sexta-feira, 29 de maio de 2026

CNBB e TST firmam acordo para promover dignidade humana, inclusão digital e cidadania


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) assinaram nesta terça-feira, 27 de maio, um acordo de cooperação técnica voltado à promoção da dignidade humana, do acesso à justiça e da inclusão social.

A parceria foi celebrada durante cerimônia realizada na sede do tribunal, no Salão Nobre Papa Leão XIII, em Brasília, com a presença do presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler; do segundo vice-presidente da CNBB, dom Paulo Jackson; do secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers; do padre Tiago Ávila Camargo, subsecretário adjunto de pastoral da CNBB; do assessor de Relações Institucionais e Governamentais, frei Jorge Luiz; e do presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho.

Ao destacar o significado da parceria, o ministro afirmou que o acordo nasce da compreensão de que “Estado, sociedade, Judiciário e comunidades religiosas caminham juntos” quando orientados pela busca da dignidade humana.


Segundo ele, a cooperação está estruturada em cinco pilares principais: justiça itinerante, inclusão digital, reinserção social de pessoas privadas de liberdade, educação em direitos fundamentais e fortalecimento da cidadania.

“O compromisso é fazer com que a justiça chegue a quem mais necessita dela”, afirmou o ministro. Nesse sentido, ele ressaltou a importância da presença capilar da Igreja no território brasileiro, por meio das dioceses, paróquias e comunidades, que poderão servir como pontos de apoio para ações itinerantes da Justiça do Trabalho.

Inclusão digital e reinserção social
Outro eixo destacado no acordo é a inclusão digital. O ministro recordou que a exclusão tecnológica se tornou uma nova forma de exclusão social e explicou que a parceria prevê a implementação de pontos de inclusão digital para ampliar o acesso da população aos serviços da Justiça do Trabalho.

O acordo também contempla ações voltadas ao sistema prisional e à reinserção de pessoas egressas. Segundo o presidente do TST, as instituições religiosas desempenham historicamente um papel importante no acolhimento e na ressocialização, contribuindo para a reconstrução de vínculos sociais e para a dignidade do trabalho.

Além disso, a parceria prevê capacitação de lideranças, agentes pastorais e voluntários para identificação e enfrentamento de violações de direitos, como trabalho análogo à escravidão e trabalho infantil.

Referência à Encíclica do Papa Leão XIV
Durante o discurso, o ministro também citou a encíclica Magnifica Humanitas, publicada recentemente pelo Papa Leão XIV, destacando a reflexão do pontífice sobre os impactos das novas tecnologias e da inteligência artificial sobre a dignidade humana.

Segundo ele, o documento alerta para a necessidade de construir uma sociedade em que o desenvolvimento tecnológico esteja a serviço do bem comum e da inclusão social, especialmente dos mais pobres e vulneráveis.

“Que esse instrumento seja, portanto, o começo de uma caminhada firme e duradoura em direção à justiça que chega aonde precisa chegar, com a escuta que cada pessoa merece e com o respeito e a referência que toda vida humana deve ensejar. É isso que nós esperamos. É exatamente o cumprimento do que o Papa nos diz. Isso é o cristianismo”.

“Guardiães da dignidade humana”
Em sua fala, o cardeal Jaime Spengler recordou a Doutrina Social da Igreja e a Encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII, publicada há 135 anos.

O presidente da CNBB ressaltou que os avanços tecnológicos são fruto da capacidade humana e podem trazer benefícios importantes para a sociedade. No entanto, alertou para a necessidade de preservar a identidade e a dignidade da pessoa humana diante das transformações contemporâneas.

“Faço votos de que nós possamos ser guardiães e promotores da dignidade e da identidade do humano”, afirmou.

Dom Jaime também apresentou experiências desenvolvidas pela CNBB em parceria com institutos federais para capacitação profissional em comunidades, como o Capacita em Rede, com foco na geração de oportunidades e no fortalecimento da cidadania.

Ao concluir, o cardeal destacou que a construção de uma sociedade mais justa depende das escolhas feitas no presente e da capacidade de promover esperança e transformação social, especialmente junto aos mais fragilizados.

Por Larissa Carvalho

Leão XIV: a era hipermidiática gera pobreza espiritual


Em discurso aos participantes da plenária do Dicastério para a Evangelização na manhã desta quinta-feira (28/05), o Papa constata a “indiferença religiosa generalizada” do Ocidente, que delega à “cultura tecnológica” as respostas às questões não resolvidas da vida. Leão XIV exorta a dirigir-se às novas gerações sem depender de relevância social ou consenso momentâneo.

