quarta-feira, 1 de abril de 2026

Medite a espiritualidade da Semana Santa a partir das reflexões dos bispos do Brasil


Às portas do início da Semana Santa, alguns dos bispos que oferecem artigos ao Portal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) escreveram sobre a espiritualidade deste momento central para a fé cristã, ajudando o povo de Deus a mergulhar nos mistérios celebrados.
As celebrações da Semana Santa

O arcebispo da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ), cardeal Orani João Tempesta, introduz ao mistério celebrado no Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, abrindo a Semana Maior e mais importante do calendário cristão.

“As celebrações desta semana são muito ricas e cheias de significado. Caso não seja possível participar de todas as celebrações devido ao trabalho ou aos estudos, meditemos os textos sagrados em casa e procuremos acompanhar as celebrações pela televisão, rádio ou internet. Hoje concluímos também a Campanha a Fraternidade com o nosso gesto concreto que é a Coleta da Solidariedade”.

O arcebispo motiva a intensificar a oração, participar das celebrações e viver profundamente o Tríduo Pascal. “Caminhemos com Cristo na cruz, para com Ele ressuscitarmos para uma vida nova”.


Força redentora
Em outro artigo, também inspirado pelo contexto da Semana Santa, dom Orani reflete sobre a força redentora que emana da entrega total de Jesus na cruz. Nesse ato de solidariedade extrema, segundo dom Orani, Ele assume nossas dores e transfigura o sofrimento em caminho de salvação. “Aqui, a força não é um exercício de poder dominador, mas de entrega sacrificial que gera vida nova”, escreveu.

“Do silêncio orante do Getsêmani à entrega total na cruz, passando pela dor, pela aparente derrota e pela esperança silenciosa do Sábado Santo, aprendemos que a verdadeira força nasce da confiança radical em Deus. O que celebramos nesses dias não pode permanecer apenas na memória, mas deve transformar a vida”.
Paradoxo fascinante e desconcertante

O bispo de Frederico Westphalen (RS), dom Antonio Carlos Rossi Keller, escreveu sobre o “paradoxo fascinante e desconcertante” apresentado na liturgia do Domingo de Ramos: “aclamamos um Rei montado num jumentinho. Gritamos ‘Hosana!’ e, poucos dias depois, gritaremos ‘Crucifica-o!’. Agitamos ramos festivos e, em seguida, mergulhamos no silêncio sombrio do Calvário”.

Para dom Antonio Carlos, o Domingo de Ramos não é apenas a abertura da Semana Santa, mas “o espelho da nossa própria alma”, uma vez que “revela a fragilidade das nossas aclamações, a instabilidade da nossa fé, mas, sobretudo, a fidelidade absoluta de Jesus, Servo obediente que abraça o amor até o fim”.

Além de explicar sobre os elementos e cada texto bíblico oferecido pela liturgia, dom Antônio indica como viver bem a Semana Santa.

“É um tempo de graça único, oferecido pela Igreja como oportunidade de transformação interior. Mas só nos transforma se nos dispormos a vivê-la com presença, com coração aberto”.


Celebrar todo o mistério pascal
Dom Rodolfo Weber, arcebispo de Passo Fundo (RS) também destaca a liturgia da Semana Santa, na qual serão lidos e refletidos “ricos e vastos textos bíblicos sobre os fundamentos teológicos e litúrgicos da vida cristã”. Ele orienta que “não podemos nos deter em um aspecto, mas celebrar o todo do mistério pascal”.

Ele reflete sobre o contexto da guerra no Oriente Médio e sobre a missão da Igreja de estar ao lado de Cristo crucificado e de todos os crucificados.

“O triunfo de Cristo não é aquele imperial, mas o humilde e sofrido da cruz. É o que liberta e salva. Jesus entra em Jerusalém não para ocupar a chefia de um exército e de um Estado, mas para oferecer-se como ‘rei manso e humilde'”.


