sexta-feira, 12 de junho de 2026

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus ensina confiança no Senhor e proximidade ao Evangelho


A Igreja celebra nesta sexta-feira, 12 de junho, a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. E o convite da liturgia desta celebração propõe aos fiéis a reflexão sobre o amor misericordioso de Deus por seu povo escolhido, convidando a descansar Nele. Em 2024, o Papa Francisco ofereceu à Igreja a Carta Encíclica Dilexit nos, sobre o amor humano e divino do Coração de Jesus e indicou que a devoção ao Sagrado Coração reúne confiança no Senhor e proximidade ao Evangelho.

Além de fazer memória das reflexões oferecidas pelo Papa Francisco, este post também visita alguns artigos oferecidos pelos bispos sobre esta celebração e a devoção que dela surge nutrida nos corações de tantos fiéis brasileiros.

Amou primeiro

Assim como na liturgia da Solenidade desta segunda sexta-feira após Corpus Christi, o Papa Francisco recorda já no início da Dilexit nos que Deus nos amou primeiro, conforme a segunda leitura da Carta de São João (Jo 4, 10).

“O seu coração aberto precede-nos e espera-nos incondicionalmente, sem exigir qualquer pré-requisito para nos amar e oferecer a sua amizade: Ele amou-nos primeiro”, escreveu o Papa Francisco.

Em artigo publicado no portal da CNBB, o bispo de Registro (SP), dom Manoel Ferreira Júnior, ensina que celebrar o Sagrado Coração “é estar envolvido por este amor de Deus”, um “amor sem limites de Deus por nós”, encontrado no coração de Jesus.

Para o arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), cardeal Orani João Tempesta, “saber-se amado assim devolve a dignidade a qualquer coração ferido”.

Confiança
E a confiança também está presente de forma intensa na celebração desta solenidade e na devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Na Dilexit nos, o Papa Francisco deixou a imagem do Coração de Jesus como o melhor lugar onde “onde podemos recuperar a força e a paz”, assim como Jesus afirma no Evangelho desta sexta: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos” (Mt 11, 28).

Recordando Santa Teresinha do Menino Jesus, o Papa Francisco pontuou sobre a atitude de depositar a confiança do coração “na infinita misericórdia de um Deus que ama sem limites e que deu tudo na Cruz de Jesus”. Na Misericórdia infinita, Teresinha contemplou e adorou as demais perfeições divinas e assim tornou popular a simples e essencial oração “Eu confio em Vós”.

Em artigo publicado nesta sexta-feira com o texto de sua homilia, dom Orani Tempesta recorda o cansaço que marca o tempo atual e a realidade das metrópoles, como o cansaço físico das longas jornadas de trabalho, do tempo perdido nos transportes públicos lotados; o cansaço psicológico gerado pelas preocupações financeiras, pelo medo do dia de amanhã, pelas demandas irreais das redes sociais; e o profundo cansaço espiritual, o esgotamento da alma diante das feridas do pecado, dos vícios, dos relacionamentos rompidos e das decepções com aqueles em quem confiávamos.

O cardeal recorda das pessoas que caminham carregando fardos pesados e silenciosos de depressão, de luto não curado, de abandono.

“A todas essas dores humanas, Jesus não oferece uma fórmula mágica de autoajuda. Ele não promete que os problemas vão desaparecer num passe de mágica. O que Ele nos oferece é muito maior: Ele nos oferece o Seu próprio Coração. “Vinde a mim!”, é o grito de amor do Mestre”.

Contemplar e mergulhar no Evangelho
Neste exercício de confiança, no qual Jesus convida a ir até Ele, a mensagem do Evangelho transparece na contemplação do Sagrado Coração, conforme motivou São João Paulo II em viagem á Polônia, em 1999.

“Contemplemos o Sagrado Coração de Jesus, que é fonte de vida, porque por seu intermédio se realizou a vitória sobre a morte. Ele é também fonte de santidade, porque nele é derrotado o pecado, que é inimigo da santidade, inimigo do progresso espiritual do homem”.

