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sexta-feira, 24 de julho de 2026

O Papa ao presidente Mattarella: obrigado pela atenção à vida eclesial da Itália


Leão XIV enviou um telegrama ao presidente da República Italiana por ocasião de seu 85º aniversário, garantindo suas orações pela “alta missão” desempenhada a serviço do povo e confiando-o à intercessão dos santos padroeiros do país, Francisco de Assis e Catarina de Siena.

Vatican News

Gratidão pela “atenção constante” com que é acompanhada a “vida eclesial e social” da Itália e a confiança depositada em seus santos padroeiros, Francisco de Assis e Catarina de Siena. É assim que o Papa Leão XIV se dirige ao presidente da República Italiana, Sergio Mattarella, em um telegrama enviado nesta quinta-feira, 23 de julho, por ocasião de seu 85º aniversário. Um desejo que, segundo o texto, é acompanhado da bênção apostólica concedida aos familiares, aos colaboradores e à própria “querida Itália”.

A visita de Leão ao Quirinal
O Bispo de Roma havia visitado o Quirinal no último dia 14 de outubro de 2025, proferindo um discurso centrado no multilateralismo e no apoio às famílias em uma Europa onde a natalidade está, como observou Leão, em “notável declínio”. O Papa também se detivera nas guerras em curso no mundo, convidando a olhar para os rostos dos muitos “atingidos pela ferocidade irracional daqueles que, sem piedade, planejam a morte e a destruição” nas inúmeras guerras “que devastam nosso planeta” e a ouvir seu clamor. Mattarella, por sua vez, havia destacado a ação de Leão XIV voltada para a “centralidade da pessoa humana” e o diálogo. Um compromisso reiterado e elogiado várias vezes pelo presidente em outras mensagens enviadas ao Pontífice, como a enviada um ano após o início do ministério petrino e por ocasião da Páscoa.

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terça-feira, 14 de julho de 2026

Papa: que os ventos da guerra não apaguem a chama da esperança e da paz



Após rezar a oração do Angelus em Castel Gandolfo, Leão XIV voltou a fazer um forte apelo pela paz diante dos conflitos que atingem diversas regiões do mundo. O Pontífice recordou as populações afetadas pelas guerras no Oriente Médio, na Ucrânia e em outras partes do planeta, pedindo que prevaleçam o diálogo, o encontro e a diplomacia.

Thulio Fonseca – Vatican News

Em seus apelos, ao término da oração mariana deste domingo, 12 de julho, na Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo, o Papa Leão XIV voltou a manifestar sua preocupação com os conflitos que continuam a provocar sofrimento em diversas regiões do mundo e renovou seu apelo em favor da paz:

“Infelizmente, voltam a soprar os ventos da guerra no Oriente Médio, na Ucrânia e em muitas outras partes do mundo, semeando violência, terror e morte e atingindo, mais uma vez, tantos inocentes. Não permitamos que esses ventos apaguem a chama da esperança e da paz, mesmo quando ela parece frágil e vacilante. Reitero o meu apelo para que se prossiga com perseverança o caminho do diálogo, do encontro e da diplomacia, o único caminho capaz de conduzir a uma paz justa e duradoura, na qual os povos possam viver reconciliados, em segurança mútua e no respeito pela dignidade de cada pessoa.”

Domingo do Mar
Em seguida, o Papa recordou a celebração do “Domingo do Mar”, dirigindo um pensamento especial aos marinheiros, pescadores e trabalhadores portuários de todo o mundo. Leão XIV destacou aqueles que vivem marcados pela distância de seus familiares e, por vezes, pelo medo provocado pelos conflitos que atravessam as rotas marítimas, agradecendo o trabalho paciente e silencioso com que sustentam o comércio e a vida de muitos povos.

Saudação a Castel Gandolfo e aos fiéis poloneses
Por fim, o Santo Padre saudou os habitantes da "bela cidade de Castel Gandolfo", onde passa alguns dias de descanso, e acolheu com alegria os peregrinos vindos de diversas partes do mundo. O Papa também se uniu em oração aos numerosos fiéis poloneses reunidos na peregrinação anual diante do ícone de Jasna Góra, pedindo que, "como discípulos missionários, sejam testemunhas alegres do Evangelho".

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segunda-feira, 13 de julho de 2026

A palavra do Papa é sempre a do Pastor


Ouça o Editorial de Tornielli e compartilhe

Andrea Tornielli

Mesmo quando fala de paz e de guerra, de acolhimento aos migrantes ou de como permanecer humano na era da inteligência artificial, o Sucessor de Pedro é e continua sendo sempre um líder espiritual. O fato de o Bispo de Roma, em virtude dos Pactos Lateranenses de 1929 que resolveram a “Questão Romana”, ser também soberano do menor Estado do mundo – menos de meio quilômetro quadrado no coração da capital italiana – não significa, de fato, que ele aja ou se expresse como político quando aborda temas que dizem respeito aos acontecimentos da nossa humanidade.

Paulo VI explicou isso muito bem, ao discursar em 4 de outubro de 1965 na Assembleia Geral das Nações Unidas: “Este encontro, como todos vós compreendeis — disse o Papa Montini —, marca um momento simples e grandioso. Simples, porque tendes diante de vós um homem como vós; ele é vosso irmão e, entre vós, representantes de Estados soberanos, um dos menores, revestido também ele — se assim preferirdes nos considerar — de uma soberania temporal minúscula, quase simbólica, a quanto lhe basta para ser livre para exercer sua missão espiritual e para garantir a quem quer que trate com ele que é independente de qualquer soberania deste mundo”. O Papa, em visita aos Estados Unidos, acrescentou logo em seguida, falando de si mesmo: “Ele não possui nenhum poder temporal, nem qualquer ambição de competir convosco; de fato, não temos nada a pedir, nenhuma questão a levantar; se há algum desejo a expressar e uma permissão a solicitar, é o de poder servir-vos naquilo que Nos é dado fazer, com desprendimento, humildade e amor”.

É verdade que, para garantir a liberdade absoluta do Vigário de Cristo, há quase cem anos foi estabelecido que houvesse um minúsculo pedaço de terra onde o Bispo de Roma e Pastor da Igreja universal fosse também soberano, ou seja, chefe de Estado. Mas tratava-se, e trata-se, de uma convenção para reconhecer justamente essa necessidade de independência em relação a qualquer outro Estado, e não a afirmação de uma dupla missão. Qualquer exaltação ou supervalorização do papel do Pontífice como chefe de Estado, qualquer ênfase na importância desse papel, acaba sendo, portanto, enganosa, pois prejudica sua única e verdadeira missão de Pastor universal. Um Pastor que se dirige aos católicos, aos cristãos, aos crentes e a todos os homens de boa vontade com o único intuito de anunciar o Evangelho, sua mensagem de amor, de fraternidade e de paz “desarmada e desarmante”.

Isso foi bem destacado pelo então cardeal Giovanni Battista Montini, cardeal-arcebispo de Milão, em seu discurso no Capitólio em 10 de outubro de 1962, na véspera da inauguração do Concílio Ecumênico Vaticano II. Nesse discurso, o futuro Papa, ao falar do fim do poder temporal da Igreja com a queda do Estado Pontifício em 1870, disse: “Foi então que o papado retomou, com vigor inusitado, suas funções de mestre de vida e de testemunho do Evangelho, de modo a alcançar uma altura tão elevada no governo espiritual da Igreja e na irradiação moral sobre o mundo, como nunca antes”.