Edoardo Giribaldi – Vatican News

Resolver a “crise da fé” atual pareceria fácil, confiando à “cultura tecnológica, que deveria responder a todas as necessidades”, às grandes questões existenciais do homem. No entanto, a aridez do espírito não parece se acalmar quando inundada pelas ofertas das “sociedades hipermidiáticas e consumistas”, que acabam diluindo o Evangelho, reduzindo-o a “uma opinião entre tantas” em vez de apontá-lo como “o caminho que dá sentido à vida”. Para reverter essa apatia, é errado confiar no consenso ou na relevância social do momento; é necessário, ao contrário, ir ao encontro dos crentes de amanhã: aqueles que, ao descobrirem “o segredo para serem verdadeiramente felizes”, acolhem o Evangelho sem preconceitos e nunca mais o abandonam. O Papa Leão XIV analisa as problemáticas, mas também oferece soluções, ao se encontrar na manhã desta quinta-feira (28/05) com os participantes da plenária do Dicastério para a Evangelização – Seção de Questões Fundamentais da Evangelização no Mundo. No encontro na Sala do Consistório do Palácio Apostólico Vaticano estava inclusive o cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo.

Continuar a anunciar a esperança

A primeira parte do discurso foi dedicada ao passado recente e ao “grande trabalho” realizado pelo Dicastério durante o Jubileu da Esperança. Um “esforço organizacional” que se transformou em uma “acolhida feliz” para os numerosos peregrinos – “Qual foi o número final, quantos eram?”, pergunta o Papa de improviso, recebendo como resposta o dado: mais de 33 milhões – que chegaram em Roma, com especial atenção à “dimensão espiritual” que caracterizou todo o Ano Santo. A esperança, proclamada várias vezes ao longo de 2025, é indicada pelo Pontífice como a “irmã mais nova” das virtudes, mas também aquela de que o mundo tem “mais sede do que nunca” e que, silenciosamente, sustenta as outras duas maiores: fé e caridade.

"Não interrompamos, portanto, este anúncio, sustentado pela promessa do Senhor Jesus de permanecer sempre conosco; ele se torna visível no testemunho que somos chamados a oferecer para sermos discípulos fiéis à sua palavra."

O Papa com o arcebispo Rino Fisichella, pro-prefeito do Dicastério para a Evangelização, responsável pela organização do Jubileu 2025 (@VATICAN MEDIA)

Não subestimar a “crise da fé”
A evangelização, afirma então o Papa, representa o requisito fundamental de toda ação da Igreja e das comunidades locais. Somente assim a Igreja pode se redescobrir sempre nova “na sua beleza” e expressar plenamente a sua credibilidade, oferecendo uma esperança que não é uma “proposta utópica”, mas um testemunho concreto do chamado “ao amor e à verdade”.

"Não podemos subestimar o fato de que, sobretudo nos países do Ocidente, a crise da fé, junto a outros fatores socioculturais, deu origem a uma indiferença religiosa generalizada. Para muitos, a fé parece não ter mais relevância para a própria vida. O perigo subjacente, cuja gravidade nem sempre é percebida, é que se perca o fôlego para o que há de mais propriamente humano, ou seja, a busca pelo sentido. As grandes questões existenciais permanecem sem resposta, enquanto se alastra uma cultura tecnológica que deveria atender a todas as necessidades."

Evangelii gaudium como bússola
Encontrar Jesus significa, ao contrário, dar plenitude “de significado e valor” à própria existência, ressaltou Leão XIV, lembrando que ninguém pode substituir a Igreja nessa tarefa fundamental, chamada a oferecer “alicerces confiáveis para o futuro da humanidade”. Para lançá-los, o bispo de Roma convida a utilizar como bússola a Exortação Apostólica Evangelii gaudium do Papa Francisco que, como afirmado em uma carta aos cardeais de abril de 2026, representa “um ponto de referência decisivo”, na medida em que “não introduz simplesmente novos conteúdos, mas recentra tudo no kerigma”, isto é, no anúncio evangélico, “como coração da identidade cristã e eclesial”.

"Convido, portanto, também vocês a retomarem a Evangelii gaudium em seu trabalho em todos os níveis, para promover uma missão cristocêntrica e kerigmática, que nasce de um encontro com Cristo capaz de transformar a vida."

As buscas espirituais dos jovens
Na evangelização, prossegue Leão XIV, surge hoje uma “forte busca por espiritualidade” por parte dos jovens, que se manifestou com particular evidência durante o Jubileu dedicado a eles:

"A nova geração não tem preconceitos em relação ao Evangelho; pelo contrário, muitos, ao redescobri-lo, desejam conhecê-lo melhor, pois percebem que nele se esconde o segredo para serem verdadeiramente felizes."

Uma mensagem que deve ser anunciada confiando sobretudo à “orientação do Espírito Santo”, mais do que à “eficiência das estruturas”, à “relevância social” ou ao “consenso que se pode obter em algum momento”.

Leão XIV com uma cópia da Encíclica "Magnifica humanitas" (@VATICAN MEDIA)

Os problemas da sociedade hipermidiática
Levar a mensagem de Jesus ao mundo, observa ainda o Papa, significa hoje se confrontar com dinâmicas profundamente alteradas em relação às gerações passadas, a ponto de se interromper a própria transmissão da fé em algumas regiões do mundo:

"As causas dessa situação são conhecidas e múltiplas; o que resulta disso, porém, nas jovens gerações, é uma 'pobreza' espiritual, uma carência de motivações e de instrumentos para poder amadurecer em plena liberdade aquela adesão à fé que dá sentido à vida."

