segunda-feira, 18 de maio de 2026

II Congresso Teológico de Pastoral Urbana: dom Jackson aprofunda a formação de comunidades e discípulos missionários

Em reflexão conduzida pelo arcebispo de Olinda e Recife (PE) e segundo-vice presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, a última conferência do II Congresso Teológico de Pastoral Urbana tratou do tema “Formação de comunidades de discípulos missionários nas novas configurações urbanas” nesta quinta-feira, 14 de maio.

Com o tema “Deus habita esta cidade” (Sl 47,9), o II Congresso Teológico de Pastoral Urbana é uma iniciativa da CNBB em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Teologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC RS) e com o Programa de Pós-Graduação Profissional em Teologia Prática da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).

O evento buscou dar continuidade ao I Congresso Teológico Internacional de Pastoral Urbana, realizado em 2024 pela PUCRS e pela CNBB. De acordo com a organização, o objetivo é consolidar um espaço de diálogo interdisciplinar e de cooperação institucional que promova a pesquisa e a reflexão voltadas à realidade urbana.

Formação de comunidades e discípulos missionários
Dom Paulo Jackson iniciou sua reflexão pontuando que pouco foi feito depois da Conferência Episcopal da América Latina e Caribe de Aparecida, da Exortação Apostólica que trata do anúncio do Evangelho no mundo atual, a Evangelii Gaudium, e dos documentos da CNBB número 100 – que fala de “Comunidade de Comunidades: uma nova paróquia” – e número 107 – intitulado “Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar discípulos missionários” – que tratam da formação de novas comunidades de discípulos missionários.

O segundo vice-presidente da CNBB afirmou ser necessário retomar os processos de formação de comunidades e de discípulos missionários. Dom Jackson refletiu sobre as novas configurações urbanas focado no fenômeno da verticalização dos condomínios, a queda do conceito de territorialidade e a questão da violência urbana e também sobre o direito à cidade. Neste contexto de urbanização recente, dom Jackson pontou que um dos últimos “serviços” à chegar nos espaços é a presença da Igreja Católica.

Dom Jackson também apontou elementos para compreender a cidade e como ela aparece na Bíblia. O arcebispo dedicou maior parte de sua reflexão às propostas sobre a formação de discípulos e formação de comunidades nos espaços urbanos. Veja abaixo a íntegra da conferência de dom Paulo Jackson.

“Que esse congresso nos ajude em nossas escolhas pastorais”

O sub-secretário adjunto de Pastoral da CNBB, padre Tiago Camargo participou, na sequência à conferência de dom Jackson, da mesa de encerramento do II Congresso Teológico da Pastoral Urbana. Padre Tiago saudou os participantes em nome da CNBB a agradeceu especialmente à Unicap e outras universidades que foram parceiras na organização do evento PUC RS e PUC Minas e também ao regional Nordeste 2 da CNBB e à arquidiocese de Olinda e Recife.

Padre Tiago reforçou que as reflexões oportunizaram a necessidade de recordar e reconhecer, mais uma vez, o lugar e importante valor que Teologia tem na cultura, sociedade e territórios. O subsecretário de Pastoral da CNBB reforçou que vivemos um tempo de constantes transformações e de “mudança de época”, como recorda o documento de Aparecida.

“Transformada pela urbanização, a cultura urbana exige de nós uma presença eclesial renovada, convertida, atenta e que sabe cuidar. Que aprendeu do Evangelho a olhar e a ver, ouvir e a escutar. Aproximar, tocar, resgatar e promover a dignidade da vida humana que pulsa, fala e dialoga. Quem tem cor e tem tom, que tem sede e sente, que grita e clama. Desejo que esse congresso possa frutificar ainda mais e dar frutos inspiradores e ajudar nossas atitudes e escolhas pastorais”, reforçou.

Padre Tiago Camargo anunciou, ao final de sua fala, que o III Congresso Teológico de Pastoral será realizado de 22 a 25 de maio 2028 na PUC Minas, em Belo Horizionte (MG). No vídeo acima, é possível ver a íntegra de todas as falas na cerimônia de encerramento que foi seguida de uma Eucaristia.



Leão XIV: o "percurso de ascensão" se dá com a prática do justo e amável no dia a dia


Leão XIV: o "percurso de ascensão" se dá com a prática do justo e amável no dia a dia
Na Solenidade da Ascensão do Senhor, celebrado em muitos países neste domingo (17/05), como no Brasil, o Papa recordou que conseguimos fazer "um percurso de ascensão", aprendendo "a subir para o Céu", através dos exemplos de Jesus, de Nossa Senhora e dos santos, e ao compartilhar o dia a dia com a família e amigos que se esforçam em viver segundo o Evangelho: "aqueles que a Igreja nos apresenta como modelos universais e aqueles – como o Papa Francisco gostava de dizer – «da porta ao lado»".


Andressa Collet - Vatican News

O Papa Leão XIV recordou logo no início da alocução que precedeu a oração mariana do Regina Caeli, neste domingo (17/05), numa Praça São Pedro com cerca de 20 mil pessoas, que "hoje, em muitos países do mundo, celebra-se a Solenidade da Ascensão do Senhor", como acontece no Brasil, por exemplo. Um mistério que marca a gloriosa partida de Jesus, quando sobe aos céus e senta-se à direita de Deus Pai, para servir como mediador, intercedendo por nós. A Igreja celebra essa solenidade 40 dias após a ressureição de Cristo e o tempo em que conviveu e instruiu os discípulos, antecipando Pentecostes na próxima semana. Com a vinda do Espírito Santo, todos somos convidados e enviados pelo Senhor a anunciar o Evangelho para todos.

A Solenidade da Ascensão do Senhor
A imagem de Jesus que sobe ao Céu, da Ascensão do Senhor, disse o Pontífice, "poderia nos levar a perceber este Mistério como um acontecimento distante. Contudo, não é assim"; não é "promessa distante", mas "vínculo vivo". Estamos unidos a Jesus e a sua "ascensão ao Céu atrai também nós" e "para a plena comunhão com o Pai", explicou o Papa, "aproximando cada vez mais a nossa maneira de pensar, de sentir e de agir à medida do coração de Deus":

"Toda a vida de Cristo é um movimento de ascensão, que abraça e envolve, através da sua humanidade, o inteiro cenário do mundo, elevando e resgatando o homem da sua condição de pecado, levando luz, perdão e esperança onde havia trevas, injustiça e desespero, para chegar à vitória definitiva da Páscoa, na qual o Filho de Deus «morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida»."

Como acontece o "percurso de ascensão"
Leão XIV recordou, então, São Paulo, que diz que "«tudo o que é verdadeiro […], justo, […] amável» e pondo em prática, com a ajuda de Deus", nos ajuda a transcorrer um "percurso de ascensão", "que nos atrai constantemente para o Alto, para o Pai", difundindo no mundo frutos preciosos de comunhão e de paz. Um caminho feito em comunhão com quem está próximo:

"Encontramos o caminho em Jesus, na dádiva da sua vida, nos seus exemplos e nos seus ensinamentos, assim como o vemos traçado na Virgem Maria e nos santos: aqueles que a Igreja nos apresenta como modelos universais e aqueles – como o Papa Francisco gostava de dizer – «da porta ao lado», com quem partilhamos o nosso dia a dia, pais, mães, avós, pessoas de todas as idades e condições, que com alegria e empenho se esforçam sinceramente por viver segundo o Evangelho.

“Com eles, com o seu apoio e graças à sua oração, também nós podemos aprender a subir, dia após dia, para o Céu, fazendo objeto dos nossos pensamentos.”

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EVANGELHO DO DIA (Jo 16,29-33)

ANO "A" - DIA: 18.05.2026
7ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Se com Cristo ressurgistes, procurai o que é do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus Pai.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 29 os discípulos disseram a Jesus: "Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. 30 Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus". 31 Jesus respondeu: "Credes agora? 32 Eis que vem a hora - e já chegou - em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só, o Pai está comigo. 33 Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações. Mas, tende coragem! Eu venci o mundo!"

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Testemunhar com parresía através do Espírito Santo"

Parresía é a coragem de anunciar a verdade
Naquele tempo, os discípulos disseram a Jesus: “Eis que agora falas claramente e não usas mais figuras. Agora, sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue, por isso cremos que vieste da parte de Deus” (Jo 16,29-33).

Os discípulos se dão conta de que, agora, Jesus lhes fala claramente. Esse termo, no grego, é parresia, uma palavra que talvez você já tenha escutado por aí, cujo significado é “falar francamente”, sem rodeios, falar diretamente. Estamos nos aproximando do evento de Pentecostes, e será preciso muita parresia para que os discípulos levem adiante a mensagem de Cristo.

A clareza que nasce da intimidade
Muitos embates virão, muitas perseguições. Muitos fraquejarão e voltarão atrás. Muitos não suportarão a verdade e vão abandonar o caminho do Senhor. A parresia, com a qual o Espírito enriqueceu os discípulos, é necessária nos tempos de hoje para todos nós. E não se trata de dizer certas verdades de uma forma suicida, irresponsável ou até mesmo agressiva, humilhando ou diminuindo as pessoas.

A verdade do Evangelho impõe-se por si mesma. Às vezes, nós queremos fazer apologética – a defesa da fé –, mas às custas de ofender o outro que pensa e crê diferente de nós. Quantos episódios de intolerância nós cristãos enfrentamos ao longo desses séculos de história! Quantas coisas, quanta perseguição, quanta humilhação! E, agora, nós vamos fazer a mesma coisa que fizeram conosco?

Vivendo a parresía com radicalidade e amor
Quem não quer seguir Cristo com toda a sua radicalidade, que seja feliz na sua crença, no seu modo de viver. A mensagem do Evangelho é radical para nós que acolhemos Jesus, que O aceitamos na nossa vida como Mestre e como Senhor. Para nós, que nos decidimos pelo discipulado de Jesus, precisamos dessa palavra de parresía, sem meias verdades, vivendo de uma forma leviana a nossa vida cristã. Não! Vamos viver com radicalidade, vamos viver com profundidade a mensagem do Evangelho.

Sobre todos vós desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Pe Donizete Ferreira Oliveira
Sacerdote da C. Canção Nova


A ascensão do Senhor, a missão dos discípulos e a promessa do Espírito


Ascensão do Senhor: quando começa a missão dos discípulos

Cantemos à glória de Deus, cantemos ao nosso Rei, porque Ele é Rei de toda a terra (SI 47,6-8). É a ascensão do Senhor o coroamento da Sua Ressurreição; é a entrada oficial naquela glória que cabia ao Ressuscitado. Após as humilhações do Calvário, é a volta ao Pai, já por Ele anunciada no dia da Páscoa: “Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (Jo 20,17).

Crédito: Getty Images_sedmak

Aos discípulos de Emaús: “Não era preciso que o Messias sofresse essas coisas e, que, assim, entrasse em sua glória?” (Lc 24,26). Esse modo de exprimir-se indica não tanto a volta e as glória futuras, mas imediatas, já presentes, porque, estritamente unidas à Ressurreição, todavia para confirmar os discípulos na fé, era necessário que tal acontecesse de modo visível, como se verificou 40 dias depois da Páscoa.

Leia mais:

Aqueles que tinham visto o Senhor morrer na cruz, entre insultos e escárnios, precisavam ser testemunhas da sua suprema exaltação no céu. Os evangelistas se referem ao fato com muita sobriedade, todavia, suas narrações salientam o poder de Cristo e Sua glória: ‘Foi-me dado todo poder no céu e na terra’, lê-se em Mateus (28,18) e acrescenta Marcos: ‘O Senhor Jesus subiu ao Céu e está assentado à direita de Deus’ (16,19). Lucas, porém, recorda a última grande bênção de Cristo aos apóstolos: ‘Ao abençoá-los, afastou-se deles e ia elevando-se ao céu’ (24,51).

Também, nos últimos sermões de Jesus, resplandece Sua majestade divina. Fala como quem tudo pode e prediz aos discípulos que em seu Nome ‘expulsarão demônios, falarão novas línguas, pegarão em serpentes e, se beberem algum veneno mortífero, não lhes fará mal, imporão as mãos aos doentes e recobrarão a saúde’ (Mc 16, 17-18). Provam os Atos dos Apóstolos a realidade de tudo isso.

A promessa do Espírito Santo
Em seguida, Lucas, tanto na conclusão do seu Evangelho como nos Atos, fala da grande promessa do Espírito Santo que confirma os apóstolos na missão e nos poderes recebidos de Cristo: “Eis que enviarei sobre vós o Prometido por meu Pai” (Lc 24,49), “recebereis força com a vinda do Espírito Santo sobre vós, e sereis minhas testemunhas até aos confins do mundo. Dito isso, elevou-se para o alto, à vista deles, e uma nuvem o ocultou a seus olhos” (At 1,8-9).

Espetáculo magnífico que deixou os apóstolos atônitos, “com o olhar fixo no céu”, até que dois anjos lhes apareceram. E o cristão chamado a participar de todo o mistério de Cristo e, portanto, também de sua glorificação. Ele mesmo o havia dito: ‘vou preparar-vos um lugar. E quando eu tiver ido, voltarei novamente a vós e vos tomarei comigo, afim de que onde eu estou estejais também vós’ (Jo 14, 2-3).

Constitui, portanto, a Ascensão grande argumento de esperança para o homem que, no seu peregrinar terreno, sente-se exilado e sofre longe de Deus. A esperança que implorava São Paulo para os Efésios e queria viva em seus corações. “O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, ilumine os olhos de vossa inteligência para compreenderdes qual a esperança a que vos chamou” (Ef 1, 17-18). E onde fundava o apóstolo essa esperança? No grande poder de Deus ‘manifestado em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o sentar-se à sua direita nos céus, acima de todo Principado e Poder (ou seja, dos anjos) e de qualquer outro nome” (ibidem, 20-21).

Nasce a Igreja
A glória de Cristo exaltado acima de toda criatura é, no pensamento paulino, a prova do que fará Deus por quem, aderindo a Cristo pela e pertencendo a Ele como membro do único Corpo de que é Cabeça, participará de sua sorte. Isso requer Cristianismo autêntico: crer e alimentar firme esperança de que, como hoje o fiel, nas tribulações da vida, participa da morte de Cristo, assim um dia participará da Sua glória eterna.

Os anjos, que no monte da Ascensão dizem aos apóstolos: ‘Esse Jesus, que do meio de vós subiu ao céu, um dia virá do mesmo modo com que o vistes ir para o céu’ (At 1, 11), e os fiéis, que, enquanto aguardam a volta final de Cristo, precisam pôr a mão na obra. Com a Ascensão, termina a missão terrena de Cristo e começa a dos discípulos.

“Ide ensinar todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19), devem eles perenizar no mundo sua obra de Salvação pregando, administrando os sacramentos, ensinando a viver segundo o Evangelho.

Todavia, quer Cristo que tudo isso seja precedido e preparado pela oração, na expectativa do Espírito Santo que deverá confirmar e corroborar seus apóstolos. Começa, assim, a vida da Igreja não com a atividade, mas com a oração, junto de ‘Maria, a Mãe de Jesus’ (At 1,14).

Equipe Formação Canção Nova

São João I


João nasceu na região da Toscana, Itália, por volta do ano 470. Era do clero romano e foi eleito Papa em 523.

Teve apenas três anos de Pontificado, durante os quais estabeleceu o calendário cristão, que começa a contar os anos a partir do nascimento de Cristo e não da fundação de Roma; fixou a data da Páscoa; introduziu o cantochão na Liturgia, que evoluiria para o canto gregoriano.

Na época, o império romano estava dividido, governando Justiniano I, católico, no Oriente, e Teodorico, herético ariano, no Ocidente. Em 523, Justiniano promulgou um severo decreto contra os arianos orientais, obrigando-os à retratação e devolução, aos católicos, das igrejas e bens deles confiscados anteriormente, bem como os proibia de assumirem cargos civis e militares. Incluídas estavam regiões arianas no ocidente, o que desagradou a Teodorico.

Assim, este resolveu enviar uma delegação a Constantinopla em 524, para negociar a revogação do decreto. Dela participavam legados romanos e alguns bispos, mas João I foi obrigado pelo imperador a liderar o grupo: pretendia assim constranger Justiniano a ceder a uma intervenção do próprio Papa católico a seu favor, ao mesmo tempo que pressionava implicitamente João com represálias aos católicos romanos e ocidentais se não viajasse ou obtivesse a revogação que desejava.

Ao conceder liberdade de culto aos católicos, Teodorico impunha pesadas taxas ao clero e lhe retirara muitas das suas imunidades. João entendeu que era preciso usar de diplomacia e sabedoria para evitar perseguições ainda maiores à Igreja, e se dispôs a partir, sendo, depois de Pedro, o primeiro Papa a sair de Roma.

Justiniano, entendendo a honra de receber o Vigário de Cristo na Terra, empenhou-se em recebê-lo da melhor forma possível, pedindo inclusive que João o coroasse como imperador católico. Porém, discordou do Papa, que lhe sugeriu acatar o pedido de Teodorico, com base em que, mesmo reavendo aquelas igrejas no Ocidente, isto de nada adiantaria, uma vez que naqueles locais os arianos dominavam e não as frequentavam, e o decreto de Justiniano, embora bem-intencionado, não surtiria efeito, pois na prática se tratava de manter apenas uma aparência de poder; correto seria um plano de evangelização bem elaborado, que primeiramente levasse a conversões. Justiniano cedeu parcialmente, com certas concessões aos arianos, mas não o necessário para acalmar Teodorico.

De volta com estas notícias, João foi vítima da raiva do imperador, insatisfeito com as negociações e culpando-o por não conseguir o que queria. João foi muito maltratado e encarcerado em Ravena, sofrendo de fome e sede, e falecendo não longo tempo depois, em 18 de maio de 526. Sua morte foi considerada como martírio.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Os ímpios não medem esforços para constranger a Igreja, e Teodorico, ardilosamente, quis forçar o Papa a lhe ser útil. Porém os planos humanos nada são diante do poder de Deus, que aliás pode dar ao ser humano um paraíso, terrestre, e mesmo do seu pecado providenciar o Paraíso Celeste… não é dos ardis humanos que devemos ter medo, mas sim dos ardis do diabo, que procura nos fazer pecar. A fúria de Teodorico não impediu a santidade, e canonizada, de São João I, e nem os desmandos do século devem nos apavorar. A fidelidade a Deus é a garantia do católico, para que obtenha o prêmio que desde sempre o Senhor quer dar aos Seus filhos. Sábia e sempre atual foi, sim, a proposta de João a Justiniano: sem um programa bem elaborado de evangelização (que começa pelo exemplo que este mesmo Papa ofereceu), não se pode ou deve forçar as almas. “Ide e levai o Evangelho a todos os povos” (cf. Mc 16,15), de modo que a graça de Deus atue e muitos se convertam. Que a Santa Igreja, clero e leigos, atendamos à ordem de Jesus Ressuscitado, neste momento particularmente difícil da História, onde multidões não conhecem ou se afastam do Senhor.