Essa contemplação que recorda a vitória de Jesus sobre a morte está no centro da devoção da Igreja ao Sagrado Coração de Jesus, desde o Papa Pio XII, o qual ensinou que ali não se encontra “só um símbolo, mas também como que um compêndio de todo o mistério da nossa redenção”.

O Papa Francisco renovou este convite na Dilexit nos:
“A devoção ao Coração de Cristo é essencial para a nossa vida cristã, na medida em que significa a nossa abertura, cheia de fé e de adoração, ao mistério do amor divino e humano do Senhor, até ao ponto de podermos voltar a afirmar que o Sagrado Coração é um compêndio do Evangelho. […] Aí encontramos todo o Evangelho, aí está sintetizada a verdade em que acreditamos, aí está tudo o que adoramos e procuramos na fé, aí está o que mais precisamos”.

Tornar o amor presente no mundo
O Papa Leão, no ano passado, durante celebração de ordenação de novos sacerdotes durante o Jubileu, no dia desta solenidade, afirmou que falar do Coração de Cristo, naquele contexto, era “falar de todo o mistério da encarnação, morte e ressurreição do Senhor, confiado a nós de modo especial para que o tornemos presente no mundo”.

Tornar esse amor presente no mundo, segundo o Papa Leão, passa pelo seu desejo apresentado para a Igreja no início do pontificado:

“[..] reconciliados, unidos e transformados pelo amor que jorra copiosamente do Coração de Cristo, caminhemos juntos nas suas pegadas, humildes e decididos, firmes na fé e abertos a todos na caridade, levemos ao mundo a paz do Ressuscitado, com aquela liberdade que nasce da consciência de nos sabermos amados, escolhidos e enviados pelo Pai”.

Ainda revisitando a Dilexit nos, é possível encontrar o que o Papa Francisco apresentou à humanidade, a partir da imagem da água que jorra do lado aberto de Jesus. Ao beber desse amor, escreveu o saudoso pontífice, “tornamo-nos capazes de tecer laços fraternos, de reconhecer a dignidade de cada ser humano e de cuidar juntos da nossa casa comum”.

E a Igreja também precisa desse “amor gratuito de Deus que liberta, vivifica, alegra o coração e alimenta as comunidades”.

“Da ferida do lado de Cristo continua a correr aquele rio que nunca se esgota, que não passa, que se oferece sempre de novo a quem quer amar. Só o seu amor tornará possível uma nova humanidade”.

Luiz Lopes Jr.

EVANGELHO DO DIA (Mt 11,25-30)

ANO "A" - DIA: 12.6.226
10ª SEMANA DO TEMPO COMUM (BRANCO)
SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Tomai sobre vós o meu jugo e de mim aprendei que sou de manso e humilde coração.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

25 Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: "Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27 Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28 Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30 Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"O coração manso que nós dá descanso"

No manso coração de Jesus, um refúgio de amor
Naquele tempo disse Jesus: “vinde a mim todos vós que estáis cansados e fatigados, sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu julgo, e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso.” (Mateus 11,25-30)

Meus irmãos e minhas irmãs, hoje, na Igreja, é solenidade do Sagrado Coração de Jesus. E hoje é uma daquelas homilias que me toca muito. O Sagrado Coração de Jesus é a escola que eu nunca quero deixar de frequentar. Justamente pela ordem de Jesus que diz:”Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”.

O coração manso que inunda a alma
Esse coração é um aprendizado para toda a nossa vida. Inclusive, eu devo a ele a descoberta da minha vocação sacerdotal. Eu estava perdido, sem sentido na vida e sem saber para onde caminhar. Racionalmente, eu não teria condições de responder ao chamado de Deus. Foi preciso que ele me tomasse pelo coração. E ele tem esse poder de tocar os corações mais endurecidos.

Ele é manso. Ele chega como um amigo muito íntimo. Inunda o nosso coração de amor, de perdão, de consolação. Depois vem o golpe, o golpe da sedução. Nosso coração está tão envolvido com o d’Ele, que fica impossível se afastar. Diria que se afastar é uma morte. É melhor morrer nos braços de Jesus e dentro do Seu coração do que fugir desse amor.

Entrar no coração de Cristo para conhecer a si mesmo
Ele é humilde. Revela o homem ao próprio homem. Dizia São João Paulo II, num dos seus documentos mais célebres: O homem que deseja compreender a si mesmo, profundamente, e não apenas de acordo com padrões e medidas imediatos, parciais, muitas vezes superficiais e até ilusórios, ele deve, com a sua inquietação, incerteza e até mesmo com a sua fraqueza e pecaminosidade, com a sua vida e morte, aproximar-se de Cristo.

Deve entrar no seu Sagrado Coração. Este é o coração de Cristo, cheio de amor pela humanidade. Hoje, ele quer visitar você e dar-lhe a graça de que você mais necessita, que é o de sentir-se profundamente amado por este coração.

Sobre todos vós, desça a bênção de Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo!

Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova


Leão XIV aos migrantes: "A dignidade humana não tem passaporte"


No Porto de Arguineguín, uma das principais portas de entrada da rota migratória atlântica para a Europa, Leão XIV dirigiu um forte apelo em favor dos migrantes. O Papa denunciou a indiferença diante do sofrimento humano, pediu vias seguras de acolhida e integração e recordou que “o Sucessor de Pedro não pode ignorar esses desembarques”.

Thulio Fonseca - Vatican News

“O Sucessor de Pedro não pode ignorar esses desembarques. A Igreja não pode ignorar essas águas.”

Com essas palavras, pronunciadas diante do Atlântico, no Porto de Arguineguín, em Gran Canaria, Leão XIV iniciou a última etapa de sua viagem apostólica à Espanha. Em sua primeira atividade nas Ilhas Canárias, o Papa encontrou-se com representantes de organizações comprometidas com a acolhida e o acompanhamento de migrantes e voltou a chamar a atenção para a dignidade das pessoas forçadas a deixar sua terra e para a responsabilidade compartilhada de acolhê-las, protegê-las e promover sua integração. Para o Pontífice, o Evangelho “arranca os cristãos do lugar confortável de espectadores” e os coloca diante do irmão que chega, convidando-os a reconhecer Cristo naqueles que desembarcam “marcados pelo medo, pela fome e pela violência, depois do deserto, da noite e do mar”.

Arguineguín tornou-se, nos últimos anos, um símbolo da crise migratória no Atlântico. É neste porto que desembarcam milhares de pessoas resgatadas no mar após travessias precárias em embarcações conhecidas como “cayucos” e “pateras”. Ali, diante daqueles que diariamente acolhem sobreviventes e testemunham tragédias humanas, o Papa afirmou que o Evangelho impede os cristãos de permanecerem espectadores diante do sofrimento.

(@Vatican Media)

O clamor dos que chegam pelo mar
Antes do discurso do Pontífice, foram apresentados testemunhos que retratam diferentes rostos da migração. Entre eles, o do capitão Tito Villarmea, responsável por operações de salvamento marítimo; da voluntária da Cáritas María Reyes Alemán Cruz, que durante os momentos mais críticos da emergência migratória ajudou a coordenar a acolhida de centenas de pessoas por dia; e de Blessing, uma mulher nigeriana vítima de tráfico para exploração sexual, cujo relato foi lido por razões de segurança.

Referindo-se às histórias apresentadas, o Papa observou que os discípulos de Jesus “não podem considerar o clamor daqueles que gritam na noite como algo desconhecido”. Retomando os testemunhos, Leão XIV afirmou que a conversão começa quando o migrante deixa de ser apenas um número ou uma categoria abstrata e passa a ser reconhecido como um irmão, alguém que poderia fazer parte da própria família. Agradecendo o trabalho da Cáritas, das paróquias e dos voluntários, destacou que a misericórdia concreta, mesmo expressa em pequenos gestos, é capaz de salvar vidas e devolver esperança.

Os “monstros” que continuam a devorar vidas
Recorrendo à linguagem bíblica, o Papa comparou o mar aos cenários de ameaça e caos descritos nas Escrituras. Segundo ele, ainda hoje existem “monstros” que rondam essas águas: as máfias que lucram com o desespero humano, os traficantes que escravizam mulheres e crianças e a indiferença que permite que tantos pobres sejam “engolidos pela exploração ou pelo esquecimento”. Ao mesmo tempo, recordou que a fé cristã proclama um Deus capaz de vencer o caos e abrir caminhos de vida onde tudo parece perdido. Por isso, afirmou:

“Onde Cristo ordena ao mar que se cale, a Igreja não pode permanecer em silêncio diante daqueles que são abandonados às suas águas.”

(@Vatican Media)

O rosto das vítimas do tráfico humano
O Santo Padre também dedicou parte do seu discurso às vítimas do tráfico humano. Dirigindo-se particularmente a Blessing e às muitas mulheres exploradas por redes criminosas, Leão XIV recordou que ninguém pode ser reduzido a mercadoria. “Ninguém pode comprá-la, vendê-la, usá-la ou descartá-la”, afirmou, porque cada pessoa traz em si a imagem e semelhança de Deus.

Recordando a história da jovem nigeriana, o Papa observou que sua experiência reflete a realidade de muitas pessoas obrigadas a deixar a própria terra não por escolha, mas porque a pobreza, a guerra, as ameaças ou a exploração lhes fecharam todos os caminhos. Dirigindo-se diretamente a Blessing e às inúmeras mulheres vítimas do tráfico humano, ressaltou

“Se outros atribuíram um preço ao seu corpo, Deus nunca deixou de vê-la como uma pessoa de valor inestimável. Se quiseram aprisioná-la em um passado doloroso, Deus continua a lhe prometer um futuro melhor. Se a trataram como um objeto, a Igreja quer lhe dizer hoje: você é filha e irmã, você é uma bênção. Sua vida não pertence a quem a fez mal; seu corpo não pertence a quem se aproveitou de você; seus dias não pertencem a quem quis acorrentá-la ao medo! Sua vida pertence a Deus e conserva uma dignidade que ninguém pode lhe tirar. Nós queremos caminhar com você, até que essa verdade seja ouvida novamente, mais forte que a dor.”

(@Vatican Media)

"Queridos migrantes: antes de dizer-lhes outra palavra, quero me curvar diante da sua dignidade. Vocês não são números, nem fascículos! Vocês são pessoas com família e uma casa que deixaram para trás, com sonhos que ninguém tem o direito de desprezar. Mas também quero dizer que sua vida precisa ser protegida. Não entreguem sua vida a quem as comercializa. Não acreditem em quem promete paraísos fáceis em troca de seu corpo, seu dinheiro, seu silêncio ou sua liberdade. Essas falsas promessas são cantos de sereia, são indústrias da morte."

Um apelo à Europa e à comunidade internacional
Leão XIV ampliou então o horizonte de sua reflexão, afirmando que o drama migratório deve interpelar governos, instituições internacionais e sociedades inteiras. Segundo ele, essa realidade precisa tornar-se “um exame de consciência” para os países de origem, de trânsito e de destino, bem como para toda a comunidade internacional.

Referindo-se à Europa, advertiu que não é possível proclamar a defesa da dignidade humana e, ao mesmo tempo, acostumar-se a ver o Atlântico e o Mediterrâneo transformarem-se em “cemitérios sem lápides”. Segundo o Pontífice, não basta administrar fluxos migratórios, divulgar estatísticas ou reforçar fronteiras. Cada embarcação que chega às costas europeias traz uma pergunta fundamental sobre o tipo de mundo que está sendo construído quando tantas pessoas precisam arriscar a própria vida apenas para sobreviver. Por isso, defendeu vias legais e seguras para a migração, maior cooperação contra as redes criminosas, proteção efetiva das vítimas e políticas capazes de garantir condições dignas de vida nos países de origem. Afinal, observou, se existe o direito de buscar refúgio quando a vida está ameaçada, existe também o direito de não ter que migrar: o direito de permanecer na própria terra “sem fome, sem guerra, sem perseguições, sem violência”.

“Não podemos nos acostumar a contar os mortos. A dignidade humana não tem passaporte, nem perde valor ao cruzar uma fronteira.”

(@Vatican Media)

A humanidade em jogo
Na conclusão, o Pontífice afirmou ainda que a acolhida dos migrantes não pode ser considerada algo secundário nem delegada apenas a alguns voluntários, pois a caridade cristã nasce da oração e conduz novamente a ela por meio do serviço concreto aos que sofrem.Confiando os migrantes à proteção de Nossa Senhora do Carmo, Leão XIV fez um pedido:

“Que a história não nos acuse de ter transformado a dor de quem sofre numa paisagem habitual de nossas cidades litorâneas. Porque hoje, aqui, à beira-mar, cada vida que chega nos pergunta o que resta da nossa humanidade. Cedo ou tarde, saberemos se fomos capazes de preservar essa humanidade ou se deixamos a indiferença falar por nós.”

(@Vatican Media)

Como gesto final do encontro, Leão XIV prestou homenagem aos migrantes que perderam a vida na travessia rumo às Ilhas Canárias. Após o discurso, o Pontífice desceu do palco e, à beira do cais, depositou flores no mar em memória daqueles que morreram tentando alcançar um futuro melhor. Em seguida, voluntários e migrantes formaram uma corrente humana ao longo do porto e também lançaram flores nas águas do Atlântico. O momento foi acompanhado por uma exposição fotográfica instalada no muro do cais, retratando a chegada das embarcações, o acolhimento dos sobreviventes e os percursos de integração das pessoas migrantes. Em clima de recolhimento e oração, o gesto encerrou o encontro com uma lembrança concreta das vidas perdidas no mar e um convite a não esquecer o drama humano que continua a marcar as rotas migratórias.

(@Vatican Media)

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A felicidade está em Deus: o caminho para vencer a ganância e a avareza

O perigo da avareza e o grande segredo de ser um bom cristão
Queridos irmãos e irmãs, que a paz do Senhor esteja com vocês! Hoje, quero partilhar uma verdade fundamental: a grande felicidade não está no ter e no ser, e sim em Deus. Esse é o segredo para ser um bom cristão: entender que a misericórdia de Deus corre ao nosso encontro, pega-nos no colo e nos levanta.

Jesus nos alerta através da parábola do homem rico, a fim de que nos guardemos escrupulosamente de toda a avareza. A vida de um homem não depende da abundância de suas riquezas. Muitas vezes, vivemos sob o ditado do mundo: “farinha pouca, meu pirão primeiro”, querendo tirar do irmão para ter mais. Essa é uma vida fora de Deus.

O pecado da ganância no mundo moderno
O grande pecado do mundo de hoje é a ganância, onde até grandes potências massacram os menores por interesse. Mas não olhemos só para fora; olhemos para nós mesmos. Quantas vezes fazemos de tudo para ganhar mais, sem nos importar com o que é justo?

O testemunho da libertação e o valor do suor e do trabalho honesto
Eu já vivi nessa função de querer ganhar a qualquer custo, negociando sem me importar com o próximo. Cheguei a prejudicar a vida de muitas pessoas através de empréstimos e cobranças implacáveis na porta do banco. Foi através de muita oração e cura interior que Deus me libertou desse buraco.

Não espere que dinheiro chova no seu quintal ou que seu pé de manga dê notas de cem; ele dará mangas. O pão nosso de cada dia vem do suor do nosso rosto. Deus nos deu o livre-arbítrio e as condições para fazer, mas nunca devemos atropelar o irmão para ter algo.

A herança de um pai honesto
Lembro-me com carinho do meu pai construindo nossa casa após o trabalho na ferrovia. Ele me ensinou a ser gente através do seu suor, trazendo o sustento para casa com dignidade. Hoje, durmo com a consciência tranquila, pois o que tenho é fruto do meu trabalho. O que ganhei ilicitamente, eu já perdi, e louvo a Deus por essa consciência.

Não peça a Deus para tirar do seu irmão e passar para você; trabalhe e confie. Se você não tem condição de dar, reze, mas não faça o mal. Lembre-se: nada neste mundo fica escondido, tudo é revelado diante de Deus, que administra nossa consciência.

Deus ama você e quer vê-lo providente, não no sentido de poder, mas de cuidar dos seus e ter um dia feliz e tranquilo. Deus proverá! Sua misericórdia nunca faltará.

Do seu amigo,

Wellington Silva Jardim – Eto
Cofundador da Comunidade Canção Nova


Santo Onofre


Santo Onofre foi um eremita que viveu no Egito no final do século IV e início do século V. Ele é conhecido como padroeiro da fortuna e intercessor para o combate ao vício do alcoolismo.

As histórias conhecidas sobre santo Onofre vêm da biografia que são Pafúncio escreveu sobre ele depois de tê-lo conhecido e acompanhado até a sua morte.

Pafúcio encontrou Onofre no deserto e a aparência dele chamou a sua atenção: um homem idoso, de barba branca até o chão, recoberto de pelos e usando uma tanga de folhas.

Segundo os relatos de Pafúcio, Onofre era um monge que vivia num mosteiro, mas que depois decidiu se isolar de todo contato social, após sentir que a vida solitária o chamava. Assim, ele fugiu para o deserto, passando a levar uma vida de eremita, tendo como modelo São João Batista.

Onofre contou ao abade Pafúncio que lutou por muitos anos contra as mais terríveis tentações (o alcoolismo na juventude), mas com perseverança conseguiu vencer todas, falou sobre a fome e a sede que sentiu e sobre o conforto que Deus lhe deu alimentando-o com os frutos de uma tamareira que ficava próxima da gruta em que morava.

Onofre levou Pafúncio à gruta, onde conversaram sobre as coisas celestes até o pôr do sol, quando apareceu, repentinamente, diante dos dois, um pouco de pão e água que os revigorou (diz a tradição que foi um anjo que trouxe a comida para os dois).

Na manhã seguinte, Onofre contou a Pafúncio que teve uma revelação de Deus. Nela, ele dizia que a missão do abade não era se tornar um eremita, mas presenciar a sua morte, voltar para a sociedade e contar a todos o que havia vivido.

Pafúncio ficou e diz a lenda que um anjo deu a eucaristia a Onofre antes da morte, no dia 12 de junho. Pafúncio, então, pegou o corpo do santo e o enterrou em uma montanha. Onofre viveu em total solidão por cerca de 60 anos.

Retornando à cidade, Pafúncio escreveu a história de Santo Onofre e a divulgou por toda a Ásia.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR

Reflexão:
A trajetória de Santo Onofre foi marcada de sacrifício e devoção a Deus em sua vida no deserto. Desprovido de tudo aceitava com humildade aquilo que lhe era oferecido por Deus. A vida de Santo Onofre nos mostra que aqueles que vivem na simplicidade transparecem os maiores dons do Espírito Santo.

Oração:
Meu glorioso Santo Onofre, que pela Divina Providência fostes vós santificado e hoje estais no círculo da Providência Divina, confessor das verdades, consolador dos aflitos. Vós, às portas de Roma, viestes encontrar-vos com o nosso Senhor Jesus Cristo e a graça pedistes para que não pecásseis. Assim como Lhe pedistes e recebestes a graça, eu vos peço a minha. Meu glorioso Santo Onofre, peço-vos que me façais esta esmola para eu bem passar; vós que fostes pai dos solteiros, sede também para mim. Vós que fostes pai dos casados, sede também para mim. Vós que fostes pai dos viúvos, também sede para mim. Meu glorioso Santo Onofre, por meu Senhor Jesus Cristo, por sua mãe Santíssima, pelas cinco Chagas de Jesus, pelas sete dores de Nossa Santíssima Mãe Maria, pelas almas Santas Benditas, por todos os anjos e Santos do Céu e da terra. Peço-vos que me concedais a graça de… (cite a graça desejada). Meu glorioso Santo Onofre, pela Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela Santa Cruz em que morreu, pelo Sangue vertido na Cruz, peço-vos que impetreis essa graça de que tanto necessito e espero ser atendido(a) num tempo menor que 40 dias, conforme o que vós dissestes com a vossa sagrada boca. Amém, em nome de Jesus!

quinta-feira, 11 de junho de 2026

CNBB manifesta solidariedade à Igreja de Moçambique pelo assassinato de Dom Osório Citora Afonso


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua presidência, publicou nesta segunda-feira, 8 de junho, uma “Mensagem de Condolência e solidariedade ao Episcopado de Moçambique e à Diocese Quelimane” pelo assassinato do secretário-geral da Conferência Episcopal de Moçambique, bispo de Quelimane e administrador apostólico da arquidiocese Beira, dom Osório Citora Afonso, ocorrido na manhã do último sábado, 6 de junho.

Segundo informações do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), o bispo foi atingido mortalmente por um disparo de arma de fogo do tipo AKM, no peito, alegadamente a curta distância. O corpo foi encontrado no corredor do Paço Episcopal. As autoridades locais indicam que os autores do crime terão violado a cerca eléctrica sede da diocese.

Na mensagem, a CNBB afirma ter recebido com “grande pesar a notícia deste ato de violência que ceifou a vida de um pastor dedicado ao serviço do Evangelho, da Igreja e do povo moçambicano. Neste momento de dor, elevamos nossas orações ao Senhor da Vida para que acolha Dom Osório em sua paz eterna e conceda conforto, esperança e fortaleza à Diocese de Quelimane, à Arquidiocese da Beira, ao episcopado de Moçambique, aos familiares e a todos os fiéis que choram sua partida.”

Com o gesto, a CNBB une-se às palavras do Papa Leão XIV, que expressou sua consternação diante deste grave ato de violência e assegurou sua proximidade espiritual ao povo moçambicano, e compartilha do apelo à fé, à unidade e à solidariedade fraterna manifestado pela Conferência Episcopal de Moçambique.

A mensagem da CNBB destaca a contribuição de dom Osório Citora Afonso no anúncio do Evangelho e no serviço à Igreja, tendo exercido importantes missões pastorais em seu país e junto ao Dicastério para a Evangelização, da Santa Sé. “Seu testemunho de fé, entrega e compromisso eclesial permanecerá vivo na memória do povo de Deus.”, diz um trecho.

Confira, aqui, a íntegra da mensagem da CNBB

Leão XIV desembarca em Las Palmas de Gran Canaria


Com a Missa celebrada na noite de ontem, 10 de junho, na Basílica da Sagrada Família, Leão XIV concluiu a segunda etapa de sua viagem apostólica a Barcelona e, às 10h38 locais desta quinta-feira, aterrissou no grande arquipélago situado no Oceano Atlântico. O primeiro compromisso será o encontro com as realidades de acolhida aos migrantes.

Vatican News

Às 10h38 locais desta quinta-feira, 11 de junho, o Papa Leão XIV aterrissou na Base Aérea de Gran Canaria-Gando. Com a visita ao grande arquipélago do Oceano Atlântico, que incluirá também uma etapa em Santa Cruz de Tenerife, o Pontífice concluirá sua quarta viagem apostólica à Espanha.

A despedida de Barcelona
Na manhã desta quinta-feira, por volta das 7h30, o Bispo de Roma despediu-se da residência arquiepiscopal e seguiu para o aeroporto, onde recebeu a saudação de algumas autoridades locais. Em seguida, Leão XIV embarcou em um Airbus A320 da companhia Iberia, que o conduziu à Base Aérea de Gran Canaria-Gando. Como prevê a tradição, algumas autoridades locais estavam presentes para recebê-lo, seguido de um encontro na Sala VIP.

Estradas fechadas, chuva e vento, atenção meticulosa aos detalhes nestes dias em Las Palmas de Gran Canaria para preparar a chegada de Leão XIV, o primeiro Papa a pisar nesta terra ...

O encontro com as realidades de acolhida aos migrantes
A primeira etapa da permanência do Papa nas Ilhas Canárias será o encontro com as realidades de acolhida aos migrantes no porto de Arguineguín, localizado na costa sul da ilha de Gran Canaria. O local ainda é conhecido como o “Porto da Vergonha” porque, em 2020, pouco depois do início da emergência provocada pela Covid-19, cerca de 3 mil migrantes chegaram ali ao longo de apenas uma semana. Por causa da pandemia, porém, ninguém podia entrar no porto. Somente a Cáritas se organizou para prestar assistência aos náufragos, levando alimentos e materiais sanitários. Uma voluntária da instituição estará entre as pessoas que apresentarão seus testemunhos ao Pontífice durante o encontro.

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EVANGELHO DO DIA (Mt 10,7-13)

ANO "A" - DIA: 11.06.2026
10ª SEMANA DO TEMPO COMUM (VERMELHO)
MEMÒRIA DE SÃO BARNABÉ

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Ide ao mundo e ensinai a todas as nações! Eis que eu estou convosco até o fim do mundo!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7 "Em vosso caminho, anunciai: 'O Reino dos Céus está próximo'. 8 Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! 9 Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; 10 nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. 11 Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. 12 Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13 Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz".

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIOS:
"As exigências que nos tornam cristãos"

Exigências e despojamentos na vida do seguidor de Jesus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Em vosso caminho anunciai, o reino dos céus está próximo, curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificais os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!” (Mateus 10,7-13)

Meus irmãos e minhas irmãs, estamos de volta ao nosso canal da Homilia Diária. Hoje, celebramos São Barnabé, apóstolo.

O exemplo de Barnabé
A primeira leitura afirma que Barnabé era um homem bom, cheio do Espírito Santo e cheio de fé. O mesmo texto do livro dos Atos dos Apóstolos afirma que, juntamente com Saulo, Barnabé esteve à frente da evangelização em Antioquia, instruindo muitos fiéis.

Graças a ele, houve tamanha assimilação do estilo de vida de Cristo; e, nessa cidade, pela primeira vez, os discípulos foram chamados de cristãos. Que coisa bonita! Olha que interessante: Barnabé transmitiu, com tanta fidelidade, o jeito de ser de um verdadeiro discípulo de Jesus, que esta marca passou a identificar aqueles que seguiam o Cristo. Que grande responsabilidade! Eu pergunto para mim e para você: será que, hoje, quando eu digo que sou cristão, estão em mim as feições de Cristo? Será que eu imito as ações de Cristo?

A humildade como porta para a evangelização
Um outro detalhe ainda sobre Barnabé é que ele foi considerado profeta e mestre. Mesmo com toda essa bagagem, ele era um homem humilde e com grande gana de evangelizar. Isso era tão evidente, que o próprio Espírito Santo o escolheu em diversos momentos para muitas missões.

No Evangelho que nós ouvimos hoje, dessa festa do apóstolo, nos deparamos com o despojamento – despojamento que deve ter aquele que se dispõe para o apostolado.

Exigências que impedem a evangelização
O texto de hoje nos traz aquelas exortações de Jesus para os apóstolos. Às vezes, uma pessoa que se coloca a serviço da evangelização esquece isso e começa a fazer uma série de exigências. Pouco a pouco, acabam se confundindo com as exigências de um artista, uma celebridade desse mundo.

Nem ouro, nem prata. Nem sacola, nem dinheiro. Nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão. Indicação de viver apenas com o necessário. Muitas malas de alguns missionários não passariam no primeiro teste. São tantas exigências e tantas frescuras — desculpe a palavra —, que, muitas vezes, causam vergonha e contratestemunho.

A nossa missão está no serviço
A raiz do apostolado está em servir às pessoas. Gastar-se por elas, acolhê-las, instruí-las e dar-lhes bom exemplo. Barnabé é um modelo de evangelizador: sábio, audaz, ousado, mas também acolhedor. Respeitoso das diferenças, maleável e até capaz de lidar com pessoas muito difíceis. Que ele interceda por nossas comunidades para que nós nos tornemos, de fato, evangelizadores.

Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Ricardo Rodolfo
Sacerdote da C. Canção Nova