Participar com Cristo
O bispo de Campos (RJ), dom Roberto Francisco Ferreria Paz, escreveu sobre o início da Semana Santa com o Domingo de Ramos, quando participamos de todo o trajeto de Jesus desde a sua entrada em Jerusalém até a sua vitória sobre a morte. Ele motiva à participação ativa nas celebrações.

“No coração do Ano Litúrgico não fiquemos no palco ou assistindo o mistério e o drama da nossa salvação como meros espectadores ou turistas espirituais mas mergulhemos de cheio não só nos ritos mas no itinerário espiritual das trevas para a luz, do ódio para o amor, do desespero e indiferença para a esperança, do medo para a confiança e entrega, configurando-nos com o Crucificado e identificando-nos com seus sentimentos, dores e angústias para vencer com Ele a morte”.


Lugar para todos
Dom Itacir Brassiani, bispo de Santa Cruz do Sul, reflete a partir dos sonhos e utopias que a humanidade carrega e a missão de Jesus. Ele motiva reafirmar, no início da Semana Santa, o sonho de um mundo que tenha lugar para todos.

“Acompanhando Jesus de Nazaré em sua chegada à capital do seu país, reafirmamos nosso sonho de um mundo onde haja lugar e vida plena para todos, que não criminalize os profetas e os sonhadores, que dê primazia aos mais vulneráveis. Em Jesus, o sonho é vivido e testemunhado no dom de si mesmo, sem reservas. Por isso, vive e é imortal”.


Meditar a seriedade do amor
Dom Lindomar Rocha, bispo de São Luís de Montes Belos (GO), fez uma narração poética do mistério da encarnação de Jesus e da redenção trazida por Ele a partir do mote “A seriedade do amor”. Seu artigo pode auxiliar em meditações e reflexões durante a Semana maior.

“O Altíssimo entrou na história como caminhante. Seus pés tocaram a poeira. Sua voz chamou os perdidos. Sua fidelidade desceu até a morte. Sua vida abriu a manhã do terceiro dia. E, todo aquele que o ouve, cedo ou tarde, encontra dentro de si o vestígio dessa verdade”.

O Papa: a Lumen Gentium explica positivamente a natureza e a missão dos leigos


Na Audiência Geral desta quarta-feira, Leão XIV falou sobre o quarto capítulo da Constituição Dogmática Lumen Gentium relativo aos leigos. "Perante qualquer diferença de ministério ou estado de vida, o Concílio afirma a igualdade de todos os batizados", frisou o Papa.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição Conciliar Lumen Gentium na Audiência Geral, desta quarta-feira (1º/04), realizada na Praça São Pedro que contou com a participação de quinze mil pessoas.

Hoje, o Pontífice abordou o quarto capítulo, "que trata dos leigos". A seguir, recordou as palavras do Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium: «A imensa maioria do povo de Deus é constituída por leigos. Ao seu serviço, está uma minoria: os ministros ordenados».

De acordo com o Papa, essa seção da Constituição Dogmática Lumen Gentium relativa aos leigos "procura explicar positivamente a natureza e a missão dos leigos, depois de séculos em que foram definidos simplesmente como aqueles que não faziam parte do clero ou das pessoas consagradas".
Igualdade de todos os batizados

"Perante qualquer diferença de ministério ou estado de vida, o Concílio afirma a igualdade de todos os batizados", disse Leão XIV, acrescentando:

“A própria descrição dos leigos que o Concílio nos oferece diz: «Por leigos entendem-se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo».”

O povo santo de Deus não é uma massa informe
"O povo santo de Deus, portanto, nunca é uma massa informe, mas o corpo de Cristo ou, como dizia Santo Agostinho, o Christus totus: é a comunidade organicamente estruturada, em virtude da relação fecunda entre as duas formas de participação no sacerdócio de Cristo: o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial", disse ainda o Papa.

“Em virtude do Batismo, os fiéis leigos participam no mesmo sacerdócio de Cristo. De fato, «O supremo e eterno sacerdote Cristo Jesus, querendo também por meio dos leigos continuar o Seu testemunho e serviço, vivifica-o pelo Seu Espírito e sem cessar os incita a toda a obra boa e perfeita».”

A seguir, Leão XIV citou a Exortação Apostólica Christifideles laici de São João Paulo II. Nela o Pontífice polonês sublinhou "que «o Concílio, com o seu riquíssimo patrimônio doutrinal, espiritual e pastoral, dedicou páginas maravilhosas à natureza, dignidade, espiritualidade, missão e responsabilidade dos fiéis leigos. E os Padres conciliares, feitos eco do chamamento de Cristo, convidaram todos os fiéis leigos, homens e mulheres, a trabalhar na Sua vinha»".

O vasto campo do apostolado laico estende-se ao mundo
"Desta forma, o meu venerável Predecessor relançou o apostolado dos leigos, ao qual o Concílio tinha dedicado um documento específico, que abordaremos mais adiante", disse o Papa Leão.

“O vasto campo do apostolado laico não se limita à Igreja, mas estende-se ao mundo. A Igreja, de fato, está presente onde quer que os seus filhos professem e testemunhem o Evangelho: no trabalho, na sociedade civil e em todas as relações humanas, onde eles, com as suas escolhas, demonstram a beleza da vida cristã, que antecipa aqui e agora a justiça e a paz que serão plenas no Reino de Deus.”

Uma Igreja encarnada na história, sempre aberta à missão
"É preciso que o mundo «seja penetrado pelo espírito de Cristo e, na justiça, na caridade e na paz, atinja mais eficazmente o seu fim». E isso só é possível com o contribuição, o serviço e o testemunho dos leigos", sublinhou o Papa.

“É o convite para sermos aquela Igreja “em saída” de que nos falou o Papa Francisco: uma Igreja encarnada na história, sempre aberta à missão, na qual todos somos chamados a ser discípulos-missionários, apóstolos do Evangelho, testemunhas do Reino de Deus, portadores da alegria de Cristo que encontramos!”

"Irmãos e irmãs, que a Páscoa que nos preparamos para celebrar renove em nós a graça de sermos, como Maria Madalena, como Pedro e João, testemunhas do Ressuscitado", concluiu Leão XIV.

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EVANGELHO DO DIA (Mt 26,14-25)

ANO "A" - DIA: 01.04.2026
DIA: 01.04,2026
QUARTA FEIRA DA SEMANA SANTA (ROXO)

- Salve, Cristo, Luz da vida, companheiro na partilha!
- Salve, nosso rei, somente vós tendes compaixão dos nossos erros.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 14 um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15 e disse: "O que me dareis se vos entregar Jesus?" Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16 E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus. 17 No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: "Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?" 18 Jesus respondeu: "Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: 'O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos'". 19 Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa. 20 Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. 21 Enquanto comiam, Jesus disse: "Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair". 22 Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: "Senhor, será que sou eu?" 23 Jesus respondeu: "Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. 24 O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!" 25 Então Judas, o traidor, perguntou: "Mestre, serei eu?" Jesus lhe respondeu: "Tu o dizes".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O perigo da traição oculta"

A traição de Judas e o alerta para a nossa vida espiritual
Estamos nos aproximando do Tríduo Pascal, tempo importante para a nossa fé e para a nossa Igreja. Hoje, vamos trabalhar um tema muito importante, no qual precisamos estar atentos para não cairmos na mesma tentação de Judas: a traição ao nosso Senhor. O Evangelho de Mateus nos ensina:

“Então um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e perguntou-lhes: O que quereis dar-me e eu vo-lo entregarei?. Ajustaram com ele trinta moedas de prata e, desde aquele instante, ele procurava uma ocasião favorável para entregar Jesus.” (Mateus 26, 14-25)

Uma expressão crucial deste Evangelho é “um dos doze”. O que isso significa? O evangelista quer mostrar que a traição não veio de fora, mas de dentro do círculo íntimo de Jesus.

Os doze representam a comunidade escolhida, a intimidade com Cristo e aqueles que receberam Seus ensinamentos, milagres e amizade. A queda de Judas revela uma verdade espiritual profunda: o mal começa quando o coração se afasta interiormente de Deus, mesmo permanecendo exteriormente próximo.

A traição silenciosa do coração
Judas convivia com Jesus, mas seu coração estava distante. Este é um alerta quaresmal: podemos estar na liturgia, receber os sacramentos e parecer ter uma vida profunda com Deus, mas estar com o coração longe. É o grande perigo que esta liturgia nos apresenta.

Estar em refúgio no coração de Jesus
Não basta estar próximo; é preciso estar dentro do Coração de Jesus, que é o nosso refúgio. Quando deixamos esse abrigo, o mal e a traição entram, afastando-nos de Deus. Peçamos ao Senhor a graça de estarmos inteiros nEle e não pela metade. Que não sigamos o erro de Judas, cuja queda foi fatal por se afastar da vida eterna. Que o Senhor nos ajude a reconhecer nossa dependência d’Ele e derrame Suas graças sobre nós.

Que a bênção de Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova

 

Deixe que o Senhor te molde



Abaixe sua cabeça, coloque suas mãos sobre o peito. Agora é entre você e Deus. Esse é o momento de abrir o coração e entregá-lo ao Divino Oleiro, permitindo que Ele molde e refaça a sua vida.

Quando entregamos o nosso coração ao Senhor, devemos lembrar que Ele é o artesão, o oleiro divino, e nós, o barro. Ele molda, modela, refaz e nos faz novos. Muitas vezes, carregamos marcas, dores e feridas que nos desfiguram, mas Deus deseja restaurar-nos.

Toque sua cabeça com as mãos e lembre-se: nossa missão é sermos regenerados e restaurados para nos tornarmos o rosto de Jesus. Ele foi desfigurado no sofrimento, cravado pelos pregos, derramou Seu sangue por nós. Agora, Ele precisa de suas mãos, seus pés e seu coração misericordioso para continuar Sua obra no mundo.

Peço que o Espírito Santo venha sobre você agora, com Sua luz santificadora e transformadora. Que Ele quebre todas as amarras, algemas e prisões que o impedem de ser livre e plenamente de Deus.

O tema desta reflexão é “Deixe Deus te modelar”. Mas o que significa essa entrega?

🔹 Significa colocar nossa vida totalmente nas mãos de Deus.
🔹 Significa confiar que Ele sabe o que é melhor para nós.
🔹 Significa dar a Ele a liberdade de nos transformar.

Deus só nos modela se permitirmos. Ele respeita nossa liberdade, mas deseja nos moldar, nos refazer, nos tornar novas criaturas.

Deus quer que este fim de semana seja um tempo de cura e libertação para você. Deixe Ele quebrar suas cadeias, arrancar tudo aquilo que o aprisiona, para fazer de você um vaso novo moldado pelo Seu amor.

Você está pronto para ser modelado pelo Divino Oleiro? Entregue-se a Ele e deixe-se transformar!

São Hugo de Grenoble

Hugo, nascido em Châteauneuf-sur-Isère, no sudeste da França em 1053, era filho de um nobre, soldado da corte. Foi educado na Fé pela mãe, demonstrando, muito jovem, piedade e facilidade para assuntos teológicos.

Ainda como leigo, foi feito cônego de Valence, e em seguida trabalhou como secretário do arcebispo de Lyon. Este o levou para o Concílio de Avignon em 1080, onde foi indicado para o bispado de Grenoble; quis recusar por humildade, mas, obedecendo, foi ordenado sacerdote pelo legado papal, e bispo pelo Papa Gregório VII, em Roma, aos 28 anos.

A extensa e populosa sé de Grenoble, antiga, entre a Itália e a França, e possuidora de uma grande e importante biblioteca com muitos códigos e antigos manuscritos, estava muito mal ordenada, há tempos sem pastor. Havia problemas como a indisciplina do clero, incluindo sacerdotes que desrespeitavam o celibato, e simonia (cargos eclesiásticos obtidos por compra); leigos que se apoderavam de bens da Igreja, e outros patrimônios depredados; dívidas com empregados da diocese; e falta de catequese para o povo.

Hugo trabalhou para estabelecer a reforma gregoriana (relativa a Gregório VII, medidas para restaurar a independência da Igreja frente às interferências laicas dos Estados e moralizar o clero), e de fato conseguiu resultados. Mas diante das fortes resistências, quis renunciar ao bispado entrando para o mosteiro beneditino de Cluny, por dois anos. Contudo o Papa o restituiu; Hugo apresentou sua renúncia cinco vezes, a cinco Papas, mas permaneceu no bispado de 1080 a 1132, 52 anos. Ao longo deste período, por meio de muito tempo em oração, e visitando todas as paróquias, obteve a reestruturação de toda a diocese. Seus sermões alcançaram várias conversões.

Importantíssima foi a sua acolhida a São Bruno e seus seis companheiros, a quem cedeu um terreno (Chartreuse) em local isolado, alpino e rochoso, para fundar o primeiro mosteiro da Ordem dos Cartuxos. O bispo também fundou uma ordem independente, Monastère de Chalais (mas atualmente assumida por freiras dominicanas).

Hugo deixou uma importante obra sobre a história da Igreja de Grenoble. Já idoso, pouco antes da sua morte, perdeu a memória, exceto a dos Salmos e do Pai Nosso: nos seus últimos dias ficou repetindo estas orações. Faleceu em 1º de abril de 1132, com 80 anos, em Grenoble.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

O que nunca devemos esquecer, como São Hugo, é das orações… este é o caminho pelo qual, perseverantes, alcançamos o necessário para esta e para a vida infinita que virá (“Quanto mais importunas e perseverantes as nossas orações, mais agradáveis a Deus.” - São Jerônimo). Também como ele, devemos ter a “inteligência”, o “tino” (significados de “Hugo”), do zelo pela evangelização e vida ordenada, começando pelo exemplo pessoal.

Oração:

Senhor Deus, que sempre estais disposto a dialogar conosco pela oração, concedei-nos por intercessão de São Hugo de Grenoble a graça de favorecer estes momentos de íntima e frequente comunhão Convosco, na humildade e sinceridade de coração, e sempre lembrar do apoio devido às Ordens contemplativas, colunas que sustentam este mundo obtendo Vossas benesses e impedindo maiores desgraças, por sua vida de entrega orante. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora, nossos maiores exemplos de como devemos rezar. Amém.

segunda-feira, 30 de março de 2026

CNBB publica nota em solidariedade ao patriarca latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa



A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou, por meio de nota publicada no dia 29 de março, solidariedade ao Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, e à Custódia da Terra Santa, diante do grave episódio ocorrido no Domingo de Ramos, em Jerusalém, quando foram impedidos de acessar a Basílica do Santo Sepulcro para a celebração da Santa Missa.

O episódio causa preocupação por atingir a liberdade religiosa, o respeito aos Lugares Santos e a tradição histórica do status quo, fundamentais para a convivência pacífica na Cidade Santa.

Nesta Semana Santa, a Presidência da CNBB une-se em oração aos cristãos da Terra Santa, pedindo ao Senhor o dom da paz, do diálogo e da reconciliação para Jerusalém e para todo o mundo. Confira, abaixo, a íntegra do documento.

Nota de Solidariedade ao Cardeal Pierbattista Pizzaballa

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifesta sua profunda solidariedade ao Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, bem como à Custódia da Terra Santa, diante do grave episódio ocorrido no Domingo de Ramos, na Cidade Santa de Jerusalém.

Recebemos com consternação a notícia de que o Cardeal Pizzaballa e o Custódio da Terra Santa, Frei Francesco Ielpo, foram impedidos de acessar a Basílica do Santo Sepulcro para a celebração da Santa Missa, fato inédito e profundamente doloroso para toda a Igreja.

Tal medida, além de desproporcional, fere princípios fundamentais como a liberdade religiosa, o respeito aos Lugares Santos e a tradição secular do Status Quo, tão necessária para a convivência pacífica em Jerusalém. Em um tempo particularmente sensível para os cristãos de todo o mundo, este acontecimento atinge não apenas a comunidade local, mas também milhões de fiéis que, nesta Semana Santa, voltam seu olhar e sua oração para a Terra Santa.

Unimo-nos em oração ao Patriarcado Latino de Jerusalém, à Custódia da Terra Santa e a todos os cristãos da região, pedindo ao Senhor da paz que fortaleça os corações diante das adversidades e ilumine as autoridades para que sejam respeitados os direitos fundamentais de culto e de livre expressão da fé.

Que Jerusalém, cidade santa para judeus, cristãos e muçulmanos, seja cada vez mais sinal de reconciliação, justiça e paz.

Cardeal Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre – RS
Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros
Arcebispo de Goiânia – GO
1º vice-presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson
Arcebispo de Olinda e Recife – PE
2ª vice-presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers
Bispo auxiliar de Brasília – DF
Secretário-geral da CNBB

Papa confia à Maria os crucificados de hoje: rejeitar a guerra com o Rei da paz


Neste Domingo de Ramos, momento importante do ano litúrgico para celebrar a entrada de Jesus em Jerusalém, Leão XIV nos convida a percorrer o caminho da cruz com Cristo, Rei da paz, que diante da violência, ao invés de se armar, permaneceu firme na mansidão, deixando-se cravar na cruz. À Maria, que chora pelo Filho e pelos crucificados de hoje, o clamor por um Deus que é amor e rejeita a guerra, "que ninguém pode usar para justificar a guerra".

Andressa Collet - Vatican News

Neste Domingo de Ramos e da Paixão, que dá início à Semana Santa com a liturgia que celebra a entrada de Jesus em Jerusalém, o Papa Leão XIV fez um convite para seguir Cristo, "que se apresenta como Rei da paz", luz do mundo e que permanece firme na mansidão, diante de uma violência que o rodeia, inclusive com o plano de uma condenação à morte:

“Enquanto Jesus percorre o caminho da cruz, coloquemo-nos atrás d’Ele, sigamos os seus passos. E, caminhando com Ele, contemplemos a sua paixão pela humanidade, o seu coração que se parte, a sua vida que se torna dom de amor.”

Em Jesus, Rei da paz, vemos os crucificados da humanidade
O pedido foi feito neste domingo (29/03) numa Praça São Pedro que ficou lotada de cerca de 40 mil fiéis. Fiéis que carregavam ramos, de diferentes espécies e tipos, unidos pelo único desejo de caminhar juntos pela mesma fé compartilhada, como foi feito logo no início da celebração: após a bênção dos ramos pelo Pontífice e a proclamação do Evangelho que narra a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, a procissão solene com cantos recordou os judeus no tempo de Jesus.

Na homilia voltada para o mistério da Paixão, o Papa recordou Jesus, como Rei da paz, em diferentes circunstâncias, desde quando entrou "em Jerusalém montado num jumento, não num cavalo, cumprindo a antiga profecia que convidava a exultar pela chegada do Messias", até quando foi "carregado com os nossos sofrimentos e traspassado pelas nossas culpas". Em todo momento Jesus "não se armou, nem se defendeu, nem travou nenhuma guerra. Manifestou o rosto manso de Deus, que sempre rejeita a violência, e, em vez de se salvar a si mesmo, deixou-se cravar na cruz, para abraçar todas as cruzes erguidas em cada tempo e lugar da história da humanidade":

"Irmãos, irmãs, este é o nosso Deus: Jesus, Rei da paz. Um Deus que rejeita a guerra; que ninguém pode usar para justificar a guerra; que não escuta mas rejeita a oração de quem faz a guerra, dizendo: «Podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue»."

Convidados a olhar para Jesus, "que foi crucificado por nós, vemos os crucificados da humanidade", disse o Papa: mulheres e homens feridos, "sem esperança, doentes, sozinhos". Mas, "sobretudo, ouvimos o gemido de dor de todos aqueles que são oprimidos pela violência e de todas as vítimas da guerra. Da sua cruz, Cristo, Rei da paz, ainda clama: Deus é amor! Tende piedade! Deponde as armas, lembrai-vos de que sois irmãos!".