Oração:

Senhor Deus, que com sabedoria ordenais os Vossos servos, de modo a que alcancem a verdadeira felicidade, concedei-nos por intercessão de São João I a prisão ao Vosso amor, a fome dos Vossos Mandamentos, e a sede dos Vossos Sacramentos, para que, desejando-as com sinceridade de coração, possamos ser saciados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Dom Paulo Jackson abre Congresso de Pastoral Urbana: tema é dos mais urgentes em nossos dias


Teve início na manhã desta terça-feira, 12 de maio, o II Congresso Teológico de Pastoral Urbana, com a participação de pesquisadores, docentes, estudantes, agentes pastorais e lideranças religiosas. O arcebispo de Olinda e Recife (PE), dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, segundo vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), falou na abertura do evento, destacando a pastoral urbana como “uma das pautas mais urgentes para os nossos dias”.

“Eis a nossa missão: olhar para as nossas cidades, não apenas como ajuntamentos de concretos, problemas e estatísticas, mas como lugares teológicos, onde Deus habita e a partir de onde ele quer nos falar. Desejamos então, durante esses dias, perceber a presença de vida nas cidades, especialmente nas periferias existenciais e geográficas de nossas metrópoles e megalópoles. Desejamos discernir e aprofundar, cada vez mais, a relação entre fé e cultura urbana, buscando talvez respostas para os grandes desafios que a cidade nos oferece, e, talvez, calibrar a rota dos nossos processos de evangelização nas cidades nestes tempos permanentes de mudanças”, motivou o arcebispo.

Dom Paulo Jackson | Foto: Alex Costa/Unicap

Com o tema “Deus habita esta cidade” (Sl 47,9), o II Congresso Teológico de Pastoral Urbana é uma iniciativa da CNBB em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Teologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC RS) e com o Programa de Pós-Graduação Profissional em Teologia Prática da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).

O evento busca dar continuidade ao I Congresso Teológico Internacional de Pastoral Urbana, realizado em 2024 pela PUCRS e pela CNBB. De acordo com a organização, o objetivo é consolidar um espaço de diálogo interdisciplinar e de cooperação institucional que promova a pesquisa e a reflexão voltadas à realidade urbana.

“De hoje até quinta-feira, transformaremos este auditório num grande observatório de partilhas, escuta e discernimentos, unindo o rigor científico e acadêmico da Unicap e de outras universidades aqui presentes e representadas à força evangelizadora da nossa Conferência Episcopal, a CNBB”, disse dom Paulo Jackson.

O segundo vice-presidente da CNBB desejou que as conferências, intervenções e reflexões “ajudem a construir uma Igreja em saída permanente, em estado perene de missão, uma Igreja que ama e habita a cidade, que quer fazer o Evangelho dialogar com o ritmo alucinado dos nossos centros urbanos”.

Desafios da evangelização
A primeira conferência do evento foi conduzida por dom Joel Portella Amado, bispo de Petrópolis (RJ) e presidente da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB e do Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi (Inapaz). Dom Joel elegeu 10 desafios da evangelização no contexto urbano que dizem respeito à interação da Igreja nesse espaço. Tais reflexões estão presentes no debate eclesial, tanto nas linhas de pesquisas das universidades, quanto nos encontros dos bispos das grandes cidades.
Dom Joel Portella Amado | Foto: Alex Costa/Unicap

Os desafios apontados por dom Joel:Descompasso/distanciamento entre o mundo urbano e a ação evangelizadora;
Ruptura do mundo urbano com as bases da cristandade;
Necessidade de a Igreja ser presença profética sem ser cooptada pela mentalidade e pelos valores, como os de mercado ou do consumo;
Compreensão do conceito de urbano para além da limitação geográfica;
Relação entre ação evangelizadora e a academia;
Discernimento entre o que é valor e o que é contravalor da experiência urbana;
Urgência da sinodalidade
Conversão pastoral efetiva: da pastoral de conservação para uma pastoral urbana querigmática, mistagógica e com presença capilarizada;
Solidariedade diante das fragilidades
Superação da visão negativa da cidade, reconhecendo que Deus habita a cidade.

