração dos jovens, sem se concentrar apenas em seus conhecimentos. Ensinar torna-se, então, testemunhar valores com a vida: é cuidado com a realidade, é senso de acolhimento para com o que ainda não se compreende, é dizer a verdade." O conhecimento, acrescentou o Papa, não serve apenas para alcançar objetivos profissionais, mas para discernir quem se é. O Pontífice então concluiu:

"A minha visita pretende ser um sinal de uma nova aliança educativa entre a Igreja que está em Roma e essa prestigiosa Universidade, que nasceu e cresceu precisamente no seio da Igreja. Asseguro a todos vocês que os terei presentes em minhas orações e, de todo o coração, invoco sobre toda a comunidade da Sapienza a bênção do Senhor. Obrigado!"

Vamos construir um mundo novo!
Já do lado de fora da Universidade, antes de regressar ao Vaticano, Leão XIV fez um último convite aos jovens: "Vamos colaborar juntos, pois todos nós somos construtores da paz no mundo; vamos trabalhar, estudar e fazer tudo o que for possível — desde as relações entre amigos, nossas palavras e nossa maneira de pensar — para construir a paz no mundo. Tenham sempre esperança na possibilidade de construir um mundo novo!".

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EVANGELHO DO DIA (Jo 15,9-17)

ANO "A" - DIA: 14.05.2026
6ª SEMANA DA PÁSCOA (VERMELHO)
MARTÍRIO DE SÃO MATIAS-APÓSTOLO

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Eu vos designei para que vades e deis frutos e o vosso fruto permaneça.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 9 Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10 Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11 Eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. 12 Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13 Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. 14 Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15 Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16 Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17 Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Chamo-vos amigos, e não servos"

Chamo ao relacionamento com o Pai
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Eu não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque dei a conhecer tudo o que ouvi do meu Pai” (Jo 15,9-17)

Meus irmãos, hoje, 14 de maio, nós celebramos, com a Igreja, a festa de São Matias, o apóstolo. A festa de hoje nos fala de uma eleição realizada num clima de comunhão e oração. Eu não li o texto da Primeira Leitura da liturgia de hoje, mas ele está no livro dos Atos dos Apóstolos.

A eleição e o chamado à amizade
O texto fala de alguém que se junta ao grupo, que pode somar; fala da apresentação de dois nomes, um momento de oração e invocação do Espírito Santo, uma votação e a escolha de Matias. Matias substituiu Judas Iscariotes, que traiu Jesus. Como seria lindo se nossas escolhas dos cargos na Igreja se dessem nesse clima e com essa tonalidade!

Vemos ainda tanto carreirismo e gente interessada mais em fazer o próprio nome do que evangelizar! Para completar essa reflexão de hoje, o Evangelho nos ajuda bem quando Jesus expõe aos discípulos que tipo de relacionamento ele tem com eles. Eu vos chamo amigos, porque dei a conhecer tudo o que eu vi do meu pai. Não há amor maior do que dar a vida pelos amigos.

A liderança é uma entrega total
Um plano de governo para quem quer liderar uma comunidade, coordenar um grupo ou presidir um colegiado, quem quer que seja, precisa estar disposto a dar a vida por esta obra, por esses irmãos. Jesus diz que é Ele quem escolhe aqueles que Ele quer à frente das Suas obras. Apesar da mediação humana em uma eleição, por exemplo, é Deus quem dispõe, no coração daqueles que Ele chama, o desejo de server-Lhe.

Ai daqueles que tentam usurpar o poder que só Deus pode conferir a alguém na sua Igreja! Ai daqueles que fazem dos postos de governo um palco de exibição para ganhar fama e prestígio! Quem trabalha seriamente servindo a Deus em algum cargo sabe muito bem o peso do serviço de autoridade.

São Matias intercede por nossas comunidades e pelas lideranças da nossa Igreja. Tudo é por Deus e somente por Ele.

Sobre todos vós, desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova