
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou uma série especial de Podcast – Discernimento Católico – Eleições 2026 -, dedicada a aprofundar a “Mensagem da CNBB ao povo brasileiro por ocasião das eleições de 2026”, publicada pelo Conselho Permanente da Conferência em junho deste ano. A cada episódio, apresentado pelo jornalista Luiz Lopes Jr, um dos aspectos do documento será abordado a partir dos ensinamentos da Igreja e dos desafios do período eleitoral.

O primeiro episódio da série tem como tema “O que diz a Doutrina Social da Igreja sobre a política” e contou com a participação do bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers. Na conversa, ele apresenta princípios para o discernimento dos cristãos e reforça que a missão da Igreja não é indicar candidatos ou partidos, mas oferecer critérios iluminados pelo Evangelho.
“Nós não somos partido. A Igreja é responsável por evangelizar. A fonte da Igreja é o Evangelho, que é a Boa-Nova, Jesus Cristo”, afirmou. Segundo dom Ricardo, a Doutrina Social da Igreja contribui para atualizar os ensinamentos do Evangelho diante das questões sociais e oferece instrumentos para que cada pessoa faça sua escolha de maneira consciente.
“A Igreja oferece critérios. E não são quaisquer critérios. São os critérios que estão no Evangelho”, ressaltou.
Critérios para o discernimento
Durante o episódio, dom Ricardo apresenta princípios da Doutrina Social da Igreja que podem contribuir para a reflexão dos eleitores. Entre eles estão a dignidade da pessoa humana e a inviolabilidade da vida, o bem comum, a destinação universal dos bens, a solidariedade e a subsidiariedade.
Ao abordar o bem comum, o secretário-geral da CNBB destacou que a política deve estar voltada para toda a sociedade, e não apenas para interesses particulares:
“A política precisa pensar no todo, não apenas em um grupo, em um partido ou em um interesse. O critério do bem comum é o critério do cristão, é o critério do Evangelho”, explicou.
Para dom Ricardo, esses princípios não apontam nomes, mas oferecem referências éticas para o processo de escolha. “São critérios que não definem nomes de candidatos. Definem, eu diria, a ética que fará com que escolhamos bons candidatos.”
Política como expressão da caridade
Outro aspecto aprofundado no primeiro episódio é a compreensão da política como uma forma de exercício da caridade quando está efetivamente orientada para o bem comum.

Dom Ricardo explicou que a caridade cristã não se limita às relações individuais, mas pode alcançar também as estruturas da sociedade. Políticas públicas e ações que promovem a dignidade humana, enfrentam injustiças e ampliam o acesso aos bens necessários à vida são, nessa perspectiva, expressões concretas do amor ao próximo.
“Toda estrutura social voltada para o bem comum é uma forma de ampliar essa caridade, esse amor ao próximo, por meio da política”, afirmou.
O bispo também fez referência ao conceito de “política melhor”, apresentado pelo Papa Francisco na Encíclica Fratelli Tutti. Segundo ele, nem toda prática política pode ser compreendida como expressão da caridade.
“A política melhor é aquela que é para todos, todos, todos. É aquela que não discrimina ninguém. É aquela que respeita a dignidade humana em todas as regiões, independentemente dos interesses.”
Fraternidade diante da polarização
A proximidade do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, memória litúrgica de São Francisco de Assis, também motivou uma reflexão sobre fraternidade e amizade social.
Dom Ricardo alertou para os efeitos da polarização, das inimizades e da violência nas relações políticas e defendeu que o período eleitoral seja vivido a partir do respeito ao outro.
“O outro jamais pode ser meu inimigo. O outro jamais pode ser um objeto que utilizo e depois descarto. A política melhor respeita o outro como irmão”, destacou.
O secretário-geral da CNBB também chamou atenção para a necessidade de superar conflitos partidários e ideológicos, inclusive no ambiente familiar, e direcionar o debate para o bem do país e, especialmente, para as necessidades das pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
“Que São Francisco nos ajude a sermos mais irmãos, mais fraternos entre nós, superando as polarizações e olhando um pouco mais para o horizonte da fraternidade e do respeito ao outro”, afirmou.
Esperança cristã e participação
A esperança cristã foi outro ponto abordado no Podcast. Para dom Ricardo, ela não pode ser entendida apenas como expectativa de que a realidade melhore, mas deve conduzir à ação e ao compromisso com a transformação da sociedade.
“A esperança não é somente a expectativa de que as coisas vão melhorar. Ela também é um ato concreto do cristão, daquele que crê e acredita que é possível mudar”, explicou.
Nesse sentido, o bispo ressaltou que problemas como corrupção, violência e injustiças não devem ser naturalizados. “A esperança em Cristo é saber que a cruz não é o final, mas que a ressurreição vem como vida nova.”
Oração pelo período eleitoral
O primeiro episódio termina com uma oração conduzida por dom Ricardo a partir do livro Encontros de Reflexão e Oração sobre as Eleições 2026, preparado pelo Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep).
Para o secretário-geral da CNBB, a participação nas eleições também deve ser acompanhada pela oração e pela consciência da responsabilidade de cada cidadão.
“Esse ato de cidadania que vamos realizar não é uma mera formalidade. É uma responsabilidade que precisa ser assumida como consequência da nossa oração”, afirmou.
A série “Discernimento Católico – Eleições 2026” terá novos episódios nas próximas semanas dedicados a outros temas presentes na mensagem do Conselho Permanente da CNBB para as eleições de 2026, contribuindo para aprofundar a reflexão, a formação e o discernimento dos cristãos durante o período eleitoral.
Assista o primeiro episódio na íntegra:
Por Larissa Carvalho
Fonte: www.cnbb.org.br
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