Cerca de 40 mil fiéis estiveram na Praça São Pedro e arredores (@Vatican Media)

O clamor à Maria pelos crucificados de hoje
Ao final da homilia, Leão XIV usou das palavras do Servo de Deus, o bispo italiano Tonino Bello (1935-1993), conhecido como "profeta da paz" e "bispo dos últimos" pelo empenho junto aos pobres e injustiçados, para confiar à Maria Santíssima, "que está ao pé da cruz do Filho e chora também aos pés dos crucificados de hoje", o seguinte clamor:

"«Santa Maria, mulher do terceiro dia, dá-nos a certeza de que, apesar de tudo, a morte já não terá mais poder sobre nós. Que os dias das injustiças dos povos estão contados. Que os clarões das guerras se estão a reduzir a luzes crepusculares. Que os sofrimentos dos pobres chegaram aos seus últimos suspiros. […] E que, finalmente, as lágrimas de todas as vítimas da violência e da dor em breve secarão, como a geada ao sol da primavera» (Maria, mulher de nossos dias)."

Papa preside missa do Domingo de Ramos e da Paixão
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EVANGELHO DO DIA (Jo 12,1-11)

ANO "A" - DIA: 30.03.2026
SEGUNDA FEIRA DA SEMANA SANTA

- Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor!
- Salve, nosso rei, somente vós tendes compaixão dos nossos erros.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

1 Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi para Betânia, onde morava Lázaro, que ele havia ressuscitado dos mortos. 2 Ali ofereceram a Jesus um jantar; Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. 3 Maria, tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo. 4 Então, falou Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de entregar: 5 "Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata, para as dar aos pobres?" 6 Judas falou assim não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão; ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela. 7 Jesus, porém, disse: "Deixa-a; ela fez isto em vista do dia de minha sepultura. 8 Pobres, sempre os tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis". 9 Muitos judeus, tendo sabido que Jesus estava em Betânia, foram para lá, não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Jesus havia ressuscitado dos mortos. 10 Então, os sumos sacerdotes decidiram matar também Lázaro, 11 porque, por causa dele, muitos deixavam os judeus e acreditavam em Jesus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O perigo do apego e a lição de generosidade de Maria de Betânia"

Da bolsa de Judas ao perfume de Maria: o combate contra o apego material
“Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde morava Lázaro, que ele havia ressuscitado dos mortos. Ali, ofereceram a Jesus um jantar. Maria servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Maria, tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo. Então, falou Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de entregar: “Por que não se vendeu este perfume por 300 moedas de prata para dar aos pobres?” Judas falou assim não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão. Ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela. Jesus, porém, disse: “Deixa. Ela fez isto em vista do dia da minha sepultura” (João 12,1-11).

Irmãos e irmãs, vivemos ontem o domingo de Ramos, da Paixão do Senhor, e fomos inseridos nesta realidade do sofrimento. Ehoje nós temos essa continuidade.

Reconhecer a divindade de Jesus
Nesta continuidade, Maria, irmã de Lázaro, se derrama em generosidade, gratidão e reconhecimento da divindade de Jesus. Também nós devemos reconhecer e ter o coração grato pela presença de Jesus em nossa vida. Mas, no texto do Evangelho que nós escutamos, Judas dá sinais que revelam a corrupção do coração. Então, destaque para Judas, o traidor, neste dia.

Renunciar ao apego e abraçar o coração de Deus
Sinais de corrupção: um coração corrupto se afasta de Deus e se prende ao dinheiro, prende-se às realidades materiais. Que, nesta Semana Santa, você renuncie a todos os apegos materiais, apego ao dinheiro, apego às pessoas. Que você se apegue ao coração de Deus com muita generosidade, como foi a generosidade de Maria.

Sobre você, desça e permaneça a bênção de Deus Todo-Poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Edison Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova