terça-feira, 12 de maio de 2026

O amor e o cansaço silencioso de quem cuida

Por que cuidar dói?

Cuidar de alguém com doença crônica ou grave exige mais do que presença física, exige entrega emocional contínua, dia após dia, sem prazo definido. Com o tempo, muitos familiares e cuidadores começam a sentir um cansaço que não se resolve com uma boa noite de sono. É a fadiga da empatia: um estado em que a pessoa, por tanto se colocar no lugar do outro, vai se esvaziando por dentro. Nos atendimentos, é comum ouvir relatos de quem ama, serve e permanece, mas já não consegue sustentar o mesmo equilíbrio de antes. Surge a culpa por se sentir cansado. Surge o medo de falhar. E, aos poucos, a própria vida vai sendo silenciosamente deixada de lado.

Crédito: TatyanaGl / GettyImages

Quando o corpo e a mente começam a falar
Esse desgaste não fica apenas no campo emocional. Ele aparece em sinais concretos: irritabilidade, tristeza persistente, dificuldade de concentração, sensação constante de sobrecarga. O cuidador passa a viver em estado de alerta permanente. Em um dos acompanhamentos clínicos, uma paciente cuida da mãe com demência. Durante a noite, precisa acordar várias vezes para reorientá-la, e, no dia seguinte, enfrenta consultas, decisões médicas e a dureza do cotidiano com um cansaço que já não se disfarça. A fadiga começa a aparecer na irritabilidade com o parceiro, no afastamento das atividades que antes lhe davam prazer, nas dores no corpo, na insônia, na dificuldade de organizar os próprios pensamentos. Esse cenário não é exceção. Repete-se em silêncio em muitas realidades.

A fé como sustento
À luz da fé, é importante recordar que o cuidado não pode excluir quem cuida. A tradição espiritual ensina o valor da entrega, mas aponta igualmente para o cuidado integral da pessoa. Jesus, mesmo diante das multidões, retirava-se para rezar e descansar, e esse gesto revela que servir não é se abandonar. Muitos cuidadores, em sua generosidade, esquecem que também precisam ser sustentados. A oração, a escuta espiritual e o acompanhamento são caminhos que ajudam a reorganizar o interior; não como fuga da realidade, mas como fonte renovada de força e sentido.

Cuidar de si também faz parte
Reconhecer a fadiga da empatia é um ato de honestidade e coragem. Não diminui o amor; pelo contrário, protege para que ele continue existindo de forma saudável e sustentável. Cuidar do outro pede também cuidar de si: estabelecer limites, buscar rede de apoio, respeitar o próprio tempo e o próprio limite. A promoção da vida passa necessariamente por essa consciência. Quando o cuidador se permite ser cuidado, ele não enfraquece sua missão, ele a sustenta com mais equilíbrio, mais presença e mais dignidade.

Alex Garcia Costa
Psicólogo e Filosofo
CRP 06/108306

Santa Joana de Portugal

Joana, nascida no ano de 1452 em Lisboa, Portugal, era a filha primogênita do rei D. Afonso V, da Casa de Avis, e da rainha D. Isabel. Seu nome vem da devoção da mãe a São João Evangelista. Recebeu ótima educação religiosa e humanística, sendo muito querida pelo pai, bela e graciosa, de temperamento dócil e perseverante. Apresentava grande inclinação religiosa, mas sua formação era direcionada para que pudesse ser rainha.

De fato, com 15 anos, com a morte da mãe, teve que assumir temporariamente encargos governamentais, como Princesa Regente, Herdeira da Coroa de Portugal, pois neste ano de 1471 seu pai partira em expedição militar a Arzila, no Marrocos. Contudo, o nascimento do seu irmão, o futuro rei D. João II, acabou por desobrigá-la, ao menos parcialmente, destas funções.

Por si, desejava e praticava uma vida de penitente, passando as noites em oração. Jejuava com frequência, especialmente às sextas-feiras, usava cilício, e como insígnia real portava uma cora de espinhos.

Dedicava-se à contemplação, leitura religiosa, penitências; cuidava pessoalmente dos pobres que acorriam ao palácio, anotando o nome de cada um, sua condição particular, e o dia em que deveria ser dada a esmola. Amparava também os enfermos, os prisioneiros e os religiosos. A cada Semana Santa, lavava os pés de 12 mulheres pobres, providenciando para elas roupas, alimentos e dinheiro.

Pretendia consagrar-se à vida religiosa num convento. Mas sofreu pressões para o casamento, tanto pelas circunstâncias políticas de sucessão ao trono quanto por sua beleza, personalidade e alta formação. Recebeu propostas matrimoniais de Carlos VIII da França, Maximiliano da Áustria e de Ricardo III da Inglaterra, recusando veementemente a todos.

Aos 19 anos, conseguiu convencer o pai a permitir sua vida religiosa, como oferecimento a Deus pelas muitas vitórias recentes que o rei havia conquistado, em Arzila e Tânger; ele se convenceu da sua vocação, e Joana entrou no Mosteiro de Odivelas em 1471. Em 1475 mudou para o Convento dominicano de Jesus de Aveiro, na busca de uma regra com disciplina mais austera.

Porém nunca chegou a professar os votos definitivos na vida religiosa, tanto por causa de questões de saúde quanto pelo fato de que permanecia potencialmente como herdeira do trono, chegando a ter que voltar à corte várias vezes. Ainda assim seguia com rigor louvável as regras conventuais e se dedicava aos serviços mais humildes, como verdadeira monja, despojando-se de tudo.

Faleceu em 12 de maio de 1490, amada em vida pelos portugueses por sua santidade, e venerada depois da morte pelos milagres que a sua intercessão obtinha. É padroeira da cidade de Aveiro.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

A sabedoria dos santos os faz perceber quanto é melhor servir a Deus, na humildade e simplicidade, do que viver as honrarias sociais e políticas, quando recebem a vocação de vida religiosa. Naturalmente, a santidade não depende de uma vida num mosteiro, e os muitos santos nobres, reis e rainhas, bem como os de inúmeras profissões e diferentes condições de vida, atestam esta verdade. Mas nunca é fácil a renúncia às comodidades de uma vida legitimamente régia, especialmente numa jovem pessoa com beleza física, personalidade marcante e destacada formação cultural. Por muito menos, somos facilmente tentados a relaxar os deveres da nossa vida espiritual, mesmo no estado leigo… Mas é importante também destacar que, em contraste com o nosso século, paganizado, na época de Joana, numa Europa católica, mesmo a realeza civil sabia inclinar-se à maior nobreza espiritual, preservando assim a correta hierarquia de valores que deve permear qualquer tipo de organização social e política. Tais valores, vindos de Deus e portanto eternos e imutáveis, nunca estão ultrapassados e serão sempre soberanos para as decisões e organização humana. Quando ausentes, constata-se sempre as distorções nas ideias e comportamentos, e os períodos de maior sofrimento para a Humanidade. Não podemos ter medo, assim como Santa Joana, de buscar e viver a regra mais austera, na linha dos valores espirituais e morais, dos quais depende todo o resto das nossas vidas, tanto pessoal quanto comunitariamente: só assim teremos paz e realizaremos o que verdadeiramente nos alegra, e poderemos ser intercessores de bens para os irmãos.

Oração:

Senhor Deus, nosso verdadeiro Pai e Rei, concedei-nos por intercessão de Santa Joana vivermos como ela ao menos o noviciado na realeza da Cruz, preferindo seguir a vocação que na Vossa sabedoria nos levará ao Paraíso do que as qualidades, ainda que legítimas, que possamos ter nesta vida terrena. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Representantes da CNBB participam de encontro pastoral de países do Cone Sul da América Latina



O Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam) promove, nesta semana, de segunda-feira, 5 de maio, e segue até a sexta, em Montevidéu, no Uruguai, a etapa do Cone Sul dos Encontros Regionais, reunindo representantes das Conferências Episcopais do Brasil, da Argentina, do Paraguai, do Uruguai e do Chile.

Também realizado nos anos anteriores, o encontro teve o objetivo de “promover a coordenação, a comunhão e a articulação”. O presidente da CNBB e também do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho, cardeal Jaime Spengler, avalia o encontro no vídeo abaixo. Segundo ele, o encontro é importante para conhecer e compartilhar experiências evangelizadoras das Igrejas presentes no Cone Sul. “Creio que todos nós temos a aprender e crescer uns com outros”, disse.

Análises social e teológico-pastoral
Durante os dias de trabalho, os participantes estudaram a realidade dos países e refletiram a dimensão teológica pastoral na perspectiva da sinodalidade a partir da metodologia da conversa no Espírito, a mesma utilizada no processo do Sínodo sobre a Sinodalidade. Os participantes também visitaram a Fazenda da Esperança, em Montevidéu.

Em análise eclesial durante o Encontro Regional do Cone Sul, a assessora Adriana Silva Castillo, propôs um caminho de reflexão teológico-pastoral para escutar o que Deus nos gritos e desafios da realidade da região.

Em um contexto em que se vivem complexidades sociais, culturais e eclesiais, ela apontou para uma Igreja que escuta, discerne e caminha unida, deixando-se guiar pelo Espírito para responder aos desafios do presente com fidelidade e criatividade.

Já a socióloga uruguaia Cecilia Rossel apresentou um panorama sobre a realidade social, política, econômica. Ela traçou um diagnóstico dos desafios que enfrentam os países do Conse Sul Sul (Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai)

A acadêmica, doutora pela Universidade Complutense de Madri e professora titular da Universidade Católica do Uruguai, enfatizou que as desigualdades persistem mesmo com o crescimento econômico. Ela explicou que “o modelo socioeconômico do Cone Sul reflete uma constante histórica: a desigualdade”, afirmação que resume um dos principais desafios da região.

Embora tenha observado alguns sinais de estabilização após a pandemia, a especialista apontou que o crescimento “não está chegando aos grupos mais vulneráveis”, destacando problemas sociais não resolvidos na Argentina, no Brasil e no Chile.

Delegação brasileira

Do Brasil, participam o presidente e o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB0, cardeal Jaime Spengler e dom Ricardo Hoepers; os subsecretários geral, padre Leandro Megeto, e de Pastoral, padre Tiago Camargo; além de representantes de organismos eclesiais e de universidade: Valquíria Alves, da Cáritas Brasileira; Sônia Gomes, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz; irmã Michele da Silva, da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria e membro da Rede Um Grito pela Vida; e o professor Márcio Paulo Cenci, da Universidade Franciscana de Santa Maria (RS).

Por Willian Bonfim com informações do Celam

Papa: preocupado com a violência no Sahel, incentiva esforços pela paz


Depois da Oração do Regina Coeli o Santo Padre recordou as violências no Shael, o “Dia da Amizade Copta-Católico” e o Dia das Mães.

Silvonei José - Vatican News

O Papa Leão XIV, após a oração do Regina Coeli neste domingo (10/05), demonstrou a sua preocupação pelas notícias que recebeu sobre o aumento da violência na região do Sahel, especialmente no Chade e no Mali, atingidos por recentes ataques terroristas.

“Asseguro minhas orações pelas vítimas e minha solidariedade a todos aqueles que sofrem. Desejo que cesse toda forma de violência e encorajo todos os esforços em prol da paz e do desenvolvimento naquela terra amada”.

Em seguida o Santo Padre recordou que neste dia 10 de maio, como em todos os anos, celebra-se o “Dia da Amizade Copta-Católico”, acrescentando: “dirijo uma saudação fraterna a Sua Santidade o Papa Tawadros II e asseguro minhas orações a toda a amada Igreja copta, na esperança de que nosso caminho de amizade nos conduza à unidade perfeita em Cristo, que nos chamou de “amigos”.

Praça São Pedro (@Vatican Media)
Na sequência o Papa dirigiu suas boas-vindas a todos os presentes na Praça São Pedro, romanos e peregrinos de diversos países! Em particular, saudou o grupo “Guarda de Honra do Sagrado Coração de Jesus”, proveniente de várias cidades da Itália, e os “Voluntários para a Evangelização” ligados à família da Rádio Maria; bem como a Associação de voluntariado “Komen Italia”, empenhada na prevenção do câncer de mama.

Em seguida o agradecimento de Leão XIV ao povo das Ilhas Canárias por terem acolhido o navio de cruzeiro Hondius com os doentes de hantavírus. Estou feliz por poder encontrar-me com vocês no próximo mês, durante a minha visita às ilhas, acrescentou.

O Papa finalizou o encontro com os fiéis dirigindo um pensamento especial a todas as mães, no Dia das Mães!

“Por intercessão de Maria, a Mãe de Jesus e nossa, rezemos com carinho e gratidão por cada mãe, especialmente por aquelas que vivem em condições mais difíceis”.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

EVANGELHO DO DIA (Jo 15,26-16,4a)

ANO "A" - DIA: 11.05.2026
6ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- O Espírito Santo, a verdade, dará testemunho de mim; depois, também vós, neste mundo, de mim ireis testemunhar.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 26 "Quando vier o Defensor que eu vos mandarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. 27 E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o começo. 16,1 Eu vos disse estas coisas para que a vossa fé não seja abalada. 2 Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que aquele que vos matar julgará estar prestando culto a Deus. 3 Agirão assim, porque não conheceram o Pai, nem a mim. 4a Eu vos digo isto, para que vos lembreis de que eu o disse, quando chegar a hora".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O Espírito da verdade"

Espírito Santo, nosso defensor e paráclito
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Quando vier o defensor que eu vos mandarei da parte do Pai, o Espírito da verdade que procede do Pai, ele dará testemunho de mim e vós dareis testemunho porque estais comigo desde o começo. Eu vos disse essas coisas para que a vossa fé não seja abalada.” (Jo 15,26-16,4a)

Meus irmãos e minhas irmãs, estamos na segunda-feira. Ontem, foi o Dia das Mães, oportunidade também para abençoar todas as mães que nos acompanham aqui no nosso canal e dizer da nossa oração, do nosso carinho por todas vocês.

O Espírito que dissipa o caos do coração
Nós estamos nesse tempo de preparação para Pentecostes. Recordemos que, na narração do livro do Gênesis, o Espírito pairava sobre o caos em que se encontrava a Terra. E do caos Ele produziu o cosmos, que é a ordem, a organização de todas as coisas segundo a finalidade para a qual elas foram criadas. Após a morte de Jesus e a Sua ressurreição, as comunidades começaram, em diversas partes, a missão de evangelizar os povos. Jesus mesmo lhes concedeu essa missão.

Por volta do ano 100 da era cristã, os discípulos de Jesus começaram a experimentar o caos produzido pelas perseguições. Milhares foram levados aos tribunais, outros nem a isso tiveram direito. Em resumo, a Igreja de Cristo passava por um momento caótico, de muito medo e de morte. O Evangelho de hoje nos apresenta dois termos para falar dessa presença do Espírito Santo nesse exato momento da vida cristã.

A verdade que nos liberta do medo
Ele usa Parakletós, que quer dizer consolador; e Aletheia, que quer dizer verdade. O Espírito está ao lado do povo cristão para advogar em sua causa, para trazer a Seu povo a certeza da presença divina nos momentos de tribulação. Por isso, não tenhamos medo do Espírito Santo. Ele está conosco justamente para expulsar o medo do sofrimento que ronda os nossos corações. O Espírito também traz a verdade sobre todas as coisas, Aletheia. Essa verdade se estabelece sobre todas as calúnias e difamações que eram, inclusive, proferidas contra os cristãos. E olha que não foram poucas as calúnias que levantaram contra eles!

A força que sustenta a fé
No episódio, por exemplo, do incêndio em Roma, em julho do ano 64, o imperador Nero culpou os cristãos pela destruição de 70% da cidade de Roma. Teve nisso aí uma cruel perseguição contra os cristãos de Roma, que foram mortos e queimados como tochas incandescentes ao longo das ruas da cidade. Uma coisa é certa: a verdade sempre prevalece. Mesmo que, momentaneamente, não seja fácil combater uma mentira, uma fake news, um boato, uma fofoca, um comentário calunioso, no final, a verdade prevalece, porque o Espírito traz a verdade à tona, pois Ele é o Espírito da verdade.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Nossa Senhora nos direciona a viver o caminho da ternura em nosso lar

Mãe Maria, Ele a teve única entre todas as outras, preparada pelo Pai do Céu para ser santa e imaculada

Jesus Cristo se manifestou pequeno e pobre, nascendo em Belém, povoado simples e só aparentemente sem importância, pois “Tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um príncipe que será o pastor do meu povo, Israel” (Mt 2,6). Tomou as vestes da simplicidade, manifestando o maior poder de Deus, que vai ao mais profundo das realidades humanas para resgatá-las em seu amor.

Chamado “Filho do Carpinteiro” José, aprendeu, Ele mesmo, uma profissão humana, trabalhador manual, para que as atividades humanas fossem reconhecidas em sua inigualável dignidade. N’Ele, todo trabalho humano feito com amor é reconhecido como contribuição na edificação do Reino de Deus. Nazaré foi seu ambiente de crescimento na infância, adolescência e juventude, com tudo o que significa convivência sadia, pois se fez igual a nós em tudo, menos no pecado. Foi tão parecido, que seus concidadãos se admiravam pela sabedoria com que agia e falava (cf. Mt 13,54-55), tudo vindo de dentro, do amor infinito, que é só de Deus, e Ele é Deus!

Créditos: germi_p by Getty Images

Numa pessoa, feminina em sua doçura, mulher forte, experimentada na provação, formada nas estradas que foram de Nazaré a Belém, ou passaram pelo Egito, peregrinaram a Jerusalém, foi solícita em Caná e capaz de se fazer discípula do próprio Filho. Declarou-se escrava, e aí estava a sua felicidade, sua bem-aventurança.

Na hora definitiva da obra de salvação, realizada e merecida pelo Senhor Salvador, estava de pé junto à Cruz, colaboradora do Redentor. O amor que perpassou seus pensamentos, palavras e gestos, conduziu-a ao testemunho do derramamento do Espírito Santo no Pentecostes, ela que fora envolvida com a sombra do mesmo Espírito, para a Encarnação do Verbo de Deus. Não fez “grandes” coisas, pois estas foram feitas por Deus em sua história (cf. Lc 1,46-49). Sua vida é apenas e tão somente ser a Mãe do Belo Amor, e o tudo de Deus se realiza em seus passos.

Um dia bonito raiou no Rio Jordão, quando sol, água, vozes, pomba, tudo comparece para que se inaugure o ministério da vida pública de Jesus, amor de Deus feito carne, Filho amado a ser acolhido e ouvido. Testemunha-se ali a revelação da Trindade! É o amor que circula entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É a humanidade que em João Batista se inclina e quer deixar-se batizar na nova e definitiva torrente que brota do Céu. É o amor de Deus que se derrama, pelo Espírito Santo que nos é dado (cf. Rm 5, 5).

O Messias foi aguardado com ansiedade por muitos séculos. Era o desejo profundo da plena comunhão entre o Céu e a Terra. Só que muitas pessoas o imaginavam poderoso nas batalhas, violento para destituir os opressores! Nesse sentido, Jesus decepciona tais expectativas, porque chega num jumentinho, montaria dos pobres, em vez dos garbosos cavalos dos vencedores das guerras ou dos dominadores enriquecidos pelo butim dos povos conquistados.

Ele vem como o Rei da Paz. Aparentemente, terminou Sua missão no fracasso da morte e anunciou apenas o amor que realizou. Venceu a morte, sim, mas sua ressurreição só é conhecida através do testemunho. Com ele, só se pode estabelecer relacionamento através do caminho da fé, que significa confiança gratuita e absoluta e conduz ao amor livre e decidido entre Deus e os homens e as mulheres que criou e entre estes, na reciprocidade do dom e da ternura.

Foi muito difícil para os discípulos de Jesus chegarem à compreensão dos segredos do Mestre. Por três anos, brotaram muitas interrogações em seus corações, pelo fato de serem também herdeiros da expectativa do Povo de Israel. Uma delas é a pergunta a respeito do “seu” mandamento, com a qual pretendiam penetrar no mais íntimo do coração do Senhor (cf. Jo 15, 9-17).

Não lhes revelou qualquer fórmula mágica para os problemas do mundo, mas deu-lhes de presente o próprio Céu, o jeito de Deus viver: “Este é o meu mandamento: Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15, 12). Trata-se de acreditar que o Céu resolve os problemas da terra! É trazer para o dia a dia os critérios de Deus, que nos ama por primeiro, quer para todos vida em abundância, perdoa sempre com misericórdia, a ternura de Deus, que vai ao encontro de quem se perdeu.


Somos continuamente tentados pela eficiência, desejo de resultados rápidos
Esse fenômeno se verifica também nas decisões dos governantes, com as promessas do consumo e do emprego aparentemente estável, ou as políticas compensatórias, cujo preço chega e já chegou.

Como se esvaiu um admirável mundo novo que se proclamou realizado! E infelizmente muitos almejam um mundo sem rédeas ou limites, religião reduzida à esfera privada, laicismo militante, libertinagem à solta, apenas direitos e nenhuma responsabilidade, desrespeito e eliminação da vida desde o ventre materno, desvalorização da família, da ideologia de gênero, das propostas de mudanças sociais com viés socialista nitidamente anacrônico.

A proposta do Evangelho pode soar ingênua, quando acompanhamos o Jesus de Belém, da Galileia ou do Calvário! Só que não se chega à ressurreição sem passar pela Cruz, loucura aos olhos humanos. Muitos que o seguiram na primeira hora e em todos os tempos o deixaram de lado, pois não oferece tais soluções fáceis. Quando Jesus propõe critérios de Céu, com a disposição para dar a vida uns pelos outros, desmorona a pretensa competição de quem quer derrubar o próximo, destruí-lo para que vença o grupo a que pertencem os que se envolvem nas batalhas da vida. Quem o segue deverá escolher a força da não violência, o amor simples e sincero que vai ao encontro dos outros, as armas da paz, a queda das muralhas que separam as pessoas e o gosto pelo diálogo.

Nestes dias, vale olhar para figuras tão simples quanto emblemáticas na Igreja e na Sociedade, as Mães, cujo dia celebramos. A ternura que revelam é um sinal precioso do amor de Deus. O profeta Isaías nos mostra em palavras preciosas a linda comparação do amor de Deus com o amor materno: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca” (Is 49,15).

Às mães é confiado o tesouro da vida, conservado no íntimo de seu ventre, e delas a vida recebe calor, estímulo, afeto e ternura. Sua coragem para cuidar dos filhos, o zelo que muitas vezes faz assumir sozinhas a educação de seus queridos, amor que não se explica, mas acontece e é cada dia mais intenso. Nelas encontremos o testemunho e a verdadeira pregação do mandamento do amor. Elas valem e mudam o mundo!

E por falar em família e ternura, o Papa Francisco fez justamente um apelo a um caminho diferente daquele que muitas vezes se percorre no mundo: “Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então, guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas ou as más intenções, aquelas que edificam e as que destroem… Cuidar, guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!” (cf. Homilia do dia 19 de março de 2013, Solenidade de São José).
É jeito de Céu, é o mandamento do Amor!

Autor: Dom Alberto Taveira
Arcebispo Emérito de Belém do Pará

Santo Inácio de Láconi

Francisco Inácio Vincenzo Peis nasceu em 17 de novembro de 1701, na cidade de Láconi, era de família pobre, mas rica em virtudes humanas e cristãs.

Desde pequeno possuía dons especiais e um forte carisma. Ainda adolescente praticava severas penitências e rigorosos jejuns, mantendo seu espírito sereno e alegre, em estreita comunhão com Cristo. Ele não foi à escola e nunca aprendeu a ler, mas ia à missa diária e era coroinha.

Quando tinha 18 anos ficou gravemente doente, e fez uma promessa de seguir os passos de São Francisco de Assis caso fosse curado, mas não a cumpriu. Dois anos depois o seu cavalo correu em direção a um precipício, mas parou repentinamente e Vicenzo foi salvo pela segunda vez e resolveu cumprir a promessa de se dedicar aos doentes e pobres, como São Francisco.

Foi para o Convento Capuchinho do Bom Caminho em Cagliari, para viver entre os frades, mas não foi aceito por causa de sua saúde frágil. Depois de muitas tentativas, foi aceito pelos capuchinhos em 10 de novembro de 1721.

Passou por muitos conventos até se estabelecer finalmente no Convento do Bom Caminho em Cagliari, onde era encarregado da portaria, função que desempenhou até a morte.

Tinha o verdadeiro espírito franciscano: exemplo vivo da pobreza, entretanto, de absoluta disponibilidade aos pobres, aos desamparados, aos doentes físicos e aos doentes espirituais, ou seja, aos pecadores, muitos dos quais conseguiu recolocar no caminho cristão.

Nos últimos cinco anos de sua vida, Inácio ficou completamente cego. Mesmo assim continuou cumprindo com rigor a vida comum com todos os regulamentos do convento. Morreu no dia 11 de maio de 1781. Depois da morte a fama de sua santidade se fortaleceu com a relação dos milagres alcançados pela sua intercessão.

Frei Inácio de Láconi foi beatificado pelo Papa Pio XII em 1940 e depois canonizado por este mesmo Papa em 1951. O dia designado para sua celebração litúrgica foi o de sua morte: 11 de maio.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR e Nathália Queiroz de Carvalho Lima

Reflexão:

Santo Inácio nunca aprendeu a escrever, não tinha estudo nem grandes conhecimentos, viveu uma vida simples, humilde, sem grandes feitos, mas na sua pequenez se tornou grande em Cristo, grande no amor. Um homem comum que se fez santo na vida cotidiana. Aprendamos a valorizar a simplicidade daqueles que reconhecendo-se humildades transparecem o amor e a bondade de Deus pelos homens.

Oração:

Ó Deus, concedei-nos, pelas preces de Santo Inácio de Láconi, a quem destes perseverar na imitação de Cristo pobre e humilde, seguir a nossa vocação com fidelidade e chegar àquela perfeição que nos propusestes em vosso Filho. Por Cristo nosso Senhor. Amém!

quinta-feira, 7 de maio de 2026

CCM oferece cursos de atualização missionária para párocos e vigários e diáconos permanentes



O Centro Cultural Missionário (CCM) recebe inscrições para duas formações sobre atualização missionária: uma voltada para párocos e vigários paroquiais e outra destinada aos diáconos permanentes. Os cursos serão realizados no próximo mês de junho e serão oportunidade para refletir e aprofundar a dimensão missionária nas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e refletir sobre a identidade e a missão diaconal.

Atualização missionária para diáconos permanentes
Voltado para diáconos permanentes, suas esposas e candidatos ao diaconato permanente em formação, o curso de atualização missionária pretende animar a vivência da identidade missionária, fortalecer na vivência da espiritualidade, ajudar e orientar no processo de conversão pastoral-missionária.

Segundo o CCM, será tratada a identidade e a missão do diácono “como apóstolo da caridade, destacando seu papel no serviço aos pobres e na promoção da caridade cristã dentro da Igreja e da sociedade, à luz do Evangelho, da Exortação apostólica do Papa Leão XIV Dilexi te: Sobre o amor para com os pobres”.

A metodologia contará com reflexões temáticas; trabalho em grupos e partilha de experiências; momentos orantes e celebração eucarística; utilização de recursos audiovisuais e indicações de referências bibliográficas para aprofundamento da reflexão pessoal.

Ao final, serão concedidos certificados pela Faculdade de Teologia da Arquidiocese de Brasília (FATEO) e pelo Centro Cultural Missionário (CCM).

O curso será oferecido de forma presencial, em Brasília (DF), de 15 a 19 de junho.


Atualização Missionária para párocos e vigários paroquiais
O curso destinado aos padres, seja os que atuam como párocos, seja os que são vigários, tem o objetivo de aprofundar a compreensão da missão como eixo integrador da vida e da atividade eclesial/paroquial a partir das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil “em vista do processo de conversão pastoral missionária das paróquias”.

“Este ano, o curso pretende oferecer-lhes oportunidade de refletir o conteúdo das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e, assim, ajudá-los a dar passos no processo de conversão pastoral missionária nas paróquias onde atuam”, explica o diretor geral do CCM, padre Antônio Valdeir Duarte de Queiróz .

A formação será realizada de 29 de junho a 2 de julho deste ano, na sede do Centro Cultural Missionário, em Brasília. A metodologia utilizará de reflexões temáticas; trabalho em grupos e partilha de experiências; momentos orantes e celebração eucarística; recursos audiovisuais; e indicações de referências bibliográficas para aprofundamento da reflexão pessoal. Ao final, será concedido certificado pelo Instituto São Paulo de Estudos Superiores (ITESP) e pelo Centro Cultural Missionário (CCM).


Luiz Lopes Jr