Quando pede que a vida humana seja sempre respeitada e protegida em todas as fases de sua existência, quando fala de paz pensando no bem dos povos e pede que se ponha fim à louca corrida ao rearmamento, superando até mesmo o conceito de “guerra justa”, quando convida ao diálogo e à negociação, invocando o Magistério da Doutrina Social, quando pede que os migrantes sejam considerados pessoas a serem acolhidas, sem jamais esquecer sua dignidade humana, quando nos lembra que os pobres estão no centro do Evangelho e que devemos construir sociedades mais justas e equitativas, quando defende o direito à liberdade religiosa, quando ressalta a importância de zelar pela Criação para transmiti-la aos nossos filhos e netos, o Sucessor de Pedro não está falando como chefe de Estado. Ele está simplesmente anunciando o Evangelho.

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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Papa almoça com os pobres: a fragilidade como força para as comunidades


A iniciativa do Centro de Alta Formação Laudato Si’, que neste 11 de julho acolherá em Borgo Laudato Si’ duzentas pessoas em situação de vulnerabilidade acompanhadas pela Diocese de Roma, entre elas 35 crianças, quer ser um sinal de uma Igreja aberta, de uma família, porto seguro para quem mais necessita. Donatella Parisi: “São justamente essas pessoas que oferecem muito, enriquecendo com sua presença e com seu pedido de uma visão diferente da sociedade”.

Antonella Palermo – Vatican News

Esperança, acolhida e inclusão. Estes são os sentimentos que inspiraram os organizadores da iniciativa “Almoço com o Papa”, que será realizada em 11 de julho nos jardins de Castel Gandolfo. Duzentas pessoas (entre elas 35 crianças) em situação de vulnerabilidade — acompanhadas pela Diocese de Roma e por associações ligadas a ela — passarão um dia inteiro marcado pela beleza e por uma espiritualidade vivida em um lugar extraordinário. “Este lugar tão precioso, que permaneceu fechado ao mundo por 400 anos e depois foi aberto pelo Papa Francisco e hoje está amplamente acessível graças ao Papa Leão, acolhe essas pessoas que para nós são os convidados de honra”, destaca Donatella Parisi, coordenadora de comunicação do Centro de Alta Formação Laudato Si’. A Missa pela manhã será presidida pelo cardeal Fabio Baggio, diretor-geral do Centro de Alta Formação Laudato Si’, e concelebrada pelo prefeito do Dicastério para o Serviço da Caridade, dom Corrado de San Martín. Em seguida, haverá um momento de confraternização e uma visita guiada conduzida pelos operadores de Borgo Laudato Si’ para os convidados.

A Igreja é uma família, aberta a todos
Borgo Laudato Si’ “conta muito da história de Roma, com os vestígios da Villa de Domiciano, da história dos Papas que, desde o século XVII, vêm aqui para descansar, e também da beleza da natureza, com um jardim botânico que reúne mais de quatro mil plantas de trezentas espécies diferentes”. Trata-se de um tesouro de beleza e harmonia que abre suas portas como símbolo de uma Igreja sem barreiras. “Sim, a mensagem é também que a Igreja seja cada vez mais aberta a todos, sobretudo àqueles que vivem uma periferia existencial. O Papa Leão repete isso muitas vezes e nós também lemos este evento como uma etapa que dá continuidade à viagem a Lampedusa, onde o Pontífice chamou a atenção do mundo para aquela pequena ilha no centro do Mediterrâneo, que se tornou testemunha involuntária de milhares de mortes no mar, de pessoas que buscam um futuro melhor, muitas vezes fugindo de guerras, pobreza e injustiças sociais. Assim, hoje estamos às vésperas de um evento que reafirma que a Igreja está aberta a qualquer pessoa e é família, comunidade e porto seguro para quem mais precisa neste momento”, afirma Parisi.



A iniciativa, realizada nos Jardins do Vaticano em Castel Gandolfo, intitula-se “Almoçando com o Papa” e tem como objetivo reproduzir a experiência de agosto de 2025, quando o ...

São os pobres que mudam a perspectiva
A ideia é que, a cada ano, o evento acolha pessoas provenientes de uma diocese diferente. No ano passado foi a vez de Albano; neste ano, Roma. “Haverá refugiados, mães solteiras com seus filhos, pessoas que participaram do Borgo de cursos de formação profissional e que retornam para celebrar um percurso que hoje olha com renovada confiança para a integração e para a conquista de um emprego. Haverá também pessoas com diferentes capacidades. Estará representada aquela parcela da sociedade e da Igreja frequentemente vista apenas como ‘aqueles que precisam de ajuda’. Na realidade, nós experimentamos todos os dias aqui no Borgo Laudato Si’ que são justamente essas pessoas que dão, e dão muito, enriquecendo o Borgo e, eu diria, toda a Igreja com sua presença e com seu pedido de uma visão diferente da sociedade, um olhar capaz de transformar a fragilidade em uma nova força para as nossas comunidades.”

O almoço foi oferecido com grande generosidade e espontaneidade por um restaurante de Roma, o L’Isola della Pizza. Já o lanche da manhã será oferecido pelo Bar Duomo de Albano, profundamente envolvido nos projetos do Borgo Laudato Si’. “É um testemunho muito bonito de atenção a uma iniciativa como esta”, afirma Parisi. O cardápio será composto por pratos da culinária italiana, mas com sensibilidade também para aqueles que vêm de outros contextos e culturas.

A iniciativa está inserida em uma visão muito forte que o Papa tem deste lugar. “O Santo Padre ama profundamente os Jardins Pontifícios e acompanha de perto este projeto”, confirma Parisi, recordando a audiência realizada no Vaticano em 19 de junho passado, ao término dos dois dias de trabalhos dos Borgo Dialogues, que reuniram representantes de numerosas realidades industriais e empresariais em nível internacional para refletir sobre como tornar os processos produtivos e os ambientes de trabalho mais sustentáveis, tornando-nos “cada vez mais responsáveis e cada vez menos dominadores”. A inspiração, já presente nas encíclicas do Papa Francisco e reafirmada em Magnifica Humanitas, continua sendo a de nos reconhecermos como “criaturas entre as criaturas”.

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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Papa à Venezuela: “nas minhas orações, recordo as vítimas do terremoto”

Leão XIV, ao final da oração mariana do Angelus deste domingo (05/07), dirige seus pensamentos à Venezuela. Em espanhol, o Pontífice disse rezar pelas vítimas do país, dramaticamente atingido por dois fortes terremotos: o último balanço fala de quase 3 mil mortes.

Benedetta Capelli e Beatrice Guarrera – Vatican News

Ele usa o espanhol para expressar seus sentimentos de afeto e solidariedade, consolando aqueles que, desde 24 de junho, choram a perda de seus entes queridos. O Papa Leão, após o Angelus, pensa na Venezuela, onde se contabilizam os mortos após os dois tremores de terra que marcaram irremediavelmente La Guaira, epicentro da catástrofe a 40 Km da capital, Caracas.

“Sempre lembro, em minhas orações, as vítimas do terremoto e todo o povo venezuelano: que o Senhor o sustente neste momento tão difícil.”

Leão XIV durante o Angelus deste domingo (05/07) (@Vatican Media)

Um novo balanço divulgado pelo Ministério das Comunicações da Venezuela aponta 2.954 mortos e 16.592 feridos duplo terremoto, um dos mais poderosos e devastadores da América Latina. O governo não divulgou números sobre os desaparecidos, mas as Nações Unidas estimam que possam chegar a 50 mil. O Ministério das Comunicações indicou ainda que mais de 16 mil pessoas ficaram desabrigadas e 856 edifícios foram danificados. Muitos desabrigados ainda estão nas ruas ou refugiados em condições precárias. Além disso, as equipes de resgate vindas dos Estados Unidos, do Chile e de outros países estão gradualmente encerrando as buscas por sobreviventes entre os escombros. Na última quinta-feira (02/07), por exemplo, um homem que ficou soterrado sob os escombros por oito dias foi salvo, em um raio de esperança em meio à tragédia.

A assembleia dos bispos foi adiada
Enquanto isso, a presidente interina Delcy Rodríguez anunciou medidas financeiras de apoio à população. Já a Conferência Episcopal Venezuelana, por sua vez, informou que, devido aos compromissos pastorais dos bispos neste momento difícil, a CXXVI Assembleia Ordinária Plenária, prevista para os próximos dias, foi adiada para data a ser definida. “Neste momento — diz a mensagem publicada nas redes sociais — nossos bispos estarão totalmente dedicados a acompanhar pastoralmente e a ajudar nossos irmãos venezuelanos atingidos por esta situação dolorosa, levando proximidade, esperança e o consolo do Evangelho àqueles que mais precisam. Convidamos todo o povo de Deus a permanecer unido na oração e na solidariedade com as famílias afetadas, confiando que, com a ajuda do Senhor, poderemos enfrentar juntos este momento de provação”.

Os dois terremotos ocorreram com 39 segundos de intervalo entre si em 24 de junho e atingiram principalmente o norte da Venezuela. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o terremoto de magnitude 7,5 é o mais forte a atingir o país desde 1900, em um momento em que, entre outras coisas, o país enfrenta um período de crise econômica e política.

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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Leão XIV recebe presidente da Colômbia Gustavo Petro


Durante os cordiais colóquios realizados na Secretaria de Estado, foi expressa satisfação pelas boas relações entre a Colômbia e a Santa Sé, caracterizadas por uma colaboração positiva e constante entre a Igreja e o Estado em favor da promoção da paz, a reconciliação e a unidade nacional.

Vatican News

O Papa Leão XIV recebeu em audiência na manhã desta quinta-feira (02/07) no Palácio Apostólico, o Sr. Gustavo Francisco Petro Urrego, presidente da República da Colômbia, que sucessivamente se reuniu com o secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, acompanhado pelo Rev. Daniel Pacho, subsecretario para o Setor multilateral da Seção para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais.

Durante os cordiais colóquios realizados na Secretaria de Estado, foi expressa satisfação pelas boas relações entre a Colômbia e a Santa Sé, caracterizadas por uma colaboração positiva e constante entre a Igreja e o Estado em favor da promoção da paz, a reconciliação e a unidade nacional.

A conversa prosseguiu com uma troca de opiniões sobre a situação sociopolítica da Colômbia e regional, com especial atenção às repercussões dos conflitos, do crime organizado internacional e das mudanças climáticas.

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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Último apelo do Papa aos lefebvrianos: não rasguem a túnica de Cristo


A carta enviada por Leão XIV ao superior da Fraternidade São Pio X traz a data de 29 de junho, festa dos Santos Pedro e Paulo, véspera da anunciada consagração episcopal sem mandato pontifício, que constituiria um novo ato cismático

Vatican News

Como havia anunciado nos últimos dias ao encontrar os jornalistas em Castel Gandolfo, o Papa Leão enviou um último apelo à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, pedindo que não prossiga com a consagração de quatro novos bispos sem mandato pontifício, prevista para a manhã de 1º de julho, em Écône, na Suíça.

“Com sentimentos paternos, desejo dirigir-me a Vossa Reverência e, por seu intermédio, aos bispos, sacerdotes, seminaristas e fiéis vinculados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, consciente da responsabilidade que o Senhor me confiou como Sucessor do Apóstolo Pedro. A Igreja reconhece o apreço pela vida litúrgica, o empenho na formação sacerdotal, o zelo apostólico e o desejo de fidelidade à Tradição que caracterizam muitas pessoas e comunidades vinculadas a essa Fraternidade. Tudo isto motivou a atenção e a benevolência que os meus Predecessores vos manifestaram constantemente.”

“Neste espírito, e repleto de afeto cristão, peço-vos e suplico-vos do fundo do coração: Reconsiderai! Exorto-vos a ter em conta, com muita atenção, o bem espiritual dos fiéis, porque a ação cismática que cometeríeis privá-los-ia da recepção lícita e, nalguns casos, até mesmo válida dos Sacramentos que eles amam e procuram para a sua santificação.”

“A Igreja – lê-se ainda na carta papal, redigida em francês e dirigida ao Superior-Geral da Fraternidade, padre Davide Pagliarani – está disponível a um caminho de diálogo e de entendimento, que o Espírito Santo pode tornar possível e fecundo. Rezo por vós, pois rasgar a Túnica inconsútil de Cristo é um pecado de extrema gravidade. Que o Senhor ilumine as vossas consciências e toque os vossos corações. Pela autoridade que recebi de Cristo, com o coração entristecido, mas ainda cheio de esperança, sinto o dever de vos pedir para desistirdes do vosso propósito, confiando estas intenções ao Coração Imaculado de Maria, Mãe do Bom Conselho.”

O Papa, portanto, pede mais uma vez aos lefebvrianos que renunciem a levar adiante o ato cismático das consagrações episcopais sem mandato pontifício. É significativo que o argumento mais forte apresentado na carta seja o bem das almas dos fiéis da Fraternidade São Pio X, uma vez que tal ato tornaria ilícitos e, em alguns casos (como na confissão sacramental e no matrimônio) também inválidos os sacramentos celebrados.

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Papa: como Pedro e Paulo, sejamos construtores de unidade

Na Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, Leão XIV presidiu à Santa Missa na Basílica de São Pedro, durante a qual impôs o pálio aos arcebispos metropolitanos nomeados nos últimos 12 meses. Entre eles, há quatro brasileiros.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

"Rezemos a São Pedro e São Paulo, para que nos apoiem no caminho da comunhão, seguindo as pegadas do Salvador." Este foi o auspício formulado pelo Papa Leão XIV, ao presidir à celebração eucarística na Solenidade dos santos padroeiros da cidade e da diocese Roma. Como recordou o Pontífice, "neles veneramos duas colunas da Igreja".

Esta cerimônia é repleta de particularidades. Uma delas é a tradicional presença de uma delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. A Santa Sé retribui este gesto fraterno enviando, por sua vez, um representante para a Festa de Santo André, em 30 de novembro, padroeiro da Igreja de Constantinopla. Com efeito, o Pontífice e o Metropolita de Calcedônia, Sua Eminência Emmanuel, enviado de Sua Santidade Bartolomeu, rezam diante dos restos de Pedro, guardados sob o altar principal da Basílica Vaticana.

O Papa se detém em oração também diante da imagem de bronze de São Pedro, que se encontra na nave principal, à direita do altar principal e do baldaquino de Bernini. Nesta ocasião, a imagem é revestida de um manto vermelho. Outro símbolo característico é o grande cesto colocado na entrada da Basílica Vaticana, em referência à expressão "pescador de homens".

Papa reza diante do túmulo de São Pedro (@Vatican Media)

Podemos ser apóstolos e construtores de unidade
Já em sua homilia, Leão XIV se deteve nas características mais marcantes dos dois santos. Pedro, guardião do Povo de Deus, aparece muitas vezes no Novo Testamento empenhado em conservar a comunhão entre os irmãos. Esta grandeza de espírito, observou o Papa, não significa que Pedro seja perfeito. Durante a Paixão, nega o Mestre, para depois chorar lágrimas sinceras de arrependimento. Porém, sabe reconhecer os seus erros e arrepender-se.

Esta solicitude fiel e paciente pela unidade está representada no símbolo das chaves, com o qual é identificado. Com efeito, uma chave não derruba portas, mas abre e fecha-as de acordo com a situação. Da mesma forma, comparou o Papa, "a comunhão na Igreja não se constrói endurecendo nas próprias posições, mas procurando, no coração de todos, os pontos de encontro na Verdade, à luz da qual cada um se torna, para o outro, instrumento de crescimento".

Assim, o exemplo de Pedro é também um convite a cada cristão se tornar construtor de unidade, colocando Deus no centro da sua existência. Este é também o ensinamento de Paulo, que o Santo Padre definiu como "incansável anunciador da Boa Nova". Os seus símbolos distintivos são o livro e a espada, estreitamente unidos entre si. O Apóstolo dos gentios deixou-se transformar pelo poder da Palavra de Deus, que o tirou à violência para o conduzir pelo caminho do amor.

"Caríssimos, hoje para nós é importante olhar para estes dois santos – Pedro e Paulo – a fim de compreender como, no que nos diz respeito, podemos ser apóstolos e construtores de unidade, servos generosos da verdade na caridade", exortou o Papa.

Papa com os arcebispos que receberam o pálio (@Vatican Media)

Tomar sobre os próprios ombros os irmãos
É com este espírito que se realiza o antigo e sugestivo rito da entrega dos pálios aos arcebispos metropolitas. Estas faixas de lã branca embelezadas com cruzes, explicou, expressam na verdade o compromisso de cada Pastor – mas também de cada cristão – "de tomar sobre os próprios ombros os irmãos e irmãs que lhe são confiados e de sacrificar por eles forças, tempo, canseiras e até mesmo a vida, para que o Evangelho chegue a todos e o mundo inteiro encontre nele harmonia e concórdia".

Após saudar os membros da Delegação ecumênica, o Pontífice concluiu: "Rezemos a São Pedro e São Paulo, para que nos apoiem no caminho da comunhão, seguindo as pegadas do Salvador. É a via que Ele traçou, pela qual intercedeu ao Pai na Última Ceia, a meta que nos ensinou a ansiar com esperança confiante".

A cerimônia prosseguiu com a bênção e imposição do pálio aos novos arcebispos metropolitanos. Eram 35 no total, dos quais quatro do Brasil. São eles: Dom Júlio Endi Akamine, arcebispo de Belém do Pará (PA), Dom José Roberto Fortes Palau, arcebispo de Sorocaba (SP), Dom Marco Aurélio Gubiotti, arcebispo de Juiz de Fora (MG), e Dom Mário Antônio da Silva, arcebispo de Aparecida (SP).

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Papa aos cardeais: "Preciso do apoio de vocês". Peço franqueza e lealdade


No discurso de abertura do Consistório Extrarodinário, Leão XIV foi sincero com os cardeais, pedindo apoio "forte, explícito e público" para que a Igreja continue a anunciar o Evangelho com maior fidelidade, liberdade e credibilidade. A missão, recordou, é a nossa razão de ser.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

"Como podemos ajudar hoje nossas Igrejas a anunciar o Evangelho com maior fidelidade, liberdade e credibilidade?" Esta foi a pergunta que Leão XIV dirigiu aos cardeais reunidos para o Consistório Extraordinário, em andamento no Vaticano.

Depois da Santa Missa na Basílica Vaticana, o Pontífice fez seu discurso de abertura na Sala Paulo VI, afirmando que a missão não é uma das muitas tarefas da Igreja, mas sua razão de ser. E é por isso, que se torna também o critério que orienta o discernimento.

Aprende-se caminhando, ressaltou o Santo Padre, explicando os quatro temas "profundamente interligados" que guiarão os trabalhos que hoje se iniciam. Não somos guardiões de interesses particulares, recordou, mas "discípulos e testemunhas do Reino de Deus, chamados a ser, em Cristo, fermento de fraternidade universal".

O Santo Padre faz seu discurso (@Vatican Media)

Quatro temas que convergem na missão da Igreja
O primeiro tema, portanto, é contemplar o mundo no qual a Igreja é chamada a anunciar o Evangelho. Antes de se questionar o que fazer, afirmou, é preciso deter-se diante da realidade, olhando-a com os olhos da fé e deixando-nos questionar pela escuta dos irmãos. Jesus habita os lugares de nossa vida cotidiana, e a Igreja é chamada a reconhecer a sua presença.

O segundo tema é a reflexão sobre a cultura do poder e a civilização do amor. "Muitos de vocês vêm de terras marcadas pela guerra, pela violência, pela polarização social ou religiosa. Mas nenhum de nós está alheio às muitas formas de conflito, de opressão e de divisão que hoje atravessam nossas sociedades. Por isso, o discernimento que somos chamados a realizar diz respeito a todos e interpela a missão da Igreja em todos os contextos."

Leão XIV indicou a Encíclica "Magnifica humanitas", que pode oferece chaves de interpretação para este tempo. Ao Papa, interessa saber como essas páginas ressoam nas Igrejas particulares, através dos questionamentos suscitados, das perspectivas abertas e dos passos sugeridos.

O terceiro tema é justamente o aprofundamento desta Encíclica, questionando-se sobre a contribuição que a Igreja pode oferecer para a construção do bem comum. "Vivemos em uma época em que cresce a tentação da fragmentação e os interesses particulares prevalecem com facilidade. A Doutrina Social da Igreja nos lembra que o bem comum não surge espontaneamente, mas exige responsabilidades compartilhadas."

Para a Igreja, acrescentou, isso se traduz num estilo sinodal a serviço da missão do Reino, em que as decisões são tomadas e as responsabilidades exercidas, com transparência, avaliação e corresponsabilidade.

Já o último tema diz respeito à implementação do Sínodo. "Diante das feridas do mundo, da construção do bem comum e da missão da Igreja, a sinodalidade indica um modo de proceder: ouvir, discernir e assumir juntos a responsabilidade pelas escolhas que o Senhor nos confia. A sinodalidade não é, antes de tudo, um conjunto de procedimentos; como já tive oportunidade de dizer várias vezes, a sinodalidade é uma atitude, uma abertura, uma disposição para compreender."

Não se trata de uma diminuição da autoridade; pelo contrário, ajuda a compreender mais profundamente o seu significado, que existe para guardar a comunhão, favorecer a participação de todos e orientar o caminho comum da Igreja.

Participam do Consistório cerca de 130 cardeais (@Vatican Media)

A missão é a razão de ser da Igreja
Para o Santo Padre, todos estes temas convergem em uma única pergunta: como podemos ajudar hoje nossas Igrejas a anunciar o Evangelho com maior fidelidade, liberdade e credibilidade?

"A missão não é uma das muitas tarefas da Igreja. É sua razão de ser e, justamente por isso, torna-se também o critério que orienta nosso discernimento. Quando aprendemos a ouvir uns aos outros, a compartilhar responsabilidades, a reconhecer a ação do Espírito nas diversas Igrejas, não estamos apenas melhorando nossa maneira de trabalhar: estamos nos tornando uma Igreja mais capaz de encontrar os homens e as mulheres do nosso tempo e de testemunhar a eles a alegria do Evangelho."

Um conselho sincero é sempre um ato de comunhão
Leão XIV pediu então uma ajuda especial aos cardeais:

“O ministério que o Senhor me confiou não pode ser vivido sozinho. Ele precisa da experiência de vocês, da sabedoria pastoral de vocês, do conhecimento que têm das Igrejas e dos povos que lhes foram confiados. Conto com vocês para que me ajudem a discernir o que o Espírito diz hoje à Igreja. Preciso do apoio de vocês: forte, explícito e público. Preciso sentir-me apoiado por vocês como irmãos.”

O pedido do Papa se estende para além desses dias de trabalho, através de "conselhos sinceros". "Ajudem-me a ouvir o que surge nas Igrejas, a reconhecer os sinais de esperança que muitas vezes crescem no silêncio, mas também a não ignorar as dificuldades, as incompreensões e as resistências que podem retardar o caminho. Preciso da liberdade de vocês, de sua franqueza e de sua lealdade. Um conselho sincero é sempre um ato de comunhão."

Por fim, mais um pedido, de que os cardeais apoiem esse estilo de discernimento eclesial, que exige paciência e, às vezes, suscita questionamentos. "No entanto, estou convencido de que o Senhor está nos ensinando uma maneira mais evangélica de viver juntos a responsabilidade que nos confiou. Daí também depende a credibilidade do nosso testemunho e a fecundidade da nossa missão."

O trabalho em grupos pode parecer inabitual para conduzir um Consistório, acrescentou o Papa, mas também isso faz parte do caminho pelo qual o Senhor está conduzindo a Igreja. "A comunhão nunca é um resultado conquistado de uma vez por todas: continua sendo uma conversão diária, que se concretiza na oração e por meio de atitudes concretas, relações de confiança e disponibilidade para nos ouvirmos reciprocamente."

Além do espaço para intervenções pessoais, Leão XIV reforçou que todos os participantes podem se sentir livres para lhe enviar observações ou reflexões confidenciais. "Mas peço que participem com confiança desse exercício eclesial. Nós também aprendemos a sinodalidade praticando-a; aprendemos juntos a crescer na comunhão. Agradeço-lhes desde já por sua disponibilidade, por sua liberdade interior e por seu amor à Igreja", concluiu o Santo Padre.

"Confiamos estes dias ao Espírito Santo, para que nos torne dóceis à sua voz e nos conceda a graça de buscar juntos o que melhor serve ao Evangelho e ao bem do Povo de Deus. Obrigado."

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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Papa: a Eucaristia é o antídoto contra as divisões que minam o nosso mundo


Depois da visita à Espanha e da catequese dedicada a esta viagem apostólica, Leão XIV retomou esta quarta-feira o ciclo dedicado aos documentos conciliares. O comentário de hoje foi sobre o mistério eucarístico, a partir da Constituição "Sacrosanctum Concilium" (SC) sobre a Liturgia.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

Mesmo sob forte sol, com temperatura acima dos 35 graus, milhares de fiéis se reuniram na Praça São Pedro para a última Audiência Geral antes da pausa de verão. Como de costume, no mês de julho são canceladas todas as audiências no Vaticano. O único momento público do Papa é a oração do Angelus todos os domingos. Leão XIV deu continuidade às catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, em particular sobre a Constituição Sacrosanctum Concilium (SC) sobre a Liturgia, destacando a influência de Santo Agostinho neste texto.

"Para os cristãos, participar na ceia do Senhor significa, de fato, «ser instruídos pela palavra de Deus; alimentar-se à mesa do Corpo do Senhor; dar graças a Deus». É ao recebê-Lo na Sua Palavra e na Eucaristia que nos tornamos aquilo que recebemos. Tornamo-nos o Corpo cuja Cabeça é o Cristo ressuscitado, sentado à direita do Pai, que nos prepara um lugar nos céus."

A Eucaristia é oblação
Assim, explicou o Pontífice, a Eucaristia é "o sacramento do Reino que vem". É o Pão do caminho, que nos conduz para a Pátria celestial. A Eucaristia é a forma do sacrifício espiritual dos cristãos, na medida em que é o caminho da união com Deus e da união recíproca. Ao participarem dela, aprendem a oferecer-se a si mesmos, a adotar o estilo de vida do próprio Senhor Jesus, marcado pela doação gratuita. Esta doação, prosseguiu o Papa, nos faz entrar na dinâmica da unidade, "que oferece um poderoso antídoto contra os fermentos de divisão que minam o nosso mundo, as nossas comunidades, as nossas famílias, o nosso coração".

Deste modo, quando participamos da Missa, somos convidados a ouvir a Palavra de Deus e a alimentar-nos à mesa do Senhor. A Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística estão intimamente ligadas entre si a ponto de formarem um só ato de culto.

O Lecionário, fruto da reforma litúrgica
No que diz respeito à Palavra, Leão XIV recordou que não se trata apenas de adquirir um conhecimento intelectual sobre as Escrituras, mas de receber a Palavra «viva e eficaz», dirigida por Deus a todos e, ao mesmo tempo, a cada um; Palavra que, juntamente com o Pão eucarístico, nos nutre e alimenta e nos faz passar da decadência do pecado para a vida nova em Cristo.

O Vaticano II pediu que os fiéis fossem bem preparados para receber "os tesouros da Bíblia". Fruto da reforma litúrgica foi, portanto, o Lecionário, ou seja, o livro que reúne todas as leituras bíblicas para as celebrações litúrgicas, de modo a conjugar «fidelidade à tradição» com a «abertura a um progresso legítimo».

"Queridos irmãos e irmãs, bebamos com fé desta fonte de vida divina e deixemo-nos transformar pelo mistério que celebramos", foi o apelo de Leão XIV na conclusão de sua catequese.

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Papa: contra a idolatria do lucro, construir a civilização do amor


Na saudação aos participantes da primeira edição dos “Diálogos do Borgo”, realizada em Castel Gandolfo, Leão XIV alertou para os riscos da desumanização provocada pela busca desenfreada pelo lucro e convidou a construir a “Nova Jerusalém”, uma sociedade fundada no amor, na responsabilidade compartilhada e no cuidado com cada pessoa.

Thulio Fonseca - Vatican News

A construção de uma nova liderança moral, capaz de responder aos desafios do mundo contemporâneo, esteve no centro da mensagem dirigida pelo Papa Leão XIV aos participantes da primeira edição dos “Diálogos do Borgo”, encerrada nesta sexta-feira (19/06), no Borgo Laudato Si’, em Castel Gandolfo. Durante dois dias, especialistas, líderes e profissionais de diversas partes do mundo se reuniram para refletir sobre temas que também preocupam a Igreja Católica, entre eles a inteligência artificial e sua relação com a humanidade, o envelhecimento e a vitalidade, o esporte e a diplomacia, além do futuro da sustentabilidade.

Repensar a liderança em um mundo fragmentado
O Pontífice, ao receber o grupo de participantes no Vaticano, definiu a iniciativa como o primeiro passo de um processo destinado a “renovar e repensar a liderança moral” em uma sociedade que, segundo ele, “parece fragmentada e esquecida das próprias raízes históricas”. Leão XIV recordou ainda o apelo lançado na Encíclica Magnifica humanitas, no qual convida a Igreja a dialogar com todos os homens e mulheres do nosso tempo para identificar novos caminhos em favor do bem comum e da promoção de uma vida digna para todos.

Ao mesmo tempo, alertou para aquilo que definiu como uma “cegueira espiritual e cultural” dos nossos tempos, marcada por um falso pragmatismo que busca romper com a memória histórica e alimenta a ilusão de que as tragédias do século XX não possam voltar a acontecer.

Construir a civilização do amor
O Papa destacou que os diálogos foram construídos a partir da visão sinodal da Igreja, baseada na escuta e na promoção da unidade global, reunindo pessoas provenientes de diferentes culturas, competências e experiências, mas unidas pelo compromisso com a transformação ecológica, social e econômica do mundo. Diante da tentação de construir a “torre de Babel”, explicou Leão XIV, símbolo da idolatria do lucro em detrimento dos mais vulneráveis e do crescente risco de desumanização, todos são chamados a colaborar na edificação da “Nova Jerusalém”, a civilização do amor.

“Nessa civilização, o amor deve ser o único princípio orientador da vida econômica, política e cultural”, afirmou o Pontífice.

Conhecimento local e responsabilidade global
Ao agradecer a participação dos presentes, Leão XIV destacou a importância de unir o conhecimento local à responsabilidade global, impulsionando a formação de uma liderança corajosa, algo que considera indispensável nos dias atuais. O Papa manifestou ainda o desejo de que esse processo tenha continuidade em outros contextos e produza novos avanços em favor da humanidade.

Por fim, confiou os participantes à bênção de Deus e os encorajou a serem “humildes construtores da Nova Jerusalém”, uma cidade capaz de oferecer “água viva aos sedentos” e de proporcionar “cuidado, reconhecimento, palavras amáveis e mãos capazes de ternura a cada ser humano”.

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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Leão XIV reconhece virtudes heroicas do Pe. Júlio Maria De Lombaerde


O sacerdote belga chegou ao Brasil em 1913. Atuou por 16 anos no Norte e Nordeste (como no Amapá) e 16 anos em Minas Gerais. Faleceu tragicamente em um acidente automobilístico em 24 de dezembro de 1944, em Alto Jequitibá (MG), aos 66 anos. O Papa também reconheceu o martírio de sacerdotes espanhóis, mortos por ódio à fé em 1936, e as virtudes heroicas de religiosas italianas, espanhola e estadunidense.

Vatican News

Durante a audiência concedida na manhã desta quinta-feira (18/06), ao prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro, o Sumo Pontífice autorizou o mesmo Dicastério a promulgar os Decretos referentes:

- ao martírio dos Servos de Deus Juan Torres Torres e 19 Companheiros, sacerdotes diocesanos, assassinados entre agosto e setembro de 1936, por ódio à fé, no território da Diocese de Ibiza (Espanha), no contexto da mesma perseguição;

- às virtudes heroicas do Servo de Deus Júlio Maria De Lombaerde (nascido Júlio Emilio Alberto), sacerdote professo da Congregação dos Missionários da Sagrada Família e fundador da Congregação das Filhas do Imaculado Coração de Maria, da Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento e da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, nascido em Waregem (Bélgica) em 7 de janeiro de 1878 e falecido próximo ao atual município de Alto Jequitibá (Brasil) em 24 de dezembro.

O Servo de Deus Júlio Maria De Lombaerde foi um missionário católico belga naturalizado brasileiro, tendo se destacado como escritor e evangelizador. Sua vida e legado religioso são marcados por realizações específicas. Nascido na Bélgica, adotou o nome "Maria" por devoção à Virgem Santíssima e suprimiu "Emílio Alberto". Chegou ao Brasil em 1913. Atuou por 16 anos no Norte e Nordeste (como no Amapá) e 16 anos em Minas Gerais. Faleceu tragicamente em um acidente automobilístico em 24 de dezembro de 1944, em Alto Jequitibá (MG), aos 66 anos. Além da fundação das três Congregações religiosas, escreveu dezenas de obras literárias de apologética e catequese, além de atuar fortemente na construção de hospitais, patronatos e escolas para os vulneráveis.

- às virtudes heroicas da Serva de Deus Maria Teresa Tallon (nascida Julia Teresa), fundadora da Congregação das Visitadoras Paroquiais de Maria Imaculada, nascida em 6 de maio de 1867, em Hanover, EUA, e falecida em 10 de março de 1954, em Monroe, EUA;

- às virtudes heroicas da Serva de Deus Maria Agnese Tribbioli, religiosa professa e fundadora da Congregação das Irmãs Pias Operárias de São José, nascida em 20 de abril de 1879, em Florença, Itália, e lá falecida em 27 de janeiro de 1965;

- às virtudes heroicas da Serva de Deus Clara Andreu y Malferit (nascida Barbara Onofria), monja professa do Mosteiro dos Jerônimos de San Bartolomeo de Inca, nascida em 4 de dezembro de 1596, em Palma de Maiorca, Espanha, e falecida em 24 de junho de 1628, em Inca, Espanha;

- às virtudes heroicas da Serva de Deus Maria Petra Giordano (nascida Nicoletta), monja professa da Ordem das Pregadoras, nascida em 4 de julho de 1912, em Nápoles, Itália, e falecida em 21 de junho de 2006, em Bibbiena, Itália.

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terça-feira, 16 de junho de 2026

Leão XIV: a dimensão religiosa é essencial para enfrentar a crise climática

Em mensagem em vídeo à 10ª edição do Austrian World Summit, em Viena, o Papa propõe três caminhos inspirados nas virtudes cristãs da fé, da esperança e da caridade. O Pontífice recorda que a crise ambiental é também expressão da crise socioeconômica contemporânea e pede atenção especial aos mais pobres e vulneráveis.

Thulio Fonseca - Vatican News

“A Igreja sempre esteve consciente de que a questão ecológica possui uma dimensão moral. De fato, a crise ambiental 'não é uma questão isolada, mas sim o aspecto ecológico da crise socioeconômica contemporânea' (Magnifica Humanitas, 43)”

Com essas palavras, o Papa dirigiu-se aos participantes da 10ª edição do Austrian World Summit, realizada nesta terça-feira, 16 de junho, no Palácio Hofburg, em Viena. O encontro, promovido pela Schwarzenegger Climate Initiative, reúne representantes da política, da economia, da ciência, da cultura e da sociedade civil em torno da proteção do clima, da inovação e de soluções sustentáveis. Em sua mensagem em vídeo, o Pontífice recordou que sustentabilidade, ecologia integral e cuidado com a criação são preocupações presentes há muitas décadas. Para contribuir com os trabalhos da Cúpula, Leão XIV propôs três temas inspirados nas virtudes cristãs da fé, da esperança e da caridade.

A fé e a responsabilidade pelo cuidado da criação
O Papa destacou que muitas tradições religiosas compreendem a criação como dom divino e afirmam o caráter sagrado da vida. Por isso, a fé reforça o desejo comum de proteger a vida e cuidar da natureza:

“Embora, para alguns, a fé pareça ter pouco a contribuir para as questões relacionadas às mudanças climáticas e à proteção ambiental, a dimensão religiosa é, na verdade, essencial para abordar adequadamente esses desafios. Aqueles que acreditam que o nosso mundo foi criado por Deus e que é intrinsecamente bom são chamados a assumir uma responsabilidade ainda maior no cuidado com a criação, pois essa é uma exigência da própria fé.”

Leão XIV também relacionou a crise climática aos fundamentos éticos apresentados na encíclica Magnifica humanitas: a igual dignidade de todos os seres humanos, os direitos humanos fundamentais, o bem comum, o destino universal dos bens, a subsidiariedade, a solidariedade e a justiça social. Segundo o Pontífice, sem enfrentar essas questões pessoais e sociais, nenhuma solução técnica para proteger o meio ambiente poderá alcançar plenamente seu objetivo. Nesse contexto, pediu atenção especial aos mais pobres e aos mais vulneráveis à degradação ambiental, recomendando que eles permaneçam no centro das avaliações, do planejamento e da realização de novos projetos.

A esperança diante dos medos e da crise global
Ao tratar da esperança, Leão XIV reconheceu a preocupação crescente diante dos desafios globais. A paz, afirmou, está ameaçada pela falta de respeito à criação, pela exploração predatória dos recursos naturais e pela deterioração da qualidade de vida provocada pelas mudanças climáticas. Esses desafios, acrescentou, exigem cooperação internacional e um multilateralismo coeso e voltado para o futuro. No entanto, nas deliberações e negociações sobre o clima, surgem frequentemente medos: medo de mudar de rumo, de perder poder e de enfrentar resultados incertos.

“É aqui, penso eu, que os líderes e as comunidades religiosas podem oferecer uma contribuição especial para apoiar iniciativas sociais e ambientais ambiciosas, pois a Bíblia está repleta de exemplos de como os medos das pessoas podem ser superados pela esperança, que, em última instância, é um dom do próprio Deus.”

O Papa também mencionou a COP30, afirmando que é possível dar continuidade aos progressos alcançados por meio de uma transição justa rumo a sociedades nas quais o bem comum prevaleça sobre o lucro e os modelos econômicos estejam enraizados na solidariedade e na dignidade humana. Para isso, sublinhou, os países mais ricos devem cumprir suas obrigações de apoio financeiro aos países mais pobres. O Santo Padre pediu ainda o desenvolvimento de uma nova estrutura financeira internacional centrada na pessoa humana, capaz de permitir que todos os países, especialmente os mais pobres e vulneráveis aos desastres climáticos, alcancem seu pleno potencial com a dignidade de seus cidadãos respeitada.

A caridade e a cultura do cuidado
Por fim, o Papa abordou a caridade, destacando a importância de cultivar uma autêntica cultura do cuidado com o meio ambiente. Essa cultura, observou, inclui aquilo que o Papa Francisco chamou de “amor cívico e político”:

“Esse amor é a chave para um desenvolvimento verdadeiramente humano, pois ‘para tornar a sociedade mais humana, mais digna da pessoa humana, é necessário valorizar novamente o amor na vida social — política, econômica e cultural —, fazendo dele a norma constante e suprema de toda atividade.’”

Leão XIV recordou que, ao lado dos pequenos gestos cotidianos, o amor social impulsiona a elaboração de estratégias mais amplas para deter a degradação ambiental e promover uma cultura do cuidado que alcance toda a sociedade. Ao concluir, o Papa expressou o desejo de que a Cúpula favoreça o diálogo necessário para encontrar soluções eficazes em defesa do “maravilhoso dom da criação” e invocou sobre todos os participantes os dons de Deus: a sabedoria e a paz.

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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Papa à organização de apoio a judeus: junto com a Igreja, combater o antissemitismo


Em audiência com a Federação de Nova York da UJA (United Jewish Appeal), organização filantrópica que arrecada e distribui fundos para cuidar de judeus e vulneráveis em nível local, em Israel e mais de 70 países, Papa agradece pelo serviço humanitário que atende 5,5 milhões de pessoas ao ano. Junto à Igreja que com a Nostra aetate assume firme posição contra o antissemitismo e condena perseguições, "que a missão possa fortalecer o diálogo, aprofundar a compreensão mútua e contribuir para a paz".

Andressa Collet - Vatican News

O Papa Leão XIV, em uma das audiências da manhã desta segunda-feira (15/06), recebeu uma delegação de 35 pessoas da Federação de Nova York da UJA (United Jewish Appeal), a maior organização filantrópica local do mundo que arrecada e distribui fundos para cuidar dos judeus em nível mundial e também dos mais necessitados de todas as origens em nível local. Na prática, como comentou o próprio Pontífice em discurso, presta "ajuda humanitária essencial e serviços sociais às populações vulneráveis – por exemplo, aos que vivem na pobreza, aos refugiados, aos idosos e às pessoas com deficiência – em Nova York, no Estado de Israel e em mais de 70 países". Por ano, segundo dados do site oficial da organização, são atendidas mais de 5 milhões de pessoas.

Esses esforços, continuou o Papa, "refletem um claro reconhecimento da dignidade humana e da fraternidade, em sintonia com o compromisso da Igreja em favor do desenvolvimento humano integral e com o chamado a amar o próximo". De fato, há 66 anos, recordou o Pontífice, uma delegação da organização foi recebida pelo Papa João XXIII que confirmou "humanidade e descendência comuns", para posteriormente ser redigido um tratado que descrevia uma nova relação entre a Igreja Católica e o judaísmo:

"Aquele tratado foi o alicerce do que se tornou 'o coração e o núcleo gerador' de Nostra aetate, a Declaração do Concílio Vaticano II sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs. Aquele documento histórico, cujo sexagésimo aniversário a Igreja celebrou no ano passado, 'abriu um novo horizonte de encontro, respeito e hospitalidade espiritual'. Afirmava, entre outras coisas, a verdade de que pertencemos a uma única família humana."

A Igreja rejeita o antissemitismo e condena discriminações
Dessa forma, continuou o Papa em discurso, foi plantada uma semente de esperança que “cresceu e se tornou uma árvore majestosa, oferecendo refúgio e produzindo frutos abundantes de compreensão mútua, amizade, cooperação e paz”:

"Reconhecendo a dignidade inerente de todos os homens e de todas as mulheres, a Nostra aetate assumia uma posição firme contra o antissemitismo e declarava que a Igreja reprova toda forma de discriminação ou de perseguição perpetrada por motivos de raça, cor, condição social e religião. Em um mundo ainda marcado pela divisão e pelo conflito, ela nos convidava a superar os mal-entendidos do passado em direção à colaboração pelo bem comum."

A missão que ajuda pobres e combate a intolerância
Esse mesmo espírito de solidariedade da Igreja para responder ao crescente antissemitismo atual, também encontra na organização UJA - Federação de Nova York a preocupação comum em ajudar quem se encontra em situação de necessidade. De fato, a missão dos colaboradores é encontrar soluções coordenadas e de longo pranzo com os parceiros para cuidar das pessoas vulneráveis, como vem fazendo há mais de 100 anos, já que a organização foi fundada em 1917. "O serviço aos pobres, aos marginalizados e aos indefesos", observou o Papa, "é uma forma de encontrar o sagrado; através deles, a voz divina continua a nos falar", através de "um caminho que abre os corações e renova a sociedade":

"Queridos amigos, aprecio a dedicação de vocês com que assistem os pobres e os necessitados, combatem o ódio e a intolerância e trabalham para construir um mundo melhor para todos. Que a missão de vocês possa fortalecer o diálogo, aprofundar a compreensão mútua e contribuir para a paz de que tanto se necessita em nosso mundo."

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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Leão XIV aos migrantes: "A dignidade humana não tem passaporte"


No Porto de Arguineguín, uma das principais portas de entrada da rota migratória atlântica para a Europa, Leão XIV dirigiu um forte apelo em favor dos migrantes. O Papa denunciou a indiferença diante do sofrimento humano, pediu vias seguras de acolhida e integração e recordou que “o Sucessor de Pedro não pode ignorar esses desembarques”.

Thulio Fonseca - Vatican News

“O Sucessor de Pedro não pode ignorar esses desembarques. A Igreja não pode ignorar essas águas.”

Com essas palavras, pronunciadas diante do Atlântico, no Porto de Arguineguín, em Gran Canaria, Leão XIV iniciou a última etapa de sua viagem apostólica à Espanha. Em sua primeira atividade nas Ilhas Canárias, o Papa encontrou-se com representantes de organizações comprometidas com a acolhida e o acompanhamento de migrantes e voltou a chamar a atenção para a dignidade das pessoas forçadas a deixar sua terra e para a responsabilidade compartilhada de acolhê-las, protegê-las e promover sua integração. Para o Pontífice, o Evangelho “arranca os cristãos do lugar confortável de espectadores” e os coloca diante do irmão que chega, convidando-os a reconhecer Cristo naqueles que desembarcam “marcados pelo medo, pela fome e pela violência, depois do deserto, da noite e do mar”.

Arguineguín tornou-se, nos últimos anos, um símbolo da crise migratória no Atlântico. É neste porto que desembarcam milhares de pessoas resgatadas no mar após travessias precárias em embarcações conhecidas como “cayucos” e “pateras”. Ali, diante daqueles que diariamente acolhem sobreviventes e testemunham tragédias humanas, o Papa afirmou que o Evangelho impede os cristãos de permanecerem espectadores diante do sofrimento.

(@Vatican Media)

O clamor dos que chegam pelo mar
Antes do discurso do Pontífice, foram apresentados testemunhos que retratam diferentes rostos da migração. Entre eles, o do capitão Tito Villarmea, responsável por operações de salvamento marítimo; da voluntária da Cáritas María Reyes Alemán Cruz, que durante os momentos mais críticos da emergência migratória ajudou a coordenar a acolhida de centenas de pessoas por dia; e de Blessing, uma mulher nigeriana vítima de tráfico para exploração sexual, cujo relato foi lido por razões de segurança.

Referindo-se às histórias apresentadas, o Papa observou que os discípulos de Jesus “não podem considerar o clamor daqueles que gritam na noite como algo desconhecido”. Retomando os testemunhos, Leão XIV afirmou que a conversão começa quando o migrante deixa de ser apenas um número ou uma categoria abstrata e passa a ser reconhecido como um irmão, alguém que poderia fazer parte da própria família. Agradecendo o trabalho da Cáritas, das paróquias e dos voluntários, destacou que a misericórdia concreta, mesmo expressa em pequenos gestos, é capaz de salvar vidas e devolver esperança.

Os “monstros” que continuam a devorar vidas
Recorrendo à linguagem bíblica, o Papa comparou o mar aos cenários de ameaça e caos descritos nas Escrituras. Segundo ele, ainda hoje existem “monstros” que rondam essas águas: as máfias que lucram com o desespero humano, os traficantes que escravizam mulheres e crianças e a indiferença que permite que tantos pobres sejam “engolidos pela exploração ou pelo esquecimento”. Ao mesmo tempo, recordou que a fé cristã proclama um Deus capaz de vencer o caos e abrir caminhos de vida onde tudo parece perdido. Por isso, afirmou:

“Onde Cristo ordena ao mar que se cale, a Igreja não pode permanecer em silêncio diante daqueles que são abandonados às suas águas.”

(@Vatican Media)

O rosto das vítimas do tráfico humano
O Santo Padre também dedicou parte do seu discurso às vítimas do tráfico humano. Dirigindo-se particularmente a Blessing e às muitas mulheres exploradas por redes criminosas, Leão XIV recordou que ninguém pode ser reduzido a mercadoria. “Ninguém pode comprá-la, vendê-la, usá-la ou descartá-la”, afirmou, porque cada pessoa traz em si a imagem e semelhança de Deus.

Recordando a história da jovem nigeriana, o Papa observou que sua experiência reflete a realidade de muitas pessoas obrigadas a deixar a própria terra não por escolha, mas porque a pobreza, a guerra, as ameaças ou a exploração lhes fecharam todos os caminhos. Dirigindo-se diretamente a Blessing e às inúmeras mulheres vítimas do tráfico humano, ressaltou

“Se outros atribuíram um preço ao seu corpo, Deus nunca deixou de vê-la como uma pessoa de valor inestimável. Se quiseram aprisioná-la em um passado doloroso, Deus continua a lhe prometer um futuro melhor. Se a trataram como um objeto, a Igreja quer lhe dizer hoje: você é filha e irmã, você é uma bênção. Sua vida não pertence a quem a fez mal; seu corpo não pertence a quem se aproveitou de você; seus dias não pertencem a quem quis acorrentá-la ao medo! Sua vida pertence a Deus e conserva uma dignidade que ninguém pode lhe tirar. Nós queremos caminhar com você, até que essa verdade seja ouvida novamente, mais forte que a dor.”

(@Vatican Media)

"Queridos migrantes: antes de dizer-lhes outra palavra, quero me curvar diante da sua dignidade. Vocês não são números, nem fascículos! Vocês são pessoas com família e uma casa que deixaram para trás, com sonhos que ninguém tem o direito de desprezar. Mas também quero dizer que sua vida precisa ser protegida. Não entreguem sua vida a quem as comercializa. Não acreditem em quem promete paraísos fáceis em troca de seu corpo, seu dinheiro, seu silêncio ou sua liberdade. Essas falsas promessas são cantos de sereia, são indústrias da morte."

Um apelo à Europa e à comunidade internacional
Leão XIV ampliou então o horizonte de sua reflexão, afirmando que o drama migratório deve interpelar governos, instituições internacionais e sociedades inteiras. Segundo ele, essa realidade precisa tornar-se “um exame de consciência” para os países de origem, de trânsito e de destino, bem como para toda a comunidade internacional.

Referindo-se à Europa, advertiu que não é possível proclamar a defesa da dignidade humana e, ao mesmo tempo, acostumar-se a ver o Atlântico e o Mediterrâneo transformarem-se em “cemitérios sem lápides”. Segundo o Pontífice, não basta administrar fluxos migratórios, divulgar estatísticas ou reforçar fronteiras. Cada embarcação que chega às costas europeias traz uma pergunta fundamental sobre o tipo de mundo que está sendo construído quando tantas pessoas precisam arriscar a própria vida apenas para sobreviver. Por isso, defendeu vias legais e seguras para a migração, maior cooperação contra as redes criminosas, proteção efetiva das vítimas e políticas capazes de garantir condições dignas de vida nos países de origem. Afinal, observou, se existe o direito de buscar refúgio quando a vida está ameaçada, existe também o direito de não ter que migrar: o direito de permanecer na própria terra “sem fome, sem guerra, sem perseguições, sem violência”.

“Não podemos nos acostumar a contar os mortos. A dignidade humana não tem passaporte, nem perde valor ao cruzar uma fronteira.”

(@Vatican Media)

A humanidade em jogo
Na conclusão, o Pontífice afirmou ainda que a acolhida dos migrantes não pode ser considerada algo secundário nem delegada apenas a alguns voluntários, pois a caridade cristã nasce da oração e conduz novamente a ela por meio do serviço concreto aos que sofrem.Confiando os migrantes à proteção de Nossa Senhora do Carmo, Leão XIV fez um pedido:

“Que a história não nos acuse de ter transformado a dor de quem sofre numa paisagem habitual de nossas cidades litorâneas. Porque hoje, aqui, à beira-mar, cada vida que chega nos pergunta o que resta da nossa humanidade. Cedo ou tarde, saberemos se fomos capazes de preservar essa humanidade ou se deixamos a indiferença falar por nós.”

(@Vatican Media)

Como gesto final do encontro, Leão XIV prestou homenagem aos migrantes que perderam a vida na travessia rumo às Ilhas Canárias. Após o discurso, o Pontífice desceu do palco e, à beira do cais, depositou flores no mar em memória daqueles que morreram tentando alcançar um futuro melhor. Em seguida, voluntários e migrantes formaram uma corrente humana ao longo do porto e também lançaram flores nas águas do Atlântico. O momento foi acompanhado por uma exposição fotográfica instalada no muro do cais, retratando a chegada das embarcações, o acolhimento dos sobreviventes e os percursos de integração das pessoas migrantes. Em clima de recolhimento e oração, o gesto encerrou o encontro com uma lembrança concreta das vidas perdidas no mar e um convite a não esquecer o drama humano que continua a marcar as rotas migratórias.

(@Vatican Media)

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