Para contrariar essa deriva, há as “numerosas e variadas” expressões da vida da comunidade cristã, que escutam e dialogam com as novas gerações, afirma o Papa:

"O clima cultural predominante nas sociedades hipermidiáticas e consumistas reduz a capacidade de aprender com paciência e de trilhar, com esforço, um caminho de busca pessoal da verdade, com perseverança e senso crítico. Toda mensagem corre o risco de ser percebida como apenas mais uma opinião entre tantas."

Homens tocados por Deus
A fé, portanto, transmite-se antes de tudo através do encontro, da alegria vivida e da coerência com o Evangelho, reforça Leão XIV:

"Certamente não é diluindo os conteúdos e suavizando as exigências que se pode tornar o cristianismo atraente, mas testemunhando com humildade e coragem 'o caminho, a verdade e a vida' que converteu e santificou tantas pessoas."

A esse respeito, Leão XIV cita Bento XVI: “o que precisamos neste momento da história são homens que, por meio de uma fé iluminada e vivida, tornem Deus credível neste mundo”. O Papa Ratzinger já destacava a necessidade de homens “que sejam tocados por Deus”, para que Ele possa “retornar aos homens”:

"A santidade da vida, portanto, permanece sempre a forma mais convincente da beleza da fé cristã que transcende os tempos e se propõe a todas as culturas."

O Papa ao saudar os participantes da plenária do Dicastério para a Evangelização (@VATICAN MEDIA)

O acompanhamento aos catecúmenos e crismandos
No final do discurso, o Bispo de Roma se detém à catequese, convidando a uma atenção especial aos catecúmenos, cujo acompanhamento não pode se esgotar com a celebração do Sacramento, mas deve prosseguir, oferecendo-lhes “um ambiente no qual encontrem resposta às expectativas que os levaram a aderir a Cristo e à sua Igreja”. O mesmo cuidado, conclui o Papa, deve ser reservado também aos crismandos, tornando as propostas dirigidas a eles “verdadeiramente eficazes” graças a uma atenção pessoal a cada um, reflexo do “amor único e pessoal do Senhor”.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

EVANGELHO DO DIA (Mc 11,11-26)

ANO "A" - DIA: 29.05.2026
8ª SEMANA DO TEMPO (VERDE)
 
- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Eu vos escolhi a fim de que deis no meio do mundo, um fruto que dure.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
-Glória a vós, Senhor.

Tendo sido aclamado pela multidão, 11 Jesus entrou, no Templo, em Jerusalém, e observou tudo. Mas, como já era tarde, saiu para Betânia com os doze. 12 No dia seguinte, quando saíam de Betânia, Jesus teve fome. 13 De longe, ele viu uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. 14 Então Jesus disse à figueira: "Que ninguém mais coma de teus frutos". E os discípulos escutaram o que ele disse. 15 Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no Templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. 16 Ele não deixava ninguém carregar nada através do Templo. 17 E ensinava o povo, dizendo: "Não está escrito: 'Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos'? No entanto, vós fizestes dela uma toca de ladrões". 18 Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei ouviram isso e começaram a procurar uma maneira de o matar. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada com o ensinamento dele. 19 Ao entardecer, Jesus e os discípulos saíram da cidade. 20 Na manhã seguinte, quando passavam, Jesus e os discípulos viram que a figueira tinha secado até a raiz. 21 Pedro lembrou-se e disse a Jesus: "Olha, Mestre: a figueira que amaldiçoaste secou". 22 Jesus lhes disse: "Tende fé em Deus. 23 Em verdade vos digo, se alguém disser a esta montanha: 'Levanta-te e atira-te no mar', e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá. 24 Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será. 25 Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus também perdoe os vossos pecados".[26]

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Perdoai tudo para libertar seu coração"

Perdoai tudo e recebei a plenitude da Misericórdia
Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, também perdoe os vossos pecados.

Pedro lembrou-se e disse a Jesus: “Olha, Mestre, a figueira que amaldiçoaste secou”. Jesus lhes disse: “Tende fé em Deus. Em verdade vos digo: se alguém disser a esta montanha: ‘Levanta-te e atira-te no mar’, e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá. Por isso vos digo: tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será. Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, também perdoe os vossos pecados” (Mc 11,11-26).

Irmãos e irmãs, é interessante que o Evangelho fala sobre perdoar tudo o que tiverdes contra alguém não é apenas perdoar o que fizeram com você, mas perdoar aquilo que você tem contra alguém.

Reconciliação, a ponte que nos liga ao céu
De certa forma, a plenitude do perdão que recebemos de Deus passa pela reconciliação que devemos ter, primeiramente, conosco mesmos. Eu só posso me oferecer inteiro se eu estiver inteiro. Só se oferece inteiro quem é inteiro — inteiro em si mesmo e inteiramente de Deus também. Nós nos tornamos mais leves diante de Deus quando nos abrimos ao perdão e tiramos os entulhos do nosso coração.

Sabe quando o quintal — aquelas casas que possuem quintal — está um pouco cheio de entulhos, de sujeira, quando a grama está grande e mal cuidada? Ali é sinal de que o ambiente precisa de limpeza e precisa também de cuidado.

