Na saudação aos participantes da primeira edição dos “Diálogos do Borgo”, realizada em Castel Gandolfo, Leão XIV alertou para os riscos da desumanização provocada pela busca desenfreada pelo lucro e convidou a construir a “Nova Jerusalém”, uma sociedade fundada no amor, na responsabilidade compartilhada e no cuidado com cada pessoa.
Thulio Fonseca - Vatican News
A construção de uma nova liderança moral, capaz de responder aos desafios do mundo contemporâneo, esteve no centro da mensagem dirigida pelo Papa Leão XIV aos participantes da primeira edição dos “Diálogos do Borgo”, encerrada nesta sexta-feira (19/06), no Borgo Laudato Si’, em Castel Gandolfo. Durante dois dias, especialistas, líderes e profissionais de diversas partes do mundo se reuniram para refletir sobre temas que também preocupam a Igreja Católica, entre eles a inteligência artificial e sua relação com a humanidade, o envelhecimento e a vitalidade, o esporte e a diplomacia, além do futuro da sustentabilidade.
Repensar a liderança em um mundo fragmentado
O Pontífice, ao receber o grupo de participantes no Vaticano, definiu a iniciativa como o primeiro passo de um processo destinado a “renovar e repensar a liderança moral” em uma sociedade que, segundo ele, “parece fragmentada e esquecida das próprias raízes históricas”. Leão XIV recordou ainda o apelo lançado na Encíclica Magnifica humanitas, no qual convida a Igreja a dialogar com todos os homens e mulheres do nosso tempo para identificar novos caminhos em favor do bem comum e da promoção de uma vida digna para todos.
Ao mesmo tempo, alertou para aquilo que definiu como uma “cegueira espiritual e cultural” dos nossos tempos, marcada por um falso pragmatismo que busca romper com a memória histórica e alimenta a ilusão de que as tragédias do século XX não possam voltar a acontecer.
Construir a civilização do amor
O Papa destacou que os diálogos foram construídos a partir da visão sinodal da Igreja, baseada na escuta e na promoção da unidade global, reunindo pessoas provenientes de diferentes culturas, competências e experiências, mas unidas pelo compromisso com a transformação ecológica, social e econômica do mundo. Diante da tentação de construir a “torre de Babel”, explicou Leão XIV, símbolo da idolatria do lucro em detrimento dos mais vulneráveis e do crescente risco de desumanização, todos são chamados a colaborar na edificação da “Nova Jerusalém”, a civilização do amor.
“Nessa civilização, o amor deve ser o único princípio orientador da vida econômica, política e cultural”, afirmou o Pontífice.
Conhecimento local e responsabilidade global
Ao agradecer a participação dos presentes, Leão XIV destacou a importância de unir o conhecimento local à responsabilidade global, impulsionando a formação de uma liderança corajosa, algo que considera indispensável nos dias atuais. O Papa manifestou ainda o desejo de que esse processo tenha continuidade em outros contextos e produza novos avanços em favor da humanidade.
Por fim, confiou os participantes à bênção de Deus e os encorajou a serem “humildes construtores da Nova Jerusalém”, uma cidade capaz de oferecer “água viva aos sedentos” e de proporcionar “cuidado, reconhecimento, palavras amáveis e mãos capazes de ternura a cada ser humano”.
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Fonte: www.vaticannews.va

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