Luiz Lopes Jr Fotos: Alex Costa/Unicap

Papa: a luta contra drogas e crime organizado passa pela reeducação dos infratores

O fenômeno, disse o Papa, "sustenta redes criminosas e põe em risco o futuro das sociedades". Por isso, uma resposta passa pelo respeito e proteção dos direitos das pessoas, com esforços conjuntos em aplicar a lei, mas também em prevenir os crimes e estabelecer um sistema de justiça penal justo através de abordagens "voltadas para a reeducação e a plena reintegração dos infratores no tecido social", o que "exclui o uso da pena de morte, da tortura e de toda forma de punição cruel ou degradante".

Andressa Collet - Vatican News

O Papa Leão XIV recebeu na manhã desta sexta-feira (15/05), no Vaticano, os participantes da 2ª Conferência Interparlamentar sobre a Luta contra o Crime Organizado na Regional da OSCE, a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, que atua em mais de 50 países pela promoção da paz e da justiça em três dimensões: política-militar, econômica-ambiental e humana. O evento de dois dias em Roma, na Câmara dos Deputados, é destinado "à grave e urgente batalha contra o flagelo das drogas ilícitas", recordou o Pontífice logo no início do discurso na Sala Clementina às cerca de 120 pessoas presentes, entre parlamentares, especialistas do setor e representantes dos países da OSCE: "prevenir e combater o crime organizado é essencial para a construção de sociedades seguras, justas e estáveis".
O Estado de Direito, a prevenção e a justiça
"Com profunda esperança e preocupação pastoral", Leão XIV enalteceu o "testemunho da determinação coletiva de enfrentar um fenômeno que sustenta redes criminosas e põe em risco o próprio futuro de nossas sociedades". A própria Santa Sé, continuou ele, "está firmemente convencida de que o Estado de Direito, a prevenção do crime e a justiça penal devem avançar juntos, em união". Leão XVI disse que a implementação das leis "continua sendo indispensável para o desenvolvimento humano integral" e não o contrário, com a violação da dignidade e dos direitos das pessoas. Por isso, "a prevenção e a resposta às atividades criminosas estão intimamente relacionadas com o respeito e a proteção dos direitos humanos universais. Isso requer não apenas os esforços das autoridades responsáveis pela aplicação da lei, mas também o envolvimento da sociedade em geral, tanto no âmbito nacional quanto no internacional":

"Nesse sentido, a Santa Sé apoia plenamente todas as iniciativas que visem estabelecer um sistema de justiça penal eficaz, justo, humano e credível, capaz de prevenir e combater a produção e o tráfico de drogas ilícitas. Reconhecendo que a verdadeira justiça não pode se contentar apenas com a punição, tais esforços devem igualmente adotar abordagens marcadas pela perseverança e pela misericórdia, voltadas para a reeducação e a plena reintegração dos infratores no tecido social. O mesmo respeito pela dignidade inerente a cada pessoa, inclusive àquelas que cometeram crimes, exclui o uso da pena de morte, da tortura e de toda forma de punição cruel ou degradante."

Prevenir através da educação
São necessários, então, aprofundou o Pontífice, redescobrir a dignidade dada por Deus através de programas multidisciplinares que se sobrepõem a medidas puramente repressivas que não conseguem libertar os indivídios escravizados pelo vício. Essa abordagem pode vir através de tratamento médico, de apoio psicológico e de reabilitação sustentada.

Além disso, Leão XIV fez questão de enfatizar que "a educação é a chave para a prevenção", sobretudo nesta época de redes sociais que transmitem conteúdos que banalizam os riscos da dependência. Por constituir a base do desenvolvimento humano integral, a educação na família e na escola ajuda a capacitar crianças e jovens "a reconhecer a profunda devastação causada pelas drogas" no cérebro, no corpo, na conduta pessoal e no bem comum da comunidade. A própria conferência realizada em Roma pode produzir frutos importantes "de cooperação transnacional, prevenção eficaz e esperança genuína", acrescentou o Papa, ao finalizar:

"A Igreja Católica, por meio de suas numerosas instituições em todo o mundo e com base em sua longa experiência no acompanhamento das pessoas afetadas pela dependência química, está pronta para aprofundar ainda mais seu vínculo de cooperação frutífera com a sociedade civil. Juntos, num espírito de respeito mútuo e responsabilidade compartilhada, podemos promover políticas que sirvam verdadeiramente ao bem comum e à dignidade inalienável de cada ser humano".

A foto oficial ao final da audiência com o Papa, no Vaticano (@Vatican Media)

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EVANGELHO DO DIA (Jo 16,20-23a)

ANO "A" - DIA: 15.05.2026
6ª SEMANA DA PÁSCOA (BRANCO)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Era preciso que Cristo sofresse e ressuscitasse dos mortos, para entrar em sua glória.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20 "Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. 21 A mulher, quando deve dar à luz, fica angustiada porque chegou a sua hora; mas, depois que a criança nasceu, ela já não se lembra dos sofrimentos, por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo. 22 Também vós agora sentis tristeza, mas eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. 23a Naquele dia, não me perguntareis mais nada".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"Alegrará o vosso coração"

Jesus promete que o nosso coração se alegrará
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Em verdade, em verdade eu vos digo: vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. A mulher, quando deve dar à luz, fica angustiada, porque chegou a sua hora, mas depois que a criança nasceu, ela já não se lembra dos sofrimentos por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo. Também vós agora sentis tristeza, mas hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará.” (Jo 16,20-23a)

O Evangelho de hoje trabalha, nos quatro versículos, os binômios choro, alegria; tristeza, alegria; angústia, alegria; tristeza, alegria.
Alegrará o fiel pois a dor é passageira e a graça eterna

Interessante que as sensações negativas são apresentadas no contexto transitório, momentâneo. Já as sensações positivas, apresentam-se como sendo perenes, duradouras. A famosa frase “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” encontra-se no Salmo 30,5. Esse versículo, escrito por Davi, é um hino de esperança que destaca que a dor é temporária, enquanto a bondade e o favor de Deus trazem restauração e alegria duradoura, transformando o lamento em dança.

Jesus quer nos fazer enxergar a luz da vitória que está escondida em cada momento de tribulação que nós atravessamos. Se nós conseguíssemos, por graça de Deus, enxergar essa luz escondida em cada tribulação, como seria maravilhoso! Jesus quer resgatar a nossa memória vitoriosa, o Hosana sobre todas as batalhas que nós travamos.

Plena confiança diante a Cruz
Isso não é uma anestesia, isso não é um ópio, uma forma de entorpecer a nossa cabeça. É uma consciência viva de que vale a pena enfrentar as dores e as fadigas, porque, após cada uma delas, nós experimentamos um novo nascimento. Algo novo que surge em nossas vidas depois de termos suportado as contradições.

O efeito colateral de suportar o sofrimento do tempo presente, qual é? Alegria imensa que invade o nosso coração.

Não confie nas suas forças para enfrentar as tristezas da vida. Confie em Jesus Cristo que, por meio das provações, nos fará participar das alegrias eternas reservadas para aqueles que o amam de coração sincero. Na tribulação, mantenha-se fiel, porque a alegria virá.

Sobre todos vós desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Pe Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova