ANO "A" - DIA: 17.03.2026
4ª SEMANA DA QUARESMA (ROXO)
- Glória a vós, Senhor Jesus, Primogênito dentre os mortos!
- Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo a alegria de ser salvo!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.
1 Houve uma festa dos judeus, e Jesus foi a Jerusalém. 2 Existe em Jerusalém, perto da porta das Ovelhas, uma piscina com cinco pórticos, chamada Betesda em hebraico. 3 Muitos doentes ficavam ali deitados — cegos, coxos e paralíticos —. 4 De fato, um anjo descia, de vez em quando, e movimentava a água da piscina, e o primeiro doente que aí entrasse, depois do borbulhar da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse. 5 Aí se encontrava um homem, que estava doente havia trinta e oito anos. 6 Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: "Queres ficar curado?" 7 O doente respondeu: "Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente". 8 Jesus disse: "Levanta-te, pega a tua cama e anda". 9 No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou a sua cama e começou a andar. Ora, esse dia era um sábado. 10 Por isso, os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: "É sábado! Não te é permitido carregar tua cama". 11 Ele respondeu-lhes: "Aquele que me curou disse: 'Pega tua cama e anda' ". 12 Então lhe perguntaram: "Quem é que te disse: 'Pega tua cama e anda?' " 13 O homem que tinha sido curado não sabia quem fora, pois Jesus se tinha afastado da multidão que se encontrava naquele lugar. 14 Mais tarde, Jesus encontrou o homem no Templo e lhe disse: "Eis que estás curado. Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior". 15 Então o homem saiu e contou aos judeus que tinha sido Jesus quem o havia curado. 16 Por isso, os judeus começaram a perseguir Jesus, porque fazia tais coisas em dia de sábado.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
COMENTÁRIOS:
"O encontro que restaura o homem"
A cura do homem enfermo quando a misericórdia agita as águas da alma
“Houve uma festa dos judeus e Jesus foi a Jerusalém. Existe em Jerusalém, perto da Porta das Ovelhas, uma piscina com cinco pórticos, chamado de Betesda. Muitos doentes ficam ali deitados. De fato, um anjo descia, de vez em quando, e movimentava a água da piscina; o primeiro doente que entrasse, depois de borbulhar da água, ficava curado. Aí se encontrava um homem que estava doente havia 38 anos. Jesus viu o homem deitado e, sabendo que estava doente há muito tempo, disse-lhes: ‘Queres ficar curado?’ Ele respondeu: ‘Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina quando a água é agitada’. Jesus disse: ‘Levanta-te, pega a tua cama e anda'” (João 5,1-16)
No cristianismo, é Deus mesmo, em Cristo, que não só se curva sobre nós para nos explicar o significado do sofrimento, mas, em alguns casos, cura graças a sua onipotência com os milagres, mas também Ele entra na nossa humanidade e prova toda a dor que nós experimentamos.
A fragilidade do homem e o mistério do sofrimento
A dor física, moral, o medo, o silêncio do Pai e, no fim, até mesmo a morte, que é a carteira de identidade do homem, não de Deus. Ele se torna também um cadáver, sem nunca deixar de ser Deus.
Sofre todo o sofrimento humano e nele depõe um germe de transfiguração, que é a ressurreição. Bom, essas são as palavras de um cardeal italiano perguntado sobre o mistério do sofrimento.
Nós sabemos que, nas Sagradas Escrituras, a doença era vista como sendo uma expressão do castigo divino que pesa sobre o homem, o homem que peca. Era uma espécie de disciplina necessária, para trazer o homem de volta do seu caminho errante. O caminho para a cura era a observância da aliança com Deus, que havia sido rompida com a situação de pecado.
No Novo Testamento, nós encontramos ainda resquícios desta mentalidade da retribuição. Porém, a doença se liga, agora, à realidade da ação do mal. É o mal que produz a doença e aflige o homem. Em Jesus, nós encontramos a síntese da resolução desses dois dramas.
O Messias que liberta toda uma geração de males
Jesus liberta dos pecados, Jesus cura das enfermidades. O tempo que aquele homem, que nós acabamos de ver no Evangelho, sofria: 38 anos. Um número expressivo, porque equivale a uma geração no tempo de Jesus, tendo em vista a expectativa de vida, que era baixa naquela época.
Ou seja, aquele homem representava toda uma geração adoecida à espera do Messias salvador e libertador. É Jesus quem, agora, agita as águas paradas da nossa humanidade adoecida e nos faz experimentar o poder salvador de Deus. É ele que, hoje, dirige o Seu olhar a cada um de nós e nos diz: “Levanta-te e anda. A tua fé te salvou”.
Sobre todos vós desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!
Padre Donizete Heleno Ferreira
Sacerdote da C. Canção Nova

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