Perdoe tudo e retire os entulhos da alma
Não perdoar, irmãos e irmãs, e cultivar inimizades é acumular entulhos, é acumular sujeira sobre si mesmo. Por isso, hoje, escutemos esta ordem que Jesus nos dá. Se você tem algo contra alguém, perdoe esse alguém. Mas, antes, perdoe tudo o que tiver contra esse alguém — não só o que fizeram, mas o que você sente. Parece difícil, parece um jogo de palavras, mas é a palavra de Jesus pedindo que tenhamos um coração limpo, um coração purificado, um coração cheio de Deus, puro e saudável, cujo desejo é fazer a vontade de Deus e amar.

Sobre você, desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


A IA sob a ótica da fé: a encíclica Magnifica Humanitas

A IA sob uma perspectiva técnica e teológica na encíclica do Papa Leão XIV

Magnifica Humanitas (Dignidade humana): o Papa Leão XIV publicou esta encíclica sobre a inteligência artificial (IA) em comemoração à importantíssima encíclica de Leão XIII, Rerum Novarum (Das coisas novas), publicada há 135 anos, tendo em vista a Revolução Industrial daquele tempo e o perigo do marxismo-comunismo, ateu e materialista, que propunha uma solução perigosa para o problema social na época.

Créditos: inkoly / Getty Images

“Assim como o ‘Leão’ anterior, sinto-me chamado a contemplar outra grande transformação com olhos de fé, com a lucidez da razão, com abertura ao mistério e com os clamores dos pobres e da terra ressoando em meu coração”, expressou o Papa durante a apresentação de sua primeira carta encíclica, como uma resposta da Igreja aos desafios éticos e sociais trazidos pela inteligência artificial. O Papa comparou o momento atual a um “ponto de inflexão da época”, semelhante à Revolução Industrial enfrentada por seu predecessor Leão XIII no final do século XIX.

Até a Magnifica Humanitas, um Papa não tinha ainda analisado a IA com tanta profundidade e com esse nível de detalhamento técnico e teológico.

A construção teológica e técnica do documento
É preciso adiantar que essa encíclica é fruto de um imenso trabalho da Santa Sé, que ouviu muitos cientistas, especialistas do setor tecnológico e teólogos de renome sobre o tema para garantir precisão técnica ao abordar o assunto. Por exemplo, foram ouvidos: Christopher Olah, cofundador da renomada empresa de inteligência artificial Anthropic; especialistas da Universidade de Notre Dame e pesquisadores do “Lucy Family Institute for Data & Society”.

Participou também a cúpula teológica e social do Vaticano: o Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, Cardeal Michael Czerny, S.J., ; e o Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, Cardeal Víctor Manuel Fernández. Ambos os dicastérios já vinham estudando o assunto com o documento preparatório anterior intitulado Antiqua et Nova. Houve ainda a participação da Academia e Teologia Política, da Comissão Teológica Internacional e a menção a autores como Viktor Frankl e J.R.R. Tolkien, usados pelo Papa para ilustrar a resistência do espírito humano diante da mecanização.

Diante de tudo isso, o Papa faz eco aos cientistas e considera que a IA é a mais importante revolução científica atual, e que ela “não é moralmente neutra” (n. 104), isto é, pode ser usada para o bem ou para o mal, e seu emprego deve passar pelo tribunal da moral e da ética.

O parágrafo 104 afirma que “toda ferramenta técnica incorpora escolhas e prioridades por meio do que mede, ignora e otimiza, e de como classifica pessoas e situações”. Quando um sistema é projetado de forma a tratar algumas vidas como menos valiosas, escreve Leão XIV, ele “já introduziu critérios que contradizem a dignidade inalienável da pessoa humana”.
Os riscos da automação e o algoritmo sem alma

O Papa compara as ferramentas virtuais com a energia nuclear, que exige rígido controle para servir à paz e não ao domínio. Ele mostra o perigo de seu mau uso favorecer a manipulação social e a vigilância em massa da sociedade. Destaca o perigo das fake news, que geram uma polarização política perigosa, um controle emocional das pessoas e o enfraquecimento do discernimento humano nas redes sociais — um sistema de algoritmos concentrado na mão de poucos países, poucas grandes empresas e alguns governos. Destaca também o difícil controle da IA, que pode gerar uma “lei da selva” pelo domínio sobre o outro, e condena o uso militar da tecnologia, que já está sendo muito empregado hoje.

O documento diz que a inteligência artificial não pode sentir, amar ou assumir responsabilidade moral, mas pode excluir, manipular e “concentrar poder”. O Papa alerta que a IA não é inteligência humana, e a diferença é crucial. Os sistemas de IA “não vivenciam experiências, não possuem um corpo, não sentem alegria ou dor, não amadurecem por meio de relacionamentos e não sabem, intrinsecamente, o que significam amor, trabalho, amizade ou responsabilidade” (n. 99). Podem imitar a linguagem e simular empatia, mas “não compreendem o que produzem”. Isso é a base de tudo.

