quinta-feira, 7 de maio de 2026

CCM oferece cursos de atualização missionária para párocos e vigários e diáconos permanentes



O Centro Cultural Missionário (CCM) recebe inscrições para duas formações sobre atualização missionária: uma voltada para párocos e vigários paroquiais e outra destinada aos diáconos permanentes. Os cursos serão realizados no próximo mês de junho e serão oportunidade para refletir e aprofundar a dimensão missionária nas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e refletir sobre a identidade e a missão diaconal.

Atualização missionária para diáconos permanentes
Voltado para diáconos permanentes, suas esposas e candidatos ao diaconato permanente em formação, o curso de atualização missionária pretende animar a vivência da identidade missionária, fortalecer na vivência da espiritualidade, ajudar e orientar no processo de conversão pastoral-missionária.

Segundo o CCM, será tratada a identidade e a missão do diácono “como apóstolo da caridade, destacando seu papel no serviço aos pobres e na promoção da caridade cristã dentro da Igreja e da sociedade, à luz do Evangelho, da Exortação apostólica do Papa Leão XIV Dilexi te: Sobre o amor para com os pobres”.

A metodologia contará com reflexões temáticas; trabalho em grupos e partilha de experiências; momentos orantes e celebração eucarística; utilização de recursos audiovisuais e indicações de referências bibliográficas para aprofundamento da reflexão pessoal.

Ao final, serão concedidos certificados pela Faculdade de Teologia da Arquidiocese de Brasília (FATEO) e pelo Centro Cultural Missionário (CCM).

O curso será oferecido de forma presencial, em Brasília (DF), de 15 a 19 de junho.


Atualização Missionária para párocos e vigários paroquiais
O curso destinado aos padres, seja os que atuam como párocos, seja os que são vigários, tem o objetivo de aprofundar a compreensão da missão como eixo integrador da vida e da atividade eclesial/paroquial a partir das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil “em vista do processo de conversão pastoral missionária das paróquias”.

“Este ano, o curso pretende oferecer-lhes oportunidade de refletir o conteúdo das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e, assim, ajudá-los a dar passos no processo de conversão pastoral missionária nas paróquias onde atuam”, explica o diretor geral do CCM, padre Antônio Valdeir Duarte de Queiróz .

A formação será realizada de 29 de junho a 2 de julho deste ano, na sede do Centro Cultural Missionário, em Brasília. A metodologia utilizará de reflexões temáticas; trabalho em grupos e partilha de experiências; momentos orantes e celebração eucarística; recursos audiovisuais; e indicações de referências bibliográficas para aprofundamento da reflexão pessoal. Ao final, será concedido certificado pelo Instituto São Paulo de Estudos Superiores (ITESP) e pelo Centro Cultural Missionário (CCM).


Luiz Lopes Jr

Leão XIV à Guarda Suíça: grato pelo seu serviço, inspirado no amor à Igreja

O Papa assistiu à cerimônia de juramento de 28 recrutas na Sala Paulo VI. Agradecendo aos novos alabardeiros do corpo militar mais antigo do mundo pelo seu "precioso serviço", enfatizou o seu "compromisso com a lealdade" e o seu "entusiasmo juvenil".

Mariangela Jaguraba – Vatican News

Realizou-se na Sala Paulo VI, na tarde desta quarta-feira, 6 de maio, a cerimônia de juramento de 28 novos alabardeiros da Guarda Suíça Pontifícia, na presença do Papa Leão XIV.

A cerimônia que geralmente é realizada no Pátio São Dâmaso foi transferida para a Sala Paulo VI por causa da chuva.

Em 6 de maio, comemora-se o aniversário do sacrifício de 189 guardas suíços que defenderam o Papa Clemente VII contra o exército de Carlos V, durante o Saque de Roma, em 1527.

Um momento da cerimônia de juramento dos 28 recrutas (@Vatican Media)

Leão XIV entrou na Sala Paulo VI às 17h locais, cumprimentou o comandante do exército mais antigo do mundo, o capelão e os cardeais na primeira fila, e tomou seu lugar. Os toques de trombeta da guarda anunciaram o início da cerimônia.

Os 28 novos alabardeiros entraram lentamente, passando pelo corredor central da Sala Paulo VI em direção ao palco, marchando solenemente ao ritmo dos tambores. Eles usavam o uniforme de gala, com couraça, luvas brancas e elmo usado para a bênção papal Urbi et Orbi no Natal e na Páscoa.

Recrutas da Guarda Suíça Pontifícia que fizeram o juramento (@Vatican Media)

Compromisso com a fidelidade
O Papa fez o seu discurso. Após cumprimentar as autoridades civis e militares e o presidente da Federação Suíça, Guy Parmelin, Leão XIV agradeceu aos novos recrutas e a todo o Corpo da Guarda Suíça pela dedicação ao trabalho.

“A vocês, queridos jovens que prestaram o Juramento, expresso minha estima e gratidão. Seu gesto demonstra um compromisso com a fidelidade, animado pelo entusiasmo juvenil e fundamentado na fé em Deus e no amor à Igreja. Coloco-o sob a proteção da Virgem Maria, junto com todo o precioso serviço da Guarda Suíça Pontifícia.”

Em seguida, desejou boa noite em italiano, francês e alemão.

O Papa agradece aos novos alabardeiros e a todo o Corpo da Guarda Suíça pelo seu "precioso serviço" (@Vatican Media)

Agradecimento aos familiares
Antes das palavras do Papa, o coronel da Guarda Suíça Pontifícia, Christoph Graf, tomou a palavra. Ele fez um agradecimento especial aos familiares dos guardas suíços.

“Queridos pais, queridos irmãos e irmãs dos nossos novos Guardas, foram vocês que formaram estes jovens e os acompanharam na sua decisão de partir, para que pudessem iniciar o seu serviço aqui, no coração da Igreja. Sem o seu apoio, este caminho não teria sido possível.”

Depois, recordou o conceito de "serviço" e disse que em nossa sociedade, "o serviço é frequentemente visto com espírito crítico. Alguns o percebem como um obstáculo à realização pessoal, ou o associam a algo de humilde ou até mesmo degradante".

O coronel Christoph Graf discursa perante Leão XIV no Sala Paulo VI (@Vatican Media)

O serviço é parte essencial da nossa identidade humana
"Não é parte da própria essência do ser humano colocar-se a serviço dos outros?" Perguntou. "Todos nós, ao longo da vida, somos chamados a servir: ao nosso próximo, à comunidade e a Deus. Isso não é um peso, mas sim uma oportunidade: é precisamente colocando nossos talentos a serviço dos outros que podemos nos realizar plenamente. Quem serve descobre a chave para a verdadeira realização".

"A este propósito, a fé nos oferece inúmeros exemplos brilhantes: em primeiro lugar, Cristo, que diz: "Não vim para ser servido, mas para servir". Este é o fundamento da nossa compreensão do serviço como seres humanos e como cristãos. O serviço é parte essencial da nossa identidade humana", disse o coronel Graf, finalizando:

“Queridos Guardas, o seu 'estar a serviço' assume um significado especial durante o tempo passado na Guarda: apoiar o Santo Padre “com todas as suas forças”, comprometer-se com Ele em palavras e ações, e oferecer toda a ajuda necessária para garantir a Sua proteção, para que Ele possa cumprir a sua missão como Sucessor do Apóstolo Pedro.”

Discurso do capelão da Guarda Suíça (@Vatican Media)

O valor sacramental da doação de si
O capelão da Guarda Suíça Pontifícia, pe. Kolumban Reichlin, explicou o valor espiritual do serviço e do "sacrifício de si": "Quem serve abre mão de algo. Vocês sabem disso no dia a dia. Passam por dificuldades, cansaço, às vezes sentem saudade de casa e duvidam se tudo isso vale a pena. A doação de si tem seu preço. Mas quem se doa não se torna mais pobre. A doação tem um caráter sacramental que nos ajuda a crescer humanamente e espiritualmente." A seguir, o capelão leu o juramento: "Juro servir fiel, leal e honrosamente ao Pontífice atual e seus legítimos sucessores, dedicar-me a eles com todas as minhas forças, sacrificando, se necessário, até mesmo a minha vida em sua defesa. Assumo os mesmos deveres para com o Colégio Cardinalício durante a vacância da Sé Apostólica. Prometo também ao Comandante e aos demais Superiores respeito, fidelidade e obediência. Assim juro, que Deus e nossos Santos Patronos me auxiliem."

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EVANGELHO DO DIA (Jo 15,9-11)


ANO "A" - DIA: 07.05.2026
5ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Minhas ovelhas escutam minha voz, minha voz estão elas a escutar; eu conheço, então, minhas ovelhas, que me seguem, comigo a caminhar.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 9 "Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10 Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11 Eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Enraizados na fonte do amor para frutificar"

Enraizado em Cristo para permanecer no amor do Pai
Que grande alegria poder receber você hoje! Vamos partilhar sobre aqueles que permanecem no amor de Deus e são profunda e espiritualmente enraizados n’Ele, e por isso produzem muitos frutos. Quero pedir a Nosso Senhor essa graça para o nosso coração através do Evangelho de São João, que vai nos dizer o seguinte:

“Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. Se guardares os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor. Como também eu guardei os mandamentos do meu Pai e persisto no seu amor. Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa.” (João 15, 9-11)

O amor que vem do Pai deve permanecer em nós, a origem do amor é o Pai. Por isso Jesus começa dizendo, como o Pai me amou, assim também eu vos amei.
Enraizar-se para transbordar

O amor que recebemos de Cristo, meu irmão, minha irmã, não nasce simplesmente do nosso sentimento humano. Mas tem origem no próprio Deus. Quando eu estudei Teologia, eu ouvi algo muito importante de um professor: “Para amar, nós precisamos estar enraizados, realmente, em Deus, porque só amamos e só fazemos gestos de amor se nós estivermos sob a graça d’Ele”.

A eficácia de permanecer no amor
Ele deu um exemplo de um papel de bala caído no chão. Se eu não viver e não estiver enraizado em Deus, no Seu amor, eu não tenho a mínima chance de fazer aquele ato de me abaixar, de pegar aquele papel e jogar numa lata de lixo. Ou seja, um único ato de caridade, mesmo que seja pequeno, se não estiver em Deus, nós não podemos fazê-lo.

Por isso, o amor cristão não começa em nós, mas no Pai, que passa pelo Filho e que chega até nós. Portanto, quando amamos de verdade, estamos participando da própria vida de Cristo, da própria vida de Deus. Então, se você quer ser fecundo no amor, esteja enraizado no Pai, no Filho e no Espírito Santo, para que você seja eficaz nas práticas de caridade.

Que Deus nos abençoe em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova


Qual a diferença entre o Catecismo de Pio X e o atual?


O catecismo e a busca pelo conhecimento
O Papa São Pio X escreveu um catecismo por volta de 1910 e 1915 em formato de perguntas e respostas. Já o catecismo atual não segue esse modelo, sendo composto por um texto descritivo. Ambos são considerados válidos e importantes para a Igreja.

A necessidade de atualização do conhecimento
Entretanto, o atual assume maior relevância por ter sido atualizado conforme as necessidades do nosso tempo. Se o catecismo de São Pio X fosse suficiente para os dias de hoje, o Papa João Paulo II não teria sentido a necessidade de criar uma nova versão.

O catecismo de São Pio X tem mais de cem anos e muitos temas complexos surgiram desde a sua publicação. Naquela época, não se discutiam questões como a inseminação artificial ou a ideologia de gênero, temas que exigem uma orientação moral clara.

Leia mais

O catecismo uma fonte segura e atual
O novo catecismo utilizou as bases do Catecismo de São Pio V, de 1565, que está em harmonia com o de São Pio X. Contudo, a versão atualizada é a que responde aos desafios contemporâneos enfrentados pela sociedade e pelos fiéis.

Em 1985, durante um sínodo que celebrava os 20 anos do Concílio Vaticano II, os bispos solicitaram ao Papa um novo catecismo. O Papa João Paulo II concordou com a necessidade e aprovou a nova edição no ano de 1992.

Na Constituição Apostólica Fidei Depositum, o Papa destaca que este é o texto de referência da fé católica. Para quem deseja ter o conhecimento real do que a Igreja acredita, o catecismo é uma fonte segura e atualizada.

Transcrito e adaptado por Jaqueline Scarpin

Santa Flávia Domitila


Flávia era sobrinha de Flávio Clemente, que era então um dos cônsules de Roma. Nesta época, os cristãos que não adoravam os deuses romanos eram considerados ateus. O imperador Domiciano emplacou uma séria perseguição aos cristãos.

Flávia Domitila teria sido convertida ao cristianismo por dois eunucos. Enquanto ela se preparava para o casamento com o filho de um cônsul, Nereu e Aquiles lhe falaram sobre Cristo e a beleza da virgindade. Ela teria abandonado o casamento e se convertido imediatamente.

Juntamente com numerosas pessoas, Flávia foi deportada para a ilha de Ponza, por ter confessado a Cristo. No atas do martírio da nobre dama romana, vemos a força penetrante do Evangelho na sociedade romana, conquistando adeptos até mesmo entre a família imperial.

Sua morte aconteceu de forma lenta, cruel e dolorosa, numa ilha abandonada, sem as menores condições de sobrevivência, conforme escreveu sobre ela São Jerônimo.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR

Reflexão:

Hoje celebramos a vida de mais uma mulher que morreu pela defesa da fé. Nossa religião deve muito ao testemunho de mulheres corajosas e fiéis. Enfrentando os costumes de suas épocas, souberam colocar Jesus Cristo como o centro da vida e dedicaram esforço e amor aos mais empobrecidos. Que Deus abençoe hoje todas as mulheres do Brasil, sobretudo aquelas que gastam seu tempo para auxiliar os mais desfavorecidos.

Oração:

Deus, nosso Pai, Santa Flávia foi reduzida ao silêncio, porque confessou publicamente o vosso Nome. Velai, Senhor, por aqueles que, lutando pela justiça, foram reduzidos ao silêncio, exilados ou assassinados. Olhai por todos os silenciados da América Latina, especialmente pelas mulheres sofridas do nosso continente. Dai-nos denunciar as injustiças e lutar sempre pela verdade. Por Cristo nosso Senhor. Amém!

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Aumenta o número de católicos no mundo. No Brasil, análise do Censo 2022 orientou construção das DGAE


Foi divulgado, nesta semana, o aumento do número de católicos no mundo. De acordo com os dados do Anuário Pontifício 2026 e do Annuarium Statisticum Ecclesiae 2024, os católicos no mundo somam pouco mais de 1,422 bilhão de pessoas em 2024, ante 1,406 bilhão em 2023. O aumento foi de 1,14%, cerca de 16 milhões de fiéis. Os números proporcionam interpretações, análises e guiam tomadas de decisão em toda parte. Aqui no Brasil, atentos à missão de anunciar o Evangelho a todos, os bispos consideraram os dados do Censo 2022 na reflexão das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE).

Estabilidade
Os dados do Anuário Pontifício mostraram que a participação dos católicos na população global permaneceu estável, em torno de 17,8%. A América continua como o continente com maior número de católicos, concentrando 47,7% do total mundial e com 64% da população que se declara católica.

No Brasil, os dados do Censo 2022 apontaram para o número de 56,7% de católicos no país, uma redução de 8,3% em relação a 2010. Porém, a redução foi menor que a década anterior. Outro destaque diz respeito ao aumento no número de pessoas sem religião, freando a expectativa de aumento crescente no número de evangélicos.

Mudança de cenário
Os dados do Censo 2022 “constatam uma mudança importante”, segundo a análise do Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi (Inapaz) apresentada na 62ª Assembleia Geral da CNBB.

“O Brasil deixa de ser um país hegemonicamente católico para se configurar como uma nação religiosamente plural e dinâmica”.

Essa análise reforça o que tem sido apresentado pelo Inapaz desde o ano passado, quando começaram a ser divulgados os recortes sobre religião a partir do Censo. A compreensão é de que os números censitários “são insuficientes para uma aproximação mais consistente da realidade verificada no ethos religioso brasileiro. Eles precisam ser interpretados, entre outros aspectos, à luz de aspectos culturais mais amplos”.

Assim, as análises de conjuntura eclesial elaboradas pelo Inapaz tiveram a preocupação de analisar não só os dados do Censo, mas o modo como pessoas e grupos lidam com a vida, com a dimensão religiosa em geral e com o catolicismo em particular, o chamado ethos religioso.

De acordo com o Inapaz, a experiência religiosa brasileira se deslocou de um perfil monocêntrico, institucional, doutrinal e estático para um perfil altamente plural, individualizado. “O Brasil está passando da cristandade para a pós-cristandade, no qual o cristianismo se torna uma escolha pessoal em um contexto bastante plural, perdendo força institucional”.

Além desses aspectos há um contexto mundial de policrise, o que é entendido a partir do termo utilizado por Edgar Morin a respeito das mudanças nos diversos âmbitos da vida humana como sintomas de uma crise maior da civilização ocidental.

Assim, observa o Inapaz, “o desafio consiste em anunciar o Evangelho em um contexto no qual crer já não significa necessariamente pertencer nem seguir”.

“Trata-se de redescobrir a força do testemunho, da comunidade e do encontro pessoal como caminhos privilegiados para que a fé cristã continue a oferecer sentido, esperança e horizonte à existência humana no Brasil de hoje. Trata-se de buscar itinerários para que a fé seja transmitida às novas gerações, seja alimentada e mantenha seu vigor profético-solidário”.

Nesse cenário, a ação evangelizadora não pode se limitar à conservação de estruturas e métodos herdados de um contexto de cristandade, alertou o Inapaz. A exigência, é de uma “conversão pastoral e missionária que coloque a Igreja em estado permanente de missão”, apontou inspirado no Documento de Aparecida.

“Tal conversão passa pela redescoberta da centralidade do encontro pessoal com Jesus Cristo, pela valorização das pequenas comunidades como mediações privilegiadas em uma sociedade fragmentada, pelo fortalecimento da iniciação à vida cristã, pela adequada animação bíblica da vida e da pastoral, pela integração entre liturgia e piedade popular e pelo compromisso com a transformação da realidade à luz do Evangelho”.


As novas Diretrizes que recolhem os apontamentos da análise
Após um percurso de quatro anos, o episcopado brasileiro concluiu, durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, a construção das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto recolhe, entre as diversas fontes que o inspiram, as contribuições oferecidas pelo Inapaz.

Elas são a forma com a qual os bispos propõem uma resposta ao apelo do Espírito “a ser uma tenda sempre aberta, capaz de ampliar a escuta e o acolhimento, sustentada por estacas firmes na fé, esperança e caridade, diante dos desafios atuais”.

As Diretrizes querem assegurar que a Igreja no Brasil permaneça fiel às suas três tarefas permanentes: anunciar, santificar e testemunhar a fé.

Os bispos, cientes da nova realidade, convidam a Igreja a “rever os métodos de anúncio da Boa-Nova, de transmissão da fé e de fortalecimento do senso de pertença à comunidade eclesial”. Nas novas DGAE, também falam em “reavivar em toda a Igreja no Brasil a busca pela santidade e o sentido de participação e comunhão orientados pela missão”.

A imagem da tenda, assim como no processo do Sínodo sobre a Sinodalidade vivido por toda a Igreja, foi escolhida para expressar o espírito que vai nortear a ação evangelizadora da Igreja no Brasil. Essa figura da tenda pode ser entendida como o chamado à Igreja a ser “comunidade que se alarga, escuta os sinais dos tempos, faz o discernimento para a conversão pastoral e sai em missão”.

O texto será publicado nas próximas semanas e estará disponível para todas as comunidades do Brasil para aquisição na editora oficial da CNBB, a Edições CNBB.

Papa: a Igreja não anuncia a si própria, mas aponta para a salvação em Cristo

Continuando o ciclo de catequeses sobre a Constituição Dogmática "Lumen Gentium", Leão XIV dedicou sua catequese desta quarta-feira, 6 de maio, para a dimensão escatológica da Igreja, com frequência esquecida. "Somos chamados a considerar a dimensão comunitária e cósmica da salvação em Cristo e a voltar o nosso olhar para este horizonte final, a medir e a avaliar tudo a partir desta perspectiva."

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

Depois da viagem à África, o Papa retomou suas catequeses sobre os documentos conciliares, comentando hoje o Capítulo VII da Lumen Gentium. Neste tópico, a Constituição sobre a Igreja do Concílio Vaticano II reflete sobre uma das suas características definidoras: a dimensão escatológica.

"A Igreja, de fato, percorre esta história terrena sempre orientada para o seu objetivo final, que é a pátria celeste", explicou o Pontífice. Essa é uma dimensão essencial que, no entanto, muitas vezes é negligenciada ou minimizada porque se foca no que é imediatamente visível e nas dinâmicas mais concretas da vida da comunidade cristã.

Denunciar o mal em todas as suas formas
Povo de Deus que caminha na história, a Igreja tem o Reino de Deus como fim de todo o seu agir. Isto significa que ela não se identifica perfeitamente com o Reino de Deus, pois o cumprimento definitivo deste somente ocorrerá no fim dos tempos. Guardiã de uma esperança que ilumina o caminho, afirmou o Papa, é também investida da missão de pronunciar palavras claras para rejeitar tudo o que mortifica a vida e impede o seu desenvolvimento e a tomar posição em favor dos pobres, dos explorados, das vítimas da violência e da guerra e de todos os que sofrem, no corpo e no espírito.

“Sinal e sacramento do Reino, a Igreja é o povo de Deus em peregrinação na terra, que, partindo da promessa final, lê e interpreta a dinâmica da história a partir do Evangelho, denunciando o mal em todas as suas formas e anunciando, por palavras e ações, a salvação que Cristo deseja realizar para toda a humanidade e o seu Reino de justiça, amor e paz. A Igreja, portanto, não anuncia a si própria; pelo contrário, tudo nela deve apontar para a salvação em Cristo.”

Papa pronuncia a sua catequese (@Vatican Media)

Nenhuma instituição eclesial pode ser absolutizada
Nesta perspetiva, a Igreja é chamada a reconhecer humildemente a fragilidade humana e a transitoriedade das suas instituições, que, embora sirvam o Reino de Deus, transportam a imagem fugaz deste mundo (cf. LG, 48). "Nenhuma instituição eclesial pode ser absolutizada", recordou Leão XIV. Pelo contrário, já que vivem na história e no tempo, são chamadas à conversão contínua, à renovação das formas e à reforma das estruturas, à regeneração constante das relações, para que possam verdadeiramente corresponder à sua missão.

Na comunhão dos santos, formamos uma única Igreja
No contexto do Reino de Deus, outro ponto a ser compreendido é a relação entre os cristãos que cumprem a sua missão hoje e aqueles que já concluíram a sua existência terrena e se encontram em estado de purificação ou beatitude.

A Lumen Gentium, de fato, afirma que todos os cristãos formam uma só Igreja, que existe uma comunhão e partilha dos bens espirituais fundada na união de todos os fiéis com Cristo, uma fraterna sollicitudo entre a Igreja terrena e a Igreja celeste. Ao rezarmos pelos defuntos e ao seguirmos os passos daqueles que já viveram como discípulos de Jesus, também nós somos amparados na nossa caminhada e fortalecemos a nossa adoração a Deus.

"Sejamos gratos aos Padres Conciliares por nos terem recordado essa dimensão tão importante e bela do ser cristãos, e procuremos cultivá-la nas nossas vidas", pediu o Santo Padre, ao concluir a sua catequese.

Papa saúda a multidão (@Vatican Media)

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EVANGELHO DO DIA (Jo 15,1-8)

ANO - "A" - DIA: 06.05.2026
5ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Ficai em mim, e eu em vós ficarei, diz Jesus; quem em mim permanece, há de dar muito fruto.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 1 "Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. 2 Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. 3 Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4 Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. 5 Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6 Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7 Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8 Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"A videira verdadeira"

A videira como fonte da nossa fidelidade
Nós queremos, neste dia, trazer ao seu coração algo muito importante. Jesus é a verdadeira videira e dele brota a fonte da vida. Evangelho de São João, diz o seguinte para nós:

“Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer” (João 15, 1-8).

O Evangelho de São João nos coloca dentro de uma das imagens mais profundas usadas por Jesus. A videira e os ramos. Não é somente uma comparação bonita, mas uma revelação do mistério da vida cristã.

A videira verdadeira e a revelação do mistério cristão
Quando Jesus afirma “Eu sou a verdadeira videira”, no Antigo Testamento, o povo de Israel, frequentemente, comparava-se a uma videira que era plantada por Deus. Porém, muitas vezes, essa videira não produziu os frutos necessários e esperados.

Agora, Jesus aparece como essa nova videira, aquela que realiza perfeitamente o plano de Deus. Ou seja, o que eu quero trazer para você é o seguinte: que, na vida espiritual, se nós não estivermos enxertados na videira, que é Cristo, não produziremos fruto nenhum e nossa vida será estéril. Ou seja, podemos dizer que somos católicos, que somos cristãos, que vamos à Missa, mas se não estivermos enxertados na videira, que é o Cristo, não teremos nem daremos frutos. E a nossa vida não será conforme aquilo que agrada a Deus.

O convite à dependência divina
Por isso Jesus diz claramente: “Sem mim, nada podeis fazer”. O grande engano da vida espiritual é achar que nós damos frutos por nós mesmos. Mas Jesus está afirmando: “Sem mim, nada podeis fazer”. Essa palavra é um convite à humildade espiritual. Muitas vezes, pensamos que podemos conduzir a nossa vida sozinhos, mas o Evangelho nos recorda que a graça vem de Cristo.

Peçamos a Deus que o nosso coração esteja enxertado, verdadeiramente, na videira que é nosso Senhor, para que possamos dar bons frutos, e frutos que permaneçam.

Que Deus nos abençoe em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!


Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova