sexta-feira, 20 de março de 2026

EVANGELHO DO DIA (Jo 7,1-2.10.25-30)

ANO "A" - DIA: 20.03.2026
4ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Glória a Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!
- O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 Jesus andava percorrendo a Galileia. Evitava andar pela Judeia, porque os judeus procuravam matá-lo. 2 Entretanto, aproximava-se a festa judaica das Tendas. 10 Quando seus irmãos já tinham subido, então também ele subiu para a festa, não publicamente mas sim, como que às escondidas. 25 Alguns habitantes de Jerusalém disseram então: "Não é este a quem procuram matar? 26 Eis que fala em público e nada lhe dizem. Será que, na verdade, as autoridades reconheceram que ele é o Messias? 27 Mas este, nós sabemos donde é. O Cristo, quando vier, ninguém saberá donde ele é". 28 Em alta voz, Jesus ensinava no Templo, dizendo: "Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, 29 mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou". 30 Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A vida renovada por meio do encontro pessoal com Cristo"

Jesus passa por nós e a sua presença restaura a nossa vida
Naquele tempo, em alta voz, Jesus ensinava no tempo dizendo: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou. Eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse não o conheceis, mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou. Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora” (João 7,1-2.10.25-30).

Jesus não chega em Jerusalém com efeitos especiais, de forma extraordinária, mas de modo normal, como continuidade daquilo que Ele já vinha realizando na Galileia. Acontece que nós estamos nos acostumando tanto com as coisas espetaculares, que nós não nos damos conta mais da presença de Deus na nossa vida, nas coisas cotidianas, nos sinais que ele nos dá sempre.

Superando a insensibilidade espiritual em nossa vida
Deus tem passado através de fatos e situações, e muitas vezes nós não nos damos conta disso. O perigo da cegueira e da insensibilidade à presença de Deus ronda constantemente os nossos corações. Por isso o período da Quaresma nos dá essa leveza.

Acontece que as expectativas que fazemos na nossa vida são tão altas, que levamos isso para a nossa relação com Deus. Daí, se ele não chega de forma surpreendente, parece que não é Deus, e nós perdemos a chance de mudar o rumo da nossa vida.

Por isso a caminhada quaresmal, como eu falei, funciona como uma espécie de detox. Desculpe o termo, mas é uma palavra muito de moda hoje. É necessário esse detox espiritual para que enxerguemos o Cristo e nos deixemos tocar pela Sua graça salvadora.

Um encontro pessoal com Cristo que transforma
Não percamos tempo nem oportunidade de um belo encontro pessoal com o Cristo nessa caminhada quaresmal. Hoje, mais uma vez, Ele está passando na nossa vida e nos chamando a um compromisso ainda maior com o Seu Evangelho, com a Sua verdade.

Abra o seu coração para que essa Quaresma seja, de fato, um encontro definitivo com a vida de Cristo que transforme toda sua vida.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Eu vim para servir a quem? O chamado de Efésios para servir a Deus


O chamado para uma entrega total a servir a Deus
A palavra de Deus, hoje, está em Efésios 6,5-8: Servir. Eu vim para servir a Deus. O acréscimo vem depois. Senhor, o que queres de mim? O que queres que eu faça? São perguntas que eu faço para mim, e estou fazendo para você agora, neste momento: você se esgota até o fim por Jesus?
A semente da Palavra: obediência e sinceridade de coração
A Escritura nos exorta: “Servos, obedeceis a vossos senhores temporais com temor e solicitude de coração sincero como a Cristo”. Não se trata de mera ostentação ou de agradar aos homens, mas de agir como servos de Cristo que fazem de bom agrado a vontade de Deus.

Meus irmãos, nós vivemos num mundo que tem os nossos superiores. Se eu faço um concurso ou arrumo um emprego em uma loja, eu preciso saber trabalhar com meus superiores e seguir os métodos. É uma submissão necessária neste mundo material, pois servir com dedicação aos homens, quando feito por amor ao Senhor, é o que nos garante a recompensa divina, quer sejamos escravos ou livres.

A lição da companhia de pesca: unidade e humildade no serviço
É importante partilhar algo que o Padre Jonas nos ensinou na fundação da Canção Nova. Ele teve a inspiração da Companhia de Pesca. Pense bem: em uma companhia de pesca, você precisa do condutor do barco, do fabricante de gelo, daquele que lança a rede e daquele que a recolhe. Depois, há quem empacota e separa os peixes, pois cada um tem seu preço e destino.

Olha que coisa interessante: na mesma hora em que eu sou o responsável ou chefe de um departamento, quando eu saio daquela porta, eu sou submisso a alguém. Não existe essa “superioridade humana” de dizer “eu sou o tal”. Hoje, estou aqui; amanhã, ali. Hoje, sou chefe; amanhã, submisso. Na cadeia de uma companhia de pesca, todos são responsáveis e todos precisam uns dos outros. Essa é a igualdade em comunhão que devemos viver.
O perigo da morneza: você está disposto a se esgotar por Jesus?
Eu pergunto a você: o que quer dizer “esgotar-se”? Significa dar a sua vida por inteiro a Jesus. Não dá para ser “mais ou menos”. Para Jesus, não podemos esquecer que o morno vomita. Deus, em Sua misericórdia, atinge os quentes e os frios, mas o morno é instável, pois você nunca sabe o que ele pensa. Ou somos de Cristo, ou não somos.

Ganhar o mundo inteiro e perder a vida por Jesus — você está disposto? Se você deu a sua vida por Ele, não comece a arrumar “subjetivos” para viver em cima do muro. Ele deve ser o centro; dentro de você, só deve caber Jesus.

É possível realizarmos o impossível com Deus? Deixo essa pergunta para você responder no seu coração. Saiba que quanto mais tivermos esse diálogo franco, mais convictos ficaremos de que Deus é por nós e nada será contra nós.

Deus abençoe o seu dia. E nunca se esqueça: com Jesus e Maria, sempre somos vencedores. Amém!

Do seu amigo,

Wellington Silva Jardim – Eto
Cofundador da Comunidade Canção Nova

São Martinho de Braga

Martinho nasceu na Panônia, atual Hungria, no século VI, provavelmente no ano de 518. Jovem, foi para o Oriente, onde estudou Grego e ciências eclesiásticas, com tal distinção que Santo Isidoro o chamou de ilustre na Fé e na Ciência, e São Gregório de Tours o considerava como um dos homens insuperáveis do seu tempo. Voltando ao Ocidente, continuou os estudos, em Roma e na França, tendo a oportunidade de conviver com as pessoas de maior eminência em santidade e saber da época. Em especial, visitou o túmulo de São Martinho de Tours, de quem era especialissimamente devoto.

Foi então que conheceu o rei Charrico dos suevos. Este era um povo de origem germânica que invadiu a Península Ibérica (Hispânia do Império Romano) em 409, tendo ali permanecido até 585, quando foram derrotados pelos visigodos; inicialmente ocuparam a antiga província romana da Galécia (atual norte de Portugal e Galiza), estendendo-se ao Rio Tejo, na região da Lusitânia, e sua capital era Bracara Augusta (hoje Braga). Martinho acompanhou Charrico na volta ao seu reino, em 550, e apesar de que desde 448 a Galécia abraçava o Cristianismo, ali ainda havia restos do gentilismo (isto é, paganismo) e expansão do arianismo, por causa da grande ignorância religiosa.

Martinho foi um dos principais obreiros da cristianização e do monaquismo nesta região da Península. A partir de Dume, aldeia próxima de Bracara Augusta, onde fundou um mosteiro, iniciou sua evangelização. Caso único na história da Igreja, a Diocese de Dume por ele criada incluía apenas o mosteiro, e em 556 Martinho foi seu primeiro bispo, pois o bispo de Braga, que lhe concedeu o episcopado, reconheceu sua santidade, zelo e saber.

Em 559 o arianismo já estava praticamente extinto no reino suevo. Em 569 Martinho assumiu também a Sé de Braga, que, como capital do reino e sede episcopal, ganhou importância duradoura, sendo até hoje a Sé metropolita, ou primaz, das dioceses no noroeste português. Ele fundou também, pessoalmente, a igreja e o mosteiro de São Martinho de Tours, em Cedofeita, na atual cidade do Porto, na época um importante posto militar e administrativo (num burgo de nome Cale Castrum Novum – Castelo Novo de Cale –, havia um porto, Portus Cale ou Porto de Cale, atual Ribeira às margens do Rio Douro, cujo nome deu origem ao nome Portugal; Porto foi a capital, isto é, residência real, centro administrativo e sede diocesana do final do domínio suevo).

Em 561-563 Martinho convocou o 1° Concílio de Braga, quando proibiu que se cantassem muitos dos hinos e cantos de caráter popular nas missas e celebrações; com o tempo, a música litúrgica foi sendo fixada no Cantochão (do qual deriva o Canto Gregoriano, forma musical oficial da Igreja, próprio para as celebrações litúrgicas, pois eleva com serenidade a mente e a alma a Deus, sem distrações). Em 572, houve o 2° Concílio de Braga, e nesta ocasião ele registrou: “Com a ajuda da graça de Deus, nenhuma dúvida há sobre a unidade e retidão da fé nesta província”. De fato, um escrito de 580, o “Paroquial Suévico” relaciona 13 dioceses e 134 paróquias na região, embora também alguns “pagus”, paróquias arianas ou não cristãs.

São Martinho foi um profícuo e profundo escritor, abordando temas morais, teológicos, canônicos e monásticos. Além de “Escritos canônicos e litúrgicos”, outras das suas principais obras são: Aegyptiorum Patrum Sententiae (“Sentenças dos Padres Egípcios”, que traduziu e comentou), De Correctione Rusticorum (“Da Correção dos Rústicos”, livro simples e claro para a evangelização dos pagãos – não confundir com “Como Catequizar os Rudes”, de Santo Agostinho), Formula Vitae Honestae (“Fórmula da Vida Honesta”, durante séculos atribuído a Sêneca e dirigido ao rei suevo, enfatizando a Justiça aos responsáveis pelo governo), De Moribus (“Tratado dos Costumes”), De ira (“Da Ira”, comentário ao livro homônimo de Sêneca, e no mesmo espírito do ditado latino ira furor brevis est, de Horácio – “a ira é uma loucura de curta duração”), Pro Repellenda Jactantia (“Para Repelir a Jactância”), Item de Superbia (“Acerca da Soberba”), Exhortatio Humilitatis (“Exortação da Humildade”).

Importantíssima contribuição de Martinho na história da cultura e língua portuguesas foi a adoção dos atuais nomes dos dias da semana: segunda-feira, terça-feira, etc.. Até então, todas as línguas utilizavam nomes de deuses pagãos para este fim, relacionados aos astros, o que se mantém até hoje exceto no Português; na origem, Latim Lunae dies para o “dia da lua”, depois Espanhol Martes para o “dia de Marte”, Inglês Saturday para o “dia de Saturno”, etc.. Martinho utilizou uma nomenclatura escolástica, Feria ou Festa (de onde “feriado”), no caso, litúrgica: Feria secunda, Feria tertia, Feria quarta, Feria quinta, Feria sexta, Sabbatum, Dominica Dies, o sábado em referência ao Shabat sagrado dos judeus, que no Catolicismo foi substituído pelo “dia do Senhor (Dominus)”, o domingo. Assim a perspectiva pagã foi substituída no povo católico pela referência ao Deus Uno e Trino, o Qual nos concede o tempo. Como o 1° Concílio de Braga, quando foi feita esta substituição, era um concílio local e não de toda a Igreja, as demais línguas neolatinas permaneceram com as origens pagãs. Os mais antigos documentos em Português já trazem a mudança, uma mostra de que a partir dos suevos latinizados já houve a compreensão da maior dignidade desta nomenclatura para os fiéis católicos.

De fato, dentre os povos germânicos invasores, os suevos são reconhecidos como os de maior influência e importância para a formação de Portugal, tanto geograficamente quanto dos nomes e diversos aspectos da cultura local, bem como da sua base genética. Também São Martinho de Braga, pela sua obra de evangelização, pelos seus escritos, pelo impulso cultural do mosteiro de Dume, que cresceu por toda a Idade Média, marcou profundamente a cristianização, história e cultura da Península Ibérica, notadamente Portugal.

São Martinho faleceu em 20 de março de 579. Escreveu seu próprio epitáfio, honrando seu patrono particular São Martinho de Tours, que termina assim: “Tendo-te seguido, ó Patrono, eu, o teu servo Martinho, igual em nome que não em mérito, repouso agora aqui na paz de Cristo”. É também conhecido como Martinho de Braga ou Martinho de Dume, Martinho Dumiense, Martinho Bracarense ou Martinho da Panônia. É considerado Apóstolo dos Suevos e principal padroeiro da arquidiocese de Braga. A sua festa litúrgica oficial, no Calendário Romano, é a 5 de dezembro, mas a 22 de outubro na diocese de Braga e 20 de março em Portugal e na igreja Ortodoxa, que também o reconhece como santo.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

A imensa obra de São Martinho de Braga é centrada na sabedoria, santidade e apostolado a partir dos mosteiros, um método extremamente eficaz de fixar a vida católica numa região, pois como centros de paz, virtudes, conhecimento, espiritualidade, atraem e enraízam a Palavra de Deus entre os povos. Durante toda a Idade Média ocidental, este foi o meio mais importante para difundir e estabelecer a Igreja nas ruínas do antigo Império Romano e no caos dos invasores bárbaros. Mas o seu zelo também deu atenção à Liturgia, já naquela época sofrendo alguns abusos; a música na Missa tem um propósito específico relacionado à oração, e não à simples manifestação de alegria, por exemplo. Um zelo semelhante certamente faria muito bem à espiritualidade do povo de Deus, nos dias atuais. Não menos importante é a sua contribuição para a nomeação, mais adequada do ponto de vista da cultura católica, dos dias da semana em Português. Algo muito interessante para ser adotado no orbe da Igreja. Pelos próprios títulos dos seus livros, que indicam suas exortações para a necessidade da humildade para vencer a soberba, a jactância e a ira, e reformular os costumes, pode-se seguir um itinerário de busca da perfeição espiritual, que é o cerne da vida humana: um exemplo a ser imitado por todos os fiéis, assim como ele se espelhou em São Martinho de Tours.

Oração:

Senhor Deus, que na Vossa infinita bondade nos concedestes o tempo, de modo a que todo dia possa ser vivido para Vós e para o bem que devemos fazer nesta vida, concedei-nos por intercessão de São Martinho de Braga conhecer e praticar com amor a Vossa Doutrina, Vossos Mandamentos e Sacramentos, que são a verdadeira fórmula pra a vida honesta que precisamos ter para corrigir os nossos rústicos pecados e então, iguais no nome de irmãos, com o Cristo, embora não iguais nos Seus méritos, repousemos infinitamente na Vossa paz. Pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Amém.

quarta-feira, 18 de março de 2026

CNBB reúne canonistas e propõe aprofundamento sobre relação entre Direito Canônico e ação evangelizadora


A sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebe, nesta terça-feira, 17, um grupo de canonistas que representam a Sociedade Brasileira de Canonistas, a Faculdade de Direito Canônico de São Paulo e Institutos Superiores de Direito Canônico do Brasil. Convidados pela Presidência da Conferência Episcopal, os participantes têm a oportunidade de aprofundar o vínculo que une o direito eclesial à missão evangelizadora da Igreja.

O encontro teve a participação do bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers; do bispo auxiliar de Brasília dom Denilson Geraldo, doutor em Direito Canônico; do núncio apostólico no Brasil, dom Giambatistta Diquattro; e do arcebispo de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa.

As expectativas da CNBB
Dom Ricardo apresentou aos participantes as expectativas da Conferência dos Bispos em promover o encontro. Entre as colaborações que a CNBB pretende contribuir estão a comunhão eclesial e acadêmica das instituições de ensino superior católicas que ministram o curso de Direito Canônico no país; a qualificação docente, na formação discente e na promoção da pesquisa científica de excelência, de modo a auxiliar a atuação de chanceleres, notários, auditores e juízes, clérigos e leigos, dos tribunais eclesiásticos.

O assessor canônico da CNBB, frei Alexsandro Rufino, é o facilitador do encontro e destacou a intenção de fomentar o pensamento canônico no país, “conforme a identidade católica que norteia a pesquisa e a missão da Igreja”. Essa realidade foi reforçada pelo núncio apostólico no Brasil, dom Giambatistta Diquattro, que salientou a importância da atuação dos canonistas nas dioceses.


A CNBB também pretende, ao promover o encontro, facilitar a produção de formulários canônicos a serem utilizados pelos diversos Ordinários; e aprofundar temas variados e atuais da ação evangelizadora que dizem respeito às questões canônica e necessitam de “discernimento à luz da fé e do direito eclesial”.
Acordo Brasil – Santa Sé

Outro tema em destaque nas expectativas da Conferência dos Bispos é a implementação do Acordo Dilplomático Brasil – Santa Sé, sobretudo na esfera estadual e municipal, promovendo seminários ou eventos com o tema. O detalhamento dessa proposta foi feito pelo arcebispo de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa, presidente da Comissão Especial para o Acordo Brasil – Santa Sé.



Direito e missão evangelizadora

A primeira parte do encontro foi marcada ainda pela assessoria de dom Denilson Geraldo. Ele ajudou os canonistas a refletirem sobre a relação profunda entre direito canônico e a missão evangelizadora da Igreja, ajudando a compreender que o Direito, em si, é um instrumento a serviço da evangelização.


Alguns dos participantes destacaram a pertinência da reflexão apresentada por dom Denilson e partilharam a importância do encontro, que reúne pela primeira vez os representantes da Sociedade Brasileira de Canonistas e de instituições de ensino superior de Direito Canônico no país.

Padre Evandro Stefanello, representante do Instituto Superior de Direito Canônico de Goiânia, destacou a proposta de uma visão conjunta do Direito Canônico no país, “para que o direito não esteja estagnado, segmentado, mas que possamos olhar dentro do âmbito da evangelização em um caminho conjunto para toda a Igreja no Brasil dentro do Direito Canônico”.
Leiga e canonista

Leiga e historicamente envolvida na formação da Pastoral Familiar, a secretária da Sociedade Brasileira de Canonistas, Maria do Rosário Silva, é doutoranda em Direito Canônico e considera “uma honra e uma responsabilidade enorme” atuar e servir à justiça eclesiástica.


“A pastoralidade do Direito Canônico me encanta já algum tempo e poder servir a esta Igreja que a gente ama tanto nos faz muito bem. E cada vez que a gente aprende mais, o servir se torna melhor”, partilhou, destacando o desejo de que “mais mulheres venham somar conosco nessa belíssima missão”.


O padre Christiano de Souza e Silva, diretor do Instituto Superior de Direito Canônico da Unicap, no Recife (PE), afirmou estar muito feliz pelo convite da CNBB, que apresenta “uma oportunidade para que possamos juntos refletir sobre o Direito Canônico e os grandes desafios que o Brasil tem hoje em relação à evangelização”.

Para ele, os centros de estudos sobre o tema no país têm uma responsabilidade de “aprender a ouvir as demandas e, através da ciência e da identidade católica, que precisa sempre ser valorizada, colaborar com um contributo sério, técnico e voltado para a missão evangelizadora da Igreja”. Ele recordou que paróquias e dioceses pedem luzes para que a Igreja conserve sua identidade, sobretudo na gestão de situações, na vida pastoral e na missão do cotidiano.


Direito Canônico na vida da Igreja

O Direito Canônico reúne as regras que organizam e direcionam a vida e a missão da Igreja. Ele orienta seu funcionamento, a celebração dos sacramentos, as responsabilidades de clérigos, religiosos e fiéis, além da comunhão na Igreja.

Em 2023, o Papa Francisco se dirigiu aos participantes no Curso de formação para profissionais do Direito promovido pelo Tribunal da Rota Romana. O início do pronunciamento do pontífice são palavras motivadoras para o encontro na sede da CNBB:


“Podemos interrogar-nos: em que sentido um curso de direito está ligado à evangelização? Estamos acostumados a pensar que o direito canónico e a missão de propagar a Boa Nova de Cristo são duas realidades separadas. Ao contrário, é decisivo descobrir o nexo que as une no seio da única missão da Igreja. Esquematicamente, poder-se-ia dizer: nem direito sem evangelização, nem evangelização sem direito. Com efeito, o núcleo do direito canónico diz respeito aos bens da comunhão, antes de mais à Palavra de Deus e aos Sacramentos. […] Portanto, o direito eclesial aparece intimamente ligado à vida da Igreja, como um seu aspeto necessário, o da justiça na preservação e transmissão dos bens salvíficos. Neste sentido, evangelizar é o compromisso jurídico primordial, tanto dos Pastores como de todos os fiéis.”

Papa: a Igreja, enquanto comunhão dos fiéis, não pode errar na fé


Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 18 de março, Leão XIV refletiu sobre o Povo de Deus à luz da Lumen Gentium e destacou o papel de todos os batizados na missão da Igreja.

Thulio Fonseca - Vatican News

Ao dar continuidade ao ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, o Papa Leão XIV, na Audiência Geral desta quarta-feira (18/03), retomou o segundo capítulo da Constituição conciliar Lumen Gentium, dedicado à Igreja como Povo de Deus. O Pontífice explicou que, pela nova e eterna Aliança, Cristo constitui os seus discípulos como um “sacerdócio real”, tornando-os participantes da sua missão profética. Essa dignidade comum nasce do Batismo, que permite aos fiéis adorar a Deus “em espírito e em verdade” e testemunhar a fé recebida por meio da Igreja:

“O exercício do sacerdócio real manifesta-se de muitas formas, todas elas voltadas para a nossa santificação, principalmente pela participação na oferta da Eucaristia. Através da oração, do ascetismo e da caridade ativa, assistimos, assim, a uma vida renovada pela graça de Deus.”

Papa Leão XIV durante a Audiência Geral (@VATICAN MEDIA)

Testemunho coerente de Cristo
O Papa também abordou o chamado ‘sensus fidei’, o sentido sobrenatural da fé presente em todo o povo cristão, graças ao qual a Igreja reconhece a revelação transmitida e permanece fiel ao Evangelho ao longo da história. Trata-se, explicou, de um dom do Espírito Santo que pertence aos fiéis não isoladamente, mas enquanto membros de um único corpo. Nesse contexto, Leão XIV recordou o ensinamento conciliar sobre a infalibilidade da Igreja, que se manifesta quando todo o povo de Deus, unido aos seus pastores, exprime consenso em matéria de fé e costumes:

“A Igreja, portanto, enquanto comunhão dos fiéis, que inclui obviamente os pastores, não pode errar na fé: o órgão dessa propriedade, fundada na unção do Espírito Santo, é o senso sobrenatural da fé de todo o povo de Deus, que se manifesta no consenso dos fiéis. Dessa unidade, que o Magistério eclesial salvaguarda, resulta que cada batizado é um sujeito ativo da evangelização, chamado a dar um testemunho coerente de Cristo, segundo o dom profético que o Senhor infunde em toda a sua Igreja.”

25 mil fiéis estavam presentes na Praça São Pedro (@Vatican Media)

Cada batizado é protagonista da missão
A partir dessa unidade sustentada pelo Espírito, o Pontífice destacou que todos os cristãos são chamados a ser protagonistas da evangelização, segundo os dons recebidos. O Espírito Santo continua a distribuir carismas a pessoas de todas as condições, tornando-as aptas a contribuir para a renovação e a edificação da Igreja. Também a vida consagrada e as associações eclesiais, acrescentou o Papa, são sinais visíveis dessa vitalidade espiritual que brota da graça e manifesta a fecundidade do Povo de Deus na história.

“Despertemos em nós a consciência e a gratidão por termos recebido o dom de fazer parte do povo de Deus; e também a responsabilidade que isso acarreta”, concluiu Leão XIV.

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EVANGELHO DO DIA (Jo 5,17-30)

ANO "A" - DIA: 18.03.2026
4ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)

- Jesus Cristo, sois bendito, sois o ungido de Deus Pai!
- Eu sou a ressurreição, eu sou a vida; Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 17 Jesus respondeu aos judeus: "Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho". 18 Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus. 19 Tomando a palavra, Jesus disse aos judeus: "Em verdade, em verdade vos digo, o Filho não pode fazer nada por si mesmo; ele faz apenas o que vê o Pai fazer. O que o Pai faz, o Filho o faz também. 20 O Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que ele mesmo faz. E lhe mostrará obras maiores ainda, de modo que ficareis admirados. 21 Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, o Filho também dá a vida a quem ele quer. 22 De fato, o Pai não julga ninguém, mas ele deu ao Filho o poder de julgar, 23 para que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou. 24 Em verdade, em verdade vos digo, quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, possui a vida eterna. Não será condenado, pois já passou da morte para a vida. 25 Em verdade, em verdade, eu vos digo: está chegando a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem, viverão. 26 Porque, assim como o Pai possui a vida em si mesmo, do mesmo modo concedeu ao Filho possuir a vida em si mesmo. 27 Além disso, deu-lhe o poder de julgar, pois ele é o Filho do Homem. 28 Não fiqueis admirados com isso, porque vai chegar a hora, em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho e sairão: 29 aqueles que fizeram o bem, ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticaram o mal, para a condenação. 30 Eu não posso fazer nada por mim mesmo. Eu julgo conforme o que escuto, e meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A missão dos filhos de Deus de trabalhar em comunhão com o Pai"

O exemplo de Jesus e a nossa identidade como filhos de Deus
Naquele tempo, Jesus respondeu aos judeus, meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho. Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se assim igual a Deus (João 5,17-30)

Com essa afirmação, Jesus se coloca em profunda comunhão com o Pai e afirma que Deus é o seu Pai. Sabemos que, em muitíssimos casos da realidade humana, nós temos a continuidade, por exemplo, da profissão dos pais na vida dos filhos. É muito natural que os filhos, vendo a realização dos pais em seus trabalhos, vendo a paixão com que realizam a sua missão neste mundo, eles queiram seguir a carreira dos pais.

Claro que isso não é uma lei fechada, nem estática, não é uma regra, mas nós vemos muito isso. Jesus quer se colocar na mesma linha de ação do Pai. Jesus, por ser Deus, vê no seio da trindade a ação salvífica do Pai em favor da humanidade. E, quando se encarna, traz essas realidades divinas para a Terra.

A continuidade da obra do Pai na vida dos filhos de Deus
Jesus não interrompe a ação do Pai, Ele dá continuidade a ela, lhe dá visibilidade com a Sua encarnação, morte e ressurreição. Se Jesus foi chamado na Terra de “o Filho do carpinteiro”, eu penso que, na sua relação com o Pai Celeste, aplique-se essa mesma realidade. O Filho do Pai amado é continuador de Suas obras. Trabalha sempre em comunhão com a vontade de Deus.

O chamado para edificar o Reino
Nós, filhos amados de Deus, também devemos nos colocar nessa sucessão. Nós, por graça divina, participamos da única missão do Filho de Deus. Por isso devemos nos aplicar em realizar também as Suas obras. O mesmo Cristo prometeu que faríamos obras ainda maiores do que as d’Ele. Por isso, mãos à obra, e vamos trabalhar para que o Reino de Deus seja edificado.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


É preciso nascer de novo

É preciso nascer de novo: O grito de “Efatá” em meio ao barulho do mundo
Aleluia! Meus irmãos e minhas irmãs, iniciamos este tempo de retiro com uma certeza no coração: Jesus está nos tirando do meio da multidão porque Ele quer realizar algo profundo em cada um de nós. Ao escutar o Evangelho de Marcos, vemos Jesus curando um surdo e dizendo: “Efatá”, que quer dizer: “Abre-te”.

O tema que norteia nossa caminhada é claro e urgente: “É preciso nascer de novo” (João 3,3). Esse “nascer de novo“, ou “nascer do alto”, significa um novo começo vindo de Deus, e todos nós precisamos disso, desde os iniciantes até aqueles que já têm décadas de caminhada.

Ironi Spuldaro / Rebanhão 2026 – Canção Nova – Foto: Rodrigo Carpanelli

O perigo da surdez espiritual e o barulho da multidão
Jesus percebeu que aquele homem precisava ser afastado da multidão para que a cura acontecesse. Hoje, nós somos bombardeados o tempo todo com informações, imagens, entretenimento e barulho, o que tem roubado nossa capacidade de escutar.

Precisamos ter a coragem de desligar o celular e sair do modo “selfie”
Muitos têm um encontro real com Deus e são batizados no Espírito Santo, mas a experiência se esvai porque não param para criar intimidade e comunhão. A primeira coisa que precisa ser restaurada não é sua audição, mas sua comunhão.

O mundo moderno foi projetado para nos tornar dependentes. Esse excesso de dopamina no cérebro, gerado pelas redes sociais, impede a concentração na oração e na adoração. Precisamos ter a coragem de desligar o celular e sair do modo “selfie” — até mesmo diante do Santíssimo Sacramento — para que o Senhor possa falar ao nosso coração no deserto deste retiro.

Identificando os ídolos modernos em nosso coração
A idolatria consiste em divinizar o que não é Deus. O Catecismo nos ensina que, sempre que honramos uma criatura no lugar do Criador, caímos em erro. Se não escutamos o Senhor, acabamos entregues aos desejos do próprio coração, como aconteceu com Salomão, que começou bem, mas terminou na vergonha por causa da infidelidade.

Hoje, os altares da idolatria são erguidos para:

• O “eu”: O autorreferencialismo doentio onde nos achamos perfeitos e não aceitamos críticas.
• As redes sociais: WhatsApp, TikTok e Instagram que ocupam o tempo que deveria ser da oração.
• O dinheiro e o prazer: Quando o trabalho ou o hedonismo (prazer sexual) se tornam o centro da nossa existência.
O caminho da autoridade e da unidade interior
A verdadeira autoridade espiritual nasce da intimidade e da obediência. Davi demorou anos para unificar o reino, mas o fez através da fidelidade e de um coração dócil que se dobrava quando a palavra o tocava. Já a divisão vem da infidelidade.
Construindo sobre a rocha da escuta
Jesus nos alerta em Mateus 7,21 que nem todo aquele que diz “Senhor, Senhor” entrará no Reino, mas aquele que faz a vontade do Pai. O homem prudente é o que constrói sobre a rocha da escuta prática. Se você não escuta e não obedece, você perde a autoridade espiritual diante do inimigo.
Uma nova alegria na presença do Senhor
Neste carnaval, nossa alegria deve ter sentido espiritual. Se formos pular e dançar, que seja como Davi diante da Arca da Aliança: “É diante do Senhor que eu danço!”. Toda alegria deve ser para glorificá-Lo, livre de sensualidade ou intenções erradas.
Levante seus braços e diga: “Deus, eu vim!”. Peça que o Espírito Santo purifique seu cérebro e seu coração de tudo o que o mundo contaminou.

Transcrição e adaptação Amanda Martins


São Cirilo de Jerusalém


Cirilo nasceu por volta do ano 315 em Jerusalém ou em seus arredores. Teve um lar cristão, com uma vida financeira confortável, e recebeu uma sólida formação nas Sagradas Escrituras e em matérias humanísticas. Em 348 foi eleito bispo, patriarca de Jerusalém. Enormes foram suas contribuições para o ensinamento da sã Doutrina.

Deixou diversos escritos, como a descoberta da Cruz e da rocha que fechava o Santo Sepulcro, mas os mais famosos deles, sua obra-prima, foram as "Catequeses", que estão entre os mais preciosos tesouros da antiguidade cristã; duas importantes constituições dogmáticas do Concílio Vaticano II, a Lumen Gentium sobre a Igreja, e a Dei Verbum sobre a Revelação Divina, foram inspiradas em seus escritos.

Suas catequeses foram redigidas como parte da preparação dos catecúmenos para o batismo, à qual se dedicou por muitos anos e com muito cuidado. Elas tratam com rigor doutrinal e profundidade, mas de forma simples e direta, temas como o pecado, os Sacramentos, o Credo e outros pontos essenciais da Fé. Constituem-se de uma Introdução, 23 “Aulas Catequéticas”, “Orações Catequéticas” ou “Homilias Catequéticas”, e cinco “Catequeses Mistagógicas”.

As "Aulas Catequéticas", ministradas na Quaresma, instruem sobre os principais tópicos da fé e da prática cristã. Cada aula baseia-se num texto das Escrituras e inclui admoestações contra concepções pagãs, judias e erros heréticos. Elas são de grande importância para o entendimento do método de ensino e das práticas litúrgicas geralmente utilizados na época, provavelmente o seu mais completo registro sobrevivente. As "Catequeses Mistagógicas", ministradas durante a semana de Páscoa para os que haviam recebido o batismo (neófitos), têm este nome por tratarem dos "mistérios" , ou seja, os Sacramentos do Batismo, Confirmação e Eucaristia.

O episcopado de Cirilo, entre 350 e 386, sofreu interrupções por conta das perseguições arianas, num total de 16 anos. A heresia ariana negava a divindade de Jesus. Foi exilado pela primeira vez em 357, pelo bispo ariano Acácio de Cesareia da Palestina, que pretendia que a sede de Jerusalém fosse submetida à sua: convocou um concílio, sem a presença de Cirilo, acusando-o formalmente de vender propriedades da Igreja para ajudar os pobres, e lhe impôs um retiro forçado na cidade de Tarso, na Cilícia. Mas em 359 o concílio episcopal de Selêucia reinstalou Cirilo e depôs Acácio. Foi expulso pela segunda vez em 360, por causa das pressões de Acácio sobre o imperador filo-ariano, Constâncio. Retornou com a morte do soberano. Em 367 o imperador ariano Valente o condenou ao mais longo – 11 anos – e cruel exílio, encerrado definitivamente quando Graciano assumiu o trono em 378. Assim, em 381, Cirilo pôde participar do II Concílio Ecumênico de Constantinopla, que o confirmou na sede de Jerusalém, e quando foi proclamado o Credo Niceno-Constantinopolitano, que explicitava e corrigia em definitivo o erro ariano.

São Cirilo morreu em 386, provavelmente no dia 18 de março, com 71 anos. Foi proclamado Doutor da Igreja.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

“Ide ao mundo inteiro, proclamai o Evangelho a todas as criaturas (Mc 16,15).” Esta é uma ordem explícita de Jesus, Ressuscitado, aos Apóstolos. A catequese é uma obrigação e a maior caridade que se pode fazer, pois muitas almas não chegam a Deus simplesmente porque não há quem lhes transmita a Verdade (cf. Rm 10,14-17). É preciso difundir a Fé pelo exemplo e pela palavra, em harmonia e coerência, mas se a nossa imperfeição muitas vezes atrapalha os bons exemplos, a palavra de Deus está sempre certa (incluindo a advertência sobre estas falhas no exemplo). Não se pode pretender – o que seria imemso pecado! – levar os outros a Deus sem nos esforçarmos ao máximo para sermos os primeiros a viver o que vamos pregar, mas mesmo Cristo (cf. Mt 23,3) orientou a que se seguisse a lei de Deus, mesmo que os fariseus, que a ensinavam, não a cumprisse. Essencial é sempre pregar, quando conveniente ou não – cf. 2Tm 4,1-7 –, pois, como admoesta São Paulo, virão tempos em que os homens não suportarão a Boa Nova da Verdade e buscarão mestres que ensinem segundo as paixões das suas próprias fantasias, a tarefa pastoral mais importante no tempo de São Cirilo era catequizar os pagãos; mas as palavras de São Paulo parecem escritas especialmente para os nossos dias, e, infelizmente, não apenas para outros, mas primeiramente para os católicos, dentre os quais há quem pensa poder “escolher” só alguns pontos da Doutrina e não seguir o resto. Agir de acordo com a própria consciência é um direito, mas é questão de simples honestidade, intelectual e espiritual, assumir que não se é católico, quando não se quer seguir – ou mesmo conhecer de verdade – o ensinamento de Deus e da Igreja. Conhecer a Fé não exige uma titulação acadêmica em Teologia, mas interesse e empenho sinceros de saber o Catecismo e nele sempre mais se aprofundar, dentro das possibilidades de cada um. Não se pode amar o que não se conhece; e não conhecer corretamente a Deus e o que Ele ensina, talvez por desinteresse ou comodismo, é já um caminho de escolher não amá-Lo.

Oração:

Senhor Deus, que Vos fizestes Verbo, Encarnado para escrever a salvação em nossos corações, concedei-nos por intercessão de São Cirilo ouvir com amor e atenção a Vossa Palavra, guardá-La na alma e proclamá-La por nossas vozes e ações, sendo como dizia este santo “portadores de Cristo”, de modo a termos nossos nomes grafados no Livro da Vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.