Outro perigo que o documento destaca é que “delegar decisões a algoritmos significa perder a responsabilidade”, porque, quando sistemas automatizados tomam decisões importantes, “a exclusão dos vulneráveis fica disfarçada por uma aparência de neutralidade e objetividade, contra a qual se torna difícil levantar objeções” (n. 103). Então, destaca o Papa, “compaixão, misericórdia e perdão desaparecem gradualmente de vista”. Alguém sempre precisa ser responsabilizado. Um algoritmo não pode fazer isso.

Dados como bem comum e a ética do desenvolvimento

Outro ponto destacado é que “os dados são um bem comum”. O parágrafo 108 insiste que os dados “são produto de muitos colaboradores e não devem ser tratados como algo a ser vendido ou confiado a poucos escolhidos”. Todo avanço tecnológico da IA deve se enquadrar no princípio da “destinação universal dos bens” a serviço do bem comum.

O Papa ressalta que todos os que trabalham nos sistemas de IA devem ser lembrados. Ele recorda que existe “uma longa cadeia de mediação” que envolve milhões de pessoas em atividades essenciais, mas invisíveis; muitos trabalham por salários mínimos, por exemplo, na extração de minerais e terras raras em condições às vezes perigosas e com risco para a saúde. Os benefícios da IA não podem ignorar essa realidade.

O parágrafo 110 pede que a IA seja “desarmada”; isto é, libertada da “mentalidade de competição armada”, do domínio político e comercial mundial; e “desarmar não significa rejeitar a tecnologia, mas impedir que ela domine a humanidade”. De modo especial, o parágrafo 111 se dirige aos desenvolvedores de IA: “Cada escolha de design reflete uma visão da humanidade”, e deve ser tanto ética quanto espiritual.

Enfim, o Papa invoca a justiça para combater a visão anti-humana na IA. Convoca governos, desenvolvedores e a sociedade a utilizarem a justiça social para impedir a visão de um mundo descartável. É um alerta contra o “paradigma tecnocrático”, uma ameaça invisível. O bem comum deve ser a bússola regulatória da IA. O texto incentiva a “cultura do encontro”, de modo que robôs e modelos de linguagem nunca substituam o mistério e a novidade do contato humano direto.

São Paulo VI

Paulo VI nasceu em 26 de setembro de 1897. Seu nome de batismo era Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, e ele era natural da cidade de Concesio, na Itália.

Aos 19 anos entrou para o seminário, mas desde pequeno possuía uma proximidade com a Igreja. Ordenou-se padre no ano de 1920 e na sequência estudou na Universidade Gregoriana, na Universidade de Roma e na Pontifícia Academia Eclesiástica.

Paulo VI teve um papel importantíssimo para a continuidade do Concílio Vaticano II (1962-1965) convocado por João XXII, que veio a falecer. Quando eleito, em 1963, Paulo VI retomou o processo para refletir sobre os desafios da Igreja.

Uma das mudanças feitas por ele foi a de abolir o uso da tiara pontifícia (uma mitra composta por tríplice coroa, incrustada com joias e pedrarias), costume que surgiu no Período Medieval).

Em 22 de agosto de 1968, foi o primeiro Papa a pisar em solo latino-americano. Ele abriu, em Bogotá, na Colômbia, a II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e participou do XXXIX Congresso Eucarístico Internacional.

Paulo VI era devoto da Virgem Maria e tinha um carinho especial pelo título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, expresso, de modo particular, em 15 de agosto de 1967, ao enviar uma rosa de ouro para o Santuário Nacional de Aparecida, por ocasião dos 250 do encontro da Imagem no rio Paraíba do Sul.

Na década de 1970 fez uma viagem apostólica para a Ásia e Oceania e sofreu um atentado no aeroporto de Manila, nas Filipinas. Um pintor boliviano, Benjamin Mendoza y Amor, vestido de padre, segurava um crucifixo dourado em uma mão e, na outra, escondida por um pano, um kriss (punhal malaio).

Paulo VI foi ferido no pescoço, felizmente protegido pelo seu colarinho rígido, e outro golpe no peito, perto do coração. Paul Marcinkus, arcebispo norte-americano, foi quem impediu o homem de esfaquear o Papa.

Foi canonizado em 14 de outubro de 2018, junto a Dom Oscar Romero, pelo Papa Francisco.

Reflexão:

O testemunho de vida do Papa Paulo VI é marcado por sua dedicação e liderança durante um período de muitas mudanças na Igreja Católica, no período da Guerra Fria e do Concílio Vaticano II. Suas decisões firmes mudaram para sempre a história e o legado da Igreja.

Oração:

Senhor nosso Deus, que chamastes o papa são Paulo VI, solícito apóstolo do Evangelho do vosso Filho, para governar a vossa Igreja, fazei que, iluminados pelos seus ensinamentos, colaboremos generosamente, para que se dilate em todo o mundo a civilização do amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Membros do Conselho Episcopal Pastoral da CNBB refletem sobre a realidade da infância e da Igreja no Brasil

Dias 26 e 27 de maio, os membros do Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se encontram em Brasília na sede da conferência para uma reunião com os seguintes principais pontos de pauta: análises de conjuntura social e eclesial, Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026-2032, Campanhas da Fraternidade e Evangelização, fase de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade.

A infância no foco da análise de conjuntura social
Em preparação à Campanha da Fraternidade (CF) de 2027, cujo tema será “Fraternidade e o Cuidado das Crianças”, com o lema bíblico “Quem recebe uma criança em meu nome, a mim recebe” Mt18,5, foi apresentada pelo bispo de Carolina (MA) e coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura, dom Francisco Lima Soares, uma reflexão com o objetivo de compreender a infância no Brasil e as perspectivas pastorais.

Além dos dados sobre a realidade, a análise buscou aprofundar a perspectiva da criança na Igreja na linha de cuidado. A análise recuperou o sentido teológico e bíblico das crianças. ” Se Deus se deixa encontrar no pequeno, o cuidado com os pequenos não é opcional nem periférico. A criança deixa de ser vista apenas como ‘futuro da Igreja’ ou ‘adulto em formação’ e passa a ser reconhecida como presente teológico e sujeito de dignidade plena, aqui e agora”, apontou um trecho do texto apresentado.

A análise ajudou a compreender a uma rápida transição demográfica pelo qual o Brasil atrevessa. Ao longo do século XXI, observa-se redução do número de crianças de 0 a 14 anos, tanto em termos absolutos quanto relativos. Ainda assim, segundo o Censo Demográfico de 2022, cerca de uma em cada cinco pessoas no país tinha até 14 anos de idade, o que evidencia a relevância quantitativa da população infantil no contexto demográfico brasileiro.

Entre 2000 e 2022, enquanto a população total cresceu de 169,8 milhões para 203,1 milhões de pessoas, aumento superior a 33 milhões de habitantes, o número de crianças de 0 a 14 anos diminuiu de 50,3 milhões para 40,1 milhões, representando uma redução absoluta superior a 10 milhões de pessoas. Em termos relativos, a participação dessa faixa etária na população total caiu de 29,6% em 2000 para 19,8% em 2022, evidenciando o avanço da transição demográfica no país.

Como propostas frente à análise, dom Francisco Lima apresentou a primazia da proteção e salvaguarda da infância; o fortalecimento das famílias como espaço de cuidado e com condições para proteger e desenvolver as crianças; a educação integral que não pode ser reduzida à preparação para o mercado; o controle social na linha de reconhecer que o lugar da criança nas políticas públicas em todos os níveis; e a recusa a retrocessos como o trabalho infantil e redução da infância à problemas de segurança. ” Esperança não é esperar que as coisas melhorem sozinhas. Esperança é compromisso organizado”, concluiu dom Francisco.


Análise de Conjuntura Eclesial
O coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura Eclesial da CNBB e bispo de Petrópolis (RJ), dom Joel Portella Amado, representante do Inapaz, buscou ajudar os membros do Consep na compreensão do “ethos” religioso brasileiro atual. “Não podemos trabalhar mais com um modelo evangelizador de conservação. Em tempos de pós-Cristantante, é necessário recuperar o Documento de Aparecida nos pontos em que fala da relação com Jesus Cristo e suas consequências”, disse.

Como elementos facilitadores, dom Joel Portella Amado, bispo de Petrópolis (RJ), apontou as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026-2032 que foram aprovadas, depois de longo processo de emendas, por 98,99% dos bispos na última assembleia da CNBB. Segundo dom Joel, o episcopado brasileiro se reconheceu nas diretrizes. “O desafio agora que fica para as dioceses no Brasil é implementar em seus planos de pastoral este conjunto de linhas gerais. Muitos grupos se sentem representados nas novas diretrizes”, disse.

Dom Joel também ressaltou como positivo a conexão do Sínodo e das DGAE como caminho de sua recepção no Brasil e disse ser necessário, para sua implementação, usar uma metodologia sinodal combinada com os cinco caminhos da missão apontados no documento das diretrizes.

Por outro lado, apontou as dificuldades previstas neste processo: o fato de ainda haver resistências quanto às diretrizes, o individualismo contemporâneo, as opções pessoais, agendas individuais e seletividade, as bolhas de filtro e polarizações, o ano eleitoral, a resistência à CNBB, modelos pastorais de outras épocas, formação frágil e esquecimento do Censo 2022 que mostra tendência de queda no número de católicos e uma juventude distante da fé.
Campanhas: Fraternidade 2028 e Evangelização 2026

O secretário executivo do Setor Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, apresentou a necessidade de aprovar o tema da Campanha para a Evangelização 2026. A sugestão é Lucas 2,10: “eu vos anuncio uma grande alegria!” Segundo o padre Jean, a alegria do tema remete ao nascimento de Jesus Cristo, às diretrizes e ao anúncio do Evangelho.

No cartaz apresentado aos bispos, padre Jean Poul apontou que a tenda remete à ideia das diretrizes aprovadas na 62ª Assembleia Geral da CNBB. Padre Jean Poul apresentou ainda o material produzido (roteiros de celebrações para a campanha). Os participantes reagiram ao tema e à proposta do cartaz. O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler falou da necessidade de repensar um pouco o alcance e as estratégias da Campanha para a Evangelização em vista também de aumentar a sua arrecadação.

Padre Jean Poul colocou a necessidade de adiantar o processo de aprovação da Campanha para a Evangelização em 1 ano para dar tempo de alinhar o tema e iniciativas com as publicações das Edições CNBB e com o grupo de folhetos litúrgicos do Brasil. Iniciativa aprovada pelos membros do Consep.

Etapas de implementação do Sínodo
O bispo de Petrópolis (RJ) e membro da equipe de animação do Sínodo no Brasil, dom Joel Portella Amado retomou as etapas do Sínodo sobre a Sinodalidae: 2021/2023 – Consulta; 2023-2024 – Celebração; 2027-2028 – Implementação.

Para a fase de implementação, de 2027 a 2028, dom Joel reforçou que a secretaria do Sínodo propõe as assembleias das Igrejas Locais como um espaço mais amplo onde precisa se discutir a implementação do Sínodo. Os responsáveis por este processo são os bispos diocesanos, as equipes animadoras, padre e lideranças eclesiais.

As fontes são o Documento Final, as pistas para a fase de implementação, relatórios finais dos grupos de estudo e outros documentos e a orientação do como fazer aponta para a necessidade de compreender sempre mais o Documento Final e, em espírito de oração, envolver quem ainda não está envolvido.

As etapas da implementação são: no primeiro semestre de 2027 está prevista a etapa diocesana com objetivo de “recolher” as experiências; o segundo semestre de 2027 será dedicada à interpretação; a etapa continental, entre janeiro e abril de 2028, será momento de orientar; em Roma, em 2028, acontecerá a Assembleia Eclesial e será momento de grande celebração dos aprendizados.

Todas as fases estão sendo orientadas por uma pergunta comum: Qual o rosto concreto de Igreja sinodal e missionária e que novos caminhos de sinodalidade acontecem nas diferentes realidades? Segundo dom Joel, não se trata tanto de discutir, mas de recolher as experiências que surgiram a partir do Sínodo. O conjunto será partilhado em forma de relatório narrativo e carta contando sobre as experiências que surgiram.

No Brasil está prevista a seguinte programação:

8 de junho, às 20h – live sobre a conexão entre as Diretrizes e as Conclusões Sinodais.
4, 11 e 18 de agosto – Lives sobre conversões sinodais.
2026 – Segundo semestre – Início do tempo das assembleias eclesiais.
9 de novembro – Live para escuta da caminhada.
Informes

O econômo da CNBB, padre Felipe Lima apresentou o quadro da situação financeira da CNBB, indicando principais receitas, despesas ordinárias e também um quadro da arrecadação das duas diferentes campanhas da CNBB. Também fez o informe sobre o encontro de ecônomos que reuniu 22o participantes de 170 dioceses.

Os presidentes das Comissões Episcopais para o Ecumenismo, Juventude e Vida e Família apresentaram um informe sobre as atividades previstas para este ano, os eventos, encontros e processos curso.

O segundo dia do encontro do Consep foi dedicado aos informes das ações das demais Comissões da CNBB e dos organismos eclesiais.

Leão XIV: respeito pelos textos e pelas normas da liturgia

Em sua catequese sobre a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, o Papa reiterou que "a liturgia foi, durante séculos, um motor de evangelização". "Hoje, é necessário renovar esta energia em continuidade com a autêntica e viva tradição católica, isto é, segundo uma dinâmica destinada a introduzir os fiéis na plenitude da verdade", disse ele.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

Na Audiência Geral desta quarta-feira (27/05), o Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium.

O Santo Padre iniciou sua catequese, recordando um trecho da Encíclica Mediator Dei, do Papa Pio XII que escreve: «A Igreja é um organismo vivo e, por isso, ainda no que diz respeito à sagrada liturgia, firme a integridade de seu ensinamento, cresce e se desenvolve, adaptando-se e conformando-se às circunstâncias e às exigências que se verificam no correr dos tempos».

Tradição e progresso
"Em plena continuidade com este princípio, o Concílio Vaticano II, no Preâmbulo da Constituição Sacrosanctum Concilium, julga «dever também interessar-se de modo particular pela reforma e incremento da Liturgia»", disse o Papa, acrescentando:

“A assembleia conciliar tinha sido convocada, de fato, com o objetivo de «fomentar a vida cristã entre os fiéis, adaptar melhor às necessidades do nosso tempo as instituições suscetíveis de mudança, promover tudo o que pode ajudar à união de todos os fiéis em Cristo, e fortalecer o que pode contribuir para chamar a todos ao seio da Igreja».”

"Naquele momento histórico, sentia-se fortemente a necessidade de uma renovação das formas rituais, através das quais, há séculos, a Igreja realizava a glorificação de Deus e a santificação do povo cristão", sublinhou o Papa.

O Pontífice disse ainda que "para facilitar o acesso dos fiéis à riqueza dos dons da graça concedidos pela sagrada liturgia, a Constituição Sacrosanctum Concilium indica, assim, com uma fórmula muito eficaz, o caminho a seguir: «Conservar a sã tradição e abrir ao mesmo tempo o caminho a um progresso legítimo»".

A liturgia foi, durante séculos, um motor de evangelização
De acordo com Leão XIV, o Concílio Vaticano II "afirma a legitimidade desse progresso enraizado na autêntica Tradição, distinguindo, no seio da liturgia, «uma parte imutável, porque de instituição divina», das «partes suscetíveis de modificação, as quais podem e devem variar no decorrer do tempo, se porventura se tiverem introduzido nelas elementos que não correspondam tão bem à natureza íntima da Liturgia ou se tenham tornado menos apropriados»".

"Mudanças deste gênero ocorreram constantemente ao longo dos séculos, a fim de permitir aos fiéis uma participação frutuosa, por meio das ações rituais, no mistério pascal de Cristo, fundamento da fé cristã", disse ainda o Papa, acrescentando:

“O culto da Igreja “encarnou-se”, portanto, nas formas culturais de cada época e foi capaz de influenciá-las e até mesmo de as transformar. A liturgia foi assim, durante séculos, um motor de evangelização. Hoje, é necessário renovar esta energia em continuidade com a autêntica e viva tradição católica, isto é, segundo uma dinâmica destinada a introduzir os fiéis na plenitude da verdade.”

Disponibilidade e de confiança em Deus
De acordo com o Papa, "o Magistério conciliar convida a evitar a desorientação dos fiéis, dissuadindo qualquer pessoa de acrescentar, retirar ou modificar algo, em matéria litúrgica, por iniciativa própria. O progresso evocado pela Constituição conciliar não compromete de modo algum a comunhão eclesial: pretende, antes, confirmá-la e favorecê-la".

A seguir, Leão XIV concluiu, dizendo:
“Exorto, portanto, todos aqueles que são chamados a preparar a celebração dos divinos mistérios, em particular os sacerdotes que exercem o ministério da presidência litúrgica, a zelarem sempre por aquele respeito pelos textos e pelas normas da liturgia que brota de uma atitude interior de disponibilidade e de confiança em Deus, manifestando humildade perante a Sua grandeza e uma sincera fidelidade à comunhão eclesial.”

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

EVANGELHO DO DIA (Mc 10,46-52)

ANO "A" - DIA: 28.-5.2026
8ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERDE)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Eu sou a luz do mundo, aquele que me segue, não caminha entre as trevas, mas terá a luz da vida.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 46 Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho. 47 Quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno, estava passando, começou a gritar: "Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!" 48 Muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele gritava mais ainda: "Filho de Davi, tem piedade de mim!" 49 Então Jesus parou e disse: "Chamai-o" . Eles o chamaram e disseram: "Coragem, levanta-te, Jesus te chama!" 50 O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. "Eis que nós deixamos tudo e te seguimos". 51 Então Jesus lhe perguntou: "O que queres que eu te faça?" O cego respondeu: "Mestre, que eu veja!" 52 Jesus disse: "Vai, a tua fé te curou". No mesmo instante, ele recuperou a vista.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O manto e a cura"

Abandonar o manto: a renúncia que gera cura
O cego preferiu confiar nas forças de Deus muito mais que nas suas seguranças neste mundo. Por isso foi curado.

Naquele tempo, Jesus saiu de Jericó junto com seus discípulos e uma grande multidão. O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho. Quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno, estava passando, começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”. Muitos o repreendiam para que se calasse, mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!”. Então Jesus parou e disse: “Chamai-o”. Eles o chamaram e disseram: “Coragem, levanta-te! Jesus te chama”. O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Então Jesus lhe perguntou: “O que queres que eu te faça?”. O cego respondeu: “Mestre, que eu veja!”. Jesus disse: “Vai, a tua fé te curou”. No mesmo instante, ele recuperou a vista. (Mc 10,46-52)

O cego, irmãos e irmãs, lançou fora o manto. O que isso significa? Ele abriu mão de tudo o que lhe gerava segurança neste mundo para ficar apenas com Jesus.

O manto das falsas seguranças
Ele pulou, largou o manto e foi até Jesus. O manto que ele lançou fora era proteção contra o frio, era refúgio em dias de chuva, era proteção contra o sol, era também o local de dormir. Ele abandonou tudo para ficar com Jesus — Aquele que é o nosso tudo, Aquele que nos tira de toda e qualquer cegueira.

Vocês vão recordar que da boca dos discípulos nós escutamos a seguinte palavra também: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. Deixamos tudo e te seguimos. Assim como este cego, nós também queremos ser libertos de nossas cegueiras: cegueiras espirituais, cegueiras sobre nós mesmos. Quantas vezes nós nos comparamos negativamente porque não nos vemos a partir de Deus?

Enxergar-se através do olhar de Deus
Sair da cegueira é enxergar-se a partir do olhar de Deus. Eu sou aquilo que Deus pensa de mim. Você é aquilo que Deus pensa. Não se enxergar dessa maneira é uma forma de cegueira. Que o Senhor te cure neste dia desta cegueira, para que você se enxergue a partir de Deus, a partir do olhar misericordioso de Deus que nos resgata e que nos salva. Tenha a coragem de lançar fora também o seu manto.

Sobre você, desça e permaneça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova