terça-feira, 6 de outubro de 2026

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis

Adoração ao Espírito Santo

Cada vez que começamos a orar a Jesus, é o Espírito Santo que, por sua graça previdente, nos atrai ao caminho da oração. Se ele nos ensina a orar recordando-nos Cristo, como não orar a Ele mesmo? Por isso a Igreja nos convida a implorar, a cada dia, o Espírito Santo, sobretudo no início e no fim de toda ação importante. Se o Espírito não deve ser adorado, como é que ele me diviniza pelo batismo? E se ele deve ser adorado, não deve ser o objeto de um culto particular? (Catecismo da Igreja Católica)

Foto Ilustrativa: by Getty Images/ Ig0rZh

Comentário:
– A primeira e mais excelente forma de vida interior é a oração. Os doutores mestres espirituais estão tão convencidos disso, que, frequentemente, apresentam a vida interior como vida de oração. Dessa vida, o principal autor é o Espírito Santo, como já o era em Cristo. Lemos, com efeito, no Evangelho de Lucas: Neste mesmo instante (Jesus), estremeceu de alegria sob a ação do Espírito Santo e disse: “Bendigo-Te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra” (Lc 10,21). É uma oração de louvor e de agradecimento que, segundo o Evangelista, brota daquela alegria de Jesus no Espírito Santo.

Na realidade, sobretudo no ensinamento de São Paulo, o Espírito Santo aparece como o autor da oração cristã. Antes de tudo, porque incita à oração. É ele que gera a necessidade e o desejo de cumprir aquele “vigiai e orai” recomendado por Cristo, especialmente na hora da tentação, porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca (Mt 26,41).

O Espírito Santo está na origem da oração, que reflete do modo mais perfeito a relação existente entre as Pessoas divinas da Trindade: a oração de glorificação e de ação de graças com que se louva o pai e com Ele o Filho e o Espírito Santo. Essa oração estava nos lábios dos Apóstolos, no dia de Pentecostes, quando anunciavam as maravilhas de Deus (cf. At 2,11). O mesmo acontece na casa do centurião Cornélio, quando, durante o discurso de Pedro, os presentes receberam o Dom do Espírito Santo e glorificavam a Deus (cf. At 10,45-47).

💻Leia mais:

O louvor na liturgia: do Te Deum ao Glória Patri
São Paulo interpreta essa primeira experiência cristã, tornada patrimônio comum na Igreja primitiva, quando, na Carta aos Colossenses, depois de Ter desejado que a palavra de Cristo habite em vós ricamente (Col 3,16), exorta os cristãos a permanecerem na oração, cantando, sob a ação da graça, louvores a Deus em vossos corações (ibid). E pede-lhes que este estilo de vida orante seja transferido para tudo quanto se fizer, por palavra ou por obra: fazei-o em nome do Senhor Jesus e dando por Ele graças a Deus Pai (Col 3,17). Recomendação análoga na Carta aos Efésios: Enchei-vos do Espírito. Recitai entre vós Salmos e hinos… cantando e louvando ao Senhor em vossos corações, dando sempre graças por tudo a Deus Pai em nome de nosso senhor Jesus Cristo (5,18-50).

Sobressai aqui a dimensão trinitária da oração cristã, segundo o ensinamento e a exortação do Apóstolo. Vê-se também que, segundo o Apóstolo, é o Espírito Santo que estimula àquela oração e a forma no coração do homem. A vida de oração dos Santos, dos místicos, das escolas e correntes de espiritualidade, que se desenvolveu nos séculos cristãos, está na linha da experiência das comunidades primitivas. É nessa linha que se mantém a liturgia da Igreja, como aparece, por exemplo, no Glória in Excelsis Deo, quando dizemos: Damo-vos graças, pela vossa imensa glória; assim como no Te Deum, no qual louvamos a Deus e O confessamos Senhor.

Nos Prefácios, depois, reaparece o constante convite: Demos graças ao Senhor Nosso Deus, e os fiéis são convidados a dar a resposta de assentimento e de participação: é nosso dever e nossa salvação. Como é belo, por outro lado, repetir com a Igreja orante, no fim de cada Salmo e em tantas outras ocasiões, a breve, densa e esplêndida doxologia do Glória Patri: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo…(João Paulo II LOsservatore Romano de 21/04/91)

Resumo:
‘Ninguém pode dizer: Jesus é Senhor a não ser no espírito Santo (1Cor 12,3). A Igreja nos convida a invocarmos o Espírito Santo como o Mestre interior da oração cristã’.

(Catecismo da Igreja Católica)

Dom Eugenio de Araújo Sales – (⭐ 08/11/1920 – ✝️ 09/07/2012 )
Fonte: Arquidiocese do Rio de Janeiro


Nenhum comentário: